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CONGRESSO EM FOCO, 25 de setembro de 2007
Vai doer no bolso
A CPMF, que caminha para ser aprovada no
Congresso, vai consumir R$ 1.049 de cada brasileiro até 2011,
aponta instituto. Petista desqualifica estudo
Eduardo Militão, Rodolfo
Torres e Edson Sardinha
Os deputados votam hoje (25) emendas e destaques à prorrogação
da Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF) até 2011. Mesmo não que não seja mantido,
o chamado “imposto do cheque” ainda vai sugar R$ 52,05 de cada
brasileiro desta terça-feira até 31 de dezembro, quando acaba
sua vigência.
Se for aprovada por deputados e senadores, o que é mais provável,
a CPMF vai levar R$ 1.049,05 de cada brasileiro de hoje até o sábado
31 de dezembro de 2011. Ao todo, o tributo vai tirar R$ 190,57 bilhões
da população. Os dados são do Impostômetro, (foto)
do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), que faz contagem
e estimativa dos tributos pagos pelos cidadãos, e da Associação
Comercial de São Paulo.
Com o valor arrecadado até 2011, muita coisa pode ser feita com as bilionárias
quatro letrinhas da CPMF. De acordo com o IBPT, os R$ 190,57 bilhões
permitiriam ao governo construir 14,1 milhões de casas populares, 15,8
milhões de salas de aula equipadas, 2,38 milhões de quilômetros
de redes de esgoto ou 259 mil quilômetros de asfalto. O dinheiro poderia
pagar 2 bilhões de benefícios do Bolsa Família ou comprar
1,19 bilhão de cestas básicas. Apenas com os recursos da CPMF
a ser recolhida nos próximos quatro anos, o fornecimento de remédios
para a rede de saúde de todo o Brasil estaria garantido por sete anos.
De acordo com o instituto, categorias profissionais como caminhoneiros, taxistas
e vendedores ambulantes são as que mais pagam CPMF. Ao todo, o Impostômetro
do IBPT prevê que cada brasileiro pagará cerca de R$ 4.800 em
tributos só este ano. No total, o país vai arcar com R$ 906 trilhões
em impostos, contribuições, fundos e taxas (veja quanto o brasileiro
já pagou e pagará até 31 de dezembro em tributos).
O pior do mundo
Especialistas em direito tributário rechaçam a CPMF. O tributarista
Ives Gandra Martins é um dos que endossam a opinião de Ana Krieger,
ex-vice-presidente do Fundo Monetário Internacional (FMI): “É o
pior tributo do mundo”. Ele ressalta o fato de 203 países terem
estudado a CPMF e só três terem implantado a cobrança.
“ Não é possível que tenhamos 200 países de
imbecis e só três países de gênios”, desabafa
Gandra. A Argentina, inventora do imposto do cheque, cobra uma alíquota
de 1%, mas depois desconta o valor no pagamento de outros tributos. O Brasil
mantém a taxa a 0,38% e a Colômbia, a 0,40%.
Segundo Gandra, a CPMF atinge não só o consumo, a produção
e o trabalho, como o próprio dinheiro. “Como onera o custo do
dinheiro, os juros são elevados por conta disso. Ninguém tributa
dinheiro, porque ele é a alavanca da economia”, dispara. O ex-secretário
da Receita Federal Osíres Lopes Filho diz que a CPMF é “invasora”. “Ela
entra em todas as bases de cálculo. Ninguém tributa dinheiro
em si; você tributa a expressão econômica que o dinheiro
encerra [produtos e serviços]”, reclama.
Para Osíris, prorrogar a CPMF é ilegal, porque a cobrança é temporária,
como está escrito na Constituição. “Como é que
pode? O governo, para aumentar a arrecadação, faz o diabo!”
O ex-secretário da Receita considera “uma lorota” o argumento
de que a contribuição serve para combater a sonegação
e a lavagem de dinheiro. “A Lei Complementar 105/2001 permite a quebra
do sigilo fiscal. Não precisa da CPMF para se descobrir caixa dois”,
critica Osíris.
Mas Henrique Fontana (PT-RS), um dos vice-líderes do governo na Câmara,
defende a proposta de prorrogação do imposto do cheque. Segundo
ele, a arrecadação anual de R$ 40 bilhões da CPMF é imprescindível
para o Brasil recuperar o tempo perdido no investimento em infra-estrutura
e nas políticas sociais. Fontana desqualificou a estimativa de pagamento
da contribuição medida pelo Impostômetro.
Segundo turno
A proposta de emenda à Constituição que prorroga a CPMF
foi aprovada em primeiro turno pela Câmara dos Deputados na semana passada.
Os deputados ainda precisam aprovar emendas e destaques à proposta,
o que está previsto para hoje, e submeter a matéria à votação
em segundo turno.
Da Câmara, a proposta será enviada para o Senado. Lá, vai
passar pela Comissão de Constituição e Justiça
e seguir para votação em dois turnos no plenário. O líder
do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), acredita que a continuidade
da CPMF só será garantida no final de novembro ou no início
de dezembro. Pela Constituição, o tributo deveria acabar em 31
de dezembro deste ano.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA, 25 de
setembro de 2007
Para romper contrato, empregador
precisa provar culpa de funcionário
A ruptura do contrato de representação comercial por iniciativa
do empregador atrai para ele a incumbência de apresentar provas
de que a culpa foi do empregado, nos termos do artigo 333 do CPC (Código
de Processo Civil), pelo qual “o ônus da prova incumbe ao
réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo
ou extintivo do direito do autor”.
Com base neste fundamento, a 4ª Turma do TRT-MG (Tribunal Regional
do Trabalho de Minas Gerais) negou provimento a recurso ordinário
de uma empresa, condenada em primeira instância a pagar indenização
a um ex-empregado, representante comercial, por ter rescindido o contrato
de representação que havia entre eles.
Em sua defesa, a empresa negou que o
contrato de representação
tenha sido extinto por ela e que nunca dispensou os serviços
do reclamante. Ao contrário, foi o próprio reclamante
quem rescindiu o contrato por conta própria ao deixar de visitar
os clientes e emitir os pedidos de vendas.
Mas o TRT-MG entendeu que, ao alegar
abandono de serviço, a
reclamada atraiu para si o ônus de provar suas alegações.
E desse ônus não se desincumbiu. A própria testemunha
arrolada pela reclamada não conseguiu esclarecer de quem foi
a iniciativa de colocar fim ao contrato de representação
comercial ou qual o período certo em que o fato ocorreu. Por
isso, a Turma manteve o entendimento de que a ruptura do contrato de
representação se deu sem justo motivo, por iniciativa
da empresa.
Como o contrato foi firmado por prazo
indeterminado e a rescisão
unilateral e não antecedida de aviso prévio, o reclamante
faz jus à indenização. Ele irá receber
indenização correspondente a 1/12 do total dos seus rendimentos
durante o tempo em que exerceu a representação e também,
a título de aviso prévio, o equivalente a 1/3 do total
das comissões auferidas nos três meses anteriores à data
da rescisão.
