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Diário Vermelho,
23 de setembro de 2007
Mantega defende atual sistema de cobrança
de impostos
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez na sexta-feira
(21), em cadeia nacional de rádio e televisão, a defesa
do atual sistema de cobrança de impostos. "Está acontecendo
uma transformação positiva em nosso sistema tributário,
que já beneficia milhões de brasileiros e milhões
de empresas", disse o ministro, após apresentar resultados
da política econômica, com melhorias na distribuição
de renda, maior oferta de crédito e a população
sentindo os resultados do crescimento verificado nos últimos
quatro anos e meio.
" O governo do presidente Lula trabalha para cortar
impostos, melhorar a fiscalização e combater
a burocracia e a sonegação", prosseguiu.
Segundo o ministro, o governo conseguiu estimular a economia
e aumentar a arrecadação, ao mesmo tempo
em que cortou R$ 36 bilhões em tributos. Entre
as medidas para estimular a economia, Mantega citou a
redução de impostos "em vários
setores estratégicos para o desenvolvimento econômico
e para o barateamento de produtos essenciais".
Em seu primeiro pronunciamento em rede nacional, Mantega
também disse que o governo reduziu tributos para
máquinas e equipamentos, livros, alimentos da
cesta básica, material de construção
e até para computadores. "Em todos esses
produtos, você paga hoje menos impostos",
disse. Lembrou que o governo revisou duas vezes a tabela
do Imposto de Renda e já aprovou correções
anuais nesta tabela até 2010.
" Outro instrumento muito importante é o
Simples Nacional, que foi implantado este ano através
da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas", comentou.
O Simples Nacional unificou oito tributos – Imposto
sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); Imposto
sobre Produtos Industrializados (IPI) Contribuição
Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); Contribuição
para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS); Contribuição
para o PIS/Pasep; Contribuição para a Seguridade
Social (cota patronal); Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços (ICMS); e o Imposto
sobre Serviços (ISS).
E, segundo Mantega, simplificou a vida do micro e pequeno
empresário porque agora ele só tem que
preencher um único formulário e ressaltou
que o novo sistema já recebeu a adesão
de 2,7 milhões de empresas. "O Simples Nacional
também estimula o fim da informalidade e a legalização
das empresas, o que dá segurança a trabalhadores
e fornecedores", defendeu.
Para o ministro, graças ao crescimento atual,
com conseqüente aumento de arrecadação,
o governo tem recursos para ampliar o Bolsa Família
e outros programas sociais, além de garantir as
aposentadorias e priorizar áreas como saúde
e educação: "Conseguimos a maior queda
na taxa de desemprego, a maior diminuição
da miséria e a maior alta da renda dos brasileiros".
A arrecadação de impostos somou R$ 381,4
bilhões de janeiro a agosto e, a cada mês,
registra um novo recorde. O governo atribui esse crescimento
ao bom desempenho da economia e às medidas – citadas
por Mantega em seu pronunciamento – adotadas para
melhorar a fiscalização e combater a sonegação
de impostos.
O ministro não defendeu a Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira
(CPMF), que nos últimos tempos tem ocupado os
espaços de debate no Congresso Nacional. A proposta
de emenda à Constituição (PEC) que
prorroga a cobrança da CPMF até 2011 foi
aprovada em primeiro turno na Câmara de Deputados – ainda
faltam o segundo turno e duas outras votações
no Senado Federal.
Na quinta-feira, Mantega havia afirmado que "o
problema será no Senado, onde me parece que existe
uma objeção maior", e adiantado que "até onde
eu puder conversar, eu estarei dialogando". Ele
também não citou, no pronunciamento, a
proposta de reforma tributária que o governo pretende
encaminhar ao Congresso Nacional.
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Diário Vermelho,
23 de setembro de 2007
Para o BID, Brasil lidera crescimento
da AL
O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento
(BID), Luis Alberto Moreno, mostrou na sexta-feira (21) o
seu otimismo com o crescimento econômico da América
Latina e apontou o Brasil como líder da região.
Em seu discurso na 11ª Conferência das Américas,
em Miami, Moreno afirmou que, apesar da pobreza que ainda
afeta a América Latina, "há base para
o otimismo".
"É verdade que na América Latina
há desigualdade na distribuição
da riqueza. Mas a realidade mostra que a sua economia
está numa posição firme para lidar
com as tempestades financeiras", avaliou.
Moreno apontou o Brasil como o líder da região,
com um crescimento anual próximo aos 5%. Ao mesmo
tempo, apostou como destaques do próximo ano Peru,
Colômbia e Chile, na América do Sul, e Panamá e
El Salvador, na América Central.
O Brasil, acrescentou, faz parte de um grupo de países
cada vez mais "diversificados", que investem
mais fora que dentro de suas próprias fronteiras.
Entre os motivos para apoiar seu otimismo, ele citou
o aumento da estabilidade macroeconômica, deixando
os países latino-americanos com uma inflação
de um dígito. "Isso não acontecia
há muitos anos", lembrou.
" A economia depende mais do comércio exterior,
os países da América Latina estão
crescendo com superávits em suas contas correntes",
afirmou Moreno. Ele destacou o "grande impacto" do
comércio, aumentando a renda latino-americana.
Moreno reconheceu que os países seguem ritmos
diferentes. Mas insistiu em seu otimismo ao observar "um
dinamismo que não se via antes".
" Não é um problema de distribuição
e desigualdade, e sim das diferenças entre a economia
formal e a informal", disse.
A existência de um setor amplo da população
que não faz parte do mercado de trabalho, na sua
análise, é um dos grandes "desafios" da
economia latino-americana. São 205 milhões
de pessoas em situação de pobreza e 79
milhões em pobreza extrema, citou.
O presidente do BID apontou a redução
real da extrema pobreza na América Latina. O aumento
da despesa dos consumidores levou a uma "melhora" da
classe média, e ao desenvolvimento de políticas
sociais que transferem recursos aos setores mais pobres.
" O problema da pobreza da América Latina
não vai desaparecer, mas é preciso mobilizar
outros setores da população por meio da
filantropia", receitou.
Para o presidente do BID, o mecanismo de investimento
social para promover o desenvolvimento, freqüente
nos Estados Unidos, está começando a decolar
na América Latina. As remessas que os imigrantes
enviam a seus países de origem podem ser a alavanca
do processo.
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Congresso em Foco, 23 de
setembro de 2007
Fórum: FGTS, uma aberração
por natureza
Entulho da ditadura empresarial-militar,
o FGTS é uma desvalorizada e antidemocrática
poupança compulsória, muitas vezes direcionada
para bancar a corrupção em obras públicas,
diz Osvaldo Martins Rizzo.
