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Diário Vermelho, 16
de agosto de 2007
SC: maior federação
de agricultores defende central classista
Em entrevista, o presidente da
Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de
Santa Catarina (Fetaesc), Hilário Gottseling, fala de sua participação
no movimento pela central classista. “Estou empenhado na discussão
para concretizar esta central sindical com o princípio classista
e democrático”, disse Hilário. O líder assumiu
a presidência da maior entidade da categoria no estado em maio
de 2005. Ele também declarou que central só jogará papel
se manter independência a governos e a partidos. A entrevista foi
concedida a Vinícius Puhl, na cidade de São José (SC).
A Fetaesc congrega, atualmente,
234 sindicatos de trabalhadores rurais e 44 extensões de base.
São entidades que atuam em 275 municípios catarinenses,
organizados, respectivamente, em 17 associações de sindicatos
de trabalhadores rurais.
Fundada em 02 de julho de 1968, é uma entidade sindical de segundo grau,
com sede no município de São José. Os trabalhadores e
trabalhadoras rurais que congregam a Fetaesc são responsáveis
por 71,3% da produção de alimentos em Santa Catarina, segundo
levantamento do Icepa (Instituto de Planejamento em Economia Agrícola
de Santa de Catarina).
Em entrevista exclusiva ao Vermelho, o dirigente sindical fala de sua avaliação
do movimento sindical e destaca as principais lutas e dilemas do movimento
diante do governo Lula.
“ Os movimentos sociais ficaram asfixiados, sem reação para
os problemas econômicos e sociais – e ainda são muitos – no
governo Lula. Este fato se deve a responsabilidade dos movimentos e a dependência
de parte do sindicalismo de suas decisões pelo Planalto”, declarou.
Hilário demonstrou entusiasmo com o movimento por uma central classista
e democrática dos trabalhadores durante a entrevista e acredita que
o movimento é uma opção que falta as entidades sindicais
no país.
Vermelho: Qual foi a sua trajetória no movimento sindical?
Hilário: Iniciei e continuo associado no Sindicato de Trabalhadores
Rurais de Pinheiro Preto, no estado de Santa Catarina. Fui diretor do sindicato,
da Fetaesc e da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores
da Agricultura) e hoje sou presidente da Fetaesc.
V: Qual a relação da entidade com as centrais
que existem hoje?
Hilário: Não temos filiação a nenhuma central sindical
devido à falta de correspondência das centrais que existem aos
interesses dos trabalhadores rurais. A Contag é filiada a CUT, mas como
a CUT defende a pluralidade sindical e reconhece a Fetraf (Federação
dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da região Sul) como organização
paralela a Contag, não aceitamos nossa filiação a CUT.
Para nós, a ação da Central Única está fragilizando
a nossa luta, disputando e ''inorganizando'' nossos sindicatos e, com isto,
enfraquecendo o movimento sindical rural.
V: Quais são as principais reivindicações
da Fetaesc?
Hilário: Defendemos um novo projeto de agricultura focado na agricultura
familiar. Para tanto, é preciso mudar alguns aspectos conceituais. Entre
eles as políticas públicas que devem considerar as pessoas que
vivem da terra, ou seja, é preciso pensar a propriedade como um todo
e não só as culturas produtivas. O crédito, por exemplo,
não pode ser para financiar cada cultura individual e sim a propriedade
como um todo. Outra questão é levar em conta as capacidades produtivas,
ambientais e econômicas da propriedade. Beneficiar os produtos da propriedade
coletivamente com outros agricultores que se identificam e com isto criar marca
regional também é importante, assim como, capacitar os agricultores
para que eles possam perceber as mudanças necessárias. Defendemos
que seja feita, inclusive, uma pesquisa adequada e aplicada com os interesses
dos agricultores familiares, entre outras questões.
Também é preciso crédito fundiário para assentamento
de agricultores sem terra. Defendemos o crédito fundiário porque
o estado é formado por pequenas propriedades. Se elas forem vendidas
devem ser repassadas para outro pequeno agricultor. Acordos e convenções
de trabalho para os assalariados rurais do estado, nas mais diversas atividades
agrícolas – entre elas fruticultura, reflorestamento, hortigrangeiros,
carne – são aspectos importantes de nossas reivindicações.
A garantia dos direitos previdenciários a todos os trabalhadores e trabalhadoras
rurais do estado, assim como programa de habitação rural, sejam
eles assalariados ou agricultores familiares, está na nossa pauta. Veja,
estamos fazendo mais de três mil casas novas ou reformadas por ano.
Queremos também a mudança dos currículos escolares, adequando
a realidade da agricultura – pois com a nucleação estamos
perdendo nossa história e cultura do meio rural. Além disso,
desejamos melhorar a legislação ambiental, já que o código
florestal inviabiliza 32. 800 propriedades de agricultores familiares do estado.
Por fim, reivindicamos as negociações de preço de diversos
produtos agrícolas, entre eles: fumo, leite, suínos e aves.
V: Nestes quase cinco anos de governo Lula quais foram as
principais mudanças?
Hilário: A consolidação da democratização
do país é um marco importante que e devemos garantir sua continuidade.
