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JORNAL
O DIA / RIO DE JANEIRO, 25 de julho de 2007
Aumentam os empregos na construção
Setor gerou 97.571 vagas com carteira
assinada só no primeiro semestre
Rio - O setor de construção
civil teve aumento de 97.571 postos de trabalho no primeiro semestre,
uma expansão de 7,22%. Edificações foi o segmento
da construção civil com o maior saldo de empregos formais,
segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados),
do Ministério do Trabalho. Fazem parte do grupo as atividades
de construção, reforma ou restauração
de prédios residenciais, industriais e comerciais.
Depois de edificações,
o subsetor que mais contribuiu para o recorde de empregos, com 22.099
postos, foi o de atividades relacionadas a obras marítimas
e fluviais, como construção de instalações
portuárias, barragens, represas e redes de água e esgoto.
Obras viárias, com crescimento de 15.315 vagas, e obras de
montagem — estruturas metálicas, andaimes e outras estruturas
temporárias —, com 10.529 posições, também
tiveram seu destaque no ramo da Construção Civil.<
Mais vagas no Sudeste
No País, o Sudeste
apresentou o melhor desempenho, concentrando 58% dos postos com carteira
assinada criados. São Paulo foi o estado com o maior número
de vagas ocupadas — 57.012. Em seguida, vem Minas Gerais, com
15.336 postos.
Na Região Norte,
o estoque de empregos formais do setor expandiu 10,56% em relação
ao verificado em janeiro deste ano. No Sudeste, o aumento foi de
7,90%.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 25 de julho de 2007 | Dinheiro
Salário do setor de Serviços
caiu 3,8% em cinco anos
CLARICE SPITZ
da Folha Online, no Rio
Pesquisa realizada pelo IBGE
(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra que o
salário médio do setor de Serviços no Brasil recuou
3,81% entre 2000 e 2005.
Segundo os técnicos do
IBGE, a queda é explicada porque o crescimento da massa salarial
no setor não acompanhou o ritmo das contratações.
O pessoal ocupado avançou 28,59% no período.
O setor de Serviços é muito
heterogêneo, segundo o instituto, com atividades que pagam bem,
intensivos em capital. Por outro lado, abrange segmentos usam mão-de-obra
de forma predominante, como alimentação e transporte.
Assim, a base de ocupados cresceu
com mão-de-obra menos qualificada, que ganha em geral salários
menores. "O setor de serviços tradicionalmente emprega setores
distinto", afirmou Luis Andrés Ribeiro, economista do IBGE.
Já na comparação
entre 2004 e 2005, o salário médio recuou 0,5%, enquanto
a população ocupada experimentou um crescimento de 9,4%.
A pesquisa captou que os
maiores salários médios foram pagos em 2005 para o segmento
de agências de notícias. Elas contabilizaram a maior média
salarial do setor de serviços com 12,7 salários mínimos.
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AGÊNCIA BRASIL, 25
de julho de 2007
Último compromisso na agenda
de Lula é reunião com centrais sindicais
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem a primeiro
audiência do dia com a assessora especial Clara Ant. Às 11h30,
ele despacha com o chefe do gabinete pessoal do Presidente da República,
Gilberto Carvalho.
Ao meio-dia, Lula recebe
o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),
Dom Geraldo Lyrio. Depois de despachos internos, o presidente recebe
o assessor especial Cezar Alvares, às 15h30 e em seguida se
reúne com representantes das centrais sindicais, às 16h30.
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INFOMONEY
PESSOAL, 25 de julho de 2007 | Previdência
Salário mínimo supera o dobro
do rendimento dos 20% mais pobres
SÃO PAULO - Desde 1994,
quando começou a política de reajustes do salário
mínimo, até 2007, o valor do rendimento mínimo
do trabalhador brasileiro dobrou e passou a ser equivalente a mais
de duas vezes o ganho dos 20% mais pobres do País.
A conclusão faz parte
do estudo "O esgotamento do papel do salário mínimo
como mecanismo de combate à pobreza", realizado por Fábio
Giambiagi e Samuel Franco do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea), depois de o Governo ter definido a regra de reajuste
do mínimo entre 2008 e 2011, com base no Produto Interno Bruto
(PIB) - soma de todas as riquezas da nação.
