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Nova Central, 25 de junho
de 2007
Projeto da reforma política
volta à pauta da Câmara
A Câmara dos Deputados volta a tentar votar nesta semana a proposta de
reforma política. A votação da proposta, entretanto, sofre
com a falta de consenso entre os líderes partidários.
O relator da reforma política
na Câmara, deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), insiste na aprovação
da chamada lista fechada --na qual o eleitor escolhe seu candidato numa
lista pré-definida pela legenda.
"Vou tentar derrubar a proposta
da emenda flexível. Tenho horror a essa idéia [da emenda
flexível]. É o pior que pode ocorrer, pois pode produzir
a eleição mais corrupta do país, institucionalizando
a disputa interna", disse à Folha Online na semana passada.
Pela proposta de emenda flexível,
o eleitor vota, inicialmente, numa lista pré-definida pelo partido.
Depois, escolhe entre os candidatos da lista elaborada pela legenda o
nome que gostaria que estivesse em primeiro lugar para ser eleito. A
sugestão é defendida por integrantes de vários partidos,
entre eles o DEM, o PT e PMDB.
Emendas
Caiado tem pela frente o exame
de 346 emendas --sugestões apresentadas pelos deputados que podem
ou não ser incluídas no substitutivo (projeto) que ele
prepara para esta semana.
Segundo o relator, serão
incluídas as emendas cujo conteúdo apresenta semelhança
com sua proposta original --de lista fechada.
O detalhe é que
o item referente à lista fechada é apenas o primeiro
da reforma política, que reúne ainda financiamento público
de campanha, fidelidade partidária e coligações.
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Congresso
em Foco, 25 de junho de 2007
Reforma Política: Será que
sai?
Presidente da Câmara garante que reforma
política será votada esta semana. Partidos remendaram projeto
para que ele se tornasse viável
Lucas Ferraz
A idéia inicial era
o mês de maio, mas ela só foi entrar na pauta no mês
seguinte. Primeiro, a Câmara prometeu votá-la há duas
semanas, no dia 13 de junho. Depois, ficou para o dia 20, na semana
passada. Agora, Arlindo Chinaglia (PT-SP), presidente da Casa, afirma
que de quarta-feira (dia 27) não passa. A tão falada
reforma política tem seguido esse roteiro há pelo menos
uma década.
A votação da
reforma foi adiada, entre outros motivos, pela falta de consenso sobre
o projeto relatado pelo deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO). Nele está previsto
um dos mais polêmicos itens, o voto em lista fechada, que o relator
considera sua “espinha dorsal”, ao lado do financiamento
público de campanha.
Ficou claro, no entanto, que
o Plenário não aprovaria esse ponto, principalmente os
deputados dos pequenos e médios partidos. A rejeição
veio até de alguns integrantes do PT, que se rebelaram contra
a determinação do partido de fechar questão sobre
o tema. A solução foi flexibilizar a lista, idéia
que inicialmente parecia complexa demais, mas que logo encontrou um
ponto comum.
O DEM, PMDB, PCdoB, parte do
PSB, além do próprio PT, formaram um chamado “aglutinativo
global”, que nada mais é do que uma espécie de
projeto alternativo, que aproveitou basicamente 80% do conteúdo
do texto original de Ronaldo Caiado. A diferença está exatamente
na lista flexível, que os parlamentares apelidaram de “lista
flex”.
“É um projeto
pirateado. Eles conseguiram fazer no texto algo pior que o atual sistema,
algo que eu não imaginava”, diz Caiado. Na tal lista flex,
o eleitor votaria duas vezes: primeiro, em um partido, que determinará a
lista com os candidatos nas eleições proporcionais (deputados
e vereadores) e a ordem dos nomes; depois, abrirá uma segunda
tela, onde o eleitor poderá reordenar o nome do candidato na
lista.
Lista flex com financiamento público
O que Caiado considera pior
nesse sistema é que, pela proposta, será mantido o financiamento
público de campanha exclusivo. Segundo ele, isso não
seria possível na lista flexível. “É a mesma
coisa que ser escalado para jogar futebol e não poder tocar
na bola”, compara, argumentando que não será possível
impedir o uso do caixa dois, já que ainda haverá competição
entre os candidatos.
O “aglutinativo global” surgiu
das quase 350 emendas apresentadas ao projeto em duas semanas – o
relator Caiado estuda ainda quais serão incorporadas ao seu
projeto. O texto alternativo surgiu exatamente do número 345,
e a tendência é que ele seja votado primeiro que o projeto
do deputado goiano. Mas, para isso, precisará ser aprovado um
parecer pela preferência.
“Quase revolução”
Um dos vice-líderes
do governo, Henrique Fontana (PT-RS), defensor do voto em lista fechada,
se tornou um dos maiores articuladores da lista flex depois de a primeira
opção ter sido enterrada. Ele classifica de “incompreensível” a
posição de Caiado e defende o novo modelo, o qual considera
uma “quase revolução”, como um meio para
acabar com o personalismo que há atualmente nas eleições
proporcionais.
Como uma das medidas de melhoria,
Fontana cita o fim do material individual de campanha – “ele
terá que ser partidário” – e o fortalecimento “programático
dos partidos”. “Além de que, com o financiamento
público, se diminui a força do poder econômico
nas eleições”, explica.
Henrique Fontana concorda que
existirá, se aprovado o texto alternativo, a possibilidade do
uso de caixa dois nas campanhas, principalmente porque os candidatos
continuarão a concorrer com outros. No entanto, o petista diz
que essa disputa será “atenuada”.
Independente do projeto, a
Mesa Diretora quer votar a reforma política esta semana. Chinaglia
está preocupado com a imagem da Câmara, receoso dela sofrer
um processo de desgaste se o projeto naufragar.
Uma antiga frase do ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso (PSDB), contudo, reflete bem o clima no
Congresso nestas semanas de discussão sobre o assunto: “Não
há um deputado ou senador que seja contra a reforma. O problema é que
cada um é a favor da sua reforma política”.
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Congresso
em Foco, 25 de junho de 2007
Muito além da reforma política
Analistas acreditam que só a discussão
do projeto é louvável, mas o consideram inócuo para
resolver as distorções do sistema político brasileiro
Lucas Ferraz
Especialistas são unânimes
ao dizer: a reforma política que a Câmara dos Deputados
discute – e promete começar a votar na próxima
quarta-feira – está longe de resolver as graves distorções
da política nacional. Mas, eles também ponderam: não
há uma solução mágica que resolva todos
os nossos problemas.
“Ninguém nunca
está feliz com o sistema eleitoral que tem”, conforta
o cientista político Lúcio Rennó, professor da
Universidade de Brasília (UnB). Ele participou, na última
semana, de um debate ocorrido no Congresso Nacional ao lado de Felipe
Basile, consultor legislativo do Senado, e Marcelo Lacombe, que tem
a mesma função na Câmara.
Todos concordaram que a reforma
está circunscrita apenas nos aspectos partidário e eleitoral,
distantes, no entanto, de questões tão ou mais importantes,
como a relação entre Executivo e Legislativo e o próprio
funcionamento do Congresso. “Não dá para encerrar
o debate sobre a reforma política apenas nessas questões, é preciso
resgatar a função do Legislativo”, diz Felipe Basile.
O professor Lúcio Rennó ressalta
que as mudanças institucionais ocorridas no Brasil desde 1995
foram realizadas principalmente pelo Executivo ou pelo Judiciário,
com pouca participação do Legislativo. “Por essa
razão sou pessimista quanto às mudanças discutidas
esta semana aqui no Congresso”, disse.
O consultor legislativo do
Senado lembra que não está em discussão no projeto
a relação entre o apoio parlamentar e a distribuição
de cargos e verbas, temas que foram decisivos para o surgimento dos
recentes escândalos políticos, como o mensalão.
Basile diz que isso contribui para que o “cidadão associe
sempre a política com a corrupção”.
Para Marcelo Lacombe, a discussão
sobre a reforma política está carregada de preconceito “teórico
e histórico”. Ele se mostrou cético quanto à eficácia
do projeto relatado pelo deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO). “A
reforma política será temporária. No futuro, serão
reabertas novas negociações que atendam aos interesses
dos partidos”, alfinetou.
Partidos
É nessa ferida que põe
o dedo o professor de ética e filosofia política da Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp), Roberto Romano. Segundo ele, é por
isso que alguns partidos insistiram tanto no voto em lista fechada
presente no projeto de reforma política, e agora defendem a
sua flexibilização. “É uma tentativa de
conseguir apoio diplomático nas bases partidárias e uma
manobra regimental do ponto de vista político e jurídico”,
afirmou.
