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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 27 de setembro de 2007 | Dinheiro
TREINAMENTO
Codefat terá menos
verba de qualificação
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Ministério do Planejamento
cortou em quase 70% os recursos propostos pelo Codefat (Conselho Deliberativo
do Fundo de Amparo ao Trabalhador) para qualificação de
trabalhadores em 2008. A proposta orçamentária do conselho
previa R$ 951 milhões para treinamento no ano que vem, mas o Planejamento
manteve apenas R$ 297 milhões no projeto de lei do Orçamento
2008 enviado ao Congresso.
" O Ministério do Trabalho, com o apoio do Codefat, fará emendas
ao projeto na votação no Congresso e também vai sugerir
ao relator mudanças no valor", afirmou ontem o presidente do Codefat,
Luiz Fernando Emediato. "Se não houver um aumento, continuará faltando
dinheiro para treinar trabalhadores. De qualquer forma, para o ano que vem houve
avanços", afirmou. Neste ano, o programa de qualificação
profissional contou com R$ 114 milhões.
Em reunião ontem, o conselho também aprovou a contratação
de instituições para fazer uma avaliação externa
de programas custeadas com dinheiro do Codefat. Entre eles, está o programa
do seguro-desemprego. Com a avaliação externa, o conselho quer
medir o impacto social do benefício e testar se o modelo de concessão
está adequado.
Estima-se que até 10% do que é gasto com o seguro-desemprego
pode ser objeto de fraudes. Neste ano, o governo gastará R$ 13 bilhões
com esses pagamentos.
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UOL, 27 de setembro de 2007
Só 11% dos brasileiros confiam
nos políticos, aponta pesquisa
Uma pesquisa divulgada nesta
quinta-feira pela Associação dos Magistrados Brasileiros
(AMB) mostra que apenas 11% dos brasileiros confiam nos políticos
e 16%, nos partidos políticos. Ainda segundo a pesquisa, Polícia
Federal e as Forças Armadas são as instituições
mais confiáveis, com a aprovação de, respectivamente,
75,5% e 74,7% dos entrevistados.
O estudo também mostra
que 85% acreditam que a corrupção pode ser combatida, e
94,3% acham que um político processado na Justiça não
deveria poder concorrer às eleições.
Os entrevistados também
consideram importante a reforma política: 95,4% são favoráveis,
embora a pesquisa não tenha feito perguntas específicas
sobre que mudanças deveriam ser feitas na legislação.
A pesquisa mostra ainda que 79,8%
discordam do foro privilegiado para pessoas que ocupam cargos públicos,
como previsto atualmente na lei brasileira.
Os dados serão divulgados
durante uma audiência pública na Comissão de Participação
Legislativa da Câmara dos Deputados, nesta quinta-feira.
A pesquisa foi realizada pela
Opinião Consultoria a pedido da AMB e ouviu 2.011 pessoas nas
três primeiras semanas de agosto, em entrevistas por telefone,
em todos os Estados.
A pesquisa mostra que entre os
políticos, o nível local de decisões tem mais credibilidade
do que a esfera nacional: 18,9% dos entrevistados disseram confiar na
Câmara dos Vereadores, enquanto o Senado Federal tem a confiança
de 14,6%, e 12,5% confiam na Câmara dos Deputados.
As questões sobre Justiça
também revelam uma confiança maior no âmbito local.
O Poder Judiciário de
um modo geral tem a confiança de 41,8% dos entrevistados, mas
o Juizado de Pequenas Causas goza de uma confiança maior, de 71,8%.
Já os juízes têm a confiança de 45,5% dos
entrevistados, e o Supremo Tribunal Federal, a instância máxima
do Poder Judiciário, de 52,7%.
Na pergunta sobre qual tribunal é mais
confiável, o Tribunal de Pequenas Causas também aparece
em primeiro lugar, com 23,6% das respostas. O STF teve 20,5%, a Justiça
do Trabalho 19,2% e a Justiça Eleitoral 10,6%.
A grande maioria dos entrevistados
declarou já ter ouvido falar do Tribunal de Contas da União
(83,6%) e na Controladoria Geral da União (78,2%), órgãos
internos de controle do controle do Poder Público, mas uma parcela
significativa (43,6%) não sabe a diferença entre o Ministério
Público e o Poder Judiciário.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 27 de setembro de 2007 | Economia
Empresas apostam em residências
de até R$ 100 mil
Oferta desse tipo de moradia ainda é reduzida,
mas crédito farto deve ampliar número de lançamentos
Márcia De Chiara
Impulsionadas pelo crédito farto de longo prazo e pelo grande volume
de recursos arrecadados com a abertura de capital, as empresas do setor imobiliário
apostam no mercado da moradias econômicas, que custam menos de R$ 100
mil e cuja prestação equivale ao aluguel.
A oferta desse tipo de imóvel
ainda é pequena e não chega a 20% a 30% do total colocado
no mercado, mas deve crescer, se forem levados em conta os planos das
construtoras, incorporadoras e imobiliárias. Aliás, esse é o
foco da maioria das 220 empresas que participam da 2ª edição
do Salão Imobiliário de São Paulo, que começa
hoje na capital paulista.
Ainda este ano, a incorporadora
e construtora Rodobens, por exemplo, estréia no mercado de condomínios
de casas que custam menos de R$ 60 mil, diz o diretor da empresa, Jamil
Nassif. Ele conta que tem terrenos disponíveis para executar esse
tipo de projeto nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e
Mato Grosso.
''''Cerca de 30% do déficit
habitacional projetado em 7,8 milhões de moradias no País
está na baixa renda'''', calcula. Nassif observa que anteriormente
não havia linhas de crédito com prazo de 30 anos e taxas
de juros diferenciadas para a compra desse tipo de imóvel. Também
os recursos para as construtoras executarem os projetos eram escassos.
A empresa abriu o capital no começo deste ano.
Ontem, por exemplo, o Banco Santander
ampliou de 20 para 30 anos o prazo dos financiamentos para compra de
imóveis com prestações fixas e atualizadas, seguindo
a iniciativa da Caixa, que ocorreu há menos de dois meses. Em
maio, foi a vez de a companhia hipotecária Brazilian Mortgages
esticar para 30 anos o prazo para compra da casa própria nos financiamentos
que têm como o garantia o próprio imóvel.
A construtora Tecnisa, que era
voltada para os estratos médio e alto, passou a diversificar os
mercados depois da abertura de capital. De acordo com a companhia, cerca
de metade dos lançamentos previstos para os próximos 18
meses serão destinados aos segmentos de médio e baixo padrão.
A Itaplan é outra empresa
do setor que aposta no segmento econômico. Metade do seu faturamento
neste ano será proveniente do segmento econômico, conta
o diretor da companhia, Fábio Rossi Filho. Em 2006, lembra, a
participação do segmento foi de 40%.
''''O volume de lançamentos
para baixa renda em São Paulo ainda é pequeno, não
chega a 20% ou 30%'''', diz o presidente da incorporadora e construtora
Goldfarb, Milton Goldfarb. ''''É um segmento novo'''', observa
o executivo. Das 10 mil unidades que a companhia pretende lançar
no ano que vem, 30% estão na faixa de R$ 70 mil.