O governante de centro esquerda precisa garantir a continuidade. No meio rural
vale destacar a ampliação de recursos do Pronaf (Programa Nacional
de Fortalecimento da Agricultura Familiar), apesar da reforma agrária
não avançar. Devemos lutar para garantir a continuidade dos trabalhadores
rurais no regime geral da previdência social e também em programas
sociais, como a Bolsa Família e a Bolsa Escola.
Por outro lado, os movimentos sociais ficaram asfixiados, sem reação
para os problemas econômicos e sociais, e ainda são muitos. Este
fato se deve a responsabilidade dos movimentos e a dependência, ou controle,
de decisões pelo Planalto.
V: Como você vê o movimento sindical no Brasil?
Quais são as dificuldades e desafios atuais?
Hilário: É um movimento forte, mas que vem sofrendo crise de
identidade pelos seguintes motivos: não tem conseguido modernizar sua
representação, nem seus projetos de sociedade, vivendo uma busca
repetida de procedimentos e estratégias já superadas. Os trabalhadores
em geral, a partir do momento em que a inflação brasileira caiu
significativamente, perderam a capacidade de mobilização por
não terem outras pautas a não ser a de recuperar a inflação
do ano anterior. Os interesses de grupos ou tendências, pior ainda, os
interesses pessoais, se sobrepuseram aos interesses das classes. A sobreposição
das centrais existentes ao papel de estruturas como as confederações,
federações e sindicatos geraram problemas.
A eleição de Lula, apesar de trazer muitos avanços, também
trouxe dependência de parcelas do movimento ao governo, principalmente
para tomada de decisões e mobilizações por parte das centrais
e confederações.
V: A CSC está fazendo um movimento por uma outra central,
com feição classista. O que você acha desta iniciativa?
Hilário: Estou empenhado na discussão para concretizar esta central
sindical com o principio classista e democrática. Para tanto, é preciso
que se construa essa central sem o domínio das tendências políticas – sejam
elas suprapartidárias – para garantir um maior papel das confederações,
federações e sindicatos. Esse fator é muito importante
para garantir a unicidade sindical nas estruturas verticais.
V: Como isso pode repercutir no sindicalismo?
Hilário: Entendo que a opção pelo princípio democrático
e classista se diferencia dos princípios das demais centrais. Uma central
com essas características poderá crescer muito no movimento.
No nosso caso, pertencemos ao sistema Contag, que também é uma
opção para os sindicatos de trabalhadores rurais. Mas o que a
gente vê na Contag, que é filiada a CUT, é a falta de espaço
para proporcionar um debate maior sobre os problemas da organização
e dos trabalhadores, como deveria acontecer. Em certos momentos, a gente sente
um ‘castramento’ desta possibilidade, o que vem provocando grande
descontentamento no conjunto da nossa organização, seja nos filiados
ou não a CUT.
V: Qual a concepção de movimento sindical que
você defende para uma central?
Hilário: Concepção classista e democrática respeitando
as diferenças e os problemas das diversas categorias. Que a central
que fundaremos venha a garantir a representação e a defesa dos
interesses gerais das diversas categorias. Que ela tenha representação
internacional. Que garanta a solidariedade às diversas categorias e
a participação de todas nos debates e na consolidação
de um projeto de sociedade. Penso que uma central classista deve represar todos
os trabalhadores brasileiros, sejam eles na atividade ou não.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 16 de agosto de 2007 | Brasil
TSE ataca fidelidade partidária
aprovada na Câmara
RANIER BRAGON
SILVANA DE FREITAS
da Folha de S.Paulo, em Brasília
O presidente do TSE (Tribunal
Superior Eleitoral), ministro Marco Aurélio de Mello, e partidos
de oposição atacaram ontem o projeto de lei de fidelidade
partidária que anistia o troca-troca ocorrido até agora,
além de manter brecha para a manutenção da prática.
O projeto foi aprovado pelo plenário
da Câmara às 23h45 de anteontem, por 292 votos contra 34.
Ontem à noite, o plenário votou pela rejeição
de todas as emendas.
Marco Aurélio disse que
houve "retrocesso", enquanto os oposicionistas batizaram a
medida como "projeto de infidelidade partidária" e ameaçaram
recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) para derrubá-la.
"A meu ver é um retrocesso.
Não se progride culturalmente quando se anistia os que descumprem
a lei", disse Marco Aurélio, que é também ministro
do Supremo.
O PPS, que perdeu nove deputados
federais para legendas governistas desde as eleições, anunciou
que entrará no STF com uma ação direta de inconstitucionalidade
se a lei entrar em vigor --após a votação das emendas
pela Câmara, a proposta segue ao Senado.
"É um verdadeiro
projeto de infidelidade partidária. O governo fingiu que estava
aprovando fidelidade, quando, na verdade, abre-se a grande porteira para
a boiada passar no último ano do mandato", disse o presidente
do DEM, Rodrigo Maia (RJ).
Anistia
O texto anistia o parlamentar
que trocou de partido após ser eleito em 2006 e quem trocar até 30
de setembro próximo. Além disso, altera o Código
Eleitoral impedindo o TSE de aplicar retroativamente interpretações
da legislação.
