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Diário Vermelho,
30 de setembro de 2007
CSC abre encontro rumo à "virada
histórica" no sindicalismo

Com a palavra-de-ordem “central classista, futuro socialista”,
cerca de 500 delegados deram início ao 7º Encontro Nacional
da Corrente Sindical Classista (CSC), na noite desta sexta-feira (28),
em Salvador (BA). A mesa de abertura, coordenada por Pascoal Carneiro,
destacou a trajetória classista e sua pauta de lutas, marcada
sobretudo pela defesa da unidade no movimento sindical.
Agitação na plenária de abertura
do Encontro O encontro é estratégico para
a CSC. No domingo (29), o plenário deve formalizar
a proposta de desfiliar a corrente da CUT (Central Única
dos Trabalhadores) e avançar na construção
de uma central sindical ampla, classista e democrática. “Estamos
aqui para tomar uma das decisões mais importantes
de nossa história”, resumiu Pascoal, que é membro
da Executiva Nacional da CUT e diretor do Sindicato dos
Metalúrgicos da Bahia.
Nivaldo Santana e Renildo Souza, dois dos fundadores da
CSC, retomaram a história do sindicalismo classista.
Na opinião deles, a corrente sempre se pautou pela
unidade — o que ajudou a desenvolver uma trajetória
de lutas coerente e representativa. Criada em 1988 e formalizada
no ano seguinte, a CSC se aliou às centrais que
representavam esse esforço unitário.
Nos anos 80, batalhou dentro da CGT (Central Geral dos
Trabalhadores). Aprovou, em 1990, a filiação à CUT — e
nem as divergências abateram os princípios
classistas. A CSC foi crítica contumaz, por exemplo,
da adesão da CUT à convenção
87 da OIT (Organização Mundial do Trabalho) — uma
convenção que dá margem à fragmentação
do movimento, desde a cúpula até a base,
das centrais às entidades.
“Mesmo na CUT, onde a CSC permanece há 16
anos, marcamos posição”, afirmou Wagner
Gomes, vice-presidente cutista e recém-eleito para
presidir o Sindicato dos Metroviários de São
Paulo. Ele citou dois congressos da CUT em que a CSC organizou
chapas de oposição — em 1991 (“a
disputa acabou em cadeiradas”) e em 2006 (“quando
houve o combate ao hegemonismo da Articulação
Sindical e ao governismo”).
Agora, segundo o sindicalista, “é hora de
encerrar uma etapa” e partir para a ousadia. “A
CSC já soltou o diabo na procissão do movimento
sindical. Vamos fazer um debate fraterno, com muita responsabilidade,
e começar outra etapa, que vai levar o movimento
a um patamar superior de atuação”,
conclamou Wagner.
João Batista Lemos, coordenador nacional da CSC,
lembrou que, em agosto de 1981, havia apenas 30 sindicalistas
classistas na 1ª Conclat (Conferência Nacional
das Classes Trabalhadoras). “Hoje somos, reconhecidamente,
a terceira maior força sindical do Brasil e temos
participação ativa em centenas de sindicatos
de peso.”
Evocando o líder comunista João Amazonas,
Batista afirmou que as grandes lutas exigem “tanto
convicção revolucionária quanto tática”.
Segundo ele, “foi correto romper com a CGT e construir
o caminho da unidade pela CUT. Acertamos politicamente”.
O caminho pela unidade passa, agora, por uma nova central.
“A corrente, com essa trajetória de 19 anos
e cinco meses de luta, está amadurecida, mais do
que qualificada e organizada, para dar uma virada histórica
no movimento sindical”, conclui Nivaldo Santana. “Historiadores
do futuro precisarão dar páginas e páginas
para descrever a importância desse encontro, se quiserem
traçar os caminhos do sindicalismo brasileiro.”
De Salvador,
André Cintra
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Diário Vermelho,
30 de setembro de 2007
Veja o que vai à votação
no Encontro da CSC
A iminente saída da CUT e a construção
de uma central classista e democrática não são
os únicos temas em debate no 7º Encontro Nacional da Corrente
Sindical Classista (CSC). Neste domingo (30), os delegados votam, no
plenário, as resoluções do encontro, que deve
ter seis itens. Se forem aprovadas, essas propostas é que vão
orientar a atuação classista diante dos desafios atuais.
Veja o que deve ir a voto na plenária final.
* integração dos sindicatos
liderados pela CSC ao Movimento por uma Central Classista
e Democrática. Essas entidades devem, nos próximos
dias, encaminhar o processo de desfiliação
da CUT;
* realização de reuniões
ou assembléias gerais nas bases de sindicatos dirigidos
por classistas. Os encontros vão definir e detalhar
a participação dos sindicatos no congresso
de fundação da central;
* desligamento de federações
e confederações orgânicas. Sindicalistas
e entidades classistas devem pôr à disposição
todos os cargos ocupados em conselhos e coletivos da CUT;
* contribuição financeira à central
classista e democrática. A fim de ajudar na construção
da central, as entidades sob liderança da CSC devem
destinar parte de sua arrecadação — 5%
no caso de entidades urbanas e 3% no caso de entidades
rurais;
* realização de encontros
estaduais do Movimento pela Central Classista e Democrática.
O processo de construção da central requer
a organização de comitês unitários,
em busca de mais adesões, sobretudo de entidades
independentes;
* participação ativa na
Marcha de Brasília. A manifestação,
marcada para 5 de dezembro, deve ter a CSC na linha de
frente da mobilização nacional, na luta pela
redução da jornada de trabalho sem redução
de salários.
De Salvador,
André Cintra
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Diário Vermelho,
30 de setembro de 2007
Os chineses estão chegando:
600 mil turistas só na França
Mais de 600 mil turistas chineses terão visitado a França
no decorrer de 2007, noticiou o diário Le Monde neste domingo.
O número impressiona, mas muito mais a sua progressão
nos últimos anos, segundo a Organização Mundial
do Turismo (OMT).
O número de cidadãos chineses que viajam
para fora do seu país, segundo a OMT, passou de
20 milhões em 2003 para 34 milhões em 2006.
E deve alcançar inacreditáveis 100 milhões
em 2020.
As despesas que eles fazem fora da China crescem no mesmo
ritmo. Foram US$ 15,7 bilhões em 2003 mas passaram
para US$ 25,3 bilhões em 2006, conforme a administração
nacional do turismo chinesa.
Caixa francesa, cartão de crédito
chinês
Os turistas chineses que visitam a França quase
sempre se concentram em Paris e região. Mas as viagens,
na maioria em grupo, fazem do país apenas uma escala
em uma excursão por vários países
europeus. O padrão é começar pela
Alemanha, viajar de ônibus e empregar um único
guia durante todo o périplo.
O Le Monde informa, citando o Escritório de Turismo
francês, que os chineses não gastam muito
em restaurantes e hotéis: em média, 50 euros
(cerca de R$ 130) por cabeça e por dia, contra 130
euros para os americanos e 144 euros para os japoneses.
Mas em compensação fazem muito mais compras:
197 euros por dia, contra 80 euros para os turistas vindos
dos EUA e 132 euros para os do Japão. Isso já levou
a grande loja de departamentos Printemps, no bulevar Haussman,
um dos ícones de Paris, a adaptar suas caixas registradoras
para aceitar cartões de créditos chineses:
hoje eles podem ser usados em qualquer uma das 550 caixas
da Printemps.
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Congresso em Foco, 30 de
setembro de 2007
Câmara admite devolver férias
coletivas aos juízes
Proposta aprovada na CCJ restitui aos
magistrados férias coletivas em janeiro e julho. Para
deputado, a mudança na reforma do Judiciário é “passo
atrás"
Rodolfo Torres
Uma das inovações da reforma do Judiciário,
em vigor desde janeiro de 2005, o fim das férias coletivas
dos magistrados está pra ser revisto pelo Congresso.
Avança na Câmara uma proposta de emenda constitucional
(PEC) que devolve aos juízes o direito de tirar férias
coletivas nos meses de janeiro e julho.
O texto, aprovado por unanimidade no último dia 19
pela Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ), será examinado agora por uma comissão
especial que analisará o mérito da mudança.
Caso seja aprovada, a proposta será submetida ao Plenário,
onde precisará do apoio de 308 deputados, em dois
turnos.
