 |
Folha
de São Paulo, 16 de julho de 2007
Bolsa Família tem problemas em 90%
de cidades auditadas
CGU fiscalizou programa em 120 municípios
e flagrou irregularidades em 108 deles | Pagamento a beneficiados cuja
renda supera a exigida pelo governo é o problema mais comum; ministério
diz ter tomado providências
FELIPE BÄCHTOLD
DA AGÊNCIA FOLHA
Auditorias feitas pela CGU
(Controladoria Geral da União) em cidades de todo o país,
escolhidas por sorteio, mostram que em 90% dos municípios analisados
há irregularidades na aplicação de recursos do
programa Bolsa Família, do governo federal. Neste ano, o órgão
divulgou relatórios de fiscalizações dos repasses
da União feitas em 120 cidades. Houve problemas com o Bolsa
Família em 108 delas.
A investigação
faz parte do Programa de Fiscalização de Municípios,
que avalia periodicamente, por sorteio, cidades com até 500
mil habitantes. A irregularidade mais comum relativa ao Bolsa Família,
constatada em 70 municípios visitados por fiscais da CGU, é o
pagamento a beneficiados com renda superior à estipulada pelos
critérios do programa.
A fiscalização
também apontou, em outros municípios, casos de beneficiados
mortos ou que estão cadastrados simultaneamente em outros programas,
como o Peti (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil),
o que é irregular. Outro problema constante foi a não-localização
de estudantes ou de responsáveis incluídos no Bolsa Família.
Os fiscais relataram ainda
defeitos no controle do programa e o não-cumprimento de medidas
exigidas pelo governo federal. Isso inclui deficiência na verificação
da freqüência dos alunos na escola, cadastros desatualizados
e não-constituição de um conselho para administrar
ações na área social, conforme prevêem as
normas do Bolsa Família.
Recebem o benefício
famílias com filhos de até 16 anos incompletos e com
renda mensal de até R$ 120 por pessoa. O valor do pagamento
depende da renda e do número de filhos. A média é de
R$ 72 por mês.
Ar-condicionado
As duas últimas edições
da investigação da CGU foram feitas por cerca de 450
fiscais durante o segundo semestre do ano passado e divulgadas em março
deste ano (com o relatório sobre a situação de
60 cidades) e na semana passada (com o relatório sobre outras
60). Os pesquisadores verificaram documentos das prefeituras e realizaram
entrevistas com moradores das cidades sorteadas.
Um dos casos relatados pelos
fiscais foi a compra pela Prefeitura de Caiçara (PB), com o
dinheiro que seria usado no Bolsa Família, de um aparelho de
ar-condicionado para o gabinete. A prefeitura argumentou à CGU
que havia comprado o equipamento para o prédio da Secretária
de Assistência Social, que gerencia o programa, mas, como o local
não oferecia condições para instalação
do aparelho, instalou-o no gabinete da prefeitura.
Em Palmeiras (BA), a coordenadora
do programa na cidade aparece na lista de quem recebe o benefício,
segundo a auditoria. A prefeitura disse à CGU que desconhecia
o fato e que iria apurá-lo. Em duas cidades -Ipaba (MG) e Jericó (PB)-,
os fiscais constataram que mulheres de vereadores, que têm renda
acima do estipulado, recebiam o benefício.
Em Pernambuco, no município
de Gameleira, a auditoria da CGU verificou que as famílias de
mais de cem alunos de escolas particulares recebem o pagamento. Todas
as irregularidades constatadas são encaminhadas para os ministérios
que gerem as verbas -no caso do Bolsa Família, o Ministério
do Desenvolvimento Social.
Também são
informados sobre os problemas a Procuradoria Geral da República,
as Procuradorias Gerais de Justiça dos Estados, o Congresso
e os tribunais de contas.
O Bolsa Família atende atualmente a 11,1 milhões de famílias
em todo o país, segundo o governo federal.No Orçamento de 2007,
foram reservados R$ 8,6 bilhões para o programa.
|
JORNAL GAZETA MERCANTIL,
16 de julho de 2007
Cresce confiança da população
de baixa renda
SÃO PAULO, 16 de julho de 2007 - O Índice de Confiança
do Consumidor (ICC), da Federação do Comércio do Estado
de São Paulo, apontou que a confiança da população
que ganha abaixo de 10 salários mínimos cresceu 1,6% em julho,
situando-se em 124,6 pontos.
No período, o Índice
das Condições Econômicas Atuais (ICEA) registrou
alta de 2,5% e atingiu 133,4 pontos, enquanto o Índice de Expectativa
do Consumidor (IEC) recuou 0,8% e chegou a 118,7 pontos.
Já os consumidores com
rendimentos superiores a esta faixa estão menos confiantes, tanto
no presente, quanto no futuro: baixa de 2,9% (133,4 pontos) no IEC e
de 0,9% no ICEA, chegando a 154,7 pontos.
|
ESTADÃO.COM / SÃO PAULO, 16 de
julho de 2007
CNI eleva a 4,5% previsão de
crescimento do PIB em 2007
REUTERS - REUTERS
BRASÍLIA - A Confederação
Nacional da Indústria (CNI) elevou sua estimativa de crescimento
do Produto Interno Bruto em 2007 para 4,5 por cento, ante projeção
anterior de 4,2 por cento.
"A revisão deve-se
a uma perspectiva de expansão mais forte nos serviços e,
principalmente, nos impostos, que crescem significativamente", justificou
a CNI em nota.
A entidade estima que o PIB industrial
crescerá 4 por cento no ano. A produção agropecuária
deve ter expansão de 4,5 por cento e a de serviços, de
4,2 por cento.
A CNI prevê ainda um crescimento
de 5,8 por cento do consumo das famílias em 2007 e de 4,7 por
cento do consumo do governo. A estimativa para a formação
bruta de capital fixo --uma medida dos investimentos-- foi mantida em
elevação de 10,5 por cento.
