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REVISTA ISTO É, 20 de agosto de 2007
O Brasil não agüenta
mais imposto
Brasília vive disputa pela CPMF,
o Supersimples enlouquece contribuinte e a conta não pára
de subir
MILTON GAMEZ

Se fosse vivo, Tiradentes novamente teria bons motivos para lutar contra o
apetite fiscal do governo central. O herói da Inconfidência Mineira
ficaria ruborizado ao saber que, 215 anos depois da sua morte, o Brasil livrou-se
de Portugal, mas manteve a mesma sanha tributária da época da
Derrama. Na semana passada, dois fatos evidenciaram a má sorte dos brasileiros
quando o assunto é imposto. Na quarta-feira 15, o governo conseguiu
aprovar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ)
da Câmara a prorrogação da CPMF por mais quatro anos. A
contribuição provisória, que representa 8% da arrecadação,
está mais permanente do que nunca. Em vez de extingui-la, os congressistas
lamentavelmente tentam fatiála para que Estados e municípios
mordam um pedaço desse bolo, que retirou R$ 284 bilhões da sociedade
desde 1993. Para piorar, o governo promoveu alterações na lei
do Supersimples, o programa de incentivo às micro e pequenas empresas
que, em vez de simplicar, complicou a vida das empresas. Incluiu novos setores
que haviam ficado de fora, mas não resolveu o problema principal: o
Supersimples aumentou a carga tributária para mais de 450 mil empresas,
segundo o Sebrae. Pagar impostos é necessário. Sem eles, o governo
não tem as receitas que precisa para fazer a sua parte. O problema é que
o Brasil cobra impostos de país desenvolvido (35% do PIB) e oferece
serviços de Terceiro Mundo. Enquanto a famigerada reforma tributária
não vem, os brasileiros se viram como podem para sobreviver diante de
uma miríade de impostos e contribuições que sugaram R$
817 bilhões no ano passado. O Supersimples deveria facilitar as coisas
para as empresas com faturamento até R$ 2,4 milhões, já que
reúne em uma única alíquota oito impostos diferentes.
O governo federal diz que reduziu a carga tributária com o programa,
chamado oficialmente de Simples Nacional. “No âmbito federal, a
renúncia fiscal é de R$ 5,4 bilhões”, diz o secretário-executivo
do Comitê Gestor do Simples Nacional, Silas Santiago. Isso acontece porque
a União reduziu os impostos federais de 3% para 2,75%. Seria ótimo,
não fosse por um detalhe: a lei incorporou no cálculo os impostos
estaduais.
Como as pequenas e médias empresas tinham isenção de ICMS
em muitos Estados e o governo não aceitou manter o benefício,
o Supersimples virou uma cilada para muitos que estavam no antigo regime, o
Simples. Um levantamento feito pelo Sindicato dos Contabilistas de São
Paulo mostra que a carga tributária para os pequenos comerciantes aumentou
33,3%. “Em todas as faixas, só há aumento da carga tributária”,
lamenta o presidente do Sindicato, Sebastião Luiz Gonçalves dos
Santos. As indústrias que compravam de pequenas e médias empresas
também perderam a possibilidade de compensar impostos federais. “A
idéia do Supersimples é maravilhosa, mas a implementação
trouxe sérios equívocos que precisam ser corrigidos”, diz
Joseph Couri, presidente do Sindicato da Micro e Pequena Indústria do
Estado de São Paulo (Simpi).
Outro agravante é a complexidade do enquadramento ao programa. Se antes
havia uma única tabela e os empresários iam pagando mais conforme
faturavam mais, hoje são 56 tabelas. E diversos prestadores de serviço
só terão vantagens se tiverem gastos com folha de pagamento superiores
a 40% de seu faturamento. Ou seja, milhares de pequenas empresas, inclusive
as formadas por um único trabalhador – geralmente um profissional
terceirizado que não encontra mais emprego com carteira assinada –,
terão de pagar mais impostos do que antes. Em vez de estimular
as pessoas a aderir à chamada economia formal para que paguem impostos,
o governo está fazendo o contrário: muitos pequenos
e médios empresários poderão migrar para a informalidade.
Na semana passada, diversos representantes de entidades empresariais estiveram
em Brasília para tentar acalmar a sanha tributária do governo
e parlamentares de sua base aliada. Até o momento, todos fracassaram.
E não foi por acaso. A aprovação da constitucionalidade
da CPMF na Comissão de Constituição e Justiça da
Câmara ocorreu depois de o governo liberar R$ 70 milhões em emendas
nas duas primeiras semanas do mês e distribuir cargos públicos
aos deputados. O plenário da Câmara deve acompanhar a tendência
da CCJ, de aprovação da contribuição por maioria.
O problema do governo é no Senado, para onde vai o projeto de prorrogação
do imposto. Lá, o governo terá dificuldades. São necessários
49 votos, de 81 senadores, para esticar a cobrança até 2011.
