 |
Agência Câmara,
9 de setembro de 2007
Comissão aprova divulgar legislação
em listas telefônicas
Elton Bonfim

Para Gouveia, a proposta tem a virtude de ser de simples implementação
e barata.
A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicações
e Informática aprovou ontem o Projeto de Lei 768/03, do deputado
Luiz Bittencourt (PMDB-GO), que obriga as operadoras de telefonia fixa
a divulgar a legislação de defesa do consumidor nas listas
telefônicas de distribuição obrigatória.
A proposta altera a Lei Geral de Telecomunicações
(Lei 9472/97) e determina, em especial, a divulgação
do Código de Defesa do Consumidor (Lei 8078/90).
Cidadania
A votação seguiu o parecer do relator, deputado Rômulo
Gouveia (PSDB-PB). Para ele, a divulgação do Código
de Defesa do Consumidor nas listas telefônicas é uma medida
que aperfeiçoa o processo democrático. Além disso,
ressalta, a proposta tem a virtude de ser de simples implementação
e pouco onerosa.
Tramitação
O projeto, aprovado antes pela Comissão de Defesa do Consumidor,
ainda será analisado em caráter conclusivo pela Comissão
de Constituição e Justiça e de Cidadania.
|
Nova Central, 9 de setembro
de 2007
Reforma da Previdência pode parar
no STF
O projeto encaminhado pelo governo ao Congresso que regulamenta o fundo
de previdência dos servidores e viabiliza o pagamento de aposentadorias
limitadas ao teto fixado pelo INSS, de R$ 2.800, enfrentará a
resistência do Judiciário.
"Esse é um tema que vai causar certamente
polêmica no âmbito do Judiciário. Sabemos
que o tema da previdência do servidor público é um
tema sério para todos, não só para
o Judiciário mas também para o Ministério
Público e para os demais servidores", disse
o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
A reforma da Previdência, aprovada pela gestão
Lula em 2003, autorizou o governo a limitar o pagamento
das aposentadorias dos servidores públicos, mas
a medida não entrou em vigor porque o fundo de previdência
complementar que deveria ter sido criado só está sendo
regulamentado agora.
É com o dinheiro do fundo, que funcionará nos
moldes dos fundos privados, que os servidores poderão
receber acima que o INSS para aos trabalhadores da iniciativa
privada.
Quem passar em concursos após a criação
do fundo será obrigado a aderir ao novo sistema,
se quiser receber mais que o pagamento do INSS. Já os
funcionários atuais poderão escolher se migram
para o fundo ou continuam a receber pelas regras antigas.
A União e o trabalhador contribuirão com
partes iguais, limitadas a até 7,5% da diferença
entre o salário do servidor e o teto do INSS.
Um dos principais pontos de resistência no Judiciário é a
criação de um fundo de previdência único
para os três Poderes. Essa é a proposta do
governo, mas o Judiciário e o Legislativo querem
criar fundos independentes e ter autonomia para gerenciar
o dinheiro.
O governo sabe que esse é um dos pontos que devem
ser alterados durante a tramitação do projeto
no Congresso.
Para tentar contornar a resistência dos outros Poderes,
o governo incluiu regras para partilhar o poder de decisão
no fundo. Há previsão de que a presidência
seja rotativa e no Conselho Fiscal, que supervisiona as
atividades do fundo, haverá representantes do Ministério
Público e Tribunal de Contas da União.
O Sindicato dos Servidores Públicos do Distrito
Federal promete se mobilizar para barrar a aprovação
do projeto no Congresso. O sindicato argumenta que o déficit
de R$ 36,1 bilhões apurado pelo governo no sistema
de aposentadorias públicas em 2006 não é real.
Isso porque o resultado leva em conta a diferença
entre as contribuições feitas (de 11% sobre
o salário) e o pagamento das aposentadorias já em
vigor. Mas, a cobrança dos 11% só foi instituída
durante o governo Fernando Henrique Cardoso.
Antes disso, a lei previa que o Tesouro pagasse os benefícios
como uma despesa qualquer. Dessa forma, não haveria
motivos para se falar em déficit.
|
Diário Vermelho,
9 de setembro de 2007
Grito conseguiu levantar debate
sobre privatizações
Fazer com que a sociedade volte a discutir as privatizações
no país foi um dos principais objetivos atingidos pelo 13º Grito
dos Excluídos, realizado sexta-feira (7/9). A avaliação é de
um dos coordenadores nacionais da manifestação, Ari Alberti.
“Nós conseguimos trazer para a sociedade
esse tema, que parecia que era uma questão já totalmente
resolvida”, diz. “Para nós, o ponto
alto foi que as atividades aconteceram nos 26 estados e
no Distrito Federal. O fato de você conseguir trazer
para a sociedade e discutir isso de Norte a Sul e de Leste
a Oeste no país a gente avalia como ponto positivo.”
Esta edição do Grito dos Excluídos,
um contraponto às comemorações do
Dia da Pátria, reuniu ao menos 212 mil pessoas em
todo o país, segundo os organizadores. A intenção
da manifestação, organizada por cerca de
60 entidades e movimentos sociais, foi protestar principalmente
contra a privatização da mineradora Vale
do Rio Doce, em 1997. O processo de venda da empresa é considerado
fraudulento pelos manifestantes.
O coordenador avalia também que a participação
dos “excluídos de fato” nas mobilizações
está crescendo ano a ano, mas que ainda não é satisfatória. “O
desafio não está completo até que
você consiga que os excluídos de fato possam
se sentir protagonistas do acontecimento. E se eles estiveram
cada ano mais presentes nas atividades, significa que o
processo de construção está sendo
correto”, afirma.
São Paulo foi o estado onde o maior número
de pessoas participou das manifestações.
De acordo com os organizadores, participaram mais de 95
mil pessoas em Aparecida e 13 mil na capital paulista,
onde as atividades incluíram missa na Catedral da
Sé e caminhada até o Monumento do Ipiranga.
Em Brasília, os manifestantes saíram da
rodoviária em direção à catedral,
mas a Polícia Militar (PM) barrou os manifestantes
em frente à Biblioteca Nacional. Na Paraíba,
mais de 1,5 mil pessoas participaram da manifestação
em João Pessoa, segundo a organização,
mas foram barradas pela PM durante a passeata. Também
houve manifestações em outras cidades, como
Rio de Janeiro, Minas Gerais, Porto Alegre e Curitiba.
Em diversos estados, os movimentos organizadores do Grito
continuam realizando, até amanhã (9), um
plebiscito sobre a privatização da Vale do
Rio Doce. As entidades pretendem levar o resultado ao conhecimento
de representantes do Executivo, Legislativo e Judiciário.
"Nós precisamos avançar a democracia
representativa do país. Ela deu mostras de que se
esgotou como possibilidade de pensar um projeto de nação
diferente. Então a nossa luta é para que
aquele Artigo 14 da Constituição brasileira
de 1988, que fala de plebiscito, referendo e consultas à população,
seja de fato implementado", afirma Ari Alberti.
|
Congresso em Foco, 9 de
setembro de 2007
Internet foi decisiva nas eleições
em 2006
A grande mídia na berlinda
A pluralidade da internet e o surgimento
de novas lideranças sociais foram decisivas no resultado da
eleição em 2006, diz pesquisador
Edson Sardinha
Objeto de intensos debates entre os próprios eleitores,
a cobertura jornalística da campanha eleitoral de 2006 será lembrada
pelo forte desequilíbrio, pela hostilidade ao candidato
Lula, pelo descolamento entre a opinião dominante na grande
imprensa e a da maioria do eleitorado.
Numa cobertura em que a parcialidade da grande mídia virou
notícia, a pluralidade de informações encontrada
na internet, aliada ao crescimento da influência de lideranças
do movimento social, foi fundamental para a reeleição
do presidente Lula e para pôr em xeque a credibilidade dos
grandes veículos de comunicação.
Essas são algumas das principais conclusões do livro
A mídia nas eleições de 2006, lançado
semana passada pela Fundação Perseu Abramo, em Brasília,
e coordenado pelo pesquisador Venício A. de Lima, do Núcleo
de Estudos e Mídia e Política da Universidade de
Brasília (UnB).
Dividido em 11 capítulos, o livro busca responder a três
questões básicas: como foi a cobertura jornalística
das eleições, qual foi o papel da mídia no
processo eleitoral e o que é necessário para aprimorar
o funcionamento dela na democracia brasileira.
“Com toda certeza, a gente pode afirmar, pela avaliação
desse desequilíbrio da cobertura, que o candidato que ganhou
não era o candidato preferido pela grande mídia.
Então, nesse sentido, ela foi derrotada, sim”, afirma
Venício, nesta entrevista ao Congresso em Foco.
O desequilíbrio da cobertura em favor do candidato tucano
Geraldo Alckmin, diz Venício, é apontado por levantamentos
realizados por três instituições independentes
de pesquisa: o Observatório Brasileiro de Mídia (OBM/MWG-Brasil),
capítulo brasileiro do Media Watch Global; o Doxa, Laboratório
de Pesquisa em Comunicação Política e Opinião
Pública do Instituto Universitário de Pesquisas do
Rio de Janeiro (Iuperj), e o Centro de Altos Estudos em Publicidade
e Marketing (CAEPM), da Escola Superior de Propaganda e Marketing
de São Paulo (ESPM-SP).
“Segundo o relatório do Doxa, nas eleições
de 2006 o desequilíbrio foi tão maior que é muito
difícil não identificar na cobertura um viés
partidário. Você não pode nem dizer que ele
foi desequilibrado. O Doxa vai mais longe e diz que foi partidário.
Então talvez essa tenha sido uma novidade”, diz Venício.
Novos mediadores
Mas por que, apesar desse cenário negativo, Lula se reelegeu?