Marcelo Lacombe critica o sistema
do voto em lista, que seria implementado junto com o financiamento
público de campanha. “Estudos mostram que há mais
corrupção com o voto em lista fechada, pois há menos
transparência”, conta. Ele se refere principalmente ao
poder das legendas para definir os candidatos que entrarão na
lista.
“Os partidos não
têm coesão”, emenda Felipe Basile. Roberto Romano
explica que o modelo dos partidos dos Estados Unidos, Democrata e
Republicano, deveria servir de exemplo para o Brasil. “Lá eles
realizam grande plenárias”, diz, citando ainda as consultas
realizadas periodicamente pelas siglas francesas. “Os partidos
políticos [brasileiros] são oligárquicos, eles
precisam se democratizar”, completou. Sem essa democratização,
diz Romano, não adianta aprovar reforma política nenhuma.
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Congresso em Foco, 25 de
junho de 2007
Voto distrital
Claudionor Rocha*
Quando se fala em reforma eleitoral,
sobressai o voto distrital misto como sistema mais recomendado a proporcionar
fortalecimento dos partidos e identificação do e-leitor
com o mandatário, dentre outros efeitos desejáveis.
Como se sabe, no voto distrital
misto mais comum a circunscrição é dividida em tantos
distritos quanto a metade do número de deputados, de modo que
essa metade é eleita nos distritos uninominais e a outra, pelo
sistema de listas elaboradas pelos partidos. Assim, tem o eleitor direito
a um primeiro voto, no candidato (voto distrital) e a um segundo voto,
no partido (voto de legenda), sendo-lhe facultado utilizar apenas um
deles. Se for ímpar o número de vagas, elege-se um candidato
a mais pelo segundo voto.
O voto duplo só é possível
nas circunscrições eleitorais com direito a quatro va-gas,
no mínimo, uma vez que, para duas vagas, sendo uma definida pelo
sistema proporcional, quanto à outra, pelo majoritário,
o distrito unitário confunde-se com a circunscrição
eleitoral. Se forem três vagas, sendo destinadas duas pelo sistema
proporcional, o resultado é idêntico.
O quociente eleitoral, razão
entre o número de votos válidos e o de cargos a preencher, é estabelecido
com base no segundo voto, para determinar a quantas vagas o partido tem
direito. No sistema italiano, do número de vagas obtidas pelo
partido é descontado o número de mandatos conseguidos nos
distritos, diferentemente do alemão que, não procedendo
a essa subtração, permite a obtenção de mandatos
adicionais, em virtude daqueles conseguidos nos distritos.
Um problema prático que
surge quando se propõe a adoção do voto distrital
mis-to é quanto à divisão da circunscrição
eleitoral em distritos. Não há consenso quanto à melhor
técnica e as propostas são escassas. Parece unânime,
porém, que tal discriminação deva ser feita em função
da população em vez do eleitorado, por estar evidente que
os parlamentares representam a todos, embora o direito político
ativo seja facultado apenas a brasileiros maiores de dezesseis anos,
alistados.
Comenta-se que as microrregiões
homogêneas talvez fossem áreas ideais à conformação
dos distritos. Tais unidades, criadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE) em 1968, foram renomeadas em 1976 para microrregiões
geográficas, conservando sua característica de preservar
os limites municipais, dentro de um mesmo Estado, abrangendo aqueles
ligados entre si por fatores vários, em que predomina o modo de
produção. Nessa mesma ocasião as microrregiões
foram agrupadas em mesorregiões geográficas, abrangendo
duas ou mais microrregiões vizinhas de um mesmo Estado. A própria
quantidade total de microrregiões no país (558) e por Estado
aproxima-se ligeiramente do número de deputados federais, em cada
caso.
A simples identificação
de cada microrregião com um distrito, no entanto, causaria o inconveniente
de tornar caótica a proporcionalidade hoje existente dentro do
mesmo Estado, vez que teriam o mesmo peso político microrregiões
com áreas equivalentes, mas com densidade demográfica extremamente
díspares.
Se considerarmos o município
como a menor área passível de constituir um distrito, podendo
este englobar, ainda, mais de um município como parcela de uma
micror-região, a própria microrregião como um todo
e até várias microrregiões, uma ou mais mesorregiões,
haveria como que uma compensação a essa distorção,
desde que todos os distritos tivessem quase o mesmo número de
habitantes.
Visando a otimizar a divisão
dos distritos levando-se em conta a população, pode-se
estabelecer um “quociente distrital” (QD) que seria a razão
entre o número de habitantes do Estado e o número de vagas
distritais, representando a população ideal de cada distrito.
Diante da impossibilidade de divisão exata e mesmo aproximada, é preciso
estabelecer limites de tolerância para mais e para menos em relação
ao quociente distrital, parecendo ser bastante apropriado o parâmetro
alemão, de um terço.
Assim, a divisão dos distritos
iniciar-se-ia pelos municípios. Aqueles que detives-sem população
entre dois terços e quatro terços do quociente distrital,
isto é, um terço a menos e um terço a mais, constituiriam
um distrito de per si. A seguir, submeter-se-iam as microrregiões
ao mesmo critério, com sede no município mais populoso
e, por fim, as mesorregiões.
Nessa seqüência, o
distrito cuja população excedesse o quociente distrital
teria direito a tantos representantes quantas vezes a população
contivesse referido quociente. Consistiria, então, em um distrito
de magnitude superior a 1, igual ao mencionado quociente, criando-se,
na hipótese, o distrito de média magnitude. Aí surgiria
outro problema, quanto ao município bastante populoso, normalmente
a capital, em relação aos demais do Estado, o qual, se
constituísse apenas um distrito, com direito a mais de uma vaga,
influiria no cálculo final do número de distritos. A solução é fixar
o número de deputados a serem eleitos pelo voto distrital, sem,
no entanto estabelecer um número cer-to de distritos, de modo
que a disputa de tais vagas de um mesmo distrito seria plurinominal,
conforme o número delas. Essas vagas múltiplas, num mesmo
município, seriam descontadas do total, a partir da segunda, de
modo que o número de deputados eleitos pelo sistema distrital
seria a metade, mas o número de distritos poderia ser menor.
Na hipótese de mais de
uma vaga na mesma microrregião, ela seria dividida em tantos distritos
quantas vagas fossem, abrangendo, cada um, dois ou mais municípios,
o mesmo se procedendo quanto à situação semelhante
numa mesma mesorregião. As vagas seriam distribuídas preferencialmente
por microrregião dentro de uma mesma mesorregião e, não
sendo possível, pelo número de microrregiões necessárias
para conter os distritos, de forma que as médias eleitorais dos
distritos assim formados fossem as mais próximas possíveis,
entendendo-se como “média eleitoral” (ME) a razão
entre o número de habitantes e o de vagas.
Na formação de
distrito com mais de uma unidade, seja município, microrregião
ou mesorregião, ou mistas, seriam considerados os seguintes fatores,
na medida do possível, além daqueles determinantes descritos:
1) que sejam o mais próximas
entre si;
2) que tenham, no conjunto, o
menor perímetro;
3) que sejam todas, ou a maioria,
contíguas entre si;
4) que estejam interligadas,
por vias terrestres ou aquáticas convergentes a uma conurbação
principal centralizada; e
5) que o município encravado
na área de outro ou que se limite apenas com um município
do mesmo Estado integre o mesmo distrito, exceto se constituir um, isoladamente.
Restando vagas, seriam destinadas
aos distritos com maior sobra (população menos o produto
do quociente distrital pelo número de vagas), recalculando-se
as médias naqueles com vagas acrescidas. Proceder-se-ia aos ajustes
necessários quando, atingido o número de vagas distritais
previstas, qualquer dos distritos extrapolasse a tolerância de
um terço para mais ou para menos do quociente distrital, efetuando-se
a distribuição por agregação a um distrito
e desagregação correspondente de outro, de municípios,
microrregiões ou mesorregiões em novas combinações
entre si. Note-se que a estrita obediência a essa tolerância é garantia
de caráter constitucional na Alemanha.
A título de exemplo e
como prova de que o sistema pode funcionar como proposto, sugere-se a
divisão distrital abaixo, considerando o Estado mais populoso
(São Paulo) e outro de população média (Goiás).
Estado de São
Paulo
População: 34.583.637 (1997).
Número de deputados: 70.
Deputados a serem eleitos pelos distritos: 35.
Quociente distrital (QD): 988.103; dois terços: 658.735; quatro terços:
1.317.470.
