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Folha
de São Paulo, 4 de julho de 2007
Câmara aprova aumento de benefícios
ao Supersimples
Parcelamento incluirá débitos
até maio deste ano
GUSTAVO PATU, FERNANDO NAKAGAWA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Movida pelo lobby das micro
e pequenas empresas, a Câmara aprovou ontem, em tempo recorde
e praticamente por unanimidade, um projeto que amplia os benefícios
tributários e o programa de parcelamento de dívidas do
setor. O texto, que também deve ter aprovação
tranqüila no Senado, prorroga de janeiro de 2006 para maio deste
ano o prazo-limite para a inclusão de dívidas tributárias
no refinanciamento criado pela Lei Geral da Micro e Pequena Empresa.
Também são incluídas
no Supersimples -o regime simplificado de tributação
criado pela nova lei, que começou a vigorar nesta semana- empresas
de transporte de cargas e passageiros, cosméticos, sorvetes
e fogos de artifício. O projeto ainda tira parte do setor de
serviços da tabela de alíquotas mais altas previstas
no Supersimples, para evitar que haja aumento de carga fiscal com a
nova lei. "São ajustes que não elevarão a
renúncia fiscal", disse o relator do texto, Luiz Carlos
Hauly (PSDB-PR), com o argumento de que esses benefícios já estavam
previstos na concepção da Lei Geral.
Proposto há menos de
duas semanas, o projeto foi aprovado por 353 votos a favor, nenhum
contra e apenas uma abstenção. Embora houvesse consenso,
os deputados fizeram questão de fazer a contagem nominal de
votos.
Metade não migrou
Quase metade das empresas optantes
do Simples federal não migrou automaticamente para o Supersimples.
Dívidas com Estados, municípios e a União foram
os principais motivos que impediram a mudança. O balanço
não surpreendeu o Sebrae. A entidade argumenta que é comum
que os microempresários tenham dívida.
Números apresentados
ontem pela Receita Federal mostram que 1,3 milhão de empresas
tiveram o regime tributário alterado automaticamente na segunda-feira,
o equivalente a 52,2% das firmas ativas no Simples federal. O dado
também revela que 1,2 milhão de empresas que estavam
no antigo sistema tinham pendências, principalmente dívidas,
e não as resolveram nos seis meses que antecederam o início
da Lei Geral das Microempresas.
O secretário-executivo
do Comitê Gestor do Supersimples, Silas Santiago, disse que a
não migração foi causada por uma série
de motivos, mas que os débitos em aberto foram os principais
impeditivos. Das empresas que ficaram de fora do novo sistema, 82,1
mil pediram a inclusão ontem e anteontem. Dessas, segundo a
Receita Federal, 4.200 também solicitaram parcelamento de dívidas
com a União.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
04 de julho de 2007
Procuradora é demitida por
ter facilitado anulação de débitos com INSS
A PGF (Procuradoria-Geral da Federal) demitiu a procuradora Lívia de
Oliveira Sampaio, acusada de receber propina da advogada da UCSal (Universidade
Católica de Salvador), Ariane Torres Veras de Souza, para cancelar débitos
previdenciários da universidade com o INSS.
De acordo com a AGU (Advocacia-Geral
da União), a demissão foi publicada no Diário Oficial
da União, após a conclusão do PAD (Processo Administrativo
Disciplinar) instaurado pela PGF para analisar o caso.
O processo revelou que em 1996
a procuradora Lívia Sampaio, chefe da Divisão de Assuntos
Jurídicos, Orientação e Controle do CRPS (Conselho
de Recursos da Previdência Social), elaborou um parecer que permitiu
a anulação de quase R$ 55 milhões de dívidas
da UCSal com o INSS.
O parecer da procuradora reconhecia
a universidade como entidade beneficente, sem personalidade jurídica
e, portanto, isenta do pagamento de contribuições previdenciárias.
Com base neste parecer, que também
amparou o posicionamento da auditora fiscal Ângela Silva da Costa
Paula, amiga de Lívia Sampaio e integrante do Conselho Nacional
de Assistência Social, a 8ª Câmara de Julgamento do
CRPS anulou em 1998 os débitos da UCSal. A Câmara também
tinha como presidente mais uma amiga da procuradora, Sônia Cristine
de Carvalho Pereira.
Em 2002, após uma fiscalização
interna a PFE (Procuradoria Federal Especializada) constatou as diversas
irregularidades apresentadas nos processos da UCSal. A PFE pediu então
a revisão do acórdão da 8ª Câmara no
conselho e obteve êxito, conseguindo restabelecer dívidas
da UCSal. O Ministério da Previdência Social e a PGF abriram
logo depois o processo administrativo disciplinar contra os envolvidos
no desfalque.
O processo concluiu que a advogada
da UCSal, Ariane de Souza, recebeu 2% do valor da causa em honorários
advocatícios e transferiu uma parte do dinheiro para as contas
correntes de Ângela Paula, Lívia Sampaio e do marido da
procuradora.
A auditora Ângela Paula
também foi demitida do Ministério da Previdência
em abril deste ano.
Conforme disposto no artigo
5º, inciso LV, da Constituição Federal, os envolvidos
no processo tiveram o direito de ampla defesa, bem como observado o
princípio do contraditório.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
04 de julho de 2007
Diferença de centavos faz Justiça
do Trabalho extinguir recurso
Mesmo com diferenças de centavos, é considerado deserto (extinto)
o recurso cujo recolhimento das custas e do depósito recursal for insuficiente.
Com esse entendimento a 7ª Turma do TRT (Tribunal Regional do Trabalho)
de Minas Gerais (3ª região) não admitiu um recurso ordinário
de uma empresa, que até havia recolhido devidamente as custas processuais
quando da interposição do primeiro recurso.
Mas com o retorno do processo à Vara
de origem como resultado do apelo do autor da ação, foi
acrescida à condenação originária a importância
de R$ 4.000, sendo determinado o recolhimento de custas complementares
de pouco mais de R$ 80, pela empresa. Ao interpor o atual recurso ordinário,
no entanto, a empresa não comprovou o recolhimento da complementação
das custas no prazo previsto.