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ÂMBITO
JURÍDICO, 25 de setembro de 2007
Empregado que demorou para
ajuizar ação perde direitos
Um empregado da Companhia Siderúrgica Nacional – CSN perdeu
o direito de pleitear indenização por danos morais em virtude
de surdez adquirida no trabalho, porque demorou muito para ajuizar a reclamação
trabalhista. Ele se aposentou em janeiro de 1989 e somente ajuizou a ação
em 16 de dezembro de 2004, após a edição da Emenda
Constitucional nº 45/2004, e posterior ao biênio previsto no
art. 7º, XXIX, da Constituição Federal de 1988.
A Sexta Turma do Tribunal Superior do
Trabalho, acompanhando o voto do relator do processo, ministro Aloysio
Corrêa da Veiga, considerou
prescrita a pretensão do empregado, e o recurso de revista não
foi provido. “Em se tratando de dano moral decorrente da relação
de trabalho, o autor tem dois anos após a extinção
do contrato de trabalho para ajuizar a ação visando ao
pagamento da indenização, respeitado o prazo de cinco anos
quando o suposto dano ocorrer na vigência do contrato”, destacou
o acórdão.
O empregado foi admitido pela CSN em novembro
de 1971, após passar
por exame admissional de saúde que o considerou apto para o trabalho.
Na ação impetrada na Vara Cível da comarca de Volta
Redonda (RJ), disse que “trabalhou durante todo o tempo em local
insalubre, exposto diariamente a níveis não permissíveis
de ruído devido à existência de várias máquinas,
sempre ligadas em conjunto, muito ruidosas e com alta pressão
sonora”. Alegou que a empresa jamais se preocupou em eliminar ou
atenuar os índices de ruído, o que o levou a adquirir “hipoacusia
neurossensorial bilateral” (redução auditiva). Pediu
indenização por danos morais de 200 salários mínimos
alegando culpa do empregador, que não forneceu os protetores auriculares
indispensáveis ao exercício da função.
O juiz da Vara Cível declinou da competência em favor da
Justiça do Trabalho que, por sua vez, extinguiu o processo, ante
o instituto da prescrição. O empregado recorreu ao Tribunal
Regional do Trabalho da 1ª Região (RJ) pleiteando a aplicação
do prazo prescricional previsto no Código Civil: “se a ação
de reparação de danos decorrentes de acidente do trabalho
contém uma pretensão de natureza civil, embora o fato tenha
acontecido no seio de uma relação de trabalho ou emprego,
o prazo a ser aplicado é de três anos, previsto no inciso
V, do artigo 206 do Código Civil de 2002”, disse ele.
O TRT/RJ julgou desfavoravelmente ao empregado.
Segundo o acórdão,
a EC 45, que ampliou a competência da Justiça do Trabalho,
foi promulgada em 8 de dezembro de 2004, ou seja, antes de distribuída
a ação. O TRT concluiu que o ajuizamento da ação
na esfera cível buscou tão somente a aplicação
da prescrição do Código Civil e negou provimento
ao recurso. O empregado insistiu em sua tese no TST, mas sem sucesso. “As
ações trabalhistas têm seu prazo prescricional estabelecido
no artigo 7º, XXIX, da Constituição Federal, sendo
bienal, contada a partir da extinção do contrato de trabalho,
retroagindo cinco anos na vigência do contrato de trabalho”,
concluiu o relator. (RR-1292/2005-342-01-00.1)
(Cláudia Valente)
Fonte: TST
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ÂMBITO
JURÍDICO, 25 de setembro de 2007
Juiz pode conceder prazo
para discriminação das parcelas do acordo
A 5ª Turma do TRT-MG negou provimento a recurso da União Federal,
que protestava contra decisão que permitiu às partes apresentarem
a discriminação das parcelas do acordo em momento posterior
ao da homologação. A União invocou o artigo 43, da
Lei 8212/91, além dos artigos 2º, 128º e 460º do
CPC, e 142, do CTN para fundamentar seu pedido. No entanto, a desembargadora
Lucilde D'Ajuda Lyra de Almeida ressaltou que, “na hipótese
de acordo, quando são as próprias partes que estabelecem
os termos do ajuste, através do qual dão término à lide,
compete às mesmas indicar a natureza das parcelas que integram a
avença e não há nenhuma imposição legal
para que seja feito na mesma data em que foi formalizado o acordo”.
Ainda segundo a desembargadora,
o parágrafo 3º, do artigo
832, da CLT, estabelece que as decisões deverão sempre
indicar a natureza jurídica das parcelas constantes da condenação
ou do acordo homologado, mas não dispõe que a discriminação
dessas parcelas tenham que ser realizadas na mesma oportunidade. Até porque,
o juízo, mesmo após a homologação do acordo,
poderá rejeitar a discriminação das parcelas se
elas estiverem em desacordo com as normas legais, sem que isso altere
a decisão homologatória. No mais, o juiz pode conceder às
partes um prazo para realização de atos processuais, como
feito na sentença homologatória.
Assim como o reclamado
apresentou no prazo hábil a discriminação
de parcelas de natureza indenizatória e de natureza salarial,
no valor total do acordo, a Turma decidiu pela improcedência da
pretensão da União Federal.
( RO nº 01568-2005-023-03-00-8
)
Fonte: TRT3
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ÂMBITO JURÍDICO, 25 de
setembro de 2007
Trabalho de bordadeira
em domicílio exercido de forma personalíssima caracteriza
vínculo empregatício
Avaliando a real natureza jurídica do trabalho de bordadeira, a
1ª Turma do TRT-MG, entendeu que ele é centrado na contratação “intuitu
personae” (isto é, aquele contrato que se firma em função
da pessoa contratada, que não pode se fazer substituir). Por esta
razão, reconheceu a existência de vínculo empregatício
entre uma bordadeira e a reclamada, determinando o retorno do processo à Vara
de origem para julgamento do mérito da reclamação
trabalhista.
O fundamento foi o de que a prova produzida
pela própria reclamada
falou contra a tese do trabalho autônomo, tornando clara a obrigação
da pessoalidade na prestação de serviços, calcado
na habilidade manual da reclamante na confecção dos bordados.
No mais, não houve prova de que a reclamada possui um quadro de
bordadeiras capaz de suportar a sua atividade-fim, sendo inaceitável
a tese da defesa de que mantinha uma encarregada do segmento de bordados,
responsável pela captação de trabalhos realizados
por bordadeiras autônomas.
Para o redator do recurso, desembargador
Manuel Cândido Rodrigues, “é impossível
admitir, juridicamente, como autônomo, um trabalho estritamente
assentado na ordem da pessoalidade, e voltado para a satisfação
da atividade fim de uma empresa que, ao lado de não contar, em
seus quadros, com trabalhadores que aquela suportem, conta fora dela
com uma mão-de-obra qualificada de 170 bordadeiras - entre as
quais, confessadamente, a reclamante”.
