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JORNAL GAZETA DO POVO, 21
de setembro de 2007 | Brasil
Pesquisa
Brasileiros relacionam Renangate e
Lula
Discussão sobre a CPMF é o
quinto item mais citado por entrevistados
Brasília – Ao contrário do esforço dos integrantes
da base aliada do Palácio do Planalto, os entrevistados ouvidos pela
pesquisa da CNI/ Ibope associam a crise envolvendo o presidente do Senado,
Renan Calheiros (PMDB-AL), ao noticiário relativo ao governo federal.
A associação espontânea ocorre quando questionados sobre
as principais notícias que envolvem o governo.
A pesquisa não entrou em detalhes sobre as acusações de
quebra de decoro que pesam contra Renan nem tratou de questões sobre
a discussão do assunto no Senado. A única questão em que
o senador é citado é quando se questiona: “(Quais) as principais
notícias sobre o governo do presidente Lula nas últimas semanas?”
No período de 13 a 18
de setembro, a pesquisa entrevistou 2.002 pessoas, em 142 municípios
do país. A margem de erro é 2 pontos porcentuais, para
mais ou para menos.
Além das denúncias
envolvendo o senador peemedebista, os entrevistados citaram também,
numa associação com o governo: a crise nos aeroportos,
as viagens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o julgamento,
pelo Supremo Tribunal Federal (STF), das denúncias contra os 40
acusados de envolvimento no mensalão.
A discussão sobre a prorrogação
da Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF) até 2011 só é citada como quinto
item de preocupações dos entrevistados. Já o Programa
de Aceleração do Crescimento (PAC), o Programa Nacional
de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) foram menos
citados.
Popularidade
No quesito popularidade, o governo
teve uma leve piora no último mês, segundo a pesquisa. A
avaliação ótima ou boa passou de 50% em junho para
48% em setembro. O porcentual dos que consideram o governo regular subiu
de 32% para 33%, enquanto o dos que consideram o governo ruim e péssimo
subiu de 16% em junho para 18% em setembro. Todas as variações
ficaram dentro da margem de erro da pesquisa, que é de 2 pontos
porcentuais para cima ou para baixo.
A pesquisa revela uma ligeira
queda na confiança dos entrevistados no presidente, dentro da
margem de erro. Em setembro, 60% dos 2002 entrevistados disseram confiar
em Lula, contra 61% na pesquisa de junho. Já o porcentual dos
que disseram não confiar no presidente cresceu de 35% em junho
para 37% em setembro. O saldo positivo entre os que confiam e os que
não confiam em Lula caiu de 26% em junho para 23% em setembro.

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ÂMBITO JURÍDICO,
21 de setembro de 2007
Multa por descumprimento de cláusula
normativa é devida mesmo que seja mera repetição
de lei
Quando a sentença normativa, convenção ou acordo coletivo
prevê multa para o caso de descumprimento de obrigação
ali estipulada, esta é aplicável, mesmo que a norma coletiva
descumprida seja mera repetição de texto legal. É esse
o teor da Súmula 384, II, do TST, aplicado em decisão recente
da 5ª Turma do TRT-MG, ao dar provimento a recurso do reclamante, condenando
a empresa-ré ao pagamento de multas convencionais, por ter deixado de
pagar corretamente as horas extras prestadas.
“Segundo o item II da Súmula
384, a multa é aplicável em caso de descumprimento de obrigação
prevista em lei, mesmo que a norma coletiva seja mera repetição
do texto legal, e, no caso, há também o regramento específico
acerca dos reflexos das horas extras sobre os sábados” – esclarece
o relator do recurso, desembargador José Murilo de Morais.
Como os instrumentos coletivos
determinam o pagamento de horas extras e estas não foram quitadas
corretamente, a Turma condenou o reclamado ao pagamento de uma multa
pelo descumprimento de cada uma das convenções coletivas
vigentes no período contratual.
( RO nº 01147-2006-113-03-00-9
)
Fonte: TRT3
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ÂMBITO JURÍDICO,
21 de setembro de 2007
Prazo recursal começa da publicação
da sentença em audiência
A teor da Súmula nº 197 do TST, quando o juiz dá ciência às
partes de que o julgamento será proferido na audiência de instrução,
o prazo recursal tem início a partir da própria data da audiência
em que se proferiu a sentença. Sendo assim, conforme decisão
recente da 8ª Turma do TRT-MG, a posterior intimação pessoal
determinada na sentença publicada em audiência não tem
o poder de alterar o marco inicial do prazo recursal.
Por esse fundamento, acompanhando
voto do juiz convocado José Marlon de Freitas, a Turma não
admitiu o recurso ordinário interposto por empresa, já que
as partes foram previamente intimadas da publicação da
sentença na audiência de instrução realizada: “Em
virtude disso, a determinação contida na parte dispositiva
da decisão, no sentido de que fossem as partes dela intimadas,
não tem o condão de reabrir o prazo recursal fixado na
audiência de instrução” – complementa
o juiz.
Por isso, o recurso apresentado
no oitavo dia após a intimação pessoal das partes
foi considerado intempestivo, ou seja, fora do prazo legal, não
sendo conhecido pela Turma.
( RO nº 00170-2007-015-03-00-1
)
Fonte: TRT3
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ÂMBITO JURÍDICO,
21 de setembro de 2007
Processo chega ao fim após
40 anos
Uma decisão da Seção Especializada em Dissídios
Individuais (SDI-2) do Tribunal Superior do Trabalho pôs fim a 40 anos
de litígio entre as partes de um processo trabalhista. Por unanimidade,
a Seção seguiu o voto do ministro Emmanoel Pereira para extinguir,
sem resolução do mérito, recurso em que uma empresa buscava
suspender a penhora de um imóvel para cobrir débito trabalhista.
O caso começou em 1967,
com o ajuizamento de ação trabalhista contra a Cerâmica
Industrial de Osasco. A sentença foi dada três anos depois,
em 1970, e, a partir daí, deflagrou-se um longo litígio
sobre a execução da dívida. Em 1972, a empresa indicou
para penhora bens móveis ou, alternativamente, créditos
que possuía em ações em que é autora. Em
sentença de execução final, o juiz da 17ª Vara
do Trabalho de São Paulo, atendendo a solicitação
do empregado, rejeitou os bens indicados pela empresa e determinou a
penhora de um imóvel em Osasco.
A empresa contestou a sentença,
em 2003, por considerar que o valor do imóvel era muito superior
ao da execução. Impetrou mandado de segurança no
Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP), alegando,
em resumo, que houve cerceamento de defesa e que os créditos indicados
cobriam, com folga, o valor reclamado.
Ao esclarecer sua decisão,
em determinação a despacho do relator do processo, a juíza
de primeiro grau, após fazer um histórico sobre o caso,
registrou que havia medida adequada para que a parte se insurgisse contra
eventual penhora, e que a lei lhe confere a prerrogativa de declarar
a nomeação de bens para essa finalidade. Destacou que,
no caso, os bens móveis – uma grande quantidade de material
de construção como bacias e lavatórios – não
interessaria a qualquer licitante e oneraria ainda mais a execução.
Também registrou que os créditos oferecidos nem sequer
teriam sido comprovadamente depositados ou penhorados. E, já nesta
ocasião, salientou que o processo se arrastava há mais
de 30 anos.
Com base nessas informações,
a liminar foi negada pelo TRT da 2ª Região. A empresa insistiu
em sucessivos recursos, mas não obteve êxito no âmbito
regional quanto à pleiteada mudança no resultado da sentença.
Em maio de 2006, apelou ao TST, mediante recurso ordinário, insistindo
na tese de que houve violação de direito líquido
e certo.