Acatando o voto da desembargadora
Maria Perpétua Capanema Ferreira de Melo, a Turma não
conheceu do recurso, por não preenchido o pressuposto de sua
admissibilidade, que seria o recolhimento integral das custas processuais.
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CONSULTOR JURÍDICO,
04 de junho de 2007
Recurso prematuro
É preciso aguardar publicação
de decisão para recorrer
Para recorrer de uma decisão é preciso aguardar a sua publicação.
O entendimento é da Seção Especializada em Dissídios
Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho. A Seção
negou o recurso apresentado por empregados do estado do Rio Grande do Norte
que, antes da publicação da decisão, já haviam
recorrido.
De acordo com o relator, ministro
Aloysio Corrêa da Veiga, a finalidade dos Embargos de Declaração é integrativa
e sua interposição provoca a imediata interrupção
do prazo para outros recursos, conforme o artigo 538 do CPC. “A
mesma parte que opôs os embargos de declaração não
poderia apresentar os embargos à SDI-1, pois o prazo deste recurso
só tem início após a publicação da
decisão”.
A ação foi movida
por 10 empregados da Secretaria de Saúde do Rio Grande do Norte.
Eles alegaram que após um convênio firmado com o INSS, integrando-os
ao SUS, passaram a receber uma gratificação para fins de
equiparação salarial com os funcionários do INSS.
Afirmaram, também, que a parcela foi sendo reduzida até a
sua suspensão. Na Vara do Trabalho do RN, os empregados pediram
o reconhecimento da natureza salarial da gratificação e
a sua incorporação aos salários.
O estado alegou que a gratificação
era apenas uma retribuição pecuniária. Ela poderia
ser, em qualquer momento, suprimida do salário, principalmente
após o fim do convênio.
O juiz da Vara do Trabalho não
concordou com os argumentos do Estado e condenou a Secretaria de Saúde
ao pagamento das diferenças salariais, no período da redução
da gratificação, e a sua incorporação ao
salário. Para o juiz, “só é lícita
a alteração com o mútuo consentimento das partes”.
O INSS recorreu ao Tribunal Regional
do Trabalho da 21ª Região (RN). A segunda instância
negou o recurso por considerar inoportuno. O INSS apresentou Recurso
de Revista ao TST sob a alegação de erro na contagem do
prazo. O recurso não foi aceito. Nos Embargos de Declaração
para a 4ªTurma do TST, o relator reconsiderou sua decisão.
A Turma acatou o recurso do INSS, por divergência jurisprudencial,
e julgou improcedente a ação dos trabalhadores.
Insatisfeitos, os empregados
ingressaram com embargos à SDI-1, numa quinta-feira, por fax,
e apresentaram os originais na segunda-feira. A publicação
da decisão ocorreu na sexta-feira, após a apresentação
do recurso. “Verifica-se que os embargos foram interpostos prematuramente,
antes, portanto, da publicação da decisão recorrida”,
concluiu Veiga.
E RR 494519/1998.0
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 04 de julho de 2007 | Dinheiro
Produção industrial
surpreende e cresce 1,3% em maio
CLARICE SPITZ
da Folha Online, do Rio
A produção industrial brasileira surpreendeu, com uma expansão
de 1,3% em maio na comparação com abril (com ajuste sazonal).
O desempenho ficou bem acima das expectativas de analistas consultados pela
Folha Online, que previam variação entre -0,3% e 0,3%.
Na comparação com
o mesmo mês do ano passado, a indústria teve crescimento
de 4,9% na produção. A variação ficou acima
das estimativas (alta entre 2,2% e 3,3%).
O resultado de abril em relação
a março foi revisado pelo IBGE de queda de X$% para estabilidade.
Nos cinco primeiros meses do
ano, a produção da indústria teve uma expansão
de 4,4% e nos últimos 12 meses, de 3,3%. Por categoria de uso,
todos os ramos da indústria apresentaram crescimento.
Os segmentos que mais contribuíram
para o desempenho foram veículos automotores (3,7%), farmacêutica
(8,3%) e máquinas e equipamentos (3,1%). Por outro lado, produtos
químicos e bebidas tiveram desempenho negativo (-1,8% e -2,8%
respectivamente).
Os bens intermediários,
que detêm o maior peso no índice, subiram 0,6%. Já os
bens de capital avançaram 5,1%, ficando com a liderança.
O bens de consumo duráveis tiveram alta de 1,5%. Os bens de consumo
semi e não-duráveis avançaram 1,3%.
Na comparação
com maio de 2006, a produção industrial apresentou o
11º resultado positivo consecutivo, com avanço de 4,9%.
Nessa mesma comparação, a maior alta veio do item máquinas
e equipamentos (19%) e veículos automotores (10,8%). O segmento
de bens de capital mais uma vez obteve a taxa mais elevada, com avanço
de 19,4%.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 04 de julho de 2007 | Brasil
Sem acordo, Câmara tenta votar
hoje reforma política
da Folha Online, em Brasília
Sem acordo em torno do financiamento público e privado das campanhas
eleitorais e de fidelidade partidária, o presidente da Câmara,
Arlindo Chinaglia (PT-SP), vai colocar a proposta de reforma política
em votação nesta quarta-feira.
O objetivo é começar
a votar pelos itens mais consensuais, como as normas para a federação
dos partidos e o fim das coligações partidárias.
"Alguma coisa precisa passar
para aprimorar o sistema político. Precisamos fazer acordos e
aprovar", disse o líder do governo na Câmara, José Múcio
(PTB-PE). "Sabendo que não existe mais a possibilidade de
votação sobre lista fechada [na qual os partidos definem
os candidatos que podem concorrer as eleições], acaba a
tensão", afirmou o vice-líder do governo na Câmara,
Henrique Fontana (PT-RS).
De acordo com Fontana, os deputados
Flávio Dino (PC do B-MA), Pepe Vargas (PT-RS) e Ronaldo Caiado
(DEM-GO), relator da proposta de reforma política, preparam um
texto de emenda aglutinativa propondo regras para o financiamento público
e privado para as campanhas eleitorais.