Ao se formarem os distritos,
verificamos primeiramente quais municípios podem constituir um,
isoladamente: São Paulo (9.856.879), com direito a nove vagas
e Campinas (919.084), com direito a uma. Depois, as microrregiões
46-Sorocaba (1.015.927), 50-São José dos Campos (1.130.429),
59-Guarulhos (1.107.253), 60-Itapecerica da Serra (742.776), 62-Moji
das Cruzes (1.011.269) e 63-Santos (1.193.944). Em seguida, as mesorregiões
04-Bauru (1.231.872), 05-Araraquara (675.616), 06-Piracicaba (1.142.262),
08-Presidente Prudente (764.941) e 11-Itapetininga (698.491). Sobraram
catorze vagas, que serão preenchidas mediante os cálculos
seguintes.
Aproveitando os municípios
remanescentes da microrregião 61-São Paulo, formaríamos
o distrito São Bernardo do Campo/Diadema (1.006.441), este último
por estar confinado; outro pelos demais municípios: Santo André,
Mauá, São Caetano do Sul, Ribeirão Pires, e Rio
Grande da Serra (1.253.611). No distrito 32-Campinas, os demais municípios
da microrregião (1.105.210). No 57-Osasco, um distrito englobando
os mu-nicípios Osasco/Barueri (820.030) e outro integrando os
demais (670.107), uma vez que a população da microrregião
toda extrapola os quatro terços, bem como o município de
Osasco sozinho não atinge os dois terços.
As mesorregiões 09-Marília
e 10-Assis, confinantes, são suficientes para formar apenas um
distrito (830.787) conjuntamente. Extrapolam os quatro terços
as mesorre-giões 01-São José do Rio Preto e 02-Ribeirão
Preto. A primeira cederia a microrregião 01-Jales para a mesorregião
03-Araçatuba, formando assim dois novos distritos, com 1.204.932
e 770.155 habitantes respectivamente. A mesorregião 02-Ribeirão
Preto se-ria dividida em dois distritos, um formado pelas microrregiões
14-Ribeirão Preto/13-Jaboticabal (1.142.980) e outro pelas demais
(819.803).
Restaram as microrregiões
remanescentes das mesorregiões 07-Campinas (1.004.315) e 13-Vale
do Paraíba Paulista (678.386), as quais formam distritos independentes,
bem como as das mesorregiões 12-Macro Metropolitana Paulista (microrre-giões
45-Piedade, 47-Jundiaí e 48-Bragança Paulista), 15-Metropolitana
de São Paulo (microrregiões 58-Franco da Rocha e 60-Itapecerica
da Serra) e toda a mesorregião 14-Litoral Sul Paulista. Ficaram
separadas as microrregiões 45-Piedade, de um lado, 47-Jundiaí e
48-Bragança Paulista, de outro, da mesma mesorregião 12-Macro
Metropolitana Paulista, já que a microrregião 46-Sorocaba,
situada entre elas, formou um distrito isoladamente. Assim, forma-se
um novo distrito misto englobando as microrregiões 47-Jundiaí,
48-Bragança Paulista e 58-Franco da Rocha, partes das mesorregiões
12 e 15 acima referidas (1.160.552).
Sobraram a microrregião
isolada 45-Piedade e a mesorregião 14-Litoral Sul Pau-lista. Quanto à microrregião
Piedade (157.399), contígua aos distritos Itapecerica da Serra
(742.776), Sorocaba (1.015.927) e Itapetininga (698.491) e à mesorregião
Litoral Sul Paulista (392.489), se a associarmos à última,
atinge uma população de 549.888, insuficiente para formar
um distrito. A mesorregião Litoral Sul Paulista, embora pouco
habitada, tampouco pode ser acrescida aos já formados distritos
vizinhos São Paulo, Santos e São Bernardo do Campo/Diadema,
sob pena de extrapolar os quatro terços (1.317.470). Se acrescermos
o Litoral Sul Paulista e Piedade ao distrito contíguo menos populoso,
Itapetininga, teremos 1.248.379 habitantes, dentro do limite de quatro
terços. Esses dois territórios não podem ser acrescidos
ao mesmo tempo ao outro distrito contíguo já formado, Sorocaba,
pois extrapolaria os quatro terços, com 1.408.416 habitan-tes.
No entanto, ao buscarmos o contingente populacional mais próximo
entre os distri-tos, especialmente sendo possível o remanejamento,
por se tratar de distritos vizinhos, podemos associar a microrregião
45-Piedade a outros distritos que redundem em popu-lação
menor (mais próximo do quociente distrital), como Sorocaba (1.173.326),
Itapetininga (855.890) ou Itapecerica da Serra (900.175), sendo esta última
a opção que mais se aproxima do QD. Quanto à mesorregião
14-Litoral Sul Paulista, poderia ser acresci-da aos distritos Itapetininga
(1.090.980) e Itapecerica da Serra (1.135.265), ficando o primeiro mais
próximo do QD.
Fica assim definido que a mesorregião
14-Litoral Sul Paulista passe a integrar o distrito Itapetininga (1.090.980),
enquanto a microrregião 45-Piedade se junta ao distrito Itapecerica
da Serra (900.175), fazendo com que a média desses dois últimos
distritos se aproxime do quociente distrital (988.103).
Faltando, ainda, uma vaga a ser
preenchida, ela será destinada ao distrito com maior sobra (963.952),
que é o do município de São Paulo, que contará,
afinal, com dez vagas, num total de 35, distribuídas em 26 distritos.
Se essa vaga extra de São Paulo determinasse uma média
inferior a dois terços do quociente eleitoral, nova divisão
deveria ser feita, de modo a manter a população de cada
distrito nos limites estabelecidos.
Estado de Goiás
População: 4.515.868 (1994).
Número de deputados: 17.
Deputados a serem eleitos pelos distritos: 8.
Quociente distrital (QD): 564.483; dois terços: 376.322; quatro terços:
752.644.
Primeiramente, verificamos que
o município de Goiânia (1.002.377) tem quociente distrital
suficiente para formar dois distritos, cabendo-lhe, portanto, duas vagas.
O conjunto dos municípios remanescentes da microrregião
10-Goiânia (491.332), constituem outro distrito. As mesorregiões
01-Noroeste Goiano e 02-Norte Goiano formam apenas um distrito (499.966).
Outro distrito é formado
pela mesorregião 03-Centro Goi-ano menos a microrregião
10-Goiânia (708.018). A mesorregião 04-Leste Goiano forma
um distrito isolado (733.060), enquanto a 05-Sul Goiano forma dois, um
englobando as microrregiões vizinhas 13-Sudoeste de Goiás
e 18-Quirinópolis (399.855) e outro, integrado pelas microrregiões
14-Vale do Rio dos Bois, 15-Meia Ponte, 16-Pires do Rio e 17-Catalão
(581.260). Assim, o total de oito vagas está preenchido, em sete
distritos. Caso houvesse sobra maior que o quociente distrital, tal divisão
teria de ser revista e feita de outra forma.
Com tal estudo, procurou-se
demonstrar que a divisão dos distritos não é tão
complexa, conforme o sistema proposto. Os exemplos utilizados, o Estado
mais populoso e outro, de população média, bem
como o universo populacional de épocas distintas, denotam a
aplicabilidade do método a qualquer Estado brasileiro, a qualquer
tempo. *Claudionor Rocha é consultor legislativo, diretor do
Departamento de Polícia Legislati-va da Câmara dos Deputados.
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SITE CONTAS ABERTAS, 25 de
junho de 2007
PAC: 5 meses de “idade” com
menos de 20% do orçamento executado
Passado cinco meses do lançamento do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC), a menina dos olhos de ouro do segundo mandato Lula ainda
está longe do ideal, apesar da “mãozinha” recebida
nos últimos dias. Da parcela orçamentária prevista para
o PAC, este ano, R$ 1,2 bilhão já foi efetivamente pago para
contribuir com as obras do pacote. Desses, quase a metade foi injetada no programa
em pouco mais de um mês. Apesar dos esforços em acelerar as aplicações,
a parcela aplicada ainda está distante do que seria considerado satisfatório,
já que não chega sequer a 20% do total previsto para este ano.
Do início de maio a meados
de junho, as ações do PAC receberam R$ 570,8 milhões
apenas da administração federal direta. Apesar dos esforços,
a maior parte da verba global aplicada de janeiro para cá, cerca
de R$ 1 bilhão, ainda serve para dar continuidade a obras que
já estavam em andamento antes da criação do programa.
Os dados se referem à parcela do PAC paga diretamente pela União,
excluindo assim, a aplicação das estatais, os repasses
aos estados e a parcela administrada pela iniciativa privada.
Do montante total desembolsado
pelo governo até agora, apenas R$ 150 milhões arcaram com
gastos de novos projetos iniciados em 2007. Embora a quantia ainda seja
pequena em relação aos pagamento dos chamados “restos
a pagar” (dívidas antigas), no que depender do ritmo de
liberações implementado pelo governo nos últimos
dias, as “novas obras” têm tudo para se adequar ao
nome do plano econômico. Em menos de um mês, tais aplicações
praticamente triplicaram, passando de R$ 57,3 milhões em 22 de
maio, para o patamar atual.
