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Agência CUT, 15 de
julho de 2007
Fórum lança cartilha
sobre direitos de trabalhadores com deficiência
O Fórum Permanente de Apoio e Defesa dos Direitos das Pessoas
com Deficiência (Faped) lançou nesta semana uma cartilha
que tem o objetivo de informar empresas, trabalhadores e sindicatos sobre
o tratamento de pessoas com qualquer tipo de deficiência.
“A cartilha é voltada para pessoas que possuem qualquer
tipo de deficiência. Na sociedade há uma diversidade muito
grande e o fórum defende isso, porque existe também a
pessoa obesa que não consegue entrar no ônibus ou o idoso
que não consegue subir o degrau muito alto”, explicou
o coordenador do Faped, Michel Platini.
Segundo ele, a Cartilha Informativa dos Direitos do Trabalhador com
Deficiência foi criada depois que o Faped e o Sindicato dos Comerciários
constataram que muitas empresas discriminavam pessoas com deficiência.
“Vimos que [essas empresas] não contratavam pessoas com
deficiência e não eram acessíveis para receber
consumidores ou trabalhadores com deficiência. Percebemos também
que há muita violação de direitos básicos
por causa da desinformação”.
Segundo Platini, os próprios sindicatos não encaravam
a luta da pessoas com deficiência como uma das bandeiras que
deveriam levantar. "O Faped, junto com o sindicato, pensaram que
a cartilha seria um dos instrumentos para que a gente pudesse garantir
os direitos e minimizar a discriminação”.
Platini disse que o preconceito dos empregadores ainda é grande,
daí a importância de o cidadão se informar. “O
objetivo da cartilha é conscientizar pessoas que nem sempre
sabem que têm direitos". Além disso, o documento
busca conscientizar as empresas, que ignoram alguns deveres, e os sindicatos,
que não sabem o que têm de defender.
"Existe um círculo de desinformação. Nossa
sociedade é desinformada principalmente quando se fala de deficiências”.
De acordo com Paltini, a cartilha contém informações
de fácil compreensão. “A gente tentou fazer a cartilha
de forma mais tranquila e menos técnica para que o portador
de deficiência consiga entender de fato quais os direitos que
ele tem”.
A cartilha está disponível na página do fórum
na internet. O endereço é www.faped.org
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Gazeta do Povo, 15 de julho
de 2007
ECONOMIA | CONSUMO
A que classe econômica você pertence?
Grau de instrução e
eletrodomésticos somam pontos na classificação
definida pelo “critério brasil”
por PATRÍCIA KÜNZEL
Aniele Nascimento/Gazeta do Povo

Com a casa toda equipada, Marilsa, o marido e os quatro filhos representam
a classe A brasileira.
O casal de representantes comerciais Marilsa Kulcheski Pereira, 41 anos,
e Luís Carlos Pereira, 45, mora com os quatro filhos adolescentes
em um sobrado na Cidade Industrial de Curitiba. A família numerosa
coleciona em casa uma bela quantidade de aparelhos de tevê e rádios
adquiridos ao longo de anos, além de duas geladeiras e duas máquinas
de lavar roupas. Longe dali (e bem mais perto do Centro), no Alto da
XV, o gerente de execução industrial Leandro de Almeida,
29 anos, mora sozinho em um bom apartamento, com varanda, lareira e churrasqueira
individual, mas com poucos eletrodomésticos. Leandro, que ganha
o equivalente ao que o casal da CIC recebe junto, dispensou a máquina
de lavar e optou pela lavanderia. Ele tem um único e moderno equipamento
de imagem e som e se vira muito bem só com um refrigerador simples,
com freezer interno. Qual deles pertence à classe A: os Pereira
ou Almeida?
Veja quantos pontos contam os itens considerados
e calcule sua classificação sócio-econômica:

Na matemática utilizada para definir classes econômicas
no Brasil, muitos eletrodomésticos em casa podem valer mais que
uma bela renda individual. O Critério Brasil – padrão
adotado pelas pesquisas de mercado para classificação de
público consumidor – leva em consideração
os itens que uma família possui em casa e o nível de instrução,
mas não contabiliza a renda.
Pedro Serapio/Gazeta do Povo

Com a mesma renda e solteiro, mas sem máquina de lavar roupa,
Leandro se enquadra na C1.
