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Agência Diap, 22 de setembro de 2007
BALANÇO DA SEMANA
Trabalhos legislativos concentraram-se
na aprovação da CPMF
A semana no Legislativo Federal ficou praticamente em função
da votação da PEC 50/07, que prorroga a CPMF e a
Desvinculação de Receitas da União (DRU) até 2.011.
Depois de 13 horas de discussão em plenário, os deputados
aprovaram a matéria na madrugada de quarta-feira, 19/09.
A votação, contudo, continua na terça, 25/09.
Esta semana, os deputados aprovaram o texto global da PEC em primeiro
turno. O próximo passo será analisar os destaques para
votação em separado (DVS) e as emendas aglutinativas.
Para viabilizar a votação da PEC 50, o Governo revogou
três medidas provisórias e aprovou outra. Desta forma,
liberou a pauta e abriu caminho para a deliberação
da PEC. As três medidas provisórias revogadas foram
as seguintes: MP 379/07 (mudanças no Estatuto do Desarmamento),
MP 380/07 (cria regime especial de tributação para
importações por via terrestre) e MP382/07 (concessão
de benefícios para as indústrias de calçados
e artefatos de couro, têxtil, de confecções e
de fabricação de móveis). A revogação
dessas medidas provisórias foi imediatamente questionada pela
oposição que protocolou três ADIs no STF.
Já a medida provisória aprovada foi a MP 381/07, que
concede crédito extraordinário de R$ 6,33 bilhões
a diversos Ministérios para a continuidade de obras e ações
relacionadas ao Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC).
Por causa da prioridade que a Casa reservou à PEC 50, os
trabalhos nas comissões permanentes ficou esvaziado, não
havendo deliberações relevantes nesses colegiados temáticos.
CPMF no Senado
Mesmo com caminho ainda a percorrer na Câmara, o debate da
CPMF já chegou ao Senado. Base aliada e oposição
já arregaçam as mangas e se preparam para mais um duro
embate na Casa.
A relativa folga que o Governo registrou na votação
em primeiro turno na Câmara não é garantia de
facilidades no Senado, onde a oposição é maioria.
Caso PSDB e DEM decidam fechar questão contra a matéria,
o Governo já partiria para a batalha em plenário com
déficit de 30 votos.
Caso Renan
Em meio aos desdobramentos da polêmica decisão do Senado
na semana passada de absolver o presidente do Senado, Renan Calheiros
(PMDB/AL), a Mesa da Casa decidiu nesta quinta-feira, 20/09, por
unanimidade, encaminhar ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar
a quarta representação contra parlamentar, por quebra
de decoro.
O pedido de abertura de processo de investigação,
protocolado pelo PSOL no dia 6 deste mês, visa a apurar denúncia
de que Renan e o lobista Luiz Garcia Coelho teriam montado um esquema
de propinas para desviar recursos de Ministérios comandados
pelo PMDB.
Além da primeira representação contra Renan,
já arquivada e que visava a apuração de que
despesas pessoais do senador foram pagas por um funcionário
da construtora Mendes Júnior, há outras duas representações
contra o senador tramitando na Casa, uma que investiga se Renan teria
praticado tráfico de influência em favor da cervejaria
Schincariol e outra que investiga se Renan teria comprado, em parceria
com o usineiro João Lyra, duas emissoras de rádio e
um jornal de Alagoas - mas por meio de laranjas e sem declarar à Receita
Federal.
Regulamentação das centrais sindicais
O prazo para apresentação de emendas ao PL 1.990/07,
do Executivo, que trata do reconhecimento das centrais sindicais
deverá se encerrar na terça ou quarta-feira da próxima
semana. Até o momento já foram apresentadas 16 emendas à matéria.
As emendas serão anexadas ao PL 1.528/89, do ex-deputado
Jones Santos Neves (PMDB/ES), ao qual foi anexado o projeto do Governo.
O PL 1.990/07 foi distribuído às Comissões
de Trabalho, de Administração e Serviço Público;
de Finanças e Tributação; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
O projeto deverá ser apreciado diretamente no plenário
da Câmara porque tramita em regime de urgência constitucional.
O relator será o deputado Vicentinho (PT/SP).
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Nova Central, 22 de setembro de 2007
Mulheres ocupam 11% de altos cargos
em empresas, diz pesquisa
O CWDI (Corporate Women Directors International), grupo internacional
de mulheres executivas, pediu nesta sexta-feira que as 200 maiores
empresas do mundo realizem esforços para incluir mais mulheres
em cargos de confiança. Elas ocupam, atualmente, cerca de 11%
dos altos cargos nas principais companhias do mundo.
O número de mulheres nas diretorias dessas empresas passou
apenas de 285 para 308 desde 2004, segundo um informe da CWDI. O
documento lamenta que se tenham feitos poucos avanços para
garantir a igualdade dos sexos desde a última pesquisa realizada,
também em 2004.
"Se mais de 80% das decisões de compra foram tomadas
por mulheres - desde veículos até documentos, passando
por tecnologia e energia - por que elas não estão representadas
nas empresas?', pergunta Irene Natividad, presidente do CWDI.
Os oito países com mais empresas incluídas no ranking
2006 da "Fortune Global 200" --Estados Unidos, Japão,
Reino Unido, Alemanha, França, Suíça, Holanda
e Itália-- aumentaram o número de mulheres em suas
diretorias, indica o informe.
"Sem dúvida, a maior parte das grandes empresas do Japão,
Coréia, Itália, Venezuela, Rússia e China, por
exemplo, seguem sem ter mulheres em suas diretorias", adiciona.
O Japão, a segunda economia do mundo, está muito atrasado
em relação aos Estados Unidos, cujas empresas lideram
a lista de mulheres em altos cargos.
Das 27 empresas japonesas incluídas na lista, apenas cinco
dos 389 membros da diretoria são mulheres.
Nos Estados Unidos, essa proporção é de 166
em 941 integrantes, cerca de 17,6%.
Na França, terceiro na lista junto com a Alemanha, com 19
empresas cada uma, dos 288 diretores, 22 são mulheres, cerca
de 7,5%.
"As mulheres não são seres perfeitos, mas sua
presença nas diretorias é muito necessária",
disse Natividad.
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Nova Central, 22 de setembro de 2007
Empresa em crise financeira pode
descumprir acordo trabalhista
Quando houver notória crise financeira na empresa, é lícito
o descumprimento de ajustes celebrados em negociação
coletiva de trabalho.
