Informativo Eletrônico n.º 524   -   Ano 04   -   Curitiba (PR), 28 de julho de 2007.


Agência Camara, 28 de julho de 2007

Projeto
Projeto permite deduzir do IR gastos com material escolar
Elton Bomfim

Fabio Souto argumenta que impacto da medida na receita do governo será pequeno.

A Câmara analisa o Projeto de Lei 393/07, do deputado Fábio Souto (DEM-BA), que altera a legislação do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para permitir a dedução de gastos em material escolar, livros didáticos e uniforme escolar.

Atualmente, as despesas com educação que podem ser deduzidas do IR são gastos com educação infantil, inclusive creches e pré-escolas; ensinos fundamental e médio; educação superior, inclusive cursos de especialização, mestrado e doutorado; e educação profissional. O limite atual para dedução dessas despesas é de R$ 2.373,84. A proposta não altera esse limite, apenas inclui novos itens entre aqueles passíveis de dedução no Imposto de Renda na área de educação.

O autor da proposta explica, por outro lado, que o impacto na renúncia de receita em razão da nova dedução será pequeno, pois a medida beneficiará especialmente as famílias com renda acima de R$ 3 mil. Muitas delas, segundo o deputado, têm despesas com educação que já atingem o limite de dedução, especialmente aquelas com renda superior a R$ 4 mil. Em razão disso, ele argumenta que o projeto é compatível com a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Tramitação

O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.



Agência Câmara, 28 de julho de 2007
Projeto
Projeto possibilita que jovens votem pela internet
A Câmara analisa o Projeto de Lei 311/07, do deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE), que permite a votação pela internet aos jovens de 16 a 18 anos - cujo voto é facultativo. O deputado lembra que a votação eletrônica no Brasil se destaca no cenário internacional. Segundo ele, o País precisa continuar aprimorando o processo eleitoral para permanecer na vanguarda. "O projeto tem a pretensão de iniciar o processo de votação pela rede mundial de computadores, ao prever essa possibilidade para o público que mais utiliza essa nova ferramenta digital", assinala.

De acordo com o projeto, o sítio oficial de votação pela internet terá recursos que permitam, por meio de assinatura digital, o registro de cada voto e a identificação do terminal de computador em que foi registrado. Isso deve garantir o anonimato do eleitor, como já ocorre com as urnas eletrônicas.

O terminal deverá ser autorizado para votação e, ao final da eleição, realizará a assinatura digital do arquivo de votos, com registro de horário. O objetivo é impedir a substituição de votos e a alteração dos termos de início e término da votação. A proposta determina ainda que o Tribunal Superior Eleitoral coloque à disposição dos eleitores terminais para treinamento.

Tramitação

O projeto será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de ir para votação do Plenário.



Agência Senado, 28 de julho de 2007
Projetos
Projeto de Zambiasi facilita financiamento da casa própria para população de baixa renda

Já está sendo analisado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), em decisão terminativa, projeto de lei (PLS 117/07) que proíbe os agentes financeiros de usar informações de instituições de proteção ao crédito para a concessão de financiamento aos pretendentes à aquisição de moradia pelo Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social (SNHIS). A determinação está prevista em projeto de lei do senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS), que tem por objetivo limitar as exigências das instituições financeiras na concessão de financiamentos habitacionais de interesse social.

Pela proposta, que altera a legislação referente ao SNHIS (Lei 11.124/05), as exigências a esses financiamentos passam a ficar restritas aos documentos de identificação civil, fiscal e eleitoral, além da comprovação de renda necessária, quando cabível. Segundo Zambiasi, todo o esforço do governo no sentido de facilitar a aquisição de moradia às famílias de baixa renda pode "frustrar-se diante dessas exigências descabidas, desnecessárias e danosas" dos agentes financeiros.

Para justificar seu projeto, o senador pelo Rio Grande do Sul explica que é exatamente a população de baixa renda, que enfrenta orçamentos pressionados pelos altos custos dos aluguéis, que mais tem restrições cadastrais em instituições de proteção ao crédito. Para ele, imposições como essa tornam mais difícil o acesso à casa própria e acabam por distanciar os programas habitacionais de seus propósitos.

"Procura-se evitar, com o projeto, que esse injustificado excesso de rigor constitua fator de afastamento de grande parte da população destinatária do Plano Nacional de Habitação de Interesse Social", justifica o senador.



