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Agência Senado, 15
de agosto de 2007
Representantes do governo falam sobre
iniciativas para melhorar a educação

No oitavo debate do ciclo sobre a educação brasileira organizado
pela Comissão de Educação (CE), dois especialistas, um
do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e outro do Ministério
da Justiça (MJ), destacaram programas e projetos de suas pastas voltados
para melhorar a educação no país. Já os senadores
pediram que o governo federal invista mais na conscientização
da população sobre a importância da educação,
bem como direcione recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para projetos
governamentais que visem aprimorar a qualidade da educação no
Brasil.
Ronaldo Teixeira da Silva, chefe
de gabinete do Ministério da Justiça, destacouações
do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), do
qual é secretário-executivo. O programa tem por objetivo
a prevenção, o controle e a repressão da criminalidade
e, entre suas metas, está a concessão da chamada bolsa-formação
a policiais civis e militares, bombeiros e agentes penitenciários
para formação e valorização dos profissionais
de segurança pública.
- Na verdade, nós queremos
formar uma inteligência jamais vista antes entre os policiais e
demais profissionais de segurança pública - explicou Ronaldo
Teixeira.
Mas não é só isso.
Segundo o representante do Ministério da Justiça, profissionais
de educação, assistência social e segurança
pública e lideranças da sociedade civil também deverão
ser beneficiados pelo Pronasci nas ações de enfrentamento à violência
e ao uso de drogas. Para o jovem que está em sistema penitenciário,
o programatambém oferece cursos de alfabetização,
aceleração e elevação de escolaridade por
meio de educação profissional, além de aulas preparatórias
para o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem).
- Nossa proposta, que ainda será analisada
pelos senhores (por meio de projeto de lei), é remir um dia de
pena para cada 18 horas estudadas em três dias diferentes - explicou
Ronaldo Teixeira, que destacou ainda programas voltados para a área
de esporte e cultura, todos destinados não só à formação
educacional de presidiários, mas também àqueles
que, após o cumprimento de suas penas, retornam ao mercado de
trabalho.
Em sua exposição,o
secretário-executivo do Ministério do Trabalho, Ronaldo
Lessa, afirmou que, atualmente, o papel principal do ministério é o
de qualificar o cidadão para o mercado de trabalho. Entre as prioridades
destacadas por Lessa, estão o combate ao trabalho infantil e a
conscientização do empresariado brasileiro para que passe
a encarar a oferta de cursos a seus funcionários como um investimento
necessário e não como um gasto sem retorno.
- Precisamos pensar de duas formas:
primeiro em questões estratégicas, para responder ao país
como um todo e voltando-nos para o futuro, e segundo, com repostas às
necessidades imediatas - destacou Ronaldo Lessa, ao defender ainda, em
sua exposição, o estágio como ferramenta importante
na complementação da teoria aprendida em sala de aula.
FAT
Os senadores mostraram-se satisfeitos
com os programas que estão sendo desenvolvidos pelos Ministérios
do Trabalho e Emprego e da Justiça e que têm por objetivo
melhorar a educação. No entanto, defenderam maior comprometimento
do governo federal com relação aos recursos para os programas,
principalmente por meio do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
Para Marisa Serrano (PSDB-MS),
contribuiria muito para a conscientização da população
sobre a importância da educação o direcionamento
de recursos do FAT para um projeto integrado de educação
para alunos do ensino médio, principalmente como ferramenta de
prevenção da entrada desses jovens no mundo do crime.
- Se neste país queremos
que educação e formação da juventude sejam
prioridades, por que não ser prioridade também para o FAT
o apoio a essa juventude? - questionou a senadora por Mato Grosso do
Sul.
Ao concordar com Marisa Serrano,
Augusto Botelho (PT-RR) destacou que educação por si só já é uma
importante ferramenta de combate à violência, à desigualdade
social e também propulsora da economia. Já Flávio
Arns (PT-PR) afirmou esperar que os recursos do FAT não sejam
pulverizados em cursos com cargas horárias reduzidas.
- Ninguém qualifica uma
pessoa com cursos de pouca carga horária - enfatizou o senador
pelo Paraná.
Geraldo Mesquita Júnior
(PMDB-AC) ressaltou que faltam também programas governamentais
voltados para a conscientização da população
com relação à importância da educação
como ferramenta de desenvolvimento humano.
Para Cristovam Buarque (PDT-DF),a
educação é a grande revolução possível
das sociedades modernas.
Esta oitava audiência
pública faz parte de um ciclo de 12 encontros para debater idéias
e propostas para a educação brasileira e o Plano de Desenvolvimento
da Educação (PDE), mais conhecido como o PAC da Educação,
em referência ao Programa de Aceleração de Crescimento
proposto pelo governo federal. O ciclo tem como desfecho a produção
de um documento com as conclusões dos encontros, a ser enviado
aos ministros da Educação, da Fazenda e da Casa Civil
e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 15 de agosto de 2007 | Brasil
CCJ da Câmara aprova admissibilidade
da prorrogação da CPMF até 2011
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
Por 44 votos contra 15, a CCJ
(Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara
aprovou nesta quarta-feira a admissibilidade da prorrogação
da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira) até 2011. O texto aprovado inclui sete propostas,
entre elas a partilha da contribuição com os Estados e
com o Distrito Federal. A alíquota de 0,38% foi mantida.
A comissão analisa somente
a admissibilidade da proposta, ou seja, se a prorrogação é constitucional
ou não. A análise do mérito do conteúdo da
proposta vai ser apreciado na comissão especial da Câmara.
Só depois a proposta é encaminhada ao plenário da
Câmara e, depois, para o Senado.
Os deputados continuam a votação
dos destaques que tratam sobre detalhes a respeito da cobrança.
Somente neste ano, a CPMF rendará mais
de R$ 35 bilhões à União. A oposição
tentou derrubar essa prorrogação.
O tema começou a ser debatido
por volta do meio-dia de ontem, mas a discussão foi suspensa pouco
antes das 17h devido ao início da ordem do dia no plenário
da Casa.
Os deputados da comissão
iriam retomar o debate após o encerramento das votações
da ordem do dia, mas o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia
(PT-SP), convocou sessão extraordinária para tratar da
reforma política, o que impossibilitou a retomada da sessão.
A base aliada e a oposição
fecharam na semana passada um acordo para votar a prorrogação
da CPMF na CCJ da Câmara. Também ficou definido que o assunto
será discutido em uma comissão especial por no mínimo
dez sessões, antes de seguir para o plenário da Casa e,
depois, para o Senado. Por se tratar de emenda constitucional, a proposta
deve ser aprovada em dois turnos nos plenários.
História
A CPMF foi aprovada em 1993 e
passou a vigorar no ano seguinte com o nome de IPMF (Imposto Provisório
sobre Movimentação Financeira) --a alíquota era
de 0,25% e durou até dezembro de 1994.
Dois anos depois, o governo
voltou a discutir o assunto, com a intenção de direcionar
a arrecadação desse tributo para a área da saúde.
Foi aí que foi criada de fato a CPMF (Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira), que
passou a vigorar em 1997 com alíquota de 0,2% e desde então
vem sendo prorrogada.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
15 de agosto de 2007
Aprovado na CAE do Senado projeto que
simplifica o registro de firmas
do DCI
A CAE (Comissão de Assuntos
Econômicos) do Senado aprovou nesta terça-feira (14/8) projeto
de lei da Câmara que se destina a simplificar o processo de registro
das empresas, com o objetivo de estimular as ações empresariais
e uma maior formalização das atividades econômicas.
