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Diário Vermelho,
8 de julho de 2007
Construção civil
receberá R$ 466 bi até 2011, diz BNDES
O setor da construção civil residencial
vai liderar o ranking dos investimentos no Brasil, com praticamente
metade do total nos próximos quatro anos, revela um
estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento e Social (BNDES).
Do total de R$ 1 trilhão de investimentos programados
em 16 setores da economia, R$ 466 bilhões serão
destinados à construção de moradias,
segundo o levantamento "Perspectivas de Investimentos
2007/2011" do BNDES.
A estabilização da economia brasileira,
o maior volume de crédito imobiliário, com
a redução das taxas de juros, e a grande
falta de moradias são fatores favoráveis
ao crescimento do setor da construção civil.
De acordo com o estudo, o Brasil precisa reduzir o seu
déficit habitacional, estimado em cerca de 8 milhões
de moradias, principalmente nas classes com menor poder
de compra.
Depois da construção civil, o setor que
mais receberá investimentos será o industrial,
com R$ 378,4 bilhões e o de infra-estrutura, com
R$ 197,5 bilhões. O estudo informa ainda que os
investimentos industriais estarão concentrados no
setor de extração, como petróleo,
gás e mineração.
Setores como siderurgia, papel e celulose deverão
investir cerca de R$ 75,2 bilhões, enquanto áreas
mais ligadas ao consumidor final, como a automobilística,
eletrônica e farmacêutica, ficam com R$ 49,2
bilhões. No setor de infra-estrutura, a maior parte
dos investimentos identificados pelo estudo serão
direcionados à produção de energia
elétrica, seguida por telecomunicações,
saneamento, portos e estradas de ferros.
O setor de biocombustíveis, principalmente a produção
de etanol, receberá investimentos de R$ 277,3 bilhões,
com a perspectiva de crescimento do mercado mundial. O
estudo ressalta que o Brasil é o maior produtor
de etanol, responsável por cerca de 36% da produção
mundial, com os menores custos de produção,
em relação a Estados Unidos e Europa.
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Gazeta do Povo, 8 de julho
de 2007
BRASIL | ENQUANTO ISSO
Emenda cria 5 mil vagas para vereadores
Com as atenções desviadas para o imbróglio
da reforma política e a crise no Senado, a Câmara incluiu
na pauta proposta de emenda constitucional que tende a reabrir a
polêmica sobre o tamanho dos Legislativos municipais. Se aprovada,
a chamada PEC dos vereadores poderá praticamente anular resolução
do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que extinguiu mais de 8,5 mil
cadeiras nas Câmaras em 2004. A emenda, do deputado Pompeo
de Mattos (PDT-RS), cria 25 faixas para definir o número de
vereadores, proporcionalmente ao tamanho da população,
e elevaria em 9,9% o total de cadeiras no Brasil, criando 5.159 vagas.
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Gazeta do Povo, 8 de julho
de 2007
BRASIL | SEM LEI
Metade dos R$ 3 bi destinados
pelo governo a ONGs é desviada
98,5% das organizações
não-governamentais no país não são
registradas
Brasília – O governo federal destinou R$
3 bilhões a organizações não-governamentais
(ONGs) e organizações da sociedade civil
de interesse público (Oscips) no ano passado, de
acordo com dados do Ministério do Planejamento.
Esse valor corresponde a 1,29% do Produto Interno Bruto
(PIB).
Do total, técnicos do governo, do Tribunal de Contas
da União (TCU) e da Controladoria-Geral da União
(CGU) calculam que quase a metade – perto de R$ 1,5
bilhão – tenha sido desviada da finalidade
original dos convênios ou encontrado alguma arapuca
pelo caminho.
O montante total destinado significa um valor astronômico,
se comparado aos R$ 11,7 bilhões (5,04% do PIB)
transferidos também em 2006 pela União aos
27 Estados e Distrito Federal e aos 5.561 municípios
pelo Fundo de Participação dos Estados (FPE),
Fundo de Participação dos Municípios
(FPM), royalties pela exploração do petróleo
e do gás natural, compensações financeiras
devidas pela utilização de recursos hídricos
e minerais e os valores pagos por Itaipu Binacional.
Quantidade
Em 2002, o país tinha 22 mil ONGs; em 2006, esse
número pulou para 260 mil; em 2007, calcula-se que
tenham alcançado a casa das 300 mil, de acordo com
informações do senador Heráclito Fortes
(DEM-PI), autor do requerimento que cria a CPI das ONGs,
a ser instalada em agosto. Num depoimento prestado ao Congresso,
em maio, o general Maynard Marques Santa Rosa, secretário
de Política, Estratégia e Assuntos Internacionais
do Ministério da Defesa, informou que só na
Amazônia atuam 100 mil ONGs, grande parte de origem
estrangeira. Do total de 300 mil, somente 4,5 mil estão
legalmente registradas no Ministério da Justiça.
Toda essa enormidade de ONGs e Oscips é fiscalizada
por apenas 12 funcionários da Justiça.
Com esse extraordinário crescimento, não é à toa
que em todo escândalo recente envolvendo repasse
de verba da União e de outros órgãos
públicos se encontre uma ONG ou Oscip. A situação é tão
grave que o Ministério do Planejamento resolveu
criar duras regras para a assinatura dos convênios.
Nos convênios examinados, o TCU enumerou diversas
irregularidades e detectou diversos problemas como a falta
de qualificação técnica e administrativa,
inexperiência para receber recursos, metas vagas
e prestação de contas confusas.
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Folha de Londrina, 8 de
julho de 2007
'Extras' de parlamentares engordam
remuneração
Levantamento feito pela FOLHA mostra que
um deputado estadual pode receber até 7 vezes o valor do salário
para despesas do gabinete e assessores
Curitiba - Um deputado estadual no Brasil pode ter direito a receber
até sete vezes mais do que o valor do seu subsídio mensal,
em torno de R$ 12 mil, para pagar as contas do gabinete e contratar assessores
parlamentares. Na Assembléia Legislativa do Paraná, a verba
destinada a cada parlamentar só para despesas com gabinete, até R$
27,5 mil por mês, é a segunda maior em comparação
aos Legislativos dos sete Estados das regiões Sul e Sudeste. Os
dados foram revelados a partir de um levantamento exclusivo realizado
pela FOLHA sobre as verbas ''extras'' dos parlamentares. Benefícios
semelhantes, destinados à manutenção de uma estrutura
de apoio ao exercício do mandato, não só ''engordam''
o subsídio mensal do parlamentar, como também se tornam
instrumentos para garantir a reeleição do político.
