Informativo Eletrônico n.º 536   -   Ano 04   -   Curitiba (PR), 05 de agosto de 2007.


Agência Senado, 05 de agosto de 2007

Projetos
Proposta de Raimundo Colombo permite pagamento de mensalidade de faculdades com recursos do FGTS

Projeto de lei do Senado (PLS 208/07) de autoria do senador Raimundo Colombo (DEM-SC) permite a utilização de recursos da conta vinculada do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para o pagamento da matrícula e das mensalidades de cursos em instituições de ensino superior, tanto do titular da conta como de seus dependentes. A proposta espera a definição de um relator na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), e depois será enviada à Comissão de Educação (CE), que deverá apreciá-la em decisão terminativa.

O projeto de lei acrescenta inciso ao artigo 20 da Lei nº 8.036/90, que já permite o uso de recursos do FGTS para 16 outros casos, como financiamento imobiliário e para tratamento da Aids e câncer, por exemplo.

Na justificativa do projeto, Raimundo Colombo argumenta que o pagamento de mensalidades com o FGTS vai representar "uma alternativa válida e eficaz para melhorar a empregabilidade dos trabalhadores e seus dependentes, reduzir a evasão universitária", além de colaborar para a "estabilidade econômica e auto-estima do estudante".

O senador não concorda que o trabalhador, possuindo recursos depositados no FGTS, enfrente dificuldades para pagar as despesas educacionais suas e de dependentes.


Agência Senado, 05 de agosto de 2007
Mercosul
Movimentos sociais poderão participar de debates no Parlamento

Com o objetivo de ampliar a participação popular no Parlamento do Mercosul, o relator do Regimento Interno da nova Casa Legislativa, deputado Dr. Rosinha (PT-PR), admitiu no texto a possibilidade de movimentos sociais, e não somente instituições "legalizadas", se fazerem presentes.

- Se não, fica naquilo: qual o CGC? Está inscrito na Receita? - exemplificou. Procurei garantir que quem está informalmente organizado tenha participação também.

A presença da sociedade civil na discussão de questões vinculadas ao desenvolvimento do processo de integração e a obrigatoriedade de divulgação, pela Internet, do orçamento e das despesas do Parlamento do Mercosul, previstos no projeto de Regimento Interno, foram destacados pelo relator como pontos importantes do texto.

Sobre a possibilidade de constituição de grupos políticos, também prevista na proposta de Regimento, Dr. Rosinha disse que ela poderá se concretizar assim que o texto for aprovado. Lembrando que os grupos serão formados a partir da vontade de cada parlamentar, por identificação de posições, o deputado disse imaginar que haveráum grupo de centro, um da social-democracia, um dos socialistas.

- Vai evoluir por aí - previu.

Dr. Rosinha, que é também vice-presidente pelo Brasil do Parlamento do Mercosul, esclareceu que o número de comissões permanentes que serão criadas foi fixado em dez, pela proposta de Regimento Interno, porque, como se espera um texto duradouro e a nova Casa legislativa terá um número maior de membros, já se teria um desenho para o futuro. O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) chegou a propor a redução desse número para cinco, "nessa etapa preliminar de implantação do Parlamento", sob o argumento de que, como o número de parlamentares do Mercosul hoje é de 72, se fossem constituídas dez comissões, o quórum das deliberações nesses órgãos técnicos seria de quatro parlamentares.

O relator contou que tentou defender a possibilidade de revisão do Regimento Interno do Parlamento do Mercosul dentro de um ano, acolhendo proposta do deputado Germano Bonow (DEM-RS), para que, a partir da experiência, fossem feitas as transformações possíveis e necessárias. Mas a sugestão não foi aceita pelo grupo que examinou a matéria.

Culturas diferentes

A maior dificuldade na construção do Regimento Interno do Parlamento do Mercosul surgiu do fato de as culturas legislativas serem diferentes nos países que compõem a nova Casa Legislativa, conforme avaliação do relator.

- São quatro países, cada um com sua cultura política, do dia-a-dia do Parlamento. Três países se aproximam um pouco pela língua espanhola, mas não têm a mesma cultura, e depois vem o Brasil, com a língua portuguesa. Como construir o Regimento Interno respeitando essas culturas? - questionou.

O deputado relatou que, no processo de elaboração do projeto de Regimento Interno, uma das dificuldades foi o fato de alguns parlamentares quererem colocar no texto regras dos Parlamentos do países a que pertencem. Dr. Rosinha contou também que, na sua atuação como relator, defendeu que o texto não fosse detalhista, mas, sim, o mais simples possível.

- Mas ficamos presos a algumas restrições contidas no Protocolo Constitutivo do Parlamento do Mercosul - revelou.

Com a tarefa de elaboração da proposta já tendo sido concluída, o deputado espera que o Regimento Interno seja votado na quarta sessão ordinária do Parlamento do Mercosul, que terá início na segunda-feira (6).


Agência Câmara, 05 de agosto de 2007
Projeto
Limite para rito sumaríssimo pode subir a 60 mínimos
Sônia Baiocchi

Bel Mesquita:

aumento do teto ampliará número de beneficiados, principalmente trabalhadores de baixa renda.


O Projeto de Lei 534/07, da deputada Bel Mesquita (PMDB-PA), amplia para 60 salários mínimos (R$ 22.800) o valor do teto das causas trabalhistas que podem ser submetidas ao procedimento sumaríssimo. Atualmente, esse tipo de rito processual abrange as causas até 40 salários mínimos (R$ 15.200). O projeto altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Para a deputada Bel Mesquita, o aumento do limite máximo ampliará o número de beneficiados pelo rito sumaríssimo, principalmente os trabalhadores de baixa renda, cujas demandas judiciais situam-se nessa faixa. Ela ressaltou também que a medida tem apoio do ex-presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST) ministro Vantuil Abdala, que incluiu o aumento do limite entre as propostas para acelerar o trâmite de processos na justiça trabalhista.

Rito

O procedimento sumaríssimo foi incluído na CLT pela Lei 9957/00, como forma de agilizar a tramitação de ações menos complexas na Justiça do Trabalho. Esse rito abrange somente as ações (ou dissídios) individuais, cujo valor cobrado alcance até 40 mínimos e em que constem os dados da parte cobrada (réu). Depois que a ação é interposta, o juiz é obrigado a proferir a sentença em apenas 15 dias.