O relator da matéria foi o senador Sibá Machado (PT-AC),
que ofereceu parecer favorável ao texto.
O projeto cria a Rede Nacional
para a simplificação do Redesim (Registro e da Legalização
de Empresas e Negócios), que institui normas padronizadas, em
escala nacional, para o registro das pessoas jurídicas.
O texto original, do deputado
Francisco Rodrigues, encampou idéias constantes em vários
outros projetos, inclusive sugestões do governo, com o objetivo
de reduzir a burocracia para abertura, incorporação, cisão
e fusão de empresas, bem como para a alteração do
capital societário.
A Redesim será integrada
por órgãos federais (entre os quais a Receita Federal),
estaduais (secretaria de Fazenda e junta comercial) e municipais envolvidos
no registro de empresas. O texto determina uma única entrada
de documentos e dados, o que evita a duplicidade de processos e reduz
custos e prazos. A previsão é de que o processo de abertura
seja concluído em 15 dias.
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ÂMBITO JURÍDICO,
15 de agosto de 2007
Banco do Brasil condenado por humilhar
cliente
O juiz Luiz Fernando Boller, titular da 2ª Vara Cível da comarca
de Tubarão, condenou o Banco do Brasil S.A. ao pagamento de indenização
por dano moral no valor de R$ 20 mil em benefício do policial militar
Valmir Honorato, que foi obrigado a retirar seus sapatos para poder entrar
numa das agências da instituição e efetuar o pagamento
de um boleto. Segundo os autos, Valmir freqüentava o estabelecimento há mais
de 13 anos, sendo conhecido de todos, mas acabou sendo barrado pelo segurança
sob o argumento de que, com aquele tipo de calçado, não poderia
ingressar no estabelecimento. Boller salientou, na sentença, que "a
mera interpelação de Valmir, decorrente do travamento da porta
giratória em razão de excesso de metal, não ensejaria
a concessão da tutela jurisdicional. Todavia, mesmo após constatar
que o fato poderia ser decorrente da espécie/tipo de calçado
utilizado pelo cliente, os prepostos do Banco do Brasil recusaram atendimento
adequado à sua necessidade, impondo a prestação do serviço
bancário ao vexatório abandono do vestuário na entrada
da agência, obrigando o cliente a circular descalço pelo interior
do estabelecimento, suportando a curiosidade e comentários de todas
as pessoas presentes no local". O juiz classificou a conduta do BB como
negativa, além de desproporcional, humilhante e atentatória à dignidade
do policial militar, destacando que “a indenização arbitrada
servirá de lenitivo ao abalo sofrido pelo autor, guardando identidade
com situações precedentes, possibilitando, com eqüidade,
a superação do vexame, da afronta, do ultraje a que foi injusta
e arbitrariamente submetido". O Banco do Brasil foi ainda condenado ao
pagamento das custas processuais e honorários advocatícios no
equivalente a 20 % da condenação líquida. (Proc. nº 075.05.009152-7).
Fonte: TJSC
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 15 de agosto de 2007 | Brasil
Plenário da Câmara aprova
aumento no repasse aos municípios
da Folha Online
O plenário da Câmara
dos Deputados aprovou nesta terça-feira, em segundo turno, a PEC
(Proposta de Emenda à Constituição) que amplia de
22,5% para 23,5% o repasse de tributos da União para o FPM (Fundo
de Participação dos Municípios).
O incremento do FPM foi aprovado
por unanimidade pela Casa. O texto, no entanto, tem de ser aprovado ainda
em dois turnos pelo Senado para ir à promulgação.
A transferência aos
prefeitos será feita em dezembro de cada ano.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 15 de agosto de 2007 | Brasil
Câmara dá anistia a
troca-troca partidário
da Folha de S.Paulo, em Brasília
Com integrantes ameaçados
de perder o mandato por terem trocado de partido, o plenário da
Câmara aprovou às 23h45 de ontem um projeto de fidelidade
partidária que busca anistiar todo o troca-troca ocorrido no passado
e também aquele que vier a ocorrer até 30 de setembro deste
ano.
Além disso, mantém
aberta a brecha de um mês, a cada legislatura, para que os políticos
continuem a mudar de partido segundo suas conveniências eleitorais.
O projeto de lei foi aprovado por 292 votos contra 34, mas pode ser alterado
por meio de emendas ainda pendentes de votação. Após
isso, segue para o Senado.
O texto traz parágrafo
que diz que "ficam resguardadas e convalidadas todas as mudanças
de filiação partidária constituídas até a
data de 30 de setembro de 2007, não incidindo nenhuma restrição
de direito ou sanção". Além disso, altera o
Código Eleitoral proibindo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral)
de aplicar retroativamente interpretações da legislação.
O objetivo é se resguardar
de recente interpretação do TSE segundo a qual o mandato
pertence ao partido, não ao político. Baseado nessa interpretação,
partidos de oposição ingressaram no STF (Supremo Tribunal
Federal) pedindo de volta 23 mandatos de deputados que migraram para
a base governista desde as eleições.
Em linhas gerais, o texto pune
com perda de mandato e inelegibilidade de pelo menos quatro anos os políticos
que trocarem de sigla fora da "janela" de 30 dias --o mês
de setembro do ano anterior às eleições.
Hoje, a única restrição à mudança
de partido ocorre no ano anterior à eleição, já que
quem não estiver filiado por ao menos 12 meses antes da eleição
está impedido de disputá-la.
O projeto de lei foi elaborado
e apoiado pelos principais partidos que se beneficiaram do troca-troca
nos últimos anos, como PR, PTB, PP e PMDB. Apenas DEM, PSDB, PPS
e PSOL se colocaram contra.
"Vai ficar o mesmo troca-troca
de hoje. Em cada mandato vamos ver 100, 200, 300 deputados trocando de
partido que nem se troca da camisa. (...) Esse tipo de fidelidade partidária,
para mim, não é fidelidade partidária, é mudança
de partido com data marcada", discursou Pompeu de Mattos (PDT-RS). "O
que estamos fazendo aqui é a regulamentação da infidelidade
partidária", reforçou Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG).
A sessão se estendeu quase
pela madrugada porque o DEM usou mecanismos regimentais para atrasar
a votação. O líder da bancada, Onyx Lorenzony (RS),
chegou a causar polêmica ao ironizar uma alteração
de última hora estendendo a anistia até 30 de setembro. "Isso é um
convite à traição futura. Isso é uma pouca
vergonha".
"Resguardamos e convalidamos
todas as mudanças feitas até aqui, até setembro,
para que os que já mudaram ou desejam mudar tenham seu direito
respeitado, que é o direito à boa-fé, à segurança
jurídica. Não podemos mudar as regras no meio do jogo",
disse Flávio Dino (PC do B), um dos articuladores da proposta.
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CONSULTOR JURÍDICO,
15 de agosto de 2007
TST rejeita ilegalidade de individualização
de crédito
A Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-2) do Tribunal Superior do
Trabalho negou provimento a recurso da Faculdade de Engenharia
Química de Lorena – Faenquil, autarquia estadual,
contra decisão que determinou o depósito, no prazo
de 90 dias, do valor correspondente aos créditos individualizados
apurados numa reclamação trabalhista. A Faenquil
alegava que, em se tratando de execução contra a
fazenda pública estadual, deveria ser considerado o valor
total do crédito, que, por sua vez, deveria ser quitado
por meio de precatório. O relator, ministro Emmanoel Pereira,
afirmou não haver ilegalidade ou abusividade na determinação.
