 |
Agência Brasil, 22 de julho de 2007
FAT vai contar com mais recursos para
qualificação profissional em 2008
Gláucia Gomes
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Em 2008, o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT)
vai contar com mais dinheiro para qualificar os trabalhadores do país.
Estão previstos R$ 959 milhões para promover cursos,
oficinas e outras ações para 1,3 milhão trabalhadores
no ano que vem.
Esse valor é oito vezes maior que o valor dos recursos previstos
para este ano, que são de R$ 114 milhões para qualificar
120 mil trabalhadores. O Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao
Trabalhador (Codefat) aprovou, ontem (20), proposta orçamentária
de R$ 32,8 bilhões para as despesas do fundo, no próximo
ano.
O presidente do Codefat, Ezequiel Nascimento, disse que, desta vez,
o governo deu prioridade aos gastos com qualificação,
já que o pagamento de abono salarial e seguro desemprego geralmente
precisam de mais recursos.
"A prioridade do ministério para este orçamento é a
qualificação, esta é a prioridade. Porque as outras
são despesas obrigatórias. Nós temos abono salarial
e seguro desemprego que são despesas que precisam ser feitas,
obrigatoriamente, não tem como fugir e são as maiores”.
E acrescentou: “No nosso entendimento essa [a qualificação]
vai ser a grande marca do governo Lula e do Ministério do Trabalho.”
Segundo Nascimento, o orçamento prevê pouco mais de R$
18 bilhões para as despesas com abono salarial dos trabalhadores
e seguro desemprego, R$ 2 bilhões para o orçamento do
Ministério do Trabalho e R$ 8 bilhões para depósitos
especiais, que são recursos emprestados aos bancos oficiais
para políticas de geração de renda.
De acordo com o ministério, o orçamento do fundo para
este ano foi de 30 bilhões e em 2006 o orçamento foi
de 25 bilhões de reais.
|
Gazeta do Povo, 22 de julho de 2007
ECONOMIA | INFRA-ESTRUTURA
No Paraná, PAC ainda
não saiu do papel
Ampliação de ferrovia, aeroporto e nova ponte internacional
apermanecem sem projeto
por PATRÍCIA KÜNZEL
O que o estado espera:

As principais obras de infra-estrutura do Plano de Aceleração
do Crescimento (PAC), cujo lançamento nacional completa hoje
seis meses, sequer começaram a sair do papel no Paraná.
Em alguns casos, como o da ampliação da pista do aeroporto
Afonso Pena, nem há projeto finalizado ou relatório de
impacto ambiental feito. O investimento total do PAC no estado, somando
recursos públicos e privados, é de R$ 8,8 bilhões
em infra-estrutura de logística e energia, a serem aplicados
até 2010. Além disso, R$ 1,2 bilhão serão
aplicados em obras de saneamento e habitação.
Seis meses pode não ser tempo suficiente para a implantação
de obras de maior porte, mas a expectativa era de que pelo menos os
projetos já estivessem definidos. “Está tudo muito
devagar. As coisas não estão acontecendo”, reclama
o presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep),
Rodrigo da Rocha Loures. Ele pretende entregar, no dia 30, um manifesto
da bancada paranaense ao presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, pedindo mais agilidade
nas obras de infra-estrutura logística. Entre elas, está a
ampliação da pista, do pátio de aeronaves e terminal
de cargas do aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais
(Região Metropolitana de Curitiba), que deve custar R$ 126 milhões
aos cofres públicos.
Do gasto total previsto para a ampliação do terminal,
R$ 10 milhões devem ser gastos ainda este ano. O projeto, no
entanto, não está pronto. De acordo com a Infraero e
com o mais recente balanço do Ministério do Planejamento
sobre o PAC, a obra está em fase de elaboração
do processo de licitação do estudo e relatório
de impacto ambiental (Eia/Rima). “O transporte aeroviário é indispensável
para os produtos eletroeletrônicos e da indústria metal-mecânica,
que têm valor agregado mais alto. Hoje as empresas têm
que usar aeroportos de São Paulo, porque o nosso não
tem capacidade suficiente”, diz o coordenador de logística
da Fiep, Mário Stamm.
A melhoria do trecho de ferrovia que liga Guarapuava a Ponta Grossa
também continua em fase de estudo, segundo o Ministério
do Planejamento. Na época do lançamento do plano o projeto
foi apontado pela ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, como uma das
principais medidas previstas para o Paraná, embora a ferrovia
fosse apenas uma intenção quando o plano foi lançado.
A estrutura atual do trecho, que é bastante antiga, obriga
os trens a trafegarem mais lentamente e com menos vagões. Havia
duas propostas para a ampliação da capacidade do trecho:
uma da América Latina Logística (ALL), que previa a construção
de um novo trecho, ligando Guarapuava a Ipiranga; e outra da Fiep e
do governo do estado, para reparação do trecho atual,
via Irati, e ligação com um novo trecho, na região
da Lapa. O planejamento do PAC atualmente diz que projetos e licenciamento
ambiental estão a cargo do proponente, que pode ser o próprio
governo do estado.
A previsão é de um gasto de R$ 400 milhões com
a obra, com entrega programada para 2010. Segundo o chefe do serviço
de engenharia do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transporte
no Paraná (Dnit), Marcelo Leal Gasino, o alto investimento com
a ferrovia exige mais tempo para avaliação de onde serão
retirados os recursos necessários para a obra.