Ainda de acordo com a CLT, o rito sumaríssimo só é usado nas ações contra pessoas ou empresas privadas e o valor exigido tem que ser previamente determinado pela parte responsável pela ação. Segundo a deputada Bel Mesquita, esse procedimento responde por 40% das ações trabalhistas, sendo que 60% delas são resolvidas por acordo intermediado pelo juiz.

Tramitação

O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado agora pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.


Congresso em Foco, 05 de agosto de 2007
A inabalável popularidade presidencial
Pesquisa Datafolha revela que, mesmo após o maior desastre da aviação brasileira, a popularidade do presidente Lula continua elevada

Datafolha: 48% dos brasileiros aprovam Lula


Pesquisa Datafolha realizada entre os dias 1 e 2 de agosto revela que 48% dos brasileiros acham que o governo do presidente Lula continua ótimo ou bom.

O levantamento foi realizado duas semanas após a maior tragédia da aviação brasileira. No dia 17 de julho, um Airbus da TAM se chocou contra um terminal de cargas da empresa no aeroporto de Congonhas (SP), matando 199 pessoas.

Conforme afirma Fernando Canzian, do jornal Folha de S. Paulo, o percentual de aprovação do governo “é idêntico ao registrado em março e praticamente igual ao que Lula tinha no início de outubro de 2006 (49%)”, período imediatamente posterior ao acidente da Gol com o jato Legacy, que matou 154 pessoas em 29 de setembro passado.

De março desta até agora, entre 14% e 15% dos brasileiros consideravam o governo ruim/péssimo. Em outubro passado, este número era de 17%.

“Entre as explicações para a não-alteração da popularidade do presidente no período estão o fato de que a grande maioria dos brasileiros é pobre (59,5% têm renda familiar mensal de só até três salários mínimos por mês, ou R$ 1.050) e a constatação de que apenas uma minoria viaja de avião (8%).”

Dentre os 8% da população que costuma andar de avião, o percentual dos que aprovam é de 29%, 19 pontos inferior à media nacional. E os que classificam o governo como ruim ou péssimo chegam a 30%, o que representa dobro da média nacional (15%).

A avaliação positiva de Lula caiu desde março deste ano entre os que têm renda familiar mensal acima de dez salários mínimos. Contudo, entre os que ganham até cinco mínimos, a aprovação cresceu dois pontos (dentro da margem de erro da pesquisa).

Entre os que possuem nível superior, o percentual dos que consideram o governo regular caiu de 42% para 34%. Por sua vez, o índice dos que classificam o governo como ruim ou péssimo subiu de 24% para 29%.

O Datafolha ouviu 2.095 pessoas em 211 municípios do país. (Rodolfo Torres)


Agência Brasil, 05 de agosto de 2007
Dieese sugere novo período de valorização do salário mínimo
O governo deveria aguardar o final de vigência da política de reajuste para o salário mínimo, estabelecida para o período 2008/2011, e preparar um novo período de maior valorização, "porque ele ainda não atende – e não vai atender até 2011 – o previsto na Constituição”.

A opinião é de Frederico Melo, economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) de Minas Gerais e especialista no tema. Em entrevista, ele descartou a possibilidade de congelamento do valor real do salário mínimo nos próximos dez anos, em função do aumento real acumulado desde 1994, estimado em 104,3% até 2007, considerando uma inflação no ano de 3,3%.

Essa proposta é formulada pelos pesquisadores Fábio Giambiagi e Samuel Franco, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em trabalho divulgado na última semana.

Frederico Melo lembrou que a política para o salário mínimo começou a vigorar neste ano, com mecanismos de reajuste previstos: "Até então, as negociações eram feitas a cada ano, sem uma regra pré-definida". E considerou prematuro avaliar o impacto dessa política.

“ Eu acredito que o mais apropriado seria pensar em construir para um período posterior a 2011 políticas que garantissem a continuidade da elevação do salário mínimo, porque na verdade ele ainda é insuficiente para atender o preceito constitucional que determina que o seu valor deve fazer frente a todos os gastos de uma família com alimentação, saúde, educação, habitação”, afirmou.

Sobre o estudo de Giambiagi e Franco, disse entender que os dois teriam praticamente estabelecido uma diferença entre os miseráveis e os pobres, sugerindo que o salário mínimo não atinge os miseráveis, embora admitisse que um segmento da população não recebe nem mesmo o mínimo. “Mas isso não pode fazer a gente pensar que quem recebe o salário mínimo não é pobre, que é o que parece que eles pensam”, avaliou.

Para o economista do Dieese, ao estabelecer uma “falsa disputa entre o pobre e o miserável, as conseqüências de outras políticas do governo que beneficiam os ricos, como por exemplo a questão das taxas de juros, acabam esquecidas”.

Procurado, o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não poderia repercutir o estudo do Ipea, pois não estava acompanhando o assunto. Também o Ministério da Fazenda preferiu não se pronunciar sobre o artigo dos pesquisadores.

Agência Brasil


Agência Brasil, 05 de agosto de 2007
Pesquisadores do Ipea sugerem congelamento do valor real do salário mínimo a partir de 2012

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - Um estudo divulgado nesta semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sugere ao governo o congelamento, por dez anos a partir de 2012, do valor real do salário mínimo. Nesse ano terminará a vigência da política de reajuste do mínimo pelo equivalente ao crescimento defasado do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma das riquezas do país.

O estudo, assinado pelos economistas Fábio Giambiagi e Samuel Franco, conclui que o aumento do mínimo não é o melhor elemento para combater a pobreza extrema no país, em razão de algumas variáveis. E cita que o crescimento acumulado de 94,4% do salário mínimo desde o Plano Real, em 1994, corrigido pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), teve como contrapartida a elevação das despesas previdenciárias e a redução do rendimento médio real do trabalhador no mesmo período.

Segundo Giambiagi, esse rendimento começou a se recuperar recentemente. Se a inflação este ano for de 3,3%, ele advertiu que o crescimento acumulado do salário mínimo desde 1994 chegará a 104,3%. Os recursos destinados ao mínimo poderiam, então, ser direcionados para outras prioridades do governo, como projetos de infra-estrutura e programas sociais, entre os quais o Bolsa Família, recomenda. “As prioridades do governo em 2011 vão determinar o que é melhor”, acrescentou.

