 |
Folha de São Paulo, 4 de outubro de
2007
TRABALHADOR
Projeto quer correção
maior para o FGTS
DA REPORTAGEM LOCAL
A UGT (União Geral dos Trabalhadores) e o Instituto FGTS Fácil
entregaram ontem à Comissão de Legislação Participativa
da Câmara dos Deputados sugestão de projeto de lei "FGTS
- Justiça e Cidadania para o Trabalhador".
O projeto prevê oito alterações na lei nº 8.036, que
regulamenta o fundo. Uma delas prevê a troca do índice que atualiza
o saldo das contas -as entidades querem que a correção do fundo
seja pelo INPC do IBGE (hoje, é a TR).
|
Agência Senado, 04 de outubro de 2007
COMISSÕES / Assuntos Sociais
CAS aprova nova regulamentação
para trabalhadores enviados ao exterior

Foi aprovado na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), nesta quarta-feira
(3), substitutivo do senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) relativo a projeto
(275/07) de autoria do senador Valdir Raupp (PMDB-RO) que estende a todos os
trabalhadores enviados para o exterior, ou contratados no Brasil para prestar
serviços em outros países, as determinações de
lei (7.064/1982) que regulamenta o trabalho de engenheiros brasileiros em outros
países. A proposta será agora examinada pela Comissão
de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE).
A lei se aplicará apenas a trabalhadores enviados ao exterior para prestar
serviços em outros países por período superior a seis
meses, de acordo com o substitutivo. O texto determina que o empregado, além
de passagem de ida e volta, deverá receber da contratante o pagamento
de diárias ou então o reembolso de gastos com alimentação,
transporte e hospedagem durante o período de trabalho no exterior. O
substitutivo também determina um acréscimo de pelo menos 25%
no salário do empregado, pago como adicional de transferência.
O senador Paulo Paim (PT-RS) se disse favorável à proposta, uma
vez que pretende "preservar a dignidade dos trabalhadores" e afirmou
que apresentará requerimento pedindo a realização de audiência
pública na CRE para discutir a proposta. Será convidado para
a audiência o presidente do Conselho Nacional de Imigração,
Sérgio Paulo de Almeida.
Foi retirado da pauta da CAS, a pedido do relator, senador Jayme Campos (DEM-MT),
o projeto de lei (421/07), que trata da isenção total do pagamento
do imposto de renda de pessoa física relativo aos rendimentos de aposentadoria
e pensão para maiores de 70 anos. O autor da proposta é o senador
Efraim Morais (DEM-PB).
O relator pediu a retirada de pauta depois de ter sido alertado pelos senadores
Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC), Paulo Paim (PT-RS) e Flávio
Arns (PT-PR) para o fato de que a lei isentaria todos os aposentados, inclusive
os que têm maior renda. Mesquita Júnior sugeriu a criação
de um limite para a isenção que conjugasse idade e renda. Para
Paim, sem um limite na isenção ficaria até difícil
explicar aos eleitores a aprovação da matéria.
O relator considerou justas as preocupações dos senadores e pediu
tempo para repensar o relatório. Campos acredita que seria possível
manter a isenção de 100% para todos aposentados desde que tenham
problemas graves ou crônicos de saúde.
Foi a provado ainda relatório pela prejudicialidade do projeto de lei
da Câmara (76/04) que institui penalidades para produtores que não
cumprirem normas de combate à febre aftosa. O projeto será arquivado.
O relator, senador Jayme Campos, acredita que a legislação em
vigor é mais eficaz do que a proposta, que previa penas menores para
pequenos produtores que não cuidassem da prevenção da
doença corretamente. Na opinião do relator, um foco de febre
aftosa é igualmente perigoso independente do tamanho da propriedade
onde aconteça.
Os senadores da CAS também determinaram o envio à Comissão
Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo do relatório
de atuação conjunta do Ministério Público e da
Coordenadoria Nacional de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho sobre a situação
trabalhista dos controladores de tráfego aéreo.
|
Congresso em Foco, 04 de outubro de 2007
Senador denuncia veto presidencial
Obrigado pelo PMDB a abrir mão
da relatoria da CPI das ONGs, Valter Pereira acusa o presidente
Lula de vetar sua indicação para o cargo
Eduardo Militão
Com indicação dada como certa até anteontem para relatar
a CPI das ONGs, o senador Valter Pereira (PMDB-MS) acusou o presidente Lula
de interferir nos trabalhos da comissão, instalada ontem (3) no Senado,
logo após ser informado de que o partido abriu mão da relatoria
das investigações.
