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Agência Brasil, 10
de julho de 2007
TSE define calendário das eleições
de 2008
As eleições para prefeitos e vereadores serão realizadas
no dia 5 de outubro de 2008, um domingo. Nos municípios com mais
de 200 mil habitantes, o segundo turno está marcado para o dia 26,
também um domingo, conforme estabelece a Constituição,
para os executivos federal, estaduais e municipais, quando os votos do
primeiro turno não ultrapassarem 50% do total.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que
definiu o calendário,
informou que no país apenas 74 municípios em 23 estados
têm mais de 200 mil habitantes, o que habilita essas cidades à eleição
dos prefeitos em segundo turno. Somente os estados do Acre, Roraima e
Tocantins não têm municípios com população
acima desse total – no Distrito Federal, os administradores regionais
(das cidades satélites) são nomeados pelo governador.
Na última eleição para prefeitos e vereadores,
em 2004, havia 68 municípios com população acima
dos 200 mil habitantes, sendo que em 44 deles ocorreu segundo turno para
decidir a eleição.
As estatísticas do TSE apontam São Paulo é o maior
município do país, com 8.012.511 eleitores, seguido do
Rio de Janeiro, com 4.501.688; de Belo Horizonte, com 1.730.598; Salvador,
com 1.685.296; Brasília, com 1.650.185; e Fortaleza, com 1.425.843
eleitores.
O TSE informou que o número de municípios com mais de
200 mil habitantes, divulgado nesta segunda-feira (9), pode ser alterado
até a data de realização das próximas eleições,
devido à possibilidade de transferência de domicílios
eleitorais. Em julho de 2008 será divulgada pelo tribunal uma
atualização no número de eleitores de todos os municípios
brasileiros.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 10 de julho de 2007 | Economia
População é contra
voto obrigatório, diz pesquisa
Estudo mostra também que 49%
dos entrevistados são contra financiamento público
Anne Warth, da AE
BRASÍLIA - Uma pesquisa de opinião pública do DataSenado
divulgou nesta terça-feira, 10, que a maior parte da população
acredita que o financiamento privado é a forma mais adequada para bancar
campanhas eleitorais, é contrária a obrigatoriedade do voto e
favorável ao mandato de quatro anos para cargos majoritários
com direito à disputa pela reeleição. O levantamento foi
feito por telefone junto a 1.094 eleitores das 27 capitais do País,
com idade igual ou superior a 16 anos, entre os dias 21 e 28 de maio deste
ano.
De acordo com dados do levantamento,
49% dos entrevistados acham que as campanhas políticas devem ser
financiadas apenas pelo setor privado, 31% são favoráveis
ao financiamento público de campanhas e 13% defendem o financiamento
misto. Apenas 7% não quiserem ou não souberam responder à questão.
A pesquisa mostra também
que 61% dos entrevistados são contra a obrigatoriedade do voto
e 36% são favoráveis. A maioria dos entrevistados (57%)
defende que as eleições sejam realizadas de quatro em quatro
anos, de forma unificada.
Em relação ao mandato
do presidente da República, governadores e prefeitos, 72% são
favoráveis aos tradicionais quatro anos. Deste total (72%), 42%
acreditam que os ocupantes de cargos executivos devem ter direito a disputar
a reeleição e 30% rejeitam a possibilidade. Outros 15%
defendem o mandato de cinco anos e 11% o mandato de seis anos, sem reeleição
para ambos os casos.
Consultados sobre o sistema que
elege um senador e dois suplentes, 72% dos entrevistados disseram preferir
votar nos suplentes separadamente. Quanto à fidelidade partidária,
61% dos eleitores acreditam que os parlamentares devem ser obrigados
a permanecer no partido pelo qual se elegeram por ao menos três
anos. Para 29% dos entrevistados, ao mudar de partido, o político
deve devolver o cargo para a legenda pela qual se elegeu. Apenas 7% concordam
com o atual sistema de troca de partidos.
Para 61% dos eleitores, os políticos
não devem ter direito a sigilo bancário e fiscal, contra
35% que defendem o sigilo para a classe. E para 56% da população,
o sistema político deve ser revisto, "envolvendo o parlamentarismo
e o presidencialismo", ante 23% favoráveis à manutenção
do sistema e 14% indiferentes ao tema.
Reforma política
A pesquisa divulgada nesta terça-feira coincide com a discussão
da proposta de reforma política em votação na Câmara
dos Deputados. Há dois projetos de reforma política para ser
votado na Câmara: o de autoria do deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) e
o que reúne assinaturas de seis partidos PT, DEM, PMDB, PCdoB, PPS e
PSB. As votações serão divididas por temas e devem seguir
acordo prévio dos parlamentares.
O voto em lista foi o primeiro
item a ser votado e foi rejeitado pelos deputados. Financiamento público
de campanha e coligações em federações partidárias
são alguns dos temas que vão à votação.
Se aprovada no Congresso, proposta entra em vigor nas eleições
municipais de 2008, mas terá de ser submetido a um referendo nacional
em 2015.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 10 de julho de 2007 | Economia
Aprovado projeto que permite pagamento
de IR até 8º dia útil
Objetivo é coincidir o pagamento do
imposto com o recebimento do salário
Ribamar Oliveira, do Estadão
BRASÍLIA - A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado
(CAE) aprovou nesta terça-feira, 10, o projeto de lei que permite que
o saldo do Imposto de Renda da Pessoa Física possa ser pago até o
oitavo dia útil do mês subseqüente ao da entrega da declaração
de rendimentos. Atualmente o imposto devido tem que ser pago no mês de
competência: a cota única ou a primeira parcela têm que
ser paga no dia 30 de abril.
Com a nova proposta, o contribuinte
poderá pagar até o oitavo dia útil do mês
seguinte. As parcelas continuarão sendo corrigidas pela taxa básica
de juros, Selic, mas em relação ao mês anterior.
Os primeiros oito dias de cada mês não serão corrigidos
no momento do pagamento da parcela.
A intenção do autor
do projeto, senador José Maranhão (PMDB-PB) é coincidir
o pagamento do imposto com o recebimento do salário, que é até o
quinto dia útil. A idéia de Maranhão era estabelecer
o pagamento do IR até o quinto dia útil, mas o relator
do projeto, senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), estendeu o prazo
por mais três dias para dar tempo à compensação
dos cheques de pagamento de salários.
O projeto foi aprovado
por unanimidade e tem caráter terminativo, ou seja, segue direto
para a Câmara, sem passar pelo plenário do Senado.
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ÂMBITO JURÍDICO, 10 de julho de
2007
Presunção de culpa recai
sobre a empregadora em caso de acidente do trabalho por descumprimento
de normas de segurança
Os Juízes da 4ª Turma do
Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS) condenaram
a empresa Mangels Indústria e Comércio ao pagamento
de indenização por danos morais a empregado que sofreu
acidente de trabalho em máquina utilizada no serviço.