Na avaliação do pesquisador, “quando se aumenta o salário mínimo, consegue-se muito pouco hoje para o combate à pobreza – quando o salário mínimo valia a metade do que vale hoje, logicamente o impacto era maior”. Giambiagi afirmou que o salário mínimo acabou sendo, “de alguma forma”, vítima do próprio sucesso da política do governo, porque quando ele aumenta muito, a eficácia para combater a pobreza extrema é bem reduzida, uma vez que grande parte das pessoas no Brasil ganha menos que o mínimo.

O congelamento proposto pressupõe que a inflação se mantenha estável e que “todos os anos haja um aumento pela inflação, como ocorre no resto do mundo: os aposentados ganham a inflação, para acompanhar o custo de vida". O aumento pela inflação, disse, funcionaria como uma proteção do indivíduo. Segundo Giambiagi, os aposentados são uma das poucas categorias protegidas da inflação, “porque quando há inflação, o seu salário não é protegido, o meu também não, mas o dos aposentados, sim".

Ele acrescentou: “Se houver uma desvinculação entre o piso previdenciário e o salário mínimo, este poderá aumentar, mas não o piso previdenciário. Se não houver desvinculação, aí não seria (aumento) para ninguém”. Mas esclareceu que em nenhum momento o estudo propõe redução do salário de quem quer que seja – o que não elevaria o atual nível de pobreza no país.


Diário Vermelho, 05 de agosto de 2007
A ''flexisegurança'' nas relações trabalhistas
Vivemos um tempo em que a estabilidade da economia só é possível à custa da instabilidade dos trabalhadores, em que a sustentabilidade das políticas sociais exige a vulnerabilidade crescente dos cidadãos em caso de acidente, doença ou desemprego. Esta discrepância entre as necessidades do ''sistema'' e a vida das pessoas nunca foi tão disfarçada por conceitos que ora desprezam o que os cidadãos sempre prezaram ou ora prezam o que a grande maioria dos cidadãos não tem condições de prezar. Entre os primeiros, cito emprego estável, pensão segura e assistência médica gratuita.

Por Boaventura de Sousa Santos,* na revista portuguesa Visão

De repente, o que antes era prezado é agora demonizado: a estabilidade no emprego torna-se rigidez das relações laborais; as pensões transformam-se na metáfora da falência do Estado; o serviço nacional de saúde deixa de ser um benefício justo para ser um custo insuportável.

Entre os conceitos agora prezados, menciono o da autonomia individual. Este conceito, promovido em abstrato para poder surtir os efeitos desejados pelo ''sistema'', esconde, de fato, dois contextos muito distintos: os cidadãos para quem a autonomia individual é uma condição de florescimento pessoal, a busca incessante de novas realizações pessoais; e os cidadãos para quem a autonomia individual é um fardo insuportável, que os deixa totalmente vulneráveis perante a adversidade do desemprego ou da doença, e que, em casos extremos, lhes dá opção de escolher entre os contentores do lixo do bairro rico ou pedir esmola nas portas do metro.

No domínio das relações laborais está emergindo uma variante de conceito de autonomia. Chama-se flexigurança. Trata-se de aplicar entre nós [em Portugal] um modelo que tem sido adoptado com êxito num dos países com maior proteção social da Europa, a Dinamarca.

Em teoria, trata-se de conferir mais flexibilidade às relações laborais sem pôr em causa a segurança do emprego e do rendimento dos trabalhadores. Na prática, vai aumentar a precarização dos contratos de trabalho num dos países na Europa onde, na prática, é já mais fácil despedir.

Não vai haver segurança de rendimentos, porque, enquanto o Estado providência da Dinamarca é um dos mais fortes da Europa, o nosso é o mais fraco; porque o subsídio de desemprego é baixo e termina antes que o novo emprego surja; porque o caráter semiperiférico da nossa economia e o pouco investimento em ciência e tecnologia vai levar a que as mudanças de emprego sejam, em geral, para piores, não para melhores, empregos; porque a percentagem dos trabalhadores portugueses que, apesar de trabalharem, estão abaixo do nível de pobreza, é já a mais alta da Europa; porque o fator de maior vulnerabilidade na vida dos trabalhadores, a doença, está a aumentar através da política de destruição do serviço nacional de saúde levada a cabo pelo Ministro da Saúde; porque os empresários portugueses sabem que dos acordos de concertação social só são ''obrigados'' a cumprir as cláusulas que lhes são favoráveis, deixando incumpridas todas as restantes com a cumplicidade do Estado.

Enfim, com a flexigurança que, de fato, é uma flexinsegurança, os trabalhadores portugueses estarão, em teoria, muito próximos dos trabalhadores dinamarqueses e, na prática, muito próximos dos trabalhadores indianos.

* Sociólogo, professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Portugal


Diário Vermelho, 05 de agosto de 2007
Campanha pela reestatização da Vale ganha novo fôlego
A Campanha Nacional pela Vale do Rio Doce divulgou o jornal preparado para informar e orientar as ações referentes ao plebiscito sobre a privatização da companhia. No material, encontram-se as informações sobre a empresa e seu processo de privatização com perguntas e respostas, respaldadas pela participação de integrantes de organizações e movimentos sociais.

Algumas dicas abordando temas concernentes ao processo de votação, de 1° a 7 de setembro, também estão disponíveis, tais como as características do local, da urna, dos eleitores, da cédula, da apuração dos votos e da apresentação dos resultados.

Segundo a Assembléia Popular Mutirão por um novo Brasil, responsável pelo jornal, as perguntas do plebiscito deverão abordar temas que contribuam para um processo de reflexão, discussão e construção de um novo projeto para o Brasil. Os dados das respostas ajudam o leitor a se familiarizar com o assunto.

As quatro perguntas são: "Em 1997, a Companhia Vale do Rio Doce – patrimônio construído pelo povo brasileiro – foi fraudulentamente privatizada, ação que o governo e o poder judiciário podem anular. A Vale deve continuar nas mãos do capital privado?; O governo deve continuar priorizando o pagamento dos juros da dívida externa e interna, em vez de investir na melhoria das condições de vida e trabalho do povo brasileiro?; Você concorda que a energia elétrica continue sendo explorada pelo capital privado, com o povo pagando até oito vezes mais que as grandes empresas?; Você concorda com uma reforma da previdência que retire direitos dos trabalhadores/as?".