Valter diz que um dos principais interlocutores do PMDB com o Planalto confirmou
que o presidente vetou o seu nome num gesto de retaliação. Na
semana passada, o senador recomendou a rejeição da medida provisória
(MP) que criava a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo, comandada pelo
ministro Mangabeira Unger.
O parecer pela rejeição da criação do novo ministério
abriu caminho para a derrubada da MP, sob o patrocínio da bancada do
PMDB – manobra orquestrada na véspera, no apartamento do próprio
parlamentar sul-matogrossense.
Além do desgaste gerado para o próprio presidente, que agora
vai recriar a secretaria com outro nome e por decreto, o resultado da votação
foi entendido como um claro recado dos peemedebistas ao Palácio do Planalto:
sem o apoio da maior bancada no Senado, o governo não tem condições
de aprovar o seu próximo desafio na Casa, ou seja, a prorrogação
da CPMF.
Governo nega
O líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), a assessoria de imprensa
da Presidência e o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR),
negaram qualquer interferência do Planalto no caso. Afirmaram que o presidente
sequer tem direito de interferir nos assuntos do Congresso, como a CPI das
ONGs. “O governo não se envolve. É um assunto do Senado”,
pregou Jucá. A líder do PT, Ideli Salvatti (SC), também
não quis comentar o assunto.
Mas o fato é que os peemedebistas aconselharam Valter a desistir da
CPI para ficar, em troca, com a relatoria do orçamento de 2008. Oferta
que o senador diz rejeitar de pronto.
Além disso, Valter afirma que não quer nem saber de jantar com
Lula. No encontro, que deve ocorrer nos próximos dias, senadores peemedebistas
vão pedir a volta imediata de Silas Rondeau para o Ministério
de Minas e Energia. Ele deixou o cargo após ser acusado de envolvimento
com a chamada máfia das obras públicas. “Você acha
que eu vou jantar com o presidente que vetou meu nome à CPI?”,
disparou.
Outro efeito da indignação do senador sul-matogrossense é que
ele pode migrar para a ala independente do partido – da qual fazem parte
Pedro Simon (RS), Mão Santa (PI) e Jarbas Vasconcelos (PE). Valter diz
que vai estudar a possibilidade. “Ainda vou consultar o travesseiro”,
ponderou.
Coadjuvante
O PMDB desembarcou de vez da CPI das ONGs. A intenção do partido é não
assumir o protagonismo em casos “complicados”, como a investigação
sobre repasses de dinheiro público a entidades sem fins lucrativos.
Isso poderia melar a relação com o governo e causar estresse
no próprio partido. Assim, a legenda assumirá apenas o papel
regimental de coadjuvante nos trabalhos.
Um peemedebista compara o que poderia acontecer com Valter se ele assumisse
a relatoria do caso à atuação do ex-senador Amir Lando
(PMDB-RO) na CPI dos Sanguessugas. O relatório parcial daquela comissão
foi contundente e botou sob suspeita 72 parlamentares, inclusive o líder
da legenda à época, Ney Suassuna (PMDB-PB). “Lando foi
pedir a relatoria ao Ney e o próprio Ney acabou investigado”,
relembra o parlamentar.
Inácio Arruda
No caso das ONGs, a relatoria começou a sair das mãos de Valter
há três semanas. Os petistas não gostaram de saber que
ele era um dos indicados para o posto. O Bloco de Apoio ao Governo, capitaneado
pelo PT, quer Inácio Arruda (PCdoB-CE), agora com vaga praticamente
garantida.
Anteontem à noite, numa reunião na casa do líder do PMDB,
Valter recebeu recados de que não seria bom se envolver na CPI por ser
da base do governo.
Ontem, ao meio-dia, Raupp informou ao colega que a definição
sobre o caso seria adiada. Irritado, o sul-mato-grossense exigiu em público
uma discussão com a bancada para as 18h30. Mas tudo ruiu. Não
houve reunião. O líder peemedebista anunciou que o PMDB não
deveria ser protagonista na CPI.
Maldição das CPIs
Segundo Raupp, assumir a relatoria do orçamento seria muito mais vantajoso
para Valter do ponto de vista eleitoral. “CPI sempre é abacaxi”,
disse o líder do PMDB, ao citar os insucessos nas urnas de quem se dedicou
a elas nos últimos anos.