Diário Vermelho, 28 de julho de 2007
Cepal: Brasil puxa para cima PIB latino-americano de 2007
A Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal) elevou a previsão de crescimento da região em 2007, de 4,7% para 5,0%, devido à expansão acima do previsto no Brasil. A comissão estima que o país, maior economia latino-americana, vá crescer 4,5% em 2007, e não os 3,5% previstos em dezembro do ano passado, nem os 3,8% antecipados em março pelo secretário-executivo do órgão, José Luiz Machinea.

Fonte: Cepal Os dados da Cepal sobre o PIB brasileiro tiveram um momento de grande exposição durante a campanha presidencial de 2006. Geraldo Alckmin, candidato presidencial da oposição (PSDB-PFL), usou como bordão de campanha a afirmação de que, segundo o organismo da ONU, o crescimento do PIB do Brasil em 2006 só superaria o do Haiti.

Machinea apresentou o Estudo Econômico da América Latina e Caribe 2006-2007 nesta quinta-feira (26) em Santiago do Chile, sede da Cepal. Ele apontou que a América Latina completará em 2008 seis anos consecutivos de desenvolvimento – a última recessão regional ocorreu em 2002.

Em 2007 a Cepal estima que o PIB (Produto Interno Bruto) da América do Sul crescerá 5,7%. No Caribe o crescimento será de 5,5%. Já área da América Central e México crescerá menos, 3,6%, puxada para baixo pelo desempenho mexicano, 3,2%.
" O panorama positivo em matéria de atividade econômica permitiu uma melhora no mercado de trabalho. Não só diminuiu a taxa regional de desemprego, de 9,1% em 2005 para 8,6% em 2006, mas também melhorou a qualidade dos postos de trabalho", diz o informe.

A inflação latino-americana ficou em 5,0% em 2006, contra 6,1% em 2005. "O Brasil experimentou a maior redução deste índice, de 5,7% para 3,0%", registra o estudo. "Outro aspecto positivo é a diminuição da vulnerabilidade dos países da região, graças a uma sensível redução da dívida externa, tanto em relação ao PIB (de 26% para 22%) como no confronto com as exportações regionais (de 101% para 84%)".

A Cepal conclui que "é possível manter um cauteloso otimismo para o futuro próximo, devido à evolução mostrada pela economia internacional e à relativa força mostrada pelas economias da região". No entanto, registra "preocupação" com o recente aumento da volatilidade dos mercados financeiros internacionais.

Fundada em 1948, como órgão auxiliar das Nações Unidas, a Cepal reuniu grandes nomes do pensamento desenvolvimentista latino-americano, pregando a industrialização e combatendo a dependência da região face à economia dos Estados Unidos. O brasileiro Celso Furtado (1920-2004) foi um dos seus ideólogos e coordenadores.

STF, 28 de julho de 2007
CNI questiona constitucionalidade de normas sobre acidente de trabalho
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) contesta no Supremo Tribunal Federal a atual redação do artigo 21-A da lei que define os planos de benefício da Previdência Social (Lei 8.213/91). O dispositivo questionado trata da caracterização do acidente de trabalho por parte da perícia do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A CNI ajuizou Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 3931, com pedido de liminar, para suspender o dispositivo da lei, por considerar que ele afronta os artigos 201; 7º XXVIII e 5º inciso XIII da Constituição Federal.

Segundo a CNI, ao impor à perícia médica o dever de reconhecer a relação entre a doença adqurida e o trabalho realizado, com base em estudo epidemiológico, o dispositivo questionado afronta “a liberdade profissional do médico, assegurada pelo artigo 5º, inciso XIII. Informa ainda, que o artigo 201 da Constituição Federal garante que as aposentadorias especiais por acidente de trabalho somente podem ser concedidas nos casos de atividades exercidas sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou integridade física do trabalhador.

Com base nesse dispositivo constitucional, a entidade afirma que para efeitos de concessão de aposentadoria especial, deve-se levar em conta o vínculo entre a atividade do trabalhador e a “entidade mórbida motivadora da incapacidade” e não entre o trabalhador e a atividade desenvolvida pela empresa.

Ao pedir a concessão de liminar, a CNI evoca o perigo de demora para a decisão, pelo fato de “alguns empregados se tornarem portadores de determinadas enfermidades, não necessariamente contraídas em local de trabalho, que passarão a ser consideradas como de natureza acidentária”. Isso, segundo a entidade, onera as empresas no custeio do seguro acidentário e sujeita as mesmas a respeitarem a estabilidade provisória por um ano.


