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Agência Câmara,
27 de junho de 2007
RELAÇÕES DE TRABALHO
PLP 8/03: Esclarecimentos importantes
acerca do projeto
Em comentários, dois internautas levantaram importantes aspectos sobre
o projeto (PLP 8/03) que troca a multa de 40% sobre o montante do FGTS. A assessoria
do DIAP achou-os relevantes e esclarece.
À internauta Tânia, a assessoria agradece e pede desculpas pelo
erro, pois ela chamou a atenção para um aspecto que mudava completamente
o sentido do parágrafo 2º, do artigo 6º, porque trocamos a palavra “empregador” por
empregado. Agora já está corrigido. Informamos ainda que o projeto
volta à ordem do dia na Comissão de Trabalho nesta quarta-feira,
27/06.
O internauta Herbert chamou a atenção para outro aspecto relevante
do projeto. Veja o seu comentário reproduzido na íntegra:
“ O projeto todo em si é um equívoco, pois na tradução
literal da Convenção 158 [da OIT], ele não leva em conta
que no universo jurídica brasileiro ‘justa causa’ é sem
os direitos das indenizações pecuniárias já previstas,
aliás, o projeto transforma a quase totalidade dos motivos de rescisão
em ‘justos’”.
E segue: “Considerando-se ainda que a regulamentação do
inciso I do artigo 7º da Constituição derroga o artigo 10º das
Disposições Transitórias, como fica claro no caput do
mesmo, eu pergunto como ficam as letras (a) e (b) do inciso seguinte do mesmo
artigo 10º?”.
E acrescenta: “Que como no [inciso] I depende do caput para existir?”.
Assim, como seriam garantidas “a estabilidade da gestante e do cipeiro?”.
Por último, o artigo 7º da Constituição no inciso
I também remete a esta regulamentação a definição
de uma indenização compensatória que parece o obsequioso
autor do projeto esqueceu”.(Marcos Verlaine)
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 27 de junho de 2007 | Economia
Governo estuda política industrial
e prevê recorde comercial
Ministro do Desenvolvimento anuncia que medidas
sairão em dois meses. Mas, antes disso, já prevê novo
recorde da balança comercial para o 1º semestre
Renata Veríssimo
BRASÍLIA - O Ministério do Desenvolvimento, Indústria
e Comércio Exterior estuda uma nova política industrial, em parceria
com o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O
anúncio foi feito na manhã desta quarta-feira, 27, pelo ministro
Miguel Jorge. As medidas, que estão sendo elaborada em parceria com
a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (Abdi), serão
anunciadas em dois ou três meses. Mas, antes disso, Miguel Jorge já prevê novo
recorde da balança comercial. Segundo ele, o superávit deve ficar
acima de US$ 20 bilhões. Em 2006, o saldo no primeiro semestre foi de
US$ 19,5 bilhões.
Ele destacou ainda que as exportações
continuam batendo recordes e que, com o real valorizado, muitos setores
produtivos estão aproveitando o momento para modernizar o seu
parque industrial. Contudo, alertou que há setores importantes
da economia que já trabalham com o nível médio de
utilização da capacidade instalada acima de 90%, há mais
de 12 meses. O ministro citou como exemplo os setores metalúrgico
e de papel e celulose.
Miguel Jorge, que participa de
audiência pública na Comissão de Desenvolvimento,
Indústria e Comércio da Câmara, afirmou ainda que
os setores afetados pelo câmbio têm sido amparados pelo governo. "O
câmbio no Brasil é flutuante e é natural que a taxa
oscile em busca do equilíbrio de mercado. O papel do governo é criar
as condições de infra-estrutura, crédito e regulamentação
para que a nossa economia ganhe competitividade", afirmou o ministro.
Segundo ele, o Ministério
também tem adotado medidas para proteger os setores prejudicados
pelas importações da China. Ele disse que o Ministério
tem feito um minucioso acompanhamento dos preços de importação
de calçados, para apurar e evitar fraudes e subfaturamentos. Miguel
Jorge destacou ainda a necessidade de o Congresso Nacional aprovar com
urgência as ações previstas no PAC e a reforma tributária. "O
crescimento da indústria e a geração de empregos
no Brasil dependem de uma abordagem suprapartidária para essas
questões", disse o ministro.
Miguel Jorge ainda destacou que
a taxa de investimento no País, que já está em quase
17% do PIB, ainda é insuficiente para gerar um crescimento robusto
e de longo prazo. Ele também ressaltou a meta do governo de promover
um crescimento econômico de 5% do PIB ao ano, nos próximos
quatro anos, o que, segundo ele, seria o mínimo necessário
para um crescimento sustentado.
Cenário favorável
Tomando por base a expectativa de um cenário favorável para a
indústria, o ministro destacou as políticas de desoneração
tributária adotadas por seu ministério e afirmou que elas são
uma saída para qualquer país que queira ter um crescimento econômico
e tornar competitivo o setor produtivo.
Miguel Jorge apontou ainda a
queda das taxas de juros no País. Reconheceu que as taxas ainda
estão acima do desejado, mas disse que deverão continuar
caindo. Citou como exemplo o financiamento de automóveis. Há cinco
anos, disse, os financiamentos eram feitos pelos bancos das montadoras;
e atualmente a alavancagem é feita pelo setor financeiro, com
prazos de até 78 meses.
Energia nuclear
Miguel Jorge defendeu a decisão do governo de retomar a construção
da usina nuclear Angra 3, em Angra dos Reis (RJ). Ele afirmou que a construção
de Angra 3 é um projeto "imprescindível" para o País
e vai gerar "energia limpa e segura". O ministro do Desenvolvimento
acrescentou que vários países estão investindo em energia
nuclear, e aqueles que não o fazem compram a energia nuclear do país
vizinho. "Angra 3 terá um papel importante na nossa matriz energética",
declarou.
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CONTAS ABERTAS, 27 de junho
de 2007
CPMF: R$ 33,5 bilhões arrecadados
serviram para pagar juros e dívida
Já parou para pensar para onde vão aqueles aparentemente insignificantes
0,38% que você paga cada vez que saca dinheiro ou faz alguma compra?
Criada em 1996 como fonte exclusiva de financiamento do setor da saúde,
a CPMF acabou se desvirtuando ao longo dos anos e serve cada vez mais para
atender as estratégias econômicas do governo. Desde a sua implementação,
além de passar do estágio de provisório para aparentemente “interminável”,
do ponto de vista dos cidadãos, o imposto perdeu sua função
inicial e passou a contribuir inclusive para o superavit primário. Para
se ter uma idéia, na última década, R$ 33,5 bilhões
arrecadados com a CPMF foram desviados de sua função.
O valor corresponde a 18% do
total arrecadado no período (R$ 185,9 bilhões) que deveria
contribuir exclusivamente com políticas de saúde, previdência
social e com o Fundo de Combate a Erradicação da Pobreza
(integrado posteriormente às finalidades do tributo). Os dados
são de um levantamento do Sindicato Nacional dos Auditores da
Receita Federal (Unafisco), divulgado este mês. O desvio de recursos
da CPMF, segundo o estudo, é resultado da Desvinculação
de Receitas da União (DRU), criada com o intuito de facilitar
os esforços fiscais da equipe econômica, garantindo a saúde
da balança fiscal no final do ano.
Esse mecanismo permite ao Executivo
realocar 20% do orçamento, inclusive o destinado às políticas
de seguridade social (com exceção do Fundo de Combate à Pobreza).
Dessa maneira a administração fica livre para aplicar como
preferir esses recursos, inclusive na composição do superavit
primário. Só no ano passado, 17,7% do total arrecadado,
ou seja, R$ 5,7 bilhões, ficaram retidos no caixa no Tesouro Nacional.
A quantia que ficou intacta nos cofres arcaria com o dobro dos investimentos
da Pasta da Saúde em 2006 (sem considerar os restos a pagar pagos).
No período, a saúde recebeu apenas 40% dos recursos provenientes
da CPMF, que anualmente perde cerca de 20% da quantia arrecadada para
o orçamento fiscal.
O empresário do setor
de informática, Marcelo Macedo, diz indignado que já perdeu
as contas de quanto sua empresa tem que pagar anualmente de CPMF, tamanho
o volume de dinheiro gasto com o tributo. Segundo ele, o imposto pesa
no bolso dos empresários, que diariamente precisam fazer dezenas
de movimentações, para pagar contas e funcionários. “A
quantidade de movimentações que fazemos é grande,
e a quantia de CPMF paga por tais transações acaba sendo
significativa no balanço do fim de mês. Até na hora
de pagar outros tributos, a CPMF é descontada. É um imposto
sobre outro imposto, um absurdo”, reclama.