O relator, ministro Emmanoel
Pereira, manifestou-se por negar provimento ao recurso e determinar a
extinção do processo sem a resolução do mérito,
por considerar incabível mandado de segurança para o caso.
Após fundamentar seu voto, ele ressaltou que, ainda que concretizada
a penhora, a suspensão da execução, após
o oferecimento da medida judicial cabível, impediria a alienação
e subseqüente transmissão do imóvel.
Durante a sessão de julgamento,
Emmanoel Pereira fez questão de registrar sua preocupação
com o fato de a reclamação trabalhista ter sido ajuizada
em 29 de maio de 1967, arrastando-se a execução definitiva
por mais de 37 anos. “Isso não pode ser admitido numa Justiça
em que se deve primar pela celeridade processual, visto que os pleitos
submetidos à sua apreciação se referem a créditos
de natureza alimentar”, exaltou. (ROMS 10010/2003-000-02-00.3)
(Ribamar Teixeira)
Fonte: TST
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ÂMBITO JURÍDICO,
21 de setembro de 2007
Trabalhador que renunciou à estabilidade
não consegue reintegração
A 4ª Câmara do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região
deu provimento a recurso ordinário de uma indústria de móveis,
negando a reintegração do reclamante ao emprego. O trabalhador
foi demitido após renunciar à estabilidade decorrente de acidente
de trabalho. O afastamento superior a 15 dias e a conseqüente percepção
de auxílio-doença acidentário geram direito à estabilidade
provisória no emprego, pelo período de um ano após a cessação
do auxílio-doença, conforme prevê o artigo 118 da Lei 8.213
de 1991.
A decisão reformou sentença
da Vara do Trabalho de Salto, que havia declarado inválida a renúncia
e condenado a empresa ao pagamento de indenização correspondente
ao período de estabilidade. Para o relator do acórdão,
juiz Luís Carlos Cândido Martins Sotero da Silva, “o
empregado, em nome de sua liberdade individual, e para não ficar
sujeito a vínculos perpétuos, pode, sem dúvida,
optar por manter ou não o contrato de trabalho, despojando-se
da garantia de emprego”.
Com firma reconhecida
O trabalhador ajuizou a reclamação
argumentando ter sofrido acidente de trabalho em 3 de dezembro de 2001,
do qual resultou afastamento pelo INSS até 1° de maio de 2005.
No dia 20 daquele mês, foi demitido sem justa causa, um dia após
renunciar à estabilidade no emprego, conforme documento juntado
ao processo pela reclamada e que consiste numa declaração,
assinada pelo trabalhador e com firma reconhecida em cartório,
cujo teor, literalmente, é: “Eu, (...), portador do RG (...)
[os dados foram omitidos para preservar a identidade do autor], venho
por meio desta abrir mão da minha estabilidade de emprego por
ter sofrido acidente de trabalho, por motivo particular para que surta
a minha demição (sic) sendo assim não pleitearei
qualquer tipo de indenização futura. Sem mais."
Em seu voto, o juiz Sotero considerou
que, além de renunciar expressamente à estabilidade, o
trabalhador assinou o Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho,
devidamente homologado pelo sindicato da categoria, sem ressalvar qualquer
direito decorrente do acidente de trabalho. Não só isso:
ao impugnar o documento em que consta sua renúncia, o reclamante
não alegou a existência de qualquer vício, bem como
não requereu a produção de qualquer prova a esse
respeito, reforçou o relator. “Beira a má-fé o
ajuizamento de ação pelo trabalhador, com pedido de reintegração
aos quadros da reclamada, após ter, expressamente, renunciado à estabilidade
acidentária”, reagiu o magistrado.
Fonte: TRT15
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ÂMBITO JURÍDICO,
21 de setembro de 2007
Falta de orientação
sobre risco de máquina gera indenização
É devida indenização
ao trabalhador que não recebe orientações adequadas
sobre o risco da máquina que opera, em caso de acidente.
Incontroversa a ocorrência de acidente do trabalho, são presumidos
o dano e, em princípio, o nexo de causalidade do evento com o trabalho.
Com base nesse entendimento, os Juízes da 4ª Turma do Tribunal
Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS) condenaram a empresa
do ramo calçadista Dilly Nordeste S.A. ao pagamento de indenização
por dano moral à trabalhadora que sofreu queimaduras nos dedos polegar,
indicador e médio da mão direita, enquanto trabalhava em uma
máquina de prensa.
O Juízo da 1ª Vara do Trabalho de São Leopoldo condenou
a empresa ao pagamento de indenização por danos morais no valor
de R$ 8 mil. A Dilly entrou com recurso afirmando tomar cuidado com a saúde,
higiene e segurança dos seus empregados, inclusive com atuação
permanente da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA.
A empresa alegou culpa exclusiva da vítima, a qual se posicionou em
local inadequado junto à prensa, desacatando as orientações
da organização. O TRT-RS indeferiu o recurso da Dilly, afastando
a excludente de causalidade, no caso, a culpa exclusiva da vítima. O
Tribunal entendeu que a trabalhadora não recebeu instruções
específicas quanto ao uso da prensa e estava executando suas funções
em conformidade com o sistema produtivo da empresa, ainda que equivocadamente.
De acordo com o relator do processo, Juiz Ricardo Tavares Gehling, a empresa
alegando o fato da vítima como causa exclusiva do acidente, incumbe
a ela o ônus da prova e, inexistindo tal prova, sendo demonstrada a culpa
do empregador, é devida a indenização. (RO 00295-2006-331-04-00-9)
Fonte: TRT4
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ÂMBITO JURÍDICO,
21 de setembro de 2007
Compete à Justiça estadual
julgar indenização por lesão provocada em
exame admissional
Cabe à Justiça estadual processar e julgar ação
de indenização por erro médico, em decorrência de
lesão sofrida quando da realização de exame admissional.
Com esse entendimento, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ)
Massami Uyeda declarou competente o Juízo da 2ª Vara Cível
de Jundiaí (SP) para julgar a ação de indenização
por ato ilícito proposta por Reginaldo Miguel da Silva contra Fiação
Fides S/A e José Maria Simões da Costa.
No caso, Silva propôs a
ação em decorrência de lesão que sofreu – perfuração
de tímpano –, quando foi submetido à lavagem de ouvido
na clínica de Costa, durante a realização de exames
admissionais, quando pleiteava emprego nos quadros da Fiação
Fides S/A.
Conflito de competência
Considerando que a Emenda Constitucional
n. 45/04 alterou a competência para as ações de indenização
por dano moral ou patrimonial decorrentes da relação de
trabalho, o Juízo estadual remeteu os autos do processo para a
4ª Vara do Trabalho de Jundiaí (SP).
Por sua vez, a Justiça
trabalhista suscitou o conflito de competência sob a alegação
de que, “na verdade, o pleito do autor versa sobre acidente causado
pelo segundo réu, por erro médico durante a realização
de exame audiométrico, para os fins de admissão junto ao
primeiro réu, não se configurando, portanto, nenhuma ‘relação
de trabalho’”.
Decisão
O relator, ministro Massami Uyeda,
destacou que, no caso, trata-se de ação indenizatória
por erro médico, tendo em vista a lesão sofrida por Silva
durante o procedimento de lavagem de ouvido, quando da realização
de exame audiométrico, não sendo influente o fato de que
o referido exame visava habilitá-lo para possível contrato
de trabalho, o qual nem mesmo se efetivou.
“Consoante a iterativa
jurisprudência deste egrégio Tribunal, é a partir
da análise da causa de pedir e do pedido que se define a competência
material para julgamento da lide. Sob esse aspecto, verifica-se que os
precedentes são unânimes em atribuir à Justiça
estadual a competência para julgar ações de indenização
por danos morais quando estes não decorrem diretamente da relação
de emprego, como se observa, no caso”, afirmou.