Agência Brasil, 28 de julho de 2007
Falta de informações é responsável por mortes e acidentes de trabalho, revela OIT

Irene Lôbo e Juliana Andrade
Repórteres da Agência Brasil

Brasília - A falta de informações sobre os riscos ocupacionais é responsável pela morte de milhares de pessoas por ano na América Latina e no Caribe. A constatação é da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que estima entre 27 mil e 68 mil o número de pessoas que morrem nesses locais devido a acidentes de trabalho. E entre 20 e 80 milhões sofrem lesões ou doenças causadas por exposição a riscos no ambiente de trabalho.

No Brasil, de acordo com Anuário Estatístico da Previdência Social, ocorreram 2,7 mil mortes por acidentes de trabalho em 2005, e 491 mil trabalhadores sofreram lesões ou tiveram doenças por motivos ocupacionais.

Muitas dessas mortes e acidentes poderiam ser evitadas se os trabalhadores tivessem conhecimento das chamadas Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que estabelecem parâmetros para adaptar as condições de trabalho aos trabalhadores, de modo a proporcionar conforto e segurança.

De acordo com o diretor do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Rinaldo Marinho, há no Brasil 33 normas que complementam a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) nas questões de prevenção de acidentes e doenças. A fiscalização dessas normas regulamentadoras (NR), segundo Marinho, é feita atualmente por cerca de três mil auditores fiscais do trabalho espalhados pelos país.

“Quando o auditor verifica que existe uma infração a essas normas regulamentadoras na empresa ele pode conceder um prazo para que a empresa se regularize, pode lavrar um auto de infração, ou propor a interdição daquele estabelecimento. Se houver uma condição de grave e iminente risco à integridade física do trabalhador, ele pode fazer a proposta para o delegado regional do trabalho e parar as atividades do estabelecimento”, explica.

Uma exemplo é a NR 17, que trata da ergonomia (do Grego: Ergon=trabalho + nomos=normas, regras, leis) nos ambientes de trabalho, ou seja, regras que permitam que as condições físicas no ambiente de trabalho não prejudiquem a saúde dos trabalhadores. A NR 17 tem dois anexos, um voltado para os operadores de checkout, que são os que trabalham em supermercados e no comércio atacadista, e outro voltado para os trabalhadores de tele-atendimento ou telemarketing.

“Um caso bem claro é o do caixa de supermercado. Às vezes existe o assento, mas a posição em que ele tem que trabalhar em razão da forma como foi projetado o mobiliário ele não tem como utilizar esse assento, fica de pé e isso pode causar alguns problemas à saúde desse trabalhador”, afirma o diretor do Ministério do Trabalho.

Além dos fiscais do trabalho, há ainda o trabalho das Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (Cipas), que são grupos de trabalhadores que têm o objetivo de sugerir medidas para a prevenção de acidentes e doenças nas empresas. A legislação trabalhista estabelece que, a partir de 20 trabalhadores, a empresas com riscos maiores são obrigadas a ter uma Cipa. Em empresas onde o risco é menor, a obrigação surge a partir de 50 trabalhadores.

“As empresas constituem a comissão. O problema que a gente encontra mais é quando a empresa não dá à Cipa os instrumentos que a comissão necessita para resolver o seu trabalho, não permite a liberação de um trabalhador para participar da reunião, ou não atende às sugestões da Cipa”, explica Marinho.

No Brasil, os acidentes de trabalho mais comuns são os relacionados a ferimentos e lesões ligadas ao punho e à mão. Juntos, eles representaram, em 2005, um terço do total de acidentes registrados. Em primeiro lugar estão os ferimentos do punho e da mão, com 68.034 casos, ou 13,8% do total. Em segundo lugar, foram mais comuns as fraturas ao nível do punho e da mão, com 33.865 registros, ou 6,9% do total. E em terceiro lugar está o traumatismo superficial do punho e da mão, com 27.252 acidentes representando 5,5% do total. Os dados são do Anuário Estatístico da Previdência Social 2005.

“Também há problemas de perda de audição, de doenças de cordas vocais e laringe, de dermatites, contaminações químicas, a questão do estresse, episódios depressivos também e é bom recordar aqui que estão acontecendo também em países do Primeiro Mundo muitos suicídios, até em função da pressão, da questão depressiva, da pressão do trabalho intensivo, isso também começa a se repercutir hoje no Brasil também”, complementa o presidente da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), Remígio Todeschini.