O objetivo é se resguardar
em relação à recente interpretação
do TSE segundo a qual o mandato pertence ao partido, não ao político,
o que ameaça aqueles que trocaram de legenda após as eleições,
entre eles 40 deputados federais.
O projeto original tem como autor
o deputado Luciano Castro (RR), líder da bancada do PR, partido
que mais se beneficiou do troca-troca desde as eleições,
na Câmara, tendo recebido 17 novos deputados.
Já a parte do projeto
que tem o objetivo de coibir as migrações traz regra que
mantém brecha de 30 dias --o 13º mês antes das eleições,
ou seja, setembro-- para que os políticos continuem a trocar de
legenda por conveniências eleitorais.
Hoje, os políticos podem
mudar de legenda a qualquer tempo, mas se fizerem isso nos 12 meses que
antecedem as eleições não podem disputar.
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GAZETA MERCANTIL, 16 de agosto de 2007
Um novo apagão, o da mão-de-obra
O cenário de significativa expansão da atividade econômica
acelerou a procura por mão-de-obra capacitada. O setor automobilístico,
por exemplo, bateu no primeiro semestre do ano todos os recordes históricos
de vendas no mercado interno, compensando boa parte das perdas nas exportações
devido à política cambial. A Federação Nacional
da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) aumentou
as projeções de vendas neste ano para cerca de 11%, em relação
a 2006. O recorde de emplacamentos de 1994, sempre mencionado no setor, deverá ser
superado até o final do mês de setembro.
As montadoras enfrentaram este aquecimento de demanda com diferentes políticas
de contratação de mão-de-obra. A Volkswagen, que previa
a demissão de 4.200 funcionários até o final de 2008,
já negociado com o sindicato da categoria, reverteu todo o programa
de reestruturação funcional e já admitiu 1.400 novos funcionários.
A Fiat Automóveis, que opera a plena capacidade em três turnos,
também contratou mais 3 mil funcionários só no primeiro
semestre.
Estas contratações, nas duas montadoras líderes de vendas
no País, traduzem o mesmo problema tratado com duas políticas
diferenciadas de recursos humanos. Do total contratado pela Fiat nos últimos
oito meses, 40% são candidatos ao primeiro emprego, que receberam treinamento
da própria empresa. A Volkswagen, enfrentando forte premência
de acelerar a produção, foi obrigada a chamar 375 aposentados
na própria empresa ou do setor, com experiência nas funções
metalúrgicas.
Este é o ponto importante. As duas estratégias revelam séria
defasagem na oferta de mão-de-obra capacitada. Este problema não é novo,
mas agora atingiu o setor de ponta da indústria. É verdade que
outras atividades em outros setores, há muito tempo, enfrentam quadro
bem mais grave de falta de recursos humanos qualificados. A carência
ficou mais visível quando a construção civil, desde 2004,
reaqueceu e começou a conviver com sensíveis problemas para encontrar
de carpinteiros a engenheiros.
A gravidade do problema foi detectada pelo sindicato dos trabalhadores na construção
civil, que reconheceu, em março deste ano, que "pela primeira vez
em 30 anos falta profissional qualificado no setor". A lógica do "peão
tem em todo lugar" simplesmente acabou. Como lembrou Francisco Nunes,
diretor do Instituto Tecnológico de Ensino do governo federal, a construção
civil mudou e o trabalhador precisa ter conhecimentos básicos, "precisa
saber ler e fazer contas, porque o material que manipula exige melhor qualificação".
A rigor, em abril, o sindicato da indústria da construção
civil do Rio de Janeiro botou o dedo na ferida dizendo que faltam engenheiros
experientes no mercado, porque desde os anos 80 toda uma geração
de formados frustou-se com as oportunidades da carreira e mudou de rumo, principalmente
migrando para o setor administrativo ou financeiro das empresas. Até os
funcionários das áreas técnicas da construção
civil foram atingidos. Bastou o mínimo aquecimento, ou simples medidas
de estímulo (como a desoneração do IPI de 40 produtos
usados no setor), para que o problema da falta de mão-de-obra qualificada
na construção civil tomasse proporções bastante
sérias. O sindicato notou, por exemplo, que o salário de um carpinteiro
de obra subiu 40% entre novembro do ano passado e junho de 2007.
O governo decidiu enfrentar o problema da formação de mão-de-obra
a partir de solução tradicional: o Conselho Deliberativo, que
administra as verbas do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), aumentou os repasses
de verbas para cursos de qualificação profissional. O conselho,
formado por centrais sindicais, empresários e governo, destinou R$ 950
milhões para estes cursos para 2008. Neste ano, as verbas para esse
fim somaram R$ 114,6 milhões e os problemas com o uso desses recursos
foram muitos. Já os resultados foram bastante discutíveis.
Quando a Fiat decide qualificar por si mesma e a Volswagen prefere até chamar
aposentados, há um sinal, suficientemente forte, de que a atual política
de qualificação profissional não está funcionando
como deveria.
kicker: Como é difícil encontrar trabalhador qualificado, setor
automobilístico enfrentou aquecimento de demanda com novas políticas
de contratação
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág.
