 |
Agência Diap, 7 de
setembro de 2007
BALANÇO DA SEMANA
Projeto do Governo legaliza centrais
sindicais; MP regulamenta trabalho no comércio aos domingos
Esta semana, apesar de mais curta por causa do feriado de
7 de Setembro, Dia da Independência do Brasil, foi marcada
por acontecimentos relevantes. Na quarta-feira, 5/9, o presidente
Lula, em solenidade no Palácio do Planalto, assinou o projeto
de lei que legaliza as centrais sindicais e também a medida
provisória que regulamenta o trabalho no comércio aos
domingos.
No Senado, o Conselho de Ética aprovou, por 11
votos a quatro, o relatório dos senadores Renato
Casagrande (PSB/ES) e Marisa Serrana (PSDB/MS) que pede
a cassação do mandato do presidente da Casa,
Renan Calheiros (PMDB/AL), por quebra do decoro parlamentar.
Na Comissão de Constituição e Justiça,
a derrota do presidente do Congresso foi maior: 20 senadores
aprovaram a constitucionalidade e juridicidade da perda
do mandato. Apenas um senador se posicionou contra o parecer
aprovado no Conselho de Ética.
Também na CCJ do Senado nesta quarta-feira, 5/9,
foi aprovado o projeto de lei complementar (PLP) 121/07,
do senador Tião Viana (PT/AC), que regulamenta a
Emenda Constitucional 29/00, que definiu os percentuais
mínimos a serem aplicados pela União, estados,
municípios e Distrito Federal em ações
e serviços públicos de saúde.
A Comissão de Assuntos Sociais do Senado aprovou
o PLS 177, do senador Paulo Paim (PT/RS), que amplia o
direito à estabilidade no emprego dos dirigentes
sindicais para incluir os candidatos a membro do conselho
fiscal de entidade sindical ou associação
profissional desde o registro da candidatura até um
ano após o final de seu mandato caso seja eleito,
inclusive como suplente.
Centrais sindicais
O projeto de lei do Executivo, que legaliza as centrais sindicais,
tramitará no Legislativo em regime de urgência constitucional,
isto é, os deputados terão 45 dias para votá-la
no plenário, caso contrário, o texto passa a travar a
pauta de votações da Casa.
Pelo projeto, a central sindical terá que cumprir
alguns requisitos para o seu efetivo reconhecimento. Deverá ter,
no mínimo, cem sindicatos a ela filiados, distribuídos
nas cinco regiões do País. E ter ainda, em
pelo menos três regiões, no mínimo,
vinte sindicatos cada.
Outro requisito é a filiação de sindicatos
em, no mínimo, cinco setores de atividade econômica.
E, também, a filiação de trabalhadores
aos sindicatos integrantes de sua estrutura organizativa
de, no mínimo, 7% do total de empregados sindicalizados
em âmbito nacional.
Financiamento das entidades
O projeto mantém o imposto sindical, mas altera o artigo 589
da CLT, que trata do financiamento das entidades patronais e dos trabalhadores,
para incluir as centrais no rateio dos recursos arrecadados.
Assim, o imposto sindical será distribuído
da seguinte forma para as entidades dos empregadores: 5%
para a confederação, 15% para a federação,
60% para o sindicato e 20% para a “Conta Especial
Emprego e Salário” do Ministério do
Trabalho e Emprego.
Para as entidades dos trabalhadores, a distribuição
fica assim: 5% para a confederação, 10% para
a central sindical, 15% para a federação,
60% para o sindicato e 10% para “Conta Especial Emprego
e Salário” do Ministério do Trabalho
e Emprego.
Trabalho aos domingos
A MP já está em vigor e autoriza o trabalho aos domingos
nas atividades do comércio em geral, observada a competência
dos municípios de legislar sobre assuntos de interesse local.
De acordo com a MP, o repouso semanal remunerado deverá coincidir,
pelo menos uma vez, no período máximo de
três semanas, com o domingo, respeitadas as demais
normas de proteção ao trabalho e outras a
serem estipuladas em negociação coletiva.
A convenção coletiva de trabalho deverá estabelecer
a permissão para o trabalho no comércio em
geral nos feriados, bem como o pagamento de hora-extra,
vale-refeição e transporte, jornada de trabalho,
entre outras garantias e direitos trabalhistas.
Caso Renan
Depois de muitas protelações, finalmente o Conselho de Ética
do Senado conseguiu votar e aprovar o pedido de cassação
do mandato parlamentar do presidente do Congresso Nacional, senador
Renan Calheiros (PMDB/AL). A Comissão de Constituição
e Justiça da Casa também aprovou o relatório do
Conselho.
Agora, a matéria será examinada pelo plenário
do Senado, em votação secreta. Em razão
disso, Renan aposta suas fichas, pois avalia que tem pelo
menos 60 senadores que votarão contra a cassação.
Estabilidade do dirigente sindical
Finalmente, a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou
o PLS 177/07. Indiscutivelmente o parecer do senador José Nery
(PSol/PA) somente foi aprovado graças ao empenho e dedicação
do senador Paim, que primeiro destacou a presença e mobilizou
os dirigentes sindicais em prol da matéria. Segundo pediu a
inversão da pauta para que a proposta fosse o primeiro item
de votação. Terceiro, apelou para que os senadores do
colegiado comparecessem à reunião para dar o quorum e
concluir a apreciação da proposição.
Em notas técnicas, o Ministério do Trabalho
e Emprego (MTE) e a Confederação Nacional
da Indústria (CNI) se posicionaram contrários
ao projeto. Ambos alegam que os membros do conselho fiscal
das entidades sindicais não devem ter estabilidade,
pois atuam em defesa dos interesses da categoria, mas tão
somente se limitam a aprovar ou rejeitar as contas da entidade.