Cristine Genú
Processo CC 82800
Fonte: STJ
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ÂMBITO JURÍDICO,
21 de setembro de 2007
Danos morais: empregado preso por
furto não prova culpa da empresa
Não há condenação em danos morais se a empresa
não participou da ação que culminou no constrangimento
ao empregado. Com base nesta constatação, feita pelo Tribunal
Regional do Trabalho da 10ª Região (DF/TO), a Sexta Turma do Tribunal
Superior do Trabalho manteve a decisão que negou indenização
por danos morais a um ex-empregado da Telemont Engenharia de Comunicações
que foi preso e algemado injustamente por policiais no seu local de trabalho.
O trabalhador foi contratado
pela Telemont como supervisor de controle de materiais em fevereiro de
2000 e demitido, sem justa causa, em março de 2003. Ele contou
que, em dezembro de 2002, foi abordado por policiais que o levaram preso,
e ficou detido por três dias, sob acusação de furto
de fios de cobre. Disse que foi algemado e humilhado na frente dos colegas
e que, mesmo tendo sido provada sua inocência, foi demitido. Para
sair da cadeia, foi obrigado a pagar fiança e contratar advogado.
Na ação trabalhista, pleiteou verbas rescisórias
não quitadas e indenização por danos morais no valor
de R$ 177.110,00, mais R$ 10 mil por danos materiais, consistentes no
pagamento da fiança e da contratação de defensor.
A Telemont, em contestação,
alegou que não teve culpa na prisão do empregado. Disse
que, em dezembro daquele ano, um dos diretores recebeu do proprietário
de uma empresa de ferro velho, por telefone, a denúncia de que
havia uma pessoa tentando vender fios de cobre para cabeamento telefônico.
O fato foi imediatamente comunicado à polícia, tendo em
vista que a empresa telefônica vinha sendo vítima de constantes
furtos desse tipo de material. Segundo a Telemont, a polícia interceptou
o motorista do carro que carregava os fios e este confessou que o autor
da ação era quem havia autorizado a venda dos fios.
A polícia se dirigiu à empresa,
procurou pelo funcionário apontado pelo motorista e o prendeu.
Posteriormente constatou-se não se tratar de venda de fios de
cobre, mas sim de sucatas, e que o empregado preso tinha autorização
da empresa para vendê-las. A Telemont contou que jamais apontou
suspeitos ou culpados, e, assim que soube da prisão de seu funcionário,
procurou a delegacia para desfazer o mal entendido. Por fim, disse que
não podia ser responsabilizada pela atitude dos policiais.
A sentença foi favorável
ao trabalhador. Segundo o juiz, a prisão foi provocada por prepostos
da empresa, que foram negligentes ao não adotar diligências
elementares antes de acionar a força policial, o que acarretou
sérias repercussões na esfera individual e moral do trabalhador.
Os fatos, no entendimento do julgador, agravaram-se ainda mais diante
da dispensa injustificada do empregado, mesmo depois de constatada sua
inocência. A empresa foi condenada a pagar R$ 17.711,00 pelos danos
morais mais R$ 10 mil pelos danos materiais.
O TRT/DF, ao apreciar recurso
ordinário, reformou a decisão e afastou a responsabilidade
da empresa pelo dano sofrido pelo empregado, excluindo da condenação
a indenização concedida em primeira instância. “No
caso dos autos, a empresa não teve qualquer participação
no constrangimento sofrido pelo empregado, vez que não foi ela
quem determinou fosse ele preso e algemado. Toda a ação
partiu da autoridade policial, e a empresa, ao contrário, buscou
imediatamente socorrer o autor tão logo soube ter havido um equívoco
com relação aos materiais levados ao ferro velho”,
destacou o acórdão.
O empregado recorreu ao TST,
mas não obteve sucesso. A relatora do processo, ministra Rosa
Maria Weber Candiota da Rosa, ressaltou em seu voto que o empregado não
conseguiu demonstrar a responsabilidade da empresa pela sua prisão.
O agravo de instrumento não foi provido, porque não demonstrada
violação de lei nem divergência jurisprudencial válida.
(AIRR-581/2003-013-10-40).
(Cláudia Valente)
Fonte: TST
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VERMELHO, 21 de setembro de 2007
Ibope de Lula oscila de 50% para
48%
A aprovação do governo Luiz Inácio Lula da Silva oscilou
2 pontos para baixo, dentro da margem de erro, segundo a pesquisa CNTI-Ibope
divulgada nesta quinta-feira (20). Os entrevistados que consideram o governo
''bom'' ou ''ótimo'' passaram de 50% para 48% em relação
a junho. Os que responderam ''ruim'' ou ''péssimo'' foram de 16% para
18%. Conforme o levantamento, 36% acham que o segundo governo de Lula está melhor
que o primeiro, 40% responderam que está igual e 22% que está pior.
Fonte: http://portal.cni.org.br Esta foi a 20ª pesquisa CNI-Ibope sobre
a imagem do governo Lula na opinião pública e a sexta mais favorável
ao governo em percentual de avaliações positivas. Veja o gráfico
ao lado: nas cinco últimas pesquisas da série, os números
oscilaram dentro da margem de erro, exceto a sondagem de desembro passado,
a primeira desde as eleições de 2006, quando o governo atingiu
o seu pico de aprovação, 57% de ''bom'' e ''ótimo''.
''Popularidade permanece em patamar elevado''
A aprovação pessoal do presidente também oscilou negativamente.
Dos entrevistados, 63% disseram aprovar a maneira como Lula governa, queda
de 3 pontos percentuais, e 33% desaprovam, alta de 3 pontos na comparação
com a pesquisa de junho.
A parcela dos que dizem confiar em Lula saiu de 61% em junho para 60% agora.
Já a proporção dos que não confiam subiu de 35%
para 37%.
Questionados sobre que nota dariam ao trabalho do governo, os entrevistados
atribuíram em média 6,6. Em junho, a média era de 6,7.
O relatório CNI-Ibope sintetiza: ''Os principais itens de imagem (avaliação
do governo, maneira do presidente Lula governar e confiança no presidente)
registram leve queda, enquanto a maioria das avaliações das áreas
específicas de atuação do governo sofre variação
negativa mais expressiva. De maneira geral, a popularidade do governo Lula
permanece em patamar elevado, mas várias de suas ações
sofrem, neste momento, uma avaliação mais crítica.''
Mulheres passaram a ser mais pró-Lula
A segmentação dos resultados mostra que Lula perdeu terreno entre
os homens e ganhou (4 pontos) entre as mulheres. Pela primeira vez Lula tem
uma imagem mais positiva entre as eleitoras: 48% de ''bom'' e ''ótimo''
contra 18% de ''ruim'' e ''péssimo'', enquanto os eleitores lhe deram
47% e 19% respectivamente.
Na segmentação por faixas de renda, a pesquisa mostra que a perda
de popularidade de Lula se concentrou fortemente na camada mais pobre, com
renda inferior a um salário mínimo: houve aí um recuo
de 12 pontos, enquanto nas outras faixas os resultados foram -2, +1, +1 e -4
respectivamente.
Mesmo assim o governo Lula mantém sua popularidade rigorosamente concentrada
entre os mais pobres, reduzindo-se à medida que sobe a renda, embora
mantenha em todas as faixas uma imagem predominantemente favorável.
O saldo positivo (''ótimo'' e ''bom'' menos ''ruim'' e ''péssimo'')
por faixa de renda, segundo a CNI-Ibope, é:
Menos de 1 salário mínimo - 42 pontos positivos;
Mais de 1 a 2 mínimos - 37 pontos positivos;
Mais de 2 a 5 mínimos - 28 pontos positivos;
Mais de 5 a 10 mínimos - 19 pontos positivos;
Mais de 10 mínimos - 8 pontos positivos.