Resultado: na soma de pontos que diferenciam as classes A, B, C, D e
E, a família de Marilsa ganha com folga. Os Pereira somam 37 pontos
contra 22 de Almeida. Com isso, eles são rotulados como A2 e o
gerente, como C1. Só a falta de um freezer externo na geladeira
(um modelo duplex, por exemplo) faz com que o gerente de execução
industrial deixe de somar dois pontos na classificação
econômica. Para os levantamentos de mercado, por mais poder de
consumo que tenha, Almeida pertence à classe média baixa.
“Realmente, nós consumimos bastante e temos uma boa situação
financeira. Mas ricos nós não somos”, afirma Marilsa.
Por mais que a segmentação classe A dê a idéia
de um produto requintado, não é isso necessariamente
o que a divisão pretende representar. “O que esta classificação
avalia é o potencial de consumo da família, não
o quanto ela ganha ou gasta por mês”, explica Murilo Hidalgo
Lopes de Oliveira, diretor da Paraná Pesquisas. “Uma família
com vários filhos tende a comprar mais itens, mesmo que não
tenha uma capacidade grande de gastos. Um solteiro, mesmo que compre
produtos caros, não tem motivos paraencher a casa de produtos
que, morando sozinho, não vai usar.”
No topo
Para estar no topo da classificação econômica
do Critério Brasil (alcançando a pontuação
máxima, de 46 pontos), a família deve ter pelo menos
três carros, morar em um imóvel com quatro banheiros (não
importa se é próprio ou alugado), somar quatro tevês,
mais de três rádios e contratar os serviços de
duas empregadas mensalistas. Os itens geladeira, máquina de
lavar, freezer e DVD (ou videocassete) também são indispensáveis,
além de um curso superior completo para o chefe da família.
Tudo isso, mesmo que não exija uma renda anual milionária,
certamente não é padrão de vida para qualquer
um. A Associação Brasileira de Estudos Populacionais
(Abep), que elabora o critério de classificação,
estima que somente 0,1% da população alcança o
potencial máximo de consumo nas mais importantes regiões
metropolitanas do Brasil. O porcentual se baseia em um levantamento
feito pelo Ibope Mídia, em 2005, em 11 mil domicílios
de Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, São Paulo, Rio
de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre e Brasília.
No outro extremo da classificação, dentro da classe
E, também 0,1% da população têm apenas um
ponto de toda a relação de itens da avaliação.
Isso significa que nem banheiro a família em questão
tem em casa. “É preciso ser realmente miserável
e analfabeto para ser classificado na classe E. Se a pessoa tiver um
banheiro em casa, o máximo que ela vai poder ter dos outros
itens é uma televisão e um rádio”, diz Oliveira,
da Paraná Pesquisas. Só com um banheiro e uma geladeira
e sem qualquer instrução, a família já se
classifica na classe D.
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Folha de Londrina, 15 de
julho de 2007
Estatuto da Criança e do Adolescente
perto da maioridade
ECA completa 17 anos em meio à polêmica:
maioridade penal deve ser reduzida de 18 para 16 anos?
Arquivo Folha

Pesquisa mostra que maioria defende que menores
de 18 anos recebam a mesma punição dos adultos
Brasília, DF- O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)
completa sua quase maioridade. A lei, promulgada em 13 de julho de 1990,
fez 17 anos em meio a uma grande discussão: a maioridade penal
deve ser reduzida de 18 para 16 anos?
A idéia está contida na Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) do Senado que altera o Artigo 228 da Constituição
Federal, reduzindo para 16 anos a idade mínima para a imputabilidade
penal. O texto já foi aprovado pela Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) do Senado e aguarda a votação,
em dois turnos, no plenário da Casa. Na Câmara, outra
PEC, a 171, tramita na CCJ e também tem como objetivo reduzir
a maioridade penal. As informações são da Agência
Brasil.
Um estudo realizado pelo DataSenado nos meses de março e abril
deste ano mostrou que 87% dos entrevistados defendem que os menores
de 18 anos recebam a mesma punição dos adultos ao infringirem
a lei. A maioria dos entrevistados (36%) defendeu que a idade mínima
para a imputabilidade penal deve ser de 16 anos, seguido por 14 anos
(29%), 12 anos (21%) e a partir de qualquer idade (14%).
O presidente do Movimento Viva Brasil, Benê Barbosa, acredita
que a sociedade brasileira vai se sentir mais segura se a redução
da maioridade penal de 18 para 16 anos for aprovada no país.
