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Agência Diap, 13 de
agosto de 2007
Ação sindical hoje
Por: João Guilherme Vargas Netto*
Uma das características
do movimento sindical hoje no Brasil é a sua abrangência,
não tanto em termos de filiações (que estacionaram
em menos de 20% do total de trabalhadores) mas nos setores econômicos
envolvidos. Praticamente não existe nenhum grande destacamento
de mão-de-obra sem representação sindical e isto
em todas as regiões do Brasil.
Levando-se em conta as disparidades e setoriais, que são enormes no
país – continental, o que nos chama atenção é a
relativa homogeneidade da representação sindical, presente em
todas as situações e em todos os rincões.
Além da representação – que é um fator de
unidade nacional - há a proximidade de reivindicações
e bandeiras, configurando o que se poderia chamar de “cultura sindical” reconhecível
por três características principais, duas delas positivas – nível
de exigência e reconhecimento das necessidades - e uma negativa - o modo
burocrático de agir.
O nível de exigência e o reconhecimento das necessidades fazem
parte da conjuntura (ora positiva, ora negativa) na qual se exerce a ação
sindical; já o modo burocrático de agir decorre do arraigado
institucionalismo do movimento sindical brasileiro, exercido quase sempre da
mesma forma por mais de 60 anos e nas mais diversas situações
econômicas, sociais, políticas e institucionais.
Atualmente vem tomando corpo a necessidade de reconhecer as novas características
da ação sindical quando a inflação está controlada
(e baixa) e quando o desemprego diminui. O que e como negociar além
do reajuste de salários?
Este desafio, se bem enfrentado e resolvido, poderá renovar os horizontes
sindicais no Brasil, democratizando as entidades, mobilizando os trabalhadores
e unindo a ação sindical.
(*) Membro do corpo técnico do DIAP
e consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores em São
Paulo.
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DIÁRIO DO NORDESTE,
13 de agosto de 2007 | Negócios
Construção Civil:
Setor vive ´boom´ de investimento estrangeiro
Brasília. O ingresso de investimentos estrangeiros diretos no setor
da construção civil dispararam no primeiro semestre deste ano
e atingiram US$ 773 milhões, um crescimento de quase 15 vezes em relação
aos US$ 53 milhões do primeiro semestre de 2006 e mais que o dobro dos
US$ 321 milhões de todo o ano passado. O fluxo, segundo dados do Banco
Central (BC), está majoritariamente direcionado para empresas imobiliárias,
um movimento que reflete claramente o ´boom´ no setor, um dos mais
aquecidos atualmente na economia brasileira.
Essa situação,
na avaliação do presidente da Câmara Brasileira da
Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão,
não coloca o Brasil na rota de risco da volatilidade dos mercados
mundiais, em decorrência da bolha imobiliária nos Estados
Unidos.
´Não acredito que
a atual turbulência vai afetar o apetite dos estrangeiros no setor
imobiliário brasileiro´, comentou. ´Nós temos
um espaço muito grande de crescimento com segurança´,
disse Safady. No entanto, ressalvou que o que está acontecendo
nos Estados Unidos ´deve servir de lição para que
não venhamos a ter excessos no Brasil´.
O presidente da CBIC avalia que
o Brasil é a ´bola da vez´ em termos de atração
dos investidores estrangeiros por diversos fatores, como a consolidação
da estabilidade econômica, o maior ritmo de crescimento, o aumento
nas reservas internacionais e a trajetória de queda nos juros.
E, nesse contexto, a construção civil é uma área
que apresenta grandes oportunidades de ganho porque tem um potencial
elevado de expansão. ´O Brasil está na mira do capital
estrangeiro e o mercado imobiliário ainda é extremamente
acanhado quando comparado com outros países, como o Chile´,
afirmou. Ele lembrou que o crédito imobiliário por aqui
representa cerca de 3,5% do PIB, enquanto no Chile está na casa
dos 18%.