O Estado do Paraná, 28 de julho de 2007
Economia
Empresas têm dois dias para aderir ao novo modelo rescisório do FGTS
As empresas brasileiras têm apenas mais dois dias úteis para se enquadrarem no novo modelo rescisório do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). A partir do dia 01 de agosto o recolhimento do benefício será realizado somente eletronicamente, por meio da Guia de Recolhimento Rescisório do FGTS (GRRF), já disponível no site do banco, www.caixa.gov.br

A nova sistemática dispõe de recursos tecnológicos avançados, que buscam eliminar a necessidade de manuseio dos dados e evitar qualquer inconsistência nos cálculos efetuados pelas empresas. O objetivo é diminuir custos e trabalho para as empresas e aumentar a rapidez do recebimento dos valores correspondentes pelo trabalhador, que passa a receber o benefício em até quatro dias úteis.

O aplicativo da GRRF permite às empresas solicitar o saldo rescisório do FGTS, calculando os valores a serem recolhidos (eliminando diferença no recolhimento), gerando um único documento para a quitação, podendo existir um ou mais trabalhadores por arquivo, mesmo com diferentes datas de afastamento, dentre outras funcionalidades.

Mensalmente cerca de 900 mil trabalhadores são beneficiados com o crédito de recolhimento rescisório efetuado por suas empresas. Do total pago por mês, aproximadamente 70% já está sendo realizado com a utilização da GRRF.

Como funciona

O novo modelo rescisório consiste em um aplicativo, onde a inclusão dos dados pode ocorrer por meio de digitação ou por carga de arquivo gerado na folha de pagamento. Após a transmissão do arquivo rescisório pelo Conectividade Social, será gerada a GRRF para impressão e quitação nos bancos conveniados ou canais alternativos de atendimento (Internet Banking, Auto-Atendimento ou Lotéricos), de acordo com a disponibilização do serviço pelas instituições.

A comunicação de movimentação dos trabalhadores constantes do arquivo rescisório ocorre com o processamento dos dados pelas rotinas do FGTS.

O modelo novo foi divulgado pela Circular Caixa n° 401/2007 (de 06/02/2007) e substituirá a Guia de Recolhimento Rescisório do FGTS e Contribuição Social (GRFC). As empresas que ainda não utilizam o aplicativo GRRF devem capturá-lo no site da Caixa, no endereço www.caixa.gov.br/download , opção FGTS / GRRF - Aplicativo e Arquivos. As empresas que geram o arquivo com as informações dos trabalhadores do seu sistema de folha de pagamento devem verificar a necessidade de adequação ao Layout de Folha de Pagamento da GRRF disponível no mesmo endereço.

Para esclarecimento de dúvidas, os empregadores devem entrar em contato com a Central de Atendimento da CAIXA pelo telefone 0800 726 01 04.

Treinamento

Desde 2005, a Caixa vem orientando as empresas quanto à correta utilização do aplicativo cliente da GRRF, por meio de treinamentos e palestras realizados pelas Filiais do FGTS, com a entrega de material técnico para análise pelos interessados, culminando na exclusividade de sua utilização com o objetivo de trazer comodidade, agilidade e segurança ao processo de arrecadação rescisória do FGTS.



O Estado do Paraná, 28 de julho de 2007
Economia
Emprego em Curitiba tem o melhor semestre em dez anos
AN Curitiba


Curitiba teve no primeiro semestre de 2007 o melhor desempenho da última década na criação de empregos com carteira assinada. Foram abertas 15.233 vagas de janeiro a junho, um crescimento de 12% em relação ao mesmo período do ano passado. Com as novas vagas, o setor de emprego formal na cidade chega a 552 mil postos de trabalho.

"Este recorde tem reflexos muito positivos para a cidade. Significam melhores condições de vida para a população, maior desenvolvimento e diminuição na desigualdade social", disse o prefeito Beto Richa ao receber o relatório semestral do emprego em Curitiba, da Secretaria Municipal do Trabalho.

O estudo foi apresentado pelo secretário municipal do Trabalho, Manasses Oliveira, que destacou o histórico dos primeiros semestres, no período entre 1997 a 2007. "São dois movimentos distintos: de 1997 a 2003 houve uma oscilação no saldo de vagas. Depois de 2004, durante a gestão do prefeito Beto Richa, registrou-se um forte e crescente movimento dos empregos, até chegar ao recorde registrado nestes seis primeiros meses do ano", diz Manasses.

