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Congresso
em Foco, 27 de agosto de 2007
Um quarto dos deputados é pré-candidato
a prefeito em 2008
Dos 513 parlamentares, 133 têm pretensão
de disputar as eleições municipais do ano que vem. Disputa é vista
como teste para 2010. Só no PT, um terço da bancada sonha
em se tornar prefeito.
2008 já começou
Dos 513 deputados, 133 têm
pretensão de disputar as eleições municipais do
ano que vem. Só no PT, um terço da bancada sonha em se
tornar prefeito.
Lucas Ferraz
No que depender do apetite
eleitoral dos deputados, a Câmara terá uma nova cara a
partir de janeiro de 2009. Um em cada quatro dos 513 deputados pretende
disputar as eleições do ano que vem. A 13 meses da disputa,
133 parlamentares são pré-candidatos a prefeito.
As urnas devem atrair sobretudo
os governistas. Só no PT, praticamente um terço dos 81
deputados está de olho em alguma prefeitura. No PCdoB, o gabinete
municipal é cobiçado por dez de seus 13 representantes
na Câmara. Ao todo, 40 parlamentares que fazem oposição
ao governo Lula acenam com pré-candidaturas.
Das bancadas estaduais, a do
Amapá é a que tem o maior número proporcional
de pré-candidatos: cinco dos oitos representantes do estado.
Em números absolutos, porém, essa marca fica com as representações
da Bahia, com 16 pré-candidatos, seguidas pelas bancadas do
Rio de Janeiro, com 15 pré-candidatos e de São Paulo,
com 14.
O levantamento feito pelo Congresso
em Foco nas lideranças partidárias e nos gabinetes dos
próprios parlamentares revela uma disputa que irá se
afunilar nos próximos meses. É bem provável, contudo,
que o número efetivo de candidatos seja menor – inclusive
com outros personagens. É que muitos partidos têm dois
deputados interessados em governar as mesmas cidades, principalmente
as capitais, que devem ter o maior número de parlamentares candidatos.
Em São Paulo, por exemplo,
há cinco pré-candidatos deputados, todas da base aliada – Arlindo
Chinaglia (PT), Aldo Rebelo (PCdoB), Paulinho Pereira (PDT), Luiza
Erundina (PSB) e Celso Russomanno (PP). No Rio e em Salvador, dois
deputados do DEM brigam pela indicação do partido.
Os pré-candidatos têm
até 31 de setembro para trocar de legenda e concorrer nas próximas
eleições. Na última eleição municipal,
em 2004, 87 deputados federais disputaram o cargo de prefeito ou vice.
Desses, no entanto, apenas 19 (21,8%) tiveram sucesso nas urnas.
As eleições de
2008, como se vê, serão uma prova de fogo para as atuais
alianças partidárias. Em sua estréia nas urnas,
o DEM (ex-PFL) articula hoje a pré-candidatura de 15 dos seus
60 deputados. Com duas cadeiras a menos na Casa do que seus colegas
oposicionistas, os tucanos têm hoje 16 pré-candidatos
na Câmara.
Ensaio para 2010
Desafio maior enfrentará a
base governista, que terá de resistir às divergências
históricas locais para não comprometer a unidade no Congresso.
O líder do bloco encabeçado por PSB, PCdoB e PDT, Márcio
França (PSB-SP), é pragmático ao analisar o cenário
que se formará em 2008. A disputa é tratada por ele como
uma espécie de teste para a eleição presidencial
de 2010, na qual o partido pretende unificar a base governista em torno
do nome do deputado Ciro Gomes (PSB-CE). “Vai ser um ensaio.
Se sairmos bem, estaremos prontos para o show”, diz França.
Integrantes do bloco têm
se reunido com freqüência para tratar das eleições
municipais. Segundo o líder, o PSB terá cautela para
não melindrar aliados históricos, como o PT e o PCdoB.
Mas o mesmo raciocínio, ressalva, deve ser levado em conta por
petistas e demais aliados. “Seria um contra-senso, por exemplo,
lançar um candidato do PSB em Porto Alegre se a Manuela D’Ávila
(PCdoB-RS), que faz parte do bloco, estiver bem nas pesquisas”,
afirmou. Dos 13 deputados do PCdoB, dez aparecem como pré-candidatos.
Alguns partidos e deputados,
contudo, ainda não querem publicamente comentar sobre as eleições
de 2008. “Esse negócio é igual a contratação
de jogador de futebol. Se você apresentar o nome antes da hora,
corre o riso de melar”, afirmou o líder do PTB na Câmara,
Jovair Arantes (GO), ele mesmo pré-candidato à prefeitura
de Goiânia.
Segundo o deputado Henrique
Eduardo Alves (RN), líder do PMDB da Câmara, os partidos
que formam a coalizão do governo Lula ainda pretendem se reunir
para discutir nomes nas principais 100 cidades brasileiras, incluindo
capitais e cidades de médio ou grande porte. “A intenção é agregar
a base de modo que ela não se divida nas eleições”,
declarou. Dono da maior bancada na Casa e partido com o maior número
de prefeitos em todo o país, o PMDB tem, até agora, apenas
15 deputados pré-candidatos.
Interesses em jogo
Para David Fleischer, professor
de Ciência Política da Universidade de Brasília
(UnB), o interesse dos parlamentares brasileiros em interromper o mandato
para disputar eleições municipais “é uma
tradição da política brasileira”. “Muitos
entram na corrida para angariar apoio para aliados municipais e vereadores.
E, claro, isso se reflete numa eventual candidatura de reeleição
do deputado em 2010”, diz.
Muitos, afirma Fleischer, entram
na disputa não pelo desejo de virar prefeito, mas pensando mais
na exposição que terão com a candidatura e em
possíveis barganhas. Como exemplo, ele cita casos em que o pré-candidato
se lança, num primeiro momento, para desistir da disputa, mais à frente,
em benefício de outro, em troca de favores.
Alguns partidos não
escondem o interesse de lançarem candidatos por causa da exposição
advinda do horário eleitoral gratuito no rádio e na TV.
O Psol e o DEM, por exemplo, têm determinação expressa
nesse sentido por suas direções. Todos os três
deputados do partido presidido pela ex-senadora Heloísa Helena
(AL) são pré-candidatos a prefeito.
Para Chico Alencar (RJ), líder
do Psol na Câmara, essa é uma estratégia de “afirmação” da
legenda. “São nomes de pessoas que têm certa visibilidade”,
diz o deputado carioca, citando a si próprio e os deputados
Ivan Valente (SP), pré-candidato na capital paulista, e Luciana
Genro (RS), pré-candidata em Porto Alegre.
Já para os Democratas,
o desafio é debutar a nova marca e deixar para trás o
fracasso das eleições municipais e estaduais registrado
recentemente pelo antigo PFL. “Nossa condição é essa.
Todo partido quer chegar ao poder, e para isso tem que ter o máximo
possível de candidatos. Esse é um desejo de todas as
legendas”, diz o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ).
Por ser filho do atual prefeito do Rio, César Maia (DEM), Rodrigo
está impedido legalmente de concorrer à sucessão
na capital fluminense.
Candidatura para crescer
Além da reafirmação,
os partidos vêem as eleições municipais como um
momento para aumentar de tamanho. É o que espera o PR, outro
debutante. Poucos deputados do antigo PL manifestaram desejo de disputar
as eleições de 2008.
“O partido só cresce
com prefeitos e vereadores”, diz o líder da legenda, Luciano
Castro (RR). Ele, contudo, expressa temor de que a bancada diminua
caso alguns deputados sejam eleitos. “É preciso saber
onde está o suplente”, alerta, preocupado com um movimentou
inverso ao que aconteceu com o PR no primeiro semestre deste ano, quando
sua bancada foi inflada vertiginosamente.
Aos 26 anos de idade, Manuela
D’Ávila não esconde a animação com
a sua pré-candidatura em Porto Alegre, ainda mais que as ultimas
pesquisas lhe são favoráveis. A jovem deputada, que procura
se desvincular do rótulo de “musa do Congresso”,
atribui a sua disposição aos próprios eleitores.