O governo só dispõe de 41 votos. O DEM, com 17 senadores, fechou
questão: vota pela extinção do imposto. “Vamos votar
contra”, anuncia o senador Romeu Tuma (DEMSP). “O povo
está cansado de pagar imposto e não ver o resultado”,
reforça o senador Heráclito Fortes (DEM-PI).
O fato é que a CPMF foi desvirtuada ao longo dos anos. Criada em 1996,
a CPMF surgiu com alíquota de 0,20% sobre todas as movimentações
financeiras. O dinheiro seria usado exclusivamente para cobrir gastos com a
saúde. Na primeira prorrogação, o governo aumentou a mordida
para 0,38%, destinando a diferença para a previdência social.
Em 2001, parte dos recursos passou a alimentar o Fundo Nacional de Combate à Pobreza.
Apesar de temporária, nunca se cogitou seriamente de sua extinção. “Quem
em sã consciência acha que o governo pode prescindir de R$ 38
bilhões?”, disse o presidente Lula na quarta- feira 15. A
maioria em Brasília ignora que a carga tributária tem subido
tanto que o governo poderia abrir mão da CPMF. Aos números:
a arrecadação total da União teria crescido R$ 2,8 bilhões
em termos reais no primeiro semestre deste ano, caso a CMPF tivesse sido extinta
em dezembro passado, segundo cálculos do jornal O Estado de S. Paulo.
Em vez de usar isso contra um imposto ineficiente que provoca efeito em cascata
em toda a economia, os políticos disputam o botim. O PSDB propõe
a redução pela metade da alíquota de 0,38% e repartição
da parcela com Estados e municípios. Em vez de cortar os gastos públicos, única
saída para a redução dos impostos, trabalhase em Brasília
para aprovar um trem da alegria, com a contratação definitiva
de 260 mil servidores temporários.






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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 20 de agosto de 2007 | Dinheiro
Setor industrial planeja investir
mais em 2007, informa FGV
da Folha Online
A maioria das empresas do setor
industrial planeja investir mais em 2007, segundo a pesquisa "Sondagem
Conjuntural da Indústria de Transformação",
da FGV (Fundação Getulio Vargas), divulgada nesta segunda-feira.
Segundo a pesquisa, das 688 empresas
consultadas quanto montante de investimentos produtivos realizados em
2006 e programados para 2007, 414 (60,2% do total) programam gastos superiores
aos realizados em 2006, em termos reais.
Como proporção
das vendas, o volume de investimentos cresceu em média de 3,5%
para 4,1%. Em termos agregados, a relação investimentos/vendas
teve um recuo de 9,3% em 2006 para 8,9% neste ano, refletindo uma disposição
menor de grandes empresas para investir em gêneros como celulose
e papel, alimentos e mecânica.
Apesar da redução
em valores absolutos, mesmo nestes segmentos o resultado não chega
a ser inteiramente desfavorável: a proporção de
empresas que prevêem investir mais do que investiram no ano passado é,
respectivamente, de 47,7%, 55,3% e 67,5%.
Em 15 dos 21 segmentos industriais
pesquisados pela FGV, o investimento previsto para 2007 supera o realizado
no ano passado.
A pesquisa mostra também
que vêm crescendo os gastos com ampliação e reformas
das instalações industriais nos dois últimos anos.
Em 2005, segundo dados apurados em julho do ano passado, esses investimentos
representaram 31% do total, em média. Já a pesquisa deste
ano mostrou que em 2006 essa proporção teria saltado a
48%. Nas projeções feitas na mesma ocasião para
este ano, reduziram-se para 44%.
Entre 2005 e 2006, houve diminuição
relativa dos investimentos destinados às outras finalidades: os
gastos com máquinas e equipamentos nacionais, que haviam representado
27% dos investimentos, em média, no ano de 2005, passaram a representar
22% no ano passado. Os gastos com máquinas estrangeiras reduziram-se
de 15% para 13% e os gastos com a construção de novas fábricas
de 15% para 6%.
Nas previsões feitas em
julho de 2006 para este ano, os gastos médios com máquinas
e equipamentos nacionais elevaram-se de 22% para 25%, mesmo com a valorização
do real ocorrida no ano passado e durante o primeiro semestre deste ano.
Os gastos com máquinas e equipamentos estrangeiros previstos para
este ano representam 12% --contra 13% de 2006. A previsão de gastos
médios com construção de novas fábricas subiu
de 6% para 7%.
Investimento por semestre
Em julho, 38% das empresas consultadas
afirmaram ter investido mais no primeiro semestre deste ano do que o
fizeram no semestre imediatamente anterior, enquanto 21% disseram ter
investido menos. Na pesquisa feita em abril, 34% das empresas previam
aumentar os investimentos no primeiro semestre e 21% investir menos.