Na avaliação de Venício, a crescente organização
da sociedade civil tem favorecido o surgimento de novos mediadores
e diminuído o poder de influência direta da grande
mídia numa velocidade muito maior do que a própria
imprensa é capaz de identificar.
“Mesmo que a maioria do eleitorado não tenha acesso
direto à internet, ela passa a ter um acesso indireto, que é mediado
por esses novos formadores de opinião que não são
aqueles da mídia tradicional. É gente que tem acesso
a uma pluralidade maior de informação que a internet
oferece e que a mídia tradicional, por sua vez, não”,
observa o pesquisador.
Para Venício, a grande mídia reproduz preconceitos
e ainda ignora a capacidade dos brasileiros que não integram
a “elite” de fazer “algum julgamento racional
inteligente”. “Para essa elite, a mídia impressa
continua sendo o que sempre foi. Só que essa mídia
impressa, que tem uma circulação reduzida, se afastou
muito do conjunto da população”, afirma.
No livro, além das reflexões de Venício,
estão reunidos artigos de outros 15 jornalistas e analistas
políticos, acadêmicos ou não, como Luís
Nassif, Paulo Henrique Amorim, Bernardo Kucinski, Marcos Coimbra,
Renato Rovai e Antonio Albino Canelas Rubim, entre outros.
Em que pese a editora ser de uma fundação criada
pelo PT, o coordenador do livro descarta qualquer viés partidário
no conteúdo da obra. “Eu tive uma preocupação
muito grande em tentar fazer um livro sério, que não
pudesse ser acusado de ser um livro partidário”, afirma,
ressaltando que entre os autores da obra há, inclusive,
profissionais que prestam serviços para o PSDB.
Venício A. de Lima é um dos principais estudiosos
da relação entre política e mídia no
Brasil. Em 2005, levantamento feito pelo pesquisador – e
reproduzido por este site – revelou que 51 dos 513 deputados
eram diretamente concessionários de rádio e TV, prática
proibida pela Constituição. O documento resultou
na abertura de um procedimento pela Procuradoria Geral da República.
Mestre, doutor e pós-doutor em Comunicações
pela Universidade de Illinois (EUA) e pós-doutor pela Universidade
de Miami-Ohio, é sociólogo, jornalista e publicitário.
Veja, a seguir, a entrevista dada por ele ao
Congresso em Foco.
Congresso em Foco – Como surgiu o livro A mídia
nas eleições de 2006? O que o senhor, como organizador,
pretendeu com ele?
Venício A. de Lima – O livro
foi uma iniciativa da editora (Fundação Perseu
Abramo), que me convidou para fazer uma proposta. Eu fiz
uma proposta, discuti com a editora, ela aceitou. Então
nós partimos para convidar as pessoas que eu achei
que poderiam contribuir. A minha proposta foi de um livro
que fosse, ao mesmo tempo, uma análise da relação
da mídia com as eleições de 2006 e
que também fosse um documento sobre as eleições.
De tal forma que, se daqui a alguns anos, alguém
quiser saber o resultado das eleições e os
documentos da relação da mídia com
o processo eleitoral, possa recorrer a ele.
A que perguntas o livro tenta responder?
O plano do livro foi responder a três questões básicas:
como é que foi a cobertura da imprensa da campanha eleitoral,
qual foi o papel da mídia nas eleições e de que
forma essa relação entre mídia e eleições
pode ser aperfeiçoada na democracia brasileira. E além
das respostas a essas três questões, tem um anexo com
as três principais reportagens de capa da Carta Capital que saíram
imediatamente depois do primeiro turno das eleições e
tem a resposta que o diretor-executivo de Jornalismo da Rede Globo
deu à primeira dessas matérias. Tem também a carta
do jornalista Rodrigo Vianna, que foi demitido da Rede Globo. Nós
queríamos publicar a resposta do diretor de Jornalismo da Globo
em São Paulo a essa carta, mas ele não autorizou. Então
nós damos a indicação de onde essa carta pode
ser encontrada na internet. É um comunicado à imprensa,
na verdade.
E tem também uma compilação feita diretamente
dos dados do TSE dos resultados da eleição para os
dois principais candidatos, tanto no primeiro turno quanto no segundo
turno, estado por estado. Então são, na verdade,
11 capítulos, cinco anexos, além de uma grande introdução
geral que eu mesmo fiz, que busca fazer uma espécie de resumo
dos pontos principais dos capítulos do livro.
Em relação às perguntas que o livro
pretende responder, vamos por tópicos. A primeira: como
foi a cobertura jornalística das eleições?
A que resposta foi possível chegar?
Nós solicitamos estudos a três instituições
diferentes – o capítulo brasileiro do Media Watch Global,
que é o Observatório Brasileiro de Mídia, o instituto
Doxa que é ligado ao Iuperj, da Faculdade Cândido Mendes
no Rio de Janeiro, e o Centro de Altos Estudos em Publicidade e Marketing
(CAEPM) da Escola Superior de Propaganda e Marketing de São
Paulo (ESPM-SP) – que fizeram um acompanhamento sistemático
da cobertura da mídia durante as eleições.
Esse instituto da ESPM fez um estudo pioneiro dos sites de relacionamento
na internet. Já o OBM e o Doxa fizeram o acompanhamento
da mídia impressa. O OBM fez dos cinco principais jornais
de referência nacional e das quatro revistas. O Doxa, dos
principais jornais. Tem a diferença de um jornal cujos resultados
não estão nesse relatório, que, salvo engano, é o
Jornal do Brasil. Mas, nessa primeira parte, a conclusão
dos estudos que fizeram análise da mídia é que
a cobertura foi, de maneira muito clara, desequilibrada a favor
de um dos candidatos.
A favor de quem?
A gente tem lá longos relatórios de pesquisa que não
podem ser contestados do ponto de vista da sua seriedade e da validade
da metodologia com a qual eles foram elaborados. Ficou muito claro
que, na sua maioria, a mídia impressa cobriu de forma desequilibrada
as eleições e que, com exceção da revista
Carta Capital, esse desequilíbrio favoreceu o candidato do PSDB.
Mas esse desequilíbrio não pode ser atribuído
ao calor da crise do mensalão em 2005?
Pode, mesmo porque a cobertura da crise também foi desequilibrada.
Embora, em imensa parte do livro, esses relatórios não
façam essa conexão. Mas, nos artigos da segunda parte,
pelo menos dois textos fazem claramente essa conexão.
A que se deve esse desequilíbrio? A uma deliberação
dos próprios veículos de comunicação?
As pesquisas constataram o desequilíbrio. A que atribuir isso?
As pesquisas não estavam em busca dessa resposta. Porque a pesquisa é uma
observação factual de acordo com determinados critérios
metodológicos. Não tem como atribuir por que isso aconteceu.
Na segunda parte, que é mais analítica e não tem
o compromisso da pesquisa, por exemplo, tem um artigo escrito pelo
Bernardo Kucinski em que ele levanta hipóteses sobre o que ele
chama de antilulismo, que prevaleceu entre os jornalistas, por exemplo.
Ele constata que entre os jornalistas mais jovens foi desenvolvendo-se
um antilulismo que tem componente, inclusive, o preconceito de classe.
Aí já é uma coisa mais de interpretação
analítica que corre pela responsabilidade de cada um dos analistas.
Mas os institutos só constataram o desequilíbrio. Eles
não têm, na verdade, como avançar na explicação
da razão desse desequilíbrio.
É possível identificar quando esse desequilíbrio
se tornou mais evidente?
Depende. Por exemplo, há momentos em que a relação
de colunas favoráveis a um dos candidatos chegou a quatro por
um, segundo o Observatório da Mídia. O pico de cobertura
negativa em relação a um candidato e positiva em relação
a outro coincide com a divulgação do dinheiro que teria
sido usado para comprar aquele suposto dossiê que foi revelado
por um delegado da Polícia Federal.
As matérias negativas tiveram alguma influência
no fato de a eleição ter ido para o segundo turno? É possível
averiguar isso ou não?
Um dos capítulos mais interessantes do livro é um artigo
do Marcos Coimbra, do Vox Populi, que tem inclusive um título
provocativo que é “A mídia teve algum papel durante
o processo eleitoral de 2006?”. É um artigo longo que,
inclusive, tem uma fundamentação teórica muito
interessante, apesar da conclusão do artigo ser de que, de um
modo geral, a importância da mídia nos resultados tenha
sido pequena. O momento em que, segundo o artigo, não há nenhuma
dúvida de que houve interferência direta da cobertura
da mídia foi na semana que antecedeu à realização
do primeiro turno. Ele mostra isso com base no acompanhamento feito
pelo Vox Populi.
E o que teve de novo na cobertura das eleições
do ano passado? Teve alguma novidade na forma como a mídia
cobriu o processo?
Para responder a essa pergunta, eu precisaria ter estudos, com os mesmos
dados, em relação às eleições anteriores.
O relatório do instituto Doxa faz uma comparação
entre a cobertura de 2002 e a cobertura de 2006. Segundo o relatório
do Doxa, nas eleições de 2006 o desequilíbrio
foi tão maior que é muito difícil não identificar
na cobertura um viés partidário. Você não
pode nem dizer que ele foi desequilibrado. O Doxa vai mais longe e
diz que foi partidário. Então talvez essa tenha sido
uma novidade.
Mas também não há, no caso, nenhuma
indicação das razões disso?
Uma pesquisa que fale no porquê estará olhando para uma
bola de cristal. Só se perguntasse aos jornalistas por que eles
deram uma inflexão. Isso não existe. O que você pode
fazer é levantar hipóteses em artigos de análise.
E é o que a segunda parte do livro faz. Mas lá nos relatórios
de pesquisa isso não aparece. O objetivo da pesquisa era ver
como foi a cobertura.
O senhor arrisca alguma hipótese?
Não, não arrisco.