''A partir da aprovação do projeto, o criminoso menor
de idade vai saber que será punido quando cometer um crime.
Então, com certeza ele vai pensar duas vezes'', defende.
Já a presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança
e do Adolescente (Conanda), Carmen Oliveira, acredita que a proposta
de redução da maioridade penal contradiz o fato de o
Brasil ser signatário da Convenção sobre os Direitos
da Criança da Organização das Nações
Unidas (ONU), que proíbe a aplicação de penas
a crianças e adolescentes iguais ou superiores àquelas
aplicadas aos adultos.
''Se nós estamos abrindo essa brecha para a partir de 16 anos
já dar um tratamento de adulto, estamos inclusive rasgando esse
compromisso firmado diante das Nações Unidas'', afirma
Carmen Oliveira.
Ela rebate o argumento de que o Estatuto da Criança do Adolescente é brando
e não pune os jovens infratores. Ao contrário, argumenta
que o ECA permite que a partir dos 12 anos os jovens possam permanecer
por até três anos em regime fechado dentro de unidades
de atendimentos socioeducativo. ''Nas experiências onde houve
redução da maioridade penal, não há evidências
de isso ter feito o enfrentamento do problema da violência juvenil'',
diz.
A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), da Frente Parlamentar
pelos Direitos da Criança e do Adolescente, lembrou que há um
amplo destaque pela imprensa dos crimes cometidos por menores, como
o assassinato do menino João Hélio Fernandes, em fevereiro
deste ano no Rio de Janeiro. Ao contrário, os crimes que vitimam
adolescentes não recebem a mesma divulgação, a
não ser que as vítimas sejam jovens de classe média.
Folhapress
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O Estado do Paraná,
15 de julho de 2007
Mulheres são menos de 10% na
política
Joyce Carvalho
Foto: Lucimar do Carmo
Nilcéa: déficit.
A participação das mulheres no cenário político é um
dos principais temas em discussão na 2.ª Conferência
Estadual de Políticas Públicas para as Mulheres, cujo encerramento
acontece hoje em Curitiba. Menos de 10% das vagas na Câmara Federal,
Senado, Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais são
ocupadas por mulheres. O assunto foi discutido ontem, na abertura do
evento, com a presença da ministra Nilcéa Freire, da Secretaria
Especial de Política para as Mulheres, vinculada à Presidência
da República.
De acordo com ela, as cotas de 30% para as mulheres na lista dos candidatos
de cada partido ou coligação partidária não
são suficientes para garantir a representatividade feminina
nos espaços públicos. “Pelo acúmulo de tarefas,
as mulheres encontram mais dificuldades de socialização
na política. Por isso, conseguem menos recursos de financiamento,
por exemplo. Assim, as mulheres se elegem menos. Precisamos reverter
este quadro”, afirma a ministra.
Na atual legislatura, o Paraná não possui representantes
do sexo feminino no Congresso Nacional. No mandato anterior, eram duas
deputadas federais do Estado na Câmara Federal. “O Paraná perdeu
duas deputadas. Então, está sem representatividade feminina
e isto gera um déficit”, comenta Nilcéa. Na Assembléia
Legislativa, a atual legislatura conta com apenas quatro deputadas
estaduais - Beti Pavin, Cida Borghetti, Luciana Rafagnin e Rosane Ferreira.
São quatro mulheres entre 54 deputados eleitos.
A participação das mulheres no cenário político é um
dos assuntos que deve ser incluído no Plano Nacional de Políticas
para as Mulheres, implantado em 2005 e que contempla 199 ações
em diversas áreas. Isto pode acontecer após a 2.ª Conferência
Nacional de Políticas para as Mulheres, programada para o mês
de agosto em Brasília.
Antes disso, estão sendo realizados diversos encontros estaduais,
como o deste final de semana em Curitiba. A conferência do Paraná está reunindo
cerca de 800 mulheres, que debatem os temas relacionados à situação
atual da população feminina. “Até chegarmos
no encontro deste final de semana, houve a mobilização
de mais de cinco mil mulheres em todo o Paraná, que participaram
de conferências municipais e regionais”, explica Ivanira
Gavião Pinheiro, presidente do Conselho Estadual da Mulher do
Paraná, vinculado à Secretaria de Estado da Justiça
e Cidadania.