Com esse entendimento, a 4ª Turma do TST (Tribunal Superior
do Trabalho) manteve decisão do TRT (Tribunal Regional do
Trabalho) de Pernambuco e rejeitou recurso do sindicato dos empregados
da Varig.
O Sindicato dos Aeroviários e dos Trabalhadores em Empresas,
Agências de Turismo, Comissárias e Prestadores de Serviço
a Empresas de Aviação e Similares do Recife e do Estado
de Pernambuco ajuizou ação trabalhista para que a Varig
cumprisse as obrigações previstas na convenção
coletiva da categoria, inclusive reajuste salarial de 5,8% a partir
de dezembro de 2004, vale-refeição e cesta básica.
A sentença da 4ª Vara do Trabalho do Recife (PE) concedeu
parte dos pedidos aos empregados. A Varig, em recuperação
judicial, entrou com recurso ordinário no TRT-PE. A empresa
alegou incapacidade econômico-financeira e usou o artigo 503
da CLT, que permite a redução dos salários em
até 25% em caso de força maior ou prejuízos
devidamente comprovados da empresa.
O TRT-PE acatou os argumentos da Varig e julgou improcedente a ação
do sindicato, que recorreu ao TST.
A entidade representativa dos empregados sustentou que o artigo
503 da CLT e a Lei 4.923/65, que autorizam a redução
de salários, foram substituídos pela regra geral da
irredutibilidade salarial inserida pelo artigo 7º, inciso VI,
da Constituição Federal.
Segundo a interpretação do sindicato, a Constituição,
em seu artigo 8º, somente admite a diminuição
de salário mediante negociação coletiva sindical.
Mas os argumentos não foram aceitos pelo ministro Barros
Levenhagen, relator do processo no TST, que negou o recurso.
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Diário Vermelho, 22 de setembro
de 2007
Previdência: Déficit
cai 20% com aumento do emprego formal
O déficit da Previdência Social caiu 20,4% em agosto,
em relação ao mesmo período do ano passado, fechando
o mês em R$ 2,58 bilhões – em agosto de 2006 foi
de R$ 3,249 bilhões. Segundo o secretário de Políticas
de Previdência, Helmut Schwarzer, foi a maior queda mensal da
história.
Para Schwartzer, o desempenho é justificado pelo aumento
do número de empregos com carteira assinada, que levou ao
crescimento da arrecadação, que aumentou 11,2%, na
comparação com agosto de 2006 e 3,8% em relação
a julho. A arrecadação da Previdência também
atingiu um recorde no mês passado, de R$ 11,68 bilhões,
acima dos R$ 11,26 bilhões de julho.
Em agosto, as despesas com benefício cresceram 3,8%, somando
R$ 14,270 bilhões. Segundo Schwarzer, os gastos estão
controlados graças a uma melhor gestão na concessão
dos benefícios, principalmente o auxílio doença,
que desde 2005 tem passado por novos procedimentos de perícia
médica.
" No curto prazo, a melhora na arrecadação tem
permitido ao INSS absorver de forma confortável o aumento
do valor do salário mínimo, que impacta diretamente
as despesas", declarou o secretário.
Schwarzer destacou também o aumento da formalização
de mão-de-obra no mercado de trabalho. Segundo ele, somente
em agosto cerca de R$ 350 milhões a mais na arrecadação
vieram das contribuições previdenciárias das
empresas privadas ao INSS. As empresas recolhem porcentual de 20%
sobre a folha de salários ao INSS, mensalmente.
No período acumulado de janeiro a agosto, o resultado negativo
do INSS é R$ 26,957 bilhões, o que representa um crescimento
de 0,5% na comparação com o mesmo período do
ano passado, quando o déficit atingiu R$ 26,811 bilhões.
Da redação, com agências
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Diário Vermelho, 22 de setembro
de 2007
MEC atende à pressão
da Contee e reativa Comissão do ProUni
Após forte pressão das entidades
educacionais, entre elas a Contee (Confederação
Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino),
o Ministério da Educação decidiu
finalmente reativar a Conap (Comissão Nacional
de Acompanhamento do ProUni).
Reunião pautou também mercantilização
do ensino Em reunião realizada no dia 13 de setembro, em Brasília,
a Comissão retomou suas atividades acompanhamento e exercício
de controle social sobre os procedimentos do Programa Universidade
para Todos ProUni, interagindo com a sociedade civil, por meio do
recebimento de queixas, denúncias, críticas e sugestões,
que serão encaminhadas à Secretaria de Educação
Superior do MEC (Sesu).
Representando a Contee, estiveram presentes o Secretário
de Assuntos Educacionais da entidade, José Thadeu Almeida,
e a Secretária de Comunicação Social, Maria
Clotilde Lemos Petta. Além de representantes de entidades
a UNE e a Ubes.
O encontro foi considerado produtivo, apresentando a perspectiva
concreta de uma nova fase no funcionamento da Comissão, buscando
efetivamente o cumprimento do objetivo para o qual foi criada: o
acompanhamento social e aperfeiçoamento do ProUni.
Apresentação de Dados
Após a abertura feita pelo professor Ronaldo Mota, secretário
da Sesu, a reunião foi coordenada pela professora Iguatemy
Maria de Lucena Martins, diretora do Depem (Departamento de Projetos
Especiais do MEC). Primeiramente, Paula Branco de Melo, coordenadora-geral
de Projetos Especiais da Sesu, apresentou os dados sobre o ProUni,
mostrando que, até o momento, após o quinto processo
seletivo (2007), o Programa já atendeu a 306.000 estudantes,
atingindo 1.514 IES.
Destacou ainda que 45% dos bolsistas são afro-descentes, índios
ou pardos, e que 90% são oriundos de escolas públicas.
Lembrou que a aprovação do chamado ‘Projeto FIES’ possibilitará um
crescimento no número de IES adeptas do Programa. O referido
Projeto prevê quando necessário as universidades privadas,
após refinanciarem suas dívidas com a União, poderão
aderir ao ProUni. Com isso, a meta é ofertar mais 180.000 bolsas
em 2008.
Em seguida, Iguatemy iniciou o debate afirmando que o ProUni entra
agora numa segunda fase, cuja prioridade é aperfeiçoar
os mecanismos e instrumentos de avaliação e fiscalização,
no sentido de evitar as fraudes e garantir que o Programa cumpra
sua missão.