Para Macedo, o que mais incomoda é ter
que arcar com a taxação, sem ver o retorno futuro do “investimento”. “Pagaria
com todo o prazer se visse o retorno disso para os cidadãos. Mas
o que acontece é que esse dinheiro acaba servindo para engordar
a máquina do governo, que não pára de aumentar seus
gastos”, critica. Diante da quantidade de taxas impostas às
empresas no Brasil, Macedo planeja inclusive criar um blog na Internet
para o “empresário herói”. “Só assim
mesmo para ser empresário hoje no Brasil e ter que enfrentar tamanha
burocracia”, diz.
Para o economista e professor
da Universidade de Brasília, Evilásio Salvador, a CPMF
deveria ser uma contribuição residual, com fim fiscalizatório
e não arrecadatório, como vem sendo tratada. Segundo ele,
o tributo deveria servir como uma espécie de ferramenta que permitisse
ao governo se certificar de que a movimentação financeira
do contribuinte está de acordo com a sua evolução
patrimonial declarada no imposto de renda. Para tal, a alíquota
teria que ser simbólica e não tão expressiva como é atualmente,
o que prejudica sobretudo as pessoas de baixa renda.
O economista explica que o grande
problema atual da CPMF é o seu caráter enganador. “Todo
mundo pensa que está contribuindo com políticas sociais
do governo, enquanto que, na verdade, parte da arrecadação
serve para pagar juros da dívida”, critica. Isso sem contar
que ela possui um caráter indireto e regressivo, ou seja, ao incidir
sobre o consumo, acaba pesando mais no bolso dos que ganham menos.
“Para o trabalhador assalariado,
o efeito acaba sendo perverso, já que o mais pobre, proporcionalmente
a sua renda, acaba pagando mais”, salienta Salvador. Para se ter
uma idéia, atualmente o brasileiro que ganha até dois salários
mínimos perde 45,8% de sua renda com o pagamento de impostos indiretos.
Considerando pessoas de maior poder aquisitivo, com renda superior a
30 salários mínimos, essa proporção cai drasticamente
para 16,4%.
Como solução para
o atual problema gerado em torno da CPMF, o economista defende o fim
da Desvinculação de Receitas da União, sobretudo
sobre os tributos da Seguridade Social. Além disso seria necessário
promover uma ampla reforma tributária no país, já que,
ao reduzir a alíquota do imposto sobre a movimentação
financeira, o governo teria que encontrar outros meios para compensar
o rombo de cerca de R$ 30 bilhões nas receitas anuais provenientes
do imposto. “É preciso rever toda a estrutura do sistema
tributário brasileiro. No entanto, falta vontade política
para isso”, conclui Salvador.
Arrecadação sustentaria
ministério
A contribuição
sobre a movimentação financeira no Brasil, desde que foi
implantada já arrecadou R$ 201,2 bilhões. Só no
ano passado, a CPMF gerou aos cofres públicos R$ 32,9 bilhões
em receita, o que daria para arcar com o orçamento global do Ministério
da Educação em 2006. No primeiro quadrimestre deste ano,
R$ 11,5 bilhões provenientes do tributo já entraram nos
cofres públicos. Do montante arrecadado até esta semana,
apenas R$ 7,3 bilhões contribuíram para ações
ligadas à saúde (desconsiderando o pagamento de restos
a pagar).
Este ano, a previsão do
governo é de que R$ 35 bilhões sejam arrecadados até dezembro
com o tributo. Para se ter uma idéia, a quantia é equivalente
ao total de despesas previstas para o Ministério do Trabalho e
Emprego até dezembro de 2007. Desses, a estimativa do governo é de
que R$ 23,3 bilhões sejam destinados à saúde e à previdência
social. Clique aqui para ver com detalhes onde a receita gerada com a
CPMF foi aplicada este ano, até o último dia 25.
A alíquota do imposto
já passou por três reajustes desde que foi criado, aumentando
0,18 pontos porcentuais, até atingir o patamar atual de 0,38%
sobre as movimentações. Enquanto o cidadão comum
vê crescer o rombo em sua conta, decorrente do tributo, o governo
viu sua arrecadação praticamente dobrar nos últimos
nove anos. De 1998 a 2006, a receita gerada pela CPMF cresceu 216,10%,
enquanto que o montante de tributos administrados pela Receita Federal
evoluiu apenas 78,4%, em termos reais.
Assim fica fácil de entender
porque o governo insiste em prolongar a vida útil do tributo que
deveria ter sido aplicado durante pouco mais de um ano desde sua criação.
E o pior é que, a cada dia que passa, o caráter provisório
presente inclusive no nome do imposto parece estar cada vez mais distante
de se tornar realidade. Como se não bastasse já estar em
vigor por mais de 10 anos, o governo pretende prolongar ainda mais a
aplicação da CPMF.
A última emenda constitucional,
aprovada em 2003, determinou que a CPMF continuaria valendo até o
fim deste ano. Com a proximidade da data limite e o medo do poder público
de perder o reforço no caixa, o governo vem trabalhando para aprovar
no Congresso a prorrogação de sua cobrança até 2011.
A proposta também prevê prorrogar a DRU pelo mesmo período.
Apesar disso, na Câmara e no Senado tramitam propostas para reduzir
a alíquota já em 2008, mudança esta que não é vista
com bons olhos pelo governo.
Mariana Braga
Do Contas Abertas
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UOL ECONOMIA, 27 de junho
de 2007
Vai financiar imóvel? Emprestar
com a construtora é mais caro que com o banco
SÃO PAULO - Optar pelo financiamento de um imóvel pela própria
construtora sai mais caro do que fazê-lo em um banco. A constatação é de
José Dutra Vieira Sobrinho, especialista em matemática financeira.
"Não só os
juros das instituições financeiras são menores,
mas a expectativa é que nos próximos anos seu indexador
seja a metade do que o utilizado pelas incorporadoras", explicou.
Entenda
Conforme Vieira, enquanto bancos
utilizam a Taxa Referencial (TR), que tem uma variação
média anual de 2%, como atualizador monetário, as construtoras
aderem ao Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), que,
nos últimos 12 meses, está acumulado em 4,4%.
Quanto aos juros, o máximo
que as instituições financeiras aplicam é 12% ao
ano em parcelas variáveis, ao passo que incorporadoras cobram
1% ao mês - o que, em um ano, sai 12,68%.
No bolso
Para esclarecer melhor o peso
dessas diferenças no bolso, Vieira utilizou como exemplo uma casa
ou apartamento no valor de R$ 100 mil financiados em dez anos, ou 120
meses.
Caso opte pela incorporadora
para fazer o negócio, a primeira parcela será em torno
de R$ 1.435, enquanto que a última valerá R$ 2.124. Com
o contrato firmado com um banco, esses valores serão menores,
de R$ 1.399 e R$ 1.706, nessa ordem.
"Àqueles que ainda
estiverem decidindo como fazer, o melhor é recorrer ao banco.
Parece pouco, mas no final das contas, a diferença é grande",
explicou.
Fixas
O especialista lembrou ainda
que, por conta da concorrência do mercado, muitas instituições
ainda lançam financiamentos com parcelas fixas (sem a variação
da TR), ou com taxas de juros menores.
"Quem estiver procurando
esse tipo de crédito, deve pesquisar", finalizou.
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CONSULTOR JURÍDICO,
27 de junho de 2007
Longa espera
Caso que tem 20 anos na Justiça
do Trabalho é julgado
Terminou na Justiça do Trabalho a ação de um grupo de
trabalhadores admitidos pelo Serviço Federal de Processamento de Dados
(Serpro) que pedia o reconhecimento de vínculo de emprego com o Ministério
da Fazenda. O processo já dura 20 anos — 10 só no TST em
virtude dos recursos protocolados.
Na segunda-feira (18/6), a Seção
Especializada em Dissídios Individuais confirmou a decisão
que negou o reconhecimento do vínculo. Agora, cabe Recurso Extraordinário
do Supremo Tribunal Federal.
O caso se refere a uma ação
movida por 17 trabalhadores, admitidos pelo Serpro entre 1975 e 1987,
pelo regime celetista, para prestar serviços na Delegacia da Receita
Federal do Ministério da Fazenda, em Novo Hamburgo (RS). Um ano
após a promulgação da Constituição
Federal de 1998, o grupo ajuizou a ação pedindo o reconhecimento
de vínculo de emprego com a União e o enquadramento como
Técnicos do Tesouro Nacional.
A Vara do Trabalho de Novo Hamburgo
acolheu os pedidos: reconheceu o vínculo e determinou sua integração
aos quadros do Ministério da Fazenda, com o pagamento dos direitos
salariais e reflexos. A União recorreu. O Tribunal Regional do
Trabalho da 4ª Região (Rio Grande do Sul) reformou a sentença.