2)
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CONSULTOR JURÍDICO,
16 de agosto de 2007
Coração no trabalho
Tribunal considera infarto como acidente
de trabalho
O Tribunal Supremo da Espanha considerou
que o infarto de miocárdio pode ser classificado como acidente
de trabalho se ocorrer durante o expediente. Mas apenas nos casos
em que ficar provado que existe uma relação entre o
fato e o trabalho realizado. A informação é do
El País.
A Sala de Social do alto tribunal
unifica assim a jurisprudência sobre acidentes de trabalho. O caso
tratava de um trabalhador da cidade de Zaragoza que passou mal durante
o trabalho. Ao ir para o hospital foi diagnosticado um infarto. Ele ficou
seis meses sem trabalhar.
Em julho de 2002, o Juizado Social
4 de Zaragoza estimou que início do infarto teria ocorrido às
6 horas da manhã, antes do início da jornada de trabalho.
Ainda assim, o juiz considerou que o problema o impediu de trabalhar.
Concluiu então que a incapacidade é profissional.
No entanto, em dezembro de 2005,
o Tribunal Superior de Justiça de Aragón não reconheceu
o pedido do trabalhador ao aceitar os argumentos da Caixa de Acidentes
de Zaragoza e do Instituto Nacional de Seguridade Social espanhol. Segundo
o tribunal, ele começou a trabalhar às 7 horas. Ou seja,
isso excluía a caracterização de acidente do trabalho.
O trabalhador recorreu com base
em uma decisão do Tribunal Supremo de 1998, que considerou como
acidente de trabalho o infarto de um trabalhador que sentiu os primeiros
sintomas na noite anterior.
O Tribunal Supremo, ao admitir
o recurso, recordou que a Lei Geral de Seguridade Social de 1974 não
se refere apenas às lesões sofridas de ação
súbita e violenta de um agente exterior, mas também às
enfermidades sofridas por alterações do processo vital
que podem surgir pelo trabalho.
A lei estabelece que para
se descartar a classificação de acidente de trabalho é preciso
que a doença tenha surgida durante o expediente em uma função
que não seja a sua causa.
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Folha
de São Paulo, 16 de agosto de 2007
"Cansei" sai da catedral após
pressão da igreja
Arcebispo diz em nota que "não
desautoriza movimento, mas não encabeça o protesto nem
participa da sua organização" | Movimento solta nota
após oposição da igreja, transfere ato do interior
da catedral para Praça da Sé e reafirma ser apartidário
e pró-Brasil
LEANDRO BEGUOCI
DA REPORTAGEM LOCAL
O ato de amanhã do Movimento
Cívico pelo Direito dos Brasileiros, o "Cansei", não
será dentro da Catedral da Sé. O arcebispo de São
Paulo, dom Odilo Scherer, reprovou o fato de o evento ter sido agendado
na igreja sem sua autorização.
O "Cansei" é liderado
pelo presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D'Urso, e por
empresários. Após tomar conhecimento da posição
do arcebispo, o grupo transferiu o encontro para a Praça da
Sé, em frente à igreja. O ato deve contar com representantes
de várias religiões para lembrar o aniversário
de um mês do acidente com o avião da TAM.
A mudança de local começou
a ser desenhada no meio da tarde de ontem, quando a assessoria de comunicação
da Arquidiocese de São Paulo disse que o ato não aconteceria
dentro do templo católico.
Por volta de 19h30, o "Cansei" também
publicou nota e comunicou a mudança de horário e lugar
do evento. O encontro deve começar ao meio-dia, e não
mais às 13h, como divulgado nos novos cartazes do grupo onde
aparecem as apresentadoras Hebe Camargo, do SBT, e Ana Maria Braga,
da Globo, a atriz Regina Duarte e a cantora Ivete Sangalo.
Embora a igreja não
tenha usado a palavra "veto", o movimento justificou a transferência
sob o argumento da "não autorização da Arquidiocese
de São Paulo para realização dentro da igreja".
No começo da noite, pouca antes da nota do "Cansei", a igreja
divulgou nota mais amena. Afirmou apenas que a "autorização
do uso da Catedral da Sé não partiu do arcebispo dom Odilo Scherer".
Por telefone, a assessoria afirmou que o arcebispo não vetaria o encontro,
mas "não gostaria que ele fosse realizado dentro da catedral".
Em ambas as notas, a igreja
argumenta: "A arquidiocese não desautoriza o movimento,
mas deixa claro que não encabeça o protesto nem participa
da sua organização".
A nota do "Cansei" termina dizendo: "Reiteramos que o movimento
não se trata de um ato político, mas de uma manifestação
cívica de cidadania e de amor ao Brasil".
Ontem, a Folha informou que
a organização do grupo não consultara o arcebispo
sobre a realização do ato dentro da catedral. A autorização
teria partido do padre responsável pela administração
da igreja.
O "Cansei" tomou
forma dentro do escritório do empresário João
Doria Jr, que promoveu almoços para arrecadar recursos para
a campanha do tucano Geraldo Alckmin à Presidência. Entre
os slogans do movimento estão frases como "cansei do caos
aéreo" e "de CPIs que não dão em nada".
