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NCST, 17 de setembro de 2007
Empregos formais crescem 4,98% até agosto,
aponta Caged
A geração de empregos formais até agosto registrou saldo
de 1.355.824 vagas, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e
Desempregados) divulgados nesta sexta-feira pelo Ministério do Trabalho.
Estas novas vagas fizeram com que o estoque total de empregos com carteira
assinada subisse 4,98% sobre o mesmo período do ano passado.
O saldo entre admissões e demissões no ano está 12,32%
maior na comparação com o número de vagas abertas no mesmo
período do ano passado e está próximo do recorde, verificado
no mesmo período de 2004 (1.466.440 vagas).
Em agosto, o saldo entre demitidos e admitidos ficou positivo em 133.329, alta
de 4,9% na comparação com o mês anterior (126.992 postos),
elevando o estoque total em 0,46%. Em relação ao mesmo mês
de 2006, a elevação no estoque foi de 0,44%.
O resultado de agosto é o terceiro maior da série histórica
do Caged. Perde para os anos de 2004 (229.757 novos postos) e de 2005 (135.460).
A expectativa do Ministério do Trabalho é a de que a geração
de empregos com carteira assinada em 2007 fique entre 1,55 milhão e
1,6 milhão, pouco abaixo da previsão inicial de 1,65 milhão
de postos, mas ainda acima do recorde registrado em 2004, quando foram criadas
1,523 milhão de vagas.
" Ainda acreditamos que [a geração de empregos] fique em até 1,6
milhão. Tenho quase certeza que bateremos o recorde de 2004", afirmou
Carlos Lupi, ministro do Trabalho.
Nos últimos 12 meses, a variação acumulada de empregos
subiu 4,98%, ou 1.377.440 novos postos formais. No mês passado, havia
no país um total de 29,02 milhões de empregados com carteira
assinada.
Setores
No acumulado do ano, os oito setores pesquisados tiveram alta. O destaque fica
para o setor de agronegócio, com 215.617 empregos criados (alta de 14,96%
sobre o mesmo período de 2006), seguido pela construção
civil, com 142.743 novos postos (crescimento de 10,56%).
No mês de agosto, sete setores mais contrataram do que demitiram. A maior
alta na quantidade de vagas foi em construção civil, com 26.276
novos postos (alta de 1,79%). No mês passado, o setor de agronegócio
foi o único que registrou resultado negativo com o fechamento de 30.806
mil vagas.
" Acredito que deve ter tido uma antecipação das decisões
de demissão no setor rural", disse Lupi. "Talvez em setembro
tenha um desempenho melhor do que esperamos.
Regiões
Segundo o Caged, a expansão do emprego foi verificada em todas as regiões
do país. As que mais se destacaram no mês em análise foram
Nordeste (39.858 postos, alta de 0,95%) e Norte (10.884 postos, elevação
de 0,93%).
Entre os Estados, 25 registraram maior número de vagas criadas. O maior
em quantidade foi São Paulo, com 59.049 novos postos, uma alta de 0,62%.
Em porcentagem sobre o mesmo mês de 2006, o Estado que mais contratou
foi a Paraíba, com acréscimo de 2,04%.
Só dois Estados --Minas Gerais e Acre-- tiveram mais demissões
que contratações em agosto. Minas perdeu 16.281 postos de trabalho,
e o Acre 53.
O ministro destacou que o emprego formal nas regiões metropolitanas
voltou a crescer mais do que no interior dos estados onde elas se encontram.
Foram 75.649 novos postos --um recorde para um mês de agosto nos dados
do Caged.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO (ON LINE), 17 de setembro de 2007 | Ilustrada
Mais de 40% do municípios brasileiros
não têm política cultural, diz IBGE
CLARICE SPITZ
da Folha Online, no Rio
Pesquisa realizada pelo IBGE
(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e divulgada
nesta segunda mostra que para mais de 40% dos municípios brasileiros
a cultura não está na agenda das políticas públicas.
Segundo a pesquisa, que compara
dados de 2005 e 2006, 42,1% dos municípios brasileiros não
têm nenhuma política cultural formulada. Além disso,
a pesquisa revela que os municípios gastaram em média R$
273,5 mil por ano com cultura. O montante equivale a apenas 0,9% do total
dos orçamentos municipais.
Entre os municípios que
afirmam ter uma política para a área, o conceito de cultura
não se reduz à realização de eventos. Entre
os objetivos mais citados de políticas públicas estão:
garantir a sobrevivência de tradições e preservar
patrimônios históricos.
A pesquisa constata um predomínio
de municípios com política cultural nas regiões
Sul e Sudeste e nos pequenos Estados do Nordeste. A região Nordeste
foi a que mais destinou recursos para a cultura: 1,2% do total da receita
arrecadada.
Levada a campo no segundo semestre
de 2006, por meio de questionários respondidos pelas prefeituras,
a sexta edição da Munic investigou a diversidade cultural
e territorial dos 5.564 municípios brasileiros.
A pesquisa mostra que em
72% dos municípios brasileiros ainda predomina a cultura acoplada
a outros temas. Ao se somar esses municípios aos 12,6% outros
em que o setor é subordinado a outra secretaria, tem-se que
existem hoje 84,6% de órgãos gestores não exclusivos
da cultura.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
17 de setembro de 2007
Retratação de empregador
não basta para reverter dano moral, diz TRT
Apesar de ter se retratado com três funcionárias que foram acusadas
injustamente de furto no ambiente de trabalho, uma empresa de informática
não conseguiu reverter na Justiça a condenação
de indenizar o trio.
Por unanimidade, a 3ª Câmara
do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 15ª região (Campinas)
rejeitou o recurso da pequena empresa de informática contra decisão
da Vara do Trabalho de Birigüi.
A defesa alegou que o valor fixado
para a indenização não era razoável, pois
que, além de haver se retratado perante as funcionárias
logo no dia seguinte ao ocorrido e pedido para que voltassem ao trabalho,
a ofensa não teria afetado suas vidas profissionais.
Alegou também que a multa
sobre o FGTS recebida por conta da rescisão indireta já satisfazia
a indenização perseguida pelas reclamantes.
Valor
baixo
Por sua vez, as empregadas, que tiveram sua ação indenizatória
atendida apenas em parte, também recorreram ao TRT para requerer o aumento
do valor a ser indenizado, por terem considerado a quantia fixada pela sentença
de primeira instância desproporcional aos danos sofridos.
Os dois recursos foram julgados
conjuntamente. A relatora do acórdão, juíza Luciane
Storel da Silva, considerou que a acusação de furto injustamente
dirigida às três acarretou-lhes um dano por ofender sua
honra e moral, causando-lhes dor e sofrimento íntimos, em especial
no convívio familiar e de amigos, à vista da publicidade
das acusações.
A juíza considerou também
que o trabalhador, em especial, está sujeito a sofrer danos morais
decorrentes de sua condição de subordinação
jurídica perante o empregador, característica da relação
de emprego. Nesse sentido, observou ser o empregador responsável
pela intimidade do trabalhador quando sobre ele se projeta seu poder
diretivo.
Em relação ao caso
em questão, afirmou a magistrada não haver dúvidas
de que a empresa imputou às reclamantes a prática de ilícito
penal, qual seja, furto, caluniando-as. Segundo a juíza, a aceitação
da retratação é condição para a reconciliação
das partes e a configuração da hipótese do artigo
143 do Código Penal, o qual dispõe que o autor de calúnia
ou difamação que dela se retrata cabalmente antes da sentença
fica isento de pena, com efeitos no processo civil.
Não sendo este o
caso, a juíza decidiu manter a sentença de origem, incluindo
a indenização fixada, vista como tendo levado em conta
as condições da reclamada, inclusive seu pedido de retratação,
bem como os danos e as condições das reclamantes.
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SITE CONTAS ABERTAS, 17 de
setembro de 2007
Proposta de aumento para Ministros
do STF pode gerar impacto anual de R$103,6 milhões nos cofres
Enquanto muitas categorias do serviço público entram em greve
para conseguir um aumento salarial mínimo, na maioria das vezes já bem
defasado da evolução inflacionária, tramita na Comissão
de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados
um projeto de lei que busca atualizar aquele que oficialmente já seria
o maior salário do Brasil. O PL n° 7297/2006, de autoria do Supremo
Tribunal Federal (STF), propõe reajustar em 3,14% o vencimento dos ministros
da Casa Judiciária, já tido como o teto salarial no país.
A proposta ainda tem que passar
por outras votações na Casa e, se aprovada, valerá para
os demais membros do Poder Judiciário. Se isso acontecer, o aumento
vai gerar um impacto de R$ 103,6 milhões por ano nos cofres públicos.
O valor, que beneficia o alto escalão da Justiça, é quase
equivalente ao total gasto este ano com toda a folha de pagamento de
pessoal do Supremo - cerca de mil funcionários, sem contar com
os terceirizados - incluindo encargos sociais (R$ 122,4 milhões).