Ainda de acordo com o levantamento,
o valor do salário mínimo, hoje de R$ 380, é quase
20% superior ao rendimento médio da metade da população
mais pobre em nível nacional. No Nordeste, seu valor é maior
do que o rendimento médio dos 90% mais pobres.
Previdência
Social
O aumento do salário mínimo ainda pressiona as contas da Previdência
Social, que afeta dois em cada três benefícios devido à vinculação
constitucional existente entre o mínimo e o piso previdenciário
e assistencial.
"Cabe lembrar que, em
1995, a despesa do INSS foi de 4,6% do PIB e, em contraste, em 2007,
encaminha-se para 7,3% do PIB. Em outras palavras, o gasto com benefícios
assistenciais e previdenciários aumentou 3,3% do PIB",
descreve o estudo.
Política
ineficaz
A principal conclusão do estudo é de que a política de
aumento do salário mínimo não é um instrumento
eficaz no combate à pobreza, já que seu valor já supera
o rendimento dos mais pobres e seu incremento pesa nas contas previdenciárias.
Em função disso,
os pesquisadores sugerem congelar os valores na próxima década
e concentrar os recursos públicos em políticas mais bem
focalizadas e com maior retorno social.
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
25 de julho de 2007 | Economia
Benefício para deficiente deve
mudar
Governo estuda alteração
na lei para incentivar inclusão no mercado de trabalho e garantir
renda mínima
ANA PAULA PEDROSA
O governo federal estuda mudanças
no Benefício de Prestação Continuada (BPC), que
garante renda de um salário- mínimo mensal aos portadores
de necessidades especiais de baixa renda. Atualmente, quem consegue um
emprego formal é excluído definitivamente do benefício,
mesmo que volte a ficar sem emprego, o que acaba deixando muitos portadores
de necessidades especiais temerosos em trocar a certeza do BPC pela instabilidade
do mercado de trabalho.
"A idéia é que
o BPC seja uma ponte para o trabalho e, não, um impedimento",
diz a coordenadora geral da Coordenadoria Nacional para Integração
da Pessoa Portadora de Deficiência (Corde), vinculada à Secretaria
Especial de Direitos Humanos, Izabel Maior. A proposta deve transformar
o BPC em uma espécie de seguro-desemprego, que pode ser retomado
toda vez que a pessoa perder a fonte de renda fixa.
O assessor do Departamento de
Fiscalização do Trabalho do Ministério do Trabalho
e Emprego, Rogério Lopes, explica que, como atende à população
de baixa renda, o BPC tem importante papel social. "Muitos são
arrimos de família", afirma. A reserva de cotas para deficientes
físicos foi estabelecida pela lei nº 8.213/91, que completou
16 anos ontem. Em 2005, a alteração de uma outra lei, a
da aprendizagem, já ajudou a abrir o mercado aos deficientes.
Desde então, as empresas podem preencher a cota de aprendizes,
que varia de 5% a 15% dependendo do porte, com deficientes de qualquer
idade.
Para quem não é portador
de necessidades especiais, a idade vai de 14 a 24 anos. De acordo com
a legislação, empresas que têm entre cem e 200 funcionários
devem reservar pelo menos 2% das vagas para pessoas com deficiência.
O percentual vai subindo até chegar a 5% para empresas com mais
de mil empregados. "Os desafios ainda são grandes. Estamos
longe de alcançar o sucesso desejado", afirma Lopes.
No primeiro semestre deste ano,
9.218 pessoas com deficiência foram contratadas graças às
fiscalizações do Ministério do Trabalho. No ano
passado, foram 19.978, aumento de 56,3% em relação a 2005.
A empresa que descumprir a lei está sujeita a multa que varia
de R$ 1.195,13 a R$ 119,5 mil. Cerca de 1,3 milhão de pessoas
recebem o BPC no país. "Devido a isso, há pouca disponibilidade
de deficientes para ter um registro formal de trabalho", diz a gerente
de recursos humanos da Gerencial Brasil, Anali Ferreira.
Segundo ela, a empresa demora
a preencher as vagas que oferece porque muitos portadores de necessidades
especiais temem ficar definitivamente sem o benefício. A nova
formatação da lei está em estudo e ainda não
tem data para ser apresentada à Presidência da República.
Se não há data no caso da revisão do BPC, uma série
de outras proposições para melhorar a formação
e a empregabilidade dos deficientes será apresentada ao presidente
Lula na próxima segunda- feira.
