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Agência Câmara,
11 de agosto de 2007
STF nega liminar do PSDB para punir
troca de partido
Uma decisão do Supremo Tribunal Federal na quinta-feira (9) reacendeu
a discussão sobre a fidelidade partidária. O ministro Celso
de Mello negou liminar pedida pelo PSDB para afastar os parlamentares
que trocaram o partido por outra legenda. A medida tem caráter
provisório, já que o Plenário do Supremo ainda deverá se
pronunciar sobre o caso, juntamente com outros dois mandados de segurança
impetrados pelo DEM e pelo PPS por motivo semelhante.
Na decisão, Celso de Mello reconhece a importância
da fidelidade partidária e destaca recente decisão
do Tribunal Superior Eleitoral segundo a qual os mandatos
obtidos nas eleições pelo voto proporcional,
como deputado federal, estadual e vereador, pertencem aos
partidos e não aos candidatos eleitos. Tal posicionamento
foi o que, inclusive, motivou os partidos de oposição
a pedirem no STF a retomada dos mandatos que perderam com
as trocas partidárias. Apesar disso, Celso de Mello
diz que, na decisão preliminar, não poderia
deixar de considerar antigo entendimento do STF sobre a não
aplicabilidade da fidelidade a parlamentares já empossados.
Cautela
Para o líder da Minoria, deputado Zenaldo Coutinho (PSDB-PA),
a decisão não significa que o jogo está perdido.
Na avaliação do parlamentar, Celso de Mello apenas quis
ser cauteloso e deixar para o plenário do Supremo a responsabilidade
de um novo posicionamento sobre o assunto. "Na verdade, o ministro
teve apenas, no meu entendimento, cautela e prudência, considerando
que nós estamos tratando de relações entre instituições.
Acredito que o entendimento moderno do Supremo será na direção
da fidelidade partidária" avaliou.
Já para o vice-líder do PR deputado Lincoln
Portela (MG), não cabe ao Judiciário decidir
sobre a fidelidade partidária. Na avaliação
dele, somente uma nova lei poderia alterar as regras atuais. "'O
relator do Supremo está dando seu voto favorável à lei.
Não está indo contra a lei, inclusive foi favorável
a duas jurisprudências anteriores. Os parlamentares
que mudaram de partido o fizeram com base em fatos e lei
ocorridas no passado; então, como você vai prejudicar
esses parlamentares agora?" questionou.
Reforma política
A fidelidade partidária faz parte dos projetos de lei da reforma
política que tramitam na Câmara. Mas a polêmica
em relação ao assunto tem dificultado o consenso sobre
a matéria. Segundo a Secretaria-Geral da Mesa Diretora, 40 deputados
mudaram de partido desde o início do ano. Juntos, os oposicionistas
PPS, PSDB e DEM perderam 24 deputados. Em contrapartida, o PR foi o
que mais recebeu parlamentares vindos de outros partidos. Foram 15
no total.
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Agência Senado, 11
de agosto de 2007
Alvaro Dias propõe reforma do
Poder Legislativo

O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) apresentou à Mesa do Senado na última
quinta-feira (9) quatro propostas de emenda constitucional (PECs 67,
68, 69 e 70, todas de 2007) e um projeto de lei complementar (PLS 465/07-Comp)
que visam à redução do número de deputados
e senadores no Brasil, mantendo o número de vereadores. Pela proposta,
o Senado perderia 27 membros, ficando com 54 - dois por estado -, a Câmara
dos Deputados teria 405 integrantes - 108 a menos que a composição
atual - e a composição das Assembléias Legislativas
teria o triplo do número de deputados federais daquele estado,
até o limite de 15, a partir do qual serão acrescidos tantos
quantos forem os deputados federais acima de cinco.
Os projetos prevêem uma redução escalonada
do número de parlamentares nos próximos quatro
pleitos. O número mínimo de deputados federais
de cada estado cai de oito para quatro. A assembléias
estaduais teriam uma redução de 37%, segundo
o senador. Já os representantes municipais continuarão
com o número determinado pelo Tribunal Superior Eleitoral
(TSE) em duas resoluções de 2004, que reduziram
o número de vereadores no Brasil de 60.229 para 51.748.