Delcídio Amaral (PT-MS), presidente da CPI dos Correios, e Amir Lando
(PMDB-RO), relator da CPI dos Sanguessugas, fracassaram ao tentar o governo
de seus estados no ano passado. O então deputado Antonio Carlos Biscaia
(PT-RJ), que presidiu a comissão que investigou a máfia das ambulâncias
não conseguiu se reeleger.
Para o líder peemedebista, não é importante para o partido
cuidar de mais uma comissão de investigação. “Vai
ser uma CPI muito complicada”, avalia. “É uma negativa da
história do PMDB, que foi alicerçado em coisas complicadas”,
rebate Valter Pereira, que admite que há negociações para
ele assumir a relatoria do orçamento de 2008.
Valter, contudo, nega se mover por interesses eleitorais ao cobiçar
a relatoria da comissão parlamentar de inquérito. “Não
sei se CPI dá voto ou não, mas é uma das formas de atuação
dos senadores”, declara.
Em frente às câmeras, Raupp disse esperar que Valter não
se precipite e reveja suas decisões. Mas o líder do partido já mandou
avisar à bancada que não aceitará a ampliação
do grupo de rebeldes.
Caminho aberto
Sem o PMDB pela frente, o caminho está aberto para o senador Inácio
Arruda assumir a relatoria da CPI. Para o presidente da comissão, Raimundo
Colombo (DEM-SC), isso não faz diferença. “Vamos procurar
fazer um trabalho sério e dedicado”, afirmou ele, que aguarda
a definição formal do relator para traçar um cronograma
de trabalhos a partir da próxima terça-feira (9).
Apesar disso, o presidente da CPI comentou a acusação de Valter
Pereira de que Lula tenha vetado o seu nome. “Acho que ele [Lula] está preocupado
sim, porque a comissão demorou um ano para ser instalada”, avaliou
Colombo. Peemedebistas com trânsito no Planalto negam. Dizem que Lula
não se preocupa com o assunto. “Ele fala que os repasses foram
para entidades e não para o PT.”
|
Diário
Vermelho, 04 de outubro de 2007
STF adia decisão sobre fidelidade
partidária
O Supremo Tribunal Federal
(STF) suspendeu, às 19 horas desta quarta-feira (3), o julgamento
dos Mandados de Segurança (MS) que tratam da fidelidade partidária.
Após cinco horas de julgamento, os ministros aprovaram, por
unanimidade, que os partidos têm legitimidade para submeterem
a ação ao Supremo e decidiram também que há fatos
suficientes para que o tribunal analise o caso.
Na apreciação das preliminares, o Supremo também analisou
que as provas exigidas aos deputados envolvidas na questão já estão
no processo e admitiu que a fidelidade partidária não é assunto
interno dos Partidos, portanto está sujeita à apreciação
do Poder Judiciário.
O julgamento será retomado às
14 horas desta quinta-feira (4), quando será analisado o mérito.
A sessão foi suspensa depois que o relator ministro Celso
de Mello disse que o voto dele tem 55 páginas. O ministro
Marco Aurélio brincou, dizendo que "diante de tal ameaça" seria
melhor adiar a leitura do voto e julgamento para amanhã.
O julgamento foi iniciado
com a leitura do relatório de Celso de Mello. Em seguida,
os ministros Eros Grau e Cármen Lúcia, relatores dos
outros dois processos sobre o tema, fizeram alguns pequenos acréscimos,
uma vez que tratam do mesmo tema.
As ações foram
impetradas pelo PPS, PSDB e DEM pedindo que o STF determine ao presidente
da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), que declare
a vacância dos mandatos de 23 deputados federais que deixaram
essas legendas para ingressar em outros partidos, empossando os suplentes.
Os partidos se apoiaram em
manifestação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE),
na Consulta feito pelo DEM em que o Tribunal disse que os mandatos
parlamentares pertencem aos partidos.
Justificativas e defesas
O relatório de Celso
de Mello informou que todos os intimados, tanto o presidente da Câmara
dos Deputados, quanto os partidos beneficiados com as trocas de legenda
pelos parlamentares e, também, os próprios deputados,
fundamentaram suas defesas em dois argumentos: que a Constituição
não prevê perda de mandato do parlamentar que mudar
de partido e; que o TSE exorbitou em sua competência, ao se
pronunciar sobre matéria constitucional, prerrogativa do STF
.
Houve, também, o argumento
de que acolher o pedido dos partidos significaria "integrar,
por decisão do Judiciário, que não tem poderes
para emendar a Constituição, mais uma hipótese
de perda de mandato". Muitos dos parlamentares, como Átila
Lira (ex-PSDB-PI), alegaram ter sido vítimas de "odiosa
perseguição política" dentro de suas legendas,
não vendo outra saída senão a de mudar de partido.