O argumento para retomar o descanso unificado da categoria é que
o fim das férias coletivas foi “danoso ao sistema
como um todo” e não garantiu a agilidade prometida
pela reforma do Judiciário, que tramitou por 12 anos
no Congresso (leia a íntegra da Emenda Constitucional
45).
“ O fim das férias coletivas atentou contra
a celeridade processual, que era a princípio o objetivo
da medida, razão pela qual é imperioso adaptar
a norma à realidade fática e ao objetivo de
melhor funcionamento da Justiça”, afirma o deputado
José Santana Vasconcellos (PR-MG), autor da PEC 3/07
(leia a íntegra da proposta).
Férias polêmicas
O tema, no entanto, é polêmico. Ex-juiz federal,
o deputado Flávio Dino (PCdoB-MA) avalia a mudança
como um “passo atrás” na relação
do Judiciário com a sociedade. “É inadequado
interromper as atividades do Judiciário por dois meses.
Até porque o serviço está sobrecarregado”,
considera.
Ainda como magistrado, Dino coordenou o gabinete criado
pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para discutir a reforma
do Judiciário. Segundo o deputado, a CCJ fez sua parte
ao admitir a proposta como constitucional. No entanto, prevê o
ex-juiz, o texto enfrentará resistência na comissão
que analisará o mérito da PEC.
Até 2004, juízes e desembargadores entravam
de férias nos meses de janeiro e julho. No ano seguinte,
a pedido de magistrados e advogados, o Conselho Nacional
de Justiça (CNJ), também criado pela reforma
do Judiciário, liberou provisoriamente os tribunais
de Justiça estaduais para que eles mesmos decidissem
sobre seus períodos de férias.
Mas, em agosto deste ano, o STF derrubou a decisão
do CNJ, alegando que o Conselho não tinha competência
para tratar do assunto, já que a proibição
das férias coletivas está prevista na Constituição.
A reforma não retirou, contudo, o direito dos magistrados
de tirar 60 dias de férias por ano.
Problemas jurídicos
Os defensores da volta desses recessos afirmam que, na atualidade,
como não existe mais data para os membros do Judiciário
entrarem de férias juntos, os julgamentos ficam prejudicados
com a presença de alguns e a ausência de outros.
Além disso, os advogados alegam que foram prejudicados
com o fim das férias forenses, pois não podem
planejar seu próprio período de descanso, antes
coincidentemente com os dos tribunais.
“O fim do recesso permitiu que os magistrados se ausentassem
ao longo do ano. As férias em diferentes meses, no
entanto, prejudicaram a tramitação dos processos
nos Tribunais de Justiça, uma vez que as câmaras
e turmas ficaram desfalcadas para realizar julgamentos”,
reforça Vasconcellos na justificativa da proposta.
“No Tribunal de Justiça de Minas Gerais, por
exemplo, cerca de 30 a 40% dos processos das sessões
de julgamento da corte superior têm sido redundantemente
adiados em função de férias individuais”,
afirma o parlamentar.
De acordo com o deputado Paes Landim (PTB-PI), relator da
proposta, “o fracionamento das férias dos magistrados
ao longo do ano, em diferentes meses, tem resultado no desfalque
das câmaras e turmas julgadoras dos tribunais, em prejuízo
para o sistema judiciário como um todo. Portanto,
torna-se imperioso o retorno das férias coletivas,
objetivando adaptar a norma à realidade fática,
com vistas ao melhor funcionamento da Justiça”.
Para Flávio Dino, o argumento dos defensores das
férias forenses não se sustenta. De acordo
com ele, os profissionais que saem de férias, independentemente
do período do ano, podem ser substituídos. “É possível
convocar juízes para substituir desembargadores.”
Estímulo
O professor de Direito Constitucional Pedro Serrano, da
Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São
Paulo, é favorável à volta das férias
coletivas no Judiciário. Ele classifica de “demagógica” a
emenda que acabou com o recesso no Judiciário.
Segundo ele, a volta ao antigo sistema é um estímulo
para atrair os melhores profissionais do direito para o serviço
público, que são cada vez mais cobiçados
pelo mercado. Na avaliação do professor, juízes
e promotores trabalham muito e ganham mal. Ele destaca que
o rendimento desses profissionais é baixo em relação à “situação
de mercado”, e não à difícil realidade
econômica da população.
“O serviço público está perdendo
gente boa por conta da falta de estímulos. Um juiz
de má formação é uma tragédia
para a sociedade”, considera. (Rodolfo
Torres)
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Gazeta do Povo, 30 de setembro
de 2007
BRASIL | INVESTIGAÇÃO
Senado deve instalar a CPI das ONGs
Depois de quase um ano de atraso, o Senado Federal instala na quarta-feira
a CPI das ONGs, criada em novembro de 2006 com o objetivo de investigar
supostos desvios nos repasses do governo federal a ONGs e Organizações
da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips) entre 2003 e
2006. A instalação da CPI faz parte do acordo fechado nesta
semana pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR)
para destrancar a pauta de votações da Casa.
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Gazeta do Povo, 30 de setembro
de 2007
ECONOMIA | INDÚSTRIA
Diretoria da Fiep toma posse
no dia 8
A nova diretoria da Federação das Indústrias
do Estado do Paraná (Fiep) toma posse no dia 8 de
outubro, em Curitiba. O presidente reeleito Rodrigo da Rocha
Loures estará à frente da entidade até 2011.
Estão convidados para cerimônia industriais
e membros de sindicatos empresariais de todo o Paraná,
além de autoridades municipais, estaduais e federais.
Caravanas estão sendo organizadas pelas coordenadorias
regionais da Fiep para prestigiar a solenidade. A cerimônia
ocorre às 19h30 no Centro de Exposições
Horácio Sabino Coimbra, no Cietep, no Jardim Botânico.
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Gazeta do Povo, 30 de setembro
de 2007
ECONOMIA | TRABALHO
Eles não podem tudo,
mas fazem muito
Contratação
de deficientes começou apenas para cumprir a legislação,
mas a experiência deu certo
por MARCO SANCHOTENE
André Heitor Piekarzievicz, 34 anos, é portador de deficiência
mental leve. Por falta de oportunidades, ficou sem trabalhar até os
29 anos. “Ficava em casa, ajudando minha mãe, ou ia passear
com os amigos”, conta. Há cinco anos ele conseguiu um
emprego em um supermercado de Curitiba, como empacotador. Ficou lá durante
um ano, até a empresa falir. Experiente, André achou
uma vaga em outro mercado, onde ficou por mais dois anos. Um pouco
insatisfeito com sua função, quis mudar, até que
ficou sabendo de um trabalho na indústria de refrigeração
Denso do Brasil. Entrou no processo seletivo e passou. Há 11
meses ele é o novo contínuo da empresa – instalada
na Cidade Industrial de Curitiba (CIC) – e o primeiro funcionário
com deficiência mental da multinacional.
O caso de André ilustra um fenômeno que
vem ocorrendo cada vez com mais freqüência nas
empresas brasileiras. Obrigadas pela Lei 8.298/93, a chamada
Lei de Cotas, elas passaram a contratar portadores de deficiência
de todos os gêneros há 14 anos. Os primeiros
foram os deficientes auditivos, que se adaptam mais facilmente
ao trabalho. Depois vieram os deficientes físicos
e, em menor quantidade, os visuais. Agora, com experiência,
os patrões estão chamando também pessoas
como André – eles podem demorar um pouco mais
para aprender o serviço, mas se dedicam tanto quanto
os funcionários ditos “normais” e mudam
positivamente o ambiente corporativo com suas características únicas.
“Os ganhos comportamentais foram muito grandes”,
garante Dante Yasuda, gerente de recursos humanos da Denso,
que tem sede em Curitiba e 1,5 mil empregados no país. “Notamos
que características como a tolerância, a paciência
e a sensibilidade foram as mais desenvolvidas pela equipe
do RH, assim como pelas demais áreas. Esse desenvolvimento
vem nos permitindo trabalhar em um ambiente bastante integrado,
produtivo e saudável.” Yasuda diz que, há dois
anos, começou a dar um foco diferente para a contratação
de portadores de deficiência. O que antes era só uma
formalidade para cumprir a lei se tornou um programa de
inclusão da diversidade. “No Brasil, estamos
um pouco atrasados nisso. Eu fui ao Japão para ver
como o grupo é lá. Existe uma divisão
só para deficientes, com máquinas comandadas
por voz, com braile. Alguns supervisores lá são
portadores de deficiência”, completa.