No intuito de fazer engrenar
o principal motor do atual mandato, um empurrãozinho a mais também
vem sendo dado às reservas orçamentárias destinadas
ao programa de crescimento. Até agora, o governo comprometeu R$
2,7 bilhões para as ações do PAC, o que corresponde
a 36,6% do montante total que deverá ser empenhado até o
fim do ano. Em pouco mais de 10 dias, o governo reservou R$ 438 milhões
para contribuir com as 533 ações orçamentárias
do pacote de obras.
Mesmo com o corre-corre recente
de liberações, muitas das ações previstas
pelo PAC ainda não receberam sequer um centavo diretamente dos
cofres federais. Ao todo, 216 projetos permanecem literalmente “empacados”,
já que, em 2007, não contaram com recurso algum do orçamento.
A parcela “esquecida” corresponde a 40,5% das ações
orçamentárias que integram o programa de aceleração.
Se tudo correr bem, até dezembro um total R$ 7,5 bilhões
deve contribuir com a evolução do PAC. Pelo menos, é o
que espera o governo federal.
Do montante orçamentário
executado até agora, a maior parte contribuiu para a melhoria
do sistema de transportes brasileiro. Cerca de 80% da quantia global
empenhada até agora para o programa de crescimento beneficiaram
obras ligadas a estradas, ferrovias e portos. De janeiro para cá,
R$ 2,3 bilhões já foram reservados no orçamento
em benefícios dessas ações, dos quais R$ 893,8 milhões
já saíram efetivamente dos cofres.
Investimentos
Coincidência ou não,
o anúncio do PAC, aliado aos esforços do governo em fazê-lo
decolar, ao menos do ponto de vista orçamentário, ocorrem
paralelamente ao aumento global de investimentos federais, que atingiram
nível recorde nos primeiros cinco meses de 2007. De janeiro a
maio, os investimentos da União superaram em 26,2% os do mesmo
período de 2006, em valores atualizados pela inflação.
Nos primeiros cinco meses do ano, os órgãos federais desembolsaram
R$ 5,1 bilhões com obras e compra de equipamentos, o maior montante
dos últimos sete anos.
O clima favorável, tanto
interno, quanto externo, ao crescimento da economia gerou resultados
satisfatórios no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do primeiro
trimestre, considerado adequado pelo governo. Apesar dos esforços
feitos pela administração em “vitaminar” o
PAC nos últimos meses, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo,
declarou que o programa ainda não influenciou o crescimento do
PIB brasileiro.
Para o economista e especialista
em contas públicas, Raul Velloso, o aumento dos investimentos
federais neste início de ano é resultado de uma combinação
de fatores econômicos favoráveis. Tais fatores vêm
permitindo ao poder público investir mais, apesar das despesas
correntes (salários, limpeza, diárias, passagens,etc) também
continuarem crescendo, o que de certa forma é prejudicial.
“Os investimentos da União
estão alcançando valores um pouco acima, até, das
cifras mais elevadas que se verificaram durante o Governo FHC. Isso mostra
que, apesar do velho problema fiscal (que requer a obtenção
de superávits fiscais elevados), do forte crescimento dos gastos
correntes (que se mantém há anos), e das conhecidas dificuldades
de gestão na área federal, o governo vem conseguindo, aos
poucos, tirar o atraso na implementação de investimentos
públicos”, explica Velloso.
Segundo o especialista, só tem
sido possível conciliar a aceleração dos investimentos
com os crescentes gastos correntes, devido à queda nos superávits
fiscais resultante da forte expansão da arrecadação
(10,3% em termos reais, de janeiro a abril deste ano contra idêntico
período de 2006).
“A queda moderada dos superávits
fiscais se tornou possível por conta da queda da taxa SELIC, taxa
essa com firme perspectiva de continuar caindo pelo menos até o
final do ano que vem, em face do cenário externo favorável
sob que temos vivido, e deveremos continuar a viver por um tempo”,
destaca. Apesar dos bons resultados, para Velloso, o grande problema
continua sendo a carga tributária. “O governo não é capaz
de reduzi-la e, por conseqüência, acaba não conseguindo
abrir espaço maior para os investimentos privados”, conclui.
Mariana Braga
Do Contas Abertas
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ÂMBITO JURÍDICO,
25 de junho de 2007
Multa por não fornecimento
de formulário PPP em tutela antecipada depende de prova
desse direito
Ao julgar mandado de segurança impetrado por empresa telefônica,
a 1ª Seção Especializada em Dissídios Individuais
do TRT-MG entendeu razoável o pedido de exclusão da multa diária
de R$10.000,00, imposta em primeiro grau pelo descumprimento da obrigação
de fornecer ao reclamante cópia do formulário PPP (Perfil Profissiográfico
Profissional). Segundo explica o desembargador relator, Irapuan de Oliveira
Teixeira Lyra, não foi demonstrado o direito líquido e certo
do reclamante de obter, por antecipação de tutela, um documento
que necessita de perícia técnica para ser produzido.
Nos termos da Lei nº 8.213/91
e Decreto nº 3.048/99, a aposentadoria especial é devida
aos segurados que tenham trabalhado em condições prejudiciais à sua
saúde ou à sua integridade física, cuja comprovação é feita
através do formulário PPP, emitido pela empresa, na forma
estabelecida pelo INSS. Mas, de acordo com a Instrução
Normativa n. 11/06 do INSS, o documento só será exigível
para todos os segurados após a implantação do PPP
em meio magnético pela Previdência Social, o que ainda não
ocorreu.
Para o relator, como a empresa
telefônica não reconhece que o autor trabalhou em atividade
insalubre, perigosa ou penosa, e o reclamante nunca recebeu adicional
de insalubridade ou periculosidade, a princípio, a empresa sequer
teria obrigação de entregar o documento ao reclamante quando
o dispensou.“Se o reclamante exerceu atividades em contato com
agentes nocivos ou perigosos, essa constatação somente
será feita por intermédio da perícia técnica,
que foi requerida tanto pela empresa impetrante quanto pelo reclamante,
perícia esta só determinada pelo juiz impetrado (autoridade
apontada como coatora) após a aplicação da multa à empresa” -
conclui.
Nesse caso, a tutela antecipada
concedida ao reclamante não atentou para o disposto no art. 273
do CPC, já que não há prova inequívoca de
que o ex-empregado tenha direito ao preenchimento do formulário.
Com a decisão, a empresa
foi desobrigada de pagar a multa, sendo determinado à autoridade
apontada como coatora (juiz da Vara) que se abstenha de determinar o
bloqueio de dinheiro na conta corrente da reclamada para pagamento da
penalidade.
( MS nº 01760-2006-000-03-00-1
)
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JORNAL
O ESTADO DE SÃO PAULO, 25 de junho de 2007 | Nacional
Reforma da Lei de Licitações é insuficiente
para evitar fraudes
Projeto que vai a votação no Senado
tem brechas que facilitam irregularidades, alertam procuradores
Fausto Macedo
Aposta do governo Lula para
embalar seu Programa de Aceleração do Crescimento (PAC),
a reforma da Lei de Licitações - alteração
de 20 artigos da Lei 8.666/93 - é insuficiente para evitar fraudes
e desvios como aqueles que a Operação Navalha atribuiu à Gautama,
empreiteira de Zuleido Veras com trânsito aberto em ministérios,
secretarias, governos estaduais e prefeituras.
O alerta é de procuradores
que atuam no combate à improbidade e atos lesivos ao Tesouro.
As construtoras menores, rotineiramente alijadas de grandes contratos,
também se rebelam. Denunciam os “editais criativos”,
que restringem participação de maior número de
concorrentes.
O texto original do Executivo,
com aval do Palácio do Planalto, sofreu alterações
na Câmara, que aprovou nova redação, o substitutivo
32/07. No Senado, em regime de urgência, o projeto também
foi alterado, antes de passar pela Comissão de Constituição
e Justiça. Deve ir a plenário nos próximos dias,
apesar da forte pressão exercida por empreiteiras, de olho no
grande baú de obras públicas que o PAC promete abrir
na praça.
“O projeto que a Câmara
aprovou deixa algumas brechas que facilitam fraudes e irregularidades”,
adverte o procurador de Justiça João Francisco Viegas,
coordenador das promotorias da Cidadania e da Justiça, braço
do Ministério Público de São Paulo que investiga
corrupção.
O projeto 7709/07, de autoria
do Executivo, previa o uso do regime de pregão eletrônico
na contratação de obras, mas sem referência de
valores. Na Câmara esse valor foi fixado em R$ 340 mil no Projeto
de Lei Complementar 32. “É uma limitação
absurda porque insignificante para uma obra”, avalia o procurador.