A principal polêmica é sobre
a definição de quem teria direito ao financiamento público
e ao privado --ou a ambos. Alguns deputados, de legendas diferentes,
sugerem que apenas os candidatos a presidente, governador e senador recebam
o financiamento público.
O mesmo grupo, liderado pelo
PT, propõe que os candidatos proporcionais, como os deputados
federais e estaduais, além dos vereadores, recebam colaborações
da iniciativa privada. Porém, para eles, deverá ser estabelecida
uma média a ser definida.
Os contrários a essa proposta
sugerem que o financiamento público de campanha seja direito de
todos os candidatos --majoritários e proporcionais.
No que se refere à fidelidade
partidária, a proposta que ganha força é a que determina
que parlamentares fiquem, no mínimo, três anos na mesma
legenda. Depois, terão prazo de 30 dias em que poderão
ficar sem partido até que se definam.
Outro item que está previsto é o
que trata de federação partidária --em que as
legendas se unem por três anos e devem se manter juntas ao longo
deste período. Há, ainda, a possibilidade de votar o
fim das coligações para eleições proporcionais.
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JC ONLINE, 04 de julho de 2007
Por dentro da Previdência
Segurado doente fica livre de desconto
do IR
Uma informação útil pra você: o aposentado ou pensionista
do INSS que receber o diagnóstico de doenças graves, como distúrbios
mentais, doenças do coração, cegueira, doenças
inflamatórias nas articulações, doença de Paget
(mal crônico que deforma os ossos), hanseníase, Parkinson, insuficiência
renal crônica, câncer, paralisias irreversíveis, Aids, tuberculose
ou esclerose múltipla, terá pelo menos uma compensação
na Previdência Social – está isento do desconto de Imposto
de Renda (IR) em cima do benefício.
A isenção só não é total para aqueles que
recebem outros rendimentos, como por exemplo as situações em
que trabalhador, apesar de doente, continua trabalhando, ou quando exerce uma
atividade autônoma, ou quando têm renda provinda de aluguéis.
Nestes casos, o segurado recebe a isenção da doença grave
em cima da aposentadoria, mas continua deduzindo o IR por suas demais fontes
de renda.
Para dar entrada no processo de isenção, é preciso agendar
uma consulta pelo telefone gratuito do INSS - o 135, ou pela internet (www.previdencia.gov.br)
ou ainda na agência em que a pessoa tem o registro do benefício.
Será, então, marcada uma perícia médica, em que
se deve comparecer levando o laudo médico e exames que diagnosticam
a doença, CPF, RG e número do benefício. Caso seja confirmado
o direito à isenção, o INSS suspende automaticamente o
desconto do IR.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 04 de julho de 2007
| Economia
82 mil empresas pedem adesão
ao Supersimples
A Receita Federal informou ontem que 82,1 mil micro e pequenas empresas brasileiras
pediram, ontem e anteontem, para serem incluídas no Supersimples, novo
regime de tributação que vigora desde domingo. Dessas, segundo
a Receita, 4,2 mil também solicitaram o parcelamento de dívidas
com a União. Não há dados preliminares sobre os pedidos
nos estados e nos municípios. Das empresas que já estavam no
Simples federal, quase a metade (1,2 milhão) não migrou para
o novo sistema, por dívidas e outras pendências. Outras 1,3 milhão
de empresas foram incluídas automaticamente. O prazo final para aderir é 31
de agosto.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
03 de julho de 2007
Reforma da previdência vai trazer
mudanças a longo prazo, diz Marinho
Luana Lourenço / Agência
Brasil
Brasília - A proposta
de reforma da previdência que será apresentada pelo governo
até o início de setembro vai ter foco em mudanças
a longo prazo e será elaborada a partir de uma reavaliação
da contabilidade da previdência. As declarações
foram feitas nesta terça-feira (3) pelo ministro da Previdência,
Luiz Marinho, em entrevista coletiva à imprensa após
reunião do Fórum Nacional da Previdência Social.
Marinho afirmou que apesar do déficit de R$ 4 bilhões em 2006,
não há problemas a curto prazo porque as contas da previdência
caminham para o equilíbrio e até o final de 2008 devem atingir
superávit. “É preciso olhar para os próximos cinqüenta
anos, pensar em mudanças para o futuro, para as novas gerações
de contribuintes”.
O ministro adiantou que a proposta do governo vai considerar as contas da previdência
sob uma nova perspectiva, que vai excluir dos gastos da pasta despesas com
pagamento de benefícios dos trabalhadores rurais e incentivos fiscais à exportação
do agronegócio, por exemplo. “Precisamos deixar claro o que faz
parte do regime de receitas e despesas do regime geral da previdência
social e o que eventualmente está nas costas da previdência e
não deveria estar”.
Na reunião de hoje, o Fórum ouviu representantes das bancadas
dos trabalhadores e dos empregadores sobre os recursos da Seguridade Social
e sua implicação na reforma da previdência.
Marinho disse que as análises e sugestões apresentadas durante
o Fórum serão levadas em conta na elaboração da
proposta do governo. "Nós estamos maturando o debate e as divergências
são importantes para depois se chegar a um ponto de acordo, de entendimento”,
avaliou.
Na próxima reunião do Fórum da Previdência, marcada
para os dias 3 e 4 de agosto, representantes do governo, dos trabalhadores
e dos empregadores vão revisar as análises apresentadas até agora
e sistematizar as discussões para avaliar consensos e divergências
entre os setores
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
03 de julho de 2007
CUT defende reforma da Previdência
com alta de receitas
Agência Estado
O presidente da Central Única
dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique Silva, defendeu nesta terça-feira
(3) uma reforma da Previdência Social que aumente as receitas
do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). "Temos que fazer
uma reforma pelo lado positivo e não apenas pensar em cortar
o acesso aos benefícios", comentou o sindicalista após
participar de mais uma reunião do Fórum Nacional de Previdência
Social, que reúne representantes dos trabalhadores, empresários
e governo.
As linhas gerais da proposta da CUT, que deverá ser oficializada ao
Fórum nas próximas reuniões, são aumentar o número
de contribuintes da Previdência, melhorar a fiscalização
das dívidas ao INSS e desonerar a folha de pagamentos das empresas.