A opinião é de cientistas políticos consultados
pela Reportagem.
O cientista político Leonardo Barreto, da Universidade
de Brasília (UnB), afirma que os valores são
''altos'', e mais: não haveria transparência,
nem controle, dos gastos efetuados. Barreto afirma que
a sociedade hoje tem controle somente sobre o salário
mensal dos deputados estaduais. É que, pela lei,
um deputado estadual pode ganhar até 75% do valor
recebido por um deputado federal, em Brasília.
Já o controle de benefícios como verba
para gabinete, para contratação de pessoal
ou auxílio-combustível, por exemplo, fica
por conta de cada Legislativo.
''A sociedade soube protestar quando, por exemplo, os
deputados federais quiseram aumentar os seus salários
(início do ano). Eles até ganharam um reajuste,
mas não conseguiram aprovar o que a maioria dos
parlamentares queria, porque houve pressão. Mas
as organizações internas dos Legislativos é quem
têm total controle sobre os benefícios restantes.''
O único tipo de controle em cima dos demais benefícios
seria através da Lei de Responsabilidade Fiscal
(LRF). ''Eles não podem ultrapassar os limites
da LRF. É um tipo de controle contra abusos'',
afirma Barreto.
Em primeiro lugar na destinação de verbas
para gabinete está Santa Catarina, com R$ 30 mil.
No Rio de Janeiro, a verba de gabinete disponível
seria a soma das despesas com combustível (R$
2.085,00) e com ligações telefônicas
(R$ 3 mil), num total de mais de R$ 5 mil. Também
seriam permitidos gastos com até 3 mil selos para
correspondência. No Espírito Santo, a verba
de gabinete é de R$ 7,8 mil. No Rio Grande do
Sul, é de R$ 17.690,00. Em São Paulo é de
R$ 17.787,50 e em Minas Gerais é de R$ 20 mil.
Já em relação às verbas
para contratação de pessoal, São
Paulo lidera: são R$ 76.260,29 para cada parlamentar,
por mês. Nas demais Casas os valores são
próximos: R$ 38 mil em Santa Catarina, R$ 36.507,59
no Rio Grande do Sul, R$ 36.410,00 em Minas Gerais, cerca
de R$ 32 mil no Paraná e R$ 31.970,00 no Espírito
Santo. No caso do Rio de Janeiro, foi informado apenas
que ''são permitidos 20 cargos com salários
de R$ 3.700,00 e R$ 5.700,00''. A Reportagem insistiu
com a Casa para obter o custo total, mas não obteve
retorno. Informação extra-oficial aponta
que o teto ficaria em torno de R$ 80 mil.
Para Barreto, a política, historicamente, ''tem
sido vista como meio de enriquecimento''. ''A gente vem
de uma estrutura que oferece um conjunto de privilégios
para quem tem acesso ao Estado. E não são
somente os parlamentares que têm uma condição
privilegiada. O Poder Judiciário e os funcionários
públicos do Executivo também estão
dentro de uma rede de privilégios que foi construída
ao longo dos anos.''
Auxílio-moradia no valor de R$ 2.250,00, o que
equivale a 75% do auxílio-moradia de um deputado
federal, também é fornecido a parlamentares
de quatro Estados das regiões Sul e Sudeste: Rio
de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e São
Paulo. E além das despesas com a estrutura física
e de pessoal, existem Legislativos que ainda mantêm
pagamento ''extra'' ao parlamentar que comparecer a convocações
extraordinárias.
Na Assembléia do Paraná o benefício
foi cortado em março. Ainda em janeiro último,
quando houve uma convocação extraordinária
durante o recesso parlamentar, os deputados estaduais
tiveram direito a receber o equivalente a dois salários.
Em outros Legislativos, também são oferecidos
carros oficiais, entre outros benefícios.
Catarina Scortecci
Equipe da Folha
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O Estado do Paraná,
8 de julho de 2007
Direito e Justiça
Alterações legislativas
incidentais em normas trabalhistas
Redação
Edésio Passos
Navega-se pelo oceano conturbado e imprevisível das inovações
e alterações legais, exigindo do operador do Direito
a persistente e cotidiana busca da informação atualizadora.
Desde as mais profundas como as Emendas Constitucionais, Código
Civil, Leis Processuais, Supersimples até as incidentais
e pontuais em todos os campos da legislação brasileira.
Não foge à regra a legislação do trabalho,
inseridos que são tantos dispositivos relacionados com a
matéria laboral em Leis de todas as origens. Eis o que se
pode anotar superficialmente em apenas seis meses. Continua sendo
modificada a processualística, a saber o sistema de embargos
no TST e depósito prévio na ação rescisória
nas recentes Leis 11.495 e 11.496, de 22/6/2007. Assim como a que
dá nova destinação a parte dos recursos do
FGTS, ou seja, a Lei que instituiu o Fundo de Investimento do FGTS
e que faz parte do PAC (Lei 11.491, de 20/6/97). Inserção
pontual, como a simples menção aos contratos com
as associações e cooperativas de catadores de papeis
recicláveis, formadas pelas pessoas de baixa renda(!), como
consta da Lei 11.445, de 5/1/07, sobre as diretrizes nacionais
para saneamento básico. Importante, como o reconhecimento
da profissão de enólogo e técnico em enologia,
regulamentando as atividades ligadas à enologia e viticultura
(Lei 11.476, de 29/5/07). Também melhor se disciplina a
hoje numerosa atividade do transportador autônomo de carga,
a pessoa física que tem como atividade profissional o transporte
rodoviário de carga (Lei 11.442, de 05/1/07). Mas alcançando
também a mais simples e básica atividade do trabalhador
no campo, quando os novos dispositivos do Estatuto da Terra (Lei
11.443, de 05/1/07) disciplinam “os contratos que prevejam
o pagamento do trabalhador, parte em dinheiro e parte em percentual
na lavoura cultivada ou em gado tratado, são considerados
simples locação de serviço, regulada pela
legislação trabalhista...”. Até mesmo
a lei que regulamentou o Fundeb (Lei 11.494, de 20/6/07) impõe
que Estados, o Distrito Federal e os Municípios deverão
implantar planos de carreira e remuneração dos profissionais
da educação básica e o governo federal fixar,
até 31/8/07, o piso salarial profissional nacional do magistério.