Goldfarb ressalta que não
se trata de uma explosão do mercado de imóveis econômicos.
Ele diz que há obstáculos para que isso ocorra, como a
oferta restrita de terrenos e o fato de nem sempre as construtoras terem
a tecnologia adequada.
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INFOPESSOAL, 27 de setembro
de 2007
Portadores de deficiência voltarão
a receber benefício ao sair de emprego
SÃO PAULO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto,
na quarta-feira (26), que determina que os portadores de deficiência
física que pararam de receber o Benefício de Prestação
Continuada (BPC), por entrarem no mercado de trabalho, voltarão a contar
com o valor depois de sair do emprego.
"Temos vários meninos
já habilitados e que têm o BPC. Eles não querem se
empregar porque, assim, perdem o benefício. Às vezes eles
chegam num emprego, não se dão bem e têm que retornar.
Se ele retorna porque não se deu bem no emprego, por exemplo,
ele não recebe mais o BPC", disse a presidente da Federação
Nacional das Sociedades Pestalozzis, Lizair Guarino.
Benefício
O BCP, que tem valor de um salário mínimo, é pago para
as pessoas que possuem uma deficiência que a incapacite de trabalhar
ou para quem comprove não ter condições econômicas
de se manter nem de subsistência mantida pela família.
Para a coordenadora nacional
para a Integração da Pessoa com Deficiência da Secretaria
Especial de Direitos Humanos, Izabel Maior, o fato de ter trabalhado
não significará que a pessoa não necessite do benefício.
"Se ela perceber um cansaço
que a impeça de cumprir uma jornada de trabalho, mesmo que flexível,
vamos entender que ela não tem condições para poder
ficar no mercado de trabalho. Então, ela vai poder voltar ao BCP.
Não é o fato de ter ido ao mercado de trabalho que vai
descaracterizar a possibilidade de voltar a recebê-lo", disse.
Avaliação
Outra alteração diz respeito ao fato de, além de um médico
perito do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), um assistente social
terá de participar da avaliação de quem solicita o benefício.
"É um avanço,
porque o assistente social tem que fazer a história da família
toda, hoje não se trabalha sem a família. A família é muito
importante dentro da reabilitação da pessoa portadora de
deficiência", disse a presidente das Sociedades Pestalozzis
para a Agência Brasil.
As medidas fazem parte do Plano
Social de Inclusão da Pessoa com Deficiência, que pretende
estimular a inserção no mercado de trabalho com a capacitação
de gestores da educação e de professores.
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CONGRESSO EM FOCO, 27 de
setembro de 2007
Impulso para o trabalho escravo
Em defesa de empresa acusada de manter 1.064
trabalhadores em condições degradantes, senadores levam
fiscais a suspender fiscalização em todo o país
Lúcio Lambranho e Edson
Sardinha
Depois de segurar por três
anos a votação da chamada PEC do Trabalho Escravo, aprovada
em primeiro turno na Câmara em agosto de 2004, o Congresso conseguiu
agora nada menos do que suspender as ações do Grupo Especial
de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho
e Emprego (MTE), responsável desde 1995 pelo resgate de 25 mil
trabalhadores que se encontravam em situação análoga à de
escravos.
Após os ataques da bancada
ruralista no Senado aos fiscais que libertaram, em junho, 1.064 trabalhadores
mantidos em condições análogas à escravidão
na fazenda da Pagrisa (Pará Pastorial e Agrícola S/A),
principal produtora de álcool e açúcar do Pará,
a secretária de Inspeção do Trabalho, Ruth Vilela,
determinou anteontem (25), sob forma de protesto, a suspensão
das atividades do grupo móvel. Ruth alegou que, diante da pressão,
os servidores corriam risco de morte.
A crise, deflagrada pela visita
de uma comissão de senadores à fazenda em Ulianópolis
(PA), levou ontem (26) o ministro do Trabalho, Carlos Luppi, ao Senado.
A comissão externa foi criada para apurar a denúncia feita
pela empresa, que alega inocência, de que houve abuso por parte
dos fiscais na autuação (leia a versão da empresa).
Em defesa do grupo móvel,
Luppi entregou ao senador José Nery (Psol-AL), presidente da Subcomissão
Temporária do Trabalho Escravo, subordinada à Comissão
de Direitos Humanos, os 18 volumes do relatório da ação
na Pagrisa. E rebateu as críticas dos senadores que desqualificaram
a maior libertação de trabalhadores já feita pelo
ministério.
"Eles só foram à usina
e não ao canavial, distante uma hora de caminhada", disse
o ministro em referência à visita dos senadores no último
dia 20. "Essa ação resultou na desqualificação
de um trabalho brilhante", completou.
A empresa alega que houve exagero
por parte dos fiscais e que, em função disso, já acumula
prejuízos, com a decisão da Petrobrás e da Ipiranga
de suspenderem a compra de álcool da Pagrisa.
Confronto no Senado
A repercussão negativa
da suspensão das fiscalizações fez ontem a comissão
externa recuar. Os senadores aprovaram requerimento pedindo ao Ministério
do Trabalho a retomada imediata dos trabalhos de fiscalização
do grupo móvel. O colegiado ainda aprovou a convocação
de 22 autoridades envolvidas com a questão, inclusive o próprio
Luppi, e prometeram continuar a apuração do caso na próxima
semana.
Além de abrir uma crise
entre o Senado e o Ministério do Trabalho, o episódio acentuou
as divergências entre os parlamentares da bancada ruralista e aqueles
que defendem os pequenos produtores rurais.
Os primeiros são liderados
pela senadora Kátia Abreu (DEM-TO), relatora da comissão
externa criada para apurar o caso, e pelo senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA),
autor do requerimento que criou o colegiado. Além de Nery, saíram
em defesa do grupo móvel os senadores Sibá Machado (PT-AC),
Eduardo Suplicy (PT-SP), Paulo Paim (PT-RS). Cristovam Buarque (PDT-DF)
e Patrícia Saboya Gomes (PSB-CE), integrantes da Subcomissão
Temporária do Trabalho Escravo.
Abuso de poder
Kátia, que liderou o grupo
de senadores que visitou a fazenda da Pagrisa dois meses após
a libertação dos trabalhadores pelo Ministério do
Trabalho, disse não ter encontrado no local nada que pudesse ser
considerado degradante. Pelo contrário. Na avaliação
dela, se houve irregularidade, foi por parte dos fiscais.
"Há indícios
de abuso de poder", afirmou a relatora da comissão. O senador
Romeu Tuma (DEM-SP), outro a participar da visita, também disse
não ter visto nada que comprometesse a Pagrisa, mas adotou um
discurso mais cauteloso. "É necessária uma perícia
da Polícia Federal para saber se algo foi maquiado entre a fiscalização
e nossa visita na semana passada", ponderou.