Argumentos e pressão
A igreja justificou a não-adesão
ao protesto do "Cansei" ao dizer que "a Arquidiocese
de São Paulo já participou do ato inter-religioso pelas
vítimas do acidente da TAM e celebrou missa pelos falecidos
naquele trágico acidente. Renova sua solidariedade para com
os familiares das vítimas, suas preces pelos que perderam suas
vidas no acidente."
Ontem, ONGs como a "Educa
São Paulo" protocolaram cartas pedindo o veto do arcebispo
ao ato do "Cansei" sob o argumento de "uso político" do
templo. Blogs governistas na internet pediam que simpatizantes do
PT enchessem a caixa de e-mails da igreja protestando contra a cessão
do templo.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 16
de agsoto de 2007 | Economia
Mercado
Dólar supera barreira dos
R$ 2 pela primeira vez em três meses
Bovespa despenca 3,19% e fecha
abaixo dos 50 mil pontos
por FERNANDO JASPER COM
AGÊNCIAS
A crise no mercado imobiliário
norte-americano voltou a derrubar bolsas de valores em todo o mundo e
prolongou a queda da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
Em dia de recorde histórico de negócios, com movimento
superior a R$ 18 bilhões, a Bolsa paulista fechou o pregão
de ontem em forte baixa de 3,19%, aos 49.285 pontos. Foi o primeiro fechamento
abaixo da marca de 50 mil pontos desde o início de maio. Em sentido
oposto, o dólar superou a marca de R$ 2, o que não ocorria
há três meses, e chegou ao fim do dia cotado a R$ 2,031,
com alta de 2,27%. O câmbio já subiu quase 8% desde o início
de agosto, mas no ano, ainda acumula desvalorização de
5%.
Se por um lado dá certo ânimo
aos exportadores brasileiros, que há meses reclamam da baixa cotação,
a alta da moeda norte-americana pode ter um efeito colateral que prejudicaria
o setor produtivo. Analistas acreditam que, com o dólar em alta,
fica mais difícil para o Banco Central controlar a inflação.
O resultado é que a taxa básica de juros – a Selic,
que serve de referência para os empréstimos – tende
a cair em velocidade mais baixa nos próximos meses.
Fundo Monetário Internacional
“Turbulência é nova crise
externa”
Brasília – O representante
do Brasil no Fundo Monetário Internacional (FMI), Paulo Nogueira
Batista Júnior, acredita que a atual turbulência nos mercados
financeiros internacionais seja uma nova crise externa e não uma
situação temporária. Segundo o economista, em períodos
de crise são revelados novos problemas. Na atual situação,
eles não estão mais limitados às hipotecas, mas
se espalhando por outros setores e gerando dificuldades para grandes
instituições financeiras.
Batista Júnior destacou
que, diferente daquelas ocorridas nos anos 90, cujos focos foram países
emergentes, esta potencial crise tem origem no centro da economia mundial,
os EUA. Segundo ele, um risco importante é uma eventual atuação
atrasada dos Bancos Centrais, como ocorreu no Japão nos anos 80
e colocou aquela economia em letargia durante anos. Mas observou que
os BCs, por enquanto, têm tido atuação rápida
com injeções enormes de liquidez no mercado.
O presidente Lula disse ontem
que as oscilações do dólar fazem parte dos ajustes
normais da economia, e enfatizou a solidez dos fundamentos da economia
brasileira. “A turbulência americana não vai causar
problema ao Brasil.”
A Selic está em 11,5% ao ano e, se o dólar permanecer no atual
patamar, a taxa dificilmente cairá mais que 0,25 ponto porcentual na
próxima reunião do Comitê de Política Monetária
(Copom) do Banco Central, em setembro. Na reunião passada, em julho,
o corte foi de 0,5 ponto.
Para o estrategista de renda
variável da paulistana Infinity Asset, George Sanders, a boa situação
da economia brasileira não justifica a queda da Bovespa e, muito
menos, a alta da moeda norte-americana. Segundo ele, o recente avanço
do dólar é conseqüência do mau momento das bolsas
estrangeiras e, assim que a turbulência passar, é provável
que a moeda volte a oscilar entre R$ 1,85 e R$ 1,90.
“Com esse problema no exterior,
os fundos de investimento estrangeiros estão precisando de dinheiro
para cobrir os saques de seus clientes. Então recorrem a mercados
com grande liquidez [facilidade de compra e venda], como o Brasil”,
explica Sanders. Por aqui, os fundos vendem as ações que
têm em mãos e acabam derrubando a Bovespa. Com o dinheiro
da venda, compram dólares para enviá-los a suas sedes no
exterior. Com mais demanda por dólares, a cotação
da moeda naturalmente sobe.
A justificativa para o “desespero” dos
fundos estrangeiros é a crise do segmento “subprime” do
setor imobiliário dos Estados Unidos (EUA). Os empréstimos
desse segmento, concedidos a consumidores com histórico de calote,
são de alto risco. Como a inadimplência atingiu níveis
alarmantes, os fundos que tinham investimentos atrelados ao subprime
perderam rentabilidade, motivando os saques.
Ao contrário das crises
da década de 90, que surgiram em países emergentes, a atual
turbulência começou nos EUA e, por enquanto, está restrita
ao mercado financeiro. Mas há temores de que possa afetar a “economia
real” e prejudicar o ritmo de crescimento mundial.