Pelo projeto, em tramitação
desde o ano passado, os subsídios das autoridades máximas
da Supremo Corte vão passar de R$ 24,5 mil para exatos R$ 25.269,73.
O salário dos ministros dos tribunais superiores ficará em
R$ 24 mil (95% do salário dos ministros do STF) e os juízes
dos tribunais regionais federais e do Trabalho, por exemplo, receberão
R$ 22,8 mil mensais. Um juiz federal titular, por sua vez, também
verá seu contracheque engordar, chegando aos R$ 21,7 mil.
Apesar do impacto nos cofres,
a proposta foi aprovada sem grandes dificuldades na Comissão de
Finanças e Tributação da Câmara, no último
dia 29, sem chamar muita atenção, ao contrário do
que aconteceu quando se discutiu o aumento dos parlamentares, no início
do ano. Não é para menos, já que a decisão
da Comissão foi tomada um dia depois de o tribunal acolher as
denúncias contra os 40 acusados de envolvimento no caso do mensalão.
No entanto, os aumentos ainda poderiam ser maiores, já que a proposta
original elaborada pelo Supremo e encaminhada ao Congresso em 2006 propunha
um aumento de 5%, o que elevaria os salários dos ministros a R$ 25.725.
Na justificativa do projeto, a presidente do STF, Ellen Gracie, e o presidente
do TSE, Marco Aurélio, assinalam que o valor proposto para o salário
dos ministros do STF foi obtido considerando a taxa de inflação
de 5% (IPCA-E) projetada para 2006. Além disso, argumentaram que há fundamento
em dispositivo constitucional que assegura revisão geral e anual do
subsídio. Eles também apresentam números para demonstrar
que o projeto está dentro da margem de crescimento permitida aos gastos
com pessoal e encargos sociais do Poder Judiciário.
Porém, para a infelicidade
dos magistrados, o projeto sofreu alterações quando tramitou
em duas comissões na Câmara. No colegiado de Trabalho, de
Administração e Serviço Público, foi aprovado
um aumento de 2,81%, referente ao INPC, índice também medido
pelo IBGE, valor base para reposição das perdas salariais
dos trabalhadores públicos e da iniciativa privada no ano passado.
Já a Comissão de Finanças e Tributação
da Câmara, último local por onde passou o projeto de lei,
fixou o índice em 3,14%. O PL n° 7297/2006 ainda vai ser apreciado
em outras comissões.
De acordo com a Constituição,
o vencimento de ministro do STF representa o máximo de remuneração
do funcionalismo público. No caso dos integrantes do Poder Judiciário,
os subsídios são escalonados a partir desse salário.
Assim, sempre que há um reajuste no salário das maiores
autoridades do Supremo, cria-se um efeito cascata nos vencimentos dos
ministros de todos os tribunais superiores, dos juízes dos regionais
e do Distrito Federal, além dos juízes titulares e substitutos.
São mais de 5.400 magistrados. O impacto orçamentário
anual do reajuste só em termos salariais será de mais de
R$ 90 milhões. O prejuízo chega a R$ 103,6 milhões,
pois a mudança impacta ainda as gratificações para
as atividades na justiça eleitoral.
Projeto divide opiniões
O vice-líder do governo,
Henrique Fontana (PT-RS), critica o aumento de teto dos vencimentos dos
ministros do STF e do Ministério Público. "Não é adequado
elevar os salários num momento em que se discute uma matriz salarial
mais justa no país", afirma. Segundo ele, o aumento é inoportuno
e os ministros e juízes já recebem um teto que pode ficar
congelado por um bom período. Na avaliação de Fontana, é preciso
elevar os salários mais baixos, tanto da iniciativa privada como
do serviço público. "Já estou conversando com
os deputados e líderes para que o aumento de teto não seja
concedido", destaca.
O líder do PSDB na Câmara,
Antonio Carlos Pannunzio (SP), diz que a bancada ainda não tem
posição definida sobre o assunto. No entanto, o deputado
afirma que faltou ao Legislativo coragem para definir um mesmo teto em
todos os poderes, o que atingiria o Judiciário. "Quando fizemos
a reforma administrativa, não tivemos coragem de estabelecer como
teto do funcionalismo público, o salário do presidente
da República", lembrou.
Já o presidente da Associação
dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Walter Nunes da Silva Júnior, é favorável
ao aumento dos magistrados. Para ele, o reajuste baseado no IPCA é legal,
pois é o índice de revisão usado no orçamento
anual. “Na verdade é uma reposição salarial,
e não um aumento de teto, o qual ainda poderia ser maior, já que
na época em que se fixou o teto do funcionalismo público
em R$ 24,5 mil, o Judiciário estava com salários defasados
e com mais de cinco anos sem reajuste” explicou. Segundo ele, o
teto poderia ser de R$ 28,5 mil. O valor está ligado diretamente
ao princípio anual da remuneração de todas as categorias
do funcionalismo público.
O presidente da associação
ainda defendeu que o aumento não tem efeito cascata, já que,
para ele, a lei só vale para os magistrados da União. “Os
juízes estaduais não entram no projeto. Cada estado tem
que encaminhar suas propostas às assembléias legislativas
de acordo com os índices locais”, afirmou.
Em dezembro de 2006, quando o
Congresso aprovou um projeto de lei que reajustava os vencimentos dos
parlamentares em 91%, o plenário do STF derrubou o aumento por
seis votos a quatro. Na época, diante de uma pressão da
sociedade, a maioria dos ministros do Supremo entendeu que o aumento
só podia ser concedido com a aprovação de um decreto
legislativo a ser votado no plenário da Câmara e do Senado.
O projeto de reajuste dos salários
dos ministros foi aprovado na última sessão da Comissão
de Finanças e Tributação, na Câmara dos Deputados,
no dia 29 de agosto. A matéria tramita agora na Comissão
de Constituição e Justiça e ainda deverá passar
pelo plenário.
Clique
aqui para ver o PL n° 7297/2006 na íntegra.
Leandro Kleber
Do Contas Abertas
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
17 de setembro de 2007
Empregado doméstico que não
teve férias deve receber em dobro, diz TRT
Um ex-empregado doméstico que pleiteou o pagamento em dobro das férias
não concedidas por seu empregador conseguiu ver seu pedido aceito pela
Justiça. Em julgamento recente de recurso ordinário, a 4ª Turma
do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 3ª região (Minas Gerais)
decidiu a favor do ex-funcionário.
No entendimento do juiz relator,
Fernando Luiz Gonçalves Rios Neto, os empregados domésticos
fazem jus a receber em dobro as férias não gozadas no período
aquisitivo de doze meses, como dispõe o artigo 137, da CLT (Consolidação
das Leis do Trabalho).
“Com o advento do preceito
constitucional do parágrafo único do artigo 7º, da
CF, e sua remissão ao inciso XVII, verificou-se a uniformização
dos institutos das férias para os trabalhadores urbanos, rurais
e domésticos, que passaram a ter tratamento igualitário
infraconstitucional por determinação da própria
Lei Maior”, frisa.
O empregador havia defendido
também a concessão de apenas vinte dias úteis a
título de férias, com base no artigo 3º da Lei 5.859/72.
Mas o juiz ressaltou que o artigo 2º, do Decreto 71.885/73, que
regulamentou a Lei 5.859/72, ao estabelecer não serem aplicáveis
aos empregados domésticos as disposições da CLT,
excetuou o capítulo referente às férias.
“Assim, tendo a reclamada
admitido que nunca concedeu férias ao reclamante, deve pagar integralmente
e em dobro aquelas relativas ao período aquisitivo e acrescidas
de 1/3”, concluiu o juiz.
Recurso Ordinário
01269-2006-014-03-00-3
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ÂMBITO JURÍDICO,
17 de setembro de 2007
Atraso ao comunicar eleição
não tira estabilidade de sindicalista
A Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho manteve, por unanimidade,
decisão que garantiu a duas dirigentes sindicais a reintegração
ao emprego, ainda que a empresa tenha sido comunicada de sua candidatura, eleição
e posse fora do prazo de 24h fixado na CLT. O relator, ministro Vieira de Mello
Filho, considerou que a comunicação tem por finalidade comprovar
os atos perante o empregador a fim de proteger a representação
sindical e que, no caso, a empresa teve ciência da eleição
dois dias após sua realização, exatamente um mês
antes de demitir as duas trabalhadoras – e a dispensa ocorreu justamente
no dia em que tomaram posse.