O desvalorizado fundo de garantia
Osvaldo Martins Rizzo*
Nos meses que antecederam à deflagração
do levante militar de 1.964, os golpistas armavam-se para
combater uma eventual resistência do governo do presidente
João Goulart. O então governador paulista,
Ademar de Barros, bancado pelo alto empresariado paulista
sócio das multinacionais, contrabandeava armas para
abastecer paióis clandestinos de munições
espalhados por todo o Brasil. Convenientemente, um deles
localizava-se em frente à chácara de Jango
em Jacarepaguá.
Obedientes por formação, ao consolidarem o
poder obtido pela força das armas, os militares passaram
a saudar os compromissos assumidos com a classe empresarial
que patrocinou a derrubada de um governo trabalhista democraticamente
eleito. Dois decênios depois, para preservar seus interesses,
essa mesma classe dominante abandonaria os militares articulando
sua queda.
Os ministros reformistas de Jango – como o professor
Celso Furtado – foram trocados por conservadores umbilicalmente
ligados aos interesses econômicos das grandes corporações.
Indicados pela classe patronal – que tinha em um dos
seus principais líderes o banqueiro mineiro Magalhães
Pinto, instigador do voluntarioso general de três estrelas
Mourão Filho, que precipitou a quartelada – os
novos ministros da área econômica, para proteger
o patrimônio dos ricos, lançaram a economia
brasileira nas agruras dos efeitos deletérios da alquimia
da correção monetária, embrião
da hiperinflação inercial que enriqueceu os
banqueiros-agiotas e corroeu o poder aquisitivo dos salários,
jogando a maioria da população num nível
de pobreza haitiana.
Ávidos por lucrar mais com a exploração
da classe obreira, os patrões – além
de financiarem a Operação Bandeirantes, cujos
ainda impunes paramilitares torturaram e mataram muitos brasileiros,
inocentes opositores do governo – também exigiram,
e obtiveram, dos generais a intervenção nos
sindicatos para possibilitar o arrocho salarial e o fim da
estabilidade no emprego. Em substituição, nasceu
mais um dos dantescos instrumentos opressores criados pela
coligação empresarial-militar que governou
o país por 21 anos: o Fundo de Garantia por Tempo
de Serviço (FGTS).
Tangencia a ingenuidade supor que a lei que instituiu o
FGTS (nº 5.107/66), promulgada em momento arbitrário
de tamanha concentração de poder nas mãos
da classe patronal, pudesse, de algum modo e em certo momento,
ser favorável ao trabalhador.
Como tantos outros reacionários instrumentos implantados
pelas autoridades públicas subservientes à alta
cúpula empresarial, sustentáculo do regime
militar, o FGTS, além de uma antidemocrática
poupança compulsória, é uma aberração
por natureza. Portanto, não se constitui em surpresa
a recente constatação feita pelo “Instituto
FGTS Fácil” de que o seu estoque de recursos
financeiros – que se constitui no patrimônio
do trabalhador – está se desvalorizando celeremente
ante a inflação, principalmente nos últimos
16 anos quando sofreu perdas bilionárias.
Em várias ocasiões, os mal geridos recursos
do FGTS são usados politicamente como empréstimos
destinados a bancar a desenfreada corrupção
na construção de obras de infra-estrutura de
saneamento em várias prefeituras, recheando os bolsos
de empreiteiros corruptores.
Vitimado pela fórmula de cálculo que leva
ao descasamento entre um indexador eminentemente financeiro
e outro que reflete a variação dos preços
médios ao consumidor, o saldo do FGTS só tende
a se depreciar com o tempo.
Tal fato aumenta o risco da já frágil garantia
atual de que o trabalhador possa, no futuro, sacar integralmente
os valores a que tem direito ainda que nas mui restritivas
situações permitidas pela lei, um entulho da
ditadura empresarial-militar que, como alguns velhos congressistas
neoudenistas, ainda teimam em assombrar a sociedade brasileira
como verdadeiros mortos vivos.
*Osvaldo Martins Rizzo é engenheiro
civil e ex-conselheiro do BNDES.
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Agência Brasil, 23
de setembro de 2007
Empresários defendem mudanças
nos critérios que relacionam doenças a acidentes de
trabalho
Wellton Máximo
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O adiamento em um ano da entrada em vigor do
Fator Acidentário de Prevenção (FAP), confirmado
pelo Ministério da Previdência na última sexta-feira
(21), reforçou o pedido de representantes das empresas para
que sejam revistos os critérios usados na classificação
dos acidentes de trabalho.
O principal problema diz respeito ao nexo técnico-epidemiológico,
instrumento utilizado pelos Ministérios da Previdência
e do Trabalho para associar os tipos de doença ao risco
da profissão. Para doenças consideradas típicas
de determinada atividade, o nexo técnico-epidemiológico,
estabelece que o profissional com problemas de saúde pode
receber o benefício do Instituto Nacional do Seguro Social
(INSS), sem necessidade de comprovar que sofreu acidente de trabalho – basta
o médico do INSS atestar o nexo por uma lista de doenças
relacionadas à rotina profissional.
Um exemplo são as Lesões por Esforço Repetitivo
(LER) ou Doenças Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho
(Dort). Se um digitador se afastar do trabalho por causa da doença,
o caso será automaticamente enquadrado como acidente de
trabalho. Dessa forma, a empresa é que tem de provar não
ter provocado o acidente e não o contrário, como
ocorre atualmente.
Com receio de que o nexo técnico-epidemiológico
provoque aumento nas ocorrências de acidentes de trabalho
e impeça a redução das alíquotas do
Seguro de Acidente de Trabalho (SAT) após a aplicação
do FAP, os empresários defendem mudança nos critérios
que transferem a responsabilidade das doenças para os empregadores.
Presidente da Comissão de Relações de Trabalho
da Câmara Brasileira da Indústria da Construção
(Cbic), Antônio Carlos Gomes afirmou que a metodologia utilizada
pelo governo para caracterizar o nexo técnico está errada. “Ninguém é contra
a redução das alíquotas para quem pratica
a prevenção, nem contra a punição para
as empresas que não investem o suficiente. O problema está na
hora de definir o nexo”, criticou.
Para Gomes, os atuais critérios terão efeito contrário
ao pretendido pelo governo. “Em vez de recompensar o empresário
que se preocupa com o trabalhador, a tendência será a
de que todas as alíquotas aumentem”, previu o representante
da construção civil, um dos setores com maior risco
de acidentes de trabalho.
Gomes disse apoiar a atitude da Confederação Nacional
da Indústria (CNI), que entrou com uma ação
direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF),
contra o nexo técnico-epidemiológico. “A gente
tem um parecer do Conselho Federal de Estatística que indica
falhas nos conceitos técnicos utilizados pelo governo”,
informou.