E para ninguém colocar defeito na dinâmica legislativa,
ficou consolidado o salário mínimo de R$ 380,00 desde
abril de 2007 pela Lei 11.498, de 28/6/07. E contemplado o Tribunal
Superior do Trabalho com a criação de mais 501 cargos
e funções (Lei 11.493, de 20/6/07). Ainda a ser assinalada
a Lei 11.483, de 31/5/07, que dispõe sobre a revitalização
do setor ferroviário, encerrando o processo de liquidação
da RFFSA e tratando das questões do pessoal contratado e
as obrigações dos advogados que atuam nos processos
da área. Por final, não poderia deixar de mencionar
as essenciais leis autorizadoras da contratação do
pessoal do controle do tráfego aéreo, estabelecendo
novas base legais no setor (Lei 11.458, de 19/3/07, reforçada
pela Medida Provisória 361, de 29/3/07). Isso tudo em apenas
os seis primeiros meses do sétimo ano do segundo milênio
depois de Cristo...
III ENCONTRO DA JUTRA: O III JUTRA
Encontro de Juristas do Trabalho promovido pela Associação
Luso-Brasileira de Juristas do Trabalho www.jutra.org será realizado
em Aracaju, Sergipe, de 2 e 3 de agosto de 2007, aberto à ampla
participação dos operadores do Direito como evento
de integração entre os povos e em especial de brasileiros
e portugueses. A programação do III JUTRA, sob o
tema geral de “Trabalho e Cidadania”, será a
seguinte: - Dia 2/8 8h30: Credenciamento, entrega de material e
inscrições. 9h30: Ato de instalação
e abertura do III Encontro, com saudações aos participantes.
10h: Palestra inaugural pelo professor doutor Antônio Monteiro
Fernandes (Portugal). 11h: Lançamento do livro do II Encontro
Luso-Brasileiro, editado pela Coimbra Editora. 14h: Painéis
de trabalho: Questão do assédio (a) Assédio
Moral (Elaine Vasconcelos - Brasil) (b) Assédio Sexual (Pedro
Botelho Gomes - Portugal) (c) Assédio Coletivo (Magda Ferreirinha
- Portugal) (d) Assédio Processual (Luís Carlos Moro
- Brasil). -16h: Questão sindical (a) Estatuto dos Representantes
dos Trabalhadores (Fausto Leite -Portugal) (b) Legitimidade das
Entidades Sindicais (Cláudio Santos - Brasil) (c) Âmbito
e Objeto das Negociações Coletivas (José Luciano
de Castilho Pereira - Brasil) (d) Direitos das Estruturas Representativas
dos Trabalhadores (Diogo da Luz - Portugal). 18h15: Reunião
plenária: Aprovação das propostas dos painéis
com edição de Súmulas dos trabalhos do dia.
19h: lançamento do segundo livro da JUTRA “Prescrição
nas Relações de Trabalho”, editado pela LTr,
com a presença dos organizadores e de vários Autores.
Coquetel com apresentação musical. - Dia 03/08 10h:
Terceiro painel de trabalho: Questão Acidentária
e Doenças Profissionais (a) Aspectos Penais nos Acidentes
de Trabalho e nas Doenças Profissionais (Amaro Jorge - Portugal)
(b) Danos Ressarcíveis (Cláudio Brandão -
Brasil) (c) Garantias do Acidentado e do Adoecido (Manuela Fialho
- Portugal) (d) Responsabilidade pelos Encargos com os Acidentes
e as Doenças Profissionais (Luiz Salvador - Brasil). 11h30:
será lançado o livro “Subordinação
Jurídica e o Trabalho a Distancia”, de Jair Teixeira
dos Reis, editado pela LTr. - 14h: Quarto painel de trabalho Questão
Civilista Relações Direito Civil/Direito do Trabalho
(a) Boa-Fé na Celebração e Execução
do Contrato de Trabalho (Granja Bento - Portugal) (b) As Nulidades
e Invalidades no Contrato de Trabalho (Juliana Vignoli Cordeiro
- Brasil) (c) Danos não Patrimoniais por Violação
do Contrato de Trabalho (Paula Forjaz - Portugal) (d) Cláusulas
Contratuais Gerais e Contrato de Trabalho (José Affonso
Dallegrave Neto - Brasil). - 16h: Reunião plenária
-Aprovação das propostas dos painéis com edição
de Súmulas dos trabalhos do dia. 16h30: Será lançado
o livro “O Direito do Trabalho no Brasil 1930/1942: A construção
do sujeito de direitos trabalhistas”, de Magda Barros Biavaschi,
editado pela LTr, prefaciada pelo Dr. Arnaldo Süssekind. 17h:
Assembléia geral e posse da nova Diretoria. Discussão
sobre as metas da entidade, demandas que deverão ser priorizadas,
atividades que deverão ser realizadas, motivação
dos associados, ampliação do quadro associativo e
outros temas pertinentes. - 18h: Palestra de encerramento - professor
doutor Arnaldo Süssekind Brasil. Ato de finalização
(informações complementares: dr. Luiz Salvador, presidente
da Abrat e Diretor da Jutra (www.abrat.adv.br e luizsalv@terra.com.br)
e dr. Nilton Correia, Presidente no Brasil da Jutra, vice-presidente
da Abrat (www.jutra.org. e email: nilton@niltoncorreia.com.br).
Proteção social: Números
relacionados a milhões de pessoas (1) 78,93 de população
ocupada, de 16 a 59 anos (2) 5,26 de contribuintes para os regimes
de aposentadoria dos servidores públicos (3) 8,49 de segurados
especiais, trabalhadores rurais sob o guarda-chuva da Previdência
(4) 35,07 contribuintes do INSS (5) 30,11 não contribuem
para o INSS, sendo que destes, 28,8 não têm qualquer
proteção social (dados da Secretaria de Previdência
Social, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
de 2005).