O procurador-geral da República,
Antônio Fernando Souza, manifestou-se pelo arquivamento do
processo sem análise do mérito. Segundo ele, a Câmara
dos Deputados é a casa dos representantes do povo, e não
dos partidos. Entretanto, se o STF entender de modo inverso, pediu
que a validade de uma eventual decisão em contrário,
no sentido de a troca de partido acarretar perda de mandato, ocorra
apenas na próxima legislatura.
Após a leitura do
relatório, houve a fala dos advogados. O ex-ministro Paulo
Brossard falou em defesa do PSDB e DEM; e o ex-senador e presidente
do PPS, Roberto Freire, falou em nome do seu Partido. Vários
advogados estavam inscritos para defender os deputados que figuram
nas ações.
Reforma política
Segundo Brossard, a Constituição
Federal é taxativa: não se pode ser candidato sem se
filiar a um partido, e ninguém tem o direito de violar esse
preceito. Por isso, continuou ele, o partido é um "ser" necessário
para a eleição de alguém e a saída de
um de seus integrantes para outra legenda significa o "corte
de um pedaço" desse ser, pedaço esse "que
foi recebido nas urnas e chancelado pela justiça eleitoral".
O presidente do PPS, advogado
Roberto Freire, disse que o Supremo poderá ter a oportunidade
de iniciar a reforma política que o Congresso Nacional não
fez. Para ele, não há problema algum no fato de o Supremo
iniciar a reforma política, um anseio da sociedade brasileira.
Freire acrescentou que ninguém deve temer uma decisão
do STF nesse sentido. "Não está se legislando
em nada", afirmou.
Mudanças e perseguições
O ministro Eros Grau, relator
da ação do PPS, acrescentou ao relatório de
Celso de Mello que os deputados acusados de infidelidade partidária,
alegaram, em sua maioria, que a mudança de partido teria se
dado em função da fusão do PPS com os partidos
da Mobilização Nacional (PMN) e Humanista da Solidariedade
(PHS). Alegaram também que não seriam obrigados a permanecer
numa legenda que teria mudado, em função dessa fusão.
Outros deputados, entre eles
Homero Pereira (PR-MT), afirma que deixou o PPS em razão de
perseguição política interna no PPS, sofrida
contra o grupo liderado pelo governador Blairo Maggi (MS).
A ministra Cármen
Lúcia, relatora da ação do DEM destacou que
oito deputados litisconsortes passivos, além de alegações
de perseguição política e mudança de
ideário do DEM – o ex-PFL (Partido da Frente Liberal)
transformou-se no DEM –, reivindicaram o direito à mudança,
de acordo com uma das possibilidades de exceção previstas
na resposta à Consulta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
|
Agência Brasil, 4 de
Outubro de 2007
IBGE divulga Pesquisa Industrial
mensal
Agência Brasil
Rio de Janeiro - O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
divulga hoje (4) a Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física
Brasil referente a agosto. Será às 9h30, em entrevista coletiva
na sede da instituição, no Rio.
Também no Rio, o
Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio
Vargas divulga, às 10 horas, o Índice Geral de Preços
- Disponibilidade Interna (IGP-DI) relativo a setembro. Será na
sede da instituição, em Botafogo. O coordenador de Análises
Econômicas do Ibre, Salomão Quadros, apresenta, em entrevista,
os resultados da pesquisa.
|
Agência Brasil, 04
de outubro de 2007
OIT lança cartilha de alerta
sobre o tráfico de pessoas
Camila Vassalo
Da Agência Brasil
Brasília - A Organização Internacional do Trabalho (OIT)
lançou ontem (3) uma cartilha destinada a mulheres brasileiras que podem
se tornar vítimas do tráfico de pessoas para fins de exploração
sexual. Com o título Passaporte para a Liberdade, a publicação
foi apresentada durante a abertura do seminário Desafios para o Enfrentamento
ao Tráfico de Pessoas no Brasil, no auditório do Itamaraty, em
Brasília.
Com uma tiragem de 10 mil exemplares, a cartilha traz parte do conteúdo
do Guia da Camaleoa: Idéias e Recursos contra a Violência e a
Exploração da Brasileira no Exterior, documento produzido em
2005 e pactuado à época com as instituições que
atuam na questão. Agora, o documento é apresentado ao público
com novo título e acréscimo de informações.
