 |
Agência Camara, 7 de julho de 2007
Câmara aprova regras para acelerar
processos trabalhistas
A Comissão de Constituição e Justiça e de
Cidadania (CCJ) aprovou na quarta-feira (4), em caráter conclusivo,
o Projeto de Lei 4731/04, do Poder Executivo, que permite a empresas
ou pessoas físicas oferecer como penhora, nos recursos contra
a execução de dívida trabalhista, bens de valor
inferior ao cobrado. No entanto, o executado não poderá ter
outros bens além dos indicados para penhora. O objetivo é acelerar
o pagamento de dívidas trabalhistas. A proposta segue para análise
no Senado.
O projeto altera a Consolidação das Leis do
Trabalho (CLT). Atualmente, quem for condenado em processo
trabalhista terá o prazo de 48 horas para pagar o
débito ou questioná-lo por meio de um recurso
(embargo). Neste último caso, deverá antes
efetuar o depósito do valor cobrado, atualizado e
acrescido das despesas processuais, ou indicar bens de valor
equivalente a esse montante.
Multa
O problema é se o réu - normalmente as empresas - não
tiver dinheiro ou bens suficientes para ajuizar os embargos dentro
do prazo legal, impossibilitando questionamento posterior. O processo
de execução prosseguirá e todos os bens do réu
que forem encontrados serão expropriados e leiloados, e o valor
repassado ao autor da ação.
Os devedores nessa situação ocultam seus bens
e, no caso de empresas, muitas fecham as portas para fugir
da cobrança. Dessa forma, o processo fica paralisado,
alguns por vários anos, até o arquivamento.
Nos termos do projeto aprovado, os embargos poderão
ser apresentados desde que haja o depósito ou penhora
prévia ao valor integral do débito ou ainda
se o valor for inferior e o devedor não tiver outros
bens.
Para evitar fraudes, o projeto determina que, se o devedor
nomear bens em valor insuficiente e ficar demonstrada depois
a existência de outros pertences, ele será punido
com multa de 10% a 20% do valor atualizado do débito,
sem prejuízo de outras sanções.
Reforma do Judiciário
A votação seguiu o parecer do relator, deputado Mendes
Ribeiro Filho (PMDB-RS). Ele rejeitou duas emendas apresentadas na
comissão por entender que elas alteravam o mérito do
projeto, o que não é competência da CCJ nesse caso.
Ribeiro Filho ressalta que a proposta faz parte do Pacto
de Estado em Favor de um Judiciário Mais Rápido
e Republicano, documento assinado pelos representantes dos
três poderes que abriga os principais projetos e as
diretrizes da reforma do Judiciário.
Para o relator, o texto proposto afasta as dúvidas
sobre a aplicação da ordem estabelecida no
Código de Processo Civil para a nomeação
de bens à penhora na execução trabalhista.
Além disso, a proposta permitirá que o executado
indique seus bens à penhora, ainda que os mesmos sejam
insuficientes para garantir a execução, sob
pena de perder o direito de impugná-la. "Dessa
forma, a proposta analisada tem como principal objetivo coibir
a atuação fraudulenta dos devedores perante
a Justiça do Trabalho", observou.
|
Agência Camara, 7
de julho de 2007
Comissão aprova fiscalização
sobre Fundo do FGTS
A Comissão de Fiscalização Financeira e Controle
aprovou a Proposta de Fiscalização e Controle (PFC) 2/07
sobre as atividades iniciais e operacionais do Fundo de Investimento
do FGTS (FI-FGTS), criado pela Medida Provisória 349/07, convertida
na Lei 11491/07. De autoria do deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP),
a proposta recebeu relatório prévio favorável do
deputado Humberto Souto (PPS-MG).
O relator destacou que a instituição do FI-FGTS
visa assegurar recursos para implementação
do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).
Por meio dessa medida, autoriza-se a utilização
de recursos do FGTS em investimentos nos setores energéticos,
rodoviários, ferroviários, portuários
e de saneamento, segundo diretrizes, critérios e condições
estabelecidas pelo Conselho Curador do FGTS.
Patrimônio
Souto afirmou que a investigação solicitada terá maior
efetividade se executada com o auxílio do Tribunal de Contas
da União (TCU) para examinar a regularidade da gestão
e controle dos recursos do FI-FGTS. Para ele, o TCU precisa se manifestar,
de modo conclusivo, sobre: o montante dos recursos disponíveis
para a constituição do fundo; os critérios e princípios
para a administração e gestão do fundo e dos investimentos;
o limite máximo de participação dos recursos do
fundo por empreendimento; a forma de deliberação, do
funcionamento e da composição dos órgãos
gestores do fundo; e os demais procedimentos operacionais.
O autor da PFC lembrou que "o FGTS é patrimônio
dos trabalhadores brasileiros, pois se destina a oferecer
uma espécie de seguro social ao trabalhador, nas hipóteses
de perda de emprego ou de sua aposentadoria ao final de uma
vida operosa". Mendes Thame destacou que, por seu custo
baixo, esses recursos são aplicados em projetos de
interesse público e social, submetidos a um conjunto
de garantias formais e financeiras, para impedir a dilapidação
desse pecúlio.