A ação foi proposta
por duas ex-empregadas da Companhia Paulista de Seguros em Joinville
(SC). A primeira foi admitida em maio de 1997 e, ao ser demitida, ocupava
a função de gerente de contas. A segunda foi admitida em
1995, e era técnica de sinistro. Em 1998, ambas se candidataram
a cargos de direção no Sindicato dos Empregados em Empresas
de Seguros Privados e Capitalização e de Agentes Autônomos
de Seguros Privados e Capitalização e de Agendes Autônomos
Privados e de Crédito e de Empresas de Previdência Privada
de Joinville. A chapa foi registrada em 25/11/1998, a eleição
realizou-se em 2/12/1998 e a empresa foi comunicada que as empregadas
haviam sido eleitas em 4/12/1998. A posse ocorreu em 4/1/1999, mesma
data da dispensa. Na reclamatória, pediram a decretação
da nulidade da demissão e a reintegração ao emprego
ou indenização de todos os salários e reflexos até janeiro
de 2005, quando terminaria a estabilidade garantida aos dirigentes sindicais.
A 3ª Vara do Trabalho de
Joinville julgou os pedidos improcedentes ao analisar a cronologia dos
fatos. O juiz considerou que, como não foi observado o prazo de
24h previsto no artigo 543, parágrafo 5º, da CLT, as comunicações
eram nulas. Desatendido esse pressuposto, julgou não existir o
direito à estabilidade.
O TRT/SC, ao julgar recurso ordinário,
adotou entendimento diferente. Embora confirmando que as comunicações
ocorreram mais de 24h depois, o Regional observou que a seguradora teve
plena ciência de todas as etapas do processo, dentro de prazo razoável,
e concluiu que a empresa não teve nenhum direito lesado em decorrência
do atraso. “Aquela formalidade (comunicação dentro
do prazo de 24 horas), na verdade, não cria o direito, mas assegura
o pleno exercício da atividade afeta ao trabalhador eleito dirigente
sindical”, diz o acórdão regional, que decretou nulas
as rescisões e determinou a reintegração das trabalhadoras
ao emprego.
A Paulista recorreu então
ao TST, alegando que o TRT, ao admitir a garantia de emprego e desprezar
a exigência do prazo para a comunicação, violava
o artigo 573, parágrafo 5º da CLT. O ministro Vieira de Mello
Filho, após uma análise interdisciplinar da doutrina, em
especial no Direito Civil, decidiu pelo não provimento do recurso. “A
comunicação prevista na CLT só pode ostentar natureza
de prova em face de seu objetivo, no caso, de promover a divulgação
do ato para o conhecimento de terceiros”, afirmou. “Como
resultado, esse denominado ‘formalismo de publicidade’ não
vicia o ato ou negócio jurídicos, em seus elementos essenciais
no plano da existência, validade ou eficácia.”
O relator observou que o exercício
do mandato de dirigente sindical não depende da comunicação
de sua eleição ao empregador. “Uma coisa é a
atividade sindical, garantida pela Constituição; outra
são os efeitos dessa representação no contrato de
trabalho do dirigente eleito.” Segundo este entendimento, o atraso
na comunicação dos atos, portanto, não anula os
atos em si – a candidatura, a eleição e a posse,
que são a origem do direito à estabilidade.
A jurisprudência do TST – Súmula
369, inciso I – dispõe que “é indispensável
a comunicação, pela entidade sindical, ao empregador, na
forma do parágrafo 5º do artigo 543 da CLT”. Para o
ministro Vieira de Mello Filho, o adjetivo “indispensável” não
afasta a interpretação de que a comunicação
tem natureza probatória. “Em assim sendo, por se tratar
de prova, qualquer meio em direito é admitido, e, para que surta
efeitos, há de se observar o conteúdo da norma da CLT”,
explicou. “A finalidade do ‘caput’ desse artigo é coibir
o abuso do empregador e proteger a representação sindical”.
No caso, a empresa foi comunicada, embora fora do prazo, um mês
antes da demissão e mais de um mês antes da posse. “Se
a comunicação produziu efeitos a partir de então,
limita-se o poder de despedimento do empregador, de forma a se proteger
a representação sindical de caráter constitucional,
assegurando-lhe eficácia social, pois foi atingida a finalidade
prevista na CLT: comunicar o empregador”, concluiu. (TST-RR-747749/2001.3)
(Carmem Feijó)
Fonte: TST
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CONSULTOR JURÍDICO,
17 de setembro de 2007
Promoção da igualdade
Discriminação no trabalho
tem custo alto para sociedade
por Marina Ito
As diversas formas de discriminação
no trabalho e as dificuldades para combatê-las foram temas de um
seminário no Rio de Janeiro, promovido pela Associação
Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra) e pela Associação
dos Magistrados do Trabalho da 1ª Região (Amatra 1), na sexta-feira
(14/9).
A diretora da Organização
Internacional do Trabalho (OIT), no Brasil, Laís Abramo, apresentou
o relatório global divulgado em maio deste ano pela entidade.
Segundo ela, há mais desigualdade de raça do que de gênero.
Além desses tipos de discriminações, há também
as baseadas em cor, religião, orientação sexual,
ascendência social ou nacional. Outra questão preocupante é a
discriminação baseada em vários fatores simultaneamente,
como de gênero e raça.
Para a diretora, a discriminação
tem um custo. Quando a pessoa, que passa anos se qualificando, deixa
de ser contratada por motivo de gênero ou raça, há um
desperdício de recurso humano. Além disso, o custo da discriminação
também é alto para a sociedade, afetando a democracia. “Discriminação
e desigualdade social estão interligadas”, constatou.
Provar que houve discriminação
no trabalho é uma grande dificuldade, mesmo porque as formas se
modificam ao longo do tempo. Hoje, segundo a diretora, além das
discriminações já citadas, existem as que são
em função da idade, pessoas com deficiência e portadoras
de HIV. Há também formas emergentes, como a baseada em
genética e estilos de vida considerados pouco saudáveis
(pessoas obesas ou que fumam).
Laís Abramo ressaltou
a importância da legislação, que permite a fiscalização
das empresas. Mas ponderou não ser suficiente proibir a discriminação. “É preciso
promover a igualdade”, concluiu. Além disso, a Justiça
do Trabalho deve melhorar a aplicação da lei. Segundo ela,
o compromisso para promover a igualdade no trabalho deve partir, em conjunto,
das organizações sindicais e empresariais e do governo.
O seminário Formas de
discriminação no mundo do trabalho também contou
com a participação dos professores Cláudio Pereira
de Souza Neto, Ronaldo Lobão, da subprocuradora-geral do Trabalho
Maria Aparecida Gurgel, de Hélcio Rizzi, da Secretaria Especial
dos Direitos Humanos, e do desembargador Alexandre Teixeira de Freitas,
do Tribunal Regional da 1a Região.
Segundo a presidente da
Amatra 1, juíza Nélie Perbeils, é importante realizar
um seminário para se discutir o assunto no Rio de Janeiro, devido
ao fato de o estado ser miscigenado e haver diversas formas de discriminação.
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AGÊNCIA DIAP, 17 de setembro de 2007
EMPREGO
IBGE também mostra que informalidade
vem caindo no País
O Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE) considera que o avanço da formalização
no mercado de trabalho é destaque entre os dados da Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2006, divulgada
nesta sexta-feira, dia 14.
"Você tem mais pessoas trabalhando com carteira de trabalho, conseqüentemente
você tem mais pessoas contribuindo com a Previdência, mais pessoas
sindicalizadas, esse é o grande destaque da Pnad 2006 no que tange ao
mercado de trabalho", afirma Cimar Azeredo, coordenador da Pesquisa Mensal
de Emprego do IBGE.
A Pnad 2006 mostrou que a participação de contribuintes para
a Previdência entre a população ocupada, 49,2%, foi a maior
desde o início dos anos 90.
Segundo ele, o aumento da formalidade acaba se refletindo também no
aumento dos rendimentos. "Se você tem um mercado mais formal, a
população ocupada passa a ter um poder de compra maior",
diz ele. A Pnad apontou que o rendimento médio mensal dos trabalhadores
aumentou 7,2% entre 2005 e 2006.
Azeredo também considera que a queda na taxa de desocupação
está ligada a essa ampliação da renda. "Com o aumento
do rendimento, uma parcela da população que estava forçando
o mercado de trabalho (procurando emprego) para compor o rendimento familiar
tende a se dissipar", explica ele. "A pressão do mercado de
trabalho é menor em função de a população
ter um maior poder de compra”.
Agricultura é ponto negativo
Por outro lado, o setor da economia responsável por grande parte das
exportações brasileiras foi o que mais demitiu no ano passado.
Segundo a mesma pesquisa, a agricultura registrou queda de 3,1% no nível
de emprego em 2006.
O levantamento mostrou que 569 mil postos de trabalho foram extintos na agricultura
no ano passado em todo o país. A maior parte do fechamento das vagas
ocorreu no Nordeste, onde 447 mil agricultores perderam o emprego. O total
de trabalhadores do setor, de 17,2 milhões de pessoas, é menor
até que o de 2004.
A agricultura manteve em 2006 o primeiro lugar entre as atividades que mais
empregam. Mesmo assim, o fechamento de vagas no setor interferiu na participação
do setor, que caiu de 20,5% em 2005 para 19,3% no ano passado. De acordo com
a Pnad, a atividade foi a única a ter queda no nível de emprego.