A CUT defendeu ainda a criação de um mecanismo que vincule o
pagamento do seguro-desemprego às contribuições previdenciárias,
como uma alternativa para incentivar as filiações à Previdência. "Quanto
mais contribuições o trabalhador fizesse ao sistema, mais parcelas
ele teria direito ao seguro-desemprego quando ficasse desempregado", defendeu
Arthur Henrique.
Segundo a CUT, existem hoje cerca de 30 milhões de trabalhadores informais
que não contribuem para o INSS, e as saídas adotadas pelo governo
para incluí-los - como a alíquota reduzida de 11% criada pela
lei do "Super Simples" e o abatimento no Imposto de Renda aos patrões
que formalizarem a contração de empregados domésticos
- são consideradas "tímidas" pela central. "Defendemos
uma ampla campanha de divulgação dos benefícios da previdência
e o que os trabalhadores que não contribuem estão perdendo, por
exemplo", afirmou.
Sobra de recursos
A CUT voltou defender o conceito de seguridade social como a forma correta
de analisar as contas da Previdência Social. A professora do Instituto
de Economia da UFRJ, Denise Lobato Gentil, convidada pela CUT para fazer uma
apresentação na reunião do Fórum, afirmou que como
seguridade são definidas as áreas de previdência, saúde
e assistência social.
Por esse conceito, em 2006, por exemplo, as receitas da seguridade (que incluem
as contribuições de empregados e patrões ao INSS, parte
da Cofins, da CSLL e da CPMF, parte das loterias e PIS/Pasep) somaram R$ 292,1
bilhões, enquanto as despesas somaram R$ 241,2 bilhões. "Ou
seja, houve uma sobra de recursos superior a R$ 50 bilhões", afirmou
a professora.
Também na avaliação da professora, o governo estaria desvinculando
do orçamento mais recursos que os 20% permitidos pela legislação
que instituiu a Desvinculação de Receitas da União (DRU)
e, dessa forma, comprometendo o fechamento das contas da seguridade social.
Ela defendeu a idéia de que apenas com crescimento econômico e
aumento da formalização de mão-de-obra é possível
controlar os gastos previdenciários, mesmo nos próximos anos.
O economista Raul Velloso, representante das empresas no Fórum, contrapôs
a defesa de que não é necessária uma reforma de regras
previdenciárias porque haveria sobra de recursos da seguridade social. "É uma
impropriedade contar com os recursos da seguridade para financiar a Previdência,
porque o cobertor é curto e esse dinheiro não está parado",
comentou. Segundo ele, se não for feita uma reforma de regras que considere
o fato demográfico inegável, que é o de que as pessoas
estão vivendo mais, ou o governo terá que aumentar a carga tributária
para financiar as despesas ou os investimentos nunca serão recuperados
no País.
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Folha
de São Paulo, 4 de julho de 2007
Renan sofre derrota política e processo
volta ao conselho
Em vez de apenas um relator, comissão
de três senadores irá elaborar parecer sobre o caso | Apesar
do recuo do Senado, término do processo contra o presidente da
Casa não deverá ser concluído antes do recesso parlamentar
FERNANDA KRAKOVICS, SILVIO NAVARRO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em uma derrota de Renan Calheiros
(PMDB-AL), a Mesa Diretora do Senado decidiu ontem, por unanimidade,
que é legítima a representação feita pelo
PSOL contra ele por indícios de quebra de decoro. Em vez de
arquivar o caso, os senadores o mandaram de volta para o Conselho de Ética.
Pressionado pelo plenário
do conselho, o presidente do órgão, senador Leomar Quintanilha
(PMDB-TO), ainda se recusou a anular os trabalhos feitos até agora
e recomeçar do zero o processo, como queria a tropa-de-choque
de Renan. "O Senado e o país inteiro querem a comprovação
da realidade dos fatos e o aprofundamento da investigações
(...) Decidimos pela continuidade das investigações e
pela conclusão da perícia técnica efetuada",
afirmou Quintanilha, em um outro revés para Renan.
O conselho pedirá à Polícia
Federal que conclua a perícia iniciada em documentos apresentados
pela defesa de Renan. Laudo preliminar da PF apontou inconsistências
nas notas fiscais que comprovariam supostos rendimentos agropecuários
do peemedebista. Essa é a principal linha de defesa do senador,
que tenta provar que tinha rendimentos suficientes para pagar R$ 12
mil mensais à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma
filha de três anos. O dinheiro era entregue por Cláudio
Gontijo, lobista da Mendes Júnior.
Em vez de um relator para o
caso, será nomeada uma comissão de três senadores
para elaborar um parecer em conjunto. Ela será formada por um
representante do bloco de apoio ao governo, um do PMDB e um da oposição.
Os mais cotados são Renato Casagrande (PSB-ES), Almeida Lima
(PMDB-SE), Marisa Serrano (PSDB-MS) ou Demóstenes Torres (DEM-GO).
A definição deve sair até as 16h de hoje.
Apesar das decisões
tomadas ontem, a confusão criada até agora em torno do
caso deve empurrar a conclusão do processo contra Renan para
depois do recesso parlamentar, marcado para o dia 15. "Na minha
opinião é improvável votar antes do recesso",
disse o líder do PMDB, Valdir Raupp (RO).
Em uma manobra regimental comandada
por Renan, o presidente do Conselho de Ética devolveu anteontem
o processo à Mesa Diretora alegando que havia vícios
em sua tramitação. A decisão de Quintanilha foi
respaldada por pareceres da consultoria legislativa e da advocacia
geral do Senado.
Com a tentativa de atropelar
os trabalhos do conselho, Renan ficou sem sustentação
política na Casa e acabou sendo desautorizado pela Mesa. Antes
da reunião da Mesa, líderes da oposição
e da base de sustentação do governo fizeram um acordo
para que o caso fosse enviado de volta ao Conselho de Ética.
A avaliação foi que a tentativa de melar o processo desmoralizaria
a Casa.
Essa reunião foi feita
no gabinete de Aloizio Mercadante (PT-SP) com a presença do
líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), do líder
do DEM, José Agripino (RN), Demóstenes Torres e de Casagrande.