O nexo técnico-epidemiológico provoca distorções
nas estatísticas de acidente de trabalho, acrescentou Gomes,
que defendeu a extinção do mecanismo: “Em caso
de doença no trabalho, o correto é investigar caso
a caso e não estabelecer uma causa com antecedência.”
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Gazeta do Povo, 23 de setembro
de 2007
BRASIL | DIPLOMACIA
Na ONU, Lula lidera nações
em desenvolvimento
Presidente abre reunião na
terça com cobranças aos países ricos
Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula
da Silva embarca hoje para Nova Iorque, onde participará da
Assembléia Geral da ONU, com a missão de retomar
as discussões sobre a reforma das Nações Unidas
e de defender as posições do governo brasileiro relacionadas
ao aquecimento global. Seguindo a tradição que dá ao
Brasil o direito de abrir a reunião, Lula fará terça-feira
um discurso de 20 minutos. Paralelamente ao amplo evento, o presidente
tentará semear suas idéias numa série de reuniões
bilaterais que incluem, entre outros, os presidentes dos EUA, George
W. Bush; da França, Nicolas Sarkozy; e a chanceler alemã,
Angela Merkel.
Amanhã, Lula terá encontros, a cada meia hora, com
líderes de vários países: EUA, Polônia,
Coréia do Sul, República Tcheca e Alemanha. No mesmo
dia, participará de um jantar com cerca de 20 chefes de
Estado, cujo tema central será o aquecimento global. Segundo
fontes da área diplomática, Lula dirá que
as nações desenvolvidas precisam assumir compromissos
maiores que os países emergentes nos acordos de redução
das emissões de gases que provocam o efeito estufa. E defenderá o
respeito ao multilateralismo, em uma referência velada à saída
dos americanos do Protocolo de Kyoto, que prevê metas assumidas
pelos países industrializados.
Terça-feira de manhã, horas antes de proferir o
discurso de abertura da Assembléia Geral das Nações
Unidas, Lula voltará a ter encontros bilaterais. O mais
importante será com o francês Sarkozy, que recentemente
defendeu a candidatura do Brasil a uma vaga permanente no Conselho
de Segurança da ONU. Lula tem como trunfo o fato de as Nações
Unidas terem decidido, há algumas semanas, dar início às
negociações para a reforma da ONU, por pressão
do Brasil e cerca de 30 países em desenvolvimento, como Índia,
Nigéria e África do Sul. Os brasileiros, que se aliaram
a japoneses, indianos e alemães na disputa por assentos
permanentes no Conselho de Segurança, esperam ganhar um
apoio mais contundente dos africanos. Atualmente, apenas Estados
Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido têm
esse status.
O presidente também pretende mencionar o Haiti em seu discurso.
A posição do Brasil é pela renovação,
por pelo menos mais um ano, do mandato da Minustah – a força
de paz comandada por tropas brasileiras – que está para
expirar. Os brasileiros tomaram a frente no processo de reconstrução
do país caribenho em 2004 e a avaliação atual é bastante
positiva, segundo uma fonte da área diplomática.
Para demonstrar a relevância do tema, Lula enviou ontem ao
Haiti o ministro das Relações Exte-riores, Celso
Amorim.
Além disso, deverá cobrar mais empenho dos países
desenvolvidos nas negociações da Rodada de Doha,
na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Fontes ligadas ao Palácio do Planalto revelaram que o presidente
fará uma referência velada, principalmente, aos EUA
e à União Européia. Ele cobrará maior
boa vontade das nações mais ricas do mundo em relação
aos países em desenvolvimento.
Outro tema que faz parte da agenda diplomática brasileira
diz respeito às Metas do Milênio. O presidente levará consigo
os últimos resultados divulgados pela Fundação
Getúlio Vargas que mostram, entre outras coisas, que a miséria
no país caiu 27,7% em seu primeiro mandato. Lula deverá mencionar
esse dado em seu discurso e pedir mais rapidez nessa empreitada.
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Gazeta do Povo, 23 de setembro
de 2007
ECONOMIA | IMOBILIÁRIO
Crédito em alta aquece
o mercado da construção civil
Fabricantes de materiais vão
elevar projeção de faturamento pela segunda vez
no ano
por PATRÍCIA KÜNZEL
Albari Rosa/Gazeta do Povo

Obras a todo vapor: em Curitiba, só este ano houve aumento de
30% nos lançamentos de apartamentos
Juros em queda, renda em crescimento e bancos emprestando dinheiro
como nunca para a casa própria: a economia conspira a favor
da construção civil. No embalo do aumento do crédito
e dos lançamentos imobiliários, quem produz ou vende
materiais de construção não tem do que se queixar.
A indústria de materiais de construção faturou
12,6% a mais nos oito primeiros meses deste ano. No varejo, segundo
o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os
resultados nacionais foram 13,2% melhores no primeiro semestre deste
ano em comparação com o mesmo período de 2006.
E o melhor: a expectativa é que seja só o começo.
Um mix de fatores tem contribuído para que os resultados
do setor fiquem tão acima do crescimento previsto
para o Produto Interno Bruto (PIB) este ano, em torno de
4,5%. Com a estabilidade da economia e alterações
nas regras dos contratos (que aumentaram as garantias para
os bancos em caso de inadimplência), os bancos estão
batendo um recorde atrás do outro no financiamento
de imóveis. Até agosto, os financiamentos contratados
somaram R$ 10,3 bilhões, um crescimento de 73,7% em
relação ao mesmo período do ano passado.
Além disso, a renda do brasileiro e o crédito
para a pessoa física também cresceram: a massa
salarial real ficou 5,2% maior no segundo trimestre deste
ano e o saldo de operações de crédito
do sistema financeiro para pessoas físicas cresceu
26,5%.
Com mais dinheiro disponível, pipocaram os lançamentos
imobiliários. Só em Curitiba, houve um aumento
de 30% nos lançamentos de apartamentos este ano. “Sem
dúvida este é um ótimo momento para
o nosso setor”, resume o presidente da Associação
Nacional dos Comerciantes de Materiais de Construção
(Anamaco), Cláudio Elias Conz. Os resultados têm
sido tão positivos que os fabricantes de matéria-prima
para construção civil estudam a possibilidade
de rever para cima, pela segunda vez, a estimativa de ganhos
deste ano. “Começamos o ano com uma expectativa
de 8% de crescimento, elevamos para 10% e agora devemos reajustar
para 12%”, informa o presidente-executivo da Associação
Brasileira da Indústria de Materiais de Construção
(Abramat), Melvyn Fox.
Não são apenas os imóveis novos que
vêm aquecendo o mercado. Para o varejo, tão
importante quanto o crédito imobiliário é o
aumento do crédito pessoal e da renda. “As pequenas
construções e reformas compõem boa parte
do faturamento das lojas. Quanto maior a facilidade de crédito,
mais as pessoas gastam. E, hoje em dia, com as facilidades
de pagamento, é difícil entrar em uma loja
de materiais de construção e sair sem um pacote
de compras ou uma encomenda”, informa Fox.