Hoje acontece a escolha de cerca de 170 delegadas que vão representar
o Paraná na conferência nacional. Elas levarão
para Brasília as propostas paranaenses para o Plano Nacional
de Políticas para as Mulheres. “Estes momentos são
importantes para fazer uma avaliação, reafirmar nosso
compromisso e analisar prioridades. Já tivemos grandes avanços,
que podem ser sintetizados em uma única ação,
que foi a elaboração, aprovação e sanção
da Lei Maria da Penha, que está sendo implantada”, considera
a ministra Nilcéa Freire.
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O Estado do Paraná,
15 de julho de 2007
Direito e Justiça
União Geral dos Trabalhadores
quer representar excluídos e os sem carteira
Edésio Passos
“Nosso desafio será representar os excluídos e
os semcarteira. Só no comércio paulista há 150
mil informais. Há espaço para uma entidade que quer combater
a informalidade, defender o meio ambiente e o impacto das inovações
tecnológicas no emprego”, afirma Ricardo Patah, que deverá ser
eleito presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT) no
congresso de fundação a ser realizado de 19 a 21 de julho
no Anhembi, São Paulo. Patah é o presidente de um dos
maiores sindicatos de trabalhadores do país, o dos Comerciários
de São Paulo. Tem se revelado um dirigente com grande capacidade
de organização e mobilização, dinamismo
que quer levar até a mais uma central a ser fundada. A UGT será formada
pela incorporação de três centrais sindicais: CAT
-Central Autônoma dos Trabalhadores, CGT - Confederação
Geral dos Trabalhadores e SDS - Social Democracia Sindical, além
de sindicatos independentes e dissidentes da Força Sindical.
Deverá atuar na representação de cerca de 8 milhões
de trabalhadores em todo o país. Centenas de entidades pertencentes à estrutura
sindical brasileira já formalizaram sua adesão para o
evento que deverá reunir mais de 2.500 participantes. A importância
da nova entidade está assinalada pela confirmação
da presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na
abertura dos trabalhos. Atualmente, dos mais de oito mil e seiscentos
sindicatos que requereram a atualização de seu registro
sindical no Ministério do Trabalho e Emprego, menos da metade
ou seja, 3.508 indicaram filiação a uma Central Sindical,
com preferência para a CUT (1.799), seguida pela Força
Sindical (692) e a Nova Central Sindical dos Trabalhadores (567). Por
sua vez, a CAT, SDS e CGT que formarão a nova entidade, contam
com 365 sindicatos filiados. Entretanto, os organizadores da UGT esperam
a adesão de grande número dos sindicatos que não
têm filiação e querem figurar como a segunda ou
terceira central de trabalhadores. As Centrais Sindicais atualmente
sem registro sindical serão reconhecidas legalmente por força
de Medida Provisória a ser encaminhada pelo presidente da República
ao Congresso Nacional. Sendo pluralistas, configuram um sistema sindical
híbrido formado pela unicidade sindical na base e a pluralidade
na cúpula. Com o reconhecimento legal ganharão ainda
mais força, pois poderão atuar, juntamente com os sindicatos,
federações e confederações, nos processos
de negociação coletiva. Além disso, esse reconhecimento
abrirá a possibilidade da retomada dos debates sobre a reforma
sindical, especialmente pela necessidade de uma legislação
que consolide a ação sindical, inclusive no plano jurídico.
Sobre a questão sindical, consulte o excelente estudo do dr.
José Carlos Arouca, advogado e ex-juiz do TRT.SP, sobre “Legislação
sindical: passado, presente e futuro”, no site www.diap.org.br.
Sobre a organização sindical dos trabalhadores europeus
em torno da UGT, consulte o site da União Geral de Trabalhadores,
de Portugal, onde há o dossier sobre o Código de Trabalho
(www.ugt.pt) e o site da Unión General de Trabajadores e acompanhe
os debates relativos ao acordo sobre emprego e o Estatuto do Trabalhador
(www.ugt.es).
Contribuição assistencial: Lideranças
do movimento sindical e patronal fecharam acordo para a regulamentação
da contribuição assistencial e eleição
do presidente e vice-presidentes das CIPA’s. Pelo acordo firmado
na sala da Comissão de Constituição e Justiça
do Senado Federal, foi requerida urgência para os Projetos de
Lei 248/2006 e 86/2003, que dispõem, respectivamente, sobre
a regulamentação da contribuição assistencial
e a eleição do presidente e vice-presidente das CIPA’s.