Relevância
Para o autor, "a aplicação e gestão do FGTS
deve ocorrer dentro de padrões rigorosos de controle e de segurança
do retorno das aplicações". Ele lembrou as críticas
veiculadas logo após a decisão do governo sobre o fundo,
entre elas "o repúdio à utilização
de medidas provisórias, que inibem a discussão parlamentar
da norma legal".
O deputado destacou ainda que, "se houver relevância,
não há justificativa para prescindir da colaboração
do Congresso Nacional na produção da norma
legal". Ele afirmou, entretanto, em relação à urgência
exigida para medidas provisórias, não ter identificado "qualquer
premência em lançar mão de recursos sob
custódia do Poder Executivo mas que têm sua
destinação rigidamente estabelecida em norma
legal".
|
Nova Central, 7 de julho
de 2007
Uso do FGTS para abater parcela da
casa própria é ampliado
Em sua reunião ontem, o Conselho Curador do FGTS (Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço) ampliou os limites para que mutuários
do SFH (Sistema Financeiro da Habitação) possam abater
o valor das parcelas da casa própria.
Agora, quem tem renda de até seis salários mínimos
(hoje R$ 2.280) pode abater até 80% do valor das prestações
com o uso do FGTS. Pela regra anterior, só os mutuários
com renda de até quatro mínimos (R$ 1.520) tinham direito
de fazer o abatimento usando esse percentual mais alto.
Na tabela que foi aprovada ontem pelo conselho, quem ganha entre seis
e 12 mínimos (R$ 4.560) pode ter desconto de 60% na parcela se
usar o fundo. Mutuários com renda maior podem abater até 40%
da prestação mensal.
O conselho também autorizou que trabalhadores beneficiados pelo
PAR (Programa de Arrendamento Residencial) utilizem o saldo de seu FGTS
para pagar parte de sua casa.
O FGTS poderá ser usado para amortização
do saldo devedor, redução das prestações
e pagamento total do imóvel.
As medidas valem após a publicação
no "Diário Oficial".
|
Congresso em Foco, 7 de
julho de 2007
Projeto que beneficia milhões
de pessoas está parado na Câmara
Por que parou?
Câmara deixa na geladeira projeto que permite a trabalhador com
mais de 45 anos sacar cotas do PIS/Pasep quando ficar desempregado
Carol Ferrare
Faz 11 meses que o Projeto de Lei Complementar 374/06,
aprovado pelo Senado em agosto de 2006, está parado
no Departamento de Comissões da Câmara. Se aprovada,
a proposta garantirá aos 37 milhões de brasileiros
que têm cotas do Fundo de Participação
do PIS/Pasep o direito de, caso percam o emprego, sacarem
sua parcela dos R$ 32 bilhões hoje depositados. O
saque, porém, somente será possível
se o trabalhador tiver mais de 45 anos (uma das faixas etárias
mais sujeitas ao desemprego).
Anualmente, os cotistas do fundo recebem remuneração
equivalente ao rendimento anual do montante de sua conta
no PIS/Pasep. Não podem, contudo, dispor de sua parte
no bolo. De acordo com a legislação em vigor,
o dinheiro pode ser sacado apenas em oito situações:
aposentadoria; transferência de militar para a reserva
remunerada ou reforma; invalidez; contaminação
por HIV; câncer; e, ainda, se o cotista tiver mais
de 70 anos; tiver direito a benefício assistencial
como idoso ou deficiente; ou morrer, caso em que os dependentes
recebem o dinheiro.
“Tal impedimento é um verdadeiro contra-senso.
Afinal, tendo em vista estes tempos de elevadíssimas
taxas de desocupação, não há justificativa
para que o trabalhador, encontrando-se na difícil
e muitas vezes desesperadora situação de desempregado
não possa utilizar os recursos que lhe pertencem”,
argumentou o autor do projeto, o ex-senador Ney Suassuna
(PMDB-PB), ao apresentar a proposta.
O projeto do ex-senador estabelece que os critérios
para fazer o saque ficarão a cargo do Conselho Deliberativo
do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Mas o órgão
deverá respeitar a regra geral (beneficiando cotistas
com mais de 45 anos que perderem involuntariamente o emprego)
e priorizar o atendimento ao “trabalhador de baixa
renda que mais necessite de recurso”. Conforme o projeto,
o saque não poderá ser permitido a quem já estiver
recebendo seguro-desemprego ou tiver ocupação
informal.
Tramitação
Por uma falha de tramitação, a proposta chegou à Câmara
inicialmente com o número errado: o Projeto de Lei
7411/2006. Dez dias depois de o texto ter sido encaminhado à Mesa
Diretora da Casa, esse primeiro PL foi arquivado e a proposta
foi reencaminhada pelo Senado como o Projeto de Lei Complementar
(PLP) 374/2006.