Os fatores Renan Calheiros e CPMF
A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 18 de setembro, logo em seguida à votação
no Senado que absolveu Renan Calheiros. O relatório da pesquisa admite
que o episódio não tem relação com a atividade
do governo, mas influiu negativamente sobre os resultados das entrevistas.
O Caso Renan foi o mais citado (34%) entre as ''notícias sobre o governo
do presidente Lula''. Seguiram-se a crise nos aeroportos (9%) e as viagens
de Lula (7%).
O noticiário da mídia foi avaliado como desfavorável ao
governo por 39% dos entrevistados, contra 19% que o consideraram favorável.
O noticiário predominantemente negativo na mídia contrasta fortemente
com a avaliação positiva feita pelos cidadãos.
Esta edição da pesquisa CNI-Ibope perguntou também sobre
a CPMF, já que a prorrogação do chamado Imposto do Cheque
até 2011 está tramitando no Congresso Nacional. Dos entrevistados,
54% acham que a CPMF deve ser extinta em dezembro, como prevê a legislação
atual; 12% acham que deve ser prorrogada mas com valor menor que o atual; outros
12% que deve ser extinta gradativamente; e apenas 5% que deve ser prorrogada
com o valor atual (0,38%), conforme propõe o governo. Os que não
sabem ou não opinaram somaram 18%.
O Ibope fez 2.002 entrevistas em 142 municípios, contratado pela Confederação
Nacional da Indústria. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.
Com CNI-Ibope
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 21 de setembro de 2007 | Brasil
Lula liberou R$ 47 milhões antes
de CPMF ser aprovada
Dinheiro foi destinado para pagar emendas que
parlamentares fizeram ao Orçamento
| Depois de revisão de gastos públicos, governo também repassou
ontem R$ 1 bilhão em verbas que estavam bloqueadas desde fevereiro
SILVIO NAVARRO
RANIER BRAGON
GUSTAVO PATU
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Nos três dias que antecederam
a aprovação da prorrogação da cobrança
da CPMF até 2011, o governo Luiz Inácio Lula da Silva
destinou R$ 47 milhões em verbas para pagamento de emendas que
deputados e senadores fizeram ao Orçamento 2007 -o valor representa
27% de tudo o que havia sido desembolsado em todo o ano.
Levantamento da assessoria de Orçamento do DEM na base de dados do Siafi
(sistema de acompanhamento de gastos do governo) mostra que foi liberado nos
três dias (de segunda a quarta) um montante de R$ 107 milhões
se somadas as diferentes etapas da execução orçamentária
-empenho (compromisso de gasto), R$ 38 milhões; restos a pagar (verbas
do ano anterior liberadas agora), R$ 22 milhões; e valores efetivamente
pagos, R$ 47 milhões.
Encabeçam a lista de deputados que mais receberam recursos para suas
obras, nos últimos dias, dois líderes da bancada ruralista: Moacir
Micheletto (PMDB-PR), que conseguiu faturar R$ 80 mil, e Abelardo Lupion (DEM-PR),
com R$ 51 mil.
Os maiores valores pagos foram destinados a emendas coletivas das bancadas
de parlamentares de São Paulo (R$ 32 milhões), Rio Grande do
Sul (R$ 7 milhões) e Acre (R$ 2 milhões). Esse tipo de emenda é feita
quando todos os parlamentares eleitos pelo mesmo Estado colocam parte da sua
cota de verbas ao Orçamento num projeto. Quase sempre, a escolha do
projeto atende ao interesse do governador.
Na lista de congressistas que tiveram recursos "empenhados", despontam
deputados e senadores de partidos aliados e do PSDB. No período, foi
o tucano Bonifácio Andrada (MG) quem conseguiu a liberação
recorde de R$ 5 milhões. Na seqüência, aparece o deputado
Olavo Calheiros (PMDB-AL), irmão de Renan, com R$ 2 milhões.
Olavo enfrenta processo de cassação de mandato no conselho por
quebra de decoro.
A liberação de verbas para emendas às vésperas
de votações é um recurso freqüentemente usado pelo
Executivo. Por outro lado, parlamentares também condicionam seu apoio
ao governo à liberação das verbas. As emendas se destinam
a pequenas obras nos redutos eleitorais dos políticos.
PAC
Com novas previsões de aumento do gasto público e da carga tributária,
o governo também liberou ontem mais R$ 1 bilhão em verbas do
Orçamento deste ano que haviam sido bloqueadas em fevereiro.
Embora o governo informe que o dinheiro será basicamente direcionado
ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), a folga no caixa
também facilita o direcionamento de verbas para emendas.
As emendas foram as maiores vítimas do contingenciamento de R$ 16,4
bilhões aplicado neste ano pelo governo. O valor foi pouco superior
ao total de emendas, de R$ 14,5 bilhões. Em julho, foi promovida liberação
de R$ 6,8 bilhões, também com a justificativa de atender aos
projetos do PAC.
Em tese, o contingenciamento anual do Orçamento é feito para
garantir o cumprimento da meta de superávit primário, ou seja,
a parcela da arrecadação destinada ao abatimento da dívida
pública. Uma parcela das despesas previstas na lei aprovada pelo Congresso é bloqueada
até que se confirme a receita projetada para o ano.
Na prática, o procedimento serve ao jogo de poder entre Executivo e
Legislativo. O primeiro, geralmente, subestima a receita esperada para ampliar
o contingenciamento. Ao longo do ano, faz revisões bimestrais da expectativa
de arrecadação e libera verbas conforme a aprovação
de projetos de seu interesse no Congresso.
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 21 de setembro de 2007 | Brasil
Procurador-geral recomenda que Supremo
libere trocas de partido
Antonio Fernando diz que ninguém pode
ser obrigado a permanecer associado
SILVANA DE FREITAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O procurador-geral da
República, Antonio Fernando de Souza, sugeriu ao STF (Supremo
Tribunal Federal) que libere o troca-troca de partidos. Se o parecer
dele for acolhido, os ministros irão sepultar o risco de cerca
de 40 deputados perderem o mandato e irão rejeitar a interpretação
adotada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre fidelidade partidária.
Com o envio do parecer, o STF marcou para 3 de outubro o julgamento em que
decidirá se os parlamentares precisam manter o vínculo com o
partido pelo qual se elegeram ou se podem se filiar a outro. Se eles disserem
que a troca é válida, os políticos que querem mudar a
filiação para disputar as eleições municipais,
mas temem fazê-lo sem o aval do STF, terão só um dia para
formalizar a opção. Ela tem de ocorrer pelo menos um ano antes
das eleições, em 5 de outubro de 2008.
Antonio Fernando emitiu parecer no mandado de segurança movido pelo
PSDB. Também tramitam ações do DEM e do PPS. Juntos, esses
partidos perderam cerca de 25 deputados após outubro de 2006. Os mandados
contestam decisão do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP),
que não declarou a perda dos mandatos desses deputados.
O procurador-geral disse que, se a fidelidade partidária fosse uma bandeira
do PSDB, o partido deveria prever em seu estatuto a possibilidade de perda
do mandato por filiação a outra sigla, o que não ocorre.
Para ele, a punição nesse caso fere dispositivo da Constituição
pelo qual "ninguém poderá ser compelido a associar-se ou
a permanecer associado". Recomendou ao STF que negue o mandado de segurança
ou que só puna a troca de partidos a partir da próxima legislatura.
Em março, o TSE decidiu que o mandato parlamentar é do partido,
e não do eleito. Três ministros do STF votaram pela punição
dos "infiéis" no TSE: Marco Aurélio Mello, Cezar Peluso
e Carlos Ayres Britto.