“Trata-se de ouvir as
pessoas de Porto Alegre, que me elegeram deputada. E as pesquisas mostram
que estou em primeiro lugar”, diz. “Posso ajudar a população
em um outro patamar. Mas essa não é uma decisão
isolada”, ressalva. O PCdoB reivindica o apoio do PT na capital
gaúcha. A também deputada Maria do Rosário (PT-RS)
também articula sua candidatura à prefeitura de Porto
Alegre.
Pré-candidata no Rio
de Janeiro, a deputada Solange Amaral (DEM-RJ) trava com o também
deputado Índio da Costa (DEM-RJ) uma disputa interna para saber
qual dos dois disputará a eleição do próximo
ano pela legenda na capital fluminense. Em clima de campanha, Solange
justifica sua pretensão eleitoral: “Fui a terceira mais
bem votada do Rio. Fiquei atrás apenas do filho do prefeito
César Maia, Rodrigo Maia, e do Fernando Gabeira”.
O partido também prevê outro
duelo acirrado em Salvador, onde são pré-candidatos os
deputados José Carlos Aleluia (DEM-BA) e Antonio Carlos Magalhães
Neto (DEM-BA). Adversários dentro da própria legenda,
os dois disputam a primazia de ser o candidato do partido na capital
baiana na primeira eleição sem o senador Antonio Carlos
Magalhães, morto em julho passado.
Integrante do pequeno
PHS, o deputado Miguel Martini (MG), pré-candidato em Belo
Horizonte, admite que suas chances de vitória são mínimas
em 2008, sobretudo diante do poderio eleitoral e econômico
dos adversários. Mas é claro e espirituoso ao justificar
suas pretensões. “Time que não joga não
tem torcida”, brinca. “Democracia é isso, política é momento”,
corrobora o deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG), outro pré-candidato à prefeitura
da capital mineira.
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DEPACOM, 27 de agosto de
2007
Próxima reunião do DEPACOM será em
Palmas/TO
A próxima reunião do DEPACOM – Departamento Profissional
da Construção e do Mobiliário com as Federações
da categoria, está agendada para o próximo dia 19 de outubro
de 2007 às 08:00 horas em Palmas/TO.
Aguarde informações.
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DEPACOM, 27 de agosto de 2007
FETICOM/SC realiza o 5º Fórum Regional de Medicina e
Segurança no Trabalho
Foi realizado de 19 a 21 de agosto de 2007 em Rio Negrinho/SC,
o 5º Fórum Regional de Medicina e Segurança no Trabalho,
onde estiveram presentes vários dirigentes sindicais e autoridades
do assunto, debatendo sobre a saúde do trabalhador.
O evento foi organizado pela FETICOM/SC – Federação
dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
e do Mobiliário de Santa Catarina, presidida pelo companheiro
Altamiro Perdoná, e teve apoio da CNTI/SC, DEPACOM e do
STI da Construção e do Mobiliário de Rio Negrinho,
presidido pelo companheiro LUIZ CARLOS SCHUKOSKI.
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UOL ECONOMIA, 27 de agosto
de 2007
Grupo de emergentes gera cinco vezes
mais empregos que países ricos
Da Redação
Em São Paulo
Os países emergentes conhecidos como Brics (sigla para Brasil, Rússia, Índia
e China) criaram 22 milhões de postos de trabalho entre 2000 e 2005,
o que representa cinco vezes mais do que o número de vagas abertas em
toda a área da OCDE (Organização para a Cooperação
e Desenvolvimento Econômico) no período.
Mesmo assim, as taxas de desemprego
permaneceram elevadas nos quatro países: 9% no Brasil, 8,3% na
China, 7,9% na Rússia e 6% na Índia. Os dados fazem parte
da Carta do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial)
divulgada na última sexta-feira (24).
A OCDE, que ficou atrás
dos quatro emergentes, é um clube de 30 países ricos que
hoje inclui o México. Criado em 1961, o grupo é considerado
o "braço" econômico da Otan (Organização
do Tratado do Atlântico Norte) e tem sede em Paris.
Informalidade
Além das altas taxas de desemprego, a informalidade também atinge
os Brics. No Brasil, o trabalho informal corresponde a 45% do emprego total
no país. Na China, a proporção é de 53%; na Índia,
supera 90%.
Na Rússia, estimativas
disponíveis indicam que a informalidade é muito menor do
que a observada nos demais países do grupo, ficando em nível
semelhante ao dos países da Europa Central e do Leste.
Outro ponto apontado pelo Iedi é que
no Brasil, Índia e Rússia o subemprego permanece alto,
atingindo mais as mulheres, nos dois primeiros países, e os trabalhadores
mais velhos, no último.
Educação
Apesar de gerar mais vagas, os Brics, com exceção da Rússia,
têm trabalhadores com qualificação inferior à média
da OCDE. Em 2003, quase 90% dos jovens russos possuíam segundo grau
completo, contra 73% da média da OCDE. Já o percentual de trabalhadores
jovens (entre 24 e 34 anos) com formação universitária
era de 55% na Rússia e 29% na OCDE.
No Brasil, 41% dos jovens entre
20 e 24 anos possuem segundo grau completo e apenas 7% dos trabalhadores
entre 24 e 34 anos têm diploma universitário. Na Índia,
somente 21% dos jovens entre 20 e 24 anos possuem segundo grau completo.
Já na China, um terço dos jovens têm formação
secundária completa, mas apenas 5% completam os estudos universitários.
(Com informações de
France Presse e Infomoney)
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UOL ECONOMIA, 27 de agosto
de 2007
Crédito para compra da casa
própria cresce 3% em julho
SÃO PAULO - O volume de
recursos destinados à compra financiada de imóveis por
pessoas físicas teve um aumento de 3% no sétimo mês
do ano, na comparação com o montante verificado em junho.
Os dados, divulgados nesta segunda-feira
(27) pelo Banco Central, fazem parte da "Nota de Política
Monetária e Operações de Crédito do Sistema
Financeiro".
Recursos
atingem R$ 1,676 bilhão
De acordo com o BC, o total de recursos destinados ao financiamento imobiliário
atingiu R$ 1,676 bilhão em julho, contra R$ 1,627 bilhão no mês
anterior.
Considerando o montante do sétimo
mês do ano passado, R$ 994 milhões, percebe-se uma alta
de 68,6%.
Já no acumulado do ano
(R$ 10,277 bilhões), a variação foi de 61,5%, uma
vez que foram destinados R$ 6,364 bilhões ao financiamento imobiliário
nos sete primeiros meses de 2006.
Empresas
Ainda segundo a Nota, o volume de recursos destinados às pessoas jurídicas
atingiu R$ 913 milhões em julho, o que significa um aumento de 0,1%
na comparação com o mês anterior (R$ 912 milhões)
e de 52,2% frente ao sétimo mês do ano passado (R$ 600 milhões).
Nos sete primeiros meses do ano,
o total dos recursos destinados ao financiamento imobiliário para
as pessoas jurídicas totalizou R$ 5,855 bilhões, 30,6%
a mais do que no mesmo período do ano anterior (R$ 4,481 bilhões).
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UOL
ECONOMIA, 27 de agosto de 2007
Caixa Econômica é acionada
por barrar idosos em programa de financiamento
SÃO PAULO - O Ministério
Público entrou na Justiça contra a Caixa Econômica
Federal (CEF) para garantir que pessoas com mais de 65 anos possam
participar do programa de arrendamento residencial (PAR), criado
pelo Ministério das Cidades, com o intuito de atender às
famílias de baixa renda. Ações movidas para
determinadas agências do banco acusam a rede de discriminação
contra idosos.
Até o momento, a CEF
foi obrigada pela Justiça a assinar termos de ajuste de conduta
em duas capitais, Aracaju e Porto Alegre, permitindo o acesso de
todos os interessados no programa. Há uma outra ação
em trâmite em Salvador. Em Brasília, o procurador-regional
dos Direitos do Cidadão da Procuradoria da República
no Distrito Federal, Wellington Oliveira, decidiu seguir os colegas
de outros Estados pedindo que as liminares concedidas tenham validade
para todo o País.
As seguradoras
De acordo com a Agência
Brasil, a CEF, por meio de sua assessoria de imprensa, informou já ter
assinado os termos relativos às cidades de Porto Alegre (RS)
e Aracaju (SE).