De acordo com determinação da Mesa, o PLP,
que tramita em regime de prioridade, precisa ser analisado
pelas comissões de Trabalho, Administração
e Serviço Público e de Constituição
e Justiça e de Cidadania antes de ser remetido ao
plenário. O despacho data do dia 11 de agosto de 2006,
mas até hoje a tramitação não
foi iniciada.
Por ser de autoria do Senado, a proposta não é arquivada
ao fim de uma legislatura e tem prioridade em relação
a proposições da Câmara. Ou seja, a tramitação
deveria ter seguido normalmente mesmo na passagem de janeiro
para fevereiro. Não foi o que aconteceu e, com a estagnação
do projeto, outras 33 propostas apensadas a ele também
estão paradas.
“Conseguir fazer com que os projetos andem é um
grande problema. Com isso de as propostas que vêm do
Senado terem prioridade sobre as da Câmara que tratam
do mesmo tema, os textos dos deputados já não
andam. Quando os que vêm do Senado ficam parados então...”,
queixa-se o deputado Pedro Fernandes (PTB-MA), autor do PL
69/99, apensado ao PLP 364/06. A proposta de Fernandes estende
o direito de sacar a cota do fundo a quem aderir a programas
de demissão voluntária.
Fundo
O dinheiro do PIS/Pasep pertence aos trabalhadores cadastrados
no Programa de Integração Social (PIS) ou no
Programa de Formação do Patrimônio do
Servidor (Pasep) até 5 de outubro de 1988. A partir
dessa data, o PIS/Pasep tornou-se uma contribuição
social depositada pelas empresas diretamente no FAT, que
financia o seguro-desemprego.
Uma parte do dinheiro – cerca de 10% – é aplicado
pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) no
Fundo de Participação Social e rendeu, nos últimos
cinco anos, 42.4%. Os outros 90% financiam ações
do BNDES. Entre elas, empréstimos para incremento
de capital de giro, empreendimentos industriais, obras de
infra-estrutura e projetos agrícolas. O rendimento
dessa parte do montante costuma ser mais baixo.
Ao mesmo tempo em que beneficia trabalhadores, o projeto
de Suassuna não põe em risco o fluxo de recursos
para investimentos do BNDES. “Não se pode esquecer
que o patrimônio do Fundo de Participação
Social tem sido primordial nos financiamentos do BNDES a
projetos de longo prazo essenciais para o desenvolvimento
econômico do Brasil Assim, há que haver cautela,
a fim de evitar que a opção de saque proposta
descapitalize o patrimônio do fundo”, pondera
o ex-senador.
|
Diário Vermelho,
7 de julho de 2007
Clima e etanol aceleram aproximação
entre Brasil e UE
O Brasil e a União Européia (UE) juntaram forças
nesta quinta-feira (5) na proteção do clima e para criar
um mercado internacional de biocombustível sustentável,
que assegure produção com padrões ambientais e
sociais. Sob aplausos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
reiterou na primeira conferência internacional de biocombustíveis,
realizada em Bruxelas, que o produto deve ter um lugar central numa
estratégia planetária de preservação do
meio ambiente.

Lula defende na Europa as vantagens
do biocombustível
Para o presidente, o etanol e o biodiesel ajudarão a reduzir
o fosso entre países ricos e pobres ao proporcionar que mais
de cem países passem a ser produtores, comparado a apenas 20
nações que hoje produzem petróleo, a principal
commodity global.
" Vamos trabalhar com o Brasil no setor de biocombustível
e em toda agenda em geral de proteção do
clima", afirmou o presidente da Comissão Européia,
José Durão Barroso. "Há alguns
riscos associados ao produto e por isso foi muito importante
ouvir o presidente Lula mostrar que está comprometido
com biocombustíveis que sejam sustentáveis
e bem aceitos do ponto de vista ambiental e social".
Visão global
A mensagem de Lula em Bruxelas foi de que os biocombustíveis
sejam vistos globalmente. Insistiu que as pessoas querem
sair da dependência em relação ao petróleo,
mas com solução nacional. Os Estados Unidos
resolveram produzir etanol a partir de milho, com subsídios
que chegam a US$ 4,5 bilhões. Cada país está tentando
encontrar uma saída nacional e é isso que
cria o dilema entre alimentos e energia.
Para Marcos Jank, presidente da Unica, entidade da indústria
de cana-de-açúcar em São Paulo, o
presidente Lula está correto. "Abordar o produto
globalmente, e não sob a ótica de seu produtor
nacional, mostrará que as melhores plantas estão
na zona tropical. Sempre haverá vantagem comparativa
nos trópicos porque a cana-de-açúcar é melhor
do que a milho e beterraba, e palma é melhor que
a colza. Quando se puder fazer álcool de celulose,
o Brasil vai usar o bagaço da cana."