Jovens em situação de risco: o
Banco Mundial e o governo brasileiro divulgaram relatório
sobre os jovens, de 15 a 24 anos, que estão em situação
de risco, como a evasão escolar, ociosidade, uso de drogas,
violência, iniciação sexual precoce e práticas
sexuais arriscadas. O estudo, resultado de pesquisa de quatro anos,
aponta que cerca de 60% dos brasileiros entre 15 e 19 anos exercem
trabalho não remunerado ou sem carteira assinada e a possibilidade
do desemprego nesta faixa etária é 3,7 maior que
para os adultos. As políticas públicas destinadas
a enfrentar tal situação dependem dos investimentos
para os jovens, inserção das crianças e jovens
das escolas, expansão da oferta de programas para a primeira
infância e a promoção de programas que facilitem
a transição entre a escola e o trabalho.
União Planetária: o
advogado Ulísses Riedel de Resende, de Brasília,
fundador do Diap, é o presidente da União Planetária,
instituição que congrega pessoas que acreditam e
trabalham pela regeneração humana, fundamentando-se
em uma visão abrangente, apartidária, não-sectária,
com respeito às diferenças de pensamento e à valorização
da pluralidade de idéias. Trabalha no sentido da construção
de uma organização social planetária sedimentada
na solidariedade, com liberdade ética, com igualdade de
oportunidades para todos, com justiça social. Além
da revista Guia Supre-criando Novos Paradigmas e da Cartada Cidadania
Planetária, mantém programas de televisão
em todas as capitais e várias cidades brasileiras. Contatos
com www.uniaoplanetaria.org.br.
Batismo de Sangue: Em Direitos
Humanos, fundamental (1) o livro, Batismo de Sangue: guerrilha
e morte de Carlos Marighella, de Frei Betto, Editora Rocco (2)
O filme, de Helvécio Ratton, inspirado no livro (3) Ambos
tratam da participação dos frades dominicanos brasileiros
na luta clandestina contra a ditadura militar (4) Também
a trajetória, luta e suicídio do dominicano Frei
Tito, torturado no DOPS, exilado na França onde, em 10 de
agosto de 1974, seu corpo foi encontrado nos arredores de Lyon
(5) Em Fortaleza, Ceará, visite o Memorial Frei Tito.
Sérgio Sérvulo da Cunha: advogado,
professor e escritor, concedeu entrevista ao jornal O Estado de
S. Paulo, na página Aliás (27/5/2007), sobre a ação
da Polícia Federal. Foi chefe de gabinete do ex-ministro
Márcio Thomaz Bastos e participou diretamente do aperfeiçoamento
do trabalho da Polícia Federal. Afirma: “A admiração
do povo pelo trabalho da Polícia Federal é um fato
extremamente positivo para o Brasil... Agora a população
está vendo que a PF trabalha. Mais do que isso, a PF tem
ajudado a acabar com a máxima que diz que o Direito Penal é para
os três Ps o preto, o pobre, a prostituta. Claro que nada é perfeito
e tudo precisa ser aperfeiçoado. Mas, no geral, a instituição
constitui um fato novo e realmente positivo na história
do Brasil”.
Trabalhador Rural: No estudo publicado
pela Revista do Direito Trabalhista, edição de maio/2007,
o juiz federal e ex-procurador federal Roberto Luis Luchi Demo,
detalha “O Regime Jurídico do Trabalhador Rural no âmbito
da Previdência Social o Segurado Especial”, assinalando: “De
fato, o mundo gira, a lusitana roda, mas a realidade desses trabalhadores
continua sendo de trabalho em condições informais,
de economias familiares de subsistência e de ausência
de regular recolhimento de contribuição previdenciária
para o regime geral da Previdência Social”.
Contribuição assistencial (1): “A
instituição e a cobrança da contribuição
assistencial encontram respaldo legal na aliena “e’ do
artigo 513 da CLT, que confere aos sindicatos o poder de impor
contribuições aos participantes das categorias profissionais
e econômicas, não prevalecendo mais a distinção
entre associados e não-associados que vigia anteriormente à Constituição
Federal/88. Sendo inequívoca a natureza compulsória
da contribuição assistencial no âmbito da totalidade
da categoria econômica ou profissional abrangida pela norma
coletiva que a institui, não há falar em devolução
dos descontos a tal título efetuados no salário do
empregado. Recurso provido” (TRT RS 01395-2004-018-04-00-6,
Relatora Juíza Cleusa Regina Halfen, publicado em 5/6/2007).
Contribuição assistencial
(2): “Descabe confundir filiação,
sempre a depender da manifestação de vontade do
prestador de serviços ou da pessoa jurídica de
direito privado que integre a categoria econômica, com
o fenômeno da integração automática
no âmbito da categoria. Por outro lado, sob a óptica
da legislação comum, tem-se a alínea “e’do
artigo 513 da Consolidação das Leis do Trabalho
que revela serem prerrogativas dos sindicatos “impor contribuições
a todos aqueles que participem das categorias econômicas
ou profissionais ou das profissões liberais representadas’.
Vê-se que a imposição não se faz relativamente àquele
que haja aderido, associando-se ao sindicato, mas também
no tocante aos integrantes das categorias” (STF RE 189.960,
voto do Ministro Marco Aurélio, julgamento em 7-11-00,
DJ de 10/8/01).
Edésio Passos é advogado.
edesiopassos@terra.com.br
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Folha de São Paulo,
8 de julho de 2007
Indústria melhora, mas segue "sob
ataque"
Governo prepara aumento de 20% para
35% na tarifa de têxteis e calçados; setores com
mais tecnologia são os que investem menos
Apesar das importações,
indústria cresce mais; áreas de maior valor
agregado ganham fôlego, mas não tomam crédito
no BNDES
FERNANDO CANZIAN
DA REPORTAGEM LOCAL
Mesmo pressionada pelo forte aumento das importações,
a indústria nacional atingiu um patamar de crescimento
superior nos primeiros cinco meses de 2007 em relação
a 2006. Mas o dólar barato e um salto de 34% no ano
nas importações de bens de consumo acabados
ainda afetam alguns setores e colocam em risco a continuidade
dessa recuperação. Setores como têxtil,
vestuário e calçados são os mais atingidos.
Mas há inúmeros produtos industriais específicos
sob forte concorrência de fora.