A maior dificuldade para começar a contratar portadores
de deficiência mental, segundo Yasuda, é a
adaptação do ambiente de trabalho. “Eles
não têm muita atenção, por isso
há um risco à própria segurança”,
explica. Passada esta fase, foi feita uma seleção
entre diferentes candidatos “especiais”, como
se fosse para qualquer outro cargo na empresa. André foi
o escolhido. Hoje ele é responsável pela
entrega de documentos na indústria. “No começo
me batia muito e até hoje ligo para meu supervisor
para perguntar como fazer alguma coisa, mas agora está tudo
bem”, diz o funcionário, com quase um ano
de casa. Prestes a concluir o ensino médio, ele
pensa em fazer vestibular para Turismo, “para viajar
pelo mundo”, como diz. “Meus três irmãos
são formados: dois em administração
e um em engenharia. Eu não podia ficar para trás!”
Satisfeita com seu novo funcionário, a empresa
estuda a contratação de mais cinco ou seis
portadores de deficiência mental para a fábrica
de compressores.
Legislação - Companhias
são obrigadas a contratar
A Lei 8.213/91, que entrou em vigor no dia 24 de julho de 1991 e também é chamada
de Lei de Cotas, determina quantidades mínimas de trabalhadores
com algum tipo de deficiência em empresas com cem ou mais empregados.
Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, desde 2000
mais de 64 mil pessoas com deficiência foram inseridas no mercado
de trabalho.
O número de vagas se dá pelo número
de funcionários:
Entre 100 e 200 empregados – cota de pelo menos
2% das vagas.
Com até 500 funcionários – cota de
3%.
Com até 1 mil – cota de 4%.
Acima de 1 mil – cota de 5%.
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Gazeta do Povo, 30 de setembro
de 2007
ECONOMIA | TRABALHO
Companhias buscam ajuda para
contratar e treinar
Para se adaptar à chegada de André Heitor,
a Denso obteve ajuda da Universidade Livre para a Eficiência
Humana (Unilehu), que auxilia empresas que querem contratar
trabalhadores com deficiência. “O problema é que
eles sofrem um estigma muito forte da sociedade, parecem
até deficientes sociais. A gente sempre fala que eles
não podem fazer tudo, mas fazem bastante. Agora que
as empresas tiveram boas experiências estão
contratando mais”, explica a presidente Andréa
Koppe.
De acordo com ela, os deficientes mentais têm
restrições para o trabalho, exigem paciência
dos colegas e são mais sensíveis a críticas,
mas geralmente demonstram comprometimento, produtividade
e sociabilização altos.
Andréa também é coordenadora
de recursos humanos da Electrolux no Brasil, empresa
que aposta na inclusão dos portadores de deficiência
mental. Ela conta que os funcionários especiais
demoram um pouco mais para aprender, mas que, depois
que aprendem, viram especialistas no assunto. “Uma
vez o departamento de engenharia trocou uma peça
de lugar mas eles colocavam no mesmo lugar por achar
que havia um erro no projeto.”
Quem incentivou André a procurar um emprego
foi a Fundação Ecumênica de Proteção
ao Excepcional. De acordo com a diretora da unidade
do bairro Bacacheri, Jádina Fontana, as empresas
começaram recentemente a procurar mais portadores
de deficiência mental para seus quadros de pessoal. “Elas
ligam para cá e pedem. O problema é que
elas querem alguém perfeito, geralmente com
deficiência mental leve. Se a pessoa é um
pouco mais comprometida, há preconceito”,
lamenta.
Ela explica que o portador de deficiência pode
ter dificuldades de socialização, locomoção,
fala e raciocínio. Na fundação, é feito
um trabalho de auxílio. “Eles têm
seus limites, mas podem fazer muita coisa.” (MS)
Serviço:
Unilehu – (41) 3333 6921– www.unilehu.org.br;
Fundação Ecumênica de Proteção ao
Excepcional – (41) 3111-1800 – www.fepe.org.br
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Jornal do Estado, 30 de
setembro de 2007
STF deve impor fidelidade partidária
aos políticos
Assunto ocupará boa parte do
debate no plenário da Corte na quarta-feira, quando
os ministros do STF julgarão mandados impetrados por
partidos de oposição
Fábio Pozzebom/ABr

Ministro do STF Marco Aurélio Mello é o principal defensor
da fidelidade partidária
Brasília - O Supremo Tribunal Federal (STF) tende a adotar na
quarta-feira uma das medidas mais esperadas pela maioria dos eleitores,
mas que os parlamentares insistem em desrespeitar. No julgamento dos
mandados de segurança impetrados pelo PPS, DEM e PSDB, os ministros
do STF devem impor aos políticos algum tipo de fidelidade partidária.
A data a partir de quando deve valer essa fidelidade é que ocupará boa
parte do debate no plenário da Corte.
Os três partidos pedem que o Supremo lhes garanta
a titularidade das vagas na Câmara que obtiveram nas últimas
eleições (2006). Em caso de vitória,
terão o direito de tomar os mandatos dos deputados
que se elegeram pelos respectivos partidos, mas mudaram de
legenda ao chegar ao Congresso.
A reportagem apurou que entre a maioria dos ministros do
STF é dada como certa a confirmação
do entendimento dado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
de que os mandatos pertencem aos partidos, e não aos
senadores, deputados federais, estaduais e distritais e vereadores.
A decisão pode estancar um movimento comum, detectado
logo depois das eleições: o esvaziamento da
oposição e o inchaço da base governista,
com deputados em busca de cargos, favores e liberação
de emendas orçamentárias.
O procurador-geral da República, Antonio Fernando
de Souza, deu parecer contrário à concessão
do mandado de segurança para os partidos. Sua opinião
não vale como voto, mas serve de argumento durante
o julgamento. Ele pondera que a Constituição
não permite a cassação de mandato por
infidelidade partidária. É nesse entendimento
que se fiam os deputados infiéis.
A tese do procurador-geral, porém, é rapidamente
rebatida pelos ministros do STF. Marco Aurélio Mello,
principal defensor da fidelidade, diz que o entendimento
dado pela Justiça Eleitoral é de que o parlamentar
que muda de partido abre mão do mandato por vontade
própria. ''Não há cassação
de mandato. Foi uma opção do parlamentar'',
afirma o ministro, que é também presidente
do TSE.
Há ministros que defendem a validade do julgamento
apenas para os próximos infiéis sob o argumento
de que mudanças na legislação eleitoral
- mesmo que promovidas por entendimento do TSE - devem valer
apenas no ano seguinte, como manda o artigo 16 da Constituição.
Outros são mais severos. Dizem que se a Constituição,
pela interpretação do TSE, define que o mandato
pertence ao partido, os infiéis devem imediatamente
deixar os postos. Além disso, o TSE determinou duas
exceções para a infidelidade. O deputado pode
trocar de legenda se houver ''mudança significativa
de orientação programática do partido''
ou ''perseguição política''.
Desde o início do governo Lula, os maiores prejudicados
pela lógica da infidelidade foram PPS, PSDB e DEM.
Em 2006, data das eleições, o PPS contava 22
deputados. Hoje, resume-se a 13 parlamentares.
Felipe Recondo
Agência Estado
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Folha de Londrina, 30 de
setembro de 2007
Ministro do Trabalho priorizou aliados
ao distribuir verbas
Três dos convênios mais
volumosos na gestão de Carlos Lupi foram dirigidos a
regiões de influência política do PDT
Arquivo FOLHA/09-04-2007

Ministro do Trabalho Carlos Lupi destinou verbas a entidades e prefeituras
ligadas ao PDT
Brasília - Pelo menos 12 dos 16 convênios que o Ministério
do Trabalho fechou nos últimos seis meses - gestão do
presidente do PDT, Carlos Lupi - destinam verbas a entidades e prefeituras
ligadas ao partido do ministro ou administradas por aliados do governo
ou do PDT.
Segundo informações do Portal da Transparência,
da Controladoria-Geral da União (CGU), três
dos convênios mais volumosos registrados na gestão
de Lupi foram dirigidos a regiões de influência
política do PDT. Os três somam R$ 6,7 milhões,
mais da metade do total contratado durante sua gestão.
Campinas, do prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT),
mantém dois convênios, no total de R$ 3,593
milhões, que foram publicados no Diário Oficial
da União em junho e julho. O valor equivale a 29,3%
do total contratado.
