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Agência Diap, 14 de
julho de 2007
BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO
Mais de 8 milhões
de aposentados e pensionistas recorrem aos empréstimos
consignados
Segundo informações do Ministério
da Previdência Social (MPS), mais de oito milhões
de aposentados e pensionistas do INSS já recorreram
a empréstimos consignados em folha de pagamento.
Desde maio de 2004 quando foi autorizado o empréstimo até junho
deste ano, o acumulado ultrapassa 18 milhões de operações,
que representam mais de R$ 25 milhões. Só no mês
de junho foram registradas 849.993 operações, e emprestados
mais de R$ 876 milhões.
Os números são preocupantes e representam o alto grau
de endividamento de aposentados e pensionistas. Infelizmente, os beneficiários
do INSS continuam tendo de recorrer aos empréstimos consignados,
para sobreviver, e arcar com os juros estratosféricos do sistema
bancário. (Alysson Alves com MPS)
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Agência Diap, 14 de
julho de 2007
LINHA DE CRÉDITO
BB reduz juros para
linha que antecipa 13º salário do trabalhador
O Banco do Brasil reinicia na segunda-feira (16),
as contratações da linha de crédito
que antecipa o 13o salário. Nesta etapa, a linha atende
aos trabalhadores que recebem a segunda parcela do 13o no
segundo semestre e aqueles que recebem o abono salarial em
parcela única. Para a nova temporada, as taxas do
BB caem de 2,74% ao mês para 2,59% ao mês.
A linha do BB, que antecipa até 70% do 13º salário,
também está disponível para aposentados e pensionistas
do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Nacional) que recebem o benefício
creditado em conta corrente no Banco. O BB encerrou o primeiro semestre
com mais de 81 mil operações contratadas nessa modalidade.
O valor do desembolso atingiu R$ 45,6 milhões ante R$ 35 milhões
financiados em igual período do ano anterior – valor que
representa incremento de cerca de 30% em relação aos
empréstimos do primeiro semestre de 2006.
Limite
O limite mínimo do empréstimo é de R$ 100 e o
máximo de R$ 5 mil. A tarifa de abertura de crédito (TAC) é de
5% sobre o valor solicitado, limitado ao valor mínimo de R$
20 e máximo de R$ 150.
A quitação do empréstimo é feita pelo
cliente em parcela única na data em que receber o 13º salário
ou no prazo limite de 15 de janeiro de 2008, o que ocorrer primeiro.
A contratação estará disponível para os
clientes do BB por meio dos terminais de auto-atendimento e da internet,
no portal www.bb.com.br
O cliente do Banco não compromete a margem disponível
para as demais modalidades de empréstimo quando contrata a antecipação
do décimo terceiro. Para ter acesso ao crédito, além
da aprovação cadastral, é necessária a
existência de convênio específico entre o empregador
e o Banco do Brasil para a linha BB Crédito 13º Salário.
A formalização desse convênio é simplificada
e deve ser feita na agência centralizadora da folha de pagamento
da empresa ou ente público. (Banco do Brasil)
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Jornal Agora, 14 de julho
de 2007
Salário mínimo em
2011 será de R$521
PROPOSTA TAMBÉM INCLUI
O PISO DO INSS, MAS SINDICATOS QUEREM COMPENSAÇÕES
PARA APOSENTADOS. EM 2008, SALÁRIO DEVERÁ SER
R$ 408
O salário minimo nacional deverá chegar a R$ 521 em 2001,
e o mesmo deverá ocorrer com o reajuste dos aposentados do INSS
(Instituto Nacional do Seguro Social). A política de reajuste
segue o projeto da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias)
para 2008, que vai a sanção presidencial. O piso da Previdência
será de R$ 408 no ano que vem, de R$ 441 em 2009, de R$ 479 em
2010 e de de R$ 521 em 2011, de acordo com Fernando Meneguin, da Consultoria
Legislativa do Senado.
" Não é uma política justa. Para uma vida digna, o
piso hoje deveria ser R$ 1.000", disse Benedito Marcílio, presidente
da Cobap (Confederação Brasileira dos Aposentados).
O Sindicato Nacional dos Aposentados da Força Sindical apóia
a valorização do mínimo, mas quer mais benefícios
para aposentados, como desconto em remédios e juros menores nos
empréstimos. (JG)
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STJ, 14 de julho de 2007
DECISÃO
Mantidos efeitos de decisão
que garante recolhimento de tributo sobre serviço de cooperativas
de trabalho
A Aché Laboratórios Farmacêuticos S.A deve pagar
o tributo à seguridade social de 15% sobre o valor bruto da nota
fiscal, relativo aos serviços prestados por cooperativas de trabalho.
O ministro Raphael de Barros Monteiro Filho, presidente do Superior Tribunal
de Justiça (STJ), negou seguimento à medida cautelar com
a qual a empresa pretendia suspender os efeitos da decisão da
Justiça Federal que reconhece a legalidade da cobrança.
A empresa, tomadora de serviços de contrato de assistência
médica hospitalar com a Unimed, que é uma cooperativa
de trabalho médico, se diz surpreendida com o tributo que começou
a vigorar a partir de 2000, com a Lei 9.876/99. Não disposta
a trocar o plano de saúde, a empresa impetrou mandado de segurança
com pedido de liminar.