Criticado pelos senadores que
inspecionaram a fazenda, Luppi não se encontrou com os integrantes
da comissão externa. Mas se comprometeu com os senadores da Subcomissão
do Trabalho Escravo a tentar convencer os fiscais a retomarem os trabalhos. "Já agendei
uma nova conversa com os auditores e vou tentar convencê-los a
retomar os trabalhos na próxima semana", declarou.
PEC abandonada
A crise detonada pelo caso Pagrisa
também revela a insatisfação de parlamentares da
base governista com a postura do Palácio do Planalto em relação à erradicação
do trabalho escravo no país. A principal crítica diz respeito
ao desinteresse do governo pela aprovação da PEC do Trabalho
Escravo, em tramitação no Congresso desde 2001.
Para o relator da proposta, o
deputado petista Tarcísio Zimmermann (RS), o governo abandonou
a defesa da PEC por causa da pressão dos ruralistas que integram
a base governista (leia
mais). “É evidente que não há mais a prioridade
dada pelo governo no primeiro mandato do presidente Lula para erradicar
o trabalho escravo”, afirmou ao Congresso em Foco.
O texto da PEC, aprovado em primeiro turno na Câmara em 2004, prevê que
as propriedades rurais e urbanas em que forem localizadas culturas ilegais
de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo
serão desapropriadas e destinadas à reforma agrária e
a programas de habitação popular, sem indenização
ao proprietário, após sentença judicial transitada em
julgado.
Os bens de valor apreendidos,
decorrentes da prática de trabalho escravo, rural ou urbano, serão
destinados a um fundo especial, cuja aplicação dos recursos
será disciplinada por lei infraconstitucional.
Na mira da Justiça
Independentemente do que render
a polêmica no Senado, os donos da Pagrisa, os irmãos Murilo,
Fernão e Marcos Villela Zancaner, vão responder a processo
penal por utilizar mão-de-obra em situação análoga à de
escravo, por não seguir a legislação trabalhista
e impor perigo à saúde dos trabalhadores. Os empresários,
por sua vez, negam que mantenham os seus funcionários em condições
degradantes.
A denúncia do Ministério
Público Federal (MPF) foi aceita na segunda-feira (24) pela juíza
Carina Cátia Bastos de Senna, da Subseção Judiciária
Federal de Castanhal, no Pará. A juíza acatou os indícios
apresentados pelo grupo móvel do MTE. "Indícios de
uma possível prática de trabalho escravo”, diz a
juíza em sua sentença. “Os acusados terão
a oportunidade de descaracterizá-las”, completou a magistrada
ao decidir sobre o pedido do MPF, que sugere pena máxima de 15
anos para os donos da fazenda. Até agora, a Pagrisa não
foi ouvida, destacou a magistrada.
Segundo o relatório do grupo móvel, o pagamento de salários, “da
forma como era feito pela empresa, feria de morte a dignidade dos obreiros.” Os
fiscais também afirmam que chegaram ao grupo de fiscalização
contracheques zerados ou com valores irrisórios, “que em alguns
casos não chegavam a R$ 10,00 (dez reais)”.
Abusos e contradições
“A situação
que os fiscais encontraram eram semelhantes àquelas retratadas
pela minissérie Amazônia”, comparou o ministro do
Trabalho, Carlos Luppi, durante audiência na Subcomissão
do Trabalho Escravo em referência à situação
dos seringueiros retratados pela TV Globo.
“A empresa não garantia
o salário mínimo aos empregados que recebiam por produtividade.
Tal fato, somado aos descontos de alimentação e de medicamentos
que os empregados consumiam, fazia com que, em muitos casos, empregados
recebessem apenas o suficiente para pagar os seus gastos com comida e
medicamentos”, diz o relatório dos fiscais.
Mas a relatora da comissão
externa, senadora Kátia Abreu, disse que os trabalhadores da fazenda
paraense estavam devidamente registrados. “Vimos comprovantes de
pagamentos que variavam entre R$ 750 e R$ 900. Os comprovantes zerados
apreendidos pelos fiscais aconteceram por problemas de informática”,
argumentou a senadora do DEM.
Histórico de irregularidade
O Congresso em Foco teve acesso
a um documento com o histórico de fiscalizações
na fazenda Pagrisa. O documento mostra, em seu resumo, que houve 13 fiscalizações
entre 1998 e 2007 e destaca:
"Em relação às
ações fiscais desenvolvidas no cultivo de cana durante
a safra, foram encontradas irregularidades no cumprimento da legislação
em 100%”.
O relatório informa que
não havia fornecimento de água potável em condições
higiênicas. Aponta ainda “a não-manutenção
de instalações sanitárias adequadas, em 100% das
ações fiscais que envolveram itens de segurança
e saúde.” Segundo os fiscais, a partir da ação
fiscal de junho de 2004, a situação na fazenda, em vez
de melhorar, agravou-se:
“Passa a ser observado
o descumprimento de outros atributos trabalhistas: jornada, descanso,
salário, FGTS, contribuição social e CAGED. Por
outro lado, violação a uma ou mais normas de segurança
e saúde foi encontrado em 100% das vezes em que foi verificado
seu cumprimento, a partir de 11.2001.”
Uma fiscalização
realizada em dezembro do ano passado, diz o documento, “apontou
irregularidades no cumprimento não somente da legislação
referente a esses aspectos, mas também quanto ao recolhimento
de FGTS e pagamento de salários”.
Lista suja
O cenário traçado
pelo Ministério do Trabalho na Pagrisa está longe de ser
raridade no Brasil, principalmente no Pará, estado que concentra
o maior número de autuações por exploração
de mão-de-obra em condições análogas à de
escravo. Das 188 empresas incluídas na última edição
da chamada “lista suja”, do Ministério do Trabalho,
47 são paraenses (veja
a relação completa).
Além disso, garante o
advogado Marco Apolo, da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos
(SDDH) e do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), apenas metade
das denúncias é investigada no Pará.
Segundo o advogado, seria
preciso dobrar as ações do grupo móvel para dar
conta do número de irregularidades cometidas por empresas rurais
no interior do estado. "O Pará é o maior importador
de mão-de-obra escrava. São pessoas que não têm
como reagir, pois estão isoladas, fora de seu convívio
social e em áreas de difícil acesso. Não há recursos
suficientes, atualmente, para dar conta de todo o problema", explica
Apolo.
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 27 de setembro de 2007 | Brasil
Lupi contesta os senadores que criticam
fiscalização
Comissão afirma que não
há irregularidades em fazenda
FELIPE SELIGMAN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O ministro do
Trabalho, Carlos Lupi, rebateu ontem críticas de senadores
sobre relatório da Secretaria de Inspeção
do Trabalho que denuncia a existência de trabalhadores
em condições "degradantes" e análogas
ao trabalho escravo na Fazenda Pagrisa, no Pará.
" Eu estranho que, em mais de 520 ações dos auditores do trabalho,
apenas essa empresa consiga tantos apoios." Lupi foi ontem ao Senado entregar
o relatório. No documento, de cerca de 5.000 páginas, constam os
depoimentos dos trabalhadores e a situação encontrada pelas equipes
do ministério que visitaram a fazenda em junho e julho: 1.064 empregados
tiveram contratos rescindidos por estarem em situação precária.