Para o segundo semestre de 2007,
a sinalização dada em julho é de novo avanço:
42% das empresas prevêem investir mais e 19% programam investir
menos. Em abril, 34% pretendiam gastar mais e 14% menos no segundo semestre.
As previsões para
o segundo semestre de 2007 são mais favoráveis para os
produtores de bens intermediários. Nos segmentos de bens de
capital e de materiais de construção, há uma desaceleração
dos investimentos. O conjunto de resultados mostra haver uma relação
entre os segmentos que estão com o nível de utilização
da capacidade elevado e os que estão com maior ímpeto
para investir.
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 20 de agosto de 2007 | Brasil
Senadores ocupam cargos em gabinetes com
parentes
Familiares estão em postos que dispensam
concurso público e controle de freqüência | Levantamento
nos boletins de edital do Senado revela que pelo menos 35 parentes foram
contratados durante o período de 2003 a 2007
RUBENS VALENTE
DA REPORTAGEM LOCAL
O Senado contratou, de 2003
a 2007, ao menos 35 parentes de senadores, segundo levantamento feito
pela Folha nos boletins de pessoal editados no período. Mulheres,
filhos, sobrinhos e primos de 19 senadores foram acomodados em cargos
de livre provimento, que não necessitam de concurso.
Houve pelo menos um caso de nepotismo cruzado: o senador José Maranhão
(PMDB-PB) contratou um sobrinho do colega Garibaldi Alves (PMDB-RN) que, em
troca, admitiu uma sobrinha de Maranhão.
Ouvido pela reportagem, Garibaldi disse estar arrependido do acordo. "Eu
lhe confesso que eu acho que o certo mesmo teria sido contratar no meu gabinete,
confesso que foi uma besteira tratar essa coisa como nós tratamos",
disse o senador, que relatou a CPI dos Bingos.
O senador Almeida Lima (PMDB-SE) contratou dois sobrinhos e uma prima, mas
não considera isso nepotismo. Segundo ele, nepotismo seria ter todas
as vagas do gabinete preenchidas por parentes. Ele defende a adoção
de uma "cota" para os familiares.
" Não voto que proíba marido, mulher, filho, que proíba
nada, não tem esse negócio de primeiro grau, segundo e terceiro,
nada. Estabelece uma cota. Por exemplo, prefeito de uma cidade. A administração
tem 300 cargos em comissão. Se você não puder ter ali três,
quatro, cinco, seis pessoas que são da sua relação de parentesco,
que mundo cão é esse?"
Almeida Lima criticou os colegas que contratam parentes de outros colegas. "Quando
eu tenho parente, é no meu gabinete mesmo. (...) Você não
vai encontrar ninguém meu nomeado em gabinete de ninguém e não
vai encontrar ninguém, de senador nenhum, nomeado no meu gabinete. Isso é para
hipócrita, e eu não sou hipócrita. No dia que eu quiser
nomear minha esposa no meu gabinete, vou nomear, porque a Constituição
me permite."
O senador Mão Santa (PMDB-PI) contratou primeiro a mulher, Adalgisa,
e depois uma filha, que já foi desligada do gabinete. Ele disse estranhar
as perguntas sobre as contratações. "Tu é contra
a família? Eu não sou. Tu já ouviu falar em Jesus, Maria
e José? Deus não pegou o Filho e desgarrou. Botou numa família."
Líder do governo Lula no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) contratou
três filhos, em períodos alternados, até o ano de 2004.
Segundo sua assessoria, foi uma espécie de "estágio" para
os jovens e agora nenhum trabalha mais lá.
O senador Heráclito Fortes (DEM-PI), além de ter registrado a
passagem, no Senado, de uma irmã e uma sobrinha, também contratou
a irmã do executivo Carlos Rodenburg, braço direito do banqueiro
Daniel Dantas. Fortes foi membro titular da CPI dos Correios, que investigou
o banqueiro.
Sobre sua sobrinha, Fortes declarou: "Ela faz um serviço político
de natureza pessoal".
O senador Augusto Botelho (PT-RR) contratou um irmão. "Ele trabalha,
não é esse negócio de fantasma, não", disse.
Divisão
Os boletins que nomeiam e exoneram servidores do Senado não são
divulgados pela internet- para consultá-los, é preciso uma senha
da rede interna do Senado ou a visita pessoal à biblioteca do Senado.
Cada senador tem direito a cinco cargos de assessores técnicos, seis
de secretários parlamentares e um de motorista. Alguns cargos, contudo,
podem ser fracionados até seis vezes -o senador Almeida Lima, por exemplo,
reconheceu manter 33 servidores em seu gabinete. Os valores oscilariam, com
o fracionamento, de R$ 900 a R$ 4,6 mil mensais.
O gasto líquido mensal do Senado com folha de pagamento é de
R$ 59,8 milhões mensais. Ao todo, segundo a assessoria do Senado, há 3.461
servidores efetivos e 2.785 comissionados.
O diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, reconheceu que essa multidão
de comissionados está liberada do controle de freqüência,
por conta de um ato da Mesa Diretora de 1997, na época da gestão
de Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), morto neste ano.
A ata da reunião afirma: "A Comissão Diretora [do Senado]
decide que, para a ocupação dos cargos de secretários
parlamentares e assessor, o senador coloca para trabalhar onde for o melhor
para o exercício do seu mandato".
" Não sabemos [a freqüência], porque o senador e o pessoal
botam onde querem. Não tem controle de freqüência de cargos
comissionados no Senado", disse Agaciel Maia.
Os senadores José Nery (PSOL-PA) e Jefferson Peres (PDT-AM), que disseram
não contratar parentes, condenaram o nepotismo. "Acho absolutamente
incorreto que gestores contratem parentes para exercer cargos de confiança. É uma
questão que envolve princípios éticos", disse Nery.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 20 de agosto de 2007 | Educação
O que muda com a reforma da língua
portuguesa
da Folha de S.Paulo
As novas regras da língua
portuguesa devem começar a ser implementadas em 2008. Mudanças
incluem fim do trema e devem mudar entre 0,5% e 2% do vocabulário
brasileiro. Veja abaixo quais são as mudanças.
HÍFEN
Não se usará mais:
1. quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes
ser duplicadas, como em "antirreligioso", "antissemita", "contrarregra", "infrassom".
Exceção: será mantido o hífen quando os prefixos
terminam com r -ou seja, "hiper-", "inter-" e "super-"-
como em "hiper-requintado", "inter-resistente" e "super-revista"
2. quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com
uma vogal diferente. Exemplos: "extraescolar", "aeroespacial", "autoestrada"
TREMA
Deixará de existir, a não ser em nomes próprios e seus
derivados
ACENTO DIFERENCIAL
Não se usará mais para diferenciar:
1. "pára" (flexão do verbo parar) de "para" (preposição)
2. "péla" (flexão do verbo pelar) de "pela" (combinação
da preposição com o artigo)
3. "pólo" (substantivo) de "polo" (combinação
antiga e popular de "por" e "lo")
4. "pélo" (flexão do verbo pelar), "pêlo" (substantivo)
e "pelo" (combinação da preposição com
o artigo)
5. "pêra" (substantivo - fruta), "péra" (substantivo
arcaico - pedra) e "pera" (preposição arcaica)
ALFABETO
Passará a ter 26 letras, ao incorporar as letras "k", "w" e "y"
ACENTO CIRCUNFLEXO
Não se usará mais:
1. nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo
dos verbos "crer", "dar", "ler", "ver" e
seus derivados. A grafia correta será "creem", "deem", "leem" e "veem"
2. em palavras terminados em hiato "oo", como "enjôo" ou "vôo" -que
se tornam "enjoo" e "voo"
ACENTO AGUDO
Não se usará mais:
1. nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas,
como "assembléia", "idéia", "heróica" e "jibóia"
2. nas palavras paroxítonas, com "i" e "u" tônicos,
quando precedidos de ditongo. Exemplos: "feiúra" e "baiúca" passam
a ser grafadas "feiura" e "baiuca"
3. nas formas verbais que têm o acento tônico na raiz, com "u" tônico
precedido de "g" ou "q" e seguido de "e" ou "i".
Com isso, algumas poucas formas de verbos, como averigúe (averiguar),
apazigúe (apaziguar) e argúem (arg(ü/u)ir), passam a ser
grafadas averigue, apazigue, arguem
GRAFIA
No português lusitano:
1. desaparecerão o "c" e o "p" de palavras em que
essas letras não são pronunciadas, como "acção", "acto", "adopção", "óptimo" -que
se tornam "ação", "ato", "adoção" e "ótimo"
2. será eliminado o "h" de palavras como "herva" e "húmido",
que serão grafadas como no Brasil -"erva" e "úmido"
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ÂMBITO JURÍDICO,
20 de agosto de 2007
Recurso ex-officio só é admitido
em condenação superior a 60 salários mínimos
A 3ª Turma do TRT-MG, acompanhando voto do desembargador Irapuan Lyra,
não conheceu de recurso ex-officio (aquele remetido pela própria
Vara que profere sentença condenatória contra a fazenda pública,
para o reexame necessário pela instância superior) por se tratar
de condenação inferior a 60 salários mínimos.
É que a Turma aplicou
o §2º do artigo 475 do CPC combinado com a Súmula 303,
I, "a", do TST, pela qual não está sujeita ao
duplo grau de jurisdição a decisão contrária à Fazenda
Pública quando a condenação não ultrapassar
o valor correspondente a 60 salários mínimos.
No caso, o reclamante ganhou
ação contra o Município de Caraí-MG, condenado
ao pagamento de verbas trabalhistas no montante de R$13.000,00. Sendo
esse o valor, para ter a sentença revista, o Município
teria de interpor recurso voluntário, já que o enviado
pela Vara de origem não pode ser conhecido.
