 |
Agência Diap, 23 de
agosto de 2007
GORJETA
Comissão de Trabalho aprova
repasse das gorjetas aos trabalhadores
A Comissão de Trabalho
da Câmara dos Deputados aprovou hoje, dia 22/08, o PL 252/07, de
autoria do deputado Gilmar Machado (PT/MG), que estabelece a natureza
salarial das gorjetas, e obriga o empregador a destiná-las integralmente
aos garçons e trabalhadores assemelhados que laborem no mesmo
horário.
A matéria foi aprovada
por unanimidade, na forma de substitutivo do relator, deputado Laerte
Bessa (PMDB/DF). Pelo substitutivo, o repasse das gorjetas aos trabalhadores
não será integral, como previa o projeto originalmente.
Ficou definido que poderá haver retenção de até 20%
dos valores arrecadados por parte dos empregadores. O percentual de retenção
será estabelecido nas convenções coletivas.
O PL 560/07, do deputado Augusto
Carvalho (PPS/DF), que estava apensado ao PL 252 também foi aprovado.
O projeto de Augusto Carvalho disciplina a cobrança adicional
de 10% (dez por cento) sobre as despesas em bares, restaurantes, hotéis,
motéis e estabelecimentos similares.
A proposição segue
para exame da Comissão de Constituição e Justiça
da Câmara. Depois, será encaminhada ao Senado Federal, Casa
Revisora. Se aprovada sem alterações no Senado, irá diretamente
para sanção presidencial.
O repasse das gorjetas aos trabalhadores,
assim como a regulamentação da taxa de 10%, são
reivindicações históricas da Confederação
Nacional dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade (Contratuh), entidade
filiada ao DIAP que representa os trabalhadores beneficiados com o projeto.
Na opinião do presidente
da Contratuh, Moacyr Roberto Tesch Auersvald, “a sanção
desta lei, depois de todos os trâmites do projeto no Congresso
Nacional, irá coibir a indevida retenção por parte
dos empregados dos valores arrecadados a título de gorjeta”.
|
UOL ECONOMIA, 23 de agosto
de 2007
Queda no nível de desemprego
em julho é apenas "recuo estatístico" para
IBGE
RIO - O desempenho do mercado
de trabalho em julho ficou aquém do esperado pelos técnicos
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apesar
do recuo da taxa de desocupação de 9,7% em junho para 9,5%
no mês passado. De acordo com Cimar Pereira, gerente da pesquisa,
houve apenas um recuo estatístico em julho. " Os dados de
julho não elucidam a tendência para o futuro " , comentou.
O desempenho abaixo do esperado
no último mês não alterou a perspectiva de que a
taxa de desemprego médio de 2007 fique em apenas um dígito
no final do ano. " A tendência é que no meio do ano
aumentem as contratações para as vendas de fim de ano " ,
disse Cimar.
Na comparação anual,
a taxa de desemprego em julho recuou 1,2 ponto percentual graças,
principalmente, à queda de 10,5% da população desocupada
e ao aumento de 3% da população ocupada.
Cimar destacou ainda o crescimento
da formalidade, já que os empregos com carteira assinada subiram
em 5,2% na comparação com julho de 2006. Outro destaque
foi o rendimento médio real, que caiu 1,2% em relação
a junho, mas avançou 2,5% em comparação com julho
do ano passado.
Mais uma vez o destaque foi o
emprego com carteira, cujo rendimento subiu 1,4% na comparação
mensal e 0,2% na comparação anual, para R$ 1.095,20. " No
vetor anual, os dados são extremamente positivos. Em um ano o
mercado paga mais, é mais formal e mais organizado " , frisou
Cimar. O rendimento médio para a população ocupada
foi de R$ 1.108,30, ainda 10,1% abaixo dos R$ 1.233,18 registrados em
julho de 2002.
Na média dos sete primeiros
meses do ano, o rendimento subiu 4,2% na comparação com
julho de 2006. Entre janeiro e julho, a média paga foi de R$ 1.117,70
contra R$ 1.073,00 do mesmo período de 2006. A maior alta percentual
ocorreu no Rio de Janeiro, onde os ganhos do trabalhador passaram de
R$ 1.025,10 para R$ 1.100,10, um avanço de 7,3%.
As principais contribuições
para o aumento da média anual de rendimento vieram da construção
civil, onde o salário médio subiu 7,1%, para R$ 826,30,
e na indústria, onde a alta foi de 5%, para R$ 1.192,50.
|
UOL ECONOMIA, 23 de agosto
de 2007
Renda do trabalhador sobe 2,5% em
julho em relação a um ano antes
Da Redação
Em São Paulo
A renda média dos trabalhadores brasileiros, entre os que estão
empregados, foi de R$ 1.108 em julho, o que representa um crescimento de 2,5%
em relação ao registrado no mesmo mês do ano passado.
Na comparação com
junho deste ano, no entanto, houve queda de 1,2% no rendimento. Os dados
foram divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística).
No setor privado, a renda aumentou
apenas entre os trabalhadores com carteira assinada, considerando a comparação
com junho. O rendimento dessas pessoas avançou 1,4%, atingindo
R$ 1.095.
Os empregados sem carteira de
trabalho assinada no setor privado verificaram, no entanto, uma queda
de 3,4%, para R$ 743. Os trabalhadores por conta própria também
ficaram com rendimento mais enxuto, em 2,5%, a R$ 928.
No enfoque regional, na comparação
mensal, houve recuperação na renda em Recife (1,5%) e Belo
Horizonte (0,4%), mas recuo no Rio de Janeiro (de 0,8%) e São
Paulo (de 2,2%). Em Salvador e Porto Alegre, houve estabilidade.
Frente a julho de 2006, houve
elevação de 0,2% no rendimento dos trabalhadores com carteira
assinada. Os trabalhadores sem carteira ficaram com renda 4,4% maior
e os trabalhadores por conta própria verificaram aumento de 9,5%.
Ainda na comparação
com julho do ano passado, das seis áreas pesquisadas houve declínio
apenas em São Paulo, de 0,6%.
|
JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 23 de agosto de 2007 | BBC Brasil
Empregos informais atingem 56% dos
postos em cidades da AL
da BBC Brasil
Um relatório divulgado
nesta quinta-feira pelo Banco Mundial constatou que 56% dos postos de
trabalho nas áreas urbanas da América Latina e do Caribe
são informais.
O documento "Informalidade:
Saída e Exclusão" foi apresentado pela instituição
como um alerta sobre este fenômeno que pode ser "prejudicial
ao crescimento e ao bem-estar social, e uma força que corrói
a integridade das sociedades da região".
Equivalente a cerca de 40% do
PIB (Produto Interno Bruto) do país, a economia informal no Brasil
está empatada com a média latino-americana.
Na Bolívia e no Panamá,
a informalidade responde por cerca de 70% da economia.
Já na Argentina e no Chile, segundo os dados do Bird, esse fenômeno
atinge cerca de 25% e 20% da economia, respectivamente.
Exclusão e saída
Os economistas do Bird disseram
que a informalidade é percebida pelos trabalhadores como um elemento
tanto de exclusão quanto de saída.
No primeiro caso, porque os trabalhadores
informais não gozam dos benefícios sociais legais.
No segundo caso, porque muitas pessoas vêem a informalidade como uma
alternativa de trabalho mais simples que a incorporação ao setor
formal.
Esta situação é comum
a jovens que vêem a informalidade como porta de entrada para o
mercado de trabalho, e velhos que têm dificuldade de encontrar
empregos em economias onde os postos são cada vez mais escassos
para trabalhadores de idade avançada.