Na próxima semana, será enviado um modelo de cédula para a reprodução nos estados, assim como a lista de votação e as orientações gerais para a organização do plebiscito e apuração. Nos dias 22 e 23 de setembro, em Brasília, será realizada a reunião plenária da coordenação da Assembléia Popular. Nos dias 24 e 25 de setembro será feita a entrega dos resultados do plebiscito pelo Comitê da Campanha da Vale, que vai centralizar e divulgar o resultado de todas as perguntas do plebiscito, inclusive as regionais/estaduais.


Gazeta do Povo, 05 de agosto de 2007
ECONOMIA | CARREIRA
Desempregado. e agora, o que fazer?
Busca por nova colocação pode ser aliada ao investimento em cursos

por HELENA CARNIERI

Quem já perdeu um emprego sabe que a sensação, muitas vezes, é de perda da própria identidade. Sem o “sobrenome” da empresa, como se apresentar ao telefone? Normalmente, podem se passar semanas até que a pessoa se reestruture e “vá à luta”. Essa talvez seja a hora mais difícil: encarar, dia após dia, a procura por outra atividade. O que fazer para diminuir a ansiedade e para aumentar as chances de ser empregado novamente?

Para Andréia Conceição, de 33 anos, a resposta veio na forma de cursos. Ela ficou desempregada quando a senhora de quem era cuidadora foi internada em uma clínica. Havia sido sua primeira experiência profissional, além de costurar para fora. E como ela gostou do trabalho, decidiu se aperfeiçoar: entrou para um curso de enfermagem e procurou cursos de capacitação. O primeiro foi sobre o desenvolvimento de habilidade e competência, que lhe deu bases para procurar emprego, ética no trabalho e trabalho em equipe. “Eram coisas que eu nem conhecia. Eu vivia num mundinho em que tudo era sempre igual”, conta.

O segundo curso foi de informática. “Quero poder trabalhar em posto de saúde, e todos eles têm computador”, diz. Agora ela procura emprego na área e faz estágio em postos 24 horas. Garante que não vai desanimar, com a ajuda de todas as coisas novas que tem descoberto.

É comum buscar aprimoramento na educação quando se está “parado”. Mas a consultora Luciana Serafin, da De Bernt Entschev, faz uma ressalva: é bom analisar antes o que realmente se quer estudar. “Atualização é importante, mas não adianta gastar fortunas para se encher de pós-graduações que não se vai usar.”

Uma idéia recorrente nos casos de quase desespero é abrir uma empresa. Clodoaldo Lopes do Carmo, da Primazia Consultores, considera um erro partir para um negócio próprio por falta de opção. Para ele, o desemprego pode ser considerado um momento de “desequilíbrio”, quando se deve evitar a tomada de decisões por impulso.

Com exceção, é claro, dos casos em que a pessoa tem preparo – como aconteceu com o administrador de empresas Almir dos Anjos. Ele tinha 36 anos quando se viu fora da multinacional onde havia trabalhado nos 16 anos anteriores, desde que entrara na faculdade. Curitibano, ele havia sido transferido para Porto Alegre, e saiu da empresa por desejar voltar à cidade natal e crescer na carreira. Só não imaginava que levaria quatro anos para ser empregado novamente. “Era o ano de 1995, e o mercado curitibano não estava bom para o cargo de gerência média em que eu tinha experiência”, conta.

“Sempre achei que ter muitos anos de casa era uma coisa boa, mas os head-hunters diziam que isso poderia ser encarado como acomodação”, lembra. Depois de seis meses de procura, ele arregaçou as mangas, tomou coragem e foi atrás do franqueador da cadeia paulistana Big Pastel, que ele conhecera na capital gaúcha e ainda estava fora de Curitiba. “Eu era cliente fixo em Porto Alegre, pela qualidade do produto e limpeza do local”, conta. Antes de abrir a franquia, ele estudou o mercado de pastéis da cidade. O negócio, movido pela necessidade, acabou preenchendo uma lacuna na cidade e foi, segundo ele, um sucesso. “Creio que fomos referência para outras marcas que vieram depois”, diz. Com motivação renovada, ele também aproveitou convites que surgiram para prestar consultoria.

Em 1999, começaram a surgir oportunidades no setor de telecomunicações e ele acabou vendendo a franquia. Hoje é gerente de uma conta especial em operadora de telefonia. O período de vacas magras, para ele, foi um bom aprendizado – que, ainda assim, rendeu bons frutos.


Gazeta do Povo, 05 de agosto de 2007
ECONOMIA | CARREIRA
Deixe sempre a vergonha de lado
A manutenção da rede de contatos, o chamado “networking”, é uma verdadeira máxima da gestão de carreira. O difícil é ligar para aquele contato que você fez há alguns meses para assumir: “estou desempregado”. O simples envio de um e-mail nesta situação pode ser vergonhoso. “Por isso é essencial cuidar da rede de relacionamentos enquanto se está trabalhando, porque na hora em que você sair, serão pessoas que podem ajudar muito”, sugere a consultora da De Bernt Entschev, Luciana Serafin. “Muita gente acha vergonhoso dar a impressão de estar pedindo emprego, mas é importante conversar com quem está no mercado porque alguém pode saber de oportunidades novas. Pense em seu trabalho como um produto que você tem a oferecer.”

Outro ponto a ser trabalhado para facilitar a procura é “flexibilizar” as expectativas. Por exemplo, muita gente não vê com bons olhos a substituição da carteira assinada por um contrato terceirizado – mas é inegável a tendência da terceirização de serviços.

Para Luciana Serafin, quem só procurar vagas de trabalho com contrato de emprego tradicional pode perder oportunidades. “Se a pessoa não se adapta às tendências do mercado, pode ficar mais tempo desempregada”, avisa.

Para o consultor da Primazia, Clodoaldo do Carmo, o segredo está em começar a procurar um plano B antes de sair do emprego atual. Ele sugere elaborar uma estratégia para momentos de crise e fazer muitos contatos. “A indicação ainda é a técnica de recrutamento mais utilizada”, diz. “Cada contato que você estabeleça é um momento para deixar uma boa imagem e trocar cartões”, ensina.