O senhor acredita que os sites e os blogs, de maneira
em geral, tiveram um papel importante nesse processo também?
Essa pesquisa da ESPM trabalhou, sobretudo, com o Orkut. E no Orkut,
que é o maior site de relacionamento que há no Brasil,
a constatação da pesquisa foi de que havia mais sites
favoráveis ao candidato do PSDB do que ao candidato do PT. A
pesquisa da ESPM, que trabalhou com os principais blogs no período
eleitoral, constatou que, no caso brasileiro, eles estavam associados
aos grandes grupos de mídia. Na segunda parte do livro tem um
artigo muito interessante do Sérgio Amadeu, que é um
professor da Cásper Líbero e que já foi do Comitê Gestor
da Internet no Brasil.
Ele avança numa hipótese muito interessante sobre
a importância da internet nessas eleições que
tem a ver com a perda relativa de importância dos formadores
de opinião tradicionais. O artigo é muito interessante
e parte mais ou menos da constatação de que houve
um claro descolamento da opinião da maioria dos articulistas
da mídia impressa tradicional em relação à maioria
dos eleitores, o que se mostrou inclusive no resultado das eleições.
E uma coisa interessante é que esses considerados formadores
de opinião tradicionais foram sendo substituídos
por uma liderança que emerge da organização
da sociedade, numa velocidade muito maior que a própria
mídia tradicional admite. E essa nova liderança é ligada
diretamente aos movimentos sociais.
Ela, sim, tem acesso à internet e, portanto, passa a ter
um acesso a uma diversidade e pluralidade de opiniões que
a mídia tradicional não oferece. Um dos problemas
da influência da internet nos resultados eleitorais é a
questão da exclusão digital, que ainda é muito
grande no Brasil. Mesmo que a maioria do eleitorado não
tenha acesso direto à internet, ela passa a ter um acesso
indireto, que é mediado por esses novos formadores de opinião
que não são aqueles da mídia tradicional. É gente
que tem acesso a uma pluralidade maior de informação
que a internet oferece e que a mídia tradicional, por sua
vez, não. Isso está explicado, inclusive de uma forma
melhor, na introdução que eu fiz.
De alguma forma a credibilidade da grande mídia
ficou em xeque nas eleições de 2006?
Sem dúvida nenhuma. Eu acho que isso permeia vários artigos.
Gosto muito de uma observação do Bernardo Kucinski: ele
fala que na nossa mídia impressa a elite é a fonte, a
protagonista e a leitora das notícias. Então, para essa
elite, a mídia impressa continua sendo o que sempre foi. Só que
essa mídia impressa, que tem uma circulação reduzida,
se afastou muito do conjunto da população. E eu acho,
aliás, pensando no que está acontecendo até agora,
a grande mídia impressa continua distante do conjunto da população.
Como assim? Seria o “exagero”, apontado pelo
presidente Lula, no noticiário negativo em relação
ao país?
Não acho que é só por causa disso, não. É uma
posição de certo elitismo, de distanciamento, de não
reconhecimento da massa da população como capaz de fazer
algum julgamento racional inteligente. Essa posição que
eu acabei de expressar aqui esteve muito presente na campanha eleitoral,
na interpretação dos resultados das pesquisas. Ela acompanha
grande parte das análises que continuam atribuindo índices
favoráveis ao governo, ao presidente Lula, o que é uma
desqualificação da capacidade da maioria da população.
Isso é absolutamente freqüente. É mais por aí,
um distanciamento mesmo desse elitismo da nossa mídia impressa,
num país de extremas desigualdades sociais, econômicas
e educacionais. Essa mídia impressa fala para muito pouca gente.
Nesse caso, aproveitando até a última pergunta
respondida pelo livro: o que é necessário para
aprimorar o funcionamento da mídia na democracia brasileira?
Tem um artigo, talvez o mais acadêmico do livro, escrito por
um colega nossa aqui da UnB, o Luis Felipe Miguel. Ele faz uma análise
comparada muito interessante dos modelos de organização
da mídia que já existiam historicamente e uma série
de recomendações com relação a mecanismos
legais de controle. Por exemplo, de concentração da propriedade
no sentido de garantir os princípios que a doutrina da democracia
liberal defende para mídia nas democracias, como a pluralidade
e a diversidade. Só que ele faz uma análise um pouco
mais teórica e histórica desses diferentes modelos e
vai por esse caminho.
Mas, a médio prazo, é possível falar
em um modelo em que seja possível avançar nessa
relação entre mídia e processo eleitoral
para que haja um equilíbrio?
O livro não tem uma solução mágica para
isso. Uma preocupação minha desde o princípio
foi de que o livro não ficasse apenas numa crítica. Que
o livro tivesse também um lado propositivo. O livro não
faz proposta de legislação, nem uma análise dos
desequilíbrios históricos que são característicos
do sistema brasileiro de radiodifusão. O que o livro faz é avaliar
as alternativas de organização dos sistemas de mídia,
em como um sistema de mídia numa democracia rigorosa deve funcionar.
E aí recomenda medidas no sentido de garantir esses princípios
da pluralidade, da diversidade e do localismo.
A mídia, de alguma forma, foi derrotada nesse processo
eleitoral?
Vários autores disseram que sim. Tem um artigo muito interessante
do Luís Nassif que fala isso, tem um artigo do Renato Rovai
que fala isso. Com toda certeza, a gente pode afirmar, pela avaliação
desse desequilíbrio da cobertura, que o candidato que ganhou
não era o candidato preferido pela grande mídia. Então
nesse sentido ela foi derrotada sim.
O senhor, como pesquisador, percebeu alguma mudança
neste primeiro semestre na relação da grande imprensa
com o presidente Lula?
Não. Absolutamente, não. Não percebo nenhuma mudança.
Aliás, não tenho nenhuma expectativa pessoal, aqui eu
falo como uma pessoa que observa a mídia há muitos anos,
não como organizador do livro. Eu acho meio complicada essa
relação que se estabeleceu entre a grande mídia
e o governo Lula. Creio que ela vai continuar até o fim. Eu
não vejo muita saída. Eu deposito uma esperança
muito grande, espero não me frustrar, com o início de
funcionamento da TV pública. Além de cumprir um preceito
constitucional, a TV pública vai oferecer – espero que
ofereça – uma alternativa, sobretudo ao jornalismo, na
cobertura política com mais equilíbrio e com credibilidade.
Que possa servir de referência como um novo momento da cobertura
política no Brasil da relação da mídia
com a política. Eu tenho muita esperança nesse sentido.
Agora, eu tenho a impressão de que, desde o início da
crise de maio de 2005 pra cá, as relações ficaram
muito contaminadas. E há uma má vontade mesmo, que está instalada.
A gente vê isso na escolha dos editorias, na escolha edição
de fotos. Infelizmente, eu vejo isso com certo pessimismo.
O senhor chega a identificar preconceito também,
como disse o presidente Lula?
Eu acho que, em certos casos, essa talvez seja a palavra mais indicada.
Eu não queria, eu não sei qual é a sua intenção,
mas eu não queria associar o livro às minhas opiniões
pessoais. São 16 autores e há dois, inclusive, que prestam
serviços ao PSDB. Eu tive uma preocupação muito
grande em tentar fazer um livro sério, que não pudesse
ser acusado de ser um livro partidário. Você está pedindo
de mim opiniões que acabam indo por esse rumo. Mas acho que
o preconceito não é só da imprensa, é da
nossa cultura política. Até na convivência pessoal
dá para perceber que, para muitas pessoas, é difícil
aceitar que uma pessoa sem escolaridade, que tem a origem do presidente
Lula, seja presidente da República. Isso é uma característica
da cultura política brasileira, não há como negar.
|
Congresso em Foco, 9 de
setembro de 2007
Os dez mais da elite do Congresso Nacional
Mesmo sendo numericamente inferior, a oposição
elegeu metade dos dez congressistas considerados mais influentes
por seus próprios colegas. Veja quem são eles e a análise
de Antônio Augusto de Queiroz.
“Cabeças” elegem os dez parlamentares mais influentes do Congresso
Antônio Augusto de Queiroz*
O Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap)
concluiu a pesquisa que identifica os dez parlamentares mais influentes
do Congresso Nacional, segundo opinião dos próprios
deputados e senadores. Todos os anos, após divulgar a lista
dos 100 “cabeças”, o Diap faz a pesquisa para
a escolha dos dez parlamentares que integram a elite do Legislativo.
Dos 100, 88 responderam à enquete e elegeram os seguintes
congressistas como os dez mais influentes do Poder Legislativo
em 2007.
1º lugar – deputado Arlindo
Chinaglia (PT-SP), atual presidente da Câmara,
com 56 votos;
2º lugar – deputado José Múcio
Monteiro (PTB-PE), atual líder do governo na
Câmara, com 39 votos;
3º lugar – senador Arthur
Virgilio (AM), líder do PSDB no Senado, com 38
votos;
4º lugar – senador José Sarney (PMDB-AP),
ex-presidente da República e do Senado Federal, com 34 votos;
5º lugar – deputado Ciro Gomes (PSB-CE),
estreante no Congresso, com 27 votos;
6º lugar – senador José Agripino
Maia (RN), líder do DEM no Senado, com 27 votos;
7º lugar – deputado Antônio
Carlos Panunnzzio (SP), atual líder do PSDB na
Câmara, com 26 votos;
8º lugar – senador Tasso Jereissati (CE),
presidente nacional do PSDB, com 21 votos;
9º lugar – deputado Henrique
Fontana (PT-RS), vice-líder do governo na Câmara,
com 20 votos;
10º lugar – deputado Onyx
Lorenzoni (RS), líder do DEM na Câmara
dos Deputados, com 20 votos.
O resultado da pesquisa fornece algumas pistas importantes sobre
critérios para a escolha dos deputados e senadores mais
influentes.
