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Agência Brasil, 6 de
agosto de 2007
Reforma política volta à pauta
do Congresso nesta semana
A votação da reforma
política é um dos principais temas da pauta desta semana
na Câmara dos Deputados. Depois de mais de dez anos tramitando
na Casa, o presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP),
havia pautado essa votação para o dia 31 de maio – dessa
data até o dia 11 de julho, várias tentativas foram feitas
para aprovação da matéria, mas nenhum dispositivo
da reforma chegou a ser aprovado.
Antes do recesso de julho, Arlindo
Chinaglia acertou com os líderes partidários que a votação
da reforma política será retomada na terça-feira
(7). No entanto, para reiniciar a discussão da reforma, os deputados
terão que votar a Medida Provisória 374, que dispõe
sobre o prazo de apresentação de dados para fins de compensação
financeira entre o Regime Geral de Previdência Social e os regimes
próprios de previdência. Essa MP tranca a pauta e impede
a votação de outras matérias.
Foram convocadas duas sessões
extraordinárias da Câmara para terça-feira – a
primeira, às 9h30 e a segunda, às 15 horas. Sobre a reforma
política, deverá ser votada a Emenda Aglutinativa Global
12, elaborada a partir das emendas apresentadas pelos deputados ao projeto
original. O texto trata das regras de financiamento de campanhas, das
coligações eleitorais, das federações partidárias
e da propaganda eleitoral. E conta com o apoio dos líderes do
PT, do DEM e do PCdoB.
A proposta prevê o financiamento
público exclusivo para as campanhas majoritárias (presidente
da República, governadores, senadores e prefeitos). Estabelece
o valor de R$ 5 por cada eleitor, tomando como base o eleitorado em 30
de abril do ano anterior à eleição: os recursos
destinados pelo Tesouro ao financiamento seriam iguais ao número
de eleitores multiplicado por R$ 5, no caso de eleição
em um único turno e de primeiro turno.
No caso das eleições
proporcionais (deputados federais, estaduais e vereadores), a proposta
estabelece que o financiamento será privado e poderá ser
feito com recursos próprios do candidato e por meio de doações
de pessoas físicas e jurídicas. A proposta estabelece um
limite para os gastos com essas campanhas, que seria calculado com base
na média dos gastos na última eleição.
Fidelidade
O texto a ser votado acaba com
as coligações para as disputas nas eleições
proporcionais, mas cria o dispositivo de federações partidárias,
onde dois ou mais partidos podem se unir para a disputa. Nesse caso,
no entanto, os partidos deverão permanecer juntos por três
anos, no mínimo. No caso das coligações proporcionais,
como é hoje, os partidos se juntam para a eleição
e podem se separar no dia seguinte ao pleito.
Ficaram fora dessa Emenda
Aglutinativa Global 12 a formação de lista fechada pré-ordenada
e a chamada lista flex (um misto de lista fechada com candidaturas
avulsas), dispositivos rejeitados na Câmara. E outro que proíbe
os chamados "prefeitos itinerantes", aqueles que antes do
término do segundo mandato se candidatam à prefeituras
de outros municípios próximos ao que eles governam.
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FETRACONSPAR,
06 de agosto de 2007
Jornal do SINTRAMADEMÓVEIS
Francisco Beltrão/PR
Está circulando o jornal “A VOZ DO TRABALHADOR”,
informativo do SINTRAMADEMÓVEIS Francisco Beltrão, presidido
pelo companheiro JOÃO CARLOS DA SILVA MACHADO.
O Informativo deste mês
traz diversas informações de interesse da categoria,
com destaque especial para o fechamento da Convenção
Coletiva de Trabalho do Mobiliário.
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João Machado
Presidente do SINTRAMADEMÓVEIS
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A FETRACONSPAR e o DEPACOM
parabenizam o companheiro João Carlos da Silva Machado
e sua diretoria pelo importante trabalho desenvolvido junto aos
trabalhadores da Madeira e Mobiliário de Francisco Beltrão.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 06 de agosto de 2007 | Brasil
Governadores podem perder cargo,
diz TSE
FÁBIO ZANINI
SILVANA DE FREITAS
da Folha de S.Paulo, em Brasília
Um parecer da assessoria técnica
do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) estende para os detentores de cargos
majoritários (presidente, governador, prefeito ou senador) a determinação
já aprovada pelo tribunal de perda de mandato para deputados que
trocarem de partido no meio do mandato.
O parecer, de 24 de abril, é assinado
pela assessora-chefe da presidência do tribunal, Claudia Cahu,
e responde a uma consulta do deputado Nilson Mourão (PT-AC).
O documento servirá de
subsídio para o relator da consulta, ministro Carlos Ayres Britto,
que estuda o caso. Britto deve proferir seu voto em sessão plenária
neste ano e pode acatar ou não o parecer. Ele não foi localizado
para comentar o caso.
O presidente do TSE, Marco Aurélio
de Mello, já se diz favorável à tese defendida pela
assessoria técnica.
"Temos de aguardar o pronunciamento
do tribunal. Mas o princípio é o mesmo [para eleições
proporcionais e majoritárias]. É coerente", disse
ele.
O dado fundamental, diz Marco
Aurélio, é a fidelidade ao partido, "por força
de filiação partidária um ano antes, escolha do
nome em convenção e financiamento da campanha pelo partido".
Se a tese do parecer vingar,
correrão o risco de perda de mandato, entre outros, os governadores
Blairo Maggi (MT) e Ivo Cassol (RO), que trocaram o PPS pelo PR, senadores
como Fernando Collor (que foi do PRTB para o PTB), Roseana Sarney (DEM
para PMDB) e Cristovam Buarque (PT para PDT) e vários prefeitos.
Supremo
Ainda que os ministros do TSE
estendam para os cargos majoritários a restrição
já feita por eles nessa semana aos proporcionais, a perda dos
mandatos não seria automática.
Os partidos que se sentirem prejudicados
terão de entrar no Supremo Tribunal Federal com uma ação
específica, como já vêm fazendo para reaver mandatos
de deputados federais.
Além disso, não
fica claro como se daria a substituição de eventuais autoridades
que percam o mandato. Os senadores provavelmente seriam substituídos
pelos suplentes, e os governadores e prefeitos pelos vices, mas poderá haver
um entendimento de que a vaga vá para o segundo colocado na eleição.
O parecer técnico do tribunal
argumenta que também se aplica aos majoritários o conceito
de que os mandatos pertencem ao partido.
Apesar de no caso dos cargos
majoritários, a campanha eleitoral ser mais "personalizada",
focada na figura do candidato, o parecer técnico sustenta que "o
partido político será sempre o primeiro e último
detentor dos mandatos eletivos".
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 06 de agosto de 2007 | Dinheiro
INSS quer analisar benefícios
em até 45 dias e fazer perícia em cinco
YGOR SALLES
da Folha Online
A Previdência Social pretende
acabar, até o final do ano, com o represamento de processos de
pedidos de benefícios que estão há mais de 45 dias
no órgão. Esta é a principal medida do Plano de
Ações Prioritárias do INSS (Instituto Nacional do
Seguro Social), anunciado nesta segunda-feira pelo Ministro da Previdência
Social, Luiz Marinho.
Segundo dados do INSS, existem
cerca de 350 mil processos em estoque nesta situação. O
desrepresamento será focado em São Paulo e Rio de Janeiro,
que juntos respondem por 50% dos pedidos. "O plano começa
hoje (segunda-feira) e vai até o final deste ano", disse
Marinho. "Queremos chegar lá sem este problema".
Além do desrepresamento,
também serão implantadas ações para aumentar
a informação aos cidadãos e capacitar os servidores
para que os problemas não voltem após o plano de ação. "As
filas de madrugada é coisa do passado, mas ainda há casos
residuais. Para resolvê-los, temos a internet (www.previdencia.gov.br)
e o telefone 135 para prestar as informações", explicou
o ministro.
A legislação obriga
a Previdência Social a pagar o benefício retroativo caso
o tempo de espera para a obtenção seja maior do que 45
dias. A média nacional de resposta aos pedidos é de 68
dias. Em São Paulo está em 125 dias, e em 88 dias no Rio
de Janeiro.