( RO nº 00495-2007-137-03-00-0 )
Fonte: TRT3
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 25 de setembro de 2007 | Brasil
Governo libera mais para quem apóia
CPMF
Líder do governo, José Múcio
(PTB-PE) nega relação entre liberações de
emendas de deputados e votação da contribuição
| Entre os 20 parlamentares que tiveram o maior atendimento das emendas,
só dois, ambos do DEM-BA, votaram contra o imposto
RANIER BRAGON
FÁBIO ZANINI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Os 338 deputados federais
que votaram a favor da prorrogação da cobrança
da CPMF até 2011, na última quarta-feira, tiveram suas
emendas ao Orçamento atendidas pelo governo federal em valores
que, na média, superaram em 52% o que foi destinado aos 117
deputados que foram contra.
Desde agosto, quando a emenda da CPMF começou a tramitar para valer
na Câmara, até a última quarta-feira, os favoráveis à prorrogação
da CPMF (o "imposto" do cheque) tiveram atendimento médio
a suas emendas no valor de R$ 221 mil. Aos contrários à medida,
destinou-se, em média, R$ 145 mil.
No topo da lista dos mais agraciados estão dois irmãos do presidente
do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), os deputados federais Olavo Calheiros
(PMDB-AL) -o líder, com R$ 3,3 milhões de verbas- e Renildo Calheiros
(PC do B-PE) -o terceiro, com R$ 2 milhões. Renildo e Olavo foram procurados
ontem pela Folha, mas não foram encontrados.
Entre os 20 que tiveram o maior atendimento de suas emendas, só dois
votaram contra a CPMF. Ambos são do DEM da Bahia, Estado onde o governo
está fazendo um arrastão para atrair o espólio político
do senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), morto em julho.
No Estado, já foi cooptado o senador César Borges (que vai para
o PR), enquanto o deputado Claudio Cajado está a um passo do PP.
Os dados são fruto de cruzamento feito pela Folha com base em dados
coletados no Siafi (sistema de acompanhamentos dos gastos federais) pela assessoria
de Orçamento da liderança do DEM na Câmara. Os valores
totalizam a movimentação de 1º de agosto a 19 de setembro
relativa a empenhos (compromisso do governo de liberar a verba), valores efetivamente
pagos e restos a pagar (compromissos firmados em anos anteriores) de 2006 liberados
agora.
O direcionamento de verbas para as emendas dos parlamentares ao Orçamento é um
antigo mecanismo usado pelo governo -não só o atual- para construir
maiorias no Legislativo. Do outro lado, parlamentares condicionam o voto à liberação.
" O governo Lula continua estimulando a transformação do Estado
brasileiro em um balcão de negócios. São pelo menos mais
41 votações até o 2º turno [da CPMF na Câmara];
vai abrir a bolsa muito mais, a conta vai ser mais salgada", disse o líder
da bancada do DEM, Onyx Lorenzoni (RS).
O deputado José Múcio (PTB-PE), líder do governo na Câmara,
nega relação entre as liberações e a votação
da CPMF. "Não tem absolutamente nada a ver. O que aconteceu é que
houve um problema burocrático no Ministério da Fazenda e não
saiu nada no último trimestre. Agora está saindo, mas está liberando
para todos, para quem apóia o governo e para quem não apóia."
Os dois integrantes do DEM que compõem a lista dos 20 mais agraciados
são Luiz Carreira (DEM-BA), o 12º na lista, com R$ 1,5 milhão,
e Paulo Magalhães (DEM-BA), o 20º, com R$ 1,2 milhão. Carreira
diz que grande parte da verba refere-se a restos de anos anteriores para algumas
prefeituras. Ele nega que esteja sendo cooptado pelo governo, mas confirma
que recebeu sondagens para mudar de lado. Magalhães não foi localizado
pela Folha.
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 25 de setembro de 2007 | Brasil
Renan é excluído de reunião
por líderes do governo e da oposição
Encontro de hoje visa tentar destravar pauta
de votações do Senado e mostrar a peemedebista que sua
permanência não estanca crise | Opositores querem incluir
na pauta a discussão do voto aberto; Planalto teme que crise se
estenda e atrapalhe a chegada na Casa da CPMF
SILVIO NAVARRO
ANDREZA MATAIS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Diante da resistência
do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), em permanecer no
cargo, líderes do governo e da oposição decidiram
excluí-lo de uma reunião, marcada para hoje, que visa
tentar um pacto para retomar as votações na Casa.
A estratégia de "ignorar" Renan, segundo os líderes
da oposição, tem dupla finalidade: mandar um recado de que a
permanência dele no posto não estancará a crise e tentar
incluir na pauta, sem a interferência do peemedebista, o voto aberto
e o fim da sessão secreta. Até o início da crise, esse
tipo de reunião ocorria invariavelmente no gabinete da presidência,
com Renan à frente.
A insatisfação com a presença do presidente do Senado
no posto se ampliou e ganhou adesão de parte da bancada do PT após
o fracasso das tentativas de votar indicações de autoridades
na semana passada. Desde então, surgiram manifestações
explícitas no PT.
Também existe uma preocupação com a pauta trancada na
base governista devido à chegada da emenda que prorroga a CPMF (Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira), prevista para
o dia 15 de outubro.
Depois das declarações de Aloizio Mercadante (PT-SP) pedindo
a saída de Renan, ontem foi a vez do primeiro-vice-presidente do Senado,
Tião Viana (PT-AC), atribuir ao peemedebista o "impasse" que
se instalou na Casa.
" [A reunião sem Renan] é uma expressão da crise, mostra
o clima em que está o Senado", disse o petista.
"É muito difícil haver qualquer reconciliação
ou ambiente ameno para construirmos uma agenda de votações. O impasse
está na permanência do presidente da Casa. Eu não posso,
por lealdade a isso, defender o afastamento. Mas não vou mentir, se disser
o contrário, estarei mentindo", afirmou o senador.
Tião ainda ironizou um suposto acordo, que circula há meses na
Casa, para que Renan se licenciasse depois da sua absolvição
no caso Mônica Veloso. "Combinaram o casamento, o noivo e o padre,
mas esqueceram de falar com a noiva."
" Não houve acordo com ninguém. O que existe é insinuação
e só interessa a quem quer a presidência", afirmou Almeida
Lima (PMDB-SE).
Pauta mínima
Para negociar uma pauta mínima de votação, a oposição
exige que sejam incluídos três itens na pauta: 1) a PEC (emenda
constitucional) do voto aberto; 2) o fim das sessões secretas em votação
de cassação de mandato; 3) um projeto que exige o afastamento
da Mesa de senadores que enfrentem processos por quebra de decoro.
" Essa pauta é o limite e só terá solução
se colocarmos esses três itens como prioritários na pauta",
disse o líder do DEM, José Agripino Maia (RN), que ainda aposta
no crescimento de "focos de insatisfação" contra Renan. "A
próxima querela vai ser entre o PMDB e o PT."
Medidas provisórias travam a pauta do Senado. Há também
uma lista de indicações de autoridades que precisam do aval do
plenário. O primeiro da fila é o indicado para dirigir o Dnit
(Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes), Luiz Antonio Pagot.
Há uma inquietação entre os líderes do governo
com a possibilidade de a crise se estender e coincidir com a chegada da emenda
da CPMF. Nesse caso, além da pauta trancada, a margem de negociação
com a oposição seria menor devido ao desgaste prolongado.