Inicialmente, o juiz de primeira instância concedeu a liminar
suspendendo a contribuição instituída pela lei.
Posteriormente, foi concedido o pedido, confirmando-se a liminar. Mas
o INSS apelou, e o Tribunal Regional Federal da 3ª Região
julgou improcedente a impetração e denegou a ordem. Desta
decisão, foi interposto recurso especial ao STJ.
Como a questão ainda se encontra pendente de apreciação,
a Aché apresentou a medida cautelar, tentando manter em suspenso
(dar efeito suspensivo ao recurso) os efeitos da decisão até a
análise final do recurso.
Ao apreciar a ação, o ministro Barros Monteiro ressaltou
que somente em casos excepcionalíssimos pode-se dar ao recurso
efeito que ele não tem. Para tanto, é necessário
demonstrar a plausibilidade do direito e a existência de dano
de impossível ou de difícil reparação.
Além de não ser esse o caso, o STJ já tem firmado
o entendimento de que a mera possibilidade de se exigir o tributo não é suficiente
para ocasionar prejuízos irreparáveis ao contribuinte.
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Gazeta do Povo, 14 de julho
de 2007
BRASIL | GOVERNO
Projeto de fundação
estatal altera relações trabalhistas
Movimento sindical de servidores
públicos promete reagir contra proposta
Elza Fiúza/ABr

“ O serviço é público, não sai da mão
do Estado, mas o servidor do público é um funcionário que
não precisa ter a relação que um diplomata ou um militar
tem de ter com o Estado.” Paulo Bernardo, ministro do Planejamento.
Brasília – A criação das fundações
estatais de direito privado, que o governo quer autorizar com a aprovação
pelo Congresso de um projeto de Lei Complementar, vai mexer com os servidores
públicos, que podem ser contratados pela CLT, mas vai ter outras
duas conseqüências imediatas: reforçar as carreiras
típicas de Estado e tirar a importância das licitações
feita pela Lei 8.666/93, que hoje mais atrapalham do que ajudam a administração
pública. Apesar de o governo dizer que todos os servidores dessas
fundações têm de ser contratados por concurso público,
o projeto de lei complementar permite que as fundações
invistam em mão-de-obra especializada sem fazer esses concursos.
Pelo projeto encaminhado na quinta-feira ao Congresso, áreas
de serviços públicos, como saúde, assistência
social, cultura, ciência e tecnologia, meio ambiente, turismo
e previdência complementar podem ser geridas por essas fundações
estatais de direito privado.
Um hospital, por exemplo, gerido por uma fundação,
passaria a contratar funcionários pela CLT e a ter de cumprir
metas de produtividade e qualidade do serviço prestado ao público. “O
serviço é publico, não sai da mão do Estado,
mas o servidor do público é um funcionário que
não precisa ter a relação que um diplomata ou
um militar tem de ter com o Estado. Mas não há, por isso
mesmo, nenhuma relação de privatização”,
disse o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.
O ministro Paulo Bernardo diz que a preferência das contratações
será sempre pelos concursos públicos, mas as fundações
poderão chamar cientistas, professores, técnicos e outros
profissionais pelo critério do mérito e disponibilidade
no mercado, levando em conta a eficiência na produção
e na prestação de serviços. “Um hospital
pode contratar um grande cardiologista para sua equipe, alguém
que aceite a oferta de trabalho, sem submeter essa contratação
a um concurso”, explicou o ministro.
Mas movimento sindical dos servidores públicos promete reagir
contra o projeto. Os servidores reclamam que não foram ouvidos
na elaboração da proposta e dizem que foram pegos de
surpresa com o anúncio da medida.
Privatização
Segundo o diretor da Confederação dos Trabalhadores
no Serviço Público Federal (Condsef), Sérgio Ronaldo
da Silva, a proposta significa a privatização do serviço
público e o aparelhamento do Estado.
“É um privativismo da saúde que vai se ampliar
para outras áreas”, disse o sindicalista.
O diretor-geral da Federação de Sindicatos de Trabalhadores
das Universidades Brasileiras (Fasubra), João Paulo Ribeiro,
concorda com Sérgio. “Somos radicalmente contra. Isso
para nós sucateia e privatiza a saúde pública”,
diz. Para ele o projeto tira o dever do Estado e joga na mão
da iniciativa privada.
A Condsef vai fazer uma análise técnica e jurídica
do projeto e trabalhar para modificá-lo no Congresso.
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Gazeta do Povo, 14 de julho
de 2007
BRASIL | REAÇÃO
Para partidos de oposição,
proposta do governo é incoerente
Brasília – Os partidos de oposição se surpreenderam
com o teor da proposta enviada pelo governo ao Congresso prevendo a contratação
de servidores públicos pela Consolidação das Leis
do Trabalho (CLT). Para os adversários do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, trata-se da retomada de pontos da reforma administrativa
apresentada por Fernando Henrique Cardoso no seu primeiro mandato (1995–1998)
e que foi contestada duramente na ocasião pelo próprio
PT. “Só para ficar no contexto dos Jogos Pan-Americanos,
se houvesse uma competição de incoerência política,
o presidente Lula já estaria com a medalha de ouro no peito”,
ironiza o deputado Chico Alencar (PSol-RJ), ex-integrante do PT.