( RXOF nº 00408-2006-077-03-00-4
)
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
20 de agosto de 2007
Aumento real em negociação
salarial
Lyrian Saiki
Foto: Arquivo

Cid, do Dieese: Paraná acompanha a tendência nacional.
Das 280 negociações salariais realizadas entre janeiro e junho
deste ano em todo o País, 245 - ou 87,5% - resultaram em aumento real.
O índice é superior ao primeiro semestre do ano passado, quando
havia atingido 81,9% das negociações. É o melhor resultado
desde 1996, quando o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos (Dieese) iniciou a pesquisa. O Paraná acompanha
a tendência nacional.
“O ano passado já foi bom, esse ano está melhor ainda”,
observou o economista Cid Cordeiro, do Dieese-PR. Das 280 negociações
coletivas, 245 tiveram aumento acima da inflação, 27 apenas reposição
da inflação e oito reajuste abaixo do INPC - índice de inflação
que serve como referência nos reajustes salariais.
Desde 96, o pior ano para as negociações coletivas foi 2003,
quando apenas 16,8% resultaram em aumento real no primeiro semestre. “Naquele
ano, a inflação estava alta e o crescimento econômico,
baixo. É um cenário que não ajuda as negociações
coletivas”, comentou. De lá para cá, a participação
dos reajustes superiores ao INPC só aumentou, passando para 45,2% em
2004, 67,4% em 2005, 81,9% em 2006 e finalmente 87,5% este ano.
Entre janeiro e junho, segundo o Dieese, 40% das negociações
tiveram aumento real acima de 1,5%. Incluindo as categorias com aumento acima
de 1%, a participação salta para 52,5%. “Esse ano, além
de ter aumentado o volume de negociações com reajuste acima da
inflação, aumentou o percentual de reajuste”, comentou
Cid Cordeiro. Em 2005, lembrou, a maior parte das negociações
resultou em aumento real entre 0,5% e 1%.
Entre os fatores que contribuíram para as conquistas salariais este
ano estão o aumento do salário mínimo, que traz impacto
tanto nos pisos salariais como nos reajustes, já que é utilizado
como referência; piso salarial regional; crescimento da economia e inflação
baixa. “Com o bom andamento da economia, as empresas conseguem absorver
os custos com maior facilidade. Já a inflação baixa, de
3% ou 4%, provoca insatisfação nos trabalhadores quando há apenas
reposição, uma vez que em termos monetários a reposição
representa pouco no salário”, explicou o economista Sandro Silva.
Entre as categorias que têm data-base no primeiro semestre estão
trabalhadores do comércio, agricultura, asseio, vigilância, alguns
ramos alimentícios. Já no segundo semestre têm data-base
categorias mais representativas, porém com menor número de trabalhadores,
como a dos bancários, metalúrgicos, funcionários dos Correios,
do setor de telecomunicações, entre outros.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
20 de agosto de 2007
Emprego na indústria de materiais
de construção cresce 4,4% este ano
Flávia Albuquerque/Agência
Brasil
São Paulo - O nível
de emprego na indústria de materiais de construção
cresceu 4,4% no primeiro semestre do ano, de acordo com a Análise
Setorial da Associação Brasileira da Indústria
de Materiais de Construção (Abramat) e da Fundação
Getúlio Vargas (FGV). Em junho, segundo dados da análise,
o número de empregados com registro na carteira de trabalho
era de 625 mil, o maior da série calculada desde janeiro de
2004.
Dos 18,7 mil postos de trabalho abertos desde dezembro a maior contribuição
foi dos segmentos de fabricação de estruturas metálicas
(5,1 mil), fabricação de artefatos de cimento e fibrocimento
(2,6 mil) e extração de pedra, areia e argila (1,5mil). A maior
parte dos postos de trabalho foi criada nas regiões Sudeste e Sul do
país. Os maiores destaques foram São Paulo, com 5,4 mil novos
postos de trabalho; Minas Gerais, com 4 mil e Paraná, com 1,9 mil.
Os indicadores mostram que o consumo de cimento aumentou em 6,75% no primeiro
semestre, ante o mesmo período de 2006. A taxa de crescimento de 8,7%
no consumo de cimento apenas nos dois últimos meses é maior do
que a acumulada no semestre, o que, segundo a FGV, indica tendências
de crescimento para o ano.
As vendas internas de vergalhão registraram crescimento de 9,3% no semestre
e a produção 9,1%.
Segundo os cálculos da FGV e da Abramat, o faturamento nominal do setor
nos seis primeiros meses de 2007 apresentou elevação de 10,3%.
As vendas internas cresceram 7,1% e as vendas no comércio varejista
tiveram aumento de 5,7%. Com base nesses dados, as previsões são
de que o setor cresça entre 7,9% e 9,3% este ano.