Gazeta do Povo, 05 de agosto de 2007
ECONOMIA | INDÚSTRIA
Fiep vive duelo entre capital e interior
Sindicatos patronais escolhem novo presidente da federação paranaense no dia 13

por FERNANDO JASPER

Marcelo Elias/Gazeta do Povo


Uma espécie de duelo entre capital e interior vai definir quem será a maior liderança da classe empresarial paranaense pelos próximos quatro anos. Os votos de 96 sindicatos patronais decidem, no dia 13, quem ocupará a presidência da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) até outubro de 2011. O curitibano Rodrigo da Rocha Loures, candidato à re-eleição pela chapa Afirmação Empresarial, e o desafiante Álvaro Luiz Scheffer, empresário ponta-grossense que rompeu com a atual diretoria da entidade e está à frente da chapa Identidade Sindical, disputam o direito de administrar um orçamento de mais de R$ 200 milhões por ano, superior à arrecadação da grande maioria dos municípios do estado. Mais do que isso, os dois brigam para ocupar um posto que representa grande visibilidade e projeção política.

“O que tem caracterizado a Fiep é o fato de ela ser uma plataforma política para outros vôos, eventualmente sendo usada por famílias importantes, e não apenas pelos indivíduos que ocupam o cargo. O atual presidente, por exemplo, tem um filho que foi chefe de gabinete do governador Roberto Requião e se elegeu deputado federal no ano passado”, aponta o cientista político Ricardo Costa de Oliveira, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

A campanha ganhou força nas últimas semanas: Rocha Loures e Scheffer têm percorrido várias cidades por semana, e já conversaram com quase todos os eleitores. A seqüência de inaugurações promovidas pelo atual presidente tem recebido freqüentes alfinetadas de seu adversário, que diz trabalhar contra toda a “máquina administrativa” da federação. Enquanto Rocha Loures diz contar com a “maioria expressiva” dos votos na semana que vem, Scheffer assegura que receberá pelo menos 52 votos dos 96 votos.

Rocha Loures dá ênfase ao investimento em tecnologia e inovação e afirma que pretende duplicar em quatro anos o tamanho da indústria paranaense, que hoje emprega 500 mil pessoas. Como credenciais para continuar no cargo, seu bom relacionamento com diferentes esferas do Poder Executivo – apesar do estremecimento de sua relação com Requião, que o apoiou em 2003 – e sua participação em órgãos como o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES, o “Conselhão”) da Presidência da República. Rocha Loures também lista números de sua gestão. Diz ter investido, nos últimos quatro anos, R$ 71 milhões no Sistema Fiep – que também reúne Sesi, Senai e IEL –, 15 vezes mais que os R$ 4 milhões investidos no segundo mandato do ex-presidente José Carlos Gomes de Carvalho, já falecido.

Vice-presidente da Fiep, Scheffer tem em sua chapa outros dez diretores da atual gestão, e conta com o apoio de Requião e do senador Osmar Dias. Diz que Rocha Loures tornou a federação “personalista”, afastando os demais diretores dos processos de decisão, e insiste na necessidade que a federação seja “olhos e ouvidos”, dando mais voz aos sindicatos. Embora defenda a necessidade de parceria com o governo estadual, Scheffer acusa o atual presidente de ter se omitido em questões importantes, por medo de discutir assuntos polêmicos com o governador. O empresário ponta-grossense propõe que Sesi, Senai e IEL atuem como instrumento de apoio aos sindicatos, promete acabar com a reeleição na Fiep e prega o fim da necessidade de que os candidatos à federação residam em Curitiba.


Gazeta do Povo, 05 de agosto de 2007
PARANÁ | FOZ DO IGUAÇU
MPT inaugura ofício amanhã
O Ministério Público do Trabalho (MPT) abre amanhã o 8.º ofício instalado no interior do estado. A unidade de Foz do Iguaçu vai atender dez municípios da região e já recebe 350 investigações sobre condições de trabalho locais que até então tramitavam na capital. Além de Foz, há representações em Maringá, Toledo, Londrina, Cascavel, Umuarama, Guarapuava e Campo Mourão. O MPT de Foz vai funcionar ao lado da Polícia Federal, na Av. Paraná.



O Estado do Paraná, 05 de agosto de 2007
Direito e Justiça
TRT garante pisos salariais em dissídio coletivo
Redação


Edésio Passos

Em recente decisão, o Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (TRT-PR-16022-2005-909-09-00-6 Acórdão n.º 18.800/2007 - DJPR 13/7/2007) reafirmou decisão anterior em dissídio coletivo de trabalho fixando piso normativo para a categoria profissional. A juíza relatora Dra. Rosemarie Diedrichs Pimpão afirma, em seu voto, que “refluindo do posicionamento anterior no sentido de que a inexistência de previsão anterior impunha a rejeição da pretensão alusiva ao estabelecimento do piso salarial, o qual dependeria da livre negociação coletiva a d. Seção Especializada deste Regional passou a adotar entendimento diverso, a partir da interpretação sistemática da Lei 10.192/2001 com os parágrafos 1.º e 2.º do artigo 114 da Constituição Federal, reputando que, não obstante a revogação expressa do art.1.º, parágrafo 2.º, da Lei n.º 8.542/92, não se vislumbra no teor da lei de 2001 dispositivo que proíba ou impeça a Justiça do Trabalho estabelecer piso salarial, naquelas hipóteses em que não há piso estipulado em instrumento anterior”.

A Dra. Rosemarie Diedrichs Pimpão resgata em seu posicionamento sobre a importante questão, anteriores fundamentos expostos pela também juíza do TRT-PR, Dra. Marlene T. F. Suguimatsu (no proc. 16023.2004.909.09.00.0, DJPR 1/9/2006), que esclarece: “Passou-se a questionar se a categoria deverá permanecer eternamente desamparada, quando a solução não se operar extrajudicialmente. Esta é a situação que se verifica nos autos. O suscitante tem buscado conciliar-se com o suscitado, que permanece em posição, no mínimo, confortável, na medida em que resiste à conciliação e costuma ver, ano após ano, o indeferimento da pretensão. Os trabalhadores, por sua vez, aguardam por igual tempo sem a certeza de que, no futuro próximo ou distante, o suscitado acene com a possibilidade de entabular acordo. Enquanto isso não ocorre, a cada dissídio coletivo a pretensão vem sendo indeferida e passa a um plano que já se pode reconhecer como utópico, pela rejeição do suscitado em estabelecer um piso salarial. A situação, a meu ver, requer atuação mais positiva deste órgão do Poder Judiciário, considerando os aspectos que seguem”. E na complementação de seu voto, a juíza relatora examina todos os aspectos constitucionais e legais da matéria, inclusive jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho.