O acordo foi mediado pelo senador Paulo Paim (PT/RS), autor das duas
proposições. Prevê que as duas proposições
somente poderão receber uma emenda cada, a ser apresentada pelo
relator designado em plenário. No PLS 86, a emenda deverá estabelecer
a necessidade de acordo ou convenção coletiva para a
eleição do presidente e vice-presidentes das CIPA’s.
A emenda a ser apresentada ao PLS 248 visa estender às entidades
patronais o direito de cobrar das empresas o mesmo percentual de contribuição
assistencial (1%) deferida aos sindicatos de trabalhadores. O PLS 248
também terá cancelada sua tramitação na
Comissão de Assuntos Econômicos, devendo a proposição,
com a aprovação da urgência, ser votada diretamente
no plenário do Senado. Apesar de não ter comparecido à reunião,
o senador Adelmir Santana (DEM/DF), autor do recurso contrário à aprovação
conclusiva da matéria na Comissão de Assuntos Sociais,
disse aos dirigentes sindicais que, se aprovadas as duas alterações
extensão da contribuição assistencial aos empregadores
e a possibilidade de os empresários indicarem o presidente e
vices das CIPA’s , não mais irá se opor à aprovação
das proposições. O acordo foi assinado pela Confederação
Nacional do Comércio (CNC), Nova Central Sindical de Trabalhadores
(NCST), Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Fórum
Sindical dos Trabalhadores (FST) e oito confederações
de trabalhadores.
Super Receita: A aplicação
do art. 42 da Lei 11.457/2007, alterando a CLT, trará repercussão
na execução trabalhista em face aos tributos federais:”Art.
832, § 4.º A União será intimada das decisões
homologatórias de acordos que contenham parcela indenizatória,
na forma do art. 20 da Lei n.º 11.033, de 21 de dezembro de 2004,
facultada a interposição de recurso relativo aos tributos
que lhe forem devidos; § 5.º Intimada da sentença,
a União poderá interpor recurso relativo à discriminação
de que trata o § 3.º deste artigo; § 6.º O acordo
celebrado após o trânsito em julgado da sentença
ou após a elaboração dos cálculos de liquidação
de sentença não prejudicará os créditos
da União; § 7.º. O ministro de Estado da Fazenda poderá,
mediante ato fundamentado, dispensar a manifestação da
União nas decisões homologatórias de acordos em
que o montante da parcela indenizatória envolvida ocasionar
perda de escala decorrente da atuação do órgão
jurídico”. “Art. 876 Parágrafo único.
Serão executadas ex-officio as contribuições sociais
devidas em decorrência de decisão proferida pelos Juízes
e Tribunais do Trabalho, resultantes de condenação ou
homologação de acordo, inclusive sobre os salários
pagos durante o período contratual reconhecido”. “Art.
879, § 3.º Elaborada a conta pela parte ou pelos órgãos
auxiliares da Justiça do Trabalho, o juiz procederá à intimação
da União para manifestação, no prazo de 10 (dez)
dias, sob pena de preclusão; § 5.º O ministro de Estado
da Fazenda poderá, mediante ato fundamentado, dispensar a manifestação
da União quando o valor total das verbas que integram o salário-de-contribuição,
na forma do art. 28 da Lei n.º 8.212, de 24 de julho de 1991,
ocasionar perda de escala decorrente da atuação do órgão
jurídico”. “Art. 880. Requerida a execução,
o juiz ou presidente do tribunal mandará expedir mandado de
citação do executado, a fim de que cumpra a decisão
ou o acordo no prazo, pelo modo e sob as cominações estabelecidas
ou, quando se tratar de pagamento em dinheiro, inclusive de contribuições
sociais devidas à União, para que o faça em 48
(quarenta e oito) horas ou garanta a execução, sob pena
de penhora.”Art. 889 - § 1.º Concedido parcelamento
pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, o devedor juntará aos
autos a comprovação do ajuste, ficando a execução
da contribuição social correspondente suspensa até a
quitação de todas as parcelas; § 2.º As Varas
do Trabalho encaminharão mensalmente à Secretaria da
Receita Federal do Brasil informações sobre os recolhimentos
efetivados nos autos, salvo se outro prazo for estabelecido em regulamento”.
