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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 11 de setembro de 2007 | Dinheiro
Indústria eleva PIB no 2º tri,
dizem analistas
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
Impulsionado pela indústria
e pela demanda doméstica (consumo das famílias e investimentos),
o PIB se acelerou no segundo trimestre deste ano, projetam especialistas
ouvidos pela Folha. As previsões apontam para taxas na faixa de
5% a 6% na comparação com igual período de 2006.
Já em relação ao primeiro trimestre, indicam alta
de 0,8% a 1,2% na série livre de influências sazonais.
No primeiro trimestre, o PIB cresceu menos -0,6% ante o quatro trimestre e
1,5% contra os primeiros três meses de 2006. Se confirmadas as previsões
dominantes no mercado, o crescimento econômico de 2007 ficará na
faixa de 4,7% a 4,9%. Amanhã, o IBGE divulga os dados do segundo trimestre.
Para Juan Jensen, da Tendências Consultoria, o segundo trimestre será "o
de crescimento mais forte do ano", calcado na aceleração
da indústria e na reação da agropecuária (de menor
peso no PIB), graças às boas safra de milho e soja. A produção
industrial se acelerou do primeiro para o segundo trimestre -3,8% para 5,1%.
Juro em queda, crédito em alta, crescimento de emprego e renda também
garantiram, diz, um bom avanço do consumo das famílias -6,7%
ante o segundo trimestre de 2007.
Ainda pelo lado da demanda, os investimentos serão o "grande destaque",
de acordo com Joel Bogdanki, do Itaú. Ele estima um avanço de
12,4% na comparação com o mesmo trimestre do ano passado. Além
do aumento da produção local, o câmbio também facilitou
a importação de máquinas e equipamentos, diz Jensen.
Para Sérgio Vale, da MB Associados, o cenário econômico
foi "amplamente positivo para o consumo interno" tanto das famílias
como das empresas.
Segundo Solange Srour, economista-chefe da Mellon Global Investments, os sinais
de que o consumo das famílias cresce a um ritmo acelerado ano são
a alta da confiança do consumidor e o bom desempenho das vendas do varejo
-alta de 9,9% no primeiro semestre. Para a LCA, também "haverá um
expressivo crescimento do consumo das famílias".
De acordo com Vale, da MB, até setores que eram afetados pela desvalorização
do real já começam a esboçar uma reação,
como calçados e vestuários. Esses segmentos desviam sua produção
para o mercado interno aproveitando o aquecimento do consumo.
Os economistas ressaltam, porém, que o resultado do segundo trimestre
será também beneficiado pela fraca base de comparação.
Em igual período de 2006, o PIB cresceu 1,5% ante o segundo trimestre
de 2005 e caiu 0,4% ante o primeiro trimestre.
Crise externa
Para Tomás Goulart, economista do banco Modal, a crise que tomou conta
do mercado internacional com o estouro da bolha imobiliária nos Estados
Unidos não deve afetar significativamente o crescimento deste ano. Recentemente,
ele subiu sua previsão do PIB de 4,2% para 4,7%.
Um efeito maior, afirma, poderá vir no próximo ano, quando o
Banco Central deve apertar a política monetária por conta da
turbulência externa e do repique inflacionário no país.
Para 2008, prevê, o PIB crescerá menos: 4,2%.
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CONSULTOR JURÍDICO,
11 de setembro de 2007
Bloqueio suspenso
É ilegal exigir depósito
prévio de honorário pericial
É ilegal a exigência de depósito prévio de honorários
periciais. É nesse caminho que segue a jurisprudência do Tribunal
Superior do Trabalho e, com base nela, a Seção Especializada em
Dissídios Individuais (SDI-2) acolheu recurso da Companhia Siderúrgica
de Tubarão. Os ministros determinaram a suspensão do bloqueio de
R$ 600 da conta bancária da empresa para pagamento de honorários
periciais relativos à perícia contábil.
O bloqueio foi imposta pela 4ª Vara
do Trabalho de Vitória (ES), em fase de execução
provisória, e mantido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região
(ES).
Ao determinar o bloqueio, o juiz
de primeiro grau afirmou que a Companhia “resiste à execução,
na medida em que se nega a retificar seus cálculos segundo os
parâmetros do juízo, o que constitui evidente abuso do direito
de defesa”. Os R$ 600 se destinariam ao pagamento de honorários
prévios ao perito contábil.
O TRT-ES rejeitou pedido de Mandado
de Segurança apresentado pela empresa contra a penhora, por entender
não haver afronta a direito líquido e certo da empresa.
O ministro Emmanoel Pereira observou
que, de acordo com os autos, a empresa se comprometeu a elaborar a conta
de liquidação, após discordar daquela apresentada
pela parte vencedora na ação. Apresentada a conta, foi
intimada para retificá-la de acordo com parâmetros determinados
pelo juízo da execução.
Novos cálculos foram apresentados
e a empresa, mais uma vez, foi intimada para adequá-los. “A
CST veio a juízo sustentar a exatidão de seus cálculos
sem, contudo, atender à determinação judicial”,
explica o relator. Por mais duas vezes, a empresa foi intimada a retificar
os cálculos e não o fez, resultando daí a determinação
de realização de perícia e o bloqueio do valor dos
honorários periciais.
No entanto, o ministro destacou
que, apesar da resistência da Companhia em atender à intimação
para retificar os cálculos, a jurisprudência do TST consolidou-se
no sentido de considerar ilegal a exigência de depósito
prévio para custeio de perícia, bem como o cabimento do
Mandado de Segurança para salvaguardar a parte de tal ilegalidade.
Este é o teor da Orientação Jurisprudencial 98 da
SDI-2.
O ministro lembrou que não
houve sequer a intimação da CST para depositar o valor
equivalente aos honorários, e sim a imediata penhora de dinheiro
em conta bancária pelo sistema Bacen-Jud.
