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Agência Diap, 03 de
julho de 2007
FÓRUM NACIONAL DA PREVIDÊNCIA
SOCIAL
CUT vai apresentar estudo que comprova
que União é devedora da Previdência e da Seguridade
Social
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a bancada dos trabalhadores
vão apresentar nesta terça-feira, 3/7, durante a 8ª reunião
do Fórum Nacional da Previdência Social (FNPS), um estudo que
comprova que o Orçamento da Seguridade Social é superavitário
e que o uso da DRU (Desvinculação das Receitas da União)
tem desviado recursos constitucionalmente destinados apenas à Seguridade
Social.
Os dados que serão apresentados
demonstram que, portanto, a União também é devedora
do sistema e foram elaborados pela professora Denise Lobato Gentil, da
Universidade Federal do Rio de Janeiro.
O objetivo da CUT é convencer
os demais participantes do Fórum – governo e empresariado – de
que a Previdência Social deve ser analisada como integrante de
um sistema amplo chamado Seguridade Social (segundo preceitua o artigo
195 da Constituição), e que seu orçamento é superavitário.
Portanto, as propostas de retirada de direitos, ainda que futuros, não
se sustentam.
A Central é contra a retirada
de direitos e defende que a inclusão dos trabalhadores que atualmente
não contribuem para a Previdência é o único
caminho para se fazer justiça social, ao mesmo tempo em que garante
a futura saúde financeira do sistema.
Ocupação do Congresso
Nacional
Nesta quarta-feira, 4,7, lideranças
da CUT vindas de todas as regiões do Brasil vão realizar
a chamada Ocupação Pacífica do Congresso Nacional.
Percorrerão gabinetes e comissões com o objetivo de pressionar
os parlamentares a votarem a favor de interesses da classe trabalhadora.
O tema da atividade é "Vote
com a CUT" e os pontos de a central vai defender na Ocupação
Pacífica são os seguintes:
contra a emenda 3 e a
favor do veto presidencial
pela retirada do PLP 01/07
pela negociação coletiva no setor público
pelo direito irrestrito à greve no setor público
por uma Previdência Social Pública, universal e sem retirada de
direitos
por uma educação pública de qualidade
Mais informações
podem ser obtidas com Isaias Dalle (11) 2108-9120 e 9101-3307.
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AGÊNCIA SENADO, 03
de julho de 2007
Estados e municípios que descumprirem
política para salário mínimo podem ficar sem
repasses federais
A proposta que institui critérios para a correção do salário
mínimo até 2011, aprovada nesta terça-feira (3) pela Comissão
de Assuntos Econômicos (CAE), autoriza a União a suspender transferências
voluntárias de recursos a estados, Distrito Federal e municípios
que, comprovadamente, descumprirem a nova política de reajuste para
o menor salário a ser pago no país.
Essa foi uma das emendas introduzidas
pela Câmara dos Deputados na proposta apresentada ao Congresso
pelo governo. O PLC 42/07 prevê que o salário mínimo
seja corrigido anualmente, a partir de 2008, pela inflação
medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor),
mais a taxa de crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) apurado
dois anos antes.
A proposta determina, ainda,
a criação de grupo interministerial, sob a coordenação
do Ministério do Trabalho e Emprego, para definir e implementar
sistemática de monitoramento e avaliação da política
para o piso salarial nacional.Devem também fazer parte representantes
das centrais sindicais de trabalhadores e da classe patronal - a inclusão
dos empresários foi outra alteração da Câmara
ao texto, relatado na CAE pelo senador Osmar Dias (PDT-PR), com parecer
favorável.
O projeto do Executivo também
estipulava - em R$ 380,00 - o valor do salário mínimo deste
ano. Como a matéria (PLC 42/07) não foi votada até a
data do reajuste, o governo editou medida provisória mantendo
esse mesmo valor como o menor salário a ser pago aos trabalhadores
no país neste ano.
Distribuição de renda
No debate sobre o projeto, a
senadora Ideli Salvatti (PT-SC) disse que a proposta do governo assegura
ao salário mínimo condições reais para funcionar
como propulsor de distribuição de renda. Ela observou que
esse tem sido o foco do governo desde o primeiro mandato do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, a partir de quando o salário
mínimo acumulou aumento real de 34%. Ideli lembrou que o Brasil
cresceu a taxas elevadas em décadas passadas, de até 13%
ao ano, mas esse desempenho não se refletia em melhoria na distribuição
de renda.
- Essa nova política dá reais
condições para que o salário mínimo, que
tem capilaridade, pois pessoas ganham o piso salarial nos mais diversos
cantos do país, seja realmente um pilar da distribuição
de renda. Isso significa crescer distribuindo e distribuindo para crescer
- afirmou.
O senador Garibaldi Alves Filho
(PMDB-RN) apelou para que também fossem postas em discussão
outras matérias que tramitam no Senado sobre políticas
para o salário mínimo. Garibaldi informou que ele próprio
assina uma das propostas, iniciativa que tomou depois de relatar a Lei
de Diretrizes Orçamentárias (LDO). À época,
observou, incluiu no texto emenda para que, em 2000, o salário
mínimo fosse corrigido pela variação do Produto
Interno Bruto (PIB) mais a inflação.
