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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ, 29 de junho
de 2007 | Economia
Segundo BNDES, construção
vai liderar recursos de 2007 a 2010
Agência Estado [28/06/2007]
A construção civil
vai liderar os investimentos no País de 2007 a 2010, segundo avalia
o superintendente da Secretaria de Assuntos Econômicos do Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Ernani
Teixeira. Segundo ele, de R$ 1 trilhão de investimentos previstos
para o período, R$ 470 bilhões serão na construção
civil, especificamente no segmento residencial.
Teixeira afirmou que representantes
do setor de construção têm dito que os investimentos
serão ainda maiores, o que ele considera possível. Para
o superintendente, na economia em geral haverá um "tsunami
de investimentos" nos próximos anos, com um padrão
diferente dos anos anteriores, já que incluem sobretudo construção
e expansão de novas plantas industriais, e não apenas modernização,
como ocorreu no passado.
Ainda segundo Teixeira - que
fez palestra hoje em evento da Organização Nacional da
Indústria do Petróleo (Onip) -, a indústria de petróleo,
que participava com 2% do total de investimentos industriais no País
no ano 2000, hoje já contribui com 7%. Ele lembrou que o banco
fez um estudo para o período 2007-2010 englobando 16 setores,
dos quais ficaram de fora segmentos prejudicados pelo câmbio, como
calçados e vestuário.
Segundo o superintendente, esses
setores não foram mapeados por serem muito pulverizados e de difícil
detalhamento. Os segmentos contemplados no estudo respondem por 9% do
PIB, 45% da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) e 68%
dos investimentos em infra-estrutura.
A indústria em geral,
de acordo com o estudo, investirá R$ 380 bilhões; a infra-estrutura,
198 bilhões, e o software, R$ 2,6 bilhões. Do total a
ser aplicado pela indústria, R$ 183,6 bilhões serão
no segmento de petróleo e gás. Ainda segundo o superintendente,
o setor de petróleo, especificamente, aumentou a participação
no PIB de 2,5% em 2007 para 9,8% em 2006. Conforme ele, o petróleo
será cada vez mais um setor importante na economia.
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JORNAL DA TARDE, 29 de junho de 2007
SP terá mínimo de R$
410
Assembléia Legislativa
aprovou ontem à noite o Projeto de Lei 363/2007,do governador
José Serra (PSDB)que institui em São Paulo o salário
mínimo estadual para os trabalhadores de diversas categorias profissionais.
Dividido em três faixas - R$ 410, R$ 450 e R$ 490 - o mínimo
estadual deverá beneficiar cerca de um milhão de trabalhadores
paulistas.
Pelo projeto de lei aprovado
ontem,nenhum trabalhador empregado no Estado de São Paulo poderá receber
salário inferior a R$ 410. Com a novidade, São Paulo será o
quarto Estado do País a instituir um Piso regional - Rio de Janeiro,Paraná e
Rio Grande do Sul já têm leis semelhantes.
A primeira faixa, de R$ 410,
será destinada a domésticas, serventes, trabalhadores agropecuários
e florestais, contínuos, motoboys e ascensoristas, entre outros.
A segunda, de R$ 450, é voltada
para operadores de máquinas e implementos agrícolas e florestais,
carteiros, tintureiros, barbeiros, cabeleireiros, manicures, vendedores,
garçons, telefonistas, tecelões e encanadores, pedreiros,
entre outros.
A última, por fim, de
R$ 490, vai atingir os trabalhadores de serviços de higiene e
saúde,os agentes técnicos em vendas e representantes comerciais,supervisores
de compras e vendas e técnicos em eletrônica,entre outros.
“O projeto que aprovamos
ampara mais de 1 milhão de trabalhadores que atuam em categorias
profissionais menos organizadas e,por isso, têm pouco respaldo
nos momentos de negociar seus salários. São Paulo é o
Estado que responde pela maior parcela de geração de riqueza
e arrecadação de impostos do País, nada mais justo
que tenhamos uma política salarial diferenciada”, afirmou
o presidente da Assembléia, o deputado Vaz de Lima.
O texto da lei estabelece que
os pisos estaduais não valem para trabalhadores que tenham outros
pisos definidos em lei federal, convenção ou acordo coletivo.
Dessa forma, quando houver dissídio para uma determinada categoria é o
dissídio que prevalece. Porém, se o acordo produzir um
piso menor, o valor terá de ser elevado para atingir o mínimo
estadual.
Servidores públicos estaduais
e municipais também não serão contemplados pelo
mínimo paulista, ou seja, o piso estadual valerá apenas
para os trabalhadores da iniciativa privada. Segundo o governo, os servidores
públicos do Estado já Possuem legislação
própria e o piso da categoria é de R$ 510.
A vantagem do mínimo
estadual é o fato de seu valor estar acima do salário
mínimo de R$ 380. A lei aprovada ontem entra em vigor no primeiro
mês seguinte à data de sua publicação, o
que deve ocorrer nos próximos dias.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 29 de junho de 2007
Confiança da indústria
recua 0,6% entre maio e junho
Apesar do recuo, o índice continua
em patamar elevado, segundo a FGV
Reuters
SÃO PAULO - O Índice de Confiança da Indústria
(ICI) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) teve queda de 0,6%
entre maio e junho, segundo sondagem da indústria divulgada nesta sexta-feira.
O índice caiu de 118,2
para 117,5 pontos mas, apesar da queda, "manteve-se em patamar elevado,
sendo o sexto maior da série histórica iniciada em abril
de 1995", informou a FGV em comunicado.
Entre maio e junho, o Índice
da Situação Atual ficou praticamente inalterado, passando
de 122,6 para 122,3 pontos. No mesmo período, houve recuo no Índice
de Expectativas, de 113,7 para 112,8 pontos. Em 12 meses, estes dois índices
avançaram, respectivamente, 22,1% e 5,1%.
Entre os integrantes do
ICI que se relacionam com o presente, a FGV afirma que o maior avanço
nos últimos 12 meses se deu na avaliação do nível
de demanda. Entre junho do ano passado e junho deste ano, a parcela
de empresas que avaliam o nível de demanda atual como "forte" subiu
de 11% para 27% e a proporção dos que avaliam como "fraco" caiu
de 22% para 8%.