A variação no número de postos de trabalhos criados - de 1997, com 453.141 trabalhadores, até o primeiro semestre deste ano, com 552.421 empregos - foi de aproximadamente 22%.

Saldo de vagas

O setor que mais empregou foi o de serviços, com 7.064 novas vagas. Em seguida, vem o comércio, que registrou saldo de 3.464 novas vagas. A indústria de transformação teve 2.515 novos trabalhadores, enquanto a construção civil registrou a abertura de 1.953 vagas.

A construção civil foi o setor que registrou maior crescimento. A variação em relação à abertura de vagas foi de 9,96%. Obras da Prefeitura de Curitiba, como a construção e reforma de escolas, creches, unidades de saúde e especialmente as intervenções na BR116, para a criação da Linha Verde - que unirá a cidade no trecho urbano da antiga rodovia -, foram responsáveis pelo aumento de contratações.

As obras no primeiro trecho da Linha Verde criarão no mínimo 2.300 empregos durante os 15 meses previstos para a conclusão dos serviços. Somente para cumprir a primeira fase de obras, do Pinheirinho até as imediações do viaduto da BR 277, no bairro Jardim Botânico, foram necessários 550 trabalhadores. Foram criados também 1.750 empregos indiretos.

Outros setores que registraram crescimento: indústria de transformação, com 2,95% de variação e saldo entre admitidos e demitidos de 2.515 vagas, e do comércio, que apresentou um saldo de 3.464 vagas, uma variação de 2,90%. O único setor que diminuiu o número de contratações foi a Administração Pública que teve saldo negativo de 30 vagas.



O Estado do Paraná, 28 de julho de 2007
Política
Oposição vê disputa interna para indicação à sucessão de Lula para 2010
Agência Estado


A oposição já acredita que a crise aérea está abrindo uma disputa interna no governo pela indicação para a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), avalia que é possível que o novo ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o ministro da Justiça, Tarso Genro, procurem ocupar espaços nas ações para tentar resolver a crise e se credenciar para receber o aval do próprio Lula para sucedê-lo.

Maia acha que o primeiro sinal dessa disputa pode ter ocorrido na última quinta-feira, quando Jobim tomou posse no novo cargo. No mesmo dia em que ele assumiu a vaga aberta pela demissão de Waldir Pires, Tarso decidiu mandar a Polícia Federal investigar os aeroportos. Esse tipo de ação deveria ser tomada pela Anac. A decisão foi tomada só dez meses depois de começar o caos aéreo.

“Na medida em que o ministro Jobim é nomeado com plenos poderes e grande alarde do governo, é natural que o outro ministro, que sonha com presidência, reaja e procure ocupar espaços também. O que não pode é que isso aconteça de forma que haja prejuízo à população com a adoção de medidas erradas”, diz Rodrigo Maia.

Jobim e Tarso são políticos importantes no cenário gaúcho. Tarso se tornou um ministro muito próximo de Lula, especialmente depois da crise provocada pelo escândalo do mensalão, que derrubou a cúpula do PT e causou a saída do governo do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, principal articulador político do presidente.

Na ocasião, Tarso recebeu a tarefa de assumir interinamente o PT para rearrumar a casa. Foi o primeiro ministro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e depois assumiu o Ministério da Educação. Depois de sair do comando do PT, assumiu o Ministério de Relações Institucionais e agora comanda o Ministério da Justiça.

Já o nome de Jobim surge no contexto da coalizão entre PT e PMDB. Ex-ministro da Justiça no governo de Fernando Henrique Cardoso, Jobim começou a ser citado como nome possível para formar a chapa presidencial como vice na campanha da reeleição. Nos últimos meses, Lula não esconde dos aliados próximos que não teria problema em apoiar um nome do PMDB para sucedê-lo dentro da coalizão. Jobim e Tarso negam pretensões à sucessão de Lula. Provocado sobre o assunto durante sua posse, o novo ministro da Defesa fugiu da pergunta dizendo que sua mulher, Adrienne Senna, não deixaria.