De mais avançado, o PAC no Paraná tem obras que já estavam
encaminhadas há mais tempo, como a Usina Hidrelétrica
de Mauá – que deve começar a ser construída
ainda este ano – e obras de restauração e conservação
de rodovias. A implantação do trecho da BR-153 entre
Ventania e Alto do Amparo também está avançada. “A
obra já estava sendo feita, mas ganhou mais recursos depois
do PAC”, diz Gasino, do Dnit. O trecho faz parte da rodovia que
liga o Norte ao Sul do país, a Transbrasiliana, e está com
23 dos 40 quilômetros de asfalto que devem ser feitos até o
fim deste ano, entre Ventania e Tibagi, prontos. Outros 50 quilômetros
serão construídos até 2009. “Atualmente,
a distância é 50 quilômetros maior e em rodovia
pedagiada”, conta o engenheiro.
|
Gazeta do Povo, 22 de julho de 2007
IMÓVEIS | IMÓVEIS
Cresce o volume de financiamentos
imobiliários
67,4% foi o crescimento no volume de financiamentos imobiliários
contratados pelas instituições bancárias que integram
o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) no
primeiro semestre do ano. O montante no período alcançou
R$ 6,94 bilhões. Segundo a Associação Brasileira
das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança
(Abecip), o resultado permite prever que, até o fim deste ano,
o número de famílias atendidas pelo SBPE (que opera com
recursos das cadernetas de poupança), poderá superar 150
mil.
|
Gazeta do Povo, 22 de julho de 2007
IMÓVEIS | FINANCIAMENTO
Não ao contrato de gaveta
por FABIANE ZIOLLA MENEZES
A disputa entre agentes financeiros por clientes criou nos últimos
anos condições mais atrativas de financiamentos imobiliários
e acabou com qualquer vantagem que poderia existir em se manter ou fazer
contrato de gaveta – acordo informal em que o comprador assume
o pagamento das prestações do imóvel, mas deixa
o bem no nome do vendedor.
O superintendente geral da Associação Brasileira das
Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip),
Carlos Eduardo Duarte Fleury, acredita que com as atuais condições
oferecidas pelos bancos – como o parcelamento de até 80%
do imóvel com até 25 anos para pagar e a comprovação
de renda pela movimentação da conta corrente ou do cartão
de crédito – os contratos de gaveta acabarão. “Não
há mais razão para se fazer ou manter esse tipo de acordo”.
O limite no valor de financiamento, o prazo para pagamento e as dificuldades
em provar que poderiam pagar as parcelas eram alguns dos motivos que
levavam muitas pessoas a comprar um imóvel e não transferir
o financiamento para seu nome. Outra razão era o provável
aumento no valor das prestações após a transferência
para o comprador e o recálculo do saldo devedor.
Quanto aos contratos de gaveta já existentes, o consultor
da Associação Brasileira de Moradores e Mutuários
no Paraná (ABMM), Paulo de Tarso, diz que com a burocracia menor
nos financiamentos, a procura pela regularização de contratos
de gaveta aumentou na associação, mas não no mesmo
ritmo recorde das novas operações de crédito imobiliário.
Ele estima que cerca de 30% dos financiamentos feitos antes de 2002
tenham contratos informais. “Antes de 2002, a economia era instável
e os financiamentos mais imprevisíveis. Uma transferência
antes desse ano quase sempre resultava em parcelas mais altas, por
isso as pessoas encontravam vantagens em manter o contrato de gaveta.”
Segundo Tarso, a partir de 2002 os juros começaram a cair e
as pessoas puderam vislumbrar o futuro de seus financiamentos, com
contratos mais seguros e parcelas fixas (de lá para cá,
a taxa de juros mínima passou de 10% para 6%). “Atualmente, é mais
vantajoso transferir o financiamento para o seu nome do que correr
os riscos de um contrato de gaveta”, diz. O principal problema
neste tipo de acordo informal é a validade, ou seja, o banco
que concedeu o financiamento não reconhece os direitos ou as
obrigações do comprador do imóvel. Ele pode não
ser considerado dono do imóvel em caso de morte do mutuário
(vendedor). Por outro lado, o mutuário pode ser acionado se
o comprador deixar de pagar as prestações, taxas de condomínio
e impostos do imóvel.
A Emgea (Empresa Gestora de Ativos), estatal criada em 2001 para recuperar
parte da carteira de crédito dos bancos federais, principalmente
da Caixa Econômica Federal (CEF), tem auxiliado mutuários
na realização de acordos de revisão de contratos
antigos por meio de mutirões pelo país. De acordo com
o diretor-presidente da empresa, Valter Correia da Silva, dos 1,2 milhão
de contratos repassados pela CEF à Emgea há seis anos,
restam 485 mil para renegociação. Entre os dias 6 e 10
de agosto e 13 e 17 do mesmo mês, a Emgea fará dois mutirões
no Paraná.
Veja o que você precisa saber para regularizar
contratos de gaveta
- É preciso reunir seus documentos pessoais e aqueles que comprovem
a compra do imóvel, além do número do contrato do
financiamento (se possível um boleto da prestação).
Depois vá ao agente financeiro e faça simulações
para escolher qual o melhor caminho: quitar o financiamento em nome do
mutuário original e solicitar a escritura em seu nome ou fazer
a transferência do financiamento direto para você.
- Se você já quitou o financiamento, para passar o imóvel
para o seu nome é preciso encontrar o mutuário original
do bem ou ter uma procuração assinada por ele. Dessa
forma você poderá fazer o registro do imóvel em
seu nome.
Fontes: Associação Brasileira de Moradores e Mutuários
(ABMM): (41) 3023-2266. Empresa Gestora de Ativos (Emgea): informações
no site www.emgea.gov.br
|
Gazeta do Povo, 22 de julho de 2007
IMÓVEIS | FINANCIAMENTO
Nova política de composição
de renda
O HSBC Bank Brasil está adotando a política de contrato
de financiamento de imóveis por meio do sistema de condomínio.