Para criar o mercado mundial, é preciso definir
padrões, as características básicas
do biocombustível. As discussões, principalmente
entre os países com mais produção
e consumo – EUA, UE e Brasil – estão
avançadas. "O que não pode acontecer é os
EUA terem um padrão e a Europa outro", diz
Jank. "Se a Europa aceitar 0,2% de água no álcool
anidro e os EUA, 0,5%, essa diferença pode ser importante
e pode não ter a commodity."
A questão sobre a certificação de
como o etanol é produzido é mais complicada.
Jank destaca que o grande problema do etanol nos Estados
Unidos é tarifa. Os americanos não demonstram
boa vontade em discutir com o Brasil para dar acesso ao
produto. A Europa é diferente, pois precisa importar óleo
vegetal e etanol. Ocorre que os europeus querem condicionar
a importação com padrão ambientalmente
correto. É onde entra sua própria noção
de certificação, que poderá incluir
questões como desmatamento, agroquímicos
etc.
Iniciativa brasileira
Em Bruxelas, o presidente Lula deixou claro que o Brasil
quer estar no centro do debate e anunciou sua própria
iniciativa, que será coordenada pelo Inmetro. "O
setor da cana-de-açúcar não tem nenhum
temor de discutir, o que não queremos é que
sejam impostas como barreiras não tarifárias",
afirmou Jank. "O grande risco é que seja criada
uma certificação ambiental (na UE) para defender
o produto deles. Hoje, não tem certificação
para petróleo, mas querem para biocombustível,
porque tem lobbies importantes."
Durante o encontro, o ministro de Comércio da
Suécia, Sten Tolgfors, declarou-se convencido de
que, para se criar o mercado global para biocombustíveis,
os países devem desmantelar barreiras ao produto.
E conclamou imediatamente a UE a dar exemplo, abolindo
as tarifas na importação de produtos como
o etanol. Ele destacou que o etanol produzido no Brasil
custa a metade do etanol europeu, a partir de cana-de-açúcar
que é mais eficiente na redução de
emissões de gases. Fonte: Valor Econômico
|
Agência CUT, 7 de
julho de 2007
Patrimônio e contabilidade do
FGTS serão discutidos em audiência pública
A Comissão de Assunto Sociais do Senado aprovou nesta semana um
pedido de audiência pública para discutir no colegiado o
patrimônio e a contabilidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS).
O requerimento que solicita a audiência foi apresentado
pelos senadores Marcelo Crivella (PRB/RJ) e Paulo Paim (PT/RS)
e serão convidados para discutir o assunto o ministro
do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, e a presidente da Caixa
Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho.A data
da audiência ainda será agendada.
|
STJ, 7 de julho de 2007
DECISÃO
Justiça comum vai julgar
ação de trabalhador que perdeu 95% da visão
em acidente no trabalho
Será julgada pelo juiz de Direito da 2ª Vara Cível
de Catanduva, em São Paulo, a ação de indenização
por danos morais e materiais proposta contra a empresa Agrocitrus Ltda..
por Sebastião Aparecido Bartolomeu, que teria perdido 95% da visão
em acidente com roçadeira conduzida por funcionário da
empresa. A Segunda Seção, por unanimidade, julgou não
se tratar de relação de trabalho, mas caso de natureza
civil.
O autor da ação foi contratado por empresa
de terraplenagem e designado para a construção
de um açude na Fazenda Vale Verde, de propriedade
da Agrocitrus, localizada em Comendador Gomes, Minas Gerais.
Em 1994, foi atingido no rosto por uma pedra arremessada
por uma roçadeira conduzida por um funcionário
da empresa, a qual não estava equipada com equipamentos
de segurança (grades de proteção ou
correntes para impedir o lançamento de objetos).
No pedido de indenização, o trabalhador alegou
que, em conseqüência do acidente, teve traumatismo
contuso em globo ocular esquerdo, com posterior evolução
de catarata traumática e perda de 95% da visão.
Após examinar o caso, o juiz de Direito da 2ª Vara
Cível de Catanduva alegou incompetência da Justiça
comum para o julgamento do caso, pois se trataria de relação
de trabalho.
O juiz da 1ª Vara do Trabalho de Catanduva, no entanto,
entendeu que o pedido de indenização é de
natureza civil. “O autor não propôs ação
contra seu empregador, mas contra o dono da obra, que não
fez parte da relação de emprego”, considerou.
O conflito de competência veio para o STJ.
A Segunda Seção, por unanimidade, declarou
a competência da Justiça comum. “Ausente
a relação de trabalho entre as partes, ressai,
da nítida feição de natureza civil a
demarcar o pleito de indenização por danos
morais e materiais advindos de acidente decorrente de culpa
atribuída a preposto da ré, a imposição
de que seja processada e julgada a respectiva ação
na Justiça estadual”, observou a relatora do
caso, ministra Nancy Andrighi.
|
Gazeta do Povo, 7 de julho
de 2007
BRASIL | PESQUISA
Governo Lula tem 50% de aprovação
61% dos eleitores confiam no presidente brasileiro,
diz Ibope
Confira mais dados da pesquisa:
São Paulo – A crise nos aeroportos, a violência
urbana ou os episódios envolvendo o irmão do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva em nada afetaram seu prestígio
ou o de seu governo, revela a nova pesquisa CNI/Ibope, divulgada ontem.