Por isso mesmo, com a aplicação do art. 42 da Lei 11.457/2007,
ficou ampliada a competência da Justiça do Trabalho sobre
a cobrança social, previdenciária, do imposto de renda,
inclusive a incidência e cobrança desses tributos no reconhecimento,
em juízo, da relação de emprego (vide voto do
juiz Alexandre Nery de Oliveira, TRT 10.ª Região, Proc.
01003.2005.002.10.00.1-AP).
Nulidade do banco de horas: “Mostra-se
incompatível com o caráter tutelar do Direito do Trabalho
a adoção do regime flexibilizador de jornada pela via
individual, diante dos arts. 9.º, 444 e 468, todos da CLT. Primeiro,
pela imposição do trabalho além do tempo máximo
diário e semanal fixados na Constituição, sem
a contrapartida financeira imediata. Segundo, pela ausência de
critérios equânimes, razoáveis e explícitos
sobre a forma de funcionamento do “banco”, muitas vezes
não havendo como o trabalhador conciliar o convívio familiar
com os interesses de seu empregador. Terceiro, pela proliferação
de males relacionados ao stress e a lesões de inúmeras
ordens, causadas pela frustração do repouso semanal e
pelo cumprimento de extensas e imprevisíveis jornadas” (da
sentença do juiz Oscar Krost, da 2.ª Vara de Trabalho de
Blumenau, Proc.01567.2007.018.12.00.0).
Greve: O juiz Itelmar Raydan Evangelista,
convocado ao TRF 1.ª Região, determinou, em liminar, a
garantia do pagamento dos vencimentos aos funcionários do Ibama
em greve (AI 2007.01.00.025629.5/DF). A legalidade da greve está sendo
analisada em processo que tramita na 23.ª Vara Federal do Distrito
Federal.
Inflação: De janeiro
a junho de 2007, índices acumulados da inflação
- INPC. IBGE 2,19%, IPC. FGV 2,25%, ICV. DIEESE 2,62%.
Trabalho em Revista: Na edição
de junho/07, entrevista com o juiz Amaury Rodrigues Pinto Junior (graduado
pela Faculdade de Direito de Curitiba no ano de 1988), empossado presidente
do TRT da 24.ª Região em dezembro de 2006, abordando temas
da atualidade jurídica e administrativa. No suplemento doutrinário,
o estudo sobre “Relações de trabalho no setor canavieiro
na era do etanol e da bioenergia”, do procurador do trabalho
da 15.ª Região, dr. Gustavo Filipe Barbosa Garcia ***Na
mesma edição, artigo de Geraldo Ramthun, presidente da
Fetraconspar e dirigente da CNTI, indagando: “Por que os saldos
do FGTS têm correção de apenas 3% ao ano a título
de taxa de juros?” ***E ainda a revista publica o Almanaque do
Trabalhador, abordando o tema “Benefícios da Previdência
Social” (informações: 0800.645.9999).
Massacre do capital: “A expansão
capitalista exerce sua ação totalitária sobre
o conjunto da sociedade. Observa-se, ainda que a crescente desvalorização
da força de trabalho, acompanhada da constante inovação
tecnológica, permite que as empresas ampliem a apropriação
de mais valia relativa, favorecendo a crescente concentração
do capital pelas corporações transnacionais. É preciso
considerar que o Estado, por mais frágil que seja, é o único
que pode garantir os direitos sociais e fundamentais, principalmente,
dos pobres” (Manuel Cid Jardon, juiz da 21.ª Vara do Trabalho
de Porto Alegre, Revista Consultor Jurídico, 5.7.07).
Foro privilegiado: Essencial a leitura
do relatório-proposta da Associação Brasileira
dos Magistrados “Juízes contra a Corrupção”,
pelo fim do foro privilegiado e a implantação de uma
Política Judiciária Nacional de combate à corrupção.
AMB quer a delegação para desembargadores e juízes
instruírem os processos contra detentores de foro privilegiado
que tramitam no STF e STJ. Propugna, ainda, pela aprovação
de projetos de lei que tornam prioritários os julgamentos dos
crimes contra o patrimônio público, corrupção
e foro privilegiado, além da criação, estruturação
e difusão de varas e câmara especializadas, a exemplo
do Rio Grande do Sul. No relatório, é demonstrada a ineficiência
do STF e STJ no que se refere à questão dos processos
com foro privilegiado. De 1988 a 2007, no STF, de 130 processos, 6
foram julgados e absolvidos, 46 remetidos a instância inferior,
13 prescreveram e 52 estão em tramitação. Já no
STJ, de 1989 a 2007, de 483 processos, 11 foram absolvidos e 5 condenados,
71 prescreveram, 126 remetidos à instância inferior e
10 ao STF, com, 81 em tramitação.