A CNI destaca que o crescimento
da demanda interna tem sido atendido principalmente por importações
e que a indústria tem crescido de forma heterogênea, de
acordo com a forma como as empresas são afetadas pela valorização
do câmbio.
(Por Isabel Versiani)
|
ÚLTIMA INSTÂNCIA,
16 de julho de 2007
Nova regra sobre multa de veículos é aprovada
pela Câmara
A Comissão de Viação e Transportes aprovou nesta quarta-feira
(11/7) o Projeto de Lei 400/07, do deputado Dagoberto (PDT-MS), que obriga
a divulgação dos autos de infração de trânsito
em até sete dias e proíbe a cobrança de multas anteriores à transferência
da propriedade do veículo. O objetivo do projeto é proteger os
novos proprietários, que não devem ser cobrados por multas de
responsabilidade do ex-proprietário.
O relator, deputado João
Leão (PP-BA), recomendou a aprovação da proposta. "Essa
cobrança passa a ser injusta se direcionada ao novo proprietário,
que estaria sendo punido por uma infração cometida anteriormente à sua
posse do veículo", disse.
De acordo com informações
da Agência Câmara, o projeto modifica o CTB (Código
de Trânsito Brasileiro — Lei 9.503/97). Atualmente, o código
já proíbe a expedição de um novo CRV (Certificado
de Registro de Veículo) enquanto houver débitos fiscais
e de multas (tanto de trânsito quanto ambientais) vinculadas ao
veículo. O autor do projeto ressalta, no entanto, que são
numerosos os casos em que o novo proprietário tem de arcar com
o pagamento de multas desconhecidas no momento da compra do veículo.
Isso ocorre, segundo ele, devido à lentidão do sistema
de lançamento e divulgação das multas.
O projeto já tramita
em caráter conclusivo. Ainda falta, no entanto, a análise
da Comissão de Constituição e Justiça e
de Cidadania.
|
Florianópolis,
16 de Julho de 2007.
AS FEDERAÇÕES DE TRABALHADORES DA CONSTRUÇÃO
E DO MOBILIÁRIO FILIADAS AO DEPACOM
O Departamento
Profissional da Construção e do Mobiliário - DEPACOM,
vem informar que conforme encaminhado aos nobres companheiros na data de 05 de
julho de 2007, segue abaixo mais alguns informativos acerca da reunião
que será realizada no Estado do Maranhão para o dia 27
de Julho de 2007 no auditório da FETICOM/MA, sito a Praça
da Bíblia - Casa do Trab. Sind. - Sala 09, CEP 65.025-150, São
Luiz, MA, fone (98) 3221-5619.
1. O
hotel de hospedagem será o Skina Palace Hotel, fone (98) 3216-4000 (http://www.hotelskina.com.br/),
sito a av. Marechal Castelo Branco, nº. 512 - São Francisco - CEP
65.076-000 - São Luiz - MA. Cada participante fica responsável
pela sua reserva.
2. O
Departamento pagará 02 (duas) diárias para cada participante
no hotel;
3. O
Departamento pagará a alimentação no dia do evento;
3. Demais
despesas serão pagas pelos participantes.
Atenciosamente,
ALTAMIRO
PERDONÁ
Presidente do DEPACOM
|
|
ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 16 de julho de 2007 | Economia
Projetos para o trabalhador
Há 3,8 mil propostas de mudanças
trabalhistas na Casa; entre elas, polêmicas como fracionamento
de férias
MARCOS BURGHI, marcos.burghi@grupoestado.com.br
No site da Câmara dos Deputados, é possível
encontrar cerca de 3,8 mil propostas que têm como tema a legislação
trabalhista. Embora não haja previsão do prazo de conclusão
dos trâmites, são projetos de lei que, se aprovados, podem
alterar radicalmente o cotidiano dos trabalhadores brasileiros.
Entre os mais polêmicos,
está o que fraciona as férias dos empregados da iniciativa
privada e de funcionários públicos em até três
períodos de dez dias. Proposto em 2005 por André Figueiredo
(PDT-CE), não-reeleito, está na Comissão de Trabalho,
Administração e Serviço Público, à espera
de parecer do relator, Tadeu Filipeli (PMDB-DF).
Filipeli informou que o relatório
deve ser apresentado em agosto. Ele espera que seja votado em seguida.
Se aprovado, terá de seguir para a Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) e, depois, para o Senado.
Outro projeto que deve esquentar
os debates é de Daniel Almeida (PC do B-BA). Na fila da Comissão
de Trabalho, propõe a implantação da jornada de
trabalho em 40 horas semanais para todas as categorias profissionais,
cria negociação coletiva para pagamento de horas extras
e obriga a instalação de cartão de ponto em empresas
de pequeno porte. O autor acredita que o projeto seja apreciado ainda
este ano e possa seguir para a CCJ. “Espero que no início
de 2008 tudo esteja definido”, diz o parlamentar.
Outro projeto que mexe com os
trabalhadores é do ex-deputado paulista Luís Antonio Medeiros.
Trata da criação de incentivos fiscais para que empresas
contratem aposentados e pensionistas.
Segundo o relator, Roberto Santiago
(PV-SP), a intenção é fazer consultas públicas
sobre o assunto antes da confecção do relatório
que será apresentado à Comissão de Trabalho. Ele
espera, assim, acelerar a tramitação do projeto, que, se
aprovado nesta comissão, seguirá para a de Finanças
e Tributação e, depois, para a CCJ.
Outra proposta obriga que as
empresas ofereçam exercício físico específico,
chamado laboral, para funcionários que praticam movimentos repetitivos
em suas atividades profissionais. É o caso de digitadores e telefonistas,
entre outros. Segundo o autor, Fernando de Fabinho (DEM-BA), não é possível
determinar tempo para análise e votação na Comissão
de Trabalho, que analisa a matéria no momento. “Deve entrar
em pauta neste segundo semestre”, acredita o parlamentar. Se aprovado,
segue para apreciação na CCJ.