O total de eleitores que consideram “ótimo” ou “bom” o
governo chega a 50%, ante 49% registrado na pesquisa anterior, realizada
em abril. Dezesseis por cento acham o presidente “ruim” ou “péssimo”.
Confiam no presidente 61%, enquanto 35% não confiam. E saltou
de 30% para 37%, entre abril e junho, o total dos eleitores que acreditam
que o segundo mandato de Lula será melhor do que o primeiro.
A pesquisa mostra, ainda, que para 76% dos brasileiros o ano de 2007
está sendo “bom” ou “muito bom”. O Ibope
ouviu 2.002 eleitores de 140 cidades, entre os dias 28 de junho e 1.º de
julho. A margem de erro é de 2 pontos porcentuais.
A avaliação positiva é observada
em todos os extratos analisados. Os índices favoráveis
ao governo caíram um pouco – quase sempre
dentro da margem de erro – nas faixas de maior escolaridade
e renda, na Região Sul e entre eleitores mais jovens
e mulheres. Os números subiram, porém, na
comparação com a pesquisa de abril, nas faixas
de menor renda, entre os homens e no Sudeste e no Centro-Oeste.
Assim, chegam a 65% os eleitores que ganham até um
salário mínimo e consideram o governo “ótimo” ou “bom”.
Não passam de 3%, na mesma faixa, os que o acham “ruim” ou “péssimo”.
O apoio a Lula continua maior nos pequenos municípios
(63% de “ótimo” e “bom” em
cidades de até 20 mil habitantes). No seu conjunto,
essas taxas de avaliação positiva do governo
e do presidente, 50% e 61%, são melhores do que
as do segundo trimestre dos últimos quatro anos.
Como observa o cientista político Rogério
Schmidt, da Tendências Consultoria, esses índices
eram de 43% e 70% em 2003; de 34% e 51% em 2004; de 35%
e 55% em 2005; e de 44% e 60% em 2006.
Lulismo seria a razão da
performance
Para o professor e cientista político Fábio Wanderley
Reis, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), os índices
positivos registrados não apenas pela administração
federal, mas também por Lula, são resultado do “fenômeno
do lulismo” no país.
“Desde o primeiro mandato, Lula vem resistindo,
galhardamente, aos escândalos que envolvem aliados
de seu governo”, destacou. Para ele, a gestão
mantêm-se em alta sobretudo em função
dos bons índices registrados na economia. “Podemos
dizer que, além do carisma e da imagem popular do
presidente, o fenômeno do lulismo sobrepõe-se
ao noticiário negativo porque a economia vai muito
bem, o que faz o presidente Lula ser bem avaliado até por
aqueles que, usualmente, não teriam essa disposição”,
destacou.
|
Gazeta do Povo, 7 de julho
de 2007
ECONOMIA | IMPOSTO DE RENDA
Consulta ao 2.º lote sai
segunda
Receita vai liberar mais de
850 mil declarações; 735 mil terão restituição
São Paulo – A Receita Federal libera às
8 horas de segunda-feira a consulta ao segundo lote de
restituições do Imposto de Renda deste ano.
Para saber se teve a declaração liberada,
o contribuinte pode acessar o site www.receita.fazenda.gov.br
ou ligar para 0300-789-0300.
O segundo lote vai liberar 851,93 mil declarações,
sendo que 735,45 mil são de contribuintes com direito
a restituição. O dinheiro estará disponível
para saque no dia 16 e virá corrigido em 2,94%.
Outras 63,36 mil declarações são de
contribuintes com imposto a pagar.
|
Gazeta do Povo, 7 de julho
de 2007
ECONOMIA | INDÚSTRIA 2
Projeto atende trabalhadores
Desenvolvido pelo Sesi, o Programa de Educação
do Trabalhador permite à indústria ofertar
ao funcionário o ensino fundamental e médio,
em aulas ministradas, normalmente, no próprio ambiente
de trabalho. A maioria dos participantes é formada
por industriários, mas o programa atende também
familiares dos trabalhadores e pessoas da comunidade.
|
Gazeta do Povo, 7 de julho
de 2007
MUNDO | GRANDES OBRAS
Novas maravilhas serão
conhecidas hoje
Divulgação

Cristo, a maravilha brasileira.
Rio de Janeiro – As sete novas maravilhas do mundo serão
conhecidas hoje, em Lisboa. O Cristo Redentor concorre com outras 19
atrações. A votação terminou às
21h de ontem. Em um ranking parcial divulgado no dia 7 de junho, o
Cristo estava entre os dez mais votados. Desde então a promotora
da concurso, a fundação The New 7 Wonders, não
tem mais divulgado a listagem. Ontem à tarde, a coordenação
da campanha brasileira anunciou que o Cristo estava em oitavo lugar.
