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REVISTA ISTO É/ Brasil Confidencial,
03 de setembro de 2007
Inspiração
Em pelo menos uma coisa o venezuelano
Hugo Cháves vem inspirando Lula: o brasileiro tem elogiado um
artigo que Cháves impôs na reforma constitucional em curso
no páis vizinho: o limite de 36 horas de trabalho semanais. Lula
pensa também em deixar esse legado.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 03 de setembro de 2007 | Economia
Indústria no País vende
mais em julho, emprego avança
Vendas reais sobem 6,5% ante o mesmo mês
do ano passado; emprego cresce 3,7%
Fabio Graner, da Agência Estado
BRASÍLIA - As vendas reais da indústria do País subiram
em julho 6,5% na comparação com igual mês do ano passado,
de acordo com indicadores industriais divulgados nesta segunda-feira, 3, pela
Confederação Nacional da Indústria (CNI). Na comparação
com junho de 2007, pelo critério dessazonalizado, as vendas subiram
1,2%.
No acumulado dos sete primeiros
meses do ano, as vendas da indústria subiram 3,3% em comparação
com igual período de 2006. "Os indicadores industriais
referentes a julho apontam para a continuidade da trajetória
de expansão da atividade industrial. Todas as variáveis
pesquisadas registraram variação positiva nas diversas
bases de comparação", diz o documento da CNI.
O emprego industrial subiu 3,7% em julho na comparação com igual
mês do ano passado e apenas 0,3% na comparação com junho
de 2007, considerando o ajuste sazonal. No ano, o nível de emprego subiu
3,5% na comparação com os sete primeiros meses de 2006.
Os dados mostram também que as horas trabalhadas na produção
subiram 4,7% na comparação de julho contra julho de 2006 e 0,8%
ante junho deste ano, pelo critério dessazonalizado. No acumulado do
ano, a alta foi de 3,8%.
As remunerações pagas pela indústria avançaram
5,6% em julho ante julho de 2006, e 2,6% na comparação com junho
de 2007. Esse último indicador não tem comparação
dessazonalizada. No acumulado do ano, as remunerações pagas subiram
4,9% ante o período de janeiro a julho de 2006.
Capacidade instalada
O índice de Utilização da Capacidade Instalada da Indústria
(UCI) subiu em julho para 82,5% ante 82,4% em junho deste ano, e 80,5% em julho
do ano passado, pelo critério sem ajuste sazonal. O índice dessazonalizado,
por sua vez, teve uma variação maior, atingindo 82,6% em julho,
ante 82,2% no mês anterior e 80,7% em julho de 2006.
" O movimento setorial da UCI se deu de forma dividida: enquanto oito setores
aumentaram a utilização da capacidade de junho para julho, outros
dez a reduziram. As maiores expansões ocorreram nos setores de calçados
e couro, edição e impressão e veículos automotores,
enquanto que os setores que mais recuaram a UCI foram máquinas, aparelhos
e materiais elétricos, madeira e material eletrônico e de comunicação",
afirma o documento da CNI.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 03 de setembro de 2007 | Economia
País registra recorde de exportação
e importação em agosto
Saldo comercial brasileiro, porém, apresenta
queda de 22% no mês e de 7,51% no acumulado do ano
Agência Estado e Reuters
BRASÍLIA - A balança comercial brasileira registrou recorde de
exportações e importações no mês de agosto.
Com superávit comercial de US$ 3,535 bilhões, o País exportou
US$ 15,101 bilhões no mês, o mais alto valor mensal da série
histórica. Na mesma linha, as importações somaram US$
11,566 bilhões.
Segundo os dados divulgados nesta segunda-feira, 3, pelo Ministério
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o superávit
de agosto é 22,37% menor que o registrado no mesmo mês de 2006,
de US$ 4,554 bilhões. Ainda assim, o resultado superou as expectativas
dos analistas para o mês.
Ano
O superávit comercial do País já registra diminuição
de 7,51% no acumulado do ano, causada pelo grande crescimento das importações
brasileiras até o mês de agosto.
Até o dia 31 deste mês, a balança comercial acumulava saldo
positivo de US$ 27,513 bilhões no ano, em comparação com
US$ US$ 29,747 bilhões no mesmo período de 2006. Analistas consultados
pelo Banco Central esperam um superávit comercial no ano de US$ 42,7
bilhões.
A alta das importações supera em muito o crescimento nas exportações
do Brasil. Enquanto neste ano, as compras internas já registram aumento
de 27,8%, as vendas externas cresceram apenas 15,9%.
Como o saldo comercial é resultado do que o País exporta menos
o que ele importa, a balança tem registrado constante diminuição
em seu superávit.
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ÂMBITO JURÍDICO,
03 de setembro de 2007
Construtoras podem ser compensadas
por desgaste com moradia em casos de rescisão de contrato
Em casos de rescisão de contrato de compra e venda de imóveis,
as construtoras podem pedir um resgate a mais pela depreciação
com o uso e a ocupação das unidades de apartamento. O Superior
Tribunal de Justiça (STJ) definiu a questão num processo em que
a construtora Sispar Empreendimento S/A e Hausco Engenharia e Construção
Ltda solicitaram um resgate a mais pelo tempo em que dois de seus apartamentos
ficaram ocupados sem o devido pagamento das parcelas firmadas em contrato.
No caso específico, a
questão foi definida pela Quarta Turma num processo em que um
casal de São Paulo ingressou em juízo pedindo a rescisão
contratual por conta das elevadas parcelas dos imóveis, reajustados
então por índices do Sindicato da Construção
Civil e Grandes Estruturas do estado (Sinduscon). Consta do processo
que o casal comprou dois apartamentos do mesmo grupo empreendedor – situados
na Vila São Sebastião – em 1994, sendo um deles alugado,
e sofreu sérias dificuldades para pagar as prestações
.
Na primeira instância,
o juízo permitiu a devolução de 10% dos valores
pagos em razão do sinal e 50% em razão dos valores já pagos,
conforme estava definido no contrato de compra e venda. A segunda instância,
no entanto, permitiu a restituição de 90% das quantias
já pagas pelos compradores (?). As construtoras, então,
ingressaram no STJ contra essa decisão, pedindo uma compensação
maior pela rescisão do contrato. Um dos argumentos era que os
imóveis ficaram ocupados por um prazo de três anos, período
em que o casal lucrou por não pagar aluguel e com a renda do outro
imóvel.
Segundo o entendimento da Turma,
a questão nesse processo não se refere apenas à desistência
de imóvel comprado na planta, mas da desistência de apartamentos
já construídos e ocupados por terceiros durante considerável
período de tempo. Segundo o relator, ministro Aldir Passarinho
Junior, houve uma clara depreciação do imóvel em
razão da ocupação tanto de terceiros quanto do casal.
O STJ aplicou ao caso o percentual de retenção em 25%,
como estabelece a jurisprudência da Casa, com a possibilidade de
as construtoras virem a ser ressarcidas a mais pelo desgaste dos imóveis.
O valor calculado entre a posse
do apartamento pelo casal e a entrega será liquidado em sentença.
Catarina França
Processo REsp 474388
Fonte: STJ
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ÂMBITO JURÍDICO,
03 de setembro de 2007
Reclamação trabalhista
pode ser proposta no local da prestação de serviços
ou no da contratação
De acordo com o artigo 651 da CLT, a competência das Varas do Trabalho,
em razão do lugar, é determinada pela localidade onde o empregado
prestar serviços ao empregador. A única exceção
está prevista no § 3º, que concede ao empregado a opção
de ajuizar a ação no local da celebração do contrato,
se o empregador promover a realização de atividades fora do lugar
do contrato de trabalho. Com base nessa norma, a 5ª Turma do TRT-MG negou
provimento a recurso ordinário de um reclamante, inconformado com decisão
de 1º grau que declinou da competência da Justiça do Trabalho
de Uberlândia em favor de alguma das Varas do Trabalho de Anápolis,
em Goiás, local da contratação. O reclamante alegou que
a contratação se deu na cidade de Uberlândia, local de
sua moradia, através de um preposto da empresa, e que o processamento
do feito em Goiás implicaria em negar a ele acesso ao Judiciário
uma vez que não possui condições financeiras de arcar
com viagens para outro Estado.