Na decisão, o TRT gaúcho
assegurou que o ingresso nos quadros da União, no cargo de Técnico
de Tesouro Nacional, sempre exigiu a aprovação em concurso
público, mesmo que o início da prestação
dos serviços tenha se efetivado antes da promulgação
da Constituição de 88.
Os trabalhadores apelaram ao
TST. A 2ª Turma, no ano de 2001, manteve a decisão do TRT.
Eles entraram com recurso na SDI-1, insistindo na tese de que deveriam
ser reformadas as decisões anteriores e prevalecer a sentença
de primeira instância, que reconheceu o vínculo.
A relatora, ministra Maria Cristina
Peduzzi, avaliou que o recurso não abordou o principal fundamento
do acórdão regional, que é a impossibilidade de
reconhecimento de vínculo com a União sem concurso público,
mesmo em data anterior à promulgação da Constituição
Federal.
E-ED-RR-368.933/1997.7
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 27 de junho de 2007 | Dinheiro
Desemprego cai para 16,4% em 6 metrópoles;
SP tem menor taxa desde 95
IVONE PORTES
Editora-assistente de Dinheiro da Folha Online
A taxa de desemprego em seis regiões metropolitanas do país --Belo
Horizonte, Distrito Federal, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo--
caiu para 16,4% em maio, contra 16,9% de abril. Os dados fazem parte da PED
(Pesquisa de Emprego e Desemprego), divulgada nesta quarta-feira (27) pela
Fundação Seade e Dieese (Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos).
No mês passado, o contingente
de desempregados nas seis regiões foi estimado em 3,140 milhões
de pessoas, 98 mil a menos do que em abril. Já o número
de ocupados nas seis regiões foi estimado em 16,038 milhões
de pessoas e a PEA (População Economicamente Ativa) em
cerca de 19,178 milhões.
Na maioria das regiões
pesquisadas houve redução da taxa de desemprego total.
Em São Paulo, a taxa de desemprego diminuiu 4,9%, para 15,5% da
PEA em maio, menor valor para este mês desde 1995. Foi também
a primeira queda após três meses consecutivos de alta.
Na cidade, o total de desempregados
no período foi estimado em 1,559 milhão de pessoas, 87
mil a menos que abril. O resultado se deve à geração
de 49 mil vagas em maio e à saída, atípica para
o período, de 38 mil pessoas do mercado de trabalho
Também foram registradas
quedas em Salvador, onde o desemprego recuou 3,8%, para 22,5%, em Belo
Horizonte caiu 2,2%, para 13,2%, e no Distrito Federal caiu 3,2%, a 18,4%.
Na outra ponta, apresentaram alta de desemprego Porto Alegre, com elevação
de 3,7%, para 14,1%, e Recife que teve aumento de 1,9%, para 21,1%.
Renda
De março para abril
de 2007 o rendimento médio real dos ocupados e dos assalariados,
nas seis regiões pesquisadas, cresceu 1,6%, passando a equivaler
a R$ 1.057 e R$ 1.133, respectivamente.
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GLOBO.COM, 27 de junho de
2007
Idosos terão carteira para viajarem
de graça
Documento deve ser emitido ainda neste
ano
SÃO PAULO - Os idosos terão ainda neste ano uma carteira de identidade
própria para viajar de graça ou com desconto para outros estados
para maiores de 60 anos com renda inferior a R$ 760 mensais. A Secretaria de
Assistência Social — órgão ligado ao Ministério
do Desenvolvimento Social — editou resolução, publicada
ontem no Diário Oficial da União, que cria a Carteira do Idoso
e indica quais serão os procedimentos para fazer o documento.
Pela portaria, as secretarias
de assistência social dos municípios serão responsáveis
por emitir a carteira aos idosos e terão 90 dias para organizar
e implementar o serviço. A Carteira do Idoso poderá ser
usada em todo o Brasil e terá validade de até dois anos.
Depois de implantada, deve ser fornecida em 45 dias.
Segundo a Secretaria de Assistência
Social, ainda está em discussão quais serão os dados
incluídos no documento. O objetivo da carteira é ajudar
os idosos carentes a comprovar renda para viajar de graça ou com
desconto de 50% em ônibus interestaduais.
Hoje, os idosos que têm
dificuldade de comprovar renda devem ir às secretarias municipais
de assistência social de suas cidades e exigir uma declaração
provisória de renda para viajar de graça. O bilhete do
idoso foi criado em 2004, pelo Estatuto do Idoso.
Quem
tem direito
- Os maiores de 60 anos e renda mensal de até dois salários-mínimos
(R$ 760) têm direito a passagens de graça em viagens interestaduais
ou bilhetes com 50% de desconto. Eles são obrigados, no entanto, a pagar
a tarifa de embarque e de pedágio. Este valor é repassado integralmente
para as empresas que administram os terminais rodoviários. Algumas companhias
não cobram a taxa.
Quem não conseguir embarcar
deve fazer a denúncia no posto da Agência Nacional de Transportes
Terrestres (ANTT) presentes em todas as rodoviárias.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 27 de junho de 2007
Mundo terá 9 bilhões
de pessoas em 2050, diz ONU
da BBC Brasil
O mundo terá em 2050 cerca
de 2,5 bilhões de habitantes a mais do que hoje, elevando o total
de moradores do planeta a 9 bilhões, estima um relatório
da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgado
nesta quarta-feira.
E até 2030, cinco bilhões
de pessoas viverão nas cidades, o equivalente a 60% da população,
disse o Fundo de População das Nações Unidas
(UNFPA).
No ano em que o mundo ultrapassa
uma marca de mais de 50% de seus 6,6 bilhões de moradores vivendo
em centros urbanos, o UNFPA dedicou seu relatório anual Situação
da População Mundial 2007 ao tema da urbanização.
O crescimento urbano ocorrerá quase
que exclusivamente no mundo em desenvolvimento, onde em 2030 viverão
80% da população das cidades, disse a ONU.
Em 30 anos, a população
urbana nos países ricos aumentará em apenas 100 milhões
de pessoas, o equivalente a 11% da população urbana atual
nesses países (veja quadro).
Na América Latina, 200
milhões de moradores urbanos adicionais até 2030 significarão
um aumento de 50% em relação a hoje.
Já na Ásia e na África,
carros-chefes do crescimento das cidades, a população urbana
dobrará neste período.
Com as cidades desses continentes
crescendo ao ritmo de um milhão de habitantes por semana, quase
sete em cada dez cidadãos urbanos serão asiáticos
ou africanos em 2030, previu o estudo.
Favelas
O cenário de concentração
do crescimento urbano em cidades do mundo em desenvolvimento fez o UNFPA
alertar para a conseqüente explosão das favelas.
Atualmente, um bilhão
de pessoas vive em favelas, 90% das quais estão nos países
em desenvolvimento e 40% na Índia ou na China.
"Na África Subsaariana,
a urbanização tornou-se virtualmente sinônimo de
crescimento das favelas; 72% da população urbana da região
vive sob condições de favela, comparados a 56% no Sul da Ásia",
disse o relatório.
"A população
de favelas na África Subsaariana quase dobrou em 15 anos, alcançando
cerca de 200 milhões em 2005".
Para os brasileiros, as favelas
viraram a maior ilustração das grandes cidades, com milhões
de habitantes. Mas o relatório ressaltou que a maior parte do
crescimento se dará em cidades de menos de 500 mil habitantes.
"É preciso concentrar
a atenção onde o crescimento é maior", afirmou
a diretora-executiva do UNFPA, Thoraya Ahmed Obaid.
"Portanto, é preciso
prestar maior atenção às cidades menores, proporcionando-lhes
recursos como informação e assistência técnica
(para encarar desafios futuros)."
Obaid acrescentou que "a
urbanização é inevitável", e que o processo
deveria ser "uma força para o bem".
Migração campo-cidade
O relatório disse que
o crescimento urbano do futuro não se dará pela migração
do campo para as cidades, e sim pelo próprio aumento das populações
que já vivem nelas, e criticou políticas oficiais de alguns
países de proibir ou desencorajar a movimentação
do mundo rural para o urbano.
Tais políticas, hoje comuns,
por exemplo, na China, também caracterizaram a América
Latina nos anos 70.
"A transição
urbana na América Latina ocorreu apesar de muitas políticas
antiurbanas explícitas. De modo geral, a transição
urbana foi positiva para o desenvolvimento", observou o relatório.
"Uma atitude pró-ativa
em relação ao inevitável crescimento urbano teria
minimizado muitas de suas conseqüências negativas, particularmente
a formação de favelas e a falta de serviços urbanos
para os pobres."
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Agência Câmara,
27 de junho de 2007
Previdência Social: corrigindo
injustiças
Por: Álvaro Sólon de França*
A Seguridade Social ocupa no
texto da Carta constitucional um dos principais capítulos do título
relativo a Ordem Social. Compreende um conjunto de ações,
de responsabilidade dos poderes públicos, nas áreas de
saúde, previdência e assistência social, dirigidas
ao alcance de objetivos básicos de uma sociedade democrática:
o bem estar e a justiça social.