Continuidade
A perspectiva de manutenção de oferta de crédito
e redução da taxa de juros anima o setor da
construção. Mas a indústria e o varejo
de materiais contam também com a concretização
do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)
para crescer ainda mais. “O PAC ainda não está influenciando
os nossos resultados, porque está muito atrasado.
Assim que as obras começarem, teremos resultados ainda
melhores”, prevê o presidente-executivo da Abramat.
Expansão vai contaminar outros
setores
Os bons resultados da construção civil devem gerar um
círculo virtuoso nos próximos meses. “Como estamos
no início do processo de retomada, por enquanto quem mais está lucrando é quem
fabrica materiais básicos, como aço e cimento. Dentro
de um ano, o mercado vai ficar mais parecido, a expansão vai
chegar à hidráulica e acabamentos, por exemplo”,
diz o presidente da Associação Nacional dos Comerciantes
de Materiais de Construção (Anamaco), Cláudio
Elias Conz.
Mas a tendência é de que os resultados do aquecimento
da construção não se limitem ao setor.
Quando a casa é nova ou ficou mais bonita, geralmente
ganha novos móveis e eletrodomésticos. “É um
efeito cascata positivo. Um bom sinal para o setor moveleiro
e madeireiro, que está penando com a valorização
do real”, diz o professor de Política Econômica
e Microeconomia da Unifae, Eugênio Stefanelo. O especialista
lembra que, apesar de o momento ser positivo, há espaço
para a economia brasileira e o setor de construção
civil crescerem ainda mais. “Estamos distantes da realidade
de outros países. Nos Estados Unidos, por exemplo,
o crédito imobiliário equivale a 70% do PIB.
Aqui fica em torno de 2%. Nossas taxas de juros ainda são
muito altas e limitam o investimento.”
Além de criar uma demanda por materiais para as
obras de infra-estrutura, o PAC gera expectativa pela criação
de empregos, já que a construção civil,
junto à agricultura, é um dos setores que mais
emprega. “Sentimos rapidamente qualquer melhoria na
renda da população”, diz Fox. Segundo
ele, o crescimento do setor neste ano era esperado. “Depois
de 14 meses consecutivos de crescimento, percebe-se que estamos
em um processo consistente. Não é um boom, é a
retomada, 20 anos depois, de um processo de redução
de déficit”, avalia.
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Gazeta do Povo, 23 de setembro
de 2007
ECONOMIA | CONSTRUÇÃO
"Formiguinhas" movimentam
comércio de materiais
Aniele Nascimento/Gazeta do Povo

Juliano Ferreira de Lima, empresário, que está à procura
de materiais de construção para reformar a casa recém-comprada
Freqüentar lojas de materiais de construção virou
rotina para o empresário Juliano Ferreira de Lima nas últimas
semanas. Ele está reformando uma casa comprada recentemente,
depois que sua empresa de automação começou a
dar resultados melhores. “Vamos trocar o piso, banheiro e churrasqueira.
Há quatro anos eu esperava poder trocar de imóvel”,
conta.
Clientes como Lima, dispostos a investir a melhoria do
salário na ampliação ou reforma do
imóvel, andam movimentando as lojas de materiais
de construção de Curitiba este ano. As grandes
redes falam em faturamento até 14% maior do que
o do ano passado. “O comportamento dos compradores
não se alterou, o que aumentou foi o número
de clientes comprando. A gente vive do consumidor formiguinha,
aquele que não compra muito, mas que sempre aproveita
as oportunidades de parcelamento e financiamento”,
conta Hélio Ballarotti Júnior, presidente
da rede Balaroti.
Os resultados positivos do setor têm contribuído
para o aumento no número de lojas de materiais de
construção. Segundo a Associação
Nacional dos Comerciantes de Materiais de Construção
(Anamaco), o aumento na quantidade de lojas deve ser de
10% em todo o país este ano. No Paraná, a
rede Balaroti abriu duas novas lojas este ano e tem planos
de inaugurar mais três no ano que vem. A Bigolin,
que atualmente tem duas lojas em Curitiba, pretende chegar
a dez. “Vamos abrir mais uma em Pinhais este ano
e passar a inaugurar uma por ano a partir de 2008”,
diz Rodrigo Selvino Bigolin, diretor da rede na capital.
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Folha de Londrina, 23 de
setembro de 2007
Seu Direito: PRODUTO ESTRAGADO
Comprei um alimento em um supermercado e depois de
abrir verifiquei que o produto estava estragado. O que devo
fazer?
A solução deste tipo de problema encontra-se nas normas
do Código de Defesa do Consumidor (CDC). Primeiramente, esclarece-se
que o fato do produto ter sido aberto não gera perda de nenhum
direito por parte do consumidor, mesmo porque, em diversas situações,
este só descobrirá se o produto está impróprio
para o consumo ao abri-lo.
Por se tratar de um produto de gênero alimentício,
o CDC, em seu artigo 18, parágrafo 3º, prevê um
tratamento especial, pois tal produto tem caráter essencial,
aplicando-se a este caso as seguintes alternativas, previstas no
artigo 18, parágrafo 1º, incisos I e II, do CDC, que
ficam à escolha do consumidor, quais sejam:
1ª) a substituição do produto por outro da mesma
espécie, em perfeitas condições de uso;
2ª) a restituição imediata da quantia paga,
monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas
e danos.
Além disso, se for o caso, o consumidor tem total reparação
dos danos patrimoniais e morais sofridos, conforme artigo 6º,
VI, do CDC.
Ressalta-se que apesar do CDC prever em seu artigo 26 o prazo de
30 dias para este tipo de reclamação, é sempre
de bom senso resolver o problema, junto ao supermercado, o mais breve
possível, ou seja, tão logo o comsumidor descubra o
problema.
Eden C. Batista, advogado
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O Estado do Paraná,
23 de setembro de 2007
Direito e Justiça
A certeza de que um outro mundo é possível
Edésio Passos
“Os sonhos que desatamos e as utopias que perseguimos
são parte essencial
de nossas vidas. Sem isto, não há esperança e
sem esperança não há vitórias”
(Edésio Passos, Câmara dos Deputados,
13/12/1994)
A Universidade da Vida forja a igualdade e a solidariedade. Conviver
democraticamente é o exercício do cotidiano. A construção
política deve ser movida pela força do ideal e fé nas
pessoas simples e humildes. Na luta dos excluídos, explorados
e oprimidos, na conquista e defesa de direitos, no propor e reivindicar,
a prova comum sempre é conferida no enfrentamento contra
os detentores do poder econômico monopolizado, onde não
se cogita perder. Degradada pela corrupção, a política é suja
e descartável para muitas pessoas que resistem em participar
e têm medo. Os oportunistas contaminam Parlamentos e Governos.