As propostas foram elaboradas
em conjunto pelos Ministérios da Saúde, Educação,
Trabalho e Emprego, Desenvolvimento Social e Combate à Fome, e
Secretaria Especial de Direitos Humanos. Entre elas, a criação
de uma linha de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES) para empresas que queiram adequar o ambiente de trabalho à presença
de deficientes. O governo pretende também incentivar as prefeituras
a utilizar linhas já existentes do Ministério das Cidades
para adaptar as escolas e os terminais de transporte público.
Falta de qualificação
cria dificuldade extra
A falta de qualificação
profissional também é um obstáculo à contratação
de pessoas com deficiência. A construtora Ápia, por exemplo,
tem 20 deficientes em seus quadros, mas deveria chegar a 70 para atender à legislação.
Para chegar a esse patamar, a empresa está formatando, em parceria
com o Sindicato da Indústria da Construção (Sicepot),
cursos de auxiliar de manutenção, que incluem mecânica,
solda e elétrica, e técnico em edificações,
o que garantiria mão-de-obra qualificada em quantidade, não
apenas para a empresa, como para o setor.
"É difícil
encontrar esses profissionais no mercado", afirma a analista de
recursos humanos Tamara de Faria Costa. Mesmo em empresas que oferecem
vagas que exigem menor qualificação, é difícil
encontrar mãode- obra. "Ficamos um bom tempo procurando alguém
para uma vaga no Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) e só encontramos
porque um outro deficiente, que já trabalha conosco, indicou",
diz a gerente de marketing, Lucy Jardim.
Coincidência
A dificuldade é tanta que há até quem encontre emprego
por acaso. "Eu estava passeando no shopping e me ofereceram o emprego.
Eu nem estava procurando", diz Fatine Conceição Oliveira,
22, que trabalha há mais de um ano no atendimento ao cliente. Ela é cadeirante
e não tinha experiência anterior.
"Eu recebi treinamento
e tenho muita facilidade em me comunicar", afirma. A atendente
trancou a faculdade de comunicação no segundo período,
mas pretende terminar o curso e trabalhar com pesquisa. De acordo com
ela, a postura de cada um ajuda a driblar o preconceito e as dificuldades. "A
gente tem que criar as próprias alternativas", afirma.
(APP)
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SITE OIT - ORGANIZAÇÃO
INTERNACIONAL DO TRABALHO, 25 de julho de 2007
Prevenir acidentes e doenças no trabalho
Japão é o primeiro país
a ratificar a Convenção 187 da OIT
TÓQUIO (OIT Online) – Em
24 de julho, o Japão ratificou a Convenção No. 187
da OIT, assumindo o compromisso de fortalecer seu sistema de saúde
e segurança no trabalho. A Convenção, que estabelece
um marco promocional sobre saúde e segurança no trabalho,
foi adotada pela Conferência Internacional do Trabalho em junho
de 2006.
Com a ratificação da Convenção N0. 187 da OIT,
o Japão melhorará seus indicadores de saúde e segurança
no trabalho de maneira contínua, em colaboração com os
interlocutores sociais. Desde 1958, quando o Japão estabeleceu seu primeiro
plano de SST, o país melhorou de maneira sistemática sua estratégia
de SST. Seu mais recente plano qüinquenal corresponde ao programa nacional
de SST previsto pela Convenção N0. 187.
A OIT estima que cerca de 6.000 trabalhadores morram diariamente no mundo como
resultado de acidentes ou doenças relacionadas com o trabalho. A Convenção
No. 187 promove o desenvolvimento de uma “cultura preventiva de saúde
e segurança” dando prioridade à saúde e à segurança
no trabalho nas agendas nacionais atraveés de programas de alcance nacional,
assim como a promoção de ambientes de trabalho mais seguros e
sadios, colocando medidas preventivas em prática. A ratificação
global da Convenção N0 187 poderia ser um passo concreto na criação
de locais de trabalho mais seguros e sadios para todos os trabalhadores.