O banco estatal disse que
a limitação da faixa etária para aderir ao PAR
segue determinação das seguradoras contratadas para
cobrir os empreendimentos (em caso de incêndio, por exemplo)
e os compradores, que têm seu saldo residual quitado em caso
de morte ou invalidez permanente. A seguradora em questão é a
Caixa Seguros.
A empresa exige que os empréstimos
sejam quitados até os 80 anos, considerando que a expectativa
de vida do brasileiro prevista pelo Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE) é de 71,3 anos. Uma vez que a
vigência do PAR é de obrigatoriamente 15 anos, ficaria
impossibilitada a entrada no programa dos idosos a partir de 65 anos.
Estatuto
Conforme Oliveira, a limitação
da faixa etária imposta pela CEF contraria a Constituição
Federal e o Estatuto do Idoso (Lei 10.741/03). O Estatuto prevê a
reserva de no mínimo 3% das vagas dos conjuntos habitacionais
criados pelo governo federal para pessoas com mais de 60 anos.
"A Caixa inventou essa
exigência, deixando de ser agente fomentador do programa residencial
do governo para ser simplesmente um agente financeiro, buscando o
lucro gigantesco, como os outros bancos privados têm",
afirmou. "A CEF é o mero executor do programa do governo,
ou será que alguém poderia dizer que já que
os idosos com mais de 65 anos não são viáveis
não vou atendê-los no programa de saúde do SUS
(Sistema Único de Saúde)"?
Aposentados x PAR
Dados do Sindicato Nacional
dos Trabalhadores Aposentados e Pensionistas (Sintap), que é filiado à Central Única
dos Trabalhadores (CUT), mostram que, dos cerca de 24,6 milhões
de aposentados do país, 67% ganham apenas um salário
mínimo, o que torna ainda mais difícil adquirir um
imóvel nessas condições.
O PAR foi criado há quatro
anos pelo governo federal, com o objetivo de atender famílias
de baixa renda cujos vencimentos sejam de até R$ 1.800. Desde
2003 até hoje, o Ministério das Cidades já investiu
R$ 4,82 bilhões no programa, que beneficiou nesse mesmo período
168.692 famílias.
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ESTADÃO.COM / SÃO PAULO, 27 de
agosto de 2007 | Economia
Construção civil cria
mais vagas fora das capitais
AE - Agencia Estado
SÃO PAULO - O boom de crescimento da construção civil
começa a se espalhar dos grandes centros urbanos para o interior do
País. A tendência já aparece nos números do emprego
formal do setor. No período de 12 meses até junho, a criação
de postos de trabalho com carteira assinada nas cidades do interior cresceu
a uma taxa 100% maior que nas nove principais regiões metropolitanas
brasileiras, quando comparada com o saldo de 2006. No interior, o emprego teve
crescimento de 30,3%, enquanto nas regiões metropolitanas a alta foi
de15,6%.
"Num setor intensivo em mão-de-obra como o da construção
civil, o emprego representa um bom indicador do ritmo de atividade", diz
Sergio Vale, economista da consultoria MB Associados, autor do estudo sobre a
evolução do emprego no setor. Para chegar a essa conclusão,
ele se baseou em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged),
do Ministério do Trabalho.
O crescimento do mercado imobiliário, agora com mais força rumo
ao interior, tem sido sustentado principalmente pela oferta de crédito
farto. Soma-se a isso o cenário de juros ainda em queda, a melhoria
da renda, a expansão do emprego e as medidas de desoneração
tributária e outras anunciadas pelo governo para estimular o setor.
Câmbio
O ingresso de investimentos estrangeiros diretos no setor da construção
civil disparou nos sete primeiros meses do ano e atingiu US$ 900 milhões
- 12,5 vezes mais do que os US$ 72 milhões do mesmo período de
2006 e quase três vezes mais do que os US$ 321 milhões de todo
o ano passado. O fluxo, segundo dados do Banco Central, está majoritariamente
direcionado para empresas imobiliárias, movimento que reflete o boom
no setor, um dos mais aquecidos da economia brasileira.
Essa situação, na avaliação do presidente da Câmara
Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady
Simão, não coloca o Brasil na rota de risco da volatilidade dos
mercados mundiais, em decorrência da bolha imobiliária nos Estados
Unidos. "Não acredito que a atual turbulência vai afetar
o apetite dos estrangeiros no setor imobiliário brasileiro", comentou. "Nós
temos um espaço muito grande de crescimento com segurança." No
entanto, ressalvou que o que está acontecendo nos EUA "deve servir
de lição para que não venhamos a ter excessos no Brasil".
O presidente da CBIC avalia que o Brasil é a "bola da vez" em
termos de atração dos investidores estrangeiros por diversos
fatores, como a consolidação da estabilidade econômica,
o maior ritmo de crescimento, o aumento nas reservas internacionais e a trajetória
de queda nos juros. E, nesse contexto, a construção civil é uma área
que apresenta grandes oportunidades de ganho porque tem um potencial elevado
de expansão. As informações
são do jornal O Estado de S. Paulo.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 27 de agosto de 2007 | Economia
Construtoras vão atrás
da riqueza nas cidades do interior
AE - Agencia Estado
SÃO PAULO - A crescente oferta de crédito era o ingrediente que
faltava para começar a se desenhar um novo mapa do setor imobiliário.
Antes focadas nas capitais de São Paulo e Rio de Janeiro, construtoras
e incorporadoras aliaram o impulso do crédito ao apetite pela expansão
e agora migram para cidades de porte médio, onde sobram terrenos. A
interiorização da riqueza produzida no País - que cada
vez mais espalha-se para além do eixo Rio-SP - também contribuiu
para o movimento, trazendo mais compradores para os novos imóveis.
A investida da Tecnisa no interior
paulista é um bom retrato desse interesse. Depois de levantar
R$ 791 milhões com a abertura de capital, em fevereiro, a empresa
paulista partiu para um movimento de expansão que passa por São
José dos Campos, Itu, Suzano, Sorocaba e Mogi Mirim. Antes, ela
atuava só na região metropolitana de São Paulo.
A construtora Rossi está há mais
de dez anos no interior paulista. Em 2006, porém, bateu o recorde
de lançamentos na região, com 24 empreendimentos em Campinas,
Sorocaba, Ribeirão Preto, Sumaré, São Carlos e Valinhos.
Segundo o diretor de Negócios, Renato Diniz, os negócios
no interior e litoral paulista correspondem a 30% do total, enquanto
os da capital representam 20%. Há cinco anos, essa fatia era de
50% na capital, ante 17% no interior. A opção pelo interior,
segundo ele, é óbvia. "São Paulo concentra
um terço da renda nacional, mas a maior parte dela não
está na capital, e sim, no interior."
Outra construtora que ultrapassou
os limites da maior cidade do País nos últimos anos foi
a Cyrela. Desde a abertura de capital, em março de 2006, foram
15 lançamentos fora do eixo Rio-SP. Seis deles no interior do
Estado. As informações são
do jornal O Estado de S. Paulo.
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CONSULTOR JURÍDICO,
27 de agosto de 2007
Em mãos
Prazo para MP recorrer começa
com chegada dos autos
O prazo para o Ministério Público recorrer de uma decisão
começa a contar a partir da chegada dos autos à secretaria do órgão.
Com esse entendimento, a Seção Especializada em Dissídios
Individuais (SDI-1), do Tribunal Superior do Trabalho, rejeitou recurso apresentado
pelo Ministério Público do Trabalho da 14ª Região
(RO) contra decisão que condenou o Estado ao pagamento de verbas trabalhistas
a um professor do ensino fundamental.
O professor foi admitido pelo
Estado por contrato emergencial. Um ano depois passou a ser celetista.
Logo após sua demissão, recorreu à Justiça.
Pleiteava verbas rescisórias, salários atrasados e multa
sobre o FGTS, entre outras verbas. O Estado sustentou que a demissão
se deu por conta de decreto estadual que declarou a nulidade do contrato
e também pela ausência de concurso público na contratação.
O juiz da Vara do Trabalho de
Costa Marques (RO) não reconheceu o vínculo de emprego
devido à ausência de aprovação em concurso
público, mas condenou o Estado ao pagamento das verbas pedidas.
A sentença foi mantida pelo TRT-RO. O Ministério Público
do Trabalho, então, ajuizou Recurso de Revista.