Participação nos lucros
Outro projeto define em 15% o
porcentual que uma empresa deve distribuir aos funcionários a
título de participação nos lucros, quando empregados
e empresa não chegarem a um acordo. De autoria de Luiz Alberto
(PT-BA), aguarda parecer da Comissão de Desenvolvimento Econômico
para depois seguir para a CCJ.
Se aprovadas, essas propostas
seguem para o Senado, onde passarão por novas apreciações.
ALGUMAS PROPOSTAS NA PAUTA DA CASA
PL 603/07 - Proíbe distinção
entre funcionários para adesão a programas de demissão
voluntária. Aguarda parecer na Comissão de Trabalho,
Administração e Serviço Público
PL 5433/05 -
Obriga as empresas a oferecerem aos empregados mais de uma opção
de banco para crédito do salário. Aguarda parecer na Comissão
de Constituição e Justiça
PL 5965/05 -
Fraciona as férias em três períodos de dez dias.
Aguarda parecer na Comissão de Trabalho, Administração
e Serviço Público
PL 6213/05 -
Obriga empresas a oferecerem ginástica laboral a funcionários
que realizam tarefas com movimentos repetitivos. Aguarda parecer na Comissão
de Trabalho, Administração e Serviço Público
PL 6911/06 -
Define em 15% o porcentual de lucros que deve distribuído aos
trabalhadores quando não há acordo na negociação.
PL 7344/06 -
Cria incentivos fiscais para empresas que contratem aposentados e pensionistas.
aguarda parecer na Comissão de Trabalho, Administração
e Serviço Público
PL 7663/06 -
Fixa jornada de trabalho em 40 horas semanais, cria negociação
coletiva para horas extras e obriga a instalação de cartões
de ponto em pequenas empresas. Aguarda parecer na Comissão de
Trabalho, Administração e Serviço Público
|
ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 16 de julho de 2007 | Nacional
Custo de investimento produtivo no
Brasil é o 3º maior do mundo
Segundo pesquisa do Iedi, custos são
30% maiores que os da China e até 118% superiores aos da Coréia
do Sul
Marcelo Rehder
O empresário brasileiro arca hoje com um dos maiores custos do mundo
para realizar novos investimentos. Numa lista de 47 países elaborada
pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o Brasil
aparece em terceiro lugar, em situação melhor apenas que Tailândia
e Irlanda. Os custos no País são 30% maiores que os da China
e até 118% superiores aos da Coréia do Sul, dois países
que são concorrentes diretos das empresas brasileiras no mercado mundial.
Embora o preço de máquinas,
equipamentos, instalações e construções venha
crescendo a taxas declinantes no País, o Iedi cita que a inflação
sobre os bens finais de consumo das famílias e do governo tem
sido bem mais suave. 'Assim, em um contexto de elevadas taxas de juros,
desestimula-se o investimento produtivo', diz Edgard Pereira, economista-chefe
da entidade.
Para calcular o custo relativo
do investimento fixo nas diferentes partes do mundo, o Iedi criou um índice
com base em dados do Projeto Link, que é financiado pela Organização
das Nações Unidas (ONU) e recebe informações
de todos os países.
Entre 1970 e 2005, o custo do
investimento fixo no Brasil cresceu 31%, enquanto no Chile houve recuo
de 7% e na Argentina, de 5%. O Brasil perde feio para os chamados tigres
asiáticos. Em Cingapura, esse custo caiu 15% e na Malásia,
20%. Na Coréia do Sul, a redução chegou a 40%. Já na
Hungria, que apresenta o custo de investimento mais baixo entre os países
analisados, a queda foi de 47%.
RISCO
Não é por obra
do acaso que o Brasil não tem conseguido atingir taxas de investimento
compatíveis com um crescimento sustentado de 5% ao ano, como pretende
o governo. Mesmo tendo crescido por três anos seguidos, a formação
bruta de capital fixo atingiu 15,8% do Produto Interno Bruto (PIB) em
2006, mas ainda assim continua entre as mais baixas desde 1947. Essa
taxa sóé superior à do biênio 1992-1993, além
do intervalo mais recente de 2002-2005.
'A taxa de investimento é muito
baixa porque o custo é muito alto', diz Pereira. 'Por que correr
o risco de imobilizar sua riqueza em máquinas e equipamentos se
existe a opção de aplicar recursos em títulos do
governo com taxas de juros que rendem lucro certo?', indaga o economista
do Iedi.
'Se eu ganhasse sozinho na Mega
Sena pensaria dez vezes antes de investir na produção,
a menos que fosse num setor de commodities', ironiza o empresário
Mário Bernardini, dono da MGM Mecânica e Máquinas.
De acordo com Bernardini, para
investir, 'preciso pensar que vou pagar 15% ao ano para bancos e 40%
para o governo e, depois, brigar com as importações, que
são subsidiadas pelo câmbio, por meio da depreciação
no país de origem e da sobrevalorização aqui'. A
MGM, que atua no segmento de máquinas para mármores e granitos,
deixou de exportar e de investir há alguns anos. 'Nas condições
macroeconômicas atuais, não há como competir lá fora',
diz Bernardini. 'Já o mercado interno, que depende da construção
civil e esteve muito ruim, agora dá sinais de retomada.'
A pesquisa do Iedi mostra, no
entanto, que o custo do investimento fixo apresentou queda de 1,5% em
2006, refletindo a desoneração tributária de bens
de capital ocorrida em 2005, além da redução da
taxa de juros e da desvalorização do real frente ao dólar,
o que barateia a importação de máquinas e equipamentos.
'Se o custo do investimento não cair de forma mais significativa,
o empresário vai optar por investir num país onde o custo
seja menor', adverte o economista do Iedi.