Para os parlamentares tucanos, a tendência é que o PSDB
acabe apoiando a proposta. “Até porque seria incoerente
de nossa parte ficar contra algo que tentamos aprovar durante todo
o governo Fernando Henrique, dentro da reforma administrativa”,
afirma o líder da minoria na Câmara, Júlio Redecker
(PSDB-RS). “Mas parece que o PT funciona como violino dentro
do governo. Pega com a esquerda, mas toca com a direita. Estão
aprofundando o governo neoliberal do presidente Fernando Henrique e
superando o mestre”, provoca.
Os parlamentares de oposição também estão
surpresos com a reação favorável à proposta
demonstrada por antigos adversários ferrenhos de idéias
desse tipo, como o deputado Vicente Paulo da Silva (PT-SP), o Vicentinho,
ex-presidente da CUT. “Eles agora seguem a cartilha do neoliberalismo
e parecem ficar embevecidos com qualquer proposta que venha do Palácio
do Planalto”, afirma Redecker.
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Gazeta do Povo, 14 de julho
de 2007
ECONOMIA | TRABALHO
Com 1 milhão
de vagas, emprego bate recorde
Número de contratações
cresce 18,6% no primeiro semestre
Rio de Janeiro – A criação de empregos com carteira
assinada no primeiro semestre atingiu o recorde histórico para
o período, com mais de 1 milhão (1.095.503) de contratações
a mais do que demissões, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego
(MTE). Os postos de trabalho formais em junho atingiram o patamar,
também recorde, de 28.760.085, o que é 3,96% mais do
que o total no fim do ano passado, que foi de 27.664.582.
Confira a evolução do número
de carteiras assinadas:

O aumento de contratações no período foi recorde
nos setores de agropecuária e construção civil e
ficou em segundo lugar na série histórica do Caged para
os setores de serviços e indústria de transformação.
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, ficou entusiasmado com
o resultado. “Acho que vamos bater o recorde anual. Devemos chegar
a 1,6 milhão (de novos empregos) este ano”, disse Lupi.
Ele ressalvou que ainda não pode garantir que essa marca será alcançada
e contou que foi desaconselhado por seus auxiliares a falar sobre isso.
O número esperado pelo ministro para este ano supera em quase
200 mil novos empregos o total de vagas formais criadas nos 12 meses
terminados em junho, que foi de 1.400.391. Esse número elevou
o emprego formalizado em 5,12% sobre o total de junho de 2006.
Na comparação de junho com o mês anterior, o emprego
com carteira assinada aumentou 0,64%, com criação de
181.667 novos postos de trabalho. Isso mostra uma continuidade de diminuição
do ritmo de crescimento de empregos, que tinha sido de 1,08% em abril
ante março e de 0,75% em maio na comparação com
abril, o que é normal para a época do ano, de acordo
com dados do Caged. A criação de emprego foi maior que
a de 155.455 de junho do ano passado, mas não superou as marcas
de junho de 2004 (207.895) e de junho de 2005 (195.536).
O maior crescimento por estados foi em São Paulo, onde foram
criadas 65.483 novas vagas no mês passado, aumento de 0,69%.
São Paulo foi seguido por Minas Gerais, com 46.080 novas contratações.
Só dois estados tiveram redução no total de vagas
formais: Espírito Santo (- 3.276) e Rio Grande do Sul (-1.132).
Setores
Em valores relativos, o maior crescimento por setores no primeiro
semestre foi o de 16,55% na agropecuária, em que houve mais
238.437 contratações do que dispensas, sendo que 66.312
delas em junho. Na construção
civil, houve criação de 97.571 vagas nos primeiros seis
meses do ano, uma elevação de 7,22%, das quais 18.469
em junho.
Mas foi no setor de serviços que houve maior número
absoluto de novos postos de trabalho no primeiro semestre: 327.563
novos empregos. Desses, 38.535 foram no mês passado. A indústria
de transformação criou 299.509 empregos formais nos primeiro
seis meses do ano e o comércio, 97.051, com alta de 1,57%.
Regional - Paraná teve terceiro
maior saldo do país
O nível do emprego no Paraná teve o terceiro maior crescimento
do país no primeiro semestre do ano. De janeiro a junho, o saldo
entre os trabalhadores admitidos e demitidos ficou positivo em 95.215
vagas, o que representa um avanço de 5,1% no número de
trabalhadores com carteira assinada na comparação com o
fim do ano passado. Em relação ao total de vagas criadas
nos primeiros seis meses do ano passado, o Paraná observa crescimento
de 36,2%.
Saíram-se melhores que o Paraná somente os estados de
São Paulo, com criação de 486.175 postos de trabalho
(avanço de 5,4%), e Minas Gerais, com 186.571 (expansão
de 6,2% desde o início do ano).
No mês de junho, o saldo entre admitidos e demitidos foi de
8.466 postos no Paraná, um aumento de 83,7% na comparação
com junho do ano passado. Da redação
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Gazeta do Povo, 14 de julho
de 2007
ECONOMIA | TRIBUTOS
Congresso corta prazo
do Supersimples
Fim da adesão a novo
regime de tributação volta a ser em 31 de julho
e parcelamento até 15 de agosto
O governo e o Congresso Nacional fecharam
um acordo no início deste mês para estender o prazo final
de adesão ao Supersimples do dia 31 de julho para 15 de agosto.