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CONSULTOR JURÍDICO,
29 de junho de 2007
Cabeças do trabalho
TST elabora lista quíntupla
para três vagas de ministro
O Pleno do Tribunal Superior do Trabalho escolheu, nesta sexta-feira (29/6),
os nomes dos cinco integrantes da lista quíntupla para preenchimento
de três vagas de ministro do Tribunal. A lista é encabeçada
pelo juiz do Trabalho Walmir Oliveira da Costa, da 8ª Região, Pará.
Ele recebeu 17 dos 21 votos na primeira votação.
Em seguida, os ministros escolheram
os juízes Guilherme Caputo Bastos (23ª Região, Mato
Grosso), com 18 votos; Pedro Paulo Teixeira Manus (2ª Região,
São Paulo), com 13 votos; Josenildo dos Santos Carvalho (20ª Região,
Sergipe), com 13 votos; e Fernando Eizo Ono (9ª Região, Paraná),
com 11 votos.
As três vagas são
decorrentes da ampliação da composição do
TST pela Emenda Constitucional 45 (Reforma do Judiciário), que
aumentou de 21 para 27 o número de ministros do TST. Restam, ainda,
outras três vagas a serem preenchidas.
A lista será encaminhada
ao presidente da República, a quem cabe escolher os três
nomes que, depois de sabatinados pelo Senado, serão nomeados.
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CONSULTOR JURÍDICO,
29 de junho de 2007
Batida empresarial
Justiça proíbe C&A
de revistar bolsas de funcionários
A rede de lojas C&A Modas está proibida de revistar bolsas e pertences
de seus funcionários em todo o país. A determinação é da
9ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, em
São Paulo. A loja também foi condenada a pagar R$ 500 mil de
indenização por danos morais coletivos ao Fundo de Amparo ao
Trabalhador. Cabe recurso.
A Ação Civil Pública
contra a rede de lojas foi ajuizada pelo Ministério Público
do Trabalho de São Paulo. O MP argumentou que as bolsas poderiam
conter medicamentos e outros objetos íntimos que os funcionários
não desejam que sejam revelados aos colegas.
Destacou que a Constituição
Federal, em seu artigo 5º, dispõe que são invioláveis
a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurando
o direito à indenização pelo dano material ou moral
decorrente de sua violação.
A C&A, para se defender,
alegou que a revista a bolsas e pertences serve para evitar pequenos
furtos. O TRT paulista rebateu o argumento. Para os juízes da
9ª Turma, a mania obsessiva pela defesa do patrimônio levada
ao extremo da desconfiança generalizada, como se os empregados
fossem pessoas estranhas, é uma grande ofensa à dignidade
do trabalhador.
Processo: 01441-2004.067.02.00.8
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 29 de junho de 2007 | Economia
Grupo tentará salvar financiamento
público de campanha
Articulações tem por objetivo
evitar a derrota do voto em lista, na última quarta-feira
Denise Madueño, do Estadão
BRASÍLIA - No dia seguinte à derrota no plenário da Câmara
do sistema de votação em lista pré-ordenada pelos partidos,
deputados buscavam uma forma de salvar, pelo menos, o financiamento público
de campanhas no projeto de reforma política. Juntamente com a lista,
o financiamento público é considerado o principal pilar do projeto.
As articulações começaram na última quinta-feira,
28, a partir de um grupo que defendia as listas partidárias, ainda em
meio a um clima de ressaca pela votação da noite anterior.
Na sessão da última
quarta-feira, os deputados rejeitaram a proposta do relator, Ronaldo
Caiado (DEM-GO), que estabelecia o voto em lista fechada, sistema pelo
qual o eleitor passaria a votar apenas no partido, que apresentaria uma
relação definida de candidatos. Arquivaram também
o modelo de lista flexível proposto pelo DEM, pelo PT, pelo PMDB
e pelo PC do B, que previa o voto no partido, mas dava ao eleitor a opção
de votar também no candidato de sua preferência.
O presidente da Câmara,
Arlindo Chinaglia (PT-SP), anunciou a retomada das votações
da reforma política na semana que vem, partindo dos pontos mais
consensuais. Antes, porém, vai reunir os líderes na terça-feira
(03), para tentar um acordo de procedimento. "Vamos fazer uma
nova rodada para ver se há acordo. Poderemos votar alguns temas,
como o fim das coligações e a fidelidade partidária",
avaliou Chinaglia.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
29 de junho de 2007
Nova regra para ação
rescisória pode ser injusta, diz especialista
Danielle Ribeiro
O Projeto de Lei de Complementar
80/06, sancionado no início desta semana pelo presidente da República,
Luiz Inácio Lula da Silva, exige o depósito prévio
de 20% do valor da causa para que o empregador ou o empregado entrem
com ação rescisória.
A nova legislação,
que entra em vigor em 90 dias a partir de sua promulgação,
pode criar dificuldades para as partes envolvidas nas ações.
A avaliação é da
advogada trabalhista Aparecida Tokumi Hashimoto, do escritório
Granadeiro Guimarães Advogados.
Segundo ela, a nova regra da
Justiça do Trabalho pode trazer problemas para aqueles que pretenderem
recorrer contra decisões que realmente tiveram o entendimento
modificado.
“Por exemplo, alguns sindicatos
entraram com ação rescisória após o Supremo
Tribunal Federal firmar decisão sobre a restituição
desses planos [Bresser, Verão 1 e 2], e a empresa havia sido condenada
a mais de R$ 1 milhão”, diz.
Nesses casos, Aparecida avalia
que o valor do depósito acaba sendo exorbitante e “até injusto”. “O
mais certo seria exigir o depósito em valor menor e, no caso de
a ação ser improcedente, o valor ser revertido para o réu”,
defende.
Para ela, essa seria a maneira
mais justa de impedir que a ação seja usada só para
protelar o julgamento.
Os projetos sancionados têm
como objetivo agilizar a tramitação das causas, racionalizar
os pedidos de recursos e inibir o uso da Justiça para fins protelatórios,
metas que foram elogiadas pela advogada.