Na avaliação do professor de economia da Fundação
Getúlio Vargas (FGV), responsável pelo estudo, Fernando Garcia,
os números expressivos observados no primeiro semestre do ano são
resultado da expansão do crédito imobiliário. No primeiro
semestre o crédito habitacional chegou perto dos R$ 7 bilhões,
o que representa um crescimento de 67% em comparação com o mesmo
período do ano passado.
“ Em seis meses nós já financiamos mais do que ao longo de
todo o ano passado, no qual já havia sido um recorde de volume financiado
desde 1994”, disse Garcia.
De acordo com o professor, os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS) vêm aumentando gradativamente devido ao crescimento do emprego
formal, "o que contribui ainda mais para o ganho de capacidade de investimento".
Por conta desse aumento, foram destinados mais de R$ 2,5 bilhões dos
recursos do FGTS para a habitação até junho, favorecendo
principalmente as faixas de renda até cinco salários mínimos.
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Folha de São Paulo,
20 de agosto de 2007
QUESTÃO AGRÁRIA
Universidade de Goiás cria curso
de direito para trabalhador rural
DA AGÊNCIA FOLHA
Assentados da reforma agrária
e trabalhadores rurais ganharam um curso de direito exclusivo na Universidade
Federal de Goiás. Sessenta alunos iniciaram na última semana
a graduação, que será instalada em um campus na
cidade de Goiás.
Um dos articuladores do projeto,
o MST considera o curso oportunidade para qualificar os integrantes -39
alunos pertencem ao grupo, segundo o movimento. O vestibular para o curso
teve mais de 600 inscrições.
A iniciativa, que é inédita
na área de direito no país, segundo a universidade, será financiada
por um acordo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário.
A pasta vai repassar a maior parte dos cerca de R$ 180 mil anuais que
vão cobrir os custos da graduação.
Em 2006, o Ministério
Público Federal em Goiás abriu um inquérito para
apurar a regularidade dos cursos para trabalhadores rurais. A peça
foi arquivada porque a Procuradoria concluiu que o projeto era uma
ação afirmativa voltada a um grupo "marginalizado" -e
não a criação de um privilégio.
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Folha de São Paulo,
20 de agosto de 2007
CUT vai avaliar se legislador é "contrário
ao trabalhador'
"Rótulo" pode aparecer em
material de divulgação
GUSTAVO PATU
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Prima-irmã do PT e uma
das principais fornecedoras de quadros para a administração
federal, a Central Única dos Trabalhadores ameaça carimbar
como "contrários aos trabalhadores" deputados e senadores
que apóiem alguns dos principais projetos do governo Luiz Inácio
Lula da Silva.
Levarão essa pecha os
parlamentares que não responderem a contento uma enquete sobre
15 temas, preparada pela CUT como parte da mobilização
que a entidade promoveu na semana passada, em Brasília -onde boa
parte de seus ex-dirigentes e fundadores já está instalada
há alguns anos, a começar pelo próprio presidente
da República.
Nem o PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento), principal bandeira do segundo mandato, sai ileso. Para
a central, o projeto que limita o crescimento dos gastos com pessoal
nos três Poderes, uma das propostas prioritárias do pacote,
deve ser simplesmente retirado do Congresso.
O mesmo destino é defendido
para o recém-anunciado projeto que recicla idéias do tucanato
e cria as fundações estatais de direito privado, apresentado
pelo ministro Paulo Bernardo -um antigo companheiro de lutas no sindicato
dos bancários, hoje instalado no Planejamento- como saída
para as deficiências de gestão na administração
pública.
Algumas posições
cobradas dos deputados e senadores são menos específicas,
mas muito mais ambiciosas. Os pró-trabalhadores, de acordo com
a CUT, devem trabalhar por "mudanças na política econômica,
com redução dos juros e do superávit primário".
Também precisam defender "aumento
real de salário para todos os trabalhadores", ainda que seja
difícil imaginar como o Congresso Nacional poderia promovê-lo. "Salientamos
que aqueles parlamentares que não responderem à enquete
serão computados e amplamente divulgados em materiais da CUT como "contrários
aos trabalhadores'", orienta comunicado da central às sucursais
estaduais encarregadas de aplicar o questionário.
Artur Henrique, presidente da
central, não vê contradição entre o apoio
a Lula -limitado à campanha eleitoral, ressalta- e o combate a
propostas de seu governo. A CUT é autônoma, afirma, independentemente
de um de seus antecessores, Luiz Marinho, ocupar hoje a Previdência,
depois de ter passado pelo Trabalho.
O sindicalista não
quer classificar o governo como "contrário" ou "favorável" aos
trabalhadores. "Há propostas do governo que são
contrárias aos trabalhadores e há propostas que são
favoráveis", responde. No último caso, o único
exemplo claro na enquete é o veto presidencial à chamada
emenda 3, que protegia os contratos de prestação de serviços
por profissionais liberais na condição de pessoa jurídica.