Os autos chegaram ao MPT, por
força de remessa obrigatória, no dia 30 de outubro de 2000.
O recurso foi apresentando em 17 de novembro daquele ano. A 2ª Turma
do TST concluiu pela intempestividade por considerar que o prazo iniciou-se
em 31 de outubro, dia seguinte ao recebimento dos autos na Procuradoria
Regional do Trabalho, terminando, portanto, em 16 de novembro.
O MP entrou com Embargos de Declaração.
Ressaltou a prerrogativa de ser intimado pessoalmente nos autos, ou seja,
a partir da distribuição do processo a um procurador do
Trabalho.
O ministro Aloysio Corrêa
da Veiga observou que inúmeros dispositivos legais — a Lei
Complementar 75/93 (artigo 18) e o Código de Processo Civil (artigo
236), entre outros — asseguram a intimação pessoal
do Ministério Público. “Trata-se de prerrogativa
que decorre das relevantes funções exercidas pelos membros
daquela instituição, quer como fiscal da lei, quer como
parte”, afirmou o ministro.
Entretanto, o ministro citou
decisão do Supremo Tribunal Federal no sentido de que a entrega
do processo na secretaria do Ministério Público supre a
exigência legal, “na medida em que é assinado por
servidor público”. Por isso, rejeitou o recurso do MP.
E-RR-736584/2001.9
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
27 de agosto de 2007
Funcionária que soube de demissão
através de jornal receberá R$ 10 mil
A Empresa de Processamento de Dados do Estado do Acre terá que pagar
R$ 10 mil, a título de dano moral, a uma funcionária que tomou
conhecimento de sua demissão através da imprensa, ao ler uma
matéria veiculada no jornal “A Tribuna”. A decisão é da
4ª Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) que, por unanimidade,
negou recurso à empresa e manteve a condenação..
De acordo com a assessoria do
STJ, a ex-funcionária ingressou na Justiça pedindo indenização
por danos morais. Afirma ter sido surpreendida pela divulgação
de seu nome no jornal no rol de pessoas a serem demitidas, em matéria
produzida em razão da declaração do diretor da empresa,
que disse: “a Empresa não tem como pagar esses funcionários
que custam mais do que rendem e se quiserem alguma verba rescisória
devem aderir ao P.D.V”.
Na primeira instância,
o pedido foi julgado improcedente. A ex-funcionária apelou, e
o TJ-AC (Tribunal de Justiça do Acre) condenou a empresa a pagar
R$10 mil a título de danos morais. A estatal recorreu ao STJ,
alegoandoque a funcionária não conseguiu comprovar a existência
do dano e que o tribunal estadual teria aplicado a teoria da responsabilidade
civil objetiva.
O relator do recurso no
STJ, ministro Aldir Passarinho Junior, afirmou que a decisão
do TJ é baseada na prova dos autos, concluindo pela existência
de responsabilidade da empresa, sem alusão, portanto, à teoria
da responsabilidade objetiva. “São, pois, dados fáticos
considerados pelo Tribunal de Justiça, instância máxima
da prova, que não têm como ser revistos na órbita
do recurso especial, ao teor da Súmula 7”, concluiu o
ministro.
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ÂMBITO JURÍDICO,
27 de agosto de 2007
Recurso adesivo só é admissível
se a parte não recorreu ordinariamente
Se a parte exerceu regularmente o seu direito de recorrer ao interpor o recurso
ordinário, não pode apresentar novo recurso adesivo (aquele que “pega
carona” no recurso da parte contrária, sendo apresentado no prazo
das contra-razões) com o objetivo de aditar aquele primeiro. Com este
fundamento, a 1ª Turma do TRT-MG, acompanhando voto do desembargador Marcus
Moura Ferreira, não conheceu do recurso adesivo interposto por reclamante,
que abordava matéria não contemplada no recurso principal. “Tal
procedimento é inadmissível no nosso ordenamento jurídico,
não só em face do princípio da unirrecorribilidade (pelo
qual só se pode recorrer uma vez de uma mesma decisão), mas também
pela ocorrência da preclusão consumativa” – destacou
o desembargador. Ou seja, uma vez praticado um ato no processo, não
há como repeti-lo ou praticar outro que o contrarie.
No caso, ao contrário
do que sustentava o recorrente, não foram interpostos embargos
de declaração, não havendo, assim, justificativa
para a apresentação de novo recurso. Dessa forma, a Turma
entendeu ser incabível o recurso adesivo do reclamante.
( RO nº 01505-2006-058-03-00-6
)
Fonte: TRT3
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Folha
de São Paulo, 27 de agosto de 2007
Dispara criação de cargos
de confiança no governo
Lula multiplica por 7,6 o número de novos
postos comissionados abertos neste mandato
| Média mensal de novos empregos desse gênero sobe de 23,8 no primeiro
mandato para 179,7 de janeiro a julho deste ano
FÁBIO ZANINI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo Luiz Inácio
Lula da Silva ignorou acusações de aparelhamento da máquina
e acelerou o ritmo da criação de cargos comissionados
da administração federal no segundo mandato. A média
agora é 7,6 vezes a do primeiro mandato. O número médio
mensal de postos desse tipo criados saltou de 23,8 no primeiro mandato
de Lula para 179,7 entre janeiro e julho deste ano. Também chamados
de cargos de confiança, esses empregos são muitas vezes
destinados a apadrinhados políticos.
Os dados constam da nota informativa
304/07 do Ministério do Planejamento, datada de 16 de agosto,
que foi enviada em resposta a requerimento do líder do PPS na
Câmara, Fernando Coruja (SC). Com quatro páginas, a nota
traz o primeiro raio-X da expansão da máquina pública
federal no segundo mandato. Os dados mostram que Lula já criou,
em 2007, 1.258 cargos comissionados, chegando ao número recorde
de 22.345.
Lula herdou do antecessor,
o tucano Fernando Henrique Cardoso, 19.943 desses cargos, o que significa
que o aumento em quatro anos e sete meses de gestão petista é de
2.402 postos, o equivalente a 12%. Esse crescimento não foi
uniforme. Após redução em 2003, houve grande aumento
no ano seguinte, o único em que a média mensal se aproxima
da deste ano. Em 2005 e 2006, houve novas quedas.
Os cargos comissionados são
conhecidos no jargão do governo pelas siglas DAS (Direção
e Assessoramento Superior) e NE (Natureza Especial). Regra geral, são
destinados a funções de chefia ou postos "sensíveis".
O PT calcula que cerca de 5.000 cargos de confiança federais
são ocupados por filiados. Todos são obrigados a contribuir
com uma parte do salário, o "dízimo", para
o partido.
A receita petista com esse
tipo de contribuição cresceu 545% no primeiro governo
Lula, chegando a R$ 2,88 milhões em 2006. Isso gera acusações
da oposição de que a burocracia federal foi partidarizada. "Há uma
clara politização do Estado. A burocracia está sendo
preenchida por critérios partidários, o que gera problemas
de eficiência, como ficou claro recentemente no funcionamento
das agências reguladoras", afirma Coruja.
O governo rejeita a acusação
com o argumento de que os cargos estão sendo criados para suprir
deficiências na administração federal. "O
crescimento da máquina administrativa se dá em resposta
ao constante aumento de demandas da sociedade nas mais diversas áreas,
desde a social até a da infra-estrutura", diz a nota do
Planejamento. O ministério credita a expansão da máquina à criação
de novos órgãos federais, que tem sido intensa neste
início de segundo governo.
Enquanto o governo FHC acrescentou
quatro órgãos em oito anos, Lula criou 12 em menos de
cinco. São agora 86 órgãos federais, entre ministérios,
secretarias e institutos. Só neste ano, foram criadas duas secretarias
especiais com status de ministério, a dos Portos e a de Longo
Prazo, levando a 38 o número de pastas no primeiro escalão.
Para suprir os novos órgãos, o governo editou, em junho,
uma medida provisória criando 600 cargos de confiança.
Reajustes
Seguindo uma política
de valorizar os titulares de cargos de confiança, que estão
entre os mais bem pagos da administração federal, Lula
também editou uma MP concedendo reajustes que chegam a 140%
em alguns casos. Além do crescimento do número de cargos
de confiança, Lula aumentou também o número de
cargos efetivos, que exigem concurso público.