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 25 de setembro de 2007 | Brasil
MST invade prédios públicos
e faz protestos em 10 Estados
Movimento pressiona governo federal a assentar
150 mil famílias em todo o país | José Batista de
Oliveira, da direção nacional do MST, diz que famílias
continuam à espera de créditos, casas, escolas e assistência
técnica
DA AGÊNCIA FOLHA
DA SUCURSAL DO RIO
DA FOLHA ONLINE
O MST (Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra) realizou manifestações ontem em pelo
menos dez Estados (SP, RJ, MG, MA, SC, AL, CE, MT, GO e PB). Houve
invasões a superintendências do Incra, protestos em frente
a órgãos ligados ao Ministério da Fazenda e bloqueios
de rodovias. Nas contas do MST, cerca de 8.000 pessoas participaram
dos atos.
Segundo o movimento, haverá mobilização durante toda a
semana para pressionar o governo federal a assentar 150 mil famílias
acampadas no Brasil.
" As famílias continuam à espera de créditos, de assistência
técnica, de moradias, de escolas. Havia um compromisso desde a marcha
de 2005", afirma José Batista de Oliveira, da direção
nacional do MST.
Em São Paulo, cerca de 600 integrantes do MST invadiram o Incra para
cobrar o assentamento imediato das 3.000 famílias acampadas nas estradas
paulistas, e outros 800 (segundo o movimento) fizeram protesto em frente à Secretaria
de Justiça do Estado -que disse que o número de manifestantes
não passava de cem.
No Rio, cerca de 400 integrantes do MST acamparam em frente ao prédio
do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) para
protestar contra a falta de linhas de crédito para o campo e cobrar
o assentamento de 1.200 famílias acampadas.
Em Fortaleza (CE), cerca de 1.500 sem-terra invadiram o prédio do Incra
para reivindicar uma audiência com o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva para agilizar a reforma agrária.
Também houve manifestações em órgãos ligados
ao Ministério da Fazenda em Florianópolis, Cuiabá, Goiânia
e João Pessoa. Segundo Oliveira, "a política econômica
define as prioridades deste governo. As grandes decisões passam pelo
ministério. A nossa avaliação é que não
está sendo dada prioridade para a reforma agrária".
Em Belo Horizonte (MG), cerca de 400 trabalhadores sem-terra invadiram a sede
do Incra. Não houve interrupção do funcionamento do órgão.
Em Santa Catarina, além da capital (onde ocorreu protesto na Assembléia
Legislativa), houve invasão ao Incra em Chapecó. A sede do instituto
também foi alvo dos manifestantes em São Luís (MA).
Em Mato Grosso, cerca de 300 trabalhadores fizeram uma vigília em frente
ao prédio da Receita em Cuiabá. Outro grupo bloqueou um trecho
da BR-163 entre Itaúba e Sinop.
Em Alagoas, 2.000 pessoas se reuniram em uma manifestação em
frente ao prédio do Incra em Maceió, segundo o MST. Em Goiânia,
os protestos também ocorreram diante da sede local do Incra. A Folha
entrou em contato com o Incra ontem. Até a conclusão desta edição,
o órgão não se pronunciou.
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 25 de setembro de 2007 | Dinheiro
BENJAMIN STEINBRUCH
Desenvolvimento
O país não pode viver para
sempre amedrontado com os fantasmas já exorcizados da hiperinflação
do passado
NO FIM DE JUNHO, quando o Conselho
Monetário Nacional decidiu manter a meta de inflação
em 4,5% para 2009 e 2010, houve um ranger de dentes entre os críticos
mais ortodoxos. Segundo estes, a decisão poderia sinalizar um
comportamento leniente em relação à manutenção
da estabilidade de preços, algo muito perigoso para um país
com pesada carga histórica de crises inflacionárias.
Não faria nenhum sentido, na opinião desses críticos,
manter a meta de 4,5% quando a inflação anual já estava
em torno de 3,5%. O certo seria se apropriar dessa conquista e perseguir um
patamar no mínimo igual a esse nos próximos anos.
Passados três meses, comprova-se o acerto da decisão do CMN. A
variação anual do IPCA em agosto subiu para 4,1%, e o mercado
alterou para cima sua previsão de inflação para 2007.
Se a meta tivesse sido reduzida para 4% ou para 3,5%, como queriam os mais
radicais, o Banco Central já estaria se colocando hoje em situação
difícil. Certamente não daria continuidade ao corte de juros
neste fim de ano e no início de 2008, porque teria de se preocupar em
atingir uma meta de inflação bem menor no futuro imediato.
Mesmo com a elevação momentânea das taxas de inflação,
provocada principalmente pelos alimentos, o BC tem espaço para perseguir
a meta mais folgada de 4,5% sem maior arrocho monetário, que seria um
desastre neste momento, pela sinalização negativa para investimentos.
A curva descendente dos juros, ainda que estes permaneçam elevados,
fez disparar investimentos empresariais cuja manutenção depende
da continuidade de expectativa.
Veio do BC americano um exemplo formidável, que começou a marcar
a personalidade de Ben Bernanke, substituto de Alan Greenspan no Fed. O corte
surpreendente de 0,5 ponto percentual nos juros mostrou sensibilidade da autoridade
monetária para combater uma possível recessão na economia
dos EUA. Que sirva de referência. Aqui, esse cuidado nem passaria pelas
planilhas.
O país não pode viver eternamente amedrontado com os fantasmas
já exorcizados da hiperinflação do passado. Precisa se
voltar para o futuro, fomentar investimentos e pensar em abrir empregos para
os brasileiros. O pífio crescimento do PIB dos últimos anos,
ajudado por programas sociais, já produziu efeitos fantásticos.
A famosa promessa que o presidente Lula diz não ter feito, de criar
10 milhões de empregos no primeiro mandato, não ficou tão
longe de se realizar. De 2003 a 2006 foram criados 8,7 milhões de postos
de trabalho. Só no ano passado, 6 milhões de pessoas saíram
da miséria. Mas ainda há 36 milhões de miseráveis,
vivendo com menos de R$ 125 por mês.
É função de governo e dos bancos centrais se contrapor a
ondas depressivas e mostrar coragem ao apostar no caminho do crescimento.
Também há riscos inflacionários nos EUA. O preço
do barril de petróleo já passa de US$ 80 e as commodities voltaram
a subir. O dólar pode perder valor. Mas Bernanke deu o exemplo. O corte
corajoso dos juros não garante que a crise provocada pelo mercado hipotecário
tenha sido estancada nos EUA. Mas é um forte sinalizador, comemorado
com euforia pelos mercados, de que a autoridade monetária não
assistirá de braços cruzados o esfriamento da economia.
A estabilização foi uma vitória da sociedade brasileira.
Mas é passado, uma conquista magnífica nos anos 1990, assim como
a redemocratização foi a marca da década de 1980. Assuma-se,
definitivamente, que esta década é a do desenvolvimento.