O plano também prevê reduzir
o tempo de perícia médica para cinco dias. A média
nacional está em 7 dias, e chega a 29 dias na cidade de São
Paulo. "Faremos a contratação de 250 peritos, com
prioridade para São Paulo. O [Ministério do] Planejamento
já liberou e eles devem estar trabalhando em 60 dias", explicou
o ministro.
Para ser possível as agências
envolvidas no plano conseguirem bater a meta, foram deslocados 180 servidores
de outras regiões. São Paulo receberá 120 deles
vindos do interior dos estados como Paraíba, Rio Grande do Norte
e de Santa Catarina. Já as agências fluminenses receberão
20 funcionários deslocados do próprio estado e de Minas
Gerais.
As agências paulistas envolvidas
estão localizadas especialmente na Grande São Paulo, além
de cidades como Campinas, Jundiaí e Ribeirão Preto. Já as
cariocas estão todas na Grande Rio.
"Queremos que o segurado
se informe melhor para ter em mãos os documentos corretos e que
nossos funcionários trabalhem com mais agilidade", disse
Marinho. As agências terão metas a cumprir, mas foi descartada
a possibilidade de haver alguma punição às que não
terminarem o ano com os processos dentro do prazo estabelecido.
Durante o Plano de Ação,
o INSS vai analisar se é necessário ampliar o horário
de atendimento de 54 agências em São Paulo e 37 no Rio para
evitar a formação de filas. Caso se comprove a necessidade,
as agências poderão abrir das 6h às 18h. Também
já está liberado o uso de horas extras para dar conta do
trabalho.
O plano prevê a capacitação
de aproximadamente 8,5 mil servidores, sendo pouco mais de 2 mil em São
Paulo e no Rio. "O INSS avançou em termos técnicos,
como na melhoria dos sistemas e na construção e reforma
de agências. Agora o esforço será focado na capacitação. É necessário
transferir know-how para que não volte a acumular processos",
explicou o presidente do INSS, Marco Antonio de Oliveira.
A Previdência Social ainda
deve fazer um novo concurso para admitir aproximadamente 2,5 mil novos
servidores, que seriam contratados no início de 2008. Marinho
disse estar negociando com o Planejamento a liberação para
o gasto extra.
Reforma
Marinho tentou evitar dar maiores
detalhes sobre a proposta de Reforma da Previdência que o governo
federal deve levar ao Congresso até meados de setembro. Segundo
ele, não haverá tempo técnico para que ela seja
aprovada ainda neste ano. "Mas acredito que deve estar aprovada
até o final do primeiro semestre de 2008". disse.
Ele, porém, garantiu que
a proposta contemplará, por exemplo, o aumento do tempo de contribuição
e da idade mínima para aposentadoria, além de "eliminar
distorções".
"Mas gostaria de deixar
uma mensagem: não haverá mudanças para agora.
Quem está próximo da aposentadoria não precisa
correr para tirá-la", disse o ministro. "Todas as
mudanças serão para nossos filhos e netos, o objetivo
da reforma é pensar no futuro".
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 06 de agosto de 2007 | Nacional
Planalto inicia nesta semana esforços
para continuidade da CPMF
CARMEN MUNARI - REUTERS
SÃO PAULO - O governo inicia nesta semana todos os esforços para
aprovar a prorrogação até 2011 da CPMF e da Desvinculação
das Receitas da União (DRU). Para isso precisa aprovar no Congresso
uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC).
Agora que o Planalto começou
a atender as indicações dos partidos da base para cargos
de segundo escalão, o tema tem possibilidade de encaminhamento
junto aos parlamentares.
A contribuição
representa arrecadação de 38 bilhões de reais em
2008 e a DRU permite maior mobilidade no uso dos recursos do Orçamento.
A proposta passará pela Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ), depois segue para uma comissão especial
que vai avaliar o mérito e só então vai ao plenário
da Câmara, onde passa por duas votações. Depois ainda
enfrenta os trâmites do Senado.
Na crise aérea, destaque
para a CPI do Senado, que recebe o ministro da Defesa, Nelson Jobim,
na quarta-feira.
Com popularidade inabalável,
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia um giro pelo México,
Honduras, Nicarágua, Jamaica e Panamá, onde vai tratar
de negócios no campo energético e de construção.
Viaja com vários ministros e cerca de 50 empresários.
Veja a seguir os principais eventos
da semana.
SEGUNDA-FEIRA
-- O presidente Lula estará na
capital do México, onde assina com o presidente Felipe Calderón
um memorando de cooperação em petróleo e etanol.
Ele segue para Honduras (7 de
agosto), Nicarágua (7 e 8 de agosto), Jamaica (8 e 9 de agosto)
e Panamá (9 e 10 de agosto), países com os quais assinará acordos
na área da saúde, energia e cooperação agrícola.
Em Port Esquivel (Jamaica) inaugura uma usina de desidratação
de etanol da qual participam capitais brasileiros. Ele está de
volta a Brasília no dia 11. -- Em reunião do conselho de
administração da Infraero, às 16h, o ministro da
Defesa, Nelson Jobim, formaliza a demissão do presidente do órgão,
José Carlos Pereira, que será substituído por Sergio
Gaudenzi, atual presidente da Agência Espacial Brasileira.
-- Reunião do Comitê de
Articulação e Pactuação Federativa (CAF),
que passará a ser órgão consultivo da Presidência
da República. O grupo, que reúne 18 ministérios
e entidades que representam os municípios, é presidido
pelo ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos
Mares Guia, e vai discutir gestão dos municípios.
TERÇA-FEIRA
-- A renovação
da CPMF e da DRU começa a ser discutida na Comissão de
Constituição de Justiça (CCJ) da Câmara, quando
o relatório do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) será apresentado.
Na quarta-feira deve haver um debate sobre o tema com tributaristas e é possível
que a votação do texto aconteça na quinta-feira
na comissão.
-- A Câmara volta a discutir
a reforma política, depois do fracasso das votações
do primeiro semestre.
-- A CPI da Crise Aérea
do Senado ouve às 11h o depoimento de sete procuradores da República
envolvidos com a questão.
-- CPI da Crise Aérea
da Câmara recebe às 9h o coronel Fernando Camargo, um dos
responsáveis pela investigação do acidente da TAM. Às
14h, comparece o diretor-presidente da Pantanal Linhas Aéreas
Sul Mato-Grossenses, Marcos Sampaio Ferreira. Avião da companhia
derrapou, sem vítimas, na véspera do acidente da TAM.
QUARTA-FEIRA
-- O ministro da Defesa, Nelson
Jobim, deve comparecer às 10h na CPI da Crise Aérea do
Senado.
-- CPI da Crise Aérea
da Câmara recebe o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, às
12h.
QUINTA-FEIRA
-- A CPI da Crise Aérea
da Câmara dos Deputados tentará convocar um novo representante
da Airbus, já que o depoente convocado na quinta-feira passada
se disse impossibilitado de responder questões técnicas.
-- A CPI da Crise Aérea
do Senado ouve às 10h o depoimento de procuradores da República
envolvidos com a questão.
-- Os quatro controladores de
vôo que estavam na torre de Congonhas no momento do acidente devem
comparecer à CPI da Câmara.
NA SEMANA
-- A Mesa Diretora do Senado
decidirá se o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) deve responder à nova
representação do PSOL, que o acusa de favorecer a fábrica
Schincariol.
-- Nova denúncia complica
a vida do senador. Segundo a revista Veja, Renan teria comprado um grupo
de comunicação em Alagoas utilizando "laranjas" e
sem declaração a autoridades fiscal e eleitoral.
-- O plenário do Senado
tem a pauta trancada por cinco medidas provisórias, entre elas
a que altera a estrutura do Ibama.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
06 de agosto de 2007
Justiça concede revisão
de aposentadoria por invalidez
Rosanne D'Agostino
A 7ª Turma Recursal do TRF
(Tribunal Regional Federal) da 3ª Região concedeu a um aposentado
a revisão no cálculo da aposentadoria por invalidez.