A concepção de
Seguridade Social assumida pela Constituição Federal de
1988 foi inovadora em relação aos preceitos basilares dos
programas sociais desenvolvidos até então em nosso País,
bem como constituiu significativo avanço no campo da definição
dos direitos fundamentais para um exercício pleno da cidadania.
A Seguridade Social, e em especial
a Previdência Social, estampada na Carta Magna, como não
poderia deixar de ser preocupa-se, também, com a família
porque esta instituição é a base da relação
social. A proteção social tem, no conceito de família,
sua transcendência, uma vez que o ser humano é gregário,
social, nasce e se desenvolve numa estrutura familiar. A família é a
célula mater da sociedade, conforme previsão do art. 16,
parágrafo 3º, da Declaração Universal dos Direitos
do Homem, de 10 de dezembro de 1948, que prevê: “A família é o
elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção
da sociedade e do Estado”. Na esteira da preocupação
com a família a Carta Cidadã prestigiou com ênfase
a proteção com a maternidade.
Na contra mão de todo
o ordenamento jurídico maior e da jurisprudência, mansa
e pacífica do Superior Tribunal de Justiça, e, em confronto
com a Lei 8.213/91, o Regulamento da Previdência Social, aprovado
pelo Decreto 3.048/99, estampava que as seguradas da Previdência
Social só tinham direito ao benefício enquanto mantivessem
a relação de emprego ou enquanto contribuíam. Mas,
alvíssaras, com a edição do Decreto 6.122, de 13
de junho de 2007, publicado no Diário Oficial da União
do dia seguinte, terão direito ao salário-maternidade todas
as seguradas que o nascimento ou adoção do filho ocorrer
no período de graça. Esse período é uma proteção
previdenciária, prevista no artigo 15 da lei 8.213/91, que garante
o recebimento dos benefícios, mesmo que as seguradas não
estejam contribuindo. O período de graça pode variar de
12 a 36 meses. O período de 12 meses vale para todas as seguradas,
independentemente do tempo de contribuição. Já o
de 24 meses é para as que têm mais de 10 anos de contribuição.
Esses prazos podem ser ampliados em mais 12 meses para a segurada que
comprovar a condição de desemprego por meio de registro
no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Com a edição do
Decreto 6.122/07 a Previdência Social corrige uma injustiça
inominável que estava sendo perpetrada contra as mulheres e, retoma
a harmonia com os princípios basilares da Seguridade Social, albergados
pela Constituição Cidadã. Urge que todos, governo,
federações, associações, sindicatos, enfim,
toda a sociedade, legítima proprietária da Previdência
Social, divulgue os avanços deste Decreto, pois certamente milhares
de mães estão passando privações, apesar
de terem direito ao salário maternidade. Esse benefício
previdenciário certamente melhoraria sobremaneira a vida diária
dessas pessoas, trazendo-lhes a dignidade de terem a garantia da proteção
social.
*Auditor Fiscal da Receita
Federal do Brasil – Conselheiro da 6ª. Junta de Recursos
da Previdência Social - Foi secretário-executivo do Ministério
da Previdência Social no período de 2003 a 2004 - Autor
dos livros Previdência Social é Cidadania e A Previdência
Social e a Economia dos Municípios. E-mail: alvarosolon@uol.com.br
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Nova Central, 27 de junho
de 2007
Lei do aprendiz permite que jovem estude
e trabalhe
É cada vez maior o número de jovens entre 15 e 24 anos que abandonam
os estudos. De acordo com o censo escolar realizado pelo Instituto Nacional de
Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP/MEC) houve uma diminuição
de 1,5% no total de alunos matriculados no período entre 2004 e 2005.
Já o Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas)
em conjunto com o instituto Polis, por meio de uma pesquisa feira em 2005 com
8 mil jovens de 15 a 24 anos, das oito principais regiões metropolitanas,
indica que 27% deles não trabalham nem estudam.
Vários desses adolescentes
deixam os bancos escolares para buscar empregos e, assim, complementar
a renda familiar, o que ocorre mesmo entre os que recebem o Bolsa Família.
Entretanto, para muitos essa procura gera apenas frustração,
em função da pouca qualificação profissional.
De acordo com a Pesquisa Nacional
por Amostra de Domicílios (Pnad), feita em 2005 pelo IBGE, a parcela
de adolescentes entre 15 e 17 anos fora da escola subiu para 18% entre
o ano passado e o anterior. Iniciativas como o bolsa família,
que atende jovens até os 15 anos de idade, já não
são mais suficientes para mantê-los na escola, uma vez que
o mercado de trabalho oferece uma renda superior, para os que conseguem
nele ingressar. Os valores pagos pelo Programa variam entre R$ 15 e R$
95 de acordo com a renda mensal e o número de crianças,
gestantes da família contemplada.
Para um país que almeja
sair do patamar de nação em desenvolvimento, para desenvolvida é de
suma importância a reversão desse quadro. As últimas
décadas têm demonstrado que sozinhos, os governos federal,
estaduais e municipais são incapazes de alterar essa situação.
Isso só poderá ocorrer com o engajamento do setor privado
em variados tipos de ação.
Uma das saídas vislumbradas é que
esse setor proporcione as vagas de trabalho almejadas pelos jovens, em
atividades que o possibilitem também a continuidade dos estudos.
Uma iniciativa muito interessante nesse sentido é a nova lei de
Aprendizagem (Lei 10.097, de 2000, regulamentada por decreto em 2005),
que determina as empresas que possuem 100 ou mais funcionários
abram entre 5% e 15% de vagas de trabalho para aprendizes.
De acordo com a lei, essas empresas
contarão com vantagens fiscais nesse tipo de contratação,
como a diminuição do percentual recolhido para o Fundo
de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) de 8,5% para 2,5%. Mesmo
para as que não estão obrigadas, como as optantes pelo
regime tributário simples, as vantagens são interessantes,
pois há redução de 8,0% para 2,0% no FGTS. Em troca
do benefício, o governo exige uma contrapartida: que as empresas
ofereçam cursos teóricos a esses jovens, focados nas atividades
exercidas por ele. Isso pode ficar a cargo de entidades certificadoras.
Muitos adolescentes terão
não só a oportunidade de trabalho como também o
incentivo ao aperfeiçoamento profissional e a continuidade dos
estudos. Vale ressaltar que as micros e pequenas empresa também
podem contratar aprendizes e gozar não só dos benefícios
fiscais previstos em lei neste tipo de contratação, como
também da consciência participativa na melhoria do quadro
social do nosso País, possibilitando o crescimento pessoal de
jovens que muitas vezes precisam apenas de uma oportunidade para se destacarem
profissionalmente.
As pessoas contratadas na condição
de aprendiz devem receber semanalmente uma capacitação.
Entidades como as ligadas ao Rotary Ensino Profissionalizante (REP) promovem
essa capacitação e a inserção de jovens dos
14 aos 24 anos nas empresas na condição de aprendiz. Se
os empresários se conscientizarem de que podem ser agentes transformadores
da realidade da Nação, eles contarão ainda com bons
quadros na empresa, preparados e treinados por entidades certificadoras
destinadas ao aperfeiçoamento dos aprendizes.
Aos empresários podemos
sugerir a adoção de tal medida. Já aos órgãos
competentes pela fiscalização da referida lei, podemos
sugerir uma ação mais rígida. Basta observar os
resultados divulgados pela Delegacia Regional do Trabalho de São
Paulo (DRT/SP), que indica onde 40% das empresas fiscalizadas, entre
janeiro e agosto de 2006, estão em desacordo com a lei. As multas
variam de R$ 402,53 a R$ 4.025,30.
Com uma ação rígida
dos órgãos competentes na fiscalização, associada à consciência
social crescente entre os empresários, muitos jovens ingressarão
no mercado de trabalho e poderão prosseguir seus estudos. Um exemplo
dos reflexos da fiscalização no crescimento de contratações é que,
em 2006, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) bateu recorde
de inserção de jovens no mercado de trabalho sob ação
fiscal, foram 44.049 adolescentes registrados, contra 29.605, em 2005.
Os estados que mais contrataram
foram Minas Gerais com 5.712 jovens contratados, seguido de Espírito
Santo, com 5.529. São Paulo ficou em terceiro lugar, com 5.106
aprendizes contratados, com idade entre 14 e 24 anos. Para 2007 a expectativa é que
esse número ultrapasse 50 mil.