Isso quer dizer que qualquer pessoa pode se juntar a outra, independentemente
de sexo e grau de parentesco para adquirir um imóvel pelo crédito
imobiliário com a instituição. Antes, isso só era
possível entre cônjuges. Esse processo permite que um grupo
de até cinco pessoas solicite um financiamento, o que facilita
a composição da renda para obter o empréstimo.
|
Gazeta do Povo, 22 de julho de 2007
IMÓVEIS | IMÓVEIS
Financimento: tire suas dúvidas
Eu tenho um financiamento pelo Sistema Financeiro
de Habitação (SFH) e desejo comprar um segundo imóvel.
Posso contratar um novo financiamento também pelo SFH? Existe
regras diferentes para financiar imóveis comerciais e residenciais
por este sistema?
Resposta
Sim, é permitido o financiamento de um segundo imóvel
dentro do SFH, por meio de uma Carta de Crédito do Sistema Brasileiro
de Poupança e Empréstimo (SBPE), que opera com recursos
das cadernetas de poupança. Para isso, é preciso atender à algumas
exigências: o contrato anterior deve estar em dia e o comprador
deve provar que tem capacidade para arcar com a soma dos encargos dos
dois contratos. Porém, segundo as regras para o uso do Fundo
de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), gerenciado pela Caixa
Econômica Federal, não é permitido usar o fundo
no financiamento de um segundo imóvel – sua utilização é restrita
ao auxílio na compra da casa própria, ou seja, imóvel
com finalidade de moradia.
Quanto à segunda parte da questão: sim, existem regras
diferenciadas para imóveis residenciais e comerciais, variáveis
de acordo com a linha de financiamento, modalidade de enquadramento
da operação, valor de avaliação do bem,
entre outras. Para cada caso, essas diferenças devem ser verificadas
com um agente financeiro.
Fonte: assessoria de imprensa da Caixa Ecônomica
Federal.
* * * * *
Entre em contato
Se você tem dúvidas sobre o
setor, mande um e-mail para imoveis@gazetadopovo.com.br ou escreva
para “Tire suas dúvidas” do Caderno Imóveis,
Rua Pedro Ivo, 459 – Centro – Curitiba-PR, CEP 80.010-020.
|
Gazeta do Povo, 22 de julho de 2007
MUNDO | ELEIÇÕES
Índia terá primeira
mulher presidente
Nova Délhi – A candidata governamental, Pratibha Patil,
será a primeira presidente mulher da história da Índia,
após ser eleita ontem para o cargo. Ela venceu o vice-presidente,
Bhairon Singh Shekhawat.
“Esta é a vitória dos princípios. Os princípios
do povo indiano”, disse Patil ao final da votação.
Ela vai substituir no cargo o cientista muçulmano Abdul Kalam.
A nova chefe de Estado obteve 2.931 votos, frente aos 1.449 de Shekhawat,
o candidato da oposição. O sistema de eleições
presidenciais da Índia, formado por 5.000 legisladores e fechado
aos demais cidadãos, usa o mecanismo de voto único transferível,
com o qual cada eleitor tem a opção de votar em mais
de um candidato, mas estabelecendo uma ordem de preferência.
O voto secreto de cada eleitor – 776 deputados nacionais e 4.120
regionais – tem peso ponderado, em função da representatividade
da cadeira de cada um, com uma soma total de 1.098.000 pontos.
A nova presidente, de 72 anos, é a atual governadora do estado
noroeste do Rajastão. Embora não seja muito conhecida
na vida política indiana, tem uma estreita amizade com a líder
do governante Partido do Congresso, Sonia Gandhi.
|
Folha de São Paulo, 22 de julho de
2007
Crise aérea faz o PT iniciar
debate sobre alternativa a Marta
Reservadamente, petistas e tucanos
discutem o impacto da crise aérea e de acidente da TAM
e como abordá-los na eleição de 2008
Desgaste de ministra, até então apontada
na sigla como candidata natural à prefeitura, é admitido
nos bastidores por colegas
JOSÉ ALBERTO BOMBIG
DA REPORTAGEM LOCAL
MALU DELGADO
EDITORA-ASSISTENTE DE BRASIL
Cientes de que a crise aérea e o acidente com o avião
da TAM na terça-feira passada podem provocar impacto na sucessão
municipal de 2008, petistas e tucanos da capital paulista se movimentam
nos bastidores para reavaliar possíveis candidaturas e já buscam
estratégias para abordar o tema.
De imediato entre os petistas, a avaliação é que
a candidatura da ministra Marta Suplicy (Turismo) à prefeitura,
até então tida como "natural", deverá ser
alvo de ataque dos adversários por conta da crise aérea
e de sua declaração sobre o tema, quando ela recomendou
aos passageiros "relaxar e gozar".
" A frase, infeliz, ganha agora, com essa tragédia, uma conotação
mórbida", define um correligionário da prefeita, que pediu
o anonimato. Segundo a Folha apurou, Marta, que começava a dar sinais
de que aceitaria concorrer em 2008, como quer seu grupo político, voltou
a ficar temerosa e indecisa.
Não faltariam concorrentes ao posto caso a ministra não
concorra. Entre eles, estão Arlindo Chinaglia, presidente da Câmara;
os deputados federais Jilmar Tatto e José Eduardo Cardozo; o senador
Aloizio Mercadante, derrotado ao governo do Estado em 2006, mas detentor
de 34% dos votos contra José Serra na capital; e até mesmo
o ministro Fernando Haddad (Educação).