Por unanimidade, os desembargadores
consideraram o tempo de recebimento do auxílio-doença como
tempo de contribuição com o INSS (Instituto Nacional de
Seguridade Social).
Com a decisão, aumenta
a base de cálculo e, conseqüentemente, o valor a ser recebido
pelo autor da ação, que ainda obteve o direito à revisão
com base na URV (unidade real de valor) de março de 1994 —índice
de revisão de 39,67%.
O aposentado foi à Justiça
Federal requerer o recálculo da RMI (renda mensal inicial) do
benefício da aposentadoria por invalidez. Ele recebeu auxílio-doença
entre 19 de maio de 1992 e 31 de março de 1994. Depois, começou
a receber a aposentadoria por invalidez no dia 1º de abril.
Assim, pediu que fosse aplicado
o índice de 39,67%, referente ao IRSM (índice de reajuste
do salário mínimo) de fevereiro de 1994, na correção
dos salários-de-contribuição compreendidos no período
básico de cálculo, anteriores a 28 de fevereiro daquele
ano.
Ele perdeu a ação
em primeira instância. Conforme a sentença, o “benefício
de aposentadoria por invalidez é mera decorrência do benefício
anterior de auxílio-doença, concedido em 19 de maio de
1992”, que, portanto, não contemplou a revisão com
base na URV.
O aposentado entrou com recurso
no TRF-3. Em seu voto, o desembargador federal Walter do Amaral, relator
do caso, citou e criticou a Medida Provisória 201/2004, que “condiciona
o direito à revisão do benefício à assinatura
do termo de transação judicial que, por sua vez, anuncia
a renúncia das parcelas anteriores ao qüinqüênio
que precede agosto de 2004, aos juros e aos honorários advocatícios”.
Segundo ele, “não
obstante o abalo que a medida causa à economia do país,
o segurado ou dependente que procurou a Justiça não poderá ser
penalizado —insuficiente que é— em nome da manutenção
da estabilidade das contas públicas”.
“No sistema da Lei 8.213/91,
a aposentadoria por invalidez não é mero benefício
derivado, como o é a pensão por morte, mas benefício
novo, com metodologia de cálculo própria”, continuou.
Ainda de acordo com o desembargador,
a Lei 8.213/91 foi alterada pela Lei 9.032/95, que dispõe que
a aposentadoria por invalidez consiste numa renda mensal correspondente
a 100% da média das melhores contribuições feitas
durante os últimos 36 meses. Antes, o valor do auxílio
era de 80%.
“De fato, fosse observada
a data da concessão do auxílio-doença, a parte autora
não faria jus ao reajuste pleiteado, pois a competência
fevereiro de 1994 não integra os salários de contribuição
do referido benefício. Contudo, esse raciocínio não
pode prosperar.”
Segundo o magistrado, o INSS
deveria computar, como salário de contribuição,
os salários de benefício pagos durante a vigência
do auxílio-doença. “Mesmo que se fale em transformação
ou conversão para outra espécie, o fato é que se
trata de benefício novo, com nova data de início, imediatamente
posterior à data de cancelamento do benefício anteriormente
concedido, não havendo plausibilidade na não aplicação
desse procedimento.”
O desembargador também
resolveu considerar a possibilidade de apuração de saldo
positivo em favor do aposentado, prevista no parágrafo 3º do
artigo 21 da Lei 8800/94, ou seja, em URV. Assim, por se tratar de
benefício de caráter alimentar, ele concedeu a tutela
antecipada para que a revisão seja feita, mesmo sem trânsito
em julgado.
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Diário Vermelho, 6
de agosto de 2007
Temporão defende licença-maternidade
de seis meses
O ministro da Saúde, José Gomes
Temporão, defendeu na semana passada, durante o lançamento
nacional da Semana Mundial de Amamentação, a ampliação
da licença-maternidade de quatro para seis meses em todo o país.
A proposta é da senadora e coordenadora da Frente Parlamentar
em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, Patrícia
Saboya (PSB-CE), e está em discussão no Congresso com votação
prevista para este ano.
"Eu defendo fervorosamente
a ampliação da licença-maternidade. Ela permite
que a mãe fique mais tempo com o bebê, facilita o prolongamento
do aleitamento nos seios e reduz um pouco a ansiedade da mãe ao
voltar ao trabalho e saber que seu filho está em casa precisando
dela ou adoentado", ressaltou o ministro.
No Brasil, cinco estados já adotam
a licença-maternidade de seis meses para funcionárias públicas:
Ceará, Pernambuco, Amapá, Rondônia e Paraíba.
Outros 49 municípios também já concedem o benefício.
Temporão lembrou que em
várias cidades e estados, leis locais já estão ampliando
o tempo de permanência da mãe em casa ao lado do bebê. É o
caso do município do Rio, onde além da licença-maternidade
são concedidos outros oito meses de licença para as mães
que amamentam.
Imposto de renda
Pela proposta do projeto, elaborado
em parceria com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), os empresários
privados não vão ser obrigados a conceder os dois meses
adicionais às trabalhadoras, mas, caso decidam fazê-lo,
poderão deduzir do Imposto de Renda o dinheiro gasto nos dois
meses a mais. A adoção da medida fará parte do Programa
Empresa Cidadã.
No caso do serviço
público, uma emenda ao projeto será proposta pelo relator,
senador Paulo Paim (PT-RS), para autorizar o Executivo a implantar
a licença-maternidade de seis meses no serviço público.
Está sendo analisada ainda uma proposta para prorrogar a licença-paternidade
dos atuais cinco para 15 dias, e uma outra que incentiva as micro e
pequenas empresas (que já gozam de isenção fiscal)
a aderir ao Programa Empresa Cidadã.
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Folha
de São Paulo, 6 de agosto de 2007
Economia explica popularidade, diz Lula
sobre pesquisa
Aprovação do presidente permanece
em 48%, segundo Datafolha, apesar de caos aéreo e acidente da
TAM
| Em encontro do PSDB, Serra diz não ter visto pesquisa; deputados tucanos
criticam governo e afirmam que o "teflon começa a trincar"
LETÍCIA SANDER
ENVIADA ESPECIAL À CIDADE DO MÉXICO
Ao chegar na noite de ontem à Cidade do México, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva disse que não se preocupa com pesquisas.
Foi uma resposta ao resultado do Datafolha de ontem, que mostra a popularidade
do presidente inabalada, apesar do caos aéreo que se prolonga há 10
meses e do acidente com o avião da TAM.
"Vocês me conhecem
há muitos anos e sabem que a mim não me preocupam pesquisas",
afirmou. O presidente creditou o bom desempenho aos "números
mais que satisfatórios" da economia brasileira. Lula disse
que "as coisas no Brasil estão indo, os números
da economia estão mais do que satisfatórios", e
que o Brasil entrou "definitivamente no caminho do crescimento
econômico e do desenvolvimento". Acrescentou: "O povo
tem percebido isso, porque isso termina resultando em conquistas diretas
da sociedade".
Nos bastidores, o presidente
comemorou o resultado da pesquisa, segundo o blog de Josias de Souza. "De
notícia boa eu nunca canso", disse Lula, segundo o blog,
numa alusão ao movimento "Cansei". A oposição
também comentou a pesquisa, que revelou que 48% acham o governo ótimo
ou bom, mesmo índice de março.
"A parcela que tem nível
de informação adequado é pequena. Isso beneficia
um governo demagógico, que tem o ministério da propaganda
martelando na cabeça das pessoas. O Lula não é o
pai dos pobres, é o pai dos desinformados", afirmou o líder
do PSDB na Câmara, Antonio Carlos Pannunzio.
No Congresso Estadual do PSDB,
na Praia Grande (SP), o governador de São Paulo, José Serra,
disse desconhecer os resultados. "Eu vou analisar. Em todo caso,
não sou comentarista político dos jornais. Isso cabe
aos jornalistas analisarem", disse. Minutos antes, ao discursar,
ele fez críticas indiretas ao governo Lula. "O PSDB governa
para todos. Não para uma patota, não para uma turma de
amigos. Quando estamos na oposição, nunca jogamos no
quanto pior melhor".