De acordo com Leila Paiva, assessora do Programa Nacional de Enfrentamento
a Violência Sexual Contra Criança e o Adolescente, “a cartilha é de
extrema importância, pois ajuda as pessoas que de alguma forma estão
indo para o exterior, vítimas dessas promessas ou do agenciamento de
traficantes de pessoas, a estarem mais precavidas”, disse. “E se
for o caso de ser tráfico, saber como atuar no exterior, se resguardando
quanto a esse tipo de violência”.
Destinado à mulher brasileira, o guia, que tem 82 páginas e formato
de passaporte, será distribuído em vários consulados brasileiros
na Europa. Com uma linguagem simples e objetiva, a cartilha traz informações
sobre direitos negados a brasileiras imigrantes e sobre direitos apagados pela
violência e pelo medo.
Para Aparecida Gonçalves, sub-secretária de monitoramento e ações
temáticas da Secretaria de Políticas para as Mulheres, o Passaporte
para a Liberdade é um instrumento de prevenção e informação. “O
tráfico de pessoas é uma violação dos direitos
humanos”, afirma Aparecida.
Na cartilha, as mulheres encontram também dicas para melhorar a sua
condição de vida fora do território brasileiro. Há ainda
informações que servem como reflexão sobre as oportunidades
que poderão surgir com o retorno para o país. Dados como endereços,
telefones e e-mails de embaixadas, consulados e ONGs também estão
disponíveis no guia para que as brasileiras saibam a quem recorrer em
caso de tráfico, violência e exploração no exterior.
Também no evento na capital
federal, pesquisadores paraenses apresentaram trabalho que detalha uma
das rotas de tráfico, que leva mulheres do Pará ao Suriname.
Segundo estimativa da Organização
da Nações Unidas (ONU), mais de 2,5 milhões de
pessoas são traficadas no mundo a cada ano, e as mulheres são
as principais vítimas.
|
Folha de São Paulo,
4 de outubro de 2007
Ministério do Trabalho vai
retomar a fiscalização de fazendas
Secretária Ruth Vilela deve
pedir ajuda ao serviço de inteligência para
dar segurança aos fiscais; senador do PSOL afirma
que Casa errou ao criar comissão
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Ministério do Trabalho
deverá retomar na próxima semana as ações
dos grupos móveis de combate ao trabalho escravo. Segundo a secretária
de Inspeção do Trabalho, Ruth Vilela, a fiscalização
poderá pedir ajuda do serviço de inteligência do
governo federal para realizar as operações em campo e garantir
a segurança dos fiscais.
A fiscalização está suspensa desde o início da
semana passada, quando a Secretaria de Inspeção do Trabalho decidiu
paralisar as atividades depois que um grupo de senadores contestou a atuação
dos fiscais em uma empresa que produz álcool no Pará, a Pagrisa.
Ontem, depois de reunião extraordinária da Conatrae (Comissão
Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo), Ruth Vilela afirmou
que hoje e amanhã se encontrará com os coordenadores dos oito
grupos móveis para discutir a retomada dos trabalhos: "No mais
tardar na próxima semana voltaremos aos trabalhos aos poucos".
A secretária quer que sejam garantidos os direitos já previstos
por lei de autonomia e independência dos fiscais em suas ações.
A principal reclamação de Vilela é que, durante a ação
fiscal ocorrida na Pagrisa, em que foram libertados 1.064 trabalhadores, houve
interferência de autoridades para tentar impedir a autuação
da empresa: o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) teria chegado ao local com outras
pessoas em um avião da própria Pagrisa.
Na reunião da Conatrae, o senador José Nery (PSOL-PA), presidente
da subcomissão de combate ao trabalho escravo, disse que vai propor
a extinção da comissão externa do Senado que trata sobre
o caso Pagrisa. Segundo ele, foi "um equívoco" a formação
da comissão externa e, depois de fechado o relatório sobre a
visita dos senadores à empresa, os trabalhos deveriam ser encerrados.
Nery acrescentou que, na audiência da comissão especial em que
auditores fiscais e os donos da empresa ficaram frente a frente, representantes
da Pagrisa não apresentaram as provas esperadas de que houve abuso por
parte da fiscalização do Ministério do Trabalho. "Foram
apenas insinuações e falácia. As provas que esperávamos
para contestar o relatório da fiscalização não
foram apresentadas", afirmou o senador.