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UOL ECONOMIA, 13 de agosto
de 2007
União destina ao PAC menos de 20% do
previsto até julho
Da Redação
Em São Paulo
FINANÇAS
DO PAC EM 2007
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| Previsão de gastos: R$ 7,3 bi |
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| Valor empregado: R$
1,364 bi |
| Restos a pagar: quase
R$ 1 bi |
| Recursos comprometidos: R$ 3,3 bi |
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A União fez pagamentos a projetos
do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no valor total de R$ 1,364
bilhão neste ano até julho, o que corresponde a apenas 18,7% dos R$ 7,3
bilhões autorizados para o período.
Do total pago, quase R$ 1 bilhão diz respeito a despesas comprometidas antes
de 2007 (os chamados restos a pagar) e, portanto, são anteriores ao PAC. Os
dados são do Orçamento e foram organizados pela organização não governamental Contas
Abertas.
Os números não levam em conta a elevação das receitas para o chamado Projeto
Piloto de Investimentos, autorizada pelo Congresso, em mais de R$ 6 bilhões,
que engordarão as verbas do PAC.
A defasagem em relação ao valor autorizado acontece mesmo com o forte aumento
dos recursos aportados no programa em julho: R$ 330,9 milhões, número 171%
maior do que o registrado no mês anterior.
Ministérios garantem que os gastos aumentarão substancialmente até o final
do ano, mas são cautelosos ao comentar a possibilidade de atingir o total previsto.
Atrasos
Entre os obstáculos para gastar recursos que não devem sofrer bloqueios orçamentários,
as autoridades citam o esforço para reorganizar setores que estavam há anos
sem investimentos e atrasos nas indicações do segundo escalão.
O ministro das Cidades, Márcio Fortes, afirma que neste ano sua pasta concentrou-se
em selecionar projetos de saneamento e habitação e definir, com Estados e municípios,
as obras que seriam financiadas e as que receberiam recursos a fundo perdido.
"Nós estávamos acertando o time, o jogo vai começar agora", afirmou Fortes à agência
de notícias Reuters. Ele destacou que a execução das obras de responsabilidade
de seu ministério é tocada exclusivamente pelos parceiros nos Estados e municípios.
A Secretaria Especial dos Portos, criada em maio, gastou apenas 2,1% (R$ 6,1
milhões) R$ 293 milhões disponíveis no Orçamento para projetos do PAC, segundo
Contas Abertas. Os empenhos somaram R$ 14,1 milhões.
Segundo a pasta, parte do atraso é explicada pela demora na nomeação dos presidentes
das Companhias Docas. As indicações do ministro Pedro Brito já foram encaminhadas à Casa
Civil, mas aguardam confirmação da Presidência.
Outro complicador foi o fato de a secretaria só ter recebido autorização para
gastar em julho. Até então, os projetos ligados aos portos marítimos ainda
estavam, na prática, sob a tutela do Ministério dos Transportes.
Desmonte
Para o economista Francisco Lopreato, professor da Unicamp e especialista em
contas públicas, as dificuldades do governo federal em gastar refletem o desmonte
da máquina pública após oito anos de ajuste fiscal.
"Começar do zero não é simples. Uma coisa é elevar investimentos que já existem,
outra coisa é sair da inércia", afirmou. Segundo ele, desde 1999 os investimentos
recebiam apenas um resíduo de recursos direcionados prioritariamente para o pagamento
da dívida pública. Agora, quando o país começa a abrir alguma folga no Orçamento
para gastos, depara com a falta de projetos, diz o especialista.
Ele acrescenta que o cenário de redução de juros cria espaço para algum otimismo
com relação à perspectiva de o governo remontar seus canais de investimento,
mas destaca que, com as privatizações, o nível de gastos não voltará a se comparar
ao de décadas passadas.
O total de recursos já comprometidos pelos ministérios até julho é mais elevado
do que o efetivamente pago: R$ 3,3 bilhões. Gil Castello Branco, consultor
do Contas Abertas, destaca, contudo, que a proporção de execução dos recursos
comprometidos varia muito de projeto para projeto, por isso o acompanhamento
da parcela gasta é mais realista.
Investimentos
No primeiro semestre, os investimentos da União, contando também obras fora
do PAC, somaram 0,52% do Produto Interno Bruto. O valor foi recorde para o
governo Lula, mas ainda está abaixo do 0,56% do PIB registrado em 2002.