Formalização trabalhista
O estudo elogiou programas que
facilitam a abertura e o pagamento de impostos de micro e pequenas empresas,
como o Simples brasileiro, e recomendou que os benefícios da formalização
trabalhista (acesso a crédito e a serviços, segurança
jurídica, entre outros) sejam ampliados para incentivar a regularização
da força de trabalho.
"Um melhor clima de investimento
ajudaria as empresas formais a crescer e aumentar seus salários,
reduzindo assim o estímulo à permanência na informalidade",
afirmou em comunicado de imprensa o economista-chefe do Bird para América
Latina e Caribe, Guillermo Perry.
Ele acrescentou que "ampliar
a capacitação entre os pobres permitirá que um
número maior de trabalhadores encontre melhores empregos assalariados
em um setor formal mais dinâmico".
|
JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 23 de agosto de 2007 | Dinheiro
Mantega prevê desonerar folha
de pagamento ainda neste ano
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
O ministro Guido Mantega (Fazenda)
afirmou que o governo federal adotará novas medidas para reduzir
os impostos que incidem sobre os investimentos, incluindo o custo da
folha de pagamentos. Segundo ele, essa proposta será enviada em
breve para o Congresso Nacional.
"Temos que desonerar os
investimentos e estamos abertos ao diálogo", afirmou nesta
quinta-feira.
De acordo com o ministro, o crescimento
do país será puxado pelo investimento e que os investimentos
em infra-estrutura são fundamentais. "Esse governo está fazendo
um grande esforço e está colocando a agenda da infra-estrutura
na ordem do dia", acredita.
Entre as reduções
de impostos já realizadas desde 2004, Mantega citou a desoneração
sobre materiais de construção, produtos da cesta básica
e bens de capita, o equivalente a R$ 30 bilhões em renúncia
fiscal. "Eu me disponho a continuar essa desoneração.
Agora eu estou de olho na folha de pagamentos. Isso parece salutar para
todo o sistema produtivo."
O ministro afirmou que nos próximos
meses enviará uma proposta ao Congresso Nacional e que ela deverá ter
uma tramitação rápida e que poderá ser concluída
ainda neste ano. No entanto, não afirmou qual será o modelo
de desoneração da folha.
"É uma medida de
grande impacto e repercussão para toda a economia, mas temos que
ver todas as conseqüências", explicou o ministro.
Sobre a reforma tributária,
admitiu que será uma discussão mais complexa. Afirmou ainda
que a carga tributária irá cair por meio das desonerações
que serão feitas. Em 2006 a carga foi para 34,23% do PIB (Produto
Interno Bruto), contra 33,38% em 2005.
O ministro participou nesta
quinta do seminário "Obstáculos e Soluções
para o Desenvolvimento da Infra-estrutura", promovido pela Abdib
(Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias
de Base), em Brasília (DF).
|
JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 23 de agosto de 2007 | Dinheiro
Alta carga tributária pode
impedir expansão da economia brasileira
TONI SCIARRETTA
da Folha de S.Paulo, em Campos do Jordão
O primeiro debate entre economistas
brasileiros no Congresso Internacional de Derivativos e Mercado Financeiro,
da BM&F, em Campos do Jordão, concentrou a discussão
da alta carga tributária brasileira como impedimento de médio
e longo prazo para o desenvolvimento do país.
Diferentemente dos economistas
estrangeiros que participaram do evento, a crise nos mercados financeiros
desta vez ficou um tanto à margem do debate. O ex-ministro das
Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, disse
que o governo Lula perde uma oportunidade única de baixar a carga
tributária sem um custo alto para a sociedade e a economia.
"Só haverá reforma
tributária se diminuírem os gastos federais. Não
adianta falar em reforma tributária com a criação,
por exemplo, do IVA [Imposto sobre o Valor Agregado] porque ele teria
de ter alíquota de 50% e ninguém vai querer cobrar 50%
do consumidor", disse.
Ele afirmou que essa omissão
terá seu preço em um futuro não muito distante quando
o país não tiver as mesmas condições favoráveis
para manter um crescimento de 4% a 5% ao ano. Para Barros, a redução
da carga tributária passa pela discussão da redução
dos gastos públicos --hipótese a que o governo Lula não
dá qualquer sinal de consideração.
Já o ex-presidente do
Banco Central (BC), Gustavo Franco, fez uma longa exposição
sobre o passado de inflação da economia brasileira e centrou
sua apresentação nas travas para o desenvolvimento econômico.
Ele defendeu uma maior inserção do país no comércio
internacional, com ganhos de eficiência e produtividade. Afirmou
que as poupanças compulsórias, como o FGTS (Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço) e o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador)
não fazem mais sentido da forma como estão organizadas
e que deveriam se tornar, por exemplo, uma fonte de dinheiro complementar
para a Previdência.
"O país precisa aumentar
a sua poupança para alavancar investimentos. Hoje há uma
mudança de um modelo em que quem investia era o governo para o
setor privado, que deve assumir cada vez mais o papel de investidor,
mas as empresas no Brasil são avessas ao endividamento. Acham
que ir ao banco é o beijo da morte, típico de cultura de
inflação e juro alto", disse.
O professor da PUC-RJ Rogério
Werneck também centrou seu discurso na alta carga tributária
e como ela impede um maior desenvolvimento da economia. Já Eduardo
Loyo (ex-diretor do BC), único na mesa que participou do governo
do PT, avaliou as pressões da demanda crescente sobre a inflação
e afirmou que não há certeza de que essa demanda vá se
acomodar no futuro.
"Não dá para
dizer que estamos totalmente imunizados da crise. Os efeitos sobre o
Brasil dependem de como ficará a composição dos
preços das commodities. Os fundamentos melhoraram nas contas externas
e na dívida pública, o que diminui a perda de confiança
na economia nesses períodos", disse Loyo.
Hoje essa pressão é controlada
pelas importações e por ganhos no uso da capacidade instalada
do setor produtivo. Loyo disse q "não se surpreenderia" se
o BC interrompesse o processo de redução dos juros por
conta da demanda e agora pela crise nos mercados.
|
JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 23 de agosto de 2007 | Dinheiro
Desemprego volta a cair e fica em 9,5%
em julho
DIANA BRITO
Colaboração para a Folha Online, no Rio
Após ficar em 9,7% em
junho, a taxa de desemprego em seis regiões metropolitanas do
país caiu para 9,5% em julho, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego
do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgada
hoje. Trata-se da segunda queda na taxa de desocupação
do ano, medida em São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Salvador, Recife
e Porto Alegre.
O contingente de desocupados
ficou estável em 2,2 milhões na comparação
com junho, mas caiu (-1,2 ponto percentual) sobre julho de 2006 (taxa
de 10,7%). Já o contingente de pessoas ocupadas, estimado em 20,8
milhões em julho de 2007, permaneceu igual a junho, mas cresceu
3% (cerca de 603 mil pessoas ) em relação a julho de 2006.
A reação no mercado
de trabalho foi ditada por Rio de Janeiro, em que o desemprego caiu 0,9
ponto percentual. Nas demais regiões foi registrada estabilidade
estatística, segundo o IBGE. Em julho, a taxa de desemprego foi
de 7,8% em Belo Horizonte, 14,6% em Salvador, 12,6% em Recife, 8% no
Rio, 7,4% em Porto Alegre e 10,2% em São Paulo.
Sobre os trabalhadores com carteira
assinada no setor privado, o IBGE registrou estabilidade na comparação
com junho --42,3% da população ocupada. Frente a julho
de 2006, ocorreu alta de 5,2%, com inclusão de cerca de 437 mil
pessoas.