Mas, felizmente, há os que reagem, apregoam a ética
e o compromisso democrático. A elevação da
consciência social sedimenta a determinação
moral, concretizada na organização do povo, condições
para a revolução política inadiável.
Unir capacidade, experiência e firmeza ideológica
possibilitará o surgimento de um novo tempo. À angústia
e desesperança crescentes diante da perversidade do capital
concentrado e oligopolizado, contrapomos opções para
uma vida digna. Pois a luta por uma vida digna tem sido a meta
da ação dos que acreditam em um novo tempo, alavancando
as rupturas contra o sistema selvagem imposto. O destino do nosso
país está colocado em nossas mãos. Somos instrumentos
do mobilizar, organizar e educar o povo para os embates políticos,
econômicos, sociais e culturais, fundamentais para a construção
de uma sociedade fraterna, solidária, igualitária.
No exemplo dos combatentes que deram suas vidas pela causa do povo,
nos inspiramos e nos fortalecemos. A caminhada, árdua e
difícil, é imperativa. Sempre na certeza de que um
outro mundo é possível.
Declaração necessária
Há indignação e revolta pelo processo que
culminou, no Senado Federal, com a absolvição de
Renan Calheiros. Comprometido que sempre fui com a causa popular
e, mais especificamente, dos trabalhadores, não poderia
silenciar sobre os recentes acontecimentos políticos. Fui
distinguido pelo voto do povo paranaense que me elegeu deputado
federal na Legislatura de 15/2/1991 a 14/2/1995, na qual foram
cassados o ex-Presidente Collor e vários deputados federais.
Participei ativamente desses momentos essenciais para a vida nacional
e, inclusive, fui um dos relatores de processo de cassação
de parlamentar envolvido com a corrupção dos então
denominados “anões do orçamento”. Em
2002, fui um dos candidatos do Partido dos Trabalhadores ao Senado
Federal, quando obtive 958.874 votos nos 399 municípios,
honrado pela confiança de quase um milhão de paranaenses.
Por isso, e por tanto o mais de minha atividade política
e partidária desde a atividade estudantil no final da década
de cinqüenta e começo da década de sessenta,
até os dias de hoje, tenho que, mais uma vez, reafirmar
a minha fé na luta do povo brasileiro pela efetivação
da real democracia. Sessão sigilosa, voto secreto, microfones
e celulares desligados, imprensa impedida de presenciar, não
serão suficientes para impedir a seqüência da
ação popular contra os que pretendem obstaculizar
nosso desenvolvimento em todas as esferas da vida. Portanto, estas
linhas são uma simples declaração, embora
necessária, para reafirmar rumos e demarcar atitudes na
certeza de que a jornada de transformação prossegue.
Nos campos esportivos, o povo continua cantando: “sou brasileiro,
com muito orgulho, com muito amor” e nossos atletas envolvem
seus corpos na nossa bandeira verde-amarela, azul e branca.
FGTS
O presidente da Fetraconspar Geraldo Ramthun é o autor
de moção aprovada no 8.º Congresso Nacional
da CNTI, de 2006, pela qual a CNTI, com conjunto com as demais
Confederações e Centrais Sindicais, propunha a apresentação
de projeto de lei para que a taxa de juros sobre o saldo do FGTS
seja equivalente a remuneração das cadernetas de
poupança. Pioneiro nesta proposição, hoje
em amplo debate pelo movimento sindical, o dirigente paranaense
pergunta: Porque os saldos do FGTS têm correção
de apenas 3% ao ano a título de taxa de juros? E apresenta
explicações sobre o tema (1) “O Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço (FGTS) foi instituído pela Lei
n.º 5.107, em setembro de 1966. A sua criação
decorreu da crescente demanda social por mecanismos mais eficientes
de proteção aos trabalhadores do setor privado nos
casos de demissão involuntária, bem como da melhor
adequação desses mecanismos às necessidades
das empresas” (2) “A lei que criou o FGTS determinava
o recolhimento mensal pelas empresas do equivalente a 8% das remunerações
pagas aos empregados. Estes depósitos deveriam integrar
um fundo unificado de reservas, com contas individuais cujos titulares
seriam os próprios trabalhadores” (3) “Inicialmente,
os créditos em cada conta eram feitos pelo BNH a cada trimestre,
sendo que o cálculo de juros sobre os saldos corrigidos
era feito a partir dos mesmos critérios adotados para as
operações do Sistema Financeiro da Habitação.
A taxa de juros era também diretamente proporcional ao tempo
de serviço do trabalhador: 3% a.a. sobre os saldos corrigidos
das contas de empregados com até dois anos de serviço
na mesma empresa; 4% a.a. para aqueles com permanência no
mesmo emprego entre três e cinco anos; 5% a.a. para os empregados
com tempo de serviço entre seis e 10 anos; e 6% a.a. para
os trabalhadores com mais de 10 anos de serviços prestados à mesma
empresa” (4) “Em 1971, com a intenção
de reduzir os custos dos programas habitacionais para a população
de baixa renda, a remuneração passou a obedecer a
uma taxa única de 3% ao ano” (5) “No ano seguinte,
reduziu-se o ritmo de capitalização de trimestral
para anual, sistemática esta que vigorou até janeiro
de 1976. A partir daí, o lançamento dos juros mais
correção monetária voltou a ser trimestral,
mantendo-se a taxa de juros de 3% a.a.”(6). “Em 1971,
quando a taxa de juros do FGTS foi nivelada em 3% a.a., era com
o intuito de reduzir os custos dos programas habitacionais de baixa
renda. Já se passaram 36 anos e o déficit habitacional
ultrapassa 7 milhões de moradias e a maioria é justamente
para os trabalhadores de baixa renda. O governo ainda propõe
a utilização dos recursos do FGTS para outras finalidades,
sem de longe tocar na taxa de juros em que é corrigido os
saldos”(7) “Pensamos que já passou do momento
da sociedade organizada debater esse assunto, para corrigir esta
disparidade imposta aos trabalhadores formais, até porque,
um trabalhador informal, que não deposita o FGTS, poderá direcionar
este valor a caderneta de poupança, que remunera em 6% ao
ano a título de taxa de juros.”
Soberania
A Procuradoria do Instituto Nacional de Colonização
e Reforma Agrária (Incra) está revisando todos os
negócios fundiários que envolvem capital estrangeiro
no país, em decorrência do aumento da procura por
terras pelos estrangeiros, visando adquirir imóveis rurais
atraídos pelos agrocombustíveis, assim como pela
crescente valorização das terras brasileiras. Segundo
dados do Banco Central, nos três primeiros meses de 2007,
entraram no Brasil cerca de 6,5 bilhões de dólares
por meio de investidores estrangeiros (Brasil de Fato, 16 e 22/8/07).