A regra da CLT visa justamente
proporcionar a prestação jurisdicional ao trabalhador que
prestou serviços em outra localidade, diversa de sua cidade e
da contratação, mas desde que fique comprovado o local
da realização do contrato. A reclamada afirmou que o empregado
foi contratado na cidade de Anápolis–GO, onde a empresa
mantém sua sede, e que seu preposto não teria poderes para
contratar empregados, sendo que ele apenas apresentava candidatos para
seleção. A empresa também alegou não ter
unidade ou obras em Uberlândia. Por outro lado, o reclamante não
conseguiu produziu provas de suas alegações e em seu próprio
depoimento confessa ter prestado serviços apenas em Goiás,
Brasília e São Paulo.
Como esclareceu o relator do
recurso, juiz convocado Rodrigo Ribeiro Bueno, apenas as negociações
preliminares se deram em Uberlândia, mas a celebração
do contrato ocorreu mesmo em Goiás. “Afinal, o preposto
não é pessoa autorizada pelos estatutos da reclamada para
contratar empregados, o que somente poderia acontecer nos locais em que
a empresa mantém obras ou a sua sede, o que não acontecia
na cidade de Uberlândia-MG” – concluiu.
Por este fundamento, a Turma
manteve a decisão de 1º Grau que afastou a competência
territorial da Vara Trabalhista de Uberlândia para julgamento da
ação interposta pelo reclamante.
( RO nº 00225-2007-044-03-00-9
)
Fonte: TRT3
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO (ON LINE), 03 de setembro de 2007 | Equilíbrio
Consumo de cigarros entre jovens é alto
e começa cedo, aponta pesquisa
TARSO ARAUJO
Colaboração para a Folha de
S.Paulo
"Conheço os males
do cigarro. Mas, hoje em dia, o que não faz algum mal para a saúde?
Não é possível que eu tenha que me privar de tudo
para poder chegar aos 80 anos. Prefiro morrer com 50 e ter aproveitado
muito bem a vida", diz a estudante carioca Thais Vieira Griffo,
17. Ela fuma regularmente desde os 15 e colocou o primeiro cigarro na
boca aos 12. E não está sozinha.
O depoimento dela reflete a maneira
de pensar de muitos jovens que vão contra a corrente da geração
saúde e que entraram na cortina de fumaça antes de completar
a maioridade.
É o que comprova um dos
estudos mais amplos já feitos no Brasil, cujos dados começam
a ser divulgados nesta quarta. Realizada pela equipe da Unidade de Pesquisa
em Álcool e Drogas da Universidade Federal de SP, a pesquisa mostra
que 20,8% da população brasileira é dependente de
tabaco, e a experiência com o cigarro começa aos 13,5 anos.
Entre os jovens que hoje têm
14 a 17 anos, o percentual de dependência é de 6%. E, nesse
grupo, as meninas estão experimentando tanto ou mais que os meninos. "É preocupante
porque dois terços deles seguirão fumantes pelo resto da
vida e terão doenças decorrentes do cigarro. E as mulheres
são mais sensíveis aos problemas causados pelo cigarro",
diz a psiquiatra Ana Cecília Marques, uma das autoras do estudo.
Dependência não é opção
A maioria dos jovens começa
com amigos, por curiosidade, e não pára mais. "Estava
na escola, saí para almoçar com umas amigas que fumavam
e resolvi experimentar. Aí comecei a fumar quando ia na casa delas
ou quando íamos a alguma festa", diz a estudante paulista
Carol, que tem 13 anos, fuma ocasionalmente desde o ano passado e preferiu
não publicar seu nome verdadeiro para não arrumar briga
em casa.
"Só tenho medo de
ficar viciada", diz Carol. Para a psiquiatra Sandra Scivoletto,
chefe do Ambulatório de Adolescentes e Drogas da Faculdade de
Medicina da USP, a preocupação dela faz sentido: "Quanto
mais cedo se começa a fumar, mais fácil é criar
dependência, e mais difícil largar o hábito",
diz. E muitos nem percebem que já entraram nesse estágio.
"Eu não pretendo
me viciar. Quando reparar que a coisa está se encaminhando para
esse lado, eu paro", diz o estudante Fernando, 17, de Porto Alegre.
O detalhe é que ele consome de 3 a 5 cigarros por dia, o suficiente
para caracterizar um quadro de dependência.
"Os adolescentes costumam
ter a fantasia de que dependência é uma opção.
Mas são raras as pessoas que conseguem usar cigarro socialmente,
até a vida adulta, e não desenvolver dependência",
afirma Scivoletto. Mas se parar de fumar é difícil, começar é outra
história.
Cigarro barato
Uma das coisas que ajuda bastante é o
acesso que os jovens têm ao cigarro. "Eu fumo desde os 14
e nunca me pediram identidade. Não tem essa de que vender cigarro é proibido
para menor", diz a estudante paulista Bárbara Barbosa Farias,
18, enquanto fuma um cigarro em frente ao cursinho. Não é só ela
que acha fácil.
Mais de 75% dos jovens não
precisam mostrar identidade para comprar cigarro, segundo o Vigescola,
estudo sobre tabagismo feito periodicamente pelo Ministério da
Saúde em escolas de capitais brasileiras.
"Não acho caro. É mais
barato que uma garrafa de cerveja, por exemplo", diz Karla Shinoda,
18, que faz cursinho e ainda depende da grana dos pais.
Em 2003, a OMS fez um levantamento
sobre o preço do cigarro e chegou a uma conclusão parecida
com a de Karla: o Brasil tem o sexto cigarro mais barato do mundo. Um
maço que custa R$ 2,80 aqui é oito vezes mais caro na Inglaterra.
Além da boa política
de preços, a indústria também tenta atrair os adolescentes
com pessoas jovens e bonitas nas propagandas dos pontos de venda --único
lugar onde podem anunciar no Brasil, desde 2001.
Mas muitos jovens não
precisam sair de casa para receber alguma influência a favor do
cigarro --cerca de 40% deles têm pelo menos um pai fumante, segundo
o Vigescola.
"Minha mãe fumava
e meu pai ainda fuma. Eles sempre falaram que cigarro faz mal. Mas acabei
fumando também", diz Thais. A mãe dela, a professora
Renata Vieira, 37, reconhece a responsabilidade.
"A gente sabe que
nossas atitudes valem mais para os filhos do que o que falamos. Mas
nossa influência pode incentivar o mesmo comportamento ou o contrário,
porque ela também viu todo meu sofrimento para parar",
diz a mãe, que largou 20 anos de vício em 2006.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO (ON LINE), 03 de setembro de 2007 | Equilíbrio
Confira o que o cigarro pode fazer
com seu corpo
Cérebro
A nicotina inalada no cigarro atinge o cérebro em 8 segundos, onde tem
um potencial comparável ao da heroína para viciar. De 30% a 50%
das pessoas que fumam desenvolvem algum tipo de dependência e 70% a 90%
dos fumantes regulares sào viciados. Apenas 6% dos que tentam parar
conseguem ficar mais de um mês sem fumar.
Pele
O cigarro diminui o calibre das veias, o que diminui a irrigação
sangüínea da pele e diminui a chegada de oxigênio e nutrientes
para as células. O resultado é um envelhecimento precoce da pele,
com rugas em média 20 anos mais cedo que não fumantes.
Olho
Estudos mostram que fumar aumenta em até 3 vezes o risco de catarata,
doença nos olhos que diminui progressivamente a visão e é a
principal causa de cegueira no mundo.
Pele
Entre as mulheres, o cigarro aumenta em mais de 3 vezes o risco de desenvolver
psoríase, doença sem cura que causa feridas na pele. Entre
os homens, ela não chega a causar a doença, mas agrava os sintomas
naqueles que já sofrem com ela.
Boca
Além de dar mau hálito e dentes amarelados, fumar aumenta de
4 a 15 vezes a chance de ter câncer de boca, dependendo do quanto se
fuma. E mais de 60% das pessoas que diagnosticam esse câncer não
tem chance de curá-lo.
Garganta
Pigarro não é a única coisa que o cigarro traz para a
garganta. Ele também é o principal fator de risco para o câncer
de garganta, que só no Brasil registra 6 600 novos casos e é causa
de 3 500 mortes por ano.
Pulmão
Quem fuma muito tem 20 a 30 vezes mais chances de ter câncer de pulmão.