Também em discurso ao
partido, o presidente da Assembléia Legislativa de São
Paulo, Vaz de Lima, atribuiu o desempenho de Lula a uma deficiência
de comunicação do PSDB na divulgação de
seu trabalho e nas críticas ao governo. Alguns tucanos apostaram
que um desgaste do presidente virá.
"Essa situação
não vai durar indefinidamente. Este é um governo inerte",
disse o deputado federal Arnaldo Madeira. Ao analisar a queda de aprovação
de Lula entre os eleitores da classe média, Barros Munhoz, afirmou: "O
teflon que blinda Lula começa a trincar".
Aliados
Ontem, no Amazonas, o ministro
da Defesa, Nelson Jobim, ao ser questionado sobre o Datafolha, afirmou
que "os incidentes não podem ser atribuídos exclusivamente
ao presidente". "Há uma percepção nítida
da população de que o governo não está parado,
o governo age com determinação do próprio presidente",
disse.
No Congresso Estadual do PT
de São Paulo, o ex-ministro José Dirceu disse que "a
pesquisa retrata o carisma do Lula e os avanços do país".
Sobre os atos contra Lula, Dirceu disse que a oposição
tem direito de fazê-los. "Mobilização por
mobilização, nós também podemos fazer.
Temos capacidade para isso. Sou de opinião que tem de fazer.
Independentemente de eles fazerem ou não.
As ruas deste país
foram sempre nossas, das forças políticas populares."
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Folha de São Paulo,
6 de agosto de 2007
Classe média se divorciou de
Lula, diz analista
LEANDRO BEGUOCI
DA REPORTAGEM LOCAL
As vaias ao presidente Luiz Inácio
Lula da Silva nos Jogos Pan-Americanos e o movimento "Cansei" demonstram
que acabou a lua-de-mel entre o governo e a classe média. Essa é a
avaliação do historiador José Murilo de Carvalho,
67. O professor da UFRJ diz que o presidente tem dificuldade de aceitar
oposição e que, se quiser evitar ainda mais turbulências
durante o seu mandato, terá de aplacar a classe média de
alguma maneira. O historiador a define como "a senhora da opinião
pública". Abaixo, os principais trechos da entrevista, feita
por e-mail, à Folha.
FOLHA - As vaias na abertura do PAN, o movimento "Cansei" e
o desgaste com o caos aéreo são sinais são sinais
de que acabou a lua-de-mel entre Lula e a classe média?
JOSÉ MURILO DE
CARVALHO - A lua de mel com a classe média já tinha
acabado desde a última eleição. As vaias são
a manifestação pública do divórcio.
FOLHA - Quais são
as conseqüências para o governo, a curto e médio
prazo, da insatisfação? E para o PT?
CARVALHO - Alguém
disse muito bem que já se pode ganhar eleição sem
classe média, mas é difícil governar sem ela. A
classe média não pode ser conquistada com Bolsa Família
nem com aumentos de salário mínimo. E ela é a senhora
da opinião pública. Se quiser evitar mais turbulência,
o governo terá que aplacá-la de algum modo.
FOLHA - O PT e a CUT
traçam paralelo entre movimentos insatisfeitos com Lula e organizações
apoiadoras do golpe de 1964. Há quem compare o "Cansei" à "Marcha
da Família". O que o sr. acha disso?
CARVALHO - Retórica.
Dificuldade de aceitar oposição. Dificuldade de entender
que há um Brasil importante entre o povão e os banqueiros.
FOLHA - Há alguma
chance de o "Cansei" ganhar força a ponto de se tornar
um grupo comparável ao MST durante o governo FHC?
CARVALHO - Não.
A classe média foi para as ruas em 1964 movida por razões
religiosas e políticas, como o anticomunismo, muito fortes, que
tinham respaldo popular. Voltou na campanha das Diretas e na do impeachment
do presidente Fernando Collor, também com respaldo popular. Agora,
esse respaldo é improvável. O apagão ético
e o apagão aéreo ajudam a desmoralizar o governo, mas não
despertam a reação das classes mais pobres.
FOLHA - O presidente
disse que a oposição está brincando com a democracia
e que ele sabe, como ninguém, colocar gente nas ruas. Qual o
significado das declarações?
CARVALHO - É uma
ameaça explícita. É o que [o presidente] Hugo Chávez
fez e está fazendo na Venezuela.
FOLHA - Lula também
disse que só os pobres poderiam estar bravos, já que
os ricos ganharam muito dinheiro com seu governo. Isso é uma
forma de "getulismo" escancarado?
CARVALHO - As
afirmações do presidente nunca primaram pela coerência.
A política econômica tem, sim, favorecido, e muito, o
setor financeiro e bastante o povão, mas não a classe
média, que está espremida entre o tostão e o milhão.
E é ela que está mais descontente.
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Folha de São Paulo,
6 de agosto de 2007
PT vai retomar Constituinte, diz Berzoini
Assembléia exclusiva para tratar
da reforma política será bandeira do Congresso Nacional
do partido
DA REDAÇÃO
O PT vai ressuscitar a proposta
de criação de uma Constituinte exclusiva para tratar da
reforma política, idéia polêmica já defendida
pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno da
eleição de 2006. O assunto deve se transformar numa bandeira
partidária no 3º Congresso Nacional do PT, a ser realizado
nos dias 30 de agosto a 2 de setembro.
O tema vem à baila diante
do iminente fracasso da votação da reforma política
no Congresso -ainda que Lula tenha não só tenha incluído
a reforma entre as prioridades de seu programa de governo como feito
a promessa de se empenhar por ela, horas após a confirmação
de sua reeleição em 31 de outubro do ano passado.
"Existe um movimento forte
no PT hoje, que pode se traduzir numa resolução [nacional],
favorável a uma Constituinte exclusiva e específica sobre
a reforma política para garantir que os eleitores -dissociados
da eleição normal do Parlamento- possam constituir uma
Assembléia Revisora da estrutura política do país
e que discuta uma agenda mais ampla, como o papel do Senado e decisões
envolvendo a democracia participativa", afirmou à Folha o
presidente nacional da legenda, Ricardo Berzoini (SP).
A votação da reforma
política deixou rusgas entre o PT e o presidente Lula. Para o
partido, Lula lavou as mãos.
"Achamos que um dos problemas
foi que o governo, o Palácio e o presidente, na votação
da reforma, não se manifestaram. Não houve posicionamento
político do governo. Foi uma questão tratada só no âmbito
do Parlamento e dos partidos. Isso foi um erro, porque o ideal seria
que o governo se manifestasse", desabafou Berzoini, que também
se desgastou no escândalo do dossiegate -tentativa de petistas
de comprar um dossiê contra políticos do PSDB.
Por conta do episódio,
Berzoini perdeu o posto de coordenador-geral da campanha de Lula pela
reeleição e, em seguida, de presidente da legenda.
"O presidente Lula poderia
ter se posicionado de forma mais afirmativa a favor da reforma política,
pois esse é um tema importante demais para se dizer que é só atribuição
do Congresso", endossa o deputado Maurício Rands (PT-PE),
que acompanha a tramitação do projeto na Câmara.
Plebiscito
Segundo Berzoini, a Constituinte
poderia analisar a possibilidade de realização de plebiscitos
e referendos no futuro. Essa idéia também não é nova.
O PT já havia debatido reservadamente a idéia de fazer
plebiscitos, tema que foi encarado por adversários como uma forma
disfarçada de o partido propor um terceiro mandato para Lula,
a partir da implantação de um sistema parlamentarista.
O PT sustenta a proposta da Constituinte
para a reforma política sob a alegação de que é impossível
que os parlamentares se disponham a alterar regras que os beneficiam.
Portanto, seriam eleitos constituintes exclusivos, que não se
confundiriam com os parlamentares, só para discutir uma reforma.
Os petistas contam com o apoio
de segmentos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e do movimento sindical. "Essa
proposta será letra morta sem mobilização popular",
admite Berzoini.