Apesar desses números
o caminho a percorrer ainda é longo e depende da conscientização
dos empresários que toda empresa pode contratar um aprendiz:
grandes, médias, pequenas e até as micro. Com isso contribuirão
ativamente para a diminuição da evasão escolar
e com a desigualdade social, que ainda assola o país. Além
disso, estes jovens podem tornar-se bons quadros dentro da corporação,
evoluindo e moldando-se de acordo com a política da instituição,
contribuindo com a lucratividade e crescimento das companhias que lhe
deram oportunidade e podem ajudar corporações de todos
os portes a adequar-se às exigências da lei. Revista Consultor
Jurídico.
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Folha de São Paulo,
27 de junho de 2007
PMDB pressiona e Sibá deixa
a presidência do conselho
Petista havia convocado sessão hoje
para votar processo contra presidente do Senado | Adelmir Santana
(DEM) fica no posto interinamente; futuro de Renan continua indefinido,
já que conselho está paralisado há seis dias
Fotos Lula Marques/Folha
Imagem

S.O.S. No plenário do Senado, Arthur Virgílio recebe bilhete
de Renan: "Arthur, Precisamos resistir ao esquadrão da morte moral.
Quem me conhece, sabe do meu comportamento. Para punir alguém, é preciso
ter quebra de decoro e prova. Fora disso é imprensa opressiva. Você precisa
me ajudar. Renan"
FERNANDA KRAKOVICS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Pressionado e sem conseguir dar
andamento ao processo contra o presidente do Senado, Renan Calheiros
(PMDB-AL), o senador Sibá Machado (PT-AC) renunciou na noite de
ontem à presidência do Conselho de Ética. O caso
está parado há seis dias por falta de relator.
"Meu trabalho tem sido pautado pelo cumprimento do regimento e da Constituição.
As decisões do conselho começam a ser contaminadas mais por emoções
políticas do que pelas investigações. Eu me considero sem
condições de continuar nesse trabalho", disse ele, que abandonou
sua vaga no órgão.
Sibá não queria
ficar com o desgaste pela paralisia dos trabalhos e tentou forçar
ontem uma definição do caso. O PMDB então mandou
um recado para o PT lembrando que é a maior bancada do Senado
e o maior partido da coalizão, transformando o caso em uma questão
de governo. Se o PT abandonar Renan, o Palácio do Planalto terá dificuldades
de aprovar projetos na Casa.
A decisão de renunciar à presidência
foi tomada por Sibá durante uma reunião com senadores do
PT e do PSB na noite de ontem. O vice-presidente do conselho, senador
Adelmir Santana (DEM-DF), assumirá o cargo interinamente até que
seja eleito um novo presidente.
Há uma sessão do conselho marcada para o final da tarde de hoje.
A presidência do órgão cabe ao PMDB por ser a maior bancada
da Casa. O partido havia cedido a vaga para o PT.
Relator
Agora, aliados de Renan apostam
em um impasse para inviabilizar as investigações. O líder
do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), e o líder do
PMDB, senador Valdir Raupp (RO), se reuniram com Sibá e a líder
do PT, senadora Ideli Salvatti (SC), por volta do meio-dia. Na reunião
ficou claro que o PMDB não estava disposto a encontrar um relator
para o processo e que o desgaste ficaria com o PT.
Após esse encontro e uma
reunião com a bancada do PT, Sibá chegou a marcar para
hoje a votação do arquivamento do processo contra o presidente
do Senado. Renan não teria votos suficientes para enterrar o caso
de forma sumária. Com exceção do PMDB, os integrantes
do conselho não se sentem confortáveis em enterrar o processo
antes que a Polícia Federal conclua a perícia nos documentos
apresentados pela defesa de Renan.
A rejeição do parecer
de Epitácio Cafeteira (PTB-MA) levaria à aprovação
de um dos relatórios alternativos apresentados pela oposição.
O autor do documento aprovado se tornaria o novo relator. Eles foram
apresentados pelos senadores Demóstenes Torres (DEM-GO), Jefferson
Péres (PDT-AM), Marconi Perillo (PSDB-GO), Marisa Serrano (PSDB-MS)
e pedem a continuidade das investigações.
Lideranças do PMDB chegaram
a afirmar durante a tarde que Perillo poderia ser um bom nome. Os tucanos
são considerados mais moderados e confiáveis do que Demóstenes
e Péres. O governador de Alagoas, Teotônio Vilela (PSDB), é aliado
de Renan. Em um bilhete, o presidente do Senado pediu ajuda ao líder
do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), e disse que está sendo
vítima de um "esquadrão da morte moral". O papel
foi enviado pela manhã, durante sessão no plenário.
"Para punir alguém, é preciso
ter quebra de decoro e prova. Fora disso é imprensa opressiva",
diz trecho do bilhete. Questionado pela imprensa, Virgílio minimizou. "Acho
que foi um desabafo", disse ele.
O líder do PMDB insiste
que a melhor saída seria formar uma comissão de três
relatores -um do PMDB, um do PT e outro da oposição. "A
cada nome que o PMDB indica parece que é para enterrar o processo",
disse Raupp. O DEM é contra a comissão alegando que ela
não chegaria a um entendimento.
Desde que o senador Wellington
Salgado (PMDB-MG) abandonou a relatoria na última quarta-feira,
o presidente do conselho e os líderes partidários estavam
em um jogo de empurra para a indicação de um novo senador
para a função.
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Folha
de São Paulo, 27 de junho de 2007
Apesar de Vavá, Lula mantém
aprovação de 64%, diz Sensus
71% classificam episódio com irmão
como negativo, indica pesquisa encomendada pela CNT | 52,2% acham que
Lula sabia de suposto lobby de Vavá, indiciado sob a suspeita
de tráfico de influência na Operação Xeque-Mate
da PF
LETÍCIA SANDER
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Embora negativa, a repercussão
das denúncias envolvendo Genival Inácio da Silva, o Vavá,
em episódios de suposto tráfico de influência não
afetou a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu
irmão, nem a do governo. É o que indica pesquisa do Instituto
Sensus encomendada pela CNT (Confederação Nacional do
Transporte) e divulgada ontem. O levantamento mostra que 70,7% dos
entrevistados que acompanharam ou ouviram falar do caso Vavá consideram
que o episódio foi negativo para o governo e para Lula.
Pior: 52,2% acreditam que o
presidente tinha conhecimento prévio do suposto lobby de Vavá junto
ao governo, contra 38,7% para quem Lula não sabia das supostas
atividades do irmão. Apesar disso, segundo os dados da pesquisa,
o desempenho pessoal do presidente manteve-se estável em relação
ao último levantamento, de abril. Lula é aprovado hoje
por 64% -há dois meses, eram 63,7%. Somente 29,8% o desaprovam
-em abril eram 28,2%. As oscilações estão dentro
da margem de erro da pesquisa, de três pontos percentuais.
A avaliação do
governo também segue sem grandes alterações: 47,5%
consideram o desempenho do governo positivo e somente 14% o avaliam
de forma negativa. Em abril deste ano, a avaliação positiva
do governo chegava a 49,5%, e a negativa, a 14,6%. O aposentado Vavá chegou
a ser indiciado pela Polícia Federal sob suspeita de tráfico
de influência e exploração de prestígio,
na Operação Xeque-Mate, de combate a máfia de
caça-níqueis. Ele não foi denunciado pela Procuradoria,
e o caso foi remetido à Justiça Federal de São
Bernardo do Campo (SP).
Um total de 75,1% dos entrevistados
disse acreditar nas denúncias contra Vavá, contra 15,2%
que declararam que não. A maioria dos entrevistados (76,9%)
considera correto o indiciamento dele. Ao mesmo tempo, 67,1% creditam
o vazamento das informações relativas a Vavá como
um episódio de natureza política. "O que mantém
a popularidade do governo é o funcionamento da economia e os
programas sociais, além do carisma do presidente", disse
Ricardo Guedes, diretor do Instituto Sensus, lembrando que outros escândalos
também não "colaram" na imagem do presidente.
Foram feitas 2.000 entrevistas,
em 24 Estados, entre os dias 18 e 22 de junho. A pesquisa também
mostra que aumentou a preocupação da população
com a corrupção. Questionados sobre qual seria o principal
motivo para não se ter orgulho do Brasil, 41,3% dos entrevistados
citaram a corrupção.
Com 17,1%, aparece a violência
e, em terceiro lugar, a pobreza e a miséria, com 12,7%. Em maio
de 2005, a corrupção já era o principal motivo
para os brasileiros não sentirem orgulho do país, mas, à época,
o tema recebeu menção de apenas 27,1%.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 27 de junho de 2007 | Economia
Caixa libera R$ 1 bilhão em
crédito para moradia até maio
Caixa vai discutir ampliação
dos subsídios previstos para este ano, de R$ 1,2 bi
Chiara Quintão, da Agência
Estado
SÃO PAULO - A Caixa Econômica Federal (CEF) concedeu R$ 1 bilhão
em subsídios à habitação de janeiro a maio, segundo
a superintendente Nacional da instituição, Vera Lúcia
Martins Vianna. A executiva disse que na próxima reunião do Conselho
Curador do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) será discutida
a ampliação do valor previsto para subsídios da Caixa
em 2007, atualmente estimado em R$ 1,2 bilhão. No ano passado o valor
foi de R$ 1,8 bilhão.