Um convênio de R$ 3,113 milhões (25,4% do total)
foi firmado com a Federação de Desenvolvimento
das Organizações do Terceiro Setor no Maranhão
(FEDECMA). A entidade desenvolve ações sociais
e é dirigida pela professora Marileide Rocha, mãe
de Weverton Rocha, secretário Extraordinário
da Juventude do governador Jackson Lago, do PDT. Rocha integra
o diretório nacional do partido. A ONG faz parte do
Consórcio Nacional da Juventude, formado por entidades
selecionadas sem licitação para desenvolver
ações do Programa Primeiro Emprego.
Há seis convênios, publicados entre julho e
setembro, com prefeituras do PT. Osasco, governada por Emídio
de Souza, e Guarulhos, por Elói Pietá, conseguiram
repasses de R$ 399 mil para qualificação profissional
de jovens. O convênio com Diadema, gerida pelo ex-tesoureiro
de campanha de Lula, José de Filippi, é de
R$ 266,4 mil.
Um dos últimos convênios da gestão do
antecessor de Lupi, Luiz Marinho, atual ministro da Previdência,
destina R$ 4,7 milhões à Cooperativa de Consumo
dos Empregados da Volkswagen, uma entidade selecionada para
o Programa Primeiro Emprego. O convênio foi publicado
em 3 de abril, dia em que Lupi assumiu. Por causa de sucessivos
fracassos, o programa está sendo extinto.
Explicações- O Ministério do Trabalho
informou que não há direcionamento político
na distribuição das verbas. Os convênios
são estabelecidos de acordo com a demanda local e
obedecem a exigências legais. O secretário de
Comunicação da prefeitura de Campinas, Francisco
de Lagos, negou favorecimento e disse que foi a importância
econômica e social da cidade que a colocou entre as
prioridades do ministério. Segundo ele, o valor dos
dois convênios é insignificante em comparação
aos R$ 530 milhões em investimentos federais já obtidos.
Marileide Rocha diz que a FEDECMA cumpre todas as exigências
legais e tem grande experiência no ensino de jovens
de baixa renda. ''Reunimos 190 escolas com mais de 45 mil
alunos. Temos tradição. Por isso fomos selecionados.''
A entidade substituiu a ONG Centro de Cultura Negra, que
não prestou contas dos repasses. Weverton Rocha negou
interferência.
Sônia Filgueiras
Agência Estado
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O Estado do Paraná,
30 de setembro de 2007
Economia
Erros cometidos na Rais podem prejudicar
trabalhadores
Redação
Erros encontrados na Relação Anual de Informações
Sociais (Rais) podem prejudicar trabalhadores na hora de receber o abono
salarial - PIS/Pasep. Os problemas mais comuns, segundo funcionário
da Seção de Emprego e Salário da Delegacia Regional
do Trabalho (DRT/PR), Vitor Wasilewski, são valores de salários
errados, PIS que corresponde ao de outra pessoa e até mesmo a
não entrega da Rais. “Para evitar esse tipo de problema
as empresas devem verificar os dados do empregado com antecedência
para que haja tempo de certificá-los”, destaca Wasilewski.
Após a constatação do erro, o Ministério
do Trabalho e Emprego (MTE) notifica a empresa para que
as retificações sejam realizadas. “Caso
as correções sejam efetuadas até o
dia 26 de outubro, o trabalhador terá seu abono
disponível a partir do dia 9 de janeiro de 2008”,
informa. No entanto, se a empresa ultrapassar o tempo determinado
para as correções, o trabalhador vai demorar
mais para receber o benefício.
De acordo com Wasilewski, os trabalhadores que estão
passando por esse tipo de situação devem
se dirigir à DRT para checar as possíveis
irregularidades. “Após a ciência do
fato, resta ao empregado aguardar a resolução
por parte da empresa. Neste caso, só ela pode solucionar
os problemas”, destaca o funcionário da SES.
Penalidade
Empresas que não enviaram a Rais ou não
fizeram as devidas correções nos dados do
funcionário estarão sujeitas a multas, que
iniciam com o valor de R$ 425,64, podendo ter acréscimo
de valores por bimestres atrasados e por omissão
de informação ou declaração
falsa. “As multas também variam de acordo
com a quantidade de empregados que a empresa possui”,
afirma Wasilewski.
Abono salarial é o pagamento de um salário
mínimo anual ao trabalhador que possui cadastro
no PIS/Pasep com pelo pelos cinco anos de vínculo,
ou seja, com registro em carteira a partir de 2002, que
tenha trabalhado no mínimo 30 dias em 2006, e que
seu rendimento mensal não ultrapasse a média
de dois salários mínimos. (DRT)
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O Estado do Paraná,
30 de setembro de 2007
Direito e Justiça
Integração latino-americana
dos trabalhadores em transportes e comunicações
Edésio Passos
Foi realizado em Buenos Aires, de 5 a 8 de setembro, o II
Congresso Latino-americano e do Caribe do Transporte e das
Comunicações, promovido pela Confederação
Latino-americana de Trabalhadores do Transporte e das Comunicações
(CLTTC), com a participação das delegações
de dirigentes sindicais da Argentina, Brasil, Venezuela,
Curaçao, Chile, Colômbia, Paraguai e Porto Rico.
A delegação brasileira esteve constituída
por 21 representantes do setor, sendo 12 paranaenses. Destacaram-se
os debates sobre os seguintes temas (1) A Integração
da Infra-estrutura na América Latina, com a participação
de João Batista da Silva, presidente do Sindicato
dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Londrina,
(2) Novas Tecnologias da Informática e as Comunicações
e seu Impacto no Mundo do Trabalho, (3) Adaptação às
Novas Tecnologias, conferência por Fernando Bringas,
Docente da Universidade Complutense de Madrid, (4) A Unidade
Mundial e Continental dos Trabalhadores Atualidade e Perspectivas,
com a coordenação de Nilton Ramos Borges, secretário-geral
da Fasderbra, Brasil, (5) Ação Profissional
em Novo Cenário Sindical. Durante o evento foi eleita
a nova diretoria da CLTTC, integrando a Executiva, pelo Brasil,
João Batista da Silva e Nilton Borges Ramos. A delegação
brasileira apresentou, através de exposição
do dirigente João Batista da Silva, relato sobre o
que está sendo realizado para a melhoria da infra-estrutura
e mobilidade sustentável regional, em especial a Iniciativa
para a Integração da Infra-estrutura Regional
Latino-Americana. Foi detalhado o Programa de Aceleração
do Crescimento proposto pelo governo federal, inclusive quanto
aos investimentos destinados a infra-estrutura, logística,
energia, campos social e urbano, através de dados
do DNIT. Segundo o dirigente sindical paranaense Ronaldo
José da Silva, um dos membros da comissão de
redação das conclusões do Congresso,
foram pontos de destaque do evento o tema sobre a unidade
sindical mundial, continental e setorial como marca das novas
estratégias das organizações dos trabalhadores
frente a realidade da globalização e do neoliberalismo
visando enfrentar o desafio da justiça social e da
eqüidade, a palestra do prof. espanhol Fernando Bringas
sobre o tema adaptação das novas tecnologias
e as exposições do presidente da Confederação
Latino-Americana dos Trabalhadores (CLAT) o colombiano Júlio
Roberto Gómez.
Declaração de Buenos Aires: Foi
aprovada a “Declaração de Buenos Aires” abordando
a problemática relacionada com a expansão dos
sistemas de transportes e as novas tecnologias das comunicações
na atual etapa de globalização financeira e
econômica. No documento está expresso que “América
Latina e o Caribe apresentam grande diversidade no econômico,
social, político, cultural e sindical. Isto constitui
sua enorme riqueza e, por outro lado, suas dificuldades em
termos de pobreza, migrações, desemprego, exclusão,
trabalho escravo, trabalho infantil”. “Durante
este Congresso, a CLTTC realizou sua análise sobre
os temas que impactam diretamente sobre as condições
de trabalho de nosso setor, tais como a mobilidade sustentável,
a qual deve organizar-se para que seus efeitos sejam fatores
favoráveis ao meio ambiente, à economia, às
condições sociais e de trabalho. As novas tecnologias
de informação e comunicações
devem ser aliadas estratégicas dos trabalhadores para
o desenvolvimento social dos países e não eliminá-los
de seus postos de trabalho. Também foi oportuno o
debate sobre a unidade sindical mundial, continental e setorial,
no marco de uma nova estratégia das organizações
dos trabalhadores para fazer frente à globalização
e ao neoliberalismo, em busca da justiça e da equidade”.