Durante a reunião do Conatrae, o ministro Paulo Vannuchi (Direito Humanos)
disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu que o episódio
da Pagrisa seja usado para uma contra-ofensiva dos órgãos e entidades
que combatem o trabalho escravo. Segundo o ministro, o presidente propôs
a realização de uma campanha nacional sobre o tema.
|
Agência Brasil, 04
de outubro de 2007
Fiscais de trabalho escravo continuam
parados
Irene Lôbo
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A Comissão Nacional para Erradicação
do Trabalho Escravo (Conatrae) realizou ontem (3) reunião extraordinária
para analisar a situação do Grupo Especial de Fiscalização
Móvel do Ministério do Trabalho e tentar convencer os fiscais
a retornar imediatamente ao trabalho. Não conseguiu.
A Secretaria de Inspeção
do Trabalho do ministério suspendeu por tempo indeterminado as
ações de combate ao trabalho escravo alegando uma desqualificação
feita pela Comissão Temporária Externa do Senado. Os senadores
questionam a existência de trabalho escravo na fazenda Pará Pastoril
Agrícola (Pagrisa), no Pará, e pedem a apuração
de eventuais abusos durante a fiscalização, em junho.
Durante a reunião de hoje,
realizada na Associação Nacional dos Magistrados da Justiça
do Trabalho (Anamatra), o presidente da Conatrae e ministro da Secretaria
Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, disse que a fiscalização
deve ser retomada em breve.
“Isso praticamente está assegurado.
O que existe ainda é a necessidade de um dia, dois dias, alguns
poucos dias de diálogo interno no Grupo Especial de Fiscalização
Móvel e com o ministro do Trabalho [Carlos Lupi]. Então
o que se anunciou aqui hoje é que em pouco tempo será formalizada
a retomada da atividade regular”, afirmou Vannuchi.
Segundo ele, o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva sugeriu na semana passada que seja realizada
uma campanha nacional para esclarecer o que é trabalho escravo
e, ao mesmo tempo, demonstrar apoio à fiscalização
realizada pelo Ministério do Trabalho.
A secretária de Inspeção
do Ministério do Trabalho, Ruth Vilela, responsável pela
decisão de paralisar as atividades dos grupos móveis, disse
que será preciso “reforçar a segurança” dos
fiscais do trabalho durante as operações nas fazendas com
suspeitas de trabalho escravo.
Ela afirmou que terá nesta
semana uma reunião com os coordenadores dos grupos móveis
para decidir se suspendem a paralisação. Segundo a secretária,
será necessário garantir o trabalho autônomo e independente, “sem
interferência indevida”, para que os fiscais voltem ao trabalho.
O Sindicato Nacional dos
Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait) distribuiu uma nota de apoio
ao trabalho dos fiscais e de “repúdio” a denúncia
de abuso de poder durante a operação na fazenda Pagrisa.
O ministro Carlos Lupi não participou da reunião.
|
Gazeta do Povo, 4 de outubro
de 2007 | Economia
Salário
Bancários revogam greve e só os
da Caixa param
Assembléia de ontem corrigiu votação
da véspera e garantiu equilíbrio
por MARCO SANCHOTENE
Bancários dos bancos privados e do Banco
do Brasil de Curitiba e região decidiram ontem, em assembléia
geral, aceitar a proposta salarial da Federação Nacional dos
Bancos e revogaram a decisão tomada na véspera de entrar em
greve geral por tempo indeterminado. Apenas os funcionários da Caixa
prosseguirão a greve iniciada ontem.
“ Os bancários da Caixa desequilibraram a proporcionalidade entre
os demais, aprovando uma greve geral”, explicou a presidente do Sindicato
dos Bancários, Marisa Stédile. Contaminada pela presença
maciça de funcionários da Caixa e a despeito da orientação
do Comando Nacional de Greve para que a categoria aceitasse a contraproposta
patronal, a assembléia de terça-feira aprovou por votação
apertada – 419 a favor e 388 contra – uma greve geral que incluía
bancos privados e Banco do Brasil.
Mas os funcionários dessas
instituições trabalharam normalmente ontem, o que levou
o Sindicato dos Bancários a recolocar em votação
a proposta salarial da Fenaban. Os bancários pediam reajuste de
10,3% (5,5% de aumento real e 4,82% de inflação), enquanto
os patrões ofereceram aumento de 6% (1,2% de elevação
real).
Ontem, o comando de greve corrigiu
a metodologia de votação da véspera e, ao invés
de voto secreto, fez a votação por “contraste”.
Cartões coloridos diferenciavam funcionários das instituições
privadas, do BB e da Caixa, para garantir equilíbrio na decisão.