Mercantilização do Ensino
Durante o debate, o diretor da Contee, José Thadeu Almeida,
denunciou, em fala contundente, o processo de mercantlização
da Educação e defendeu a urgência de novos mecanismos
de fiscalização e controle no setor. Segundo ele “o
projeto de conversão das dívidas das IES privadas em
bolsas do ProUni pouco adiantará se não houver um protocolo
de intenções de mudanças de gestão, a
fim de evitar que essas dívidas se acumulem novamente”,
disse.
O dirigente afirmou também que “na medida em que o
ProUni estimula a entrada da população de baixa renda
nas IES privadas, é responsabilidade do governo garantir uma
gestão interna responsável e democrática. Além
da qualidade de ensino, por meio de mecanismos de fiscalização
eficientes, que cobrem, em curto prazo o compromisso destas instituições
no atendimento de parâmetros mínimos de qualidade e
compromisso social”.
Concordando com a análise do representante da Contee, Iguatemy
reafirmou a intenção de aperfeiçoar o controle
por meio da formação de uma Comissão que vai
inspecionar ‘in loco’ IES selecionadas por amostragem – a
partir de denúncias devidamente embasadas. Segundo ela, terão
atenção especial as IES que apresentam repetidamente
um número excessivo de vagas ociosas.
Cortina de fumaça
A secretária da Contee, Maria Clotilde Lemos Petta também
chamou atenção da Comissão para uma noticia
publicada no jornal O Estado de São Paulo, que afirma que
algumas faculdades privadas oferecem bolsas de estudo para mais de
50% de seus alunos.
A dirigente reforçou a necessidade de avaliação
desta informação, especialmente no que tange a sua
relação com o financiamento público destas instituições,
como acontece no ProUni. Maria Clotilde apontou a possibilidade destes
descontos, na verdade, serem um mecanismo para “maquiar o valor
real das mensalidades, buscando, com isso, tomar como base de cálculo
para as bolsas parciais do ProUni um valor maior de mensalidade – sem
o “desconto” ofertado à maioria dos estudantes”,
ressaltou.
Defendeu ainda a proposta das entidades estudantis de realizar um
encontro de estudantes do ProUni, com o objetivo de avaliar o Programa
sob a ótica dos que fazem parte dele diretamente. A representante
do MEC se comprometeu a encaminhar a proposta ao Ministro Fernando
Haddad.
Compromisso do MEC
Por fim, além de apresentar uma proposta de regimento de
funcionamento da Conap (a ser discutido na próxima reunião),
houve o compromisso por parte dos representantes do MEC de que haverá continuidade
no funcionamento da Comissão.
As reuniões do grupo passarão a ser trimestrais, estabelecendo
uma nova fase de aperfeiçoamento do ProUni, voltada ao compromisso
com a qualidade e conseqüentemente com a ampliação
de seus mecanismos de fiscalização.
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Congresso em Foco, 22 de setembro de 2007
Oposição quer parar
o País
Ao tentar impedir as votações,
a oposição tenta vender a idéia de que nada
funciona, que a crise política voltou e que o governo não
governa, mas só aumenta a descrença na política,
escreve Flávio Dino.
Obstrução contra
o país
Flávio Dino*
As últimas quatro semanas, embora de intenso trabalho, foram
quase perdidas na Câmara dos Deputados se as avaliarmos em
termos de resultado prático. A Casa não conseguiu votar
quase nada, impedida por uma obstrução parlamentar
sem limites e sem trégua promovida pelos deputados da oposição,
como se houvesse direito ilimitado na democracia.
Havia uma série de medidas provisórias que precisavam
ser votadas com urgência para destrancar a pauta do Plenário
e permitir, assim, a votação da CPMF, bem como, de
projetos de lei e outras proposições nascidas na própria
Câmara. Dentre essas MP's estavam a 379, que altera o Sistema
Nacional de Armas, a 380, que institui o Regime de Tributação
Unificada, e a 383, que cria o Programa Nacional de Segurança
Pública com Cidadania, o Pronasci. Ou seja, todas abordando
temas de grande interesse da sociedade.
Mas a importância nacional dos temas não mudou a postura
dos deputados da oposição. Em alguns dias ficamos até as
duas horas da madrugada discutindo o nada, paralisados em discussões
em torno do regimento interno da Câmara.
O objetivo central dessa obstrução relacionava-se
diretamente com a prorrogação da CPMF. Respeito, e é totalmente
legítimo que a oposição exerça seu direito
de manifestar-se contra essa proposta, de ir à tribuna protestar
e tentar mobilizar a sociedade nesse sentido. Não se trata
aqui, portanto, de deslegitimar a atuação da oposição.
Nosso apelo é pela racionalidade no embate parlamentar: o
resultado da votação, 338 votos a 117 a favor da prorrogação
da CPMF, por si só demonstra que não havia sentido
em se adiar por tantas semanas o que uma maioria tão clara
já havia definido. É uma questão matemática:
a oposição, em minoria, não tinha como superar
esses votos. Nesses momentos, nosso parâmetro precisa ser o ônus
para a Câmara e a sociedade; não podemos impedir indefinidamente
a votação de outras matérias importantes.
Justificou-se a aceitação de tantas obstruções
com a legitimidade da minoria política. Mas é preciso
lembrar que a minoria não tem poderes divinos nem ditatoriais
para impor a sua vontade e paralisar o processo decisório
na Câmara dos Deputados. A obstrução parlamentar é um
mecanismo legítimo utilizado em todos os Parlamentos do mundo,
só que ela não se dá sem regras, sem freios
nem limites. Por exemplo, nos Estados Unidos, o “fillibuster” – prática
de obstrução parlamentar – cessa quando 60% do
parlamento solicitam o encerramento da discussão, o que viabiliza
a votação da matéria em debate.
É verdade que a maioria não pode esmagar a minoria.
Mas é verdade também que a minoria não pode
sabotar a maioria que se estabeleceu no Congresso Nacional pela vontade
do povo. Maioria e Minoria, nem um nem outro podem tudo. O que define
os limites de cada um são as regras do jogo, que não
legitimam o vale-tudo.
O que justifica a apresentação sucessiva de requerimentos
de adiamento, de retirada de pauta, de quebra de interstício
para votação nominal e vários outros artifícios
para impedir as votações? De outra face, o que justifica
judicializar-se a disputa interpretativa acerca dos regimentos internos
das Casas parlamentares, contrariando jurisprudência de décadas?
Talvez o propósito de paralisar a discussão dos temas
reais, evitando-se, assim, que o Parlamento decida para, artificialmente,
dar a idéia de que nada funciona, que a crise política
voltou e que o governo Lula não governa.