Mercadante disse que testemunhou
o esforço de Garibaldi para valorizar o salário mínimo
desde aquele momento, mas reforçou a importância de se acelerar
a tramitação do projeto do governo, que, na sua avaliação,
permite um crescimento "progressivo e sustentável" para
o salário mínimo. Além do mais, como salientou,
os critérios de reajuste propostos na ocasião pelo senador
pelo Rio Grande do Norte são semelhantes aos que foram incluídos
no acordo firmado entre governo e centrais sindicais e que servem de
base para a atual política.
Gorette Brandão / Repórter
da Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência
Senado)
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
03 de julho de 2007
Hora extra independe de cartão
de ponto, diz TRT
Uma escola promotora de cursos de pós-graduação foi condenada
a pagar horas extras habituais e reflexos a ex-empregada cuja jornada de trabalho
registrada nos cartões de ponto era sempre a mesma. A 4ª Câmara
do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 15ª Região manteve decisão
da 9ª Vara do Trabalho de Campinas.
Em seu voto, o juiz Luís
Carlos Cândido Martins Sotero da Silva aplicou o item III da Súmula
338 do TST (Tribunal Superior do Trabalho), argumentando que, na Justiça
do Trabalho, a prova documental “somente encontra força
se estiver em harmonia com os demais elementos colhidos durante o feito,
devendo ser recebida com reservas e o seu valor apreciado em conjunto
com as outras provas”.
Pelos termos da Súmula
338, se os cartões de ponto apresentam registro invariável
de jornada, em desacordo com a prova oral produzida no processo, recai
sobre o empregador o ônus de comprovar a jornada registrada.
No caso em questão, a
empresa alegou, na contestação, que a trabalhadora "jamais
se ativava em sobrejornada”, cumprindo sempre oito horas diárias
e 44 semanais. Na tentativa de provar suas alegações, apresentou
cartões de ponto que marcavam invariavelmente o cumprimento de
jornada conforme alegado na defesa.
Entretanto, a primeira testemunha
da ex-funcionária afirmou que trabalhava até as 20h, e,
após sua saída, pelo menos três vezes por semana
a funcionária permanecia na empresa trabalhando.
A segunda testemunha confirmou
a versão da anterior, informando que tanto ela quanto a autora
da ação ficavam "mais ou menos três vezes por
semana” na empresa fazendo entrevistas, até 22h ou mesmo
22h30. A própria testemunha da empresa acabou revelando a realização
de horas extras pela ex-funcionária.
A Câmara também
condenou a empresa a pagar mais 15 minutos diários à autora
da ação, por não respeitar o intervalo entre a jornada
normal e a sobrejornada, direito que o artigo 384 da CLT (Consolidação
das Leis do Trabalho) garante às mulheres.
Recurso Ordinário
0957-2005-114-15-00-8
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 03 de julho de 2007 | Economia
Em cúpula, Brasil e UE se concentram
em parceria estratégica
Europa muda o foco: ao invés do Mercosul,
quer negociação direta com o País
LISBOA - A reunião de cúpula entre a União Européia
e o Brasil na quarta-feira, 4, não busca resultados práticos
imediatos, mas deve procurar abrir um novo momento nas relações
entre os dois lados, o que recebeu o nome de parceria estratégica.
Trata-se de uma mudança
na forma como a União Européia se relaciona com os brasileiros:
até agora, todas as negociações eram com o Mercosul
- os quatro países do outro lado da mesa - o que não ajudou
a chegar a um acordo entre os dois lados.
A partir da reunião desta
semana, haverá uma relação especial com o Brasil,
que é reconhecido como líder do bloco econômico sul-americano
- o País já conta com 80% do Produto Interno Bruto (PIB)
do Mercosul.
“A parceria estratégica
com o Brasil dará uma nova coerência às relações
que a Europa tem com as novas nações emergentes. A União
Européia já tem essas relações com a Índia,
a China e a Rússia”, explicou o primeiro-ministro português
José Sócrates, que atualmente ocupa a presidência
rotativa do bloco europeu.
O responsável pela política
externa de segurança da União Européia, o espanhol
Javier Solana, disse o que os europeus pretendem: “Não serão
apenas reuniões anuais. Vamos discutir não somente as relações
bilaterais. Reconhecemos que o Brasil tem hoje um papel extremamente
importante, independentemente das parcerias comerciais, dos investimentos
e da cooperação nas áreas científica e tecnológica.
Há uma importante agenda global que a União Européia
deve assumir, e aí as relações com o Brasil têm
um papel de relevo”.
Os dados europeus indicam que
o Brasil já tem uma relação econômica especial
com a União Européia, que não encontra tradução
na área política. Com investimentos europeus de 80,1 bilhões
de euros, o Brasil contabiliza mais capital da União Européia
do que os três outros grandes países em desenvolvimento
juntos - a China tem 31,3 bilhões e a Índia, 11,7 bilhões.
Só no ano passado, o total investido pelos europeus no Brasil
atingiu 5,2 bilhões de euros.
Segundo Sócrates, as relações
com o Brasil são uma das prioridades dos seis meses da presidência
portuguesa da União Européia, assim como fechar o novo
tratado que regula os poderes na Europa - texto que substituiu o projeto
de constituição que foi derrotado em referendos na França
e na Holanda -, a África e as questões do meio ambiente.
Foi uma iniciativa portuguesa
propor as reuniões anuais com o Brasil. A proposta foi apresentada
em novembro do ano passado.
Propostas de parceria
Na proposta de base para a parceria estratégica apresentada pela comissária
européia Benita Ferrero-Waldner, que tem a pasta das relações
exteriores da Comissão Européia, há um convite para o
Brasil definir o que pretende com a estratégia.