“No que concerce especificamente ao Conselho Fiscal
de entidades sindicais, frise-se que seus membros não
representam politicamente os interesses dos filiados ao
sindicato ou atuam na defesa direta da ‘classe’ respectiva,
pelo que a função que exercem não
se contrapõe diretamente aos interesses patronais.
Logo, não há justificativa para que os membros
de Conselho Fiscal de entidade sindical gozem de estabilidade
no emprego”, destacou a nota técnica do MTE.
Já a CNI enfatiza que “o membro do Conselho
Fiscal não atua na defesa dos direitos e interesses
da categoria, pois suas atividades estão limitadas à fiscalização
da gestão financeira do sindicato. Não há,
portanto, justificativa para conceder estabilidade provisória
aos membros do Conselho Fiscal, sendo esta também
a posição atual e reiterada do TST”,
destaca a nota técnica da CNI.
O projeto foi aprovado em caráter terminativo pela
CAS, ou seja, se não houver recurso contrário à decisão
da Comissão, o texto será encaminhado direto
para a Câmara sem passar pelo plenário do
Senado. Entretanto, é sabido que as entidades patronais
articulam com senadores que discordaram da matéria
a apresentação do recurso.
Opinião
Ainda sobre a ameaça à estabilidade do dirigente
sindical, leia o artigo do advogado e membro do corpo técnico
do DIAP, Hélio Gherardi, publicado na seção
Opinião da página do DIAP. Boa leitura!
Mais recursos para a saúde
A CCJ do Senado aprovou o PLP 121/07, que regulamenta a Emenda Constitucional
29, que definiu os percentuais mínimos a serem aplicados pelos
entes federados em ações e serviços públicos
de saúde.
O relator da matéria foi o senador Antônio
Carlos Valadares (PSB/SE), que apresentou parecer favorável à proposta
e foi acompanhado, por unanimidade, no colegiado. O projeto
agora será examinado pelas Comissões de Assuntos
Sociais e de Assuntos Econômicos, respectivamente.
A matéria faz parte de uma reivindicação
antiga da sociedade. A oposição usa a regulamentação
da Emenda 29 como argumento contra a aprovação
da PEC que prorroga até 2011 a CPMF, que está sob
exame de comissão especial na Câmara dos Deputados.
Congresso do PT
O Partido dos Trabalhadores concluiu no final de semana passado seu
3º Congresso, realizado em São Paulo. No encontro, os militantes
aprovaram, entre outras resoluções, que o partido concorrerá com
candidato próprio as eleições presidenciais de
2010.
Essa resolução, embora não seja definitiva,
dependerá de variáveis que nenhum partido
domina por completo — os resultados das eleições
de 2008, fatores econômicos internos e externos e
a aplicação do PAC e seus resultados, entre
outros — e poderá enfraquecer a base aliada
no Congresso e comprometer sua unidade.
|
Diário Vermelho,
7 de setembro de 2007
TSE: apenas 9% dos eleitores
são filiados a partidos políticos
A pesquisa do TSE mostra ainda que o Brasil tem hoje 126.498.921 eleitores,
dos quais apenas 9% são filiados a alguma legenda. São
Paulo é o maior colégio eleitoral do País, com 8.038.625
eleitores. O Rio de Janeiro vem em segundo lugar, com 4.510.902 votantes,
seguido de Belo Horizonte, com 1.733.878, Salvador, com 1.697.294 eleitores,
e Brasília, com 1.654.647.
Falta um mês para quem quiser se candidatar a prefeito,
vice-prefeito e vereador nas eleições municipais
de 2008 se filiar a um partido político e firmar
domicílio eleitoral na cidade onde pretende se eleger.
O prazo, definido pelo calendário aprovado pelo
Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determina que esses
procedimentos devem ser observados até o dia 5 de
outubro de 2007, um ano antes das eleições.
Hoje são 11.456.008 de filiados a partidos políticos
no Brasil.
Somente pode se filiar a partido político o eleitor
que estiver em pleno gozo dos seus direitos políticos.
Para obter a filiação, o interessado deve
comparecer à sede do partido ao qual pretende se
filiar, munido do título eleitoral, e preencher
a ficha de filiação que será deferida,
ou não, posteriormente. Qualquer fusão ou
incorporação de partidos políticos
após o dia 5 de outubro deste ano não afetará a
filiação.
Outro prazo muito importante de ser observado pelos eleitores
em geral, é o de registro do domicílio eleitoral.
Todos os brasileiros que ainda não têm domicílio
eleitoral, devem regularizar sua situação
antes do dia 7 de maio de 2008, sob pena de não
poderem votar nas eleições municipais do
ano que vem.
Número de filiados
De acordo com estatística do TSE, até agosto
deste ano, mais de 90% do eleitorado brasileiro apto a
votar não têm filiação partidária.
Nesta condição estão 115.042.913 eleitores.
No universo de 126.498.921 eleitores de todo o país,
o maior número de filiados está no PMDB,
com 2.015.301, representando 1,593% do eleitorado.
Em segundo lugar está o Partido Progressista (PP),
com 1.246.297 filiados, em um total de 0,985%. Em seguida
vem o PSDB, com 1.119.829 filiados, representando 0,885%
dos eleitores. O quarto lugar fica com o PT, com 1.068.785
filiados, chegando a 0,845%. O quinto partido da lista é o
Democratas (DEM), com 985.338 membros, equivalente a 0,779%
do número total de eleitores.
O partido com o menor número de filiados nacionalmente é o
Partido da Causa Operária (PCO), com 3.268 filiados,
representando 0,003% dos eleitores. O segundo menor é o
Partido Republicano Brasileiro (PRB) que tem 8.070 filiados,
em um total de 0,006% dos eleitores. Em seguida vem o PSol,
com 8.910 filiados, representando 0,007% e o Partido Socialista
dos Trabalhadores Unificado (PSTU), com 13. 307 filiados
em um universo de 0,011% do eleitorado.