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Folha
de São Paulo, 25 de julho de 2007
Indústria cobra de Mantega medidas
contra o real forte
Fiesp pede fim de isenção de IR
a estrangeiros na compra de papéis da dívida | Gerdau pede
teto máximo para a carga tributária; ministro diz que criará grupo
para estudar vigência de crédito de IPI
FERNANDO NAKAGAWA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Empresários se reuniram
ontem com o ministro Guido Mantega (Fazenda) e pediram medidas para
tentar manter a competitividade dos produtos brasileiros no exterior
apesar do real valorizado. A principal reclamação é o
efeito cambial, que encarece os produtos brasileiros no exterior. Os
pedidos dos industriais foram entregues em reunião que durou
cerca de duas horas.
A sugestão mais controversa
foi feita por Roberto Giannetti da Fonseca, diretor de comércio
exterior da Fiesp (Federação das Indústrias do
Estado de São Paulo). Ele sugere a volta da cobrança
de 15% de Imposto de Renda para o capital estrangeiro que compra papéis
da dívida pública brasileira. A medida poderia reduzir
o ingresso de dólares porque esse investimento é atualmente
isento de IR. A isenção foi concedida para atrair novos
compradores para os títulos. A iniciativa deu certo e elevou
a compra dos papéis.
"Mostramos para o ministro
que seria pertinente reavaliar, principalmente pelo impacto no câmbio.
Não acredito ser uma questão fechada", disse o presidente
da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Armando
Monteiro Neto, que também participou da reunião.
Outro pedido tratou dos impostos.
O presidente do conselho da Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, defendeu
a criação de um teto para a carga tributária.
A proposta é semelhante à feita na semana passada pelo
CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), que sugere
cortar a carga -que ficou em 34,5% em 2006- para um patamar máximo
de até 26%.
Crédito de IPI
A Folha apurou que Mantega
autorizou a criação de um grupo -formado por membros
do governo e empresários- para encontrar uma solução
para o impasse em torno do crédito-prêmio de IPI (Imposto
sobre Produtos Industrializados). A intenção é encontrar
uma solução amigável e retirar o tema da Justiça.
Essa discussão ocorre
porque a Receita Federal questiona o período de vigência
do crédito de IPI. Criado em 1969 como forma de incentivar as
exportações, o prêmio foi usado por muitas empresas
até a década de 1990. O fisco questiona o período
de fim de vigência da medida.
Segundo técnicos
da Procuradoria Geral da Fazenda, a questão envolve cifra
superior a R$ 50 bilhões. No final de junho, o Superior Tribunal
de Justiça decidiu que o benefício terminou em 1990.
A decisão final será do Supremo Tribunal Federal.
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Folha
de São Paulo, 25 de julho de 2007
Após 3ª tentativa, Jobim cede
a Lula e vai assumir a Defesa
Ex-ministro do STF já havia negado convite
para o cargo nesta semana e em março
| Deve haver ainda mudanças em comando do Conselho de Aviação
e na Infraero; Fernando Bezerra (PTB-RN) foi cotado para a estatal
RENATA LO PRETE
EDITORA DO PAINEL
O ex-presidente do Supremo
Tribunal Federal Nelson Jobim (PMDB) aceitou na noite de ontem o convite
para assumir o Ministério da Defesa em substituição
a Waldir Pires (PT), desgastado por dez meses de crise aérea
e pelo acidente com o Airbus-A320 da TAM que matou quase 200 pessoas
na terça-feira da semana passada. O anúncio será feito
hoje.
Foi a terceira abordagem do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Jobim desde a tragédia
em Congonhas. Nos dois primeiros convites - feitos em março
e na semana passada -, ele recusara a proposta. Antes de dizer sim,
Jobim ouviu de Lula que terá liberdade para fazer as mudanças
que considerar necessárias na Infraero e na Anac (Agência
Nacional de Aviação Civil). A estatal e a agência
reguladora estão no centro do transtorno vigente nos aeroportos
desde o acidente com o Boeing da Gol, em outubro passado.
Aliados de Jobim consideram
que, embora pouco "jeitoso" para se movimentar num setor
conflagrado, o ex-ministro da Justiça no governo Fernando Henrique
Cardoso tem a qualidade de se aprofundar nos assuntos a que se dedica,
o que poderá ser útil em suas novas atribuições.
A pressa de Lula para fazer a troca no Ministério da Defesa
explica-se pela necessidade de encontrar um nome capaz de gerenciar
e acompanhar o pacote emergencial lançado para Congonhas na
sexta-feira passada, após o acidente.