Só que a conseqüência de tudo isso é a
deslegitimação e a descrença na política
e na própria instituição parlamentar. Precisamos
ter a grandeza de fazer a disputa parlamentar, mas colocando em primeiro
plano o interesse do Brasil. Por isso, apelamos para que, na próxima
semana, a oposição não repita a mesma tática
em relação às 65 emendas que já existem à proposta
da CPMF.
Temos uma agenda a cumprir, em nome da população que
quer e precisa que o serviço público funcione. Vamos,
então, com essa consciência, ao debate de conteúdo
e de mérito das proposições que aguardam na
pauta, sejam elas medidas provisórias ou não. Não
podemos ignorar a magnitude de temas como a saúde, a defensoria
pública ou a reforma política, que aguardam votação.
Não podemos concordar com obstruções contra
o país.
*Flávio Dino, 39 anos, é deputado
federal pelo PCdoB do Maranhão. Ex-juiz federal e ex-presidente
da Associação dos Juízes Federais do Brasil
(Ajufe), é titular da Comissão de Constituição
e Justiça e Cidadania da Câmara dos Deputados.
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STF, 22 de setembro de 2007
Internet do Judiciário passará de
.gov para .jus
Vai entrar no ar o domínio de internet "jus.br".
Em resolução aprovada na última sessão
(11/9) plenária do Conselho Nacional de Justiça (CNJ),
os conselheiros decidiram que os endereços dos portais e
sítios dos órgãos do Judiciário assumirão
o novo domínio. A medida, que garantirá a integração
e a padronização dos nomes eletrônicos de quase
cem tribunais em todo o país, contribuirá tanto para
a segurança do sistema quanto para o aperfeiçoamento
da celeridade jurisdicional e valorização da independência
dos Poderes, princípio federativo consagrado na Constituição.
De acordo com a Resolução nº 41, publicada no
dia 14 de setembro, caberá ao Conselho gerir a implementação
do modelo de gestão e o estabelecimento das diretrizes e normas
voltadas para a integração e unificação
dos sítios eletrônicos. Outra prerrogativa do CNJ será a
de acompanhar, analisar e controlar a concessão dos domínios às
instituições do Judiciário.
Em 30 dias, a Secretaria-Geral do CNJ estabelecerá as normas
que orientarão a implementação da iniciativa,
a estrutura da padronização e o gerenciamento do sistema,
bem como a lista unificada dos endereços eletrônicos
do Poder Judiciário. A partir do dia 11 de outubro, será iniciada
a migração das páginas com extensão "gov.br" para
o domínio "jus.br". Os sítios oficiais continuam
a ser acessados pelo mesmo nome, mas quem digitar o novo endereço
será remetido ao endereço antigo.
Os serviços de registro e publicação dos domínios ‘jus.br''
ficarão a cargo do Comitê Gestor da Internet no Brasil
(CGI-BR), por meio do Núcleo de Informação e
Coordenação do ponto BR (NIC-BR). Caberá ao
CNJ o monitoramento e autorização dos endereços.
Mais que alterar os nomes oficiais associados à Justiça,
a medida trará principalmente segurança para os ambientes
eletrônicos da Justiça. O assessor institucional do
CNJ, Pedro Paulo Lemoa Machado, avalia que a iniciativa configura
um grande ganho para o Judiciário, especialmente quanto à confiabilidade
das informações nos portais.
Lemos explica que o CNJ obteve junto ao Comitê Gestor de Internet
no Brasil a obrigatoriedade de agregar o sistema DNSSEC o domínio "jus.br".
Trata-se de um padrão internacional que amplia a tecnologia
DNS e de um sistema de resolução de nomes mais seguro,
reduzindo o risco de manipulação de dados e roubo de
informações de terceiros. "Esse sistema coibirá os
recorrentes ataques de hackers às páginas oficiais,
invasões que trazem insegurança e abalam a confiabilidade
dos serviços, como já aconteceu nos portais do TSE
e STJ", ressalta. O mecanismo utilizado é baseado na
tecnologia de criptografia de chaves públicas.
Para o uso adequado da ferramenta DNSSEC e a correta implantação
dos novos domínios, o CNJ assegurou com o Comitê Gestor
da Internet no Brasil a realização de cursos voltados
aos técnicos dos tribunais de justiça do país.
Em data ainda a definir, os treinamentos serão geridos pelo
Núcleo de Informação e Coordenação
do ponto BR, com três vagas destinadas a cada tribunal.
Segundo Pedro Paulo, essa ação do CNJ retoma a Resolução
nº 12 do órgão, que criou o Banco de Soluções
do Poder Judiciário, objetivando conferir mais celeridade à prestação
jurisdicional, além de "auxiliar no processo de modernização
da Justiça, a exemplo do Projudi, prerrogativa institucional
do Conselho."
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Agência Brasil, 22 de setembro de
2007
Apenas três árvores
retiradas de um hectare de floresta na Amazônia podem render
US$ 20 mil, calcula ONG
José Carlos Mattedi
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Para o Instituto Homem e Meio Ambiente na Amazônia
(Imazon), o anúncio ontem (21) da primeira área pública
a ser licitada para concessão, a Floresta Nacional (Flona)
do Jamari, em Rondônia, pelo Ministério do Meio Ambiente
(MMA), vai contribuir para criar condições de sustentabilidade
na região.
De acordo com o pesquisador sênior do Imazon, Adalberto Veríssimo,
o processo de concessão é uma medida importante, “pois
vai utilizar no máximo 5% do território da Amazônia”.
Nos cálculos dele, a retirada de apenas três árvores
em um hectare (área equivalente à de um campo de futebol)
pode render até US$ 20 mil, tão alto é o valor
da madeira amazônica no mercado.
“É uma área pequena, que, se bem implementada,
vai contribuir para reduzir a extração de madeira ilegal. É uma
alternativa ao modelo de exploração predatória
que hoje predomina na Amazônia, e vai gerar renda às
pessoas que vivem da floresta”, ressalta Veríssimo.
Segundo o Imazon, a economia florestal na Amazônia Legal representa
15% do Produto Interno Bruto (PIB) regional, e emprega mais de 400
mil pessoas.
Veríssimo diz não ter dúvida que as concessões
vão render alto retorno financeiro aos vencedores das licitações
para exploração das Florestas Nacionais (Flonas). “O
segmento é muito rentável. As exportações
de produtos madeireiros quadruplicaram nos últimos anos. O
Brasil só não exportava mais porque não havia
essa lei (Lei de Gestão de Florestas, publicada em março
deste ano). Ela vai permitir que a madeira seja legalizada, que tenha
um selo. As concessões são atraentes para o setor privado,
e não há risco de falta de viabilidade econômica”,
assegura.