O trabalhador quebrou o úmero do braço direito, ficando incapacitado
para o serviço por 14 meses, período de tratamento médico
e recuperação. A sentença proferida pela Juíza
Ceres Batista da Rosa Paiva rejeitou o pedido de indenização
feito pelo trabalhador. Segundo o empregado, o acidente ocorreu porque sua
roupa foi puxada pela máquina na qual trabalhava, por conta de um arame
que fora posto de forma improvisada para segurar um pino. Em contrapartida,
a empresa afirmou que o trabalhador, por conta e risco dele, efetuou reparo
na máquina, valendo-se de um arame.
O TRT-RS deferiu recurso do empregado, afirmando ser óbvio e irretorquível
que o autor sentiu dor por conta do acidente que lhe quebrou um osso do braço
e o deixou incapacitado para o trabalho por 14 meses. Segundo o Relator do
processo, Juiz Fabiano de Castilhos Bertolucci, não há como negar
que o maior interesse em evitar qualquer interrupção do trabalho é do
empregador, e é deste a obrigação de zelar pela segurança
dos seus empregados, inclusive fiscalizando-os e coibindo eventuais condutas
imprudentes. Por conta desses fatores, a presunção de culpa,
no caso de acidente do trabalho por descumprimento de normas de segurança,
recai sobre a empresa e não sobre o empregado. (RO 00264200620104008)
Fonte: TRT4
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ÂMBITO JURÍDICO,
10 de julho de 2007
Base de cálculo do adidonal
de insalubridade é o salário contratual
O adicional de insalubridade deve ter como base para cálculo o salário
do trabalhador, e não o salário mínimo. Essa foi a decisão
dos juízes da 3º Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região
(TRT4). O tribunal deferiu recurso ordinário interposto por uma
trabalhadora de um asilo em Pelotas, que pedia a adoção do salário
contratual ou do piso normativo como base de cálculo do adicional em
questão. A sentença de primeiro grau, proferida pelo juiz da
2ª Vara do Trabalho de Pelotas, havia vinculado o cálculo do adicional
ao salário mínimo.
Segundo a juíza-relatora do processo no TRT4, Maria Helena Mallmann,
a Constituição Federal prevê para os trabalhadores
em atividade insalubre ou perigosa o direito a um sobresalário,
dando tratamento igual a ambos os adicionais. Ajuíza afirma que, nesse
caso, invoca-se o contido no artigo 40 da Lei de Introdução ao
Código Civil, bem como o artigo 126 do Código de Processo Civil,
os quais versam que, quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso
de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais do direito,
não podendo o magistrado se eximir de sentenciar alegando lacuna ou
obscuridade da lei. Finalizando, a juíza diz que, por analogia à base
de cálculo do adicional de periculosidade contido no parágrafo
10 do artigo 193 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT),
o adicional de insalubridade deve ser calculado observando a mesma base:
o salário do trabalhador, e não o salário mínimo.
Os juízes do TRT4 acrescentaram à condenação imposta
ao asilo no qual a reclamante trabalhava o pagamento de diferenças de
adicional de insalubridade pela consideração do salário
contratual como base de cálculo, com repercussões nas horas extras,
férias acrescidas de um terço, décimo-terceiro salário,
FGTS e multa de 40% (RO 00049200510204004).
Fonte: TRT4
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CONSULTOR JURÍDICO,
10 de julho de 2007
Pela celeridade
Vale do Rio Doce é multada
pelo TST por protelar ação
Por apresentar um recurso “manifestamente infundado”, a Companhia
Vale do Rio Doce foi multada pela 4ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho.
O valor foi fixado em 10% do valor da causa, o que corresponde a R$ 2,3 mil.
A decisão dos ministros foi dada após a análise de Agravo
de Instrumento em que a empresa insistia em dar seguimento ao Recurso de Revista
por ela ajuizado, já trancado pelo Tribunal Regional do Trabalho da
3ª Região (MG), por intempestividade.
Contra a justificativa do TRT-MG,
a Vale recorreu ao TST. Argumentou que houve equívoco na contagem
do prazo por causa do feriado local. O recurso foi apresentado um dia
depois do prazo legal de oito dias, mas a empresa não comprovou
a existência de feriado local ou de dia útil sem expediente
forense que pudesse justificar a prorrogação. A comprovação
só se deu no apelo ao TST, quando anexou aos autos documento extraído
do site do tribunal mineiro.
Segundo o ministro Ives Gandra
Martins, de fato, tais documentos atestam que houve suspensão
do expediente forense em Belo Horizonte na data prevista para expirar
o prazo legal de interposição de recurso. No entanto, considerou
que a sua apresentação somente em fase de recurso ao TST
o torna inócuo para rever a decisão regional que considerou
intempestivo o recurso.
Para o ministro, os pressupostos
objetivos e subjetivos do recurso devem ser aferidos no momento de sua
interposição, conforme o princípio da eventualidade.
Ives Gandra Filho registra que, tendo o apelo se revelado manifestamente
infundado por se insurgir contra jurisprudência do TST, impõe-se
acionar o dispositivo do Código de Processo Civil, como forma
de reparar o prejuízo sofrido pelo empregado. Assim como o artigo
5º da Constituição Federal, “que garante e exige
a utilização dos meios para alcançar a tão
almejada celeridade processual, dentre as quais se destaca a aplicação
de multa”.
IRR-205/2004-069-03-41.9
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 10 de julho de 2007 | Dinheiro
Custo da construção civil
sobe 0,53% em junho, diz IBGE
da Folha Online, no Rio
O Índice Nacional da Construção Civil, calculado pelo
IBGE em convênio com a Caixa Econômica Federal, registrou alta
de 0,53% em junho. Trata-se de uma queda de 0,37 ponto percentual em relação
a maio (0,90%). Na comparação com junho do ano passado (0,52%),
o índice atual foi praticamente igual.
Segundo o IBGE, o resultado é explicado
pela menor pressão de reajustes salariais da mão-de-obra.
No ano, o indicador acumula alta de 3,16% e nos últimos 12 meses,
de 5,18%.
O custo nacional por metro quadrado
passou de R$ 585,96, em maio, para R$ 589,04, em junho, dos quais R$
337,39 são relativos aos materiais e R$ 251,65 à mão-de-obra.
A parcela dos materiais registrou
apontou alta de 0,43% em junho, contra 0,13% de maio. Por outro lado,
a mão-de-obra recuou 1,29 ponto percentual, passando de 1,94%
(maio) para 0,65% (junho).
Pressionado pelos resultados
do Mato Grosso do Sul e de Goiás, o Centro-Oeste teve o índice
mais elevado (1,51%). Ainda acima do índice nacional (0,53%) esteve
a região Sul, com 0,81%.
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ESTADÃO.COM / NACIONAL,
10 de julho de 2007 | Nacional
MPs trancam seis em cada dez sessões
da Câmara
Estudo é do PSDB; Chinaglia diz que
solução seria emenda sobre votação de
MPs
Denise Madueño e Luciana Nunes
Leal, do Estadão
BRASÍLIA - Levantamento do PSDB na Câmara aponta que 65,73% das
sessões foram trancadas por medidas provisórias este ano, uma
média de seis em cada dez sessões. O porcentual é semelhante
ao de 2006, 65,71%, mas melhor que os de 2004 e 2005, de 71% e 76% respectivamente.