Entretanto, pelo fato de os parlamentares não terem votado as
alterações até o momento, e já terem saído
de recesso, o acordo não poderá ser honrado. Com isso,
a data-limite permanece sendo no fim deste mês, confirmou, ontem,
o secretário-executivo do Comitê Gestor do Simples Nacional,
Silas Santiago. “Um prazo maior seria melhor para o contribuinte,
para a Receita Federal, para os estados e para os municípios.
Mas estamos limitados à decisão legal”, disse.
A mudança no texto, que permitiria um prazo maior de adesão,
também estendia, de 15 para 31 de agosto, a data limite para
o pagamento da primeira cota do parcelamento das dívidas. A
expectativa de Santiago, porém, é que o texto seja votado
pelo Senado logo depois do retorno aos trabalhos, em 1.º de agosto.
Com isso, talvez haja tempo hábil para estender o prazo de
pagamento da primeira cota do parcelamento até o fim de agosto.
Mas, pela regra atual, o prazo continua terminando no dia 15 do próximo
mês e a parcela mínima é de R$ 100. “Eu pediria
o parcelamento como está”, disse Santiago.
Ele explicou que, pelo texto atual, poderão ser incluídas
no parcelamento dívidas contraídas até janeiro
de 2006. Posteriormente, porém, após as alterações
do Congresso, poderão ser acrescentadas as dívidas entre
janeiro do ano passado e maio de 2007 (nova data para inclusão
de dívidas acordada com o Congresso).
“Depois é só acrescentar mais competências
(dívidas)”, disse Santiago, explicando que esse é um
processo interno, sem demais complicações.
Até o dia 11, o governo recebeu 11.656 mil pedidos de opção
ao Supersimples, informou a Receita Federal.
Do total de pedidos, porém, apenas 34,1 mil tiveram a solicitação
aceita imediatamente por não terem qualquer pendência
cadastral ou fiscal, enquanto outras 34.753 foram negadas por problemas
cadastrais. Outros 3.574 pedidos dependem da liberação
de estados e municípios.
De acordo com o balanço, outras 584 mil micro e pequenas possuem
dívidas com o governo, e, por isso, não tiveram o pedido
aceito em um primeiro momento. Isso representa 88,9% dos pedidos de
adesão entregues à Receita. Estas empresas são
candidatas ao parcelamento oferecido.
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Gazeta do Povo, 14 de julho
de 2007
ECONOMIA | MERCADOS
Dólar tem baixa
de 2,1% na semana e cai a R$ 1,862
São Paulo – Após acumular baixa de 2,15% na semana,
o dólar encerrou as operações de ontem a R$ 1,862 – seu
menor valor desde 12 de outubro de 2000. As intervenções
do Banco Central no mercado de câmbio mostraram não ser
capazes de deter a apreciação da moeda brasileira. Em seus
leilões, o BC deve ter adquirido cerca de US$ 2 bilhões
dos bancos somente nesta semana – atuação insuficiente
para evitar a continuidade da queda do dólar. Ontem, a moeda recuou
0,59%, com o BC intervindo duas vezes.
Se a tendência do dólar é de baixa, a Bolsa de
Valores de São Paulo vive situação inversa. A
Bovespa conquistou mais uma semana de alta e encerrou o pregão
de ontem com a quebra de outro recorde, ao alcançar 57.644 pontos.
Foi o 30.º recorde somente neste ano.
A alta foi tímida, de apenas 0,05%. Durante o pregão,
a bolsa cravou ganho máximo de 0,64%, encostando nos 58 mil
pontos, o que atraiu vendedores. O índice Ibovespa, que reúne
as 59 ações de maior liquidez da bolsa paulista, subiu
2,13% na semana. A valorização no mês já chega
a 5,98% – quase a mesma rentabilidade alcançada pelos
fundos de renda fixa no primeiro semestre de 2007. No ano, a alta acumulada
pela Bovespa está em 29,61%.
Após a apreciação consistente dos últimos
meses, o Morgan Stanley rebaixou sua recomendação para
as ações brasileiras de “acima da média’’ para “na
média’’ do mercado. Segundo a instituição
financeira, a decisão foi tomada por temor de que os ganhos
registrados até o momento superem as perspectivas de crescimento
das companhias locais. As ações da China também
foram rebaixadas. Já a recomendação para México,
Malásia e Israel foi elevada.
No cenário internacional, os pregões de ontem foram
mais calmos, após a euforia vivida pelas bolsas mundiais na
quinta-feira.
Apesar de a alta da Bolsa de Nova Iorque ter sido moderada, de 0,33%,
o índice Dow Jones encerrou em novo nível recorde, de
13.907 pontos. A Nasdaq, bolsa eletrônica das ações
de companhias de alta tecnologia, subiu 0,20%.
Juros
Na próxima semana, os agentes do mercado estarão atentos à decisão
a ser tomada pelo Comitê de Política Monetária
do Banco Central (Copom) em relação à taxa básica
de juros da economia, a Selic.