Alvaro Dias não prevê diminuição
da qualidade nem da qualidade dos trabalhos legislativos.
- A reforma do Poder Legislativo começa por esta
discussão - afirmou o senador, no dia anterior, ao
anunciar as propostas em Plenário. Na ocasião,
Alvaro Dias afirmou também que, diante da crise ética
que assaltou o Senado Federal, cabe ao próprio Congresso
Nacional propor medidas para sanear os problemas ora enfrentados.
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Diário Vermelho,
11 de agosto de 2007
Cristovam diz que "Cansei" é movimento "dos
que têm privilégios"
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) criticou, durante discurso realizado
na tribuna do Senado nesta sexta-feira (10), o movimento "Cansei",
coordenado pela Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP)
e que congrega uma ´seire de ONGs da elite paulista. "Não
basta ter cansaço parcial e sindical da parcela que tem direito
a privilégios", atacou o parlamentar.
Segundo informações da rádio Jovem Pan, o senador
criticou a eleição dos corruptos. "Eu cansei da vergonha
da corrupção que o documento fala, mas me cansei ainda
mais da corrupção nas prioridades. E ainda mais dos que
estão cansados dos corruptos os quais votaram e que na próxima
eleição votarão outra vez", ressalta.
Buarque fez ainda um desafio às agências
de publicidade que apóiam o movimento "Cansei".
Ele quer ver se elas assinam um compromisso que não
farão campanha para candidatos corruptos na próxima
eleição. No discurso, o parlamentar defendeu
ainda a educação no País.
Apesar das observações críticas,
Cristovam disse que participará do minuto de silêncio
em homenagem ao Brasil que o movimento Cansei pretende
promover no próximo dia 17 - quando o acidente com
o avião da TAM que explodiu no Aeroporto de Congonhas
(SP) completa um mês. Ele considerou, no entanto,
o movimento "pequeno", uma vez que o "cansaço" é só com
problemas que atingem diretamente "os que têm
privilégios".
As entidades que promovem o movimento dizem que a população
está cansada, entre outras coisas, "com o caos
aéreo, com o governo paralelo dos traficantes, com
as crianças nas ruas, com os empresários
corruptores, com as balas perdidas, com tanta corrupção
e com não fazer nada".
" Não é só em aeroporto que
a gente espera, é em parada de ônibus também,
debaixo de sol e chuva, com assalto. Nós precisamos
cansar mais do que o movimento "Cansei" está fazendo",
disse Cristovam.
Para o senador pelo DF, é preciso cansar também
do caos no transporte público brasileiro, das escolas
mal aparelhadas, das filas nos hospitais. O senador acredita
que as mães das crianças pobres deveriam
se cansar também e reclamar, exigindo mais qualidade
nas escolas, protestando junto aos prefeitos e até ajudando
professores que fazem greves por melhores salários.
" Cansem também. Está na hora de todo
mundo se cansar. Vocês não comprariam uma
televisão em uma loja que parecesse uma escola pública,
mas deixam suas crianças lá. Cansem dessa
história de que escola é restaurante-mirim.
Estou cansado da falta de cansaço de uma parcela
da população brasileira. Ou o povo cansa,
vai para a rua e briga, ou não vai conseguir nada.
Não pensem que daqui (do Congresso Nacional) sozinhos
vamos conseguir mudar tudo", afirmou.
Em aparte, o senador Sibá Machado (PT-AC) defendeu
a necessidade de todas as crianças e jovens brasileiros
terem acesso ao ensino médio. Para o senador, o
Ministério da Educação deveria tratar
apenas dos ensinos fundamental e médio. Sibá defendeu
que o ensino superior passe a ser responsabilidade do Ministério
da Ciência e Tecnologia ou de um ministério
exclusivo criado para esse fim.