Para grande parte da indústria, porém, a produção
cresce em 2007 em ritmo superior ou perto da média de 4,4% acumulada
entre janeiro e maio. Em 2006, a evolução no período
havia sido menor, de 3,3%. Ao contrário de 2006, a recuperação
agora também começa a abranger os setores que mais vinham
perdendo espaço na indústria nacional nos últimos
dez anos: os segmentos de maior conteúdo tecnológico
e capazes de irradiar seu dinamismo para outras áreas.
No crescimento de 4,4% da indústria entre janeiro e maio, saíram-se
melhor os setores de máquinas e equipamentos para escritórios
(25,4%), máquinas e equipamentos para a indústria (16,5%),
aparelhos e materiais elétricos (10,1%) e veículos (8,1%),
entre outros. Mas, segundo dados do BNDES (Banco nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social), são exatamente esses setores de maior
tecnologia os que têm aumentado menos a demanda por crédito
no banco.
Na contramão, em 2006 e em 2007 houve saltos em empréstimos
justamente para as áreas menos sofisticadas. Algumas delas também
sofrem mais com os importados e têm sido objeto de medidas do
governo para aliviar essa pressão.
Produção x importação
Há duas semanas, o governo aumentou para US$ 4,27 por unidade
a tarifa para a importação de ferros de passar roupa.
Agora, estuda elevar de 20% para 35% a tarifa externa máxima
para a importação de confecções e calçados.
Ivan Ramalho, secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior, está negociando
o tema com os outros parceiros do Mercosul (Argentina, que já concordou,
Uruguai e Paraguai, onde estará amanhã).
" O governo está convencido de que esses setores, sob forte concorrência
de importados, especialmente chineses, são merecedores de uma proteção
adicional", diz Ramalho. Ele cita ainda os setores de máquinas e
equipamentos e automobilístico como alguns exemplos dos que têm "manifestado
preocupação com a concorrência asiática".
Para o economista Claudio Haddad, presidente do Ibmec-SP, ao tomar
medidas do tipo, o governo está "garantindo e ajudando
que não aconteça uma transformação na indústria
brasileira. Está fazendo um mal para o país", diz. " Qual é o
problema em deixar a população brasileira comprar ferro
de passar barato? Se você tem um chinês disposto a produzir
a um custo muito mais baixo do que a gente, é absurdo tentar
impedir isso", diz.
" Vamos exportar quase US$ 1 bilhão em serviços de informática
neste ano. Isso é uma coisa excepcional. Então, fica a indústria
chorando, chorando, porque vai perder no tecido, no têxtil. Mas olha o
resto. A economia não é só têxtil, calçado
e ferro de passar", afirma. Uma das maiores fabricantes de ferros de passar
no país, a Black&Decker tem motivos para discordar.
Além da produção dos ferros, a empresa transferiu
para a China a fabricação de vários produtos e
agora importa para vender no mercado brasileiro. " Até 2004,
apenas 10% do total de eletrodomésticos vendidos no Brasil era
de importados. Agora são 30%. Testamos e aprovamos fornecedores
lá fora e colocamos a nossa marca", diz Oswaldo Vitoratto,
presidente da Black&Decker.
Diante das importações maiores, a empresa abortou um
projeto de investimentos de US$ 3,5 milhões para desenvolver
novos produtos no país e investirá apenas US$ 1 milhão.
Nos últimos meses, a B&D também cortou 120 empregos
diretos -mantém hoje 700. A fábrica da empresa em Uberaba
(MG), que almejava ser um pólo exportador na América
Latina, encolheu de US$ 40 milhões para US$ 20 milhões
as vendas externas desde 2005.
Montagem no país
Além da importação direta de produtos finais,
há várias indústrias que aumentaram fortemente
a participação de matérias-primas e bens importados
no processo de fabricação de produtos no Brasil. Ou seja,
as indústrias estão trazendo mais componentes de fora
para montar bens finais aqui. Na indústria mecânica, por
exemplo, as importações aumentaram 28% no primeiro semestre
sobre igual período do ano passado. Na metalúrgica, 36%.
Na de material elétrico e comunicação, 15%.
Os setores mais afetados seguem sendo calçados, confecções
e vestuário (as importações cresceram 50% no primeiro
semestre) e têxtil (47%). Nessas áreas, as compras externas
geralmente são de produtos totalmente acabados. " Não
creio que a indústria nacional esteja em risco. Mas acho o seguinte:
estamos desestruturando algumas cadeias produtivas. E não é por
conta da ineficiência dessas cadeias, mas por conta da ineficiência
do governo em melhorar a infra-estrutura e em baixar a carga tributária. É por
conta também dessa combinação com a maior taxa
de juros do mundo que atrai montanhas de dólares", afirma
o economista Antonio Delfim Netto.
Para Sidney Nehme, diretor-executivo da corretora de câmbio NGO,
muito por conta da taxa de juros o dólar vai continuar testando
o piso de R$ 1,90 até o final do ano, pelo menos. Delfim Netto
discorda frontalmente da tese que determinados setores "sob ataque" por
causa do dólar barato não deveriam ser protegidos.
" Por esse raciocínio, o Brasil deve fechar a indústria automobilística
e importar. Porque é o setor mais protegido no país. Só que
você não sabe o que vai fazer com os 2 milhões de caras que
produzem automóveis. "Ah, muito simples", responde esse pessoal
do "Deus-mercado". "Eles vão comprar automóvel importado".
Mas como eles vão comprar sem emprego?", questiona Delfim.
Limite na infra-estrutura
Mas o novo boom nas importações também está sendo
fundamental para manter a inflação sob controle neste
momento de aceleração das vendas no comércio e
de aquecimento da atividade industrial. " Na prática, pela
via do comércio, os importados suprem uma demanda que a indústria
nacional não tem condições de atender sem aumentar
preços", diz Fábio Pina, assessor econômico
da Fecomercio SP.
No médio prazo, as importações também contam
na ampliação da capacidade produtiva de vários
setores, melhorando a competitividade e ajudando a indústria
a produzir mais. Em artigo recente na Folha, porém, o economista
José Márcio Camargo, da PUC-RJ, alertou para o fato de
o Brasil estar na iminência de um gargalo na infra-estrutura
de portos, distribuição e transportes, que necessitam
de algum grau de subutilização para disponibilizar mercadorias
importadas a preços constantes.