ROMS 278/2005-000-17-00.7
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CONSULTOR JURÍDICO,
11 de setembro de 2007
Sem ressalvas
Nova procuração anula
anteriores em ação trabalhista
O ato de juntar nova procuração em processo na Justiça
do Trabalho implica revogação tácita das procurações
anteriores, a não ser que haja ressalva em relação aos
poderes conferidos ao antigo patrono. O entendimento foi adotado pela Seção
Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior
do Trabalho, que rejeitou recurso apresentado pela empresa Tenenge - Técnica
Nacional de Engenharia.
Para os ministros, houve irregularidade
processual, com base na Orientação Jurisprudencial 349
da SDI-1.
Em ação movida
por um ex-empregado que trabalhou dez anos como soldador, a empresa foi
condenada pela 3ª Vara do Trabalho de Cubatão (SP) ao pagamento
de diferenças relativas a horas extras, adicional de periculosidade,
abono por aposentadoria, saldo salarial e multa de 40% sobre o FGTS.
Por meio de escritório
de advocacia de São Paulo, que detinha poderes de procuração
substabelecidos por outro advogado, a empresa contestou a sentença.
O Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (São
Paulo) manteve a decisão. A 2ª Turma do TST também
rejeitou o recurso apresentado pela empresa, o que a levou a chegar à SDI-1.
A relatora, ministra Dora Maria
da Costa, concluiu que a matéria não poderia ser apreciada,
pois o recurso foi assinado por advogado sem poderes para fazê-lo.
Para ela, ao juntar nova procuração, sem ressalvas, a empresa
revogou tacitamente as anteriores.
Além disso, a relatora
ressaltou que a procuração com o nome do advogado que assinou
o recurso foi outorgada pela Construtora Norberto Odebrecht, que é sócia-gerente
da Tenenge. Ou seja: mesmo com a comprovação da sociedade,
trata-se de empresas distintas, cada uma delas com personalidade jurídica
própria.
E-RR-508032/1998.4
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CONSULTOR JURÍDICO,
11 de setembro de 2007
Relação de trabalho
Anatel reclama de condenação
na Justiça trabalhista
Não cabe à Justiça trabalhista julgar a relação
de trabalho entre Poder Público e servidores estatutários. Com
esse argumento a Anatel contesta, no Supremo Tribunal Federal, decisão
do Tribunal Regional do Trabalho do Amazonas que deu ganho de causa para um
ex-servidor público contratado por tempo determinado.
A agência reguladora sustenta
que a decisão ofende jurisprudência do próprio STF
na Ação Direta de Inconstitucionalidade 3.395 e na Reclamação
4.762. A Anatel afirma que, na ADI, ficou estabelecido que a competência
para julgar tais casos é da Justiça comum. No caso, foi
aplicado o artigo 114, inciso I, da Constituição Federal.
A segunda decisão, na
Reclamação, confirmou o que se estabeleceu na ADI, ao determinar
que o “contrato firmado entre a Anatel e ex-servidora tem natureza
jurídica temporária e submete-se ao regime jurídico
administrativo, nos moldes da Lei nº 8.745/93, do inciso XXIII do
artigo 19, da Lei 9.472/97 e do Decreto 2.424/97”.
A Anatel informa que outra Reclamação
sobre o caso está à espera de julgamento no STF. O pedido
de liminar não foi acolhido pelo ministro Cezar Peluso. Como o
TRT amazonense já julgou o recurso, a agência diz que não
pode esperar “de forma indefinida por uma decisão que ponha
fim ao absurdo entendimento da justiça trabalhista”. Por
isso, entrou com nova Reclamação.
A pede-se liminar para suspender
os efeitos do que foi julgado pelo TRT. No mérito, pede que o
STF determine a remessa dos autos para a Justiça Federal do Distrito
Federal ou do Amazonas.
RCL 5.509
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 11 de setembro de 2007 | Dinheiro
Brasil não aceita prejuízo
na crise, diz Lula
Em discurso na Finlândia, presidente diz
que os EUA têm de resolver o problema da crise gerada pela "ganância
de alguns fundos'
| Presidente voltou a criticar os EUA, ao afirmar que, "se o lucro não
foi repartido, muito menos queremos repartir o prejuízo"
CLÓVIS ROSSI
ENVIADO ESPECIAL A HELSINQUE
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva adotou ontem um tom belicoso para falar dos Estados Unidos
e de sua responsabilidade pela crise financeira internacional, ao afirmar:
" Não aceitaremos que joguem nas nossas costas os prejuízos
de um jogo de que não participamos".
A palavra jogo não é casual. A avaliação completa
do presidente foi esta, ao ser perguntado, no palácio presidencial da
Finlândia, sobre a turbulência nos mercados financeiros, que se
reacendeu na sexta-feira (a pergunta e a resposta foram dadas antes que abrissem
os principais mercados, inclusive o brasileiro, ontem):
" Os Estados Unidos precisam resolver o problema de sua crise. É um
problema da política econômica dos Estados Unidos, da ganância
de alguns fundos de investimento que quiseram comprar títulos de risco,
imaginando que estavam em um cassino".
Lula ainda acrescentou que, "se o lucro não foi repartido, muito
menos queremos repartir o prejuízo".
O presidente relatou que tem pedido a seu ministro da Fazenda, Guido Mantega,
e ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que conversem com seus
pares norte-americanos, no Tesouro e nos BCs dos países envolvidos (nos
títulos de risco), para que estes "assumam o mais urgentemente
possível a responsabilidade de resolver essa crise para que ela não
venha a causar prejuízos a muitos países".
Lula lembrou que o Brasil passou décadas sem crescer e emendou: "Agora,
não vamos jogar fora essa oportunidade por causa de apostadores que
tentam ganhar dinheiro fácil em vez de ganhar dinheiro trabalhando".
O presidente insistiu uma e outra vez na responsabilidade primordial dos Estados
Unidos: "Quem criou a lei de financiamento foi o governo americano e,
portanto, quem vendeu facilidades, que assuma as dificuldades".