“A memória é um hóspede incômodo,
de que os homens políticos, neste país, se dão
pressa em descartar-se” Rui Barbosa (in Migalhas, 06/7)
Edésio Passos é advogado.
E-mail: edesiopassos@terra.com.br
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Folha de São Paulo,
15 de julho de 2007
Milionários brasileiros têm
meio PIB
Consultoria diz que eles são
130 mil e que possuem pelo menos US$ 1 milhão cada em
investimentos no Brasil e no exterior
Estudo mostra que fortunas brasileiras cresceram
com a alta das commodities e do mercado financeiro; dólar barato
também ajudou
JULIO WIZIACK
DA REPORTAGEM LOCAL
Levantamentos inéditos obtidos pela Folha com a Receita Federal
e com o The Boston Consulting Group (BCG), uma das consultorias mais
importantes do mundo, mostram que o Brasil tem 130 mil milionários.
Segundo o BCG, os brasileiros são os mais ricos da América
Latina com fortuna conjunta estimada em US$ 573 bilhões -mais
da metade do PIB nacional. É o que mostrará o novo relatório
do grupo americano que sairá em setembro.
Os dados ainda não foram tabulados e as estimativas têm
base no crescimento anual médio das fortunas brasileiras nos últimos
dois anos. Em 2005, os milionários nacionais detinham US$ 540,5
bilhões. Para fazer os cálculos, os especialistas entrevistaram
150 gestores de fortunas em 62 países. Na conta só entram
os bens disponíveis em aplicações e depósitos
bancários no país e no exterior. "Tudo o que circula
pelo sistema financeiro é medido", afirma Eric Gregorie,
relações-públicas da consultoria.
Para ter idéia do poderio financeiro dos brasileiros, entre 2000
e 2005, período mais recente da pesquisa, o país saltou
da 18ª posição para a 14ª no ranking dos países
com mais milionários. Na comparação com as nações
em desenvolvimento, o Brasil deixou para trás a Índia e
a Rússia, perdendo apenas para a China.
Vários fatores explicam a velocidade de expansão das fortunas
brasileiras. Nos últimos anos, a economia estabilizou-se. A inflação
continua sob controle, as dívidas nacionais estão equacionadas
e isso deixou os brasileiros confiantes para aplicar suas reservas. Resultado:
o mercado financeiro nunca esteve tão aquecido. Como a venda de
ações levou mais recursos para as empresas, elas aceleraram
a produção, fazendo a economia crescer.
Também contaram o enfraquecimento do dólar e a alta dos
preços das commodities -principalmente grãos e minérios.
O setor do agronegócio foi um dos que mais geraram milionários,
principalmente no Centro-Oeste.
Segundo a Receita Federal, nessa região o número dos que
ganham mais de R$ 1 milhão por ano mais que dobrou entre 2000
e 2003, chegando a 685. A Receita alega que para fornecer dados mais
recentes teria de pagar R$ 15 mil ao Serpro (Serviço Federal de
Processamento de Dados). Apesar disso, a análise dos números
disponíveis já permite avaliar a nova geografia da riqueza
no Brasil.
Regionalização da fortuna
Além do fortalecimento do Centro-Oeste, o Norte e o Nordeste ganharam
destaque, com 187 e 1.031 milionários, respectivamente. Agora
eles são disputados por empresas de luxo que antes só buscavam
clientes entre Rio e São Paulo.
Manaus já desponta como o paraíso das construtoras. Lá,
a Gafisa lançou o Riviera, onde o apartamento mais barato custa
R$ 800 mil. "Fizemos uma pesquisa de mercado e ficamos surpresos
ao descobrir que o poder aquisitivo da classe mais rica era bem maior
do que imaginávamos", diz Antonio Ferreira, diretor de novos
negócios da Gafisa.
Segundo ele, seis meses após o lançamento dos dois primeiros
prédios, cerca de 70% das unidades do edifício Cannes -em
que o preço por unidade começa em R$ 2 milhões-
estavam vendidas. De cada dez compradores, sete são do Estado.