" Aumentar as importações não é fácil
(...) Um amplo conjunto de condições precisa ser cumprido. E essas
condições não estão hoje presentes no Brasil",
escreveu. O município de Ijaci (MG) é um bom exemplo de como as
importações também sustentam um crescimento maior. Individualmente,
a cidade é a que mais aumentou as importações neste ano:
105.011%, de US$ 3.100 entre janeiro e maio de 2006 para US$ 3,3 milhões.
Boa parte do aumento deveu-se a mais compras de coque de petróleo
importado pela construtora Camargo Corrêa, que tem usado mais
desse tipo de resíduo em seus fornos industriais na região.
O objetivo é ampliar a produção de cimento.
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Folha de São Paulo,
8 de julho de 2007
Sindicatos disputam representação
de 4 mi de expatriados
Entidades e centrais querem montar
escritórios fora do país e defender direitos
de brasileiros que trabalham no exterior
Ministério pretende criar a "Embaixada
do Trabalhador" para atender contingente equivalente
a duas vezes a população de Sergipe
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
De olho nos 4 milhões de brasileiros que estão
fora do país, a maior parte deles trabalhadores, segundo
estimativa do Ministério das Relações
Exteriores, centrais sindicais e associações
nacionais querem ter acesso a verba federal para montar representações
em países que abrigam comunidades brasileiras numerosas.
A meta é defender direitos e prestar serviços
aos "expats". Esse contingente de brasileiros,
que já corresponde ao dobro da população
de Sergipe (2,04 milhões de habitantes, segundo projeção
do IBGE para 2006), é responsável pelo envio,
todos os anos, de bilhões de dólares ao país.
O BC registrou, só em 2006, o envio de US$ 4,8 bilhões,
cifra que inclui remessas de pessoas físicas, transferências
de patrimônio e doações. A maior parte veio dos
EUA e do Japão. O BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento)
considera, porém, que esse valor tenha chegado a US$ 7,3 bilhões
no ano passado, somadas as remessas formais e informais. Se a previsão
do BID estiver próxima da realidade, os recursos enviados em
2006 seriam suficientes para cobrir a folha mensal de pagamentos do
INSS a 24,8 milhões de beneficiários.
A representação desse novo "mercado" de trabalhadores
já é alvo de disputa entre algumas entidades, divide
opiniões de especialistas e ganhou mais força após
o Ministério do Trabalho anunciar a intenção de
criar a "Embaixada do Trabalhador" -projeto em estudo para
ajudar brasileiros que trabalham fora do país.
" Uma das nossas propostas é formalizar acordo com o governo para
que cada central, ou um conjunto de centrais, possa montar representações
em locais de grande concentração de brasileiros e principalmente
em cidades onde essa mão-de-obra é quase escrava. As centrais entram
com a experiência sindical, e o governo, com a infra-estrutura e os recursos",
diz Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical.
Para viabilizar a ação dessas entidades no exterior,
a idéia é fazer um convênio, que deverá ser
formalizado assim que for assinada a medida provisória de legalização
das centrais sindicais. "Sugerimos a criação dos
escritórios, e o governo deu o nome ao projeto. Mas a idéia é manter
o serviço independentemente do trabalho feito pelas embaixadas",
diz Paulinho.
Por ora, estudos
O governo informa que estuda como pretende atuar em defesa dos trabalhadores
no exterior. "Pode ser algo em parceria com embaixadas e consulados.
Ou em parceria com organizações da sociedade civil, como
comunidades brasileiras no exterior e centrais sindicais. Pode ser
ainda um portal virtual para receber denúncias e motivar a participação
dos que emigraram", diz Paulo Sérgio de Almeida, presidente
do Conselho Nacional de Imigração, ligado ao ministério.
O conselho aprovou há uma semana uma mudança em seu regimento
e se transformou em um órgão de "migrações" para
discutir políticas para os emigrantes e lançou uma cartilha.
Para o advogado Luis Carlos Moro, que integra a Comissão de
Relações Internacionais do Conselho Federal da OAB, a
idéia de o governo prestar serviços aos brasileiros no
exterior é interessante, desde que seja em parceria com a estrutura
do Ministério das Relações Exteriores. "Mas
entregar isso às centrais é complicado, à medida
que se transfere uma prestação de serviço público
a entidades privadas que podem reger as políticas adotadas de
acordo com seus interesses."
Recém-criada, a Associação Nacional das Famílias
dos Trabalhadores no Exterior (Anfate) quer representar não
só os brasileiros no exterior mas seus familiares no Brasil. "Associações
existem muitas. Poucas, porém, dão atenção
a questões trabalhistas e previdenciárias, como pretendemos
atuar. Os trabalhadores que deixam o país são tratados
hoje como uma mercadoria, que rende lucro em negócios que giram
em torno de sua ida a outros países. É preciso mudar
isso", diz Roberto Toyokatsu Akiyama, economista que ocupou o
cargo de secretário de Finanças de Suzano e preside a
nova associação.
Para conseguir atuar politicamente, a Anfate se filiará à UGT
(União Geral dos Trabalhadores) -central que deve ser fundada
em julho pela união de outras três e de dissidentes da
Força. "Vamos buscar apoio do movimento sindical no exterior
para defender os brasileiros", diz Ricardo Patah, que presidirá a
UGT. Em maio, integrantes da Anfate dizem ter procurado a Força.
Sem sentir interesse da central pelo tema, escolheram se filiar à UGT.
A Anfate tem projetos audaciosos, como buscar isenção
ou redução de taxas bancárias em remessas de até US$
500 mensais e tributação zero na entrada de recursos
no país. Diz ainda que sua sustentação financeira
virá de mensalidades de sócios e de parcerias.
Na avaliação do juiz Cláudio José Montesso,
presidente da Associação de Juízes do Trabalho,
centrais e entidades podem até oferecer serviços como
ONGs, mas não há base legal que permita sua atuação
no estrangeiro. "Podem até explorar esse filão de
representação, mas as leis trabalhistas que valem são
as dos países em que estão esses brasileiros."
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Folha de São Paulo,
8 de julho de 2007
Acordo ampliará direito à aposentadoria
Tempo trabalhado fora do país,
em 11 nações ibero-americanas, vai contar para
cálculo do benefício
DA REPORTAGEM LOCAL
Brasileiros que vivem em 11 países ibero-americanos
representados pela OISS (Organização Ibero-americana
de Seguridade Social) poderão, a partir de novembro,
incluir o tempo trabalhado fora do país para a aposentadoria.