Segundo o relatório, "o pagamento dos salários feria de
morte a dignidade dos obreiros. Estes chegaram ao grupo de fiscalização
com contracheques zerados ou valores irrisórios que em alguns casos
não chegavam a R$ 10,00". O ministro criticou o senador Jarbas
Vasconcelos (PMDB-PE), que o chamou de "folclórico": "Se
eu sou folclórico, quero perguntar o que acham os mais de mil trabalhadores
sobre esse folclore".
A Pagrisa vendia álcool à Petrobras, que, após a inspeção,
suspendeu as compras. A Pagrisa diz que a situação trabalhista
está em ordem. Os irmãos Murilo, Fernão e Marcos Villela
Zancaner, donos da fazenda, procuraram a bancada ruralista do Senado para criticar
excessos dos técnicos. O Senado enviou ao Pará uma comissão
com os senadores Flecha Ribeiro (PSDB-PA), Kátia Abreu (DEM-TO), Cícero
Lucena (PSDB-PB), Romeu Tuma (DEM-SP) e Jarbas Vasconcelos, que não
viram irregularidades nas condições de trabalho.
Em protesto, a secretária de Inspeção do Trabalho, Ruth
Vilela, paralisou os trabalhos das equipes. Segundo Kátia Abreu, isso é "uma
ação birrenta que paralisa as investigações".
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 27 de setembro de 2007 | Dinheiro
CNI eleva projeção
de expansão da economia no ano para 4,7%
DA FOLHA ONLINE
A CNI (Confederação
Nacional da Indústria) revisou para cima as projeções
de crescimento da economia brasileira. Segundo relatório divulgado
ontem, a expectativa é que o PIB (Produto Interno Bruto) fique
em 4,7% neste ano, ante estimativa anterior de 4,5%.
A entidade atribui a elevação do crescimento à demanda
externa por produtos de grande peso na pauta de exportações brasileiras
(principalmente commodities) e ao aumento da demanda interna.
Para a CNI, a indústria, em especial a de transformação, "será o
carro-chefe do desempenho da economia no segundo semestre". Assim, a previsão
relativa ao PIB da indústria foi elevada de 4% para 4,4%.
Inflação
Apesar da previsão de alta, a CNI se mostra preocupada sobre a continuidade
do crescimento para além de 2007, que pode ser comprometido, segundo
a entidade, pela inflação e a "conseqüente interrupção
da queda dos juros."
A CNI afirma ainda que os indicadores de julho mostraram que a utilização
da capacidade instalada da indústria aumentou em 2 pontos percentuais
ante o mesmo mês do ano passado, ao atingir 82,5%.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 27 de setembro de 2007 | Dinheiro
Indústria de máquinas
cresce 11,7%
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
A indústria de máquinas
e equipamentos teve faturamento nominal (sem descontar a inflação)
de R$ 39,7 bilhões de janeiro a agosto deste ano -um crescimento
de 11,7% ante o mesmo período de 2006, segundo dados divulgados
ontem pela Abimaq (Associação Brasileira da Indústria
de Máquinas e Equipamentos).
O desempenho do setor demonstra que o investimento está crescendo no
país. O consumo aparente de máquinas e equipamentos (soma da
produção nacional e das importações, menos as exportações)
cresceu 17%.
Madeira foi o subsetor que obteve o melhor resultado, com alta de 88,7% no
faturamento nominal. Com o aquecimento da economia, o nível de utilização
da capacidade instalada das indústrias aumentou 4,8% nos primeiros oito
meses do ano, atingindo 84,02%. O emprego também cresceu em agosto,
com alta de 5,7% ante o mesmo mês do ano passado.
Importações e exportações tiveram altas significativas
no acumulado do ano: 34,3% e 18,7%, respectivamente. O setor apresenta déficit
comercial de R$ 3,2 bilhões no período.
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JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO, 27 de setembro
de 2007 | Brasil
Pela CPMF, governo apóia
troca-troca
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Para conseguir aprovar a emenda
da CPMF (imposto do cheque) no Senado, o governo tenta atrair ao
menos seis parlamentares da oposição para partidos
da base, aproveitando problemas regionais que estão inviabilizando
a permanência de alguns políticos em sua legenda atual.
PSDB, DEM e PSOL somam 31 senadores -do total de 81-, mas há oposicionistas
no PDT e no PMDB, o que torna a margem do governo apertada.
Não há a expectativa de que todos os senadores que negociam migrar
para a base aliada passem a defender integralmente o governo, mas a intenção é que
tenham liberdade para aprovar a CPMF.
Caso o cenário se confirme, a principal desidratação ocorreria
no DEM, hoje com 17 senadores. O governo tenta atrair César Borges (BA),
Demóstenes Torres (GO), Romeu Tuma (SP), Jayme Campos (MT) e Jonas Pinheiro
(MT). No DEM, todos serão obrigados a votar contra a CPMF.
"É uma posição fechada na bancada", diz o líder
da sigla na Casa, José Agripino Maia (RN).
Dos cinco democratas, o que tem destino certo é César Borges,
que deve assumir a presidência do PR na Bahia. Em troca, levará "ex-carlistas" para
disputar prefeituras e cadeiras de vereador na Bahia.
Tuma negocia ir para PMDB ou PTB. Em São Paulo, o DEM aposta em Guilherme
Afif Domingos em 2010. Afif é secretário de Trabalho de José Serra
(PSDB-SP). E Tuma "deve" ao governo a nomeação do seu
filho, Romeu Tuma Jr., na Secretaria Nacional de Justiça.
Oposicionista ferrenho, Demóstenes é considerado caso difícil,
mas teve uma briga com o presidente da Fundação Tancredo Neves
(ligada ao DEM), Vilmar Rocha (GO).
" Não quero sair, é complicado. Vou para onde?", disse.
A senadora Patrícia Saboya (PSB-CE) também deverá mudar
de sigla. O destino deverá ser o PDT. (SILVIO
NAVARRO, ANDREZA MATAIS e VALDO CRUZ)
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 27 de setembro de 2007 | Brasil
Senadores acabam com sessão
secreta em caso de cassação
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Com Renan Calheiros sentado na
cadeira da presidência do Senado, ouvindo críticas em série às
decisões tomadas pela Casa a portas fechadas, o plenário
aprovou ontem, em votação simbólica, um projeto
que acaba com sessões secretas para casos de cassação
de mandato.
Foi a primeira derrota de Renan desde que foi absolvido no processo de quebra
de decoro no caso Mônica Veloso, há duas semanas. Na ocasião,
a sessão e a votação foram secretas.
O projeto que aboliu as sessões secretas de cassação é de
autoria do senador Delcídio Amaral (PT-MS). Na prática, só excluiu
uma linha do artigo 197 do Regimento Interno.
Para que a regra passe a valer basta que seja promulgada, o que permitirá que
sejam abertas eventuais sessões de cassação envolvendo
os demais processos contra Renan em curso.