Para o presidente, seria necessário
nomear rapidamente um gestor permanente para traçar os próximos
passos, como a definição do local para funcionar o novo
aeroporto de São Paulo (além de Congonhas e de Cumbica),
daqui a 85 dias. Até ontem, o pacote estava sendo tocado em
caráter provisório pela ministra-chefe da Casa Civil,
Dilma Rousseff, já responsável pela coordenação
das obras incluídas no PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento).
Devido às primeiras
recusas de Jobim, Lula havia cogitado outros dois nomes para a Defesa,
dos ministros Paulo Bernardo (Planejamento) e Jorge Hage (Controladoria
Geral da União). Agora, os auxiliares do presidente avaliam
que será preciso encontrar uma saída honrosa para Waldir
Pires.
Conac e Infraero
O Palácio do Planalto
estuda também um novo desenho para fortalecer o Conac (Conselho
de Aviação Civil), que seria o principal responsável
pelo acompanhamento da implementação do pacote. Uma das
idéias radicais estudadas pelo governo é a alteração
do órgão para tirar a presidência do Conac do ministro
da Defesa.
O governo já decidiu
que o Conac será ampliado. Hoje é formado por seis ministérios
(Fazenda, Relações Exteriores, Defesa, Casa Civil, Turismo
e Desenvolvimento) e pelo comandante da Aeronáutica. Vão
entrar também os ministérios da Justiça e do Planejamento,
que poderiam passar a ocupar a presidência do Conselho de Aviação
Civil.
Junto com a mudança
no Ministério da Defesa virá também a troca do
comando na Infraero. Uma possibilidade é nomear Fernando Bezerra
(PTB-RN), ex-senador e ex-ministro de Fernando Henrique, tido como
um político experiente. A saída do atual presidente da
Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, é considerada
tão certa como a de Pires.
Três ministros
As trocas no Ministério
da Defesa sob Lula resultam de dois focos de conflito entre governo
e militares: os cortes de verbas na pasta e o legado do regime militar.
O primeiro titular, o diplomata José Viegas, desgastou-se junto
aos oficiais por adiar o reequipamento da FAB e por reduzir os soldos
das tropas em missão de paz no Haiti. O segundo ministro, o
vice-presidente José Alencar, passou os primeiros meses de sua
gestão mais envolvido com a crise da Varig do que com os assuntos
da Defesa. Não conseguiu atender às reivindicações
militares pelo aumento de soldos e reaparelhamento das Forças.
Já a gestão de
Waldir Pires ficou marcada pela crise aérea. Ele defendeu negociações
com os controladores de vôo e a transferência da gestão
do setor aos civis, alegando que o controle militar hoje só existe
na Eritréia, Somália, Uruguai e Argentina -fato que que
causou embaraço aos militares.
Colaboraram LETÍCIA SANDER
e PEDRO DIAS LEITE, da Sucursal de Brasília, e a Redação
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Folha
de São Paulo, 25 de julho de 2007
Gautama é recordista de obras paralisadas
pelo TCU
Construtora, pivô da Operação
Navalha, teve recursos suspensos em 5 projetos A empreiteira OAS tem
4 obras paradas, e a Queiroz Galvão, 3; irregularidades consideradas
graves pelo tribunal motivaram decisão
THIAGO REIS, JOÃO CARLOS
MAGALHÃES
DA AGÊNCIA FOLHA
A Gautama, pivô da Operação
Navalha, a OAS, empresa de origem de Zuleido Veras (dono da Gautama),
e a Queiroz Galvão, também citada no inquérito
da operação, são as três empreiteiras recordistas
em obras paralisadas pelo TCU (Tribunal de Contas da União)
devido a irregularidades consideradas graves pelo tribunal.
A Operação Navalha
da Polícia Federal, deflagrada em maio, investiga o desvio de
recursos públicos por meio de fraudes em obras. A Gautama, segundo
a PF, era o centro do esquema, no qual foi apontado envolvimento de
funcionários públicos e políticos. Na segunda-feira,
a CGU (Controladoria Geral da União) declarou a empresa "inidônea
para contratar com a administração pública".
Levantamento feito pela Folha
aponta que cinco construções da Gautama tiveram repasses
de recursos federais suspensos, segundo a lista de 36 obras paradas,
que o TCU recomendou que não recebessem emendas parlamentares
para o Orçamento de 2007. Ao todo, os contratos sob suspeita
com a empreiteira somam R$ 499,96 milhões, em valores originais.