Situação
tranqüila
Não houve tempo para uma segunda pergunta que permitisse tirar duas
dúvidas: primeiro, saber o que pode fazer o governo brasileiro para
evitar "os prejuízos" do jogo de que não participou
e, segundo, a que lei de financiamento se referia. Talvez às regras
de hipotecas que permitiram concessões de crédito indiscriminadamente,
nos Estados Unidos, ponto de partida para a crise de confiança em curso
nos mercados.
A resposta do presidente mostra uma mudança de tom em relação à tranqüilidade
absoluta que mostrava no início dos problemas há pouco mais de
um mês. Lula insiste em que o Brasil está em situação
tranqüila, por ter uma "solidez econômica que não teve
durante muitas décadas".
Mas a tranqüilidade já não é absoluta, pois Lula
emenda, agora, com a afirmação de que adota "cautelas" e "torce" para
que os EUA resolvam a crise.
Como fatores de tranqüilidade, o presidente listou, primeiro, o conhecido
dado das reservas na altura de US$ 160 bilhões. Depois, acrescentou
o fato de que a balança comercial brasileira "não depende
apenas de um ou dois países".
Lembrou que os Estados Unidos representam hoje apenas 18% do comércio
brasileiro e prometeu "continuar diversificando as exportações
para evitar que uma crise em qualquer país possa criar dificuldades
para o Brasil".
É uma espécie de habeas-corpus verbal contra a eventual contaminação
da economia brasileira por uma desaceleração da economia norte-americana
ou mesmo uma recessão nela.
Não só os EUA
O presidente ainda apontou como teórico seguro anticrise o fato de que "hoje,
quem dá sustentação ao crescimento econômico brasileiro é o
mercado interno", o que permite "muito mais segurança do que
se dependêssemos das exportações".
Já no seu discurso no encerramento de seminário entre empresários
do Brasil e da Finlândia, Lula pouco tocou na crise internacional, preferindo
pôr o foco nos seus dois temas preferidos, os biocombustíveis
(leia texto abaixo) e o convite para investir no Brasil.
Citou, por exemplo, que o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)
prevê investimentos de US$ 250 bilhões até 2010, em áreas
como infra-estrutura, energia e telecomunicações.
Como uma das atrações do Brasil para o investimento finlandês,
Lula mencionou a perspectiva de crescimento de 5% ao ano, a partir de 2008, "sem
pressão inflacionária".
Na microeconomia, ainda citou o fato de que as mudas de eucalipto no Brasil
têm crescimento excepcional, permitindo o corte em sete ou no máximo
nove anos -adoçando a boca dos finlandeses, que têm como uma de
suas especialidades a produção de papel e celulose. A outra especialidade,
mais recente, são os celulares, área em que a Nokia finlandesa
já ocupa 32% do mercado brasileiro.
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 11 de setembro de 2007 | Brasil
Dividido sobre Renan, Senado acelera discussão
de sucessor
Expectativa de margem apertada no plenário
amanhã aumenta pressão sobre partidos
| Ganha força a tese de que, mesmo que se livre de ser cassado, alagoano
não terá condição política para se manter
presidente da Casa
SILVIO NAVARRO
FERNANDA KRAKOVICS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A dois dias da votação
do processo de cassação do presidente do Senado, Renan
Calheiros (PMDB-AL), a margem apertada no plenário que deve
definir o futuro do senador aumentou a pressão sobre os partidos
e deu a largada para as negociações de seu eventual
sucessor.
Na base aliada e na oposição ganhou força a tese de que,
se for absolvido por margem estreita de votos, Renan não terá força
política para continuar dirigindo a Casa. Ele enfrentará mais
três processos de quebra de decoro até o fim do ano.
Entre os governistas, a articulação é para que Renan se
afaste do cargo após a votação.
Ele tem demonstrado resistência à idéia. Se isso ocorresse,
seu substituto por até 120 dias seria o primeiro-vice-presidente, Tião
Viana (PT-AC).
Segundo aliados, Renan só deixaria o cargo antes da votação
numa saída emergencial, caso avaliasse que será derrotado na
votação secreta. Nesse caso, ele acredita que o gesto renderia
votos na oposição. Mas, até ontem, dizia estar seguro
da absolvição com oito a dez votos de vantagem.
Mesmo com o cenário de incerteza, já se falava num cenário
de sucessão. Caso Renan seja cassado, Tião Viana assume por um
período de cinco dias, até a realização de novas
eleições. O PMDB trabalha com uma espécie de "saída
natural" nesse caso, que poderia ser tanto José Sarney (AP) quanto
sua filha, Roseana Sarney (MA). O senador Gerson Camata (PMDB-ES) "corre
por fora".
A oposição apóia Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE). "Na
sucessão do presidente Renan não dá para apoiar o nome
do senador José Sarney nem o de sua filha [Roseana Sarney]. Não
dá para eleger alguém que participou desse processo sem se manifestar",
afirmou o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM).
" Acho lamentável as pessoas decidirem o voto não com base
no processo, mas em benefício próprio, porque poderão ter
a perspectiva de sentar na cadeira de presidente", disse a líder
do PT, Ideli Salvatti (SC). Questionada sobre quem cobiçaria a cadeira,
ela desconversou:
" Não sou candidata a nada, mas que tem gente, isso tem".
O clima que cerca o final do processo é de constrangimento. Ontem, vários
senadores subiram à tribuna protestar contra a realização
de sessão secreta. Alguns deles, abriram seus votos nos corredores.
" A sessão secreta possibilita a encenação, a falsidade.
Já se disse muito em política que o voto secreto é uma permanente
tentação à traição", disse Álvaro
Dias (PSDB-PR). "Que Deus nos ilumine nesse dia dramático para que
o Senado não envelheça ainda mais ou para que esta instituição
não apodreça", completou.
" Alguns não têm certeza se o parecer está bom ou ruim,
outros estão em dúvida. Na Justiça, a dúvida é a
favor do réu. Na política, a dúvida tem de ser contra o
político", disse Cristovam Buarque (PDT-DF), que afirmou ser favorável à cassação
do mandato de Renan.