Os subsídios são
uma das formas de acesso da baixa renda à compra de imóveis.
Dos R$ 17,4 bilhões que o banco estima destinar ao financiamento
imobiliário, este ano, parcela próxima a 60% será para
consumidores com renda até cinco salários mínimos.
Esse perfil deve responder por 70% das 600 mil unidades que a instituição
financeira quer financiar em 2007, segundo Vera Vianna.
A superintendente da Caixa destacou,
durante o seminário Crédito Imobiliário, que 96,3%
do déficit habitacional brasileiro está concentrado na
renda até cinco salários mínimos. Para atender essa
parcela da população, o banco desenvolveu programas por
faixa de renda e passou a avaliar não só a renda formal,
mas a renda líquida comprovada pela capacidade de pagamento de
compromissos.
Os juros cobrados pela Caixa
no crédito imobiliário variam de 6% ao ano mais Taxa Referencial
(TR) até 12% ao ano mais TR, na modalidade do Sistema Financeiro
de Habitação (SFH). O prazo máximo é de 20
anos.
Cadastro positivo
Outro palestrante do seminário, Vander Nagata, gerente de Pessoa Física
do Serasa, defendeu o uso do cadastro positivo como forma de os bancos conhecerem
melhor os clientes de baixa renda. "O cadastro positivo requer o histórico
do cliente em outros tipos de concessão de financiamento. É fundamental
que o cadastro positivo seja compartilhado para o desenvolvimento do crédito
imobiliário e da securitização do crédito",
disse Nagata.
O representante do Serasa
citou um levantamento do Banco Mundial, que aponta que o cadastro positivo
tem como benefícios a tendência do aumento da aprovação
das pessoas que buscam crédito, a redução dos
prazos para essa aprovação e a redução
da inadimplência.
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Diário Vermelho, 27
de junho de 2007
CNT-Sensus mostra preferências
partidárias do brasileiro
Por Bernardo Joffily
A pesquisa CNT-Sensus divulgada
nesta terça-feira (26) chamou a atenção da mídia
sobretudo pela virada na avaliação da política econômica
do governo: 47,5 de aprovação e 36% de desaprovação,
quando dez meses atrás era o inverso, 46,3% de desaprovação
e 40,6% de desaprovação. Mas a pesquisa traz outros dados
importantes, principalmente sobre a reforma política, como em
quais partidos os eleitores votariam.

Fonte: http://www.cnt.org.br
Mais da metade (53,2%) dos entrevistados
não ouviram falar da reforma política. É um dado
chocante, comparado com apenas 20,2% que não ouviram falar da
crise aérea, e 23,3% que não ouviram falar do Caso Vavá.
Indica que os meios de comunicação se voltam para o episódico,
enquanto a reforma – que poderia ampliar a democracia e combater
a corrupção pelas suas causas – marca passo e pode
naufragar. O caso Renan foi piedosamente omitido na CNT-Sensus, mas com
certeza e percentagem de desconhecimento seria ainda menor.
A opinião de quem acompanha
o debate
Mas a parcela que acompanha o
debate da reforma política (19,8%), ou pelo menos ouviu falar
dela (27,0%) deu sua opinião. O gráfico acima, por exemplo,
mostra como eles votariam no caso de ser aprovado o sistema de lista
fechada por partidos políticos. Em resumo:
- 43,0% não declararam
um partido de sua preferência.
- 13,2% deram apoio a um dos
quatro partidos da oposição (PSDB, DEM (ex-PFL), PSOL ou
PPS.
- E 43,8% indicaram o voto em
um dos partidos da base do governo Lula, com destaque para o PT (21,4%)
e o PMDB (10%).
Os resultados da pesquisa dão
a entender que a opinião pública está contra as
duas principais mudanças em discussão na reforma política.
O financiamento público de campanha tem o apoio de apenas 18,7%
e a rejeição de 75,2% (sempre tomando por base apenas os
entrevistados que pelo menos ouviram falar da reforma). E o voto em listas
partidárias tem o apoio de 16,5% e a reprovação
de 74,0%.
Perguntas confusas e talvez tendenciosas
Estes resultados podem ter sido
influenciados pela maneira como o insituto Sensus formulou as perguntas.
A primeira delas foi: "O Sr(a) é a favor ou contra o financiamento
exclusivo de campanhas eleitorais através de fundo legalmente
constituído com recursos públicos?" E a segunda: "O
Sr(a) é a favor ou contra a alteração do sistema
de votação nas eleições legislativas, passando
o eleitor a votar em lista fechada do partido político, ao invés
de votar em um candidato?". Nos dois casos, são perguntas
confusas e talvez tendenciosas.
Mas a pesquisa reflete também
um debate público reduzido sobre o tema. Os cidadãos foram
estimulados a discutir as últimas peripécias do Caso vavá e
do caso Renan, mas não a examinar os prós e os contras
de mudar o sistema político-eleitoral.
A pergunta tendenciosa que não
funcionou
Um terceiro problema é que
a reforma política aparece como um problema distante, longe dos
interesses diretos do cidadão, o que favorece a confusão.
Tanto assim que, quando a pesquisa tentou induzir uma resposta, mas tratando
de um problema concreto e conhecido dos entrevistados, a pergunta tendenciosa
não funcionou.
A pergunta tratava do controle
público sobre o conteúdo das concessionárias de
TV. E foi redigida de forma extremamente capciosa: "O Sr(a) é a
favor ou contra a censura prévia a programas de TV?". Mesmo
assim, os resultados contrariaram a intenção de quem formulou
a pergunta: 57,9% responderam "a favor", para 35,9% "contra";
e os que não souberam responder foram apenas 6,3%.
Outro quesito na mesma área
de perguntas mostra que a internet já é a terceira mídia
mais utilizada no Brasil. Ela aparece com 9,4% das preferências,
atrás da TV (69,3%) e do rádio (14,0%), mas na frente
dos jornais (5,4%), revistas (0,9%) e outros (0,5%).
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Diário Vermelho, 27
de junho de 2007
Lista: fechada ou flexível?
A dúvida que ronda a reforma política
A Câmara dos Deputados – presidência, líderes e parlamentares – estão
fazendo esforço para votar, esta semana, o projeto de reforma política.
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), confirmou que a reforma
política será votada nesta quarta-feira (27) em plenário,
apesar da falta de consenso sobre o tema. A Casa está com seis sessões
extraordinárias marcadas para esta semana.
"Não é possível
que a sociedade, a imprensa, os congressistas, todos fiquem falando 'somos
favoráveis a uma reforma política' e depois não
queiram decidir", afirmou o presidente da Casa.
Os líderes dos partidos
autores de uma proposta alternativa para a reforma política decidiram
tentar mais uma vez um acordo com o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO),
relator do projeto de lei original.
E o plenário tem dado
manifestações de estar empenhado em desobstruir a pauta
para iniciar a votação da reforma. Nas duas sessões
extraordinários desta terça-feira (26), foram aprovadas
as duas medidas provisórias com prazos de tramitação
vencidos que trancavam a pauta. As MPs são a da Timemania e a
que cria a Secretaria de Portos ao desvincular do Ministério dos
Transportes administração dos portos marítimos.
A pauta da Câmara também
está trancada pelo Projeto de Lei, do Executivo, que estabelece
normas mais precisas para os estágios e reforça a responsabilidade
educacional das escolas e das empresas envolvidas. A exemplo das medidas
provisórias, os projetos com urgência constitucional passam
a trancar a pauta se não forem votados no prazo de 45 dias
Dificuldades
O maior problema dos líderes,
no entanto, tem sido as negociações para formar maioria
em torno de uma das duas propostas que serão apreciadas. Os líderes
dos Partidos (PT, PMDB, DEM, PCdoB, PPS e PSB), que apresentaram a emenda
substitutiva ao projeto original, tentaram, durante todo o dia de hoje,
convencer Caiado a aceitar a proposta de lista flexível com financiamento
público de campanha.
Caiado não aceita financiamento
público a não ser para o sistema de lista fechada, em que
o eleitor vota somente no partido. Mas a lista fechada sofre resistência
de uma parcela significativa dos parlamentares que hoje receberam um
reforço.
Segundo o líder do PPS, Fernando Coruja, outro fator que esfriou os ânimos
dos autores da emenda alternativa foi o resultado da pesquisa CNT/Sensus que
mostra que 75,2% dos entrevistados que sabem da discussão sobre a reforma
política são contra o financiamento público de campanha
e 74% são contrários à mudança no sistema de votação
para lista fechada.