Os investimentos das estatais, que refletem principalmente o desempenho da
Petrobras, têm crescido de forma mais expressiva. Eles somaram R$ 17,6 bilhões
de janeiro a junho, o equivalente a 1,45% do PIB. No mesmo período de 2006,
os investimentos eram de 1,16% do PIB e, em 2002, de 1% do PIB.
(Com informações da Reuters)
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
13 de agosto de 2007
Justiça condena empresa que
não comunicou acidente de empregada
A 10ª Câmara do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região
(Campinas) reformou decisão da 1ª Vara do Trabalho de Marília,
dando provimento a recurso de uma trabalhadora, em processo movido contra uma
creche e contra o Município de Oriente.
A funcionária sofreu um
acidente e quebrou um osso do pé direito enquanto trabalhava como
agente comunitário, mas a administração da creche
se omitiu e não expediu a CAT (Comunicação de Acidente
do Trabalho ) à Previdência Social.
Para o relator, Juiz José Antonio
Pancotti, nem mesmo a faculdade legal garantida ao empregado de comunicar
diretamente o acidente ao INSS elimina a responsabilidade patronal, exceto
se houver justificativa plausível.
O juiz de primeira instância
julgou o pedido inicial improcedente, sob o fundamento de que a reclamante
não demonstrou de maneira cabal a ocorrência do acidente.
A Câmara entendeu, todavia, que tanto a prova testemunhal quanto
a documental comprovaram que o problema realmente aconteceu. Dessa forma,
a trabalhadora conquistou o direito à estabilidade provisória,
conforme o artigo 118 da Lei 8.213 de 1991.
Acidente
De acordo com seu relato, a empregada, em 2 de dezembro de 2004, durante a
jornada de trabalho, caiu num buraco numa rua e torceu o pé direito.
As alegações foram confirmadas por uma testemunha, segundo a
qual, no momento da queda, a reclamante portava crachá e colete de agente
comunitário. Ainda conforme o depoimento da testemunha, na tarde do
mesmo dia a trabalhadora telefonou para ela e afirmou que havia quebrado o
pé.
A própria creche, em sua
defesa, confirma a apresentação dos vários atestados
médicos descritos pela autora na petição inicial,
sem contestar seu conteúdo. A primeira reclamada alegou que a
trabalhadora teria sido orientada a buscar pessoalmente a licença
perante o INSS, mas não teria aceitado, argumento que não
convenceu o juiz Pancotti.
"Não é dada
ao empregado a prerrogativa de aceitar ou não a abertura de CAT
ou mesmo o possível encaminhamento ao INSS", retrucou o relator.
A recusa do empregado numa situação como essa poderia acarretar,
inclusive, sua dispensa por justa causa, em decorrência de ato
de indisciplina ou de insubordinação, nos termos do artigo
482 da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), advertiu
o magistrado. "Assim, a reclamada negligenciou em não emitir
a CAT, como lhe competia, comunicando o acidente à Previdência
Social", concluiu o juiz, para quem o objetivo da creche era descaracterizar
a ocorrência do acidente de trabalho.
Na opinião do relator,
a creche agiu dolosamente, causando prejuízo à trabalhadora,
uma vez que a emissão da CAT para o INSS traria benefício
previdenciário e legal à empregada, como a estabilidade
do acidentado.
Para o relator, não restou
dúvida de que a queda ocorreu durante o exercício da profissão,
no campo de trabalho como agente comunitário. Sendo assim, equipara-se
ao acidente de trabalho, por força do artigo 21 da Lei 8.213,
havendo a responsabilidade objetiva do empregador, independentemente
de culpa, conforme dispõe o artigo 7º da Constituição
Federal.
Assim, votou o juiz Pancotti
pelo provimento ao recurso da reclamante, com o conseqüente pagamento
de indenização correspondente aos salários do período
de doze meses de estabilidade decorrente de acidente de trabalho, uma
vez que, conforme a Súmula 396 do TST (Tribunal Superior do Trabalho),
a reintegração se tornou inviável, por ter decorrido
o período da garantia de emprego. Os demais integrantes da Câmara
acompanharam unanimemente.