No grupo próximo à ministra, seus aliados dizem que ela
deverá esperar até o início do próximo ano
para tomar uma decisão, já que o prazo de desincompatibilização,
conforme a lei, é 31 de março. O deslize de Marta pode
dar fôlego à corrente petista que defende realização
de pesquisas prévias antes da definição da candidatura.
Ainda que os petistas argumentem que a crise aérea deve arranhar
a imagem do governo federal - e não do partido -, os dirigentes
têm consciência de que a lentidão gerencial do Executivo
para lidar com o episódio pode, sim, ser trazida ao pleito em
São Paulo - sobretudo se depender dos tucanos.
Os aliados de Marta acham fundamental que ela se "descole" da
crise, mostrando ao eleitor que a atual situação do setor
aéreo já estava posta quando assumiu o cargo, em março
deste ano. Argumentam, ainda, que o debate na campanha terá de
girar em torno de problemas da cidade e que as questões relativas
ao aeroporto de Congonhas serão solucionadas com a construção
de um novo terminal, anunciado pelo presidente.
" A ministra não precisa tomar esse decisão agora. Ela mesma
disse que está a serviço do país até quando Lula
achar que ela deve ficar", diz o vereador Antonio Donato (PT), um dos mais
próximos a Marta.
" Espero que o processo de escolha se dê por critérios razoáveis,
sem enfrentamentos que levem à desagregação partidária",
afirma Cardozo. No PSDB, a análise é que uma provável candidatura
de Geraldo Alckmin a prefeito irá "nacionalizar" ainda mais
a campanha, trazendo a questão aérea para o centro do debate.
Segundo a Folha apurou, o partido pretende explorar apenas o aspecto
administrativo da crise, temendo uma rejeição do eleitor
ao citar o acidente. " A população fará o julgamento
diante da incompetência do governo Lula para lidar com o caos aéreo
e a segurança pública", disse o deputado Edson Aparecido
(PSDB-SP).
|
Folha de São Paulo, 22 de julho de
2007
Economia solidária move
mais de R$ 6 bi
Mapeamento registra cerca de 19 mil
iniciativas como associações e cooperativas,
que surgem como resposta ao desemprego
No entanto, quase metade dos empreendimentos declara
que o faturamento ainda é insuficiente para pagar todas as despesas
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Resposta dos trabalhadores à crise do desemprego das últimas
décadas, a economia solidária é um setor que avança
em silêncio e começa a esboçar números vultosos.
Dados oficiais mostram que foram mapeados no país até agora
18.878 empreendimentos, que respondem por 1,574 milhão de postos
de trabalho. O faturamento, segundo as informações mais
recentes, ultrapassa a casa de R$ 6 bilhões por ano. O raio-X
do setor está sendo elaborado pela Secretaria Nacional de Economia
Solidária, que pretende fechar o ano com o registro de 21 mil
negócios.
" Quem trabalha junto, de uma forma igualitária, são sócios.
E compartilhar os resultados democraticamente faz parte da economia solidária",
resume o secretário nacional de Economia Solidária, Paul Singer,
explicando o que é um empreendimento solidário. Ele ressalta que
os próprios empreendimentos muitas vezes desconhecem a sua natureza solidária.
Entre as várias formas de organização dos empreendimentos
solidários, estão associações, cooperativas,
empresas autogestionárias, grupos de produção, clubes
de trocas, redes e centrais. Segundo o mapeamento da secretaria, hoje
quase 60% dos negócios têm relação com movimentos
sociais e populares, principalmente entidades comunitárias ou
sindicais.
Os números já coletados apontam a expansão do setor
com maior força no Nordeste -região que concentra 8.720
iniciativas. Em todo o país, grande parte dos negócios
(11.243) começou com recursos próprios dos trabalhadores,
e uma boa parcela (7.800) contou com a ajuda de órgãos
governamentais para a sua estruturação.
Nos últimos 12 meses, os investimentos na economia solidária
somaram R$ 246,7 milhões. De acordo com as informações
da secretaria, quase metade dos empreendimentos opera com sede e equipamentos
próprios, predominando os negócios no setor rural. Grande
parte dos trabalhadores da economia solidária dedicam-se à agricultura.
O milho é o principal produto cultivado, seguido do feijão
e do arroz. Na lista das 50 principais atividades da economia solidária,
também aparecem empreendimentos relacionados à reciclagem
de sucata, confecções de roupas, intermediação
financeira e transporte de passageiros.
Remuneração
Apesar de mais de 60% dos projetos comercializarem sua produção,
muitos ainda recorrem ao sistema de troca ou destinam seus produtos ao
consumo próprio dos sócios, que, em geral, trabalham diretamente
no negócio. Na maior parte dos casos, a remuneração
dessas pessoas é de acordo com a produtividade do negócio.
A média é de R$ 159,97 mensais.
Há também os trabalhadores não-sócios. Eles
atuam em cargos de gerência, consultoria ou assessoria, mas também
podem estar ligados à produção dos bens ou serviços.
A remuneração desses trabalhadores, em média, é mais
alta que a dos sócios: R$ 447,87. Cerca de 14 mil negócios
contam com até 50 participantes. Os motivos mais apontados para
a inserção dessas pessoas na economia solidária
são uma alternativa ao desemprego e o desejo de obter um rendimento
maior em um empreendimento associativo.
Mas o mapa do setor também exibe dados pouco alentadores. Mais
de um terço das atividades (35%) está na informalidade.
Além disso, quase metade dos empreendimentos declara que o faturamento
verificado no ano passado foi insuficiente para pagar as despesas. Foram
7.171 os que tiveram sobra de recursos depois de acertar todas as contas.