Reabertura
A ação rescisória é utilizada para reabrir a discussão,
até dois anos depois que a decisão tiver transitado em julgado,
quando a sentença foi feita com base em erro grave. Os casos são
dispostos no capítulo IV do Código de Processo Civil.
Aparecida Hashimoto afirma que
embora o ajuizamento da ação rescisória não
interrompa o curso da execução da ação principal,
a parte acaba entrando com uma ação cautelar, pedindo para
que o juiz suspenda a execução, até que a rescisória
seja julgada.
A exigência do depósito
prévio já estava prevista no Código de Processo
Civil, mas não se aplicava aos processos trabalhistas.
Embargos
O outro projeto sancionado (PLC nº 66/06) acaba com a possibilidade de
qualquer uma das partes impugnarem a mesma questão em recursos distintos
(embargos e recurso de revista) junto ao Tribunal Superior do Trabalho.
A advogada explica que o processo
trabalhista permitia até então que a parte entrasse com
um recurso de embargos para a SDI (Seção de Dissídios
Individuais) com base em violação legal e isso acabava
perpetuando a lide (causa). No entanto, com a sanção do
novo projeto, o embargo só caberá na hipótese de
haver divergência jurisprudencial entre as decisões de duas
turmas do TST ou com decisões da SDI.
“A verdadeira finalidade
desse recurso é uniformizar o entendimento sobre uma determinada
matéria que é polêmica”, diz a advogada.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ, 29 de junho
de 2007 | Nacional
Crescimento tímido da atividade
industrial preocupa setor
Agência Estado
O comportamento do Indicador
do Nível de Atividade (INA) da indústria paulista, elaborado
pela Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo (Fiesp) e pelo Departamento de Economia do Centro das Indústrias
do Estado de São Paulo (Ciesp), é preocupante, segundo
o diretor do Departamento de Economia do Ciesp, Antonio Corrêa
de Lacerda. Em maio, o indicador variou 0 9% ante abril e 2,3% ante maio
de 2006. De acordo com Lacerda, o INA acumulado em doze meses registrou
alta de 3%, uma recuperação muito pequena diante do crescimento
econômico verificado no primeiro trimestre e que vem se mantendo.
"O INA não mostra
nenhum quadro de recuperação forte, a não ser que
se faça uma grande mudança cambial, coisa que também
não virá", afirmou o economista. O INA de doze meses
acumulado até novembro do ano passado, quando a economia estava
mais fraca, era de 2,8%. Na avaliação de Feres Abujamra,
diretor da Fiesp, o quadro econômico é de franca recuperação,
mas o câmbio impõe limites para o crescimento da indústria.
Entre os destaques da pesquisa
está o setor de veículos automotores, que cresceu 2,3%
em maio sobre abril, na série com ajuste sazonal. Também
foi bastante positivo o INA de maio para o setor de máquinas e
equipamentos (4,5% ante abril). Na ponta negativa, destaque para a fabricação
de celulose, papel e produtos de papel, cujo INA recuou 3% no mês
passado sobre abril.
Os diretores da Fiesp e do Ciesp
consideram que as medidas do governo para estimular a indústria
são insuficientes para recuperar a atividade, já que as
importações continuam em alta, disputando mercado com o
produto nacional.
Nuci
As entidades também
divulgaram que o nível de utilização da capacidade
instalada (NUCI) da indústria paulista avançou para 83,7%
em maio. Em abril, o indicador estava em 81,9%. O setor que opera mais
próximo ao limite é a metalurgia básica, com Nuci
de 94,8% em maio.
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Agência Diap, 29 de
junho de 2007
REFORMAS
Ministro do Trabalho visita TST e
conversa sobre reformas processual, sindical e trabalhista
Segundo informações do Tribunal Superior do Trabalho, o ministro
do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, fez hoje, 28/06, visita de cortesia ao
TST, onde foi recebido pelo presidente da Corte, ministro Rider Nogueira de
Brito, e, em seguida, almoçou com os demais ministros e juízes
convocados do Tribunal.
Na pauta da conversa informal,
troca de idéias sobre a necessidade de reformas processual, sindical
e trabalhista.
O presidente do TST, ministro
Rider de Brito, disse a Carlos Lupi que é necessário adotar
mecanismos para restringir drasticamente o enorme volume de recursos
que chegam anualmente ao TST – em 2006, foram 154 mil novos processos.
Leis novas
Duas novas leis, resultantes
de projetos propostos pelo TST, foram publicadas esta semana neste sentido – a
que limita a possibilidade de embargos contra decisões de Turmas
do TST à comprovação de divergência jurisprudencial
e a que exige depósito para o ajuizamento de ações
rescisórias. “Ainda assim, é preciso fazer muito
mais”, acredita o presidente do TST.
Um dos exemplos citados pelo
ministro Rider de Brito é o caso do rito sumaríssimo – causas
com valores inferiores a 40 salários mínimos. “Em
casos dessa natureza, não deveria caber recurso”, observou,
lembrando que, em visita à Espanha, acompanhou audiências
de primeiro grau. “Lá, a audiência realmente é una – o
juiz ouve as partes e decide numa única sessão. Não
há a menor chance de se adiar a audiência para ouvir testemunhas,
solicitar perícias ou qualquer outro procedimento, e as partes
estão cientes disso ao ajuizar a ação”, relatou.
O resultado é que os 15
magistrados da Sala de lo Social – divisão do Tribunal Supremo
da Espanha encarregada da apreciação de matéria
trabalhista – julgam, anualmente, cerca de mil processos. No TST,
os 21 ministros, com a ajuda de dez juízes convocados, julgam
mais de 120 mil.
Atuação dos sindicatos
Outro tema abordado na conversa
foi a importância de medidas que dêem mais efetividade à atuação
dos sindicatos. Para o presidente do TST, boa parte da sobrecarga da
Justiça do Trabalho é conseqüência da “pouca
ou nenhuma representatividade dos sindicatos”.
Ele lembrou que o TST já apreciou
dissídio coletivo que envolvia 2.500 entidades, entre sindicatos
e empresas, e que a ata da assembléia-geral da categoria continha
apenas 23 assinaturas. “Se a sentença normativa valesse
apenas para os associados, os trabalhadores teriam maior interesse em
participar e cobrar do sindicato”, acredita.