Entre os setores especificados na pesquisa do IBGE, educação,
saúde e serviços sociais, responsável por 357 mil novos
postos de trabalhos em 2006, foi o que abriu mais vagas em números absolutos.
Em segundo lugar, ficou o setor de comércio e reparação,
com 245 mil novos empregos. Em termos proporcionais, no entanto, quem liderou
a geração de empregos foram os servidores públicos concursados
e militares, cujo total de contratações aumentou 7,4%, mais de
três vezes a média geral da economia, de 2,4%.
O IBGE constatou ainda que algumas regiões experimentaram surtos em
algumas atividades no ano passado. Apesar de responder pela maior parte das
demissões na agricultura, o Nordeste registrou aumento de 10,2% no emprego
na construção – o triplo da média nacional de crescimento
de 3,5%. O Centro-Oeste foi a única região a apresentar aumento
na participação no emprego industrial, que subiu de 10,6% para
11,2% de 2005 a 2006. (Da Agência Brasil)
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 17 de setembro de 2007 | Dinheiro
MARCOS CINTRA
Tributos, salários e empregos
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A movimentação financeira se revela um tributo simples, insonegável
e de robusta capacidade arrecadatória
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A DISCUSSÃO sobre a reforma
tributária trouxe à tona a necessidade de desonerar
os rendimentos do trabalho. Somando as contribuições
tributárias de patrões e empregados, o ônus sobre
os salários no país supera 40%, uma extravagância
considerando o nível de renda per capita nacional, sem falar
na urgente necessidade de ampliar as oportunidades de emprego formal.
Hoje, os gastos das empresas com as contribuições para
a Previdência são de 36% do salário nominal,
que, somados aos custos relacionados ao tempo não-trabalhado,
dobram a despesa das empresas com a contratação de
um funcionário.
A discussão sobre a prorrogação da CPMF também
evidenciou que a excessiva carga tributária poderia ser combatida de
forma mais inteligente se, em vez de extinguir a CPMF, ela fosse utilizada
para substituir outros encargos mais perniciosos à economia. O governo
identificou a folha de salários das empresas como forte candidata para
dar início a esse processo gradual de redimensionamento dos ônus
tributários que agravam a economia.
No intuito de avaliar o efeito do uso da arrecadação da CPMF
como alternativa para a desoneração da folha de pagamento, a
FGV avaliou qual seria o efeito sobre os investimentos e os níveis de
emprego e dos preços caso as contribuições previdenciárias
incidentes sobre a folha fossem extintas e a receita que elas geram tivessem
como base alternativa as movimentações financeiras, a mesma da
CPMF. Esse estudo acha-se disponível em http://www.marcoscintra.org/novo/geral.asp?id=702 e
teve como referência dados da Previdência Social e do IBGE para
o ano de 2004.
Inicialmente, apurou-se que os encargos totais recolhidos ao INSS pelas empresas
sobre a folha de salários foi superior a R$ 57,5 bilhões, incluindo
contribuições específicas ao Sistema "S" e demais
encargos como seguros etc. No caso da CPMF, a arrecadação no
mesmo período foi um pouco superior a R$ 26,4 bilhões, o que
implica uma base de incidência de quase R$ 7 trilhões. Ou seja,
com base nesses números, o trabalho estima que, para substituir aquela
arrecadação previdenciária, obtendo uma receita equivalente,
seria preciso uma contribuição sobre a movimentação
financeira (CMF) de 0,8153%.
O segundo passo no estudo foi avaliar qual o impacto dessa CMF com alíquota
de 0,8153% sobre os principais agregados macroeconômicos. No caso do
PIB, haveria uma expansão adicional real de 1,75%, e, no nível
de emprego, o aumento seria de 1,65%. No nível de preços, haveria
uma redução de 0,86% no IGP (Índice Geral de Preços)
e de 0,57% no IPC (Índice de Preços ao Consumidor). Quanto ao
consumo, o estudo também revela um resultado positivo. A demanda global
teria uma expansão de 1,96%.
Foram produzidas ainda simulações alternativas considerando a
substituição parcial das contribuições previdenciárias.
A primeira considerou a eliminação só dos 20% incidente
sobre a folha e sua substituição por uma CMF de 0,45820%. Nesse
caso, o PIB real cresceria 0,98%, e o nível de emprego, 0,92%. O IGP
cairia 0,48%, e o IPC, 0,32%. A demanda global teria expansão de 1,09%.
A movimentação financeira vem se revelando um tributo de excelente
relação custo-benefício, simples, insonegável e
de robusta capacidade arrecadatória. Sua continuidade, portanto, deve
ser defendida, desde que sua arrecadação seja utilizada para
permitir a eliminação de outros tributos mais prejudiciais à economia
brasileira.
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MARCOS CINTRA CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE, 62, doutor
pela Universidade Harvard (EUA), professor titular e vice-presidente da Fundação
Getulio Vargas, foi deputado federal (1999-2003). É autor de "A
verdade sobre o Imposto Único" (LCTE, 2003). Escreve às
segundas, a cada 15 dias, nesta coluna.
Internet: www.marcoscintra.org
mcintra@marcoscintra.org
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VERMELHO, 17 de setembro de 2007
Governo propõe mudanças
drásticas para tarifas bancárias
O Ministério da Fazenda quer limitar o número de tarifas que
os bancos podem cobrar de seus correntistas, aumentar o número de serviços
obrigatoriamente gratuitos e padronizar nomes com o objetivo de facilitar a
comparação. Novas tarifas só poderão ser cobradas
depois de autorização explícita do Banco Central, e quem
financiar a compra de bens como eletrodomésticos e quiser quitar o empréstimo
antes da data não pagará taxa.
Essas propostas foram discutidas durante reunião com deputados da Comissão
de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados na semana passada e fazem
parte de documento distribuído aos parlamentares pelo secretário
de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa.
Os bancos dizem que não foram consultados e as vêem como contrárias à livre
concorrência.
" Nossa idéia é que algumas medidas fiquem prontas neste ano,
mas serão feitas de forma gradual, sem quebra de contratos. São
propostas para elevar a concorrência e a transparência, e não
para tabelar preços", disse Barbosa, quando questionado sobre o documento
entregue aos parlamentares.
Além de maior controle sobre o que os bancos cobram de seus clientes,
o governo quer alterar as tarifas cobradas nos financiamentos.
Hoje, as instituições cobram 74 tipos diferentes de tarifa das
pessoas físicas, segundo o levantamento do governo. O presidente da
Comissão de Defesa do Consumidor, Cezar Silvestri (PPS-PR), defende
que esse número caia para 20. "Se conseguirmos reduzir o número
de tarifas e padronizá-las, já será um grande avanço."
O Ministério da Fazenda, no entanto, não se comprometeu. O documento
da Fazenda fala em "manutenção e ampliação
de serviços básicos com cobrança vedada" e "limitação
de serviços para os quais podem ser cobradas tarifas".
Pelas regras atuais, os bancos são obrigados a fornecer gratuitamente
o cartão magnético para saque ou um talão de cheques com
dez folhas por mês, um extrato, além de substituir o cartão
no vencimento, entre outros serviços.
Também estão autorizados a criar novas tarifas e a reajustar
seus valores desde que avisem com 30 dias de antecedência. O aviso exigido
pelo BC, no entanto, pode ser a fixação de um cartaz na agência
bancária.
Na concessão de crédito, os bancos cobram a TAC (Tarifa de Abertura
de Crédito) na liberação do dinheiro, e, se o cliente
quiser quitar a dívida antes do vencimento, está sujeito à TLA
(Tarifa de Liquidação Antecipada de Crédito).
A proposta do governo é que a TAC seja substituída por um indicador
que deixe claro o custo total da operação. Isso incluiria a taxa
de juros, índices de atualização, impostos, tarifas e
despesas com registros e cartórios.
Para a TLA, o governo propõe que o cliente tenha direito de quitar o
empréstimo sem pagar nenhuma tarifa se o prazo para vencimento for inferior
a dois anos. A tarifa também seria eliminada nos financiamentos pagos
antecipadamente na compra de itens como geladeiras, DVDs e demais bens de consumo
duráveis.
Imóveis
A maior preocupação do governo é com os financiamentos
imobiliários de longo prazo. Nesses casos, a sugestão é que
o cliente possa escolher entre um financiamento com direito a quitação
antecipada, cuja taxa de juros seria mais alta, e outro sem essa opção.
A advogada Maria Elisa Novais, do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor),
avalia que as propostas elaboradas pelo governo ainda são tímidas
diante do problema. As reclamações contra bancos estão
em segundo lugar no ranking dos Procons. "Os bancos complicam para lucrar.
As medidas do governo poderiam ser mais amplas, mas podem caminhar no sentido
de aumentar a concorrência."