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BENJAMIN STEINBRUCH
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 25 de setembro de 2007 | Dinheiro
Governo já prepara lista de
maus pagadores
DA FOLHA ONLINE
A Procuradoria Geral da Fazenda
Nacional já prepara a relação de maus pagadores
do Tesouro a ser enviada à Serasa, criando uma espécie
de lista dos devedores de tributo a ser incluída no cadastro consultado
por empresas que fornecem crédito para saber se o tomador é bom
pagador ou tem dívidas em aberto .
A medida será efetivada a partir da publicação de portaria
que vai normatizar o processo, prevista para as próximas duas semanas.
" Existem mais de 3 milhões de pessoas físicas e jurídicas
na dívida ativa. Estamos fazendo uma depuração para depois
listar os nomes e evitar situações de inscrições
indevidas, como devedores que tenham créditos suspensos, por decisão
judicial, por garantia oferecida ou por parcelamento", disse o procurador
geral da Fazenda Nacional, Luiz Inácio Lucena Adams, em entrevista à "Rádio
Nacional".
Segundo Adams, a intenção da Procuradoria em divulgar os devedores é proteger
o sistema de crédito brasileiro, prevenindo que débitos já em
cobrança possam prejudicar os fornecedores de créditos.
" Todo o registro do Serasa e dos órgãos de proteção
ao crédito tem a função informativa. Ou seja, o fornecedor,
ao saber dessa informação, toma a decisão de fornecer ou
não o crédito", afirmou ele.
De acordo com o procurador, "o registro no sistema não impede o
fornecimento de crédito" -ele tem título apenas informativo.
Adams disse que também está em discussão no Ministério
da Fazenda uma Lei Geral de Transação Tributária, para
situações particulares, que demonstrem incapacidade de pagamento.
Nesse caso, o devedor poderia regularizar sua situação.
Ele informou que, independentemente disso, compete ao devedor buscar a administração
tributária para ver se há condições de parcelamento
da dívida e, então, poder quitá-la no prazo de cinco anos.
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 25 de setembro de 2007 | Dinheiro
MP sobre o PAC permite drible em restrição
aos gastos públicos
Com a medida, recursos liberados para Estados
e municípios ficam livres de restrições da Lei de
Responsabilidade Fiscal, ao tratar como obrigatórias as transferências
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Uma medida provisória
editada sem alarde pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva permite
que a União drible restrições da LRF (Lei de Responsabilidade
Fiscal) ao repassar verbas do PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento) às demais unidades da federação.
Voltada principalmente para as obras de saneamento e habitação
popular, a MP, que chegou à Câmara dos Deputados no início
deste mês, permite ao Executivo tratar como obrigatórias as transferências
de recursos do PAC aos Estados e municípios, o que livra as operações
das regras mais rígidas aplicadas às chamadas transferências
voluntárias.
O expediente heterodoxo já suscitou questionamentos jurídicos
entre especialistas em contas públicas. As transferências obrigatórias
são previstas na Constituição ou em leis e seguem regras
permanentes -o exemplo clássico são os fundos constitucionais
que destinam uma parcela fixa da arrecadação federal aos cofres
estaduais e municipais.
Já os projetos do PAC com participação das outras unidades
federativas têm as características típicas das transferências
voluntárias, em que a União firma convênios de duração
e montante limitados para o repasse das verbas, sempre condicionados à execução
de um projeto específico e a contrapartidas do Estado ou município
beneficiado.
LRF
Pela Lei de Responsabilidade Fiscal, cujo objetivo principal é evitar
que os governos se endividem em excesso para atender a objetivos políticos
dos governantes, só podem receber recursos de transferências voluntárias
os Estados e os municípios que estejam em dia no pagamento de tributos
federais e dívidas com a União.
Além disso, o beneficiário deve cumprir o gasto mínimo
em educação e saúde determinado pela Constituição
e os limites máximos fixados na legislação para dívidas
e gastos com pessoal. Esses limites vêm dificultando as obras do PAC
tocadas pelo Ministério das Cidades, que já selecionou projetos
de R$ 12,2 bilhões em recursos do Orçamento para saneamento e
habitação.
A área técnica do TCU (Tribunal de Contas da União) chegou
a propor uma análise sobre a constitucionalidade da MP editada pelo
governo Lula, mas a iniciativa foi abortada porque o órgão considerou
que tal julgamento compete ao Supremo Tribunal Federal.
Maior partido de oposição no Congresso, o DEM avalia que a medida
também permitirá ao governo liberar recursos do PAC às
vésperas das eleições municipais do próximo ano
-a legislação veda transferências voluntárias nos
três meses que antecedem o pleito.
O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, disse que a MP teve
como objetivo melhorar o planejamento de longo prazo dos investimentos públicos
e negou qualquer flexibilização no ajuste fiscal por causa da
mudança. Segundo ele, a MP inclui apenas os repasses feitos a obras
do PAC que serão executadas por Estados e municípios. As demais
continuarão sujeitas aos critérios anteriores. Além disso,
os limites de endividamento continuarão os mesmos.
" As ações do PAC são de médio e longo prazo.
Não podem estar sujeitas a interrupção por fatos episódicos
que às vezes acontecem", afirmou.
Na avaliação de Augustin, para que as obras do PAC tenham continuidade é preciso
que o fluxo de recursos seja garantido, o que poderá ser feito com a
MP. Além disso, afirma que a medida permitirá a Estados e municípios
planejarem melhor seus investimentos.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 25 de setembro de 2007 | Dinheiro
Programa estará "a todo
o vapor" em 2008, diz Lula
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva relacionou ontem, em seu programa semanal de rádio,
o Café com o Presidente, os números do PAC (Programa de
Aceleração do Crescimento) com o crescimento da economia
brasileira. Lula disse estar "convencido" de que o crescimento
do PIB, o aumento do salário, a queda do desemprego e o crescimento
do consumo das famílias brasileiras estão "intimamente
ligados ao PAC".
O presidente citou especificamente o setor da construção civil,
que segundo ele estava "praticamente paralisado" nos últimos
20 anos. Lula chamou o PAC de "um desafio", não só para
o governo, mas também para a iniciativa privada.
Disse que os números do PAC apresentados na última quinta-feira
são "mais do que positivos" e projetou que o programa poderá,
a partir do ano que vem, "funcionar 100% a todo o vapor".
Em entrevista à Folha, na semana passada, a ministra Dilma Rousseff
(Casa Civil), gerente do PAC, disse que Brasil vai se transformar num "canteiro
de obras públicas e privadas" no próximo ano, quando haverá eleições
municipais.
Lula afirmou que sua expectativa é que as obras de saneamento básico
previstas comecem, "quase todas", em fevereiro. O governo promete
R$ 40 bilhões em quatro anos para esse fim.
Lula também contestou as críticas de que até agora foi
liberado pouco dinheiro para a aplicação do que está previsto
no Orçamento. "Veja, não é pouco, se você levar
em conta o seguinte: você vai liberando de acordo com o andamento da
obra. Nós temos, para este ano, R$ 14,771 bilhões, ou seja, desses,
apenas 10% já foram pagos, na verdade, mas já foi empenhado muito
mais. E você vai pagando na medida em que vai executando as obras",
disse o presidente.