De acordo com as regras atuais,
um único sindicato – como o de metalúrgicos – tem
de representar tanto os interesses dos empregados de grandes montadoras
quanto os daqueles que trabalham em pequenas fábricas de grades,
por exemplo.
São realidades, condições
e interesses totalmente diferentes. Por outro lado, a existência
de categorias diferenciadas também cria dificuldades nas negociações.
Advogados, secretárias, engenheiros, por exemplo, estão
espalhados em empresas cuja atividade preponderante é totalmente
diferente. Há empresas que têm apenas um advogado, ou um
engenheiro – e, num dissídio coletivo, todas as entidades
patronais precisam ser suscitadas.
Ações do MTE
O ministro do Trabalho - que
foi ao TST acompanhado pelo presidente do Conselho Deliberativo do Fundo
de Amparo ao Trabalhador (FAT), Ezequiel Nascimento, do assessor Marcos
Ribeiro e do advogado trabalhista João Pedro Ferraz dos Passos – disse
que o Ministério implantou recentemente o Sistema Mediador, um
banco de dados informatizado, atualizado em tempo real, que pretende
concentrar todas as convenções e acordos coletivos firmados
pelas entidades sindicais no País, aberto à sociedade.
Lupi observou que é impressionante
a quantidade de sindicatos existentes no País, e, também,
o despreparo de muitas entidades em relação à representação
de seus associados. Afirmou, também, que é necessária
a modernização da legislação trabalhista,
mas que isso não pode ser sinônimo de retirada de direitos
dos trabalhadores. (Alysson Alves, com TST)
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Congresso em Foco, 29 de
junho de 2007
Como a Câmara tentará salvar
a reforma política
Tem salvação?
Depois do fracasso da lista, deputados
querem aproveitar outros itens da reforma política, como o financiamento
público em eleições majoritárias
Lucas Ferraz
Passada a ressaca da última
quarta-feira (27), quando a Câmara derrubou a proposta que mudava
o sistema de votação, com a instituição da
lista fechada (e sua variável, a chamada lista flexível),
os deputados se movimentam agora para evitar o naufrágio da reforma
política, considerada ambiciosa demais pela maioria dos parlamentares.
Se entre os defensores do texto
derrotado prevalece a sensação de que a reforma foi sepultada,
para os demais, a discussão está apenas começando.
Na lista de itens a serem votados estão, por exemplo, a fidelidade
partidária e o fim das coligações em eleições
proporcionais. Ganha peso ainda a idéia de se elaborar uma proposta
para que seja possível o financiamento público exclusivo
em eleições majoritárias.
Mas, por enquanto, as cartas
ainda não estão sobre a mesa. O dia de ontem foi vazio
na Câmara, com a presença de parlamentares apenas na parte
da manhã. À tarde, a grande maioria já tinha viajado
para os seus estados. Na próxima terça-feira (3), o futuro
da reforma política deverá ser decidido na reunião
do Colégio de Líderes.
Três pontos, no entanto,
só devem ser apreciados pelo Plenário depois da votação
do projeto de lei (PL 1210/07) relatado pelo deputado Ronaldo Caiado
(DEM-GO). São eles: a fidelidade partidária, a cláusula
de barreira e o voto distrital. O primeiro item tramita na forma de projeto
de lei complementar, enquanto os outros dois últimos serão
votados como proposta de emenda constitucional (PEC), proposições
que exigem maior apoio para serem aprovadas.
Caiado voltará a discutir
com assessores da secretaria-geral da Câmara o seu texto, principalmente
no que diz respeito ao financiamento público de campanha. A proposta
de alguns deputados é instituir a medida nas eleições
majoritárias – prefeito, senador, governador e presidente
da República. Nesse caso, o primeiro teste ocorreria já nas
eleições municipais do ano que vem, quando seria possível
avaliar a eficácia da proibição de doações
privadas para as campanhas.
Um dos vice-líderes do
governo, Henrique Fontana (PT-RS) vê “boa visibilidade” no
horizonte do financiamento público exclusivo para eleições
majoritárias. Segundo ele, em conversas iniciais com líderes
partidários, ficou claro que projeto pode se tornar viável. “Parte
do PMDB que votou contra a lista é favorável ao financiamento
público”, diz Fontana.
O líder do Democratas
na Câmara, Onyx Lorenzoni (RS), também acredita ser possível
salvar alguns pontos da reforma, principalmente o financiamento público – da
mesma maneira que defende o petista Henrique Fontana.
Já o líder do PDT,
Miro Teixeira (RJ), um dos principais articuladores da queda do voto
em lista, defende a implantação de um modelo adotado nos
Estados Unidos. “Cada partido decide se terá financiamento
público ou privado. Não deve ser uma imposição
por lei, a legenda tem que fazer sua escolha e se responsabilizar por
isso”.
Fatiada
O projeto relatado inicialmente
por Caiado há quase quatro anos foi divido. O voto em lista, ponto
mais polêmico, foi colocado primeiro em votação para
que o restante da reforma fosse baseado nesse primeiro item. Como ele
caiu, há outros que o relator considera importante. Um deles é a
proibição da transferência do domicílio eleitoral,
prática muito utilizada por prefeitos de pequenas cidades, chamados
de “prefeitos itinerantes”. O expediente tem sido adotado
por alguns políticos para exercerem mais de dois mandatos consecutivos
no Executivo municipal. Um artigo do projeto de lei proíbe que
o prefeito de qualquer cidade, durante o seu mandato, transfira o domicílio
eleitoral para outro município.
Há ainda uma proposta
de revisão do horário eleitoral gratuito. Discute-se a
possibilidade de se destinar 20% do tempo reservado no rádio e
na TV para difundir e incentivar a participação das mulheres
na política. O ponto é uma das reivindicações
da bancada feminina na Câmara. Também ganha força
a definição de um teto para gastos em campanhas eleitorais.
A minirreforma eleitoral, aprovada no ano passado, prevê que uma
lei futura defina esse teto. Até hoje, no entanto, essa norma
não foi criada.