Na CCJ do Senado, no entanto,
o valor do pregão subiu para R$ 3,4 milhões. “É bem
mais razoável”, calcula Viegas.
“Só se resolve
esse problema de licitações no Brasil se tivermos uma
lei que defina objetivamente as exigências financeiras e técnicas
no edital”, sustenta o empresário Luciano Franco Barreto,
ex-presidente do Sindicato das Indústrias da Construção
Civil de Sergipe.
Sua construtora, a Celi, mantém
contratos com o poder público - um viaduto em Aracaju, orçado
em R$ 15 milhões, uma adutora de R$ 37 milhões e ampliação
do centro de treinamento do Senai, no Rio, por R$ 12 milhões. “É uma
luta antiga por coisas simples. Quem legisla não quer dizer
que está agindo de má fé. Mas do jeito que está desestimula
o crescimento das pequenas e médias empresas. O governo coloca
condições mais difíceis de serem atendidas pelo
mercado. Acaba dando margem à improbidade.”
O novo texto, que será submetido
ao plenário do Senado, adota o pregão, que passará a
ser obrigatório para todas as licitações do tipo
menor preço cujo valor estimado seja de até R$ 3,4 milhões
para obras e R$ 85 milhões para compras e serviços. Valores
superiores seguem sendo licitados pelo sistema tradicional. O pregão
também poderá ser utilizado nas licitações
internacionais.
Os editais serão divulgados
inclusive pela internet. A ação de testas-de-ferro poderá ser
coibida. Os laranjas são usados por empresas impedidas de fechar
contrato com a administração. Também será disponibilizado
aos Estados, Distrito Federal e municípios o Sistema de Cadastramento
Unificado de Fornecedores, que aponta a lista de construtoras que descumpriram
contratos com a União.
PODERES
O senador Jarbas Vasconcelos
(PMDB-PE), relator do projeto, propôs regras mais duras. Uma
dá poderes aos tribunais de contas para aplicarem diretamente
as penalidades de suspensão do direito de licitar e de contratar
com a administração quando comprovados desvios de empresas.
Para o relator, se essa norma já estivesse em vigor, o escândalo
da empreiteira Gautama poderia ter sido evitado.
Jarbas propôs o
restabelecimento do prazo médio para recursos em 5 dias, ao
contrário dos dois dias propostos pela Câmara, para
que as empresas tenham condições de recorrer ou se
defender. As empresas que fizerem negócio com o Estado superior
a R$ 34 milhões poderão ser obrigadas a oferecer garantia
de até 10% do valor do contrato. O relator avalia que isso
tornará “mais fácil indenizar a administração
no caso de empresas que assumirem contratos de grandes obras e deixarem
de cumpri-los”.
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JORNAL
O ESTADO DE SÃO PAULO, 25 de junho de 2007 | Nacional
Clã Calheiros domina emendas;
senadores cobram novo relator
Grupo político chefiado por Renan libera
mais emendas que a média dos parlamentares Senadores da oposição
e da base governista querem rapidez na definição do novo
relator | Parte da tropa de choque espera que novos escândalos
enfraqueçam caso | Apresentar notas fiscais de venda de gado
para justificar gastos é comum em escândalos
Senadores da oposição e governistas vão cobrar hoje do presidente
do Conselho de Ética, Sibá Machado (PT-AC), mais rapidez na definição
do nome do relator da representação do PSOL contra o presidente
do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Acusado de ter contas pessoais
pagas por um lobista da construtora Mendes Júnior, Renan não
tem a mesma pressa. Parte de seus aliados espera que o caso enfraqueça
no recesso de julho ou se dilua em meio a outros escândalos,
como o do senador Joaquim Roriz (PMDB-DF). Essa tática apresenta
o risco de deixá-lo cada vez mais exposto.
Um levantamento de emendas
orçamentárias feitas por parlamentares indica que Renan,
junto com seus dois irmãos, os deputados Olavo e Renildo, e
o ex-senador e atual governador de Alagoas, Teotônio Vilela (PSDB),
formam um bloco poderoso. Desde o início do governo Lula, o índice
de aproveitamento de suas emendas ao Orçamento, que somam R$
38 milhões, é quase o dobro da média de outros
parlamentares.
Os negócios particulares
de Renan - que apresentou notas de venda de gado para justificar
pagamentos - também tendem a ficar mais expostos.
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ÂMBITO JURÍDICO,
25 de junho de 2007
Processo em papel deixará de existir em quatro anos
Em quatro anos, no máximo, todos os novos processos judiciais tramitarão
eletronicamente, via web. A previsão foi feita pelo secretário-geral
do Conselho Nacional de Justiça, juiz Sérgio Tejada, em entrevista à rádio
CBN, na tarde desta quarta-feira, para o jornalista Adalberto Piotto. O CNJ
desenvolveu um sistema de tramitação eletrônica de processos,
via web, em software livre, o Projudi, que vem sendo distribuído gratuitamente
a tribunais de todo o país.
Em nove tribunais, o sistema
já está em uso experimental, e outros 16 devem implementar
o serviço até o final do ano. O processo virtual também
já é realidade, segundo Tejada, em cerca de 80% dos juizados
especiais federais.
Uma das grandes vantagens do
processo virtual é o combate à morosidade da Justiça,
segundo o magistrado. "Este sistema tem se mostrado a ferramenta
mais eficiente para combater a morosidade. Mais de 60% de todo o tempo
de tramitação do processo são perdidos pela burocracia.
O processo virtual, quando não abole totalmente estas tramitações,
as transforma em frações de segundo. Por isso, o Projudi
permite que os processos tramitem até cinco vezes mais rapidamente
que o processo em papel", disse Tejada.
O secretário-geral do
CNJ também anunciou que o Projudi será estendido às
delegacias de polícia. "Com o uso do Projudi, um termo circunstanciado
que é lavrado na polícia pode ser digitado diretamente
na Justiça, o que permite grande economia de tempo", informou.
As partes também têm
ganhos com o uso do sistema, disse Tejada. "Como o processo passa
a tramitar em tempo real, via internet, as pessoas podem consultar o
processo em qualquer momento, sem problema de horário. Elas podem
ver o processo de noite, no sábado, no domingo. Com o processo
virtual, a justiça fica disponível 24 horas por dia, sete
dias por semana".
Os investimentos para a implementação
do sistema, de acordo com o secretário-geral, se pagam em menos
de um ano. "O investimento inicial é baixo. Hoje, a maioria
das repartições da Justiça já tem computadores,
redes e os equipamentos básicos. Precisa, claro, de máquinas
mais modernas. O programa é cedido gratuitamente pelo CNJ, que
também ajuda com a compra de equipamentos os tribunais mais necessitados. É um
investimento que se paga em menos de um ano só com o que se economiza
com papel", disse.
Fonte: CNJ
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ÂMBITO JURÍDICO,
25 de junho de 2007
Empregador doméstico pobre
não está isento de depósito recursal
O benefício da assistência judiciária gratuita é concedido às
partes que comprovarem sua miserabilidade. Porém, mesmo que o empregador
goze do benefício, ele não está dispensado do recolhimento
do depósito recursal, uma vez que este trata de garantia do juízo
da execução, e não de despesa processual. Adotando este
fundamento, a Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho seguiu o voto
da relatora, ministra Dora Maria da Costa, e rejeitou agravo de instrumento
de uma empregadora doméstica de Brasília (DF). Ela foi condenada
em primeiro grau ao pagamento de diversas verbas trabalhistas a um caseiro
de sua residência e teve seu recurso contra a condenação
rejeitado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (DF/TO)
por não ter efetuado o recolhimento do depósito recursal.
O caseiro trabalhou para a empregadora
de fevereiro de 2002 a agosto de 2005, numa residência do Setor
de Mansões Park Way, em Brasília. Ao ser demitido, ajuizou
reclamação trabalhista pleiteando horas extras, 13º salário,
férias e FGTS, entre outras verbas, dando à causa o valor
total de R$ 27 mil. A sentença deferiu parte dos pedidos, condenando
a empregadora ao pagamento de aviso prévio, férias vencidas
e salários retidos, além da anotação na carteira
de trabalho e outras verbas.
Ao ajuizar recurso ordinário,
a patroa juntou declaração de miserabilidade jurídica
e pediu o benefício da assistência judiciária gratuita.
O TRT/DF considerou o recurso deserto pela ausência do depósito
recursal, e negou seguimento ao recurso de revista porque o entendimento
adotado estava de acordo com a jurisprudência do TST. A empregadora
interpôs então agravo de instrumento para o TST, insistindo
na alegação de que, como beneficiária da justiça
gratuita, não precisaria efetuar o depósito recursal, e
que a recusa do TRT em julgar seu recurso ofendia a Constituição
Federal.