Em segundo lugar, com quatro
obras, está a OAS, construtora baiana da qual Veras foi executivo
antes de fundar a Gautama, há 12 anos. A OAS tem R$ 538,62 milhões
em contratos com problemas. A obra para a construção
da adutora de Italuís, que abastece São Luís (MA)
de água, é tocada tanto pela Gautama quanto pela OAS.
Segundo o TCU, as irregularidades, que motivaram suspensão em
2003, vão de indícios de superfaturamento à falta
de licença ambiental.
A Queiroz Galvão, com
sede no Rio de Janeiro, aparece em terceiro na lista, com três
obras. Em resumo que fez das investigações da PF, a ministra
do Superior Tribunal de Justiça Eliana Calmon descreve circunstâncias
que levantam suspeitas em licitação de R$ 153 milhões
para pavimentação da BR-402 no Maranhão.
De acordo com o resumo de Calmon,
o contrato foi vencido pela Queiroz Galvão "dentro de uma
acomodação já prevista pela organização,
sendo certo que a vencedora sempre esteve como parceira da Gautama".
Essa obra não está na lista das 36 paradas. Os contratos
com supostas irregularidades da Queiroz Galvão somam R$ 1,09
bilhão. Entre eles, está um de R$ 924 milhões,
que se refere à expansão do sistema de trens urbanos
de Teresina (PI). O TCU encontrou irregularidades no processo licitatório
que teriam restringido a competitividade.
Também foram encontrados
problemas em obras para irrigação no litoral do Piauí e
na construção de trechos rodoviários da BR-401,
em Roraima. A ARG e a Egesa, outras empreiteiras que tiveram três
obras paralisadas em razão de irregularidades graves, completam
a lista.
Na maior obra com irregularidades
da ARG, para a construção de trechos da BR-393, no Espírito
Santo, foram verificados indícios de sobrepreço e problemas
no projeto básico que geraram gastos desnecessários.
Os contratos da ARG valem, juntos, R$ 248,12 milhões.
Já a Egesa venceu
contratos para a construção da BR-230 e BR-235 na divisa
entre Maranhão e Tocantins. Neles, foram detectados sobrepreço,
superfaturamento e reajustamento irregular. Ao todo, foram R$ 176
milhões em contratos firmados com a Egesa.
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JORNAL O DIA / RIO DE JANEIRO,
25 de julho de 2007
Financiamento vai priorizar trabalhador
com renda até R$ 2 mil
BB terá linha própria
Cristiane Campos
Rio - O Banco do Brasil lançará em
outubro sua própria linha de crédito imobiliário.
A instituição está elaborando a operação,
garantindo que terá taxas de juros competitivas com as demais
no mercado. O principal foco será atender a trabalhadores
com renda de até R$ 2 mil, interessados em imóveis
entre R$ 50 mil e R$ 60 mil — segundo o banco, um público
ainda sem muitas opções.
O empréstimo será de
80% do valor do imóvel, mas produtos com parceiros (construtoras)
poderão ter financiamento maior. Outra novidade é que o
BB passará a financiar imóvel na planta.
O banco entrou no mercado imobiliário
em parceria com a Poupex (Associação de Poupança
e Empréstimo) e ampliou o prazo de pagamento de 15 anos para 20
anos. Segundo o gerente executivo de Crédito Imobiliário,
Denilson Molina, o BB tem 7 milhões de seus 25 milhões
de clientes no País habilitados a tomar o crédito.
Para imóveis residenciais
até R$ 150 mil, a taxa de juros é de 9,57%, ao ano, mais
TR (Taxa Referencial). Nesse caso, o empréstimo cobre 80%. Unidades
acima desse valor e até R$ 350 mil têm juros de 11,39%,
e teto de 75%.
BB e Poupex também
operam no consignado, em convênio com órgão público
ou empresa. Taxas vão de 8,95% a 10,80%, ao ano. Na parceria
do banco com a Poupex, outra novidade é o financiamento de salas
comerciais.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
25/07/2007
Trabalhador demitido pede indenização
por estar deprimido
“O simples sofrimento moral
decorrente da ruptura do contrato de trabalho não autoriza a imposição
de indenização por dano moral, pois do contrário
se estaria criando nova forma de estabilidade no emprego, calcada na
proteção contra o perfeito equilíbrio psicológico
do trabalhador”. Esta foi a decisão da Quarta Turma do Tribunal
Superior do Trabalho, ao julgar pedido de indenização por
dano moral de um ex-empregado da Empresa Paranaense de Classificação
de Produtos – Claspar, demitido sem justa causa após 37
anos de serviço.