A dívida trabalhista resultou
de ação julgada pela Vara do Trabalho de Lorena (SP). Na
execução, o juiz determinou que o pagamento dos créditos
deveria ser efetuado de forma individualizada para os quatro credores:
a parte reclamante, o INSS, a União e o perito judicial. Individualmente,
os valores de cada crédito eram de pequeno valor, dispensando
a formação de precatório. Caso o prazo concedido
não fosse cumprido, o juiz determinaria o seqüestro equivalente
ao montante dos débitos apurados.
O Tribunal Regional do Trabalho
da 15ª Região (Campinas/SP) rejeitou o mandado de segurança
da Faenquil contra a decisão, levando-a a recorrer à SDI-2
do TST. Em suas razões, alegou ofensa a seu direito líquido
e certo de que o débito total da ação fosse quitado
apenas por meio de precatório, uma vez que o valor era superior
ao fixado por meio de lei estadual como de pequeno valor. No entender
da autarquia, a separação do crédito do trabalhador,
do valor devido ao perito, da parcela previdenciária e do valor
devido à União a título de custas processuais, considerando-se
cada um como crédito autônomo, caracterizava fracionamento
da execução, vedado por lei.
O ministro Emmanoel Pereira observou
que o TST tem firmado entendimento no sentido de que a individualização
dos valores a serem pagos a cada credor, apurados numa mesma ação
trabalhista – portanto, num mesmo processo -, para o enquadramento
como obrigação de pequeno valor, não representa
o fracionamento da execução. O relator destacou que, segundo
o artigo 48 do CPC, “salvo disposição em contrário,
os litisconsortes serão considerados, em suas relações
com a parte adversa, como litigantes distintos”. Sendo assim, “cada
um dos beneficiários dos valores requisitados pelo juiz é litisconsorte
no procedimento de execução”, concluiu. (RXOF e ROMS
477/2005-000-15-00.6)
Fonte: TST
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CONSULTOR JURÍDICO,
15 de agosto de 2007
Banco não pode bloquear salário
de correntista para cobrir saldo devedor de conta-corrente
O Banco Itaú S/A deve se abster
de bloquear os valores referentes ao salário e à ajuda
de custo do vendedor V. G. C. para cobrir o saldo devedor de sua
conta-corrente. A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça
(STJ), ao manter a decisão do Tribunal de Justiça
do Rio Grande do Sul (TJ/RS), entendeu que cabe ao banco obter
o pagamento da dívida em ação judicial.
No caso, o correntista propôs
a ação ordinária contra o Itaú alegando manter
junto à instituição financeira contrato de conta-corrente
e utilizá-la somente para o recebimento dos salários e
da ajuda de custo, tendo o banco bloqueado o valor depositado em decorrência
de uma dívida contraída por ele. Afirmou necessitar dos
valores depositados em razão de serem verba alimentar e ser ilegal
o ato do banco.
Na primeira instância,
o pedido do vendedor foi julgado procedente para que o banco se abstenha
de compensar os valores recebidos pelo autor a título de salário
ou ajuda de custo. Inconformado, o Itaú apelou sustentando que
não há ilegalidade ou abuso na utilização
de parte dos salários para amortização do saldo
devedor, conforme autorização contratual.
O TJ/RS negou provimento ao apelo
entendendo que o banco não pode se apropriar ou utilizar o salário
do cliente para fins de compensação de débitos existentes. “A
compensação de valores não autoriza que o banco
retenha os vencimentos do cliente como forma de pagamento, mesmo porque
esses vencimentos pertencem exclusivamente a ele, não podendo
apropriar-se dos mesmos a fim de saldar créditos que lhe assistem”,
decidiu.
Ao julgar o recurso do Itaú,
o ministro Humberto Gomes de Barros, relator, ressaltou que não é lícito à instituição
financeira pagar-se integralmente, às custas da subsistência
do correntista. “Ao bloquear o salário – ainda que
amparado em cláusula contratual permissiva – o banco comete
ato ilícito, porque constitucionalmente vedado”, afirmou.
O ministro destacou, ainda, que
tal conduta não se equipara ao contrato de mútuo com consignação
em folha de pagamento, pois, neste último, apenas uma parcela
do salário é retida ante a expressa e irrevogável
autorização do mutuário.
Cristine Genú
Processo Resp 831774
Fonte: STJ
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CONSULTOR JURÍDICO,
15 de agosto de 2007
Trabalho Escravo: Juiz de São
Félix condena fazendeiro e "gato"
Um fazendeiro da região de São
Félix do Araguaia foi condenado a pagar indenização
por dano moral a 10 trabalhadores rurais reduzidos à condição
análoga a de escravo.
As condenações
foram proferidas na sexta-feira (10/08) pelo juiz João Humberto
Cesário, titular da Vara do Trabalho de São Félix
do Araguaia, ao julgar reclamações movidas individualmente
pelos ex-empregados contra o fazendeiro e o intermediador da contratação,
figura conhecida popularmente como "gato". Ambos foram condenados
solidariamente.
Na decisão, o magistrado
entendeu configurada a ocorrência do trabalho escravo tendo em
vista que os fatos verificados se amoldam à tipificação
do artigo 149 do Código Penal: restrição da liberdade
de locomoção (uma vez que os trabalhadores prestavam serviço
em local ermo e sem acesso a qualquer tipo de transporte); jornada exaustiva
(12 horas diárias, com uma hora de intervalo e apenas uma folga
ao mês) e condições de trabalho degradantes (com
alimentação precária, o abrigo se limitava a um
barraco de lona, não havia banheiro ou água potável,
obrigando-os a matar a sede em um riacho, mesmo local utilizado pelos
animais da fazenda).
Um dos trabalhadores relatou
que foi vítima de acidente de trabalho, quando teve decepada a
ponta de um dos dedos ao manejar uma foice, sendo obrigado a continuar
trabalhando sem receber qualquer tratamento médico.
Somando-se a esses fatos, os
trabalhadores afirmaram nunca ter recebido qualquer pagamento durante
todo o período em que prestaram seus serviços, de dezembro
de 2006 a maio de 2007. Para corroborar os depoimentos, foram juntados
aos processos fotografias e boletim policial de ocorrência.
Em resposta, o dono da fazenda
não contestou as informações sobre as condições
de trabalho oferecidas, limitando-se a dizer que havia pago todos os
direitos dos trabalhadores mas que não possuía documentos
comprobatórios.
Ao proferir as sentenças,
o juiz João Humberto acolheu os pedidos de rescisão indireta
(justa causa aplicada pelo empregado) determinando ao fazendeiro o pagamento
dos salários do período, FGTS, horas extras e demais verbas
rescisórias.
Como indenização
por danos morais, o magistrado arbitrou a reparação no
valor de R$ 10 mil para cada trabalhador. No caso do trabalhador acidentado,
o valor de indenização foi fixado em R$ 20 mil.
Por fim, determinou o envio de
cópia da decisão ao Ministério Público do
Trabalho para as medidas por ventura necessárias no plano dos
interesses civis difusos e coletivos; ao Ministério Público
Federal para as medidas no âmbito criminal e à Secretaria
da Inspeção do Trabalho em Brasília com vista à inclusão
dos condenados no "Cadastro de Empregadores que tenham Mantido Trabalhadores
em Condições Análogas a de Escravo", a chamada
Lista Suja.
(Processo 00177.2007.061.23.00-5 e outros)
Fonte: TRT23
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Agência Senado, 15
de agosto de 2007
CUT defende redução
da jornada de trabalho

Com apoio do presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH), senador
Paulo Paim (PT-RS), representantes da Central Única dos Trabalhadores
(CUT) defenderam nesta terça-feira (14), em audiência pública,
uma pauta de reivindicações com 15 itens, com destaque para a
redução da jornada de trabalho sem redução de salário,
passando de 48 horas semanais para 36 horas.