A ministra Dora Maria da Costa
ressaltou em seu voto que a assistência judiciária gratuita
prevista na Lei nº 1.060/50 é concedida às partes
hipossuficientes, tanto pessoas físicas quanto jurídicas. “Todavia,
o artigo 3º da mesma lei o exime apenas do pagamento das despesas
processuais, e o depósito recursal é garantia do juízo
da execução”, esclareceu. (AIRR 1155/2005-018-10-40.4)
(Carmem Feijó)
Fonte: TST
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ÂMBITO JURÍDICO,
25 de junho de 2007
Empresa arca com correções
do FGTS pelo período em que administrou a conta do empregado
A 6ª Turma do TRT-MG, acompanhando voto do juiz convocado João
Bosco Pinto Lara, negou provimento a recurso ordinário de uma instituição
de ensino condenada a pagar diferenças geradas pela aplicação
de índices de correção sobre o saldo do FGTS relativa
ao período em que a empregadora foi responsável pela administração
da conta. É que, de agosto de 1977 a novembro de 1989, a reclamada permaneceu
administrando os valores recolhidos mensalmente a título de Fundo de
Garantia, sem transferi-los para a conta vinculada do reclamante junto à CEF,
conforme determinado pela Lei 7.839/89, que instituiu a migração
das contas de FGTS para a Caixa.
“Ao permanecer administrando
o saldo do FGTS, sem transferir os valores respectivos para a conta vinculada
junto à CEF, a ré assumiu a responsabilidade pela correção
monetária e aplicação dos juros de mora conforme
os índices devidos, inclusive os chamados expurgos inflacionários,
tratados pela Lei Complementar nº 110/2001 (Planos Collor e Verão)”.
O juiz ressaltou que, se estivesse sob a responsabilidade da CEF, o reclamante
faria igualmente jus à correção de todos os índices,
que deveriam ser pagos pela Caixa.“Como o valor era administrado
pela ré, a recomposição deve ocorrer às suas
expensas”, frisou.
( RO nº 00854-2006-041-03-00-9
)
Fonte: TRT3
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Folha
de São Paulo, 25 de junho de 2007
PMDB inicia ofensiva a favor de Renan
Liderança do partido irá contestar
todos os procedimentos adotados no processo disciplinar contra o presidente
do Senado
| Oposição se articula para evitar movimento, que visa protelar
e esvaziar votação de suposta quebra de decoro por Renan Calheiros
RENATA GIRALDI, DA FOLHA ONLINE
SILVANA DE FREITAS, DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A três semanas do início
do recesso do Congresso, os aliados do presidente do Senado, Renan
Calheiros (PMDB-AL), iniciam, nos próximos dias, a estratégia
para adiar a votação do processo de quebra de decoro
parlamentar no Conselho de Ética, apostando que o tempo contará a
seu favor.
Na quarta-feira, em reunião
do conselho, o vice-líder do PMDB, senador Wellington Salgado
(MG), um dos fiéis integrantes da tropa de choque de Renan,
vai apresentar um requerimento contestando ponto a ponto todos os procedimentos
adotados até agora nesse processo disciplinar.
"A representação
do PSOL [pela abertura da investigação no conselho] teve
um objetivo específico e o que se percebe agora é que
as denúncias geram outros questionamentos", disse Salgado,
alegando um suposto desvirtuamento do alvo. Os questionamentos têm
o objetivo de atrasar outras medidas que poderiam ser definidas pelo
Conselho.
O Congresso ficará em
recesso parlamentar de 18 de julho a 1º de agosto. Nesse período,
funcionam as CPIs (comissões parlamentares de inquérito)
e comissões representativas do Senado e da Câmara -integradas
por representantes de todos os partidos nas duas Casas.
Também na quarta-feira, em contrapartida, o PSOL lançará em
Brasília a campanha "Basta de Corrupção, Fora Renan",
na tentativa de mobilizar a sociedade. Paralelamente, o partido prepara ações
para remeter ao Ministério Público Federal e ao STF (Supremo
Tribunal Federal), caso o processo contra o peemedebista não tenha continuidade
no Senado.
"Há uma manobra
protelatória evidente. Como a estratégia de abafar o
caso não deu certo, eles [os aliados de Renan] querem agora
ganhar tempo para se articular. Vivemos um impasse fabricado",
disse o líder do PSOL na Câmara, Chico Alencar (RJ). No
Senado, a oposição se articula para desmontar a manobra
protelatória. O senador Jefferson Péres (PDT-AM) é um
dos mais críticos da protelação. "Isso serve
para desmoralizar o Conselho de Ética e o Senado. Se pensam
[os aliados de Renan] em fazer isso, são pessimamente assessorados."
Impasse
Com a desistência de
Wellington Salgado e a licença médica do senador Epitácio
Cafeteira (PTB-MA), o processo de Renan está desde a quarta-feira
passada sem relator. O presidente do conselho, Sibá Machado
(PT-AC), disse que seria rápido na escolha do novo relator,
que deve sair do PMDB. Para o vice-presidente do conselho, Adelmir
Santana (DEM-DF), o ideal seria formar uma comissão com três
senadores dos principais partidos da Casa para a relatoria.
O advogado de Renan,
Eduardo Ferrão, negou a existência da manobra protelatória
e afirmou que, por ora, não prepara recursos para apresentar
ao STF contestando a legitimidade do processo de quebra de decoro.
Ele diz que seu cliente está sendo vítima de "um
massacre da mídia".
|
Folha
de São Paulo, 25 de junho de 2007
Desoneração não segue
política industrial
Dos R$ 29,2 bi que o governo gastou de 2004 a
2007, R$ 16,6 bi não têm relação com a estratégia
estabelecida em 2003
| Apenas uma parte do gasto com a política industrial foi destinada a
reduzir o custo empresarial na compra de máquinas e equipamentos
LEANDRA PERES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Mais da metade dos R$ 29,2
bilhões que o governo gastou em desonerações de
2004 até este ano não tem qualquer relação
com a política industrial definida pelo governo em 2003, no
início do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Levantamento feito pela Folha com base em dados da Receita Federal
mostra que R$ 16,618 bilhões (57% do total) foram destinados
para medidas como benefícios para quem aplica em fundos de investimento,
em previdência privada e compra seguros de vida. A construção
civil e desonerações para micro e pequenas empresas também
integram a lista.
A classe média assalariada
foi o setor que individualmente mais conseguiu recursos do governo.
As três correções na tabela do IR das pessoas físicas
e o abatimento de R$ 100 da base de cálculo do imposto aprovado
em 2004 custaram, juntos, R$ 6,207 bilhões, ou 21% de todas
as desonerações feitas nos últimos quatro anos.
Entre os gastos que podem ser
considerados como parte da política industrial -R$ 12,654 bilhões-,
boa parte procurou reduzir o custo do investimento das empresas, especialmente
na compra de máquinas e equipamentos.
É o caso, por exemplo,
da redução no prazo para que as empresas deduzam créditos
do PIS e da Cofins (acumulados na compra de bens de capital) do pagamento
de outros tributos, ou mesmo da suspensão da cobrança
do Imposto de Importação e do IPI (Imposto sobre Produtos
Industrializados) na aquisição de maquinário.
O curioso nesses casos é que
o Congresso incluiu, e o governo não vetou, a ajuda para a produção
de leite, leite em pó, queijo, farinha de milho e mandioca.
A estratégia de lobby desses setores foi incluir as reduções
de tributos por meio de emendas a medidas consideradas estratégicas
pelo governo.
A suspensão na cobrança
do PIS/Cofins para o queijo, por exemplo, é parte da medida
provisória que, entre outras coisas, permite que as empresas
deduzam gastos com pesquisa tecnológica do valor a pagar de
IR e CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido).
Em outros casos, as desonerações acabaram direcionadas
a setores que não eram considerados prioritários pelo
governo em 2003, mas se transformaram em alvo de uma política
setorial para estimular o crescimento da economia.
Esse é o caso da construção
civil. O setor foi beneficiado com cerca de R$ 2 bilhões em
desonerações. O principal argumento do governo para essas
medidas foi o impacto no emprego e a importância do setor na
composição do PIB (Produto Interno Bruto), soma das riquezas
produzidas no país.
Sem incentivo à pesquisa
A política industrial
de Lula foi lançada em 2003 e entre seus princípios estava
a desoneração do investimento. Também foram eleitos
cinco setores considerados estratégicos por sua capacidade em
acelerar o crescimento no longo prazo. Entre esses setores, os de semicondutores
e de bens de capital foram alvo das desonerações do governo.