Por outro lado, o número
de trabalhadores sem carteira (13,8% da população ocupada)
caiu 4,4% em relação ao mesmo mês de 2006, ficando
estável na comparação com o mês anterior.
Já os trabalhadores por conta própria (19,4% da PO) também
ficaram estáveis sobre junho e cresceram 4,7% sobre 2006.
Renda
A renda do trabalhador também
caiu. O rendimento médio recebido pelas pessoas ocupadas correspondeu
a R$ 1.108,30, recuo de 1,2% em relação ao mês anterior
e 2,5% acima ao de julho de 2006.
Já o rendimento médio
dos trabalhadores com carteira de trabalho assinada no setor privado
foi de R$ 1.095,20, alta de 1,4%. Os empregados sem carteira de trabalho
viram uma queda de 3,4%, para R$ 743,70. Por fim, a renda dos trabalhadores
por conta própria recuou (2,5%), a R$ 928,20.
O rendimento médio
real domiciliar per capita (R$ 698) caiu 0,5% em relação
a junho e subiu 3,5% em relação a julho do ano passado.
Por fim, a massa de rendimento médio real estimada para junho
(R$ 22,8 bilhões) caiu 0,9% em relação a maio
e cresceu 4,1% em relação a de junho de 2006.
|
Folha de São Paulo,
23 de agosto de 2007
Terrorismo sindical
RICARDO IZAR
As paralisações
de agentes públicos que infernizam o país indicam a necessidade
de atitudes mais duras e realistas na ação do Estado
A QUEM interessou a greve do
Sindicato dos Metroviários no início deste mês, que
deixou 3 milhões de trabalhadores paulistanos entregues à própria
sorte?
Como é que as instituições
de um país, que se esforça para se afirmar no concerto
das nações com um retrato explícito, ainda que um
pouco borrado, de pertencer ao mundo civilizado, podem coexistir com
um cenário dessa natureza?
Ainda traumatizados com o dantesco
acidente com o avião da TAM, os cidadãos paulistanos vêem
se somar ao seu recente sofrimento emocional e humanístico um
problema menor, mesquinho, quase criminoso, que é a manipulação
de uma classe trabalhadora por maus dirigentes sindicais, impondo um ônus
insuportável a uma população inteira.
Convenhamos que São Paulo
não é uma cidade qualquer -trata-se da quarta maior aglomeração
urbana do planeta e do epicentro econômico do país. Que
essa baderna institucional possa ter ocorrido numa concentração
populacional desse porte, sem problemas, com a impunidade dos responsáveis
e até mesmo com certa complacência jurídica, isso é coisa
que nos assusta.
Não é necessário
nenhum esforço de imaginação para chegarmos à inequívoca
conclusão de que alguma coisa está profundamente errada,
seja na Lei de Greve, seja na organização sindical do país,
seja em nossa legislação civil e penal, seja no Poder Judiciário,
seja nos fundamentos mesmos de nossas instituições democráticas
-os pilares estatuídos pela Constituição Federal
de 1988.
O fato concreto é que
as lideranças sindicais que conseguiram impor, ao arrepio da lei,
esse infortúnio à população da cidade deveriam
sair algemadas no instante seguinte ao da paralisação do
metrô.
Pelo que nos consta, a questão
maior envolvida seria uma eleição que se avizinha para
a renovação da presidência do Sindicato dos Metroviários
e, aí, vale tudo: uma cena aqui, um filme acolá, uma simulação,
uma radicalização -o que importa é demonstrar força,
domínio dos trabalhadores, capacidade de manipulação,
e danem-se os interesses dos milhões de cidadãos afetados...
Sobra-nos, ao final de tudo, o consolo de que o governo estadual, o Metrô,
o Tribunal Regional do Trabalho e o Ministério Público
Federal e estadual também jogaram e estão jogando pesado
-olho por olho, dente por dente-, impondo elevadas sanções
dissuasórias ao sindicato.
Que sanções? As
financeiras, que, no frigir dos ovos, serão pagas com o dinheiro
dos salários dos metroviários, as demissões de metroviários
cooptados pela greve e a quebra da estabilidade no emprego dos funcionários
manipulados. Veja só: quem vai acabar pagando a conta da agressão
são os trabalhadores do setor. A diretoria do sindicato, por sua
vez, passa ao largo dessas punições -o dinheiro não
sai dos seus bolsos e, ademais, a legislação sindical brasileira
nem sequer permite que sejam demitidos. Aí voltamos a indagar:
que instituições são essas as nossas instituições?
O governo federal, ao que consta,
vem preparando um anteprojeto de lei para disciplinar o direito de greve
dos servidores públicos nos três entes federados. É,
sem dúvida, uma medida necessária, indispensável,
pendente de definição desde os idos de 1988. Mas o caso
emblemático da cidade de São Paulo, no caos decorrente
das sucessivas greves dos metroviários, e as dezenas de paralisações
de agentes públicos que infernizam o ritmo da economia do país
e a vida de todos os brasileiros sinalizam no sentido da necessidade
de atitudes mais duras e realistas na ação do Estado.
Tudo bem que o direito de greve
tenha que ser preservado, mas nenhum direito é absoluto e as coisas
não deveriam ser bem assim. Há greves que são criminosas
e, nesses casos -bem como no caso da greve dos metroviários-,
os responsáveis devem ser punidos também com o peso do
Código Penal.
O Congresso Nacional certamente
saberá se aproveitar do clima do envio desse necessário
anteprojeto para repensar e modernizar a Lei de Greve e os dispositivos
constitucionais que dão guarida à prática impune
do terrorismo sindical.
RICARDO IZAR, 69, advogado,
deputado federal pelo PTB-SP, é presidente do Conselho de Ética
e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados.
|
Folha
de São Paulo, 23 de agosto de 2007
Bolsa Família cresce mais na cidade
do que no campo
Famílias atendidas aumentaram 46,05%,
passando de 7,6 milhões para 11,1 milhões | Desde o início,
1,4 milhão de cartões do programa foram cancelados; a maioria
por irregularidade, como renda acima do teto permitido
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Bolsa Família, principal
programa de transferência de renda do governo federal, avançou
mais nas áreas urbanas nos últimos dois anos. De setembro
de 2005 a março de 2007, o número de atendidos que moram
em cidades cresceu 52,48%. No mesmo período, os atendidos que
moram em área rural aumentaram menos, 47,46%. Foram incluídas
no programa mais 2,7 milhões de famílias moradoras das
cidades, onde os beneficiários passaram de 65,8% a 69,2% do
total. Os dados são de estudo divulgado anteontem pelo Ministério
do Desenvolvimento Social.
O número de famílias
atendidas cresceu 46,05%, passando de 7,6 milhões para 11,1
milhões. Hoje, quase um em cada quatro brasileiros é atendido
pelo Bolsa Família. O número coincide com o de domicílios
pobres identificados na Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios)
e corresponde a cerca de 45,8 milhões de brasileiros, ou 24%
do total da população do país, segundo o IBGE
(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O perfil do programa, no entanto,
mostra que beneficiários mantêm outros elevados indicadores
de pobreza. "Há uma sinalização clara de
que é preciso integrar o Bolsa Família a outras políticas
públicas de educação, saneamento e habitação,
para que as famílias possam sair da situação de
pobreza", disse Rosani Cunha, secretária do ministério
responsável pelo programa.
Os indicadores que mais chamam a atenção no estudo são
o acesso a saneamento básico e grau de escolaridade.
Apenas 36,4% das famílias
beneficiadas pelo programa têm acesso a sistema de esgoto. O
saneamento básico avançou em ritmo lento: 2,5 pontos
percentuais em dois anos. Atualmente, mais de 2 milhões de famílias
lançam esgoto em valas ou a céu aberto. Também
chama a atenção a baixa escolaridade dos titulares dos
cartões do Bolsa Família, que geralmente é a mãe.