"É difícil alguém fugir da conclusão a que os
relatores chegaram", disse Romeu Tuma (DEM-SP), contrariando a informação
de aliados de Renan que contabilizam seu voto.
Também cresceu a pressão nos partidos para que mantivessem o
controle de suas bancadas, evitando as chamadas "traições" já que
a votação será reservada. PSDB e PT agendaram reuniões
para hoje.
Apontado na última hora como "fiel da balança", o PT
estaria dividido com seis votos a favor de Renan, cinco contra e um em aberto.
" Todos os partidos terão votos pela cassação e pela
absolvição. O mais estranho é que estamos sendo responsabilizados
nos dois casos. Por que só nós seremos os responsáveis?",
reclamou Ideli.
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 11 de setembro de 2007 | Dinheiro
Trabalho no corte de cana tem dias contados,
diz estudo
Em SP, acerto entre usineiros e governo prevê fim
das atividades em dez anos | Esalq/USP afirma que houve queda de 20,9%
no total de trabalhadores no setor entre 1981 e 2004, de 625 mil para
494 mil
JULIANA COISSI
DA FOLHA RIBEIRÃO
A profissão do bóia-fria
da cana-de-açúcar está com os dias contados no
Brasil. É o que aponta estudo da Esalq/USP, que mediu os efeitos
da mecanização das lavouras. Segundo a pesquisa, houve
queda de 20,9% no número total de trabalhadores rurais no setor
entre 1981 e 2004, que passou de 625 mil para 494 mil. Em contraste
com essa queda, houve aumento de 166,3% na produção de
cana no período -de 156 milhões de toneladas para 415
milhões de toneladas.
A mecanização vem aumentando ano a ano, segundo o estudo, por
ao menos três razões: econômica, legal e social. Além
do uso de máquinas otimizar a produção e substituir o
pagamento de mão-de-obra -uma colheitadeira substitui o trabalho de
cem cortadores de cana-, foram criadas leis para extinguir a colheita manual.
Segundo a economista Márcia Azanha Ferraz Dias de Moraes, da Esalq/USP
e autora do estudo, o setor sucroalcooleiro tem absorvido cortadores de cana
em algumas funções dentro da cadeia, como tratorista ou operador
de caldeira de usina, mas a grande massa de trabalhadores -muitos analfabetos-
ficará desempregada.
Em 2005, dos 519 mil trabalhadores da cana, 150 mil eram analfabetos -o Estado
de São Paulo tinha 30 mil. "Claro que a mecanização
vai desempregar e atingir justamente essas pessoas que não têm
escolarização e não conseguirão ser absorvidas
por outras formas de trabalho. São necessárias políticas
públicas para começar a absorver essas pessoas, mas até agora
nada está sendo feito conjuntamente", disse Azanha.
A pesquisa fez o levantamento da evolução do número de
empregados baseado em dados da Rais (Relação Anual de Informações
Sociais) e da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios).
Caminho sem volta
Ao menos no Estado de São Paulo já existe uma data para o fim
da profissão de cortador de cana: 2017. É o prazo final firmado
entre usineiros e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, em protocolo assinado
em maio deste ano, antecipando o limite de 2031 que havia sido imposto por
lei estadual criada para eliminar gradativamente as queimadas de cana -as queimadas,
feitas geralmente à noite, são necessárias para viabilizar
o corte manual.
Outro fator é que nos últimos anos aumentou a cobrança
pelo cumprimento das normas trabalhistas no campo, principalmente após
a morte de 21 bóias-frias, desde 2004, supostamente por excesso de esforço
no trabalho.
Neste ano, por exemplo, uma força-tarefa formada por Procuradoria do
Trabalho e Subdelegacia do Trabalho, com apoio da Polícia Civil, fez
várias blitze em canaviais e alojamentos de bóias-frias no Estado
em busca de irregularidades trabalhistas, como a falta de registro, a não-utilização
de equipamentos de proteção, jornada irregular e alojamentos
precários.
Segundo a Unica (reúne as indústrias sucroalcooleiras), de 42%
a 45% da produção de cana no Estado de São Paulo já é colhida
por máquinas, índice acima do nacional -entre 35% e 37%. "A
mecanização é uma trilha sem volta, e as usinas vão
buscar capital para se desenvolver", disse Sérgio Prado, diretor
da Unica na região de Ribeirão Preto -uma colheitadeira custa
cerca de R$ 800 mil.
As novas usinas, por exemplo, já não contam mais com a figura
do cortador de cana, disse Prado. Segundo ele, o papel de inserir os trabalhadores
em outras áreas quando a função de cortador for extinta
deve ser assumida em conjunto por empresas, sociedade e governo.
A massa de trabalhador sem formação é também migrante,
principalmente da região Nordeste e do Vale do Jequitinhonha (MG). Muitas
vezes eles embarcam para as zonas canavieiras atraídos apenas por comentários
dos vizinhos sobre os ganhos no corte da cana.
" Só tem vindo gente nova. Cortador com mais de cinco anos de safra
não chega mais", diz a irmã Inês Facioli, da Pastoral
do Migrante. Segundo ela, os cortadores mais experientes não suportam
mais a carga de trabalho. Neste ano, o campo tem assistido a um fenômeno
revelador dos novos tempos: em plena safra, migrantes estão voltando para
suas cidades por terem sido dispensados ou não encontrarem trabalho nas
usinas (leia texto nesta página).
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 11 de setembro de 2007 | Dinheiro
Sem emprego, muitos voltam ao Nordeste
DA FOLHA RIBEIRÃO
Elias de Souza Rais, 30,
saiu do Maranhão em abril deste ano em um ônibus lotado
de homens que, como ele, sonhavam aproveitar o boom do álcool
e obter um emprego no corte de cana na região de Ribeirão
Preto (SP), a maior produtora do combustível no país.