A fundação não confirmou.
O resultado será conhecido às 19 h (horário
de Brasília). Concorrem ainda as ruínas da
Acrópoles (Grécia), as pirâmides de
Chichén Itzá (México), o Coliseu de
Roma (Itália), a torre Eiffel (França), a
Grande Muralha da China, Machu Picchu (Peru), a cidade
de Petra (Jordânia), as estátuas na Ilha da
Páscoa (Chile), o Taj Mahal (Índia), o Alhambra
(Espanha), Angkor (Camboja), a basílica de Santa
Sofia (Turquia), o templo de Kiyomizu (Japão), o
Kremlin (Rússia), o castelo de Neuschwanstein (Alemanha),
a estátua da Liberdade (EUA), Stonehenge (Reino
Unido), a Ópera de Sidney (Austrália) e Timbuktu
(Mali). As pirâmides de Gizé (Egito) não
estão na disputa – trata-se do único
remanescente das antigas sete maravilhas.
|
Folha de Londrina, 7 de
julho de 2007
SEU DIREITO
UNIÃO ESTÁVEL
Moro com meu marido, mas não somos casados no cartório.
Ele nunca foi casado ou teve filhos antes do nosso relacionamento. Ele
trabalha em uma empresa registrado. Como posso fazer para ser dependente
dele, ficar amparada pelo INSS e ter direito ao benefício de pensão
por morte, caso ele venha a falecer?
A legislação previdenciária estabelece
que a companheira é dependente do segurado e também
determina a forma de provar esta dependência. A lei
elenca um rol de documentos que servem como prova da dependência
do companheiro para com o segurado, tais como: a declaração
de IR do segurado constando o companheiro como dependente,
disposições testamentárias, anotações
na carteira de trabalho feita por órgão competente,
declaração feita pelo segurado perante o tabelião
e anotação constante na ficha de registro de
empregados. Estes documentos por si só servem de prova
da dependência.
Nos casos de impossibilidade da apresentação
dos documentos citados, a legislação previdenciária
elenca outros que podem ser considerados provas da dependência,
mas faz a ressalva de que nestes casos esses outros documentos
devem ser apresentados no conjunto de no mínimo de
três. São eles: prova do mesmo domicílio,
prova de nascimento de filho em comum, certidão de
casamento religioso, conta bancária conjunta, apólice
de seguro constando o segurado como instituidor e o dependente
como beneficiário, ficha de tratamento em instituição
de assistência médica que conste o segurado
como responsável do dependente, ou outros que possam
levar a convicção da dependência da companheira
(ou companheiro). Nestes casos a lei pode ainda determinar
a necessidade da prova documental ser complementada com prova
testemunhal.
As decisões dos tribunais são no sentido
de que, uma vez comprovado com prova documental e testemunhal
que a companheira dependia do segurado, há que se
conceder o benefício de pensão por morte ao
dependente.
No entanto, o STJ já decidiu que é devida
a pensão por morte à cônjuge dependente
nos casos de união estável, e que a dependência
econômica pode ser provada exclusivamente por meio
de prova testemunhal, sendo dispensável a prova documental
nestes casos.
Fábio Antonio da Silva Martin,
advogado
|
Folha de Londrina, 7 de
julho de 2007
Despesas com seguro-desemprego
aumentam 24,3%
Brasília- Apesar do crescimento recorde do emprego formal nos
cinco primeiros meses do ano, as despesas do governo com o pagamento
de seguro-desemprego aumentaram 24,3% no período. Segundo dados
do Ministério do Trabalho, de janeiro a maio foram gastos R$ 5,215
bilhões com a emissão de benefícios. Em 2006, foram
desembolsados R$ 4,195 bilhões em igual período.
As estatísticas do ministério também
apontam para um crescimento no número de trabalhadores
que foram atrás do seguro-desemprego. No ano passado,
2,714 milhões de pessoas ficaram desempregadas e pediram
o benefício entre janeiro e maio. Neste ano, o número é de
2,770 milhões de desempregados -alta de 2,06% na comparação
com 2006.
Um dos motivos para o crescimento da despesa foi o aumento
real concedido para o salário mínimo a partir
de abril deste ano. O piso salarial foi reajustado em 8,57%
- elevação real de mais de 5%. Isso influencia
os gastos com seguro-desemprego, pois a tabela com os valores
do benefício sofre o mesmo reajuste do mínimo.
O valor mínimo de cada parcela do seguro-desemprego
equivale ao piso salarial (R$ 380). O valor máximo
está em R$ 710,97. Para fazer o cálculo, o
Ministério do Trabalho usa como base o salário
mensal do último emprego do trabalhador. O número
de parcelas varia de três a cinco, dependendo do tempo
em que o trabalhador permaneceu empregado.
O diretor do Departamento de Emprego e Salário, Rodolfo
Torelly, diz que não há contradição
entre o aumento do emprego formal e o crescimento do seguro-desemprego.