A maioria -6,2 milhões de pessoas ou 56,2% do total- não
passou da quarta série do ensino fundamental; os analfabetos
somam 1,8 milhão. O percentual supera o de responsáveis
que não trabalha: 51,2%.
Por outro lado, há dados
que fogem da senso comum. Segundo o estudo, 63,5% dos atendidos moram
em casa própria e 69,9% habitam em residências de alvenaria.
Em quase quatro anos do programa, 1,4 milhão de famílias
já tiveram o cartão do Bolsa Família cancelado,
abrindo espaço a novos beneficiários ou fazendo o número
total de pagamentos cair, nos últimos meses, abaixo da meta
de 11,1 milhões de famílias atendidas.
Em agosto, a folha de pagamentos
fechou com 200 mil benefícios aquém da meta. Além
dos benefícios cancelados, 514 mil encontram-se atualmente bloqueados,
sob investigação, e poderão também vir
a ser suspensos definitivamente. Segundo Rosani, há um processo
permanente de ajuste de foco no Bolsa Família.
O principal motivo de
suspensão dos pagamentos, segundo o ministério, é a
identificação de renda acima de R$ 120 mensais por
pessoa da família, teto do programa. O ministério registra
ainda o desligamento voluntário de cerca de 35 mil famílias,
mas a maior parte dos casos refere-se a famílias convidadas
a entregar o cartão por algum tipo de irregularidade, como
a duplicidade no recebimento ou renda acima do teto.
|
Folha
de São Paulo, 23 de agosto de 2007
No pior cenário, país cresce
4%, diz BNDES
Para Luciano Coutinho, presidente do banco, problemas
externos não diminuem a confiança do empresariado nacional
| Para Coutinho, no pior dos cenários, o crescimento da economia
brasileira cairá um ponto percentual, dos 5% ao ano previstos
para 4%
SHEILA D'AMORIM
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em mais uma ofensiva do governo
para tentar minimizar os impactos que a turbulência financeira
internacional poderá ter no Brasil, o presidente do BNDES (Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho,
disse ontem, para uma platéia de empresários, que, no
pior dos cenários, o crescimento da economia brasileira cairá apenas
um ponto percentual -dos 5% ao ano projetados para 4%.
Segundo Coutinho, o "teste
de tensão" ao qual a economia brasileira está sendo
submetida por causa dos problemas originados no mercado imobiliário
norte-americano "não tem sido suficiente para desarrumar
a confiança do empresariado" nacional. Citando a demanda
interna e os investimentos planejados pelo governo no PAC (Programa
de Aceleração do Crescimento) em infra-estrutura como
pilares do desenvolvimento econômico do Brasil, o presidente
do BNDES traçou um cenário cor-de-rosa para o país.
"Mesmo que a crise seja
mais prolongada e os Estados Unidos cresçam 1,5%, o crescimento
econômico da China seja reduzido e também os preços
das commodities [caiam], ainda assim o ciclo da economia brasileira é suficientemente
robusto para sustentar crescimento". Em seguida, calculou o potencial
de estrago dessa combinação para o país. "A
taxa de crescimento no Brasil recuaria um pouco. Se estamos indo para
5% ao ano, na pior das hipóteses iríamos para 4% ao ano
para depois retomar um crescimento mais forte".
No entanto, na avaliação
de empresários presentes, a crise internacional deverá gerar
atrasos em investimentos programados, sobretudo nos setores que direcionam
sua produção para o mercado externo. "Um momento
inicial de postergação [de investimentos] é quase
inevitável.
Não será uma
mudança brusca no cenário porque o Brasil tem um mercado
interno, mas investimentos em produtos de maior valor agregado para
exportação poderão sofrer atrasos", afirmou
Antonio Corrêa de Lacerda, professor de PUC (Pontifícia
Universidade Católica) de São Paulo e ex-presidente da
Sobeet (Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais
e da Globalização Econômica).
Taxa de investimento
No discurso aos empresários,
que durou meia hora, Coutinho usou projeções para taxa
de investimento nos próximos anos e dados de desembolsos e contratações
do BNDES nos últimos 12 meses para sustentar sua tese otimista
quanto ao futuro da economia nacional. Pelos seus cálculos,
a taxa de investimento produtivo medida pela formação
bruta de capital fixo, que deverá encerrar este ano em 17,6%
do PIB (Produto Interno Bruto), chegará a 19,3% no final do
ano que vem e a 21,1% do PIB em 2009.
"Ainda que essa
projeção não se confirme, o ritmo de crescimento
da taxa de investimento será, pelo menos, duas vezes maior
do que o crescimento esperado para o PIB". E isso, disse, porque
as empresas brasileiras estão com capital para aumentar as
plantas produtivas. "As empresas têm liquidez, rentabilidade
e baixo endividamento para sustentar o ciclo de investimento."
|
Folha de São Paulo,
23 de agosto de 2007
QUEDA-DE-BRAÇO
Força presidirá conselho
do FAT por dois anos
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Depois de uma disputa entre as
centrais sindicais, o representante da Força Sindical no Codefat
(Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador), Luiz Fernando
Emediato, 55, foi eleito presidente pelos próximos dois anos.
A presidência do conselho é alternada entre representantes
dos trabalhadores, do governo e empregadores. Mas, neste ano, a UGT (União
Geral dos Trabalhadores), central sindical criada em julho, lançou
candidato contra o representante da Força Sindical.
Ontem, Francisco Canindé Pegado,
da UGT, desistiu da disputa. O FAT repassa recursos para empréstimos
do BNDES, programas de geração de emprego e renda, além
do pagamento do seguro desemprego. Neste ano, os investimentos previstos
são de R$ 30,5 bilhões, segundo o Ministério do
Trabalho. Jornalista e escritor, Emediato atua desde 1994 no Codefat.
|
UOL ECONOMIA, 23 de agosto
de 2007
Parte das vagas de emprego não é preenchida
por falta de qualificação, mostra pesquisa
BRASÍLIA - A falta de
qualificação profissional faz com que mais da metade da
oferta de empregos deixe de ser preenchida. É o que aponta pesquisa
preliminar do Ministério do Trabalho, com dados colhidos junto
ao Sistema Nacional de Emprego (Sine). Apesar de 1,772 milhão
de novas vagas abertas em 2006, foram efetivadas 878,39 mil.
O ministro do Trabalho, Carlos
Lupi, quer usar esses dados para tentar alterar o quadro e ampliar as
colocações no mercado de trabalho, a partir de 2008. "Não é minha
tarefa montar uma estrutura monstruosa para a qualificação,
aqui no Ministério do Trabalho", disse Lupi. "O que
estamos tentando fazer é um mapeamento da situação
para usar as estruturas já existentes."
Segundo o ministro, além
de ampliar para R$ 958 milhões o volume de recursos para cursos
de qualificação no ano que vem, ante o orçamento
de R$ 110 milhões de 2007 no Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT),
serão necessários modernizar, descentralizar e direcionar
o sistema.
Uma das idéias de Lupi é fazer
parcerias com as entidades do Sistema S (Senai, Sebrae, Sesc, Senai)
para a oferta de cursos a quem está desempregado. Ele fez críticas
ao modelo atual, afirmando que o Sistema S, além de beneficiar
quem já está empregado, "cobra muito caro" pelos
cursos ofertados, numa faixa entre R$ 100 e R$ 700, "valores impossíveis
para quem está desempregado", afirmou.
A pesquisa encomendada por Lupi
apontou que o setor de Serviços, por exemplo, tem um elevado índice
de rejeição aos candidatos a emprego pela falta de qualificação.