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Valor Econômico,
11 de agosto de 2007
Ritmo da indústria eleva previsões
do PIB para 5% em 2007
A firme expansão da indústria no primeiro semestre, especialmente
do setor de automóveis, jogou para cima as previsões de
crescimento do PIB neste ano – 5% não é mais um teto.
O Bradesco revisou sua estimativa de 4,9% para 5,2% e o HSBC, de 4,7%
para 5,1%.
Uma série de fatores impulsiona a atividade econômica:
queda dos juros, expansão do crédito a taxas
mais baixas e prazos mais longos, aumento da renda e crescimento
do emprego. Para o segundo semestre, além da continuidade
dessas variáveis, espera-se também um impulso
fiscal. A economia do setor público para pagar os
juros da dívida (o superávit primário)
deve diminuir com o aumento de investimentos da União,
Estados e municípios.
A divulgação dos números de junho
confirmou o avanço da indústria. No segundo
trimestre, houve expansão de 5,8% na comparação
com o mesmo período do ano passado. Um índice
calculado pela MB Associados mostra que, em junho, 81,6%
dos 76 sub-setores cresceram em relação a
junho de 2006, "um sinal da robustez do atual ciclo
de expansão da indústria".
O diretor de pesquisa macroeconômica do Bradesco,
Octavio de Barros, diz que o desempenho da produção
industrial "sepulta quase definitivamente a tese da
desindustrialização da economia brasileira".
Ele diz não ver "nenhum fator que possa arrefecer
o investimento e o consumo das famílias nos próximos
meses".
O economista-chefe do HSBC, Alexandre Bassoli, acaba
de elevar de 5,5% para 6,8% a sua estimativa para a expansão
da produção industrial em 2007. Ele chama
a atenção para o resultado da indústria
automobilística em julho: expansão de 20,4%
na produção e de 31,1% nas vendas, em comparação
ao mesmo mês de 2006.
O ex-diretor do Banco Central (BC) Alexandre Schwartsman,
economista-chefe do ABN AMRO, manteve a previsão
de 4,5% para o aumento do PIB, mas já admite falar
em 4,9%, em razão da forte demanda doméstica.
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Gazeta do Povo, 11 de agosto
de 2007
BRASIL | MUNICÍPIOS
Justiça eleitoral cassou 159
prefeitos eleitos em 2004
São Paulo – A Justiça eleitoral já cassou
159 prefeitos dos 5.562 eleitos em 2004, segundo balanço divulgado
ontem pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O número representa
2,86% do total.
Do total, 156 prefeitos de 152 municípios foram
cassados pelos juízes eleitorais e pelos Tribunais
Regionais Eleitorais (TREs). O TSE decretou a cassação
de outros três prefeitos – de Fonte Boa (AM),
Goiana (PE) e Ajuricaba (RS) – que haviam sido
absolvidos pelos TREs. Além desses processos,
ainda existem 290 recursos relativos às eleições
de 2004 pendentes de julgamento no TSE.
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Gazeta do Povo, 11 de agosto
de 2007
ECONOMIA | CONVITE
Pochmann vai dirigir o Ipea
O economista Marcio Pochmann, ex-secretário
da gestão Marta Suplicy (PT) na Prefeitura de São
Paulo (2001-2004), aceitou o convite de Roberto Mangabeira
Unger, secretário de Estratégias de Longo Prazo,
para dirigir o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(Ipea). A posse deve ser na terça-feira. Pochmann é professor
livre-docente da Unicamp, à qual pertence o ministro
da Fazenda, Guido Mantega, e o novo presidente do BNDES,
Luciano Coutinho. A nomeação de Pochmann para
o Ipea sugere que os economistas desenvolvimentistas” estão
ganhando espaço no segundo mandato do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, em contraste com o predomínio
dos ortodoxos no primeiro governo petista.
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Folha de Londrina, 11 de
agosto de 2007
Seu Direito: DOIS EMPREGOS
Tenho dois empregos há mais de dez anos. Em um deles ganho um
salário mínimo, no outro 2,5 salários mínimos
em média. Em breve atingirei 35 anos de tempo de serviço.
Qual dos dois salários será base de cálculo para
minha aposentadoria?