Segundo ele, vários tipos de atividades podem ser desenvolvidas
nas florestas licitadas: madeira, castanha, borracha, frutos (açaí,
cupuaçu) etc. “É o que chamamos de manejo múltiplo,
que tenta aproveitar da floresta não só a madeira,
que por enquanto é o 'carro chefe' pelo alto valor que tem
no mercado e pela enorme demanda. Mas há outros produtos”,
pontua. “O que a economia da região precisa é passar
de um padrão, que ainda é ilegal e predatório,
para uma escala legal dominante, e que se consiga agregar mais valor à madeira,
produzindo móveis, portas, pisos, etc. É importante
industrializar a madeira.”
De acordo com o pesquisador, o plantio de frutíferas só funciona
com a “floresta em pé”, devido à sombra
e o ambiente úmido. “O que é recomendável é enriquecer
a floresta nativa com as espécies frutíferas",
diz ele. "A madeira, em geral, vai ser mais competitiva que
a maior parte dos frutos que se tenha na floresta. A não ser
que se faça um plantio homogêneo de uma fruta, o que
não é recomendável, pois na Amazônia não
dá para se fazer monocultura”, destaca.
Veríssimo observa que, o ideal é aproveitar a renda
que a floresta gera com madeira e agregar produtos como bacuri, pequiá,
açaí, cupuaçu, etc. “Como eles não
competem com a madeira, podem estar num mesmo hectare. Aí se
amplia a renda da floresta. Quando se somar madeira com os frutos
da floresta, será possível concorrer com a pecuária
e a agricultura, que desmatam”, assegura.
Ele não vê problema na entrada do capital internacional
nas Flonas. Para o pesquisador do Imazon, o mais importante é que
a floresta vai continuar sendo “eternamente pública”,
com o patrimônio ambiental permanecendo na mão do estado
brasileiro. “A medida do MMA é nacionalista, pois mantém
o controle do patrimônio mas permite que o capital, nacional
e internacional, se associem para fazer investimentos na floresta”.
Por fim, ele assinalou que um dos maiores riscos que a Amazônia
Legal enfrenta, atualmente, são as estradas vicinais. Segundo
Veríssimo, um mapeamento feito pelo Imazon mostra que são
mais de 300 mil quilômetros de estradas que penetram a floresta,
geralmente feitas por madeireiros e grileiros, que especulam sobre
as terras públicas. “Essas artérias que rasgam
a floresta, tem sido o grande vetor do processo de desmatamento predatório.
Algumas tem até 500 quilômetros de extensão”,
sublinhou.
O Imazon é uma instituição de pesquisa, sem
fins lucrativos, fundada em 1990. Tem como objetivo promover o desenvolvimento
sustentável na Amazônia por meio de estudos, apoio à formulação
de políticas públicas, disseminação ampla
de informações e formação profissional.
Sua sede fica em Belém (PA).
A unidade de conservação do Jamari tem 220 mil hectares
de extensão, dos quais 90 mil serão alvo da concessão.
A exploração da floresta prevê pagamento pelo
usos dos recursos naturais e manejo sustentável, que é a
retirada de uma quantidade de produtos que não prejudiquem
a recuperação da mata. Dentro da área podem
ser explorados madeira, frutos, sementes, resinas, óleos etc.
Também serão permitidas atividades de serviços
como turismo ecológico.
A licitação irá levar em contra os critérios
de preço e técnica. Danificar o menor número
de árvores e criar o maior número de empregos diretos,
por exemplo, são itens que podem fazer a diferença
na pontuação entre os concorrentes. A concessão
de florestas públicas pode ser liberada por um período
que vai de cinco a 40 anos. Podem participar das licitações
empresas brasileiras, independentemente da origem do capital, desde
que estejam instaladas no país.
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Agência Brasil, 22 de setembro de
2007
Previdência adia
para 2009 a aplicação do Fator Acidentário
de Prevenção
Wellton Máximo*
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Os empregadores que investem na segurança
dos funcionários – e estavam na expectativa de pagar
menos para financiar os benefícios concedidos pelo Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS) a quem sofreu acidente de trabalho – terão
de esperar mais um ano. O Ministério da Previdência
decidiu prorrogar para janeiro de 2009 a entrada em vigor do fator,
que pode reduzir a alíquota do Seguro de Acidente de Trabalho
(SAT).
A decisão foi confirmada na última sexta-feira (21)
pelo secretário de Políticas de Previdência Social
do ministério, Helmut Schwarzer. Na próxima semana,
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinará decreto
para oficializar o novo cronograma de implementação
da medida, que passaria a valer no início de 2008.
Dependendo do risco da atividade exercida, as empresas atualmente
pagam alíquotas de 1%, 2% ou 3% sobre a folha salarial para
financiar o Seguro de Acidente de Trabalho (SAT), que cobre as aposentadorias,
pensões e auxílios de quem precisou se afastar do emprego
por acidente de trabalho. Com o Fator Acidentário de Prevenção
(FAP), essa alíquota poderia ser reduzida ou aumentada, conforme
o total de ocorrências dentro de uma empresa.
O empregador que estimula a prevenção de acidentes
e registra índices inferiores à média do setor
em que atua poderá ter, com o FAP, a alíquota reduzida à metade – para
0,5%, 1% ou 2%. Da mesma forma, a empresa com ocorrências acima
do normal será punida e terá a alíquota dobrada – para
2%, 4% ou 6%.
Embora tenha sido criado por lei em 2003, o mecanismo só foi
regulamentado neste ano por um decreto que agora perderá a
validade e será substituído. Com o adiamento, os empregadores
ganharam mais tempo para analisar os registros que servirão
para definir se o índice de acidentes na empresa está acima
da média do setor e, se necessário, recorrer contra
o fator estabelecido pelo governo.
Segundo o secretário Helmut Schwarzer, o adiamento foi necessário
para evitar futuras complicações judiciais: “Se
o mecanismo fosse aplicado da forma como está, as empresas
contestariam a aplicação do fator e, em vez de estimular
a preocupação com a saúde do trabalhador, o
governo abriria caminho para uma série de ações
na Justiça”.
Outro motivo, explicou, foi um pedido da Receita Federal do Brasil – também
conhecida como Super Receita e responsável pela arrecadação
dos recursos do INSS –, de mais prazo para concluir o cadastro
das novas alíquotas. “Cada empresa terá uma alíquota
específica, então o trabalho para mudar os dados de
todas as empresas do país é muito extenso”, informou.