Inflação sinal amarelo
De janeiro a agosto 2007, índices acumulados da inflação,
INPC.IBGE 3,1316%, IPC.FGV 3,2342% , ICV.Dieese 2,7273%. Em 12
meses (set/ag) o IPCA, em preços ao consumidor, atingiu
4,18%, sendo a meta do governo em 2007 de 4,50%). A cesta básica,
na pesquisa do Dieese, acusou alta de 2,26% (R$ 155,79) em Goiânia,
de 3,83% (R$ 174,28) em Curitiba, até 9,62% (R$ 162,56)
em Natal. Em 12 meses, 13,81% em São Paulo. “Os índices
de preços divulgados em agosto consolidaram a preocupação
de economistas de institutos de pesquisa e consultorias com os
riscos de o país enfrentar um breve uma inflação
de demanda. O que acendeu a “luz amarela”, apesar da
pressão forte dos agrícolas (que respondem por metade
da inflação acumulada no ano), foi uma alta inusitada
dos serviços e aumentos pontuais em preços industriais
no atacado e no varejo” (Valor Econômico, 10/9/07)
Indústria e agricultura
A indústria acumulou, de janeiro a julho, alta de 5,1%.
A venda de veículos automotores, em 2007, atingiu 1.237.733,
alta de 26,64% em relação a 2006. A safra de grãos
2006/2007, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento, será a
maior da história do país, 131,4 milhões de
toneladas, 6,7% maior que a de 2002/3, liderada pela soja (58,4
mi,+6,1%) e milho (51,1mi,+20,1%) (Folha de S.Paulo, 5/9/07). A
Secretaria de Agricultura e do Abastecimento do Paraná registra
6.520 agricultores orgânicos, o maior número do país,
responsável por 28,5% da produção brasileira,
tendo a safra paranaense, em 2006, atingido 94.448 toneladas, crescimento
de 21%, com programa de fomento à produção
orgânica criado pelo governo do Estado. Por outro lado, os
agrotóxicos causam intoxicações em 3 milhões
de pessoas no mundo, todos os anos, com cerca de 20 mil mortes
(OMS-Brasil de Fato, 23 e 29/8/07).
Sindical
(1) A Nova Central Sindical dos Trabalhadores do Paraná promoverá,
dias 4 e 5 de outubro, em Foz do Iguaçu, sua primeira plenária,
para debate e deliberação questões políticas,
econômicas, sociais e sindicais. Presença do senador
Paulo Paim, dos dirigentes de Confederações dos Trabalhadores,
além de membros do Ministério Público do Trabalho,
Delegacia Regional do Trabalho e governo do Paraná (informações:
41.3244.2523) (2) “Juventude, mostre a sua cara” será o
tema em debate no 1.º Encontro da Juventude Trabalhadora promovido
pela Federação dos Trabalhadores nas Indústrias
do Estado de Santa Catarina, com a presença da deputada
federal Manuela D’Ávila (PCdoB/RS). Hoje, na escola
de formação sindical da Fetiesc, em Itapema (informações:
47.3268.5600).
Universidade, camponeses e indígenas
Dia 22 de agosto começou a ser ministrado pela Universidade
Federal de Goiás um curso de direito com especialização
na questão agrária, duração normal
de cinco anos, destinado a 60 estudantes oriundos de assentamentos
da reforma agrária e da pequena agricultura, aprovados em
vestibular que concorreram 630 inscritos. Também na UFG
há dois outros cursos especiais: de pedagogia da terra,
professores com curso superior para áreas rurais; e Licenciatura
Cultural indígena, formando professores indígenas
para as comunidades de diversas tribos.
Livros
(1) “A República Inacabada”, de Raimundo Faoro,
organizado e prefaciado por Fábio Konder Comparato, reúne
dois ensaios “A Assembléia Constituinte A Legitimidade
Resgatada” e “Existe um pensamento político
brasileiro?”, além de um artigo “Sérgio
Buarque de Holanda, analista das instituições brasileiras” (2) “Caparaó.
A primeira guerrilha contra a ditadura”, do jornalista José Caldas
da Costa (Boitempo Editorial, 2007), conta a história do
movimento militar na serra do Caparaó, ES, em 1967, contra
a ditadura militar instalada em 1964. Ainda sobre o tema: “A
guerrilha do Caparaó”, de Gilson Rebello (Editora
Alfa-Omega). (3) Livros sobre movimentos militares de esquerda: “A
esquerda militar no Brasil”, de João Quartim de Moraes
(Editora Expressão Popular, 2005) e “A rebelião
dos marinheiros”, de Avelino Bioen Capitani (Editora Expressão
Popular, 2005).
Revista
A Revista do Instituto dos Advogados Brasileiros (n.º 95,
Ano XXXV, 1.º semestre de 2007) foi publicada pela primeira
vez em 1862. Atualmente, após intervalo de sete anos, voltou
a ser editada pelo IAB. Publica artigo do prof. Luiz Edson Fachin,
da UFPR, sobre “Constituição e Relações
Privadas. Questões de efetividade no tríplice vértice
entre o texto e o contexto”. Destaque, ainda, ao artigo que
apresenta o perfil biobibliográfico dos Ministros do Supremo
Tribunal Federal nomeados a partir de 2003 pelo presidente Luiz
Inácio Lula da Silva.
Zuzu Angel
Amanhã, segunda, 24, às 22h, o Canal Brasil apresenta
o filme “Zuzu Angel”, de Sérgio Rezende, que
conta a história da estilista Zuzu Angel que enfrenta a
ditadura militar brasileira na luta incessante de denúncia
pela assassinato de seu filho pelos militares. Ela é interpretada
por Patrícia Pillar, que afirma: “Um dos significados
de coragem é ‘ação que vem do coração’.
Ficava muito além do ato heróico, da bravura, também
queria dizer que Zuzu não pensava ou media conseqüências
para ter o direito de fazer justiça e enterrar o corpo do
filho” (Revista Monet, setembro, 2007).
“Essa pode parecer apenas uma questão secundária
perto da situação toda que envolveu o caso Renan,
porém votação secreta é incompatível
com as decisões de qualquer Parlamento. Há que se
ter coragem para votar com a cara limpa” (vereador e advogado
André Passos (PT) que propõe a extinção
das votações secretas também na Câmara
Municipal de Curitiba, alterando-se a Lei Orgânica do Município).
Edésio Passos é advogado
e ex-deputado federal (PT/PR).