Reconhecimento das Centrais Sindicais
O Poder Executivo encaminhou mensagem ao Congresso Nacional,
convertida no PL n.º 1990/2007,tramitação
urgente (art. 64 CF), que dispõe sobre o reconhecimento
formal das centrais sindicais e altera a CLT no que se refere
ao sistema de distribuição e recolhimento da
contribuição sindical compulsória. Neste
sentido, altera o art. 589, propondo: “I para os empregadores:
a) 5% (cinco por cento) para a confederação
correspondente; b) 15% (quinze por cento) para a federação;
c) 60% (sessenta por cento) para o sindicato respectivo;
e d) 20% (vinte por cento) para a “Conta Especial Emprego
e Salário”, II para os trabalhadores: 5% (cinco
por cento) para a confederação correspondente;
10% (dez por cento) para a central sindical; 15% (quinze
por cento) para a federação; 60% (sessenta
por cento) para o sindicato respectivo; e 10% (dez por cento)
para a “Conta Especial Emprego e Salário”.
O projeto de lei inclui no art. 589 o seguinte parágrafo: “§ 1.º O
sindicato indicará ao Ministério do Trabalho
e Emprego a federação e confederação
a que estiver vinculado e, no caso dos trabalhadores, a central
sindical a que estiver filiado, como beneficiários
da respectiva contribuição sindical, para fins
de destinação dos créditos previstos
neste artigo”.
Emenda: Em reunião realizada em
19 de setembro, a Coordenação das Federações
de Trabalhadores aprovou o apoio a emenda elaborada pelo
presidente da Federação dos Comerciários
do Paraná Vicente Silva, e assinada e apresentada
ao relator do projeto de lei por um dos parlamentares, para
modificação do referido parágrafo. A
emenda apresentada ao § 1.º do artigo 589 do projeto
de lei, que dispõe sobre o reconhecimento das centrais
sindicais, passa a ter a seguinte redação: “§ 1.º -
O sindicato profissional indicará a central sindical
a que estiver filiado, como beneficiária da respectiva
contribuição sindical, para fins de destinação
dos créditos previstos neste artigo”. Segundo
a justificativa da emenda, “a indicação
pelo sindicato de base ao Ministério do Trabalho de
qual federação e confederação
está vinculado para efeito do crédito da contribuição
sindical é completamente desnecessária e temerária.
Desnecessária, pois o “caput” do próprio
artigo 589 da CLT define que da importância da arrecadação
da contribuição sindical serão feitos
os respectivos créditos pela Caixa Econômica
Federal, nos percentuais correspondentes a cada entidade
da categoria profissional ou econômica e a “conta
especial emprego e salário”. O crédito
dos percentuais da contribuição sindical para
a federação e confederação de
trabalhadores sempre foi feito de forma automática
com base na vinculação entre as entidades integrantes
da respectiva categoria profissional, sendo desnecessária
a indicação pelo sindicato de qual federação
ou confederação está vinculado. A vinculação
vertical dentro da categoria profissional ou econômica é compulsória.
Temerária, pois a)concede poder ao Ministério
do Trabalho para interferir no patrimônio das entidades
sindicais; b) a norma legal poderá ensejar a proliferação
de federações e confederações
da mesma categoria, ferindo o princípio da unicidade
sindical; c) desrespeita completamente o conceito de categoria
profissional ou econômica, pois o texto proposto faculta
ao sindicato escolher a federação ou confederação
a ser beneficiada com a contribuição sindical.
Exemplo: um sindicato dos trabalhadores na indústria
da construção cível poderá indicar
como vinculado à federação dos empregados
em estabelecimentos bancários. Imaginem o caos que
se estabeleceria na organização sindical do
nosso País”.
Outras Emendas: além da emenda referente
ao parágrafo 1.º do art.589 da CLT, dezesseis
emendas foram apresentadas, entre outras (1) Os servidores
públicos federais, estaduais, municipais e do Distrito
Federal poderão constituir central sindical, (2) Às
entidades sindicais de trabalhadores não filiadas
a uma central sindical é assegurada a participação
nas negociações (em fóruns, colegiados
de órgãos públicos) na medida e na proporção
da sua representatividade, (3) O estatuto da central sindical
estabelecerá os requisitos para filiação
de entidades sindicais, e nenhuma limitação
poderá ser oposta pela central sindical à desfiliação
voluntária de qualquer de suas entidades filiadas,
(4) A indicação de representantes pela central
sindical de representantes nos fóruns tripartites,
conselhos e colegiados de órgãos públicos
será em número proporcional ao efetivo índice
de sindicalização, dos sindicatos integrantes
de sua estrutura organizativa, salvo acordo entre centrais
sindicais, (5) A aferição dos requisitos de
representatividade de que trata o art. 2.º será realizada
pelo Ministério do Trabalho e Emprego, ouvidas as
entidades sindicais de âmbito nacional mais representativas
de trabalhadores e de empregadores, (6) (a contribuição
sindical será) para os empregadores a) 15% (quinze
por cento) para confederação, b) 10% (dez por
cento) para a Conta Especial Emprego e Salário.
XXIX CONAT e VII ELAT
De 31 de outubro a 3 de novembro,em Recife-PE, realiza-se
o XXIX Congresso Nacional dos Advogados Trabalhistas. Informa
o presidente da Abrat dr. Luiz Salvador, que o tema base
indicado será “O Direito do Trabalho como mecanismo
de resgate e valorização da dignidade humana”,
cabendo a conferência de abertura ao ministro da Justiça,
Dr. Tarso Genro. As inscrições já estão
sendo recebidas e o programa também já está disponível
(informações: www.conat2007.com.br 081.3221.4749).
Já o VII Encontro Latinoamericano de Advogados Trabalhistas
será realizado pela Associação Latino-americana
de Advogados Laboralistas dias 6 e 7 de dezembro em Cochabamba,
Bolívia, com a participação da Associação
Americana de Juristas e Associação Latino-americana
de Juízes do Trabalho (informações:
luizsalv@terra.com.br).
Informatização. IN 30/2007-TST
O DJU de 18/9/2007(Seção 1, págs.855/7)
publicou a Resolução n.º 140/2007, do
Pleno do TST que, no dia 13/9/2007, aprovou a Instrução
Normativa n.º 30/2007 que regulamenta a informatização
do processo judicial no âmbito da Justiça do
Trabalho. A resolução será publicada
durante 30 dias no DJU e entrará em vigor 30 dias
após a última publicação. No
artigo 1.º, parágrafo único, da IN 30/2007,
está expresso que “os Tribunais Regionais do
Trabalho terão o prazo de um ano da publicação
da presente instrução normativa para atenderem
ao disposto no presente artigo”, ou seja, “disponibilizarão
em suas dependências e nas Varas do Trabalho, para
os usuários dos serviços de peticionamento
eletrônico que necessitarem, equipamentos de acesso à rede
mundial de computadores e de digitalização
do processo, para a distribuição de peças
processuais (art. 2.º)”.
Mandado de segurança
“Segundo a atual jurisprudência desta Corte,
consubstanciada na Orientação Jurisprudencial
n.º 142 da SBDI-2, inexiste direito líquido e
certo a ser oposto contra ato de juiz que, antecipando a
tutela jurisdicional, determina a reintegração
do empregado até a decisão final do processo,
quando demonstrada a razoabilidade do direito subjetivo material,
como nos casos de anistiado pela Lei n.º 8.878/1994,
aposentado, integrante de comissão de fábrica,
dirigente sindical, portador de doença profissional,
portador de virus HIV ou detentor de estabilidade provisória
prevista em norma coletiva” (vide TST-ROMS-717/2005-000-05-00.7,
DJU 31/8/2007)
Aposentadoria & jornada de trabalho
Publicado o Decreto n.º 6.208, de 18/9/2007, que dá nova
redação ao parágrafo único do
art. 181-B do Regulamento da Previdência Social, aprovado
pelo Decreto n.º 3.048, de 6 de maio de 1999, sobre
como o segurado pode desistir do seu pedido de aposentadoria
*** Publicada a Portaria n.º 412, de 20/9/2007, do Ministro
do Trabalho e Emprego, que disciplina a alteração
na jornada e no horário de trabalho dos empregados
que trabalham em regime de turnos ininterruptos de revezamento.