As crises políticas de
2005 e 2006 -o mensalão e o dossiegate, respectivamente- geraram
feridas ainda não cicatrizadas no PT. Boa parte da bancada se
rebelou, na votação da reforma política em junho,
contra a proposta de lista fechada por temer desmandos da cúpula
partidária, responsável por definir a ordem em que os candidatos
apareceriam.
Chegou-se a cogitar punições
no partido, já que a Executiva e o Diretório Nacional
recomendaram a votação na lista fechada e no financiamento
público de campanhas. A idéia de eventuais processos
disciplinares foi abandonada pela direção em prol da
defesa da Constituinte. "Houve um momento de divisão, já superado",
diz o petista. (MALU DELGADO)
|
Folha
de São Paulo, 6 de agosto de 2007
Chávez agora diz que "pode
esperar" por Mercosul
Venezuelano nega ter dado ultimato até setembro
para que bloco aprove sua adesão
| Declarações na TV ocorrem na véspera de viagem à América
do Sul; embaixador diz que governo brasileiro fará "todos os esforços"
Miraflores/Efe

Chávez saúda convidado cubano no programa "Alô Presidente"
FABIANO MAISONNAVE
DE CARACAS
Na véspera de iniciar
uma turnê pela América do Sul, o presidente Hugo Chávez
negou que tenha dado um ultimato aos Congressos brasileiro e paraguaio
para entrar no Mercosul e disse que esperará "um pouco
mais" a aprovação do ingresso da Venezuela no bloco.
"Que ultimato vou dar
ao Congresso do Brasil ou ao do Paraguai, que são entidades
soberanas?", disse Chávez, durante o programa semanal "Alô Presidente",
que ontem contou com a presença de vários embaixadores
da região, entre os quais o brasileiro, João Carlos de
Souza-Gomes.
Em 3 de julho, Chávez
disse que esperaria até setembro para que os Congressos do Brasil
e do Paraguai aprovassem a entrada no Mercosul, do contrário
retiraria a solicitação. No mesmo dia, chamou de "impertinente" a
sugestão do chanceler Celso Amorim de que era necessário
um "gesto positivo" do presidente venezuelano para o Congresso.
Ontem, Chávez disse
que "poderíamos esperar um pouco mais" para a aprovação
nos dois países e que esse prazo era para a própria Venezuela,
e não para os dois Parlamentos.
"É como tocar a porta de um vizinho. Você vê que tem
gente dentro, a luz está acesa, tem um ruído, e não lhe
abrem", comparou Chávez. "Então chega um momento em que
você diz: "essa gente não me quer", você se retira,
verdade?"
No final, Chávez cedeu
a palavra aos embaixadores. O brasileiro Souza-Gomes prometeu que "o
Executivo brasileiro desenvolverá todos os esforços de
forma a atuar no Congresso em favor do ingresso rápido da Venezuela
ao Mercosul".
Colaboradora de Chávez
na campanha no referendo de 2004, a representante argentina em Caracas,
Alicia Castro, ressaltou que o Parlamento da Argentina já aprovou
a entrada da Venezuela no Mercosul e disse que "o processo revolucionário é um
farol que inspira, ilumina e que compromete os revolucionários
e revolucionárias do mundo inteiro".
A crise entre Chávez
e o Congresso brasileiro começou no início de junho,
quando o Senado aprovou um requerimento exortando Caracas a rever a
decisão de não renovar a concessão do canal oposicionista
RCTV. Em resposta, o venezuelano chamou o Senado de "papagaio
de Washington".
Hoje, Chávez inicia
uma viagem por quatro países da região, incluindo Argentina
e Uruguai, os dois países do Mercosul cujos Parlamentos já aprovaram
a entrada da Venezuela no bloco. Ele visitará também
a Bolívia e o Equador.
O itinerário incluirá um
encontro com os colegas Néstor Kirchner e Evo Morales na Bolívia,
onde deverão ser assinados acordos energéticos.
Iniciado por volta de
11h locais (1h a menos que Brasília), o "Alô Presidente" de
ontem, gravado no Palácio Miraflores, durou até 19h15,
sem intervalo. Segundo o próprio Chávez, que falou
a maior parte do tempo, foi um recorde de duração.
|
Folha
de São Paulo, 6 de agosto de 2007
Cobrança de tarifa rende a bancos
até 20% da receita
Em 1994, percentual estava em 6,5%; ganhos com
serviços impulsionam lucros recordes | Levantamentos mostram que
nos últimos anos setor ampliou número de serviços
cobrados e reajustou parte das tarifas acima da inflação
FABRICIO VIEIRA
DA REPORTAGEM LOCAL
Cada vez mais os bancos têm
se beneficiado das receitas obtidas com os serviços bancários.
Desde o começo do Real, em 1994, nunca foi tão expressiva
a participação desse segmento nas receitas totais obtidas
pelo sistema bancário. E os clientes têm pago boa parte
dessa conta.
Em 1994, os serviços
bancários representaram 6,5% de toda a receita obtida pelo sistema
de bancos. Em 2006, esse percentual saltou para 17,7%, patamar recorde
no período. Ou seja, a cada ano as instituições
têm tido na receita advinda dos serviços bancários
uma fonte crescente de recursos para turbinar seus lucros recordes.
Estudo feito pela consultoria
Austin Rating, a pedido da Folha, mostra ainda que, se forem considerados
apenas os dez principais bancos, esse percentual é ainda maior,
alcançando 19,7% no ano passado.
Em 2006, as receitas com serviços
bancários em todo o sistema financeiro totalizaram R$ 52,84
bilhões, o que representou uma elevação de 734,7%
em relação ao registrado em 1994. No período,
a inflação acumulada pelo IPCA foi bem inferior, de 157%.
"Houve uma grande transformação
na indústria bancária. Até o início do
Real, os bancos ganhavam muito dinheiro com o custo inflacionário.
Na última década, a receita com serviços bancários
foi ampliando sua importância no resultado dos bancos. E ainda
há espaço para essa expansão prosseguir, com novos
serviços que passam a ser taxados", afirma Erivelto Rodrigues,
presidente da Austin Rating.
Reajustes
Os serviços bancários
são representados, principalmente no caso de pessoa física,
por tarifas e taxas de administração de fundos. Para
os clientes pessoa jurídica, há também uma parcela
importante de tarifas oriundas dos negócios relacionados ao
comércio exterior.
Nesse novo cenário,
o percentual das despesas com pessoal dos bancos coberto com as receitas
de serviços sofreu nos últimos anos uma mudança
considerável. No começo do Real, cerca de 40% das despesas
com pessoal eram cobertas com a receita de serviços. No ano
passado, esse percentual chegou a 115%: pagou-se toda a folha e ainda
sobraram recursos.
Levantamento realizado pelo
economista Miguel José Ribeiro de Oliveira, em que foi avaliada
a evolução das tarifas bancárias entre 2001 e
2006, mostrou que grande parte das instituições vem reajustando
suas tarifas com índices superiores aos de inflação.
Além disso, houve um
crescimento de 39 para 41 na média do número de tarifas
cobradas pelos bancos no período. As instituições
financeiras trabalham com um leque que alcança 64 tarifas, segundo
o Banco Central, cobradas dos clientes do tipo pessoa física.
"Presenciamos, nos últimos
anos, um aumento no número de tarifas cobradas pelos bancos.
Tem crescido o número de serviços que antes não
eram tarifados e agora são. Além disso, muitos tiveram
reajustes acima da inflação", afirma Oliveira, que
também é vice-presidente de Estudos e Pesquisas Econômicas
da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças,
Administração e Contabilidade).
Concentração
Os últimos anos também
têm sido marcados pela maior concentração do sistema
bancário. A cada ano, fusões, aquisições
e mesmo falências têm feito com que o número de
bancos em atividade diminua. Em outras palavras, há uma menor
oferta de instituições no mercado para os clientes buscarem
melhores oportunidades.
Em 2000 havia 191 bancos
em funcionamento no país, já em março deste
ano, eram 156 instituições. Os dados são do
BC, sendo considerados os bancos múltiplos e comerciais.