A publicitária Renata Sabbá e seu marido adquiriram um
desses imóveis. "Era o que procurávamos", diz
Renata.
Embora detectem essas mudanças, tanto o IBGE (Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística) quanto o Ipea (Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada) têm dificuldades para traçar um
perfil dos milionários. "A amostragem é muito pequena",
diz Antonio Luiz Carvalho Leme, coordenador dos censos em São
Paulo.
Além disso, os poucos que participam da pesquisa costumam diminuir
em 25% o valor de seus ganhos e bens. É o que afirma Gabriel Ulyssea,
do Ipea. "Eles temem por sua segurança." Há outra
preocupação: ao depreciar os bens, querem pagar menos impostos.
Estudos do Ipea indicam que, apesar dessa depreciação,
os dados da desigualdade de renda não sofrem alteração. "Apenas
10% da população continua se apropriando de 80% da renda
nacional", diz Gabriel Ulyssea.
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Folha de São Paulo,
15 de julho de 2007
MULTIPLICAÇÃO DE APRENDIZ
Pressionadas por lei,
firmas contratam mais jovens
Ministério aposta na fiscalização das empresas para
fomentar novas vagas
Renato Stockler/Folha Imagem

A contadora Flávia Aparecida Oliveira de Lima (ao centro) cercada
por jovens que fazem parte do programa Jovem Aprendiz
RAQUEL BOCATO
DA REPORTAGEM LOCAL
O aperto na fiscalização das empresas é um dos
principais motivos citados pelo Ministério do Trabalho e Emprego
para o aumento na contratação de aprendizes nos últimos
anos.
Entre 2005 e 2006, houve um crescimento de 49% no número de jovens
contratados em razão do monitoramento das DRTs. Foram 29.605 em
2005 e 44.049 em 2006. Apenas de janeiro a abril de 2007, outros 24.720
assinaram contrato. E, se depender da vigilância, os números
tendem a crescer.
" A fiscalização é o instrumento mais importante [para
garantir o ingresso de aprendizes no mercado]", afirma o secretário
de Políticas Públicas do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego),
Sérgio Vidigal.
Aprovada em 2000, a Lei do Aprendiz obriga todas as empresas -com exceção
de micro e pequenas- a empregar e matricular em cursos do Serviço
Nacional de Aprendizagem ou de instituições cadastradas
um número de jovens equivalente a de 5% a 15% dos empregados.
Nem todas, porém, cumprem a exigência. E, por isso, o governo
precisa agir. De 2003 a abril deste ano, 502.130 contratos foram feitos.
Devido às ações de fiscalização das
DRTs (Delegacia Regional do Trabalho), 141.735 jovens foram absorvidos
ao longo desse período.
O ministério, no entanto, não sabe quantos jovens poderiam
ser beneficiados com a lei. Com idades entre 14 e 24 anos, os aprendizes
recebem formação específica, que varia de seis a
24 meses, e têm carteira assinada.
Esfera pública
Na mira das DRTs, além da iniciativa privada, passam a fazer parte
também as companhias estatais, informa o MTE. A mudança é expressiva.
Entre 2003 e 2005 não houve registro de contratação
de aprendizes por parte das estatais. No ano passado, porém, elas
contrataram 13.110 jovens.
Segundo o MTE, os Correios serão a próxima empresa a contar
com o programa. A absorção de aprendizes no setor público
também deve ser adotada pelo governo paulista, diz Rogerio Amato,
secretário de Assistência e Desenvolvimento Social.
" Primeiro foi a vez da união de iniciativa privada e terceiro setor
[para desenvolver o programa]", diz. Agora seria a vez do governo. Amato,
no entanto, diz que essa deve ser "prioritariamente uma ação
da iniciativa privada". "Mais de 70% deles ficam [são contratados
após treinamento]", afirma.
Não foi essa a experiência de José Carlos Oliveira
Júnior, 17. Após trabalhar como aprendiz em uma seguradora,
não foi efetivado. Em agosto, quando comemora 18 anos, completa
também um ano desempregado. "Estou fazendo entrevistas em
corretoras, mas não está "rolando'", diz ele,
que busca vaga de auxiliar administrativo. "Mas acho que, se não
tivesse feito o curso, seria pior."
Com Willian Vieira, colaboração
para a Folha
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