Segundo turno
Também de acordo com estatísticas do TSE,
são 74 municípios brasileiros que, até agosto
deste ano, poderiam escolher seus prefeitos no segundo
turno nas eleições de 2008. São cidades
com mais de 200 mil eleitores, de acordo com o que estabelece
o artigo 29, II, da Constituição Federal.
Nesses casos, caso nenhum candidato consiga a maioria dos
votos no primeiro turno, marcado para o dia 5 de outubro,
primeiro domingo do mês, os eleitores deverão
voltar às urnas no dia 26, último domingo
de outubro, conforme define a legislação
(art. 77 da Constituição Federal).
Se as eleições fossem hoje, não haveria
segundo turno no Acre, Roraima e Tocantins, pois nenhum
município desses estados possui, atualmente, 200
mil eleitores. Em compensação, são
candidatas ao segundo turno as cidades de Guarujá (SP),
que tem 198.314 eleitores (faltando apenas 1686 novos inscritos);
Uberaba (MG), com 198.030; e Rio Branco (AC), com 192.637.
Não há eleição para prefeito
no Distrito Federal.
No estado de São Paulo, há 20 municípios
onde pode ocorrer segundo turno. No Rio de Janeiro são
dez. Seis cidades mineiras também podem ter o pleito
decidido somente no último domingo de outubro de
2008, o que acontece com quatro cidades do Espírito
Santo, Paraná e Rio Grande do Sul.
A Justiça Eleitoral recebe, até meados de
maio do próximo ano, pedidos de novas inscrições
e transferência de domicílio eleitoral. Pelo
mesmo motivo, municípios que possuem mais de 200
mil eleitores hoje podem ter esse quantitativo reduzido,
o que os impede de realizar uma segunda eleição.
O número definitivo de eleitores que votarão
nas eleições municipais será divulgado
em julho de 2008.
Princípio da anualidade
A Constituição Federal, em seu artigo 16,
determina que “a lei que alterar o processo eleitoral
entrará em vigor na data de sua publicação,
não se aplicando à eleição
que ocorra até um ano da data de sua vigência”.
Segundo decisão do Supremo Tribunal Federal, isso
se aplica também a emenda constitucional. Ou seja,
qualquer mudança na legislação eleitoral
deve ocorrer antes do dia 5 de outubro deste ano, caso
contrário, não valerá para as eleições
de 2008.
Confira a relação
dos eleitores filiados:
Filiação Partidária
- Agosto / 2007
|
Partido
|
Eleitores
|
%
|
|
Não filiado
|
115.042.913
|
90,944
|
|
PMDB
|
2.015.301
|
1,593
|
|
PP
|
1.246.297
|
0,985
|
|
PSDB
|
1.119.829
|
0,885
|
|
PT
|
1.068.785
|
0,845
|
|
PFL
|
985.338
|
0,779
|
|
PTB
|
966.306
|
0,764
|
|
PDT
|
947.178
|
0,749
|
|
PR
|
679.773
|
0,537
|
|
PPS
|
394.317
|
0,312
|
|
PSB
|
328.015
|
0,259
|
|
PSC
|
212.966
|
0,168
|
|
PCdoB
|
188.442
|
0,149
|
|
PV
|
181.781
|
0,144
|
|
PRP
|
169.515
|
0,134
|
|
PMN
|
169.501
|
0,134
|
|
PSL
|
135.150
|
0,107
|
|
PTC
|
122.832
|
0,097
|
|
PT DO B
|
106.365
|
0,084
|
|
PSDC
|
100.174
|
0,079
|
|
PHS
|
81.545
|
0,064
|
|
PTN
|
71.531
|
0,057
|
|
PRTB
|
67.535
|
0,053
|
|
PAN
|
50.417
|
0,04
|
|
PCB
|
13.560
|
0,011
|
|
PSTU
|
13.307
|
0,011
|
|
PSOL
|
8.910
|
0,007
|
|
PRB
|
8.070
|
0,006
|
|
PCO
|
3.268
|
0,003
|
TOTAL
|
126.498.921
|
Partidos registrados
São os seguintes os partidos políticos,
com representação nacional, com registro
no TSE:
PMDB – Partido do Movimento Democrático Brasileiro
PTB - Partido Trabalhista Brasileiro (Incorporação do
PSD ao PTB)
PDT – Partido Democrático Trabalhista
PT – Partido dos Trabalhadores
DEM – Democratas
PSB – Partido Socialista Brasileiro
PSDB – Partido da Social Democracia Brasileira
PTC – Partido Trabalhista Cristão
PSC – Partido Social Cristão
PMN – Partido da Mobilização Nacional
PRP – Partido Republicano Progressista
PPS – Partido Popular Socialista
PV – Partido Verde
PT do B – Partido Trabalhista do Brasil
PP – Partido Progressista
PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (Antigo
PRT)
PCB – Partido Comunista Brasileiro
PRTB – Partido Renovador Trabalhista Brasileiro
PHS – Partido Humanista da Solidariedade
PSDC – Partido Social Democrata Cristão
PCO – Partido da Causa Operária
PTN – Partido Trabalhista Nacional
PAN – Partido dos Aposentados da Nação
PSL – Partido Social Liberal
PRB – Partido Republicano Brasileiro
PSOL – Partido Socialismo e Liberdade
PR – Partido da República
Está com vista à Procuradoria Geral Eleitoral
(PGE) o pedido de registro (RGP 307) do Partido Federalista
(PF). O requerimento foi formalizado em documento assinado
pelo presidente nacional da agremiação, Thomas
Korontai. O relator é o ministro Caputo Bastos.