" E o processo de concentração ainda vai aumentar nos próximos
anos", avalia Rodrigues, da Austin Rating.
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 06 de agosto de 2007
| Economia
Emprego
Indústria eletrônica
abre 9 mil vagas em junho
As indústrias do setor eletroeletrônico
abriram 9,1 mil novas vagas diretas no primeiro semestre deste
ano, segundo dados divulgados da Associação Brasileira
da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).
Com as contratações, o número de trabalhadores
diretos nas empresas do setor chega a 151.960. Apenas no mês
de junho foram criadas 1.360 vagas. Em relação a
maio, quando foram registrados 150.600 empregos diretos, o crescimento é de
0,9%. As áreas que mais contrataram foram as de equipamentos
industriais, automação industrial e imagem e som.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 06
de agosto de 2007 | Paraná
Mundo Corporativo
Depressão começa no trabalho
Trabalhos estressantes dobram
os riscos de que o profissional passe a sofrer de depressão, afirmam
pesquisadores britânicos em artigo publicado na revista Psychological
Medicine. Um estudo envolvendo mil participantes com 32 anos de idade
revelou que 45% dos casos novos de depressão ou ansiedade apresentados
no grupo estavam associados à alta pressão no trabalho.
Os pesquisadores definiram um trabalho estressante como aquele em que
o profissional não tem controle sobre sua rotina, trabalha longas
horas, com prazos não negociáveis e grande volume de tarefas.
O estudo sugere que o empregador precisa fazer mais para proteger a saúde
mental dos funcionários.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
05 de agosto de 2007
Estudo revela que escolaridade fará Brasil
avançar
Redação O Estado
do Paraná
Até 2020, a escolaridade média da população brasileira
em idade ativa deverá passar dos atuais 7,4 anos para 9,3 anos de estudo.
Cada ano a mais de escolaridade tem o poder de aumentar a renda individual
em cerca de 10%. Esta é apenas uma das constatações apresentadas
em estudo realizado pela Ernst & Young, com as perspectivas do Brasil no
médio prazo. Os fundamentos são favoráveis não
apenas na economia, mas em diversos outros aspectos da vida nacional. O capital
humano, por exemplo.
Foi o que aconteceu com a Coréia do Sul, cuja população,
há 57 anos, tinha nível de escolaridade semelhante ao dos brasileiros,
na faixa de 3 anos. Ao contrário do Brasil, o país asiático
aumentou rapidamente essa taxa para 12 anos de estudo, alcançando, a
partir de 1980, um aumento médio de produtividade de 2,2% ao ano. A
brasileira não foi além de 0,8%.
No cenário projetado no estudo da E&Y, a renda per-capita nacional
deverá atingir US$ 21,3 mil em 2020. Embora positivo, esse patamar ainda
está aquém de países com índices mais altos de
formação de capital humano, uso intensivo de tecnologia e taxas
de investimentos mais expressivas, caso de Estados Unidos, Japão, Chile
e Coréia do Sul.
Investimentos continuam
A taxa média de investimentos no País, até 2020, ficará na
faixa de 19,2% do PIB, pouco inferior à dos últimos 15 anos.
Entre os inibidores dos investimentos estão os gargalos no setor de
infra-estrutura.
Mas o impacto dessa pequena retração não afetará o
PIB nacional, devido à melhoria da produtividade do capital. O investimento
direto estrangeiro tampouco apresentará alterações significativas,
devendo se manter na média dos últimos anos, em US$ 20,4 bilhões,
projeta o documento.
Setor imobiliário
Entre os setores da economia brasileira mais bem aquinhoados com os novos investimentos
destaca-se a habitação. O setor, além de se beneficiar
da consistente queda dos juros, já foi alvo de reformas importantes,
como a criação da alienação fiduciária e
do patrimônio de afetação, a abertura de capital das construtoras
e incorporadoras, entre outros.
As exportações também devem continuar em alta, com um
avanço médio de 5,5% ao ano, com maior ênfase aos industrializados,
que poderão render ao País quase US$ 211 bilhões, em 2020.
Quanto à carga tributária, sem perspectivas consistentes de redução
significativa a curto e médio prazos, o estudo da E&Y avalia que
já será positivo se os atuais patamares forem mantidos.
Em resumo, o estudo da E&Y indica crescimento da economia brasileira, mesmo
sem reformas radicais. Mas enfatiza a necessidade de ações ainda
que pontuais, como avanços da regulação no setor de infra-estrutura
- especialmente no que se refere à área ambiental -, a retomada
dos investimentos públicos e mudanças gradativas no sistema de
previdência e na legislação trabalhista. (Da redação)
|
JORNAL DO ESTADO, 06 de agosto
de 2007 | Economia
Sonho da casa própria: Quem
deixar para 2008, economizará para escritura
Segundo Anefac, novas regras podem
reduzir em até 4% valor do financiamento
Ana Ehlert, do Jornal do Estado

Novas regras para financiamento da casa própria com uso do FGTS prevê juros
menores
Vale a pena esperar para comprar
a casa própria no próximo ano. A afirmação
tem como base o cálculo feito por Miguel José Ribeiro de
Oliveira, diretor Executivo de Pesquisas Econômicas da Associação
Nacional dos Executivos de Finanças, Administração
e Contabilidade (Anefac), que projeta uma economia de até 4% na
prestação e no financiamento, a partir de 2008, de acordo
com as novas regras para o uso do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
(FGTS). “O valor economizado, se guardado devidamente, poderá contribuir
para que este consumidor utilize-o em suas despesas de registro e transferência
do imóvel ao término do financiamento”, afirma Oliveira.
A simulação foi
feita em cima de um financiamento de 10 anos (120 meses) com empréstimo
bancário de 80% do valor final do imóvel. O exemplo foi
escolhido por ser o mais comum entre os financiamentos feitos com o uso
do FGTS.
No caso, o valor final do financiamento
para a faixa de R$ 1.875 passa de R$ 89.338,55 para R$ 87.665,92. Para
a faixa de R$ 1.875,01 a R$ 3.900 e da R$ 3.900,01 a R$ 4.900 — que
serão unificadas — o valor do final do financiamento cai
de R$ 96.519,62, no caso da faixa menor, e R$ 98. 171,53, caso da faixa
maior de renda, para R$ 94.863,80.
Aprovado na semana passada, as
novas regras de financiamento habitacional com recursos do fundo prevêem,
entre outras coisas, juros menores para quem estiver inscrito no fundo
há pelo menos três anos na compra de imóveis entre
R$ 80 mil e R$ 130 mil.
A redução é de
0,5% ponto porcentual (de 8,66% para 8,16% ao ano) jpa neste ano e, a
partir de janeiro do próximo ano, a correção passa
para 7,66% ao ano para as contas ativa há três anos, mais
a Taxa de Referência (TR). Além disso, houve alteração
da faixa de renda. O financiamento agora pode ser feito pela família
com renda de 5 salários mínimo (R$ 1.900) até R$
4.900.
Oliveira destaca ainda como fator
positivo da medida a ampliação dos limites nos empréstimos.
Como a escala de valores e taxa foi feita de acordo com a área,
nos municípios o crescimento será de 11% para financiamentos
nos demais municípios, nas Capitais de 25% nos financiamentos
e de 30% nas regiões metropolitanas possibilitando a compra de
imóveis maiores e de melhor qualidade para os consumidores.
Sobre a ampliação
igualmente das faixas de renda, Oliveira ressalta em seu estudo que a
medida possibilita àqueles que possuem uma faixa de renda maior
(por exemplo, de até R$ 4.900,00) terem acesso a um financiamento
com taxas de juros menores, como é o caso de financiamento com
recursos do FGTS. “Antes um consumidor que tivesse uma renda de
R$ 4.900,00 e quisesse fazer um financiamento imobiliário, somente
conseguiria fazer o mesmo com recursos fora do FGTS na carteira livre
dos bancos ou com recursos da poupança. Nestes casos o custo é superior
a 12% ao ano porcentual, bem maior do que encontra nos financiamentos
com recursos do FGTS (8,66% ao ano hoje e de 7,66% ao ano a partir de
2008)”, finaliza o executivo.