De acordo com o voto do relator
do processo, ministro Ives Gandra da Silva Martins Filho, não
havendo a ocorrência de lesão a algum dos bens constitucionalmente
garantidos - intimidade, vida privada, honra e à imagem -, não
há como acolher pedido de indenização por dano moral. “Não
encontra amparo no princípio da razoabilidade a tese de que ante
o mero rompimento do contrato de trabalho, em caso de não haver
motivação para a dispensa, o empregador venha a ser condenado
a pagar, além das verbas rescisórias próprias da
dispensa imotivada (que já é uma sanção),
a indenização por danos morais, na medida em que a eventual
depressão decorrente de dispensa não autoriza dano moral”,
concluiu o relator.
O empregado disse que foi admitido
em janeiro de 1961 pelo Serviço de Acordo de Classificação,
pertencente ao Ministério da Agricultura, sucedido em 1978 pela
Claspar. Em 1979 foi registrado pela empresa, no cargo de classificador,
e demitido sem justa causa em maio de 1998, aos 59 anos de idade, quando
se encontrava com 37 anos de serviço. Seu salário à época
era de R$ 3.246,06.
Contou que dedicou grande parte
de sua vida à atividade de classificação de produtos
agrícolas do Estado, sendo o trabalho “seu segundo lar”.
Disse que foi demitido de forma “drástica, arbitrária,
cruel e desumana”, motivo pelo qual passou a apresentar um quadro
clínico de depressão, tendo que ser submetido a tratamento
médico com antidepressivos. Segundo o empregado, ele era conhecido
no ramo em que atuava, sendo considerado excelente funcionário.
Afirmou que foi demitido por questões políticas.
O trabalhador ajuizou reclamação
trabalhista em maio de 2000, pleiteando retificação de
sua carteira de trabalho com a data correta de seu ingresso no emprego,
horas extras, adicional noturno, adicional de insalubridade e indenização
por danos morais calculada em 100 vezes sua última remuneração.
A empresa, em contestação,
alegou que o pedido de retificação da carteira de trabalho
no período anterior a 1979 deveria ser formulado junto ao Ministério
da Agricultura. Com relação à demissão que
ensejou o pedido de indenização por danos morais, alegou
que “a presença conservadora e burocrática do empregado
era desnecessária e supérflua na estrutura da empresa,
pois era funcionário arredio a mudanças, à perda
de poder, estorvando a eficácia e eficiência operacional
da empresa”. Disse também que a Claspar passava por situação
financeira ruim e que optou pela dispensa do empregado porque ele tinha
tempo suficiente para requerer a aposentadoria integral e além
disso era proprietário rural com renda suficiente “para
levar uma vida saudável e normal”. Por fim, alegou que o
empregado passou por exame demissional, sendo considerado apto. Quanto
aos demais pedidos, disse que todas as obrigações trabalhistas
haviam sido quitadas na época da dispensa.
A sentença foi parcialmente
favorável ao empregado. A empresa foi condenada a pagar diferenças
salariais e reflexos, adicional noturno e diferença de quinqüênios.
Quanto aos danos morais o juiz entendeu que “a responsabilização
civil somente ocorre quando há desrespeito à intimidade,
vida privada, honra ou imagem do trabalhador de tal forma que ocasione
grave dano ao conceito social e à estabilidade psíquica
do atingido. Segundo a decisão, “a empresa não praticou
qualquer ato ilegal, mas somente exerceu o direito de romper o contrato
de trabalho”.
O empregado recorreu ao
Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (PR) reclamando
os danos morais, mas não obteve sucesso. Novo recurso foi interposto,
dessa vez ao TST, mas o agravo de instrumento não foi provido.
O ministro Ives Gandra destacou em seu voto que qualquer dispensa não
se faz sem traumas, mas a simples despedida não pode, no entanto,
ser responsabilizada por quadro depressivo que, no caso, não
decorreu da atividade laboral, conforme constatado pela prova pericial.
(AIRR – 11.627/2000-651-09-40.1).