Analistas são cautelosos
em arriscar até onde vão a Bovespa e o dólar:
os palpites, cheios de ressalvas, são de que o câmbio
pode chegar a R$ 2,20 e a Bolsa, cair a até 47 mil pontos. Para
Gustavo Andrade, agente de investimentos da curitibana Investflow,
a volatilidade dos mercados deve durar pelo menos mais duas semanas. “Em
setembro, o Fed [banco central dos EUA] anuncia os juros americanos
[hoje em 5,25% ao ano]. Se ele cortar, pode dar um alívio ao
mercado.”
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
16 de agosto de 2007
Dólar baixo impulsiona
salário mínimo
Neste ano, a remuneração
atingiu a maior cotação em dólar desde
1994. Em abril, por exemplo, valia US$ 187 e agora está em
torno de US$ 200
Curitiba - O salário
mínimo teve um aumento real de 87,12% desde julho
de 1994, quando o então presidente Fernando Henrique
Cardoso, implantou o Plano Real. Caso o mínimo fosse
corrigido apenas pela inflação, hoje valeria
R$ 213. Neste ano, o salário atingiu a maior cotação
em dólar desde 1994. No último mês
de abril, valia US$ 187 e agora está em torno de
US$ 200. Isso em função da crescente desvalorização
da moeda norte-americana.
O supervisor técnico
do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese), Cid Cordeiro, explica que o poder de compra do mínimo
não é medido pelo seu valor em dólar mas pelo
que ele consegue comprar da cesta de consumo das famílias de
baixa renda.
Por outro lado, a queda da
moeda norte-americana acabou contribuindo para a redução
do preço de vários produtos na cesta de consumo das famílias.
Cordeiro destacou que o dólar pode ter influência direta
no aumento do poder aquisitivo dos trabalhadores. O dólar pode
afetar a inflação. Se esta moeda estiver em queda, a
inflação é menor e, com isso, o poder de compra
do consumidor aumenta.
''O mais importante é ver
quantas cestas básicas o mínimo compra. Isso tem mais
importância para as famílias que vivem do salário'',
disse Cordeiro. Um estudo realizado pelo Dieese aponta que em julho
de 1994, o mínimo valia US$ 69,67, em 1998 chegou a US$ 113,04
e depois foi caindo. Em 1999, chegou em US$ 80,82 e em abril de 2003
em US$ 76,96. Segundo ele, com o dólar menor, a inflação é menor
e isso afeta o índice de correção do mínimo.
''Se o dólar está em cotação menor vai
impactar a inflação. Com a inflação menor,
o Banco Central diminui juros, o País cresce mais e há aumento
real maior nos salários'', analisa.
Ele destacou ainda que, como
o mínimo aumentou em dólar, melhorou a comparação
do salário brasileiro com o de outros países. Internamente,
aumentou o poder aquisitivo da população. ''Independente
da cotação do dólar, o salário vinha tendo
aumento em dólar. Com a queda da moeda norte-americana, isso
se acelerou, o mínimo passou a valer mais ainda'', disse.
Desde 1994, o mínimo
teve uma variação acumulada de 486,51%, a inflação
cresceu 213,44% e o dólar 118,50%. Estes números apontam
que o mínimo aumentou mais que o dólar e que a inflação.
Histórico - Cid Cordeiro
lembra que, em um primeiro momento, os aumentos reais do salário
mínimo foram conquistados pela mobilização dos
trabalhadores. ''O Congresso aprovava o aumento real e o governo federal
ameaçava com veto'', disse. Ele destacou que o aumento real
deste ano foi negociado inclusive com a fixação de uma
política para os reajustes do período de 2008 a 2011.
A partir do próximo ano, o mínimo vai ter a variação
da inflação mais o aumento do Produto Interno Bruto (ãB).
Em 2011, o governo e as centrais sindicais devem negociar como serão
os aumentos para este novo período.
No início do Plano Real,
o mínimo valia R$ 64,79. O maior aumento real do salário
foi em 1995, quando teve elevação de 22,62% para uma
inflação de 16,50%. O segundo maior aumento real foi
em 2006 (13,04%) para uma inflação de 3,21% e o terceiro
em abril de 2001 (12,17%) para uma inflação de 6,27%.
Neste ano, o aumento real foi de 5,10% para uma inflação
de 3,30%.
Cordeiro destaca que
não foi só o mínimo que teve aumentos reais.
Segundo ele, a recuperação mais intensa de renda dos
trabalhadores que recebem acima de R$ 380 começou em 2004.
Isso porque as negociações salariais estão sendo
fechadas com aumento real. ''O emprego em crescimento, também
aumenta a renda média das famílias'', disse. No ano
passado, 80% das categorias de trabalhadores conseguiram aumento
real nos salários. O salário médio do paranaense é de
R$ 959,94.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 16
de agsoto de 2007 | Economia
Aposentadoria
Captação da previdência
privada cresce 26%
São Paulo – O mercado de previdência privada aberta, que
não inclui os fundos de pensão fechados, encerrou o primeiro
semestre deste ano com captação de R$ 12,4 bilhões, um
crescimento de 26% ante o mesmo período de 2006, segundo dados da Federação
Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi). “O resultado
ficou um pouco acima de nossa estimativa, que era de 20%. Por isso estamos
revendo a previsão para o fechamento do ano, que agora passa de 20%, índice
que vem se mantendo nos últimos dez anos, para 23%”, afirma o
vice-presidente da entidade, Marco Antonio Rossi.