Só o partido que tenha o estatuto registrado no
TSE pode participar do processo eleitoral, receber recursos
do fundo partidário e ter acesso gratuito ao rádio
e à televisão. Atualmente, 28 partidos possuem
estatutos registrados no TSE.
|
STJ, 07 de setembro de
2007
DECISÃO
Edital sobre recolhimento de contribuição
sindical tem que ser publicado em jornal de grande circulação
Ainda que o Diário Oficial da União seja veículo
oficial de informação, não é, necessariamente,
o jornal de maior circulação na localidade abrangida pela
cobrança da contribuição sindical, motivo pelo qual
a publicação nele realizada não supre a exigência
legal. Seguindo esse entendimento, a ministra Denise Arruda do Superior
Tribunal de Justiça (STJ) negou o agravo (tipo de recurso) interposto
pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA) contra
André Kovacsa.
A CNA recorreu ao STJ após o Tribunal de Alçada
do Estado do Paraná extinguir seu processo sem julgamento
do mérito.
A defesa de André argumentou que a publicação
dos editais concernentes ao recolhimento da contribuição
sindical rural nos jornais de maior circulação local
não se trata de uma das condições da ação,
a permitir a extinção do processo sem julgamento do mérito.
Além disso, os mencionados editais foram publicados no Diário
Oficial da União, sendo desnecessária, portanto, a sua
publicação em jornais de circulação local.
Para a defesa, no caso da contribuição sindical rural,
não é exigido o lançamento formal do crédito
tributário, sendo suficiente a guia de lançamento para
a cobrança.
Ao analisar a questão, a ministra Denise Arruda destacou
que o acórdão recorrido está em consonância
com o entendimento desta Corte, razão pela qual incide
o disposto na Súmula 83 do STJ. “Não
se conhece do recurso especial pela vigência, quando
a orientação do Tribunal se firmou no mesmo
sentido da decisão recorrida.”
Por fim, a ministra ressaltou que, nos termos do artigo
605 da CLT, “as entidades sindicais são obrigadas
a promover a publicação de editais concernentes
ao recolhimento do imposto sindical, durante três dias,
nos jornais de maior circulação local e até dez
dias da data fixada para depósito bancário”.
|
Gazeta do Povo, 7 de setembro
de 2007
ECONOMIA | TRIBUTOS
Mudança no IR elimina 5 milhões
de dependentes
Inclusão de CPF de dependente
traz mais R$ 1 bi aos cofres públicos
A mudança na declaração do Imposto de Renda
Pessoa Física (IRPF) neste ano, com o início da obrigatoriedade
de inclusão do CPF dos dependentes no documento, eliminou
5 milhões de dependentes em relação ao ano
anterior, informou ontem o secretário da Receita Federal,
Jorge Rachid. A estimativa de Rachid é que somente esta
medida trará R$ 1 bilhão para os cofres públicos
em 2007. “Muitos colocavam na declaração dependentes
que não tinham. Com isso, pagavam imposto a menos, ou recebiam
restituição a mais”, explicou o secretário
da Receita Federal.
Segundo a Receita Federal, a obrigatoriedade pelo CPF, pelas regras
do Imposto de Renda, só vale a partir do momento em que
os filhos completam 21 anos de idade. Até lá, isso
não é obrigatório. Se for universitário,
o filho pode ser considerado dependente até 24 anos.
A Receita lembrou ainda que todas as rendas recebidas pelo dependente
também devem ser informadas na declaração
dos pais. Com o início da obrigatoriedade de informar o
CPF na declaração do Imposto de Renda, explicou o órgão,
não é mais possível que os dependentes sejam
incluídos na declaração de ambos os pais.
Sobre a Contribuição Provisória Sobre Movimentação
Financeira (CPMF), Rachid, que participou de audiência pública
na comissão especial da Câmara que avalia a prorrogação
do tributo, disse que a redução da alíquota,
atualmente em 0,38%, não seria o mais “adequado” a
ser feito.
“Se é para reduzir algum tributo, vamos analisar
qual o tributo mais adequado. Qual causa mais danos para a economia”,
disse ele. O secretário argumentou que a CPMF é um
tributo de baixo custo de arrecadação, e que não
gera “obrigações acessórias” (necessidade
de se fazer uma declaração para isso).
Já o ex-secretário da Receita Federal, Osíris
Lopes Filho, também presente no debate na Câmara dos
Deputados, disse que a CPMF é um tributo da “pior
qualidade” possível. Ele lembrou que o tributo surgiu
em 1993, como IPMF, pouco antes de ele próprio assumir a
Receita Federal. Entretanto, explicou, buscava-se um tributo que
não fosse permanente.
“O ‘P’ da CPMF é de ‘passageiro’ e
não de provisório. Passageiro no sentido de que sempre
arrumam uma emenda para ele não deixar de existir”,
disse. Lopes Filho afirmou que, por estar na Receita Federal em
1993, apesar de não concordar com o imposto, teve de implementá-lo. “Houve
uma operação de transformismo tributário.
O que era imposto virou contribuição [em 1997]. A
CPMF é como um tributo gilete: corta dos dois lados, na
produção e no consumo”, concluiu.
|
Gazeta do Povo, 7 de setembro
de 2007
ECONOMIA | IMPOSTO DE RENDA
Receita libera na segunda consulta
ao quarto lote
Brasília – As consultas ao quarto lote
de restituições do Imposto de Renda Pessoa
Física (IRPF) 2007, ano-base 2006, serão abertas
na próxima segunda-feira, a partir das 8 horas, pela
Secretaria da Receita Federal. A informação é do
supervisor nacional do Imposto de Renda da Receita, Joaquim
Adir. Os recursos estarão disponíveis para
saques no dia 17 de setembro.
Assim que abertas, as consultas ao quarto lote do
Imposto de Renda poderão ser feitas pela internet
(www.receita.fazenda.gov.br), ou pelo telefone 0300-789-0300.