Em 2002, quando as regras atuais
entraram em vigor, 64% das sessões foram trancadas. Emenda constitucional
aprovada em 2001 prevê que depois de 45 dias da edição,
uma MP passa a trancar a pauta da Casa em que tramita, Câmara ou
Senado.
O presidente da Câmara,
Arlindo Chinaglia (PT-SP), admitiu que o excesso de medidas provisórias
do governo é um problema, mas acha que a solução
depende de acordo entre os partidos para aprovar uma emenda que altere
a de 2001.
“Não tem como fugir
de medida provisória. Para resolver, está sendo analisada
uma maneira de alterar o trâmite de MPs. Temos de aguardar e construir
uma aliança para aprovar um texto que modifique o trâmite,
que incomoda todo mundo, a mim também”, disse Chinaglia
na semana passada.
Sobre as votações
este ano, fez avaliação positiva. “Do ponto de
vista de produção legislativa, incluindo matérias
que vieram do Executivo, foi uma altíssima produção.
Minha convicção é que foi um bom semestre”,
disse. “Pelas regras atuais não tem com escapar da pauta
do Executivo. E houve o PAC, que tende a ser muito importante para
o País.”
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ÂMBITO JURÍDICO,
10 de julho de 2007
Ex-empregado pode permanecer em plano
de saúde privado mesmo sem vínculo empregatício
A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve decisão
que determinou à Caixa de Assistência dos Funcionários
do Banco do Brasil (Cassi) a reinclusão de ex-funcionário da
instituição no plano de saúde. Segundo a Turma, o artigo
30 da Lei 9656/98 não depende de outra norma para ser aplicado. O artigo
torna possível a continuidade de ex-funcionário, dispensado sem
justa causa, em plano de saúde privado, desde que assuma o pagamento
da parcela patronal. O processo foi relatado pela ministra Nancy Andrighi.
A decisão foi unânime.
A Cassi recorreu ao STJ após
as determinações dos juízos de primeiro e segundo
graus para a reinclusão de Geziel Rodrigues Costa, ex-funcionário
do Banco do Brasil (BB), no “Plano Associado”, da instituição
de saúde. Ele foi excluído do plano quando rompeu o vínculo
empregatício com o BB. Ao retirar o ex-funcionário, a Cassi
ofereceu a ele o “Plano Saúde Familiar”, mediante
o pagamento de valores mais altos.
Geziel Costa, que foi associado à Cassi
de maio de 1971 a julho de 2001, entrou com ação na Justiça
para ser reincluído no plano anterior, nas mesmas condições
de quando ainda era empregado do BB. A sentença determinou a reinclusão
do ex-funcionário, no prazo de 48 horas após a ciência
da decisão, no “Plano Associado”, desde que ele assumisse
a parcela que antes era de responsabilidade patronal. O juízo
definiu para Geziel Costa as mesmas condições do tempo
em que era empregado do BB, inclusive com relação aos dependentes
econômicos.
A Cassi apelou, mas o Tribunal
de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF) manteve a sentença.
A instituição de saúde recorreu ao STJ. Para a defesa
da Cassi, ao manter a sentença, o TJDF contrariou o artigo 30
da Lei 9656/98; o artigo 4º, inciso XI, da Lei 9961/2000 e as Resoluções
Consu 20 e 21. Para a empresa, o artigo 30 da 9656/98 não é auto-aplicável,
pois o “Conselho Nacional de Saúde Suplementar – ANS
deve regulamentar a matéria, nos termos do artigo 4º, inciso
XI, da Lei nº 9961/2000”. Além disso, segundo a instituição,
o autor não teria mais direito de discutir a questão na
Justiça, pois os prazos previstos nas Resoluções
20 e 21 estariam expirados.
Reinclusão
A ministra Nancy Andrighi manteve
a decisão do TJDF, favorável ao ex-empregado do BB. Com
isso, ele deve ser reincluído no “Plano Associado” da
Cassi. Para a relatora, o artigo 30 da Lei 9656/98 é auto-aplicável.
O dispositivo assegura a ex-empregado, exonerado sem justa causa, o direito
de manter a condição de beneficiário em plano de
saúde. “Pela simples leitura desse dispositivo, verifica-se
que se trata de norma auto-aplicável, eis que não necessita
de qualquer regulamentação para ter eficácia plena”,
entendeu a relatora.
Para ter seu direito garantido,
salientou a ministra Nancy, basta “que o consumidor que se sentir
prejudicado pela operadora de plano de saúde ingresse em juízo
contra essa (operadora), para fazer valer o direito conferido pela referida
norma (artigo 30)”. Nancy Andrighi ressaltou também que
o inciso XI do artigo 4º da Lei 9961/2000 – sobre a competência
da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) – “não
tem o propósito de regulamentar o direito conferido pelo artigo
30 da Lei 9656/98, mas ampliá-lo”. Condicionar o artigo
30 à regulamentação da ANS, segundo a ministra,
seria restringir o direito assegurado e, “por conseqüência,
ferir o espírito da Lei 9961/2000, bem como o artigo 196 da Constituição
Federal”.
De acordo com a ministra, a Lei
9961/2000 regula a atuação e competências da ANS,
e a 9656/98, por sua vez, regula os planos e seguros privados de assistência à saúde,
das empresas fiscalizadas pela agência. “As duas leis, por
conseqüência, tratam de questões semelhantes, mas não
idênticas, nem incompatíveis; pelo contrário, são
convergentes para dar máxima eficácia ao ‘direito
fundamental à saúde’”.
Além disso, segundo a
relatora, o artigo da 9961/2000 “amplia o acesso do trabalhador
demitido à saúde – sem impor, ressalte-se, qualquer
prejuízo econômico às empresas operadoras de planos
e seguros de assistência à saúde, porque esse direito é conferido
ao trabalhador demitido desde que ele assuma também o pagamento
da parcela anteriormente de responsabilidade patronal”.
A respeito das alegações
de contrariedade às Resoluções Consu 20 e 21, a
ministra Nancy Andrighi enfatizou que a matéria não é de
competência do STJ, conforme entendimento firmado pelo Tribunal
com base no artigo 105, inciso III, da Constituição Federal.
O voto da ministra foi seguido pelos demais integrantes da Turma. Com
a decisão, a Cassi terá de reincluir Geziel Costa como
seu beneficiário sob o “Plano Associado”, com as mesmas
condições de quando ele era dos quadros do Banco do Brasil,
inclusive com relação aos dependentes econômicos
do ex-empregado.
Elaine Rocha
REsp 820379
Fonte: STJ
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SINTRACOM MARINGÁ,
10 de julho de 2007
Sintracom Maringá vai
realizar circuito de segurança e saúde
no trabalho
Em parceria com o Sinduscon/Nor, o Sintracom Maringá estará realizando
nos meses de julho e agosto deste ano, mais um Circuito de Segurança
e Saúde no Trabalho. O projeto em comemoração aos
12 anos da NR-18, tem como objetivo atingir um número maior de
trabalhadores da construção civil de Maringá e Região.