Tratando-se de questão jurídica e social fundamental nas relações capital e trabalho e, especialmente, diante da realidade do avanço das categorias profissionais que necessitam melhores condições salariais, garantidas por valores básicos, as decisões do TRT-PR se ajustam não apenas à interpretação do texto legal mas à efetiva distribuição de justiça social.

Outros pontos da decisão normativa

Na mesma decisão normativa (Acórdão n.º 18.800/2007 -DJPR 13/7/2007), O TRT decidiu sobre outros pontos relevantes, a saber (1) garantir vigência de 24 meses às cláusulas sociais e 12 meses às econômicas (2) a correção salarial integral do IPNC/IBGE (3) O pai que adotar criança até a idade de 7 anos tem direito a cinco dias de licença-paternidade (4) Determina-se a instalação de local destinado à guarda de crianças em idade de amamentação, quando existentes na empresa mais de 30 mulheres maiores de 16 anos, facultado o convênio com creches (5) O empregado admitido para a função de outro, terá direito a igual salário ao do empregado dispensado, não consideradas as vantagens pessoais (TRT-PR-DC 0015-2003 (6) Aos empregados serão entregues cópias de todos os documentos por eles assinados e, se requeridos por escrito, não forem entregues no prazo de 05 (cinco) dias, presumir-se-á que foram assinados em branco, não tendo, conseqüentemente, valor legal (7) Quando o serviço for contratado por produção, a remuneração não poderá ser inferior à diária correspondente ao salário normativo (8) Se o pagamento do salário for feito em cheque, a empresa dará ao empregado o tempo necessário para descontá-lo, no mesmo dia (9) Proíbe-se o desconto no salário do empregado dos valores de cheques não compensados ou sem fundos, salvo se não cumprir as resoluções da empresa (10) Não se permite o desconto salarial por quebra de material, salvo nas hipóteses de dolo ou recusa de apresentação dos objetos danificados, ou ainda, havendo previsão contratual, de culpa comprovada do empregado

Horas extras com 100% de adicional

(11) Retornou o E. TRT a antigas decisões daquela Corte e do TST, ao acrescer percentuais superiores a 50% no que se refere ao pagamento das horas extras trabalhadas. Eis a ementa da cláusula: “As horas extraordinárias serão remuneradas com adicional de 100% (cem por cento). O trabalho em domingos e feriados sem folga compensatória terá acréscimo de 200% (duzentos por cento)”. Seguem outras cláusulas normativas: (12) Assegura-se o repouso remunerado ao empregado que chegar atrasado, quando permitido seu ingresso pelo empregador, compensando o atraso no final da jornada de trabalho ou da semana (13) No caso de trabalho em dias de chuva, em que o empregado estiver em áreas externas, sem proteção, ser-lhe-ão fornecidos equipamentos de proteção impermeáveis, sem ônus para o trabalhador (14) Estabelece-se a multa de 10% (dez por cento) sobre o saldo salarial, na hipótese de atraso no pagamento de salário, até 20 (vinte) dias, e de 5% (cinco por cento) por dia no período subseqüente (15) Concede-se licença não remunerada nos dias de prova ao empregado estudante, desde que avisado o patrão com 72 horas de antecedência e mediante comprovação (16) O empregado com menos de 01 (um) ano de serviço que rescindir seu contrato de trabalho, fará jus a férias proporcionais de 1-12 (um doze avos) para cada mês ou fração igual ou superior a 14 (quatorze) dias. As férias serão pagas com acréscimo de 1-3 (um terço), independentemente se forem gozadas ou indenizadas, inclusive as proporcionais (17) O empregado despedido será informado, por escrito, dos motivos da dispensa (18) O empregador é obrigado a fornecer atestados de afastamento e salários ao empregado demitido (19) Pagamento ou fornecimento aos empregados, de medicamentos prescritos pelo médico responsável, nos casos de acidente de trabalho ou doenças profissionais (20) Obriga-se o empregador a transportar o empregado, com urgência, para local apropriado, em caso de acidente, mal súbito ou parto, desde que ocorram no horário de trabalho ou em conseqüência deste (21) Institui-se a obrigação do seguro de vida, em favor do empregado e seus dependentes previdenciários, para garantir a indenização nos casos de morte ou invalidez permanente, decorrentes de assalto, consumado ou não, desde que o empregado se encontre no exercício das suas funções

Outras cláusulas

(22) A empresa arcará com os ônus decorrentes do funeral de seus empregados, falecidos em virtude de acidente de trabalho, até o limite do valor correspondente a 5 (cinco) salários, desde que a morte seja em serviço (23) Os empregados serão reembolsados, quando em viagem a serviço fora de seu domicílio ou da sede da empresa e que implique necessidade de refeição e pernoite, das despesas devidas com alimentação e estada, em níveis adequados (24) As empresas assegurarão assistência jurídica gratuita, se necessária, aos seus empregados que forem indiciados em inquérito criminais ou responderem ação penal, por ato praticado no desempenho das funções na defesa do patrimônio do empregador, até o final do processo (25) A empresa descontará mensalmente dos empregados associados ao sindicato profissional, conforme a base territorial respectiva, a contribuição estabelecida pela assembléia-geral. À empresa caberá repassar ao sindicato profissional o valor descontado, até o 5º. (quinto) dia subseqüente ao mês de referência, sob pena de pagamento de multa equivalente a 50% (cinqüenta por cento) do valor devido, juntamente com a relação nominal dos associados (26) As empresas encaminharão à entidade profissional cópia das guias de contribuição sindical e assistencial, com a relação nominal dos respectivos salários, no prazo máximo de 30 dias após o desconto (27) Assegura-se o acesso dos dirigentes sindicais às empresas, nos intervalos destinados a alimentação e descanso, para desempenho de suas funções, vedada a divulgação de matéria político-partidária ou ofensiva (28) Defere-se a afixação, na empresa, de quadro de avisos do sindicato, para comunicados de interesse dos empregados, vedados os de conteúdo político-partidário ou ofensivo (29). Assegura-se a freqüência livre dos dirigentes sindicais para participarem de assembléias e reuniões sindicais devidamente convocadas e comprovadas.