Não é de hoje que
o empresário Fuad Mattar, presidente da Paramount Lansul, uma
das principais indústrias do setor têxtil brasileiro, planeja
investir na China. Responsável no País pela grife francesa
Lacoste, a Paramount Lansul tem uma tradição de 120 anos
no mercado. 'Ainda não me convenci de que devo desistir de lutar
para convencer nossos governantes da necessidade de termos uma política
industrial eficiente', conta o empresário.
Não fosse isso, Mattar
teria motivos de sobra para jogar a toalha e tentar um negócio
fora do País. 'Temos um câmbio de R$ 1,87, que éótimo
para investir, mas na hora de pôr as máquinas para funcionar,
esse valor sobe para R$ 2,50, por conta da carga tributária.'
Além de caro, o crédito para investimento no País
tem prazo muito curto, de no máximo dez anos, para empresas de
primeira linha. Já nos países asiáticos, esse prazo
chega a 25 anos. 'Eles (os asiáticos) também não
tributam investimentos e têm um câmbio muito favorável
para exportação', observa o empresário.'Enquanto
estivermos com um canivete e eles com uma metralhadora, não dá para
competir.'
Paulo Francini, diretor da Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), observa
que 'aquilo que chamamos de ambiente hostil à produção é o
mesmo que está no cenário de quem deseja fazer investimento
no País'. Para ele, entre as poucas vantagens comparativas do
País nessa área estão a terra e o clima, que favorecem
investimentos em cana-de-açúcar, papel e agronegócio.'Nenhuma
indústria de transformação escolheria investir no
Brasil só por causa da nossa ginga e jogo de corpo no carnaval
e no futebol', diz, bem-humorado. 'Ninguém, está interessado
nisso, e sim em ganhar dinheiro.'
|
ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 16 de julho de 2007 | Nacional
Imóvel econômico é a
aposta da vez
Boa parte dos R$ 5,5 bilhões
levantados por construtoras na Bolsa neste ano irá para
imóveis de até R$ 120 mil
Rosangela Dolis
Empresas do setor de construção civil que abriram o capital mais
recentemente estão direcionando parte dos recursos captados com investidores
para reforçar a atuação no segmento residencial econômico
ou entrar nesse nicho de mercado. Só neste ano, as captações
totais somam R$ 5,5 bilhões. É um pedaço desse total -
que as empresas não especificam, mas dizem ser significativo - que vai
aumentar a oferta de imóveis na faixa de R$ 50 mil a R$ 120 mil para
um público com renda de 5 a 10 salários mínimos.
Os empresários do setor
não têm dados precisos, mas avaliam que o déficit
habitacional entre as pessoas dessa faixa de renda é de 800 mil
a 1 milhão de unidades residenciais. 'Não estamos vivendo
um modismo, mas um ciclo de cinco a dez anos em que as empresas sabem
que poderão investir nesse nicho', diz o diretor-técnico
da Tecnisa, Fábio Villas Boas. Em planos de 4 ou 5 anos, a Rossi
Residencial fala em lançamento de 43 mil unidades e a Rodobens,
de 38 mil unidades, por exemplo.
No orçamento das famílias
com renda de 5 a 10 salários mínimos, cabe agora a prestação
de cerca de R$ 600 desse tipo de imóvel porque os juros baixaram
(estão na faixa dos 9% mais TR, graças ao incentivo do
Banco Central para financiar imóvel de até R$ 120 mil)
e os prazos ficaram mais longos, chegando a 25 anos (antes, eram 15 anos).
Voltou também o que as construtoras chamam de 'fase de fartura'
no financiamento. 'Hoje, os bancos correm atrás das empresas porque,
com os juros menores, é mais rentável a aplicação
na produção', diz Renato Diniz, diretor de Plano Econômico
da Rossi.
ADEUS AO ALUGUEL
Os financiamentos totais do SFH
(imóvel até R$ 350 mil) devem somar R$ 11 bilhões
em 2007. Parte desses recursos vai atender ao financiamento da produção
econômica. O HSBC projeta emprestar R$ 80 milhões no crédito
imobiliário, o dobro de 2006. 'Em quantidade, 80% das operações
devem envolver imóveis abaixo de R$ 150 mil', diz Roberto Sampaio,
diretor de Crédito Imobiliário da instituição.
Imóveis na faixa de até R$ 80 mil são também
beneficiados com recursos da linha do FGTS, da Caixa Econômica
Federal, em que os juros são de até 8,66% mais TR.
Como esse público em geral
paga aluguel, as construtoras trataram também de facilitar as
condições. 'Nosso prazo de entrega é de 12 meses,
porque as pessoas querem sair logo do aluguel', diz Eduardo Gorayb, diretor-presidente
da Rodobens Negócios Imobiliários.
Em alguns casos, a compra pode
ser feita sem entrada, com financiamento de 100% do valor, o que evita
acúmulo de prestações com aluguel na fase da obra
- é o que prevê acordo da Gafisa com a Caixa Econômica
Federal. Na parceria do ABN Amro Real com a construtora Rodobens, o comprador
não precisa comprovar renda. 'Se pagar em dia nos 12 meses da
obra, automaticamente estará aprovado para o financiamento bancário',
diz Gorayb.
Com isso, a participação
do segmento econômico no valor de lançamentos das empresas
vai crescer. Na Rossi, em 2007, ele representa 18% do valor de lançamentos.
Em 2008, deverá passar a 30%. 'É o segmento mais promissor
dentro da empresa', afirma Diniz.
Desde o fim da década
de 80, com a escassez de financiamentos, as construtoras mantinham o
foco em imóveis de padrão médio alto a alto, que
custam acima de R$ 250 mil. 'Era o segmento que não precisava
de financiamento', justifica o presidente da Gafisa, Wilson Amaral.