Apesar de a reunião da Mesa ter durado cerca de quatro horas,
o despacho, assinado por Tião Viana, foi lacônico: "Após
amplo debate, a Mesa, por unanimidade, acolhendo o parecer da advocacia
do Senado que analisou o encaminhamento à Mesa da representação
do PSOL, para sanear vícios, decidiu pela admissibilidade da
representação e por seu encaminhamento da representação
ao Conselho de Ética".
Renan não participou
do encontro. O vice-presidente do Senado também disse estar
dirimida a dúvida sobre os trâmites do processo: "Agora,
a Mesa unanimemente decidiu enviar o caso para o conselho. Antes,
o próprio Renan tinha feito o despacho, sozinho. Com a decisão
de hoje fica também esclarecido esse ponto. O processo está formalmente
aberto. Uma renúncia não terá mais efeito. A
investigação vai até o final, com punição
ou absolvição".
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Folha
de São Paulo, 4 de julho de 2007
Conta de luz cairá 12,66% em São
Paulo
Nova tarifa para residências vale a partir
de hoje; grandes consumidores, como indústrias e shoppings, pagarão
10,45% a menos
| Corte é resultado da queda dos juros e da diminuição de
subsídios no Norte; Fipe vê impacto de 0,41 ponto na inflação
em agosto
HUMBERTO MEDINA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A tarifa de energia dos clientes
residenciais da Eletropaulo terá redução de 12,66%
a partir de hoje. Para os grandes consumidores -como indústrias
e shoppings-, a redução será de 10,45%. Fruto
da revisão tarifária, a queda das tarifas foi causada
pela redução dos juros e a diminuição no
subsídio à geração de energia na região
Norte.
No processo de revisão
tarifária, que ocorre a cada quatro anos, a Aneel (Agência
Nacional de Energia Elétrica) analisa a rentabilidade das distribuidoras
de energia. Depois, determina um novo valor de equilíbrio para
a tarifa a fim de garantir o retorno do investimento para a concessionária
e não onerar demais o consumidor.
A queda na tarifa deve ter
impacto de 0,41 ponto percentual na inflação de agosto,
segundo o coordenador do IPC da Fipe (Fundação Instituto
de Pesquisas Econômicas), Marcio Nakane. Neste mês, a redução
deve ser de 0,05 ponto percentual, e, em setembro, de 0,07 ponto. A
Aneel atribuiu a redução da tarifa da Eletropaulo, que
atua em 24 municípios da região metropolitana de São
Paulo, incluindo a capital, a dois principais fatores. Um deles é a
diminuição do custo dos juros pagos pela distribuidora
quando pega dinheiro emprestado.
Em 2003, último processo
de revisão tarifária, a taxa Selic era de 26% ao ano.
Hoje, está em 12%. Em 2003, a revisão rendeu aumentos
de 10,3% para consumidores residenciais e de 11,56% para grandes. Outro
motivo foi a redução no subsídio para bancar o óleo
usado nas termelétricas que geram energia na região Norte.
Ele é chamado CCC (Conta Consumo de Combustíveis) e,
entre 2006 e 2007, caiu 35,6%.
Para Luiz Pinguelli Rosa, coordenador
do Programa de Planejamento Energético da Coppe-UFRJ, a redução
não deve afetar a Eletropaulo. "A queda é causada
pela redução de encargos [como a CCC]. Não é a
Eletropaulo que tem perda, é o sistema que usa os recursos",
disse. Encargos como a CCC são arrecadados pelas distribuidoras,
mas repassados ao governo, que administra os recursos. "A Eletropaulo
deve estar tranqüila", afirmou Pinguelli, que foi presidente
da Eletrobrás no início do governo Lula.
De acordo com a analista Fabiana
D'Atri, da consultoria Tendências, a redução da
tarifa da Eletropaulo confirma a expectativa de queda das distribuidoras
que passarão pelo segundo ciclo de revisão tarifária.
Para ela, no entanto, a queda foi maior que o previsto. O índice
médio de redução calculado pela agência
reguladora foi 5,43%.
Segundo Fabiana D'Atri,
o próximo ciclo de revisão tarifária (que para
a Eletropaulo será em 2011) pode render aumento. "O custo
da energia vem subindo e isso deve se refletir nos próximos
ciclos de revisão", afirmou. Ela não acredita
que a redução deva impactar os investimentos.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 05 de julho de 2007 | Economia
Mínimo necessário para
o básico em junho seria de R$ 1.628
Cálculo do Dieese mostra que salário
precisaria ser 4,28 vezes maior do que é
Flavio Leonel e Francisco Carlos de Assis,
da Agência Estado
SÃO PAULO - O salário mínimo do trabalhador brasileiro
deveria ser de R$ 1.628,96, no mês passado, para suprir suas necessidades
básicas e da família, aponta levantamento divulgado nesta terça-feira
pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese). A constatação foi feita por meio da utilização
da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de junho, realizada pela instituição
em 16 capitais do País.
Com base no maior valor apurado
para a cesta, de R$ 193,90, em Porto Alegre, e levando em consideração
o preceito constitucional que estabelece que o salário mínimo
deve ser suficiente para garantir as despesas familiares com alimentação,
moradia, saúde, transportes, educação, vestuário,
higiene, lazer e previdência, o Dieese calculou que o mínimo
deveria ser 4,28 vezes maior que o piso vigente, de R$ 380,00. Em maio,
o menor salário deveria ter sido de R$ 1.620,64, ou 4,26 vezes
o valor vigente.
O Dieese informou também
que o tempo médio de trabalho necessário para que o trabalhador
que ganha salário mínimo pudesse adquirir o conjunto
de bens essenciais reduziu-se em junho, na comparação
com o mês anterior. Assim, na média das 16 cidades, o
trabalhador que ganha salário mínimo necessitou cumprir
uma jornada 91 horas e 33 minutos para realizar a mesma compra que,
em maio, exigia a execução de 92 horas e 3 minutos.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 05 de julho de 2007 | Economia
Cesta básica cai em 9 de 16
capitais pesquisadas em junho
Conjunto de produtos básicos de Porto
Alegre é o mais caro do País, a R$ 193,90
Flavio Leonel e Francisco Carlos de Assis,
da Agência Estado
SÃO PAULO - O preço médio da cesta básica caiu
em junho em 9 das 16 capitais brasileiras, na comparação com
maio. Um levantamento divulgado nesta terça-feira, 3, pelo Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese)
mostra que as maiores elevações no conjunto de produtos alimentícios
essenciais foram apuradas em Recife (3,29%), Brasília (2,4%), São
Paulo (1,36%) e Vitória (1,15%).