Investidores e analistas estão divididos: uma parcela (a maior)
espera que a Selic seja reduzida de 12% para 11,5%; outra parte aguarda
um corte mais modesto, para 11,75%. No pregão da Bolsa de Mercadorias & Futuros
(BM&F), a taxa projetada pelo contrato DI de prazo mais curto recuou
na semana de 11,67% para 11,56%. Isso mostra que cresceu a parcela
dos que esperam um corte de 0,5 ponto na Selic.
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Folha de Londrina, 14 de
julho de 2007
Previdência dos
deputados vai custar R$ 27,8 mi
Os recursos para o fundo de aposentadoria dos parlamentares sairão
dos cofres da Assembléia Legislativa
Arquivo Folha

‘O único item que pode ser contestado é o
que se refere aos R$ 27,8 mi. É uma decisão política-financeira’,
diz o consultor Renato Follador
Curitiba - Ao contrário
do que se imaginava, os primeiros R$ 27,8 milhões destinados
ao fundo de aposentadoria dos deputados estaduais, aprovado
no último dia 3, serão pagos integralmente pela
Assembléia Legislativa. A informação que
circulava anteriormente definia que R$ 13,9 milhões
seriam pagos pelo Legislativo. A outra metade, R$ 13,9 milhões,
seriam pagos pelos próprios parlamentares. Mas, o artigo
9º do texto da proposta revela que, na verdade, os R$
27,8 milhões serão pagos integralmente pelo Legislativo
- metade à vista e o restante em 168 parcelas, o que
equivale a 14 anos.
Os R$ 27,8 milhões são destinados a cerca de 70 parlamentares
(da atual legislatura e da anterior, que se encerrou em 2006), levando
em conta a reeleição. A quantia se refere a contribuições
ao fundo que não foram realizadas pelos cerca de 70 parlamentares
enquanto eles exerciam mandatos na Casa nos anos que antecedem as duas últimas
legislaturas.
É que um dos requisitos para se aderir ao fundo é ter,
no mínimo, 20 anos de mandatos eletivos e 20 anos de contribuição
ao fundo. Em resumo, os R$ 27,8 milhões - retirados do Orçamento
atual - equivalem às contribuições referentes
aos mandatos eletivos que já foram cumpridos pelos cerca de
70 parlamentares dentro da Assembléia Legislativa. A partir
da próxima legislatura, que se inicia em 2011, o mesmo benefício
não será concedido.
''Será resgatado pela Assembléia Legislativa do Paraná aos
Segurados da 15 Legislatura em diante, como tempo de contribuição
ao Plano de Previdência, para fins de concessão de benefícios
dele decorrentes, o período de mandato parlamentar compreendido
entre a Lei nº 6.639 de 1974 e o ingresso ao presente Plano, conforme
o artigo 2º da Lei nº 9.498 de 1990 bem como o Art. 4º da
Emenda Constitucional nº 20 de 1998'', diz o artigo 9º do
projeto. A atual legislatura é a 16. Para aderir ao fundo, há um
prazo de 60 dias após a publicação do regulamento.
O ex-secretário especial para Assuntos de Previdência
do Governo do Paraná Renato Follador, que prestou consultoria
técnica ao projeto de lei sobre o fundo de aposentadoria, admitiu à reportagem
que a decisão de se usar R$ 27,8 milhões é ''política''.
''O único item que pode ser contestado é o que se refere
aos R$ 27,8 milhões. Porque trata-se de uma decisão política-financeira
dos parlamentares'', argumentou. A justificativa dos parlamentares
para se concederem tal benefício é que, desde 1990 até 2001,
a Assembléia Legislativa não teria contribuído
com o INSS. ''Durante 11 anos deveria ter tido um desconto de 33% na
folha de pagamento, 11% pagos pelos parlamentares e 21% pagos pela
Casa. Mas não houve desconto, nem contribuição.''
O valor que supostamente deveria ter sido destinado ao INSS durante
os tais 11 anos agora serviria para bancar, inicialmente, o fundo.
A ''troca'', no entanto, é simbólica, já que não
foi feito um cálculo de quanto (em R$) exatamente o Legislativo
deixou de descontar durante aquele período. ''Não foi
feito o cálculo, mas eu acredito que o valor fique muito superior
aos R$ 27,8 milhões que estão sendo destinados ao fundo. É como
se a Assembléia Legislativa tivesse em débito com os
parlamentares.''
Catarina Scortecci
Equipe da Folha
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Folha de Londrina, 14 de
julho de 2007
SEU DIREITO
AMPARO AO IDOSO
Tenho 65 anos e não recebo nenhum benefício do INSS.
Moro somente com meu marido. Nossa única renda é a aposentadoria
por idade dele, no valor de um salário mínimo. Tenho
direito a receber algum benefício?
A lei estabelece o benefício de amparo ao idoso (LOAS – 10.741/2003),
no valor de um salário mínimo, à pessoa acima
de 65 anos, desde que não tenha meios de prover sua subsistência,
isto é, seja carente de recursos e não tenha como sustentar
a si e a sua família. Determina a lei ainda que a renda per
capita familiar não pode ultrapassar 1/4 de salário mínimo.
Esta lei prevê também que o benefício de amparo
já concedido a qualquer pessoa idosa da família do requerente,
no valor de um salário mínimo, não pode ser computado
para fins de cálculo da renda familiar a que se refere a Lei
de Amparo ao Idoso.