Segundo os resultados da Previdência Social referentes a agosto,
apresentados na sexta-feira (21), foram pagos 770.036 benefícios
(entre aposentadorias, auxílios e pensões) relacionados
a acidentes de trabalho. O volume representa 5,8% a mais que os 727.756
benefícios pagos no mesmo mês do ano passado.
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Agência Brasil, 22 de setembro de
2007
Sindicalistas querem revisão
da política econômica para aumentar de empregos
no país
Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - A Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST),
em conjunto com outras entidades sindicais e da sociedade civil,
lançou no dia 20, no Clube de Engenharia, no Rio de Janeiro, à Campanha
Nacional pelo Pleno Emprego. O objetivo é criar um espaço
de debate sobre o modelo econômico existente no Brasil, como
explicou o diretor de Comunicação e Relações
Internacionais da NCST, Sebastião Soares. Ele destacou a “necessidade,
por exemplo, de se inverter a formação do superávit
primário em benefício da criação de empregos”.
O projeto visa rever a política macroeconômica brasileira
para reduzir a taxa de juros no país e aumentar o investimento
estatal na geração de emprego. “Porque a constatação é que
o fundamental para o país é a criação
de emprego. Esse é um grande gargalo existente. Uma taxa de
10% de desemprego no país é muito elevada. Então,
a criação de mais empregos significaria o aquecimento
do mercado interno, significaria o crescimento da economia. E não é inventando
nada. É algo que já foi feito em quase todos os países
desenvolvidos do mundo”, explanou Sebastião Soares.
A campanha tem como meta angariar 1,3 milhão de assinaturas
para que o Projeto de Lei de Iniciativa Popular do Pleno Emprego
possa ser levado ao Congresso Nacional. O diretor da NCST revelou
que serão criadas coordenações em vários
Estados nas principais regiões do país. O projeto prevê,
inclusive, a realização de eventos em algumas assembléias
legislativas, para que essas casas sejam o centro da coleta das assinaturas,
visando também o envolvimento da Frente Parlamentar pelo Pleno
Emprego, já constituída e que dará suporte no
desenvolvimento da campanha.
O próximo encontro para lançamento do projeto está programado
para Brasília, em outubro, em data ainda a ser fixada. Até o
final do ano, serão efetuadas reuniões com o mesmo
objetivo em São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG) e Curitiba
(PR). A idéia é que no início da legislatura
de 2008, entre os meses de março e junho, a coleta de assinaturas
esteja concluída e o Projeto de Lei de Iniciativa Popular
do Pleno Emprego já possa ser encaminhado à Câmara
e ao Senado.
Um dos formuladores teóricos do projeto é o economista
Márcio Pochmann, atual presidente do Instituto de Pesquisas
Aplicadas (Ipea). Hoje (21), após participar da assinatura
de convênio no rio, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse
que apóia a campanha pela mobilização do pleno
emprego. “Sou a favor. Eu acho que essa campanha é muito
positiva para a sociedade porque todo trabalhador quer ter o seu
emprego, mas com seus direitos reconhecidos. Dentro do Ministério
do Trabalho, nós defendemos muito os direitos dos trabalhadores”,
afirmou.
O ministro analisou que a Consolidação das Leis do
Trabalho(CLT), criada pelo ex-presidente Getúlio Vargas há meio
século, “ainda está muito atual". "Não
se encontrou uma fórmula mais eficiente de garantir àqueles
que precisam ter os seus direitos preservados que a CLT”.
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Gazeta do Povo, 22 de setembro de 2007
BRASIL | PARALISAÇÃO
Greve dos Correios chega ao fim
Curitiba – No fim da tarde de ontem, os estados de São
Paulo, Piauí e Ceará aceitaram a proposta da Empresa
Brasileira de Correios e Telegráfos (ECT) e fecharam o número
exigido para o acordo coletivo. Dos 33 sindicatos, 18 rejeitaram a
greve. Os empregados da estatal irão receber reajuste de 3,74%,
abono de R$ 500, aumento linear de R$ 60 em janeiro, vale-alimentação
extra de R$ 391 em dezembro, inclusão dos pais de novos funcionários
no plano de saúde e auxílio-creche para até 7
anos, além da não-reposição dos dias de
paralisação.
Hoje, haverá assembléia em Curitiba, às 10
horas, para comunicar os servidores, mas a orientação
do Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (Sintcom-PR) é de
que voltem a trabalhar com uma tarja preta, em sinal de repúdio
a proposta aceita. A normalização da entrega das correspondências
deverá iniciar na segunda-feira.
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Gazeta do Povo, 22 de setembro de 2007
POLÍTICA | ELEIÇÕES
MP já está de olho
em propaganda “pré-eleitoral”
Publicidade fora do tempo pode
resultar em perda da candidatura
por DANIELA NEVES
Aniele Nascimento/GP

Néviton de Oliveira Batista Guedes, procurador regional eleitoral
no Paraná
O Ministério Público Eleitoral está de olho em
pré-candidatos às eleições municipais de
2008 que já estejam fazendo divulgação pessoal
ou propaganda eleitoral antes do tempo. Mesmo 2007 não sendo
ano de eleição, todos os que pensam em concorrer a um
cargo eletivo precisam obedecer regras para não correrem risco
de ter seus registros de candidatura impugnados por desvios de conduta
no período pré-eleitoral.
De acordo com o procurador regional eleitoral no Paraná,
Néviton de Oliveira Batista Guedes, é justamente nessa época
anterior ao ano eleitoral que o MP precisa estar atento. “Durante
a campanha, todos os olhos e atenções estão
em cima dos candidatos. Eles próprios denunciam os abusos”,
diz Guedes.
A maior parte das denúncias de compra de votos, com distribuição
gratuita de bens pela administração pública,
são mais freqüentes em pequenos municípios. Nessas
situações, apenas a comprovação de um
caso de troca de favores, ou bens por voto, já é suficiente
para impugnar o registro de candidatura, cassá-lo se já tiver
registrado, ou mesmo cassar o mandato, se já estiver empossado.
Mas há outros tipos de comportamentos, menos explícitos,
que podem configurar propaganda antes do período eleitoral – o
que também é vedado aos pré-candidatos. “A
lei não veda ao agente público que faça propaganda
pessoal. Pode ser feita, mas não às custas do dinheiro
público”, diz Guedes.