Menos de um mês depois, sem conseguir emprego, sem dinheiro e após
passar muitos dias comendo apenas arroz duro e dormindo em um quarto sem camas,
ele e os companheiros foram enviados de volta para casa graças à ajuda
da Igreja Católica e das prefeituras de Guariba e Dumont. As duas cidades
funcionam como uma espécie de cidades-dormitório de migrantes
da cana.
Rais foi uma das vítimas do aumento da mecanização, que
tem diminuído ano a ano o número de postos de trabalho no corte
manual da cana -na região de Ribeirão Preto, cerca de 70% da
cana já é colhida com máquinas-, e também do maior
cuidado do setor na hora de selecionar os trabalhadores.
Devido às mortes ocorridas nos canaviais, os exames médicos estão
mais rigorosos e barram, por exemplo, candidatos com suspeita de terem o mal
de Chagas (transmitido por um inseto conhecido como barbeiro).
Muitos trabalhadores chegaram a ser contratados pelas usinas mas, ao vencer
o prazo de três meses de experiência, foram dispensados -as empresas
alegam que muitos pediram demissão por não terem se adaptado
ao trabalho.
Segundo a Pastoral do Migrante de Guariba, nos meses de maio e junho, pelo
menos três ônibus por semana saíram da cidade lotados de
trabalhadores retornando ao Nordeste. A situação provocou uma
espécie de vaivém da cana em plena safra: enquanto migrantes
desempregados voltavam de ônibus, os mesmos veículos traziam mulheres
e filhos dos bóias-frias aprovados.
São casos de trabalhadores
que optaram por recompor a família, já que têm
a garantia de emprego ao menos até o final da safra. As mulheres,
recém-chegadas, também buscam postos de trabalho, principalmente
na colheita de laranja nas lavouras de cidades da região, como
Itápolis. (JULIANA COISSI E JUCIMARA DE PAUDA)
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JORNAL GAZETA DO POVO, 11
de setembro de 2007 | Brasil
Insconstitucionalidade
OAB vai à Justiça contra suspensão
de carteira de motorista
São Paulo – O Conselho Federal
da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) entrou ontem no Supremo Tribunal
Federal (STF) com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade
contra uma lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da
Silva no ano passado que permite a “suspensão imediata
do direito de dirigir” do motorista pego trafegando com velocidade
50% acima do limite permitido. De acordo com a OAB, a norma é inconstitucional
por não permitir que o infrator se defenda da acusação.
A lei em questão é a
11.334/06, que modificou o artigo 218 do Código Brasileiro de
Trânsito (CBT). A nova norma criou uma gradação de
três níveis para a cobrança de multas de motoristas
que trafegam acima da velocidade em rodovias e cidades. Para aqueles
que excederem o limite em mais de 50%, falta considerada gravíssima,
além da multa, foi permitida a apreensão da carteira de
motorista e a suspensão imediata do direito de dirigir.
Segundo a OAB, as expressões “imediata” e “apreensão
do documento de habilitação” ferem a Constituição. “Permitir
que a autoridade policial possa, no ato da aplicação da
multa, suspender o direito de dirigir, com a apreensão do documento
de habilitação, dá margem a toda sorte de abusos,
em prejuízo para a população”, argumenta a
instituição, em nota.
Diante disso, a OAB pede
que, em caráter liminar, sejam suspensos os efeitos dessas expressões
no Código Brasileiro de Trânsito e que, no mérito
da ação, elas sejam declaradas inconstitucionais.
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AGÊNCIA DIAP, 11 de
setembro de 2007
JUSTIÇA DO TRABALHO
Gratuidade no acesso à Justiça
do Trabalho poderá ser aprovada na CCJ
A Comissão de Constituição
e Justiça da Câmara dos Deputados (CCJ) voltou a agendar
nesta semana a apreciação da proposta que concede gratuidade
no amplo acesso à Justiça Trabalhista àqueles
que comprovarem rendimentos equivalentes a apenas dois salários
mínimos. Trata-se do PL 3.706/00, que estava na pauta da semana
passada, mas não foi deliberado.
De acordo com o projeto, de autoria
do ex-senador Lúcio Alcântara (PSDB/CE), caberá aos
presidentes das Varas do Trabalho e aos juízes de direito a possibilidade
de conceder o benefício da Justiça gratuita.
O relator da matéria é o
deputado Vicente Arruda (PR/CE) e seu parecer é pela constitucionalidade
e juridicidade do projeto. O colegiado se reúne nesta terça-feira,
11/09, às 14h, o que se repete na quarta-feira e quinta-feira, às
10h.
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AGÊNCIA DIAP, 11 de
setembro de 2007
APOSENTADORIA
Projeto determina que aposentadoria
não extingue vínculo empregatício poderá ser
aprovado
Segundo informações da professora e colaboradora do DIAP, Silvia
Barbára, o deputado Luciano Castro (PR/RR) apresentou no dia 06/09 parecer
favorável à aprovação do PL 3772/2000, de autoria
do então deputado Alceu Collares. O projeto, que tramita na Comissão
de Trabalho da Câmara dos Deputados, altera o artigo 543 da CLT, dispondo
sobre a não-extinção do vínculo empregatício
em caso de aposentadoria.
A proposição visa resolver a confusão gerada por uma medida
provisória baixada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, que exigia
o rompimento do vínculo empregatício na concessão das
aposentadorias. É certo que a controvérsia foi definitivamente
resolvida pelo STF, em outubro de 2006, a favor dos trabalhadores.
Foi por conta da decisão do Supremo que o relator, deputado Luciano
Castro, apresentou agora um novo parecer, favorável à aprovação
(o primeiro, de junho de 2007, era pela rejeição).
Decisão do STF
Silvia destaca que embora o STF já tenha decidido a questão em
favor dos trabalhadores, é muito importante que o PL 3772 seja aprovado,
pois altera o caput do artigo 453, adequando a CLT à decisão
do Supremo.
A redação caput é a seguinte:
No tempo de serviço do empregado, quando readmitido, serão
computados os períodos, ainda que não contínuos
em que tiver trabalhado anteriormente na empresa, salvo se houver
sido demitido por falta grave, recebido indenização
legal ou se aposentado espontaneamente.