Em linhas gerais, as novas regras
do FGTS
Renda -
de 5 salários mínimos até R$ 4.900.
Imóveis - de R$ 80 mil a R$ 130 mil
Juros - Redução de 0,5% p.p. ( de
8,66% para 8,16 aa)
Janeiro de 2008 - 7,66% aa para contas ativas há três
anos
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REVISTA ISTO É, 06 de agosto de 2007
Os EUA no golpe de 64
Documentos americanos revelam que a CIA
apoiou as Marchas com Deus pela Liberdade e estava em sintonia
com golpistas
RUDOLFO LAGO

APOIO LOGÍSTICO EUA temiam resistência e
enviaram ajuda aos golpistas. Não foi preciso
Sempre se soube que as Marchas da Família com Deus pela Liberdade – passeatas
que ajudaram a criar, junto à opinião pública, as condições
políticas para o golpe militar de 1964 – foram organizadas por
entidades anticomunistas e por grupos conservadores. O que não se sabia é que
entre as senhoras católicas estavam agentes da CIA, a Agência
Central de Inteligência dos EUA. Uma série de documentos secretos
recentemente desclassificados pelo governo americano revela o envolvimento
direto da agência nos acontecimentos que levaram à ditadura militar.
O papel que demonstra o patrocínio americano às Marchas da Família
foi descoberto pelo cientista político Luiz Alberto Moniz Bandeira,
um dos maiores especialistas nas relações entre Brasil- Estados
Unidos. Trata-se de um telegrama “top secret” enviado pelo então
embaixador americano no Brasil, Lincoln Gordon, à Casa Branca, ao Departamento
de Estado e à CIA no dia 27 de março de 1964, quatro dias antes
do golpe. No telegrama, Gordon menciona que a CIA empreendera covert measures
(medidas encobertas) para viabilizar as passeatas: “Suporte velado às
passeatas pró-democracia (a próxima grande acontecerá no
dia 2 de abril aqui no Rio, e outras estão sendo programadas), uma discreta
palavra do governo dos EUA demonstrando preocupação com esses
eventos e o encorajamento de sentimentos democráticos e anticomunistas
no Congresso, nas Forças Armadas e nos grupos amigáveis de trabalhadores,
estudantes, na Igreja e nos negócios.”

Os americanos monitoravam até os
passos do general Humberto Castello Branco, que, como chefe do Estado-
Maior do Exército, comandava a conspiração e se
tornaria o primeiro presidente do período militar. No dia 27
de março de 1964, um telegrama de Lincoln Gordon para várias
autoridades americanas informava que a intenção de Castello
Branco era a de atuar “somente no caso de uma óbvia provocação
inconstitucional”. Mas que ele já estava preparado para
as hipóteses em que isso aconteceria: “Uma greve geral
comandada por um líder comunista, outra rebelião de sargentos,
uma proposta de plebiscito pelo Congresso ou alguma medida governamental
contra os líderes democráticos militares e civis.” E
Gordon já sugeria um envolvimento direto dos Estados Unidos.
Comparava, então, o Brasil não a Cuba, mas à China
de Mao Tsé-tung.
O embaixador sugeria ajuda militar aos golpistas – o que acabou acontecendo.
Um telegrama enviado a ele pelo Departamento de Estado americano no dia 31
de março de 1964 reporta o envio de ajuda militar para alguma eventualidade.
Um petroleiro com combustível foi deslocado do Porto de Aruba para as
imediações de Santos. O telegrama estima que o navio chegaria à costa
brasileira entre os dias 8 e 13 de abril. Em seguida, seriam despachados três
navios-tanques. Além deles, foram enviados, informa o telegrama, um
porta-aviões, quatro destróieres, dois navios-escolta e uma força-tarefa
com os petroleiros. Acompanhando os navios, 110 toneladas de munição.

Os informes demonstram ainda um acompanhamento
em sintonia fina do movimento das tropas golpistas. Um telegrama da
CIA do dia 31 de março dizia: “Uma revolução
promovida pelas forças anti-Goulart deverá concluir-se
definitivamente esta semana, provavelmente nos próximos dias.” Segundo
o informe, as últimas negociações envolviam os
Estados sob controle de “governadores democratas”, São
Paulo (Adhemar de Barros, depois cassado como corrupto) e Minas Gerais
(Magalhães Pinto). “Depois que a revolução
se iniciar, tropas de São Paulo e Minas Gerais marcharão
sobre o Rio de Janeiro.” O telegrama apenas alertava para a possibilidade
de sangue. “A revolução pode não se resolver
rapidamente”, dizia. Na verdade, praticamente não houve
resistência ao golpe, precipitada em Minas Gerais pelo general
Olympio Mourão Filho.
Esses documentos adicionam novos elementos às recentes informações
que demonstram o envolvimento direto de Washington nos acontecimentos que levaram à deposição
do então presidente João Goulart. Em 15 de julho, o jornal Folha
de S.Paulo publicou os detalhes de um “Plano de Contingência para
o Brasil” idealizado por Lincoln Gordon propondo medidas para evitar
que o Brasil “se transformasse numa nova Cuba”.

Há duas semanas, o jornal Correio
Braziliense revelou a existência de um Centro de Informações
do Exterior, montado no Itamaraty, que tinha por tarefa principal monitorar
as ações de brasileiros no Exterior, como o próprio
Goulart e os ex-governadores Leonel Brizola e Miguel Arraes. O Centro
de Informações do Exterior (Ciex – não confundir
com o homônimo Ciex, serviço secreto do Exército)
foi criado em 1966 esse serviço secreto do Itamaraty foi idealizado
pelo embaixador aposentado Manoel Pio Corrêa, que então
servia no Uruguai. Em seu livro de memórias, Por dentro da Companhia,
o ex-agente da CIA Philip Agee afirma que Pio Corrêa era agente
da CIA. “A CIA sempre teve entre seus colaboradores diplomatas,
militares, estudantes, jornalistas, professores, enfim, gente de todas
as profissões”, afirma Moniz Bandeira.
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REVISTA ISTO É, 06 de agosto de 2007
Crédito contra pobreza
Como funciona o banco que empresta aos
pobres , ajuda a tirar um país da miséria e deu
a seu fundador o prêmio nobel da paz
Por EDUARDO SUPLICY

DENSIDADE Em Bangladesh, 145 milhões de pessoas ocupam área
semelhante ao Paraná
A densidade populacional de Bangladesh é impressionante. Neste país
vivem aproximadamente 145 milhões de pessoas para um território
de 144 mil quilômetros quadrados. É como se toda a população
brasileira habitasse o Estado do Paraná, por exemplo. Dacca, a capital,
tem uma população semelhante à de São Paulo, mas
o número de pessoas por quilômetro quadrado é muito superior.
O trânsito é caótico. Riquixás, bicicletas, motocicletas,
automóveis que não param de buzinar, ônibus lotados, por
vezes com passageiros na capota, circulam no meio de pessoas que cruzam as
ruas em todas as direções disputando espaço. A pobreza é grande.
Ao sair dos hotéis, verdadeiras ilhas de conforto, qualquer pessoa é cercada
e seguida nas ruas por pedintes. São homens, mulheres, idosos, muitos
aleijados, crianças sem roupa carregando outras no colo. O comércio
informal é tão ou mais importante do que o formal. A produtividade é baixa.
Muito diferente do que se vê em cidades como Pequim ou Seul, onde impressionam
os numerosos guindastes da construção de edifícios, aqui
quase ausentes.

YUNUS E SUPLICY: distribuição
de renda
Neste ambiente tão problemático há uma pessoa que acredita
firmemente no que tem feito para elevar o padrão de vida das pessoas
aqui. É o professor Muhammad Yunus, o Prêmio Nobel da Paz em 2006.