Ele é o câncer que mais mata homens no Brasil, e, desde 2002,
o segundo que mais mata mulheres. De 80% a 90% dos casos da doença matam
em menos de 5 anos. Além disso, o fumante diminui sua capacidade respiratória
e tem maiores chances de ter qualquer doença respiratória, como
bronquite e enfisema.
Estômago
A nicotina aumenta a acidez do estômago e, conseqüentemente, as
chances de gastrite e úlcera. As úlceras demoram mais para cicatrizar
e voltam com mais facilidade nos fumantes. Ah, e o tabaco também é fator
de risco para o câncer de estômago, que atingiu cerca de 26 mil
pessoas no Brasil em 2006.
Coração
O fumo aumenta a pressão arterial, diminui a capacidade respiratória
e aumenta a coagulação sanguínea. Resultado: chances 2
a 3 vezes maiores de morrer por doenças cardiovasculares, como derrame
e enfarto. Estudos mostram que o risco de enfarto é ainda maior entre
mulheres, especialmente para as que usam anticoncepcionais orais.
Ossos
A osteoporose é um processo de perda de minerais e enfraquecimento dos
ossos, que os deixa muito mais fáceis de quebrar. O cigarro é um
dos fatores que mais acelera esse processo, mais comum entre as mulheres. Estima-se
que uma em cada oito fraturas da cintura são causadas pelo fumo.
Sistema reprodutor
O fumo causa problemas vasculares que aumentam a chance de impotência
nos homens. Entre as mulheres fumantes, ele aumenta as chances de menopausa
precoce, infertilidade e problemas com a menstruação.
Fumo passivo
A fumaça que deixa seu cabelo fedorento na balada é bem mais
perigosa do que parece. Ela contém uma concentração maior
de substâncias cancerígenas que a inalada pelos fumantes. O risco
de câncer de pulmão é 30% maior entre não-fumantes
expostos ao cigarro do que entre os que não têm contato com a
fumaça.
Tem o lado bom
A nicotina é uma droga estimulante que estimula a produção
de substâncias no cérebro ligadas ao prazer. Por isso, ela diminui
o estresse e a ansiedade, e, nos dependentes, essa sensação é especialmente
maior por causa do desconforto causado pela abstinência.
Várias pesquisas mostram
que fumantes têm menos chances de ter Mal de Alzheimer e Mal de
Parkinson. Elas tentam entender como esse processo funciona em busca
de novas terapias para as doenças.
Também existem estudos
mostrando que algumas pessoas têm uma capacidade maior de memória
e concentração quando estão sob efeito da droga.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 03 de setembro de 2007 | Internacional
EUA: Hillary recebe primeiro apoio
sindical para eleições de 2008
REUTERS
WASHINGTON - A pré-candidata democrata à Casa Branca Hillary
Clinton recebeu na terça-feira o primeiro apoio sindical nacional para
a eleição de 2008 nos EUA: o dos 125 mil filiados do Sindicato
Unido dos Transportes (UTU, na sigla em inglês).
A agremiação representa
trabalhadores ativos e aposentados de ferrovias, empresas de ônibus
e transportes urbanos. O sindicato prometeu dedicar "recursos consideráveis" à campanha
da senadora em 2008.
"O UTU tem um longo histórico
de escolher vencedores antecipadamente. Hillary será uma presidente
com a qual as famílias trabalhadoras da América podem contar",
disse o presidente do sindicato, Paul Thompson.
Muitos sindicatos devem colocar
sua organização de base e suas finanças a serviço
de algum candidato nos próximos meses. Uma exceção
importante será a central AFL-CIO, que reúne 55 sindicatos
e neste mês liberou seus membros para apoiarem quem quiserem, já que
seu conselho executivo não atingiu o consenso mínimo necessário
para formalizar um apoio da entidade.
Outro pré-candidato democrata,
o senador por Connecticcut Chris Dodd, deve obter na quarta-feira o apoio
do sindicato dos bombeiros, que desempenhou papel importante na campanha
do candidato democrata derrotado em 2004, John Kerry.
A cinco meses do início
do processo de escolha interna dos democratas, Hillary tem enorme vantagem
nas pesquisas. Mas seus dois principais adversários, Barack Obama
e John Edwards, também buscam uma maior penetração
no meio sindical.
Fontes disseram que o UTU se
inclinou por Hillary devido ao apoio dela a causas trabalhistas e sindicalistas
e ao seu desempenho em um debate promovido neste mês pela AFL-CIO.
Hillary se disse honrada com
esse apoio. "Os trabalhadores da América têm sido invisíveis
para este governo, e é hora de eles terem uma defensora na Casa
Branca", afirmou ela em nota.
(Por John Whitesides)
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Folha
de São Paulo, 3 de setembro de 2007
PT contraria Lula e quer ser cabeça
de chapa em 2010
Ao encerrar 3º Congresso, partido decide
que apresentará nome para "liderar" coalizão
| Lula e governo temem que a antecipação da sucessão
afete relação com aliados; para Berzoini, decisão
do PT prejudica busca de alianças
FÁBIO ZANINI, EM SÃO
PAULO
JOSÉ ALBERTO BOMBIG, DA REPORTAGEM LOCAL
No encerramento de seu 3º Congresso,
o PT aprovou ontem, três anos e um mês antes da próxima
eleição presidencial, uma diretriz que diz com todas
as letras que o partido terá candidato à Presidência
da República em 2010. Foi uma derrota para o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva e o grupo mais afinado com o Planalto,
que não querem a antecipação do debate sucessório
e temem a repercussão desta resolução nos partidos
aliados.
O texto, um consenso entre
todas as tendências, faz as devidas referências a conversar
sobre a eleição com os aliados, mas é claro sobre
quem deveria ocupar a cabeça de chapa. "O PT deve [...]
apresentar uma candidatura petista à sucessão de Lula
capaz de liderar, juntamente com outros partidos, uma ampla aliança
partidária e social e vencer as eleições de 2010",
diz a diretriz.
Aprovado o texto pelo plenário,
os mais afinados com Lula acharam que o tom precisava ser um pouco
amenizado, e fizeram acrescentar mais um parágrafo, que reforça
que o a candidatura será "construída" com outros
partidos aliados.
"Infantilidade política"
O resultado final contrariou
o presidente do partido, Ricardo Berzoini, que, em jogo afinado com
o governo, disse à Folha há menos de duas semanas que
considerava uma "infantilidade política" tratar agora
da eleição de 2010.
Ontem, em entrevista, Berzoini
demonstrou seu desconforto. "Se nós partirmos do pressuposto
de que o candidato necessariamente tem que ser do PT, vamos dar uma
mensagem que não é boa para quem quer construir alianças."
O presidente petista acabou
atropelado pela pressão do partido, inclusive dentro de sua
própria tendência interna, por começar agora a
construir um nome, temendo um enfraquecimento muito grande quando vier
a primeira eleição presidencial sem Lula desde 1989.
O próprio discurso de
Lula de anteontem, em que ele prometeu "lutar" para fazer
o sucessor, embora sem dizer claramente que seria do PT, acabou dando
gás aos que defendiam a antecipação do debate.
O descontentamento ontem era
evidente entre os mais afinados com o governo. "Essa discussão
está sendo colocada um pouco cedo demais. Não é bom
isso para o Brasil. As últimas eleições estão
quentes ainda. É hora de trabalhar", disse o ministro Patrus
Ananias (Desenvolvimento Social), ele próprio cotado para ser
o candidato petista em 2010.
Já o governador de Sergipe,
Marcelo Déda, muito próximo a Lula, afirmou que qualquer
antecipação do debate sucessório é ruim
para quem está no governo. "Isso não precisaria
ter sido explicitado em uma decisão do congresso, muito embora
o mérito esteja correto", afirmou Déda.
Satisfação
As tendências que fazem
oposição interna ao grupo majoritário não
seguravam a satisfação. "A nota para mim deixa bastante
claro que a candidatura será do PT. E que não será uma
candidatura para marcar posição, mas para ganhar a eleição",
disse o secretário de Relações Internacionais,
Valter Pomar, da ala Articulação de Esquerda.
O ex-ministro José Dirceu
(Casa Civil), outro defensor da candidatura própria petista,
ressaltou a necessidade de entendimento com os partidos aliados, mas
não se conteve e chegou a elencar possíveis nomes do
partido.