A empregada requereu a condenação
solidária do Município de Oriente ao pagamento das verbas
pleiteadas, alegando que foi contratada pela creche para atuar nos programas "Saúde
da Família" e "Agentes Comunitários de Saúde",
instituídos pelo município. Segundo o relator, a análise
do processo demonstra que a creche, entidade sem fins lucrativos, de
fato firmou convênio com a prefeitura, por intermédio da
Secretaria Municipal de Saúde, para a execução dos
programas citados pela autora.
À prefeitura, por meio
do Fundo Municipal de Saúde, incumbia a transferência dos
recursos financeiros e materiais necessários à implantação,
execução, implementação e manutenção
dos programas. "Com efeito, o ato de firmar convênio efetivamente
não atinge a propriedade e não implica alteração
das partes contratantes, uma vez que alcança apenas e tão-somente
a administração dos programas a serem implementados com
vistas ao interesse da coletividade", ponderou o juiz Pancotti.
Para ele, o vínculo de emprego existiu, efetivamente, apenas com
relação à creche, a real empregadora.
Contudo, prosseguiu o magistrado,
a ingerência absoluta do município, gerenciando os serviços
e funcionários, atrai responsabilidades, "devendo, pois,
figurar como responsável subsidiário, e não solidário,
diante dos termos do decreto de convênio".
Recurso Ordinário 309-2005-033-15-00-1
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Folha
de São Paulo, 13 de agosto de 2007
Candidato de Lula a prefeito em SP é rejeitado
por 26%
Apoio de presidente mais atrapalha do que ajuda
hoje, mostra pesquisa Datafolha | Nome aprovado por petista poderia receber
voto de 15% dos paulistanos; 24% dizem que seguiriam indicação
de Serra, e 24% a recusariam
LILIAN CHRISTOFOLETTI
DA REPORTAGEM LOCAL
O apoio do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva (PT) a um candidato à Prefeitura
de São Paulo em 2008 mais atrapalha hoje do que ajuda. Segundo
pesquisa Datafolha, 15% dos entrevistados dizem que poderiam votar
no candidato do petista. Outros 26%, no entanto, afirmam que o apoio
seria motivo para rejeitar o indicado.
Comparada com o primeiro levantamento
do Datafolha na última corrida eleitoral pela prefeitura paulistana,
a pesquisa feita no último dia 9 mostra que aumentou o número
dos que dizem rejeitar o candidato do presidente. Em dezembro de 2003,
19% afirmaram que escolheriam a pessoa apoiada por Lula, e 18% disseram
que o petista os faria deixar de votar em tal candidato.
Esse índice cresceria
depois. Durante a corrida eleitoral de 2004, o índice de pessoas
que afirmavam rejeitar um nome indicado por Lula atingiu 26%, mesmo índice
detectado agora. A petista Marta Suplicy, que buscava a reeleição,
perdeu para José Serra (PSDB). Em 2006, quando bateu Geraldo
Alckmin (PSDB) na disputa presidencial, Lula teve menos votos que o
tucano na cidade de São Paulo.
Nacionalmente, porém,
a aprovação do petista segue em nível próximo
ao que tinha quando se reelegeu ao Planalto. Pesquisa Datafolha realizada
neste mês mostrou que 48% dos brasileiros aprovam seu governo.
Serra
Segundo a pesquisa, o apoio
do governador Serra a um postulante à prefeitura poderia levar
24% dos paulistanos a votar no candidato. A cerca de 14 meses da disputa
eleitoral, o índice obtido por Serra é próximo
ao registrado por Alckmin em dezembro de 2003 -à época,
26% afirmaram que votariam no indicado pelo ex-governador.
Por outro lado, a pesquisa
revelou que 24% dos moradores não votariam no candidato apoiado
por Serra. Em 2003, 16% dos entrevistados disseram que não seguiriam
uma recomendação de Alckmin.
Grande parte dos entrevistados
afirmou que o apoio do presidente ou do governador não interfere
na escolha do candidato -55% no caso de Lula e 47% no caso de Serra.
Na pesquisa realizada em 9 de agosto deste ano, foram ouvidas 1.091 pessoas,
com margem de erro de três pontos para mais ou para menos.
Adjetivos
Num questionário sobre
a imagem do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), a
maioria dos eleitores disse que ele é muito inteligente e decidido,
mas orgulhoso, antipático, autoritário e respeita mais
os ricos do que os pobres.