O segundo balanço do PAC, divulgado na última quinta, mostrou
que subiu de 52,5% para 79,9% a quantidade de ações consideradas
adequadas do programa. Mas também subiu a de ações tidas
como preocupantes -de 8,4% para 9,7%.
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 25 de setembro de 2007 | Dinheiro
sociais & cia.
Terceiro setor questiona ação
empresarial de ONGs
Montagem de negócios para gerar
receita própria abre debate sobre limites éticos e legais
| Discussão sobre atividades das ONGs envolve desde tratamento
tributário diferenciado até facilidades para fornecer ao
governo
ANDRÉ PALHANO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
O aumento da busca de geração
de receita própria por parte das ONGs (organizações
não-governamentais), com a venda de produtos e serviços
dos mais variados tipos, vem despertando um novo debate no terceiro
setor: a existência ou não de limites legais ou éticos
para a atuação empresarial dessas organizações.
Trata-se de uma discussão com várias vertentes, que ganhou fôlego
com o aumento do número de entidades. Vai desde o questionamento sobre
o fato de as ONGs terem tratamento tributário diferenciado -o que, em
tese, as coloca em situação de vantagem em relação
aos concorrentes do setor privado- até a criação de ONGs
por pessoas e empresas com o único objetivo de serem dispensadas de
licitação na prestação de serviços ao setor
público -objeto até de escândalos recentes envolvendo desvios
de dinheiro público.
" Esse é um debate interessante. A busca cada vez maior das ONGs
por recursos próprios, legítima na medida em que elas devem buscar
sua independência em relação a governos e a empresas, acabou
criando uma zona cinzenta muito grande sobre os limites de sua atuação
-onde deveria ir como ONG, onde deveria ir como empresa", avalia o advogado
Eduardo Szazi, consultor jurídico do Gife (Grupo de Institutos, Fundações
e Empresas) e professor de direito do terceiro setor da FIA-USP (Fundação
Instituto de Administração) e da Fundação Getulio
Vargas.
O problema, diz ele, é que esses limites são tênues. "É como
querer classificar a foto de uma mulher nua como pornografia ou como nu artístico.
A diferença existe, mas os conceitos envolvidos muitas vezes não
são objetivos", compara.
Lucro
É importante esclarecer, afirmam os especialistas, que o fato de as ONGs
serem entidades sem fins lucrativos não as impede de desenvolver atividades
econômicas. Segundo eles, essa busca pela própria sustentabilidade
financeira é algo saudável, sobretudo se realizada de modo profissional.
" As ONGs têm legitimidade para isso, inclusive em termos legais.
A única coisa que não me parece coerente é que elas atuem
ou desenvolvam produtos e serviços sem nenhuma relação com
sua missão na sociedade. É o caso, por exemplo, de uma ONG que
trabalhe com educação abrir um restaurante sem nenhuma motivação
educacional", aponta Eleílson Leite, diretor regional da Associação
Brasileira de Organizações Não-Governamentais (Abong) em
São Paulo.
Relação direta
É justamente esse o conceito sobre limites de atuação empresarial
das ONGs mais utilizado -e aceito- hoje em dia no terceiro setor: se ela guarda
ou não alguma relação com sua atividade principal, de preferência
de maneira direta. "É importante que tenhamos essa relação
com a atividade-fim de cada organização, aquilo que é a
sua grande causa na sociedade. Um hospital filantrópico, por exemplo,
tem de agir como hospital e pode cobrar por isso. Afinal, ele tem de pagar seus
médicos, suas contas, seus equipamentos. A coisa já muda de figura
se esse hospital começar a ganhar dinheiro com a propaganda de remédios
ou com a consultoria em gestão hospitalar", exemplifica Szazi.
Como grande parte das empresas tem preferido alocar integralmente o seu trabalho
de responsabilidade socioambiental para as ONGs, outra questão que se
coloca no debate é a propriedade com que tais organizações
poderão tratar de temas com os quais, em tese, não estão
familiarizadas -como o planejamento mercadológico de seus produtos e
serviços.
Segundo os especialistas, a forma como as ONGs lidam com sua gestão
pode definir sua própria sustentabilidade. "Começamos a
ver as empresas se preocupando com essa gestão profissional dos serviços
e produtos prestados pelas ONGs que apóiam. Muitas vezes, é preferível
que as próprias ONGs contratem parceiros para determinadas ações,
concentrando, assim, o foco no que sabem fazer: a ação social",
afirma Clarissa Medeiros, diretora da Eis Comunicação, empresa
de relações públicas especializada no terceiro setor.
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AGÊNCIA CÂMARA,
25 de setembro de 2007
Finanças pode votar reforma
sindical na quarta
A Comissão de Finanças
e Tributação pode votar, na quarta-feira (26), o Projeto
de Lei 1528/89 e mais 13 apensados, que tratam da reforma sindical.
A reforma envolve a regulamentação do artigo 8º da
Constituição, sobre a organização sindical.
O relator, deputado João Dado (PDT-SP), ainda não apresentou
parecer à matéria.
Sigilo fiscal
Também poderá ser votado o Projeto de Lei Complementar (PLP)
16/07, do deputado Vital do Rêgo Filho (PMDB-PB), que autoriza a liberação,
para investigações policiais ou judiciais, dos dados bancários
e fiscais de detentores de mandatos eletivos, sem que isso seja considerado
quebra de sigilo.
O relator, deputado Max Rosenmann
(PMDB-PR), recomenda a aprovação da proposta, com emenda
que submete à prévia autorização judicial
o fornecimento à administração pública de
informações sigilosas relativas a ocupantes de mandato
eletivo.
Participação
na LOA
Está na pauta ainda o Projeto de Lei Complementar 22/07, do deputado
José Linhares (PP-CE), que institui a obrigatoriedade de participação
popular na elaboração da Lei Orçamentária Anual
(LOA) no âmbito da União, dos estados, dos municípios e
do Distrito Federal.
Os critérios de participação
serão definidos pelas leis de diretrizes orçamentárias,
que traçam as regras para elaboração do orçamento
anual. O projeto recebeu parecer favorável do relator, deputado
José Pimentel (PT-CE).
A comissão reúne-se
a partir das 10 horas, no plenário 4.
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AGÊNCIA DIAP, 25 de setembro de 2007
Projeto que determina métodos
de recrutamento de trabalhador está em pauta na CAS do
Senado
A Comissão de Assuntos Sociais do Senado poderá analisar o projeto
que trata das formas usadas para a contratação de trabalhadores
do País. Em alguns casos, trabalhadores, ávidos por um emprego
são submetidos a testes humilhantes.
O PLS 262/03, do senador Paulo Paim (PT/RS), proibe o uso de métodos
de recrutamento de pessoal que possam causar dano a honra e a dignidade do
trabalhador. A matéria tem como relatora a senadora Kátia Abreu
(DEM/TO) e seu parecer é favorável ao projeto.
Desconto
Outra proposta em pauta no colegiado é a que favorece os trabalhadores
que exercem funções de caixas, cobradores de ônibus, garçons
e frentistas dos postos de gasolina, que são obrigados por meio de notas
promissórias, entre outras formas, de pagarem por prejuízos causados
por cheques sem fundo, roubados, entre outros.