A primeira é que o aspecto institucional possui peso decisivo,
tanto que somente dois dos eleitos não exercem cargos na
estrutura da Casa ou nas lideranças dos partidos.
A segunda é que, apesar de a Câmara possuir seis
vezes mais parlamentares do que o Senado, os parlamentares procuram
equilibrar seus votos entre deputados e senadores.
A terceira é que a oposição, mesmo sendo
numericamente inferior, elegeu cinco dos dez parlamentares mais
influentes.
A sexta é que ideologicamente foram eleitos apenas dois
de esquerda (Chinaglia e Fontana), um de centro-esquerda (Ciro
Gomes) e os demais são de centro ou centro-direita no espectro
político.
A sétima é que há heterogeneidade do ponto
de vista profissional, com três empresários, três
médicos, sendo um médico-veterinário, dois
engenheiros, um advogado e um diplomata.
A quarta é que, regionalmente, o Nordeste teve a melhor
performance, com a eleição de quatro dos dez. As
regiões Norte, Sul e Sudeste elegeram dois cada, sendo que
o Rio Grande do Sul e São Paulo concentraram os eleitos
das regiões a que pertencem.
A quinta é que, do ponto de vista partidário, o
melhor desempenho individual coube ao PSDB, partido de oposição,
que elegeu três dos dez mais influentes; seguidos do PT e
do DEM, com dois cada, e do PTB, do PMDB e do PSB, com um cada.
Logo abaixo dos dez, com votação expressiva, está um
grupo de parlamentares com elevado grau de influência, como
o deputado Michel Temer (SP), presidente do PMDB, em 11º lugar;
Aloizio Mercadante (PT-SP), em 12º; o senador Renan Calheiros
(PMDB-AL), presidente do Senado, em 13º; o deputado Fernando
Gabeira (PV-RJ), em 14º; o deputado José Carlos Aleluia
(DEM/BA), em 15º; o deputado Rodrigo Maia (RJ), presidente
do DEM, em 16º; o deputado Henrique Alves (RN), líder
do PMDB na Câmara, em 17º; a senadora Ideli Salvatti
(SC), líder do PT no Senado, em 18º; o senador Pedro
Simon (PMDB-RS), em 19º; deputado Miro Teixeira (RJ), líder
do PDT na Câmara, em 20º; o senador Romero Jucá (PMDB-RR),
líder do governo no Senado, em 21º.
O resultado da pesquisa, como se vê, permite muitas interpretações,
inclusive do ponto de vista conjuntural, político e reputacional.
Na página do Diap na internet, o leitor encontrará a
lista completa com o voto dos parlamentares que foram citados como
influentes na pesquisa entre os “cabeças”.
O Diap considerou como critério de desempate a ordem alfabética.
Isso significa que os parlamentares que estão em 6º lugar
e 10º lugar poderiam reivindicar a troca de posição,
respectivamente com o 5º e o 9º, se adotada outra regra
de classificação.
*Antônio Augusto de Queiroz, é jornalista,
analista político e diretor de Documentação
do Diap.
|
Gazeta do Povo, 9 de setembro
de 2007
BRASIL | ELEIÇÕES
Ciro viaja pelo país
de olho em 2010
De forma ainda silenciosa, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE)
está pondo em prática uma estratégia ambiciosa
para tentar consolidar seu nome em todo país como presidenciável
em 2010. Há quatro meses, Ciro passou a viajar para todas
as regiões do Brasil em encontros estaduais, numa agenda que
ocupa todos os fins de semana do ex-ministro do governo Lula. Com
o apoio dos partidos que integram o chamado bloco de esquerda (PSB,
PDT e PCdoB), o político cearense passou a costurar intensamente
a sua candidatura, apesar de não admitir publicamente a condição
de presidenciável.
|
 |
Gazeta
do Povo, 9 de setembro de 2007
BRASIL | LEGISLAÇÃO
CLT muda sem mexer em
direitos
“Bíblia” do
trabalhador cria 51 novas profissões e revoga artigos
obsoletos
por
ANDRÉ GONÇALVES, correspondente
Brasília – Às vésperas de completar
65 anos, a “bíblia” do trabalhador passa por
atualização. O projeto de lei com a nova versão
da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) foi
encaminhado na quarta-feira à Mesa Diretora da Câmara
dos Deputados.
Até março, devem entrar em vigor as mudanças
que extinguiram 250 artigos, inseriram outros 1,3 mil e multiplicaram
o número de profissões regulamentadas de 13 para
61.
A partir do ano que vem,
constará na CLT todo o conjunto de regras para
o registro profissional específico, por exemplo,
de treinadores de futebol, peões de rodeio e guardadores
de carros. Também serão abolidas normas
esdrúxulas para os dias de hoje – como a
obrigatoriedade de um banquinho para descanso a toda
mulher trabalhadora.
O autor da proposta, deputado
federal Cândido Vacarezza (PT-SP), explica que
o novo formato restringe-se a mudanças organizacionais. “Não
estamos provocando qualquer alteração legal.
Estamos tornando a legislação mais simples,
clara e inteligível para os trabalhadores.”
A declaração
refuta a idéia de que o projeto seria um passo
decisivo para a implantação da reforma
trabalhista, sonho antigo do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva.
“
A ordem é revogar o que é obsoleto,
escolher entre o que está coincidindo
e incorporar o que não estava previsto”,
ressalta Vacarezza.
Criada em 1943 por Getúlio Vargas, a CLT ficou ao largo
dos avanços nas relações de trabalho. Apesar
de ainda servir de matriz para boa parte das categorias profissionais,
já recebeu mais de 200 alterações.
Além disso, teve de conviver com o inchaço de novas
regras criadas por quatro novas Constituições Federais
(1946, 1967, 1969 e 1988).
O excesso de regras virou
paraíso de advogados, mas trouxe o caos para a
cabeça do trabalhador comum. Exemplo disso é a
regulamentação para a dispensa sem justa
causa, que até 1966 era baseada apenas na CLT
e garantia estabilidade ao funcionário após
10 anos no serviço.
Nos últimos 40 anos, foram mais quatro alterações,
até a vinculação à multa de 40% sobre
o Fundo de Garantia sobre Tempo de Serviço (FGTS), o que
ainda depende de uma lei complementar para ficar totalmente clara.
O principal mérito
da nova consolidação será ordenar
esse emaranhado de leis e, com isso, proporcionar mais
segurança jurídica. O efeito seria a diminuição
da morosidade da Justiça, da aplicação
inadequada de penas e da impunidade.
O professor da Universidade
de Brasília e especialista em economia do trabalho,
Carlos Alberto Ramos, aprova a atualização,
mas lembra da necessidade de uma modernização “conceitual” das
relações entre empregado e empregador no
país.
“É
necessário progredir para um sistema
que proteja mais o trabalhador e menos o
posto de trabalho.”
Segundo ele, é inaceitável que conflitos trabalhistas
fiquem até 7 anos tramitando na Justiça. A solução
seria a implementação de dispositivos que agilizassem
as negociações.“ Só que toda mudança
realmente profunda enfrenta resistência por parte dos trabalhadores,
que temem qualquer tipo de perda.”
O presidente nacional da
Força Sindical e deputado federal, Paulo Pereira
da Silva (PDT-SP), reflete esse sentimento. Ele apóia
a modernização na CLT, mas é cauteloso. “Se
não mexer com direitos dos trabalhadores, não
temos nada contra.”
Mudanças entram
em vigor em 2008
Um levantamento feito pela assessoria jurídica da Casa
Civil do Palácio do Planalto aponta que o Brasil possui
181.318 normas legais. A maioria delas é conflitante com
leis posteriores e, principalmente, com a Constituição
Federal de 1988.
A consolidação é uma maneira encontrada
para diminuir essas distorções, integrando as regras
relacionadas a uma determinada matéria (como a trabalhista)
em um único formato legal.
O Grupo de Trabalho para
Consolidação das Leis Brasileiras funciona
desde 1997 na Câmara dos Deputados. Nos últimos
dez anos, os parlamentares apresentaram 11 leis de consolidação,
divididos por áreas temáticas, como legislação
mineral, de crédito rural, eleitoral e educacional.
Curiosamente, a maioria está defasada pela demora
de tramitação no Congresso.
Apesar disso, o autor do
projeto de lei da nova CLT, Cândido Vacarezza (PT-SP)
está otimista na velocidade do encaminhamento
da sua proposta. No começo de outubro, o material
deve ser levado à Comissão de Constituição
e Justiça, ao plenário da Câmara,
e depois ao Senado.
“
A proposta tem prioridade e, como é de
interesse geral, deve ser aprovada com velocidade
e estar sancionada até março
de 2008.”
|
|
Gazeta do Povo, 9 de setembro
de 2007
BRASIL | MARCO
Consolidação é símbolo
de Vargas, novo espelho do presidente Lula
Antiquada para a atualidade, a CLT foi o grande marco nas
relações de trabalho brasileiras. A consolidação
entrou em vigor por meio de uma resolução do ex-presidente
Getúlio Vargas, em plena ditadura do Estado Novo. O “pai
dos pobres”, cuja morte completou 53 anos no mês passado,
virou referência recente dos discursos de Lula.
O documento mescla princípios paternalistas com
o atendimento de necessidades reais dos trabalhadores.
Apesar de engessar a capacidade de organização
própria dos empregados, garante uma série
de direitos. Foram criadas regras para o registro em
carteira de trabalho, jornada, férias, convenções
coletivas e a Justiça do Trabalho.
Apesar do conteúdo ter sido alterado em aproximadamente
20% ao longo dos últimos anos, a CLT ainda é o
principal marco regulatório e de proteção
das relações individuais e coletivas de
trabalho. O economista Carlos Alberto Ramos avalia, porém,
que o documento não pode ser endeusado apenas
por seu caráter histórico. “A CLT
foi implementada em um outro mundo. O Brasil era uma
sociedade em transição, de uma economia
quase rural, arcaica.”