Compareceram 760 pessoas e a decisão foi tomada por maioria, “levando-se
em conta o cenário nacional e o cenário local”, segundo
a assessoria de imprensa do sindicato.
Caixa
De acordo com a Federação
dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Paraná (Fetec-PR),
3 mil funcionários da Caixa Econômica paralisaram as atividades
em 80 unidades bancárias do estado – que incluem agências
e centros administrativos. Eles pedem isonomia de direitos entre os contratados
antes e depois de 1998, que têm plano de cargos e salários
diferentes. A CEF não se pronunciou sobre o assunto.
Em Curitiba, de acordo com o
Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região, dos 2,5 mil
empregados da CEF, 2,4 mil aderiram à greve. “Ficaram só alguns
gestores trabalhando. O auto-atendimento foi mantido por causa do calendário
de pagamentos dos aposentados, que é nesta semana”, disse
o diretor de bancos públicos da organização e funcionário
da CEF, Antonio Luiz Fermino.
A reivindicação
dos funcionários da CEF é antiga. “Mas desta vez
avisamos a empresa que não vamos ficar sem ao menos uma proposta.” Todas
as 37 unidades da CEF de Curitiba ficaram fechadas. Na região
metropolitana, apenas as agências de Campo Largo e da Lapa permaneceram
abertas. No restante do estado, o movimento foi mais forte no Norte Pioneiro.
Ontem de manhã, houve
paralisação também no prédio da Tiradentes
do BB e na Central de Atendimento em São José dos Pinhais.
De acordo com os sindicalistas, estão concentrados na unidade
o maior número de terceirizados do banco no estado, cerca de 1,2
mil do total de 1,5 mil.
Clientes
O cliente da Caixa deve
usar meios alternativos para honrar seus compromissos bancários. É o
caso de pontos de auto-atendimento localizados em espaços públicos
e em correspondentes bancários, como farmácias e supermercados.
As 152 lotéricas em Curitiba fazem a maioria dos serviços,
com exceção dos relacionados ao PIS e ao FGTS. O limite
para saque, depósitos e pagamentos de contas é de R$
1 mil. No BB é possível fazer saques até R$ 100.
48 horas - Pára a Receita Previdenciária
Servidores da Receita Federal do Brasil que faziam parte da Receita Previdenciária
não prestam atendimento hoje. Desde ontem, quase todos os 500 trabalhadores
da entidade no Paraná aderiram à paralisação de
48 horas convocada pela Unaslaf, que representa os 5 mil servidores do país.
Eles pedem enquadramento na carreira de auditor fiscal, como previsto na Lei
11.457, que criou a chamada Super-Receita. “Todo nosso serviço
passou para a Receita do Brasil, onde só existe uma carreira, para a
qual deveríamos ir, mas o governo não fez isso até agora”,
diz Claudete Henrique, vice-presidente de comunicação da Unaslaf.
Os servidores fazem parcelamento de débitos do Seguro Social, emissão
de Certidão Negativa de Débito, análise de processos e
documentos e cálculos de regularização de obras de construção
civil. (MS)
|
Gazeta do Povo, 4 de outubro
de 2007 | Mundo
AMÉRICA LATINA
Banco do Sul será criado
segunda-feira
Chávez diz que a sede da nova
instituição financeira ficará em Caracas, capital
venezuelana
Caracas – O presidente
da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou ontem que o Banco do Sul
será criado oficialmente na próxima segunda-feira, em
Caracas. O anúncio foi feito durante “um recesso da reunião
da Comissão Central de Planejamento” econômico da
Venezuela, presidida por Chávez.“Essa e outras iniciativas
como a Telesur, Petrosur, a Universidade do Sul e o Gasoduto do Sul
vão se impondo progressivamente, graças à persistência
e à mudança da correlação de forças
na América Latina e no Caribe”, declarou o presidente
venezuelano.
Chávez disse que esperava a participação dos ministros
da área econômica dos países-membros no lançamento
da nova entidade regional, mas garantiu que essas autoridades ratificaram que “a
sede do Banco do Sul será Caracas”.Segundo veículos de
imprensa argentinos, acontecerá uma reunião de ministros sobre
o Banco do Sul na próxima segunda-feira no Rio de Janeiro.A instituição
financeira deveria ter sido formada até junho.