O circuito terá início
no próximo dia 13/07 no município de Campo Mourão,
com cerca de 100 trabalhadores confirmados em apenas um canteiro
de obra, região onde atualmente o número de trabalhadores
cresceu consideravelmente devido a grande demanda na construção
civil.
O sintracom visita em
média 80 obras por mês, estando diariamente nos
canteiros fiscalizando e orientando, e mesmo assim, ainda encontra
trabalhadores que não usam equipamentos de segurança,
desrespeitando as normas da NR-18.
De início, o objetivo é atingir
mil trabalhadores só no mês de julho, o que já coincidi
com as comemorações do 12° aniversário
da NR-18. Os encontros terão duração de
1 hora de atividades com os trabalhadores, como palestras, vídeos,
treinamentos, sorteio de prêmios e lanches, tendo como
parceiro fundamental o CPR/PR.
O circuito de segurança,
acontecerá de início em obras que tenham de 50 à 100
trabalhadores, e os horários serão disponibilizados
pelas empresas. “No ano passado tivemos 1.115
inscrições e realizamos o encontro em um só local,
este ano, vamos levar ao canteiro da obra a mensagem de segurança
no trabalho e atingir um número ainda maior”,
informa Jorge Moraes presidente do Sintracom Maringá.
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Em
2005 o encontro em comemoração ao aniversário
da NR-18 reuniu 250 trabalhadores.
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Já em
2006, fora mais de 700 trabalhadores.
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Jorge
Moraes explica o uso de E.P.I.
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Dorvalino,
Diretor do Sintracom
em visita a obra.
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Agentes
do Comitê em visita.
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Folha de São Paulo,
10 de julho de 2007
RIO DE JANEIRO
Decisão do TRE torna inelegível
casal Garotinho
DA FOLHA ONLINE
O TRE-RJ cassou o mandato do
deputado federal Geraldo Pudim (PMDB-RJ) e determinou a inelegibilidade
de Rosinha Matheus e Anthony Garotinho, ambos do PMDB, por suposta compra
de votos. Segundo o relator do processo, juiz Marcio Mendes Costa, a
suposta compra de votos ocorreu em 2002.
Só o juiz Rudi Loewenkron
pediu vistas do processo, mas seu voto não muda o resultado.
O presidente do TRE-RJ, Roberto Wider, anunciará o resultado
do julgamento na quinta. Garotinho disse em nota que é irá recorrer. "Temos
a certeza de que as obras realizadas para o povo de Sapucaia não
tiveram interesse eleitoral."
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Folha de São Paulo,
10 de julho de 2007
Dólar fecha abaixo de R$ 1,90
após sete anos
FABRICIO VIEIRA
DA REPORTAGEM LOCAL
O dólar encerrou o dia
abaixo de R$ 1,90 pela primeira vez desde outubro de 2000. Apesar de
terem sido poucas as operações realizadas ontem, devido
ao feriado paulista da Revolução Constitucionalista, o
dólar recuou 0,26% e desceu a R$ 1,898. Devido ao feriado, a BM&F
(Bolsa de Mercadorias & Futuros), onde é negociada atualmente
uma importante parcela do mercado de câmbio, esteve fechada. Bancos
e corretoras que têm sua base em São Paulo também
não operaram, deixando os negócios restritos principalmente à praça
financeira carioca.
Operadores de corretoras
estimaram que o volume negociado ontem não tenha alcançado
US$ 200 milhões -o que equivale a 10% do giro de um dia normal.
Assim, o Banco Central preferiu não atuar no mercado. A Bovespa
não funcionou. Em Wall Street, o índice Dow Jones encerrou
com alta de 0,28%. A Bolsa eletrônica Nasdaq subiu 0,13%.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 10 de julho de 2007 | Economia
Produção industrial do
País cresce 1,3% em maio
Crescimento é registrado em 10
de 14 locais pesquisados; SP tem alta de 1,3%
Jacqueline Farid, da Agência Estado
RIO - A produção industrial cresceu em 10 dos 14 locais pesquisados
em maio ante abril, na série com ajuste sazonal, segundo divulgou nesta
segunda-feira, 9, o IBGE. Nessa base de comparação, as regiões
que cresceram acima da média nacional (1,3%) foram Goiás (6,1%),
Ceará e Santa Catarina (ambos com 3,4%), região Nordeste (3,0%),
Pará (2,5%) e Bahia (2,2%). São Paulo, maior parque industrial
do País, com cerca de 40% da produção nacional, apresentou
taxa de 1,3%, igual à média nacional.
As demais taxas positivas, na
comparação com abril, foram observadas no Espírito
Santo (1,2%), Minas Gerais (1,1%) e Pernambuco (0,7%). Os Estados com
redução na produção nessa base de comparação
foram o Rio de Janeiro (-0,2%), Paraná (-0,7%), Rio Grande do
Sul (-1,1%) e Amazonas (-2,5%).
O crescimento de 1,3% na produção
industrial de São Paulo em maio ante abril representou a quarta
taxa positiva consecutiva nessa base de comparação, segundo
o IBGE. O índice de média móvel trimestral, considerado
o principal indicador de tendência, mostrou expansão de
0,5% na indústria paulista no trimestre encerrado em maio, ante
o terminado em abril.
Na comparação com
maio do ano passado, o aumento de 3,2% na indústria paulista foi
o quinto consecutivo. No ano, São Paulo acumulou alta de 3,4%
na produção e, em 12 meses, de 2,9%.
Em relação a maio
de 2006 (3,2%), 15 das 20 atividades pesquisadas em São Paulo
contribuíram positivamente para a formação da taxa
geral, com os principais destaques de impacto vindo de máquinas
e equipamentos (16,9%), farmacêutica (14,9%) e material eletrônico
e equipamentos de comunicações (17,5%). Por outro lado,
máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-14,4%), refino
de petróleo e produção de álcool (-6,3%)
e alimentos (-4,7%) exerceram os impactos negativos mais relevantes na
indústria do Estado.
Ainda em maio, mas na comparação
com maio de 2006, os índices regionais mostraram crescimento em
12 dos 14 locais. Os principais destaques ficaram com Pernambuco (9,7%),
Rio Grande do Sul (9,5%), Minas Gerais (8,5%) e Santa Catarina (7,1%),
que mostraram resultados acima da média nacional (4,9%).
Ceará (4,8%), Paraná (4,2%),
São Paulo (3,2%), região Nordeste (2,9%), Espírito
Santo (2,5%), Rio de Janeiro (2,0%), Pará (1,3%) e Bahia (0,5%)
também cresceram, mas abaixo do total do País. Houve queda
na produção somente em Goiás (-0,2%) e no Amazonas
(-1,9%).
Bens de capital e veículos
Os dados regionais da produção industrial confirmam a importância
dos segmentos de bens de capital e veículos automotores para o crescimento
do setor em maio, segundo observou o economista André Macedo, da coordenação
de indústria do IBGE.