No quarto lote do IR, serão pagos R$ 1,19 bilhão
a 1,22 milhão de contribuintes. As restituições
virão corrigidas de 4,9%. Nesse lote, constam
ainda 80,7 mil contribuintes com imposto a pagar, no
valor de R$ 64,4 milhões, além de 204,6
mil contribuintes com saldo zero de imposto.
No primeiro lote do IR, pago em junho deste ano, 933
mil contribuintes receberam R$ 999 milhões em
restituições. Em julho, a Receita pagou
R$ 999 milhões em restituições
a 735 mil contribuintes. Já em agosto, o valor
subiu para R$ 1,36 bilhão e contemplou 1,23
milhão de contribuintes.
Ordem de recebimento
A Receita Federal lembra que a inclusão dos
contribuintes com direito a restituição
nos lotes obedecerá ao critério da ordem
de entrega das declarações. Ou seja,
quem apresentou primeiro a declaração
de Imposto de Renda terá prioridade no recebimento
da restituição.
Neste caso, informou a Receita Federal, terão
prioridade de inclusão nos primeiros lotes de
restituição os contribuintes que entregaram
a declaração pela internet. Em seguida
virão os que o fizeram através de disquete,
ficando por último aqueles que entregaram via
formulário.
Os próximos lotes do Imposto de Renda serão
pagos nas seguintes datas: 15 de outubro; 16 de novembro;
e o último no dia 17 de dezembro. Quem não
informou o número da conta para crédito
da restituição deverá se dirigir
a uma das agências do Banco do Brasil ou ligar
para 4004-0001 nas capitais ou 0800-729-0001 nas demais
cidades e pedir a transferência do dinheiro para
qualquer banco do qual seja correntista.
|
Gazeta do Povo, 7 de setembro
de 2007
POLÍTICA | GOVERNO
Fim do Diário Oficial
impresso gera polêmica
D.O. só na internet
pode dificultar o acesso dos interessados
por ANA CAROLINA BENDLIN
O fim das edições impressas do Diário
Oficial (D.O.) do governo do estado e a oferta dele apenas
pela internet a partir do ano que vem, medida anunciada
na semana passada, já vem provocando divergências
em especialistas da área jurídica. Uma parcela
acredita que a medida é benéfica e modernizadora.
Mas outros especialistas temem que a exclusão digital
dificulte ainda mais o acesso ao D.O. – que é o
veículo responsável por tornar válida
qualquer ação governamental.
O Decreto 1.378, assinado pelo governador Roberto Requião
em 29 de agosto, estabelece que a partir do início
de 2008 o D.O. passará a ser publicado somente na
internet. A decisão do governador não fere
a legislação brasileira. A Constituição
estabelece apenas que a publicidade dos atos governamentais
deve ser feita por um meio de comunicação
de grande difusão, explica o professor de Direito
Administrativo Fernando Knoerr, da Escola da Magistratura.
Desta forma, a versão eletrônica do Diário
Oficial poderia substituir as edições impressas
sem prejudicar seu principal objetivo, que é o de
divulgar à população as atividades
do governo.
No entanto, a questão da exclusão digital,
que dificultaria o acesso apenas eletrônico, causa
divergência de opiniões no meio jurídico. “O
meio eletrônico é mais democrático
do que o jornal e essa alteração é uma
evolução do governo estadual, até mesmo
para a redução de custos da Imprensa Oficial”,
diz Knoerr.
Já o advogado e ex-diretor do Arquivo Público
do Paraná Adolfo Mariano da Costa lembra que nem
toda a população do estado está conectada à internet.
O professor de Direito Administrativo Tiago Lima Breus,
da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e da Universidade
Tuiuti do Paraná (UTP), concorda com a posição
de Costa. “Ainda é cedo para uma mudança
como essa. Ela deveria ser feita na medida em que a internet
for se tornando um meio irrestrito.”
No Sul do país, segundo dados do Comitê Gestor
da Internet no Brasil, apenas 16,9% das residências
têm acesso à internet. E a procura pelo D.O.
impresso na Biblioteca Pública do Paraná,
por exemplo, mostra que o Diário no papel ainda
têm leitores. Cerca de 30 pessoas procuram exemplares
diariamente na biblioteca. Talvez porque o site do Diário
Oficial (www.dioe.pr.gov.br) é de difícil
navegação, não é atualizado
diariamente e somente as últimas 30 edições
podem ser consultadas.
A Casa Civil do governo do estado informou que a Companhia
de Informática do Paraná (Celepar) está desenvolvendo
um novo sistema que deixará a consulta mais ágil,
além da incorporação de um banco de
dados maior (não foi informado, porém, se
edições anteriores serão disponibilizadas).
O governo assegura, no entanto, que a consulta serviço
continuará a ser gratuita e haverá atualização
diária.
Apesar disso, com a implantação do novo
sistema, aqueles que necessitarem de uma versão
impressa do Diário poderão solicitá-la
em órgãos do governo, onde as cópias
serão autenticadas mediante pagamento de taxa a
ser definida.
A reportagem procurou ainda a Imprensa Oficial e a Celepar
para obter mais informações sobre as mudanças
no D.O. on-line. Mas nenhum dos órgãos deu
uma resposta oficial.
Sites cobram por consulta
O diretor-presidente da organização não-governamental
Transparência Brasil, Cláudio Weber Abramo, teme que a
publicação do Diário Oficial do Paraná exclusivamente
na internet possa ser usada para que o governo paranaense passe a cobrar
por consultas – o que já ocorre nos sites dos diários
de outros estados.
Abramo afirma que em muitos estados as edições
anteriores não são disponibilizadas gratuitamente
na internet para que os usuários que queiram informações
antigas tenham de pagar por elas. “Os governos estaduais
fazem isso para aumentar a receita de suas imprensas oficiais,
mesmo já cobrando um preço absurdo para as
publicações.”