E-mail: edesiopassos@terra.com.br
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Folha de São Paulo,
23 de setembro de 2007
Pobreza cairá menos, dizem especialistas
Pesquisadores alertam para falta de mão-de-obra
qualificada e fim dos efeitos redistributivos do aumento do salário
mínimo
Número de pobres no país vem caindo
nos últimos anos, mas essa queda pode não perdurar
no futuro, afirmam economistas
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
Os brasileiros estão menos pobres, mas a redução
da desigualdade está sob risco. Dois dos mais dedicados
pesquisadores sobre a miséria e a indigência nacionais
fazem dois alertas. "Não sei se o crescimento sustentável
da economia vai esbarrar na oferta de mão-de-obra qualificada.
Acho que isso vai fazer a desigualdade voltar a subir. Neste ano,
a desigualdade já está caindo menos. Estou assustada
com o déficit de formação e de qualificação
dos jovens. E o mercado de trabalho exclui quem tem menos de oito
anos de estudo", afirma Sônia Rocha, economista do Iets
(Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade), formada pela PUC-RJ
com mestrado pela Bucknell University (EUA) e doutorado pela Universidade
de Paris 1.
" O Brasil nunca teve coragem de assumir uma linha oficial de pobreza. Os
EUA fizeram isso em 1963. A Índia fez. A Irlanda fez. E o Brasil, nunca",
analisa Marcelo Neri, professor da Escola de Pós-Graduação
em Economia e diretor do Centro de Políticas Sociais do Instituto Brasileiro
de Economia, ambos ligados à Fundação Getulio Vargas (FGV-RJ).
Quantos pobres existem no país? São 49 milhões?
Ou 36,2 milhões? O número muda de acordo com o conceito
usado para definir quem é pobre, miserável ou indigente.
Segundo os dados de Rocha, em 2006 a pobreza atingia 26,9% da população
brasileira, o mais baixo índice desde 1987. Em 2005, a proporção
de pobres ficou em 30,5%. Em 1995, primeiro ano completo do Real, chegava
a 33,2%. Em números absolutos, houve queda de 10,6% no contingente
de pobres no país -de 54,884 milhões de pessoas em 2005
para 49,043 milhões em 2006. Ou seja, em um ano 5,841 milhões
de brasileiros se afastaram da linha da pobreza.
Neri divulgou que de 2005 para 2006 o total de miseráveis no
país caiu em 5,880 milhões de pessoas. Em 2005, eram
22,8%. Neri calcula que 36,154 milhões vivam em condições
miseráveis no país. Metodologias distintas explicam as
diferenças, especialmente os valores atribuídos às
linhas de pobreza. Na sexta-feira, a Folha reuniu os dois especialistas
para discutir causas, efeitos e saídas para a pobreza.
METODOLOGIA
SÔNIA ROCHA - Metodologicamente são
coisas muito parecidas. Têm a mesma origem. A idéia
de usar as linhas de pobreza como parâmetro é o
mesmo procedimento. Trabalho com linhas para áreas rurais,
urbanas e metropolitanas. Trabalho com uma linha de pobreza que
considera todos os consumos, e outra de indigência, que é um
patamar mais baixo, que corresponderia ao custo de comer de uma
cesta alimentar.
MARCELO NERI - Em primeiro lugar, nossa
linha tem base na POF [Pesquisa de Orçamentos Familiares]
de 1996. A linha de pobreza transforma em unidades monetárias
as necessidades, sejam elas calóricas ou alimentares.
Corresponde a R$ 125 a preços de São Paulo
e a R$ 118 na média do Brasil [é mais baixa
do que a de Rocha, R$ 266 para São Paulo] e foi
feita com base em necessidades alimentares. Trabalhamos
também com a linha de US$ 1 per capita, da ONU,
para medir extrema pobreza. Nossa linha de indigência
[R$ 125] é considerada alta [por isso, contabiliza
menos miseráveis]. Não existe um valor absoluto
correto. É uma questão de opção
metodológica.
POBREZA
ROCHA - Seja usando a minha metodologia ou a
do Neri, a pobreza caiu em 2006. A queda foi muito robusta. Acho
que não foi definida uma linha porque isso politicamente é perigoso.
Quem está no poder se sente pouco à vontade em
ter um parâmetro inequívoco. É muito mais
fácil lidar e usar as divergências a seu favor.
Assim, a gente sabe para onde se está andando. Deve haver
uma linha oficial sim, que permita estabelecer metas de redução
de pobreza e de indigência.
NERI - Defendo há muitos anos que é necessário
eleger uma linha oficial de pobreza. O Brasil nunca teve coragem de
assumir isso. Os EUA fizeram isso em 1963. A Índia fez. A Irlanda
fez. E o Brasil, nunca. É uma questão básica.
Isso gera uma convergência no debate [sobre pobreza] muito grande.
Mas qualquer linha que se escolha a pobreza caiu. E a queda foi bastante
robusta.
MÍNIMO/PREVIDÊNCIA
ROCHA - Na sua origem, o salário mínimo
era diferenciado [por região]. E foi uma confusão.
Nos anos 80, foi unificado. Foi muito bom porque eliminou um
estímulo muito grande à migração.
O mínimo é aceito ou não, dependendo das
condições locais do mercado de trabalho -quando
ele é alto, não é aceito, e a informalidade
aumenta. Nos últimos anos, ele foi aceito, o que mostra
que estava defasado. Acho que o aumento do mínimo desde
a segunda metade da década de 90 (mais de 100%) foi aceito.
A informalidade não cresceu e ajudou a reduzir a pobreza.
Sou contra a vinculação do mínimo à Previdência
até porque é um tiro no pé. Quem ganha um
salário mínimo não vai contribuir com 10%
ou 20% [para o INSS], se for autônomo, sabendo que terá direito
a um mínimo [na aposentadoria por idade]. É um
desestímulo [à contribuição].
NERI - Defendo a criação de pisos regionais
de salário, como o [governador José] Serra está fazendo
em São Paulo. Não defendo o mínimo unificado.
Os Estados devem fixar seu salário. O mínimo não é mais
um instrumento de redução de desigualdade. O efeito do
mínimo sobre a pobreza em áreas metropolitanas foi embora,
não existe mais. A grande redução da pobreza e
da desigualdade foi em 2004. O mínimo é a base de renda
da Previdência e consome 12% do PIB. Sou contra o mínimo
[atrelado aos benefícios] porque a gente já optou nos
anos 90 pelos idosos em detrimento das crianças. Temos de dar
tratamento igual ao idoso e à criança.
BOLSA FAMÍLIA
ROCHA - Não sei se o crescimento sustentável
da economia vai esbarrar na oferta de mão-de-obra qualificada
[ou seja, pressionar o mercado e fazer subir os salários
mais altos]. Acho que isso vai fazer a desigualdade voltar a
subir. Neste ano, a desigualdade já está caindo
menos. Estou assustada com o déficit de formação
e de qualificação dos jovens. E o mercado de trabalho
exclui quem tem menos de oito anos de estudo.