Constrangido, Renan acompanhou um a um os discursos contra as sessões às
escuras. "É um regulamento medieval, parece um conselho que escolhe
o papa, todo mundo fechado, e, de repente, se abre e dá a notícia
ao mundo", disse o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM).
" O fim da sessão secreta foi o único resultado positivo da
crise que o Senado enfrentou nos últimos meses", comemorou Renato
Casagrande (PSB-ES).
Ao encaminhar a ordem para a votação à sua bancada, o
líder do PMDB, Valdir Raupp (RO), ironizou: "O PMDB apóia
sessão aberta porque a última que deveria ser secreta não
foi. Saiu em tempo real tudo o que se falou", disse, citando parlamentares
que transmitiram as informações para a imprensa.
" Não quero interpretar que o que estamos fazendo aqui seja como
quer a imprensa", disse Wellington Salgado (PMDB-MG), aliado de Renan.
Renan ainda enfrenta três processos de cassação. Ontem,
o conselho adiou pela segunda vez a votação do desfecho do segundo
deles, que envolve a Schincariol. O relator, João Pedro (PT-AM), pedirá que
o processo fique congelado.
No plenário, não escondeu o desconforto. Questionado pelo senador
Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), que foi relator da matéria na Comissão
de Constituição e Justiça, porque ele teria mudado o relator
no plenário, Renan foi ríspido: "Porque é competência
minha".
Renan era contra a abertura das sessões, mas seu principal temor envolve
o fim do voto secreto. Há duas PECs (Proposta de Emenda Constitucional)
no Senado que tratam do tema. As propostas começaram a tramitar ontem,
mas o caminho até a sua aprovação é longo e necessita
do aval da Câmara.
" O voto secreto foi uma conquista da democracia. Existe para proteger as
pessoas da pressão do poder político, do poder econômico
e, também hoje, de setores da própria mídia", disse,
antes da votação.
Sobre sessões secretas, disse: "Não tem mais, porque a decisão
do Supremo [que permitiu a entrada de deputados] já tinha aberto a última
sessão. Mas foi um avanço que deve servir de exemplo. Tudo o
que fortalece a democracia é muito bom". (SN e AM)
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 27 de setembro de 2007 | Brasil
Lula libera R$ 32 mi por dia para votar
CPMF
Governo destinou R$ 159 mi a emendas
de parlamentares só na semana passada -ou 9,6% de tudo o que
foi liberado no ano
| Vice-líder do governo na Câmara diz que não houve nenhum
favorecimento: "As emendas estão sendo pagas em um cronograma normal"
RANIER BRAGON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Na semana em que a
Câmara dos Deputados iniciou a votação em primeiro
turno da proposta de prorrogação da CPMF até 2011,
o Palácio do Planalto destinou R$ 159 milhões em
verbas federais para atendimento das emendas que deputados e senadores
fizeram ao Orçamento da União.
O valor, comprometido ou efetivamente pago entre segunda e sexta-feira da semana
passada, representa 9,6% de tudo o que havia sido destinado em todo o ano.
Ou, em outra conta, significa R$ 32 milhões por cada dia da semana passada.
A média do ano, até então, era de uma destinação às
emendas parlamentares de R$ 8,5 milhão por dia útil.
Os dados são fruto de cruzamento feito pela Folha com base em dados
coletados no Siafi (sistema de acompanhamento dos gastos federais) pela assessoria
de orçamento do DEM na Câmara.
A prorrogação da CPMF foi aprovada na quarta, mas até ontem
os deputados não tinham votado todas as emendas ao texto. A contribuição
tem uma previsão de arrecadação de cerca de R$ 40 bilhões
para os cofres federais em 2008.
Os R$ 159 milhões destinados pelo governo às emendas reúnem
empenhos (comprometimento do gasto), valores efetivamente pagos e valores pagos
relativos ao ano de 2006 (os chamados restos a pagar).
Os maiores valores destinados nos últimos dias são relativos
a emendas de bancada, assinadas pelos parlamentares de cada Estado. Em relação às
emendas individuais, o oposicionista PSDB aparece em primeiro, com R$ 12 milhões,
mas 60% desse valor se destina a apenas dois parlamentares, o deputado Bonifácio
de Andrada (MG), que não votou na sessão de quarta-feira -houve
empenho de R$ 5 milhões para suas emendas-, e o senador Sérgio
Guerra (PE) -com R$ 2,2 milhões de empenho.
Bonifácio não respondeu à reportagem até o fechamento
desta edição. Sérgio Guerra disse que as emendas são
para obras de infra-estrutura, construção de quadras poliesportivas
e combate à doença de chagas em Pernambuco.
" De jeito nenhum me sinto contemplado. O governo também empenhou
minhas emendas no ano passado, mas não pagou. Além disso, tinha
uma emenda minha de bancada, de R$ 20 milhões, que por dois anos foi desapropriada
e destinada a emendas do [deputado] Inocêncio Oliveira [PR-PE] e [ex-deputado]
do Pedro Corrêa [PP-PE]", disse Guerra.
Na lista dos mais atendidos na semana passada, logo depois do PSDB vem o PMDB
(R$ 11 milhões), o PT (R$ 8,6 milhões), o oposicionista DEM (R$
5,9 milhões) e o PP (R$ 5,4 milhões).
" As emendas estão sendo pagas em um cronograma normal. O atraso
de uma ou outra depende do destino dela, se é construção,
se é compra de equipamento", afirmou Beto Albuquerque (PSB-RS), um
dos vice-líderes do governo na Câmara.
Segundo ele, não há relação com a votação
da CPMF ou benefício a aliados do governo. "O levantamento que
vocês publicaram mostra que o PSOL teve mais emendas liberadas do que
a gente [PSB]", afirmou.
Reportagem da Folha de anteontem mostrou que a destinação de
verbas para emendas dos que votaram a favor da prorrogação da
CPMF (na maioria, governistas) foi em valores médios 52% superiores à direcionada
para quem votou contra (oposicionistas, em geral).
" O que está acontecendo de negociata, de barganha, de nomeações,
de coisas que ainda não vieram a público, mostra qual é a
média do governo Lula", discursou ontem em plenário o líder
da bancada do DEM, Onyx Lorenzoni (RS).
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 27 de setembro de 2007 | Brasil
Emendas da CPMF começam a
ser votadas
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A Câmara retomou ontem
a votação das emendas à proposta de prorrogação
da CPMF até 2011, cujo texto básico foi aprovado na semana
passada. No final da tarde, os governistas e o presidente da Câmara,
Arlindo Chinaglia (PT-SP), se apoiaram em um parecer jurídico
para reduzir de 36 para 11 as emendas a serem votadas.
A oposição prometeu recorrer à Comissão de Constituição
e Justiça e, até o início da noite de ontem, usava mecanismos
do regimento para atrasar votações. Até 1h30 da madrugada
de hoje, 10 das 11 das emendas haviam sido votadas -e rejeitadas: a oposição
tentava impedir novas prorrogações da CPMF e da DRU (Desvinculação
de Receitas da União) após 2011 e evitar incidência da
segunda sobre a arrecadação da primeira e outras contribuições
sociais.