Embora haja entendimento contrário, a maioria dos tribunais
tem decidido que no presente caso é devido o benefício
de amparo ao idoso à requerente carente de recursos que more
somente com seu cônjuge/companheiro também idoso, desde
que a única renda familiar seja o benefício no valor
de um salário mínimo recebido pelo cônjuge, sendo
irrelevante se este benefício for de aposentadoria ou amparo,
face ao princípio da isonomia.
Por fim, os tribunais têm decidido que mesmo que o benefício
do cônjuge/companheiro seja computado como renda familiar, ultrapassando
o valor mínimo da renda per capita de 1/4 de salário
mínimo estabelecido pela lei, ainda assim é devido o
benefício de amparo ao idoso à requerente, se ficar comprovado
que a renda total da família, dentro da situação
fática financeira da requerente, é insuficiente para
o seu sustento. Fabio Antonio da Silva Martin,
advogado
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Folha de Londrina, 14 de
julho de 2007
Trabalhadores poderão
sacar o PIS a partir de agosto
Brasília- O pagamento do abono salarial dos trabalhadores cadastrados
no Programa de Integração Social (PIS) e Programa de Formação
do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) terão início
em agosto e vão até junho do ano que vem.
A expectativa do Ministério do Trabalho é que 12,5 milhões
recebam o benefício equivalente a um salário mínimo.
''Estamos iniciando em agosto o pagamento no abono relativo ao ano-base
2006. É muito importante que os trabalhadores fiquem atentos
aos períodos para que possam fazer o saque, pois é um
direito do trabalhador'', lembrou o ministro do Trabalho, Carlos Lupi.
A data em que o dinheiro estará disponível para o trabalhador
varia de acordo com a data do aniversário, no caso do PIS, e
do número de inscrição, para o Pasep. O abono
estará disponível até junho de 2008.
A exceção no pagamento será para os trabalhadores
que têm conta na Caixa Econômica Federal e os servidores
públicos que recebem no Banco do Brasil. Eles terão o
benefício depositado no próximo mês.
O abono de um salário mínimo anual será pago
aos trabalhadores que tiveram no ano passado remuneração
média mensal de dois salários mínimo e que tenham
cadastro no PIS ou Pasep há pelo menos cinco anos. Além
disso, é preciso que tenha trabalhado (com carteira assinada
ou nomeado no serviço público) por ao menos 30 dias no
ano passado para empregadores que são contribuintes desses dois
programas - aqueles que têm Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica
(CNPJ).
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Folha de São Paulo,
14 de julho de 2007
86% dos acordos conseguem
aumento real
No primeiro semestre do ano,
cresceu 150% o número de negociações
coletivas nas Delegacias Regionais do Trabalho
Para governo, sindicatos aproveitam o crescimento
econômico para recompor as perdas acumuladas ao longo dos últimos
anos
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Dados do Ministério do Trabalho obtidos pela Folha mostram
que, no primeiro semestre do ano, houve um aumento de 150% no número
de negociações coletivas registradas nas Delegacias Regionais
do Trabalho. Em 85,7% das negociações, os aumentos ficaram
acima da inflação. Segundo o levantamento, de janeiro
a junho, 17.495 convenções e acordos coletivos, além
de aditivos a esses instrumentos, foram validados pelo Ministério
do Trabalho. No mesmo período de 2006, o número registrado
foi de 7.010.
" Os sindicatos estão aproveitando o crescimento econômico.
Os dados estão superando nossas expectativas de reposição
salarial", afirmou o secretário de Relações do Trabalho,
Luiz Antonio de Medeiros. Por falta de técnicos, o ministério encontra
dificuldades de avaliar o conteúdo de todos os acordos protocolados em
papel nas delegacias regionais. Por esse motivo, o Trabalho tem um convênio
com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-econômicos),
que faz a análise das negociações.
O relatório do Dieese mostra que em apenas 3,6% dos casos os acordos
resultaram em reajustes abaixo da inflação, enquanto 10,7%
empataram com a variação dos preços. O percentual
de acordos com ganho real é similar aos 86% de 2006. Na opinião
do economista da LCA Consultores Fábio Romão, fica mais
fácil negociar quando o ambiente econômico é de inflação
baixa. Em maio -mês que concentra 35% das datas-bases-, foi registrada
uma inflação, em 12 meses, de 3,51%, segundo o INPC.
Em geral, os acordos e convenções registrados no ministério
são resultado de negociações em que não foi
necessário recorrer à Justiça do Trabalho. Por isso,
os números do semestre podem indicar que neste ano trabalhadores
e patrões buscaram resolver as diferenças na mesa de negociações,
sem passar pelo Judiciário.
Para o professor da Unicamp e ex-ministro do Trabalho Walter Barelli,
há uma maior disposição dos empresários em
fechar acordos, pois "cobrir" uma inflação baixa é mais "tranqüilo". "Não
há mais relutância em fazer acordos. O empresário
ficou menos intransigente em garantir conquistas a seus colaboradores,
porque ele vê os números com mais clareza", diz Barelli.
Romão avalia que o crescimento do emprego na indústria
também pode estar favorecendo o aumento das negociações. "É um
setor mais formalizado e mais sindicalizado", argumenta. Ele diz
que outro fator a ser considerado é o aumento da participação
do emprego formal no mercado.