A esse contexto junta-se um forte componente internacional,
provocado pela Segunda Guerra Mundial. Na época,
Vargas havia acabado de romper com os países do
Eixo (Alemanha, Itália e Japão) e entrado
no conflito ao lado dos Aliados (Estados Unidos, Inglaterra,
França e ex-URSS). A CLT era uma espécie
de “amortecedor” dos conflitos internos. “Era
um período em que não havia proteção
política e sindical. Aí aparece o Estado
como protetor do trabalhador, dentro de todo discurso
paternalista”, explica Ramos. (AG)
|
Gazeta do Povo, 9 de setembro
de 2007
ECONOMIA | FINANÇAS PESSOAIS
Bancos ajudam clientes a economizar
Cartilhas das instituições
financeiras orientam sobre uso correto do crédito
e dos investimentos
por HELENA CARNIERI
Contra o calote, educação. Essa é a aposta de
pelo menos cinco bancos e financeiras – HSBC, Itaú, Banco
do Brasil, ABN Amro Real e CitiFinancial –, que criaram programas
para ensinar seus clientes a evitar dívidas e guardar dinheiro.
A lição é óbvia: o brasileiro precisa colocar
seu orçamento no papel e fazer uma reserva. Em meio ao texto,
claro, os bancos oferecem ao cliente os seus serviços.
A cartilha do HSBC sugere o uso do débito automático
e do atendimento via telefone, internet e caixas automáticos – que
servem para descongestionar o caixa convencional. Foram
distribuídos 20 mil exemplares para o público
externo. “Queremos que o cliente use as linhas de
crédito de maneira positiva e momentânea.
E principalmente que ele tome a quantia que caiba no bolso
e devolva o dinheiro para a empresa”, diz o executivo
do HSBC, João Cereda.
A cartilha do Itaú ensina que “o crédito
antecipa um sonho, mas só é bom se melhorar
a qualidade de vida e couber no orçamento”.
O texto também dá dicas de como cortar despesas,
ensina a ler contratos e a conversar com credores.
As dicas, no entanto, são claramente de quem atua
do lado de lá do balcão do crédito. “Em
caso de atraso no pagamento, a instituição
financeira não é obrigada a renegociar a
dívida.”
A mais detalhada das cartilhas é a do ABN Amro
Real. Ela procura orientar o cliente a traçar seus
objetivos, abordando a importância de questões
como idade, prazos e sonhos. “É normal que
o empenho (em se planejar) seja maior no início.
Empolgue-se com sua decisão.”
A cartilha também ensina a calcular gastos, o passo-a-passo
dos investimentos e modalidades de cartões. É grande
a ênfase no relacionamento com o banco. O Real sugere
ao cliente, por exemplo, anotar o telefone do gerente na
agenda, para emergências, manter conversas freqüentes
e tentar diminuir os custos da conta. “Dependendo
do relacionamento com seu gerente, você pode até ter
isenção de mensalidade.”
O consultor financeiro Gustavo Cerbasi, autor do livro “Casais
inteligentes enriquecem juntos”, participou da elaboração
de cinco cartilhas de banco. Para ele, trata-se de uma
resposta às críticas de altas tarifas e juros.
Como prestadoras de serviços, as instituições
financeiras estão interessadas em maximizar os resultados – e
para isso o cliente precisa saber o que está fazendo
com seu dinheiro. “O cliente mais exigente fará melhor
proveito dos serviços do banco quanto mais conhecimento
tiver.”
Já o economista Gerson Lima, professor da Facinter,
considera a edição de cartilhas educativas
uma forte ação de marketing, mas de fraca
eficácia. “Os bancos distribuem o material
para agradar clientes que têm dinheiro aplicado,
ou seja, que já se planejam.” O consultor
financeiro pessoal Raphael Cordeiro discorda dessa visão. “Muitas
pessoas de alta renda não colocam no papel seu orçamento
doméstico.”
Para as crianças, materiais
lúdicos
Alguns bancos escolhem formato e conteúdo lúdico para
ensinar a poupar. O Banco do Brasil criou jogo de perguntas e respostas,
em que o cliente que erra leva um “sermão”. A gerente
de investimentos do banco, Maria Izabel Gribel, conta que o curso on-line
de planejamento financeiro desenvolve a cultura de poupança. “Recebemos
muitos e-mails agradecendo.” Até o fim do ano, a idéia é lançar
um simulador de investimentos.
O CitiFinancial, braço do Citibank, pensou nas
crianças e donas-de-casa na elaboração
de materiais de maior apelo. Um bloquinho traz um “check-list” de
compras de supermercado e um folheto dá dicas como “desconfie
de instituições que ofereçam muita
facilidade” e “compre frutas e verduras por
unidades”.
“Existem dicas simples para economizar que muita
gente não conhece, como baixar o fogo depois da
fervura para poupar 60% do gás”, diz o superintendente
do CitiFinancial, Maurício Cascardo. As crianças
recebem um forro de bandeja com um porquinho e sonhos de
consumo para colorir. Ao lado, ela desenha o que vai comprar
quando começar a poupar. Os jovens também
estão na mira do grupo financeiro. O livro “Esticando
a grana” ensina conceitos financeiros a universitários.
|
Gazeta do Povo, 9 de setembro
de 2007
ECONOMIA | FINANÇAS PESSOAIS
Empresas ensinam a gerenciar
o salário
Em casos muito graves, Itaipu
coloca salários dos funcionários “na
UTI”
por HELENA
CARNIERI
Cristtian Rizzi/Gazeta do Povo

Ivo Antônio dos Santos, responsável pelo programa de orçamento
doméstico da Itaipu Binacional
A preocupação com o orçamento
das famílias chega aos empregadores. Não é raro
encontrar programas de educação financeira dentro de
empresas. É o caso da montadora sueca Volvo, que tem fábrica
na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). No período de quatro
anos, a organização concedeu treinamento gratuito para
500 funcionários, sempre no horário do expediente.
O resultado foi que os freqüentes pedidos de socorro
financeiro ao departamento de recursos humanos da empresa
caíram em 60%, e agora são raros os casos
extremos – quando a empresa recomenda ao funcionário
um coaching pessoal para lidar com as finanças (também
pago pela empresa). “A cultura brasileira leva ao
endividamento. Iniciamos o programa quando percebemos que
apenas ajuda pontual não resolve. É preciso
agir preventivamente”, diz o analista de recursos
humanos da empresa, Rubens Cieslak.
A coordenadora de viagens da empresa, Regina Borsari,
fez o curso e detectou falhas em seu comportamento financeiro:
sentia-se culpada por não comprar bens para os filhos.
Começou a aplicar dinheiro e agora sonha com uma
previdência privada. “Só controlar os
gastos é muito pouco”, diz.
Confisco
O gerente de transporte da Itaipu Binacional, Ivo Antônio
dos Santos, é o responsável pelo programa
de orçamento doméstico da empresa. Ele dá palestras
sobre planejamento financeiro dentro e fora da corporação.
“O mais importante é a pessoa que está em
treinamento ter o apoio da família, porque nos casos
mais graves colocamos todos na ‘UTI’. Desviamos
o ganho mensal da pessoa para uma conta administrada pela
Itaipu e vamos ensinando aos poucos como fazer”,
conta. “É como tratar de um drogado.” Cerca
de 60 famílias já passaram pelo “internamento”.
Santos tornou-se especialista no assunto depois de penar
na vida pessoal. “Eu gastava antes de chegar o salário,
tinha ansiedade de ter coisas e nenhuma paciência
de esperar o momento certo ou fazer poupança. Precisava
de uma bicicleta e comprava um carro.”
Nos últimos cinco anos, o Serviço Central
de Proteção ao Crédito da Associação
Comercial do Paraná (ACP) registrou 3 milhões
de casos de dívidas no comércio na região
de Curitiba. “Creio que nem 10% das pessoas guarda
dinheiro”, estima a psicanalista Vera Rita de Mello
Ferreira. Quando pergunta a seus pacientes o quanto ganham,
em geral eles não sabem o valor exato ou se é o
valor bruto ou líquido. Ela acredita, no entanto,
que ninguém tem desculpa para não controlar
as finanças depois do Plano Real e da estabilidade
que ele trouxe.
Para Vera Rita, outro aspecto da imaturidade financeira é a
confiança excessiva: a pessoa compra um ativo que
não dá o retorno mas não desiste dele
para não dar o braço a torcer. Já outros
têm falta de paciência e vendem ações
em baixa.
Gerentes estão de olho
A maior parte das cartilhas dos bancos é entregue ao correntista
por um gerente, quando este percebe dificuldades na administração
das finanças pessoais. Há quatro anos, esses profissionais
estão mais qualificados para orientar o cliente.
Em 2003, o Conselho Monetário Nacional passou a
exigir testes de aferição do conhecimento
para gerente e uma versão avançada para aqueles
que vendem opções de investimento. A primeira
modalidade, que custa R$ 145, já foi realizada por
65 mil pessoas. A prova envolve conceitos básicos
de economia e finanças pessoais. A versão “top” custa
R$ 300 e foi cumprida por 76 mil profissionais. “Antes
disso, o cliente podia saber mais que seu gerente. Se isso
acontece hoje não é por falta de treinamento,
mas porque o cliente se especializou”, diz o responsável
pela certificação da Associação
Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), Luiz Calado.
|
Folha de de Londrina, 9
de setembro de 2007
Brasil é o país com maior
gasto previdênciário do mundo
O Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking dos países com maior
gasto previdenciário em relação às suas possibilidades
estruturais, de acordo com pesquisa divulgada na última semana
pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
No estudo Comparativo Internacional para a Previdência
Social, os pesquisadores Rogério Boueri Miranda e
Marcelo Abi-Ramia Caetano utilizaram uma metodologia que
permitiu comparar gastos previdenciários entre diversos
países, considerando suas respectivas condições
sociais, demográficas e econômicas.