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ÂMBITO JURÍDICO,
20 de agosto de 2007
PPS não consegue liminar para
empossar suplentes
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Eros Grau negou liminar pedida
pelo PPS para afastar os parlamentares que trocaram o partido por outra legenda.
O PPS pretendia que o STF também determinasse a convocação
dos suplentes do partido para tomar posse nos cargos que ficariam vagos.
Segundo Eros Grau, a jurisprudência
do STF “é firme no sentido de que o princípio da
infidelidade partidária não se aplica aos parlamentares
já empossados”. Essa é a segunda decisão do
STF que nega liminar para pedido idêntico de partido político.
A primeira foi tomada no dia 9 de agosto pelo ministro Celso de Mello,
ao analisar solicitação do PSDB.
A decisão do ministro
Eros data desta quarta-feira (15) e foi tomada no Mandado de Segurança
(MS 26602) impetrado pelo PPS no início de maio, logo após
o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP),
negar o pedido de convocação dos suplentes para assumir
o lugar dos parlamentares que trocaram de legenda.
O PPS, o PSDB e o DEM (ex-PFL)
fizeram o pedido com base em manifestação do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) que, por maioria de votos, entendeu que o mandato de
deputado federal, estadual ou vereador pertence ao partido político
pelo qual ele foi eleito.
Além de afirmar que o
pedido do PPS é contrário à jurisprudência
do STF, o ministro Eros Grau argumentou que uma eventual reversão
de decisão liminar que conduzisse os suplentes aos cargos declarados
vagos causaria “transtornos na estrutura da organizacional da Câmara
dos Deputados”. Segundo ele, “isso prejudicaria, em última
análise, os trabalhos legislativos daquela Casa, necessários
ao desenvolvimento do País”.
O plenário do STF vai
se pronunciar em definitivo sobre a questão quando julgar o mérito
dos mandados de segurança do PPS, do PSDB e do DEM. Não
há data prevista.
Processo MS-26602
Fonte: STF
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ÂMBITO JURÍDICO,
20 de agosto de 2007
Tirou licença médica
e pintou casa do irmão: Câmara mantém justa
causa
A 12ª Câmara do Tribunal
Regional do Trabalho da 15ª Região negou, por unanimidade,
provimento a recurso ordinário de um trabalhador que foi demitido
por justa causa porque, dois dias após afastar-se do trabalho
alegando dores na região lombar, foi flagrado pintando uma
casa que seu irmão estava construindo. "Apesar de declarado
impossibilitado pelo INSS para prestar serviços à sua
empregadora, restou cabalmente comprovado que o reclamante se encontrava
apto ao trabalho para terceiros e em atividade que exigia bem mais
de sua alegada doença lombar, o que caracteriza a justa causa
que lhe foi aplicada", sintetizou em seu voto a juíza
relatora, Olga Aida Joaquim Gomieri.
O processo está sendo
movido na 1ª Vara do Trabalho de São Carlos, na região
central do Estado de São Paulo, contra uma autarquia municipal.
Uma pintura
O autor trabalhava como leiturista
de hidrômetro. Em 4 de março de 1998, afastou-se do trabalho
em licença de 15 dias, recebendo auxílio-doença
a partir do dia 20 daquele mês. No entanto, já em 6 de março,
foi visto pintando a obra de propriedade do irmão, fato confirmado
por três testemunhas oculares, o que gerou a instauração
de processo administrativo. Deste o reclamante alegou nulidade, pois
foi instaurado por sua empregadora durante os primeiros quinze dias de
afastamento, quando seu contrato de trabalho estaria suspenso. Contudo,
para a juíza Olga, os documentos juntados à ação
trabalhista comprovam que o processo administrativo transcorreu de forma
idônea, garantindo o contraditório e a ampla defesa ao leiturista. "Ademais,
o processo administrativo foi instaurado em 9 de março de 1998,
tão logo a empregadora ficou ciente dos fatos e dentro dos primeiros
quinze dias do afastamento do autor, durante o prazo de interrupção
da prestação de serviços, e não de suspensão,
como ardilosamente alega o obreiro", advertiu a magistrada. "De
qualquer forma, nem mesmo a suspensão do contrato de trabalho
impediria a configuração e os efeitos da justa causa."
No mérito, o trabalhador
afirmou que o fato de ter sido encontrado pintando o imóvel de
seu irmão não configura fraude ou presunção
de aptidão para o trabalho na reclamada, considerando a incapacidade
atestada pelo INSS, órgão que teria, no entendimento do
autor, a verdadeira competência para apurar os fatos que deram
origem à justa causa. Para a 12ª Câmara, no entanto, é indiscutível
a legitimidade da própria reclamada para apurar fatos que dizem
respeito ao enquadramento de seu funcionário em quaisquer das
hipóteses previstas no artigo 482 da Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT). (Processo 733-2005-008-15-00-6)
Fonte: TRT15
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
20/08/2007
TST nega recurso contra adicional de periculosidade
a vendedor
A Primeira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho negou provimento a um recurso da em que a Shell
Brasil S/A tentou reverter decisão do Tribunal Regional do Trabalho
da 4ª Região (Rio Grande do Sul) que manteve o pagamento
de adicional de periculosidade a um ex-empregado da empresa.