Nos últimos 12 meses, os empreendimentos tiveram acesso a R$ 325,6
milhões em crédito. O número pode ser considerado
baixo, visto que são poucos os que conseguiram obter financiamento
no período (3.159).
|
Folha de São Paulo, 22 de julho de
2007
"Atividade solidária
se profissionalizou"
Paul Singer, secretário nacional,
diz que estão surgindo no país cooperativas
de profissionais liberais e de nível superior
Economista e um dos fundadores do PT, ele afirma
que as taxas de desemprego no governo Lula ainda continuam elevadas
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O economista Paul Singer, 75, um dos fundadores do PT, foi o idealizador
da Secretaria Nacional de Economia Solidária, que hoje comanda.
Para ele, as taxas de desemprego no país ainda são muito
elevadas, e a economia solidária deixou de ser uma "falta
de opção". Veja abaixo os principais trechos da entrevista.
FOLHA - A economia solidária
surgiu como uma alternativa ao desemprego?
PAUL SINGER - A origem da economia solidária
foi nos anos 80 e 90, com grande crise de desemprego e exclusão
social. A partir daí começa a haver também
uma opção pela economia solidária nos
seus méritos, e não só por falta de
opção. Estão surgindo cooperativas de
pessoas que se formam em universidades, cooperativas de profissionais
liberais, e há as cooperativas que recuperam empresas
que estavam falidas ou estavam em crise.
FOLHA - A opção é uma
tendência?
SINGER - Eu acredito que sim, sobretudo
se o governo do presidente Lula tiver êxito em reduzir
o desemprego. Ele já teve algum êxito nisso,
mas ainda o desemprego está muito grande. Mas, se
o crescimento da economia se acelerar e se houver redistribuição
da renda, como já está havendo, é provável
que no final do segundo mandato o desemprego ceda. Nesse
caso, a economia solidária será cada vez mais
uma opção.
FOLHA - Cerca de um terço
dos empreendimentos é informal. Como trazê-los para
a formalidade?
SINGER - Já há uma medida que
eu espero que tenha esse resultado, que é a lei do Supersimples.
A lei reduz muito as exigências burocráticas para
registro e fechamento de empreendimentos, reduz a carga tributária,
facilita o processo de venda para o governo, favorece a obtenção
de crédito e assistência tecnológica.
FOLHA - Quais são
as dificuldades para criar um empreendimento solidário?
SINGER - Depende do grau de informação
da pessoa, mas existem hoje muitas entidades que estão
nos apoiando e que estão prontas para dar toda a assistência
e acompanhamento. As incubadoras universitárias de cooperativas
populares são um exemplo. Hoje mais de 60 universidades
brasileiras têm esses projetos de incubadoras, e a associação
que precisa de orientação vai às incubadoras.
Além disso, há outras entidades, como ONGs, que
fazem o mesmo trabalho.
|
Folha de São Paulo, 22 de julho de
2007
Seus Direitos
Inquilino tem prioridade
para comprar o imóvel
Para tanto, deve aceitar proposta do locador
MARIA CAROLINA NOMURA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Quem mora no imóvel dos sonhos, mas de aluguel, deverá ficar
atento se o dono resolver vendê-lo. O inquilino é, por
lei, o primeiro da fila na hora de se candidatar à compra do
bem. O direito de preferência é assegurado pela Lei do
Inquilinato (nº 8.245/91) -o locatário, se quiser e puder,
tem o direito de adquirir o imóvel antes de qualquer outra pessoa.
O proprietário deve notificar o inquilino de que pretende vender
o bem, informando preço e condições de pagamento.
" Para terem mais segurança jurídica, essa notificação
deve ser registrada no cartório de títulos e documentos",
recomenda o advogado Jaques Bushatsky, especialista em locação
e condomínio da Comissão de Direito Imobiliário da OAB-SP
(Ordem dos Advogados do Brasil) e membro do Secovi-SP (sindicato do setor). Mas
a preferência tem data de validade. "Após 30 dias da notificação,
se o locatário não responder, perderá o direito automaticamente",
complementa o advogado.
Caso o locador informe um preço, mas venda por outro para um terceiro,
o inquilino poderá, na Justiça, conseguir comprar o imóvel,
pelo preço efetivamente praticado. " Para tanto, o locatário
deve ter o capital disponível para a transação, à vista
ou parcelado, de acordo com a proposta aceita pelo locador", afirma
o advogado especialista em direito imobiliário Marcelo Manhães.
Ele acrescenta que o direito de preferência, mesmo que não
esteja escrito no contrato, é juridicamente válido.
Má-fé
Em caso de decisão pela venda, a simples oferta de um terceiro
que agrade mais ao locador deve ser informada ao inquilino. "Ele
deve ser notificado sempre que o proprietário mudar a proposta
de venda", explica Bushatsky. Os deveres jurídicos, contudo,
não são apenas dos proprietários. Se o locatário
disser que vai comprar e não o fizer, o locador poderá entrar
na Justiça e pedir indenização. Bushatsky lembra
que o direito de preferência não vale se o imóvel é trocado
por outro.
|
O Estado do Paraná, 22 de julho de
2007
Direito e Justiça
As Ligas Camponesas e a história
da luta pela terra
Edésio Passos
Em dois recentes textos, analisei questões relacionadas à luta
camponesa pela reforma agrária e pelo direito à terra
- “50 anos da revolta dos posseiros do sudoeste do Paraná” (edição
do Direito e Justiça, 4/2/07) sobre as comemorações,
este ano, relativas ao histórico levante dos posseiros da região
sudoeste em defesa da posse de suas terras e “Carta do Congresso
do MST contra as injustiças sociais” (edição
de 24/6/07). Retorno ao tema em decorrência de alguns fatos relevantes
(a) o prêmio de melhor filme documentário do Festival
Internacional de Cinema Feminino (Femina) de 2007 concedido a Maria
Thereza Azevedo pelo seu filme “Memórias Clandestinas”,
a história de Alexina Crespo (80 anos), a primeira mulher de
Francisco Julião (b) a publicação, pelo jornalista
Geneton Moraes Neto, de histórica entrevista com Francisco Julião,
no seu site www.geneton.com.br (3) a divulgação da entrevista
de Elizabeth Teixeira, viúva de João Pedro Teixeira,
fundador das Ligas Camponesas na Paraíba, pelas jornalistas
Mayrá Lima e Marina Costa, divulgada por Vanderley Caixe (vanderleycaixe@revistaoberro.com.br).