Três fatores contribuem
para esse ritmo: o aumento da expectativa de vida do brasileiro, que
o leva a investir mais na programação de sua velhice; a
possibilidade de deduzir os gastos no Imposto de Renda (tanto pessoa
física como jurídica); e o aumento da competitividade do
mercado de trabalho, que estimula mais empresas a oferecer planos.
O maior propulsor do resultado
positivo foi o segmento Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL),
que captou um volume de contribuições 38% maior do que
no período anterior, atingindo R$ 8,6 bilhões. O Plano
Gerador de Benefício Livre (PGBL) apresentou queda de 3,22%,
com um total de R$ 2,06 bilhões.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 16
de agsoto de 2007 | Mundo
Venezuela
Parlamento pretende aprovar a reforma
de Chávez até novembro
Reforma da Constituição
dará direito a reeleição sem limite
para a Presidência
Caracas – A presidente da Assembléia Nacional (Parlamento), a
governista Cilia Flores, disse que os deputados aprovarão até novembro
a aguardada reforma constitucional que seria apresentada oficialmente ontem à noite
pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez.
“Amanhã (hoje) mesmo
começamos a trabalhar com a reforma’’, disse Flores,
em entrevista a jornalistas na entrada da Assembléia. “Trabalharemos
em período integral para tentar aprovar o projeto em dois ou três
meses e logo passá-lo ao Poder Eleitoral para que se realize o
referendo.’’
Popularidade do presidente sobe após
caso da RCTV
Caracas – A popularidade do presidente venezuelano, Hugo Chávez,
aumentou para 45% após cair a 35% em maio, quando decidiu não
renovar a concessão à rede privada de televisão RCTV,
de acordo com uma pesquisa de opinião da empresa Hinterlaces.
“Dois meses depois (do
final da licença de RCTV), Chávez recupera em 10% seu nível
de aprovação, embora não alcance os índices
anteriores à sua vitória eleitoral (54%)”, explica
o estudo de Hinterlaces, cuja clientela principal está no setor
privado. Em relação ao projeto de reforma constitucional
que Chávez apresentaria ontem à noite ao Parlamento, a
rejeição desceu de 63% em julho para 54% agora em agosto.
A Assembléia terá de aprovar a proposta de Chávez ao longo
de três discussões. Depois disso, um referendo nacional deve ser
convocado em até 30 dias, conforme prevêem os artigos 343 e 344
da Constituição, aprovada em 1999, primeiro ano do governo Chávez.
Flores anunciou ontem que, para
acelerar os trabalhos, os deputados trabalharão em sessões
extraordinárias nos próximos 30 dias, o período
de recesso da Assembléia. A partir do dia 15 de setembro, as sessões
voltam a ser ordinárias.
A apresentação
oficial de Chávez na Assembléia, localizada no centro de
Caracas, estava marcada para as 17h locais (uma hora a menos que o horário
de Brasília), mas o presidente venezuelano atrasou a chegada em
duas horas.
Chávez chegou em automóvel
oficial e ouviu o Hino Nacional do lado de fora diante de alguns milhares
de manifestantes, a maioria vestida de camisas vermelhas. Até as
21h, Chávez não havia iniciado seu discurso no plenário.
“Começa uma boa,
bonita e grande batalha’’, disse Chávez ontem à noite,
quando participou ao vivo por telefone de um programa da televisão
estatal VTV.
“ Objetivo é a reeleição”
Analista diz que Chávez busca ampliação de poder
Leia
a entrevista
“ Por uma parte, é certo que vão se desmontar um conjunto
de artimanhas e falsidades que os jornais, emissoras de TV e analistas vêm
construindo por aí. Mas ao mesmo tempo eles vão ter já algo
concreto e vão começar a fazer uma campanha desde amanhã (hoje)
mesmo para tentar desfigurar a letra e o espírito da proposta, como fizeram
há oito anos com a Constituição’’, completou
Chávez.
Os partidos da oposição
e setores como a Igreja Católica dizem que a Constituição
deverá concentrar ainda mais poderes nas mãos de Chávez
e que seguirá o modelo cubano.
A proposta mais controvertida é a
reeleição indefinida para presidente. Chávez já é o
segundo mandatário há mais tempo no poder, atrás
apenas do aliado cubano, Fidel Castro. O venezuelano tem afirmado que
quer ficar na Presidência pelo menos até 2021.
Em 2005, todos os deputados eleitos
eram de partidos governistas depois que a oposição boicotou
as eleições. No entanto, desde o início do ano,
três partidos menores, Podemos, o PPT (Pátria Para Todos)
e o PCV (Partido Comunista Venezuelano), ensaiaram se distanciar de Chávez
ao se negar a dissolver para formar o PSUV (Partido Socialista Unido
da Venezuela) proposto por ele.