Para ele, não existe justificativa para a cobrança
de um serviço disponível na internet e todos
os diários oficiais disponíveis eletronicamente
deveriam obedecer a uma série de critérios,
entre eles a gratuidade, a disponibilização
de todas as edições, a busca rápida
e a possibilidade de cópia dos textos.
No Paraná, por enquanto, o site do Diário
Oficial do governo estadual só disponibiliza para
consultas eletrônicas as últimas 30 edições.
A justificativa da Imprensa Oficial é de que haveria
uma restrição do banco de dados do site.
Para Abramo, isso é uma desculpa. “Essa é uma
decisão política e não tem nada a
ver com limitações técnicas. Se eles
quisessem colocar mais edições, poderiam
fazê-lo sem problemas.”
A Transparência Brasil é uma das ONGs que
fiscaliza o poder público mais respeitadas do país.
E já fez levantamentos sobre a acessibilidade dos
sites dos diários oficiais.
|
Folha de Londrina, 7 de
setembro de 2007
SEU DIREITO
Posso alugar a garagem em meu edifício
para outro morador?
Pode, sim. O direito de propriedade é o mais completo dos direitos
subjetivos. Seu titular recebe o poder de usar, gozar e fruir da coisa,
mas também limitações econômicas e sociais.
A locação é o contrato pelo qual uma das partes
(locador), mediante remuneração paga pela outra (locatário),
compromete-se fornecer, durante certo lapso, o uso e o gozo de um bem
infungível, a prestação de um serviço apreciável
economicamente ou a execução de uma obra determinada.
A garagem, como qualquer bem imóvel da propriedade individual
de alguém, pode ser objeto de locação, penhora
e mesmo de alienação. Nesse sentido, o seguinte Acórdão
do Superior Tribunal de Justiça: ‘‘Embargos de Divergência.
Execução. Penhora. Boxe de Estacionamento. Penhorabilidade.
O boxe de estacionamento, identificado como unidade autônoma
em relação à residência do devedor, tendo,
inclusive, matrícula própria no registro de imóveis,
não se enquadra na hipótese prevista no art. 1º,
da lei 8.009/90, sendo, portanto, penhorável. Embargos de divergência
acolhidos. (EREsp 595.099/RS, Rel. Ministro Felix Fischer, Corte Especial,
julgado em 02.08.2006, DJ 25.09.2006 p. 200)’’.
O contrato de locação de garagem será regulado
pelo Código Civil e não pela lei de locação
(lei 8.245/91), uma vez que esta expressamente assim o determina. A
convenção do condomínio pode prever direito de
preferência para um condômino em relação
a terceiro, mas mesmo terceiros poderão firmar o contrato como
locatários.
Giovanne Schiavon, professor universitário
e advogado
|
Folha de São Paulo,
7 de setembro de 2007
Governo tenta nova reforma da Previdência
Projeto enviado ao Congresso limita aposentadoria
de funcionário público com base no INSS e cria fundo
complementar
Regras propostas só valerão para
as pessoas contratadas após a criação da entidade
jurídica que vai administrar as contribuições
extras
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo encaminhou, ontem, ao Congresso Nacional um projeto
de lei que limita a aposentadoria dos funcionários públicos
com base no teto do INSS (hoje em R$ 2.890,00) e cria o plano de
previdência complementar para aqueles que quiserem aumentar
os rendimentos na aposentadoria.
As novas regras só valerão para os funcionários
que ingressarem no serviço público após a criação
da Funpresp (Fundação de Previdência Complementar
do Servidor Público Federal), uma entidade jurídica de
direito privado que administrará as contribuições
feitas pelos funcionários do Executivo, Legislativo e Judiciário
bem como as contrapartidas da União, que será a patrocinadora
do fundo.
Os trabalhadores que já estão no serviço público
também poderão aderir à previdência complementar.
Para isso, foi estabelecido um benefício adicional por conta
das contribuições já feitas e que tiveram como
base um valor maior do que os limites fixados para o INSS até então.
No entanto, o governo federal não tem interesse que essas pessoas
migrem para o novo plano.
Isso porque, ao mudar, elas gerarão uma queda na arrecadação
que a União hoje usa para pagar quem já é aposentado
pelo regime próprio em vigor. Além disso, essas pessoas
aumentarão as despesas do governo federal que passará a
contribuir para o novo fundo.
Em 2006, depois de contabilizar todas as contribuições
feitas, ficaram faltando R$ 35,1 bilhões no caixa do governo
federal para cobrir as aposentadorias e pensões já concedidas.
A estimativa do Ministério do Planejamento é a de que
poucas pessoas migrem. Por isso, o custo da contrapartida do novo sistema
para o governo acabará sendo baixo: cerca de R$ 40 milhões
no primeiro ano e considerando apenas os novos funcionários,
segundo os cálculos iniciais feitos pelos técnicos do
Ministério.
Pelo projeto encaminhado ao Congresso, o governo fará um aporte
inicial na Funpresp de R$ 50 milhões. A empresa terá gestão
compartilhada entre Executivo, Legislativo e Judiciário e o
plano de aposentadoria será idêntico para todos os funcionários.
O servidor poderá escolher o valor da contribuição,
mas a contrapartida da União não poderá ultrapassar
7,5% da diferença entre o salário individual e o teto
do INSS.
Os Estados e os municípios que quiserem aderir à Funpresp
terão que se enquadrar no mesmo tipo de plano oferecido, apesar
da gestão ser separada. Além disso, só serão
aceitos se os servidores de todos os poderes locais forem incluídos.
A idéia, com isso, segundo Luiz Antônio Padilha, diretor
de Programa do Ministério do Planejamento, é melhorar
as finanças estaduais e municipais e, como conseqüência,
a situação fiscal do setor público consolidado.