O lançamento do Programa de Incentivo ao Setor de Semicondutores
deu isenção do IR às empresas que aderirem ao
programa e redução no IPI, no PIS e na Cofins.
A indústria de bens
de capital acabou ganhando com as desonerações feitas às
empresas, que aumentaram suas encomendas à indústria.
Mas setores como fármacos e medicamentos, que estavam entre
as prioridades, não receberam incentivos por meio da redução
de impostos.
O diretor de Estudos Setoriais do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada), João Alberto de Negri, considera as desonerações
tributárias importantes na redução de custo das empresas
e como estímulo ao aumento da competitividade entre as companhias.
Para Negri, a redução
de impostos não é um bom instrumento para uma política
industrial centrada na inovação tecnológica, como
definido em 2003. Isso porque as desonerações não
incentivam as empresas a investir em pesquisas de ponta, uma vez que
o risco dessas atividades é alto e não é afetado
pela redução de impostos. Além disso, a redução
tributária reembolsa impostos já pagos, o que deixa de
fora as políticas de inovação de empresas pequenas,
com menos capital.
As desonerações
também têm caráter temporário e não
estimulam o aumento no número de empresas inovadoras. O melhor
instrumento, diz Negri, são linhas de financiamento baratas
e com prazo maior. "As desonerações são bastante
positivas. Mas é preciso trabalhar com as duas coisas: redução
nos custos e apoio à inovação. Os movimentos para
implementar a política industrial de 2003 ainda são tímidos."
O Ministério do
Desenvolvimento, autor e responsável pela política
industrial, diz que as desonerações tributárias
são apenas um dos mecanismos de que o governo dispõe
para implementar as diretrizes definidas em 2003. Portanto o fato
de boa parte das receitas ser destinada a outras medidas não é considerado
um problema.
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA, 25 de junho de 2007
Construtora londrinense ganha prêmio
de segurança
Denominado ''Sistema H'', equipamento criado
pela Plaenge evita quedas que poderiam ser fatais para operários

Wilson Silva (de óculos), técnico de segurança
da Plaenge, explica o uso do ‘‘Sistema H’’ a
operário
Criado com o objetivo de reconhecer e premiar as construtoras que adotam práticas
ou projetos inovadores para promover a redução de acidentes e
a melhoria das condições de trabalho nos canteiros de obras,
o 1º Prêmio CRP-Paraná de Segurança e Saúde
na Construção Civil teve como ganhadora uma empresa de Londrina.
A Plaenge foi a vencedora graças
a uma idéia batizada de ''Sistema H'', que evita quedas de operários
na execução da estrutura. A construtora receberá oficialmente
o prêmio no próximo dia 4.
A premiação foi
criada pelo Comissão Permanente Regional, orgão ligado
ao Sinduscon-PR, à Federação dos Trabalhadores nas
Indústrias da Construção do Estado do Paraná e
também ao Ministério do Trabalho e Emprego.
Segundo o gerente de engenharia
da Plaenge, Rogério Cardoso, o ''Sistema H'' foi criado no canteiro
de obra de um dos empreendimentos da construtora em Londrina. O desenvolvimento
da idéia deu-se durante os trabalhos realizados pelo setor de
Segurança do Trabalho da construtora.
''A idéia nasceu da necessidade
de promover a segurança contra quedas nos trabalhos que os operários
fazem em altura, especialmente na última laje - local onde uma
queda seria fatal porque não há pontos ideais para colocação
para cordas e ganchos de cintos de segurança'', explica.
Técnico de segurança
da Plaenge, Wilson Silva destaca que o único equipamento disponível
em um canteiro de obra que está acima da última laje e
que serviria como ponto de fixação dos itens de segurança
dos operários é a grua.
''Mas a quantidade de cordas
que seriam usadas para essa finalidade é muito grande, assim como
os riscos a que os operários ficariam expostos. Além disso,
seria preciso envolver muitas pessoas no processo de fixação
dos equipamentos de segurança de cada operário'', esclarece.
O ''Sistema H'', uma peça
de aço que tem a forma da letra ''h'', tem como vantagem o fato
de ser facilmente encaixado nas pontas das barras de aço dos pilares.
Silva informa que o sistema proprociona
também a fácil colocação dos ganchos dos
cintos de segurança dos operários, evitando o cruzamento
das cordas de fixação acopladas aos cintos de cada um dos
trabalhadores. ''Fizemos várias simulações com bonecos
para testar o equipamento e conferir sua eficácia. Todas foram
bem sucedidas'', completa o técnico de segurança.
Esta não é a primeira
vez que a Plaenge é premiada pela criação de equipamentos
que garantem ainda mais segurança para os trabalhadores da construção
civil. Em 2002, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção
premiou a construtora pelo desenvolvimento da serra circular SerraConster.
O equipamento foi classificado
em primeiro lugar na categoria ''novas ferramentas'' no Concurso Falcão
Bauer de Novos Materiais, Novas Ferramentas e Novas Técnicas
para Construção Civil.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
25 de junho de 2007
Empresas se unem para abrir oportunidades
a deficientes
Diogo Dreyer
Foto: Lucimar do Carmo

Anna: deficiente pode ser produtivo como qualquer um.
O analista Romeu Luciano dos Santos, de 33 anos, é uma exceção
em uma conta que o País tenta contabilizar: incluir no mercado de trabalho
as cerca de 24,5 milhões de pessoas portadoras de deficiência.
Com um bom cargo na Renault em Curitiba, Romeu conta que foi admitido devido à sua
capacidade de trabalho e não por ser um deficiente motor. “Passei
pela seleção para a vaga como outra pessoa qualquer. Mas tenho
pós-graduação e faço mestrado, além de 15
anos no mercado. Tenho uma condição diferenciada, o que para
muitos deficientes não acontece”, diz.
A Lei de Cotas, de 1991, estabelece que as empresas devem reservar vagas para
funcionários com deficiência de acordo com seu tamanho, mas a
coordenadora de responsabilidade social da Renault, Cristina Gonçalves,
afirma que não é fácil preenchê-las. “A pessoa
portadora de deficiência, de maneira geral, sempre foi tratada de modo
a ficar marginalizada, não recebendo escolarização. Por
isso muitas empresas não encontram pessoas com a condição
técnica para o mercado.” A montadora emprega atualmente 120 deficientes
e, segundo Cristina, procura não apenas estar de acordo com a Lei de
Cotas, mas aposta na qualificação destas pessoas.
“Além de constantemente estarmos adequando nossas instalações
para receber estes funcionários, participamos da criação
da Universidade Livre para a Eficiência Humana (Unilehu), que oferece cursos
para que eles possam concorrer igualmente com outras pessoas no mercado de trabalho”,
conta a coordenadora.
Romeu conta que dentro da empresa sempre foi tratado como qualquer funcionário
e acredita que a lei acaba sendo um fator de discriminação. “Mesmo
assim acho ser um mal necessário. Acredito que ela aumenta esta discussão
e a abertura do deficiente na sociedade. Tomara que logo não precisemos
mais da lei para isso.”
Segundo Anna Elisa Haj Mussi, diretora da Operativa, que realiza gestão
empresarial, é preciso sensibilizar os empresários para a contratação
destas pessoas. “Muitas ainda não estão interadas da lei
ou de como um deficiente pode ser tão produtivo como qualquer pessoa”,
analisa.
Com o objetivo de facilitar o acesso destas pessoas ao mercado de trabalho,
a Renault e a Operativa irão realizar hoje “O Dia do Currículo
para Pessoas com Deficiência”. O evento vai cadastrar o currículo
de quem está à procura de um trabalho e encaminhar às
empresas que oferecem vagas. O evento começa às 10h e vai até as
15h, no Salão de Atos do Parque Barigüi. A programação
conta com cadastramento de currículos, orientação sobre
como preparar um currículo e participar de entrevistas de emprego, atividades
recreativas para crianças, apresentação de peças
teatrais, distribuição e sorteio de brindes.
“Vamos ajudar os profissionais a chegarem até as vagas e ajudar
as empresas a descobrir onde estão estas pessoas”, diz Anna.
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ÂMBITO JURÍDICO,
25 de junho de 2007
Normas do DF que autorizam pagamento
de vale-transporte em dinheiro são questionadas
Dispositivos distritais que autorizam o pagamento de vale-transporte em dinheiro
para funcionários públicos do Distrito Federal (DF) estão
sendo questionados no Supremo Tribunal Federal (STF) pela Associação
Nacional de Empresas de Transportes Urbanos (NTU). A questão será analisada
pela relatora da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 3909,
ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha.
Nos autos, a NTU afirma que a
Lei Distrital 2.966/02, os Decretos Distritais 23.169/02 e 24.247/03,
e a Portaria 331/04, da Secretaria de Gestão Administrativa (SGA/DF),
ao criarem e regulamentarem o Auxílio-transporte – que pode
ser pago em pecúnia, para os funcionários públicos
distritais, afrontam o artigo 22, I, da Constituição Federal.