Jurisprudência: atividade externa
“Motorista de caminhão tem direito a receber
horas extras desde que comprovada a sobrejornada. A SDI-1
do TST, ao rejeitar embargos, reconheceu que empregado tinha
controle rigoroso de jornada, pois, além de Redac
e tacógrafo, a fiscalização era efetuada
através de mapas de viagens e controles de diárias.
Contratado em agosto de 1988 como motorista-entregador, o
empregado declarou desenvolver, ainda, as funções
de cobrador e vendedor. Recebia uma média salarial
de R$ 1.530, incluindo comissões, quando foi demitido
em julho de 1996. O motorista pleiteou, entre outros, o recebimento
de horas extras, sobreaviso decorrente de pernoite no caminhão,
reembolso de despesas com ajudantes e restituição
dos descontos por falta e danos em mercadorias. Na reclamatória,
o trabalhador alegou que, apesar de exercer atividade externa
(geralmente de difícil fiscalização
de horário), estava sujeito a controle de jornada
através dos equipamentos de tacógrafo e Redac,
além de relatórios de viagens, postos conveniados,
fiscais de tráfego e supervisores de vendas, sempre
com extrapolação da jornada constitucionalmente
prevista. Apresentou, inclusive, prova testemunhal emprestada
que confirmou a fiscalização da jornada de
trabalho pela empresa. A sentença considerou procedente
em parte o pedido do motorista, concedeu o adicional relativo
a quatro horas extras por dia de trabalho de segunda a sexta-feira
e a oito horas extras no sábado. No TRT da 3.ª Região
(MG), a decisão absolveu a empresa da condenação.
O empregado recorreu, com sucesso, ao TST, e a 5.ª Turma
restabeleceu a sentença, deferindo-lhe os adicionais
de horas extras. A empresa entrou com embargos à SDI-1,
argumentando que o motorista de caminhão que exerce
atividade externa não faz jus a horas extras, pois
o tacógrafo não permite o efetivo controle
de jornada. A relatora ministra Maria de Assis Calsing registrou
em seu voto: “Consignado pelo Regional que o reclamante
trabalhava em sobrejornada, não apenas com base no
uso do tacógrafo, mas também em outras provas
aferidas nos autos, não tem aplicação à hipótese
dos autos o artigo 62, inciso I, da CLT, destinado aos empregados
que exercem atividade externa incompatível com a fixação
de jornada de trabalho”. (TST-E-RR-693014/2000.9).
(1) “Eu me declaro culpado de não ter / feito,
com estas mãos que me deram / uma vassoura / Por que
não fiz uma vassoura? / Por que me deram mãos?” (2) “Ai,
que lição / me deu com o seu trabalho / o pedreiro
tranqüilo” (Do mestre dos poetas Pablo Neruda,
ao comparar sua arte da escrever com a arte do artesão.
Neruda nasceu em Parral, no Chile, em 12/7/1904. Morreu em
Santiago do Chile na noite de 23/9/1973, alguns dias após
o golpe militar).
Edésio Passos é advogado
e ex-deputado federal (PT/PR). edesiopassos@terra.com.br.
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Folha de São Paulo,
30 de setembro de 2007
PF diz que valerioduto pagava juiz
que favoreceu PSDB-MG
Rogério Tolentino, advogado
de Valério, recebeu R$ 302 mil quando atuou no TRE
Nomeado por Fernando Henrique Cardoso
em 20 de julho de 1998, Tolentino decidia sistematicamente
a favor da coligação do PSDB
FREDERICO VASCONCELOS
DA REPORTAGEM LOCAL
Rogério Lanza Tolentino, advogado do publicitário
Marcos Valério, foi juiz do Tribunal Regional Eleitoral
de Minas Gerais e recebeu dinheiro do valerioduto durante
a campanha de 1998, quando o então governador Eduardo
Azeredo (PSDB) tentou, sem êxito, a reeleição.
Atuando como juiz eleitoral, Tolentino votou favoravelmente
ao candidato tucano em decisões próximas a
depósitos em sua conta e na de sua mulher.
Relatório da Polícia Federal no inquérito do valerioduto
mineiro registra que, entre agosto e outubro de 1998, foram feitos
cinco pagamentos no total de R$ 302.350 ao juiz e a sua mulher, Vera
Maria Soares Tolentino. Para a PF, seriam "recursos de estatais
desviados para o caixa de coordenação financeira da campanha".
Tolentino alega que "foi advogado da agência SMPB, de Marcos
Valério, entre 1988 e 2005", e que "os pagamentos
se referem a acerto de honorários que ficaram atrasados".
Os depósitos na conta da mulher foram feitos "por mera
comodidade ou para evitar a cobrança de CPMF". A SMPB participou
da campanha de Azeredo.
Réu do mensalão do PT pelos crimes de corrupção
ativa, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, Tolentino
foi juiz eleitoral no biênio 1998/2000, indicado para vaga de
advogado em lista tríplice e nomeado pelo presidente Fernando
Henrique Cardoso em 20 de julho de 1998. Advogados, juízes e
promotores (ouvidos com a condição de terem os nomes
preservados) dizem que Tolentino sistematicamente decidia a favor da
coligação do governador tucano -o que ele nega.
Procurado pela Folha, Tolentino inicialmente informou que "não
participou de qualquer julgamento referente à campanha do então
candidato Eduardo Azeredo". Confrontado com registro de acórdão
de julgamento em que atuou como relator, com voto a favor do tucano,
modificou sua versão.
Dois episódios esvaziam as alegações do advogado.
Em sessão realizada em 10 de setembro de 1998, o TRE-MG cassou
liminar concedida pelo juiz relator Tolentino, que permitira a Azeredo
usar o tempo de propaganda destinado a candidatos a deputado, contrariando
a legislação eleitoral.
Em 28 de setembro de 1998, a coligação que apoiava Itamar
Franco (PMDB-PST) manifestou ao TRE-MG "a notável evolução
do entendimento" de Tolentino, que deferiu liminar favorável
a tucanos quando, cinco dias antes, negara pedido semelhante a peemedebistas.
Nas sessões de 16 de setembro de 1998 e 1º de outubro de
1998, quando o TRE-MG julgou recursos sobre direito de resposta, Tolentino
novamente não votou contra Azeredo. No relatório da PF,
o delegado Luís Flávio Zampronha diz que "o advogado
e consultor jurídico" Tolentino foi "sistematicamente
beneficiado com os recursos públicos desviados".
O delegado cita que "Marcos Valério fez, no dia 8 de setembro
de 1998, a retirada da quantia de R$ 139.350 do fundo formado por recursos
oriundos da Cemig e dos empréstimos concedidos pelo Banco Cidade
(...), valor idêntico ao recebido no dia 18 de setembro de 1998
por Vera Maria Tolentino". E acrescenta: "Possivelmente Rogério
Tolentino tentará justificar tal pagamento através de
supostos serviços de consultoria jurídica, mas não
terá como explicar a coincidência dos valores recebidos
por sua esposa e por Marcos Valério".
O relatório cita o desvio de recursos da Comig e da Copasa,
a título de apoio, sem licitação, ao "Enduro
da Independência", em 1998. Foram transferidos R$ 3 milhões
das duas estatais à SMPB. Essa articulação foi
desmontada a partir da Representação nº 662/98,
oferecida ao TRE pela coligação de Itamar, propondo ação
de investigação judicial por abuso de poder econômico
contra a coligação que apoiava Azeredo.
Nessa representação, Tolentino nega, mas participou de
julgamento de recurso contra decisão determinando que o depoimento
de Azeredo fosse tomado no Palácio da Liberdade. A representação
gerou a ação civil pública por improbidade, em
tramitação na Justiça Federal de MG. Na ação,
Valério é defendido por Tolentino.
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Folha de São Paulo,
30 de setembro de 2007
Blitz apura elo entre varejo
e trabalho degradante em SP
Fiscais voltam a flagrar bolivianos
em situação análoga à escravidão
em oficinas de costura
Para o Ministério Público
do Trabalho, há indícios de que oficinas sejam
contratadas por confecções que fornecem para
grandes lojas de moda
Moacyr Lopes Junior/Folha Imagem
Bolivianos afirmam preferir trabalho insalubre a "passar fome'
em seu país
CLAUDIA ROLLI
FÁTIMA FERNANDES
DA REPORTAGEM LOCAL
Um ano e meio após CPI da Câmara Municipal
investigar a exploração de trabalho análogo
ao escravo na capital, nova blitz do Ministério Público
do Trabalho de São Paulo, realizada há duas
semanas, encontrou bolivianos em situação irregular
e em condições degradantes de trabalho em oficinas
de costura do Pari (centro) e da Barra Funda (zona oeste).