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 21 de setembro de 2007 | Dinheiro
Dilma promete "canteiro de obras
públicas e privadas"
Ministra afirma que o PAC deslanchará em
2008, ano de eleições municipais
| Ela critica "judicialização dos conflitos" que travam
projetos como o do Madeira e ataca lista do TCU apontando irregularidades
VALDO CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A ministra Dilma Rousseff
(Casa Civil) disse ontem à Folha que o Brasil vai se transformar
num "canteiro de obras públicas e privadas" no próximo
ano, de eleições municipais, ao contestar a análise
de que o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)
ainda não está num ritmo adequado.
Segundo Dilma, o PAC está amadurecendo e mudando a cultura do país. "Até pouco
tempo, a questão era segurar o gasto público, fazer o maior superávit
primário possível, isso criou uma série de entraves que
estão sendo desmontados agora", disse, após divulgação
de balanço do PAC, ressaltando, porém, a importância de
uma política fiscal responsável.
O segundo balanço do PAC mostrou que, se subiu de 52,5% para 79,9% a
quantidade de ações consideradas adequadas, também subiu
a de ações classificadas como preocupantes -de 8,4% para 9,7%.
Dilma não concorda com o enfoque negativo. Diz que é uma "leitura
de má vontade" por considerar uma "tentativa de provar que
o PAC não funciona ou não está ocorrendo, esbarrando na
força da realidade, e isso ficará cada vez mais difícil
de ser defendido".
A ministra admite, por outro lado, que o ritmo de execução do
PAC com recursos públicos ainda não chegou ao ponto ideal, mas
ressaltou que já avançou. Nos dados divulgados ontem no Planalto,
o empenho do dinheiro do Orçamento da União -reserva do recurso
para gasto- atingiu 45% do total previsto. Já o valor efetivamente gasto
ficou apenas em 9,3%.
Ao destacar que, apesar de ainda baixo, o valor pago está maior do que
no primeiro balanço, a gerente do PAC disse que esse ritmo vai melhorar
no próximo balanço, principalmente com o início dos gastos
com saneamento e habitação.
Ao afirmar que o país será transformado num canteiro de obras,
a ministra não quis se comprometer com um número. "Não
vou me arriscar a dizer quantas obras porque depois não acontece e você me
cobra", disse, destacando que hoje já estão em andamento
mais de 1.200 obras do PAC pelo país.
A ministra discorda da análise de que o PAC não estaria contribuindo
para o crescimento do país neste ano. "Só na habitação
já estão contratados mais de R$ 15,7 bilhões, são
gastos na construção civil, está faltando engenheiro,
isso tem efeito sim no crescimento."
Dilma reconheceu, porém, que o governo ainda precisa "superar entraves" do
PAC. Ela já não cita a trava ambiental como a mais problemática. "Evoluímos
muito, todos nós, a área ambiental está trabalhando conosco,
procurando ajudar na resolução das dificuldades", disse
ela, que no início do ano travou uma disputa com a ministra do Meio
Ambiente, Marina Silva, pela concessão das licenças ambientais
das usinas hidrelétricas do Madeira.
Na lista de entraves, Dilma cita hoje principalmente o que considera a "judicialização
dos conflitos". Segundo ela, a cultura é buscar a solução
de conflitos na Justiça, e não administrativamente, o que atrasa
a realização de projetos, como as usinas do rio Madeira.
E considerou "lamentável" a divulgação pelo
TCU (Tribunal de Contas da União), anteontem, de lista de obras com
graves irregularidades. Para ela, há inconsistências na lista,
já que obras com problemas solucionados teriam sido apontadas como problemáticas.
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 21 de setembro de 2007 | Dinheiro
Burocracia ainda emperra obras, dizem
empresários
Processo de licitação e concessão
de licenças ambientais é lento, avalia setor produtivo
| Crise no Senado com Renan Calheiros é citada como fato que atrapalha,
ao tirar o foco do governo em fazer deslanchar obras do PAC
FÁTIMA FERNANDES
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Agilidade no processo de licitação
e de concessão de licenças ambientais é a chave
para que o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)
deslanche no país. A avaliação é de representantes
das indústrias de infra-estrutura, eletroeletrônica e
da construção civil após análise da divulgação
do segundo balanço de implementação dos projetos
e dos empreendimentos listados no programa.
Para a Abdib, associação que reúne o setor de infra-estrutura,
o PAC só deslancha se o país superar "alguns obstáculos",
como o cumprimento de datas para a publicação de editais e para
as licitações de importantes projetos de investimentos.
" O PAC sofre as conseqüências dos obstáculos que rotineiramente
atrasam ou paralisam obras de infra-estrutura no Brasil. Ao mesmo tempo em que
a análise de risco promovida pelo governo resulta em uma série
de ações para inverter os problemas, é preciso estabelecer
uma agenda de médio e longo prazo para corrigir os problemas. Se as datas
forem cumpridas, os investimentos crescem a partir de 2008", diz Ralph Lima
Terra, vice-presidente-executivo da Abdib.
Entre os projetos estruturantes lembrados que estão na iminência
de publicação de editais ou de licitação para a
iniciativa privada, segundo informa Terra, estão os sete lotes de rodovias
federais, a restauração e a ampliação do complexo
rodoviário formado pelas BR-116/ 324, a ferrovia Norte-Sul e a hidrelétrica
de Santo Antonio, no rio Madeira. "São empreendimentos emblemáticos
para a participação privada na infra-estrutura e para o desenvolvimento
sustentado do Brasil."
José de Freitas Mascarenhas, presidente do Conselho de Infra-Estrutura
da CNI (Confederação Nacional da Indústria), diz que o
PAC não acelerou de forma significativa os investimentos. "O PAC
deveria apresentar um ritmo maior de execução de obras na medida
em que é o principal programa do governo. Atribuo isso à estrutura
de execução das obras, que não foi alterada", diz.
A construção civil esperava mais agilidade na aplicação
de recursos no período. "Sabíamos que, no primeiro semestre,
os resultados seriam pífios porque o PAC estava ainda no papel. Mas
esperávamos que, no segundo semestre, haveria uma movimentação
maior", diz João Claudio Robusti, presidente do Sinduscon-SP.
Para os empresários do setor, o que prejudica o plano são "amarras
burocráticas" do país. "O que se detecta é que
não há falta de dinheiro, mas de instrumentos que acabem com
a burocracia. A falta de regulação para conceder licenças
ambientais é um dos maiores entraves", diz Robusti. "Além
disso, a crise no Senado tirou o foco do governo do PAC", diz o presidente
do Sinduscon-SP.
Previsões
Apesar de o governo gastar apenas 9,3% dos recursos previstos para o PAC neste
ano -R$ 14,7 bilhões-, o setor mantém sua previsão de
crescimento. "A construção civil deve crescer 7,9% neste
ano. Não em razão dos recursos do PAC, como prevíamos,
mas do bom desempenho do mercado imobiliário, que deve crescer 15% neste
ano na comparação com o ano anterior", afirma Robusti.
Humberto Barbato, presidente da Abinee (associação que reúne
a indústria eletroeletrônica), acredita que o próximo balanço
do PAC será mais relevante para dizer de fato que as obras estão "decolando".
" Nos próximos 90 dias poderemos responder se o governo conseguiu
executar ou não o seu compromisso." O que preocupa o setor, segundo
o empresário, é o atraso nas obras ligadas à geração
de energia.
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 21 de setembro de 2007 | Dinheiro
Governo ataca TCU sobre problema em obras
Ministro da Integração Nacional
fica irritado com a divulgação de lista de obras que o
tribunal considera irregulares
| Geddel Vieira Lima vê "inconsistências graves" em relatório
do TCU que aponta irregularidades em 29 das 122 obras analisadas
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A cerimônia para prestação
de contas do andamento do PAC (conjunto de obras para acelerar o crescimento
da economia) foi usada pelo governo para desqualificar o trabalho do
TCU (Tribunal de Contas da União), órgão de assessoramento
técnico do Congresso Nacional.