"Criamos um indicador comparativo que contrasta os
benefícios previdenciários concedidos com a
capacidade econômico-financeira de concessão
de cada país", disse Caetano à Agência
FAPESP.
No ranking, o Brasil divide o primeiro lugar com Áustria,
Suíça, Uruguai e Nigéria. Em seguida,
aparecem Alemanha, Turquia, Hungria, Finlândia, Estados
Unidos e Espanha. Segundo Caetano, o ranking não seria
eficiente se considerasse apenas os gastos com previdência
como percentual do Produto Interno Bruto (PIB) – critério
segundo o qual o Brasil ficaria em 14º lugar –,
porque deixaria de lado outras variáveis que influenciam
no gasto real.
"Um país com uma proporção maior
de idosos, por exemplo, naturalmente gasta mais com a previdência,
distorcendo seu dispêndio em relação
ao PIB. Nossa metodologia procurou utilizar a combinação
de cinco variáveis, considerando os gastos previdenciários
de cada país em relação às suas
possibilidades estruturais", explicou Caetano. "Nas
cinco variáveis o Brasil está fora do padrão
internacional."
A primeira variável foi a razão de dependência
demográfica, ou seja, o quociente entre o total da
população com 65 anos ou mais e a população
economicamente ativa. Segundo os autores, sua utilização
baseia-se no fato de que países com maiores valores
para esta variável teriam que gastar mais com previdência
em relação ao PIB. Ou seja, por esse critério,
os gastos elevados com a previdência no Brasil, um
país mais jovem que a média, não se
explicariam.
A segunda variável foi a relação da
aposentadoria média com a renda per capita. O estudo
indicou que o Brasil tem uma relação mais de
10 pontos acima da média internacional. "A maior
proporção da aposentadoria em relação à renda
média significa que o regime previdenciário
repõe ao aposentado e pensionista parcela elevada
de sua renda na vida ativa no mercado de trabalho. Nesse
sentido, é de se esperar que o aumento do valor médio
dos benefícios tornará o gasto previdenciário
mais alto", disseram os autores.
Em terceiro lugar, foi utilizado o percentual de contribuintes
na força de trabalho. Segundo a pesquisa, pouco mais
da metade da força de trabalho brasileira – cerca
de 56% – encontra-se coberta por algum tipo de regime
previdenciário, valor muito inferior à media
de 67,6% dos países analisados o que também
não justificaria os gastos previdenciários
no Brasil.
A quarta variável empregada na comparação
entre os países foi a alíquota total de contribuição
previdenciária, isto é, a soma das alíquotas
pagas por empregadores e empregados. O Brasil se destacou
nesse quesito com a sétima maior alíquota de
contribuição previdenciária entre os
países estudados. "Cobranças elevadas
permitem o recebimento de benefícios maiores. Portanto, é de
se esperar que países com alta tributação
para seus regimes de previdência gastem mais",
destacaram os autores do estudo.
Por fim, a última variável utilizada foi o
inverso da idade mínima para aposentadoria. O estudo
ressaltou que o Brasil é um dos seis países
que ainda permitem aposentadorias sem limite de idade, o
que seria outro fator para explicar o elevado gasto previdenciário
no país.
Nos gastos previdenciários como percentual do PIB,
o Brasil está em 14º lugar: 11,7% de tudo o que é produzido
no país é gasto com a previdência. A
Itália está em primeiro lugar nesse aspecto,
com gastos correspondentes a 17,6%.
O estudo Comparativo Internacional para a Previdência
Social, de Rogério Boueri Miranda e Marcelo Abi-Ramia
Caetano, com a descrição da metodologia empregada,
pode ser lido em: www.ipea.gov.br.
|
O Estado do Paraná,
9 de setembro de 2007
Direito e Justiça
Normas imperativas de Direito Internacional
Privado (Lois de Police)
Edésio Passos
A obra “Normas imperativas de Direito Internacional Privado
(Lois de Police)”, da doutora Tatyana Scheila Friedrich,
está dividida em duas partes (1) Normas imperativas de Direito
Internacional Privado (2) Os Direitos Humanos como normas imperativas.
Anteriormente, a autora publicou “Normas imperativas de Direito
Internacional Público: jus cogens”, sua dissertação
de mestrado, enquanto a obra recém-publicada é sua
tese de doutoramento na Universidade Federal do Paraná,
onde é professora adjunta e coordenadora do Programa de
Extensão “Núcleo de Estudos em Direito Internacional
da UFPR”, além de integrante do Núcleo de Pesquisa
em Direito Público do Mercosul vinculado ao programa de
pós-graduação da UFPR, exercendo, ainda, a
editoria da Revista Brasileira de Direito Internacional. “As
normas imperativas de Direito Internacional Privado são
aquelas regras de âmbito interno que contêm determinados
assuntos considerados essenciais ao país que as promulgou
e, por isso, são automaticamente aplicadas” (pág.
25) explica a autora. E dentro deste arco, apresenta a proposta
de “conceber como norma imperativa os Direitos Humanos, em
sentido amplo, abarcando tanto os Direitos Fundamentais previstos
nas Constituições dos países como os Direitos
Humanos propriamente ditos, ou seja, aqueles previstos nos Tratados
Internacionais e que são incorporados como hierarquia constitucional
ao ordenamento jurídico interno” (pág. 228).
No que se refere ao Direito do Trabalho, posiciona-se a autora: “O
Direito do Trabalho, envolvendo aspectos internacionais, esteve
tradicionalmente vinculado à territorialidade, normalmente
com base no conceito de ordem pública. Uma questão
concreta e a repercussão que teve na doutrina francesa aproximaram-no
do tema das normas imperativas, onde se consolidou” (pág.
63). E relata questões legais relacionadas com sindicato
e os trabalhadores por ele representados na França em face
a empresa estrangeira. Mas, embora se entenda que “o Direito
do Trabalho não pode ser regulamentado pelas normas de Direito
Internacional Privado”, entretanto “a interação
entre o Direito do Trabalho e a norma imperativa de Direito Internacional
Privado é bastante didática para as duas disciplinas.
O primeiro proporciona à segunda ‘informações
particularmente instrutivas sobre as condições de
sua aplicação prática’. Já a
norma imperativa leva à busca do real “domínio
de aplicação de cada texto em relação às
imperatividades da organização social”(pág.
64). Em suas considerações finais, a autora sintetiza
sua obra apresentando dez proposições (Editora Forum,
31.2121.4900, www.editoraforum.com.br).
História do Direito: dia 12 de setembro, às
9h., na sede da OAB.PR (rua Brasilino Moura, 253, Curitiba), abertura
do III Congresso Brasileiro de História do Direito (UFPR/IBHD).
Conferência inaugural do professor Paolo Grossi, da Universidade
de Firenze, Itália. O evento se estende até 15 de
setembro, com a presença de expressivos nomes da cultura
jurídica mundial. Tema: “Do antigo regime à modernidade
jurídica”.
Jurídico dos Rodoviários: a desembargadora
Rosalie Michaele Bacila Batista, vice-presidente do TRT/PR, pronunciou
a conferência inaugural do V Seminário Jurídico
e de Dirigentes Sindicais Rodoviários, realização
da Federação dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários
do Paraná nos dias 31/10 e 1/9, em Curitiba, sobre o tema “Negociações
coletivas, ações plúrimas e direitos difusos
dos trabalhadores”. O conclave debateu, também, a
ação do Ministério Público do Trabalho,
com as palestras dos procuradores do trabalho drs. Ricardo Bruel
da Silveira e Alberto Emiliano de Oliveira Neto. As questões
relativas à previdência social foram enfrentadas pelo
dr. Fabrício Monteiro Kleinibing, gerente executivo do INSS,
e outros representantes do Instituto. Matéria de atualidade
do direito do trânsito, em especial a defesa do trabalhador
em caso de acidente causado pela má condição
veicular de responsabilidade da empresa, esteve a cargo do dr.
Marcelo José Araújo. As novidades do tema sobre “Falência
e concordata: fraude aos trabalhadores, autogestão e intervenção
judicial na administração” foram apresentadas
pelos advogados Sandro Lunard Nicoladeli e Emerson Fukushima. Por
sua vez, a professora Lúcia Maria Beloni Corrêa Dias,
proferiu palestra sobre “Medidas judiciais para defender
a liberdade e a organização sindical”. Finalmente,
o advogado e vereador André Passos analisou pontos da atual
conjuntura política, econômica e sindical relacionados
com as negociações coletivas. O coletivo de advogados
da entidade debateu outras questões da atualidade da legislação
laboral e processual e definiu encaminhamentos na defesa dos direitos
e interesses da categoria profissional e suas entidades representativas.
A coordenação geral dos trabalhos coube aos dirigentes
sindicais da Federação Epitácio Antônio
dos Santos, Josiel Tadeu Teles e José Aparecido Faleiros.
FGTS: Os trabalhadores vão pedir ao governo
alterações na lei para evitar maiores perdas na correção
do FGTS. Pesquisa do Instituto FGTS Fácil aponta perdas
de 28,7% nas contas do fundo entre fevereiro de 1991 e julho deste
ano. A diferença de quase 29% em relação ao
INPC provocou perdas de R$ 46 bilhões ao patrimônio
dos trabalhadores. A perda é resultante da correção
das contas do fundo pela TR mais 3% de juros ao ano. A poupança,
por exemplo, rende TR mais 6,17% ao ano. O Dieese também
elaborou cálculos indicativo das perdas. O presidente da
UGT (União Geral dos Trabalhadores), Ricardo Patah, solicitou
audiência com o presidente Lula para apresentar propostas
de mudança na lei que regulamenta o fundo.