Apenas 33% de aproveitamento foi registrado no ano passado.
O ministro também destacou
que apesar dos dados serem parciais, dá para saber que há grande
exigência de profissionais qualificados no estado de São
Paulo. Dos 567,4 mil pedidos de empresas ao Sine em 2006, apenas 176,03
mil vagas foram preenchidas. " Foram mais de 390 mil empregos perdidos
por falta de capacitação " , comentou ele.
Lupi disse que, após o
levantamento, quer cruzar dados com Estados, municípios, universidades
e organizações não-governamentais "responsáveis",
de forma a poder aplicar recursos em cursos específicos, de acordo
com a necessidade de cada local.
Outra proposta do ministro é vincular
o pagamento do seguro-desemprego a cursos profissionalizantes, mas, para
isso, será necessária uma mudança na legislação.
(Azelma Rodrigues | Valor Online)
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 23
de agosto de 2007 | Economia
Construção Civil:
Criação de empregos já superou 2006
Até junho foram criados 2.852 novos
postos, número 11% maior do que as 2.568 vagas do ano passado
por MARCO SANCHOTENE
O aquecimento do mercado imobiliário, favorecido pela maior oferta de
crédito, já criou mais vagas de emprego em Curitiba do que em
todo o ano passado. De acordo com o Sindicato da Indústria da Construção
Civil no Estado do Paraná (Sinduscon-PR), até junho foram abertos
2.852 postos de trabalho, enquanto em todo ano de 2006 foram criadas 2.568
vagas no setor, um crescimento de 11%. Isso porque a quantidade de obras subiu.
De acordo com a Prefeitura de Curitiba, no primeiro semestre deste ano, foram
concluídos 670 mil metros quadrados, contra 610,4 mil metros quadrados
em 2006 – o que representa um aumento de 10%. Em todo o Paraná,
o número é de 5.786 novas vagas, número pouco menor do
que os 5.955 empregos criados no ano passado.
Nacional - No Brasil, setor cresceu
1,28% em junho
São Paulo – No Brasil todo, a construção civil encerrou
o primeiro semestre de 2007 com saldo de 111.138 novos empregos formais, o
que corresponde a uma elevação de 7,16% no ano, segundo pesquisa
do Sinduscon-SP e da Fundação Getúlio Vargas, com dados
do Ministério do Trabalho e Emprego. Com isso, o contingente de empregados
com carteira assinada superou o patamar de 1,663 milhão no primeiro
semestre.
Segundo o presidente do Sinduscon-SP,
João Claudio Robusti, o crescimento do emprego continua acentuado
nos segmentos de preparação de terrenos e de edificações.
Em junho, as construtoras do país absorveram mais 21 mil trabalhadores,
uma elevação de 1,28% em relação a maio.
Em 12 meses, a alta no saldo de contratações é de
8,05%, o que significa a inclusão de 124 mil empregados no setor.
Com um saldo positivo de 6.036 vagas, o nível de emprego da construção
civil no estado de São Paulo subiu 1,31% de maio para junho. O
resultado colaborou para que o estoque de trabalhadores chegasse a 467
mil. Até junho, o setor registrou aumento anual de 8,91 % no nível
de emprego.
A tendência é de que surjam ainda mais vagas, porque as construtoras
seguem contratando e prevêem novas obras para o fim do ano. Dados da
prefeitura comprovam o aumento na demanda. No primeiro semestre de 2007, foram
liberados 847 mil metros quadrados em alvarás para construção
(que revelam intenção de construir), um aumento de 32% em relação
ao mesmo período de 2006, quando foram liberados 640,2 mil metros quadrados.
A construtora Plaenge aumentou
de 200 para 250 a quantidade de funcionários do ano passado para
cá. A previsão é de que mais 100 ou 200 trabalhadores
sejam chamados até o fim do ano e outros 200 no começo
do ano que vem. Números que elevariam o total do quadro de pessoal
para 550 ou 650 – praticamente o triplo. Deste total, 85% são
terceirizados. Os profissionais mais procurados são pedreiros
e carpinteiros, mas engenheiros, estagiários de engenharia e arquitetura,
pintores, eletricistas e azulejistas também são visados. “Temos
três obras em andamento e devemos começar mais uma no fim
do mês. Se tudo der certo, até o fim do ano vamos iniciar
ainda mais uma e no começo do ano que vem outras quatro”,
diz Frederico Hofius, gerente de engenharia da empresa. A Plaenge prevê investir
R$ 115 milhões neste ano em Curitiba. Em 2006, o volume foi de
R$ 50 milhões, menos que a metade.
Na construtora Héstia,
a quantidade de funcionários também deve triplicar. No
ano passado, a empresa tinha 45 empregados, número que está em
100 hoje e pode chegar a 120 no fim do ano. “A queda do juro é o
principal fator que reaqueceu o mercado. Isso tem atraído muito
quem vai adquirir um imóvel pela primeira vez, que representa
70% da nossa clientela”, diz o diretor Gustavo Selig. A procura
maior vem junto com o aumento na demanda por projetos. Em 2006, a Héstia
investiu R$ 8 milhões em dois empreendimentos, valor que deve
subir para R$ 25 milhões investidos em seis obras, um volume 212,5%
maior.
Outra construtora que precisa
de mão-de-obra é a Thá. Segundo o gestor de engenharia
imobiliária da empresa, Nilton Neilor Antonietto, o quadro de
pessoal terceirizado subiu de 800 para 1.000, de 2006 para cá,
enquanto o número de funcionários do setor administrativo
aumentou de 210 para 250.
As oportunidades de trabalho
que o mercado imobiliário cria não são só para
carpinteiros e pedreiros. Corretores de imóveis também
são requisitados. A empresa de planejamento imobiliário
Galvão Nuna começou o ano com 20 corretores, agora está em
30 e deve chegar a 50 em novembro. “Até setembro vou ter
que dobrar minha equipe de vendas, só para os contratos já feitos.
A procura por imóveis está grande e a venda muito rápida.
Vendemos 80% das 180 unidades de um prédio inteiro apenas no
dia do lançamento”, diz Gerson de Silva, diretor comercial
da empresa. Para ele, a estabilidade econômica, o crescimento
na renda do trabalhador, o juro baixo e o aumento no acesso ao crédito
explicam a retomada do setor.
|
JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
23 de agosto de 2007
Mercado de Trabalho - Emprego formal
está acabando
Análise é do mestre em Economia
Laércio Oliveira, que complementa: trabalhadores precisarão
se qualificar para fazer prestação de serviços
Eduardo Anizelli

Segundo Oliveira, 45% da população economicamente ativa de Londrina
têm emprego formal; no Paraná, índice cai para 39%
No início deste ano havia no Brasil mais de 2 milhões de pessoas
inscritas no Sistema Nacional de Empregos (Sine), estavam disponíveis
800 mil vagas, mas menos de 384 mil foram preenchidas. No Paraná, apenas
22% dos inscritos conseguiram emprego. O problema é mais grave do se
supõe, já que existem vagas, trabalhadores interessados, mas
não se consegue empregá-los. Laércio Rodrigues de Oliveira,
mestre em Economia pela PUC/SP e delegado do Conselho Regional de Economia,
falou à FOLHA sobre as mudanças, exigências e novas perspectivas
do mercado de trabalho.
As escolas e os cursos
profissionalizantes não estão capacitando os trabalhadores?
O ensino não está suprindo
a necessidade, o mercado hoje exige uma escolaridade maior. Dados do
IBGE de 2006 mostram que mais de 50% da população brasileira
não têm o ensino médio completo. Outro aspecto é que
a abertura econômica brasileira exige um tipo de trabalhador mais
qualificado que não estamos conseguindo formar.