Juntas, as três agremiações
têm 20% das 167 cadeiras (a Assembléia é unicameral).
Desses, Podemos já é considerado oposição
pelo governo.
“Espero que nossos
amigos do PPT e do PCV assumam com rigor tudo isso (a reforma) agora,
há outros partidos que a cada dia estão se revelando’’,
disse Chávez ontem à noite.

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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
16/08/2007
TST determina insalubridade com base no
salário mínimo
O adicional de insalubridade
deve ser calculado com base no salário mínimo, e não
no valor do salário contratual. Seguindo a jurisprudência
firmada neste sentido, assim decidiu a Quinta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho, ao dar provimento a recurso de um ex-empregado da Companhia
de Saneamento do Paraná – Sanepar.
Ao ser dispensado da Sanepar,
após nove anos de contrato, o trabalhador ajuizou ação
trabalhista na Vara do Trabalho de Ponta Grossa (PR) reclamando o pagamento
de diferenças salariais, dentre as quais horas extras, jornada
de sobreaviso e adicional de insalubridade. O juiz deferiu parcialmente
o pedido, rejeitando, no entanto, o item referente à mudança
de cálculo do adicional de insalubridade, com fundamento no Enunciado
228 do TST.
Ambas as partes ajuizaram recurso
no Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (PR), pedindo
a revisão de vários itens em que se sentiam prejudicadas.
O reclamante insistiu em sua pretensão de afastar o cálculo
do adicional de insalubridade com base no salário mínimo,
centrando suas argumentações em decisão neste sentido
proferida pelo Supremo Tribunal Federal, o que foi acolhido no provimento
parcial dado pelo Regional, que determinou a adoção do
salário contratual como parâmetro e o conseqüente pagamento
das diferenças e reflexos daí decorrentes. Foi contra essa
decisão que a Sanepar se insurgiu, mediante recurso de revista
ao TST.
O relator do recurso, ministro
João Batista Brito Pereira, decidiu pelo provimento ao recurso,
determinando o retorno da utilização do salário
mínimo como base de cálculo. Brito Pereira destacou que
esse é entendimento consolidado no TST, mesmo na vigência
da Constituição Federal de 1988, conforme a Súmula
228 e a Orientação Jurisprudencial 2 da Subseção
II Especializada em Dissídios Individuais (SDI II). (RR 2140/2001-024-09-00.2)
(Ribamar Teixeira)
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16/08/2007
Salário-base não precisa ser
igual ou superior ao mínimo legal
“A verificação
do respeito ao direito ao salário-mínimo não se
apura pelo confronto isolado do salário-base com o mínimo
legal, mas deste com a soma de todas as parcelas de natureza salarial
recebidas pelo empregado diretamente do empregador.” Com base neste
entendimento, consolidado na Orientação Jurisprudencial
n° 272 da SDI-1, a Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho desconstituiu
acórdão do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região
(Campinas/SP) que concedia diferenças salariais a um empregado
do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE).
O empregado, admitido na empresa
em julho de 1978 para realização de trabalho braçal,
ajuizou reclamação trabalhista em 1999, quando seu contrato
de trabalho ainda estava em vigor. Alegou que recebia salário-base
inferior ao mínimo legal e pediu o pagamento da diferença
entre o valor recebido e o salário mínimo, desde a sua
contratação. O salário-base do empregado era de
R$ 56,80, mas sua remuneração era acrescida de R$ 105,31
referente a reajuste complementar do piso salarial, mais gratificações
e adicional por tempo de serviço, perfazendo um total de R$ 240,41.
O valor do salário mínimo, na época em que foi proposta
a ação, era de R$ 136,00.
O Departamento, em contestação,
alegou indevida a diferença salarial, tendo em vista que o salário
total pago ao trabalhador superava o valor do mínimo legal. A
sentença foi favorável ao empregado. Segundo o juiz, “inconteste
que o salário-base é pago a menor, em desrespeito à Constituição
Federal, são devidas as diferenças salariais, parcelas
vencidas e vincendas”.
Insatisfeito, o DAEE recorreu
ao TRT, alegando ofensa ao princípio da legalidade. Disse que,
por ser um órgão público (autarquia estadual), somente
pode conceder diferença salarial prevista em lei. “Ao determinar
o pagamento do salário-base no mesmo valor do salário mínimo,
haverá aumento na remuneração do trabalhador, hipótese
vedada pelo artigo 169, parágrafo único, incisos I e II
da Constituição Federal”, argumentou.
O recurso ordinário manteve
a sentença. Segundo o acórdão do TRT, o salário-base “equivale à mínima
garantia de remuneração, não encontrando respaldo
legal a composição do mínimo recebido por diversas
parcelas”. A autarquia recorreu, com sucesso, ao TST. De acordo
com o voto do relator do processo, ministro Aloysio Corrêa da Veiga,
a OJ n° 272 da SDI-1 que fundamentou a decisão, tem amparo
legal no art. 457, parágrafo 1º, da CLT, que considera salário “não
só a importância fixa estipulada, como também as
comissões, percentagens, gratificações ajustadas,
diárias para viagem e abonos pagos pelo empregador”. (RR-795.776/2001.0).

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