Fim de artifício
O PL 3772/2000 suprime a expressão “ou se aposentado espontaneamente”,
incluída na CLT em 1975 exatamente para garantir que os empresários
deixassem de pagar a indenização sobre todo o período
trabalhado.
Naquela época, era obrigatória a baixa na Carteira de Trabalho
na hora da aposentadoria, mas isso, por si só, não desobrigava
as empresas ao pagamento.
Além disso, a proposição incorpora ao artigo 453 um parágrafo único,
nos seguintes termos: “Parágrafo único. A concessão
do benefício de aposentadoria a pedido do empregado não rescinde
o contrato de trabalho.”
Mobilização
Silvia finaliza a nota destacando o quanto é importanto as entidades
sindicais, em particular, e a sociedade, em geral, escrever aos deputados da
Comissão de Trabalho para solicitar que o projeto seja incluído
na pauta do colegiado e aprovado o parecer do deputado Luciano Castro.
Serviço:
Comissão de Trabalho,
de Administração e Serviço Público
Câmara dos Deputados, Anexo
II, Pav.Térreo, Ala C, Sala T50
CEP: 70.160-900 - Brasília-DF
Telefone: (61) 3216-6811 / 6812
e 3216-6810 Fax: (61) 3216-6815
Secretária: Anamélia
Ribeiro Correia de Araújo
Acesse o parecer
favorável do deputado Luciano Castro.
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/ PARAÍBA, 11 de setembro de 2007
Produtividade Brasileira
Péssimas notícias. A produtividade do trabalhador brasileiro
caiu, na contra mão do que ocorre no mundo, e hoje o país ocupa
apenas o 65º lugar no ranking de 124 economias pesquisadas pela OIT -
Organização Internacional do Trabalho. O Brasil é superado
por Chile, Argentina, Bósnia, Irã, entre outros países
e tem taxa equivalentes às de Uganda.
O valor agregado produzido por
um trabalhador brasileiro caiu de US$ 15 mil por ano para US$ 14,7 mil,
enquanto um trabalhador americano produz US$ 66,8 mil, irlandeses US$
55,9 mil, franceses US$ 54,6 mil, etc. Em contrapartida, a produtividade
de um trabalhador chinês dobrou entre 1996 e 2005 atingindo US$
12,5 mil, e deverá superar a produtividade do brasileiro até 2010.
Além do mais na região da Ásia, China em destaque,
o trabalhador trabalha 2.200 horas por ano, e no Brasil este número
fica na média de 1.600 horas por ano, ou seja, um trabalhador
chinês trabalha na prática, 60 dias de 8 horas a mais que
o brasileiro por ano.
O que isso significa?
Definitivamente estamos ficando
para trás. Nestes anos, a partir de 1980, o mundo passou por um
forte processo de mudanças e reestruturações econômicas
e sociais. Foram os anos do grande ganho de produtividade impulsionados
e incentivados pela automação e informatização
em larga escala e a busca de soluções compensatórias
ao explosivo aumento do preço da energia. Considerando os números
americanos e europeus pode-se dizer que metade da quantidade de trabalhadores
passou a produzir o dobro de produção dos equivalentes
dos anos 80 neste século 21. Mais gente fazendo mais coisas, gerando
riquezas, impulsionando a economia. Mercados esgotados obrigaram a globalização
e uma certa dose de desemprego estrutural. Mesmo assim, a qualidade de
vida e os Índices de Desenvolvimento Humano dessas regiões
cresceram e atingiram níveis altíssimos.
Do outro lado, no Brasil esses
mesmos 30 anos assistiram a um crescimento explosivo do desemprego que
passou de taxas da ordem de 4% (pleno emprego) na década de 80,
para os atuais 10%, equivalentes aos padrões europeus. Em paralelo,
pressionado pelos direitos definidos na constituição de
88, o peso do Estado atinge incríveis 37% do PIB. Tudo posto na
mesma panela o brasileiro consome menos do que poderia, perde poder aquisitivo
porque sustenta um Estado pesado, desce para um nível de sobrevivência
e, finalmente, bate recordes de assistencialismo. Hoje 46 milhões
de brasileiros, ¼ da sua população, recebe e vive
de "esmolas do Estado" - o Bolsa Família. Nossos governantes
continuam humildes e só olham para os resultados das próximas
eleições. Como temos eleições a cada 2 anos,
nossas obras, metas e objetivos tem que ser definidas para 2 anos.
Nesse mundo do curto prazo como
conseguir aumentar a produtividade do trabalhador brasileiro? Como melhorar
a educação e a qualificação? Como fazê-lo
ter mais eficácia e assiduidade? Como melhorar sua alimentação
e saúde?
Temos que exigir que nossos governantes
pensem e ajam a longo prazo.
Gilberto Guimarães é diretor
da multinacional francesa BPI no Brasil, empresa que atua na área
de consultoria em RH e reorientação profissional especializada
- outplacement - com mais de 200 escritórios pelo mundo. Atua
também como professor e consultor da Fundação Getúlio
Vargas, da GV Consult e do Ibmec São Paulo. É engenheiro
pela Escola Politécnica da USP, com MBA pela FGV e cursos de especialização
no IMS - Alemanha. Tem experiência em processos de desenvolvimento
e reestruturação, planejamento estratégico e gestão
empresarial, tendo sido alto executivo dirigente em empresas de porte
como Grupo Saint Globain (Santa Marian, Brasilit) e Grupo Paramount-Lansul,
além de ser presidente do Instituto Amigos do Emprego, uma ONG
que promove debates e eventos sobre carreira e emprego. Recentemente
foi eleito Coordenador Executivo Nacional do PNBE - Pensamento Nacional
das Bases Empresariais.