O dinheiro arrecadado será administrado por instituições
financeiras escolhidas por licitação. Cada um delas poderá cuidar
de, no máximo, 40% dos depósitos. Mas o governo deixou
uma brecha para beneficiar os bancos federais. Enquanto não
for feita a licitação, caberá à Caixa Econômica
e ao Banco do Brasil a gestão dos recursos.
|
Folha de São Paulo,
7 de setembro de 2007
Alimento faz inflação
dobrar em agosto
IPCA vai a 0,47%, ante 0,24% no mês
anterior; alta de 1,39% dos produtos alimentícios é a
maior desde março de 2003
Sozinhos, alimentos corresponderam a
62% do índice; especialistas vêem menos espaço
para cortes adicionais nos juros
PEDRO SOARES, DA SUCURSAL DO RIO
DIANA BRITO, COLABORAÇÃO PARA A FOLHA ONLINE, NO RIO
Pressionado pela alta dos alimentos, o IPCA (Índice
de Preços ao Consumidor Amplo) de agosto subiu 0,47%,
quase o dobro do resultado de julho -0,24%. Foi a maior
marca desde dezembro de 2006 (0,48%), de acordo com o IBGE
(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
No acumulado em 12 meses encerrado em agosto, o índice avançou
para 4,18% e se aproximou do centro da meta do governo para este ano
(4,5%, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos). Nessa
base de comparação, foi a mais alta taxa desde maio de
2006 (4,23%).
Em agosto, mais uma vez, os vilões foram os produtos alimentícios,
repetindo a tendência dos últimos meses. O grupo alimentação
registrou alta de 1,39% -em julho, havia subido 1,27%. Trata-se da
maior variação desde março de 2003 (1,66%). Em
apenas um mês, os alimentos subiram mais do que em todo o ano
de 2006 (1,22%). Neste ano, já acumulam aumento de 6,73%.
Sozinhos, os alimentos corresponderam a 62% do IPCA de agosto.
As principais pressões vieram de leite, soja, milho, trigo e
seus derivados em razão dos elevados preços internacionais
dessas commodities. As carnes, que sofrem com alta dos preços
das rações, também contribuíram. Somente
o leite teve um impacto de 0,13 ponto percentual no IPCA de agosto.
Incógnita
" Há uma incógnita quanto aos alimentos, cujos preços
podem continuar a subir. Essa inflação [de agosto] é muito
concentrada nos alimentos. Ela estava mais concentrada no leite, mas agora se
espalhou entre os alimentos", afirma Eulina Nunes dos Santos, coordenadora
de Índices de Preços do IBGE.
Os alimentos já subiam com força em julho, mas naquele
mês a queda da energia elétrica segurou a inflação.
Sem esse efeito benéfico, diz Eulina, o IPCA acelerou em agosto.
Só não foi mais alto graças às quedas da
gasolina (-0,89%) e do álcool (-3,76%)
Diante da disparada dos alimentos e da deterioração do
cenário externo, especialistas acreditam que o Banco Central
vá ter menos espaço para cortar juros nas duas últimas
reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária)
do ano e já projetam para 2008 uma inflação no
centro da meta (4,5%).
Sem previsão de mudança, a expectativa é de apenas
mais um recuo da taxa, de 0,25 ponto percentual. A alta da inflação
e a crise internacional já fizeram o Copom reduzir o ritmo de
queda da Selic -de 0,5 ponto para 0,25 ponto, para 11,25% ao ano, na
reunião desta semana.
Para Luiz Roberto Cunha, da PUC-RJ (Pontifícia Universidade
Católica do Rio de Janeiro), a taxa básica de juros se
aproxima do seu piso -11% ao ano, considerando uma inflação
anual de 4,5%.
Sem avanços na área fiscal, tributária e de infra-estrutura
capazes de melhorar a competitividade do país, o economista
não vê "muito mais margem" para reduzir os juros.
Carlos Thadeu de Freitas Filho, do grupo de Conjuntura da UFRJ (Universidade
Federal do Rio de Janeiro), avalia que mais uma redução
da Selic "está assegurada", a menos que a situação
dos mercados internacionais se agrave muito.
Ele prevê uma inflação pouco acima de 4% neste
ano. Já Cunha projeta um IPCA de 4,1% em 2007.
Inflação dos mais
pobres
Como os alimentos pesam mais no orçamento das famílias
de menor renda, o INPC (Índice Nacional de Preços ao
Consumidor) teve uma alta maior em agosto: 0,59%. O índice pesquisa
famílias com renda de um a oito salários mínimos
-o IPCA abrange aquelas com renda de 1 a 40 mínimos.
No INPC, os preços dos alimentos avançaram 1,52%. "Essa
pressão dos alimentos prejudica em geral quem ganha menos. Afeta
proporcionalmente mais as pessoas com renda mais baixa, pois o peso
no orçamento é bem maior", afirma Eulina, do IBGE.
|
Folha de São Paulo,
7 de setembro de 2007
Poupança cresce com
ganho maior
Ela já rende mais que alguns
fundos de renda fixa, afetados por juro menor e taxa de administração
Em agosto, cadernetas captam R$ 3,2
bilhões, completando ciclo de 12 meses seguidos
de aumento do total investido
FERNANDO NAKAGAWA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em período de queda de juros, a poupança
conquista cada vez mais adeptos. Em agosto, as cadernetas
captaram R$ 3,253 bilhões e completaram ciclo de
12 meses seguidos de aumento do total investido. Esse é o
maior período ininterrupto de crescimento dos depósitos
desde o início do Real (1994). Parte dos recursos
saiu dos fundos de investimento, que têm sofrido
com os cortes da taxa básica de juros (Selic) e
as altas taxas de administração dos bancos.
Conforme relatório do Banco Central divulgado ontem, o comportamento
das cadernetas foi oposto ao dos fundos de investimento. Dados da Anbid
(Associação Nacional dos Bancos de Investimento) mostram
que foi registrada saída de R$ 5,781 bilhões dessas carteiras
durante agosto, mês de nervosismo com o cenário externo.