Andressa Sartori e o noivo, Rodrigo,
somam uma renda de R$ 5 mil e compraram um apartamento da Gafisa na Vila
Matilde em dezembro. O imóvel será entregue em fevereiro
de 2009 e custou R$ 85 mil. O financiamento será pago com parcelas
de R$ 500. 'Preço de aluguel', diz Andressa.
|
Folha
de São Paulo, 16 de julho de 2007
Empresas mudam para atender baixa renda
Companhias lançam versões de produtos
mais simples e de menor custo para as classes C e DE, que ganhou poder
de compra
| Empresas contratam antropólogos, e executivos estagiam em favelas para
entender comportamento do consumidor
Raimundo Pacco/Folha Imagem

Consumidoras em loja de eletrodomésticos em São Paulo; empresas
se adaptam ao maior poder de compra da baixa renda
DENISE BRITO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
O ganho de poder aquisitivo
da população de menor renda do país provocou uma
transformação de peso no mercado de consumo e, conseqüentemente,
nas estratégias adotadas pelas empresas. Desde o Plano Real
e o controle da inflação, em 1994, houve um ganho aproximado
de 150% no poder de compra das famílias das classes C e DE,
com renda de até dez salários mínimos, o equivalente
a 87% da população do país.
Pelo volume de consumidores,
esse segmento passou a ter importância estratégica para
as grandes marcas. "Qualquer empresa do mercado de consumo hoje
só assume a liderança se tiver produtos adequados a esse
segmento", diz o professor de varejo Juracy Parente, da FGV (Fundação
Getulio Vargas). Para ganhar a preferência desse público,
as grandes empresas têm buscado aprofundar a compreensão
da realidade das famílias de baixa renda.
"Muitas estão incluindo
antropólogos em seus quadros e investindo em pesquisas etnográficas,
espécie de estágio em que executivos convivem com famílias
de baixa renda dentro de suas residências, observando seu cotidiano",
diz Haroldo Torres, diretor do Data Popular Pesquisa e Consultoria.
Segundo ele, a demanda de pesquisas
desse tipo cresceu cerca de 250% no último ano.
A Johnson & Johnson é uma das adeptas do modelo de treinamento. "Intensificamos
os investimentos em pesquisas ligadas ao comportamento das classes C e D. Fomos à casa
desse consumidor e o acompanhamos no momento das compras e da utilização
de nossos produtos", diz José Vicente Marino, presidente da Johnson.
"Equipes de marketing,
diretores e até o presidente de então participaram dessa
atividade. E fazemos isso até hoje." Segundo Marino, devido à importância
desse público para os negócios da empresa, foi implementada
uma série de estratégias de aproximação,
como o lançamento de produtos em versões mais simples
-caso de fralda descartável e escova dental- e a redução
de 30% no preço de outros -caso de hidratante corporal e xampu
infantil. Entre os "ótimos resultados" alcançados,
Marino cita as vendas do hidratante, que aumentaram cinco vezes, e
a conquista da liderança da categoria de xampu infantil.
A estratégia da Unilever
e da Nestlé incluiu a abertura de fábricas na região
Nordeste, onde está a maior concentração das famílias
de baixa renda. O investimento rendeu importantes resultados para ambas. "Nosso
faturamento dobrou nos últimos cinco anos. Hoje somos o segundo
mercado em volume da companhia no mundo e o quarto em faturamento",
afirma Johnny Wei, diretor da Nestlé.
Parte desse resultado foi fruto
de soluções sob medida desenvolvidas pela empresa, que
também levou uma equipe de 70 executivos para "estagiar" em
residências de consumidores em favelas. Foram criados produtos
como uma marca de leite em pó de preço baixo e alto valor
nutricional exclusiva para a região Nordeste. Outro exemplo
foram as as porções menores, caso de biscoito recheado
que passou a oferecer embalagem de 140 gramas como opção à tradicional
de 200 gramas.
Café quente
A comunicação,
antes unificada para todo o país, também passou por alterações.
A propaganda de café, por exemplo, que no Brasil inteiro retratava
o consumo da bebida em um clima de frio, mesmo no calor de cidades
como Recife, ganhou versões específicas para o Nordeste,
onde a ênfase é dada ao rendimento do produto.
"Compreendemos que a renda
familiar é instável, o que faz o consumidor ir mais vezes
ao supermercado próximo de sua casa. Por isso, ele busca produtos
de menor custo, com menor embalagem", diz Wei. "Em vez de
uma lata de 2 quilos, ele prefere um sachê de 500 gramas."
A Unilever, já nos anos
90, abriu sua fábrica no Nordeste. "Enviamos para lá as
melhores cabeças de marketing", conta o vice-presidente
Luiz Carlos Dutra. Entre o itens desenvolvidos localmente desde então,
destacam-se o sabão Ala e a versão compacta do desodorante
Rexona, ambos considerados sucesso de vendas e participação
de mercado: 24% e 9%, respectivamente.
A empresa no Brasil comemora
o fato de estar em terceiro no ranking da companhia. "Hoje,
estamos atrás somente dos EUA e do Reino Unido."
|
Folha de São Paulo,
16 de julho de 2007
Financiamento habitacional será nova
fase
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Após a explosão
de venda dos eletroeletrônicos, carros e motocicletas, o país
se prepara para a difusão de oferta de crédito imobiliário
em financiamentos de longo prazo. Empresas como Rodobens, Rossi Residencial
e Brazilian Mortgages já disponibilizaram linhas de crédito
imobiliário de longo prazo específicas para atender a necessidade
de prestação baixa das classes C e D.
"Vindo o crédito
imobiliário, acredito que vá crescer muito o mercado de
materiais de construção, uma vez que as casas estão
em constante reforma e expansão, os tais puxadinhos", diz
Haroldo Torres, do Data Popular. A recente alta no poder aquisitivo da
população, com aumento no consumo das famílias,
trouxe à tona um contingente de consumidores capaz de mudar o
perfil do mercado no país e gerar picos de venda na indústria
nacional.
"O mercado de trabalho
cresceu em áreas menos qualificadas, a inflação
caiu, o acesso ao crédito aumentou, provocando uma queda impressionante
no valor das prestação de eletrodomésticos",
diz o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros. "Para
os que vivem de bicos, o Bolsa Família gerou fluxo seguro de
renda complementar que possibilitou fazer crediário para comprar
itens como geladeira e TV, trazendo um forte impacto sobre bens de
consumo."