Francisco Julião
Francisco Julião, deputado federal (PSB-PE), fundador das históricas
Ligas Camponesas, nasceu em 16/2/1915, em Pernambuco, e morreu em Cuernavaca,
México, em 10/7/1999. Conhecer a sua trajetória como
advogado de trabalhadores, político e escritor, é conhecer
parte fundamental da história da luta pela terra e pela “reforma
agrária na lei ou na marra”, como ele a definia. As Ligas
surgem de um movimento associativo de 140 famílias do engenho
da Galiléia, em Vitória de Santo Antão, Pernambuco,
que, em 1954, fundaram a Sociedade Agrícola e Pecuária
de Plantadores de Pernambuco (SAPPP), e que se expande, inicialmente
pelo Nordeste e, depois, pelo Brasil, precursoras do atual Movimento
dos Sem Terra (MST). Rápida visão de quem foi e o que
realizou Julião pode ser encontrada na internet no texto integral
do estudo de Vandeck Santiago “Francisco Julião: luta,paixão
e morte de um agitador”. Destaque também para a entrevista
de Izabela Juliana de Castro, uma das filhas de Julião, para
quem ele escreveu o notável “Até quarta, Isabela”,
durante sua prisão, em 1964. E, ainda, a entrevista com Francisco
Julião divulgada pelo jornalista Geneton Moraes Neto em seu
site é fundamental: “Um depoimento para a história:
o homem que agitou os canaviais”. Mas o resgate da luta da primeira
mulher de Francisco Julião Alexina Crespo constante do documentário
premiado no Femina, é fato essencial no conhecimento da luta
da mulher em todo o período histórico a partir das Ligas
Camponesas, passando pela resistência à ditadura militar
e o duro exílio com os filhos. Assim como o melhor e mais premiado
documentário nacional é “Cabra Marcado para Morrer”,
de Eduardo Coutinho, que, iniciado em 1964, interrompido pelo golpe
militar, concluído em 1984, trata do movimento das Ligas Camponesas
na Paraíba e tem como fio condutor a luta de João Pedro
Teixeira e sua mulher Elizabeth Teixeira. Aproveitando a realização
do 5.º Congresso Nacional do MST, em Brasília (11/15/07),
as jornalistas Mayrá Lima e Marina Costa entrevistaram Elisabeth
Teixeira, em texto divulgado por Vanderley Caixe e que transcrevemos
a seguir.
A entrevista
“No meio de 18 mil pessoas, surge uma senhora idosa. A voz é baixa,
mas o microfone ajustado faz com que a força da história
possa levar que todos e todas presentes no Ginásio Nilson Nelson,
em Brasília, a uma recuperação de memória.
Não individual, mas àquela que se carrega quando se nasce,
que já vem enraizado nos que lutam pela terra, dignidade e sobrevivência.
O reencontro com um passado não tão distante assim, mas
fundamental para que àquelas tantas mil pessoas pudessem estar
exatamente ali, diante dos olhos fortes e das mãos calejadas.
Elizabeth Teixeira, 82 anos, é o nome desta senhora. O que ela
foi levar ao 5.º Congresso do Movimento dos Trabalhadores Rurais
Sem Terra (MST) foi sua luta dentro das Ligas Camponesas, junto ao
seu esposo, João Pedro Teixeira, o fundador das Ligas entre
os camponeses de Sapé, na Paraíba. De repente, atenção
a cada etapa contada. Uma história de luta e, ao mesmo tempo,
por que não, de amor pelo esposo e ao povo do campo que, mesmo
com a morte de João Pedro Teixeira, a fez continuar. Uns se
emocionam. Os nordestinos se orgulham, afinal, uma paraibana. Uma salva
de palmas e pronto? Não! Hora de jantar. Mas ainda são
5 da tarde? Perguntamos. “Ela dorme cedo”, disse uma das
assessoras do Congresso. É difícil resumir o que foram
as Ligas Camponesas. Há diversas teses acadêmicas sobre
este movimento que, em 1945, surgiu em Pernambuco e se espalhou por
boa parte do Nordeste brasileiro na década de 50. O que marcou
a ação das Ligas Camponesas foi o fato de os agricultores
irem às ruas, realizando marchas, comícios e congressos.
Procuravam não só reforçar sua organização
interna, mas também queriam ampliar sua base de apoio nas cidades
e, dessa forma, colocar-se defender-se dos latifundiários.Desta
forma, as Ligas fazem parte da memória histórica que
forma o MST. A presença de dona Elizabeth Teixeira significou
o exemplo que deve ser seguido. As poucas linhas a seguir não
podem ser consideradas, nem de longe, a descrição de
sua história, muito menos das Ligas. É muito pouco! O
tempo também foi curto e ela ia jantar na cozinha do Estado
da Bahia. Já estava esfriando em Brasília e a roupa dela
era fina... precisava voltar ao hotel, mas ainda tivemos a sorte – essas
repórteres e os militantes, nordestinos, em sua maioria – de
conversar por 20 minutos e, devemos confessar, cheias e cheios de admiração.