" Mas lógico que o dinamismo da economia responde por uma parte do
aumento das negociações e da renda", disse. A analista da
Tendências Cláudia Oshiro destaca que os dados oficiais não
deixam dúvida de que há um incremento na renda nominal e real. "A
renda está crescendo, até maio subiu 8,4% em termos nominais",
diz.
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Folha de São Paulo,
14 de julho de 2007
Com reajustes maiores,
sindicatos ampliam pautas
Estabilidade econômica
e garantia de reposição da inflação
levam trabalhadores a reivindicar mais benefícios
sociais
CUT e Força Sindical estimam que 5 milhões
de trabalhadores paulistas estarão em campanha salarial neste
semestre
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Com a conquista de reajustes acima da inflação, os trabalhadores
ampliam suas pautas e querem discutir, na campanha salarial deste semestre,
reivindicações como qualificação profissional
subsidiada pelos patrões, distribuição gratuita
de medicamentos e até mesmo o efeito do PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento) na criação de empregos. CUT e Força
Sindical estimam que 5 milhões de trabalhadores paulistas -como
metalúrgicos, químicos, bancários, comerciários,
têxteis e petroleiros- devam negociar e fechar acordos neste
semestre.
O auxílio-educação é um dos itens que os
bancários querem tirar do papel neste ano. "Subsidiar a qualificação é fundamental
porque o setor exige hoje profissionais com nível superior. Alguns
bancos negociam esse subsídio de forma individual para poucos
funcionários. Nossa meta é estender esse benefício
a toda a categoria", diz Luiz Claudio Marcolino, presidente do Sindicato
dos Bancários de São Paulo (CUT).
O custo pode ser bancado pelos banqueiros, segundo diz, porque só a
receita com a prestação de serviços dos 11 maiores
bancos aumentou 25,7% entre 2005 e 2006. A categoria quer discutir também
um índice de remuneração variável -pago de
forma coletiva- para complementar os reajustes e a participação
nos lucros. Além de discutir a qualificação profissional,
os químicos querem negociar distribuição gratuita
de medicamentos, benefício já concedido por parte das empresas
farmacêuticas.
" A pauta social dos sindicatos ficou estacionada por anos porque era preciso
brigar por empregos e por aumento real. Com a inflação estável, é possível
ampliar as reivindicações", diz Sérgio Luiz Leite,
secretário-geral da Fequimfar, a federação dos químicos
(Força).
Para José Dari Krein, professor da Unicamp, as chances de os sindicatos
negociarem -e conseguirem- mais benefícios é maior porque
sobre eles não incidem encargos trabalhistas "Há espaço
também para negociar melhores condições de saúde
e segurança no trabalho."
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Folha de São Paulo,
14 de julho de 2007
Maior parte dos reajustes é de
até 2% mais inflação
DA REPORTAGEM LOCAL
Operários da construção civil, trabalhadores
de usinas de álcool, do setor farmacêutico e professores
de ensino superior privada são algumas das categorias que conseguiram
aumentos reais no primeiro semestre deste ano. A exemplo do que ocorre
nos últimos anos, os aumentos se concentram na faixa de 1% a
2% acima da inflação medida pelo INPC.
Na construção civil, 225 mil operários paulistas
receberam reajuste de 5,5% a partir de 1º de maio -o que inclui
3,44% de inflação e 1,99% de aumento real. "Mesmo
sendo um setor favorecido pela expansão dos investimentos, como
as obras anunciadas pelo PAC, o aumento só foi conseguido após
uma semana de greve", diz Antonio de Sousa Ramalho, presidente do
sindicato da categoria.
Mesmo nos setores mais afetados pela queda do dólar, os reajustes
ficaram acima da inflação. Os sapateiros de Franca negociaram
reajuste de 5%- sendo 2,01% de ganho real.
Os 7.000 farmacêuticos paulistas fecharam acordo com 4,5% de reajuste,
o que inclui 1,16% de aumento. Nas usinas de açúcar, o
reajuste foi de 5%, sendo 1,51% de ganho real. No ABC, 12 mil padeiros
negociaram 3,75% para repor perdas da inflação e 0,9% de
aumento real. (CR)
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Revista Consultor Jurídico,
14 de julho de 2007
Greve à Emenda
3
Centrais exageram no debate sobre a derrubada do veto
por Flávio Obino Filho
Greve geral é um conceito conhecido. Trata-se de um remédio
extremo, adotado como forma de pressão contra uma medida que
afeta toda a coletividade de trabalhadores. Já a Emenda 3 e,
principalmente, os efeitos da manutenção ou não
do veto do presidente Lula são conhecidos por poucos, em que
pese o assunto ocupar as manchetes dos jornais há mais de 90
dias.
Neste cenário, poucos compreenderam a ameaça feita em
palanque pelo presidente da Força Sindical, o deputado federal
pelo PDT Paulo Pereira da Silva, de que os trabalhadores chegariam
até a greve geral pela manutenção do veto. Também
foram poucos os que entenderam o discurso da Força Sindical
na festa de 1º de maio: defesa do meio ambiente como prioridade,
ataque à comunidade gay (segundo o deputado Paulinho, o assunto
meio ambiente que antes era tratado por “veados”, agora,
diz respeito aos trabalhadores), e nada dos discursos inflamados contra
o governo Lula dos últimos anos.