Ele diferencia a propaganda pessoal – feita pelos políticos
para prestar contas de um mandato – da propaganda eleitoral,
com pedido explícito de votos (esta só poderá ser
feita depois de 6 de julho) e da propaganda institucional, realizada
por prefeituras nos veículos de comunicação.
O parágrafo 1.º do Artigo 37 da Constituição
Federal diz que a “publicidade dos atos, programas, obras,
serviços e campanhas dos órgãos públicos
deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação
social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou
imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades
ou servidores públicos”.
De acordo com o procurador eleitoral, cada caso precisa ser analisado,
mas muitas vezes somente um olhar técnico é capaz de
identificar a propaganda eleitoral antes do tempo. “Há uma
linha muito tênue entre promoção pessoal e eleitoral.
Quando a propaganda oficial não é feita com caráter
informativo, feita pura e simplesmente para promoção
pessoal, pode ser considerada eleitoral”, diz o procurador.
Para Guedes, o mesmo caso se aplica em situações que
o governante não será candidato, mas promove, nos meios
oficiais de comunicação, aliados que pretendem disputar
as eleições. Se detectados abusos, o MP Eleitoral pode
tomar providências.
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Folha de Londrina, 22 de setembro de 2007
Seu Direito: TEMPO DE TRABALHO
Trabalhei desde criança na zona rural como
colono, ajudando meus pais em uma fazenda. Ninguém
da minha família era registrado. Permaneci por vários
anos nesta condição. No final dos anos 70,
mudei para a cidade, passando a trabalhar na zona urbana,
onde sou registrado em carteira profissional há mais
de 25 anos. Sei que existe a possibilidade de contar este
tempo de trabalho na lavoura para minha aposentadoria.
A partir de que idade o trabalho na zona rural será reconhecido
para fins de aposentadoria?
O segurado que trabalhou nestas condições tem direito à contagem
deste tempo de serviço para fins de aposentadoria perante
o INSS desde que preenchidos alguns requisitos exigidos pela legislação
previdenciária.
O obreiro precisa possuir documentos públicos e/ou particulares
em seu nome ou em nome de terceiros, como membros da família
(pais, irmãos e/ou cônjuge), emitidos na época
em que laborou na lavoura, que constem a sua profissão de
lavrador/agricultor.
É necessário também a oitiva de testemunhas
que presenciaram o segurado trabalhando na lavoura, durante este
período. No caso de trabalhadores bóias-frias, alguns
tribunais têm decidido que basta a prova testemunhal, sendo
dispensável a prova documental.
No presente caso, grande parte das decisões são no
sentido de que, para fins de aposentadoria, o trabalhador rural tem
direito ao computo deste período desde os 14 anos de idade,
independentemente da existência de recolhimentos.
No entanto, nossos tribunais têm se curvado ao entendimento
de que o trabalho campesino pode ser reconhecido já a partir
dos 12 anos de idade, desde que preenchidos os requisitos acima.
Fábio Antonio da Silva Martin, advogado
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Folha de São Paulo, 22 de setembro
de 2007
Ciro defende CPMF e diz que "branco
não quer pagar imposto"
Ex-ministro declara, na Assembléia
do Piauí, que "acabar com a contribuição é acabar
com o programa Bolsa Família"
Deputado federal pelo PSB do Ceará volta
a admitir que é candidato à sucessão de Lula
em 2010, mas que não quer antecipar as discussões
DA AGÊNCIA FOLHA, EM FORTALEZA
O deputado federal e ex-ministro da Integração Nacional
Ciro Gomes (PSB) fez ontem uma forte defesa da CPMF (Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira). Para
ele, "a CPMF é assunto de branco que não quer
pagar imposto, para que o povo perca o Bolsa Família": "Se
acabar a CPMF, acaba o Bolsa Família. Isso é o que
eles [a oposição] querem e não têm coragem
de dizer", disse Ciro em Teresina.
O projeto do Planalto, aprovado em primeira votação na
Câmara por por 338 votos a 117, prorroga a cobrança da
CPMF com alíquota de 0,38% até 2011. O governo federal
espera arrecadar quase R$ 40 bilhões em 2008 com a contribuição.
Ciro fez uma palestra na Assembléia Legislativa do Piauí em
homenagem aos 60 anos de fundação de seu partido, o PSB.
A jornalistas ele voltou a admitir que pode ser candidato a presidente
em 2010, mas não quer iniciar a discussão sobre sucessão
presidencial agora: "Eu não seria sincero em afirmar que
não sou candidato, mas, com a experiência que tenho, também
não seria justo falar de sucessão presidencial, já que
estamos apenas nos primeiros nove meses do segundo mandato do presidente
Lula, e nosso objetivo é contribuir para que faça um
bom trabalho".
Ciro já foi candidato a presidente em 1998 e em 2002 e disse
que isso por si só demonstra seu desejo de governar o país.
Ele lidera, no Congresso, o bloco formado por PSB, PDT, PC do B, PRB,
PHS e PMN, que discute uma candidatura própria em 2010: "Acho
absurdamente um desserviço ao país se discutir eleição
quando o presidente não inteirou nem nove meses de quatro anos
de governo".
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Folha de São Paulo, 22 de setembro
de 2007
PREÇOS
Tarifa de ônibus
sobe mais de 110% desde 2001, diz FGV
DEISE DE OLIVEIRA
DA FOLHA ONLINE
As tarifas de ônibus urbano lideram o aumento de preço
do transporte público no país entre janeiro de 2001
e agosto de 2007, com alta de 110,61%. Segundo estudo divulgado ontem
pela FGV (Fundação Getulio Vargas), todas as categorias
de transporte público, com exceção das barcas,
tiveram reajuste de tarifas superior à inflação
medida pelo IPC (Índice de Preços ao Consumidor) no
período, de 54,92%.
Os trens ficaram 94,04% mais caros entre 2001 e agosto de 2007, o metrô,
82,61%, o táxi, 72,86%, o transporte escolar, 64,94%, o ônibus
interurbano, 63,75%, e as barcas, 49,65%.
Segundo a pesquisa realizada pelo economista André Braz, do
Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) da FGV, os gastos com transporte
público comprometem cerca de 6% do orçamento doméstico
entre 1 e 33 salários mínimos.
" Para famílias com renda entre 1 e 2,5 salários, os gastos
com transportes saltam de 6% para 12%. O transporte público é uma
despesa que pesa e restringe o orçamento familiar", explica Braz.
A pesquisa leva em conta preços de sete cidades: Rio de Janeiro, São
Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, Salvador e Recife.