Segundo ela, os maiores problemas na cobrança de tarifas são
a falta de informação clara dos bancos aos clientes e o valor
muitas vezes elevado dos serviços, especialmente aqueles que excedem
os pacotes contratados pelos correntistas.
No ano passado, os cinco maiores bancos privados faturaram R$ 27,5 bilhões
em tarifas -crescimento de 19% em relação a 2005. O Itaú,
com R$ 9,097 bilhões, foi a instituição que mais arrecadou.
O maior crescimento, de 23%, foi registrado pelo Santander, com receita de
R$ 2,836 bilhões.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 17
de setembro de 2007 | Brasil
Correios: Grevistas discutem propostas
O comando de greve dos funcionários
da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) deverá se encontrar
hoje com representantes da estatal para discutir propostas de reajuste
para a categoria. “A gente não quer parar de negociar”,
disse Márcia Portes, do comando de greve. Segundo ela, a proposta
apresentada na última semana pela estatal não foi aceita
e os funcionários decidiram manter a paralisação
iniciada na quinta-feira passada.
O assessor de imprensa da ECT,
Fausto Weiler, informou que a estatal deverá levar, hoje, a greve
ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) para ajuizamento de dissídio
coletivo.
As principais reivindicações
dos servidores dos Correios são reposição salarial
de 47,77%, implantação do Plano de Cargos e Salários,
adicional de periculosidade, aumento real de R$ 200, contratação
de novos trabalhadores, melhores condições de trabalho,
segurança nas agências, licença-maternidade de
seis meses e entrega de correspondências no período matutino.
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JORNAL DO ESTADO, 17 de setembro de 2007 |
Trabalho & Negócios
Greve
Metalúrgicos de
todo o País marcam paralisação no dia 18
Ato busca unificar a jornada
de trabalho sem redução salarial
Agência Estado
Os metalúrgicos ligados à Confederação Nacional
dos Metalúrgicos (CNM) da Central Única dos Trabalhadores (CUT)
e à Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos
(CNTM) da Força Sindical iniciam na próxima terça-feira,
18, uma paralisação nacional para discutirem a elaboração
de um Contrato Coletivo Nacional de Trabalho para o ramo metalúrgico.
De acordo com a categoria, essa ação vai ocorrer durante todo
o dia e busca unificar a jornada de trabalho sem redução salarial,
piso salarial único no País e combate à terceirização
ilegal. "Será um dia de luta dos metalúrgicos do Brasil
que paralisarão suas atividades durante algumas horas para acabarmos
com as enormes diferenças salariais e econômicas entre os trabalhadores
em todo o país", afirmou o presidente da CNTM, Eleno José Bezerra.
Bezerra não soube informar quais Estados, empresas e o total de trabalhadores
que estarão envolvidos na manifestação. Segundo ele, os
dados concretos serão divulgados na segunda-feira, 17.
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REVISTA ISTO É, 17 de setembro de 2007
O "pibinho" cresceu
País avança 5,4% no segundo
trimestre. O número é bom, mas não é o
que parece

Variação do PIB
Ainda não é o “espetáculo do crescimento” prometido
pelo presidente Lula e desfrutado, com folga, por outros países emergentes
como a China, a Índia e a Argentina. Mas o Brasil completou em junho
22 trimestres consecutivos de crescimento econômico. O PIB, somatória
de tudo o que se produz no País, avançou 5,4% entre maio e junho,
quando comparado com mesmo período de 2006. Em valores financeiros,
o primeiro semestre terminou com uma produção total de R$ 1,2
trilhão. Nessa toada, o PIB deve se expandir entre 4,7% e 4,8% este
ano, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega. “Nem mais, nem menos”,
afirmou, na quarta-feira 12. “Já estamos nessa velocidade. Não
vai haver aceleração nem desaceleração (no segundo
semestre).”
O forte desempenho da indústria e dos investimentos explica o ritmo
melhor da economia, que chegou em dezembro de 2006 em velocidade de “pibinho”:
2,9%, número posteriormente revisado para 3,7%. No segundo trimestre,
a indústria avançou 6,8% sobre igual período do ano passado,
acima do setor de serviços (4,8%) e da agropecuária (0,2%). A
taxa de investimentos chegou a 17,7%, o maior patamar para um segundo trimestre
desde o início da série histórica, em 2000. Os
números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) mostraram a força do consumo das famílias: foram R$ 379,6
bilhões de maio a junho, comparados a R$ 368,271 bilhões entre
janeiro e março. O consumo do governo, que foi de R$ 114,254 bilhões
no primeiro trimestre, subiu para R$ 119,353 bilhões no segundo trimestre.
As empresas investiram R$ 214,4 bilhões no primeiro semestre. “As
grandes empresas estão rachando de ganhar dinheiro. Algumas estão
lavando a égua”, comemorou o ministro do Planejamento, Orçamento
e Gestão, Paulo Bernardo.
Gordas estatísticas econômicas sempre são bem-vindas, especialmente
quando os governos se metem em apuros políticos, como acontece agora
em Brasília. Mas os otimistas de plantão devem prestar atenção
aos detalhes antes de soltar todos os seus foguetes. Para o economista Bráulio
Lima Borges, da LCA Consultores, a base de comparação – o
segundo trimestre de 2006 – é baixa, o que inflou o resultado
do PIB neste ano. O período de abril a maio do ano passado
foi marcado por uma greve de fiscais da Receita Federal, que prejudicou a produção
industrial ao retardar as operações de exportação
e importação. “É um equívoco comparar esses
5,4% com os 4,4% do primeiro trimestre e concluir que houve aceleração
do PIB”, afirmou Borges. O que há, segundo ele, é um cenário
de crescimento equilibrado, que não ameaça o cumprimento das
meta de inflação – o que, por si só, já é uma
boa notícia.
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REVISTA ISTO É, 17 de setembro
de 2007
"A locomotiva do
mundo é a China"
O ministro da Fazenda
minimiza os efeitos da crise financeira internacional
e diz que todos querem investir no Brasil
Por HUGO STUDART

De fala mansa, mas verve afiada, o ministro da Fazenda, Guido Mantega,
não tem papas na língua para classificar o governo FHC:
um "desastre" nas políticas fiscal, de juros e no comércio
exterior. Mas ele reconhece a importância da estabilização
trazida pelo Plano Real e pela Lei de Responsabilidade Fiscal. O ministro
acredita que a crise financeira internacional provocada pela bolha imobiliária
americana é séria, mas não afetará o Brasil,
como ocorreu nas crises anteriores. Tanto que os avaliadores de riscos,
como o Moods, "um dos mais conservadores", diz que o Brasil
já está próximo de conseguir o investment grade.
Para Mantega, mesmo que o Brasil seja atingido, nós sofreremos
menos, porque hoje dependemos mais do mercado interno - que está crescendo
a taxas "chinesas" - do que do externo. A seguir, trechos da
entrevista exclusiva concedida a ISTOÉ na terça-feira 11.
ISTOÉ - O sr. disse que o Brasil não corria riscos
com a crise financeira internacional. Mas as turbulências nos
mercados mundiais continuam.
Guido Mantega - Estamos diante de uma turbulência internacional
relativamente séria, talvez parecida com a crise da Rússia
de 1998, que veio depois da crise asiática. Os bancos centrais
dos Estados Unidos e da Europa já colocaram mais de US$ 400 bilhões
no mercado financeiro. Nos últimos dias voltaram as turbulências
porque os analistas começaram a ver sinais de recessão
nos EUA.
O ponto de interrogação é saber se isso vai afetar
o mercado mundial, especialmente as economias da China e da Índia.
ISTOÉ - Por quê?
Mantega - Porque juntas China e Índia hoje são mais importantes
para o comércio mundial do que Estados Unidos e Europa. O PIB
americano representa 20% do PIB mundial, o da China 16% e o da Índia
6%. Além disso, esses dois emergentes crescem a taxas quatro vezes
maiores do que as americanas. A locomotiva do mundo não é mais
americana, e sim chinesa. O grande temor não vem dos Estados Unidos.
Se eles tiverem uma retração só um pouco maior do
que a atual, mas os emergentes continuarem vigorosos, não haverá grandes
conseqüências para a economia internacional.
ISTOÉ - Mas então quais são os riscos reais para
a economia brasileira?
Mantega - O risco maior é esse, o de a recessão americana
afetar as economias da China e da Índia, provocando uma retração
do comércio internacional. E qual é a exata situação
do Brasil nesse contexto? Nós estamos demonstrando na prática
que o Brasil ganhou uma grande resistência a turbulências
internacionais. Se esse episódio tivesse acontecido apenas cinco
anos atrás, no final do governo Fernando Henrique, ou mesmo no
início do governo Lula, isso iria significar fuga de capitais,
desvalorização aguda do real, taxa de juros na estratosfera
e a atividade econômica seria paralisada, com forte desemprego.
Mas neste momento, a crise americana só está atingindo
mercados derivativos, de renda variável e mercados futuros.