A nota do Planejamento
repete dados já conhecidos, revelando uma expansão
da máquina de 809 mil servidores da ativa no último
ano de FHC para 997 mil no ano passado. Nesse caso, não há informações
atualizadas sobre 2007. O governo diz que o aumento reflete uma política
de substituição de terceirizados por servidores concursados.
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Folha
de São Paulo, 27 de agosto de 2007
Brasil é um dos mercados que mais
perdem na crise
Queda dos ativos do país em mercados só é inferior à da
Turquia, aponta banco | Índice do Morgan Stanley aponta queda
de 17,6% nos ativos do mercado brasileiro no último mês;
nos EUA, perda foi menor, de 5,16%
FABRICIO VIEIRA
DA REPORTAGEM LOCAL
As turbulências que têm
sacudido os mercados financeiros nas últimas semanas têm
punido tanto os emergentes quanto os países desenvolvidos. E,
nessa montanha-russa financeira, o Brasil está entre os que
mais têm sofrido.
Considerando o período
de um mês encerrado no último dia 23, o Brasil só perdeu
menos que a Turquia. O índice MSCI-Barra, feito pela instituição
financeira americana Morgan Stanley Capital International, aponta queda
de 17,60% para o mercado brasileiro, enquanto o da Turquia perdeu 20,37%
nesse período. Esse índice é calculado a partir
da oscilação de ativos (ações e outros
títulos), dolarizados, dos mercados de capitais de cada país.
Os EUA, epicentro da crise,
viram seu mercado cair de forma bem mais moderada nesse período:
5,16%. O mercado japonês sofreu queda próxima à norte-americana,
de 5,36%.
Dentre os latino-americanos, o México amargou baixa de 9,98%, a Argentina,
de 7,93%, e o Chile, de 7,22%.
William Eid Júnior,
coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação
Getulio Vargas, afirma que as fortes oscilações dos ativos
brasileiros "ocorrem devido ao porte do nosso mercado, que é muito
grande em comparação aos de outros emergentes".
"Quando há uma
crise, os ativos brasileiros costumam cair mais rapidamente. Mas, nos
períodos de recuperação, também sobem de
forma mais rápida. Muito investidor compra bastante ativos brasileiros
pois sabem que, se precisarem vender, a liquidez deles é forte",
afirma Eid Júnior.
Para os emergentes como um
todo, o índice MSCI-Barra apontou uma queda bem menor que a
brasileira, de 10,99%, no período avaliado. No caso da Bolsa
de São Paulo, os investidores estrangeiros representam 34,4%
de todas as operações realizadas no pregão, sendo
a categoria de maior peso no mercado doméstico.
Aversão ao risco
Neste mês, até o
dia 21, os estrangeiros retiraram líquido R$ 1,656 bilhão
da Bovespa, o que afetou seu desempenho -a Bolsa acumula uma queda
de 2,19% em agosto. A venda de títulos da dívida brasileira
no mercado internacional levou o risco-país aos 229 pontos-base
no último dia 16 -a maior pontuação desde o começo
de dezembro de 2006.
Quanto mais elevado o risco-país,
pior. Esse indicador representa a diferença média entre
os juros pagos pelo país para conseguir recursos no exterior
e as taxas dos títulos do Tesouro dos EUA, considerados os mais
seguros planeta. Cada cem pontos-base representa um ponto percentual
nas taxas.
O mercado financeiro global
tem sido afetado, de forma mais intensa desde 24 de julho, pela crise
no segmento de crédito habitacional de alto risco dos EUA (chamado
de "subprime"). O temor dos investidores é que essa
crise contamine o desempenho de fundos que investiram em papéis
imobiliários e o resultado de grandes instituições
financeiras.
Na tentativa de se antecipar
ao pior, investidores internacionais passaram nas últimas semanas
a vender ativos de maior risco (como ações e títulos
da dívida de emergentes) para comprar papéis do Tesouro
norte-americano. E esse cenário acabou punindo o Brasil, mesmo
que o país não atravessasse um período de incertezas
ou enfrentasse problemas políticos e econômicos.
Na semana passada, com os investidores
menos ariscos ao risco, os mercados começaram a ensaiar um processo
gradual de recuperação. "Se fosse há alguns
anos, uma crise dessa puniria de forma muito mais contundente o Brasil.
Nas últimas semanas,
os estrangeiros andaram vendendo Brasil, mas já começam
a voltar e ajudar a Bolsa a se recuperar", diz Jason Freitas
Vieira, economista-chefe da UpTrend Consultoria Econômica.
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Folha
de São Paulo, 27 de agosto de 2007
Previdência deverá recadastrar
trabalhador com duplo vínculo
Cerca de 60 mil pessoas estão aposentadas
por invalidez e continuam a trabalhar
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Ministério da Previdência
anunciará nas próximas semanas a revisão de um
grupo de benefícios por incapacidade -aposentadorias por invalidez
ou auxílios-doença- que pode estar sendo indevidamente
pago a pessoas que voltaram ao mercado de trabalho. A Folha apurou
que levantamento preliminar da área técnica aponta para
a existência de 60 mil pessoas nessa situação.
A legislação
estabelece que os benefícios por incapacidade são devidos
apenas a trabalhadores que não estão em condições
de trabalhar por motivo de doença ou acidente. Caso o segurado
volte ao mercado, o benefício deve ser suspenso.
O Ministério Público
Federal já havia determinado à Previdência que
fizesse a apuração desses casos. Ao cruzar os dados sobre
pagamento de benefícios com o CNIS (Cadastro Nacional de Informações
Sociais), o ministério descobriu que cerca de 60 mil pessoas
mantêm o duplo vínculo.
"Vamos chamar essas pessoas
por carta. Elas terão um prazo para comprovar a situação.
Não podemos simplesmente sustar o pagamento. Mas, se constatado
o duplo vínculo, o benefício cessa automaticamente",
afirmou à Folha o presidente do INSS, Marco Antônio Oliveira,
que não quis confirmar o número de pessoas nessas condições.
A revisão desses benefícios,
segundo ele, será o primeiro teste do ministério para
realizar o censo das aposentadorias por invalidez. O governo paga cerca
de 2,8 milhões de aposentadorias desse tipo, com gasto mensal
de R$ 1,5 bilhão. A lei determina que as aposentadorias por
invalidez sejam revisadas a cada dois anos, mas isso não é feito
há mais de 15 anos, segundo o presidente do INSS. Em 2006, o
ex-ministro da Previdência Nelson Machado havia anunciado a intenção
de realizar o censo desses benefícios neste ano.
O presidente do INSS, no entanto,
considera difícil iniciar o recadastramento ainda neste ano.
" Não é que não vamos fazer o censo. A questão é que
isso não pode ser feito de maneira açodada, sob pena de criar um
ambiente de tensão e conflito, que não nos interessa", afirmou
Oliveira. Dados já levantados pela Previdência mostram que, dos
2,8 milhões de aposentados por invalidez, 1,2 milhão já tem
como se aposentar por idade.
Ele destaca que a aposentadoria
por invalidez, segundo a lei, não é um benefício
definitivo. A situação do segurado pode ser revista.
Como 1,2 milhão de pessoas já têm condições
para se aposentar por idade, a Previdência estuda uma forma de
evitar que elas, em vez de passarem por perícias médicas
para verificar se haverá suspensão do benefício,
possam se aposentar definitivamente.