A legislação previdenciária não
estabelece qual é a atividade principal e qual é a
secundária, quando exercidas concomitantemente, durante
o período contributivo de base de cálculo da
renda mensal inicial da aposentadoria.
Quando o segurado trabalha concomitantemente em dois empregos
com remunerações diferentes, as decisões
dominantes dos tribunais têm sido no sentido de que
deve ser considerada como principal a atividade que o segurado
recebia salário maior, contribuindo, conseqüentemente,
com valor superior para a Previdência.
Por outro lado, os tribunais entendem que não há a
possibilidade de se somar os dois salários recebidos
para fins de cálculo da renda mensal inicial para
uma única aposentadoria, a menos que o segurado preencha
as condições para a concessão da aposentadoria
em ambos os empregos, ou seja, tenha o tempo de 35 anos para
aposentadoria integral em cada um dos empregos ou, pelo menos,
para a aposentadoria proporcional, dependendo de cada caso.
Portanto, conforme a maioria das decisões dos nossos
tribunais, inclusive do Tribunal Regional Federal da 4ªRegião,
no presente caso a remuneração que será base
de cálculo da aposentadoria do segurado será a
de 2,5 salários mínimos, por ser a atividade
que lhe vertia melhor proveito econômico.
Fábio Antonio da Silva Martin,
advogado em Londrina
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Jornal do Estado, 11 de
agosto de 2007
Economia
INSS deixa de cobrar na Justiça
dívida de contribuintes até R$ 10 mil
Dados do ministério apontam a existência de 354.657 destas
dívidas
Redação Bem Paraná
Já está em vigor portaria do Ministério da Previdência
Social que prevê a cobrança administrativa de dívidas
de até R$ 10 mil de contribuintes do Instituto Nacional do Seguro
Social (INSS), sem necessidade de recorrer à Justiça. Segundo
o presidente do INSS, Marco Antônio Oliveira, a mudança
visa a reduzir os custos do órgão com processos judiciais.
Dados do ministério apontam a existência de 354.657 dívidas
com o INSS cujos valores não chegam a R$ 10 mil. O total é de
R$ 1 bilhão.
“O objetivo é basicamente economia. Muitas vezes, ações
dessa magnitude implicam processos muito mais onerosos, muito mais
caros que o custo da própria ação. Então
onde houver uma situação que nós identificamos
que o custo da ação é maior do que o ganho que
ela porventura possa resultar, vamos optar por não recorrer”,
disse Oliveira, em entrevista à Rádio Nacional.
De acordo com a portaria, a execução fiscal dos débitos
só será ajuizada quando o contribuinte tiver mais de
uma dívida, cuja soma for maior que R$ 10 mil. Segundo informações
da assessoria de imprensa do ministério, a medida equipara o
teto do INSS para cobrança judicial com o que já vinha
sendo praticado pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.
A cobrança administrativa de dívidas previdenciárias é feita
por carta, enviada pela Procuradoria Federal aos devedores. Caso esse
devedor não pague, tem o nome inscrito na Dívida Ativa
e no Cadastro Informativo de Créditos Não Quitados do
Setor Público Federal (Cadin) e fica impedido de fazer empréstimo
em instituições federais, por exemplo.
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Folha de São Paulo,
11 de agosto de 2007
ELEIÇÕES 2010: ADESIVO
PRÓ-CAMPANHA DE AÉCIO JÁ CIRCULA EM VÁRIOS
ESTADOS
" O Brasil tem jeito. Neto de peixe, peixinho é. Aécio 2010,
presidente" é o que diz o adesivo já distribuído em
MG, PR, AM, CE e GO. A assessoria do governador de Minas disse desconhecer o
fato. O responsável pelos adesivos é o presidente do Sindicato
dos Trabalhadores Metalúrgicos de Ipatinga, Luiz Carlos de Miranda Faria.
O PSDB-MG sabia do adesivo e disse ter feito notificação judicial
ao Sindipa.