O presidente da CUT nacional,
Artur Henrique da Silva Santos, disse que os trabalhadores lutam por
essa pauta junto aos três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário),
reunindo 15 mil trabalhadores em uma marcha que será realizada
nesta quarta-feira (15) em Brasília. Ele salientou que os sindicatos
e a CUT defendem a elaboração de uma agenda do desenvolvimento
econômico, que permita um crescimento com parâmetros definidos.
- Não queremos qualquer
crescimento. Queremos crescimento com sustentabilidade, com distribuição
de renda e com respeito aos direitos do trabalhador - afirmou.
Artur Henrique também
defendeu outros itens da pauta, como a manutenção do veto
do presidente da República à Emenda 3 (que impedia fiscais
tributários de multar empresas que utilizam mão de obra
em forma de pessoa jurídica para não arcar com os custos
trabalhistas); a garantia de negociação coletiva no serviço
público; a eleição de representante dos trabalhadores
no conselho de administração de empresas públicas;
e o fim do fator previdenciário. Segundo presidente da CUT, a
grande maioria dos trabalhadores se aposenta por idade porque não
consegue acumular 35 anos de contribuição, devido à alta
rotatividade no emprego.
A alta rotatividade no emprego
também foi abordada pelo presidente da Confederação
Nacional dos Metalúrgicos (CNM), Carlos Alberto Grana, que acusou
os empresários de usar esse expediente para retirar ganhos dos
trabalhadores e impedir que se organizem. Segundo ele, apesar de nos último
quatro anos ter havido aumento real de salário e de novos empregos,
a rotatividade esconde um grave problema.
Grana explicou que em 2006 foram
contratados 560 mil trabalhadores, mas por outro lado foram demitidos
490 mil. Ele defendeu a retomada, nos três Poderes, do debate em
torno da ratificação da Convenção 58, pois
enquanto o trabalhador europeu permanece, em média, dez anos no
mesmo emprego, o brasileiro permanece apenas três anos e meio.
- Não podemos permitir
mais esse nível de abuso por parte das empresas - frisou.
O presidente da CNM ainda observou
que cerca de 10 milhões de trabalhadores estarão dependentes
do seguro desemprego em 2010, se nada for feito em relação à alta
rotatividade no emprego. Ele citou os resultados de uma pesquisa realizada
pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos
(Dieese) em 54 municípios, envolvendo 1,5 mil estabelecimentos
comerciais e uma cesta de 25 produtos, para rebater argumento dos empresários
ao estabelecer valores de salários. A pesquisa levantou a diferença
de custo de vida e salário em diversas regiões. Segundo
o Dieese, foi constatado que a variação de custo de vida
praticamente inexiste, enquanto a variação salarial chega
a três ou quatro vezes na mesma entre as regiões e, em alguns
casos, na mesma empresa.
O presidente da Federação
Estadual dos Metalúrgicos (FEM), Milton Viário, disse que é preciso
valorizar a retomada da produção. Para isso, ele defende
a redução progressiva da jornada de trabalho e a conseqüente
abertura de novos postos de trabalho. Viário lembrou que o projeto
de lei que regulamenta essa redução encontra-se na Câmara
dos Deputados, onde aguarda a criação de uma comissão
especial para analisá-lo. Ele assinalou que uma redução
de quatro horas semanais, abriria 1.817 novos empregos e o custo para
as empresas seria de 1,99% na folha salarial.
- Quem tem que pagar o custo
da redução da jornada, são os empresários
- afirmou.
Viário disse ainda que,
segundo levantamento realizado pelo sindicato de Canoas (RS) em 23 empresas,houve
um aumento nos casos de doenças ocupacionais ocasionadas pelo
ritmo acelerado de produção, que variam entre 5% e 10%,
conforme a atividade industrial, e que isso já pode ser considerado
uma epidemia.
O senador Inácio Arruda
(PCdoB-CE) disse que os trabalhadores precisam se mobilizar, pois não
será fácil sensibilizar os empresários para as reivindicações.
Ele observou que a mobilização toca o "calcanhar-de-Aquiles
do modelo de produção brasileiro", que é baseado
na jornada extenuante de trabalho.
- Sem mobilização,
nós não vamos convencer o José Pastore que a defesa
dessa pauta vai melhorar a produção ou a saúde
dos trabalhadores. A Ásia tem diminuído a jornada de
trabalho para aumentar o número de empregos - ressaltou.
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Agência Diap, 15 de
agosto de 2007
Direito do Trabalho: uma Questão
de Cidadania
Por: Cláudio José Montesso*
O Estado e a sociedade brasileira
apresentaram, ao longo da nossa história, um relativo desprezo
pelo trabalho como valor ético e como elemento de inserção
social. Seria possível afirmar que apenas no período de
1930 a 1988, inclusive, ocorreu verdadeira preocupação
com o respeito à pessoa do trabalhador e houve dedicação à construção
de uma legislação social que pudesse alicerçar direitos.
Ainda assim é possível
afirmar que nos períodos não democráticos, a eventual
preocupação com o trabalho esteve mais relacionada com
o controle político-social da classe trabalhadora, com a submissão
da estrutura sindical aos interesses do Estado ou com a simples repressão
dos movimentos sindicais autênticos e a cooptação
dos demais. Mesmo no curto período democrático, entre 1945
e 1963, o Estado e a sociedade brasileira sempre olharam o trabalho com
alguma reserva.
Porém, não é possível
negar que, em todo aquele período, incluindo-se os não
democráticos, diversas gerações foram educadas de
forma a ver o trabalho honesto como um valor e um direito a ser perseguido.
Havia evidente valorização do trabalho humano e uma estrutura
estatal de repressão ao descumprimento dos direitos do trabalho,
ainda que nem sempre eficaz na sua missão.
Por mais estranho que possa parecer
foi a partir da Constituição de 1988, aquela que mais direitos
sociais incorporou, que se passou a, cada vez mais, desvalorizar o trabalho
e a reduzi-lo a mero custo administrativo e produtivo e o Estado brasileiro
simplesmente renunciou à sua missão de fiscalizar e atuar
na defesa dos trabalhadores. Honrosa exceção seja feita
aos valorosos fiscais do trabalho compostos de uma nova geração
que tomou para si as rédeas dessa função estatal
e, contrariando até mesmo orientações políticas,
cumpriu sua missão legal com denodo. Mas no aspecto institucional
e político, alicerçado por campanhas promocionais orquestradas,
o que se viu foi um questionamento cada vez maior da proteção
legal e do arcabouço estatal que tem a incumbência de efetivar
essa proteção.
No meio dessa discussão,
como não poderia deixar de ser, estava o Direito do Trabalho vigente,
seja por tentativas de modificação da Constituição,
seja por questionamentos sobre a propriedade da existência de norma
constitucional dessa natureza.
O que mais causa espécie
nesse tipo de questionamento e nos diversos discursos que pregam a flexibilização
ou a desregulamentação dos direitos dos trabalhadores é a
perda da perspectiva histórica de sua existência e a ausência
de proteção de fato a milhares de trabalhadores, seja no
mercado informal, seja no mais simples desrespeito ao que está na
lei por aquelas atividades econômicas formalmente constituídas.
É verdade que o Direito
do Trabalho, de per si, não elimina as graves distorções
existentes na nossa sociedade e é ainda verdade que há duas
categorias de trabalhadores, uma devidamente amparada pelas disposições
legais e outra que somente terá seus direitos reconhecidos se
buscar abrigo na Justiça do Trabalho. Ou ainda uma outra parte
da classe trabalhadora que simplesmente não consegue emprego.