"O PT tem nomes
importantes, como a ministra Dilma [Rousseff, Casa Civil], o ministro
Tarso Genro [Justiça], o senador [Eduardo] Suplicy, o senador
[Aloizio] Mercadante, a ministra Marta Suplicy [Turismo] e os governadores
Jaques Wagner [Bahia] e Marcelo Déda [Sergipe]".
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Folha
de São Paulo, 3 de setembro de 2007
Copom enfrenta maior crise desde 2003
Com maior pressão inflacionária,
mercado espera redução do ritmo de cortes de 0,5 ponto
para 0,25 ponto nos juros | Economistas divergem sobre o quanto a crise
deve pesar na decisão da diretoria do Banco Central em sua reunião
de amanhã e quarta
TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL
O Copom (Comitê de Política
Monetária) do Banco Central se reúne amanhã e
quarta-feira em meio à maior crise financeira global enfrentada
na gestão de Henrique Meirelles, que assumiu em 2003 com inflação
anual em 12,53% e juros em 25%. Para este ano, o mercado projeta inflação
de 3,86%, enquanto os juros básicos (taxa Selic) estão
hoje em 11,5%.
Economistas ouvidos pela Folha
divergem sobre o quanto o BC deveria olhar para a crise na hora de
definir a Selic. A maioria diz que a tensão global só deve
pesar se afetar a inflação. No passado, juros altos foram
usados para conter a saída de recursos em momentos de aversão
ao risco, como o atual.
Além da crise, economistas
reconhecem um aumento da pressão inflacionária desde
a última reunião do Copom, por conta da elevação
no preço dos alimentos, que começa no atacado, mas que
ainda não é repassado ao varejo. O IGP-M de agosto, índice
com 60% de seu peso no atacado, surpreendeu com alta de 0,98%, a maior
desde agosto de 2004.
Por conta da preocupação
com a inflação, já explicitada na ata da última
reunião do Copom, em julho, a maioria dos economistas consultados
espera redução no ritmo do corte dos juros, de 0,5 ponto
para 0,25 ponto, o que levaria a taxa Selic a 11,25%.
Dos consultados, apenas o "heterodoxo" João
Sicsú, professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro)
e futuro diretor de Pesquisa Macroeconômica do Ipea, espera -ou
torce- por um corte de 0,5 ponto percentual na Selic.
Entre os que defendem a manutenção
dos juros em 11,5%, estão Ricardo Amorim, diretor de estratégia
para a América Latina do WestLB, e o economista-chefe da corretora
Gradual, Pedro Paulo Silveira.
"É um momento de
teste para o BC. O Copom vem tendo situações muito favoráveis
ao longo da gestão Meirelles. Ele nunca foi tão testado
como nas últimas semanas", diz Silveira.
O economista-chefe da UpTrend, Jason Vieira, discorda que o BC enfrentará seu
maior teste desde a eleição e posse de Lula. Ele lembra que o
mercado teve uma correção ainda mais significativa, em maio do
ano passado, por conta da inflação nos EUA. "Em maio do
ano passado, a Bolsa perdeu 22,5%. Agora, a correção foi de 17,5%",
disse Vieira.
Mais do que a decisão,
economistas querem saber como o BC lidará com a crise. "A
questão é se eles [os membros do Copom] vão
cortar 0,25 ponto e dar uma sinalização mais conservadora:
falar que, dado esse cenário, possivelmente foram forçados
a parar o corte, pelo menos temporariamente. O relevante é que
os cortes futuros estarão condicionados à evolução
da crise", disse Amorim.
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Folha
de São Paulo, 3 de setembro de 2007
Entrega do IR de isentos começa
hoje
Envio pela internet terá início às
8h; nas lotéricas, serviço estará disponível
a partir da próxima segunda-feira, dia 10
| Entrega é obrigatória para os contribuintes que já possuem
CPF e receberam rendimentos tributáveis de até R$ 14.992,32 em
2006
DA REPORTAGEM LOCAL
Os contribuintes isentos do
Imposto de Renda começam a entregar hoje as declarações
deste ano. O prazo vai até o dia 30 de novembro. Neste ano a
Receita prevê receber 64 milhões de documentos -em 2006
foram 62,354 milhões. Hoje os contribuintes podem entregar as
declarações pela internet, no site www.receita.fazenda.gov.br
(a partir das 8h), nas 7.200 agências dos correios em todo o
país e nas agências do Banco do Brasil (serviço
disponível apenas aos clientes) e do Banco Popular do Brasil
(subsidiária do BB).
A entrega nas casas lotéricas
e nos correspondentes bancários Caixa Aqui (localizados em estabelecimentos
comerciais) começará apenas no dia 10 deste mês.
Nos correios a entrega custa R$ 2,40; nos demais estabelecimentos,
R$ 1. Têm de declarar os contribuintes, residentes no país
ou no exterior, com CPF e que ficaram dispensados de apresentar a Declaração
de Ajuste Anual em março e abril deste ano. Em geral, são
os contribuintes que receberam rendimentos tributáveis de até R$
14.992,32 no ano passado.
Os dependentes indicados na
declaração do titular e aqueles que tiraram o CPF neste
ano estão dispensados de declarar. Para fazer a declaração
o contribuinte precisa do CPF e do título de eleitor (no caso
de ter esse documento).
Suspenso ou cancelado
A pessoa que deixar de fazer
a declaração de isento por um ano tem o CPF colocado
na condição de "pendente de regularização".
Caso deixe de entregar por dois anos consecutivos, a Receita suspende
o CPF.
Com o CPF suspenso, o contribuinte
fica impedido de abrir conta bancária, pedir crediário,
tirar passaporte, participar de concurso público, receber prêmio
de loteria, constituir empresa ou ainda ser parte em transações
nos cartórios. Para regularizá-lo, basta entregar a declaração
de isento.
Segundo a Receita, a
obrigatoriedade de apresentar o CPF em lojas, bancos e outros estabelecimentos
fez os contribuintes com o documento suspenso ou em condição
de pendência correrem para regularizar a situação.
Em cinco meses, 8,956 milhões de pessoas procuraram lotéricas,
agências dos correios e bancos federais para normalizar seus
cadastros.
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Folha de São Paulo,
3 de setembro de 2007
Aposentados do INSS começam
a receber metade do 13º salário
DA REPORTAGEM LOCAL
O INSS (Instituto Nacional do
Seguro Social) começa a pagar hoje a primeira parcela do 13º salário
deste ano a 21,81 milhões de aposentados, pensionistas e beneficiários
da Previdência Social.
Esse pagamento injetará R$
6,3 bilhões a mais na economia até a próxima segunda-feira,
dia 10. Hoje recebe quem tem benefícios com finais 1 e 6; amanhã,
2 e 7; na quarta-feira, 3 e 8; na quinta-feira, 4 e 9; e na próxima
segunda-feira, 5 e 0.
Também hoje começam
a ser pagos os benefícios referentes a agosto. Nesse caso, os
24,96 milhões de segurados beneficiados vão receber R$
13,53 bilhões. No total, o INSS pagará R$ 19,87 bilhões.
O número de segurados
que recebe o 13º salário é menor porque 3,15 milhões
não têm direito ao abono natalino. O abono não é pago
a quem recebe amparo previdenciário do trabalhador rural, renda
mensal vitalícia, amparo assistencial ao idoso e ao deficiente,
auxílio-suplementar por acidente de trabalho, pensão mensal
vitalícia, abono de permanência em serviço, vantagem
do servidor aposentado pela autarquia empregadora e salário-família.
Os segurados devem ficar atentos
porque sobre a primeira parcela do 13º não há desconto
do Imposto de Renda na fonte, mesmo que o valor seja superior a R$ 1.313,69.
O desconto do IR só será feito em dezembro, quando for
paga a segunda parcela. Assim, o desconto do IR (se houver) que o segurado
terá no contracheque deste mês refere-se apenas ao valor
do benefício mensal.
Segundo a Previdência,
o pensionista ou aposentado que começou a receber o benefício
depois de janeiro terá o 13º salário proporcional.
Os segurados que estão em auxílio-doença também
podem receber uma parcela menor que 50%. Como o benefício é temporário,
a antecipação é proporcional ao período
em que o auxílio-doença está sendo pago neste
ano.