Por fim, os deputados querem
também proibir a coligação partidária em
eleições proporcionais (de deputados estaduais e federais
e vereadores) e instituir a federação, quando dois ou mais
partidos se reúnem, por no mínimo três anos, e atuam
como uma legenda. Mas a resistência a ela é grande, como
diz Miro Teixeira. “Dessa forma, os partidos políticos não
vão se fortalecer”, afirma.
Pós-reforma
Muitos deputados querem terminar
logo a votação da reforma para que o Plenário vote
até o final de setembro a proposta de emenda constitucional que
institui o voto distrital misto. Só assim, a mudança poderá valer
já para as eleições do próximo ano.
O voto distrital é uma
antiga reivindicação do PSDB. A legenda foi uma das principais
responsáveis pela queda do voto em lista, depois que a bancada
decidiu rejeitar a medida e insistir no voto distrital. Na última
quarta-feira, depois que a lista foi derrubada, o deputado José Aníbal
(PSDB-SP) clamava: “Agora vamos ao voto distrital!”. Nesse
modelo, serão definidos distritos em cada estado, baseados na
densidade populacional, que vão eleger os seus representantes.
Com o voto distrital misto, a
circunscrição eleitoral é dividida em distritos,
em número equivalente à metade das vagas a que o estado
tem direito na Câmara. A metade dos candidatos será eleita
nos distritos uninominais e a outra, pelo sistema de listas elaboradas
pelos partidos. Nesse caso, o eleitor poderá votar duas vezes:
no candidato (voto distrital) e no partido (voto de legenda).
A proposta, no entanto, esbarra
na resistência de lideranças do PT e de outros partidos.
Antes dela, deve ser votada a fidelidade partidária, prevista
em projeto do deputado Luciano Castro (RR), líder do PR na Câmara.
O texto torna inelegível o candidato que mudar de partido nos
quatro anos seguintes a contar da data de sua diplomação.
Outro ponto polêmico é a
cláusula de barreira, que também encontra forte resistência,
principalmente entre os pequenos partidos. Esses se baseiam principalmente
na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que derrubou a medida
no final de 2006 por considerá-la restritiva e inconstitucional.
A cláusula de barreira (ou de desempenho) determina que os partidos
políticos que não receberem um percentual de votos durante
a eleição (antes o índice estipulado era de 2%,
alguns defendem até 5%) não terão direito ao funcionamento
parlamentar.
Com ela, o partido que
não atingir o percentual mínimo de votos não poderá formar
bancada, nem ter líder. Além disso, ficará impedido
de ter acesso ao fundo partidário, à propaganda gratuita
no rádio e na televisão e de participar das diversas
instâncias da Câmara. Henrique Fontana, contudo, descarta
discutir a cláusula de barreira. “A medida causa muita
tensão, e esse momento já passou. Temos agora que buscar
um ponto de convergência”, explica.
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Diário Vermelho, 29
de junho de 2007
CUT prepara ocupação
ao Congresso dia 4 contra Emenda 3
Em entrevista ao Portal do Mundo do Trabalho, o secretário geral da
Central Única dos Trabalhadores (CUT), Quintino Severo, avalia que a "ocupação
pacífica do Congresso Nacional na próxima quarta-feira, 4 de
julho, será mais um passo para derrotar a Emenda 3 e o Projeto de Lei
Complementar (PLP) 01".
Além da defesa da manutenção
do veto presidencial contra a emenda "que é um absurdo apagão
de direitos", e a retirada do PLP 01, Quintino destaca a importância
das demais bandeiras da mobilização: a defesa da Previdência
pública universal; a negociação coletiva no setor
público, com direito irrestrito de greve e a educação
de qualidade. Leia abaixo, a entrevista na íntegra.
Como
estão os preparativos para o dia 4?
A ação que estamos desenvolvendo visa manter em evidência
os principais pontos que estão em debate hoje na conjuntura nacional,
especialmente os relacionados ao mundo do trabalho. Com a ocupação
pacífica do Congresso na próxima quarta-feira, queremos reafirmar
ao parlamento a posição da Central Única dos Trabalhadores
quanto a Emenda 3 e ao PLP 01, que representam graves retrocessos, um apagão
de direitos.
Este debate continua, numa situação de instabilidade, porque
ainda não houve votação a respeito do veto do presidente.
Já temos a confirmação de mais de trezentas lideranças
das CUTs estaduais e ramos, e o número está crescendo, reflexo
da ação que vem sendo construída, fruto da disposição
dos trabalhadores e das trabalhadoras de defenderem os seus direitos e construírem
um país melhor para se viver.
O governo está trabalhando na construção de alternativas à Emenda
3...
Mesmo que outras alternativas estejam sendo discutidas por parte do governo,
principalmente por parte do Ministério da Fazenda, entendemos que é preciso
a nossa pressão para cada vez mais reafirmarmos a posição
contra qualquer tipo de regulamentação que retire direitos, como
a transformação do trabalhador em empresa por meio do artifício
da "pessoa jurídica", o pj. Este é um dos temas que
queremos manter aceso, e vamos manter bem vivo para os deputados e senadores.
E o Projeto
de Lei Complementar, o PLP 01, que introduz um limitador ao reajuste
dos servidores?
O PLP 01 é uma questão prioritária para a CUT, que continua,
apesar de uma tramitação bem mais lenta do que o próprio
governo queria, e que a própria Câmara estava apostando que seria
mais rápida. Não houve nenhum avanço nem de negociação,
nem de alteração, nem de retirada do PLP 01, portanto é preciso
mantermos nossa atuação em relação a isso.
Assim também em relação a essa tentativa de regulamentação
do direito de greve ou criar instrumentos que inviabilizem a realização
da greve. Penso que este debate vai vir para o Congresso Nacional e vai esquentar,
sem sombra de dúvida. Por isso queremos de antemão antecipar
aos deputados e senadores a nossa posição contrária qualquer
tipo de regulamentação que inviabilize o direito de greve, que,
para nós, é irrestrito e devemos ter a ampla possibilidade de
sua realização, evidentemente regulada pelos próprios
trabalhadores que sabem muito bem onde e quando podem fazer a greve.
E o Piso Nacional da Educação?