Os europeus têm em vista uma
longa série de pontos para a cooperação, entre os
quais se destacam:
- Realizar reuniões tentando
definir posições conjuntas antes de todas as grandes reuniões
internacionais em que os dois lados estejam presentes, como a assembléia
da ONU;
- Cooperar para a não proliferação nuclear;
- O empenho dos dois lados para concluir as negociações da Rodada
de Doha da Organização Mundial de Comércio;
- Cooperação para ajudar outros países a atingir os objetivos
do milênio de erradicação da pobreza, especialmente os
da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa;
- Estabelecer um diálogo que ajude o Brasil a resolver o problema da
desigualdade social e da pobreza;
- Trabalhar para reduzir as diferenças regionais brasileiras;
- Discutir sobre formas como lidar com as alterações climáticas
e as medidas que teriam de ser adotadas nas instâncias internacionais;
- Colaborar na área dos biocombustíveis e das energias renováveis;
- Trabalhar para a coesão social, de forma a reforçar as democracias
na América Latina.
Os europeus também vão procurar ter um diálogo regular
com o Brasil sobre a situação econômica mundial, direitos
de propriedade industrial, abertura do espaço aéreo, transporte
marítimo e cooperação científica, cultural e tecnológica.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
03 de julho de 2007
Empresa pagará R$ 20 mil por
colocação de advertência no quadro de avisos
Expor advertência escrita em quadro de avisos é publicidade que
fere a honra e a imagem profissional e confere ares de execração
pública, conduta nefasta, atinômica ao princípio da dignidade
da pessoa humana pontuada pela preservação da honra e imagem
profissional do empregado.
Com esse entendimento, os juízes
da 11ª Turma do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 2ª Região
decidiram, por unanimidade, manter a condenação imposta
a Leroy Merlin (empresa de bricolagem) a pagar R$ 20 mil a uma ex-funcionária,
que viu publicada no quadro de aviso a advertência que recebeu.
De acordo com a assessoria do
TRT-2, a ex-funcionária ingressou na Justiça contra a empresa
exigindo rescisão indireta do contrato de trabalho e indenização
por danos morais pela “exposição pública negativa” que
sofreu, ao ter sua advertência publicada em quadro de avisos de
grande visibilidade por funcionários e clientes.
Na primeira instância,
a juíza Isabel Porto negou o pedido de rescisão indireta
da funcionária, mas concedeu indenização por danos
morais no valor de R$ 20 mil. Tanto a empresa como a empregada recorreram
da decisão. Aquela, buscando reverter a condenação.
Essa, na tentativa de majorar o valor e ter a rescisão indireta
concedida.
Ao analisar os recursos, o relator
do processo no TRT-2, juiz Rovirso Aparecido Boldo, entendeu que a publicação
da advertência à empregada em quadro de avisos não é motivo
para concessão da dispensa indireta, mas configura dano moral.
Para ele, “a exposição
de ato faltoso aos demais empregados e clientes confere ares de execração
pública, conduta nefasta, atinômica ao princípio
da dignidade da pessoa humana pontuada pela preservação
da honra e imagem profissional do empregado”. Os juízes
acompanharam o voto do relator e mantiveram, na íntegra, a condenação.
Processo 00942200402102000
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DEPACOM,
03 de julho de 2007
Jornal do Sintracom Londrina/PR
Está circulando o “JORNAL DO SINTRACOM”, informativo
do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
e do Mobiliário de Londrina – Paraná, presidido pelo
companheiro DENÍLSON PESTANA DA COSTA.
O Informativo deste mês
traz diversas informações de interesse da categoria,
com destaque especial para o fechamento da Convenção
Coletiva de Trabalho do Mobiliário.
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Denílson Pestana
Presidente do Sintracom
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O DEPACOM parabeniza
o companheiro Denílson Pestana e sua diretoria pelo importante
trabalho desenvolvido junto aos trabalhadores da Construção
e do Mobiliário de Londrina.
Confira o jornal na íntegra e
não deixe de acessar o site da entidade: www.sintracomlondrina.com.br
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Folha de São Paulo,
03 de julho de 2007
Crédito e emprego
Demanda do consumidor continua a impulsionar
o crédito no país; fraco desempenho do emprego preocupa
O ESTOQUE de empréstimos concedidos pelos bancos alcançou R$
786,1 bilhões em maio de 2007, o equivalente a 32% do PIB (Produto Interno
Bruto). Segundo o Banco Central, trata-se do mais longo ciclo de crédito
desde a euforia ocorrida após o lançamento do Plano Real.
O apetite dos consumidores persiste
liderando a expansão. Entre janeiro e maio, as linhas de crédito
pessoal (incluem consignado) cresceram 14%; o financiamento imobiliário,
28%; e o cheque especial, 21%. As operações de leasing
para pessoas físicas -funcionam como uma espécie de aluguel
do bem que será comprado- ampliaram-se 33,6%. O dinamismo nesse
mercado está relacionado à expansão das vendas de
automóveis e ao menor risco da operação.
As concessões de novos
empréstimos para pessoas físicas cresceram 15,5% no ano,
enquanto para as corporações subiram apenas 0,6%. Essa
maior disposição dos consumidores para tomar recursos emprestados
está sendo estimulada pelo alongamento dos prazos e a redução
das taxas de juros.