Irritado com a divulgação de uma lista de obras consideradas
irregulares pelo tribunal, na véspera do balanço do PAC, o governo
Lula escalou o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional)
para disparar críticas contra o TCU. Na condição de deputado,
ele sentiu-se à vontade para a missão.
Geddel disse que o relatório do tribunal tinha "inconsistências
graves", recomendou que os ministros do TCU lessem "o que vem do
próprio corpo técnico" antes de aprovar os documentos e
arrematou: "No caso da Integração [Nacional] não
há nenhuma obra irregular".
Diante dessa afirmação, tanto Geddel como a ministra Dilma Rousseff
(Casa Civil) não se comprometeram a suspender os repasses para nenhuma
das obras tidas como irregulares pelo TCU.
O tribunal analisou 122 obras do PAC e apontou que 29 delas contêm irregularidade
graves. Do Ministério da Integração Nacional, o documento
destaca cinco obras com problemas.
Numa avaliação preliminar, Dilma afirmou que pelo menos cinco
obras não poderiam constar do relatório do TCU porque os problemas
já "estavam solucionados".
Críticas
Apesar das ressalvas de que respeita e reconhece a importância do TCU,
Geddel não conseguiu conter as críticas pelo relatório
ter sido divulgado menos de 24 horas antes da festa montada pelo governo para
comemorar o que qualifica de avanços no programa que é o carro-chefe
do segundo mandato do presidente Lula.
Para uma platéia de jornalistas e empresários, Geddel disse que
os ministros do TCU deveriam ser "mais cuidadosos ao apontar irregularidades
graves quando elas são apenas questões pontuais e formais".
Isso, enfatizou, "tira a credibilidade" do TCU, que tem parte dos
ministros indicados pelo Senado e pela Câmara dos Deputados, e passaria
para a população que as obras listadas com problemas graves estão
envolvidas em corrupção.
O ministro chegou para a entrevista municiado com um texto que apontava as "inconsistências" do
relatório para o governo. Entre elas, estava o fato de o tribunal ter
colocado na lista de irregularidades uma obra que o próprio TCU havia
liberado na semana passada -a implantação do projeto de irrigação
Tabuleiro de Russas.
" Isso é uma inconsistência grave. Como libera numa semana
e condena na seguinte?", questionou.
Outra falha apontada pelo governo foi a inclusão de uma obra como irregular
-projeto de irrigação Rio Preto, no Distrito Federal- cujo convênio
já teria sido cancelado e o ministério já teria conseguido,
inclusive, a devolução do dinheiro transferido.
Irritação
Geddel ficou particularmente irritado com a inclusão do projeto de transposição
das águas do rio São Francisco na lista do TCU. Disse que o tribunal
apontou como irregularidade da obra um ponto do edital que ele já havia
liberado anteriormente.
O fato, por sinal, foi tema de uma conversa por telefone anteontem à noite
com o ministro responsável pelo relatório, Benjamim Zymler, tão
logo Geddel tomou conhecimento do documento. "Disse a ele que o tribunal
não pode simplesmente dizer "errei, foi mal" para justificar
que aprovou algo e depois mudou de idéia."
O TCU não foi o único alvo de críticas e recomendações
dos ministros presentes à cerimônia para divulgar o balanço
do PAC que, mais uma vez, foi marcada por uma exaustiva apresentação
de Dilma.
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 21 de setembro de 2007 | Dinheiro
Receita tributária federal cresce
quase 4 vezes a inflação
Para um avanço de 2,8% do IPCA entre janeiro
e agosto deste ano, arrecadação aumenta 10,7% no mesmo
período
| Receita Federal diz que não há alta da carga tributária,
mas expansão econômica e maior eficiência do órgão
no combate a sonegadores
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A arrecadação
de tributos federais somou R$ 385,8 bilhões entre janeiro e
agosto. Na comparação com igual período de 2006,
o resultado é 10,7% maior e novo recorde histórico para
o período -o avanço é quase quatro vezes os 2,8%
do IPCA no ano. Apesar da alta, a Receita Federal rejeita a avaliação
de que há aumento da carga tributária e explica o resultado
com a expansão da economia e a maior eficiência do órgão.
Conforme os números da Receita divulgados ontem, os brasileiros pagaram
R$ 1,588 bilhão em impostos em cada um dos 243 dias desses oito meses.
No relatório divulgado ontem, o que mais chama a atenção é a
alta da arrecadação ligada à produção e
aos importados. Os itens crescem em ritmo superior à média. "É reflexo
da atividade econômica somada ao dólar fraco", diz Roberto
Piscitelli, professor da UnB.
Esse impacto é visto em diversos tributos. A arrecadação
do IPI, por exemplo, aumentou 14,3% no acumulado do ano na comparação
com igual período do ano passado.
Em igual trajetória, o Imposto de Renda das empresas cresceu 15,6% e
a CSLL (contribuição sobre o lucro), 15%. Nos importados, o Imposto
de Importação avançou 14,5% e o IPI desses produtos, 20,4%.
A CPMF, o tributo do cheque, levou no período R$ 23,8 bilhões
aos cofres públicos. O valor é 11,2% maior do que o observado
entre janeiro e agosto do ano passado. Atualmente, o governo se esforça
para tentar aprovar a prorrogação da contribuição,
cujo prazo de vigência termina em 31 de dezembro. Na Câmara, o
texto teve a primeira aprovação na quarta-feira. O argumento
do governo é que é impossível abrir mão dos quase
R$ 40 bilhões anuais de arrecadação previstos com a CPMF
em 2008 (neste ano devem ser R$ 36 bilhões).
Sobre a chance de redução da alíquota da CPMF ou a desoneração
de outros setores da economia, o secretário-adjunto da Receita, Carlos
Alberto Barreto, diz que essa não é uma decisão do órgão. "Isso
depende do ponto de vista da execução da despesa e do equilíbrio
macroeconômico", afirma, ao citar que o corte de impostos só acontece
quando há folga gerada por despesas menores. "Essa é uma
decisão política."
Fatores atípicos
Mas não é apenas a atividade econômica aquecida que tem
ajudado a Receita. O secretário-adjunto destacou positivamente o efeito
atípico de três fontes, que têm apresentado resultado bastante
superior à média: 1) aumento de 63% no volume de depósitos
judiciais, que somaram R$ 6,2 bilhões no período; 2) alta de
1.026% da arrecadação gerada pela venda da participação
acionária de empresas, que acumulou R$ 2,141 bilhões em apenas
dois meses (junho e agosto) na comparação com igual período
de 2006; 3) arrecadação 135% maior no Imposto de Renda pago por
pessoas físicas por ganho na venda de bens e de ações
na Bolsa de Valores.
Barreto explica o primeiro fator atípico pela atuação
mais forte da Receita. Para os outros dois itens, ele cita a expansão
econômica e observa que apenas quatro empresas foram responsáveis
pelo salto de mais de 1.000% no IR e CSLL por venda de participação
acionária. "Não temos garantia de que isso vá se
repetir no futuro."
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 21 de setembro de 2007 | Dinheiro
Renda do trabalho cai com inflação
maior
Ganho recua 0,5%, formalização
cresce em ritmo mais acelerado e taxa de desemprego fica estável
em 9,5% em agosto
| IBGE afirma que o desemprego só não recuou no mês passado
por causa do maior número de pessoas buscando vagas
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
Sob impacto da alta do
custo de vida, a renda do trabalhador caiu 0,5% em agosto na comparação
com julho, disse o IBGE. Em relação a agosto/06, ela
subiu 1,2%, num ritmo bem mais modesto do que nos meses anteriores
e no pior desempenho desde julho de 2005 (-0,5%). Em julho, havia
crescido 2,5%.