O governo tem alguns programas,
inclusive com verbas do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), para qualificação...
Ainda é pouco, há uma
demanda muito alta por qualificação. E existem problemas
na distribuição desses recursos. No governo Lula quem está fazendo
a qualificação dos trabalhadores são os sindicatos,
centrais sindicais, dando uma espécie de reciclagem para quem
fica desempregado, mas é um oferta pequena. Na própria
estrutura Senac/Senai o número de vagas é insuficiente.
Outro aspecto é que essas entidades, com exceção
dos cursos oferecidos por meio do FAT, que são gratuitos, cobram.
Muitas vezes as pessoas estão desempregadas, não têm
dinheiro para pagar transporte e alimentação todo dia.
Quem consegue fazer essa qualificação é uma minoria.
O que aconteceu no mercado
de trabalho com a abertura comercial?
No início dos anos 90
houve uma perda de 3 milhões de vagas. Foram 10 anos para recuperar
o índice de empregos. Porém, não é o mesmo
trabalhador. Foi contratado quem tem escolaridade. Os que não
têm foram para a informalidade. Dados do Ministério do Trabalho
mostram que há no país mais de 100 milhões de pessoas
consideradas economicamente ativas (acima de 17 anos), apenas 30% delas
têm emprego formal. O Paraná tem 4 milhões de pessoas
economicamente ativas e apenas 39% têm carteira assinada. Em Londrina,
217 mil compõem a população economicamente ativa,
97 mil têm emprego formal (45%).
A médio prazo
o que o trabalhador pode fazer para se inserir no mercado formal?
Primeiro, todas as pessoas têm
de se responsabilizar pela divulgação de informações
para os trabalhadores. Porque o problema maior é a falta de informação
para o jovem, principalmente da periferia, que chega aos 16 anos e não
sabe o que vai fazer. Existe a necessidade de democratizar as informações.
Essa é a parte da sociedade. O estado precisa criar mais oportunidade
de qualificação.
Qual a tendência
do mercado de trabalho?
A tendência é uma
prestação de serviço sem vínculo empregatício.
Acredito que o emprego formal será para menos de 50% da população.
O restante terá de trabalhar por conta própria, e precisará se
qualificar para prestar serviço até para as empresas que
tenham empregos formais.
No Brasil, onde a oferta é pouca,
como o trabalhador irá se qualificar?
É um gargalo do
problema social brasileiro. Como incluir essa pessoa no sistema produtivo
se ela não tem os requisitos básicos? Acredito que esse
trabalhador vai conseguir sobreviver no mercado informal. É um
nó no nosso sistema que está sendo difícil de
resolver no curto prazo. Acredito que tenhamos de eleger prioridades,
investir mais na criança e deixar o adulto, que de alguma forma
já está sobrevivendo.
Célia Polesel
Reportagem Local
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 23
de agosto de 2007 | Economia
Mercado
Brasil foi o país emergente
que menos sofreu com a turbulência
Títulos brasileiros oferecem menos
risco do que a média dos países analisados
Rio de Janeiro – O Brasil foi o que menos sofreu na recente turbulência
no mercado financeiro internacional entre os 15 países emergentes acompanhados
pelo JP Morgan, banco norte-americano que mede o risco dos títulos emitidos
pelos governos. O indicador Embi (Emergent Market Bond Index), calculado pelo
banco, estava em 245 pontos-base no final de 2005, praticamente igual aos níveis
atuais. Já o risco Brasil, que afere o risco específico dos títulos
do governo brasileiro no mercado secundário internacional, está em
203 pontos-base, cerca de 108 pontos abaixo do observado naquele período.
Fundo Monetário - Mundo crescerá menos,
diz Rato
O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), o espanhol
Rodrigo de Rato, já considera revisar para baixo a previsão de
crescimento da economia mundial, devido às recentes turbulências
nos mercados financeiros internacionais. Ele participou de eventos em São
Paulo ontem. “É possível que a projeção seja
revisada, mas não de forma dramática. A turbulência poderia
levar o índice ligeiramente abaixo de 5%, mas, ainda assim, seria o
sexto ano de crescimento consecutivo”, afirmou. Quanto à situação
do brasil e possíveis conseqüências da instabilidade nos
mercados, Rato afirmou que o Brasil está em “boa marcha”. “O
Brasil mostra credibilidade na economia monetária, mas é muito
cedo para tirar conclusões sobre o impacto no crescimento”, disse
Rato, que se reúne hoje com o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em Brasília.
Outro país que registrou ganhos expressivos nesse período foi
as Filipinas, em que o risco registrou queda de cerca de 60 pontos, situando-se
atualmente em cerca de 230 pontos-base.
No final de 2005, o risco Brasil
estava em 311 pontos-base, e ontem estava em torno de 203 pontos-base.
Naquele período, o risco brasileiro estava pior do que a média
dos outros emergentes, com um índice 26% acima Embi total. Atualmente
o indicador brasileiro está cerca de 9% abaixo da média.
Ou seja, os títulos brasileiros
oferecem menos risco ao investidor do que a média dos papéis
emitidos pelos governos dos demais países integrantes da ‘cesta’ do
JP Morgan, ao contrário do que era observado no final de 2005.
Isso mostra que, em termos relativos,
o Brasil teve um ganho substancial em relação aos seus “concorrentes” e
na América Latina foi o que registrou melhor performance. A Colômbia
(queda de 30 pontos-base, para os atuais 233 pontos), o Peru (queda de
14 pontos, para 168 pontos) e a Argentina (queda de 9 pontos, para 490
pontos), também tiveram ganhos no período, enquanto a Venezuela
de Hugo Chávez foi a que registrou pior desempenho, com o indicador
subindo para 481 pontos-base, com acréscimo de 170 pontos no intervalo
de 20 meses. A Argentina e a Venezuela estão entre os lanterninhas
no índice calculado pelo JP Morgan.
Perdedores
Se o corte for feito com base
nas cotações do final de junho, antes da atual turbulência,
o desempenho é semelhante. Ou seja, o Brasil perdeu menos do que
a média dos outros emergentes. No dia 30 de junho o Embi geral
(dos 15 países), estava em 175 pontos-base, ante os 244 atuais,
com uma diferença de 69 pontos. O indicador específico
do Brasil estava em 160 pontos, o que indica uma piora de 43 pontos-base.
Nesse período, porém,
México e Rússia registraram desempenho melhor, com quedas
de 45 pontos no indicador mexicano (saiu de 95 para 140 pontos), enquanto
os títulos russos perderam 48 pontos (de 101 para 149).
Os títulos dos governos
da Argentina e Venezuela foram os grandes perdedores nos últimos
40 dias. O índice da Argentina subiu 272 pontos em relação
ao final de junho, atingindo os 489 pontos, enquanto o venezuelano
subiu 140 pontos, para os atuais 481 pontos-base. Os títulos
soberanos de Filipinas e da Turquia perderam mais do que os papéis
brasileiros, com quedas de 62 e 79 pontos-base, subindo para 233 e
251 pontos, respectivamente.
|
JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
23 de agosto de 2007
Setor de remoldados ameaça
demitir
Lyrian Saiki
Foto: Arquivo

Francisco Simeão: proibição é preconceito.
Representantes da indústria de pneus remoldados têm audiência
pública hoje na Comissão do Trabalho da Câmara dos Deputados,
em Brasília. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e demais membros do
governo federal - entre eles o advogado-geral da União, José Antonio
Toffoli - confirmaram presença. O objetivo é alertar sobre a
possível demissão de 10 mil trabalhadores, caso o governo insista
em editar medida provisória proibindo a importação de
pneus usados - principal matéria-prima de aproximadamente 50 empresas
do setor, de pequeno e grande porte.