Mas isso não torna menos importante a existência da proteção
legal ou justifica qualquer medida que vise diminuir ou flexibilizar
direitos.
O debate não pode se fixar
no aspecto meramente econômico ou estatístico, no sentido
de que eventual redução de direitos reduz o custo da mão-de-obra
e ainda permite a inserção daqueles que não estão
albergados pelo trabalho formal. Essa é uma falsa questão
que pretende colocar em xeque os direitos dos trabalhadores, atribuindo-lhe
a culpa pelo desemprego ou pela informalidade.
Em razão dessas constantes
manifestações e de meias-verdades veiculadas aqui e acolá é que
se faz necessário defender o Direito do Trabalho e a sua efetivação
nas relações entre empregados e empregadores. É necessário
resgatá-lo como elemento civilizatório e de inserção
de milhares de brasileiros na economia. Ao mesmo tempo é preciso
demonstrar que é essencial valorizar o trabalho humano como um
valor ético a ser considerado, inclusive como fundamental para
a superação da violência e da criminalidade.
Os juízes do trabalho
querem firmar como proposição o reconhecimento de que a
todos os trabalhadores, empregados ou não, devem ser garantidos
direitos trabalhistas assim considerados fundamentais.
Afinal, efetivar o Direito do
Trabalho é uma questão de Cidadania.
Cláudio José Montesso é Juiz
titular da 58ª Vara do Trabalho do RJ e professor licenciado
de Direito Processual Civil da Universidade Católica de Petrópolis
(RJ), é presidente da Associação Nacional dos
Magistrados da Justiça do Trabalho (ANAMATRA).
|
Agência
Diap, 15 de agosto de 2007
JUSTIÇA DO TRABALHO
A lei é do mais forte
Carta Capital
Por Paula Pacheco
Justiça do Trabalho no Brasil é conhecida por alguns estigmas.
Entre eles, que os brasileiros se apropriam da lei para tirar vantagem e que
as mesas dos juízes estão cada vez mais abarrotadas de processos.
Não é o que diz o estudo de Ivan César Ribeiro e Brisa
Ferrão, pesquisadores em Direito e em Economia. De acordo com o levantamento,
o desrespeito à legislação e ao contrato de trabalho é a
principal motivação para as ações na Justiça.
Se o que está no papel fosse cumprido, menos trabalhadores teriam de
recorrer aos tribunais.
Os estudiosos dividiram a
pesquisa em duas partes. Na primeira, desenvolveram uma metodologia
para medir a demanda por ações trabalhistas a partir
de informações como empregados sindicalizados, autuações
dos fiscais, empregos formais, grau de escolaridade, PIB per capita,
tempo para ingressar com a ação e número de
advogados. Na fase seguinte, aplicou a metodologia. De acordo com
o cruzamento dos dados, o desrespeito ao contrato ou à legislação
varia de 39% a 55% do total de ações trabalhistas nos
estados brasileiros. A pecha de que a Justiça é o primeiro
recurso dos empregados oportunistas não é verdade.
São os patrões que deixam de cumprir o que diz a lei,
como pagamento do FGTS, das horas extras ou das férias, garantias
previstas na Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT,
de 1943.
Vantagem em descumprir a CLT
No geral, diz Ribeiro, a
lei trabalhista brasileira situa-se bem acima da média mundial
no que diz respeito aos trabalhadores e a garantias. O problema está no
fato de ela ser descumprida pelos empregadores. Para as empresas,
afirma o pesquisador, acaba por ser vantajoso não atender
a determinadas cláusulas contratuais e depois tentar um acordo
na Justiça. "Sai mais barato". Normalmente o acordo
sai por menos do que o valor devido. É fato também
que os juros cobrados de uma empresa pelo banco são bem menores
do que aqueles pagos pelo correntista comum.
"Quanto mais a ação
demora a ser julgada, mais prejuízo tem o ex-funcionário",
opina. Além disso, lembra, nem todos os empregados que passaram
pela situação de ter um contrato descumprido procuram
a Justiça. Ainda há o receio de que esse tipo de iniciativa
influencie negativamente numa contratação futura.
Acesso à Justiça do Trabalho
O estudo mostra também
quantos casos vão para a Justiça do Trabalho e, segundo
estimativa, quantos deveriam ir. No estado de São Paulo, um
quarto das infrações contratuais não chega aos
tribunais. No Piauí a situação é bem
mais grave. Metade dos descumprimentos simplesmente não são
levados adiante pelos trabalhadores. Em compensação,
há casos em que a Justiça fica abarrotada. A maior
discrepância é constatada nos estados do Amazonas e
de Roraima. A proporção entre infrações
e ações é de 157,4%, ou seja, 57,4% a mais do
que o necessário.
"No caso de São
Paulo, pode-se imaginar que parte da demanda está indo para
meios alternativos, como os tribunais ou homologações
nos sindicatos. Em muitos estados, entretanto, a hipótese
mais plausível é a de que o trabalhador não
tem acesso ou não confia na Justiça do Trabalho",
analisa Ribeiro. Também influencia na busca pela Justiça
o grau de escolaridade e a desigualdade social. Na raiz da questão,
o fato de a legislação trabalhista, ainda que boa,
na prática não é cumprida. "Uma fiscalização
mais eficaz poderia inibir esse tipo de comportamento", lembra.
Ao se falar das empresas
descumprirem a legislação trabalhista, lembra o pesquisador, é bom
registrar o que isso acarreta: desperdício de recursos da
sociedade, gastos com advogados e a demanda desnecessária
levada à Justiça.
De outro lado, há uma
indústria que se aproveita da fragilidade dos empregados para
tirar alguma vantagem. Demitidos são aliciados na porta de
agências do INSS ou da Justiça do Trabalho para que
sejam induzidos a entrar com ações com os ex-patrões.
A abordagem normalmente é parecida. O homem-placa aborda o
desempregado e oferece uma consulta com um advogado que poderá checar
se há algo a ser pleiteado.
Infra-estrutura do Judiciário
O Brasil tem hoje por volta
de 2,3 mil juízes trabalhistas. A estimativa é que
por ano haja cerca de 2 milhões de novas ações
- média que tem se mantido estável nos últimos
anos. Segundo o juiz Cláudio José Montesso, presidente
da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça
do Trabalho (Anamatra), cerca de 60% das ações são
consideradas parcialmente procedentes. "Trata-se de um mito
achar que o trabalhador entra na Justiça por oportunismo.
O que se esquece ao fazer esse tipo de afirmação é que
a Justiça do Trabalho é a mais acessível à população.
Não é preciso pagar nada, basta ter um advogado e um
interesse a se manifestar", explica Montesso.
O juiz acredita que o fato
de as ações trabalhistas apresentarem um crescimento
constante, sem picos, não é motivo para comemoração.
Alarmada com a situação da mão-de-obra no País,
a Anamatra lança nos próximos dias a campanha para
conscientizar o trabalhador sobre seus direitos. Para Montesso, o
tema precisa ser tratado como uma forma de inserção
social. "Tem se propagado o discurso no Brasil no sentido de
que o trabalhador atrapalha, que causa problemas ao empresário
e que só agrava o problema do custo social. É uma falácia.
O empregado aqui ganha muito mal e simplesmente não se justifica
dizer que ele causa algum tipo de dano", afirma.