As informações são de O Estado de S. Paulo



Folha de São Paulo, 28 de julho de 2007
No Nordeste, Lula promete "surra" na oposição em 2010
Em discursos ambíguos, presidente reclama de "pequenez", mas elogia classe política

Frankie Marcone /Futura Press

Lula durante o lançamento do PAC do saneamento, em Natal

LETÍCIA SANDER
ENVIADA ESPECIAL A TERESINA

KAMILA FERNANDES
DA AGÊNCIA FOLHA, EM NATAL

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou ontem em Teresina (PI) a viagem a quatro Estados do Nordeste para lançar obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) dizendo ter dado "uma surra" em seus adversários nos últimos quatro anos e meio. Ainda provocou: "Eles vão ver agora". " Se nós já demos uma surra nos nossos adversários pelo que fizemos em quatro anos e meio, quando a gente não tinha tanta experiência, eles vão ver agora, nesses próximos quatro anos, o que a gente vai fazer neste país", afirmou. Lula já garantiu inúmeras vezes que não será candidato em 2010. Ontem voltou a dizer que se sente aliviado por não disputar.

Após dois dias de constrangimentos por ter sido alvo de protestos e vaias localizadas em Aracaju (SE) e Natal (RN) na região do país em que sempre foi melhor avaliado, Lula ouviu só aplausos em Teresina. " Eu acho que vaia e aplauso fazem parte da democracia. As pessoas têm o sagrado direito de se manifestar. A unanimidade é sempre burra. Entendo que exista por parte de alguns o interesse de falar que o presidente foi vaiado. O presidente teve, e todos tivemos, protestos de alguns; agora tivemos o aplauso de milhares", disse a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), que acompanhava Lula.

O presidente foi ambíguo ao se referir à classe política e aos adversários e oscilou entre elogios ao Sudeste e a críticas aos que não querem o desenvolvimento do Nordeste. Em Natal, Lula reclamou da "pequenez política" refletida em críticas que recebe da oposição. Porém, em seguida, elogiou os políticos brasileiros e afirmou que a "classe política" está "cada vez mais civilizada". "À s vezes um cidadão de oposição acha ruim quando o governo federal traz obra para uma cidade ou Estado que é [administrado por] adversário dele. [...] Ora, governar o país não é fazer dessa imensa pátria uma república como se fosse um clube de amigos", afirmou.

Em Teresina, antes de provocar seus adversários, disse que não faz distinção entre um governador "porque é do PT ou do PFL". Chamou de má-fé uma reportagem publicada pela Folha, mostrando que, em SP, o governo privilegiou prefeituras do PT na partilha dos recursos do PAC. "O prefeito da capital é do PFL [DEM], o governador, é do PSDB, e o PAC de SP são quase R$ 8 bilhões", afirmou.

O presidente, que uma vez mencionou que, dos deputados, "pelo menos 300 são picaretas", ontem elogiou o Congresso. Disse que tanto a Câmara como o Senado foram ágeis ao votar o PAC: "Não adianta um senador dizer "eu não gosto do Lula". [...] Ele que pegue a tribuna e me xingue o quanto quiser, até cair a língua, não tem problema. [...] Agora, na hora em que ele tiver que votar, ele tem que ver o seguinte: esse projeto vai beneficiar o presidente ou o povo brasileiro?".

Água Perrier

Em Natal, Lula reiterou que vai concretizar o projeto da transposição do rio São Francisco. Disse que d. Pedro 2º (1825-1891) "tentou fazer a obra em 1847". "Eu, que não sou imperador, não sou príncipe, sou apenas um retirante nordestino que virei presidente, que conhece a realidade do Nordeste, vou fazer."

Segundo Lula, só pode ser contra levar desenvolvimento para o Nordeste "quem tem água Perrier na geladeira". "Só é contra quem não sabe o que é pegar um pote d'água cheio de barro, de merda de animal, de caramujo, levar para dentro de casa, colocar para assentar e ficar tomando aquela água barrenta cheia de caramujo para pegar doença, para apodrecer os dentes, pegar verminose."

Uma claque aplaudiu e cantou para Lula e políticos que participaram do evento em Natal. Manifestações e vaias não chegaram a ser vistas, pois foram barradas do lado de fora.

A organização do evento estima que estavam no Centro de Convenções de Natal cerca de 2.000 pessoas. Cerca de 200 manifestantes não puderam entrar, mas bradavam, do lado de fora, contra Lula, o caos aéreo e a corrupção. Eram funcionários do Incra, do Ibama, além de militantes do PSTU.