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Folha de São Paulo,
11 de agosto de 2007
Desmatamento cai e tem baixa
recorde
Projeção indica que
Amazônia perdeu 9.600 km2 de floresta entre 2006 e
2007, 30% menos do que no período anterior
Focos de desmate estão mais fragmentados,
afirma Inpe; Mato Grosso registra maior queda, e Amazonas
e Roraima sofrem aumento
FELIPE SELIGMAN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Área desmatada no Mato Grosso
O governo brasileiro estima que cerca de 9.600 km2 da
floresta amazônica desapareceram entre agosto de
2006 e agosto de 2007, uma área equivalente a cerca
de 6,5 cidades de São Paulo. Se confirmada a estimativa,
a partir de análise de imagens no ano que vem, será o
menor desmatamento registrado em um ano desde o início
do monitoramento, em 1988, representando uma redução
de cerca 30% no índice registrado entre 2005 e 2006.
Ao todo, 14.039 km2, ou quase 9,5 cidades de São Paulo, foram
desmatados neste período, índice 25,3% menor do que o
registrado entre 2004 e 2005, quando sumiram 18.793 km2 de floresta
amazônica.
Os dados foram divulgados ontem em evento no Ministério do Meio
Ambiente. Além da ministra Marina Silva, estavam presentes a
ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef e os ministros da Agricultura
e da Reforma Agrária, Reinhold Stephanes e Guilherme Kassel,
respectivamente.
O monitoramento do desmate é feito pelo Inpe (Instituto Nacional
de Pesquisas Espaciais), que usa dois sistemas diferentes para isso:
o Prodes e o Deter. O primeiro, mais confiável, usa satélites
que precisam de mais tempo para captar de imagens. Já o segundo,
faz isso forma rápida, mas sem conseguir observar desmatamentos
de pequena escala.
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, esses pequenos
desmatamentos representam atualmente cerca de 50% do total. Por esse
motivo, o governo só terá no ano que vem o índice
real de desmatamento referente ao período 2006-2007. As áreas
desmatadas já identificadas pelo Deter neste ano somam 4.820
km2.
Fragmentação
As pequenas áreas devastadas são uma nova característica,
segundo Marina Silva. Em 2005, os 20 municípios que mais desmataram
somaram 8.300 km2. Com a queda da taxa, foi preciso a ação
de 95 municípios em 2006 para atingir o mesmo índice.
Os números referentes ao período de 2005-2006, baseados
no monitoramento do Prodes, mostram que só nos estados de Roraima
e Amazonas o índice local de desmatamento subiu, comparado com
o período anterior.
Mato Grosso, Pará e Rondônia, estados com os mais altos índices
de desmatamento, apresentaram queda, mas continuam liderando a lista.
Mato Grosso, entretanto -que até 2005 estava no topo do ranking-
reduziu seu índice em 39,36% no ano de 2006, de 7.145 km2 para
4.333 km2. Com isso, foi ultrapassado pelo Pará, que viveu uma
queda de 4,48%, de 5.763 km2 para 5.505 km2.
Rondônia, por sua vez, reduziu seu índice de desmatamento
em 36,22%, de 3.233 km2 para 2.062 km2.
O esforço para reduzir o desmatamento é conduzido pela
Casa Civil e conta com a participação de 13 ministérios,
afirma Marina Silva. Com a redução do desmatamento entre
2004 e 2006, "o Brasil deixou de emitir 410 milhões de
toneladas de CO2 [gás do efeito estufa]. Também evitou
o corte de 600 milhões de árvores e a morte de 20 mil
aves e 700 mil primatas", disse. "Essa emissão representa
quase 15% da redução firmada pelos países desenvolvidos
para o período 2008-2012, no Protocolo de Kyoto."
Para Dilma Roussef, "o Brasil é um dos poucos países
do mundo que tem a oportunidade de implementar um plano que protege
a biodiversidade e, ao mesmo tempo, reduz muito rapidamente seu processo
de aquecimento global."