Os deputados estão procurando
uma nova alternativa e discutem a possibilidade de um financiamento misto.
Segundo Coruja, os partidos vão discutir a idéia de um
financiamento público para as eleições proporcionais
e financiamento privado para as eleições majoritárias.
" Vimos que há uma certa dificuldade com relação a
emenda que apresentamos. Há dúvidas sobre a possibilidade de a
lista flexível abrir caminho para o caixa 2, já que este modelo
contempla, além do voto no partido, o voto individual no candidato. Além
disso, alguns deputados fizeram as contas e viram que o financiamento público
representaria muito dinheiro para a União, mas pouco dinheiro para os
partidos, especialmente os pequenos", afirmou Coruja.
O líder do DEM, Onix Lorenzoni (RS), disse que está seguro da
aprovação da emenda mas acrescentou que a tentativa de um acordo "será feita
para aprová-la com mais folga". Os líderes continuam reunidos
durante à noite.
Duas propostas
O plenário já encerrou
a discussão do projeto da reforma política, ao qual foram
apresentadas 346 emendas. Estarão em votação as
duas propostas de reforma: o projeto relatado por Caiado e uma emenda
apresentada pelos seis partidos.
Caiado propõe o sistema
de votação por lista fechada, em que o eleitor vota somente
no partido. A emenda substitutiva prevê uma lista flexível
em que o eleitor vote primeiro no partido e depois, se quiser, em um
candidato de sua preferência.
As duas propostas criam o financiamento
público exclusivo de campanha. Se for aprovado, as campanhas eleitorais
passam a ser financiadas com recursos da União e ficam proibidas
as doações de pessoas físicas e jurídicas.
"Como tem muita divergência,
estou preparado, digamos, para iniciativas regimentais que atrasem
as votações e que acentuem as disputas. Isso é normal.
Mas vai votar", afirmou o presidente da Casa, Arlindo Chinaglia.
Ele disse esperar "sinceramente" que a Câmara consiga "produzir
algo melhor". De Brasília - Márcia Xavier, Com agências.
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JORNAL O ESTADO DE SÃO
PAULO, 27 de junho de 2007 | Nacional
Financiamento de campanha pode também
ser misto
Líderes temem rejeição
e discutem proposta flexível em substituição
ao projeto de reforma de Caiado
Denise Madueño e Luciana
Nunes Leal, BRASÍLIA
A forte rejeição
do eleitor ao financiamento público de campanha e ao sistema de
votação em lista fechada, revelada em pesquisa de opinião
da CNT/Sensus divulgada ontem, jogou água fria nos partidos que
defendem a aprovação, hoje, da proposta de reforma política.
Os líderes que patrocinam uma alternativa ao projeto do relator,
Ronaldo Caiado (DEM-GO), decidiram, na noite de ontem, buscar uma nova
saída, desta vez com o financiamento misto de campanha. Seria
a alternativa ao financiamento público exclusivo, considerado
incompatível com o sistema de lista flexível, em que o
eleitor vota no partido, mas também tem a opção
de votar em um candidato de sua preferência.
Pela proposta discutida ontem,
que ainda depende da concordância do PT, as campanhas eleitorais
passariam a ser financiadas com recursos da União e também
com contribuições de pessoas físicas e jurídicas.
O dinheiro público financiaria as campanhas majoritárias
(prefeito, governador e senador) e as campanhas nas listas fechadas para
eleições proporcionais (vereador, deputado estadual, distrital
e federal, escolhidos pelos partidos). O dinheiro privado financiaria
as campanhas individuais dos candidatos proporcionais. A votação
da reforma política está marcada para hoje, mas os líderes
ainda tentarão costurar um acordo para aprovação
das novas regras, em reuniões marcadas para esta manhã.
A tentativa de buscar uma nova
proposta, além das duas que já estavam em discussão,
surgiu depois de uma reunião entre representantes dos seis partidos
que, na sexta-feira, apresentaram uma emenda alternativa ao projeto de
Caiado. PT, PMDB, DEM, PC do B, PPS e PSB decidiram fazer uma última
tentativa de chegar a uma proposta que tivesse a concordância do
relator. “Cada um está abrindo mão de parte de suas
convicções para votar um sistema de transição”,
disse o líder do DEM, Onyx Lorenzoni (RS).
O presidente da Câmara,
Arlindo Chinaglia (PT-SP), manteve a votação para a sessão
de hoje, mesmo com a divisão dos deputados e a insegurança
sobre o que será aprovado. “Como tem muita divergência,
estou preparado, digamos, para iniciativas regimentais que atrasem as
votações e acentuem as disputas. Isso é normal.
Mas vai votar”, afirmou Chinaglia. Ele disse esperar que a Casa
produza um sistema melhor do que o atual. “Não é possível
que a sociedade, a imprensa, os congressistas, todos fiquem falando ‘somos
favoráveis a uma reforma política’ e depois não
queiram decidir.”
A pesquisa CNT/Sensus mostrou
que 46,8% - menos da metade dos 2 mil entrevistados em 136 municípios
de 24 Estados - têm acompanhado ou ouviram falar na reforma política
em discussão na Câmara. Da parcela que tomou conhecimento
da reforma, 75,2% são contra financiamento público de campanha,
e só 18,7% são a favor.
Resultado semelhante foi
registrado no caso do sistema de votação na chamada lista
fechada: dos que ouviram falar da reforma política, 74% são
contrários a essa proposta e 16,5% são a favor.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
27 de junho de 2007
Presidente pede que prefeitos ajudem
PAC a sair do papel
Agência Estado
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) fez nesta terça-feira (26) um apelo aos governadores
e prefeitos para que ajudem o governo federal a tirar o Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC) do papel e implementem
as obras necessárias ao desenvolvimento do País. "Só peço
um compromisso a vocês: pelo amor de Deus, executem esses projetos",
disse Lula em discurso realizado no Palácio dos Bandeirantes
durante evento de assinatura de convênios com o governador paulista,
José Serra (PSDB), e 58 municípios do Estado em projetos
do PAC das áreas de saneamento e urbanização,
num valor total de R$ 7,3 bilhões.
Além do pedido de auxílio para execução do PAC,
Lula criticou duramente a "pequenez política". Segundo ele,
esse tipo de atitude traz apenas um resultado para o País: "mais
pobreza e menos desenvolvimento". Ao lado do governador do Estado de São
Paulo, o tucano José Serra, Lula lembrou que em 2010 haverá uma
nova disputa sucessória e que muitos estarão em times diferentes.
E frisou: "Você pode ser o que quiser antes das eleições,
mas depois (das eleições) você é o administrador
da sua cidade, Estado e País. Por isso, temos a obrigação
política, ética e moral de cumprir com as coisas que foram a
razão pelas quais o povo nos elegeu".
Ainda no discurso, Lula disse que a classe política deve ter o "máximo
de decência" para saber que as eleições já terminaram
e que agora é preciso governar, independente das diferenças políticas. "Vivemos
um momento histórico no Brasil, o País vai bem, as coisas vão
bem e o mérito é da sociedade brasileira. As coisas estão
dando tão certo que fico incomodado de ver gente procurando pêlo
em ovo para fazer críticas", destacou o presidente.
Lula disse que o evento realizado nesta terça-feira no Palácio
dos Bandeirantes era a "consagração da democracia",
porque estava reunindo pessoas de ideologias diferentes e filiações
partidárias múltiplas. Lula ainda brincou: "A gente não
pede filiação partidária e nem exige que um prefeito vire
corintiano ou palmeirense para fechar convênio conosco". A frase
foi uma alusão ao fato de ele ser corintiano e Serra palmeirense.
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CONSULTOR JURÍDICO,
27 de junho de 2007
Clube dos Veteranos
TST restabelece benefícios retirados
de aposentado
A Justiça do Trabalho restabeleceu a um aposentado da empresa catarinense
Multibrás — Eletrodomésticos os benefícios retirados
como: assistência médica pelo Bradesco Saúde, 50% de auxílio
financeiro na compra de medicamentos, seguro de vida e desconto em folha na
compra de produtos da empresa. A Multibrás também foi condenada
a pagar R$ 10 mil de indenização por danos morais.
A decisão do Tribunal
Regional do Trabalho da 12ª Região, Santa Catarina, foi mantida
pela 6ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho. De acordo com o
relator, ministro Horácio Senna Pires, ficou demonstrados o prejuízo
do trabalhador com a atitude da empresa. Ressaltou que são assegurados
os direitos contidos no artigo 468 da CLT. O artigo dispõe que
só é lícita a alteração contratual
que não resulte em prejuízo ao empregado.