Amianto e proibição legal: A Lei n.º 12.684, de 26 de julho de 2007, oriunda do projeto de lei n.º 384/2007, do deputado Marcos Martins, do PT, foi sancionada pelo governador José Serra, e “proíbe o uso, no Estado de São Paulo, de produtos, materiais ou artefatos que contenham quaisquer tipos de amianto ou asbesto ou outros minerais que, acidentalmente, tenham fibras de amianto em sua composição”. A legislação estadual aprovada é taxativa na proibição imediata “em relação aos produtos, materiais ou artefatos destinados à utilização por crianças ou adolescentes, tais como brinquedos e artigos escolares, e ao uso doméstico, tais como eletrodomésticos, tecidos, luvas, aventais e artigos para passar roupa” (vide íntegra da lei e comentários no site www.migalhas.com.br)

Jurisprudência: “Recurso de Embargos. Mãe adotante. Licença-maternidade. Art.227, parág. 6.º da Constituição da República. Lei n.º 10.421/2002. Art.392-A da CLT. Concessão. 1.A norma constitucional que garante igualdade entre filhos por adoção e filhos biológicos, não depende de complementação normativa. Assim, a ausência de norma específica concessiva de licença-maternidade à mãe adotante no âmbito da relação de emprego, anteriormente à Lei n.º 10.421/2002, que acrescentou o Art.392-A à CLT, não pode justificar tratamento distinto daquele dispensado à mãe biológica. “O silêncio do legislador apenas evidencia menor desenvolvimento da ciência jurídica. Não inibe, de nenhuma maneira, a afirmação da existência de direitos” (Estevão Mallet). 2. O art.227, caput, da Constituição da República foi a fonte inspiradora de todos os projetos de lei tendentes a reconhecer à mãe adotante o direito à licença-maternidade. Inserindo-se o citado artigo no Título da Ordem Social, não pode a Constituição da República promover a exclusão social, quando tem por fim maior exatamente o inverso: a inclusão social”. Recurso de Embargos de que se conhece e a que se dá provimento” (eis a ementa do voto do ministro João Batista Brito Pereira no processo TST - E-ED-RR 232/2000-007-15.00.9).

Sindicais: Dia 13 de agosto será a posse da nova diretoria da Federação dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Paraná, tendo sido reeleito presidente Epitácio Antônio dos Santos *** O suplemente da revista O Trabalho, do Decisório Trabalhista, edição de julho/2007, publica o excelente texto do advogado e ex-juiz do trabalho do TRT-SP José Carlos Arouca sobre “Legislação sindical: Passado, presente e futuro” *** Os bancários reivindicam reajuste de 10,3%, índice da inflação mais aumento de 5,5%, com piso salarial de R$ 1.628,24 e a ampliação da Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Data-base de 1 de setembro.

Mutirão no TST - O presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Rider Nogueira de Brito, autorizou a realização de um mutirão entre servidores do tribunal, para auxiliar os ministros no exame de Recursos de Revista, Agravos de Instrumento em Recurso de Revista e embargos. O mutirão será feito no período de agosto a dezembro deste ano. A necessidade de serviço surgiu com o fim da convocação de 12 juízes de diversos Tribunais Regionais, no dia 29 de junho último. Segundo o presidente do TST, o objetivo é manter a produtividade do Tribunal. O Ato GDGCJ. GP 267/2007 que autoriza a realização do serviço tomou por base o artigo 5.º, LXXVIII, da Constituição Federal, que assegura às partes o direito à razoável duração do processo e aos meios que garantam a celeridade de sua tramitação.Existem atualmente cerca de 74 mil processos remanescentes dos juízes convocados que aguardam solução no TST (Consultor jurídico).

Argentina: “A segunda fronteira do governo Kirchner se refere ao extenso mundo do “precariado”. Num contexto marcado por oscilações das políticas trabalhistas, pelo forte crescimento econômico e pela timidez das estratégias redistributivas, a dinâmica da precarização se aprofundou, afetando desde os trabalhadores industriais até os dos “novos serviços”, e apresentando, no extremo, a expansão do chamado “trabalho escravo” na indústria têxtil, que se alimenta da mão-de-obra dos países limítrofes (Bolívia). Assim, os dados indicam que o trabalho sem carteira assinada aumentou alcançando os 44,3%, enquanto o “custo do trabalho” baixou em 30% em comparação a 2001” (“As fronteiras do governo Kirchner”, Maristela Svampa, in Brasil de Fato, edição de 19-27/7/2007).

“Acta est fabula”- “Acabou-se a peça”, do teatro romano, anunciando o final da peça. Do imperador Augusto, na hora de sua morte (Latinório, Migalhas).

Edésio Passos é advogado.
edesiopassos@terra.com.br



Folha de São Paulo, 05 de agosto de 2007
Fundo do FGTS para PAC terá teto e só sai em 2008
Limite deve ser de 30% para aplicação em cada setor definido no programa

FI-FGTS prevê investimento de até R$ 17 bi do fundo dos trabalhadores em obras de saneamento, rodovias, portos, ferrovias, hidrovias e energia

JULIANNA SOFIA
LEANDRA PERES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Sem previsão de entrar em funcionamento antes do final do ano, o Fundo de Investimento do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) terá um teto de 30% para aplicação em cada setor da infra-estrutura definido pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), além do limite de aplicação em cada projeto individualmente. A Folha apurou que a regra constará de regulamento do Conselho Curador do FGTS.

Considerado uma das principais medidas do PAC, o FI-FGTS prevê o investimento de até R$ 17 bilhões do fundo dos trabalhadores em obras nos setores de saneamento, rodovias, ferrovias, hidrovias, energia e portos. O limite por área busca evitar que o FGTS concentre investimentos em um determinado setor, deixando outros descobertos.

" Se o percentual estivesse na lei, seria mais difícil fazer eventuais ajustes no teto. Estando numa norma infralegal, dá mais flexibilidade", diz Paulo Furtado, secretário-executivo do Conselho Curador do FGTS.

Segundo ele, esses ajustes podem ser necessários caso um determinado setor alcance o teto de 30% e ainda apresente demanda por mais recursos, enquanto em outras áreas exista sobra de dinheiro.