A valorização da educação é outro tema importante,
especialmente a criação do Piso Nacional da Educação
que deverá ser debatido e votado pelos parlamentares. Temos uma posição
muito clara do ponto de vista da valorização do ensino, de ter
a educação como elemento estratégico para o desenvolvimento
do Brasil. É fundamental que seja aprovada pelo Congresso uma proposta
que realmente valorize o setor.
São temas que no nosso entender estão colocados no cenário
e que queremos manter bem vivos, evidentemente influenciando nas decisões.
Por isso que a ocupação do Congresso Nacional no dia 4 se dá direcionada
para contribuir a que os parlamentares tenham clareza da nossa pauta, da nossa
compreensão e posição sobre estes temas. É por
isso que mesmo com o Congresso de certa forma em crise e em processo de dificuldade
de votar matérias, não podemos deixar passar desapercebido.
O momento é de unidade na ação, sindicalismo e movimentos
sociais...
Evidentemente, o dia 4 prepara, cria as condições para que a
gente volte com ainda mais determinação em agosto, e aí sim,
fazermos maciçamente uma atividade de rua em Brasília, realizando
ações que dialoguem com os vários órgãos
de governo e o próprio parlamento. Acima de tudo, envolvendo outras
categorias e trabalhadores que têm pauta para agosto.
Devemos somar o conjunto do movimento social, especialmente os que lutam pela
reforma agrária, reunindo os trabalhadores do campo e da cidade para
fazer uma grande atividade em Brasília, demonstrando toda nossa energia
e o empenho no sentido de realizarmos as transformações que o
Brasil precisa. E estas mudanças passam tanto pela melhorias das condições
de vida do campo como da cidade. A mobilização de agosto levará esta
marca.
As mobilizações vão
num crescendo, com mobilizações, paralisações
e agora esta ocupação pacífica. Quais serão
os próximos passos?
Quando definimos fazer
esta ocupação do Congresso no dia 4, dialogamos e tivemos
a preocupação de não repetir o que já fizemos
anteriormente em três atividades: nos dias 10 e 23 de abril e
depois no 23 de maio. As mobilizações e paralisações,
os atos nas capitais, no conjunto dos Estados, já fizemos, com
uma ampla divulgação para a sociedade, especialmente
do tema da Emenda 3. Até o dia 10 de abril, por exemplo, a sociedade
não sabia do que se tratava. Com estas três atividades
conseguimos dar visibilidade, colocando este tema na pauta e na opinião
pública, conseguindo unificar o conjunto do movimento sindical
brasileiro contra a Emenda 3.
Este foi um passo decisivo, pois a grande imprensa fez uma enorme cortina de
fumaça, demonstrando o seu comportamento antidemocrático, já que
tinha interesse direto na aprovação dessa emenda, pois ela sonega
direitos dos seus empregados, em sua quase totalidade pessoas jurídicas.
Portanto, agora, estamos em um outro patamar da luta, por isso o peso desta
ação dentro do Congresso Nacional. Sabemos que é este
o local onde vai se dar esta votação, de onde virá a decisão
final, por isso envolvemos as nossas estaduais no sentido de fazer a pressão
aos parlamentares dos seus estados.
Muitas delas realizaram audiências públicas, reunindo os deputados
e senadores das suas regiões. Estas atividades de contato com os parlamentares
serão especialmente importantes de serem realizadas entre os dias 3
e 5, para que a pressão direta seja algo que dê efeito, pois é quando
estão junto à base do seu eleitorado.
Queremos que estas ações sejam combinada com a pressão
no dia 4 em Brasília. Mas, antecedendo, estamos orientando a todos para
que realizem audiências e reforcem o corpo a corpo no embarque dos deputados
e senadores naquela semana.
Este é o momento, de fato, de fazer um contato mais direto com os parlamentares.
Acreditamos que a manutenção do veto do presidente Lula é um
tema que já está na sociedade, foi assimilado pelos trabalhadores,
e o risco que seria a sua derrubada nos mobiliza para barrar este ou qualquer
outro retrocesso. Portal do Mundo do Trabalho.
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Folha
de São Paulo, 29 de junho de 2007
Prazo para receber o abono do PIS termina
hoje; 515 mil não sacaram
Valor de R$ 380 é pago pela Caixa; 16,13
mi não foram receber rendimentos
DA REPORTAGEM LOCAL
Hoje é o último
dia para sacar o abono do PIS (Programa de Integração
Social) referente ao exercício de 2006/7, no valor de um salário
mínimo (R$ 380). Segundo a Caixa Econômica Federal, instituição
responsável pelo pagamento, ontem, faltando apenas um dia para
o término do prazo, 515 mil trabalhadores ainda não tinham
ido buscar o benefício, no total de R$ 195,9 milhões.
Quem não for receber hoje perde o direito ao benefício
-nesse caso, o dinheiro retorna ao Fundo de Amparo ao Trabalhador.
Há ainda 16,129 milhões
de pessoas que não foram sacar os rendimentos a que têm
direito, no total de R$ 647,24 milhões (média de R$ 40
cada um). A Caixa identificou 9,957 milhões de trabalhadores
no país com direito de receber o abono, no total de R$ 3,485
bilhões.
Para ter direito ao abono, o trabalhador precisa cumprir alguns requisitos.
Os empregados domésticos não têm direito porque os patrões
não entregam a Rais.
O trabalhador que já possui
o Cartão do Cidadão, com senha cadastrada, pode receber
o abono em qualquer agência da Caixa, nas casas lotéricas,
nos correspondentes Caixa Aqui ou nas salas de auto-atendimento. Além
do abono, há trabalhadores que também têm direito
de receber os rendimentos do PIS. Trata-se de valores referentes à rentabilidade
sobre o saldo atualizado das cotas do trabalhador.
Segundo a Caixa, foram
identificados 30,53 milhões de pessoas com direito de receber
rendimentos em todo o país, no total de R$ 1,205 bilhão
-média de R$ 39,50 para cada uma.
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Folha de São Paulo,
29 de junho de 2007
TRABALHO
Sadia é multada em R$ 1 mi por
conduta "anti-sindical"
PAULO PEIXOTO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE
O TRT-MG (Tribunal Regional do
Trabalho em Minas Gerais) condenou a Sadia por danos morais coletivos
no último dia 19 e determinou que a empresa terá que pagar
multa no valor de R$ 1 milhão. O motivo da condenação
foi a "conduta anti-sindical" da empresa. A Sadia teria coagido
empregados a aceitarem acordo coletivo já rejeitado pelo sindicato.