Há indícios de que uma das confecções que
subcontratou uma oficina de costura clandestina seja fornecedora de
uma grande rede de varejo do país, segundo procuradores do Trabalho
que investigam o caso.
Nos últimos dois anos, o Ministério Público do
Trabalho de São Paulo abriu 147 investigações
para apurar denúncias. Metade virou TACs (Termos de Ajustamento
de Conduta), em que os empregadores se comprometeram a não contratar
mais estrangeiros em situação irregular e a não
submetê-los a condições degradantes -como jornadas
diárias de até 16 horas, em ambientes sem higiene e que
oferecem risco à segurança. A multa por descumprir o
acordo chega a R$ 30 mil.
Durante o trabalho de investigação da CPI, em 2005 e
2006, representantes das lojas Marisa, Riachuelo e C&A foram convidados
a prestar esclarecimentos depois que etiquetas de suas marcas foram
encontradas em oficinas irregulares.
" Não há limites para o tomador final dos serviços.
Como está em busca de produtos competitivos, submete os parceiros da cadeia
produtiva a redução brutal de preços, que acaba afetando
a dignidade dos que estão ali trabalhando", diz José Dari
Krein, professor da Unicamp especializado em mercado de trabalho. "A fiscalização
tem de responsabilizar não só os intermediários mas quem
está na ponta final da cadeia."
O Ministério Público do Trabalho mantém sob sigilo
os nomes dos envolvidos na mais recente fiscalização
para evitar que as oficinas fechem e transfiram os bolivianos para
outros locais. "Ainda persiste a servidão por dívida.
Esses trabalhadores ganham muito pouco, têm jornadas exaustivas
e são submetidos a situações degradantes",
diz Denise Lapolla, procuradora do Trabalho.
No Pari, a oficina visitada pertencia a um sul-coreano, que mantinha
um grupo de dez bolivianos trabalhando nos fundos do que aparentava
ser uma casa. Havia fiação elétrica com risco
aparente, banheiro sem porta e péssimas condições
de higiene, segundo a fiscalização. Na residência
vizinha, uma câmera acompanhava a movimentação
em frente à fachada da oficina clandestina.
Após a blitz, o patrão registrou os estrangeiros e informou
que mudará a oficina para um local adequado. O Centro de Apoio
ao Migrante (ligado à Igreja Católica) estima que 100
mil bolivianos irregulares morem no Estado.
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Folha de São Paulo,
30 de setembro de 2007
Mão-de-obra degradante
migra para o interior de SP
Com aperto da fiscalização,
oficinas clandestinas se instalam fora da capital
Confecções que empregam
de forma irregular já foram identificadas em cidades
como Americana, Araçatuba, Indaiatuba e São
Roque
DA REPORTAGEM LOCAL
A exploração da mão-de-obra de bolivianos
em situação irregular no país está migrando
da região metropolitana para o interior paulista,
após a fiscalização da Delegacia Regional
do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho
de São Paulo intensificar a sua atuação
para coibir a prática e regularizar o trabalho desses
estrangeiros.
Americana, Araçatuba, Indaiatuba e São Roque são
algumas das cidades em que os fiscais e o Sindicato das Costureiras
de São Paulo já identificaram a instalação
de confecções ou oficinas que empregam mão-de-obra
irregular.
Além da migração para o interior, o perfil de
quem explora os bolivianos está mudando. "Ainda há empregadores
de origem estrangeira, como sul-coreanos, mas hoje os bolivianos regulares
abrem microempresas e dão vagas aos conterrâneos irregulares",
diz Regina Haddad, fiscal do Trabalho. "O salário deles
está longe do piso de R$ 659 garantido à categoria",
afirma Eunice Cabral, presidente do sindicato.
Um tradicional lojista do Brás, que prefere não se identificar,
diz que outra forma encontrada por essas oficinas de escoar a produção é via
camelôs e feiras clandestinas, como a que ocorre de madrugada
na rua Oriente e imediações.
" Como temem serem denunciados à Polícia Federal, eles se
sujeitam a qualquer trabalho. Recebemos em média 30 denúncias por
mês. São bolivianos que contam que tiveram os documentos apreendidos,
relatam receber R$ 50 por mês e temem denunciar os patrões por sofrerem
ameaças", diz Paulo Illes, coordenador-geral do Centro de Apoio ao
Migrante.
Bolivianos que estão irregulares no país e trabalham
em condições insalubres relataram à reportagem
que preferem trabalhar dessa forma a "passar fome" em seu
país. "Aqui pagam pouco, não tem registro em carteira.
Mas é melhor do que lá", diz Juan (o nome é fictício
porque teme sofrer represálias). Ele afirma cumprir jornada
das 7h às 22h, de segunda a sexta. Aos sábados, trabalha
das 7h às 12h. Recebe R$ 0,50 por peça costurada e envia
parte do pagamento à família.
Na Barra Funda, um falso estabelecimento comercial é usado para
ocultar duas oficinas clandestinas. Famílias de bolivianos,
com crianças, moram e trabalham no local. O Ministério
Público do Trabalho investiga o caso e deve tomar em breve medidas
jurídicas contra os que exploram os estrangeiros.
Para o juiz do Trabalho Marcos Neves Fava, as condições
de trabalho dos bolivianos são similares às dos chineses. "É um
padrão de emprego chinês. Salários baixos, jornadas
longas e sem direitos." No final de 2005, ele atendeu a um casal
boliviano, num fórum da cidade, cujos documentos foram presos
pelo empregador. Eles costuravam três peças inteiras por
um prato de comida. Após fugirem de uma oficina, abriram uma
ação. "Nós falamos do trabalho análogo
ao escravo no Pará, mas tudo isso ocorre aqui debaixo do nosso
nariz." (CLAUDIA ROLLI e FÁTIMA
FERNANDES)
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Folha de São Paulo,
30 de setembro de 2007
Subsídio à compra
de imóvel provoca rombo de R$ 141 bi
Valor do "esqueleto" corresponde
a R$ 60,84 bi já pagos e R$ 80,58 bi a pagar
Nas décadas de 80 e 90, governo
deu subvenção a mutuários; saldo devedor
de 3,7 milhões de contratos foi coberto pelo FCVS
LEANDRA PERES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Onze anos depois de começar a pagar aos bancos a
conta dos subsídios concedidos a quem comprou imóvel
pelo SFH (Sistema Financeiro da Habitação),
o governo ainda tem um rombo de R$ 80,578 bilhões
em suas contas para quitar.
O custo desse "esqueleto", no entanto, é muito maior.
Se forem considerados os R$ 60,842 bilhões já pagos pelo
governo, o custo acumulado da subvenção a quem comprou
casa própria chega a R$ 141,42 bilhões.
Esse dinheiro equivale a quase dez anos de investimentos do PAC (Programa
de Aceleração do Crescimento) ou a quatro anos de arrecadação
da CPMF, o tributo do cheque (considerada a receita prevista para este
ano, de cerca de R$ 35,5 bilhões).
A conta vem sendo paga pelo Tesouro desde 1996, quando o governo decidiu
renegociar a dívida com os bancos. É como se cada um
dos 3,7 milhões de contratos de compra da casa própria
recebesse um desconto de R$ 39 mil, cuja conta é paga aos bancos
pelo Tesouro.
" O problema está sendo equacionado aos poucos. Não há previsão
de alterações no ritmo de pagamento dessa dívida",
afirma o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin.
O desequilíbrio nas contas do SFH tornou-se um problema na década
de 80. A inflação estratosférica corroeu os salários
e, obviamente, a capacidade de pagamento dos mutuários. A inadimplência
aumentou, e o governo decidiu que iria reajustar as prestações
dos contratos habitacionais do SFH abaixo das taxas previstas nos empréstimos
originais.