Nessa data, será assinado no Chile um convênio
que permitirá esse benefício. O acordo permitirá que
os brasileiros, e os estrangeiros desses países
que trabalham no Brasil, obtenham seus benefícios
previdenciários, segundo a legislação
do país em que se aposentarem. O Brasil já tem
acordos internacionais de previdência com dez países
-Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile, Espanha, Portugal,
Itália, Grécia, Luxemburgo e Cabo Verde.
O Ministério das Relações Exteriores
retomou recentemente as negociações com o
Japão para tentar viabilizar um acordo bilateral
que garanta o tempo de contribuição à Previdência
dos brasileiros que estão naquele país.
" A questão previdenciária é uma das que mais preocupam
os decasséguis que hoje estão no Japão, que já são
312 mil. Eles contribuem lá e, quando retornam ao Brasil, perdem essa
contribuição, uma vez que não existe um acordo com o Brasil",
diz Maria Helena Uyeda, presidente da Associação Brasileira de
Dekasseguis.
Falta informação
Os brasileiros que emigraram desconhecem seus direitos trabalhistas,
segundo advogados e integrantes de entidades internacionais que os
representam nos EUA e no Japão.
" Engana-se quem acredita que, por ser irregular em um país, o trabalhador
não tem direitos. Salário mínimo, respeito às horas
de trabalho, proteção contra insalubridade são direitos
que todos possuem", diz Ana Cristina Braga Martes, pesquisadora e professora
de sociologia da FGV São Paulo.
Há duas semanas, uma capixaba que trabalhava como doméstica
venceu uma causa trabalhista contra um patrão que não
pagou salários e horas extras. Por determinação
da Procuradoria Geral de Massachusetts (EUA), ela receberá US$
4.600. Por hora, ela recebia US$ 2,50, enquanto o salário mínimo
na época era de US$ 6,75, segundo o Centro do Imigrante Brasileiro,
organização que a representou na causa. (CLAUDIA ROLLI)
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Folha de São Paulo,
8 de julho de 2007
Aposentados: Multa rescisória
torna-se polêmica
Já há casos de aposentados
demitidos sem justa causa que receberam sobre o valor global
do FGTS
DA REPORTAGEM LOCAL
Quando o trabalhador se aposenta e permanece trabalhando
na empresa, o contrato de trabalho é rompido? Caso
a resposta seja negativa, o aposentado demitido sem justa
causa terá acesso à multa de 40% sobre todos
os depósitos -da mesma forma como acontece com um
funcionário contratado, aposentado ou não.
Mas, se aposentar é romper o vínculo anterior
e iniciar outro, a lógica se inverte e desobriga
a empresa de pagar o montante anterior à aposentadoria.
Ainda não é lei
Essa é a discussão que está em curso nos tribunais
trabalhistas. O funcionário aposentado que for demitido sem
justa causa terá direito à multa rescisória relativa
a todos depósitos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).
Antes, o valor baseava-se só no período posterior à aposentadoria.
Por ainda não ter se tornado lei, o tema permanece controverso. "A
questão ainda não está pacificada no TST",
alerta a advogada previdenciária Marta Penteado Gueller, da
Balera, Gueller, Portanova e Associados, alertando que a decisão
depende da análise de cada juiz.
" A lei não exige afastamento do trabalho para quem se aposenta,
mas a permanência dele no mercado de trabalho desvirtua a finalidade da
aposentadoria -que é a de descanso para o empregado e oportunidade para
os mais novos", diz. Segundo o advogado e professor da USP Cássio
Mendonça Barros, a legislação brasileira vê claramente
a aposentadoria como o fim do contrato. Para ele, "a interpretação
que tem sido adotada nos tribunais é "um disparate". "É uma
interpretação que não existe em país nenhum",
aponta Barros. Os possíveis efeitos que a medida trará ao mercado
de trabalho ampliam a discussão sobre as formas de se analisar o tema.
Impacto no mercado
" As empresas passaram a temer essas pessoas depois da aposentadoria",
aponta Marta Penteado Gueller. "O que é melhor: incentivar que esses
aposentados permaneçam no mercado de trabalho ou fazer com que a empregadora
tenha de arcar com as despesas todas?" O presidente do Sindnap (sindicato
dos aposentados), João Barbosa Inocenttini, no entanto, refuta a idéia
de que isso dificultará a permanência ou a reentrada de aposentados
no mercado de trabalho. " Se o funcionário é bom, o empregador
vai querer mantê-lo, não terá por que puni-lo", argumenta.
E compara: "Isso funciona da mesma forma para o não-aposentado. Se
o trabalhador é demitido, tem de receber a multa de qualquer maneira".
(AR)
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Folha de São Paulo,
8 de julho de 2007
BENEFÍCIO
Aposentado pode sacar FGTS
mensalmente
Os aposentados que não tiveram o contrato de trabalho rompido
com o pedido da aposentadoria podem sacar o saldo existente na conta
do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) bem como, mensalmente,
todos os depósitos posteriores. Antes, o valor dos depósitos
mensais só poderia ser sacado quando o trabalhador saísse
do emprego.
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Consultor Jurídico,
8 de julho de 2007
Descontos de água e luz no salário
da empregada doméstica é ilegal
A 2ª Turma do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 3ª Região
considerou ilegais os descontos de despesas de água e luz no salário
da empregada doméstica. Para os juízes, água e luz
são descontos relacionados à moradia e, por isso, integram
o conceito de bens “afetos à moradia”. A decisão
foi unânime. Dela cabe recurso ao TST (Tribunal Superior do Trabalho).
De acordo com a assessoria do tribunal, os juízes, ao julgarem
o feito consideraram o disposto no artigo 2º-A da Lei 5.859/72 — alterado
pela Lei11.324/06 —, que veda ao empregador doméstico
efetuar descontos no salário do empregado por fornecimento de
alimentação, vestuário, higiene ou moradia.
De acordo com o relator do processo, juiz Paulo Maurício Ribeiro
Pires, o dispositivo legal apenas permite lançamento de despesas
com moradia quando esta for em local diverso da prestação
de serviço, e desde que essa possibilidade tenha sido expressamente
acordada entre as partes. Segundo o relator, água e luz são
tidos como benefícios decorrentes da moradia, “exigindo-se,
pois, prova de expressa concordância da empregada a respeito
de tais descontos”. O que, segundo o magistrado, não ficou
configurado no caso.