O prazo médio nas operações
de crédito para as pessoas físicas alcançou 398
dias, o maior patamar desde agosto de 2000. As taxas médias de
juros caíram para 48,6% em maio de 2007, a menor desde julho de
1994, mas ainda exageradamente acima dos padrões internacionais.
Para as empresas, o cenário
de estabilidade econômica e continuidade da queda das taxas de
juros -24,3% ao ano, em média, em maio- sinaliza a perspectiva
de uma expansão do crédito de longo prazo. Há indicações
de que algumas corporações estariam tomando crédito
para melhorar suas estruturas de dívidas, aproveitando inclusive
a ampla liquidez internacional, outras estariam aumentando as captações
no mercado de crédito (doméstico e externo) e no de capitais
(ações e dívidas) para ampliar a capacidade produtiva.
Segundo o BC, em torno de 18,2%
dos créditos para as empresas são classificados como de
longo prazo. Algumas linhas do BNDES, em cooperação com
os bancos privados, têm contribuído para a extensão
de prazos. O financiamento para o setor elétrico, por exemplo,
que era de dez a 12 anos, teve o prazo estendido para 18 anos.
O banco estatal está traçando
uma estratégia para contornar a possível escassez de fundos
caso a demanda por empréstimos ultrapasse o orçamento deste
ano (entre R$ 58 bilhões a R$ 61 bilhões). Vale lembrar
que, nos últimos cinco anos, houve sobra de recursos no banco
estatal, causada, pelo menos em parte, por falta de demanda.
A despeito de juros ainda
muito altos e prazos curtos, a expansão do crédito impulsiona
as vendas e a retomada dos investimentos. A nota mais preocupante ainda é o
ritmo modesto de geração de postos de trabalho. A explosão
do crédito ao consumo ficará limitada no tempo se a taxa
de desemprego não diminuir sensivelmente no médio prazo.
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Folha
de São Paulo, 03 de julho de 2007
Nova manobra leva processo contra Renan à estaca
zero
Presidente do conselho, Quintanilha devolve processo à Mesa
sem avisar os colegas
| Estratégia pode culminar em arquivamento do caso; despacho foi feito
com base em pareceres do Senado que vêem "vícios" na tramitação
FERNANDA KRAKOVICS, SILVIO NAVARRO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Uma manobra regimental comandada
por Renan Calheiros (PMDB-AL) e seus aliados vai atrasar as investigações
contra o presidente do Senado e poderá levar até ao arquivamento
do processo contra ele no Conselho de Ética. Sem consultar os
outros integrantes e respaldado pela consultoria legislativa e pela
advocacia geral do Senado, o presidente do Conselho de Ética,
senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), devolveu ontem à Mesa
Diretora o processo contra Renan, apontando erros em sua tramitação.
O vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), convocou reunião
da Mesa para hoje às 10h.
O PSOL havia feito uma representação
contra Renan no Conselho de Ética por indícios de quebra
de decoro parlamentar. Renan é acusado de ter despesas pessoais
pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior.
Gontijo entregaria dinheiro em espécie para a jornalista Mônica
Veloso, com quem Renan tem uma filha de três anos. O despacho
de Quintanilha, que não compareceu ao Senado ontem, afirma que
a Mesa Diretora pode anular tudo o que foi feito até agora:
a Polícia Federal fez uma perícia nos documentos apresentados
pela defesa de Renan e foram tomados depoimentos de Gontijo e do advogado
de Mônica.
"Decido remeter a representação
[contra Renan, feita pelo PSOL] à consideração
da Mesa do Senado Federal para que, reunida em sessão, delibere
quanto à admissibilidade desta e para que proceda ao saneamento
dos demais vícios, como o referente à legitimidade para
solicitar de órgãos externos [Polícia Federal]
a apuração de fatos e de responsabilidade, o que pode
levar à anulação de todo o procedimento",
afirma o despacho do presidente.
Em nota, Quintanilha disse
que seu intuito foi "preservar a imagem do Senado", corrigindo
vícios que poderiam anular o processo mais adiante. Há uma
pressão de integrantes do conselho para afastar Quintanilha
do cargo devido a denúncias de corrupção contra
ele. Em um ato extremo, a Mesa Diretora pode arquivar o processo alegando
falhas na representação feita pelo PSOL, que deu origem
ao caso. Uma delas seria o fato de o partido não ter pedido
uma punição específica contra Renan.
A Mesa também pode nomear
um relator para analisar o caso internamente e sugerir o procedimento
a ser adotado. Esse parecer seria votado por seus integrantes. Isso
pode empurrar a eventual retomada do processo contra Renan para depois
do recesso parlamentar, que começa no dia 15 de julho.
A estratégia de Renan
de atropelar os trabalhos do conselho aumentou a insatisfação
contra ele na Casa. Senadores avaliam que essa atitude prejudica a
imagem da instituição. Depois do DEM e do PDT, o PSDB
deve pedir hoje o afastamento de Renan da presidência. "Chegamos
a um ponto que não dá mais. Está ruim para a instituição",
disse o líder tucano, Arthur Virgílio (AM).
Erros
O parecer da consultoria legislativa
faz restrições ao "acréscimos de novos fatos" à representação
do PSOL, criticando a investigação de supostas notas
frias apresentadas por Renan para justificar rendimentos agropecuários.
Entre os supostos erros apontados
pela consultoria legislativa e pela advocacia geral do Senado está o
fato de Renan ter despachado a representação do PSOL
para o conselho sem reunir a Mesa Diretora.