ISTOÉ - Mercados especulativos?
Mantega - Eu não os chamaria disso, mas de segmentos de renda
variável. Eles tinham se valorizado muito antes dessa turbulência.
Agora estão queimando um pouco da gordura que acumularam. Nosso
setor financeiro tem poucas conexões com os segmentos internacionais
contaminados. Além disso, nossa economia real está muito
sólida. Mesmo na hipótese de que haja uma retração
do comércio mundial, o Brasil será pouco atingido. Tanto
que no meio dessas turbulências tivemos uma promoção
entre os avaliadores de riscos. O Moods, um dos avaliadores mais conservadores,
está até dizendo que o Brasil está muito próximo
de conseguir o investment grade, o grau de economia segura para investimentos.
ISTOÉ - Caso a crise provoque a retração
do comércio mundial, quais empregos serão atingidos no
Brasil?
Mantega - A grande vantagem do Brasil é que hoje nosso crescimento
depende mais do mercado interno do que do externo. E o interno está crescendo
a taxas muito expressivas. O consumo, especialmente nas classes C e D,
está crescendo 10% ao ano, a taxa chinesa. Então, se tivermos
retração das exportações, teremos em compensação
o impulso do mercado doméstico. Se diminuírem as exportações
de sapatos para a Europa, ou se cair o consumo de aço na China,
em compensação você está vendendo muito mais
aço para a indústria automobilística e a construção
civil.
ISTOÉ - Parecem medidas inspiradas naquelas do presidente
Roosevelt nos anos 30 de estimular o consumo popular para tirar os
EUA da depressão.
Mantega - Só que a nossa política econômica é mais
bem-sucedida do que a de Roosevelt. Ele ficou até 1939 com essa
política, o New Deal, e a economia americana só teve um
boom quando começou a Segunda Guerra Mundial. Até então,
ele havia minimizado a crise. Já o governo Lula, em pouco tempo,
conseguiu um ciclo de crescimento sustentável.

"Nossa política econômica foi mais bemsucedida
do que o New Deal do Roosevelt, que só teve um boom com a Segunda
Guerra"
ISTOÉ - Não estamos colhendo
as boas sementes da estabilidade econômica plantad
as lá atrás pela dupla Fernando Henrique
e Pedro Malan?
Mantega - Nossa política econômica não tem nada a
ver com a do Malan. Os fundamentos produtivos do Brasil foram plantados
por Getúlio Vargas e por Juscelino, muito lá atrás.
O governo anterior manteve o Plano Real, que foi um avanço no
combate à inflação, e deu uma contribuição
com a Lei de Responsabilidade Fiscal. Mas lembro que, nos seus primeiros
quatro anos, o governo Fernando Henrique foi um desastre fiscal. A política
de juros foi outro desastre. Também foi um governo titubeante
em relação à política de comércio
exterior e não foi ousado o suficiente para fazer um superávit
fiscal à altura. A primeira coisa que o governo Lula fez foi aumentar
o superávit. Fomos mais duros e mais ousados do que o governo
anterior.
ISTOÉ - Mas agora não estamos vivendo uma
bolha inflacionária causado pelo aumento do consumo?
Mantega - É um exagero falar em bolha. Estamos vivendo um momento
em que alguns preços de alimentos tivetiveram uma alta relevante. É normal
a oscilação de preços de alimentos. Estamos na entressafra,
combinado com um período de escassez internacional de trigo, carne,
leite e derivados. Eles subiram. Em compensação, temos
pela frente a maior safra agrícola da história. Serão
130 milhões de toneladas de grãos. Isso vai atenuar o efeito
dessa inflação de alimentos. Mas não tem inflação
geral da economia brasileira.
ISTOÉ - Tecnicamente, qual a diferença? O consumidor está efetivamente
pagando mais caro pelos alimentos.
Mantega - O IPCA está em torno de 4% projetados para 2007, para
uma previsão de crescimento de 5%. Significa que o brasileiro
não está perdendo renda. Em 2006, a inflação
foi de 3,14%, mas foi um ano de taxa excepcionalmente baixa. A meta de
inflação era 4,5% e foi 3,14%, para um crescimento de 3,7%.
Isso mostra uma economia saudável.
ISTOÉ - Qual o risco do Banco Central voltar a elevar
a taxa de juros?
Mantega - Você não consegue combater a inflação
de carne, de leite ou de trigo subindo os juros porque eles têm
preços estabelecidos pelo mercado internacional, são commodities
que subiram lá fora e aqui também. Juro não é remédio
para esse mal que nos acomete. O BC não olha apenas para um ou
dois preços, mas para o conjunto de números da economia,
que estão muito comportados. Estamos com uma taxa de crescimento
do consumo muito elevada, 10% a mais do que no ano passado, mas a oferta
de produtos também está crescendo, o que impede a chamada
inflação de demanda. Além disso, o Brasil hoje é uma
economia globalizada. Se o produtor nacional resolve elevar seus preços,
nós vamos importar o produto e ele vai ter que competir.
ISTOÉ - O sr. já disse várias vezes
que era hora de baixar os juros e ainda assim o Banco Central manteve
sua política ortodoxa. O que garante que agora será diferente?
Mantega - Para o Banco Central precisar elevar os juros, é preciso
que a inflação como um todo suba no Brasil. Ela subiu um
pouco, mas ainda está dentro da meta de 4,5%. Subir o preço
do queijo não é razão suficiente para mudar a política
monetária. No momento, não vejo no horizonte riscos de
inflação. Porque estamos abaixo do centro da meta de inflação,
que é de 4,5%. Se nós tivéssemos uma meta muito
ambiciosa de inflação, de 3% como centro, o BC já deveria
estar subindo a taxa de juros para perseguir essa meta. Mas ainda não
há razão para preocupação.
ISTOÉ - Depois de mais de uma década de crescimento
pífio, tudo indica que o Brasil deverá crescer em 2007
a uma taxa próxima a 5%. É sinal de que já encontramos
o bom caminho?
Mantega - Digamos que já estamos na rota do crescimento sustentável
e que devemos repetir esse desempenho nos próximos anos. No passado,
a gente crescia a taxas mais elevadas, mas em compensação
o déficit público ou a dívida externa aumentavam.
Hoje, estamos crescendo com a inflação sob controle e diminuindo
tanto a dívida externa quanto a pública. Criamos as condições
para que o Brasil possa crescer nos próximos dez anos a taxas
de 5% ao ano, com inflação baixa. E o melhor: o Brasil
vai crescer 5% com ou sem turbulência internacional. Por isso todo
mundo quer investir no Brasil.
ISTOÉ - Se estamos tão bem assim, por que prorrogar a CPMF?
Mantega - Porque ela é necessária para garantir o equilíbrio
fiscal que conseguimos. São R$ 36 bilhões ao ano, dos quais
42% vão para a Saúde, 22% para a Previdência e 20%
para o Bolsa Família. Se perdermos a CPMF, teremos que desviar
recursos de outras atividades para a saúde e para o combate à pobreza.
ISTOÉ - Não lhe parece um escárnio
que o governo queira prorrogar o CPMF justamente quando a saúde
pública volta a enfrentar uma crise?
Mantega - Para a oposição, está muito confortável
falar mal dos tributos. Estamos enviando R$ 44 bilhões para a
saúde, mais do que toda a CPMF. O mais curioso é que foi
a oposição quem criou a CPMF. Ela está sendo contraditória.
Diz que o Brasil precisa de mais recursos para a saúde e ao mesmo
tempo quer matar o filho que criou. Deveria dizer: vamos aumentar o valor
da CPMF para melhorar a saúde.

"Serra deve estar nos confundindo com o governo FHC. O problema
dele é mais dorde- cotovelo do que análise econômica"
ISTOÉ - Mas o sr. e todo o PT criticaram
a CPMF quando foi criada no governo FHC...
Mantega - É verdade, a vida é assim.
Hoje, a CPMF faz parte da arrecadação do
governo e é importante que seja mantida. O que não
quer dizer que eu não seja favorável à desoneração
tributária. Só que você não
pode eliminar todos os impostos.
ISTOÉ - O governador José Serra disse que o governo Lula
não tem plano, que arrecada por arrecadar.
Mantega - Ele deve estar confundindo este governo com o governo Fernando
Henrique. A população está melhorando de vida e
o Brasil nunca contou com tanto prestígio internacional quanto
agora. O problema do Serra é mais de dor-de-cotovelo do que de
uma boa análise econômica.
ISTOÉ - Mas a arrecadação bate recordes
a cada mês.
Mantega - No Brasil, há uma confusão entre arrecadação
e carga tributária. Nós já estamos reduzindo os
impostos para os setores que geram mais crescimento e empregos, como
a construção civil. Mas a arrecadação está subindo
porque o País está crescendo, os empresários estão
tendo mais lucros e pagando mais. E boa parte desse aumento da arrecadação é combate à sonegação.