O polêmico episódio
ocorrido em fevereiro deste ano, quando Kassab expulsou aos gritos
de "vagabundo" e empurrões um morador que protestava
em uma unidade de saúde contra a Lei Cidade Limpa -que proíbe
outdoors na cidade-, pode ter influenciado no desempenho do prefeito.
Se a pesquisa for comparada
ao levantamento realizado em março de 2004 com a ex-prefeita
e hoje ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT), Kassab aparece como
mais antiquado do que ela. À época, 74% das pessoas ouvidas
classificaram a ex-prefeita de moderna. Kassab conquistou 48% dos votos
no mesmo quesito.
Dos entrevistados, 17%
disseram que o prefeito respeita mais os pobres do que os ricos.
Outros 50% disseram o contrário. No caso de Marta, 64% diziam
que ela respeitava mais os ricos e 25%, mais os pobres.
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Folha
de São Paulo, 13 de agosto de 2007
Aumento de servidor chega a 80% e supera
setor privado
Elite do funcionalismo federal acumula ganhos
acima da inflação no governo Lula | Gastos com pessoal
vão ultrapassar 5% do PIB pela primeira vez na gestão petista;
em dezembro, 8% ganhavam mais de R$ 8.500
GUSTAVO PATU
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Um ano depois de um pacote
de reajustes salariais que até hoje mantém os gastos
com pessoal da União em alta, a elite do funcionalismo público
federal já acumula ganhos acima da inflação, superiores
aos padrões da iniciativa privada.
Nas dez carreiras mais valorizadas
do Executivo federal, todas de nível superior e quase todas
exclusivas do Estado, o aumento real dos vencimentos desde o primeiro
governo Luiz Inácio Lula da Silva varia de 15% a 80%, segundo
levantamento feito pela Folha.
É mais que o suficiente
para incluir os servidores, uma das bases políticas mais tradicionais
do PT, entre os setores do mercado de trabalho mais bem-sucedidos dos últimos
quatro anos -e para levar, neste ano, os gastos com pessoal acima do
patamar de 5% do PIB pela primeira vez sob Lula.
O menor ganho desse contingente
no período, concedido aos pesquisadores em ciência e tecnologia
com doutorado, corresponde ao maior percentual apurado pelas pesquisas
do Datafolha entre empresas privadas da Grande São Paulo -neste
caso, a liderança fica com ocupações de nível
básico ligadas à produção, que reúne,
entre outros, mestres-de-obras, carpinteiros e eletricistas.
O trabalho realizado regularmente
pelo Datafolha entre 113 empresas de grande e médio porte dos
setores de serviços, comércio, indústria e construção
civil aponta que as ocupações de nível superior
tiveram ganhos menores, de 8,9% em média, enquanto diretores
e gerentes ficaram com 5,9%.
Os dados do governo federal
mostram que a melhora da remuneração pesa muito mais
no crescimento dos gastos do que a polêmica ampliação
do quadro de servidores promovida pela administração
petista, revertendo um processo de enxugamento que vinha desde o início
da década passada.
Entre os civis do Executivo,
o quadro de ativos teve um crescimento de 16% de 2003 a 2006, quando
o número de servidores chegou a 528,1 mil. As despesas nesse
segmento, porém, cresceram quatro vezes esse percentual: de
R$ 19,9 bilhões para R$ 32,6 bilhões, ou 64% -e, neste
ano, é esperada uma alta adicional de 17,8%.
Quase toda a expansão
está concentrada no pacote de benefícios concedido às
vésperas da campanha eleitoral de 2006, com reajustes programados
até 2009 -quando procuradores e advogados da União passarão
a ganhar R$ 17 mil mensais e se tornarão os servidores mais
bem remunerados do Executivo. No início de 2006, 4,8% dos servidores
ostentavam salários acima dos R$ 8.500 mensais. Em dezembro,
eram 8%.
"Nós procuramos
valorizar as carreiras típicas de Estado e também recuperamos
algumas carreiras da base que estavam aviltadas", diz o ministro
Paulo Bernardo (Planejamento), para quem o governo Fernando Henrique
Cardoso deixou defasagens salariais no setor.