Outra falha é que
caberia à Mesa, e não ao conselho, pedir uma perícia
nos documentos apresentados pela defesa do presidente do Senado.
Há ainda um entendimento de que a PF não poderia fazer
esse trabalho, como fez, sem autorização do Supremo
Tribunal Federal. Dizem ainda que houve inversão na tramitação
quando o conselho reabriu a fase de investigações após
a leitura do parecer do então relator Epitácio Cafeteira
(PTB-MA).
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JORNAL GAZETA DO POVO, 03
de julho de 2007 | Economia
Classe média deve dobrar até 2015
Genebra – Uma revolução está prestes a ocorrer no
equilíbrios dos mercados mundiais. Um estudo publicado ontem pela Goldman
Sachs aponta que o surgimento de uma nova classe média no Brasil, China, Índia
e Rússia – o chamado BRICs – irá transformar o comportamento
de empresas em todo o mundo. Segundo o levantamento, o número de pessoas
vivendo com mais de US$ 3 mil por ano irá dobrar no Brasil e na Rússia
até 2015. Na China, essa camada da população irá se
multiplicar por dez. Na avaliação da Goldman Sachs, em 2030,
os grandes países emergentes irão se equiparar em termos de PIB
ao mundo desenvolvido.
Economistas apontam que, de fato,
o peso das economias emergentes vem crescendo. Em 1991, os países
ricos representavam 89% do PIB mundial. Em 2007, essa proporção
já caiu para 75%. Entre 2000 e 2005, o PIB dos BRICs subiu de
US$ 3,6 trilhões para US$ 4,9 trilhões, 15% do PIB dos
países ricos. Até 2010, a projeção é de
que o PIB dos emergentes chegue a US$ 8,6 trilhões. Já em
2030, ocorreria a paridade entre ricos e emergentes, com a superação
já prevista para 2035.
Na realidade, a China já começa
a superar algumas das economias tradicionais. Em 2007, terá um
PIB superior ao da Alemanha. Em 2015, superior ao do Japão e,
em 2039, superará os americanos. Paralelamente a esse crescimento,
a Goldman Sachs prevê um “aumento exponencial” da classe
média nos mercados emergentes. Segundo o estudo, o maior aumento
ocorrerá na Índia, onde o número de pessoas ganhando
acima de US$ 3 mil por ano será multiplicado por 14 até 2015.
Na China, o aumento será de dez vezes. Brasil e Rússia
terão um aumento menor, mas ainda assim a classe média
deve dobrar até 2015.
No total, 2 bilhões de
novas pessoas vão passar a ter essa renda nos próximos
20 anos, o que exigirá que multinacionais redefinam suas prioridades.
O impacto no consumo será significativo.
No setor de alimentos, o Brasil e China não serão apenas
os maiores produtores de carne, mas também serão importantes
consumidores. Hoje, os dois países juntos já produzem 43%
da carne mundial.
O consumo também deve
ser afetado pelo uso do milho na fabricação de etanol.
A demanda por minérios da China está entre as maiores do
mundo. O país já é o maior consumidor de ferro,
zinco, alumínio, cobre, aço e níquel.
O cenário corporativo
também promete mudar. Hoje, a indústria de energia no
mundo já é dominada pelos BRICs. A Goldman Sachs indica
que as empresas desses países emergentes já superam as
empresas americanas no setor energético. Hoje, 35% das 20 maiores
companhias do setor de energia no mundo são dos países
emergentes.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 03
de julho de 2007 | Economia
Exportações avançam
19% no semestre e governo revê projeção
Vendas externas superam expectativa de
crescimento, com receita de US$ 152 bilhões
O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento,
Armando Meziat, disse ontem que o bom comportamento das exportações
no primeiro semestre deste ano está levando o governo federal a aumentar
a sua estimativa para as vendas externas em 2007. Por enquanto, o Ministério
do Desenvolvimento estima um crescimento próximo de 11% para as compras
do exterior no ano de 2007, para US$ 152 bilhões.
Somente nos seis primeiros meses deste ano, porém, as vendas cresceram
19,9%. Em doze meses até junho, as exportações já estão
em US$ 149,9 bilhões. “As exportações estão
crescendo acima do previsto. A exportação deixou de ser oportunidade
e passou a ser estratégia das empresas. Também está havendo
melhoria da produtividade e agregação de valor ao produto exportado”,
disse Meziat.
O secretário não
soube dizer, entretanto, para quanto vai aumentar a projeção
de exportações neste ano. “Estamos fazendo a revisão
e conversando com todos os setores. A meta [de US$ 152 bilhões]
vai mudar. Não sei ainda qual a magnitude do aumento”, afirmou.
Entre as mercadorias manufaturadas,
os produtos que mais se destacaram nas exportações, nos
seis primeiros meses deste ano, foram: álcool etílico,
suco de laranja e polímeros plásticos. Entre os semimanufaturados,
os destaques de vendas do primeiro semestre foram: ferro fundido, couros
e peles e semimanufaturados de ferro e aço.
As importações
também vão crescer mais neste segundo semestre, como ocorre
em todos os anos, por causa das compras de Natal. Segundo Meziat, as
empresas começam a fazer as aquisições para as festas
de fim de ano entre julho e outubro.