A empresa informou que vai recorrer da decisão.
A condenação na
Justiça diz respeito a ação civil pública
do Ministério Público do Trabalho, após denúncia
do Sindicato dos Trabalhadores de Alimentação de Uberlândia.
A denúncia, envolvendo negociações para reajuste
salarial em novembro de 2006, não havia sido aceita em primeira
instância.
Diz a denúncia do MPT
que, após o impasse nas negociações do acordo coletivo,
ocorreu impasse na definição do percentual de reajuste,
no valor do piso salarial da categoria e no fornecimento das cestas básicas.
Conforme o procurador do Trabalho
Fábio Lopes Fernandes, a Sadia, então, "dirigiu a
formação de uma comissão supostamente representativa
dos trabalhadores que se encarregou de coagir outros empregados a aceitarem
as bases de acordo propostas pela empresa". Empregados teriam sido
demitidos por discordarem disso.
Após recusada proposta
da Sadia por 1.502 votos contra 1.299, a empresa pressionou para firmar
acordo coletivo, obtendo o resultado que desejava, diz a denúncia.
O reajuste pedido era de 5%, mas foi concedido 3,5%; o piso reivindicado
era de R$ 441, mas ficou em R$ 402. E das 12 cestas básicas, no
valor de R$ 50 cada, prevaleceram seis de R$ 35 cada.
O MPT informou que já havia
conseguido, na Justiça, anular o acordo. Na decisão judicial,
a Sadia deve se abster de praticar qualquer ato de coação
ou represália ou ato discriminatório. A decisão
vale para todas unidades.
Outro lado
Em comunicado, a Sadia informou
que vai recorrer ao Tribunal Superior do Trabalho. Disse que, em março
de 2007, em decisão da 4ª Vara do Trabalho de Uberlândia, "a
Justiça julgou totalmente improcedente a ação proposta,
concluindo que não houve cometimento de nenhuma prática
anti-sindical".
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JORNAL GAZETA DO POVO, 29
de junho de 2007 | Economia
Petrobrás: Assembléias
aceitam greve
São Paulo – Os trabalhadores do Sistema Petrobrás aprovaram
com cerca de 80% de aceitação a proposta de greve de cinco dias
em julho. As assembléias propostas pela Federação Única
dos Petroleiros (FUP) foram iniciadas no último dia 20 e concluídas
em 11 dos 12 sindicatos da federação.
Em Minas Gerais, a última
assembléia será hoje. No entanto, de acordo com a FUP,
o resultado não altera o quadro geral das demais assembléias
em Minas, onde os trabalhadores aprovaram amplamente o indicativo.
As assembléias já foram
concluídas no Amazonas, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco/Paraíba,
Bahia, Espírito Santo, Duque de Caxias, Norte Fluminense, Unificado
do Estado de São Paulo (Campinas, Mauá e São Paulo),
Paraná/Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
A FUP reivindica alterações
no plano de cargos e salários além de reposição
de perdas nos salários retroativa a maio de 2006. Segundo a Federação,
não houve resultados positivos nas últimas negociações
com a estatal.
Dia 4 de julho, será realizado
um Seminário Nacional de Qualificação de Greve
para discutir a interrupção de produção
nas diferentes unidades da Petrobrás. A greve poderá ser
convocada a qualquer momento a partir do dia 5 de julho, porém,
o calendário será ainda definido pela FUP.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 29
de junho de 2007 | Economia
Brasil tem a maior carga de burocracia
São Paulo – O Brasil é o país com a maior carga
de burocracia do mundo, segundo o Relatório Internacional de Empresas
(IBR), divulgado ontem pela Grant Thornton International. Com 60% dos votos,
o Brasil aparece como o líder do ranking quando o assunto é o
excesso de burocracia e regulamentos como a maior fonte de frustração
entre as empresas pesquisadas no globo. Em seguida estão a Rússia
(59%), Polônia (55%) e Grécia (52%).
A pesquisa revelou que quatro
entre dez empresas citaram a burocracia, comparado com apenas duas entre
dez, ou menos, que apontaram os custos financeiros, a escassez de capital
de giro ou de financiamento a longo prazo.
As empresas que menos sentem
o peso da burocracia são as de Cingapura (16%), Espanha (17%)
e Suécia (19%). “Embora vários governos continuem
com esforços para simplificar a burocracia, muitos ainda não
conseguiram”, diz em comunicado o líder global de serviços
para empresas privadas da GTI, Alex MacBeath.
O segundo obstáculo mais
votado pelas empresas pesquisadas foi a carência de mão-de-obra
qualificada. De acordo com a pesquisa, Nova Zelândia (60%), Austrália
(59%) e África do Sul (58%) são os que mais sofrem com
este problema. “Ela é um grande inibidor do crescimento
das economias desses países que não se beneficiaram como
os países da União Européia, por exemplo, com as
sucessivas ondas de migrantes qualificados vindos do leste europeu.”
O levantamento apontou
ainda que a preocupação quanto à diminuição
do volume de pedidos e à queda da demanda foram também
citados como limitadores de crescimento. O líder do ranking
desta categoria foi o Japão, com 59% e, com 54%, a Tailândia
e a China Continental ocuparam a segunda colocação.
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
29 de junho de 2007
Censo da Previdência cancela
64,7 mil benefícios
Brasília - O Ministério da Previdência Social já cancelou
64,7 mil aposentadorias e pensões de segurados que não responderam
ao censo previdenciário iniciado em novembro de 2005. Isso equivale
a uma economia anual de R$ 362,9 milhões aos cofres do Instituto Nacional
do Seguro Social (INSS). Os dados foram divulgados ontem pelo ministério,
mas ainda não são os resultados finais pois o censo só estará concluído
em agosto, prazo final para a confirmação de informações
dos últimos convocados.
O censo foi adotado como
uma das medidas de gestão da Previdência Social para identificar
pagamentos indevidos ou fraudes e, com isso, atualizar a base de dados
do INSS. Do total de 17,2 milhões de benefícios alvos
do censo, 16,5 milhões responderam às convocações
até junho. Os demais 737 mil segurados que ainda não
se recadastraram estão sendo chamados por editais ou cartas.