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JORNA JC ONLINE / PERNAMBUCO,
11 de setembro de 2007
Mobilização
Campanha nacional recolhe assinaturas
para propor mudanças no FGTS
A União Geral dos Trabalhadores (UGT) e o Instituto FGTS Fácil
vão às ruas com a Campanha "FGTS - Justiça e Cidadania
para o Trabalhador contra Perdas, Fraudes e Descaso".
O objetivo é recolher
em todas as capitais brasileiras, a partir desta segunda-feira (10),
cerca de 1,3 milhão de assinaturas de trabalhadores para enviar
ao Congresso Nacional um projeto de lei de iniciativa popular com propostas
de mudanças na Lei 8.036, que regulamenta o FGTS. O projeto tem
como objetivo eliminar fraudes e garantir melhor rentabilidade e utilização
do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço.
Fonte: Agência Brasil
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JORNAL HOJE / CASCAVEL, 11 de setembro de 2007
Reforma da CLT extingue 250 artigos
e insere 1,3 mil
O projeto de lei que prevê mudanças na CLT (Consolidação
das Leis Trabalhistas) já está na Câmara dos Deputados.
A previsão é de que até março entrem em vigor as
mudanças. No total, foram extintos 250 artigos, incluídos outros
1,3 mil e o número de profissões regulamentadas passou de 13
para 61.
Levantamento da assessoria jurídica da Casa Civil do Palácio
do Planalto aponta que o Brasil possui 181.318 normas legais. A maioria conflita
com leis posteriores e, principalmente, com a Constituição Federal.
A CLT permite diminuir essas distorções.
O Grupo de Trabalho para Consolidação das Leis Brasileiras funciona
desde 1997 na Câmara dos Deputados. Nos últimos dez anos, os parlamentares
apresentaram 11 leis de consolidação, divididos por áreas
temáticas, como legislação mineral, de crédito
rural, eleitoral e educacional.
Cândido Vacarezza (PT-SP), autor do projeto de lei da nova CLT, está otimista
na velocidade do encaminhamento da sua proposta. No começo de outubro,
o material deve ser levado à Comissão de Constituição
e Justiça, ao plenário da Câmara, e depois ao Senado. Ele
acredita que, por ter prioridade, a proposta seja aprovada e sancionada até março
de 2008.
O autor da proposta, deputado federal Cândido Vacarezza (PT-SP), explica
que o novo formato restringe-se a mudanças organizacionais, tornando
a legislação mais simples, clara e inteligível para os
trabalhadores.
A CLT foi criada em 1943, por Getúlio Vargas. Apesar de ainda servir
de matriz para boa parte das categorias profissionais, já recebeu mais
de 200 alterações. Além disso, teve de conviver com o
inchaço de novas regras criadas por quatro novas Constituições
Federais (1946, 1967, 1969 e 1988).
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ÂMBITO JURÍDICO,
11 de setembro de 2007
TRT reconhece vínculo empregatício
de borracheiro que tinha contrato de arrendamento com posto de gasolina
O borracheiro que tinha contrato de
arrendamento com um posto de gasolina na cidade de Dianópolis
(TO) conseguiu na Justiça o reconhecimento de vínculo
empregatício com o posto. Apesar de o contrato lhe conferir
o status de autônomo, ele trabalhava de forma subordinada como
borracheiro, frentista e lavador de carros - e ainda cumpria jornada
como os outros empregados do posto. A 1ª Turma do TRT10ª Região
considera a subordinação como elemento que, uma vez
presente, caracteriza o contrato de trabalho.
"O autônomo (arrendatário,
parceiro) detém a direção de sua atividade, enquanto
que o empregado tem sua atividade direcionada pelo empregador",
explicou a relatora do processo juíza Cilene Ferreira Amaro Santos.
De fato, embora existisse contrato escrito de arrendamento da borracharia,
que conferia ao trabalhador o status de parceiro - e portanto trabalhador
autônomo, as testemunhas confirmaram que o borracheiro não
tinha liberdade na direção de suas atividades - e portanto
não era autônomo. Ao contrário, ele cumpria as mesmas
atividades e jornada de trabalho que os outros empregados do posto.
"Não obstante o reconhecimento
de que o contrato revela pacto de parceria, a prova oral descaracterizou
por completo tal documento", afirmou a juíza Cilene Santos.
Ela explica que a existência de contrato de arrendamento ou de
parceria não impede que seja reconhecido vínculo empregatício
- desde que o contrato não seja cumprido no dia-a-dia da relação.
De acordo com ela, todos os elementos que caracterizam a relação
de trabalho ficaram provados: pessoalidade, salário, subordinação
e prestação constante de serviços.
(1ª Turma - Processo 00344-2006-851-10-06-6-RO)
Fonte: TRT10
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
10/09/2007
TST mantém pena de censura a juiz
que agrediu advogado
O Pleno do Tribunal Superior
do Trabalho decidiu, por unanimidade, negar provimento a recurso de um
juiz do Trabalho de primeiro grau que, após perder o controle
durante uma audiência e agredir verbalmente um advogado, foi objeto
de processo administrativo disciplinar que resultou na aplicação
de pena de censura. O processo correu em segredo de justiça, e
o relator, ministro Horácio de Senna Pires, baseou seu voto no
artigo 35, inciso IV da Lei Orgânica da Magistratura (Loman), que
lista, entre os deveres do magistrado, o de “tratar com urbanidade
as partes, os membros do Ministério Público, os advogados,
as testemunhas, os funcionários e auxiliares da Justiça”.
Para o relator, ao exercer um cargo público e detendo poderes
que são atributos do cargo, e não da sua pessoa, “o
juiz deve servir sem arrogância, sem prepotência e sem arbitrariedade”.
O incidente aconteceu em 2004.
De acordo com a decisão do Tribunal Regional do Trabalho, os detalhes
obtidos por meio da transcrição dos diálogos ocorridos
na sala de audiência e no depoimento de testemunhas “não
deixam dúvidas de que o magistrado perdeu o controle e o equilíbrio
emocional, alterou o tom de voz, ameaçou o advogado, além
de ter chutado a pasta do referido causídico”. Ainda segundo
o TRT, se não fosse a intervenção de um segurança
da Vara do Trabalho, que se interpôs entre o juiz e o advogado,
teria ocorrido agressão física. A gravação
do episódio foi feita pelo próprio advogado e a fita foi
encaminhada à Polícia Federal, que a degravou e fez a perícia.