O governo conta com clima mais tranqüilo entre seus deputados, após
o imbróglio causado na semana passada por nomeações de
petistas para a Petrobras. A medida revoltou partidos que têm pleitos
e não foram atendidos, como PMDB, PP e PR.
Na Câmara, os peemedebistas estavam unidos com o governo depois que o
Planalto chamou a cúpula do partido e prometeu uma diretoria da Petrobras.
Peemedebistas desejam a diretoria internacional da estatal.
Anteontem, uma reunião dos líderes partidários com o ministro
Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais) ajudou a apaziguar
os ânimos. "O governo foi ágil na explicação
de que se tratou de um curto-circuito", disse o líder do PMDB na
Câmara, Henrique Alves (RN).
Os governistas afirmavam que tentariam votar todas as emendas ainda ontem ou
na madrugada de hoje. Após a votação das emendas, o texto
tem que ser aprovado em segundo turno e então seguir para o plenário.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 27 de setembro de 2007 | Brasil
Plenário tem tentativa de
troca-troca explícito
FÁBIO ZANINI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A negociação
entre deputados federais para troca de partidos, que se intensificou
nos últimos dias e tradicionalmente é assunto de reuniões
confidenciais em restaurantes e gabinetes, agora ocorre às claras
-nem o plenário da Câmara dos Deputados foi poupado.
A Folha presenciou ontem à tarde, em um intervalo da sessão que
votava a CPMF, a tentativa de quatro deputados federais que estariam de malas
prontas para o nanico PSL (Partido Social Liberal) de convencer um colega,
Lael Varella (DEM-MG), a fazer o mesmo.
O grupo era liderado pelo deputado Alexandre Silveira (PPS-MG). Os outros três
não foram identificados pela Folha. Varella, procurado mais tarde, confirmou
a presença de Silveira, mas disse não lembrar quem eram os outros.
A abordagem aconteceu por volta das 14h50. No fundo do plenário, o grupo
se aproximou de Varella, que estava sentado. "Lael, o que você ainda
está fazendo no PFL [antigo nome do DEM]?", disse Silveira.
Ele se referia ao fato de Varella ser um dissidente na oposição
e um nome que o governo cobiça para integrar sua base. Votou favoravelmente à CPMF,
contrariando sua bancada, e foi um dos parlamentares que mais receberam emendas
do governo nos últimos tempos: R$ 1,25 milhão entre dinheiro
prometido e pago.
Varella não respondeu, e seu interlocutor prosseguiu. "Tem um grupo
indo para o PSL." O deputado demonstrou não ter entendido: "PSL?".
Silveira explicou: "Partido Social Liberal. Tem quatro que estão
querendo ir, precisamos de mais um, para ter estrutura de liderança.
São 18 cargos". O PSL, que provavelmente se integraria à base
do governo, hoje não tem representação na Câmara.
A estrutura a que o deputado se referiu compreende uma sala, uma equipe de
assessores (até 18, nomeados sem concurso) e prerrogativas regimentais,
como mais tempo para uso da tribuna.
Pelas regras da Câmara, são necessários cinco deputados
no mínimo para obter tal privilégio, embora o PSOL, com apenas
três, tenha conseguido uma liminar da Justiça.
O parlamentar assediado desconversou: "Estou bem lá [no DEM]".
A sessão recomeçou e o grupo se dispersou.
Mais tarde, Varella declarou à Folha que vem recebendo convites freqüentes,
mas que não deve mudar de legenda, embora esteja ameaçado de
expulsão por ter apoiado a CPMF. O deputado Alexandre Silveira foi procurado
ontem pela reportagem, mas não telefonou de volta.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 27 de setembro de 2007 | Dinheiro
PREVIDÊNCIA
800 mil optam por regime
de aposentadoria simplificada
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Cerca de 800 mil trabalhadores
já optaram pelo regime simplificado de aposentadorias da Previdência
Social. Desse total, 300 mil são segurados que migraram da regra
geral para a nova, enquanto 500 mil são novos contribuintes.
Em vigor desde abril, o regime simplificado foi o caminho encontrado pelo governo
para aumentar a cobertura previdenciária entre os contribuintes individuais,
como os autônomos. Pela regra geral, a contribuição é de
20% sobre a renda. No novo sistema, é de 11% sobre um salário
mínimo (R$ 41,80). Isso garantirá, no futuro, um benefício
de aposentadoria por idade equivalente ao piso salarial (hoje, R$ 380).
O presidente do INSS, Marco Antonio Oliveira, disse que o governo não
definiu metas para o regime simplificado. Segundo o ministro Luiz Marinho (Previdência),
ainda há espaço para elevar o número de segurados cobertos
pelo novo sistema.
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VERMELHO, 27 de setembro de 2007
"Trabalhador unido" comemora
vitória das centrais sindicais
Aos gritos com a palavra de ordem "Trabalhador Unido Jamais Será Vencido",
líderes sindicais comemoraram a aprovação nesta quarta-feira
(26), em três comissões da Câmara dos Deputados, do projeto
de lei que regulamenta o funcionamento das centrais sindicais no país.
A matéria segue agora para a votação em plenário.

Bancada do PCdoB acompanhou e comemorou a aprovação.
O substitutivo apresentado na Comissão do Trabalho
pelo deputado Vicentinho (PT-SP), relator da matéria,
foi aprovado por unanimidade e aproveitou o teor do Projeto de
Lei do Executivo que dá caráter de urgência
para a tramitação da matéria. Vicentinho
ainda acatou as emendas apresentadas pelos deputados comunistas
Daniel Almeida (BA), Renildo Calheiros (PE) e Vanessa Grazziotin
(AM).
Na comissão de Finanças e Tributação, o relator
João Dado (PDT-SP) também apresentou substitutivo aceitando a
proposta do governo, apenas dois deputados votaram contra o seu parecer: Luciana
Genro (PSOL) e Marcelo Almeida (PMDB-PR).
Com certo grau de dificuldade, o governo chegou a um acordo com todas as centrais
sindicais para a aprovação da matéria. Para isso abriu
mão de 10% do imposto sindical que renderá às centrais
R$100 mil por mês. Os ministros do Trabalho, Carlos Luppi e da previdência,
Luiz Marinho, que participaram das negociações, estiveram presentes
durante a votação.
" As centrais sindicais, hoje, por terem apenas reconhecimento de fato,
não podem entrar com uma representação na Justiça.
Esse projeto está legitimando a representatividade das centrais sindicais",
diz um trecho do manifesto conjunto da CUT, Força Sindical, NCST, CGTB
e UGT. No mesmo documento, as centrais afirmam que o projeto corrige distorções
constitucionais e moderniza o sindicalismo brasileiro.