“ Nossa expectativa é que esse pessoal se sensibilize e analise
a situação. Até agora, a decisão de proibir a importação
de pneus usados foi por preconceito”, apontou Francisco Simeão,
presidente da Associação Brasileira da Indústria de Pneus
Remoldados (Abip) e dono da BS Colway, a maior do setor, instalada em Piraquara,
na Região Metropolitana de Curitiba. Simeão lembrou que, pela resolução
do Conama, para importar quatro pneus usados é obrigatório destinar
de forma ambientalmente adequada cinco pneus inservíveis coletados no
meio ambiente, transformando-os em fonte de energia. Lembrou, ainda, que tais
pneus representam 9% do total do mercado, contra 73% das multinacionais e 17%
dos pneus novos importados. “Nada disso está sendo levado em consideração”,
disparou.
O setor de remoldados emprega no País cerca de 45 mil pessoas de forma
direta e outras 160 mil de maneira indireta. Porém, aqueles que trabalham
em empresas que utilizam o pneu usado importado como matéria-prima somam
10 mil. “No caso de pneus de caminhão, por exemplo, a matéria-prima é brasileira”,
explicou.
Só na indústria da BS Colway, cerca de 500 funcionários
já foram demitidos desde o início do ano, e a produção
mensal caiu de 200 mil unidades para 100 mil. Há cerca de dois meses,
Simeão anunciou que a unidade estaria de mudança para o Paraguai.
Segundo ele, o governador Roberto Requião entrou com ação
no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a proibição da importação
dos pneus usados, com a condição de que a empresa permanecesse
no Estado. “Vamos aguardar entre 90 e 120 dias. Não queríamos
ir para o Paraguai, mas estamos sendo praticamente expulsos”, afirmou
Simeão. Caso a proibição de importar pneus usados seja
mantida, a BS Colway deve iniciar a produção no país vizinho
em abril de 2008. A Pneuback, segunda maior indústria brasileira do
setor, instalada no Rio de Janeiro, também estaria de ‘malas prontas’ para
o Paraguai. “O parque industrial inteiro deve ir para lá”,
comentou Simeão.
|
ÚLTIMA INSTÂNCIA,
23 de agosto de 2007
Prazo para reclamar recolhimento de
FGTS é de 30 anos, diz TRT
É de 30 anos o prazo para reclamar o recolhimento da contribuição
para o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) não efetuado
pelo empregador durante a vigência do contrato de trabalho. Assim decidiu
a 2ª Câmara do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região,
ao julgar processo movido por um trabalhador contra o município de Itararé,
no sudoeste do Estado de São Paulo.
A Câmara lembrou, no entanto,
que é preciso respeitar o prazo de dois anos a partir do fim do
contrato para o ajuizamento da ação. A votação
foi unânime.
No pedido inicial, o trabalhador
requereu que fosse determinado ao município o recolhimento da
contribuição relativa a todo o período de contrato.
Por sua vez, o município alegou que houve em seu quadro de pessoal
alteração do regime celetista para o estatutário
a partir de 1991, após a edição da Lei Municipal
2.028/90, o que afastaria a condenação aos depósitos
do FGTS. Na hipótese de a Câmara entender de forma diversa,
o município requereu a aplicação do prazo de cinco
anos para a prescrição, conforme o artigo 7º da Constituição
Federal.
Em seu voto, o relator, juiz
Eduardo Benedito de Oliveira Zanella, observou que a Lei 2.028, em seu
artigo 5º, previu que os servidores municipais submetidos ao regime
celetista poderiam “optar pelo regime estatutário".
Tratava-se, pois, de uma escolha, uma faculdade concedida a cada servidor,
que, no caso do reclamante, o reclamado deveria ter comprovado. Incumbia
ao município comprovar a opção (...), por se tratar
de fato modificativo do direito do autor, o que não ocorreu”,
reforçou o juiz.
Quanto ao prazo de prescrição,
o magistrado assinalou que, conforme o artigo 144 da Lei Orgânica
da Previdência Social, o FGTS é direito social do trabalhador,
devendo prevalecer o prazo de 30 anos, e não o de cinco, vinculado
a direitos de natureza trabalhista. O relator também fundamentou
seu voto na Súmula 362 do TST (Tribunal Superior do Trabalho): “É trintenária
a prescrição do direito de reclamar contra o não-recolhimento
da contribuição para o FGTS, observado o prazo de 2 (dois)
anos após o término do contrato de trabalho.”
A decisão reformou parcialmente
sentença da Vara do Trabalho de Itapeva, que havia aplicado o
prazo de cinco anos para a prescrição do direito aos depósitos
do FGTS.
Processo 0901-2004-047-15-00-5
|
ÂMBITO JURÍDICO, 23 de agosto
de 2007
Judiciário ainda diverge
sobre conciliação prévia
A obrigatoriedade de as pendências entre empregados e empregadores
passarem por comissões de conciliação prévia
ainda enfrenta divergências nos tribunais regionais do trabalho (TRTs)
e entre as turmas do Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Apesar de a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) determinar
que as demandas devem ser submetidas a essas comissões antes que cheguem à Justiça,
juízes divergem em relação à sua obrigatoriedade.
A diversidade de entendimentos do Judiciário sobre o tema provoca
insegurança jurídica e prejudica milhares de ações
- já que muitas vezes a conciliação é dispensada
pelas primeiras instâncias judiciais e, anos de tramitação
depois, o processo é extinto porque a instância superior a considera
obrigatória. As comissões de conciliação prévia
foram instituídas pela Lei nº 9.958, de 2000, que alterou a Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT) e acrescentou o artigo 625-D. O dispositivo prevê que
se há uma comissão no âmbito da empresa ou do sindicato
da categoria, qualquer demanda de natureza trabalhista será submetida
a ela - implicando na extinção da ação trabalhista
na Justiça caso isso não ocorra. Para evitar a extinção, é preciso
que haja uma justificativa do trabalhador - como a impossibilidade de arcar
com os cursos da comissão ou a distância entre ela e sua residência. "O
problema é que muitas vezes não há essa justificativa",
diz o ministro do TST Ives Gandra Martins Filho.
No próprio TST a questão não está pacificada
e a obrigatoriedade de submeter demandas trabalhista à conciliação
prévia como condição para o ajuizamento de ações
na Justiça do Trabalho motivou, em maio deste ano, duas decisões
divergentes em processos julgados no mesmo dia em duas turmas da corte. Segundo
o ministro do TST Vantuil Abdala, há inclusive opiniões diferentes
entre ministros de uma mesma turma. "Nos casos de divergência,
a seção de dissídios individuais (SDI-1) tem decidido
pela obrigatoriedade da comissão", diz. Nos TRTs a situação
não é diferente. Os tribunais trabalhistas de São Paulo
e do Rio Grande do Sul já há inclusive súmulas dispensando
a conciliação prévia. A Súmula nº 2 do TRT
paulista determina desde 2002 que a passagem pela conciliação
prévia é facultativa. "Se a empresa não pode apresentar
uma proposta de acordo, costumo não extinguir o processo, pois não
teria sentido enviá-lo a uma comissão se não há conciliação
possível", diz o juiz Sérgio Pinto Martins, da 2ª região
da Justiça trabalhista.