Embaladas pelo dólar em
queda, as importações que mais cresceram de janeiro a junho
deste ano, por categoria, foram as de bens de consumo (eletroeletrônicos,
alimentos etc.), que avançaram 34,3%. As compras de bens de capital
(máquinas e equipamentos) e de matérias-primas subiram
24,3% e 29,4%, respectivamente.
Apesar de terem crescido mais,
as aquisições de bens de consumo ainda representam somente
13,3% da pauta de importações brasileira. “O perfil
das importações continua virtuoso. Acima de 70% são
bens de capital [máquinas para produção] e matérias-primas”,
avaliou o secretário de Comércio Exterior.
O grande destaque de importações
no semestre foram os automóveis, que avançaram mais de
50% no período. Meziat explicou que isso se deve à estratégia
das fábricas, que fabricam alguns modelos vendidos no Brasil
no exterior – principalmente os mais caros. “Além
disso, também há o real apreciado, a queda dos juros
e o aumento da renda no país.”

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JORNAL GAZETA DO POVO, 03
de julho de 2007 | Economia
Migração para o Supersimples
já atinge 50% das empresas do Simples
por DA REDAÇÃO. COLABOROU
ADRIANA BRUM.
Até a tarde de ontem, 1,373
milhão de micro e pequenas empresas já estavam no
Simples Nacional (Supersimples) – o novo sistema de tributação
do segmento que entrou em vigor no domingo, instituído pela
Lei Geral da Micro e Pequena Empresa. As adesões tiveram
início ontem, pelo portal acessado pelo site da Receita
Federal (www.receita.fazenda.gov.br).
De acordo com o presidente do
Comitê Gestor do Simples Nacional, Silas Santiago, das cerca de
2,6 milhões de empresas que estavam no antigo Simples Federal,
1,337 milhão migraram automaticamente. A migração é automática
para aquelas que estavam no Simples e não tinham dívidas.
Cerca 1,2 milhão de empresas ficaram fora por vedações
ou pendências com débitos tributários. Além
das que migraram automaticamente, 36 mil empresas aderiram ao novo regime.
Quem não migrou automaticamente,
dependendo do caso, ainda tem chance de entrar no sistema. Se a pendência
for débito tributário, por exemplo, o empresário
pode fazer a opção e solicitar o parcelamento das dívidas
para regularizar a situação. “No próprio portal,
aparece qual o problema e onde ocorre, se na União, estado ou
município”, diz Santiago.
No entanto, profissionais de
contabilidade tiveram dificuldade em obter informações
precisas no portal. Segundo a conselheira do Conselho Regional de Contabilidade
do Paraná (CRC-PR) Lucélia Lecheta, o site chegou a apresentar
duas situações diferentes para uma mesma empresa, em momentos
diferentes. O sistema apresentou falhas na semana passada, mas, segundo
a Receita, elas estariam corrigidas a partir de ontem.
Apesar disso, não houve
congestionamento no site, e mesmo em Curitiba a busca por informações
foi considerada pequena pela Receita Federal. “As principais dúvidas
são sobre as regras e a pesquisa de débitos em contribuições
previdenciárias e demais impostos”, afirmou Rosângela
Villanueva Gusi, chefe do Centro de Atendimento ao Contribuinte do órgão
em Curitiba.
Ontem foram divulgadas as normas
para o parcelamento especial para o ingresso das empresas no Supersimples.
Podem ser incluídos no parcelamento os débitos referentes
até 31 de janeiro de 2006 e a negociação poderá ser
feita em até 120 vezes. Débitos posteriores poderão
ser parcelados em até 60 vezes.
O Supersimples prevê a
unificação de até oito impostos da União,
estados e municípios num só, com uma só data de
pagamento.
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Folha
de São Paulo, 03 de julho de 2007
Ação flagra trabalhadores
em "situação degradante"
Fiscalização diz que 1.108 cortadores
de cana eram explorados em fazenda do PA
| Área pertence à empresa Pagrisa, que nega ter cometido crime
e diz que ainda não sabe quais as irregularidades apontadas
SÍLVIA FREIRE
DA AGÊNCIA FOLHA
A fiscalização
do Ministério do Trabalho flagrou 1.108 cortadores de cana-de-açúcar
submetidos a condições degradantes de trabalho numa propriedade
da empresa Pagrisa (Pará Pastoril e Agrícola S.A.), em
Ulianópolis (417 km de Belém). Segundo a PGT (Procuradoria
Geral do Trabalho), foi o maior resgate já realizado pela fiscalização
do Grupo Móvel de Combate ao Trabalho Escravo, formado por fiscais
do ministério e agentes da Polícia Federal, acompanhados
de procuradores do Trabalho.
Até então, o maior
flagrante de trabalho degradante feito pela fiscalização
do grupo havia ocorrido em junho de 2005, na destilaria Gameleira, em
Confresa (MT), quando 1.003 trabalhadores foram libertados. Segundo o
coordenador do grupo móvel que fiscalizou a Pagrisa, Humberto
Célio Pereira, os trabalhadores estavam alojados em quartos apertados
e malcheirosos, nos quais se "amontoavam um sobre os outros".
A fiscalização encontrou esgoto sendo despejado na represa
usada pelos trabalhadores para lavar roupa e tomar banho, falta de banheiros
e de espaço adequado para alimentação nos locais
de trabalho.