Como exemplo, ele cita os Estados
da região Sul, onde há aumento da produção
em bens de capital ligados à agricultura e, sobretudo, São
Paulo, onde essa categoria, segundo Macedo, puxou os resultados para
cima em todas as bases de comparação. Além de bens
de capital, a indústria automobilística também contribuiu
para bons desempenhos no Sul, Minas Gerais e na indústria paulista.
Em maio, ante igual mês
do ano passado - base de comparação para a qual há dados
setoriais - o principal destaque da produção em São
Paulo, em termos de impacto positivo, foi o segmento de máquinas
e equipamentos (16,9%), explicado, principalmente, pelo bom desempenho
de bens de capital tipicamente industriais e agrícolas, com destaque
para os itens centros de usinagem e máquinas para colheita.
No Paraná, os maiores
destaques na formação da média global (4,2%) foram
veículos automotores (12,1%) e máquinas e equipamentos
(22,2%). No Rio Grande do Sul, o avanço de 9,5% na produção
total ante maio de 2006 também contou com forte influência
de máquinas e equipamentos (44,3%) e veículos automotores
(29,6%).
Outro exemplo do impacto
positivo de bens de capital e veículos automotores para os resultados
regionais, citado por Macedo, foi o de Minas Gerais, onde a expansão
de 8,5% ante maio de 2006 teve influência positiva de veículos
automotores (18,9%), principal destaque no mês na indústria
local de transformação.
Fonte Gráfico: GAZETA DO POVO

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JORNAL GAZETA DO POVO, 10
de julho de 2007 | Economia
Balança Comercial
Exportação de carnes
supera a marca dos US$ 10 bilhões nos últimos 12
meses
por DA REDAÇÃO COM AGÊNCIAS
A balança comercial apresentou um saldo positivo de US$ 927 milhões
na primeira semana de julho (de 1 a 8), segundo divulgou ontem o Ministério
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). O resultado
contribuiu para o superávit comercial acumulado no ano, que está em
US$ 21,589 bilhões, um crescimento de 1,6% em relação
ao mesmo período do ano passado (US$ 21,238 bilhões).
Um destaques foi a exportação
de carnes, que superou a marca dos US$ 10 bilhões no acumulado
de doze meses. Com o valor, esse passa a ser o segundo item do agronegócio
a integrar o seleto grupo dos setores que exportaram mais de US$ 10 bi
no acumulado dos últimos 12 meses – ao lado de complexo
soja, material de transporte e componentes, produtos metalúrgicos,
petróleo e derivados de petróleo, minérios metalúrgicos
e produtos químicos. No acumulado do período entre junho
de 2006 e junho de 2007, as carnes representaram aproximadamente 7% dos
US$ 149,96 bilhões exportados pelo Brasil. Os dados integram a
Balança Comercial do Agronegócio, divulgada pela Secretaria
de Relações Internacionais do Agronegócio do Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Se considerados os últimos
doze meses, a carne bovina representa 44% do valor exportado (4,4 bilhões)
pelo complexo carnes. Em segundo lugar está a carne de frango,
com 38,40%, o equivalente a US$ 3,8 bilhões, seguido pela carne
suína, com 11,63% – ou U$ 1,16 bilhão.
Em junho, as exportações
de carne foram 33% maiores do que no mesmo período de 2006. O
produto embarcado passou de US$ 678,9 milhões para US$ 902,9 milhões
e houve crescimento no total exportado para o exterior de todos os itens
do complexo carnes, exceto para a in natura. As exportações
de carne de frango in natura apresentaram crescimento de 77,4%, e as
exportações de carne suína in natura registraram
incremento de 34%.
Em junho, as exportações
do agronegócio brasileiro somaram US$ 5,024 bilhões. O
valor é o mais alto para meses de junho na série histórica
e representa crescimento de 19% em relação ao mesmo período
de 2006. As importações cresceram 28,3% e alcançaram
US$ 611 milhões, totalizando superávit de US$ 4,413 bilhões.
No primeiro semestre de
2007, as exportações do agronegócio somaram US$
26,751 bilhões – 25,3% acima do valor exportado no primeiro
semestre de 2006. Os setores que mais contribuíram em valor
absoluto para o aumento das exportações foram o complexo
soja (61%); carnes (33%); sucos de frutas (112,3%); e cereais, farinhas
e preparações (128%).
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JORNAL DO ESTADO, 10 de julho
de 2007 | Trabalho & Negócios
Curso de pedreiro
Elas põem a mão na massa
Um grupo de nove mulheres do bairro Sambaqui está colocando, literalmente,
a mão na massa.
Foto: Foto: Ricardo Almeida/SMCS

Mulheres do Conjunto Sambaqui aprendem técnicas de mão-de-obra
da construção civil
Um grupo de nove mulheres do
bairro Sambaqui está colocando, literalmente, a mão na
massa. Elas participam do primeiro curso de servente de pedreiro promovido
pela Prefeitura de Curitiba, por meio dos Liceus de Ofícios da
Fundação de Ação Social (FAS). O curso faz
parte do programa João-de-Barro e é promovido em parceria
com a Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab).
São catadoras de papel,
diaristas e artesãs que buscam novas oportunidades de trabalho
ou apenas querem aprender, para ajudar na construção de
suas próprias casas.
No total, o curso tem 17 alunos, oito são homens. Ao lado das alunas
mulheres, eles participam de aulas práticas construindo um barracão
de 70 metros quadrados. O barracão está sendo levantado num terreno
cedido pela Cohab e abrigará atividades socioeducativas — cursos,
palestras, reuniões — para a comunidade do Conjunto Moradias Sambaqui,
na região do Sítio Cercado.
Sob olhares ainda receosos dos
colegas homens, as mulheres convivem em pé de igualdade na disputa
pela atenção do instrutor José Osvaldir do Prado,
técnico em edificações do Serviço Nacional
da Indústria (Senai).
Com as ferramentas em punho, alunos e alunas trabalham na escavação
da fundação e preparam a massa (cal, cimento e areia) para o
assentamento dos tijolos e levantamento das paredes. Fazem, também,
as armações em ferro para os baldrames do alicerce da construção.
Enquanto ensina as alunas Neila Maria, Eloah Alves e Rosane Neves a preparar
as armações em ferro para as vigas de concreto, o instrutor diz
que “embora as mulheres sejam de natureza mais delicada, suas alunas
estão disfarçando bem”.
Assim como os homens, elas têm
que entortar e desentortar ferro, bater massa de cimento e também
vão aprender a assentar tijolos. “Aqui todo mundo põe
a mão na massa. Ninguém faz corpo mole”, afirma o
instrutor Prado.
“ Estamos aprendendo de tudo um pouco”, diz Fátima Alves Aranha,
46 anos, que mora num barraco de madeira no Sambaqui. Ela trabalha como diarista
e artesã, vendendo peças que faz em crochê e com material
plástico reciclado. Fátima está no curso de servente porque
pretende ajudar o marido a construir a nova casa deles, que será em alvenaria,
de acordo com um projeto fornecido pela Cohab. “Quero participar de todas
as etapas, tijolo por tijolo, porque aqui será construída a casa
dos meus sonhos”, diz Fátima apontando para o local onde fará a
própria obra.