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 16 de
julho de 2007 | Brasil
Terra
Classes média e alta também
invadem
Minervino Júnior/Jornal
de Brasília

Terras públicas invadidas serão vendidas aos seus ocupantes
Na maioria das grandes cidades brasileiras, as invasões de terras são
feitas pela população pobre das periferias. Mas em Brasília é diferente.
Atraídos pela oferta fácil, mesmo com a insegurança de
não ter uma escritura em mãos, filhos da classe média
e das camadas mais altas da sociedade compraram lotes em grandes quantidades
e construíram casas em terrenos irregulares. Os grandes condomínios
Village Alvorada, à beira do Lago Sul, e Ville de Montaigne, a oito
minutos do Palácio do Planalto, são exemplos dos chamados condomínios
classe A. Neste último foram erguidas milhares de casas. “Em Brasília,
um número grande de áreas não regulares foram ocupadas
pela classe média e pela classe média alta”, afirma Antônio
Gomes, presidente da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap).
São milhares de famílias
envolvidas e, por isso, não resta ao governo outra alternativa
que não seja vender as terras públicas invadidas aos seus
ocupantes. A Terracap já começou a estabelecer o preço
que cada morador terá de pagar ao governo para legalizar seu imóvel.
Os moradores dos condomínios de classe média e alta pagarão
preço de mercado – cerca de R$ 75 por metro quadrado. No
preço final, seja das casas ou apenas dos terrenos, os atuais “proprietários” terão
um desconto relativo às benfeitorias, como obras de pavimentação,
urbanização, rede de água e de luz. Nos loteamentos
de baixa renda, quem ganha até cinco salários mínimos
receberá a escritura de graça.
Ação do governo incentiva
a construção
Nos últimos meses, a capital federal assiste a um boom silencioso da
construção civil. O fenômeno nada tem a ver com a expansão
imobiliária, e sim com a guerra declarada pelo governo do Distrito Federal às
invasões.
O presidente da Terracap garante
que o governo de José Roberto Arruda representa uma ruptura no
processo de ocupação irregular do solo urbano na capital.
Apesar do combate a novas invasões,
Gomes acredita que o movimento de migração para Brasília
não será interrompido. Uma pesquisa coordenada pela Universidade
de Brasília (UnB) concluiu que brasileiros de todas as regiões – principalmente
de Goiás, Minas Gerais e Bahia – continuam dispostos a se
mudar para a cidade.
Dentro das novas regras de ocupação
urbana, o governo prepara novos loteamentos. Para atender a esta demanda,
Gomes informa que a Terracap vai licitar novas áreas para a construção
de prédios de apartamentos voltados para a classe média.
Outros loteamentos atenderão aos servidores públicos e à população
de baixa renda.
|
JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
16 de julho de 2007
Medo de perder o emprego diminuiu,
aponta estudo
São Paulo - A melhora na expectativa do brasileiro em relação à manutenção
do emprego e renda deve gerar aumento no consumo nos próximos meses,
segundo o Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec), divulgado
pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O medo de perder o emprego diminuiu,
de acordo com a pesquisa. O indicador melhorou 2,2%, tendo passado de
100,6 pontos em abril para 102,8 pontos nesta edição de
julho do Inec. Na comparação com igual período de
2006, o indicador melhorou 4,5%. Hoje, ele está 9% melhor do que
a média histórica para o mês.
Já a expectativa de desemprego
caiu 1,6% na atual sondagem ante a de abril, mas cresceu 0,3% em relação à de
julho do ano passado. Ela se manteve acima da média histórica
para o mês.
A expectativa de renda cresceu
em todos os parâmetros.
No indicador que mede a percepção
sobre a renda própria, a alta foi de 2,2% em relação à pesquisa
de abril e de 4,5% ante a de igual mês do ano passado. Este indicador
passou de 107,6 pontos no fim do primeiro trimestre do ano para 110 pontos
na atual sondagem. O índice está 6% acima da média
histórica para meses de julho.
A percepção sobre
a renda geral cresceu 0,5% sobre o trimestre anterior e 1% ante igual
período do ano passado. O indicador está em 109,1 pontos,
mesmo nível do primeiro trimestre do ano passado.
O indicador que mede a expectativa
de compras para o trimestre por vir cresceu 1% ante a pesquisa anterior,
tendo ficado em 100,5 pontos. De acordo com a pesquisa, apesar de ter
caído 2% em relação a igual período do ano
passado, se manteve acima da media histórica para meses de julho.
|
JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
16 de julho de 2007
Ninguém ganha com a informalidade
‘Empresas informais competem de forma
desigual’
Evandro Monteiro
Apreensões de mercadorias contrabandeadas feitas pela Polícia
e Receita Federal levaram camelôs a protestar nas ruas ontem novamente
A cidade de Londrina passou os dois últimos dias com mais medo do que
o normal, o que já não é pouco. Os acontecimentos envolvendo
as apreensões de mercadorias contrabandeadas feitas pela Polícia
e Receita Federal mostram que a cidade está à mercê da
atividade ilegal. Produtos contrabandeados ou piratas são vendidos livremente
nas ruas de Londrina e em muitas bancas dos chamados camelódromos.
O presidente do Sindicato das
Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade
de Londrina (Sescap-Ldr), José Joaquim Ribeiro, lembra que uma
micro-empresa comercial formal, com faturamento até R$ 120 mil
por ano - R$ 10 mil por mês - paga 2,75% de imposto, o que daria
R$ 3.300,00 em 12 meses. ''As empresas informais não arrecadam
impostos e competem de forma desigual com as empresas que pagam suas
obrigações fiscais regularmente. Isto está provocando
um problema muito sério no país, mas em especial aqui em
Londrina onde todos os dias aumenta a informalidade'', explica Ribeiro.