ISTOÉ - O governo Lula começou ultraortodoxo
na economia e agora o sr. vem falando de implementar o social-desenvolvimentismo.
Do que se trata?
Mantega - O governo Lula tinha que fazer um ajuste fiscal no início,
mas nunca foi ultra-ortodoxo. Desde o início fizemos programas
sociais. Agora estamos combinando um crescimento mais vigoroso com diminuição
da desigualdade social. No passado, o desenvolvimentismo não cuidava
da área social, a economia crescia mais, só que com desequilíbrios.
Agora estamos num novo modelo. O bolo cresce mais, tem mais fermento,
e as fatias são divididas ao mesmo tempo com toda a população,
e não só com a elite, como acontecia no passado.
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SITE FORÇA SINDICAL,
17 de setembro de 2007
Ramalho, Cidadão Paulistano!
Por iniciativa do vereador Cláudio Prado (PDT), o presidente do Sindicato
dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo, Antonio
de Sousa Ramalho, receberá, no próximo dia 14 de setembro, às
15 horas, no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo,
o Título de Cidadão Paulistano. A solenidade se dará em
cumprimento ao Decreto Legislativo 25, datado de 24 de maio de 2006.
"Em nome do Ramalho, sindicalista
dos mais combativos, quero, com tal iniciativa, prestar a homenagem do
povo paulistano ao trabalhador da Construção Civil, que,
literalmente, construiu aquela que é uma das maiores metrópoles
do mundo. A decisiva atuação desses companheiros responde
por nada menos do que 16% do Produto Interno Bruto do País",
declara o vereador.
Emocionado, o líder sindical
faz questão de lembrar sua dura trajetória, que começou
em sua cidade natal, Conceição do Piancó, na Paraíba.
Lá, trabalhou na roça, conseguiu estudar e, em busca de
melhores dias, veio para São Paulo, a cidade grande, onde marcou
ponto em mais de 600 canteiros de obras, antes de ser admitido como membro
do Sindicato da categoria que hoje lidera.
"Sinceramente, não
esperava por essa distinção. Ser cidadão paulistano,
para mim, era um sonho inalcançável. Agradeço
ao Cláudio Prado e à Câmara Municipal de São
Paulo por tamanha deferência. Ainda mais porque o vereador, como
político atuante que é, conhece o nosso trabalho. Sempre
está presente em todos os movimentos grevistas que realizamos
por melhores condições de vida e renda. O Cláudio,
não é daqueles que, após eleito, se encastela
e se esquece de quem o elegeu. Nossa categoria sabe muito bem distinguir
o bom político do mau. E certamente recompensará a brilhante
atuação legislativa do vereador Cláudio Prado
nas urnas", afirmou Ramalho.
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 17 de setembro de 2007 | Brasil
45% da cúpula do governo é sindicalizada
Pesquisa do CPDOC/FGV mostra que membros filiados
a sindicatos ocupavam quase metade dos cargos de elite no poder | Vagas
são as mais altas do serviço público; estudo, que
levou em conta 1º governo Lula, afirma que cerca de 19% eram filiados
ao PT
FERNANDO BARROS DE MELLO
DA REDAÇÃO
Os cargos de confiança
mais altos no governo de Luiz Inácio Lula da Silva são
ocupados por sindicalizados e filiados ao PT, de acordo com dados da
pesquisa "Governo Lula: contornos sociais e políticos da
elite do poder", coordenada por Maria Celina D'Araújo,
do CPDOC (Centro de Pesquisa e Documentação de História
Contemporânea do Brasil) da FGV.
"Você tem ainda uma superposição: parte dos petistas é também
sindicalizada. É uma malha associativa muito forte", diz a pesquisadora.
A amostra da pesquisa levou em conta os cargos DAS 5, DAS 6 (Direção
e Assessoramento Superior) e NE (Natureza Especial), que são os mais
altos no serviço público. "A população brasileira
tem em torno de 14% de sindicalizados. Na nossa amostra, a gente tem 45%. É muito
diferente da realidade brasileira", diz. "Nós pegamos os níveis
5 e 6, que são cargos de direção. Acho que, se olhar mais
para baixo, a tendência é até ter mais militantes e sindicalizados.
A nossa amostra é uma elite que requer especialização
técnica", complementa.
Segundo a pesquisa, cerca de 25% tinham filiação partidária:
19,90% eram filiados ao PT, e 5%, a outros partidos. O estudo mostra que a
maior parte dos filiados vem do serviço público estadual e municipal.
Informações do próprio PT dão conta de que, ao
todo, são 5.000 filiados que ocupam cargos comissionados no governo
Lula.
"Os filiados são, em sua maior parte, "outsiders" da esfera
pública", diz o texto da pesquisa, segundo o qual os indicadores
de "associativismo" também impressionam. "Um total de 46%
declaram ter pertencido a algum movimento social, 31,8% declaram ter pertencido
a conselhos gestores e 23,8%, a experiência de gestão local. Apenas
5% pertenceram a associação patronais."
Profissionalização
Outro ponto que chamou a atenção foi o fato de a área
econômica ter o maior número de servidores com experiência
anterior (27%). Na área da saúde, o número fica em 14,55%,
na social, em 19,12%, e na de educação, em 13,93%. "O que
a gente observa é que a área econômica é a mais
profissionalizada", comenta. "Quando a gente vai ver as áreas
onde há maior concentração de pessoas sem experiência,
sem currículo anterior e com maior militância é na área
de saúde e nas áreas sociais. É muito a cara do Brasil,
uma cara que se repete."
O estudo faz questão de ressaltar que "nada disso permite conclusões
retumbantes, apenas aferir que, de fato, a tese que insiste num forte vínculo
sindical, social e partidário está correta". Para D'Araújo,
a alta participação de sindicalistas e filiados ao PT pode ser
vista como democratização, "porque significa que a sociedade
está participando do governo", mas também pode ser analisada
como se a "sociedade organizada estivesse sendo cooptada pelo governo".
Mesmo assim, diz ser preciso olhar com cuidado a possibilidade de movimentos
sociais serem controlados pelo Estado. "Isso acontece em outros países,
Venezuela, Bolívia. Tem sido um recurso bastante usado por governos
de recorte popular e pode ter custo para a democracia também, porque
você tira autonomia, independência desses movimentos."
A professora, que é autora do livro "O Estado Novo", explica
que uma participação tão intensa de sindicalistas é inédita. "Getúlio
nem pensar. João Goulart não era sindicalista. O primeiro sindicalista
no ministério foi o [ex-ministro do Trabalho Antonio] Rogério
Magri, no governo Collor", lembra.
"Estou falando de gente que vem do chão da fábrica e depois
faz carreira no escritório do sindicato. Agora, temos vários. Não
necessariamente vêm do chão da fábrica, porque não
são operários braçais, mas vêm do "chão
do banco", são bancários. Por exemplo, o [Ricardo] Berzoini
foi ministro."
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 17 de setembro de 2007 | Brasil
Lula diz que 2014 está muito
longe e que quer fazer sucessor em 2010
Ao "El País", presidente
afirma que, ao deixar o poder, não comentará governos
DA REDAÇÃO
Em entrevista ao jornal espanhol "El
País", o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou
que "não vai deixar a política porque a política
está em mim há muitos anos" e que "falta muito
tempo" para 2014. "É uma ilusão e não
trabalho com ilusões. Se estiver vivo em 2014, vou dar graças
a Deus. O resto, vamos ver o que vai ocorrer", disse o presidente,
que reafirmou que pretende fazer seu sucessor em 2010.
Lula afirmou que quer trabalhar para que o candidato em 2010 o convide para
subir junto no palanque. "Quando deixar a Presidência, [o sucessor]
se dará conta de que não vou fazer jamais nenhum comentário
sobre o governo", disse, sem citar o antecessor Fernando Henrique Cardoso.
Para o presidente, pode-se "dizer hoje que em toda a história do
Brasil não houve momento mais sólido da economia". Lula
comemorou o fato de que "poucas vezes na história do Brasil tivemos
os 10% dos mais ricos diminuindo sua participação na renda nacional,
e os mais pobres aumentando".
Questionado sobre o fato de ex-ministros terem se tornado réus no caso
do mensalão, disse estar tranqüilo, "primeiro porque estamos
exercendo a democracia em sua plenitude". "Até agora ninguém
foi absolvido e ninguém foi declarado culpado. Quem cometeu erros pagará por
eles", argumentou. O repórter quis saber como se sentem os "amigos
processados por corrupção".
Lula respondeu que devem se sentir mal. "Ninguém gosta de ser acusado. É sempre
desagradável. Mas é assim que funciona a democracia."
O presidente lembrou ainda ter feito "um discurso muito solidário
com meus companheiros, para que se defendam, que provem sua inocência",
durante o 3º Congresso do PT.