Pseudas alegações dos empresários
As empresas, por sua vez,
atribuem o problema dos baixos salários e os quadros enxutos
de empregados ao fato de custar muito caro, segundo elas, contratar
um trabalhador com carteira assinada. Os tributos podem corresponder
a quase 100% do valor do salário. "Não é com
a retirada de direitos que o problema será resolvido",
adverte o presidente da Anamatra. No Congresso Nacional, não
faltam projetos de lei com propostas de alteração da
CLT. Um deles, que tramita na Comissão de Assuntos Econômicos
do Senado, prevê a supressão da multa adicional do FGTS,
hoje de 50%, em caso de demissão sem justa causa. Até 2001,
a multa era de 40%. Temas espinhosos como esse podem ser discutidos
na reforma trabalhista, esperada desde o primeiro mandato de Lula.
Se as leis não mudam,
muda o ambiente empregador. Nos últimos anos, a Justiça
do Trabalho tem se adaptado aos novos tempos. Uma das tendências é o
aumento de trabalhadores que não têm registro em carteira
e são obrigados a abrir uma empresa para se tornar, como se
diz no jargão, PI, a pessoa jurídica. O contratante
se livra dos encargos ao tentar descaracterizar o vínculo
empregatício, mas normalmente os juízes dão
razão aos empregados e garantem a eles os mesmos direitos
previstos na lei. Outra forma de atropelar a CLT é por meio
da criação de cooperativas de trabalho fraudulentas.
Elas servem como mera forma de triangulação da relação
entre empregado e empresa.
Nessa relação
conflituosa e desigual, é fato que muitas empresas têm
aproveitado os tempos de calmaria da economia para crescer e bater
recorde de lucratividade. Em vez de políticas claras de
remuneração, preferem falar de aumento de produtividade.
Com os mesmos empregados, ganham mais. No entanto, ainda dão
de ombros para o que trazem em seus contratos de trabalho. (Intertítulos
do DIAP)
|
Agência Diap, 15 de
agosto de 2007
MOVIMENTO SINDICAL
Pesquisa mostra que número
de sindicalizados caiu no País
Pesquisa realizada a pedido do Sindeepres – Sindicato
dos Empregados em Empresas de Prestação de Serviços
a Terceiro - mostra que a sindicalização tem caído
ao longo dos últimos anos no país. Em apenas dez
anos, a taxa de trabalhadores não sindicalizados caiu 17,08%.
As causas da queda na sindicalização
são muitas, entre elas, a política neoliberal adotada no
Governo Fernando Collor, hoje senador. O movimento sindical brasileiro
vinha em um movimento crescente em sua primeira fase e se consolidou
na segunda, quando protagonizou no processo de redemocratização
do país. Mas em sua terceira fase o sindicalismo brasileiro vem
perdendo força.
A pesquisa, que foi coordenada
pelo professor e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia
do Trabalho (CESIT), Márcio Pochamann, faz um resgate histórico
do movimento sindical no país e compara a queda de sindicalização
dos trabalhadores brasileiros com os de outros países.
Os dados também demonstram
um elevado crescimento na taxa de sindicalizados de mão-de-obra
terceirizada. Em dez anos, pode-se verificar que só no estado
de São Paulo subiu de 0,7% para 27% a quantidade de trabalhadores
terceirizados sindicalizados. (André Santos)
Veja
a pesquisa completa
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Diário Vermelho, 15
de agosto de 2007
Aproximação de PSB
e PCdoB promete estremecer o meio sindical
O movimento que visa criar uma nova central sindical de trabalhadores reuniu-se
na última quarta-feira (08) na Contimaf (Confederação
Nacional dos Trabalhadores em Transportes Marítimos Fluviais e Aéreos
nos Portos), no Rio de Janeiro (RJ), para debater os fundamentos da futura
entidade – que pretende ser classista, democrática e unitária.
O novo grupo, fomado por sindicalistas filiados a partidos - como o PSB e o
PCdoB - e também não filiados, surge porque parcela dos trabalhadores
não se sente mais representada pela Central Única dos Trabalhadores
(CUT).

Joilson pela unidade
Ficou definido para os
dias 23 e 24 de agosto a realização de um seminário,
em Brasília, onde será discutida a organização
da nova entidade. Um dia antes, os membros da SSB (Sindicalismo Socialista
Brasileiro), corrente que representa o setor sindical no PSB, se reunirão
com objetivo de afinar o discurso para o encontro.
De acordo com o professor Joilson Cardoso, secretário sindical do PSB,
cerca de 35% dos filiados da CUT devem aderir à nova central. O grupo
congrega, além da SSB e de sindicalistas independentes, lideranças
ligadas à CSC (Corrente Sindical Classista), tendência sindical
do PCdoB. “A aproximação do PSB e do PCdoB, juntamente
com setores independentes, promete estremecer o meio sindical”, acredita
Joilson.
A comissão representativa ainda não definiu o nome da nova entidade,
mas a concepção sindical já está em estado adiantado.
A nova central será formalmente criada assim que o Congresso Nacional
aprovar a medida provisória sobre a legalização das centrais
sindicais no país – o que está previsto para o final do
ano. Até lá, serão criadas estratégias para atrair
outros segmentos do movimento sindical.
Geopolítica
Essa aproximação entre os dois partidos repete o movimento ocorrido
desde o início do ano, quando PSB e PCdoB criaram – junto com
outras legendas – o Bloco de Esquerda da Câmara dos Deputados,
por ocasião da eleição da nova mesa diretora da Casa.
Em seguida, o Bloco ampliou-se para o Senado e, depois, transformou-se na “Frente
de Esquerda”, movimento político-eleitoral que conta, inclusive,
com um programa de propostas para o país.
Também no movimento estudantil os dois partidos estreitaram laços
e venceram as eleições da União Nacional dos Estudantes
(UNE). A mais tradicional entidade estudantil do país é agora
presidida pela gaúcha Lúcia Stumpf (filiada ao PCdoB) e tem na
vice-presidência o carioca Rilden Ramos (da Juventude Socialista Brasileira,
ligada ao PSB). Joilson Cardoso entende que esta nova fase dos movimentos sociais
influenciará toda a geopolítica nacional.
Para o Coordenador Nacional da CSC, João Batista Lemos, ''o Bloco de
Esquerda foi uma passo importante de aproximação entre partidos
identificados com um projeto de desnvolvimento para o País; o movimento
por uma central classista não se deu em função da existência
Bloco, mas foi ajudado com a sua constituição.''
Conjuntura
O pano de fundo de todo esse movimento é o rearranjo das forças
políticas do País. A busca de uma nova alternativa para o movimento
sindical que represente socialistas e comunistas se dá em função
de uma conjuntura adversa. “A CUT não se diferencia mais do sindicalismo
de resultados que tanto combateu”, justificou Joilson. O sindicalismo
de resultados é uma prática muito criticada por lideranças
de esquerda. “Em vez de ajudar, ele prejudica os trabalhadores”,
explicou o secretário sindical do PSB.
Segundo ele, o hegemonismo da Artsind (corrente majoritária da CUT)
interfere na democracia interna da entidade e não abre espaço
para outras formas de pensamento. Mas, para Joilson, a maior decepção
ocorre por causa da aproximação da CUT com setores conservadores
da sociedade. “A Central Única dos Trabalhadores não se
preocupa mais com a combatividade que a originou, na década de 80”,
lamentou o sindicalista.
Apesar das críticas, Batista da CSC, afirma que a relação
da central que nascerá com as demais - inclusive a CUT - será de
diálogo. ''Temos muitas críticas a corrente majoritária
da CUT, a Artisind, mas isso não significa que vemos a CUT como uma
inimiga da central que está por vir. Pelo contrário, apesar das
divergências, nossa luta será pela unidade de todos os trabalhadores
contra o desmonte de direitos conquistados e pelo avanço nas suas conquistas.''