A advogada trabalhista Viviane Balbino, do escritório Moreau Advogados,
conta que até a edição da súmula era possível
pedir a extinção do processo na tentativa de ganhar tempo para
a defesa das empresas. "Agora, a maioria dos processos não é extinta",
diz. O TRT gaúcho adotou postura similar: sua Súmula nº 35,
de 2004, determina que a ausência de submissão da demanda à comissão
não autoriza a extinção do processo. Segundo o vice-presidente
do TRT, João Ghisleni Filho, a súmula foi adotada em função
de comissões fraudulentas que prejudicavam o trabalhador. Mas em vários
outros TRTs prevalece a obrigatoriedade da conciliação prévia.
No Distrito Federal, a conciliação prévia é um
dos pressupostos para a admissibilidade da ação e, caso inexistente,
o processo é extinto sem o julgamento do mérito da demanda.
O mesmo entendimento é seguido pelos TRTs de Minas Gerais, Goiás,
Bahia e Maranhão.
Já no tribunal trabalhista
do Rio de Janeiro, não há consenso e há decisões
divergentes dentro da própria corte. A discussão
em torno das comissões de conciliação prévia
também já chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF)
- neste mês entrou na pauta do pleno da corte uma ação
direta de inconstitucionalidade (Adin) que contesta a obrigatoriedade
prevista na CLT. O julgamento foi suspenso por um pedido de vista.
Na Câmara dos Deputados tramita o Projeto de Lei nº 498, de 2003,
que declara facultativos os procedimentos das comissões nas demandas
trabalhistas. O projeto prevê ainda que a conciliação
seja gratuita. Para o ministro Vantuil Abdala, a gratuidade seria um passo
importante, pois em muitos casos advogados incentivam trabalhadores a entrarem
com ações na Justiça ao invés de tentarem acordos
para garantir o pagamento de honorários. Ele acredita que, se a conciliação
prévia se tornasse facultativa, a tendência seria as partes
não tentarem mais o acordo.
Os números parecem comprovar a tese. Antes da existência da
conciliação prévia, na década passada, ingressavam
na Justiça trabalhista brasileira, em média, dois milhões
de processos ao ano. Em 2006, este número caiu para 1,8 milhão
de ações. "Estou convencido que essa diminuição
se deu por causa do uso da conciliação", diz o ministro
Ives Gandra Martins Filho.
De acordo com o ministro, a idéia da conciliação é desafogar
o Judiciário de processos, em geral de pequeno porte, que poderiam
ser resolvidos por meio de acordo. Somente em São Paulo, Estado que
possui um maior número de ações trabalhistas de valor
mais altos, 27% dos processos tramitam pelo rito sumaríssimo, utilizado
para ações que discutem valores de até 40 salários
mínimos.
Fonte: TRT4
|
PORTAL LATINO AMERICANO, 23 de agosto de 2007
América Central e Caribe
Panamá: Trabalhadores da Construção
Civil iniciam Greve Geral
Panamá- Trabalhadores da construção civil iniciaram hoje
no Panamá uma greve nacional de advertência, com duração
de 24 horas, para protestar pela morte de dois colegas e pela falta de segurança
em ambientes de trabalho.
Membros do Sindicato Único Nacional de Trabalhadores da Construção
(Suntracs) iniciaram a manifestação paralisando cerca de 150
obras em curso na capital do país e realizando uma série de passeatas,
que tiveram como destino a sede do Ministério do Trabalho.
A greve é realizada após a ocorrência de enfrentamentos
entre membros do Suntracs e pessoas ligadas aos supostos "sindicatos amarelos",
manipulados por empresas como a brasileira Odebrecht.
Na semana passada, os operários Osvaldo Lorenzo e Luigi Arguelles, membros
do Suntracs, morreram devido a confrontos com outros trabalhadores e à repressão
policial, respectivamente. Ambos foram enterrados ontem, em funerais realizados
em meio a marchas e outros atos de protesto. Os dirigentes dos trabalhadores
da construção civil acusam as empresas de contratar sicários
para enfrentá-los.
Apesar disso, o secretário-geral do Suntracs, Gênero López,
disse que hoje a greve foi iniciada "sem nenhum contratempo" e de
maneira pacífica.
Na semana passada, o Suntracs marchou até a sede do governo nacional
e pediu ao presidente, Martín Torrijos, mais segurança, redução
no preço da cesta básica de alimentos e aumentos salariais.
Além disso, exigiram a renúncia do ministro do Trabalho, Reinaldo
Rivera, por não haver implementado melhoras na segurança para
evitar mais acidentes de trabalho, que neste ano já tiraram a vida de
17 operários.
Torrijos pediu aos manifestantes que abram mão da violência pelo
bem do país. Na segunda-feira (20), a ministra de Governo e Justiça,
Olga Golcher, afirmou que existem objetivos "ocultos" por trás
da greve. (ANSA)
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
23/08/2007
Insalubridade: SDI-2 rescinde sentença
que usou salário-base para cálculo
A jurisprudência do Tribunal
Superior do Trabalho tem admitido a procedência de pedido de corte
rescisório por violação do artigo 192 da CLT quando
a sentença determina o cálculo do adicional de insalubridade
com base no salário contratual, e não no salário
mínimo. Seguindo este entendimento, a Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-2) deu provimento a recurso ordinário
em ação rescisória interposto pelo Município
de Ponta Grossa, no Paraná.
A condenação havia
sido aplicada em ação trabalhista movida por uma servidora
contratada, por concurso público, como zeladora. O município
já pagava o adicional com base no salário mínimo.
O pedido da reclamatória era no sentido do pagamento com base
na sua remuneração. O juiz de primeiro grau julgou o pedido
improcedente, mas o Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região
reformou a sentença e adotou o salário da zeladora como
base de cálculo. O município foi condenado, então,
ao pagamento das diferenças, e ajuizou ação rescisória
alegando que a condenação violava a legislação.
O TRT julgou a rescisória
improcedente e condenou o município também ao pagamento
de honorários advocatícios assistenciais de 15% do valor
da causa. O município recorreu então ao TST. Em suas razões,
insistindo na tese de violação do artigo 192 da CLT, segundo
o qual a base de cálculo deve ser o salário mínimo – entendimento
seguido pela jurisprudência do TST.
O ministro Emmanoel Pereira deu
razão ao município. “O artigo 192 da CLT foi plenamente
recepcionado pela Constituição Federal de 1988, já que
nesta há a vedação, no artigo 7º, inciso IV,
da utilização do salário mínimo para servir
como fator de indexação”, observou. O relator lembrou
que o TST vem reiteradamente admitindo a procedência do pedido
de corte rescisório por violação do artigo 192 da
CLT em casos desse tipo – quando a decisão a ser rescindida
determina a base de cálculo do adicional de insalubridade tomando
como base a remuneração do empregado. Este entendimento
está consolidado na Súmula nº 228 e na Orientação
Jurisprudencial nº 2 da SDI-2.
O relator destacou ainda que
não se podia sequer a possibilidade de considerar a matéria
como de interpretação controvertida nos Tribunais, uma
vez que foi pacificada no TST em setembro de 2000, com a OJ nº 2
da SDI-2, enquanto o acórdão rescindendo foi proferido
em janeiro de 2005. De acordo com a Súmula nº 83 do TST,
inciso II, o marco divisor para a definição de matéria
controvertida, para fins de ação rescisória, é a
data da inclusão da matéria discutida nas Orientações
Jurisprudenciais do TST.
Com estes fundamentos, a SDI-2
deu provimento ao recurso ordinário e julgou a rescisória
procedente e desconstituiu parcialmente a decisão do Regional,
determinando a aplicação do salário mínimo
vigente à época da prestação do serviço
atualizado monetariamente, como base de cálculo do adicional de
insalubridade. Excluiu, também, a condenação quanto
aos honorários advocatícios. (RXOF e ROAR 6060/2005-909-09-00.0)
(Carmem Feijó)

|