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VERMELHO, 17 de setembro de 2007
Serra lidera sondagem para eleição
presidencial
O governador paulista José Serra (PSDB) é, neste momento, o candidato
presidencial preferido do eleitorado brasileiro entre seis nomes apresentados
aos eleitores na pesquisa Estado/Ipsos. Ele alcançou 34% das citações,
contra 12% do deputado Ciro Gomes (PSB), 10% do governador mineiro Aécio
Neves (PSDB) e 8% da ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT).
A pesquisa não computou a influência no pleito do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva - que não poderá concorrer em 2010,
mas será um importante eleitor. "Quando Lula apoiar alguém,
esse candidato vai crescer", assegurou Alberto Carlos Almeida, diretor
da Ipsos Public Affairs. A pesquisa teve, ainda, os nomes do prefeito carioca
César Maia (DEM), que teve 3%, e do ministro da Defesa, Nelson Jobim
(PMDB), que ficou com 1%. Almeida considerou que a ampla preferência
por Serra manifestada pelo eleitorado da Região Sul repete um sentimento
crítico a Lula e ao PT que já tinha se revelado em 2006. Segundo
o diretor da Ipsos, Serra teve porcentual mais baixo no Sudeste porque dividiu
preferências com Aécio.
Para Almeida, o índice alcançado por Ciro demonstra que o deputado
cearense mantém o recall obtido nas eleições de 1998 (quando
obteve 11% dos votos) e 2002 (quando chegou aos 12%). Ele afirmou que um candidato
petista poderá almejar, em 2010, mais que os 8% de Marta Suplicy, já que
as pesquisas revelam que o PT tem uma faixa de simpatia que varia entre 20%
e 25% do eleitorado.
Serra liderou em todas as regiões brasileiras. A maior vantagem foi
no Sul - que tem 15% do eleitorado brasileiro -, onde despontou com 45%, contra
9% de Ciro e 6% de Marta. No Nordeste (27% do eleitorado), reduto de Lula,
Serra alcançou 37%, contra 18% de Ciro (que tem forte prestígio
na região), 5% de Maia e 1% de Aécio.
No Sudeste, que abriga 44% do eleitorado e onde se situa o estado que governa,
Serra tem um desempenho relativamente modesto, com 31%, contra 17% de Aécio
e 11% de Marta. Almeida, no entanto, destaca que a soma dos dois tucanos é muito
expressiva, quase chegando à maioria absoluta. No Norte/Centro-Oeste,
com 14% do eleitorado, Serra teve seu pior desempenho, 26%, contra 14% de Ciro
e 9% de Aécio. Nas duas regiões, o desempenho do tucano ficou
abaixo da expectativa, diz Almeida.
Transferência
de voto
A pesquisa, segundo Almeida, ainda não registra indícios da transferência
de prestígio de Lula para algum de seus possíveis candidatos.
A primeira evidência disso é que até aqui o PT está longe
de ter um nome hegemônico. A segunda é que até aqui Lula
não fez nenhum movimento público para credenciar um possível
sucessor.
A terceira é que o perfil da votação obtida por ele, na
eleição de 2006, não é reproduzido na pesquisa
por seus potenciais aliados. Na faixa que reúne os analfabetos e o grupamento
que cursou até a 4ª série do ensino básico, na qual
Lula imperou em 2006, Serra teve 30%, contra 12% de Ciro e 8% de Marta.
A pesquisa Estado/Ipsos fez 1.000 entrevistas entre os dias 22 e 31 de agosto,
em 70 cidades, com margem de erro de 3 pontos porcentuais.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
17/09/2007
Intimação recebida em outro
endereço é válida, diz TST
Se a intimação
referente a um processo trabalhista for recebida pela parte, ainda que
em endereço diverso do indicado na contestação, é perfeitamente
válida e atende à sua finalidade. Esse é o entendimento
aprovado por unanimidade pela Terceira Turma do Tribunal Superior do
Trabalho, que manteve decisão neste sentido proferida pelo Tribunal
Regional do Trabalho da 17ª Região (Espírito Santo).
A União de Educação
e Cultura Gildasio Amado ajuizou recurso contra sentença que a
condenara em ação movida por um ex-empregado. O TRT entendeu
que o recurso não poderia ser apreciado, por ter sido interposto
um dia após o prazo legal. A empresa insistiu, apresentando outro
argumento: o de que o não-conhecimento de seu recurso teria violado
artigo do Código de Processo Civil, porque a intimação
da sentença foi dirigida para endereço diverso do constante
na contestação e, portanto, a “notificação” seria
totalmente nula.
Após advertir que não
se tratava de “notificação” mas sim de “intimação”,
o TRT refutou as alegações quanto à sua nulidade,
destacando que o endereço no qual o documento foi entregue é o
mesmo da empresa, não importando se o oficial de justiça
o entregou, ou não, pessoalmente ao advogado. E arremata: “Além
disso, se os advogados não tivessem tomado ciência do seu
conteúdo, não teriam interposto o recurso. Se o fizeram, é porque
o ato alcançou sua finalidade”.
Inconformada, a empresa insistiu
em novos recursos, e o assunto chegou ao TST, mediante agravo de instrumento.
A relatora da matéria, ministra Maria Cristina Peduzzi, manifestou-se
contra o apelo, tendo em vista o entendimento prevalecente no Tribunal
de que a intimação endereçada à parte, ainda
que em endereço diverso do indicado na contestação,
mas por ela efetivamente recebida, alcança sua finalidade.
A ministra destaca que o TRT
consignou que a intimação, neste caso, foi regularmente
recebida no endereço do advogado detentor de procuração
por substabelecimento, que por sinal, conforme registro o Regional, é o
mesmo no qual a empresa desenvolve suas atividades. (AIRR 1950/2004-001-17-40.1)
(Ribamar Teixeira)
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17/09/2007
Constituição prevalece em
caso de danos morais por acidente de trabalho
A ocorrência de dano moral
em infortúnio no trabalho pode ser analisada sobre os prismas
da responsabilidade objetiva ou da subjetiva. A primeira prescinde de
culpa da empresa, e a segunda a exige. Esse conflito de teses chegou
ao Tribunal Superior do Trabalho. A Quarta Turma do TST não conheceu
do recurso e manteve a supremacia da norma constitucional que, em seu
artigo 7º, inciso XXVIII, trata da responsabilidade subjetiva do
empregador em indenizações por danos morais, caso em que é necessário
comprovar a culpa da empresa no acidente.
Filho menor e companheira de
trabalhador, falecido em acidente de trânsito em veículo
da empregadora, pediam indenização por danos morais e materiais.
O relator do processo, ministro Barros Levenhagen, afastou a tese do
artigo 927 do Código Civil de 2002, que traz a teoria objetiva
e responsabiliza o empregador pelo dano, independente de culpa, quando
a atividade econômica por ele exercida implicar risco.
Admitido por concurso público
em dezembro de 2004 para o cargo de auxiliar de execução,
empregado da Companhia de Saneamento de Sergipe - Deso foi vítima
de acidente de trânsito e faleceu um mês depois de sua admissão.
A situação ocorreu quando se dirigia com outros funcionários
para realizar serviços externos, todos transportados por veículo
da empresa. O inquérito policial indiciou o motorista, também
empregado da Deso, por agir com negligência ao não exigir
a utilização do cinto de segurança pelo passageiro.
A companheira do trabalhador,
também representante do filho menor, entrou com reclamatória
trabalhista em julho de 2005. Pediu indenização por danos
morais, no valor de R$ 100 mil, e também por danos materiais,
sob a forma de pensão mensal vitalícia. Na sentença,
a juíza considerou que houve culpabilidade do motorista da empresa,
a qual deve responder pelos atos de seu preposto e indenizar os autores
pelo dano moral, arbitrado em R$ 15 mil para cada um. Quanto aos danos
materiais, julgou-o inexistentes, pois a manutenção da
família está garantida pela pensão da Previdência
Social.
Ambas as partes recorreram. O
Tribunal Regional do Trabalho da 20ª Região (SE) não
reconheceu a responsabilidade da empregadora pela ocorrência do
acidente, e afastou a indenização de danos. Para essa decisão,
o TRT aplicou o artigo 7º da Constituição. A viúva
apresentou recurso ao TST e pediu a aplicação do parágrafo único
do artigo 927 do Código Civil, ou seja, a tese da responsabilidade
objetiva. O relator da revista, ministro Barros Levenhagen, manteve o
entendimento do TRT (SE), que considera ser subjetiva a responsabilidade
nessa hipótese.
Em seu voto, o ministro Barros
Levenhagen concluiu que, “havendo previsão na Constituição
da República sobre o direito à indenização
por danos material e moral, provenientes de infortúnios do trabalho,
na qual se adotou a teoria da responsabilidade subjetiva do empregador,
não cabe trazer à colação a responsabilidade
objetiva de que trata o parágrafo único do artigo 927 do
Código Civil de 2002”. (RR-831/2005-003-20-00.4)
(Lourdes Tavares)

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