Na outra ponta, Belém
(-5,94%), Natal (-4,24%) e João Pessoa (-3,68) foram as cidades
onde foram verificada as retrações mais significativas.
No Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, também foram observadas
quedas menores, mas importantes, de 1,14% e 1%, respectivamente.
Os preços dos produtos
acompanhados pelo Dieese apresentaram comportamentos distintos: metade
deles subiu na maioria das capitais (feijão, leite, óleo
de soja, manteiga, café e farinha de trigo). Os outros sete produtos
analisados ( açúcar, carne, tomate, arroz, banana, farinha
de mandioca e batata) tiveram redução de preço na
maioria das capitais.
De acordo com o Dieese, pelo
segundo mês consecutivo o feijão e o leite apresentaram
alta em maior número de capitais: 14 e 12, respectivamente. As
maiores altas do feijão foram registradas em Belo Horizonte (18,16%),
Brasília (16,76%) e São Paulo (14,90%). A maior retração
foi apurada em Curitiba (-1,74%). Já o leite, produto que se encontra
na entressafra, ficou mais caro, principalmente, em Porto Alegre (15,53%),
Curitiba (11,96%) e Florianópolis (10,08%).
Cesta mais cara
A cidade de Porto Alegre apresentou a cesta básica mais cara no mês,
com custo médio de R$ 193,90, uma elevação de 0,51% sobre
o valor verificado em maio.
Na segunda colocação
do ranking de maiores valores, ficou a cesta de São Paulo, com
custo médio de R$ 187,45, que significou alta de 1,36% sobre maio.
As cestas com menor custo foram
verificadas em João Pessoa (R$ 134,07), Fortaleza (R$ 136,85)
e Salvador (R$ 137,05). Também mereceram destaque, entre as altas,
os valores das cestas do Rio de Janeiro (R$ 173,33), Brasília
(R$ 171,31), Curitiba (R$ 170,94) e Belo Horizonte (R$ 165,82).
No primeiro semestre de
2007, cinco capitais apresentam recuo no custo dos gêneros alimentícios
essenciais. As quedas foram apuradas em Belo Horizonte (-3,31), Belém
(-1,43%), Natal (-1,07%), Florianópolis (-0,53%) e Brasília
(-0,31%). Dentre as localidades onde ocorreu alta no custo da cesta,
os destaques foram Recife (4,88%), Porto Alegre (4,12%) e Vitória
(4,08%). Em São Paulo, houve alta de 2,97% e, no Rio de Janeiro,
aumento de 1,13%.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 05 de julho de 2007 | Economia
Indicadores mostram recuperação
da indústria, aponta CNI
Horas trabalhadas na produção
crescem pelo quarto mês consecutivo em maio
Renata Veríssimo, da Agência
Estado
BRASÍLIA - Os indicadores industriais do mês de maio divulgados
nesta terça-feira, 3, pela Confederação Nacional da Indústria
(CNI) apontam para a continuidade do processo de recuperação
da atividade industrial. As horas trabalhadas na produção, indicador
mais diretamente atrelado à produção física, cresceram
pelo quarto mês consecutivo. Na comparação com abril, a
alta foi de 1,1% e, em relação a maio do ano passado, de 4,1%.
No acumulado janeiro a maio, as horas trabalhadas na produção
registram uma elevação de 3,6%.
Por outro lado, as vendas reais
da indústria, que apuram o faturamento das empresas, recuaram
0,5% em maio em relação a abril. Segundo a CNI, trata-se
da segunda queda consecutiva já que as vendas recuaram 2,4% em
abril. Na comparação com maio de 2006, as vendas subiram
0,9% e acumulam uma alta de 4% nos cinco primeiros meses do ano.
O emprego industrial registrou
alta de 0,5% ante abril e de 3,5% em relação a maio de
2006. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, os postos de trabalho
aumentaram em 3,4%.
As remunerações
pagas pela indústria tiveram uma alta de 2,7% em maio ante o mesmo
mês de 2006, e acumulam alta de 5,5% no ano. Neste indicador, a
CNI não produz o índice dessazonalizado em relação
ao mês anterior.
Capacidade instalada
A utilização da capacidade instalada da indústria no mês
de maio se manteve praticamente estável em termos dessazonalizados.
O indicador em maio foi de 82,7%, ante 82,5% em abril. Em maio do ano passado,
a capacidade instalada estava em 80,8%.
Segundo a CNI, o comportamento
do uso da capacidade instalada mantém a heterogeneidade entre
os setores da indústria. Os que apresentam maior avanço
em relação a maio do ano passado foram artigos de borracha
e plásticos, couros e calçados e máquinas e equipamentos.
Por outro lado, seis setores
estão operando abaixo da capacidade instalada registrada em maio
de 2006. As maiores quedas ocorreram nos setores de material eletrônico
e coque e refino de petróleo e álcool.
Câmbio
Segundo a CNI, a continuidade da valorização cambial em maio
impactou negativamente as vendas reais da indústria. De acordo com a
entidade, a valorização do real em todos os meses de 2007 até maio
reduziu a competitividade de alguns setores da indústria de transformação.
O documento mostra que, dos 19 setores englobados pela pesquisa, quatro apresentaram
queda nas vendas em maio em relação a abril e oito tiveram uma
redução nas vendas na comparação com maio de 2006.
A entidade destaca, porém,
que a valorização do real, colabora, por outro lado,
com um aumento das importações de máquinas e equipamentos
para a realização de investimentos do setor, possibilitando
a redução de gargalos na produção.