O PLS 194/07, do senador César Borges (DEM/BA), tem como relator na
Comissão o senador Garibalde Alves Filho (PMDB/RN) e seu parecer é pela
aprovação da proposta.
O colegiado se reúne nesta quarta-feira, 26/09, às 11 horas,
no plenário 9, Ala Senador Alexandre Costa.
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AGÊNCIA BRASIL, 25 de
setembro de 2007
"Desqualificada" por senadores,
fiscalização contra trabalho escravo suspende atividades
A Secretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério do
Trabalho e Emprego suspendeu por tempo indeterminado as ações
do Grupo Especial de Fiscalização Móvel, criado em 1995
para combater o trabalho escravo no país. A decisão foi comunicada
ao ministro Carlos Lupi na última sexta-feira (21), por meio de memorando
encaminhado pela secretária Ruth Vilela, responsável pelas ações
e sob o argumento de que haveria “interferências políticas”.
No documento, Vilela explica que a decisão foi tomada após "recente
desqualificação" feita pela Comissão Temporária
Externa do Senado sobre a existência de trabalho escravo apurada pelo
ministério em uma fazenda da empresa Pará Pastoril Agrícola
(Pagrisa), situada no município de Ulianópolis, no Pará.
No texto, a secretária também menciona "a insegurança
que se projetou sobre as ações desenvolvidas pelo ministério" com
o objetivo de erradicar o trabalho escravo no Brasil.
Durante a fiscalização na fazenda da Pagrisa, realizada no início
de julho, foram encontrados 1.108 trabalhadores em situação análoga à escravidão
no local. A comissão externa a que se refere a secretária foi
instalada em 4 de setembro, por requerimento do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA),
para investigar as denúncias de trabalho escravo contra a empresa. Na última
quinta-feira (21) uma comitiva de senadores esteve na fazenda, chefiados pelo
presidente da comissão, Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), e pela relatora,
Kátia Abreu (DEM-TO).
No documento encaminhado ao ministro, Vilela critica a interferência
dos senadores. Segundo ela, a suspensão das ações do grupo
móvel se justifica pela necessidade de assegurar aos auditores-fiscais
do trabalho um mínimo de segurança e condições
de trabalho para o correto exercício de suas atribuições, "livres
da ingerência de fatores estranhos à ação administrativa".
À época da ação, a BR Distribuidora, empresa subsidiária
da Petrobras, anunciou a suspensão da compra de álcool combustível
da empresa Pagrisa, do grupo Pará Pastoril Agrícola S. A.
A assessoria de Jarbas Vasconcelos destaca, por meio de nota, que a visita à fazenda
da Pagrisa teve o objetivo de averiguar denúncias "de que excessos
foram cometidos na operação fiscalizadora". Mas ressalta
que, "de maneira alguma", o trabalho da comissão reduz a importância
da atuação do grupo móvel, "essencial para coibir
e reprimir abusos contra as normas da Organização Internacional
do Trabalho.
Na nota, a assessoria afirma que cabe à comissão analisar todos
os fatos com isenção e se posicionar apenas ao final das averiguações, "confirmando
ou não eventuais excessos".
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MTE, 25 de setembro de 2007
Lupi quer selo do Inmetro nos serviços
e equipamentos de segurança do trabalhador
Acordo de cooperação assinado
pelo ministro do Trabalho e Emprego também prevê certificação
dos cursos de qualificação
Produtos e serviços que têm sua fabricação ou comercialização
regulamentada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) passarão
a ser certificados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização
e Qualidade Industrial (Inmetro). A medida está prevista no acordo de
cooperação assinado nesta sexta-feira (21), no Rio de Janeiro,
pelo ministro Carlos Lupi e o presidente do Inmetro, João Alziro Herz.
Num primeiro momento, os equipamentos
utilizados por operários da indústria, como capacetes,
luvas, cintos e coletes serão submetidos a rigorosos testes de
qualidade do Inmetro. Antes, essa atribuição era assumida
pelo ministério, que credenciava os laboratórios responsáveis
pela certificação desses produtos.
"Hoje um dos maiores índices
de acidentes de trabalho está na construção civil,
justamente por causa da má qualidade dos equipamentos. Queremos
introduzir o padrão Inmetro para garantir mais segurança
e preservar a saúde desses trabalhadores", afirmou o ministro.
Segundo ele, a idéia é, no futuro, multar as empresas que
não possuírem aparelhos com o selo de qualidade do instituto.
Vamos fazer uma campanha educativa e dar um prazo para as empresas se
adaptarem", explicou.
O mesmo acontecerá com
a fabricação de prensas. Pelo acordo, a qualidade delas
será verificada segundo as normas instituídas por técnicos
do instituto. A medida promete reduzir o número de acidentes de
trabalho ocasionados pela operação deste tipo de máquina.
Cursos - As cestas de alimentos
fornecidas pelos empregadores a seus funcionários e que são
preparadas por empresas credenciadas ao ministério também
precisarão de certificados. Os cursos de qualificação
de trabalhadores oferecidos por instituições conveniadas
ao ministério serão avaliados e, se aprovados, receberão
um selo de qualidade.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 25 de setembro de 2007
| Economia
Comércio Exterior
Saldo comercial tem déficit
de 7,1% no ano
A balança comercial brasileira
apresentou um superávit de US$ 414 milhões na terceira
semana de setembro. No acumulado do ano, o saldo, de US$ 29,6
bilhões, apresenta queda de 7,1% em relação
ao mesmo período de 2006. Até a segunda semana
deste mês, a retração era de 4,5%. O principal
fator para essa queda é a compra de produtos importados.
As importações, estimuladas pela baixa cotação
do dólar ante o real, têm subido em um ritmo muito
superior (32%) ao das exportações (18,9%).
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JORNAL GAZETA DO POVO, 25
de setembro de 2007 | Paraná
Greve
Correios só normalizam entregas
em 7 dias
Com a paralisação, 2,5 milhões
de objetos não foram entregues no Paraná
por ALINE PERES, Ricardo Ampudia,
Denise Paro, Andye Iore
Com o fim da greve dos servidores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos
(ECT), na sexta-feira, a entrega de correspondências deve ser normalizada
em sete dias. Nos nove dias de paralisação, cerca de 2,5 milhões
de objetos deixaram de ser entregues em todo o estado.
O Tribunal Superior do Trabalho
(TST) determinou, em reunião com o comando de negociação
ontem, que os trabalhadores grevistas devem compensar os dias parados,
e, se for necessário, a ECT poderá convocá-los para
trabalhar sábado e domingo, mediante pagamento de hora extra.
Os funcionários operacionais
dos turnos da tarde e da madrugada voltaram a trabalhar já no
sábado. Porém, a grande maioria retornou aos seus postos
ontem, conforme o Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (Sintcom-PR).
Descontentes com o acordo, cerca dos 3,5 mil carteiros e operadores de
triagem mantiveram uma tarja preta nos braços ontem.
“O movimento foi vitorioso.