Fonte: Da Redação com informações da Imprensa Portal
PSB.
|
Folha
de São Paulo, 15 de agosto de 2007
Governo obtém 1ª vitória
para prorrogar CPMF sem partilha
Deputado muda de idéia após Planalto
acelerar liberação de emendas e nomeações
| Em sessão da CCJ, Eduardo Cunha, o relator do projeto, altera
seu parecer e aceita retirar a divisão da receita com Estados
e municípios
FÁBIO ZANINI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Após acelerar a liberação
de emendas e a nomeação de indicados políticos
para o segundo escalão, o governo obteve uma primeira vitória
na longa tramitação da emenda constitucional que prorroga
a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira). Logo no início da sessão da CCJ (Comissão
de Constituição e Justiça) da Câmara que
analisa a constitucionalidade do chamado "imposto do cheque",
o relator da proposta, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), aceitou modificar
seu parecer e retirar um ponto que previa a divisão da receita
com Estados e municípios, o que é rejeitado pelo governo.
A emenda da divisão
dos quase R$ 40 bilhões anuais agora tramitará em separado
do texto principal, o que facilita a ação do governo
para derrubá-la. Cunha, considerado o padrinho político
da indicação do ex-prefeito do Rio Luiz Paulo Conde para
a presidência de Furnas, reagiu irritado à sugestão
de que haveria uma relação da indicação
com seu parecer. Disse que o importante é que a emenda da divisão
será aprovada pela CCJ, assim como todas as outras -o mérito
delas será discutido mais à frente. "Todas as emendas
serão tratadas de maneira igual, para não dar margem às
insinuações que estamos cansados de ouvir, de que algo
não estaria correto."
A sessão da CCJ que
discutia a prorrogação da CPMF até 2011 foi suspensa à tarde
e será retomada hoje, quando os deputados votarão se
ela é constitucional ou não. Cunha já apresentou
parecer favorável à constitucionalidade. Enquanto isso,
o governo abre o cofre e acerta indicações para cargos.
Nos dez primeiros dias de agosto, foram empenhados R$ 74,1 milhões
em emendas parlamentares, contra R$ 20,7 milhões nos sete primeiros
meses do ano.
Ontem saíram duas nomeações
de aliados para o segundo escalão. O ex-ministro do Esporte
Agnelo Queiroz, do PC do B, assume uma diretoria da Anvisa (Agência
Nacional de Vigilância Sanitária). Michel Tachy, indicado
pelo PR do Pará, ficou com uma diretoria no Dnit (Departamento
Nacional de Infra-Estrutura de Transporte). A aprovação
na comissão seria apenas o primeiro passo: a CPMF ainda teria
que percorrer um itinerário que inclui uma comissão de
mérito, duas votações no plenário da Câmara
e depois repetir todo o procedimento no Senado.
O governo avalia que, se sua
base votar unida, a aprovação será tranqüila,
ao menos na Câmara. O problema é que há rebeldes
de todos os lados. Partidos como PP, PR e PTB, encorajados pelo exemplo
de Furnas, pressionam por indicações no segundo escalão.
Como se não bastasse, ontem o chamado "bloquinho", que reúne
PSB, PDT e PC do B, começou a discutir a possibilidade de defender a
redução da alíquota de 0,38% anuais para 0,08%. O debate
continua na semana que vem. Mas a oposição está dividida.
O DEM e o PPS se dizem contrários à contribuição. "O
Brasil tem excesso de arrecadação. Isso, somado a uma redução
de metade dos ministérios, compensaria o fim dessa contribuição",
afirma o presidente do DEM, Rodrigo Maia.
Mas os tucanos, em cujo governo
a contribuição foi criada, se dizem favoráveis
a ela, embora com alíquota reduzida. "Não há razão
para não reduzir substancialmente a alíquota da CPMF.
Mas nós não faremos como fazia o PT no passado e vamos
votar pela constitucionalidade da emenda", disse Jutahy Junior
(PSDB-BA). Em São Paulo, tucanos ligados ao governador José Serra
(PSDB) repetiam ontem que o assunto é restrito ao Congresso.
E que a proposta de redução
de alíquota não foi alvo de discussão do partido
nem da bancada. Questionado pela Folha sobre o assunto após
visita a uma obra, Serra entrou no carro sem responder. Colaboraram
RANIER BRAGON, da Sucursal de Brasília, e a Reportagem Local.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 15
de agosto de 2007 | Economia
Indústria
“Conselhão” pede
teto de 25% para carga tributária
Conselho de Desenvolvimento da Presidência
deve se reunir na sexta
por FERNANDO JASPER
O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) da Presidência
da República vai insistir na proposta de que o governo estabeleça
um teto de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) para a carga tributária
do país – atualmente, ela supera 35%. Recusada na semana passada
pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, a idéia de um limite máximo
será apresentada novamente na sexta-feira, quando integrantes do chamado “Conselhão” voltam
a se reunir com o ministro, em São Paulo. A informação
foi divulgada ontem pelo presidente reeleito da Federação das
Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo da Rocha Loures,
em sua primeira entrevista coletiva após a eleição. Ele
integra o Conselhão junto com outros 89 representantes da sociedade
civil e 12 ministros.
De acordo com o presidente da
Fiep, o teto de 25% para a carga tributária pode ser determinado
a partir de uma emenda à Constituição Federal ou
mesmo na forma de projeto de lei, nos moldes da Lei de Responsabilidade
Fiscal. De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário
(IBPT), a última vez em que a carga esteve próxima do nível
defendido por Rocha Loures foi em 1996, quando fechou o ano em 25,2%
do PIB. Ao longo dos dez anos seguintes, o peso dos tributos subiu 10
pontos porcentuais, atingindo no ano passado o recorde de 35,2%. Em 2006,
a arrecadação de tributos da União, estados e municípios
somou R$ 817,9 bilhões, frente a um PIB nacional de R$ 2,3 trilhões.
Quase 70% do valor arrecadado vai para os cofres do governo federal,
o que explica a resistência do ministro da Fazenda em discutir
uma redução da carga.
O presidente do IBPT, Gilberto
Luiz do Amaral, concorda com o estabelecimento de uma meta para o peso
dos tributos. “É imprescindível, pois o costume de
nossos governantes é resolver a má administração
do dinheiro público da maneira mais fácil, que é aumentar
impostos para arrecadar mais. Exemplo disso é a resistência
em acabar com a CPMF”, diz Amaral, referindo-se à pressão
do governo para renovar a Contribuição Provisória
sobre Movimentações Financeiras até 2011.
“O governo sempre
diz que precisa desse dinheiro. Mas em 2007, a arrecadação
já supera a do ano passado em mais de R$ 30 bilhões. É o
equivalente a um ano de CPMF”, disse Rocha Loures, acrescentando
que o grupo temático sobre reforma tributária do Conselhão
vai se posicionar contra a continuidade da contribuição
na reunião de sexta-feira. “É preciso reduzir a
mesada do governo, para forçá-lo a racionalizar seus
gastos. Nós industriais conseguimos aumentar a produtividade
das nossas empresas em 300% nos últimos 15 anos, enquanto o
governo perdeu produtividade e eficiência.” Para o presidente
da Fiep, o trabalho da Receita Federal, considerada um dos órgãos
mais eficientes do governo, deveria servir de modelo aos demais.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 15
de agosto de 2007 | Economia
Tributos
Adesão ao Supersimples é adiada
de novo, mas críticas continuam
Micro e pequenos empresários têm
até segunda-feira para optar por novo regime tributário
por CINTHIA SCHEFFER COM AGÊNCIA
O Comitê Gestor do Simples
Nacional prorrogou ontem, pela segunda vez, o prazo para as micro e
pequenas empresas aderirem ao Supersimples. A nova data-limite para
adesão ao regime tributário é 20 de agosto, segunda-feira
próxima – o prazo inicial era 31 de julho e havia sido
estendido até hoje. Também foi prorrogado, para a mesma
data, o limite para pedido de parcelamento especial da débitos
tributários (em até 120 meses). A resolução
que estende os prazos deve ser publicada hoje no Diário Oficial,
mas não satisfaz empresários e contadores, que ainda
esperam uma prorrogação maior, preferencialmente até o
fim do ano.