"O que nós estamos comemorando hoje não é só a
conquista da classe trabalhadora, é uma conquista da sociedade e da evolução
da democracia, porque no passado recente nós tínhamos a proibição
de uma simples reunião de trabalhadores", disse o ministro Luiz Marinho
que, na pasta do Trabalho, desempenhou importante papel no acordo.
Comemoração do PCdoB
Parlamentares do PCdoB - membros e não-membros da Comissão do
Trabalho - consideraram a aprovação do projeto um fato histórico. "Nos
nove anos que participo dessa comissão posso registrar que esse é um
momento muito especial. Isso porque estamos dando um caráter de legalidade às
centrais sindicais que já são reconhecidas há muito tempo
em nosso país", disse a deputada Vanessa Grazziotin (AM).
Embora o movimento sindical "viva um momento de pluralidade" na sua
organização, a deputada Vanessa defendeu que nas suas instâncias
decisórias a unidade entre todas as centrais seja mantida. "Só assim
estaremos colhendo bons frutos", disse.
" Tenho a satisfação de participar desse momento histórico,
de vitória da luta e da organização dos trabalhadores brasileiros. É mais
uma etapa de amadurecimento e fortalecimento da organização dos
trabalhadores", afirmou o deputado Daniel Almeida (BA), para quem o projeto
simboliza "o reconhecimento daquilo que do ponto de vista política
já era reconhecido".
Daniel Almeida diz que o surgimento de muitas centrais deu a impressão
de que o movimento sindical estava caminhando para a dispersão, porém,
o reconhecimento legal das centrais e ações unificadas delas
em agendas positivas pelo país tem demonstrado o caminho da unidade. "Questões
centradas no problema do salário mínimo é a demonstração
de que estamos num ambiente de unificação", disse.
Para a deputada Manuela D´Ávila (RS), a aprovação
do projeto, ocorre num momento muito especial na história do país
e não é uma casualidade. Diz a parlamentar que a regulamentação
das centrais só acontece por conta das atuais condições
políticas criadas pela luta dos trabalhadores e dos estudantes.
De Brasília
Iram Alfaia
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JORNAL GAZETA DO POVO, 27
de setembro de 2007 | Paraná
Justiça
OAB quer remover juiz “antichinelos”
Magistrado seria rigoroso demais
por CLAUDEMIR HAUPTMANN
Cascavel – A subseção
de Cascavel da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) está pedindo
a remoção do juiz da 3.ª Vara de Trabalho, Bento Luiz
de Azambuja Moreira. Ele ganhou notoriedade nacional em maio deste ano
quando cancelou uma audiência porque o agricultor reclamante numa
ação trabalhista estava usando chinelos de dedo. A OAB
informou que fez o pedido em nome de advogados que denunciam dificuldades
no relacionamento com o juiz por causa de condutas exageradas e por causa
da morosidade excessiva na 3.ª Vara.
O desembargador Luiz Eduardo
Gunther, corregedor da Justiça do Trabalho, esteve em Cascavel
na terça-feira atendendo a pedido da OAB e da Associação
dos Advogados Trabalhistas. Ele se reuniu com advogados para registrar
as reclamações e denúncias contra o juiz.
O presidente da OAB em Cascavel,
Luciano Braga Cortes, disse que a expectativa é de que o Tribunal
decida pela remoção do juiz. “Depois daquele episódio
do chinelo achei que o juiz fosse mudar um pouco a conduta, mas isso
não aconteceu. Está cada vez mais difícil o relacionamento
com ele”, diz. Segundo Cortes, o juiz estaria atrasando as pautas
de audiências e abusando de formalidades a ponto de aumentar os
atrasos nos trabalhos.
A opinião é reforçada
pelo advogado Marcelo Picoli. Segundo relata, na terça-feira o
juiz teria abusado ao advertir um reclamante que colocou as mãos
sobre a mesa. “Ele (o juiz) tira a gente do sério. Atrasa
audiências por causa de detalhes”, relata.
Picoli diz que das três
varas do Trabalho em Cascavel, a 3.ª é a mais morosa. “Nas
outras duas varas as audiências são marcadas entre 90 e
120 dias. Na 3.ª, o prazo da primeira audiência fica em torno
de 12 meses”, diz.
Desgaste
O juiz Bento Luiz de Azambuja
Moreira admite que sua relação com alguns advogados está desgastada,
mas faz questão de frisar que “é uma minoria” que
está fazendo pressão para retirá-lo da cidade. “Existe
uma pequena parcela de advogados que está insatisfeita, certamente
por causa de algumas decisões tomadas, especialmente a respeito
da não-homologação de acordos trabalhistas simulados”,
diz.
Segundo o juiz, os advogados
costuram combinações com as partes de um processo para
pagamento de ações trabalhistas de forma a evitar os encargos
previdenciários sobre o valor total. Para isso seriam apresentados
valores menores no acordo oficial, na Justiça do Trabalho, e ocorreria
um outro pagamento “por fora”, que ficaria livre dos encargos.
O juiz Bento Moreira admite
ser rigoroso quanto à conduta dos advogados e das pessoas envolvidas
nas ações trabalhistas durante as audiências. “Eu
sou detalhista, exijo as formalidades que o decoro pede nas audiências”,
confessa o juiz. Mas é veemente ao ressaltar que esse zelo não
provoca atrasos nas pautas e nem é responsável pela morosidade
dos processos na 3.ª Vara. Ele lembra que das três Varas,
a 3.ª é a única que não tem juiz auxiliar. “Faço
o trabalho de dois juízes”, diz.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
27/09/2007
Operário com LER ganha complementação
de aposentadoria
Operário aposentado da
empresa Delphi Automotive Systems do Brasil Ltda., que adquiriu doença
profissional conhecida por LER (Lesão por Esforços repetitivos)
conseguiu na Justiça do Trabalho, além de indenização
por danos morais, pagamento da diferença entre o benefício
que recebe do INSS e o salário a que teria direito se estivesse
em atividade. A decisão, do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região
(MG), foi mantida pela Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho.
O empregado foi admitido na Delphi
em abril de 1993 para a função de “operador de tableiro”.
A empresa, fabricante de autopeças, presta serviços para
a Fiat, confeccionando chicotes elétricos e acessórios
em geral. Em maio de 1994 o trabalhador foi afastado do serviço,
recebendo auxílio-doença acidentário, diagnosticado
como portador de LER. Sem apresentar melhoras, foi aposentado por invalidez
em agosto de 1996.
Ao ajuizar reclamação
trabalhista em janeiro de 1999, sustentou que a empresa o submetia a
controle rígido de produção, com horas extras em
excesso e sem respeitar as normas de medicina e segurança do trabalho,
o que o levou a adquirir a doença profissional. Pediu indenização
por danos morais e indenização equivalente ao trabalho
para o qual se inabilitou, na forma de prestações vitalícias
e reajustáveis.
A empresa, em contestação,
negou o excesso de jornada e disse que nunca infringiu as normas de segurança
e medicina do trabalho. Alegou que o empregado não comprovou que
a causa da aposentadoria foi a LER, bem como não provou o nexo
de causalidade entre a enfermidade e o trabalho desenvolvido na empresa.