Na média dos oito primeiros meses do ano, o rendimento cresceu 3,8%,
estimado em R$ 1.122. De janeiro a abril, o crescimento médio havia
sido mais intenso: 5%. No período, o choque dos preços dos alimentos
não tinha ainda afetado com tanta força a inflação
-o IPCA subiu 0,47% em agosto, o dobro do índice de julho (0,24%).
" A inflação está subindo e corroendo o rendimento
do trabalhador", disse Cimar Azeredo Pereira, do IBGE.
Em agosto, a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas
do país ficou em 9,5%, estável em relação a julho.
Em agosto de 2006, o desemprego era de 10,6%.
Apesar da estagnação, o IBGE viu um mercado de trabalho mais
dinâmico em agosto. É que o número de pessoas empregadas
nas seis principais regiões metropolitanas do país cresceu 1%.
Foram criadas 217 mil vagas de um mês para o outro, a maioria formais.
Segundo Azeredo Pereira, o desemprego só não caiu em agosto porque
a procura por trabalho subiu mais intensamente que o número de vagas
-a população economicamente ativa subiu 1,1% em relação
a julho (258 mil pessoas).
Para o gerente do IBGE, o dado mais importante de agosto foi a crescente formalização
da força de trabalho em ritmo mais acelerado. O total de empregados
com carteira subiu 2,5% ante julho -220 mil vagas. É o melhor desempenho
desde o início da pesquisa, em março de 2002. Na comparação
com agosto/06, o emprego com carteira cresceu 7%, mais alta taxa desde maio/05
(7,1%).
O economista Fábio Romão, da LCA, diz que o reajuste menor do
mínimo neste ano -5,5%, contra 13% de 2006-, alta menos robusta do emprego
industrial e geração de vagas com menor remuneração
também reduziram a renda.
O Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) diz que "é notória
a progressiva desaceleração do rendimento nos últimos
quatro meses", tendência que pode tirar dinamismo do consumo. Para
o Iedi, a situação do emprego "não foi favorável" em
agosto, quando era esperada uma queda no desemprego, a julgar pelo comportamento
histórico do indicador.
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 21 de setembro de 2007 | Dinheiro
Previdência reduziu em 44% o número
de miseráveis, diz Ipea
Estudo mostra que 17,2 milhões saíram
da miséria por conta dos benefícios
MARTA SALOMON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Alvo de críticas por
causa do peso nas contas públicas, benefícios assistenciais
e previdenciários vinculados ao salário mínimo
foram responsáveis pela saída de 17,2 milhões
de brasileiros da miséria, contabilizou o Ipea (Instituto de
Pesquisa Econômico Aplicada). Como miseráveis, o instituto
considera pessoas com renda mensal de até um quarto do salário
mínimo.
Numa primeira análise dos dados da última Pnad (Pesquisa Nacional
por Amostra de Domicílios), divulgada pelo IBGE na semana passada, o
Ipea avaliou que o número de pessoas extremamente pobres caiu 44,1%
em decorrência do pagamento de aposentadorias e pensões e dos
benefícios assistenciais.
A Pnad contou 21,7 milhões de miseráveis no país. Pelo
cálculo do Ipea, esse número chegaria a 38,9 milhões de
pessoas caso não fossem pagos os benefícios previdenciários
e assistenciais. O impacto foi maior nas cidades, que reduziram em mais da
metade o número de miseráveis por conta desses pagamentos. Na
região Sudeste, haveria 6,7 milhões de pessoas -ou 61,4%- a mais
na miséria.
Benefícios vinculados ao salário mínimo foram pagos a
16,5 milhões de pessoas no ano passado, segundo o Ministério
da Previdência. O pagamento custou aos cofres públicos em 2006
R$ 64,5 bilhões. Uma grande parcela desses beneficiários nunca
contribuiu com o INSS (Instituto Nacional do Serviço Social).
Por conta desse custo, o governo debate internamente a possibilidade de reduzir
o valor dos benefícios. A proposta chegou a ser descartada publicamente
pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas ainda é um dos
temas em discussão no Fórum Nacional da Previdência Social.
Um dos principais pontos seria a redução do valor do BPC (Benefício
de Prestação Continuada), pago a idosos e deficientes pobres
a um custo mais elevado do que o Bolsa Família.
O assunto é controverso até dentro do Ipea. Outro estudo produzido
no instituto propôs a redução do BPC a 70% ou 80% do salário
mínimo, além do aumento da idade mínima para o pagamento
aos idosos para 70 anos. Em 2004, o Estatuto do Idoso baixou a idade mínima
de 67 para 65 anos.
" A posição do Ipea não é desautorizar esse
debate", disse ontem o presidente do instituto, Marcio Pochmann, ao apresentar
as primeiras análises do Ipea. "Mas fica claro que salário
mínimo menor ou a desvinculação dos benefícios do
salário mínimo retirariam a potencialidade dessa política
pública no combate à exclusão social", resumiu.
Bolsa Família
O Ipea aguarda a divulgação de suplementos da pesquisa do IBGE
para avaliar o impacto dos benefícios do Bolsa Família para a
redução da miséria. A primeira avaliação
desse impacto foi feita pelo próprio Ipea, com base na Pnad de 2004.
Na ocasião, o instituto apontou a redução da pobreza em
sete pontos percentuais por conta das transferências de renda bancadas
pela União.
Os benefícios previdenciários e assistenciais respondiam por
cinco pontos percentuais da redução da pobreza, enquanto o Bolsa
Família, ainda não totalmente implantado, era responsável
por outros dois pontos percentuais.
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 21 de setembro de 2007 | Dinheiro
Setor de laranja paga menos que 1 mínimo
Fiscalização estima que cerca de
3.000 trabalhadores de uma das principais regiões produtoras de
SP recebam abaixo de R$ 380 | Força-tarefa vê transporte
precário e falta de itens de segurança; produtor culpa
preços baixos da indústria, que nega interferência
JUCIMARA DE PAUDA
DA FOLHA RIBEIRÃO
Cerca de 3.000 trabalhadores
na lavoura de laranja estão ganhando menos que o salário
mínimo (R$ 380), não têm equipamentos de segurança
e são transportados em veículos precários. Essas
foram as principais irregularidades encontradas por uma força-tarefa
que fiscalizou nesta semana as lavouras de laranja da região
de Araraquara e São Carlos (interior paulista), responsável
pela produção de 30% da laranja do país ou 100
milhões de caixas. No total, foram visitadas 50 propriedades
em 40 cidades.
" A situação do trabalhador na lavoura da laranja está pior
que a do trabalhador da cana", disse o subdelegado do Trabalho de São
Carlos, Antonio Valério Morilas Junior.
O presidente da Associtrus (Associação Brasileira de Citricultores),
Flávio Viegas, diz que o baixo preço pago pela indústria
aos produtores de laranja é o grande responsável pelas irregularidades
nos laranjais. A Abecitrus (Associação Brasileira dos Exportadores
de Citros) disse que não tem nenhuma responsabilidade nas irregularidades
(leia nesta página).
Segundo Morilas Júnior, 95% dos funcionários aceitaram trabalhar
ganhando menos que o salário mínimo. Eles recebem de R$ 240 a
R$ 360.
O grupo de fiscalização formado por integrantes do Ministério
Público do Trabalho, do Ministério do Trabalho e da Polícia
Federal também apreendeu dois ônibus e interditou seis que não
teriam condições de circular.
De acordo com o subdelegado, também foram encontrados atestados médicos
de saúde ocupacional fraudados. "O preenchimento foi feito com
uma letra, e a assinatura do médico era diferente", disse.