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Revista Consultor Jurídico,
11 de agosto de 2007
Distribuição do bolo
TSE distribui R$ 90,6
milhões aos partidos políticos
De janeiro a julho deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral já repassou
R$ 70,6 milhões aos partidos políticos, valor referente
a recursos do orçamento reservados ao fundo partidário,
além de mais R$ 20 milhões arrecadados com multas eleitorais.
Desses mais de R$ 90 milhões, os cinco partidos com
a menor votação para a Câmara dos Deputados
na eleição de 2006 receberam juntos apenas
R$ 662,6 mil, ou seja, 0,72% do total (R$ 99,9 mil em multas
e R$ 565,6 mil do fundo partidário). Os menores são
PSTU, PCB, PSL, PRTB e PCO.
O PCO recebeu apenas R$ 0,03 em multas eleitorais, enquanto
PRTB e PSL receberam R$ 0,13 e PCB, R$ 0,10. O PSTU recebeu
R$ 99,950 mil.
Dessas cinco legendas, apenas o PSTU está recebendo
os recursos provenientes do fundo partidário. De janeiro
até julho deste ano, apenas em recursos do duodécimo
orçamentário, o PSTU já recebeu R$ 562,65
mil.
Isso porque PSL, PCO, PRTB e PCB estão com os repasses
do fundo suspensos por irregularidades nas prestações
de contas anuais. Essas irregularidades explicam os valores
irrisórios das multas eleitorais a essas agremiações,
por se tratarem, apenas, de compensações de
repasses relativos a anos anteriores à suspensão.
Desses cinco, o partido que recebeu o menor número
de votos para a Câmara dos Deputados foi o Partido
da Causa Operária (PCO), com 29.169 (0,031%) votos.
Em seguida, vem o Partido Comunista do Brasil (PCB), que
obteve 64.766 (0,069%) votos no ano passado. Em terceiro
lugar, vem o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado
(PSTU), que recebeu 101.307 (0,108%) votos. Em quarto, vem
o Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), que obteve
173.963 (0,186%) votos. Em quinto lugar, vem o Partido Social
Liberal (PSL), que recebeu 190.793 (0,203%) votos.
Em contrapartida, as maiores fatias do fundo partidário
foram repassadas aos partidos com a maior representação
na Câmara, como PT, PMDB, PSDB e DEM. O Partido dos
Trabalhadores recebeu o maior repasse em cotas do fundo partidário
em 2007: R$ 9,7 milhões (8,06% do total distribuído).
O Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB)
recebeu R$ 9,3 milhões (7,72%); o Partido da Social
Democracia Brasileira (PSDB) obteve R$ 8,8 milhões
(7,27%) e o Democratas (DEM) ficou com R$ 7,3 milhões
(6,07%).
Em multas eleitorais, o PT recebeu R$ 2,8 milhões
(12,66%) nos primeiros sete meses deste ano; o PMDB recebeu
R$ 2,7 milhões (12,11%); o PSDB ficou com R$ 2,6 milhões
(11,52%); e o DEM com R$ 2,1 milhões (9,38%).
Atualmente, a distribuição de recursos do
fundo partidário segue a regra prevista na Lei 11.459,
de 21 de março de 2007, a qual introduziu o artigo
41-A à Lei 9.096/95 (Lei dos Partidos Políticos): “5%
do total do Fundo Partidário serão destacados
para entrega, em partes iguais, a todos os partidos que tenham
seus estatutos registrados no Tribunal Superior Eleitoral
e 95% do total do Fundo Partidário serão distribuídos
a eles na proporção dos votos obtidos na última
eleição geral para a Câmara dos Deputados”.
Para este ano, o orçamento da União destinou
R$ 121,1 milhões para o fundo partidário. O
fundo é formado por recursos provenientes do orçamento
anual da União, somados à arrecadação
mensal das multas aplicadas aos partidos, em decorrência
de infrações eleitorais, como, por exemplo,
a prática de propaganda antecipada ou irregular por
candidatos.
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Última Instância,
11 de agosto de 2007
A morte dos sonhos
Concursite, doença que
ataca os jovens, faz mal ao Brasil
por Raul Haidar
Ao lado da doença infecto-contagiosa chamada "juizite",
cujo causador é um vírus chamado "megalomanus
arrogantis", infelizmente existe outra doença,
mais recorrente, chamada "concursite", causada
pelo vírus "ilusioni securitates".