Poderia ter sido pior, se a categoria não tivesse paralisado”,
comenta o diretor do Sintcom-PR, Guaraci Costa. Ele lembra que mesmo
com o Paraná contra as propostas, foi preciso acatar a decisão
do fim da greve, por causa da aceitação de 19 sindicatos
nacionais, dos 33 existentes, às propostas dos Correios. A proposta
feita prevê reajuste salarial de 3,74%, abono de R$ 500 e aumento
linear de R$ 60, a ser pago em janeiro. Com o acordo, a ECT desistiu
do dissídio coletivo instaurado semana passada, no qual pedia
que o TST declarasse a greve abusiva.
Interior
Em Ponta Grossa, nos Campos Gerais,
cerca de 50 mil cartas deixaram de ser entregues. Segundo o gerente de
vendas da região, Osmar Eyng, os trabalhadores deverão
fazer duas horas a mais de trabalho, em cumprimento ao acordo estabelecido.
Eyng lembra que, se até sexta-feira
as entregas não se normalizarem, poderá ocorrer plantão
no sábado. Em Foz do Iguaçu, no Oeste, cerca de 100 mil
correspondências terão que ser entregues nos próximos
dias. A prioridade são as cartas registradas e correspondências
urgentes, como faturas e boletos.
A direção
do Sitcom-PR em Maringá estima que a entrega de correspondências
sejam normalizadas até sábado. A previsão é de
que os funcionários façam duas horas extras por dia.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 25 de setembro de 2007
| Brasil
Escravidão
Justiça aceita denúncia
contra empresa
São Paulo – Os
irmãos Murilo, Fernão e Marcos Villela Zancaner,
donos da maior produtora de álcool do Pará, a Pagrisa,
serão processados pelas acusações de manter
trabalhadores em condição análoga à escravidão,
frustrar direito assegurado na legislação e impor
perigo à saúde. Ontem, a Justiça Federal
aceitou a denúncia feita pelo Ministério Público
Federal com base no relatório feito pelo Grupo Móvel
de Fiscalização do Ministério do Trabalho,
que, em julho, libertou 1.064 funcionários em uma propriedade
da empresa.
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
25 de setembro de 2007
LER e perda de audição
têm maior incidência
Curitiba - As estatísticas de doenças ocupacionais, no Brasil,
são falhas, mas, estima-se que aproximadamente 30 mil pessoas ficam
doentes, todos os anos, por causa do trabalho, segundo informou o presidente
da Associação Brasileira de Higienistas Ocupacionais (ABHO),
Marcos Domingos da Silva. As lesões por esforço repetitivo e
doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho (LER/DORT) são,
hoje, a principal causa de afastamentos. Outra doença de maior incidência é perda
de audição, principalmente, por exposição a ruído,
agentes químicos, radiações ionizantes e acidentes com
traumatismo craniano.
Silva atribui o elevado número
de doentes à ‘‘falta de comprometimento do empresário
com o seu ambiente de trabalho’’. ‘‘Ele escolheu
aquele processo produtivo e deve estar ciente dos riscos que gera e de
como irá minimizá-lo’’, acrescentou o higienista,
observando, ainda, que há, também, muitos empresários
sérios e conscientes de sua responsabilidade com a saúde
do trabalhador. Os programas de qualidade, principalmente, nas grandes
empresas e naquelas que atuam com comércio exterior, segundo ele,
têm servido de estímulo para a adoção de ações
preventivas em saúde ocupacional.
O vice-presidente de Formação
e Educação Profissional da ABHO, Satoshi Kitamura, lembrou
que a legislação brasileira (que normatiza as questões
de segurança e saúde no trabalho) é uma das melhores
do mundo. Mas, essa preocupação é, relativamente,
recente: começou a se intensificar na década de 80. Para
ele, a cobrança por parte dos trabalhadores em relação à segurança é maior
nos grandes centros, onde os sindicatos são mais atuantes. O que
precisa, acrescentou, é que essa cobrança seja feita sob
uma ótica mais técnica.
A bancária Adriana Diomara
Duarte, 36 anos, integra as estatísticas de trabalhadores afastados
por doenças ocupacionais. Começou a sentir os sintomas
de LER/DORT, em 1997, e quando recebeu o diagnóstico definitivo,
a doença já estava em estágio bastante avançado,
o que a obrigou a se afastar de suas funções de caixa,
nos últimos cinco anos. Além das dores nas mãos,
cotovelos e ombro, a perda de movimentos e impossilidade de executar
tarefas simples, fizeram Adriana entrar em depressão.
Adriana concorda que a preocupação
das empresas com segurança e saúde ocupacional é mais
recente. A instituição em que trabalha, por exemplo, adotou
a ginástica laboral e acompanhamento com fisioterapeutas, o que
não fazia parte da rotina da empresa, enquanto ela ainda trabalhava.
(A.L.)
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
25/09/2007
Seguro-desemprego: empresa paga indenização
por não emitir guia
O empregador é obrigado
a emitir guia de seguro-desemprego no ato da demissão, e, não
o fazendo, deve pagar indenização no valor correspondente
ao que seria recebido pelo trabalhador. Este foi o entendimento adotado
pela Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho, ao reformar decisão
do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS) e restabelecer
sentença de primeiro grau neste sentido.
Trata-se de ação
trabalhista em que o Sport Club Internacional fora condenado a pagar
verbas rescisórias a uma ex-professora de educação
física. Após sua demissão, ela entrou na Justiça
contra o clube reclamando o pagamento de diferenças salariais.
O juiz da Vara do Trabalho atendeu parcialmente aos pedidos da trabalhadora,
que, entre outros direitos, obteve o reconhecimento à indenização
correspondente ao valor do seguro-desemprego que deixara de receber,
devido ao fato de o clube não ter emitido a guia exigida por lei
para a concessão do benefício.
O Sport Club Internacional recorreu
e obteve do TRT da 4ª Região a reforma – também
parcial – da sentença. Nesse aspecto, o Tribunal Regional
determinou que, ao invés do pagamento de indenização,
a empresa fosse obrigada a fornecer as guias do seguro-desemprego que
antes deixara de emitir. A decisão foi adotada sob o fundamento
de que esse é o procedimento devido em caso de dispensa sem justa
causa, até porque o deferimento do benefício não
depende apenas da apresentação das guias, e a análise
do direito ao benefício não compete ao empregador.
No recurso ao TST, a trabalhadora
defendeu o restabelecimento da indenização deferida originalmente,
e apresentou decisão sobre a mesma matéria, em sentido
oposto à do Regional.
O relator da matéria,
ministro Carlos Alberto Reis de Paula, entendeu pela procedência
do pedido e determinou a reforma do acórdão regional e
o conseqüente restabelecimento da sentença de primeiro grau.
Para isso, buscou fundamento na jurisprudência firmada pela Súmula
399 do TST, que estabelece: “O não fornecimento pelo empregador
da guia necessária para o recebimento do seguro-desemprego dá origem
ao direito à indenização”. O voto foi aprovado
por unanimidade pela 3ª Turma. (RR 127754/2004-900-04-00.1)
(Ribamar Teixeira)
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