O dispositivo da Lei Maior afirma que compete privativamente à União
legislar sobre Direito do Trabalho.
“Benefício conquistado
pelas constantes reivindicações do trabalhador ao longo
da história”, o vale-transporte tem estreita relação
com o direito do trabalho, afirma a NTU. Para ela, no entanto, o vale é uma
garantia de que jamais faltarão recursos para que o empregado
possa custear seu transporte no trajeto residência-trabalho e vice-versa. “Se
o empregado recebesse os valores em pecúnia para o pagamento do
transporte, fatalmente dilapidaria todo o auxílio pago, causando
sério desequilíbrio na relação patrão-empregado”.
Ao pedir que o STF declare a
inconstitucionalidade formal das normas questionadas, a associação
argumenta que o pagamento em dinheiro do auxílio-transporte só pode
acontecer em duas possibilidades. A primeira, estabelecida pela Medida
Provisória (MP) 2.165/01, tem natureza indenizatória, e
não antecipatória. E a segunda, prevista no artigo 5º da
Lei 7.418/85, alterada pelo Decreto Federal 95.247/87, que permite substituir
o vale-transporte por dinheiro apenas em caso de falta ou insuficiência
de estoque dos vales. Também neste caso, conclui a associação,
trata-se de ressarcimento.
Processo ADI-3909
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
25/06/2007
Viúva de operário esmagado
por toras de madeira será indenizada
A Quarta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho manteve decisão regional que concedeu indenização
no valor de R$ 50 mil, por dano moral, à viúva de um operário
esmagado por toras de madeira, ao descarregar um caminhão para
a serraria Madeirin, na cidade de Santarém (PA). A Vara do Trabalho
havia arbitrado a condenação em R$ 200 mil, mas o Tribunal
Regional do Trabalho da 8ª Região (Pará/Amapá)
entendeu que R$ 50 mil seria um valor razoável, considerando as
condições financeiras da empresa.
A viúva alegou na ação
que o marido foi contratado como operador de carregadeira (trator), com
salário de R$ 626,00. Contou que, após um ano, ele passou
a receber uma gratificação “por fora” para
realizar alguns serviços para o patrão, como o transporte
das toras para as madeireiras, bem como o descarregamento dos caminhões, “supostamente
de forma clandestina”. O serviço extra era realizado durante
a noite e de madrugada, por isso o empregado não dispunha de intervalos
suficientes para suportar a sobrecarga de trabalho. Disse que ele era
submetido a riscos permanentes e que sofria pressão para atingir
as metas do empregador. Realizava o transporte em áreas devastadas,
e, no dia do acidente, trabalhou até às 2h. Às 6h
já estava de volta na serraria para descarregar dez toras de madeira
tipo taurari. Ao desatar um cabo de aço, este rompeu-se e três
toras rolaram sobre o empregado, esmagando-lhe o crânio e parte
do corpo.
O empregador alegou na defesa
que, em sete anos de funcionamento, nunca ocorreu acidente com seus empregados.
Afirmou que o operário foi imprudente, pois parou o caminhão
fora da área de proteção e não atentou para
o aviso do colega de que as toras estavam se movendo.
A viúva pediu indenização
por danos morais no valor de R$ 366 mil, somando-se as verbas trabalhistas
e os atos de ilegalidade praticados pelo empregador, como a alteração
unilateral e fraudulenta da sua carteira de trabalho, no dia da morte
do trabalhador (de operador de carregadeira para motorista). A sentença
foi favorável à viúva, e a indenização
foi arbitrada em R$ 200 mil. O juiz considerou “brutal a ocorrência,
amplamente veiculada pela imprensa local, inclusive com fotos chocantes”,
destacando que a viúva estava grávida de sete meses no
dia da morte do marido. Ressaltou que o relatório da Delegacia
Regional do Trabalho confirmou as más condições
do local do acidente, ”a céu aberto, em um terreno lamacento
e irregular”, com alto grau de risco, e anulou a mudança
do registro na CTPS.
O TRT confirmou a existência
de dano moral ao reconhecer que o trabalhador desenvolvia atividade de
alto risco sem que a empresa cumprisse as normas de segurança.
Porém, com base na teoria da razoabilidade, reduziu para R$ 50
mil o valor da indenização. Considerou que o valor elevado
poderia acarretar o encerramento das atividades da empresa.
A viúva apresentou recurso
ao TST, pretendendo o aumento da indenização, “por
entender que o valor não guarda proporção com a
lesão sofrida pelo operário, que acarretou sua morte”.
O relator do processo,
ministro Ives Gandra Martins Filho, explicou que a norma legal mais
adequada à fixação razoável da indenização
por dano moral é o artigo 8º da CLT, que não foi
invocada pelo espólio. “A Constituição Federal
limita-se a prever a indenização por dano moral, nada
versando sobre critérios objetivos de sua fixação”,
destacou o ministro. “Somente a demonstração de
divergência de julgados ensejaria a admissibilidade do apelo,
dada a natureza interpretativa da controvérsia”, afirmou,
concluindo que a defesa da viúva não trouxe nenhuma outra
decisão que permitisse o confronto de teses. (RR 980/2005-109-08-00.5)
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DOU 25.06.2007
ATOS DO PODER LEGISLATIVO
Edicão Numero 120 de 25/06/2007
LEI
Nº 11.495, DE 22 DE JUNHO DE 2007
Dá nova redação ao caput do art. 836 da Consolidação
das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de
maio de 1943, a fim de dispor sobre o depósito prévio em ação
rescisória. (Seção 1)
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono
a seguinte Lei:
Art. 1 o O caput do art. 836 da Consolidação das Leis do Trabalho
- CLT, aprovada pelo Decreto-Lei n o 5.452, de 1 o de maio de 1943, passa a
vigorar com a seguinte redação:
" Art. 836. É vedado aos órgãos da Justiça do
Trabalho conhecer de questões já decididas, excetuados os casos
expressamente previstos neste Título e a ação rescisória,
que será admitida na forma do disposto no Capítulo IV do Título
IX da Lei n o 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil,
sujeita ao depósito prévio de 20% (vinte por cento) do valor da
causa, salvo prova de miserabilidade jurídica do autor.
..............................................................................................." (NR)
Art. 2 o Esta Lei entra em vigor 90 (noventa) dias após a data de sua
publicação.
Brasília, 22 de junho de 2007; 186 o da Independência e 119 o
da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Tarso Genro
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DOU 25.06.2007
ATOS DO PODER LEGISLATIVO
Edicão Numero 120 de 25/06/2007
LEI Nº 11.496, DE 22 DE JUNHO DE 2007
Dá nova redação ao art. 894 da Consolidação
das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de
maio de 1943, e à alínea b do inciso III do art. 3º da Lei
nº 7.701, de 21 de dezembro de 1988, para modificar o processamento de
embargos no Tribunal Superior do Trabalho. (Seção 1)
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Faço
saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1 o O art. 894 da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT,
aprovada pelo Decreto-Lei n o 5.452, de 1 o de maio de 1943, passa a vigorar
com a seguinte redação:
" Art. 894. No Tribunal Superior do Trabalho cabem embargos, no prazo de
8 (oito) dias:
I - de decisão não unânime de julgamento que:
a) conciliar, julgar ou homologar conciliação em dissídios
coletivos que excedam a competência territorial dos T ribunais Regionais
do Trabalho e estender ou rever as sentenças normativas do Tribunal
Superior do Trabalho, nos casos previstos em lei; e
b) (VETADO)
II - das decisões das Turmas que divergirem entre si, ou das decisões
proferidas pela Seção de Dissídios Individuais, salvo
se a decisão recorrida estiver em consonância com súmula
ou orientação jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho
ou do Supremo Tribunal Federal.
Parágrafo único. (Revogado)." (NR)
Art. 2 o A alínea b do inciso III do art. 3 o da Lei n o 7.701, de 21
de dezembro de 1988, passa a vigorar com a seguinte redação:
" Art. 3 o ....................................................................................
.........................................................................................................
III - ...........................................................................................
.........................................................................................................
b) os embargos das decisões das Turmas que divergirem entre si, ou das
decisões proferidas pela Seção de Dissídios Individuais;
.............................................................................................." (NR)
Art. 3 o Esta Lei entra em vigor 90 (noventa) dias após a data de sua
publicação.
Art. 4 o Fica revogado o parágrafo único do art. 894 da Consolidação
das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei n o 5.452, de 1 o de
maio de 1943.
Brasília, 22 de junho de 2007; 186 o da Independência e 119 o
da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Tarso Genro

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