A empresa havia ajuizado recurso
no Tribunal Regional contra sentença da 7ª Vara do Trabalho
que, mediante laudo pericial, a condenou ao pagamento de adicional de
periculosidade em ação movida por um ex-vendedor. Alegou
que o fato de não ter se manifestado sobre o laudo pericial não
implicaria concordância com as conclusões do perito e, além
disso, por exercer a função de vendedor, o empregado não
mantinha contato permanente com áreas consideradas de risco. O
TRT refutou as alegações, concluindo que o laudo pericial
não foi impugnado pela empresa, nada havendo nos autos para afastar
a sentença.
A empresa insistiu em sua tese
mediante novo recurso, cujo seguimento foi impedido em despacho da Presidência
do TRT, o que levou a empresa a recorrer ao TST. A relatora da matéria,
ministra Dora Maria da Costa, rejeitou as alegações, destacando
que o acórdão do Regional registrou não haver nos
autos elementos que pudessem afastar a conclusão de que o vendedor
esteve exposto a situação de risco – e que a adoção
de entendimento contrário implicaria reexame de fatos e provas,
o que é vedado pela Súmula 126 do TST.
O voto da ministra Dora
Maria da Costa foi aprovado por unanimidade pela Primeira Turma.(AIRR
1371/1996-007-04-40.7)
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20/08/2007
TST mantém justa causa após
aviso prévio
A Quinta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho manteve decisão do Tribunal Regional do Trabalho da
2ª Região (São Paulo) que converteu em justa causa
demissão de uma ex-empregada do Banco Bilbao Vizcaya, em pleno
cumprimento a aviso prévio
Contratada pelo banco como operadora
de CDC Leasing, ela foi despedida sem justa causa um ano após
sua admissão, tendo a empresa, inicialmente, dispensado-a do cumprimento
de aviso prévio. Uma semana depois, o empregador reverteu o ato
em justa causa, diante da constatação de uma série
de atos ilícitos atribuídos à empregada que, em
conluio com o proprietário de uma agência de automóveis,
forjava financiamentos de veículos, mediante a falsificação
da assinatura de suspostos compradores dos carros. Ao tentar cobrar dívidas
dessas pessoas, o banco descobriu tratar-se de uma farsa, pois os devedores
simplesmente não existiam.
A empregada ajuizou ação
em que sustentou ser ilegal a aplicação de justa causa
nessas condições, e reclamou o pagamento de verbas rescisórias,
além de reparação por danos morais. Após
considerar essa questão (danos morais) extinta sem julgamento
do mérito, o juiz da 32ª Vara do Trabalho de São Paulo
acolheu parcialmente a reclamação e condenou a empresa
ao pagamento de aviso prévio, férias proporcionais, 13º e
outras verbas rescisórias. A sentença baseou-se no fundamento
de que seria impossível alegar justa causa mediante a dispensa
do aviso prévio e, portanto, após cessada a relação
de emprego, ressaltando que, nessas condições, seriam totalmente
descabidos os argumentos de apuração de falta grave.
O banco recorreu, buscando, sobretudo,
o reconhecimento da legalidade da dispensa por justa causa. Entre as
alegações apresentadas, destacou o fato de que a falta
grave foi cometida pela empregada muito antes do início do prazo
de projeção do aviso prévio, embora só tenha
sido confirmada após a conclusão de auditoria, uma semana
antes.
O TRT deu provimento parcial
ao recurso, por entender que a constatação de falta grave
durante o período destinado ao aviso prévio, mesmo que
indenizado, deve ser considerada para a conversão da dispensa
em justa causa. E determinou, por conseguinte, a exclusão das
verbas indenizatórias daí decorrentes, mantendo, no entanto,
a condenação quanto ao pagamento de diferenças decorrentes
de horas extras.
Ambas as partes recorreram ao
TST: o empregador, mediante agravo de instrumento, e o empregado, por
meio de recurso de revista. O relator da matéria, ministro João
Batista Brito Pereira, negou provimento ao recurso do empregador e decidiu
pelo não conhecimento do recurso do reclamante.
Ao apreciar as alegações
do empregado no intuito de reformar a validação da justa
causa, o ministro concluiu que o recurso não poderia sequer ser
conhecido, na medida em que as decisões apresentadas como paradigma
não se sustentam como tal e, portanto, não podem ser levadas
em consideração. (RR-73380/2003-900-02-00.5)
(Ribamar Teixeira)

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