Tornou-se conhecido por ter criado a mais notável experiência
de microcrédito no mundo através do Grameen Bank, ou Banco do
Vilarejo. Yunus percebeu que na cidade de Jobra, perto do campus da Universidade
de Chittagong, as pessoas batalhavam para sobreviver com pequenas somas de
dinheiro. Lá encontrou uma mulher, que como as demais na região,
fazia empréstimos de pequenas quantias para a compra de matéria-
prima para fazer artesanato. Como o juro pago ao agiota era muito alto, as
pessoas eram obrigadas a vender sua produção com margem mínima
de lucro. A condição era a de uma escrava. Yunus fez então
uma lista de 42 pessoas que eram vítimas desse tipo de procedimento
naquela vila. Somados todos os valores individuais, elas precisavam de US$
27 no total. Ele resolveu então emprestar para elas os recursos
de seu próprio bolso, com taxas de juros módicas. Ficou impressionado
porque todas pagaram seus compromissos em dia. Procurou gerentes de
bancos e banqueiros para convencê-los a emprestar dinheiro para os pobres
sem garantia colateral que não fosse a sua própria palavra. Não
conseguiu. O professor decidiu ousar e mostrar que tinha razão. Em 1983
organizou o Grameen Bank, que hoje empresta recursos para 7,5 milhões
de pessoas pobres de 73 mil vilas em Bangladesh. Oitenta por cento das pessoas
pobres no país já receberam empréstimos do Grameen, num
total de mais de US$ 6 bilhões.

MULHERES Responsáveis por 90% dos
créditos
O grau de cumprimento dos compromissos é superior a 99%. O resultado é que
58% dos que receberam empréstimos já deixaram para trás
a linha de pobreza. Hoje o Grameen empresta recursos tanto para atividades
em que as pessoas decidam iniciar um empreendimento, comprando desde uma vaca
ou algumas galinhas até equipamentos industriais para a produção
de mercadorias, quanto recursos para a construção de casas. Com
isso, mais de 640 mil estudantes prosseguiram seus estudos de nível
médio ou superior. Até os pedintes receberam empréstimos
para que iniciassem atividades de trabalho e deixassem a mendicância.
A experiência de visitar Bangladesh foi fantástica. Passei um
dia na vila de Singair, a uma hora da capital. Assisti à reunião
de cerca de 70 mulheres que recebem empréstimos há vários
anos.
Elas me contaram como o microcrédito elevou o padrão de vida
delas. De uma vaca, passaram à criação de várias
outras, com a venda de leite e derivados. De algumas roupas artesanais, passaram
a reproduzir muitas peças, de melhor qualidade. Seus filhos puderam
estudar, construíram suas casas, ainda que de zinco e bastante simples,
e assim por diante. As mulheres são responsáveis por mais de
90% dos microcréditos. Elas formam grupos de cinco, que interagem entre
si com o objetivo de auxiliar umas às outras para que cada uma cumpra
seu compromisso de quitar seu empréstimo. Elegem uma coordenadora- líder,
com mandato de um ano que, por sua vez, se reúne com as coordenadoras
de inúmeros grupos, como o das 70 que estavam reunidas na vila rural
que conheci. Essa sistemática transformou as mulheres das vilas de Bangladesh,
elevando sua autoestima e dignidade perante a sociedade, os homens e a si mesmas.
Yunus recebeu-me com entusiasmo por ver que mais alguém do Brasil -
aqui já vieram os senadores Maguito Vilela e Cristovam Buarque - vinha
conhecer de perto os avanços obtidos pelo Grameen Bank e suas organizações
conexas. De minha parte, também vim para lhe falar, bem como à sua
equipe, de como será possível harmonizar o microcrédito
com a Renda Básica de Cidadania como instrumentos vitais para colocar
fim à pobreza e a promover o desenvolvimento.

DACCA A capital de um país ofereceu crédito
a 80% dos pobres
O entusiasmo do professor é tão grande que ele acredita ser possível,
em breve, erradicar a pobreza absoluta em todos os países. "Se
acreditarmos firmemente que a pobreza é algo inaceitável para
nós, e que ela não deve existir numa sociedade humana civilizada,
então temos que construir instituições apropriadas e políticas
para criar um mundo livre da pobreza", ressaltou ele em seu discurso na
cerimônia em que foi laureado com o Prêmio Nobel da Paz, em Oslo,
Noruega, em 10 de dezembro de 2006.
Desta forma, um dia a pobreza será passado, e o único lugar em
que as pessoas poderão saber o que ela representava será em museus
que serão criados, segundo a sua sugestão. O primeiro Museu da
Pobreza, me contou, será inaugurado em Copenhague, na Dinamarca, em
24 de setembro próximo, pois naquele país já não
existe a pobreza absoluta. Pouco depois de receber o Prêmio Nobel da
Paz, o professor Yunus disse que pensava fundar um partido político
e tentar se eleger primeiro-ministro de Bangladesh.
Mais recentemente, entretanto, avaliou que será melhor continuar com
as atividades em torno do Grameen Bank. Pesou muito para a sua decisão
o alto grau de corrupção que ainda caracteriza a política
em seu país. Em pronunciamentos recentes ele tem estimulado o povo,
sobretudo os jovens, a votar conscientemente em quem tenha um comportamento ético
exemplar. Mas não será surpresa para mim se em algum momento
no futuro as pessoas de Bangladesh o convidarem para liderar transformações
ainda mais importantes.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
06/08/2007
Acidente sem culpa da empresa não
dá direito a indenização
A Terceira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho manteve a decisão do Tribunal Regional do
Trabalho da 3ª Região (MG) que negou pedido de indenização
por danos morais e materiais feito pelos pais de uma empregada da Fundação
de Ensino e Tecnologia de Alfenas. A trabalhadora morreu em um acidente
de trânsito, quando era conduzida por motorista da entidade para
trabalhar na manutenção de instrumentos de telecomunicações
utilizados pela fundação.
Segundo o entendimento do TRT/MG,
mantido pelo TST, se não houve dolo ou culpa da empresa no acidente
automobilístico que vitimou a empregada, não há como
responsabilizá-la pelo pagamento de indenização
por danos morais e materiais. O relator do processo no TST, ministro
Alberto Bresciani, adotou dois fundamentos para negar provimento ao recurso:
a não demonstração de ofensa à lei e a impossibilidade
de rever matéria fática na atual fase recursal.
A empregada foi admitida pela
empresa em julho de 2002, como estagiária, para atuar como auxiliar
técnico. Em março de 2004 o contrato foi alterado, e ela
foi contratada como tecnóloga. No dia 7 de junho de 2004, quando
se deslocava no carro da empresa para fazer reparos em antenas radiotransmissoras,
sofreu um acidente automobilístico, vindo a falecer, aos 21 anos
de idade.
Os pais da jovem, um agricultor
e uma dona de casa, ajuizaram a reclamação trabalhista
em outubro de 2005, pleiteando a condenação da empresa
no pagamento de danos morais no valor de R$ 250 mil e danos materiais,
correspondentes aos gastos com funeral e a pensão vitalícia
de 2/3 da última remuneração da empregada (R$ 650,00),
com termo final ao tempo em que ela completaria 65 anos de idade.
A empresa, em contestação,
alegou que não teve culpa no acidente. Disse que o Fiat Uno dirigido
por seu motorista chocou-se de frente com um Gol que trafegava pela contramão.
Argumentou que os pais da jovem receberam mais de R$ 10 mil de seguro
pessoal e de seguro obrigatório (DPVAT). Por fim, afirmou que
a empresa não cometeu qualquer ato ilícito que fosse passível
de gerar indenização.
A Vara do Trabalho de Alfenas
(MG) julgou os pedidos improcedentes, e os pais da jovem pediram a revisão
da sentença no TRT, com fundamento na responsabilidade objetiva
da empresa. O TRT negou os pedidos, mantendo a decisão da Vara.
Novo recurso foi interposto, dessa vez ao TST. De acordo com o voto do
ministro Bresciani, o TRT, com base nas provas dos autos, concluiu que
a fundação não agiu de forma negligente, culposa
ou dolosa, inexistindo nexo causal entre o acidente e a conduta da empresa.
Assim, impossível rever os fatos e as provas, a teor da Súmula
nº 126 do TST. (AIRR-1314/2005-086-03-40.7).
Permitida a reprodução
mediante citação da fonte
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