"Não sabemos ainda
se há amparo legal para fazer essa conversão automática",
disse Oliveira. Na maior parte dos casos (956 mil segurados), afirma
ele, os aposentados por invalidez já recebem um salário
mínimo e, com a conversão para a aposentadoria por idade,
continuariam a ganhar o mesmo valor. Nas demais situações,
porém, a aposentadoria por idade significaria redução
na renda dos beneficiários.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 27 de agosto de 2007
| Economia
Estudo
Quem exporta menos vai gerar mais emprego
A previsão de ampliação das vagas de emprego para o próximo
trimestre é maior entre as empresas que apresentam a menor relação
entre exportação e faturamento. Segundo dados da Sondagem Conjuntural
da Indústria de julho, da Fundação Getúlio Vargas,
as empresas que exportam mais de 50% de seu faturamento são menos otimistas
quanto ao aumento do emprego. Já os executivos das empresas que exportam
menos de 10% do seu faturamento são os que mais esperam aumentar suas
vagas.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 27
de agosto de 2007 | Brasil
Indútria
CNI investe na educação
do operário
Brasília – A Confederação
Nacional da Indústria lança hoje um programa para tentar
reduzir uma dos grandes entraves para o crescimento do setor: a baixa
escolaridade de seus funcionários. Dos 7,8 milhões de trabalhadores,
61% – o que corresponde a 4,8 milhões de pessoas – não
completaram o ensino fundamental. “Com incorporação
de novas tecnologias há tendência de contratação
de recursos com maior escolaridade”, afirma o diretor da CNI, Rafael
Lucchesi. Para tentar reduzir essa lacuna, Sesi e Senac pretendem investir
até 2010 em todo o país R$ 10,4 bilhões. Os recursos
irão para educação básica e profissional.
O presidente da CNI, Armando
Monteiro Neto, diz que as regiões mais carentes deverão
receber uma atenção especial do programa.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 27
de agosto de 2007 | Brasil
Comportamento
65% dos moradores das favelas do
Rio não querem se mudar
Estudo mostra que solidariedade compensa
a falta de estrutura
Rio – Apesar do cotidiano de violência que marca as comunidades
carentes no Rio, uma avaliação do Núcleo de Pesquisa das
Violências do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado
do Rio de Janeiro (Nupevi-Uerj) apurou que 65,4% dos 660 moradores de favelas
entrevistados não querem se mudar do local onde vivem.
A antropóloga Alba Zaluar,
uma das coordenadoras da pesquisa, concorda que as notícias da
guerra do crime protagonizada por traficantes, policiais e até milicianos
nas favelas podem sugerir que a população seja ávida
por se mudar. No entanto, a pesquisa indica que os laços de solidariedade
são mais fortes nas favelas e superam os problemas. “As
pessoas são muito ligadas às outras, apesar do tráfico
e da polícia. Eles não gostam dessa situação,
vivem sob duas tiranias mas a relação com vizinhos e familiares é de
solidariedade”, analisa. “As pessoas conversam na porta de
casa. No asfalto [parte mais urbanizada], prevalece a indiferença.
A classe média é mais voltada para seus próprios
círculos.”
Os questionários da pesquisa
foram distribuídos em favelas como o Complexo do Alemão
e Mangueira, na zona norte, Rocinha, na zona sul, e Cidade de Deus, na
zona oeste. Na comparação com uma pesquisa anterior feita
pelo Nupevi entre todos os cariocas, os moradores de favela parecem gostar
mais da cidade. Apenas 7% gostariam de deixar o Rio, enquanto entre os
cariocas em geral esse porcentual é de 15%.
A pesquisa mostra ainda que as
favelas estão mais próximas da infra-estrutura da cidade
formal. A rede elétrica legal já chega a 85,5% dos entrevistados.
Quase 90% dizem contar com rede de esgoto e 84,5%, com abastecimento
de água.
Para a dona de casa Nilza Rosa,
nascida de parteira há 55 anos no alto do Morro da Formiga, zona
norte do Rio, diz que, não fosse pelo tráfico, seria possível
viver no morro como em qualquer lugar. “As casas são melhores
e em qualquer uma tem DVD, TV, geladeira. Em qualquer barraquinho tem
celular.”
Líder comunitário
da Rocinha, Carlos Costa discorda do resultado da pesquisa. Para ele,
quem respondeu que não quer sair da favela quis, na verdade,
dizer que não tem alternativa. “A informalidade e a falta
de estrutura incomodam os que começam a sair para estudar e
ver outras coisas. Ainda existe um vínculo, mas numa escala
menor. Hoje, mesmo na favela, é cada vez mais cada um por si”,
afirma.
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
25 de agosto de 2007
Trabalho aos domingos é proibido
em Maringá
Convenção Coletiva assinada
ontem impede a abertura dos supermercados e de lojas no primeiro
dia da semana
Os supermercados de Maringá (Região
Noroeste) não poderão mais abrir aos domingos. O
impedimento foi definido em Convenção Coletiva de
Trabalho assinada ontem entre os sindicatos dos Lojistas do Comércio
Varejista (Sivamar) e dos comerciários (Sincomar). Os mercados
vinham abrindo aos domingos desde junho, quando a convenção
expirou e as relações de trabalho passaram a ser
regidas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Procurados pela FOLHA, os supermercados Cidade Canção
e São Francisco afirmaram que irão respeitar o acordo,
enquanto o Big disse que vai continuar abrindo.
O presidente do Sivamar, Adilson
Emir dos Santos, declarou ser, pessoalmente, favorável ao ''livre
comércio'', uma vez que shopping, farmácias e lojas de
conveniência de postos de gasolina já funcionam em horários
mais flexíveis. Mesmo assim, ele considerou o acordo firmado uma
''vitória''. ''Sou representante da maioria e na assembléia
97% declararam ser contrários à abertura aos domingos.
Além disso, tivemos ganhos interessantes como os dois domingos
do Maringá Liquida (campanha promocional do comércio) e
a mudança do trabalho no dia do aniversário da cidade (10
de maio), que fica próximo ao Dia das Mães'', comentou.
''Na verdade, quando os maiores
(supermercados) passaram a abrir caiu o movimento dos pequenos e, por
isso, a maioria (dos pequenos) votou contra'', afirmou Santos. Porém,
ele acredita que os mercados de bairro vão continuar abrindo aos
domingos, desrespeitando o acordo firmado. ''Grande parte dos comerciantes
'olha para o seu umbigo', mas acredito que no ano que vem o trabalho
aos domingos vai ser aprovado'', complementou. O presidente do Sincomar,
Leocides Fornazza, considerou o trabalho aos domingos um dos pontos mais
importantes de toda a negociação. ''92% dos comerciários
não queriam trabalhar no domingo e foi isso que impediu a assinatura
da convenção antes'', afirmou.
Ele também antecipou que
amanhã toda a diretoria do sindicato irá percorrer os supermercados
para verificar o cumprimento do acordo. Inclusive, os estabelecimentos
que trabalharem estarão sujeitos à multa no valor de 20%
do salário dos funcionários, por cada empregado e por dia
trabalhado. Entre os supermercados consultados, somente o Big afirmou
que irá continuar abrindo. Segundo a assessoria de imprensa, o
estabelecimento está localizado em um shopping e, por isso, segue
o seu horário de funcionamento. Quanto aos funcionários,
a assessoria disse apenas que a empresa cumpre as previsões legais.
Acordo - Já a rede de
Supermercados Cidade Canção informou que irá respeitar
o acordo homologado. ''Tínhamos interesse em abrir porque as vendas
estavam boas e os clientes estavam satisfeitos'', argumentou Celso Kuratani
Hata, gerente de marketing do grupo. Na sua avaliação,
a convenção prejudicou as duas partes envolvidas, uma vez
que a empresa iria contratar, pelo menos, mais 60 pessoas caso o trabalho
aos domingos fosse homologado. ''O acordo deixou de gerar novos empregos'',
salientou.
Já o diretor administrativo
e financeiro dos Supermercados São Francisco, Edmilson Segala,
disse que o grupo se sente prejudicado pela nova convenção
uma vez que o supermercado concorrente, farmácias e lojas de conveniência
irão continuar trabalhando. ''Infelizmente não vamos mais
abrir, vamos respeitar a convenção. Agora é preparar
para 'brigar' no ano que vem'', comentou. Segundo ele, o faturamento
no domingo vinha aumentando a cada semana e que o lucro já era
superior ao registrado às segundas, terças e quintas-feiras.
Fernanda Mazzini
Reportagem Local
|
REVISTA ISTO É/
Especial: O julgamento dos 40
Em meio a suspeitas de manobras políticas
no Supremo Tribunal Federal, é aberto o processo contra os 40 políticos
e empresários ligados ao PT acusados de formar uma "quadrilha" para
aprovar projetos do governo no Congresso, o chamado "mensalão".