O que fez a senhora integrar as Ligas Camponesas? Elizabeth Teixeira
- Eu participei das Ligas Camponesas porque meu marido, João
Pedro Teixeira, foi quem fundou a Liga Camponesa em Sapé, na
Paraíba. Ele fundou em 1958. Na época, o homem do campo
dos engenhos, das fazendas estavam todos se associando. E porque ele
foi tomando conhecimento da situação do homem do campo,
foi assassinado barbaramente. O homem do campo vivia uma situação
muito difícil. Próximo à casa que a gente morava,
tinha o engenho Melancia, o Sapucaia e o João Pedro foi tomando
conhecimento da sobrevivência daqueles trabalhadores, pai de
filhos, a situação dos filhinhos passando fome, analfabetos,
sem ter direito a ir a uma escola. O João Pedro foi conversando
com eles, fazendo reuniões, até que fundou a Liga Camponesa
e eles foram se associando e o número da Liga crescendo. Passou
para dois, três mil e um latifundiário mandou tirar a
vida de João Pedro numa emboscada, em 2 de abril de 1962, numa
estrada que ligava João Pessoa, Sapé, e Café do
Vento.
Como era a participação da senhora na Liga? Elizabeth
- Ele como meu esposo e eu, como mãe de 11 filhos, a minha luta
era em casa, mas, nos sábados, acontecia de eu chegar até lá,
na Liga Camponesa, e era justamente era o dia dos companheiros do campo
irem se associar. Eu ia escrever o nome deles, ia fazer a carteira
deles para entregar. Com o João Pedro, o número de associados
cresceu tanto que ele dizia pra mim que iam tirar a vida dele, mas
que a reforma agrária ia ser implantada em nosso País.
Já fez 45 anos da morte dele, agora, no dia 2 de abril, e ainda
não foi implantada a reforma agrária.
Como a senhora se sente diante disso? Elizabeth - Eu me sinto triste...
por que já era pra ter sido implantada uma reforma agrária
em nosso País. Justa! Uma reforma agrária, como João
Pedro dizia, reforma agrária: terra para os sem terra e condições
para que ele pudesse plantar, colher, ver seus filhinhos ter alimentação,
ter direito a uma escola que não tinha. Eles trabalhavam naqueles
engenhos como escravos, o filho do homem do campo não tinha
direito nem a estudar.
E depois que o João Pedro morreu? Elizabeth - Eu assumi a liderança
dele na Liga, lutava na Liga Camponesa o dia todo. Acontecia muitas
prisões a minha pessoa, até que chegou o golpe militar
e com ele eu tive que ser presa. Passei seis meses presa no Exército.
Quando me liberaram, o Exército já me disse que a Polícia
ainda ia me prender. Eu tive que fugir para um Estado, o Rio Grande
do Norte, para qual ninguém me conhecia e fiquei lá todo
o tempo da ditadura militar. Trabalhei como lavadeira de roupa. Lá o
sol era muito quente e eu era Marta Maria da Costa e não Elizabeth
Teixeira.
E como ficou sua família? Elizabeth - Dos meses que eu fiquei
presa, a família foi resgatada da casa que eu morava e foi dividida
com meus irmãos e meu pai. Quando o Exército me liberou
e disse que a polícia poderia me prender, eu cheguei na casa
de meu pai ele disse que ali eu não ficava por causa da polícia.
E ainda tinha meu filho que era a cara de João Pedro e ele não
queria. Papai nunca aceitou meu casamento com João Pedro. Eu
casei com ele fugida, papai nunca aceitou e a luta dele pior. Papai
nunca aceitou a luta de João Pedro. Assim que eu casei com o
João Pedro, eu morei cinco anos em Recife. A gente trabalhava
numa pedreira lá. A pedreira parou e meu pai tinha comprado
um sítio que ficava distante da fazenda dele que era de meu
padrinho e tinha uma farmácia. Era um sítio muito bom.
Daí, papai mandou me convidar quando soube que o João
Pedro estava parado e a situação difícil e eu
já com 5 filhos. Eu fui morar no sitio, mas não que papai
desse apoio a João Pedro. Morando lá no sitio em Sapé,
foi quando João Pedro iniciou a luta. Era uma casa boa... tinha
muita fartura, muito inhame, muita batata, milho... quem tirou a vida
de João Pedro foram dois policiais... com a morte dele, eu continuei
a luta e fui presa várias vezes. Teve um dia que dois tenentes
e um policial foram me prender. Chegaram lá em casa, chamou
a mim numa certa distância e a cada passo que eu dava era um
tiro de um lado, outro de outro de um jeito que meus pés ficaram
cobertos de terra. Foi quando eu disse: “Tenente, é uma
prova de covardia. Vocês não mataram meu marido de emboscada?
E dá tanto tiro nos meus pés... cheios de terra”.
Ele disse que eu estava presa e mandou eu entrar no carro. Pedi que
esperasse para eu pegar meus documentos. Quando eu voltei em casa,
a filha mais velha, Marluce Teixeira disse “mainha, vão
tirar a sua vida... painho eu vi ele morto, eu peguei na mão
dele e fiquei toda melada de sangue, mas a senhora eu não quero
ver morta”. Eu falei: “Minha filha, não vão
tirar a minha vida. Estão fazendo isso para me fazer medo. Pode
ficar ai tomando conta de seus irmãozinhos que eu vou, mas volto”.
E depois? Elizabeth - Eu fui levada para João Pessoa e o advogado
Doutor Santa Cruz já estava para me defender. Defendeu e liberou.