O destaque nos gastos com transporte público é o ônibus
urbano, que responde, em média, por 70% da despesa das famílias
com deslocamento. Para Braz, o aumento acumulado na tarifa do ônibus
público urbano entre 2001 e agosto de 2007 pode ser explicado
pelo reajuste de 149% no óleo diesel no mesmo período.
" O óleo diesel é o principal combustível usado pela
frota de ônibus. Mas o setor também tem uma estrutura muito pesada,
com salários e pessoal, que aumenta o custo", diz o economista.
Neste ano, até agosto, a tarifa do transporte público
acumula alta de 2,16% -ante IPC medido pela FGV de 3,23%. Para Braz,
o resultado indica a possibilidade de o setor fechar 2007 com a menor
taxa de crescimento dos últimos sete anos.
No acumulado deste ano até agosto, o ônibus urbano subiu
2,66%, o trem urbano, 0,63% e o metrô, 0,16%.
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Revista
Consultor Jurídico, 22 de setembro de 2007
Acordo extrajudicial
Comissão de Conciliação
no trabalho precisa de mudanças
por Leonardo S. Passafaro Júnior
A Comissão de Conciliação Prévia
(CCP), regulamentada no decorrer do ano 2000, foi imaginada
como instrumento capaz de agilizar a solução
de demandas trabalhistas e, por conseguinte, o recebimento,
por parte do empregado de eventuais créditos trabalhistas
que este venha a reclamar da empresa após findo
o contrato de trabalho, substituindo o processo judicial.
No modelo introduzido com a CCP, a simplificação
ocorre uma vez que a “reclamação” é interposta
administrativamente no sindicato, dispensando todo o aparato
judicial necessário à tramitação
de um processo (juiz, fórum, cartorários,
julgamento, execução de sentença etc.).
Entretanto, desde a sua criação até os
dias de hoje, as Comissões de Conciliação
Prévia nem sempre cumpriram seu papel de dar ao
trabalhador o suporte necessário para que este possa
efetivamente ver ressarcidas as diferenças havidas
na vigência do contrato de trabalho. Diversas são
as causas da imperfeição do sistema implantado
com a CCP , o que em muitos casos até inviabilizou
seu funcionamento, conforme se percebe pelo grande número
de categorias profissionais que simplesmente extinguiram
esta Comissão.
Fato é que, devido ao grande número de demandas
ajuizadas anualmente na Justiça do Trabalho, que
acabam por assoberbar esta especializada, o trabalhador
se depara com um longo e penoso caminho até receber
o valor conferido na sentença trabalhista que lhe
for favorável. Essa solução por vezes
se arrasta por vários anos (a média de duração
de uma demanda trabalhista, segundo pesquisas realizadas, é de
quatro anos).
Por conta desta situação, soluções
alternativas são idealizadas no intuito de agilizar
as soluções dos conflitos. Entre as principais
delas, surgiu a CCP como uma forma de se privilegiar a
composição amigável em uma fase pré-processual.
Isso faz com que as partes possam se compor antes do trabalhador
buscar o socorro do Poder Judiciário, o que, em
tese, traria várias vantagens, como a celeridade
no recebimento de seu crédito, fruto do acordo entabulado,
e o menor volume de ações impetradas na Justiça,
o que garante o andamento mais rápido daquelas ações
que não obtiveram acordo na CCP.
Ocorre que, apesar da boa intenção que norteou
a criação das Comissões de Conciliação
Prévia, os resultados alcançados nestes sete
anos de vigência não são muito animadores,
devendo haver uma correção nos rumos tomados
até aqui para um aperfeiçoamento do sistema,
a fim de que realmente este possa cumprir seu papel de
instrumento garantidor dos direitos trabalhistas elencados
nos diplomas legais em vigor, quais sejam, a Constituição,
a CLT e as Convenções Coletivas de Trabalho.
Para tanto, algumas mudanças devem ser realizadas
com urgência, a fim de conferir maior credibilidade às
comissões, trazendo maior segurança jurídica
aos acordos ali entabulados.
De início, apontamos um grande defeito no funcionamento
das comissões que é a não obrigatoriedade
do trabalhador se fazer acompanhar por advogado na audiência
de conciliação. O fato de estar desacompanhado
de um profissional que possa lhe fornecer orientação
técnica na hora de buscar seus direitos deixa o
trabalhador em uma situação totalmente desfavorável
frente à empresa que, fatalmente, estará na
audiência representada por um advogado, desequilibrando
as partes.
O trabalhador não se sente seguro em entabular
um acordo sem o respaldo de um profissional, o que acabou
trazendo descrédito ao sistema. Já por parte
da empresa, esta também não se sente incentivada
a entabular um acordo na comissão, vez que ainda
não existe garantia de que os valores quitados na
conciliação não serão novamente
cobrados judicialmente, o que levaria a empresa a pagar
a mesma coisa duas vezes, o que também acarreta
descrédito ao sistema.
Para tentar melhorar este quadro, está tramitando
pelo Congresso Nacional um projeto de lei que altera alguns
pontos de funcionamento das Comissões de Conciliação,
atacando os pontos falhos observados nos anos de vigência
das mesmas, visando trazer maior credibilidade e eficácia
aos acordos.
Entre as mudanças em estudo, as principais
são:
— Obrigatoriedade da presença de advogado
acompanhando as partes;
— Necessidade de se constituir as comissões
em convenção ou acordo coletivo de trabalho;
— O procedimento de tentativa de conciliação
passa a ser facultativo (o empregado comparece na comissão
se quiser), e não obrigatório como é atualmente;
— As entidades instituidoras das comissões
passam a ser objetivamente responsáveis por danos
civis, materiais ou morais, causados aos acordantes, a
terceiros ou ao Poder Público, em virtude de coação,
simulação ou fraude por parte dos conciliadores;
— A eficácia do termo de conciliação
fica restrita às parcelas e períodos expressamente
consignados.
São estas algumas das principais propostas aguardando
para serem aprovadas pelo Congresso Nacional. Elas visam
alterar o funcionamento das comissões adaptando-as
as necessidades das partes envolvidas no processo. Pode
ser o trabalhador, que espera receber seus créditos
com maior agilidade e menor burocracia e a empresa, que
necessita de segurança para efetuar o pagamento
de um acordo fora do âmbito do Poder Judiciário
sem se preocupar com a possibilidade de ter que arcar com
o mesmo valor novamente em caso de ajuizamento de ação
na Justiça do Trabalho.
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