O veredicto final levará anos e ninguém garante que os culpados
serão punidos
Por RUDOLFO LAGO E RODRIGO RANGEL

A força do relator
O ministro Joaquim Barbosa, indicado por Lula, é considerado "duro"
Os "mensaleiros" na barra dos tribunais
Diálogos eletrônico
Dois anos, dois meses e 16 dias depois da denúncia do deputado Roberto
Jefferson de que um grupo de petistas usou recursos públicos e privados
para subornar parlamentares e partidos com o objetivo de aprovar medidas de
interesse do governo Lula no Congresso, o chamado Escândalo do Mensalão,
o Supremo Tribunal Federal começou, às 10h15 da quarta-feira
22 de agosto, a dar o primeiro passo para uma eventual punição
das 40 pessoas envolvidas no caso. No silêncio da sala quadrada, rodeada
pelas gélidas paredes de mármore carrara bege, o ministro Joaquim
Barbosa, encarregado de relatar o inquérito, iniciou a leitura das 400
páginas nas quais resumiu a volumosa peça jurídica de
52 volumes e 140 anexos. Barbosa padecia de fortíssimas dores nas costas
- e foi por isso que, mesmo em momentos em que o protocolo lhe permitia sentar,
permaneceu de pé. Dores nas costas são uma constante para o ministro,
mas a agudeza dessa crise parecia lembrar que seus ombros carregavam o peso
histórico do que está sendo chamado de "julgamento do século".
O ex-ministro da Secom Luiz Gushiken vira réu
e será processado por peculato
Se, ao final desse julgamento, a maioria dos dez ministros do STF decidir acatar
a denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando
de Souza, que pede a condenação dos 40 por crimes variados como "peculato", "corrupção
ativa", "formação de quadrilha", "evasão
de divisas", "lavagem de dinheiro" e "falsidade ideológica" -
as penas conjuntas chegam a 1,1 mil anos de cadeia -, o Brasil estará ingressando
numa era inédita. Pela primeira vez na história deste país,
políticos e outras altas autoridades podem vir a pagar, com pena de
prisão, por desmandos cometidos enquanto estavam no auge do poder. Além
disso, o julgamento do século promete reviver velhas querelas entre
governo e oposição. "Um esquema desse porte não é possível
ser feito sem a participação do governo", disse na sua denúncia
o procurador-geral da República. De quebra, esse processo marca uma
divergência entre ministros do STF sobre a influência de algumas
correntes jurídicas nas decisões do tribunal.
Dentro do plenário, durante a sessão de quarta-feira, os ministros
Ricardo Lewandowski e Cármen Lúcia foram flagrados pelas lentes
do fotógrafo Roberto Stuckert Filho, do jornal O Globo, trocando mensagens
eletrônicas. Nelas, além de anteciparem votos futuros, deixaram
transparecer que, nos bastidores do Supremo, tão importantes quanto
os 40 mensaleiros eram dois homens que nem estavam implicados no processo,
nem votariam no julgamento: o ministro recém-aposentado Sepúlveda
Pertence e seu possível substituto na corte, Carlos Alberto Direito.
Pelas mensagens trocadas entre Lewandowski e Cármen Lúcia, a
política interna em torno dessa mudança parece influenciar as
posições de alguns ministros no processo dos 40 (leia quadro à pág.
34).
A cerca de 300 metros do tribunal, o grupo de mensaleiros do PT transformou
o gabinete do deputado João Paulo Cunha (SP) no bunker de onde acompanharam
o julgamento do Supremo.
" NÃO É POSSÍVEL ESQUEMAS DESSE PORTE SEM A PARTICIPAÇÃO
DO GOVERNO"
Antonio Fernando de Souza, procurador-geral da República
No segundo dia, as mensagens de Lewandowski e Cármen Lúcia animaram
os debates. Os deputados reeleitos João Paulo, José Genoino,
Paulo Rocha e José Mentor discutiam com seus advogados a possibilidade
de tentar anular o julgamento a partir do que foi dito eletronicamente pelos
ministros. Em tese, poderiam considerar que eles combinavam votos e assim teriam
violado o princípio da incomunicabilidade na sessão. O debate
acalorado, porém, não chegou a uma conclusão sobre o caminho
a seguir. "Se o julgamento for técnico, não vai haver ação",
comentou João Paulo. "As acusações serão rejeitadas",
disse. No dia seguinte, o ex-presidente da Câmara passou a ser réu
e responderá por "peculato" e "corrupção
ativa".


Foi a senha para que os principais envolvidos no caso começassem a perder
a ilusão de que poderiam se livrar de sentar no banco dos réus.
Afinal, o episódio de João Paulo era um dos pontos menos graves
da denúncia. Se seu caso foi aceito, era a sinalização
de que o Supremo estava pronto a referendar definitivamente a existência
do mensalão e transformar os acusados em réus. à distância.
No primeiro dia de julgamento, a mil quilômetros de distância,
Roberto Jefferson e José Dirceu, os dois pólos opostos que deflagraram
a crise do mensalão, acompanharam a denúncia pela tevê e
divulgaram suas impressões nos blogs que possuem na internet. "Vou
provar minha inocência", escreveu José Dirceu na quarta 22.
No segundo e terceiro dia de julgamento, o ex-ministro colocou no ar o vídeo
em que seu advogado faz a defesa e postou ataques à imprensa.
O reconhecimento do mensalão pelo Supremo obrigou o governo a colocar
em ação o seu plano de isolamento da crise. O presidente Luiz
Inácio Lula da Silva estava em Curitiba (PR) e não ficou surpreso
quando soube dos primeiros resultados do julgamento. Todas as informações
que lhe chegavam desde a segunda-feira indicavam que o STF aceitaria a denúncia
do mensalão. Sua maior preocupação era criar uma proteção
contra eventuais respingos dessa crise. Para tanto, ele próprio nada
comentaria. É por isso que, diante dos momentos iniciais do julgamento
que envolve alguns dos seus melhores amigos, parceiros políticos desde
a fundação do PT em 1980, Lula se manteve em absoluto silêncio. "Lula
diz que seu governo não está sendo julgado neste momento",
postou Roberto Jefferson em seu blog. "Mas todo mundo sabe que está."
PRESCRIÇÃO, O OUTRO NOME DA IMPUNIDADE
O que se convencionou chamar de maior julgamento de todos os tempos na Suprema
Corte brasileira é apenas o começo de um processo que vai levar
anos a fio - e que pode acabar no limbo da impunidade. A se confirmar a tendência
do STF de decidir pela abertura de ação penal contra José Dirceu,
Delúbio Soares, Marcos Valério e os outros 37 denunciados, começa
uma nova e cansativa batalha, na qual o Ministério Público, no
papel de acusador, terá de enfrentar as artimanhas da defesa para
evitar que recursos protelatórios levem os crimes para a prescrição.
Dependendo da capacidade dos advogados, o processo pode levar mais de dez anos.
E é aí que a protelação pode levar à impunidade.
Parte dos crimes previstos, como formação de quadrilha e falsidade
ideológica, prescreve em oito anos. Em 12 anos, prescrevem
os crimes de corrupção ativa e passiva e evasão de divisas. Os
que demoram mais - peculato, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro -
prescrevem em 16 anos.
Na Esplanada dos Ministérios, vendese a idéia de que o mensalão
deve ser encarado como uma onda que já passou, foi absorvida na campanha
eleitoral e perdoada pelas urnas da reeleição. Mesmo que o maior
estrago tenha sido contornado, os muitos recursos que cabem a partir de agora
certamente farão com que o processo não seja resolvido antes
das eleições de 2010. Ou seja: conclusões sobre a responsabilidade
do governo, a inocência ou não de funcionários do primeiro
escalão como José Dirceu, o uso indevido de dinheiro público,
sobre nada disso deverá haver resposta quando chegar a hora dos debates
da sucessão de Lula.
No governo, há, porém, quem enxergue na lentidão da Justiça
um alento. O julgamento que terminará esta semana é importante,
mas não é conclusivo, lembra um ministro de Lula. Seu argumento é de
que os ministros do Supremo ainda não decidiram se os 40 acusados são
inocentes ou culpados. E lembra que o STF também aceitou a denúncia
feita pelo então procurador-geral da República Aristides Junqueira
contra o presidente Fernando Collor e, ao final, acabou inocentando- o. De
fato, por enquanto, não há nenhuma garantia de que o STF vá reverter
a sua tendência histórica de inocentar políticos e autoridades
da República. Mas a constatação de que o PT esteja usando
o caso Collor como referência para seus próprios integrantes não
deixa de ser um triste fim para a moral da História.