Mércia, Eliane,
Rose, Rosana e Luci são pintoras de parede, trabalharam na pintura
de 60 casas na comunidade do Sambaqui e agora fazem o curso de servente
de pedreiro. “Queremos nos aperfeiçoar cada vez mais”,
diz Luci, 46 anos.
A diretora da área de geração de trabalho e renda da Fundação
de Ação Social, Ana Maria Ghignone, diz que as construtoras já estão
de olho na mão-de-obra feminina porque as mulheres são mais detalhistas
na hora do acabamento. “As mulheres economizam mais em material, não
desperdiçam porque já estão acostumadas a administrar
as coisas dentro de casa. Muitas delas são as provedoras da família,
sabem fazer as contas e controlar bem o orçamento doméstico”,
afirma Ana Maria.
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JORNAL DO ESTADO, 10 de julho
de 2007 | Trabalho & Negócios
Saúde no trabalho
Ergonomia ainda é vista como “luxo”
Para especialista, fiscalização
nas empresas deveria ser mais rigorosa na aplicação
de lei
Da Redação
A ergonomia, que prevê o desenvolvimento de um ambiente propício à atividade
do trabalhador, está prevista na lei NR17/1990, mas ainda é encarada
como um “luxo caro” por algumas empresas. No entanto, segundo o
fisioterapeuta do trabalho Alison Klein, ela ainda não é exigida
com o mesmo rigor que as normas de segurança do trabalho, por exemplo,
pelos auditores fiscais da Delegacia Regional do Trabalho (DRT-PR). “A
maioria só adapta seus ambientes à norma após a fiscalização,
quando já foram multadas ou advertidas”, observa Klein que é diretor-técnico
do Serviço Especial de Fisioterapia do Trabalho SEFIT – Prevenção
Laboral. A multa é de R$ 1000 por posto de trabalho.
Entre os problemas de saúde
que mais provocam afastamentos superiores a 15 dias da atividade profissional,
o campeão é a dor nas costas. Somente em 2004, essa foi
a causa de 80.833 trabalhadores serem afastados do emprego — o
número inclui também os problemas de coluna. Os dados fazem
parte do estudo realizado pela pesquisadora Anadergh Barbosa Branco,
da Universidade de Brasília, e levou em consideração
os 26,5 milhões de afastamentos registrados em 2004 pelo Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS).
Para Klein, esses números
são a evidência de que as empresas não cuidam como
deveriam da saúde do trabalhador e pouco aplicam as normas previstas
na NR17.
O fisioterapêuta afirma que A NR17 regulamenta claramente diversos aspectos
do ambiente e das tarefas do trabalho. Um exemplo é o mobiliário. “Cadeiras,
mesas, bancadas de trabalho ideais são descritas nas disposições,
além da melhor forma de utilização de equipamentos”,
aponta o fisioterapeuta. Outras orientações falam a respeito
das tarefas dos funcionários, como realizá-las com maior segurança
e distribui-las melhor ao longo da rotina diária.
DRT — O Delegado
Regional do Trabalho, Geraldo Serathiuk, rebateu a crítica de
Klein. “Quando vamos a uma empresa, sempre verificamos todas
as normas de segurança e também as de ergonomia”,
diz.
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JB ONLINE / RIO DE JANEIRO,
10 de julho de 2007 | País
Reformas longe das prioridades da Câmara
BRASÍLIA. Sem consenso
entre os aliados, a reforma política deve ficar para depois do
recesso legislativo. Mesmo com duas semanas de debates no plenário
da Câmara, o próprio presidente da Casa, Arlindo Chinaglia
(PT-SP), que fez da matéria uma bandeira para os primeiros meses
de sua gestão, já admite que a reforma deve ficar para
o próximo semestre, por força da resistência da base
governista. Esta semana, os deputados tentarão mais uma vez votar
os quatro pontos da reforma que estão emperrados no plenário
da Câmara - teto para gasto com campanha de deputados e vereadores,
fidelidade partidária, financiamento público e fim das
coligações. Mas, para Chinaglia, apenas a questão
da fidelidade partidária e o fim das coligações
têm reais chances de acordo.
Assim como a reforma política,
outras propostas enviadas ao Parlamento vistas como de interesse geral
só fazem encher as gavetas do Congresso de boas intenções.
Projetos feitos pelo Executivo ou elaborados por parlamentares como resposta
a escândalos ou para atualizar a legislação são
esquecidos tão logo baixe a poeira das crises. Ou surja um novo
escândalo que tome conta do noticiário. Em seguida, voltam
a dormir nos escaninhos da Câmara e do Senado.
A proposta de reforma política é um
exemplo notório. Tramita há 20 anos no Legislativo, volta à tona
sempre que um escândalo político abala a imagem do governo
ou da Casa e não consegue andar. Em situação semelhante,
as reformas universitária e sindical, enviadas ao Congresso com
pompa e circunstância pelo governo no primeiro mandato de Lula,
até agora não conseguiram sequer chegar ao plenário
da Câmara.
- Precisamos fazer um esforço
para votar a reforma sindical porque se não aprovarmos neste ano
acabou - diz o líder do governo na Casa, José Múcio
Monteiro (PTB-PE), admitindo a dificuldade de realização
da tarefa. Como tentativa de acelerar sua tramitação no
Legislativo, a proposta de reforma sindical foi elaborada por um fórum
que reuniu sindicatos, governo e empresas para discutir o tema. Todo
esse esforço não foi suficiente para evitar que o texto
acabasse parado no Congresso.
- É uma discussão
pesada, demorada, que o governo quer retomar a partir de setembro. Mas,
por causa das eleições municipais de 2008, teremos que
correr para aprovar a reforma. Depois não haverá ambiente
político para algo tão polêmico.
A reforma tributária é outra
matéria vista como necessidade urgente do governo, mas que tem
colecionado contratempos no Congresso desde o primeiro mandato de Fernando
Henrique Cardoso. E que, da mesma forma, terá suas condições ótimas
para debate reduzidas a apenas este ano. Nova proposta de reforma deve
ser enviada pelo governo ao Parlamento em setembro.
- O problema é que
o governo insiste em agradar a gregos e troianos o tempo todo e perde
o rumo de suas propostas. Existe força política para
aprovar essas matérias, o que não existe é disposição
do Palácio do Planalto em enfrentar os desgostosos com as reformas,
que fatalmente surgem - acredita o líder do PSDB na Câmara,
Antônio Carlos Pannunzio (SP). - Esse governo vai se notabilizar
pelo que deixou de fazer, e isso ocorre apenas por causa dessa estratégia
equivocada de tentar não desagradar a ninguém. Por conta
disso a reforma sindical ainda não foi sequer discutida aqui
dentro, e a trabalhista sequer chegou ao Congresso.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 10 de julho de 2007 | Nacional
Governo dá R$ 5,8 milhões
a ONGs do MST
Ninguém sabe onde dinheiro recebido
por assentados de Itapeva é aplicado
José Maria Tomazela, do Estadão
TAPEVA - O trabalhador rural Gilberto Batista da Silva é militante do
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e assentado na Agrovila
4 do Assentamento Pirituba, em Itapeva, no sudoeste de São Paulo. Em
junho de 2005, ele se tornou presidente da Associação dos Pequenos
Produtores do Bairro Pinhal, em Guapiara, cidade vizinha.