Recurso Ordinário 01549-2006-075-03-00-1
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Folha de São Paulo,
8 de julho de 2007
Cristo Redentor está entre
as 7 novas maravilhas do mundo
da Folha Online
O Cristo Redentor foi anunciado,
neste sábado (7), como uma das sete novas maravilhas
do mundo. Os nomes dos vencedores foram revelados durante
cerimônia realizada em Lisboa (Portugal).
Antonio Lacerda/EFE

Cristo Redentor é uma das novas maravilhas do mundo; anúncio
foi feito hoje em Portugal
A notícia foi comemorada em plena praia de Copacabana,
um dos palcos do megaevento global Live Earth, que contou
com shows em oito países para alertar sobre os riscos
das mudanças climáticas. Assim que saiu o
resultado, o músico Falcão, do grupo O Rappa,
avisou ao público --cerca de 400 mil pessoas. Em
seguida, o secretário de turismo da cidade, Rubens
Medina, subiu ao palco.
Além do Cristo, foram eleitas como novas maravilhas
do mundo a Grande Muralha da China, o monumento de Petra,
na Jordânia; a cidade inca de Machu Picchu, no Peru;
a pirâmide de Chichén Itzá, no México;
o Coliseu de Roma, na Itália; e o Taj Mahal, na Índia.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou
neste sábado uma nota parabenizando o Rio e o Brasil. "O
Cristo Redentor sempre foi uma maravilha do Rio de Janeiro
e do Brasil. A partir de agora ele é também
uma das sete maravilhas do mundo", afirma a nota.
Divulgação

Chineses fizeram campanha para que construção não
ficasse de fora de concurso
O governador do Rio, Sérgio Cabral, também
comemorou a conquista. "É uma vitória
que eleva ainda mais o Rio de Janeiro como um dos destinos
mais desejados e admirados do mundo. Obrigado, Brasil!"
A ministra do Turismo, Marta Suplicy, disse por sua vez que a eleição "é o
resultado da união de esforços de todos os setores sociais
do país". Segundo ela, o Ministério do Turismo acertará com
a Embratur que as campanhas de publicidade no exterior, daqui para
frente, "darão ainda mais destaque ao Cristo, com peças
que lembrem que vale a pena visitar uma das sete maravilhas do mundo
e todas as outras maravilhas do Brasil".
O concurso, promovido por uma fundação suíça,
recebeu votações pela internet e por mensagens
telefônicas. Ao total, o concurso recebeu cerca de
100 milhões de votos.
Divulgação

Coliseu de Roma foi um dos eleitos
A iniciativa não tem apoio unânime e a Unesco,
que se dedica ao patrimônio mundial, decidiu não
participar do evento. De origem privada, o projeto pretende
completar a lista das sete maravilhas definidas por volta
de 200 a.C.
As maravilhas da Antigüidade são: o templo
de Ártemis, os jardins suspensos da Babilônia,
o mausoléu de Halicarnassus, o colosso de Rodes,
o farol de Alexandria, a estátua de Zeus e a grande
pirâmide do Egito. Somente esta última existe
até hoje.
As pirâmides de Gizé chegaram a figurar na
lista de monumentos participantes do concurso suíço,
mas foram retiradas da lista de votação após
autoridades egípcias demonstrarem irritação
com o fato.
Ahmad Masood/Reuters

Taj Mahal está entre novas sete maravilhas; mausoléu é ameaçado
por poluição na Índia
O Cristo
A estátua do Cristo Redentor possui cerca de 38 metros de altura
e fica no topo do morro do Corcovado, no Rio de Janeiro, que está a
740 metros acima do nível do mar.
O projeto, feito de pedra-sabão e considerado patrimônio
histórico desde 1937, é do engenheiro Heitor Silva Costa,
com colaboração do escultor francês de origem polonesa
Paul Landowski. O desenho final é do artista plástico
Carlos Oswald.
Algumas campanhas tentaram angariar votos para seus representantes.
O Cristo Redentor, a Muralha da China e Machu Picchu, por
exemplo, tiveram o apoio de tais estratégias de
marketing. Para a maravilha brasileira o site www.votecristo.com.br,
da campanha Vote Cristo arrecadou votos e ensinava como
votar no Cristo.
Divulgação

O monumento de Petra, na Jordânia
O certificado de participação do monumento
no concurso foi recebido por Dom Eusébio Scheid,
arcebispo do Rio de Janeiro, pelas mãos do idealizador
do concurso, Bernard Weber, em fevereiro. Em junho, a estátua
figurava entre os favoritos, mas em maio e meses anteriores,
a votação para o Cristo não atendia
o esperado.
Evento
A cerimônia deste sábado foi apresentada
pelo ator britânico Ben Kingsley e a atriz americana
Hillary Swank.
Divulgação

Pirâmide de Chichén Itzá, no México
O ex-astronauta Neil Armstrong, o ex-secretário-geral
da ONU (Organização das Nações
UNidas) Kofi Annan, a atriz e a cantora Jennifer Lopez
e o primeiro-ministro português, José Socrates,
presidente em exercício da União Européia
(UE), estiveram entre os presentes.
A produção foi retransmitida em mais de
170 países. Os organizadores afirmam que a audiência
estimada ficou em 1,6 bilhão de espectadores ao
redor do mundo.
8.jun.2007/Folha Imagem

Machu Picchu, no Peru, recebe diariamente até 2.500 turistas
"É a primeira vez na história que todos
os cidadãos do mundo puderam votar e decidir",
comemorou o português Diogo Freitas do Amaral, presidente
da comissão de honra do evento. A primeira parte
do evento foi dedicada à proclamação
das sete maravilhas de Portugal, que não tinham
nenhum lugar na competição mundial.
Machu Picchu
A cidade de Machu Picchu, uma das novas sete maravilhas, é uma
das que tem sido apontadas como de rápida deterioração
causada pelo fluxo de turistas. As autoridades do país
negaram em junho de que haja qualquer espécie de
risco ao patrimônio oferecido pelos visitantes. O
destino é bastante popular. No final de junho, a
modelo e atriz Cameron Diaz escolheu o local para passeio
e acabou cometendo uma gafe política, que não
foi a única no país.
Com Efe e France Presse
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