Como sabemos, a juizite ataca bacharéis em direito
que se tornam magistrados, quando eles não possuem
verdadeira vocação para fazer justiça.
Algumas das vítimas do vírus “megalomanus
arrogantis” acabam adquirindo os piores sintomas da
doença: alergia a contatos com advogados, falta de
vontade de trabalhar e delírios alucinantes, que os
fazem se imaginar superiores ao resto da espécie humana.
A concursite é uma doença mais recentemente
descoberta, mas muito pior. Ataca não apenas bacharéis
em direito, mas qualquer pessoa que ingressa numa faculdade
sem saber bem o que quer ser quando crescer.
Com o avanço da tecnologia e das ciências em
geral, atualmente temos uma enorme quantidade de profissões,
especializações e cursos supostamente “superiores”,
de tal forma que o pai que pensa em dar uma “profissão” ao
seu filho fica perdido, pois não há mais como
orientar a carreira de ninguém.
O jovem também fica perdido. Mais cômodo, mais
simples , mais óbvio, pode ser seguir a profissão
dos pais. Talvez isso explique porque a minha filha mais
velha é advogada. Claro que na genética existe
explicação para isso. Tanto que a mais nova é jornalista
(coitadinha!) e a do meio, talvez por conhecer alguns dos
meus clientes, abandonou a contabilidade e está se
dedicando à psicologia.
Mas a tal concursite acaba de certa forma atacando muitos
dos jovens que hoje entram na faculdade.
Um dia, em certa faculdade, perguntei a uma caloura porque
ela havia se matriculado e a resposta veio fácil:
para fazer um concurso. Só que ninguém sabia
para qual carreira pública. Vocação,
mesmo, a moçoila tinha apenas para um emprego público,
onde segundo ela existe uma tal de “segurança”.
Recentemente uma revista publicou reportagem sobre os concursos
públicos. E o que me chamou a atenção
foi uma pessoa que havia sido aprovada para policial rodoviário
e que foi fotografada com seu uniforme. Segundo a reportagem,
esse policial estava se preparando para os próximos
concursos de delegado, procurador, juiz, defensor público,
assessor legislativo, etc. etc. .
Essa terrível doença, que é infecto-contagiosa,
a concursite, faz um mal tremendo não só às
suas vítimas, como ao Brasil.
O doente é prejudicado, pois só tem duas hipóteses:
ou ele é uma pessoa sem sonhos, sem ideais, sem esperanças,
ou está abrindo mão, renunciando ou trocando
esperanças, ideais e sonhos por meras ilusões,
suposições ou frustrações futuras.
O discurso desses desafortunados pacientes é sempre
o mesmo: quer ser funcionário público por causa
da segurança, de bons salários, da aposentaria,
das férias, ou mesmo da ridícula idéia
de serem “autoridade” ou mesmo tratados de “excelência”.
Isso tudo é muito triste.
Segurança é a mais ilusória de todas
as ilusões humanas. No mundo atual segurança
não existe. Que o digam os moradores dessa fortalezas
medonhas chamadas “condomínios fechados” quando
sofrem arrastões praticados pelos moradores da favela
vizinha. Ou aquele sujeito que andava armado e foi baleado
com a própria arma. Segurança de receber salário
todo mês? Pode ser. Mas isso será que vale mais
que os sonhos? Paga as esperanças? Compensa o abandono
dos ideais?
A aposentadoria mais cedo ou mais tarde vai mudar para pior.
Nenhum país pode suportar aposentadorias precoces,
de pessoas que no dia seguinte já estão trabalhando
e muitas vezes no próprio serviço público.
Em qualquer país que pretenda desenvolver-se, em breve
só poderá haver aposentadoria por idade (no
mínimo 75 anos) ou por absoluta invalidez.