Quanto maior o universo de trabalhadores com carteira assinada,
maior o contingente passível de receber o seguro,
afirma ele.
''O emprego formal teve um aumento de 900 mil postos. Mas
isso é o resultado de 5 milhões de contratações
mais 4,1 milhões de demissões. O ideal é que
ninguém perdesse o emprego'', afirma o diretor.
Ele acrescenta que o mercado de trabalho brasileiro é conhecido
por sua alta rotatividade. ''Em um grande número de
empresas os trabalhadores que ganham mais são demitidos
para haver contratação de pessoas com rendimentos
mais baixos'', diz Fábio Romão, economista
da LCA Consultores.
|
O Estado do Paraná,
7 de julho de 2007
Emprego formal teve crescimento de
5,6% em Curitiba
Foto: Ciciro Back

Nos últimos 12 meses foram criados 28.527 vagas de trabalho
na capital.
Curitiba registrou no acumulado dos últimos 12 meses (fevereiro
de 2006 a janeiro de 2007) um aumento de 5,67% no nível de empregos
formais. Neste período, foram criadas na capital 28.527 vagas
de trabalho, o que representa 6.684 empregos a mais do que o registrado
de fevereiro de 2005 a janeiro de 2006. O crescimento do número
de vagas em Curitiba foi superior ao porcentual alcançado pelo
Paraná, que foi de 4,97%.
O número de empregos criados em Curitiba representa 32,27%
do total das novas vagas de trabalho que surgiram em todo o Estado. “Isto
significa que praticamente um terço dos novos empregos paranaenses
concentraram-se em Curitiba”, diz Juraci Barbosa Sobrinho,
presidente da Companhia de Desenvolvimento de Curitiba.
No acumulado dos últimos 12 meses, o crescimento do emprego
ficou concentrado principalmente no setor de serviços, com
13.736 novas vagas. O comércio ficou em segundo lugar no
ranking, com 7.227 novos postos.
Juraci diz que os programas oferecidos pela Prefeitura de Curitiba
para promover o desenvolvimento empresarial e econômico da
cidade contribuem para o resultado positivo alcançado no
município. Ele destaca o Curitiba Tecnológica, mais
conhecido como ISS Tecnológico - programa que permite que
empresas prestadoras de serviço deduzam parte do Imposto
Sobre Serviços (ISS) para investir em projetos de pesquisa
e desenvolvimento científico e tecnológico - e o
Bom Negócio, que capacita empreendedores para a gestão
de negócios.
|
Folha de São Paulo,
7 de julho de 2007
Cresce remessa de lucros pela indústria
Empresas estrangeiras do setor enviaram às
matrizes US$ 3,6 bi de janeiro a maio, 65,8% a mais que no mesmo
período de 2006
Atividades de metalurgia e automobilística
lideram o ranking, com envios de US$ 1,465 bilhão nos cinco
primeiros meses do ano
CLÁUDIA TREVISAN
DA REPORTAGEM LOCAL
As empresas estrangeiras que atuam no setor industrial brasileiro
ampliaram em 65,8% o valor de lucros e dividendos que enviaram
ao exterior neste ano, enquanto encolheram as remessas das companhias
de serviços, justamente as que concentram a maior quantidade
de IED (Investimento Estrangeiro Direto) no país.
Os setores campeões no envio de lucros ao exterior foram o de
metalurgia básica, que inclui siderurgia, e o automotivo, que
deve ter recorde de vendas neste ano. Juntos, os dois segmentos responderam
por 27% das remessas até maio -o equivalente US$ 1,465 bilhão.
Apesar das queixas da indústria em relação à perda
de competitividade externa provocada pela valorização
do real, o setor tem registrado participação no envio
de lucros e dividendos bem superior à sua fatia no recebimento
de IED. Nos cinco primeiros meses do ano, a indústria remeteu
US$ 3,6 bilhões, o equivalente a 66,1% do total. No mesmo período,
o setor recebeu 37% dos US$ 10,68 bilhões de investimentos que
entraram no país (valores brutos, sem desconto dos investimentos
brasileiros realizados no exterior).
A mesma discrepância ocorreu no ano passado, quando o setor industrial
foi responsável por 52% das remessas, apesar de ter recebido
38,5% do IED que entrou no país. O segmento de serviços
ficou com 54,5% dos investimentos e 46% das remessas. O restante foi
ocupado por atividades agropecuárias e extrativistas.
Serviços
A principal explicação dos economistas para o grande
peso da indústria nas remessas é o fato de esses investimentos
serem mais antigos que os realizados no setor de serviços. Com
presença consolidada, são empresas que precisam reinvestir
menos para garantir sua presença no mercado, dizem.
" A participação estrangeira nos serviços é mais
recente, posterior às privatizações, e ainda está se
expandindo", observa Edgar Pereira, economista-chefe do Iedi (Instituto
de Estudos para o Desenvolvimento Industrial). A indústria automobilística,
por exemplo, começou a se instalar no Brasil há cinco décadas.