Das dez carreiras mais bem
pagas hoje, só três tiveram ganhos reais entre 1998 e
2002. Mas os números desmentem o congelamento dos salários
alegado pelos sindicatos.
Bernardo acredita que
a qualidade dos serviços prestados pela elite dos servidores
justifica os salários e cita o que considera duas das "ilhas
de excelência" da administração, o Itamaraty
e a Polícia Federal.
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REVISTA ISTO É, 13 de agosto de 2007
Canteiro de intrigas
As empreiteiras estão em pé de
guerra pela disputa das obras do Programa de Aceleração
do Crescimento, uma bolada de R$ 100 bilhões
HUGO STUDART

Disputa acirrada
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu transformar o País
num “canteiro de obras”, e a disputa pelos R$ 100 bilhões
do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), depois de décadas
de vacas magras, já transformou o clima de compadrio vigente entre as
grandes empreiteiras brasileiras em verdadeiro canteiro de intrigas. Na semana
passada, três delas, Carioca Christiani-Nielsen, Serveng-Civilsan e Paulista
Construtora, deflagraram uma batalha judicial no Superior Tribunal de Justiça
contra a gigante Norberto Odebrecht e contra o Ministério da Integração
por causa das obras da transposição do rio São Francisco – um
projeto de R$ 4 bilhões só na primeira fase. Na ação, à qual
ISTOÉ teve acesso com exclusividade, as três empreiteiras acusam
o Ministério de agir “dolosamente” e com “má-fé” para
favorecer a Odebrecht. “Nessa condição, sozinha, sem competição,
a construtora Norberto Odebrecht passaria a ter a garantia de ver para si adjudicado
o lote em questão. Sem competição alguma!”, ressalta
a acusação.
Havia uma velha aliança para tocar as obras no São Francisco.
Dezenove empreiteiras combinaram a divisão entre si de 14 lotes de obras,
entre R$ 240 milhões e R$ 280 milhões cada uma. Todas entrariam
em várias licitações, mas, pelo acordo de cavalheiros,
só uma disputaria o lote para valer. O primeiro deveria ser da Odebrecht;
o segundo da Camargo Corrêa e o terceiro da Andrade Gutierrez. O último
lote, o 14, foi destinado ao consórcio formado pela CR Almeida, de Cecílio
do Rego Almeida, do Paraná, e a Via Engenharia, de Brasília.
Polêmico, Cecílio vem há meses sendo atacado pelos antigos
parceiros. Em meados do ano, perdeu para a construtora Iesa, fora do combinado,
a licitação do contorno ferroviário de São Francisco
do Sul (SC) e deve perder em breve o contorno de Joinville (SC) para a paulista
Convap. Cecílio descobriu em abril que empreiteiras de pouca tradição
mas com muita agressividade, como a Delta, do Recife, e a ARG, de Belo Horizonte,
armavam-se para levar a concessão da duplicação da rodovia
Regis Bittencourt, entre São Paulo e Curitiba. Por fim, ficou furioso
com a Odebrecht ao saber que fora posto para escanteio na divisão do
bolo das hidrelétricas do rio Madeira, obra de R$ 20 bilhões. Nesse
clima, faltando duas semanas para entregar as propostas da transposição,
em maio, a CR Almeida avisou que todos os acordos estavam quebrados. “Vou
explodir todo mundo”, anunciou ele. “Agora é cada um por
si.”
Foi o que aconteceu. Cerca de 20 empreiteiras novas resolveram entrar na disputa
pela transposição. Formaram consórcios às pressas
e apresentaram propostas para vencer. A mineira ARG – investigada pelo
Ministério Público por ter sacado R$ 102 milhões em dinheiro
vivo no Banco Rural – foi com tudo para cima do lote 8, pretendido pelo
consórcio da Carioca. A Gautama, do baiano Zuleido Veras, se juntou
ao empreiteiro paranaense Joel Malucelli e também atacou o lote 8. A
Carioca mudou de estratégia e entrou para valer no lote 1, reduto da
Odebrecht, e no terceiro, da Andrade Gutierrez. A Santa Bárbara, que
estava fora do jogo, atacou o lote 9, cobiçado pela OAS. A pernambucana
Delta, líder da Operação Tapa-Buracos, tinha o lote 6
prometido, mas foi atacada por quatro consórcios, incluindo o da Queiroz
Galvão. “Parece o início da Primeira Guerra Mundial, com
todos contra todos”, queixa- se o presidente de uma das empreiteiras
envolvidas.