Segundo ele, cada uma destas
empresas informais tem, no mínimo duas pessoas trabalhando. ''Fazendo
um cálculo básico, se mil pessoas que ganham o salário
mínimo deixam de recolher a contribuição ao INSS,
o órgão deixa de arrecadar quase R$ 500 mil por ano. É um
dinheiro que faz falta para a melhora do sistema de saúde, para
a aposentadoria. É importante lembrar que as pessoas que não
pagam impostos usam do sistema público de saúde, de educação,
enfim, da infra-estrutura da cidade. Ou seja, quanto menos gente paga
mais sobra para um grupo de poucos contribuintes pagarem'', explica Ribeiro.
Os malefícios do contrabando
e da pirataria não afetam apenas a arrecadação de
impostos. O produto pirata e o contrabando que entram ilegalmente no
país afetam as indústrias. ''Quando o produto chinês
entra de forma legal no Brasil, pagando impostos, as empresas nacionais
já têm grande dificuldade de competir pois o custo de produção
deles é muito mais baixo e a carga tributária inferior
a nossa. Agora quando o produto chega através do contrabando aí fica
impossível mesmo. Estamos criando empregos na china, em detrimento
do nosso mercado'', diz o presidente da Associação Comercial
e Industrial de Londrina Rubens Augusto.
Segundo o presidente do Sescap-Ldr,
a questão do contrabando é muito mais grave do que se imagina.
''O contrabando não chega ao seu destino sem, no caminho, deixar
um rastro de corrupção. São pessoas sendo subornadas,
gente recebendo propina, além de uma série de outras ilegalidades.
O fato é que o contrabando contribui muito para desestruturar
as nossas instituições'', comenta Ribeiro.
Rubens Augusto afirma que o que
está acontecendo em Londrina vai contra a corrente do que está acontecendo
em outras cidades do Paraná e do Brasil. Segundo ele, as cidades
estão percebendo os malefícios da informalidade e da venda
de produtos contrabandeados e lutando contra isso. ''Em Londrina, ao
contrário, a informalidade é incentivada pelo poder público
municipal'', diz ele.
José Ribeiro e Rubens
Augusto dizem que as duas entidades apoiam a abertura de novas empresas,
desde que elas cumpram a lei como as demais. ''Nós entendemos
que a carga tributária, beirando os 40% do Produto Interno Bruto
(PIB), não é um estímulo para investir, mas não
podemos aceitar a ilegalidade. Nós precisamos proteger as empresas
que pagam impostos e geram empregos. Sem elas o país pára'',
diz Ribeiro. Segundo ele, é uma pena que os camelôs tenham
perdido patrimônio, porém quem está no descaminho
corre este risco e eles sabem disto. ''Outra coisa que não está bem
explicada é que para construir um empreendimento deste é preciso
muito dinheiro e os camelôs não têm. Temos informações
que há empresários, inclusive de fora da cidade, que são
donos de vários boxes que depois são sublocados. Os camelôs
estão engordando o bolso de outras pessoas'', afirma Ribeiro.
Fonte: Sindicato das Empresas de
Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina
(Sescap-Ldr)
|
CONSULTOR JURÍDICO,
17 de julho de 2007
Desburocratizando a CLT
Senado debate projeto que valida autenticação
A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania
do Senado aprovou parecer favorável ao projeto de lei da Câmara
dos Deputados (PLC 4/06) no qual se prevê que a autenticidade de documento-prova
em um processo trabalhista seja comprovada a partir de declaração
do próprio advogado.
Atualmente, a CLT determina que
seja aceito apenas documento no original autenticado em cartório
ou quando a cópia for conferida pelas secretarias das Varas da
Justiça do Trabalho perante o juiz.
O projeto é uma iniciativa
do Executivo e foi apresentado ao Congresso a partir de recomendações
do Tribunal Superior do Trabalho, como parte de um pacote de medidas
para desburocratizar a CLT, acelerar processos e desafogar o Judiciário.
Na decisão, os parlamentares
acompanharam a recomendação favorável do relator,
senador Eduardo Suplicy (PT-SP). A matéria agora será examinada
em Plenário.
“O dispositivo da Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT) é antiquado, pois ignora todos os métodos
modernos de multiplicação de cópias, referindo-se
ainda à pública-forma, já banida dos sistemas de
autenticação”, traz o texto da proposta, assinada
pelo ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos.
Segundo o projeto, caso
a autenticidade da cópia anexada ao processo não seja
aceita, o advogado deverá ser intimado a apresentar xerox autenticada
ou o original perante o juiz. O projeto de lei também modifica
a CLT para acolher entendimento, já aceito na Justiça
trabalhista, no sentido de que seja admitida a apresentação
de recurso ordinário para recorrer de decisões terminativas
dos tribunais regionais.
|
ÚLTIMA INSTÂNCIA,
16 de julho de 2007
Justiça do trabalho exclui descontos
de gastos com funeral de verba rescisória
A 1ª Turma do TST (Tribunal Superior do Trabalho) deu provimento a recurso
de revista movido pela viúva de um motorista de carretas e reformou
sentença de segunda instância que autorizou o desconto das despesas
com o funeral feita pela Rodoviário União, de Brasília
(DF), das verbas rescisórias devidas ao empregado, vítima de
um acidente.
O relator, ministro Vieira de
Melo Filho, ressaltou que o desconto não tem respaldo legal, e
que as despesas “sequer podem ser enquadradas como adiantamento
salarial, pois, a exemplo do salário, o adiantamento pressupõe
a contrapartida da prestação de serviço, o que,
obviamente, não poderia ocorrer em face do falecimento do empregado.”
O motorista morreu num acidente
na BR-040 em 1998, próximo a Luiziânia (GO), quando dirigia
uma carreta a serviço da Rodoviário União. Como
não houve acerto posterior, a viúva ajuizou a reclamação
trabalhista, onde pedia o pagamento do saldo de salário, 13º,
FGTS, férias vencidas e proporcionais com abono, horas extras
e providências para o recebimento do seguro de vida que, de acordo
com a inicial, não foram pagos após a morte do trabalhador.