Segundo a Receita Federal, a
decisão foi tomada para que os segmentos recém incluídos
entre os possíveis optantes do novo modelo tivessem mais tempo
para aderir e, principalmente, para participar do parcelamento especial.
Na semana passada, o Congresso Nacional aprovou um projeto de lei modificando
parte da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, pela qual foi criado o
Supersimples.
O novo texto incluiu micro e
pequenas fábricas de cosméticos, sorvetes e de fogos de
artifício no modelo tributário. O projeto, no entanto,
ainda precisa ser sancionado pelo presidente Lula, para que as empresas
possam fazer a opção.
Um grupo de prestadoras de serviço
também teve seu enquadramento no Supersimples alterado. Por não
terem sido listadas inicialmente, essas empresas seriam enquadradas no
Anexo 5 da lei – e assim, teriam sua carga tributária elevada
optando pelo Simples Nacional. Com a mudança, elas serão
enquadradas no Anexo 3 e terão alíquotas a partir de 6%,
incluindo todos os tributos. A estimativa do Sebrae é que 550
mil empresas em todo país – entre salões de beleza,
hotéis, restaurantes, estacionamentos e empresas de entrega (motoboys) – tenham
sido beneficiadas com a mudança.
No entanto, para quem usa a lei
como ferramenta de trabalho – e, há meses, tenta entendê-la – a
nova prorrogação é apenas mais uma medida paliativa,
e ainda insuficiente. “Estamos trabalhando em cima de uma lei que
ainda não foi sancionada, que ainda não está em
vigor em sua plenitude”, reclama o presidente do Sindicato das
Empresas de Serviços Contábeis do Paraná (Sescap
PR), Mário Berti. “Estávamos trabalhando com um prazo
até 31 de dezembro.”
Para o contador Elemar Kochler
a ampliação do prazo até segunda-feira ajuda muito
pouco, já que, na prática, são apenas três
dias úteis a mais. “Está todo mundo aprendendo a
trabalhar com o novo sistema. Tivemos apenas alguns meses para absorver
uma série de mudanças de uma lei que demorou quatro anos
para ser feita e que, de simples, até agora não tem nada.”
Para o presidente do Sescap PR,
além de facilitar para as empresas, seria mais coerente que o
novo regime entrasse em vigor apenas em 1.º de janeiro de 2008. “Entrando
em vigor agora, algumas empresas vão viver duas situações
contábeis no mesmo ano.” A entidade enviou para o Comitê e
para a própria Receita Federal um pedido para ampliação
do prazo – porém ainda sem nenhum retorno.
Como fazer
A adesão ao Supersimples,
o cancelamento da migração automática e o pedido
de parcelamento podem ser feitos na página da Receita Federal
(www.receita.fazenda.gov.br). O novo regime unifica seis tributos federais
(IR, IPI, CSLL, PIS, Cofins e contribuição previdenciária),
um estadual (ICMS) e outro municipal (ISS), em alíquotas que
variam de 4% e 17,42%. Para fazer parte do Supersimples, a empresa
precisa faturar até R$ 2,4 milhões por ano e não
ter débitos com União, estados e municípios.

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JORNAL GAZETA DO POVO, 15
de agosto de 2007 | Economia
Tributos
Migração supera as
expectativas
Até o fim da tarde de ontem, 3,086 milhões de empresas haviam
solicitado a inclusão no Supersimples, segundo balanço da Receita
Federal em Brasília. Desse total, 1,33 milhão foram transferidas
automaticamente do Simples Federal para o novo regime. Cerca de 124 mil pedidos
foram indeferidos por problemas cadastrais. Do total de pedidos, 1,11 milhão
apresentam alguma pendência fiscal. Outros 24 mil pedidos estão
pendentes, a espera de verificação por parte dos estados e municípios.
Os números já superaram a expectativa inicial da Receita Federal,
que esperava 3 milhões de adesões.
No Paraná, 136.730 empresas
solicitaram a entrada no Supersimples até ontem – 7,81%
do total. Outras 89.603 foram transferidas automaticamente, totalizando
226.333 optantes pelo novo regime. Os dados foram repassados no fim da
tarde de ontem pela assessoria de imprensa da Receita Federal em Brasília.
Pessoa física
A Receita Federal vai depositar
hoje as restituições referentes ao terceiro lote do Imposto
de Renda da Pessoa Física 2007 (ano-base 2006). Neste lote serão
liberadas 1,33 milhão de declarações, das quais
1,23 milhão para contribuintes com direito a restituição,
no valor de R$ 1,36 bilhão – o maior liberado pela Receita
neste ano. As restituições terão correção
de 3,91%, referentes à taxa Selic de maio, junho, julho e uma
parte de agosto.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
15/08/2007
Estabilidade na gravidez não depende
de conhecimento prévio
O direito à estabilidade
provisória da gestante, instituído pela Constituição
Federal, não depende do prévio conhecimento do empregador
ou da própria empregada sobre a existência da gravidez.
Este é o entendimento da Quinta Turma do Tribunal Superior do
Trabalho, que deu provimento a recurso contra decisão do Tribunal
Regional do Trabalho da 2ª Região (SP).
Trata-se de questão envolvendo
uma trabalhadora que, após ser dispensada, ajuizou ação
contra seu ex-empregador, requerendo a estabilidade por gravidez, o que
foi reconhecido em sentença do juiz de primeiro grau. A empresa
recorreu da sentença e obteve a sua revisão, valendo-se
do fato de que a comprovação da gravidez só fora
feita dias depois da demissão, mediante apresentação
de exame de ultra-sonografia. A empregada tentou anular a decisão,
mediante embargo de declaração, mas o TRT negou-lhe provimento:
manteve seu entendimento com base na ausência de comprovação
da gravidez nos autos, ressaltando que a empregada não apresentou
atestado médico nem demonstrou a recusa do empregador em dar ciência
sobre a gestação, o que a levou a apelar ao TST.
O relator da matéria,
ministro João Batista Brito Pereira, deu provimento ao recurso
e determinou à empresa o pagamento dos salários e das vantagens
correspondentes ao período garantido pela estabilidade provisória à gestante,
com fundamento na Súmula 244, que firmou o entendimento do TST
sobre a questão. O voto, aprovado por unanimidade pela Quinta
Turma, ressalta que o direito à estabilidade provisória,
em decorrência de gravidez, independe do prévio conhecimento
do empregador ou da própria gestante.
Após considerar que a
expressão “confirmação da gravidez”,
contido na Constituição Federal, deve ser entendida como “certeza
da gravidez”, pois tem o objetivo de proteger a trabalhadora desde
o início da gestação, o ministro conclui: “O
momento em que se obtém essa certeza (confirmação
da gravidez) não é referido na norma constitucional, sendo
inaceitável que seu intérprete lhe dê inteligência
prejudicial à parte a quem ela visa acudir”. (RR 1604/2003-003-02-00.2)

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