As manifestações contra a Emenda 3 realizadas pela Força
Sindical e pela CUT, chegando ao extremo de levar o caos ao transporte
público de São Paulo, demonstram que as duas grandes centrais,
comprometidas com o governo federal, perderam de forma constrangedora
suas bandeiras de luta. A CUT se confunde com o PT e com o próprio
governo, tanto que seu presidente, depois de ocupar a pasta do Trabalho,
agora comanda a Previdência. A Força, por outro lado, é tida
como a base política do PDT, que foi no “velho novo governo” agraciado
com o Ministério do Trabalho.
Finalmente, é dado como certo que o governo repassará para
suas parceiras – centrais de trabalhadores – a metade do
que hoje recebe da contribuição sindical, o que, segundo
informações da revista Consultor Jurídico importaria
em R$ 100 milhões. As centrais, no jargão sindical, se
apelegaram.
Assim, a Emenda 3 caiu no colo, sendo super valorizada, e tem servido
como elemento de marketing das centrais, que estavam desorientadas, com
seus “militantes”, contratados ou não, em verdadeiro
estado de ócio.
É preciso descortinar a discussão a respeito da Emenda 3. O governo
federal, com seu apetite insaciável de tributar, há muito tenta
onerar os prestadores de serviços, iniciativas estas que têm sido
barradas pelo Congresso. Derrotado, mas não convencido, o Executivo Federal,
agindo como se Judiciário fosse, lançou armas através da
fiscalização, “julgando” como de trabalho contratos
de prestação de serviço firmados entre prestadores e empresas
tomadoras. Entraram em campo os fiscais da receita, previdência e do trabalho,
todos vestidos de preto e com apito na mão.
O Legislativo contra atacou com a inclusão no artigo 129,
da Lei 11.196/05 (a lei teve origem em MP do Executivo – “MP
do Bem”), de regra segundo a qual “a prestação
de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica,
artística e cultural, em caráter personalíssimo
ou não, se sujeita tão-somente à legislação
aplicável às pessoas jurídicas”. O dispositivo é um
exagero e certamente será interpretado pelo Judiciário à luz
de todo o ordenamento jurídico brasileiro. Parece, contudo,
que somente com exagero se pode responder ao Executivo que insiste
em extrapolar das suas funções de fiscalização,
em sua sanha alucinada pelo aumento da arrecadação fiscal.
A Emenda 3 foi incluída na norma de criação
da Super Receita dentro da mesma lógica, estabelecendo que,
no exercício das atribuições da autoridade fiscal,
a desconsideração da pessoa, ato ou negócio jurídico
que implique reconhecimento de relação de trabalho, com
ou sem vínculo empregatício, deverá sempre ser
precedida de decisão judicial. O componente do exagero está presente,
principalmente, se a medida for vista sob a ótica do trabalhador
hipossuficiente forçado a constituir uma pessoa jurídica
para fraudar a legislação do trabalho. O endereço,
contudo, é outro. São os prestadores de serviços
intelectuais. Sancionado o parágrafo incluído pelo Congresso
Nacional, certamente o Judiciário agiria com equilíbrio
na sua aplicação, respeitada a intenção
verdadeira do legislador.
A tônica do exagero e da histeria é que têm alimentado
a discussão. A derrubada do veto não resultará em
precarização das relações do trabalho como
apregoam as centrais e o Executivo. De outra parte, a manutenção
do veto não afastará de forma definitiva os prestadores
de serviços das garras do Executivo que tributa com exagero.
O assunto está super valorizado.
A única certeza que fica é de que devemos mandar um
recado ao chefe do Executivo e as suas centrais de trabalhadores. Parafraseando
os competentes marketeiros do PT: “Lula, deixa os prestadores
de serviços trabalharem”.
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Última Instância,
14 de julho de 2007
Trabalhar em dois
turnos não dá direito a jornada reduzida,
decide TRT
O sistema de turnos ininterruptos de revezamento é adotado quando
a atividade empresarial exige trabalho ininterrupto, 24 horas por dia,
sendo que o empregado, para fazer jus à jornada reduzida de seis
horas, deve trabalhar, dentro de um mês, em todos os turnos, sem
exceção.
Sob esse entendimento, a 12ª Câmara do TRT (Tribunal Regional
do Trabalho) da 15ª Região (Campinas) negou provimento
a recurso de um trabalhador em ação movida contra empresa
de engenharia e construção.
Com o argumento de que trabalhava em turnos de revezamento, o trabalhador
pretendia que fosse reconhecido seu direito à jornada reduzida,
com o conseqüente pagamento como extraordinárias de todas
as horas que excedessem à trigésima sexta da jornada
semanal.
O empregado informou que trabalhava ora das 7h às 17h, ora
das 19h às 7h, sem, contudo, esclarecer a freqüência
com que a alteração de horário ocorria. Para a
Câmara, como a alternância atingia apenas dois períodos
não contínuos, o trabalhador não conquistou o
direito à jornada especial prevista no inciso XIV do artigo
7º da Constituição Federal. Recurso Ordinário
1119-2005-120-15-00-3.
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