Na mesma assembléia, com
o voto de 14 membros, a pequena associação transformou-se
no Instituto Técnico de Estudos Agrários e Cooperativismo
(Itac), organização não-governamental que, em cinco
meses, do final do ano passado a maio deste ano, recebeu R$ 4,5 milhões
do governo federal.
Desde a última semana
de dezembro, quando assinou o primeiro convênio com o Ministério
do Desenvolvimento Agrário (MDA), no valor de R$ 430 mil para “qualificar
tecnicamente trabalhadores rurais assentados”, Gilberto não
preside mais o instituto. Ele cedeu o posto a Paulo César Ueti
Barasioli e a antiga associação migrou de Itapeva para
o Edifício Villares, em Brasília.
Seu companheiro de militância
e vizinho na agrovila Ismael Rodrigues da Silva também preside
uma ONG que já recebeu R$ 1,3 milhão do MDA, a Inocar.
Somados, os recursos liberados para os dois institutos criados no assentamento
do MST somam R$ 5,8 milhões entre o final de dezembro e maio.
Após a saída de
Gilberto do Itac, o derrame de dinheiro público na ONG só fez
aumentar. Em 26 de janeiro, o instituto recebeu mais R$ 637 mil referentes
a convênio com o MDA, no valor de R$ 1,2 milhão, para “capacitação
dos beneficiários da reforma agrária, assentados”.
O Ministério da Educação
foi ainda mais generoso: em 29 de março deu R$ 654 mil para “desenvolver
ações com vistas à melhoria da qualidade do ensino
ministrado nas escolas do campo”. Já em 24 de maio, liberou
mais R$ 2.760.341,76 para a “conjugação de esforços
no sentido da alfabetização de jovens e adultos”.
Não se sabe onde esse
dinheiro é aplicado. “Aqui em Itapeva não é”,
garante o prefeito Luiz Cavani (PT). “O município não
tem nada a ver com esses convênios. Antes tivesse.” Gilberto
não foi encontrado para falar sobre o caso. Sua mãe, Ilda
Martins de Souza, que também compunha a diretoria do Itac, nada
sabe a respeito de verbas. “É coisa do movimento”,
esquiva-se.
Antiga líder do MST, Ilda
conta que o filho mora numa casinha modesta e vive da renda do lote.
A família é vizinha de Delweck Matheus, dirigente estadual
do MST, assentado na Agrovila 1. Márcio Silva, irmão de
Gilberto e também ex-diretor da ONG, é cunhado de Matheus.
As duas escolas do assentamento, que atendem 355 famílias, têm
cursos de alfabetização de adultos mantidos pela prefeitura.
Ninguém conhece o trabalho
do instituto, nem o analfabeto Altevino Vieira, 56 anos, que vende caldo
de cana na porteira do seu lote. “Na minha idade não compensa
mais aprender a ler”, lamenta. Conta que a Usina de Beneficiamento
de Leite, inaugurada em março, a um custo de R$ 800 mil - também
liberados pelo MDA em parceria com a prefeitura -, ainda não funciona.
O telefone do Itac em Brasília não respondia na sexta-feira.
Seu coordenador pedagógico,
Tiago Manggini, responde também pelo setor educacional do MST.
O Itac é considerado o braço educacional do MST, tanto
que sua sede em Brasília funciona no prédio da direção
nacional do movimento. Manggini também não foi encontrado.
Na semana passada, rebateu denúncia de irregularidades na aplicação
dos recursos do programa Brasil Alfabetizado - o instituto teria recebido
verba para turma de alfabetização, sem iniciar as aulas.
Inocar
O Assentamento Pirituba, do MST, gerou outra ONG, o Instituto de Orientação
Comunitária e Assistência Rural (Inocar), criado na década
de 90 para trabalhar com agricultura alternativa, segundo o engenheiro agrônomo
Francisco Feitosa, que participou da fundação.
Ficou parado vários anos.
Em 2006, quando o Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária (Incra) decidiu colocar em vigor lei de 2001 que obriga
o georreferenciamento dos imóveis para registro em cartório,
ele foi “ressuscitado”, segundo Feitosa. “Mudaram o
estatuto sem consultar a antiga diretoria e tornaram a ONG uma empresa.” Os
imóveis com até 4 módulos rurais (80 hectares) serão
georreferenciados às expensas do Incra.
Quando foi reativado, o Inocar
funcionava no escritório do Incra de Itapeva, onde trabalha a
mulher do dirigente do MST Delweck Matheus. Depois, abriu sede na cidade
e uma filial em São Paulo. A ONG mantém ainda técnicos
no 4º andar do prédio do Incra na capital. Matheus não
retornou as ligações. O Inocar assinou convênios
de quase R$ 1,4 milhão com o MDA. Foram liberados R$ 800 mil para “ação
conjunta” em serviços de georreferenciamento de imóveis
rurais e R$ 454.507,00 para serviços de topografia e cartografia
em lotes.
“Somos uma ONG sem fins
lucrativos”, explica o presidente Ismael Rodrigues. Ele garante
que não há ligação com o MST, embora sua
família seja assentada na Agrovila 4, de Pirituba. Diz que o instituto
cumpre o convênio. “Temos 100 áreas praticamente prontas.”
O engenheiro agrimensor Waldirley
Ferreira, que trabalha há 18 anos no setor, estranha o Inocar. “Ele
saiu do nada, não tinha nenhuma ligação com agrimensura.” Quando
foi contratado pelo Incra, o instituto não tinha nem sequer registro
no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura. Agora, prepara-se para
alçar vôo maior: disputará o georreferenciamento
em outros Estados. O Incra estabeleceu critérios mínimos,
entre eles o da experiência anterior - e nisso poucos interessados
terão condições de concorrer com o Inocar.
A vereadora Áurea
Aparecida Rosa (PTB), de Itapeva, iniciou investigação
sobre as ONGs, que, para ela, podem estar servindo para “facilitar” o
repasse de recursos do governo para o MST.
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CONSULTOR JURÍDICO,
10 de julho de 2007
Solução do conflito
Conciliação aumenta na
Justiça do Trabalho do Maranhão
O número de conciliações e acordos na Justiça do
Trabalho do Maranhão é cada vez maior. As 21 varas trabalhistas
do estado conciliaram 707 processos em maio, um aumento de 33% do total de
conciliação em relação ao mês anterior, quando
533 processos foram conciliados. O levantamento é da Corregedoria do
Tribunal Regional do Trabalho no Maranhão.
Em maio, foram 3.088 audiências,
1.975 solucionadas e 1.861 novas ações. No mês, foram
iniciadas 1.132 e encerradas 515 execuções. As varas trabalhistas
arrecadaram mais de R$ 95 mil em custas processuais.