Na contestação,
a transportadora afirmou que o valor devido a título de verbas
rescisórias era de R$ 1.305, mas que teria antecipado as despesas,
num total de R$ 2.200, com o funeral do empregado e de seu filho —que
viajava com o pai na carreta e morreu no mesmo acidente. O resultado,
portanto, era um saldo devedor de R$ 1.432, que deveria ser ressarcido à empresa
pelos herdeiros do motorista, mas do qual os dispensava.
A 13ª Vara do Trabalho de
Brasília deferiu parcialmente os pedidos formulados pela viúva
e rejeitou a pretensão da empresa de descontar das verbas rescisórias
as despesas com funeral, já que não se enquadravam em nenhuma
hipótese legal.
A empresa recorreu ao TRT (Tribunal
Regional do Trabalho) do Distrito Federal insistindo na validade dos
descontos, alegando que não foram feitos no salário —o
artigo 462 da CLT veda ao empregador a possibilidade de descontar valores
fora das situações expressamente previstas, e sim nas verbas
rescisórias, que teriam caráter indenizatório.
Nas razões de recurso,
a transportadora disse ter tido uma atitude “humanitária”,
pois, se não houvesse o adiantamento, “a família
do ex-empregado não teria condições financeiras
de ofertar-lhe um enterro digno”. Prosseguindo, questionou que, “a
ser mantida essa orientação, jamais os empregadores se
tornarão solidários com os empregados e familiares nos
fomentos de tragédia”, o que “conduziria as relações
laborais a um nefasto individualismo egoísta e desumano, que não
deve ser incentivado por decisões como a da Vara do Trabalho”.
O TRT-DF modificou a sentença
e permitiu a dedução das despesas, por entender que caberia à viúva
provar que foram feitas por outra pessoa que não a empresa “ou,
pelo menos, que tenha recebido tal benefício a título gratuito”.
A família do trabalhador
então recorreu ao TST. O ministro Vieira de Melo votou pelo conhecimento
e provimento do recurso, e foi seguido pelos demais integrantes da 1ª Turma.
“Abstraindo-se o aspecto
humanitário da atitude da empresa e a obrigação
moral da família assistida de solver as despesas, tem-se que resta
caracterizado, no caso, empréstimo emergencial feito à família
do empregado falecido, não havendo relação desta
dívida com o contrato de trabalho, sendo injustificada, portanto,
a possibilidade do desconto, mormente sem autorização”,
registrou o relator.
Foi, portanto, de operação
de natureza civil, e não trabalhista. “Assim, a via de ressarcimento
a ser buscada deve ser outra que não a compensação
com as verbas trabalhistas”, concluiu.
RR-647978/2000.9
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
16/07/2007
Associada de cooperativa obtém vínculo
com empresa
A Primeira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho manteve decisão do Tribunal Regional do Trabalho
da 4ª Região (Rio Grande do Sul) que reconhece o vínculo
de emprego de uma associada de cooperativa que, nesta condição,
trabalhava, de fato, para uma empresa do ramo de calçados, no
município de Sapiranga.
Admitida como associada da Coopersap – Cooperativa
dos Calçadistas de Sapiranga Ltda, ela trabalhava exclusivamente
para a Frandeis Calçados Ltda. Desligada do quadro de associados,
foi obrigada a assinar uma carta, com a promessa de que receberia os
valores descontados dos seus salários a título de integração
de cotas. Sentindo-se enganada, ajuizou ação em que pleiteou
a anulação de seu desligamento como associada e o reconhecimento
de vínculo empregatício com a cooperativa e com a empresa.
O juiz da 3ª Junta de Conciliação
e Julgamento (hoje Vara do Trabalho) de Sapiranga reconheceu a existência
de fraude, com base em alguns fatos, tais como: o imóvel onde
foi instalada a cooperativa foi locado pela empresa, que também
indicou e nomeou como presidente da Coopersap um dos seus sócios
cotistas; ao invés de adiantamentos pró-labore, foram feitos
pagamentos de salários por hora, além de horas extras e
repousos semanais remunerados, atestados mediante recibos; não
houve escrituração contábil dos resultados positivos
em prol dos associados, conforme determina o estatuto social da cooperativa.
Com base nesses fatos, o juiz
reconheceu o vínculo empregatício e determinou o registro
em carteira profissional durante o período entre sua admissão
e desligamento, e declarou sem efeito sua demissão como associada.
Condenou a empresa ao pagamento de verbas rescisórias como aviso
prévio, 13º salário, férias, depósito
e multa sobre o FGTS, além de adicional de periculosidade.
Ambas as parte recorreram. A
empresa, na tentativa eximir-se do vínculo, sustentando que a
trabalhadora aderiu ao quadro de cooperados por sua livre e espontânea
vontade e concordou com todas as condições de participação
que lhe foram oferecidas pela cooperativa, com a qual mantinha “tratativas
de mero comércio”. A trabalhadora, por sua vez, insistiu
no reconhecimento do vínculo direto com a cooperativa.
O TRT do Rio Grande do Sul negou
provimento aos dois recursos, o que levou a empresa a apelar ao TST.
O relator do processo, ministro Vieira de Mello Filho, considerou que
o apelo contraria o entendimento jurisprudencial contido na Súmula
126 do TST, que impede a reapreciação de provas e fatos.
Em sua avaliação, o cerne da questão não
diz respeito ao exame abstrato dos dispositivos legais apontados, nem à legalidade
de formação das cooperativas. E conclui que a decisão
fundamentou-se em aspectos fáticos que evidenciaram a prestação
de serviços de forma subordinada, descaracterizando o alegado
trabalho cooperativado, na forma prevista na CLT.(RR 753683/2001-6)
(Ribamar Teixeira)

|