Na primeira etapa, de novembro de 2005 a abril de 2006, foram recenseados
2,3 milhões dos 2,4 milhões benefícios previstos.
Agência Estado
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CONSULTOR JURÍDICO,
29 de junho de 2007
Mais tempo
Ampliado prazo para pedir dano em acidente
de trabalho
O pedido de indenização por dano moral por acidente de trabalho é de
natureza civil. Dessa forma, o prazo de prescrição deve seguir
os artigos do Novo Código Civil. O entendimento foi adotado pela 8ª Turma
do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (Rio Grande do Sul),
que aceitou recurso de trabalhador. Ele pediu o cancelamento da prescrição
declarada em sentença pela Vara do Trabalho de Santiago (RS).
A decisão de primeiro
grau constatou que a ação foi ajuizada pelo ex-empregado
após o prazo prescricional de que trata o artigo 7°, inciso
XXIX, da Constituição. O dispositivo limita o prazo para
o exercício do direito de ação até dois anos
após o término do contrato de trabalho, extinguindo o processo,
com resolução de mérito (CPC, art. 269, inciso IV).
O TRT gaúcho reverteu
a decisão com o fundamento de que o caso trata de direito de natureza
civil. O argumento é que se discute a existência de seqüelas
adquiridas em acidente de trânsito que vitimou o trabalhador no
exercício de suas funções.
A juíza Cleusa Regina
Halfen, relatora do caso, afirma que a regra contida na Constituição
sobre a prescrição não é aplicável às
ações que contêm pedidos de indenização
por acidente do trabalho, mas àquelas referentes aos direitos
de natureza trabalhista.
Deste modo, Cleusa diz que a
regra aplicável ao caso é a contida nos artigos 206, parágrafo
3°, inciso V, e artigo 2028, ambos do Novo Código Civil, sendo
o prazo prescricional de três anos, a contar da data em que entrou
em vigor o Novo Código Civil (janeiro de 2003), postergando o
prazo prescricional para janeiro de 2006.
A decisão ainda é alicerçada
no permissivo do parágrafo único do artigo 8° da Consolidação
das Leis do Trabalho, o qual declara que o direito comum será fonte
subsidiária do direito do trabalho.
RO 00396-2005-831-04-00-0
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
29/06/2007
Jornalista será indenizada em R$
260 mil por assédio moral
Após comprovar os maus
tratos e agressões sofridas por parte de sua superiora hierárquica,
uma jornalista receberá indenização de R$ 260 mil
por dano moral da Confederação Nacional da Agricultura
e Pecuária do Brasil (CNA). A decisão da Quarta Turma do
Tribunal Superior do Trabalho manteve indenização fixada
pelo Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (DF/TO),
correspondente a cem vezes o salário da empregada. O relator,
ministro Ives Gandra Martins Filho, esclareceu na decisão que “o
Regional consignou que a empregadora permitiu que sua funcionária
mantivesse um comportamento ofensivo em relação aos empregados
colocados sob sua orientação, agredindo-os verbalmente
e de forma contínua”.
A jornalista foi admitida pela
CNA para trabalhar na assessoria de imprensa, onde permaneceu por oito
anos. Com larga experiência, ela já tinha atuado em veículos
de comunicação consagrados, inclusive como apresentadora
de TV. Afirmou que, ao longo do tempo, sofreu constrangimentos por parte
da chefe que “minaram suas forças físicas e morais,
a ponto de adoecer”. Contou que era freqüentemente chamada
de “incompetente e irresponsável”, o que a levou a
pedir demissão por duas vezes (a segunda concretizada), tamanha
a pressão sofrida por parte da chefe, que normalmente entrava
em contradição. Em um dos episódios relatados, a
superiora teria determinado o envio de uma matéria para o jornal
Correio Braziliense e depois negado que o tivesse feito, culpando a jornalista
por agir por conta própria.
O tratamento agressivo, aos gritos,
ocorria na frente de todos, por qualquer razão. A empregada disse
que suportou o quanto pôde, pois tinha sob sua responsabilidade
mãe e filha para sustentar. Ressaltou que foi a única a
permanecer tanto tempo no local, por onde já passaram vários
colegas, e que, numa ocasião, outra jornalista agredida da mesma
forma levou o fato ao presidente da CNA, que prometeu tomar providências
mas nada fez, mesmo reconhecendo que “a funcionária era
uma pessoa difícil e má”. A Confederação
alegou, na defesa, que não foram provadas as práticas abusivas
por parte da chefe, nem os fatos relatados pela empregada.
A juíza da 20ª Vara
do Trabalho de Brasília reconheceu o dano moral e condenou a CNA
a pagar indenização no valor de três salários
da jornalista, além das verbas rescisórias, entendendo
que “a chefe imediata não agia conforme os padrões
ideais de polidez e educação”. Ambas as partes recorreram
ao TRT/DF, que negou provimento ao recurso ordinário da CNA e
reformou a sentença somente quanto ao valor da indenização.
Segundo a decisão, o valor arbitrado foi baixo, “em face
das circunstâncias que envolvem o caso: agressões verbais
contínuas e na presença de outros empregados, a idade da
vítima (53), a condição social da empregada, que
tinha que manter seus familiares com o salário que recebia, e
a omissão da empresa diante de reiteradas atitudes abusivas”.
O ministro Ives Gandra manteve
a tese regional e negou provimento ao agravo apresentado pela Confederação,
que insistiu na falta de provas, além de considerar o TRT omisso
quanto ao tema. O relator ressaltou que “o TRT não se reportou
a qual das partes caberia o ônus da prova, mas concluiu, ao analisar
os elementos contidos nos autos, que eles foram suficientes para amparar
o pagamento de indenização por dano moral”.
O ministro explicou que não
houve violação à Constituição, e ressaltou
que a condenação decorreu da comprovação
da conduta lesiva da empregadora, lembrando a vedação ao
TST da análise de fatos e provas, pela Súmula 126. (AIRR
733/2005-020-10-40.1)
(Lea Paula)

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