O recolhimento para a Previdência
Social ultrapassou os R$ 700 mil. Já a arrecadação
de Imposto de Renda chegou a R$ 290 mil. Os valores arrecadados decorrentes
de multas aplicadas pela Delegacia Regional do Trabalho ficaram em mais
de R$ 51 mil. Os pagamentos feitos aos reclamantes ultrapassaram R$ 5
milhões.
Desde 2003, com a instalação
do Juízo Exclusivo de Conciliação, os acordos têm
sido estimulados no estado, com o objetivo de facilitar a conciliação
em qualquer fase do processo. No ano passado, o TRT conseguiu mais de
300 acordos, no dia “D” da conciliação, em
que foram feitas cerca de 950 audiências conciliatórias.
Em dezembro, o TRT-MA aderiu ao movimento Conciliar é legal, do
Conselho Nacional de Justiça, ocasião em que foram assinados
395 acordos.
De acordo com o presidente
do TRT-MA, desembargador Gerson de Oliveira Costa Filho, a Justiça
do Trabalho tem por vocação a prática da conciliação. “Nosso
objetivo é pacificar as relações de trabalho e
o TRT do Maranhão vem buscando aumentar os índices de
conciliação.”
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CONSULTOR JURÍDICO,
10 de julho de 2007
Briga do quinto
Advogados querem anular lista da
OAB para vaga no TRT
Advogados fluminenses estão contestando no Supremo Tribunal Federal
a lista sêxtupla enviada para o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região
para escolha da vaga do quinto constitucional.
O pedido de Mandado de Segurança
foi ajuizado pelos advogados Celso Braga Gonçalves Roma, Antonio
Vanderler de Lima, Manoel Branco Braga, Ondina Maria de Mattos Rodrigues,
Neuza Rodrigues de Saba e Fernando da Silva Andrade. São indicados
como listiconsortes passivos o TRT-1 e o presidente da República.
Segundo os advogados, o TRT-1
devolveu a lista à OAB-RJ sem submetê-la ao pleno do tribunal.
Alegava que não havia solicitado a lista e pediu a substituição
por outra em momento oportuno. Segundo o TRT, ao enviar primeira lista,
a OAB-RJ teria se precipitado.
Já a OAB-RJ é indicada
como autora de decisão irregular quando o conselho da entidade
anulou a lista e a substituiu sem avisar os advogados. Os reclamantes,
que faziam parte da lista, só tomaram conhecimento do ato após
a decisão do ministro Joaquim Barbosa, que declarou a perda do
objeto do MS 26.438, com base na decisão da OAB.
O presidente da República
também é citado porque assim determina a Súmula
627 do STF: “No Mandado de Segurança, contra a nomeação
de magistrado da competência do presidente da República,
este é considerado autoridade coatora, ainda que o fundamento
da impetração seja nulidade ocorrida em fase anterior do
procedimento”.
A presidente do STF, ministra
Ellen Gracie, requisitou informações às autoridades
coatoras para decidir sobre o pedido.
MS 26.787
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
10/07/2007
Fábrica de autopeças é condenada
a reintegrar trabalhadora
A Indústrias Arteb S.A.,
de São Bernardo do Campo (SP), foi condenada pela Justiça
do Trabalho a reintegrar a seus quadros uma trabalhadora demitida em
1995. A perícia médica realizada a pedido da 2ª Vara
do Trabalho de São Bernardo concluiu que a empregada era portadora
de tenossinovite relacionada às atividades desenvolvidas na fábrica,
e que esta condição reduzia sua capacidade de trabalho,
garantindo-lhe estabilidade. A decisão foi mantida sucessivamente
pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP) e pela
Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho, que rejeitou (não
conheceu) recurso de revista da empresa contra a reintegração.
A trabalhadora foi admitida pela
Arteb, fabricante de faróis e lanternas para automóveis,
como montadora especial em 1982. Ao ser demitida, ajuizou a reclamação
trabalhista afirmando ter adquirido uma série de problemas de
saúde em decorrência das condições adversas
do ambiente de trabalho, sendo o principal deles a tendinite, nos dois
braços. Pediu a reintegração ao emprego ou a indenização
correspondente, e solicitou a realização de perícia
médica.
A Arteb, na contestação,
sustentou que a empregada foi periciada pelo INSS, que concluiu não
haver seqüelas indenizáveis, e protestou contra a realização
da perícia, uma vez que a convenção coletiva da
categoria exigia o laudo do INSS para fins de estabilidade. Alegou também
que “a função da trabalhadora não poderia
causar-lhe qualquer moléstia, uma vez que, no desempenho de suas
atividades, inexistia a necessidade de se expor a condições
agressivas de trabalho ou fazer esforços repetitivos, sendo sua
função de natureza leve”, e que não havia,
em seu prontuário médico, registro das supostas seqüelas.
O laudo pericial concluiu pela
ocorrência da tenossinovite no punho direito, relacionada à atividade
desenvolvida e que impediria o trabalho com movimentos repetitivos. A
empresa impugnou o laudo. “Se é verdade que as atividades
desenvolvidas desencadearam a doença, e a reclamante movimentava
as duas mãos, então por que é portadora de tenossinovite
somente no punho direito?”, questionou. O perito explicou, em laudo
complementar, que em todas as atividades verificou-se a ocorrência
de movimentos manuais em grandes quantidades, caracterizando movimentos
repetitivos. “Portanto, quando não realiza um dado movimento
repetitivo, realiza outro e sempre com os membros superiores, notadamente
o direito, por ser destra e nele utilizar mais força e velocidade”.
O juiz da 3ª Vara do Trabalho
de São Bernardo do Campo, ressaltou na sentença que a exigência
do atestado da Previdência Social prevista na convenção
coletiva deveria ser interpretada contextualmente, e serviria para estabelecer
um árbitro isento para o diagnóstico, para que o empregador
se certificasse da existência da doença e tolerasse a restrição
de seu poder de demitir. Além dessa interpretação,
a cláusula seria desprovida de validade, por se tratar de tema
de ordem pública. “O acesso à Justiça é garantia
constitucional que não pode ser restringida pela vontade das partes”,
afirmou o juiz, “e apenas se torna possível se for concedida
a possibilidade de demonstração dos fatos de que resulta
a alegação de violação da ordem jurídica.” A
Arteb, foi, assim, condenada a reintegrar a trabalhadora, e a condenação
foi mantida pelo TRT/SP, que negou provimento a seu recurso ordinário.
No recurso de revista, a empresa
insistiu na ausência de nexo de causalidade entre a tenossinovite
e as atividades exercidas pela montadora. Sustentou que a perícia
realizada era “absolutamente desnecessária” devido
ao laudo emitido pelo INSS em sentido contrário, e que o laudo
devia ser anulado “pois contém inúmeras falhas e
contradições”. A ministra Dora Maria da Costa observou
que todas as alegações da Arteb exigiriam o reexame de
fatos e provas, o que não é permitido em recurso de revista,
conforme a Súmula nº 126 do TST. (RR 650143/2000.6)

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