Férias, tudo bem. Mas no limite razoável de
30 dias por ano. Muito embora existam pessoas que não
deveriam ter férias, pois não trabalham, apenas
enganam. Chegam sempre tarde, saem mais cedo. Ainda bem que
são raríssimos esses casos.
O pior mesmo no serviço público é o
concursado ter um chefe idiota, o que, aliás, é muito
comum.
Quando o idiota é eleito pelo povo, tudo bem. Afinal,
o povo quase sempre merece quem elege.
Mas há funcionários concursados de bom nível,
sérios, dedicados, cujos chefes são meros apadrinhados
políticos, sem competência ou sem apetência
para o trabalho.
Conheço uma brilhante advogada que prestou concurso
e tem como chefe uma pessoa que não serve nem para
carregar a pasta de sua subordinada. O único talento
do chefe e razão de sua nomeação é estar
filiado ao partido que está no poder e ser um puxa-saco
de carteirinha.
A concursite também causa muito prejuízo ao
governo. Quando aquele policial rodoviário passar
no concurso de delegado, haverá uma vaga de policial
a ser preenchida. Novo concurso, novos treinamentos e talvez
quando o substituto estiver treinado, terá que novamente
ser substituído. E assim indefinidamente, até que
um policial vocacionado, que tinha o sonho de ser policial
e não apenas ocupar o cargo, venha a ser admitido.
O Brasil perde muito com isso.
Parece razoável supor que uma pessoa que ingresse
na faculdade de engenharia pretenda ser engenheiro. Mas por
causa da concursite isso é só uma suposição.
Nos últimos anos muitos engenheiros se tornaram auditores
fiscais. Até aí, nada demais. O engenheiro
tem bom raciocínio lógico e isso facilita a
aprovação nos testes de múltipla escolha.
Mas de repente um engenheiro eletricista que virou auditor
fiscal é promovido a inspetor fiscal, chefe de repartição
aduaneira. E, nessa qualidade, pratica ato ilegal, contra
o qual é concedida liminar em mandado de segurança.
Vai daí que a agora autoridade, engenheiro eletricista
ignorante em questões jurídicas tanto quanto
um advogado face às funções básicas
de uma bobina elétrica, arvora-se em “interpretar” a
decisão judicial e atreve-se até a considerá-la “inadequada” !
Mais uma vez é o sapateiro indo além das sandálias.
Com isso, queixa-se o fisco de uma suposta “indústria
de liminares”, olvidando-se da indústria de
normas ilegais, muito mais próspera.
Por causa da concursite, muitos bacharéis em direito
que passaram os cinco anos de faculdade no boteco, ingressam
nessas milionárias indústrias de ensino preparatório
e ali ficam anos a fio, até serem aprovados no próximo
concurso.
Alguns ingressam no MP e se dedicam ao preenchimento de
dados estatísticos, vangloriando-se de terem colocado
na cadeia um bom número de pessoas, mesmo que estas,
depois, sejam absolvidas. Não são eles, os
que erram, que pagam pelos seus erros, mas a sociedade.
Outros bacharéis se tornam juizes e, acometidos da
juizite, chegam a lamentar (será o pecado da inveja?)
quando algum advogado ganha honorários expressivos.
São raríssimos, todavia, os que se arriscam
ao pedido de exoneração para advogar. Preferem “arriscar-se” na
advocacia, logicamente depois de acomodados em boa aposentadoria.
E o que é pior: clientes ignorantes chegam a imaginar
que o servidor público aposentado (é isto que
eles são!) é um profissional melhor que os
outros.
Venho fazendo, desde 2004, uma série de palestras
sobre o tema “A Fórmula do Sucesso na Advocacia”.
Cerca de 5 mil jovens advogados e estudantes já as
assistiram. E a mensagem mais importante que procuro transmitir é que
a única finalidade da criatura humana é ser
feliz. Quem tiver vocação para o serviço
público certamente será feliz. Mas não
basta fazer o que se gosta. Mais que isso, é indispensável
gostar do que se faz. Quem conseguir isso não contrairá nenhuma
das doenças aqui mencionadas.
*Raul Haidar é advogado e jornalista
profissional.
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