Elio Neves, presidente da Feraesp (Federação dos Empregados Rurais
Assalariados do Estado de São Paulo), disse que as irregularidades no
setor de laranja demonstram o "descaso" com os trabalhadores.
" O agronegócio brasileiro tem a cultura de descumprir os direitos,
e toda vez que a fiscalização afrouxa, as irregularidades aparecem.
O suco de laranja brasileiro é competitivo no mercado internacional à custa
do trabalho degradante e o não-cumprimento das normas trabalhistas",
disse Neves.
Na safra passada, encerrada em junho deste ano, as exportações
das indústrias de laranja bateram recorde: atingiram mais de US$ 2 bilhões.
Ademildo Luque, 38, que colhe laranjas na região de Itápolis
há quatro anos, disse que nunca enfrentou situação tão
crítica. "A maioria não consegue tirar o salário
mínimo porque a laranja está miúda. Trabalhamos o dia
todo e com muito custo conseguimos encher a caixa. A safra está ruim." Os
trabalhadores ganham por produtividade -o produtor paga R$ 0,31 por caixa colhida
de 27 kg.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 21 de setembro de 2007 | Dinheiro
Outro lado
Empregadores e indústrias
negam responsabilidade
DA FOLHA RIBEIRÃO
O presidente da Associtrus
(que reúne produtores), Flávio Viegas, afirmou que a
baixa remuneração paga pela indústria que transforma
a laranja em suco é a grande responsável pelas irregularidades
trabalhistas nas lavouras. "Éramos 30 mil produtores na
década de 90 e hoje somos apenas 7.000 em todo o Estado e fechamos
contratos em que a indústria nos paga de U$ 3 a U$ 4 a caixa,
quando nosso custo de produção é de U$ 7. Não
conseguimos oferecer melhores condições de trabalho",
afirmou Viegas.
Segundo ele, o ideal seria a indústria assumir a contratação
dos trabalhadores, proposta defendida por associações de trabalhadores
rurais.
O presidente da Abecitrus (exportadores), Ademerval Garcia, informou que "a
caixa de laranja é comprada pela indústria na porta da fábrica,
que não tem responsabilidade pela colheita". Ele diz que o preço
da caixa de laranja não está baixo. "É negociado
entre produtor e indústria. Seguimos o mercado."
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JORNAL
GAZETA DO POVO, 21 de setembro de 2007 | Economia
Sem Acordo
Bancários preparam paralisação
por MARCO SANCHOTENE
Bancários de Curitiba e do restante
do país preparam um calendário de greve. A primeira paralisação
pode ocorrer no dia 28, a ser decidida em assembléia no dia
27. Segundo o Sindicato dos Bancários de Curitiba e região,
a reunião de ontem entre a Federação Nacional
dos Bancos (Fenaban) e o Comando Nacional dos Bancários – a última
prevista no calendário proposto – foi infrutífera,
pois os patrões não apresentaram uma proposta de reajuste. “Eles
dizem que ainda estão estudando um valor. O pessoal está muito
apreensivo e agora vai radicalizar”, diz a presidente, Marisa
Stedile.
Ontem, a Federação dos Trabalhadores
em Empresas de Crédito do Paraná (Fetec-PR) acusou
o banco HSBC de obrigar funcionários a trabalhar de madrugada
sem consentimento, e propôs denúncia ao Ministério
Público do Trabalho.
O banco desmentiu a
acusação e disse que existe um plano de contingência – com
apoio total dos funcionários – para manter o atendimento
funcionando em épocas de campanha salarial. Em 2005, a Delegacia
Regional do Trabalho recebeu denúncia semelhante e autuou
a empresa.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 21 de setembro de 2007 | Dinheiro
Correios: Justiça mantém
proposta para acabar greve
DA FOLHA ONLINE
Sem uma contraproposta dos funcionários,
o Tribunal Superior do Trabalho manteve ontem a mesma oferta feita na
quarta pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos para acabar
com a greve da categoria, que já dura oito dias. A proposição
cita um reajuste de 3,74%, mais abono de R$ 500.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
21/09/2007
Espera por transporte no interior da empresa
vale como hora extra
Onde não houver transporte
público, a espera por condução fornecida pelo empregador
no interior da empresa é computada como tempo de serviço.
Em sessão realizada quarta-feira (19), a Quinta Turma do Tribunal
Superior do Trabalho considerou legítimo o apelo de dois empregados
da Companhia Vale do Rio Doce – CVRD e adotou, por unanimidade,
o entendimento da juíza convocada Kátia Magalhães
Arruda, relatora do recurso de revista.
Os dois empregados informaram
que trabalhavam na Vale do Rio Doce no Complexo Portuário e Terminal
Marítimo de Tubarão, no setor Porto, em Vitória
(ES). Segundo eles, era obrigatória a utilização
da condução da empresa na área interna do estabelecimento.
Os trabalhadores entravam na área
da empregadora através da portaria Camburi, cerca de 10 minutos
antes do registro dos seus cartões de ponto, e percorriam quase
4 km em ônibus da Vale. Saíam, pela mesma portaria, aproximadamente
30 minutos após o registro do ponto. Ao ingressar com reclamatória
trabalhista em janeiro de 2002, pediram que esse tempo fosse considerado
como horas extras à disposição da empresa.
Na contestação,
a CVRD alegou que os trabalhadores não estavam executando ou aguardando
ordens da empregadora e, por isso, não estavam à disposição.
No entanto, o representante da Vale do Rio Doce disse, na audiência
de conciliação e instrução, que os trabalhadores
não tinham autorização para ingressar nas dependências
da empresa com recursos próprios.
A sentença atendeu parcialmente
ao pedido dos trabalhadores. A 3ª Vara do Trabalho de Vitória
(ES) condenou a Companhia a pagar-lhes a remuneração do
período gasto no deslocamento dentro da empresa, tanto na ida
quanto na volta, mas desconsiderou o tempo de espera. Inconformados com
o resultado, a CVRD e os empregados recorreram ao Tribunal Regional do
Trabalho da 17ª Região. Na decisão, o TRT negou provimento
a ambos.
Ao recorrer ao TST, os empregados
tiveram mais sucesso. A juíza convocada Kátia Magalhães
Arruda, relatora da revista, entendeu que, se o local de trabalho não é servido
por transporte público, o tempo de espera pela condução
no interior da empresa é considerado como horas devidas, computáveis à jornada
de trabalho. A relatora avaliou que a decisão regional contrariou
a Súmula nº 90 do TST e, por isso, o recurso no TST merecia
provimento. (RR-102/2002-003-17-00.1)
(Lourdes Tavares)
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GABINETE
DO MINISTRO
PORTARIA Nº 412, DE 20 DE SETEMBRO DE 2007
Disciplina
a alteração na jornada e no horário de
trabalho dos empregados que trabalhem em regime de turnos ininterruptos
de revezamento.
O
MINISTRO DE ESTADO DO TRABALHO E EMPREGO, no uso
das suas atribuições legais e tendo em vista
o disposto no art. 87, parágrafo único, inciso
II, da Constituição e no art. 913 da Consolidação
das Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452,
de 1º de maio de 1943, resolve: Art. 1º Considera-se
ilícita a alteração da jornada e do
horário de trabalho dos empregados que trabalhem em
regime de turnos ininterruptos de revezamento, salvo mediante
convenção ou acordo coletivo de trabalho.
Parágrafo único. A não observância do disposto
no caput implica infração ao disposto nos arts. 444 e 468
da Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei
nº 5.452, de 1º de maio de 1943 e enseja a aplicação
da multa estabelecida no art. 510 daquele diploma legal.
Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.
CARLOS LUPI
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