A de alimentos, que aumentou suas remessas em 100,4%, é outra com longa
presença no país.
Além disso, parte do investimento está concentrada em
setores que vêm apresentando boa rentabilidade, ressalta o economista
Antônio Corrêa de Lacerda, professor da PUC-SP (Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo). Se reduz a competitividade
dos produtos brasileiros no exterior, a valorização do
real também aumenta os lucros das empresas estrangeiras em dólares,
o que é outro fator de estímulo às remessas.
O economista Alexander Xavier, especializado em contas externas, diz
que houve um boom na remessa de lucros em 2006, com US$ 11,54 bilhões
enviados às matrizes pelas empresas estrangeiras instaladas
no país, uma alta de 27,3% em relação a 2005.
No período de janeiro a maio de 2007 houve novo aumento: as
remessas somaram US$ 5,45 bilhões, 24% acima do valor registrado
em igual período do ano passado. Esses valores excluem as operações
inferiores a US$ 1 milhão, que são desconsideradas pelo
Banco Central na divisão das operações por setores
da economia.
|
Folha de São Paulo,
7 de julho de 2007
Aposentado tira 210% mais do
FGTS
Aumento nas retiradas segue decisão
que permite saque a quem se aposentou, mas continua na ativa
Decisão do STF, em vigor desde
abril, eleva volume de saques para R$ 3,8 bilhões,
em um total de 548,9 mil operações no ano
LEANDRA PERES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Os saques feitos por aposentados nas contas do FGTS (Fundo
de Garantia do Tempo de Serviço) subiram 210% no
primeiro semestre deste ano quando comparados ao primeiro
semestre de 2006 e afetaram negativamente as contas do
fundo nesse período. O número de saques também
subiu bastante: 73% em relação ao primeiro
semestre de 2006, segundo dados da Caixa Econômica
Federal.
A explicação para essa aparente explosão é a
decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), vigorando desde abril,
que definiu que a aposentadoria não acaba obrigatoriamente com
o vínculo empregatício entre a empresa e o trabalhador.
Assim, quem recebe benefícios da Previdência Social mas
continua na mesma companhia onde trabalhava quando solicitou a aposentadoria
pode sacar o saldo existente na conta vinculada do FGTS, assim como
o valor depositado mensalmente pelo empregador.
Até o julgamento do STF, a aposentadoria era interpretada como
um pedido de demissão do trabalhador. Se fosse continuar empregado
no mesmo local, teria que ser recontratado e uma nova conta do FGTS
seria aberta. O trabalhador podia sacar o saldo depositado no fundo,
mas não os depósitos. Além disso, não havia
o pagamento da multa de 40% cobrada em casos de demissão sem
justa causa. A partir de agora, como o trabalhador continuará na
empresa mesmo aposentado, receberá a multa se for demitido e
o valor será obrigatoriamente calculado sobre todo os anos trabalhados.
" A regra anterior estimulava o trabalhador a adiar a aposentadoria porque
o salário na ativa poderia ser maior e também porque havia uma
esperança de ser demitido e receber a multa. O que aconteceu agora é que
os pedidos de aposentadoria que estavam represados estão sendo feitos",
explica Mário Avelino, presidente do IFF (Instituto FGTS Fácil),
uma ONG especializada em informações sobre o FGTS.
Entre janeiro e junho do ano passado, a Caixa Econômica Federal
liberou R$ 1,2 bilhão a trabalhadores aposentados que requisitaram
saques do FGTS. Neste ano, o valor chegou a R$ 3,8 bilhões.
Já o total de retiradas feitas saltou de 314.113 nos primeiros
seis meses do ano passado para 548.901 saques neste ano. O impacto
da decisão do STF sobre as contas do FGTS foi claramente sentido
nos meses de abril e maio, principalmente. Nos primeiros três
meses do ano, a arrecadação líquida do fundo,
que leva em conta as contribuições e os saques feitos,
foi sempre positiva.
Em abril, quando os saques por aposentadorias alcançaram o pico
-R$ 1,4 bilhão para 145 mil saques-, a diferença entre
pagamentos e receitas do FGTS foi de R$ 677 milhões. O resultado
negativo se repetiu em maio mas, em junho, o fundo já havia
voltado a operar no azul. O governo, responsável pela administração
do FGTS, estima que em cerca de seis meses o número de saques
e os valores pagos retornem aos padrões do início do
ano.
" Não há nenhum impacto de longo prazo sobre a saúde
econômica e financeira do FGTS. Esse é um efeito pontual e sazonal.
Com o tempo, as pessoas com idade de se aposentar terão feito seus pedidos
de saque e voltaremos à normalidade", diz o secretário-executivo
do Conselho Curador do FGTS, Paulo Furtado. Ele lembra que houve um movimento
semelhante de mais saques, embora em magnitude muito maior, em 1997, quando foi
feita a primeira reforma da Previdência. Na época, a arrecadação
líquida do FGTS foi negativa em R$ 703,5 milhões.
|