O empregado foi admitido em 1963
e aposentou-se em 1991. Afirmou que a empresa criou o “Clube dos
Veteranos” para incentivar os funcionários com mais de 20
anos de serviços prestados a permanecer na empresa, oferecendo-lhes
benefícios de natureza salarial pela dedicação.
Contou que, em 2003, recebeu
telefonema da empresa convidando-o para uma reunião, na qual tomou
ciência de que perderia as vantagens do Clube. A Multibrás
propôs a substituição do Bradesco Saúde (bancado
pela empresa) pelo União Saúde (que lhes custariam R$ 1,1
mil por mês), ou o pagamento de indenização no valor
de R$ 5 mil para cada beneficiário. Alegou que a empresa não
lhe deu outra alternativa, por isso aceitou o novo plano.
Na Vara do Trabalho de Joinville
(SC), o aposentado, com mais de 70 anos, pediu a reparação
pelos prejuízos materiais e morais, como a angústia e o
sofrimento sofridos pela perda. Solicitou também a manutenção
de um plano semelhante.
A empregadora, para se defender,
alegou que os benefícios do Clube dos Veteranos foram concedidos
por ato de liberalidade, negando que o empregado tenha sido coagido a
aceitá-lo. Argumentou que o Clube foi criado pelos funcionários
e seu regulamento incluía cláusula que concedia ao empregador
o direito de alterar ou eliminar benefícios, estando o trabalhador
ciente dos seus termos.
Os argumentos não foram
aceitos. A primeira instância condenou a empresa a restabelecer
os benefícios, mas negou indenização por dano moral,
por não verificar lesão à imagem e à moral
do empregado.
Sem sucesso, a empresa recorreu
ao TRT. O tribunal manteve a sentença em relação à restauração
do plano de saúde e reformou-a quanto ao dano moral. O tribunal
catarinense ressaltou que o ato da Multibrás levou o empregado
a “um sentimento de angústia, expondo-o a incertezas que,
na sua idade, têm inúmeras repercussões”, e
fixou em R$ 10 mil a indenização.
No TST, a Multibrás alegou
violação à Súmula 51, que estabelece que,
na coexistência de dois regulamentos da empresa, a opção
do empregado por um deles tem efeito de renúncia do outro. O ministro
Horácio Senna Pires discordou do argumento, alertando que “não
há como cogitar-se de contrariedade à Súmula 51,
II, do TST, porque não pretende o empregado substituir uma opção
(Plano União) por outra (a indenização), mas sim
apenas retornar ao status quo ante, que é o plano de saúde
Bradesco”.
AI RR 3378/2003-016-12-40.0
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CONSULTOR JURÍDICO,
27 de junho de 2007
Prêmio por desempenho
Empresa deve provar por que trabalhador
não merece bônus
A empresa que oferece bônus por desempenho individual deve paga-lo a
todos os funcionários que têm direito à gratificação.
Com base nesse entendimento a 1ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho
negou provimento a agravo da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). A Companhia
entrou com o recurso para revogar a decisão que a condenou a remunerar,
por desempenho individual, um trabalhador. A Turma seguiu o entendimento do
Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região. De acordo com o TRT-3
cabe à empresa provar que o trabalhador não fazia jus ao prêmio,
e não o contrário, como sustentava a CVRD.
A ação foi ajuizada
pelo maquinista Carlos Aprígio Ferreira. Ele alegou não
ter recebido, nos últimos três anos do contrato de trabalho,
a importância relativa a desempenho individual. De acordo com ele
o bônus era atribuído conforme a nota obtida em avaliação.
Segundo o trabalhador, demitido em 2004, a empresa pagava o bônus
a alguns de seus empregados e a outros não, ofendendo o princípio
da isonomia.
A Companhia contestou as informações
do maquinista. Afirmou que o regulamento no qual ele se baseou já havia
sido revogado. Mas durante sua vigência fixava critérios
para o recebimento da bonificação. De acordo com a CVRD
o trabalhador tinha que atingir 40% da pontuação para ter
direito ao bônus.
O juiz da 3ª Vara do Trabalho
de Governador Valadares proferiu sentença favorável à CVRD.
Para ele o trabalhador não trouxe provas de que outros empregados
tivessem recebido o bônus a partir de 2002. Por isso não
conseguiu provar que foi tratado de maneira desigual. Além disso,
por se tratar de norma interna da empresa, o benefício era uma
ferramenta de administração. “Não cabe ao
Judiciário, nesses casos, intervir na sua aplicação,
sob pena de violar o direito de gestão do empregador, incorrendo,
ainda, no grave risco de desestimular o implemento desses avanços
sociais”, declarou o juiz.
Ao analisar o recurso, o TRT-MG
inverteu o ônus da prova e julgou o pedido procedente. Condenou
a CVRD a pagar o prêmio ao trabalhador. De acordo com a justiça
mesmo se tratando de uma norma interna a empresa não provou que
tenha realizado a avaliação do empregado. Além disso,
não houve prova da revogação do benefício,
como alegado na contestação.
A Companhia entrou com agravo
de instrumento no TST. Alegou que o TRT deixou de aplicar corretamente
a distribuição do ônus da prova. Para a Companhia
caberia ao empregado comprovar que outro empregado, com a mesma função,
produtividade e perfeição técnica, tenha recebido
vantagem salarial não recebida por ele.
A ministra Dora Maria da Costa
negou as alegações da Companhia. “Como ficou realçado
pelo TRT, a partir do momento em que a empresa sustentou a tese de que
o trabalhador não havia atingido a pontuação mínima
necessária para ganhar o bônus, atraiu para si o encargo
de provar o fato impeditivo do direito do autor”, explicou a ministra.
AIRR 1155/2005-135-03-40.6
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
27/06/2007
Gestante que recusou reintegração
ganha indenização pela estabilidade
A Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho
manteve decisão da Segunda Turma e, conseqüentemente, a indenização
concedida a uma empregada demitida grávida que renunciou à reintegração
ao emprego. A SDI-1 negou provimento aos embargos apresentados pela empresa
paulista Sensormatic do Brasil Eletrônica Ltda., que pretendia
a reversão da decisão sob o argumento de que a legislação
só assegura o emprego à gestante, e não o pagamento
da indenização.
Ao rejeitar a argumentação,
o relator, ministro Lélio Bentes Corrêa, esclareceu que
a estabilidade “é um direito de que não pode dispor
a empregada gestante”. Segundo ele, a garantia “cumpre dupla
finalidade, a de proteger a trabalhadora contra possível ato discriminatório
do empregador e garantir o bem-estar do bebê”.
A empregada foi admitida pela
Sensormatic para trabalhar em Santo André (SP) em 1993, e contou
que foi dispensada imotivadamente em 1995. Ressaltou que alertou o chefe
sobre sua gravidez, mas ele apontou que a rescisão do contrato
de trabalho já tinha ocorrido. Afirmou que, durante o aviso prévio,
tentou reverter a dispensa, o que lhe foi negado. Inconformada, ingressou
com ação na Vara do Trabalho de Santo André pedindo
o reconhecimento da estabilidade, salários vencidos, vincendos
e os seus reflexos.
A Sensormatic, na defesa, declarou
que não sabia da gravidez no ato da dispensa. Citou o Ato das
Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT)
como regulador da matéria, que só trata da reintegração
ao emprego, sem falar em indenização. A sentença
concordou com o entendimento da empresa de que a Constituição
não garante a indenização pela estabilidade. O juiz
afirmou que a empregada recusou a estabilidade ao rejeitar oferta de
emprego na audiência. “Ela queria receber sem trabalhar”,
destacou, ao julgar improcedente a ação. A trabalhadora
recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (São
Paulo), que manteve o entendimento de que “não é necessária
a prova de que o empregador estivesse ciente da gravidez no ato do desligamento”.
No TST, a empregada afirmou que
chegou a pedir a reconsideração da demissão durante
o aviso prévio. A Segunda Turma, em voto relatado pelo ministro
aposentado José Luciano de Castilho Pereira, reformou o acórdão
regional, alertando que “a distinção de que a Constituição
assegura o emprego, mas não o salário, é insustentável,
pois aquele, sem este, não existe “.
Inconformada, a empresa apresentou
embargos à SDI-1, que manteve a tese da Turma. O ministro Lélio
Bentes explicou que “o empregador não pode descumprir a
garantia constitucional sob o argumento de que a empregada renunciou,
em juízo, à oferta de reintegração, deixando
de pagar a indenização devida. O relator destacou que a
Constituição Federal garante à trabalhadora gestante
a estabilidade provisória, “independentemente da comunicação à empregadora
do estado de gravidez”. Segundo ele, “a recusa à proposta
de readmissão não afasta o direito ao pagamento da indenização
decorrente da estabilidade provisória a que se refere o artigo
10, I, b, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias”.
(E-ED-RR 575.119/1999.5)
(Léa Paula)

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