O mesmo juiz é parte também em dois outros processos administrativos,
que se encontram em grau de recurso no TST.
Em seu recurso ao TST contra
a pena de censura, o juiz suscitou uma longa lista de preliminares e
alegou que sua “reação” foi causada por ações
dos denunciantes, mas não conseguiu prová-las. Argüiu
também a ilicitude da prova fonográfica, argumento refutado
pelo relator, que a considerou “totalmente válida, já que
periciada por órgão público isento, a Polícia
Federal”.
Ao analisar os autos, o ministro
Horácio ressaltou que “a atitude, os termos e todo o contexto
que exsurge das provas tanto materiais quanto testemunhais revelam uma
conduta totalmente imprópria para um juiz, seja em que circunstância
ou sob que condições estivesse submetido, pois para isso
a lei lhe dá autoridade para não ser necessário
e, diga-se mesmo, proibir-lhe de agir fora da imparcialidade e eqüidistância
em relação às paixões que só às
partes é permitido exibir e mesmo assim respeitando-se as instituições.”
Prosseguindo em seu voto, o relator
concluiu que a pena de censura aplicada pelo Regional foi proporcional à falta
funcional comprovada, e que a conduta do juiz tipifica nítida
afronta ao dever de urbanidade previsto na Loman. “Urbanidade,
segundo os melhores dicionários do idioma português, é qualidade
de quem demonstra civilidade, afabilidade, cortesia, polidez, boas maneiras
e respeito entre cidadãos”, afirmou. “Trata-se de
qualidade que o legislador exige do juiz, no conjunto dos deveres éticos,
indispensáveis ao desempenho da atividade judicante. E no particular
aspecto do dever de urbanidade no trato com as partes, advogados, membros
do Ministério Público, o juiz não pode esquecer
que o cargo que exerce exige serenidade”.
(As informações
sobre as partes e o TRT de origem foram suprimidas por se tratar de processo
em segredo de justiça)
(Carmem Feijó)
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10/09/2007
Jornada pretende coletar subsídios
para jurisprudência trabalhista
O Tribunal Superior do Trabalho,
a Escola Nacional de formação e Aperfeiçoamento
de Magistrados (Enamat), com apoio do Conselho Nacional das Escolas de
Magistratura do Trabalho (Conematra) e a Associação Nacional
dos Magistrados do Trabalho (Anamatra) realizarão, em novembro
(dias 21, 22 e 23), a 1ª Jornada de Direito Material e Processual
na Justiça do Trabalho. O evento é pioneiro no Judiciário
Trabalhista, e permitirá que a comunidade jurídica trabalhista
brasileira – especialmente magistrados do Trabalho de todos os
graus de jurisdição – apresente propostas de enunciados
que servirão de subsídio para a jurisprudência na
Justiça do Trabalho.
As inscrições para
as propostas de enunciados começam hoje (10), e são abertas
a magistrados e bacharéis em Direito. As avaliações
serão feitas por sete comissões temáticas, cada
uma voltada para um dos temas sobre os quais deverão versar as
propostas: Direitos Fundamentais e as Relações de Trabalho;
Contrato de emprego e outras Relações de Trabalho; Lides
Sindicais e Direito Coletivo; Responsabilidade Civil em Danos Patrimoniais
e Extra-Patrimoniais; Acidente do Trabalho e Doença Ocupacional;
Penalidades Administrativas e Mecanismos Processuais Correlatos; e Processo
na Justiça do Trabalho. Cada um dos temas se divide em diversos
subtemas. Cada participante pode apresentar no máximo três
propostas, desde que vinculadas aos subtemas de uma mesma comissão.
Serão admitidas, também, propostas conjuntas com no máximo
dois autores. Neste caso, só um deles fará a apresentação
(defesa) nas comissões temáticas.
O regulamento completo da I Jornada
de Direito Processual e Material do Trabalho está disponível
no endereço www.anamatra.org.br/jornada.
(Carmem Feijó, com informações
da Anamatra)
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Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos
MEDIDA PROVISÓRIA Nº 388, DE 5 DE SETEMBRO DE 2007
Altera
e acresce dispositivos à Lei no 10.101, de 19 de dezembro
de 2000.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição
que lhe confere o art. 62 da Constituição, adota a seguinte Medida
Provisória, com força de Lei:
Art. 1o O art. 6o da Lei no 10.101, de 19 de dezembro de 2000, passa
a vigorar com a seguinte redação:
“Art. 6o Fica autorizado o trabalho aos domingos nas atividades do comércio
em geral, observada a legislação municipal, nos termos do art.
30, inciso I, da Constituição.
Parágrafo único. O repouso semanal remunerado deverá coincidir,
pelo menos uma vez no período máximo de três semanas, com
o domingo, respeitadas as demais normas de proteção ao trabalho
e outras a serem estipuladas em negociação coletiva.” (NR)
Art. 2o A Lei no 10.101, de 2000, passa a vigorar acrescida dos seguintes dispositivos:
“Art. 6º-A. É permitido o trabalho em feriados nas atividades
do comércio em geral, desde que autorizado em convenção
coletiva de trabalho e observada a legislação municipal, nos termos
do art. 30, inciso I, da Constituição.” (NR)
“Art. 6º-B. As infrações ao disposto nos arts. 6o e
6o-A desta Lei serão punidas com a multa prevista no art. 75 da Consolidação
das Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943.
Parágrafo único. O processo de fiscalização, de
autuação e de imposição de multas reger-se-á pelo
disposto no Título VII da Consolidação das Leis do Trabalho.” (NR)
Art. 3o Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 5 de setembro de 2007; 186o da Independência e 119o
da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Carlos Lupi
Este texto não substitui o publicado no DOU de 6.9.2007

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