O Estado de São Paulo ficará com R$ 1,885 bilhão dos R$
6,3 bilhões do 13º. A seguir vem o Rio, com R$ 758,28 milhões.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 03
de setembro de 2007 | Economia
Custo de Vida
Água, luz, telefone e gasolina
serão vilões da inflação de 2008
Tarifas públicas e preços
administrados devem subir abaixo da média só neste
ano
Arquivo Gazeta do Povo

Fenômenos como o da deflação da energia elétrica
não devem se repetir no ano que vem
São Paulo – O papel de mocinho na “novela inflação”,
desempenhado este ano pelos preços administrados, está com os
dias contados, na avaliação de economistas do mercado financeiro
A possibilidade desses preços, como água, luz, telefone e gasolina,
voltarem a ser os vilões já havia sido aventada por alguns economistas
nos últimos meses, mas tem ganho mais força recentemente.
Na semana passada, o diretor
de Estudos Especiais do Banco Central, Mário Mesquita, falou sobre
o assunto durante a reunião trimestral com analistas, em São
Paulo. Segundo o relato de um desses analistas, Mesquita teria salientado
que “a inflação deste ano foi ‘anormal’ porque
os preços administrados seguiram muito baixos”. Segundo
o dirigente do BC, se não fossem os administrados, a inflação
deste ano estaria muito próxima da meta, de 4,5%.
“Ocorreram fatores excepcionais
este ano que não devem se repetir em 2008”, afirma o economista
da LCA Consultores Raphael Castro. Ele cita como exemplo o reajuste da
tarifa de energia elétrica em algumas capitais, como Curitiba,
e principalmente em São Paulo, cujo impacto é maior sobre
os índices. “É provável até termos
deflação neste setor em 2007”, previu, acrescentando
que projeta uma alta de 2,50% para os administrados este ano, e uma taxa
entre 3,90% a 4,00% para 2008.
Os combustíveis são
outro ponto positivo deste ano, segundo o consultor da LCA. Ainda que
o álcool anidro não seja um produto cujo preço é administrado
pelo governo, ele contribuiu para a redução de preço
total da gasolina. Este fenômeno ainda poderá ser visto
no ano que vem, embora de forma menos intensa.
A combinação de
fatores como estes em 2007, que auxiliam a composição de
uma inflação menor, também é citada pelo
economista da equipe de América Latina do Morgan Stanley, Marcelo
Carvalho. “É correto dizer que essa ajuda não será tão
intensa em 2008”, afirma. Para ele, entre os administrados, os
planos de saúde devem continuar como o item de maior elevação. “Esse
serviço tem peso de 3,3% no total da inflação. Em
2007, deve ser o de maior reajuste, e isso tende a continuar em 2008”,
analisa.
Carvalho lembra, no entanto,
que, em 2008, o transporte público tende a contribuir para uma
inflação menor. “Historicamente, não há reajustes
em anos eleitorais. Se a história servir como guia, não
haverá também em 2008”, frisa, referindo-se às
eleições municipais.
De todo modo, a expectativa é de
uma inflação dos preços administrados maior em 2008.
Uma boa idéia dessa diferença das expectativas está no
relatório de mercado (Focus), divulgado na segunda-feira passada
pelo Banco Central. Para este ano, a mediana das estimativas para a alta
desses preços é de 2,50%; para o próximo, de 3,50%.
As projeções do
Banco Central são ainda mais pessimistas do que as feitas pelos
analistas do mercado. No relatório trimestral sobre inflação,
de junho, o BC informou que projeta alta de 3,2% para os administrados
em 2007. No mesmo documento, o BC estima que esses preços devem
subir 4,5% no próximo ano.
O BC leva em conta as séries
históricas, enquanto o mercado costuma optar pelas previsões
abertas, com base nas estimativas para cada uma das variáveis
que compõem os preços administrados, como, por exemplo
tarifas de energia elétrica, de telefonia fixa e de combustíveis.
Em resumo: as estimativas do BC carregam mais inércia.
E ela, a inércia, pode
ter mesmo um impacto maior em 2008 por conta dos resultados apurados
neste ano dos IGPs – estes índices serão utilizados
para corrigir as tarifas em 2008. Uma boa idéia deste impacto
pode ser medida quando se leva em conta que o IGP-M, por exemplo, foi
de 0,87% no acumulado em 12 meses até junho de 2006 e, agora,
em período idêntico de 2007, já soma 3,90%.
Ainda que a tendência
apontada pelos economistas consultados seja de inflação
maior dos administrados no próximo ano, todos são enfáticos
ao afirmar que dificilmente a meta de 2008 de 4,50% será superada.
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REVISTA ISTO É, 03 de setembro de 2007
Abismo sem fim
Pesquisa do IBGE constata que desigualdade
social persiste. Gastos dos 10% mais ricos são equivalentes
aos dos 40% mais pobres
ALAN RODRIGUES

FARTURA Inês Appel retira R$ 20 mil por mês: “Não
me importo muito com roupas, mas não abro mão dos meus cachorros”
O economista Edmar Bacha cunhou, em 1974, a expressão Belíndia
para definir o que seria a distribuição de renda no Brasil. Para
ele, um dos criadores do Plano Real e hoje consultor sênior do Banco
Itaú BBA, o estrato econômico do País era uma mistura entre
uma pequena e rica Bélgica e uma imensa e pobre Índia. Passados
33 anos, uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) constatou que pouco, ou quase nada, mudou neste abismo que separa os
ricos dos pobres brasileiros. A pesquisa divulgada na semana passada mostra
que, quando se trata de consumo, os 10% do topo da pirâmide gastam dez
vezes mais do que os 40% da base. Traduzindo em números: estamos falando
de uma despesa média por pessoa de R$ 1.815 dos mais ricos contra R$
179 dos mais pobres. Este é o resultado da Pesquisa de Orçamentos
Familiares (POF), realizada com dados de 2002 e 2003, sobre como cada família
distribui seus gastos por mês.
Os dados ganham corpo e vida na família do paulista Antônio Carlos
Assunção, 32 anos, casado e pai de dois filhos. Assunção é pedreiro
e junto com a renda da mulher, a doméstica Maria Luci, apura pouco mais
de R$ 1.200 mensais. O orçamento familiar chega ao fim do mês
no vermelho: são R$ 300 do supermercado, R$ 100 de remédios,
R$ 150 de material de construção e R$ 600 do financiamento da
casa num empréstimo obtido com a cunhada, além de outros R$ 250
de itens para sua neném de sete meses. “Vivo fazendo malabarismo.
Preciso saber distribuir as contas para equilibrar. E mesmo assim não
dá”, diz ele. “Tenho que pedir fiado na quitanda antes do
mês acabar”, conta. Quando a situação aperta e ele
não tem dinheiro para o transporte, vai trabalhar a pé mesmo.
Na outra ponta da tabela, está a empresária Renata Pereira Jorge,
35 anos, sócia de seu marido, Godim Coutinho, numa imobiliária
em Belo Horizonte (MG). Por mês, o casal faz uma retirada de mais de
R$ 20 mil. “Não vivemos com luxo, vivemos uma vida confortável”,
diz Renata.
CARTÃO DE CRÉDITO
Com os filhos cursando universidade pública, o maior gasto do casal
ocorre no cartão de crédito: são R$ 8 mil por mês
com restaurante, supermercado e programas culturais; R$ 1.200 com conta de
celular, R$ 500 de plano de saúde, R$ 1.200 de cabeleireiro, R$ 1.800
com os salários dos empregados da casa e R$ 1.200 com gasolina (eles
moram num sofisticado condomínio na região metropolitana de Belo
Horizonte) – além de cerca de R$ 3 mil com viagens.
Estilo de vida ainda mais confortável leva a carioca Inês Appel,
56 anos. Casada e com dois filhos já adultos, ela gasta boa parte dos
R$ 20 mil mensais retirados de pro-labore da fábrica de molhos prontos
para salada que possui com o que ela classifica como “prazeres da vida”. “Roupa é o
de menos nas minhas despesas, mas não me importo em gastar R$ 5 mil
com meus 15 cachorros, que busco nas ruas”, conta Inês, que também
investe em mini-cavalos. Viajar é rotina para ela. Além de visitar
outros países, Inês tem uma casa em Campos do Jordão, outra
na praia de Cananéia, no litoral sul do Estado, e um barco de 21 pés
com o qual passeia nos finais de semana.