NERI - O Brasil não consegue mudar
a política social. São adicionadas só coisas
novas, não mudam as coisas velhas que não
funcionam mais. Já que não há dinheiro
para fazer tudo, temos de fazer escolhas. Nos últimos
anos o Brasil tem feito opções corretas,
porque instituiu um novo regime de políticas sociais.
A desigualdade está caindo também por conta
dos programas sociais.
LULA X FHC
ROCHA - Fiquei alarmada. Não dava para
[o Lula] errar daquele tamanho [no lançamento do Fome
Zero]. Depois, o Bolsa Família deu certo e se mostrou
bem focalizado. Outro ponto foi o Primeiro Emprego. Todos apontamos
os erros. Já o FHC, que sempre conviveu com um cenário
mais adverso, fez bons programas na área de saúde.
NERI - O Lula, talvez por ter dado continuidade à política
econômica do FHC, quis reinventar a roda na área
social. Por isso, lançou o Fome Zero, que não
deu certo. Depois de nove meses, fez o Bolsa Família,
do qual sou entusiasta. O Lula é o pai dos programas
sociais mais modernos. O FHC é o avô. O Lula
foi mais ousado. Já o FHC, até pelas crises
que enfrentou, agia com mais cautela.
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Folha de São Paulo,
23 de setembro de 2007
Leilão reduz inadimplência
Rapidez na retomada impulsiona queda
de taxas de não-pagamento
Leo Caobelli/Folha Imagem
A assistente administrativa Clarissa Zanelato, 33, conta que já renegociou
cinco vezes adívida do imóvel que financiou em 19 anos,
em 2002, por ter ficado um ano desempregada
GIOVANNY GEROLLA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
No cenário econômico atual de inflação
controlada, boom do mercado imobiliário e investimentos
dos bancos em novos produtos de financiamento, outra boa
nova é a queda da inadimplência dos mutuários.
Dados da CEF (Caixa Econômica Federal) apontam que
o não-pagamento de prestações por
período superior a 60 dias, que era de 9,54% em
2004, chegou a 5,96% em julho de 2007.
Mas, nos bastidores da mise-en-scène das porcentagens, a estabilidade
econômica não é a única responsável
pela pontualidade. Há outro fator crucial: a maior rapidez na
retomada dos imóveis de inadimplentes. Levantamento da Associação
Nacional dos Mutuários revela que mais de 150 imóveis
são arrematados por mês pela CEF em São Paulo, "um
aumento de 20% em relação a 2006", calcula Marcelo
Luz, presidente.
" Antigamente, a retomada do bem acontecia depois de um ano de inadimplência",
revela o consultor jurídico da ABMM (Associação Brasileira
dos Moradores e Mutuários), Wilson Gomes. "Hoje, depois de quatro
meses inadimplente, o mutuário já bate em nossas portas."
A realização de leilões com maior freqüência
sinaliza agilidade nos processos de alienação, afirma
Gomes. "As estatísticas enganam se considerarmos que quem
perde o imóvel em leilão deixa, em tese, de ser inadimplente",
acrescenta. A aceleração da retomada tornou-se possível
graças a mudanças legais na alienação fiduciária,
aprovadas em 2004.
Com a garantia, se o devedor não liquida a obrigação
no vencimento, o credor pode exigir na Justiça a apreensão
do bem, pois o comprador só adquire a sua propriedade definitiva
depois que paga toda a dívida. " O mutuário não
pode questionar os juros inerentes [estipulados no contrato], o que
dá aos bancos maior segurança", argumenta o superintendente
de crédito imobiliário do Banco Real, Antônio Barbosa.
Em último caso
A CEF pondera que o processo pode ser suspenso a qualquer momento para
a renegociação da dívida. Sua assessoria de imprensa
informou à Folha que a retomada ocorre somente em última
instância.
Amauri Bellini, presidente da ABMH (Associação Brasileira
dos Mutuários da Habitação), observa que a queda
na inadimplência esconde um desfalque entre os contratos novos
e os mais velhos, que passaram por crises e planos econômicos.
" Como as carteiras dos anos 80 já estão em fase de vencimento,
restam as atuais, sem desequilíbrios de correções e saldos
devedores", define.
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Folha de São Paulo,
23 de setembro de 2007
INADIMPLÊNCIA
Passo maior que a perna e desemprego
são vilões
No cenário atual de
estabilidade econômica, plano de prazo mais longo é o
que apresenta maior risco
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Apesar das condições "climáticas" favoráveis,
especialistas recomendam cautela para que a bonança
do crédito fácil não se transforme
em tempestade. A meteorologia do vice-presidente da Anefac
(Associação Nacional dos Executivos de Finanças,
Administração e Contabilidade), Miguel de
Oliveira, não descarta a possibilidade do surgimento
de nuvens carregadas no horizonte futuro.
" Não temos como dizer se a economia se mantém como está,
já que diversos fatores externos, a exemplo da atual crise do setor imobiliário
norte-americano, e mesmo internos, como mudanças de governo, atingem-nos
diretamente", analisa o economista.
Essa perspectiva se agrava com os prazos mais longos dos planos de
crédito. "Não dá para prever o que acontecerá em
30 anos", diz Amauri Bellini, presidente da ABMH. " O aumento
do prazo do financiamento não diminui a prestação
significativamente e o mutuário fica endividado por mais tempo,
correndo o risco de sofrer com mudanças econômicas. Benéfica
mesmo seria a maior redução dos juros."
A saída para dias de sol seria, então, ter pés
no chão e não dar um passo maior que a perna. Oliveira
ressalta que o perfil dos inadimplentes, hoje, é o dos que se
endividam descontroladamente e entram no ciclo vicioso dos "juros
sem fim", estourando sua renda.
" O grande problema é que o brasileiro tem mania de se endividar",
critica Bellini. " O primeiro imóvel tem que ser o mais básico,
para que se pague da maneira mais rápida possível, sem gastar,
no total, muito além do que vale o bem adquirido", aconselha.
Desemprego
Mesmo assim, para Antônio Barbosa, do Banco Real, houve amadurecimento
do perfil do tomador de crédito, que já quer entender
um pouco melhor o sistema de juros e de valores de parcelas, principalmente
numa dívida de longo prazo. " Não vemos mais o impulso
do "acho que vai dar", além de termos hoje critérios
de avaliação do cliente que nos fornecem outro nível
de verificação da capacidade de pagamento."
O desemprego, assim, ainda é o grande vilão da história
de muitos casos de inadimplência. " Em média, 70%
dos que me procuram deixaram de pagar o financiamento porque ficaram
desempregados", calcula Wilson Gomes, da ABMM. " Se não
houver descontrole da renda nem perda do emprego, o mutuário
pagará a dívida", completa Bellini. (GG)
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