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JORNAL
GAZETA DO POVO, 04 de julho de 2007 | Paraná
Juiz reconhece erro e pede desculpas a trabalhador
Cancelada por causa do chinelo, audiência termina
em acordo
por MIGUEL PORTELA
Cascavel – De sapatos emprestados pelo sogro, camisa azul e calça
jeans, o trabalhador rural Joanir Pereira compareceu, ontem à tarde, à audiência
de conciliação presidida pelo juiz da 3.ª Vara de Trabalho
de Cascavel, Bento Luiz de Azambuja Moreira, o mesmo que no dia 13 de junho suspendeu
a sessão porque o trabalhador calçava chinelo de dedos. Ontem,
o magistrado reconheceu o erro e surpreendeu ao oferecer um par de sapatos usado
ao trabalhador, que recusou o presente. A conciliação terminou
em acordo.
Edson Mazzetto/Gazeta do Povo

Joanir Pereira recusou sapato oferecido pelo magistrado
A sessão estava marcada para 16 horas no Fórum Trabalhista de Cascavel,
mas só começou 55 minutos depois. Nervoso, Pereira disse que quase
não dormiu à noite por causa da audiência. Para evitar um
novo constrangimento, ele decidiu mudar o visual e vestiu a sua melhor roupa.
O chinelo de dedos, motivo da polêmica passada, Pereira deixou em casa. “O
meu sogro emprestou o par de sapatos. Ficou um pouco apertado, mas achei melhor
usá-lo”, disse o trabalhador, que está desempregado – ele
mora com a mulher e mais dois filhos.
Acompanhado do advogado Marcelo Picolli, o trabalhador
movia uma ação trabalhista contra a empresa Bresolin Madeira
no valor de aproximadamente R$ 10 mil. O encontro foi cercado de expectativa,
uma vez que o advogado solicitou a suspensão do juiz Bento Moreira no
caso, o que não aconteceu. Depois de 40 minutos, a sessão foi
encerrada com um acordo entre as partes. O trabalhador rural aceitou receber
R$ 1,8 mil. “Vou comprar algumas coisinhas para a casa e um par de sapatos”,
disse Pereira ao sair da audiência.
O juiz disse que tomou a decisão
de presentear o trabalhador com um par de sapatos porque havia prometido na
audiência anterior que, caso o reclamante provasse que não tinha
um par de sapatos, iria presenteá-lo com o calçado. “Não
tive a intenção de desrespeitá-lo”, afirmou Moreira.
Para cancelar a audiência no mês passado, juiz considerou que o
chinelo era “incompatível com a dignidade do Poder Judiciário” e
marcou uma nova data para a audiência.
A decisão do juiz provocou
reação de várias entidades, como o Tribunal Regional
do Trabalho do Paraná, a Ordem dos Advogados do Brasil e a Associação
Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho, que condenaram a
atitude do juiz. Moreira afirmou que pediu desculpas a Pereira durante a
audiência de ontem. “Reconheci que houve um equívoco da
minha parte. Agi com excesso de zelo”, declarou. O advogado do trabalhador
promete mover uma ação judicial contra o Estado pelo que ele
considera um “ato discriminatório” por parte do juiz trabalhista
durante o primeiro encontro.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
04 de julho de 2007
STJ suspende decisão que impede
cobrança de assinatura básica de telefonia fixa
O presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), ministro Raphael
de Barros Monteiro, atendeu pedido da Brasil Telecom e suspendeu a decisão
do TJ-RS (Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul) que considerou ilegal
a cobrança de assinatura mensal no serviço de telefonia fixa.
A empresa recorreu ao STJ, pedindo
a suspensão do acórdão favorável aos consumidores
Danilo Munchen, José Carlitos Meinerz e Lídio Baungartner.
Segundo alegou, a manutenção da decisão poderia
causar grave lesão à ordem e à economia públicas.
O mérito da questão
já está sendo discutido pela 1ª Seção
do STJ (Superior Tribunal de Justiça), no Recurso Especial 911802
da Brasil Telecom. Nele, a empresa tenta reverter decisão do TJ-RS
favorável a uma consumidora.
Até agora, o relator,
ministro José Delgado, e o ministro João Otávio
de Noronha votaram pela legalidade da cobrança de assinatura básica
para telefones fixos. Em seguida, o ministro Herman Benjamin pediu vista.
Aguardam para votar os ministros
Luiz Fux, Teori Albino Zavascki, Castro Meira, Denise Arruda e Humberto
Martins. O presidente da Seção, ministro Francisco Falcão,
somente votará em caso de empate.
Decisão
atual
Ao atender ao pedido da Brasil Telecom, o presidente do STJ considerou que é inegável
o potencial de dano à economia pública. “O impedimento
da cobrança da tarifa de assinatura básica residencial é suscetível
de ocasionar o desequilíbrio econômico-financeiro do contrato
firmado entre o usuário e a concessionária e entre esta e o poder
concedente”, observou.
O ministro observou que a falta
de contraprestação financeira ao serviço posto à disposição
do consumidor poderia comprometer todo o sistema de telefonia, abrangendo
a sua manutenção, adequação e eficiência,
diante da falta de investimentos no setor. O presidente ressaltou que
o sistema de telefonia não se sustenta apenas com o pagamento
das ligações telefônicas realizadas pelos usuários.
Para o ministro Barros Monteiro,
não poderia ser esquecido, também, o efeito multiplicador
das ações ajuizadas com o mesmo objetivo, pois já há milhares
de processos discutindo a legalidade da cobrança, principalmente
no Rio Grande do Sul. O presidente revelou, ainda, que quase duzentos
pedidos de suspensão foram apresentados simultaneamente.
Considerando o risco de
dano inverso à população caso haja má prestação
de serviços por falta de investimentos, o ministro suspendeu
a decisão do TJ-RS. “O não-pagamento da tarifa
básica residencial relaciona-se à operacionalidade do
sistema, aspecto este que deve ser preservado no interesse dos próprios
usuários e da população em geral”, concluiu
Barros Monteiro. Foram deferidos mais de 80 pedidos de suspensão
tratando do mesmo assunto.