Entre os vários recortes que os dados do IBGE possibilitam, fica claro
que investir em educação aumenta a renda familiar e pode ser
um fator importante de ascensão social. Quando ninguém tem nível
superior, as despesas e os rendimentos médios mensais ficam em torno
de R$ 1.200. Se uma pessoa conseguiu concluir a faculdade, a família
já muda de patamar e praticamente entra no clube dos 10% mais ricos.
Na hipótese de mais de uma pessoa ter curso superior há um novo
salto: a renda média familiar por mês passa para R$ 6.994 e os
gastos alcançam R$ 6.591.
DISPARIDADES
Como em 84% dos domicílios brasileiros não há uma pessoa
sequer com diploma universitário, é fácil entender por
que a renda per capita é baixa no Brasil. “Há também
um componente cultural. A divisão por classe social aqui é muito
forte, os formados se agrupam na mesma família”, diz o economista
Sergei Soares, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). “Na
Europa, uma PhD se casa com um carpinteiro. Isso ameniza os efeitos da concentração
no mercado de trabalho.”

CARÊNCIA Antônio Assunção, com renda de R$ 1.200,
vive em apuros
A disparidade entre ricos e pobres fica evidente nas despesas com saúde.
Para os 10% mais ricos – quem tem renda familiar superior a R$ 3.876 – é a
mensalidade do seguro-saúde o que mais pesa. Com pouco acesso a planos
privados, os 40% mais pobres – famílias com rendimentos de até R$
758 – comprometem quase metade do dinheiro destinado a tratar de doenças
apenas com remédios. “Isso indica que esta população
adoece mais, se automedica e não tem acesso a diagnósticos e
prevenção”, diz a socióloga Lilibeth Cardoso, responsável
por esta parte da pesquisa do IBGE.
GASTO COM REMÉDIOS
A aposentada baiana Maria Gomes Pereira de Medeiros, 73 anos, encaixa-se neste
perfil. De sua pensão de R$ 380, ela deixa R$ 60 todos os meses na farmácia.
Não tem plano de saúde e só usa hospitais públicos.
Mãe de 12 filhos, dos quais oito já morreram, ela mora com o
neto de 16 anos num imóvel comprado décadas atrás. Entre
suas despesas fixas estão R$ 30 de água, R$ 70 de luz, R$ 150
de supermercado e R$ 15 como ajuda para a escola para o neto. Ela complementa
a renda vendendo sacolas de plástico na porta do Mercado da Lapa, na
capital paulista, e chega a tirar R$ 5 por dia. É com este dinheiro
extra poupado o ano inteiro que ela se dá um presente por ano: ir à Bahia
em janeiro ver um dos filhos, pai de cinco dos seus netos. “Essa viagem é sagrada”,
diz ela. “Meu filho ganha salário mínimo e não tem
condição de vir me ver.”

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REVISTA
ISTO É, 03 de setembro de 2007
Mão pesada
Governo sufoca empresários com normas
e regulamentos difíceis de justificar
JOÃO CARLOS GODOY

De tempos em tempos, o empresário no Brasil é pego de surpresa
por uma nova determinação do governo. Boas ou ruins, algumas
regras saem de repente das cartolas dos governantes e obrigam as empresas a
correr contra o tempo para se adequar – e, no final, a conta sempre sobra
para o consumidor. Alguns casos recentes mostram que a mão pesada do
governo continua forte como nunca: a troca de plugues e tomadas até 2010,
a adoção de sistema de aquecimento solar nas novas construções
em São Paulo e, a última surpresa, a instalação
obrigatória de um sistema de rastreamento por satélite nos carros
zero-quilômetro a partir de 2009. Todas são decisões com
impacto econômico nos negócios das empresas. Quem for pego no
contrapé pode ter prejuízos.
“O empresário tem que estar antenado às necessidades da sociedade
para se antecipar às leis e não ser pego de surpresa”, sugere
Luis Lobão, professor de estratégias da Fundação
Dom Cabral.
NOVAS LEGISLAÇÕES
TIRAM O SOSSEGO DAS EMPRESAS E O CUSTO SOBRA PARA O CONSUMIDOR
Recentemente, a resolução nº 245 do Conselho Nacional
de Trânsito (Contran) determinou que todo veículo zero-quilômetro,
nacional ou importado, deverá sair de fábrica equipado com
um kit antifurto, incluindo um sistema de rastreamento. No dia 20 de agosto,
o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) definiu que o equipamento
deverá executar as funções de bloqueio, cálculo
e posicionamento geográfico do veículo através de uma
monitoração via satélite. Os consumidores terão
de pagar pelo equipamento e, para que este funcione, terão de arcar
com taxas anuais cobradas pelas empresas de rastreamento. Hoje, tudo custaria
R$ 700, em média. A estimativa dos fabricantes é um custo de
R$ 450 em 2009. “Uma imposição dessas fere o
direito de escolha do consumidor”, protesta Carlos Coscarelli,
assessor do Procon de São Paulo. Os clientes da Volkswagen já se
manifestaram: as vendas de carros equipados com rastreador de fábrica
fracassaram. Lançado em março, o GPS deixou de ser oferecido
depois de três meses.

DETESTOU Mauro, da REM Construtora, critica adoção da energia
solar
As montadoras não falam sobre o assunto publicamente. Nos bastidores,
defendem a adoção voluntária e não obrigatória.
Só os fabricantes de rastreadores comemoram a novidade. “Iremos
aumentar nossa carteira anual de clientes de 31 mil para 700 mil”,
prevê José Antônio Pereira, presidente da Crown Telecom.
Há outros simpatizantes. “O número de segurados deve
aumentar, pois o seguro tende a ficar mais barato”, prevê José Carlos
de Oliveira, da Federação Nacional de Seguros Gerais.
Em São Paulo, que vive um boom da construção civil,
as empresas foram pegas de surpresa pela Lei nº 14.459 sancionada pelo
prefeito Gilberto Kassab. Ela torna obrigatória a instalação
de sistemas de aquecimento de água por energia solar em toda edificação
residencial que tenha mais de quatro banheiros ou piscina aquecida. Na mesma
lista estão os estabelecimentos comerciais, hospitais e hotéis.
O novo sistema deve atender no mínimo 40% do consumo de água
do local implantado. Segundo o Departamento Nacional de Aquecimento Solar,
a instalação de coletores solares em São Paulo equivale à substituição
de uma usina de energia com potência de 14 mil kW – uma economia
de R$ 58 milhões. Para o mercado da construção civil,
a lei soa diferente. “Nosso setor está sendo punido com essa
ação”, protesta Renato Mauro, engenheiro e diretor técnico
da REM Construtora. Para ele, um empreendimento para 190 pessoas, por exemplo,
poderá tornar a obra R$ 50 mil mais cara. Já os fabricantes
de aquecedores solares não têm do que reclamar. Por causa da
nova lei, o segmento, que fatura R$ 200 milhões por ano, espera crescer
30% em 2007.

GOSTOU Pereira, da Crown Telecom, vai lucrar com o rastreamento obrigatório
Oura indústria afetada pela mão pesada do governo é a
de eletroeletrônicos. A Lei nº 11.337, com vigor a partir de outubro
deste ano, obriga todo produto eletrônico de carcaça metálica
a ter um plug com pino para aterramento. A troca irá valer basicamente
para máquinas de lavar roupa, fornos de microondas, aparelhos de ar-condicionado
e geladeiras. E mais: a lei também obriga toda nova edificação
a instalar um sistema de aterramento na rede elétrica. Somada a ela,
começou a vigorar no dia 1º de agosto a norma NBR 14136, que
estabelece um novo padrão de plugues e tomadas.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 03 de setembro de 2007 | Vida & Saúde
Trabalho é ''maior ladrão''
de horas de sono, diz estudo
Pesquisa dos EUA mostra que quem trabalha
mais tempo perde horas de sono.
BBC Brasil - BBC
Um estudo realizado nos Estados Unidos concluiu que a jornada de trabalho é o
fator de maior impacto na quantidade de sono.
Segundo a pesquisa, publicada
na revista científica Sleep, quanto mais uma pessoa trabalha,
menos horas de sono ela terá.