No ano, a captação da poupança já soma
R$ 15,534 bilhões -mais que o dobro dos R$ 6,472 bilhões
registrados em todo o ano de 2006.
" Os números mostram a migração dos investidores, que
têm ido atrás do rendimento da poupança que é cada
vez mais competitiva ante os fundos de grandes bancos", avalia o professor
do laboratório de finanças da USP, Ricardo Humberto Rocha.
Na prática, analistas têm observado dois movimentos distintos
que explicam a migração. Nas cadernetas, o novo cálculo
da TR (Taxa Referencial) beneficiou o poupador, que passou a ter um
rendimento maior. Já nos fundos, a queda do juro básico,
somada às altas taxas de administração -alguns
bancos cobram 5% do total aplicado para administrar o dinheiro- e a
incidência do Imposto de Renda, reduz a rentabilidade.
O cruzamento dos números do BC com a rentabilidade de fundos
dos maiores bancos comprova o ganho de competitividade da poupança.
De janeiro a agosto, as cadernetas pagaram 5,29%, segundo o BC. No
mesmo período, o fundo Itaú DI pagou 5,27%, o Hiperfundo
DI do Bradesco teve rentabilidade de 5,01%, o Banco do Brasil Renda
Fixa 200 teve juro acumulado de 4,95% e, na lanterninha, o Unibanco
DI registrou ganho de 4,02% -mais de um ponto percentual abaixo da
poupança. A rentabilidade de todas essas carteiras está na
página desses bancos na internet.
Segundo o professor da USP, a rentabilidade recente dos fundos foi
ainda mais prejudicada pelas turbulências externas, que afetaram
principalmente carteiras de renda fixa. A Anbid foi procurada para
comentar os dados, mas os diretores da entidade estavam em reunião
fechada e não puderam atender a reportagem.
O presidente da Abecip (Associação Brasileira das Entidades
de Crédito Imobiliário e Poupança), Decio Tenerello,
também cita que o cenário positivo é reforçado
pelo aumento de renda do brasileiro, que tem feito crescer o número
de pessoas que conseguem poupar. "Isso ajuda principalmente aquele
pequeno investidor, o mais conservador que não conhece o funcionamento
dos fundos", diz.
Para Tenerello, a trajetória de aumento dos depósitos
na poupança deve prevalecer durante o final do segundo semestre.
Ele explica que o período tem, normalmente, resultados melhores
que a primeira metade do ano porque há o pagamento do 13º salário,
restituição do IR e aumento salarial de diversas categorias.
|
Revista Consultor Jurídico,
7 de setembro de 2007
Falta de proteção
Município deve reparar
vítima de acidente de trabalho
O município de Sabará, a 18 km de Belo Horizonte (MG),
está obrigado a pagar R$ 150 mil de indenização
para uma gari contratada pela prefeitura. A gari foi vítima de
um acidente de trabalho, o que gerou sua aposentadoria por invalidez.
Segundo os desembargadores do TJ mineiro, a administração
municipal não fornecia aos seus funcionários os equipamentos
de proteção individual.
De acordo com os autos, em 1994, a funcionária pública
municipal sofreu um acidente que resultou na quebra de seu
fêmur e, conseqüentemente, em sua aposentadoria
por invalidez. Para a relatora do processo, desembargadora
Vanessa Verdolim, ficou comprovado que o município
não fornecia aos funcionários os equipamentos
de segurança necessários. “Dessa forma,
a responsabilidade do Poder Público é objetiva”,
concluiu.
A indenização ficou dividida da seguinte forma:
R$ 21,6 mil para reparar os danos estéticos; R$ 30
mil por danos morais e R$ 100 correspondentes ao salário
que a gari teria se estivesse em plena atividade até os
70 anos.
Processo 1.0567.01.007356-5/001
|
Âmbito Jurídico,
7 de setembro de 2007
TNU aprova súmula que reitera
a não aplicação do IPC a depósitos do
FGTS já corrigidos pela LFT
Nenhuma diferença é devida, a título de correção
monetária dos depósitos do FGTS, no mês de fevereiro/89.
Esse é o conteúdo da Súmula 40, aprovada na sessão
da Turma Nacional de Uniformização da Jurisprudência
dos Juizados Especiais Federais, realizada na segunda-feira (03/9). Com
a aprovação desta Súmula, não cabe mais a
apresentação de recursos contra a Caixa Econômica
Federal pedindo provimento a esta ação, já que a
TNU entende que esse agente financeiro já aplicou índice
superior ao devido, segundo jurisprudência do Superior Tribunal
de Justiça, não havendo mais nada a ser ressarcido aos
requerentes.
Essa questão já foi objeto de uniformização
na Turma, consolidando o entendimento de que o índice
de correção monetária dos saldos das
contas de FGTS aplicável ao mês de fevereiro
de 1989 é o IPC, no percentual de 10,14%. Contudo,
consoante jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça,
e, nos casos em que a CEF aplicou a Letra Financeira do Tesouro – LFT – de
18,35%, não há que se falar em qualquer correção
a ser efetuada, tendo em vista que tal índice é superior
ao que a Corte Superior reconhece como devido.
Nos pedidos de uniformização ajuizados perante a Turma
Nacional, os autores alegaram divergência entre o acórdão
da TR-SC e a jurisprudência dominante do Superior Tribunal de
Justiça (STJ). O acórdão do STJ apresentado como
paradigma, apesar de afirmar que o IPC incide como índice de
correção monetária relativo ao mês de fevereiro
de 1989, no percentual de 10,14%, nas contas do FGTS, reconhece que
o crédito efetuado pela CEF foi de 18,35%, apurado com base
na LFT e que, portanto, considerando isoladamente o mês de fevereiro
de 1989, nenhuma diferença é devida a tal título.
Cláudia Moura - Fonte: CJF
|