Os empregados relataram que a
comida fornecida pelo empregador era azeda e vários trabalhadores
estavam doentes, com náuseas e disenteria. A fiscalização
encontrou casos de trabalhadores que recebiam menos de R$ 10 de salário
por mês devido a descontos indevidos de alimentação
e remédios. "Eles ficavam sem condições de
sair do local por causa das dívidas e porque não tinham
dinheiro. A maioria veio do Maranhão e do Piauí e estava
numa situação muito degradante", disse Pereira.
Segundo depoimento dos trabalhadores
aos fiscais, os recrutamentos começaram há cerca de seis
meses. O pagamento das verbas rescisórias e dos salários
integrais aos trabalhadores libertados deve começar amanhã.
Segundo a assessoria da PGT, o procurador do Trabalho Luís Antônio
Fernandes, que acompanha a fiscalização, estima que a empresa
deverá desembolsar R$ 1,8 milhão em verbas rescisórias
aos funcionários que quiserem deixar a fazenda.
Os responsáveis
pela empresa poderão ainda responder a uma ação
por dano moral coletivo na Justiça do Trabalho. O diretor-adjunto
da Pagrisa, Fernão Zancaner, disse que a empresa ainda não
foi autuada sobre eventuais irregularidades trabalhistas. Segundo ele,
a empresa passa regularmente por fiscalizações do trabalho
e nunca havia tido problemas. A Pagrisa é a maior produtora
de álcool do Pará, onde está instalada desde 1967.
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ÂMBITO JURÍDICO,
03 de julho de 2007
Reforma trabalhista começa com
a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, afirma Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem (2), em seu programa
Café com o Presidente, que a reforma trabalhista começou a caminhar
no país com a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, que passou a vigorar
anteontem (1º).
"Pode-se dizer que o que
nós fizemos aqui, na verdade, já tem embutido na Lei Geral
da Micro e Pequena Empresa, uma pequena reforma trabalhista na medida
em que as empresas vão pagar menos na sua folha de pagamento,
vão pagar menos tributo do que elas estão pagando hoje",
afirmou.
A Lei Geral da Micro e Pequena
Empresa institui o Simples Nacional, também conhecido como "Super
Simples", que agiliza e unifica o recolhimento de impostos da União,
dos estados e dos municípios para empresas com receita bruta anual
de até R$ 2,4 milhões.
O presidente destacou que, com
a nova lei, os pequenos negócios terão redução
de até 67% da carga tributária. Segundo Lula, o objetivo
do governo ao instituir o Simples Nacional foi dar "cidadania" às
empresas do país, diminuindo a informalidade no setor.
"O que nós estamos
fazendo, na verdade, é dando cidadania a essas empresas. É permitindo
que elas se transformem em empresas cidadãs, paguem seus impostos,
bem menos que pagam hoje, e possam então formalizar. Isso significa
o quê? Significa que elas vão poder contratar mais trabalhadores,
registrar os trabalhadores em carteira profissional e vão poder
gerar os empregos que tanto nós queremos que sejam criados no
Brasil", acrescentou.
O presidente Lula ressaltou ainda
que as novas regras valem para as micro e pequenas empresas de todo o
país, seja no nível federal, estadual ou municipal. As
microempresas são aquelas que faturam até R$ 240 mil anualmente.
As empresas de pequeno porte faturam de R$ 240 mil até R$ 2,4
milhões por ano.
Marcela Rebelo
Fonte: Agência Brasil
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ÂMBITO JURÍDICO,
03 de julho de 2007
Rescisão de contrato de trabalho
preliminar gera dever de indenizar
A Justiça do Trabalho de Minas Gerais reconheceu a uma reclamante que
teve o seu pré-contrato de trabalho injustificadamente rescindido pela
empresa o direito a uma indenização por danos materiais para
cobrir os prejuízos sofridos. É que, na expectativa da contratação,
já acertada com a reclamada, a reclamante pediu demissão do antigo
emprego, sendo mais tarde informada de que não seria mais contratada,
em razão dos problemas financeiros enfrentados pela empresa.
Entendendo estar configurado
o ato ilícito e a culpa da empresa pelo rompimento do contrato
preliminar de trabalho, o juiz de primeiro grau condenou-a ao pagamento
de danos materiais correspondentes aos valores de aviso prévio,
indenização do seguro-desemprego, multa de 40% do FGTS
e um dozeavos de férias. A 2ª Turma do TRT manteve a decisão,
pois ficou constatado no processo que houve a formação
do contrato preliminar ("pré-contrato") entre as partes,
motivando a reclamante a pedir demissão do seu emprego anterior,
ante a expectativa gerada pela ré.
A prova documental revela envio
de e-mail informando a data de início do trabalho na empresa e
combinando um período de treinamento em outra cidade. A Turma
concluiu, portanto, que a contratação da reclamante já havia
se consumado, faltando apenas a formalização do contrato. “Não
pode a reclamada tentar exonerar-se de sua responsabilidade ao argumento
de que a Reclamante pediu demissão por sua única e exclusiva
vontade” – destaca o relator do recurso, desembargador Márcio
Flávio Salem Vidigal.
O desembargador explica que,
nos termos da legislação civil, a proposta de contrato
obriga o proponente, nos termos estipulados. Ele concluiu que a empresa
reclamada quebrou o princípio da boa-fé, ao invocar problemas
financeiros.“Ora, problemas dessa natureza não se apresentam
da noite para o dia, pois de certo já era de conhecimento prévio
da Reclamada. E considerando que tal procedimento causou danos à Reclamante,
aquela deve ressarci-los”- frisa.