O tempo gasto no trânsito
ou no transporte público foi descoberto como sendo o segundo maior "vilão",
seguido das horas de lazer.
Os pesquisadores analisaram 50
mil voluntários nos Estados Unidos, entre os anos de 2003 e 2005.
Os cientistas verificaram que
os voluntários que dormiam por mais de 11 horas trabalhavam uma
média de 143 minutos a menos durante a semana que os dorminhocos "médios".
Os que dormiam menos mostravam
que passavam mais tempo estudando, fazendo tarefas domésticas
ou saindo com os amigos.
Segundo Mathias Basner, da Universidade
da Pensilvânia, e um dos coordenadores da pesquisa, o grupo que
menos dorme e mais trabalha é o que tem entre 45 e 54 anos de
idade.
O médico agora quer que
mais estudos analisem o impacto desses resultados para a saúde.
Especialistas em sono dizem que
a pesquisa confirma as suspeitas de que o homem está perdendo
suas horas de descanso.
"A tecnologia moderna não
fez nada para aumentar nosso tempo livre, e o sono acaba sendo uma vítima
em quantidade e qualidade", diz Jessica Alexander, da organização
The Sleep Council.
"Um dia, o governo e a classe
médica vai ter que dar ao sono a mesma prioridade que a alimentação
balanceada e os exercícios têm nas mensagens de qualidade
de vida e de saúde", afirmou.
Segundo a especialista, adultos
deveriam dormir entre sete e nove horas por dia. BBC Brasil - Todos os
direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução
sem autorização por escrito da BBC.
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JORNAL BOM DIA / SOROCABA
(SP), 03 de setembro de 2007
Competitividade cria viciados em
trabalho
Geração de workaholics é se
apega a carreira cada vez mais cedo
Eles começam cedo a trabalhar
e só param depois que a noite há muito avançou.
Trocam almoço por lanche rápido, bate papo no bar por
jantares de negócios e ficam estressados nos domingos e feriados.
Eles são os workaholics.
A expressão americana
significa viciados em trabalho. Sempre existiram, mas a alta competitividade
do mercado acentuou sua existência na última década.
O empresário Flávio
Sanna, 39 anos, chega a manter imóveis totalmente montadas e com
empregados em sete cidades para poder “se sentir em casa” enquanto
trabalha. “Começo cedo e não há hora para
parar. Preciso dessa estrutura para não perder os vínculos
familiares”, diz.
Em agosto, Sanna passou 23 dias
viajando a trabalho, mais de 15 sem ver a mulher, a também empresária
Adriane Sanna, 36. A alternativa foi ficarem juntos alguns dias na casa
de Rio Preto.
“Quando ele disse que não
poderia ir para Campinas, mais uma vez, decidi que eu viria para Rio
Preto”, diz Adriane.
Além de trabalhar com
eventos, Sanna atua nos setores de auto peças, mercado financeiro,
construção civil e corretora de valores.
“A única coisa que
me estressa é ficar parado. Domingos e feriados, sem eventos,
são um porre para mim.” Adriane conta que nesses dias é comum
o marido tomar remédios para insônia. Nos últimos
três anos tirou apenas dez dias de férias, em maio deste
ano.
Mesmo tendo viajado para o exterior
não ficou realmente desligado do trabalho por um dia. Ele e a
família foram para Peulla, na Patagônia e na ilha o celular
não pega. “Em 3 de maio, um dia depois da viagem a Peulla,
havia 18 ligações em um dos celulares e mais 23 no outro”,
recorda rindo. Sanna, que é diretor-geral da Casa Cor Interior,
garante que a família não se recente pela ausência
e falta de tempo. O filho Matheus, de 11 anos, conversa diariamente por
telefone com o pai.
Mania
cria adeptos na juventude
Na década de 1990, a mania pelo trabalho era mais difundida entre profissionais
maduros, no auge da carreira. Hoje, o vício atinge pessoas jovens. A
maioria começa a ser “afundar” no universo estressante de
privilegiar compromissos em detrimento do lazer e da companhia da família
ainda cedo, na faculdade ou até no ensino médio.
Com apenas 21 anos, a coordenadora
de eventos Mayana Bordalho já sente o “peso” de ser
uma workaholic. É vista pela família e pelos amigos como
obcecada pelo trabalho.
“Vivo em função
do trabalho porque é a profissão que escolhi e amo o que
faço”, resume.
As pessoas próximas chamam
sua atenção para o que é visto por elas como excesso
na relação com a empresa. “Acordava de madrugada
e queria ir trabalhar. Agora sei que isso não é adequado.”
Nos 20 dias que tirou de férias
em agosto arrumou um trabalho temporário, mas os pais não
permitiram. “Eles acharam que era demais”, diz. Aproveitou
o período para finalizar o TCC (Trabalho de Conclusão de
Curso) em turismo.
Mayana também não
gosta de ficar parada. As folgas semanais deveriam ser aos sábados
e domingos. Esses dias são os mais movimentados e com mais eventos
para organizar. “Acho ótimo”, afirma.
Salão
de cabeleireiro vira casa improvisada
O cabeleireiro César Augusto da Silva, 34 anos, transformou a casa no
salão Hair Club Redentora.
Como não consegue ficar “parado” decidiu
investir em um imóvel grande o suficiente para abrigar o lar e
o ofício. “Meu trabalho consome em média 16 horas
a 18 horas do meu dia. É muito mais prático assim”,
diz. Há sete anos César não sabe o que são
férias e garante que prefere assim.
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DIÁRIO ONLINE / ABC
PAULISTA, 03 de setembro de 2007
Construção cria 111.138
empregos
Flávia Corbó
Especial para o Diário
O boom registrado no mercado imobiliário
nacional fez com as construtoras batessem um novo recorde neste ano. De janeiro
a junho, o setor gerou 111.138 empregos formais, uma expansão de 7,16%
ante o mesmo período do ano passado.
Segundo o Sinduscon (Sindicato
da Indústria da Construção Civil do Estado de São
Paulo), o número de empregados com carteira assinada no setor
superou a casa de 1,663 milhão de trabalhadores ao final de junho.
Grande ABC - Com um saldo positivo
de 6.036 postos de trabalho, o nível de emprego na construção
civil do Estado de São Paulo elevou-se em 1,31%, de maio para
junho. O Grande ABC seguiu o ritmo e apresentou um índice de contratação
30% acima do registrado em 2006.
Apesar dos números positivos,
a diretora regional do Sinduscon, Rosana Carnevalli, afirma que a grande
guinada da construção civil deve ocorrer neste final de
ano.
“A região está com
vários lançamentos, mas as obras ainda estão em
seu início. Quando esses projetos estiverem a todo vapor serão
gerados muito mais empregos.”
A Lei de Zoneamento imposta por
alguns municípios da região colaborou para que houvesse
um maciço investimento imobiliário no Grande ABC. Com medo
que os governos municipais adotassem muitas restrições
nos empreendimentos imobiliários, as construtoras anteciparam
os investimentos.
“Esse processo teve início
no ano passado, em Santo André, principalmente. Em seguida ocorreu
em São Bernardo, e agora é a vez de São Caetano”,
explica a diretora regional do Sinduscon.
Incentivos - Para o presidente
da Acigabc (Associação dos Construtores, Imobiliárias
e Administradoras do Grande ABC), Milton Bigucci, o bom momento da construção
civil se deve a incentivos do governo federal e a facilitações
de financiamento nos bancos. “Há muito crédito, e
todo mundo consegue financiamento. Além disso, os juros estão
caindo”, afirma.
Um exemplo destes incentivos
foi a ampliação do prazo de financiamento da CEF que passou
de 20 para 30 anos. “Com esses incentivos”, diz Bigucci, “os
consumidores aparecem e, havendo demanda por imóveis, as construtoras
os produzem, o que gera mais emprego.”
Região
tem 180 postos para o setor
Flávia Corbó
Especial para o Diário
O número de contratações
no setor da construção civil é o maior dos últimos
13 trimestres e a expectativa dos empresários do ramo é que
esse ritmo acelerado se prolongue até o fim do ano, com tendência
de novos aumentos em 2008.
Atualmente, existem 590 vagas
em aberto cadastradas nos centros públicos do Grande ABC, Capital
e Grande São Paulo. Pelo menos 180 são para a região.