Por fim, sustentou que o pedido de indenização por dano
moral é incompatível com o de danos materiais.
A sentença foi parcialmente
favorável ao trabalhador. O juiz, considerando precoce a aposentadoria
do empregado, aos 35 anos de idade, concedeu indenização
por danos morais de R$ 54 mil (calculados com base em um salário
mínimo por mês até que o empregado completasse 68
anos), mais a diferença entre a aposentadoria paga pelo INSS e
o salário a que teria direito se tivesse em atividade.
A empresa, insatisfeita, recorreu
ao TRT/MG. O Regional, com base no laudo pericial que acusou a tenossinovite
e a tendinite, porém de forma não definitiva, reduziu a
indenização para R$ 27 mil, mas manteve a sentença
quanto à complementação do benefício.
A Delphi recorreu ao TST
insistindo na inexistência de dano moral e na ausência
de culpa da empresa. O relator do processo, ministro José Simpliciano
Fernandes, não conheceu do recurso ante a impossibilidade de
reexame de fatos e provas na atual fase recursal (Súmula 126
do TST). (RR-810414/2001.7).
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26/09/2007
Convênio com Receita facilitará execução
trabalhista
O presidente do Tribunal Superior
do Trabalho, ministro Rider Nogueira de Brito, o secretário
da Receita Federal, Jorge Rachid, e os presidentes dos Tribunais Regionais
do Trabalho assinaram hoje (26) convênio entre a Justiça
do Trabalho e a Receita para o fornecimento de informações à Justiça
do Trabalho mediante a utilização do sistema Infojud – Informações
ao Poder Judiciário no e-CAC (Centro Virtual de Atendimento
ao Contribuinte) da Secretaria da Receita. O convênio permitirá que
os juízes do Trabalho tenham acesso, em tempo real, pela Internet,
a dados cadastrais de pessoas físicas e jurídicas na
Receita Federal. O banco de dados da Receita inclui informações
protegidas por sigilo fiscal, identificação, localização
de bens, declarações de imposto de renda e de imposto
territorial rural.
Na assinatura do convênio,
o secretário da Receita, Jorge Rachid, observou que os pedidos
de informação por meio de ofícios passam por dezenas
de pessoas até atingir seu objetivo final, e este processo pode
levar de 10 a 20 dias. “Com o Infojud, o juiz recebe as informações
em questão de segundos, o que facilita e agiliza a tomada de
decisão”, afirmou. O secretário lembrou que a assinatura é mais
um passo no estreitamento das relações entre a administração
pública tributária e a Justiça do Trabalho. “Essa
parceria começou em 2005, com o convênio relativo às
informações sobre as execuções, que facilitaram
a fiscalização e aumentaram a arrecadação
fiscal e tributária”, assinalou Rachid. “A Justiça
do Trabalho auxilia no cumprimento da obrigação tributária
pelo contribuinte.”
Para o ministro Rider
Nogueira de Brito, a cooperação com a Receita Federal é um
aperfeiçoamento da prestação jurisdicional trabalhista. “É um
refinamento, uma simplificação de procedimentos, a
exemplo do Bacen-Jud, que facilita sobremodo a vida do magistrado
e da Receita”, destacou. “Os juízes terão
acesso a informações absolutamente confiáveis
e precisas, de forma imediata, naquilo que interessa diretamente à Justiça
do Trabalho, e com isso podem atuar com mais eficiência, principalmente
na fase de execução.”
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27/09/2007
Diarista que trabalha três dias na
semana não obtém vínculo empregatício
Trabalhar como diarista três
vezes na semana na mesma residência, por si só, não
caracteriza vínculo de emprego. É necessário que
estejam presentes outros requisitos, como subordinação,
não eventualidade e pessoalidade para que a diarista seja considerada
empregada doméstica e, portanto, goze das garantias da relação
empregatícia. Mesmo considerando a divergência existente
quanto ao assunto na justiça trabalhista, a Sexta Turma do Tribunal
Superior do Trabalho, por maioria, negou provimento a apelo de trabalhadora
no recurso de revista julgado ontem (26).
A trabalhadora informou que iniciou
a prestação de serviços na residência de uma
dona de casa de Curitiba em novembro de 1993. Sua última remuneração
foi de R$45,00 por semana, equivalente a R$180,00 por mês. Entre
suas atividades constavam a limpeza das dependências domésticas,
lavar e passar roupa, cozinhar e cuidar dos dois filhos da empregadora.
Durante quase todo o período, trabalhava às terças-feiras,
quintas-feiras e sábados. Nos demais dias, disse na audiência
de conciliação e instrução, trabalhava para
outras pessoas do mesmo condomínio.
Dispensada em janeiro de 2001,
a diarista ajuizou reclamatória trabalhista em setembro do mesmo
ano, pleiteando vínculo empregatício, anotação
na carteira de trabalho, décimos terceiros salários, férias
mais um terço, vale-transporte e verbas rescisórias. A
sentença acolheu parcialmente o pedido e considerou haver pessoalidade,
continuidade e subordinação, presumida na prestação
de trabalho. Para a juíza da 6ª Vara do Trabalho de Curitiba,
o trabalho em residência familiar não pode ser considerado
eventual.
A dona de casa recorreu ao Tribunal
Regional do Trabalho da 9ª Região e sustentou que a prestação
de serviços era descontínua e não ultrapassava duas
vezes por semana, conforme prova testemunhal. A decisão do TRT
de Curitiba aceitou a argumentação, considerou a informação
de que a diarista trabalhava para outras pessoas e afastou o vínculo
de emprego. A diarista apelou para o TST, que manteve o entendimento
do tribunal regional.
O relator do recurso, ministro
Horácio Senna Pires, esclareceu que “o diarista presta
serviço e recebe no mesmo dia a remuneração do
seu labor, geralmente superior àquilo que faria jus se trabalhasse
continuamente para o mesmo empregador, pois nele restam englobados
e pagos diretamente ao trabalhador os encargos sociais que seriam recolhidos
a terceiros”. (RR-17.179/2001-006-09-00.2)
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Edicão
Numero 187
de 27/09/2007
DECRETO N o 6.212, DE 26 DE SETEMBRO DE 2007
Institui
a hora de verão, em parte do território nacional,
no período que indica.
O PRESIDENTE
DA REPÚBLICA , no uso da atribuição
que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição,
e tendo em vista o disposto no art. 1 o , inciso I, alínea "b",
do Decreto-Lei n o 4.295, de 13 de maio de 1942, D E C R
E T A :
Art. 1 o A partir de zero hora do dia 14 de outubro
de 2007, até zero
hora do dia 17 de fevereiro de 2008, vigorará a hora de verão,
em parte do território nacional, adiantada em sessenta minutos
em relação à hora legal.
Art. 2 o A hora de verão a que se refere o art. 1 o será instituída
nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São
Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás,
Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal.
Art. 3 o Este Decreto entra em vigor na data de sua
publicação.
Brasília, 26 de setembro de 2007; 186 o da Independência
e 119 o da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Nelson José Hubner Moreira
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