Em julho, a Odebrecht entrou com uma representação junto ao ministro
da Integração, Geddel Vieira Lima, contestando a utilização
do chamado “atestado pleno” de capacitação técnica.
As licitações têm uma série de exigências,
como experiência em um volume determinado em algum tipo de obra. Isso
afasta as pequenas ou as aventureiras. As empreiteiras se juntam em consórcios
para somar suas experiências e ganhar os atestados. No caso do “atestado
pleno”, elas aproveitam o atestado obtido em consórcios antigos
para novas licitações. É um hábito estranho, mas
a legislação é omissa. Quando armavam os consórcios
para a transposição, as empreiteiras fizeram cinco consultas
ao Ministério da Integração. Em todas, o Ministério
respondeu que poderiam usar os tais “atestados plenos”. Os consórcios
foram todos armados entre março e abril com base nessa regra. O
problema é que, ao permitir o “atestado pleno”, empresas
sem tecnologia suficiente para determinadas obras acabam entrando na disputa.
Isso acabou gerando uma guerra das “pequenas” contra as “grandes” e
rachando os acordos dessas últimas.
A partir da contestação feita pela construtora baiana, o Ministério
mudou sua posição, em ato assinado por Pedro Sanguinetti, adjunto
de Geddel. Com isso, mais de 50 empreiteiras serão excluídas
da licitação quando for julgada a habilitação de
cada lote. No primeiro trecho, o consórcio Carioca-Serveng-Paulista
deve ser desabilitado. A Odebrecht poderá, então, chegar sozinha à última
fase da disputa. No segundo trecho, se prevalecer a nova regra, vão
cair os consórcios liderados pela Carioca, pela Camter e até a
Camargo Corrêa. Nesse lote, ficará sozinho o consórcio
liderado pela OAS. O consórcio da Carioca reagiu com uma ação
judicial contra o Ministério, exigindo a manutenção das
regras. O processo está no STJ. A Odebrecht não vai se manifestar
publicamente. A Carioca também informa que só vai se manifestar
na Justiça. “Cada um conta da história a parte que lhe
interessa”, disse a ISTOÉ o consultor jurídico de Geddel,
Marcus Gouvêa. “Será que quem fez 10% de uma obra pode se
locupletar de um atestado de 100% para outra obra?” E arremata: “Não
houve mudança de regra, mas confusão de interpretação.”


CADA UM POR SI Antigos parceiros, Cecílio R. Almeida (à esq.),
Emílio Odebrecht (acima) e Sérgio Andrade disputam a ferro e
fogo trechos de grandes obras
As intrigas entre empreiteiras vão além das obras do São
Francisco. No Pará, a Odebrecht vai disputar para valer a hidrelétrica
de Belo Monte, obra de R$ 7,5 bilhões que estaria assegurada à Camargo
Corrêa. No Tocantins, a Vale do Rio Doce preparava-se para ganhar a concessão
de um trecho da Ferrovia Norte-Sul, entre Palmas e Aguiarnópolis, obra
de R$ 1,15 bilhão – mas de repente se viu atropelada pela ARG.
Por fim, está sendo preparada outra batalha pela obra de ampliação
da base de lançamento de foguetes de Alcântara, avaliada em R$
600 milhões. Odebrecht e Andrade Gutierrez planejavam ganhar juntas.
Mas, por causa das outras batalhas, a Camargo Corrêa ameaça retaliar
entrando na disputa para ganhar. Também é pública a batalha
travada entre a Odebrecht e a Camargo Corrêa por causa das hidrelétricas
do rio Madeira. A Camargo, furiosa com o fato de uma velha parceira ter fechado,
nas suas costas, contrato de exclusividade com os três principais fornecedores
internacionais de turbinas de hidrelétricas, denunciou a Odebrecht ao
Cade e ainda contratou a consultoria do ex-ministro José Dirceu.

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