Quando eu chego em casa, a minha filha mais velha já estava
morrendo. Ela tinha ingerido veneno com o mel. Tinham mandado comprar
num mercado que tinha próximo. Era para colocar nos ratos que
estavam comendo o inhame, mas ela ingeriu e quando eu cheguei ela tinha
me dito que ela tinha tomado veneno com mel e que estava morrendo.
No mesmo carro do Doutor Santa Cruz, eu voltei com ela para João
Pessoa. Quando cheguei lá, o médico disse que ela estava
morrendo... já estava lá... Ela morreu e foi uma tristeza
muito grande. Quando João Pedro morreu, eu tinha 11 filhos...
era tudo vivo os bichinhos... Hoje só tenho 6 vivos. Um deles
levou um tiro com 10 aninhos. Foi na cabeça e perdeu o cérebro
e foi o mesmo capanga que mandou matar o pai. O João Pedro Teixeira
Filho e o João Eudes Teixeira foram assassinados. O Zé Eudes,
depois que eu voltei com a anistia, ele chegava, abraçava e
dizia que ia continuar a luta do pai dele para o que der e vier. Minha
mãe já havia morrido, em 85. Meu pai tinha me dado um
pedaço de terra e Zé Eudes me pediu os hectares de terra
para construir a casa para ele morar e um salão para fundar
o sindicato do camponês. Ele construiu a casa e o salão
e fundou o sindicato rural e já estava com 200 companheiros
associados e mulheres, quando meu irmão mandou matar... tirar
a vida dele. Ele tinha me convidado para uma reunião com os
homens e com as mulheres do campo para falar lá. Quando cheguei
lá, veio um cara, chamou ele e pá... pá... pá...
não tinha chegado ainda nenhum camponês... na minha presença,
ele caiu e bateu a cabeça no meu pé e ali morreu. Pensei
também que iam até me matar, mas não me mataram.
Matou meu filho Zé Eudes, porque ia continuar a luta do pai
para o que der e vier.
E qual mensagem que a senhora deixa para os atuais trabalhadores rurais
que buscam a reforma agrária? Elizabeth - A mensagem que eu
deixo é que todos continuem. Que todos os companheiros que lutam
no campo continuem a luta por uma reforma agrária justa, que
dê condições para sobreviver dignamente no campo,
porque era isso que João Pedro dizia pra mim que poderiam tirar
a vida dele, mas que a reforma agrária iria ser implantada.
Eu desejo para todos os companheiros que continuem a luta de João
Pedro, que Deus os abençoem e que essa reforma agrária
seja implantada para todos os companheiros que trabalham no campo,
que tem uma vida sacrificada no campo, sem condições
financeiras. Que continuem firme com a luta de João Pedro e
a minha luta, com o poder de nosso senhor Jesus Cristo...”.
Edésio Passos é advogado e
ex-deputado federal (PT/PR). E-mail: edesiopassos@terra.com.br
|
Última Instância, 22 de julho
de 2007
Empresas ganham novo prazo para ingressar
no Supersimples
Marina Diana
Contribuintes que pretendem ingressar no Supersimples, o regime especial
unificado de pagamento de impostos e contribuições devidos à União,
aos Estados e aos municípios, terão um novo prazo. Em
entrevista coletiva concedida em Brasília nesta sexta-feira
(20/7), foi esclarecida a Instrução Normativa (IN) 755,
de 19 de julho de 2007, e a mesma será publicada no Diário
Oficial da União nesta segunda-feira, dia 23 de julho.
A coordenadora geral de Arrecadação e Cobrança,
Alexandra Gruginsk explicou que a publicação da IN 755
teve por objetivo ampliar o prazo para que os contribuintes possam
regularizar os débitos junto à Receita Federal e resguardar,
dessa forma, a opção feita pelo Simples Nacional.
De acordo com as regras anteriores, os contribuintes deveriam regularizar
a sua situação até 31 deste mês sob pena
de serem excluídos do novo regime. Segundo informações
da assessoria de imprensa da Receita Federal, esses prazos exíguos
vinham gerando reclamações dos contribuintes e congestionamentos
no atendimento.
Lista
Assim, na esperança de tranqüilizar os contribuintes, melhorar
o atendimento e garantir a adesão dos que já optaram pelo
Simples Nacional, será divulgada na Internet, a partir de 31 de
agosto, a relação consolidada mostrando a situação
fiscal de cada pessoa jurídica.
A partir dessa consolidação, caso seja verificado alguma
pendência fiscal, o contribuinte terá até 31 de
outubro, o novo prazo, para regularizar a sua situação
e garantir a manutenção no Supersimples, mediante pagamento à vista
ou parcelamento convencional (60 meses).
Entenda
O novo prazo para regularizar os débitos remanescentes não
se confunde com o prazo do parcelamento especial previsto na Lei Complementar
123/2006, o último dia deste permanece sendo em 31 de julho, que
também é a data limite para a quitação da
primeira parcela (parcelamento especial).
Segundo o coordenador-geral de interação com o Cidadão,
Carlos Alberto Stringari Stringari, "todo processo de opção
pelo Simples Nacional, adesão ao parcelamento especial, geração
de guias para pagamentos, consulta da situação fiscal,
deverá ser feito pela internet”. Ele acrescentou, ainda,
que a certificação digital não é necessária
para a utilização desses serviços.
Adesões
De acordo com dados divulgados pela Receita Federal, foram recepcionados
até a última sexta-feira (20/7), 1.029.557 pedidos de adesão,
desses 903.151 estão com pendências fiscais e 67.547 tiveram
deferimento imediato. Já 1,33 milhões de empresas migraram
automaticamente para o novo regime tributário.
O prazo para a opção do Supersimples permanece sendo
dia 31 de julho, portanto, e o primeiro pagamento ocorrerá em
15 de agosto.
|