( RO nº 00230-2007-105-03-00-7
)
Fonte: TRT3
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ÂMBITO JURÍDICO,
03 de julho de 2007
Vale-transporte indenizado não
pode ser deduzido
A dedução de 6% sobre o salário do trabalhador dos valores
pagos a título de vale-transporte, conforme previsto no art. 9°,
I, e parágrafo único, do Decreto 95.247/87, somente é devida
quando esses valores são antecipados ao empregado durante o contrato
de trabalho para custeio da condução. Em caso de condenação
judicial ao pagamento de indenização substitutiva do vale-transporte
não fornecido não pode haver desconto algum sobre o valor quitado
ao empregado. A decisão é da 1ª Turma do TRT-MG, com base
em voto do desembargador Manuel Cândido Rodrigues, que deu provimento
ao recurso do reclamante para afastar a determinação de retenção
da cota de 6% dos vales-transportes deferidos pela sentença.
É que a empresa foi condenada
a pagar ao reclamante o valor correspondente a dois vales-transportes
diários, sendo autorizada a retenção do percentual
de 6%. O desembargador explica, no entanto, que a indenização
substitutiva pelo não fornecimento dos vales-transporte deferida
judicialmente tem caráter indenizatório, pois trata-se
de ressarcimento do prejuízo causado ao empregado por culpa exclusiva
do empregador. Assim sendo, não há por que fazer incidir
sobre esta indenização qualquer desconto.
( RO nº 01217-2006-005-03-00-6
)
Fonte: TRT3
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
03/07/2007
Enamat forma primeiros formadores em técnicas
de conciliação
A Escola Nacional de Formação
e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho (Enamat) encerrou,
na sexta-feira, o 1º Curso de Formação de Formadores
em Técnica de Juízo Conciliatório, que reuniu 45
juízes de primeiro grau de todas as Regiões do País
por quatro dias, na sede da Enamat, em Brasília. De volta a seus
Tribunais, os juízes têm quatro meses para multiplicar o
conhecimento por meio de cursos similares, adaptados a suas Regiões,
como instrutores nos TRTs ou nas Escolas Judiciais regionais, repassando
as técnicas aprendidas.
O diretor da Enamat, ministro
Carlos Alberto Reis de Paula, afirmou no encerramento do curso que a
escola cumpriu sua missão porque iniciou uma caminhada, ao invés
de dar o conhecimento pronto. “Demos, durante o curso, subsídios
para que vocês comecem a responder aos desafios propostos, que
são, ao final, chegar à justiça e à paz,
o objetivo em si da Justiça do Trabalho, sendo a conciliação
um dos meios para alcançá-lo. A conciliação,
assim, não pode ser assentada em ossos, mas na harmonia",
disse o diretor aos alunos.
Para atender a esta finalidade
multiplicadora, o conteúdo do curso enfatizou as metodologias
de ensino profissionalizante específicas e adaptadas à atividade
concreta do juiz, como filmagens de casos reais, simulações
e dinâmicas de grupos, ferramentas que integram teoria e prática,
sempre de acordo com as peculiaridades regionais. O juiz Giovanni Olsson,
membro do Conselho Consultivo da Enamat, titular da 2ª Vara de Trabalho
de Chapecó (SC), professor e um dos organizadores do curso, considerou
a experiência importante para a troca de idéias e aprendizagem
não apenas das modernas técnicas de conciliação
judicial trabalhista, mas também das metodologias profissionalizantes.
A Enamat forneceu, como suporte pedagógico para a tarefa de montar
e ministrar os futuros cursos regionais, material didático de
apoio, na forma de DVDs e apostilas.
A conciliação é exigida
pela CLT, que prevê inclusive a nulidade processual no caso de
inexistência de propostas conciliatórias. O percentual de
conciliações em primeiro grau tem se mantido na faixa de
43% a 47%, desde 1992. Em 2006, 43,8% dos 1,7 milhão de processos
solucionados nas Varas do Trabalho o foram por conciliação.
Com a disseminação das técnicas, o objetivo é não
apenas aumentar o percentual, mas intensificar a pacificação
social mediante melhora da qualidade dos próprios acordos.
A juíza Adriana Goulart
de Sena, conselheira da Escola Judicial do TRT da 3ª Região
(MG), organizadora e professora do curso da Enamat, lista uma série
de vantagens do aumento dos casos de conciliação: maior
eficiência no aparato judiciário, recuperação
de litígios que ficariam em estágio potencial (pequenas
causas), diminuição do volume e do tempo de tramitação
global de processos e aumento da qualidade de atuação dos
organismos judiciários. Para isso, entretanto, é necessário
que o juiz participe efetivamente da condução do processo,
usando seu poder diretivo (formal e material) e suas faculdades instrutórias.
As partes, percebendo que o juiz está mais preparado e se esforçando
para melhor atendê-los, respondem de forma positiva à possibilidade
de conciliação.
Para o juiz Daniel Rodney Weidman,
titular da 2ª Vara do Trabalho de Cascavel (PR), integrante da Comissão
de Conciliação do TRT da 9ª Região e aluno
do curso, a conciliação é mais importante que a
sentença, porque esta nem sempre pacifica e resolve o problema
das partes. O curso, para ele, teve especial relevância por ter
resgatado o valor histórico da conciliação na Justiça
do Trabalho, valorizando-a e dando-lhe a devida importância.
(Com informações da
Enamat)

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