Na prática, o que o governo fez foi cobrar menos dos tomadores
de financiamentos e, ao mesmo tempo, garantir aos bancos que eles receberiam
o que estava previsto nos contratos. O saldo devedor que se acumulou
nesses contratos foi repassado ao FCVS (Fundo de Compensação
das Variações Salariais), criado em 1967 com o objetivo
de cobrir eventuais saldos devedores do SFH.
" A assunção desses compromissos [dos subsídios] ocorreu
sem a imprescindível cobertura de recursos orçamentários.
O FCVS (...) passou a assumir responsabilidades crescentes, incompatíveis
com seu patrimônio e seu fluxo de caixa, acarretando, como conseqüência,
o acúmulo da dívida ao longo do tempo", explica um documento
do Tesouro na internet.
Subsídios elevados
Entre 1980 e 1990, há pelo menos cinco decisões do governo
concedendo subsídios ou mudando as regras de reajuste das prestações.
O ápice da subvenção foi no governo Sarney (1985/90).
Em 1985, as prestações do SFH deveriam ser reajustadas
em 242%, mas o governo decidiu que a correção seria de
112%.
Quando resolveu renegociar a dívida do FCVS com os bancos em
30 anos, com juros máximos de 6,17% anuais, o Tesouro Nacional
o fez por meio da emissão de títulos da dívida
interna. Nos últimos cinco anos, foram reservados R$ 13 bilhões
anuais para pagar o subsídio à casa própria.
Esse valor, no entanto, nunca foi alcançado. É que a
renegociação da dívida depende da iniciativa dos
bancos. Cabe às instituições financeiras, depois
que o mutuário encerra o pagamento das prestações
previstas no contrato, submeter o financiamento a análise da
Caixa Econômica Federal para definir o valor do saldo devedor
que será refinanciado.
O Tesouro Nacional estima que 85% da dívida que ainda não
foi refinanciada esteja na mão dos falidos bancos Nacional e
Econômico. Cerca de R$ 20 bilhões em contratos habitacionais
foram dados em garantia ao BC (Banco Central) nas operações
do Proer -o programa de ajuda aos bancos. O restante está dividido
entre a Caixa e a Emgea, empresa criada pelo governo para assumir e
cobrar os contratos habitacionais de má qualidade que estavam
com as empresas públicas.
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Revista Consultor Jurídico,
30 de setembro de 2007
Jogo democrático
Lei das Eleições
completa dez anos com saldo positivo
por Daniel Roncaglia
A Lei das Eleições comemora seu aniversário
de dez anos, neste domingo (30/9), com festa. Depois de
cinco eleições, o país colhe os benefícios
de ter uma norma permanente que regula o jogo democrático.
Se não elevou a níveis satisfatórios
o político brasileiro médio, ao menos deu
mais segurança jurídica nas disputas eleitorais.
Uma das grandes conquistas é o número de
215 eleitos cassados, por compra de votos, pelo Tribunal
Superior Eleitoral. Nas cortes de primeira e segunda instância,
são incalculáveis os casos de mandatários
que perderam o cargo por angariar votos em troca de vantagens.
O artigo 41-A, que trata da compra de votos, não
estava presente no texto original. Elaborado em 1999, a
norma, que é o primeiro projeto de iniciativa popular,
demonstra que a Lei das Eleições vem progredindo
nesses 10 anos. Ela chegou ao seu melhor momento com a
mini-reforma, no ano passado. Não é sem motivo
que a última mudança proporcionou as eleições
mais limpas da história do país.
Para o advogado Renato Ventura Ribeiro, um dos idealizadores
da lei, a norma vem sendo aperfeiçoada durante todo
esse período. Ele menciona a proibição
da propaganda eleitoral em placas e outdoors e a realização
de showmícios como casos bem sucedidos desse aperfeiçoamento.
Ventura também cita uma outra vantagem da lei. “Como
a regra é permanente, os tribunais podem firmar
jurisprudências a partir de casos passados. O candidato,
que deseja fazer a campanha dentro da lei, agora sabe como
se portar”, observa.
O caso brasileiro é raro. Segundo Ventura, os países
democráticos em geral regulam os pleitos pelo Código
Eleitoral, que já ordena outros aspectos da vida
política como a formação dos partidos.
Na onda da reeleição
O motivo que levou o Congresso a aprovar uma lei permanente
em 1997 não foi dos mais nobres. Até então,
um ano antes das eleições, era preciso elaborar
uma norma para o pleito seguinte. Mas naquele ano o governo
Fernando Henrique Cardoso tinha entre suas metas a criação
do instituto da reeleição.
Em janeiro de 1997, como era praxe, foi apresentado um
projeto de lei sobre as eleições do ano seguinte.
No entanto, ele não previa a possibilidade de reeleição.
Em abril, o governo trouxe a sua contraproposta. Pressionado
pelas dúvidas geradas e pela opinião pública,
o Congresso resolveu estabelecer uma lei permanente. “Com
a reeleição, surgiram situações
novas como a questão do uso do avião presidencial
na campanha. Para que não houvesse dúvidas
deste tipo, criou-se a adaptação para a norma
permanente”, lembra Ventura.
O advogado ressalta como era absurda a possibilidade de
os parlamentares, que em geral participam da disputa, elaborarem
a regra do jogo. “É estranho. Se o presidente
Lula, que tem maioria no Congresso, pudesse definir a norma
da campanha na reeleição, ele poderia diminuir
o tempo de televisão. A medida o beneficiaria, pois
daria menos espaço aos adversários para criticá-lo”,
argumenta.
O próprio Lula chegou a ser prejudicado com as
idas e vindas da Lei das Eleições. Em 1994,
o então candidato tinha realizado durante anos as
Caravanas da Cidadania, que percorreram grande parte do
país. O projeto gerou belas imagens para o candidato.
Sendo o PT um partido de oposição da época,
o governo Itamar Franco evitou a vantagem de Lula impedindo
que fossem exibidas imagens externas no horário
eleitoral. “Este tipo de fato era sempre objeto de
crítica”, diz o advogado.
Paralelamente a lei, outro fator positivo nas eleições
brasileiras foi a urna eletrônica. Apesar de algumas
críticas pontuais, a urna é um fato inédito
que permite a divulgação do resultado no
mesmo dia do pleito. E em geral, sem contestações. “A
apuração era muito complicada. Era comum
o candidato dormir eleito e acordar derrotado”, lembra
o advogado Renato Ventura.
Compra de votos
Se a lei permitiu ao candidato honesto saber o que deve
ser feito, ela também ajudou a punir aquele que
não entra no jogo com espírito esportivo.
A cassação de 215 eleitos condenados por
compra de votos é o dado mais revelador. Tanto é que
na eleição passada, os candidatos tomaram
mais cuidados. Neste ano, nenhum foi cassado por compra
de votos. Em 2006, o número foi de 41 cassações,
menor do que as do anterior quando 89 perderam o mandato.
Segundo levantamento do TSE, em oito anos, o cargo político
que sofreu maior número de cassações
foi o de prefeito, com 101 afastados. Também foram
afastados 53 vice-prefeitos e 51 vereadores.
Quatro deputados federais e quatro deputados estaduais
também tiveram os mandatos cassados pelo TSE. Apenas
um governador — Flamarion Portela (RR) — e
um senador — João Capiberibe (AP) — tiveram
os mandatos cassados.
Nos estados
Em Minas Gerais, a segunda instância eleitoral cassou
três prefeitos e um vereador, eleitos nas eleições
de 2000, e 12 prefeitos e 15 vereadores eleitos em 2004.
No Acre, o TRE tirou o cargo de um deputado federal eleito
em 2002.
Já em São Paulo, dentre 461 processos analisados
pelo TRE, foram cassados, pelo menos, 12 prefeitos, seis
vice-prefeitos e seis vereadores. Em Goiás, seis
prefeitos e três vereadores eleitos em 2004 perderam
o cargo. Só um prefeito eleito em 2000 foi cassado
pela segunda instância eleitoral.
O estado da Paraíba, de 2004 a setembro de 2007,
cassou 12 prefeitos. Destes, em cinco municípios
foram realizadas novas eleições: Malta, Remígio,
Vieirópolis, Serra Redonda e São Domingos
do Cariri. Em quatro municípios, os prefeitos estão
mantidos no cargo por medida liminar: São José de
Piranhas, Sousa, Condado e Água Branca. Em outros
três municípios, o segundo colocado nas eleições
assumiu a prefeitura. Estes foram os casos de Sumé,
Queimadas e Princesa Isabel.
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