As Centrais Sindicais CUT, Força Sindical, Nova Central
Sindical dos Trabalhadores e CGTB também vão pedir
audiências ao Ministro das Cidades e à Caixa Econômica,e
debater a questão no Conselho Curador do FGTS. O departamento
jurídico da Confederação Nacional dos Trabalhadores
Metalúrgicos analisa uma forma de solicitar a troca da TR
por outro índice para evitar novas perdas. No Paraná,
o presidente da Fetraconspar, Geraldo Ramthun, já havia
levantado dados das diferenças existentes e encaminhado
propostas de mudança na lei, afirmando que “os prejuízos
aos trabalhadores são injustificáveis, pois se trata
de recursos fundamentais para sua vida e de sua família,
fruto de seu esforço no trabalho”.
Direito Sindical: “A liberdade na participação
do processo eleitoral dos sindicatos é da mesma natureza
da que deve existir no próprio processo eleitoral político-partidário.
Esta liberdade não está a depender do que fez ou
vai fazer o candidato que participa da eleição. Esta
liberdade existe em favor do eleitor, da qual, momentaneamente,
aproveita-se o candidato. Mas, não se confundam as coisas.A
liberdade de participação no processo político,
quer seja em nível de sindicato, quer a níveis mais
elevados, é do sistema a que nos acostumamos chamar de democracia.
Não se pode pactuar com retrocessos a esta importante conquista
dos sistemas democráticos ocidentais.No que toca à liminar,
por aplicação analógica do artigo 659, X da
CLT, estendendo-se seus efeitos previstos ao dirigente sindical àquele
que ainda é candidato, pois a diferença entre a potência,
que vinga, e o ato, acabado, não é de gênero,
mas de tempo, e o tempo não é elemento diferenciador
relevante na questão em apreço, conclui-se que é possível
a liminar pleiteada pelo autor. Desse modo, defiro a liminar pleiteada,
para determinar a imediata reintegração de Adailton
Rabello de Souza ao emprego, devendo a Companhia do Metropolitano
de São Paulo cumprir incontinenti a referida ordem, sob
pena de responsabilidade criminal de seu diretor-presidente”.
(Sentença do dr. Lúcio Pereira de Souza, Juiz Titular
da 2.ª Vara do Trabalho de São Paulo, Processo n.º TRT-SP
01710200700202003)
Periculosidade: O valor do adicional de periculosidade
pode ser definido proporcionalmente em relação ao
tempo em que o trabalhador fica exposto à situação
de risco, desde que normatizado em acordo coletivo. Decisão
da 4.ª Turma, ratificada pela Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do
Trabalho. Inicialmente, a Turma deu provimento a recurso em que
a Companhia Vale do Rio Doce buscava a mudança de cálculo
do adicional de periculosidade concedida a um ex-funcionário,
que trabalhou como eletricitário durante 22 anos. A 2.ª Vara
do Trabalho de Vitória (ES) negou os pedidos do ex-empregado,
que recorreu ao Tribunal Regional da 17.ª Região (ES),
onde obteve o reconhecimento do adicional com base no cálculo
de 30% sobre sua remuneração, com reflexos nas férias,
13.º e FGTS.
No TST, de um lado, o empregado insistiu na manutenção
do adicional de 30% sobre a remuneração e, de outro,
a empresa defendeu o percentual de 12% sobre o salário,
com base em norma coletiva que autorizou o cálculo proporcional
ao tempo em que o empregado ficava submetido à situação
de risco.Ao apreciar o recurso de revista, a Turma restabeleceu
a sentença de primeiro grau, validando o pagamento do adicional
de periculosidade de forma proporcional ao tempo de exposição
ao risco, conforme previsto na norma coletiva. Na SDI-1, a relatora,
ministra Cristina Peduzzi, entendeu que a decisão não
poderia ser reformada, pois adotada nos termos da jurisprudência
do TST, expressa na Súmula 364: “A fixação
do adicional de periculosidade, em percentual inferior ao legal
e proporcional ao tempo de exposição ao risco, deve
ser respeitada, desde que pactuada em acordos ou convenções
coletivos”. A ministra ressalta, em seu voto, que, como foi
firmado entendimento quanto à proporcionalidade do adicional
de periculosidade, deve ser observado o instrumento normativo,
em conformidade com a Constituição Federal, “que
assegura reconhecimento às convenções e acordos
de trabalho” (E-ED-RR-738752/2001.8).
Insalubridade: A 6.ª Turma do TRT de Minas,
acompanhando voto da juíza convocada Maria Cristina Diniz
Caixeta, determinou o pagamento do adicional de insalubridade sobre
a remuneração real do empregado, que recebia o piso
salarial da categoria. A decisão de 1.º grau, mantida
pela Turma, tem fundamento na Súmula n.º 17, do TST,
pela qual “o adicional de insalubridade devido a empregado
que, por força de lei, convenção coletiva
ou sentença normativa, percebe salário profissional,
será sobre este calculado”. Segundo a juíza, “a
distinção doutrinária entre salário
profissional e piso salarial não justifica o tratamento
diferenciado no que tange à base de cálculo do adicional
de insalubridade, pois ambos os institutos consubstanciam garantia
mínima salarial aos que exercem determinadas funções”.
Havendo no processo convenções coletivas estipulando
o piso salarial da categoria, a juíza entendeu que este
deve ser a base de cálculo do adicional de insalubridade,
pois constitui salário profissional, vinculado às
atividades do empregado (RO n.º 00307-2007-106-03-00-5).
Dano moral e material: “A condenação
cumulativa de indenização por dano moral e material,
derivados do mesmo fato, é viável, quando passíveis
de apuração em separado (STJ Súmula 37). O
quantum indenizatório se pauta na razoabilidade e proporcionalidade,
buscando o valor das sanções compensar o dano sofrido
e punir os autores do ato ilícito verificado de forma inclusive
pedagógica” (TRT PR 99531 2006 018 09 00 4 Ac. 3.ª T
21419/2007, relator desembargador Célio Horst Waldraff,
DJPR 10.08.2007).
Discriminação da mulher no trabalho: Embora
elogiada pelos ministros, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional
a Lei n.º 11.562/200, de Santa Catarina, que dispõe
sobre medidas de repressão e prevenção a atos
discriminatórios ou atentatórios contra a mulher
na relação de trabalho. A base da declaração
da inconstitucionalidade, portanto, não está no conteúdo
da lei, mas em decorrência da regulamentação
da matéria pelas leis federais 9.799/99 e 9.025/95, além
de o Brasil ser signatário de convenções internacionais
destinadas à proteção da mulher no trabalho.
“Direito à memória e à verdade”: título
do livro que recupera a memória de 400 militantes políticos,
vítimas da ditadura militar do período a partir de
1964, resultado de 11 anos de trabalho da Comissão Especial
sobre mortos e desaparecidos políticos, coordenada pela
Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da
República, que investigou e julgou 339 casos e garantiu
a indenização para as famílias de 221 vítimas,
além das 136 já constantes do anexo da Lei n.º 9140/95.
Capacitação em Informática Básica: o
Sindicato dos Empregados de Empresas de Processamento de Dados
do Estado do Paraná (SINDPD), com apoio da Celepar, está desenvolvendo
projeto de curso de capacitação em informática
básica para trabalhadores terceirizados da Caixa Econômica
Federal, totalmente baseado em software livre e ministrado na modalidade
presencial, com 40 participantes, em duas turmas. A iniciativa
partiu das diretoras da entidade Valkiria L. da Silva, Susidarlen
Ribeiro e Marlene da Silva, visando “desenvolver e atualizar
os conhecimentos dos trabalhadores em tecnologia da informática,
para que tenham a oportunidade de se reinserir no mercado de trabalho”.
Deportação: dia 12 de setembro
marcará o protesto dos trabalhadores latinoamericanos dos
Estados Unidos contra a deportação da mexicana Elvira
Arellano, de 32 anos. Ela foi deportada dia 18 de agosto, depois
de passar um ano refugiada em uma igreja em Chicago. Mãe
solteira do menino de oito anos Saul, nascido nos EUA, Elvira se
tornou ativista pelos direitos dos imigrantes, identificada como
uma das pessoas que “fizeram diferença em 2006” pela
revista Time. Há 12 milhões de imigrantes ilegais
nos EUA, 80% dos quais mexicanos. O projeto de reforma imigratória
em debate no Congresso, que previa a implantação
de um sistema de trabalho temporário para possibilitar a
legalização, foi engavetado. Os protestos deverão
constar de paralisações no trabalho, greve de fome,
passeatas, boicote de compras no comércio. Arellano foi
presa quando terminava de fazer um discurso em Los Angeles, durante
uma concentração de imigrantes. Seu filho continuará estudando
nos EUA.
Faca no pescoço no STF: “Todo mundo
votou com a faca no pescoço” (ministro Lewandowski). “Está para
nascer alguém que coloque a faca no meu pescoço para
eu decidir” (ministro Ayres Britto). “Ninguém
ousou, eu sou muito grande” (ministro Eros Grau). “Não
estamos preocupados com a opinião dos senhores [jornalistas]” (ministro
Gilmar Mendes). “Que ele não tenha nos julgado por
ele próprio” (ministro Marco Aurélio). “O
STF não permite que pressões externas interfiram
em suas decisões” (ministra-presidente Ellen Gracie).
(Folha de S.Paulo, 30/31/08/2007).
Presidente Lula e o julgamento no STF: “Quem tiver culpa
pagará o preço. Quem não tiver, será inocentado.
Quem ganhará com isso será a democracia brasileira” (Presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, Folha de S.Paulo, 30.08.2007).