Lealdades? Os grupos que compõem o STF nem sempre votam unidos
Com exceção de alguns raros casos, como a decisão que
obrigou o ex-prefeito Paulo Maluf a devolver o dinheiro dos Fuscas que deu
de presente aos jogadores da Seleção Brasileira campeã da
Copa de 70, as altas cortes não punem e muito menos mandam para a cadeia
autoridades do calibre das que montaram o mensalão. O desafio de pôr
fim a essa maré histórica de impunidade apenas se inicia. Advogados
se mexerão, encontrarão brechas, buscarão recursos, testemunhas
serão ouvidas, no ritmo particular e arrastado da Justiça, e
muitos dos crimes poderão ser prescritos antes do julgamento final,
o que é um dos principais artifícios da impunidade no País
(leia quadro à pag. 32).
No caso das divergências internas
do Supremo, os próximos dias permitirão vislumbrar com
mais clareza o que muitos políticos dizem ser um jogo entre
três grupos informais. O primeiro é ocupado por aqueles
que se alinham com o ex-presidente do STF e atual ministro da Defesa,
Nelson Jobim. Ali estariam a atual presidente da corte, Ellen Gracie
Northfleet, e os ministros Gilmar Mendes, Eros Grau e Cesar Peluso.
Em contraponto a eles tem-se o chamado "grupo dos novos",
formado por aqueles recentemente indicados pelo presidente Luiz Inácio
Lula da Silva: Lewandowski, Cármen Lúcia, Joaquim Barbosa
e Carlos Aires Britto. Os dois ministros mais antigos orbitam
de forma independente, afastados dos dois grupos, Celso de Mello e
Marco Aurélio Mello. Por coincidência ou não, no
primeiro ponto do julgamento do mensalão - a decisão
sobre questões preliminares levantadas pelos advogados - os
grupos se dividiram. Os "novos" seguiram Barbosa e rejeitaram
todas, os antigos e parte do grupo de Jobim fizeram algumas restrições
sobre a validade de algumas provas, mas não formaram maioria
sobre a questão.
José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares ficam livres
da acusação de peculato
A questão maior, contudo, é o preenchimento de uma vaga aberta
com a aposentadoria de Sepúlveda Pertence, uma semana antes do julgamento.
A conversa eletrônica flagrada entre Lewandowski e Cármen Lúcia
menciona "troca" no processo de substituição de Pertence.
Políticos e membros do Judiciário fizeram correr a interpretação
de que "a troca" envolveria o próprio julgamento do mensalão,
a partir dos votos dos ministros que têm mais afinidade com Jobim. A única
certeza é que a "troca" era mesmo relacionada à tentativa
de que o sucessor de Pertence fosse o ministro do Superior Tribunal de Justiça,
Carlos Alberto Direito, nome preferido de Jobim e do PMDB.
Substituir Pertence por Direito seria uma operação complexa,
que exigiria rapidez. E que precisaria contar com a ajuda do próprio
Pertence para dar certo. Por lei, os ministros do Supremo são
obrigados a se aposentar quando completam 70 anos. No caso de Pertence,
isso só aconteceria em novembro. Esse era o seu prazo no STF. Ocorre
que há também uma idade-limite para que alguém possa ingressar
na corte: 65 anos. Carlos Alberto Direito deixará de ter 64 anos no
próximo dia 8 de setembro. Assim, se não vier a ser nomeado e
aprovado em sabatina pelo Senado antes disso, ele não poderá virar
ministro do Supremo. Ou seja: toda a operação teria que acontecer
em menos de dez dias. Essa conjuntura é que teria originado a "troca".
Desde o início do ano, Pertence tem sido pressionado a adiantar o seu
pedido de aposentadoria, única forma de permitir a posse de Direito.
E resiste a isso por conta da correlação de forças internas
no STF. Se Jobim emplacar a nomeação de Direito, este será o
quinto ministro na corte alinhado a ele. Ainda que os ministros todos votem
a partir das suas próprias convicções e nem sempre concordem
inteiramente com as mesmas teses, o fato de cinco ministros compartilharem
uma certa corrente de pensamento jurídico acabaria por garantir a esse
grupo muita capacidade de influência numa corte de 11 membros e na qual
as decisões são tomadas por maioria dos votos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estimulou Pertence a adiar a
sua aposentadoria. Lula pediu ao ex-ministro que ficasse mais tempo. Embora
Jobim seja seu aliado e ministro, o presidente teme essa capacidade de influência:
não quer que a interlocução com o STF tenha que passar
inteiramente por Jobim. Quanto mais se aproximava o aniversário
de Direito, mais aumentava a pressão sobre Pertence. Até amigos
do ex-ministro, como a corretora de imóveis Vera Brant, foram pressionados
para convencê-lo a apressar a sua aposentadoria. Tenso, Pertence começou
a fumar muito, a sentir taquicardia e reclamava de um mal-estar com alguma
freqüência. "Parece que fizeram vodu contra mim", chegou
a comentar com um amigo. Uma semana antes do julgamento do mensalão,
acabou cedendo. Enquanto isso, a "turma dos novos" atuava também
nos bastidores para tentar neutralizar a possibilidade de aumento maior do
poder do grupo tido como ligado a Jobim. Tentavam evitar uma operação
casada, na qual a saída de Pertence acontecesse ao mesmo tempo que a
entrada de Direito. Sem que a operação se concretize, outros
ministros do mesmo STJ, como Luiz Fux e Cesar Asfor Rocha, estão prontos
para entrar no páreo.
Colaborou Hugo Studart
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
24/08/2007
Periculosidade: adicional pode ser proporcional
ao tempo de exposição
O valor do adicional de periculosidade
pode ser definido proporcionalmente em relação ao tempo
em que o trabalhador fica exposto à situação de
risco, desde que isso esteja definido em acordo coletivo. Decisão
neste sentido foi adotada pela Quarta Turma e ratificada pela Seção
Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior
do Trabalho.
A matéria foi apreciada,
inicialmente, pela Quarta Turma, que deu provimento a um recurso em que
a Companhia Vale do Rio Doce buscou – e obteve – a mudança
de cálculo do adicional de periculosidade concedida a um ex-funcionário,
que trabalhou como eletricitário durante 22 anos. A 2ª Vara
do Trabalho de Vitória (ES) negou todos os pedidos do ex-empregado,
que recorreu ao Tribunal Regional da 17ª Região (ES). Entre
os itens revistos pelo TRT, o trabalhador obteve o reconhecimento do
adicional com base no cálculo de 30% sobre sua remuneração,
com reflexos nas férias, 13º e FGTS.
A partir daí, as duas
partes travaram intensa batalha judicial, mediante recursos, e a matéria
chegou ao TST. De um lado, o empregado insistiu na manutenção
do adicional de 30% sobre a remuneração e, de outro, a
empresa defendeu o percentual de 12% sobre o salário, com base
em norma coletiva que autorizou o cálculo proporcional ao tempo
em que o empregado ficava submetido à situação de
risco.
Ao apreciar o recurso de revista,
a Quarta Turma mandou restabelecer a sentença de primeiro grau,
validando o pagamento do adicional de periculosidade de forma proporcional
ao tempo de exposição ao risco, conforme previsto na norma
coletiva. Inconformado, o trabalhador recorreu à SDI-1. A relatora
da matéria, ministra Cristina Peduzzi, entendeu que a decisão
não poderia ser reformada, pois foi adotada nos termos da jurisprudência
do TST, expressa na Súmula 364, que estabelece: “A fixação
do adicional de periculosidade, em percentual inferior ao legal e proporcional
ao tempo de exposição ao risco, deve ser respeitada, desde
que pactuada em acordos ou convenções coletivos”.
A ministra ressalta, em seu voto,
que. No caso, como foi firmado entendimento quanto à proporcionalidade
do adicional de periculosidade, deve ser observado o instrumento normativo,
em conformidade com a Constituição Federal, “que
assegura reconhecimento às convenções e acordos
de trabalho”. (E-ED-RR-738752/2001.8)

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