Há oportunidades em todas
as sete cidades, mas os municípios de São Bernardo, Santo
André e São Caetano concentram o maior número de
lançamentos imobiliários e, por isso, maior quantidade
de postos de trabalho.
No CPETR (Centro Público
de Emprego, Trabalho e Renda de Santo André), estão disponíveis
127 oportunidades na construção civil. A exigência
de escolaridade varia do ensino fundamental completo ao ensino médio
incompleto.
As empresas solicitam profissionais
com no mínimo dois anos de experiência e que possam atuar
nas cidades de Santo André e São Bernardo, ou até mesmo
na Argentina.
No PAT (Posto de Apoio ao Trabalhador)
estão cadastradas 53 vagas, sendo 41 destinadas a São Bernardo
e 10 para São Caetano.
Os demais postos de trabalho
estão distribuídos entre Santo André, Mauá,
Diadema e Ribeirão Pires.
Grande São Paulo - Outras
410 oportunidades de emprego estão em aberto na Capital e na Região
Metropolitana. Nas 340 vagas registradas no CAT (Central de Apoio ao
Trabalhador), os salários variam de R$ 500 a R$ 2.000. São
aceitos candidatos com nível de escolaridade entre ensino fundamental
incompleto e médio completo.
O CEAT (Central de Apoio
ao Trabalhador) também oferece 70 postos de trabalho na cidade
de São Paulo e arredores.
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JORNAL
BOM DIA / SOROCABA (SP), 03 de setembro de 2007
Construção civil descobre
mina de ouro em Sorocaba
Número de empresas cresce 27% em três
anos: passa de 263 para 335
Um verdadeiro nicho inexplorado, uma
mina de ouro com crescente oferta de crédito e menor valor para
a compra de terrenos.
É essa a visão que as construtoras
com sede em São Paulo têm com relação
ao mercado do Interior, principalmente de Sorocaba.
Somente a construtora Tecnisa
levantou um capital de R$ 791 milhões e partiu para um movimento
de expansão que passa por Sorocaba, São José dos
Campos, Itu, Suzano e Mogi Mirim.
A previsão da empresa é de
que, até 2008, os lançamentos no Interior atinjam 45%
do total de novos empreendimentos. “Nossos projetos devem atingir
R$ 1 bilhão em valor geral de vendas em 2007”, afirma
o diretor Leonardo Paranaguá.
Outra construtora, a Rossi
está há mais de dez anos no Interior paulista. Em 2006,
porém, bateu o recorde de lançamentos na região,
com 24 empreendimentos em Campinas, Sorocaba, Ribeirão Preto,
Sumaré, São Carlos e Valinhos.
Segundo o diretor de Negócios,
Renato Diniz, os negócios na região correspondem a
30% do total, contra 20% da Capital.
Crescimento
de 27%
Segundo a Prefeitura de Sorocaba, houve um crescimento de 27% no registro de
novas construtoras no município desde 2005.
Naquele ano, haviam 263 empresas
cadastradas. Atualmente, existem 335 construtoras registradas. “Todas
sem irregularidades cadastral”, garante a SEF (Secretaria de
Finanças. A prefeitura não soube responder, no entanto,
qual o capital investido por esses empreendimentos.
Para o secretário
de Desenvolvimento Econômico, Daniel de Jesus Leite, o aumento
do número de construtoras deve-se ao constante crescimento
da cidade.
“Temos uma das maiores
densidades demográficas do país e somos, atualmente,
a 4ª maior potência no ranking do Interior do Estado e
a 8ª cidade em potencial de consumo do Brasil”, lembra
o secretário municipal.
Número
de empregados em obras quase duplica em apenas três anos
Se o número de construtoras registradas na prefeitura de Sorocaba teve
um aumento de 27% em três anos, a quantidade de empregos gerados na área
surpreende ainda mais.
Do mês de janeiro de
2005 ao mês de junho de 2007, a mina de ouro descoberta em
terras sorocabanas gerou aumento de postos de trabalho maior do que
98%.
Os dados foram divulgados
na semana passada pelo SindusCon (Sindicato da Indústria da
Construção Civil do Estado de São Paulo).
A base dessa crescente geração
de empregos na construção civil teve sua maior força
em 2005. Em 12 meses, o número de trabalhadores do setor em
Sorocaba subiu mais de 54%. Em janeiro eram 6.979 empregados. Doze
meses depois, o número de operários em construções
chegava a 10.779.
De janeiro de 2006 a dezembro
do mesmo ano, o crescimento foi mais ameno, chegando a uma variação
de mais de 27%, fechando dezembro com 13.595
Para o presidente do Sinduscon,
Adílson Justo, o crescimento constante de Sorocaba, acaba
atraindo novos investimentos. “A economia do município
está cada vez mais forte e as aberturas de crédito
acompanham esse desenvolvimento e tornam-se cada vez mais atraentes.”
O presidente do sindicato
também garante que a grande concorrência e a falta
de espaço para novos empreendimentos em São Paulo
acabam “empurrando” as construtoras para o Interior,
onde encontram as melhores condições para investir.
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CONSULTOR JURÍDICO,
03 de setembro de 2007
Programação orçamentária
Metalúrgicos questionam limitação
de seguro-desemprego
A Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos
(CNTM) entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no
Supremo Tribunal Federal contra o artigo 1º, parágrafo 1º,
inciso IV do Decreto Federal 6.046/2007, que ao tratar da programação
orçamentária do Executivo para 2007, teria limitado despesas
para o programa do seguro-desemprego. A ação tem como relator
o ministro Carlos Ayres Britto.
O programa do seguro-desemprego
foi estabelecido pela Constituição Federal, em seu artigo
239. Com os contornos dados pela Lei 7998/90, o programa, que é custeado
com recursos do Fundo de Amparo do Trabalhador, inclui diversas ações.
Segundo a Confederação, ele não se limita apenas
ao pagamento do benefício financeiro temporário ao trabalhador
desempregado. Essas ações não podem ter suas despesas
limitadas por serem obrigações constitucionais, argumenta
a entidade.
No entanto, contrariando a natureza
constitucional do programa, ressalta a CNTM, o decreto questionado limitou
as dotações para custeio das ações patrocinadas
pelo fundo, não as incluindo na relação de despesas
que não serão objeto de limitação de empenho.
Desta forma, por limitar dotações
orçamentárias do FAT relativas ao programa, a Confederação
pede ao Supremo que declare a inconstitucionalidade dos artigos.
ADI 3.950
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JORNAL
O TABOANENSE, 03 de setembro de 2007 | Artigos
Da Rescisão Indireta no Trabalho
Muitos sabem que a
falta grave resulta na demissão por justa causa ao empregado.
Mas muitos desconhecem que o empregador também poderá cometer
falta grave e ser punido com a extinção unilateral
do contrato de trabalho pelo empregado.
Caso o empregador, por exemplo,
exija serviços superiores às forças do empregado,
trate o empregado com rigor excessivo, crie situações
de perigo ao empregado, ofenda a honra ou boa fama do empregado ou
da sua família, agrida fisicamente o empregado, reduza o trabalho
do empregado para afetar o salário, dentre outros fatos, ele
estará praticando uma falta grave, sendo possível que
o empregado saia do trabalho sem a configuração de
abandono de emprego, desde que em até trinta dias ele ingresse
com a ação de rescisão indireta na Justiça
do Trabalho (a contar do dia em que deixou o emprego), pois será o
juiz quem irá declarar a rescisão indireta e não
o empregado, por decisão própria.
Porém, caso a ação
de rescisão indireta ultrapasse os trinta dias do último
dia de trabalho do empregado, então restará configurado
o abandono do emprego, ensejando justa causa.
Se, todavia, houver ação
de rescisão indireta em andamento, o empregador não
poderá alegar abandono de emprego e demitir o empregado por
justa causa.
Comprovada a falta grave
do empregador, o empregado será equiparado ao demitido sem
justa causa, ou seja, ele fará jus ao recebimento das verbas
rescisórias, incluindo o aviso prévio indenizado e
a multa indenizatória do FGTS, além do fornecimento
de guias para o saque do fundo e habilitação ao seguro
desemprego.
Por falta de conhecimento
ou receio, o trabalhador tem se sujeitado a condições
de trabalho que fere a sua própria dignidade como pessoa,
colaborando para que o mal cresça.

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