Edésio Passos é advogado
e ex-deputado federal (PT/PR).
edesiopassos@terra.com.br
|
Folha de São Paulo,
9 de setembro de 2007
FORNADA DE VAGAS
Indústria abre
alas para a contratação de temporários
de Natal
Comércio prevê criação de 100 mil postos de
trabalho
MARIA CAROLINA NOMURA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Quem pensa que as tradicionais contratações
de temporários de fim de ano são exclusivas
do varejo deve ficar atento: diferentemente do comércio
-que costuma abrir vagas a partir de outubro-, a indústria,
principalmente a de alimentos, começa a aquecer
seu quadro funcional desde já.
Segundo Paulo Mol, economista da CNI (Confederação Nacional
da Indústria), os indicadores do setor apontam que, nesta época,
há um aumento das horas trabalhadas e, consequëntemente,
da demanda de mão-de-obra.
"É um crescimento natural em decorrência do período." Fabricantes
de panetones, de aparelhos eletrônicos e de roupas e frigoríficos
saem na frente. Mol afirma, contudo, que a figura do temporário ainda é mais
arrefecida na indústria se comparada ao comércio.
" Essa modalidade de emprego está em regulamentação
em algumas empresas e ainda há restrição de alguns sindicatos."
Para o varejo, a perspectiva é otimista: alta de 10% nas contratações
em relação a 2006.
De acordo com Vander Morales, da Asserttem (associação
de trabalho temporário), serão criados mais de 100 mil
postos de trabalho temporário no país -32% deles em São
Paulo. Entre os indicadores desse aumento, Morales aponta oferta de
crédito, prazos longos de financiamento e maior fiscalização
contra a informalidade.
Provisório
Não foram apenas as oportunidades de trabalho temporário
que ampliaram. As chances de contratação no comércio
serão maiores neste ano, com um índice de 35%, afirma
Morales.
A indústria também deve absorver parte da mão-de-obra,
na visão de Paulo Francini, diretor da Fiesp (Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo). "Esperamos
um crescimento de empregos de 3% a 4% em relação a 2006",
calcula.
Para que o trabalhador transforme esse posto temporário em fixo,
o conselho é dedicação. "A pessoa tem que
dar o melhor de si para ser contratado e também para que o empregador
se lembre dela em vagas futuras", atesta Augusto Costa, 49, diretor-geral
da Manpower.
" Quando o trabalho é bem-feito, o cliente reconhece pedindo o mesmo
time do ano anterior", salienta Luiza de Paula, diretora comercial da Gelre.
-
Salário igual ao do empregado
efetivado (lei 6.019/ 74);
-
Jornada de oito horas, repouso semanal
remunerado e férias proporcionais;
-
O FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de
Serviço) conta como tempo para aposentadoria;
-
O contrato é de 90 dias, prorrogável
por mais 90;
-
Não recebe aviso prévio
nem multa de 40% sobre o FGTS, mas, se demitido sem justa causa,
recebe indenização;
-
O salário e a jornada devem constar
da carteira de trabalho.
|
Folha de São Paulo,
9 de setembro de 2007
Metalúrgicos do ABC
aprovam oferta salarial de montadoras
DA REPORTAGEM LOCAL
Os metalúrgicos do ABC (ligados à CUT) aprovaram
ontem em assembléia que reuniu cerca de 2.000 pessoas
em São Bernardo a proposta de reajuste negociada
com as montadoras.
Com isso, os trabalhadores vão receber aumento real de 2,5%
e reajuste de 4,82% (equivale a inflação acumulada nos últimos
12 meses e calculada pelo INPC de setembro). O piso salarial das montadoras
receberá aumento de 7,73% e vai passar de R$ 1.030 para R$ 1.110.
São 50 mil metalúrgicos nas montadoras do Estado, sendo
34 mil no ABC.
Os trabalhadores das empresas de autopeças, máquinas,
eletroeletrônicos e fundição decidiram que querem
o mesmo percentual de reajuste das montadoras. Caso contrário,
iniciam greves a partir desta semana. Deram prazo até terça
para os sindicatos patronais negociarem.
Hoje, os metalúrgicos de Taubaté fazem assembléia
para avaliar a proposta das montadoras.
|
Revista Consultor Jurídico,
9 de setembro de 2007
Empréstimo consignado
Patrão não pode
emprestar mais do que empregado pode pagar
por Nadia Demoliner Lacerda
Os empréstimos consignados, instituídos
pela Lei 10.820/03, ainda suscitam dúvidas quanto
aos procedimentos para o desconto das parcelas dos empréstimos
em folha de pagamento e nas verbas rescisórias.
Não raro, os sindicatos se recusam a homologar rescisão
de contrato de trabalho por não concordarem com
os descontos efetuados a título de empréstimos
consignados contratados pelo trabalhador.
A Lei 10.820/03, regulamentada pelos Decretos 4.840/03
e 5.892/06, se refere aos conceitos de remuneração
básica, descontos legais, remuneração
disponível e descontos voluntários, como
elementos de orientação à aplicação
dos descontos dos empréstimos consignados.
A lei permite ao empregado autorizar de forma irrevogável
e irretratável descontos em folha de pagamento e
nas verbas rescisórias de prestações
de empréstimos, financiamentos e operações
de arrendamento mercantil, concedidos por instituições
financeiras e sociedades de arrendamento mercantil.
Qualquer desconto em folha e em verbas rescisórias
só poderá ser efetuado se a autorização
do empregado constar expressamente no contrato firmado
entre o empregado e a instituição financeira.
O empregador é responsável pelas informações
prestadas, pela retenção e repasse dos valores às
instituições, até o quinto dia útil
após o pagamento do empregado, respondendo sempre
como devedor principal e solidário perante a instituição
consignatária por valores a ela devidos que deixarem
de ser retidos ou repassados por sua falha ou culpa. Não
será, porém, co-responsável pelo pagamento
dos empréstimos, financiamentos e arrendamentos
mercantis concedidos aos mutuários, salvo disposição
contratual contrária.
É importante mencionar que a lei não restringiu
a quantidade de empréstimos consignados, mas estabeleceu
que o percentual de desconto em folha não pode ultrapassar
30% da remuneração disponível do empregado,
de acordo com o Decreto 4.840/03.
Em relação ao percentual máximo
de desconto, após análise da fórmula
apresentada no referido decreto, se conclui:
— a soma dos descontos (de um ou mais empréstimos
consignados) não pode exceder a 30% da remuneração
disponível;
— a soma total dos descontos (empréstimos
consignados (+) quaisquer outros descontos salariais autorizados
voluntariamente pelo empregado, por exemplo, um outro empréstimo
ajustado livremente com o empregador) não pode exceder
a 40% da remuneração disponível;
— Em caso de rescisão do contrato de trabalho,
a soma dos descontos não pode ultrapassar os 30%
das verbas rescisórias devidas.
Como se observa, o limite máximo de desconto dos
empréstimos consignados é de 30% da remuneração
disponível. Mesmo quando o empregado tenha outra
operação ajustada livremente com o seu empregador
com desconto mensal sobre os seus salários e verbas
rescisórias, permanece o limite máximo de
30% de desconto. Mas o desconto da operação
voluntária não poderá ultrapassar
10% da remuneração disponível.
O Decreto 4.840/2003 estabelece também que a base
de cálculo para o desconto em folha de pagamento é a
remuneração disponível do empregado.
A lei conceitua como remuneração disponível
o valor que sobrar da remuneração básica,
após as deduções de contribuição
para a Previdência Social oficial; pensão
alimentícia judicial; imposto sobre rendimentos
do trabalho; decisão judicial ou administrativa;
mensalidade e contribuição em favor de entidades
sindicais; e outros descontos compulsórios instituídos
por lei ou decorrentes do contrato de trabalho.
A lei também define que remuneração
básica é a soma das parcelas pagas mensalmente
ao empregado, excluídas: diárias; ajuda de
custo; adicional pela prestação de serviço
extraordinário; gratificação natalina;
auxílio-natalidade; auxílio-funeral; adicional
de férias; auxílio-alimentação,
mesmo se pago em dinheiro; auxílio-transporte, mesmo
se pago em dinheiro; e parcelas referentes à antecipação
de competência futura ou pagamento retroativo.
Em síntese, a remuneração disponível é a
resultante da subtração da remuneração
básica e dos descontos (consignações
legais). O percentual de desconto em folha é de
30% da remuneração disponível, condicionado
ainda ao máximo de 40% da mesma remuneração,
além dos descontos autorizados pelo empregado (consignações
voluntárias), além dos legais.
Exemplificando, se o empregado tem remuneração
básica de R$ 1 mil e descontos legais de R$ 300,
possui remuneração disponível de R$
700. Nesse caso, o limite de desconto das prestações
será de R$ 210. Se o empregado não tem deduções
voluntárias, este é o valor máximo
do desconto das prestações. Porém,
se tem descontos voluntários, o limite para desconto
das prestações é de R$ 280 (40% sobre
R$ 700). Assim, mesmo se os descontos voluntários
forem superiores a R$ 70, ficarão automaticamente
limitados a R$ 70, porque o desconto máximo das
prestações não poderá exceder
a R$ 210.
É importante observar que se empregado tem dívida
voluntária, o empregador poderá deduzir o
percentual de 40%, mas desde que observada a seguinte base
de cálculo: deduzir da remuneração
as deduções legais e sobre esse resultado
descontar as prestações do empréstimo
consignado equivalente a 30% e no máximo mais a
resultante de 10% do empréstimo voluntário.
Em relação à base de cálculo
para as deduções em verbas rescisórias,
esta corresponde à importância devida pelo
empregador ao empregado em razão da rescisão,
excluído o adicional de férias e a gratificação
natalina.
Com essas considerações, se conclui que
o empregador que excede os limites fixados pela lei de
empréstimo consignado assume o risco de não
obter homologação das rescisões contratuais
perante os sindicatos, além de ficar sujeito a discussões
judiciais.
|