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CONSULTOR JURÍDICO,
04 de julho de 2007
Responsabilidade transferida
Quem se beneficia de trabalho é responsável
por encargos
Não é necessário ser o empregador, basta ser beneficiário
dos serviços do trabalhador para que uma pessoa, física ou jurídica,
assuma os encargos trabalhistas a ele devidos. A decisão é da
8ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (MG),
que determinou ao Iate Tênis Clube de Belo Horizonte a arcar com as despesas,
caso o real empregador, um restaurante, deixe de pagá-las.
Para a juíza convocada
Maria Cecília Alves Pinto, a responsabilidade do clube não
está no fato de ser empregador, mas de ser beneficiário
dos serviços do garçom. Este trabalhava em um restaurante
dentro do clube, explorado por terceiros, por um contrato de concessão.
“O clube optou por conceder
a exploração do restaurante a terceiros, para a sua mesma
finalidade econômica principal, que é oferecer lazer e diversão
aos seus associados, assumindo a responsabilidade pela terceirização
da atividade”, afirmou.
Ficou constatada, ainda,
a intervenção do clube nos negócios do restaurante.
O contrato garantia ao primeiro "fiscalizar a qualquer tempo o
movimento da concessionária, examinar e exigir documentos",
além de receber 10% sobre a receita bruta do restaurante sobre
todas as vendas realizadas. O clube também interferia no perfil
dos profissionais contratados para o restaurante, no horário
de funcionamento e até na tabela de preços, que deveria
ser submetida à aprovação da diretoria.
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ÂMBITO JURÍDICO,
04 de julho de 2007
TST rejeita agravo de clínica
oftalmológica contra equiparação salarial
A Quinta Turma do Tribunal Superior do Trabalho negou provimento a agravo interposto
pela clínica Oftalmo-Laser de Brasília contra decisão
que a condenou ao pagamento de diferenças salariais decorrentes da equiparação
de uma empregada contratada como recepcionista, mas que atuava como assistente
oftalmológica. A Turma entendeu que a decisão das instâncias
inferiores se basearam na valoração da prova oral fornecida por
várias testemunhas, e que entendimento em sentido diferente exigiria
o reexame das provas, vedado pela jurisprudência do TST.
A empregada foi contratada pelo
Instituto de Olhos Canrobert Oliveira, empresa do mesmo grupo econômico
da Oftalmo-Laser, como recepcionista, em 1996. Em 1999, afirmou ter sido
promovida a assistente de oftalmologia. Como o Instituto não tinha
em seu plano de cargos e salários essa função e
estava mudando sua razão social, demitiu a empregada e readmitiu-a
para trabalhar na nova função – mas, segundo consta
da inicial, o registro na carteira de trabalho foi feito como recepcionista,
e o salário equivalia ao de supervisora de recepção,
embora, na prática, exercesse a função de assistente
de oftalmologia.
A clínica, na contestação,
afirmou apenas que a empregada exercia esporadicamente outras funções – entre
elas a de assistente de oftalmologia - mas, ao longo do contrato de trabalho, “nunca
se opôs a exercer funções diversas, ocorrência
muito natural nos serviços de hospital”. O pedido de equiparação
era incabível, na ótica da empresa, porque a função
pretendida exige um conhecimento técnico que a empregada não
tinha, e não poderia prová-lo.
O juiz da 7ª Vara do Trabalho
de Brasília (DF) ouviu diversas testemunhas de ambos os lados
e concluiu que a empregada tinha razão, condenando a Oftalmo-Laser
a pagar as diferenças salariais em relação à paradigma,
e seus reflexos. Inconformada, a clínica interpôs recurso
ordinário ao TRT, alegando que a sentença “se ateve
a decidir considerando tão somente os indícios probantes
colhidos nos frágeis e contraditórios depoimentos testemunhais”,
e apontando supostas contradições entre os depoimentos.
O TRT/DF manteve a sentença
quanto à equiparação salarial, sob o entendimento
de que caberia à empresa o ônus de provar o fato impeditivo,
extintivo ou modificativo da equiparação salarial. De acordo
com a decisão regional, a clínica não comprovou
a distinção e perfeição técnica entre
o trabalho da empregada e da paradigma, ao mesmo tempo em que se constataram
os pressupostos de identidade funcional, mesma localidade de trabalho
e diferença de tempo de serviço inferior a dois anos, caracterizadores
da equiparação. O TRT/DF negou seguimento ao recurso de
revista da Oftalmo-Laser.
No agravo de instrumento interposto
no TST, a clínica alegou a negativa de prestação
jurisdicional por parte do TRT, que não teria, no seu entendimento,
se manifestado sobre os requisitos necessários à equiparação,
e questionou o ônus da prova. O relator, juiz convocado Walmir
de Oliveira Costa, destacou que o TRT, tanto no julgamento do recurso
ordinário quando no de embargos de declaração, “manifestou-se
de forma explícita e analítica acerca de todos os requisitos
previstos no artigo 461 da CLT para o reconhecimento da existência
de equiparação salarial, especialmente quanto à perfeição
técnica e igualdade de produtividade entre a modelo e a equiparanda”.
Citando trechos do acórdão,
o relator assinalou que três testemunhas afirmaram que a empregada
exercia a mesma função da paradigma. Nos embargos declaratórios,
o TRT/DF registrou ainda ter sido “cabalmente demonstrado que a
empregada tinha produtividade maior que a paradigma e com igual perfeição
técnica, já que atendia não somente a dois médicos,
como aquela, mas a vários outros”.
Para o juiz Walmir, a clínica, “ao
insistir nesse tipo de argüição, totalmente desfundamentada,
adota conduta atentatória à dignidade da Justiça
e ao conteúdo ético da relação jurídica
processual, que raia a litigância de má-fé.” Quanto
ao ônus da prova, o relator concluiu que, uma vez que o TRT/DF
entendeu se baseou na prova oral para manter a sentença, “não
se admite recurso de revista amparado em pressuposto fático diverso
do revelado pelos juízos ordinários, cuja constatação
dependa do reexame do conjunto fático-probatório, a teor
do que dispõe da Súmula nº 126 do TST.” (AIRR
380/2004-007-10-40.9)
(Carmem Feijó)
Fonte: TST

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