Por resolução, o conselho já abriu a possibilidade de as obras em infra-estrutura financiadas pelo fundo incluírem não só a construção mas reformas e ampliação. Também definiu que o FI-FGTS só poderá bancar 30% de cada projeto, devendo outros 30%, pelo menos, virem obrigatoriamente da iniciativa privada. O restante do investimento, afirma Furtado, poderia sair de fundos de pensão de estatais, bancos oficiais ou das PPPs (Parcerias Público-Privadas).

O regulamento a ser definido pelo Conselho Curador do FGTS está em fase adiantada de elaboração, apesar de depender de uma norma ainda em estudo na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Emaranhado

É justamente o emaranhado de resoluções e normativos em torno do FI-FGTS que vem atrasando o início de seu funcionamento. Segundo a Folha apurou, o governo já conta com a possibilidade de ver o PAC completar um ano sem que nenhuma obra com recurso do fundo de investimento esteja na rua. Nos prognósticos mais otimistas, o FI-FGTS entrará em funcionamento no final do ano, mas os primeiros projetos só teriam condições de sair do papel em 2008. Em 22 de janeiro, o PAC completará um ano.

" Os investimentos em infra-estrutura no país já estão atrasados em 10 ou 15 anos. Nesse contexto, tudo o que diz respeito ao setor é para ontem. O ideal é que o fundo já estivesse em funcionamento, mas isso não reduz seu impacto no futuro", diz o vice-presidente-executivo da Abdib (associação que reúne a indústria de base), Ralph Lima Terra.

Lentidão

A medida provisória 349, que criou o Fundo de Investimento do FGTS, levou cinco meses para ser aprovada e só foi convertida em lei no final de junho. No início do mês passado, o Conselho Curador do FGTS baixou uma primeira resolução com as diretrizes gerais para o FI-FGTS. Agora, o assunto precisa ser normatizado pela CVM.

" A lei que criou o fundo exige que a CVM faça uma regulamentação específica. Não há atualmente nenhuma instrução em vigor que possa ser aplicada ao fundo do FGTS. Teremos que fazer algo novo", disse a superintendente de Desenvolvimento de Mercado, Aline de Menezes Santos.

Quando o processo de consulta interno sobre a regulamentação começar, serão ouvidos vários departamentos da própria CVM e a norma ainda precisará ser aprovada pela diretoria colegiada. Depois disso, a regulamentação entrará em consulta pública por um prazo de 30 dias. Encerrada essa fase, será preciso uma nova análise para saber o que será incorporado à legislação. Só depois será publicada a versão final.

Então será a vez de o conselho curador aprovar o regulamento que "esmiuçará" todos os aspectos para a operacionalização do fundo.

Com essas regras definidas, a Caixa Econômica Federal-administradora do fundo- precisará definir procedimentos internos para o funcionamento. A partir daí, os projetos de investimento ainda terão de ser analisados para, só então, os recursos serem liberados, e as obras, iniciadas.

Folha de São Paulo, 05 de agosto de 2007
EXTERIOR EM FOCO
Países incentivam imigração de trabalhador qualificado
Canadá e Austrália são exemplos de locais que selecionam estrangeiros

SILAS MARTÍ
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Trabalhar fora do país é o sonho não apenas de quem tenta escapar do desemprego via aeroporto. Profissionais qualificados, diplomados e com experiência em suas áreas também estão rumando ao exterior -a convite dos anfitriões. Os governos de países como a Austrália, o Reino Unido, a Nova Zelândia e o Canadá abriram processos seletivos para recrutar profissionais em falta por lá.

Ao mesmo tempo, empresas da Holanda, da Itália, de Angola e da África do Sul estão de olho em brasileiros para suprir o déficit de pessoal qualificado. A Folha selecionou territórios onde especialistas brasileiros podem ser bem recebidos. Andréa Cabañas, 35, é um exemplo. Depois de fazer quatro vezes uma prova de inglês e passar por outros exames, a relações-públicas conseguiu um visto de trabalho e está de malas prontas para a Austrália.

O marido, Augusto, que é dentista, vai junto. "Queremos ter filhos num lugar com segurança e boa escola pública", diz. O perfil do casal, jovem e sem filhos, está entre os mais desejados pelos países que tentam rejuvenescer a população. A possibilidade de ter filhos vale mais pontos na classificação dos governos estrangeiros, que usam um sistema numérico para decidir quem terá o visto.

O engenheiro de minas Ricardo Grandi, 26, descobriu que poderia ganhar dinheiro na África. Aproveitando que poucos se formam nessa área, ele prolongou em dois anos o estágio em uma mineradora de ouro em Gana e na África do Sul.

Com o aumento do preço dos metais, está em alta a demanda por profissionais como ele. De volta ao Brasil para terminar a faculdade, Grandi diz estar se preparando para voltar em breve. "Um recém-formado vai ganhar aqui, com sorte, R$ 4.000. No exterior, o valor sobe para US$ 5.000", explica.

A lista de problemas a enfrentar, no entanto, também é grande. Entre eles, o choque cultural e o custo de vida local -que pode diluir o alto salário.

Rodrigo Ramalho, 24, já é um veterano do setor aéreo. Passou por Vasp e American Airlines e agora vai viver em Doha, onde será comissário de bordo da Qatar Airways. "Estou muito animado. Há funcionários de mais de 80 nacionalidades."

DEPACOM, 05 de agosto de 2007
SITICOM de Gramado/RS completa 25 anos
O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Gramado, presidido pelo companheiro CLÁUDIO REMY MUCK, completa no próximo dia 09 de outubro, 25 anos de fundação.

Em comemoração a esta data, no informativo deste mês, o SITICOM traz os principais benefícios disponibilizados a seus associados.

O DEPACOM parabeniza o companheiro Cláudio Remy Muck e sua diretoria pelo importante trabalho desenvolvido junto aos trabalhadores da Construção e do Mobiliário de Gramado/RS.

Confira íntegra do informativo:


DEPACOM, 06 de agosto de 2007
Posse dos Marceneiros do Espírito Santo
Tomou posse para o mandato 2007/2011, a nova diretoria do Sindicato dos Oficiais Marceneiros e Trabalhadores nas Indústrias Moveleiras do Estado do Espírito Santo, presidido pelo companheiro LAURO QUEIROZ RABELO.

O DEPACOM parabeniza o companheiro Lauro e sua diretoria e deseja sucesso para o novo mandato.

Confira a palavra do presidente:





Confira também a Tribuna do Marceneiro e Informativo especial sobre o 3º Encontro das Mulheres.