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25/07/2007
Empregado que adquiriu doenças no
trabalho será reintegrado
A Primeira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho manteve decisão regional que determinou a
reintegração de empregado portador de doença ocupacional à empresa
paulista Mahle Indústria e Comércio Ltda. A empregadora
tentou reverter a decisão, alegando que o trabalhador não
adquiriu a doença na empresa, nem gozou de auxílio-doença,
sendo devida a garantia do emprego somente no caso de acidente de trabalho.
O relator do recurso no TST,
ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, ao manter a reintegração,
esclareceu que “são pressupostos para a concessão
da estabilidade o afastamento superior a quinze dias e a conseqüente
percepção do auxílio-doença acidentário,
salvo se constatada, após a despedida, doença profissional
que guarde relação de casualidade com a execução
do contrato de emprego (item II da Súmula 378 do TST)”,
o que ocorreu.
O empregado foi contratado como
auxiliar de produção, em 1987, pela Mahle Indústria
e Comércio, fabricante de pistões, bielas, sistemas de
válvulas, filtros automotivos, além de componentes de motores.
Trabalhava em turnos de 10 horas, com uma hora de intervalo. Contou que
o seu trabalho era desenvolvido em condições insalubres,
com fortes ruídos das máquinas, além da exposição à névoa
provocada pelo manuseio de óleos lubrificantes. Com o tempo, ele
começou a ouvir zumbidos que resultaram na perda auditiva, além
de apresentar ulcerações na pele, em razão do uso
do óleo.
Segundo o empregado, os protetores
de ouvido utilizados eram “plugs de espuma”, normalmente
encharcados pelos óleos, o que dificultava o seu manuseio pelas
mãos, também impregnadas de óleo, atingindo, ainda,
os ouvidos internos. Alegou dispensa arbitrária, e na Vara do
Trabalho de Mogi Guaçu (SP) pediu a sua reintegração
ao trabalho, com o pagamento de todos os salários, desde a dispensa.
A Mahle apresentou defesa, sob
o argumento de inconstitucionalidade da Lei 8.213/91, destacando que
a nova Constituição define como estáveis, dirigente
sindical, membro de CIPA e gestante, sem fazer referência aos acidentados.
Requereu perícia médica, alegando que o caso não é de
acidente de trabalho, além de não reconhecer a doença
profissional, pois pelo fornecimento de Equipamento de Proteção
Individual (EPI), considerou neutralizados os ruídos e o contato
dos óleos com a pele.
O juiz de primeiro grau acatou
o pedido do empregado, com base nos laudos médicos emitidos pelo
INSS e pela Universidade de Campinas (Unicamp). Os laudos constataram
a perda auditiva ocupacional e a dermatite de contato do empregado. A
sentença considerou nula a rescisão do contrato e concedeu
ao trabalhador 12 meses de garantia no emprego, a partir da alta médica,
o que corresponde ao fim do auxílio-doença. Considerou,
portanto, desnecessária a realização de nova perícia ”diante
do contexto probatório”.
A Mahle recorreu ao Tribunal
Regional do Trabalho da 2ª Região (SP), insistindo na negativa
da estabilidade por contrariedade à lei. Ressaltou que o empregado
gozava de saúde à época da dispensa, e que não
foi comprovado o afastamento previsto pelo auxílio-doença.
Apontou cerceamento de defesa por parte do juiz, que não autorizou
a realização de nova perícia.
O TRT/SP manteve a sentença
por entender que as provas foram suficientes para a comprovação
das duas doenças ocupacionais. “O autor faz jus à estabilidade
no emprego, eis que o perito concluiu que ele é portador de dermatite
de contato, cujo nexo causal reside na manipulação de óleo
mineral enquanto trabalhava para a empregadora”.
No TST, a Mahle insistiu na reforma
da decisão, mas não obteve sucesso. Segundo o ministro
Viera de Mello, “a interpretação isolada e literal
do artigo 118 da Lei nº 8.213/91 pode vir a comprometer o espírito
da Lei de dar proteção ao portador de doença profissional
e acidentado de trabalho”.
Quanto ao argumento de cerceamento
de defesa, o ministro disse que os artigos 765 da CLT, 130 e 131 do CPC
atribuem ampla liberdade na direção do processo, concedendo
ao juiz a livre apreciação das provas, podendo indeferir
as “diligências inúteis ou meramente protelatórias”,
concluiu. (RR- 638459/2000.5)
(Léa Paula)

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