Em 21 de fevereiro, Chávez dissera que ela nasceria oficialmente em “120
dias a partir de hoje”.Na ocasião, na cidade venezuelana de Puerto
Ordaz, Chávez e seu colega da Argentina, Néstor Kirchner, fizeram
um acordo sobre a criação do Banco do Sul, “para romper
com a dependência a outras entidades de crédito”. Os dois
presidentes manifestaram confiança na união progressiva de toda
a América do Sul em torno da iniciativa.
“
O memorando de entendimento que assinamos para o começo do
Banco do Sul determina que podem aderir, quando desejarem, todos
os países (da América do Sul). Ou seja, (o banco) nasce
bilateralmente, mas sem abandonar a filosofia multilateral, que é o
objetivo final a ser conseguido”, declarou Kirchner à época.Até o
momento, os governos de Bolívia, Equador e Paraguai são
os que se uniram à nova instituição financeira.
Nicarágua e Uruguai expressaram seu interesse em ingressar no banco,
mas ainda não tomaram uma decisão definitiva.Kirchner, por sua
vez, defendeu um Banco do Sul com “características e filosofias
diferentes de alguns bancos internacionais que também nasceram para
promover investimentos, mas que se transformaram em verdadeiros castigos para
os povos”.
“
Queremos que a instituição apóie investimentos
que atendam à reconversão produtiva, à inclusão
social, à integração física de nossos
países e ao desenvolvimento global de projetos estratégicos,
e que tenham acesso a ele os mais fortes e os mais fracos; que não
seja seletivo, mas solidário”, afirmou o presidente
argentino.
|
Folha de Londrina, 4 de outubro
de 2007
Lula diz que pode pedir licença
para apoiar candidato à sucessão
Presidente admite em jantar com líderes
de partidos aliados que poderá deixar o cargo para pedir votos
ao sucessor em 2010
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou
no jantar de terça-feira com líderes de partidos aliados que
poderá se licenciar do cargo para dedicar-se à campanha de seu
sucessor em 2010.
''Estou pensando se tiro uma licença para participar da campanha e pedir
voto. Transferência de voto é algo que não existe, mas
quem sabe pode dar certo'', afirmou. Ao falar da sucessão presidencial,
Lula se benzeu fazendo o sinal da cruz: ''É claro que tudo vai depender
da popularidade do governo''. No entanto, Lula exige uma candidatura única
dos partidos da base. Nas eleições municipais, contudo, ele decidiu
ficar fora dos palanques no primeiro turno.
''Me deixe fora disso, tem muita gente e muitos partidos'', observou, dirigindo-se
ao líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), que perguntou
sobre sua participação na campanha de 2008. ''A menos que em
algum lugar a coalizão tenha um candidato único.'' Lula não
quer entrar em brigas eleitorais dos aliados para as prefeituras, mas, no segundo
turno, admitiu participar da campanha, desde que a disputa seja entre candidatos
da oposição e governo.
Ao falar da oposição, mostrou-se preocupado com a falta de discurso
de seus adversários políticos. ''Nosso principal problema é que
temos uma oposição sem discurso. Isso é ruim, pois quando
não tem discurso, inventa'', disse, segundo relato de deputados. Apesar
do ambiente informal, o presidente cobrou dos deputados a aprovação
da reforma política, dando ênfase a alguns pontos como a suplência
dos senadores e o financiamento público das campanhas.
Visivelmente cansado, Lula estava descontraído e deixou os convidados à vontade.
Mostrou aos deputados que está afiado e exibiu otimismo com a economia
e os avanços do governo no setor social. ''Ele tem muitos números
na cabeça'', contou o líder do PSB, deputado Marcio França
(SP). O presidente revelou aos aliados que, ainda em outubro, vai convidar
os 100 maiores empresários do País, dos mais diversos setores,
para uma discussão aberta e ampla sobre o futuro do Brasil.
Ele cobrou mais otimismo dos brasileiros. ''Lá fora, o Brasil é visto
com mais otimismo'', afirmou. ''Por isso, quer mostrar aos empresários
a potencialidade do País e sua importância no cenário mundial'',
completou o líder do PTB, deputado Jovair Arantes (GO). O líder
do governo na Câmara, José Múcio (PE), afirmou que o jantar
serviu como ''confraternização'', mesmo porque o presidente reconheceu
a unidade de sua base.
Os deputados garantiram a Lula que na próxima terça-feira (9)
a emenda que prorroga a CPMF até 2011 será aprovada em segundo
turno na Câmara, mesmo que seja preciso convocar uma sessão extraordinária à noite
para a votação.
Cida Fontes
Agência Estado
|
Folha de Londrina, 4 de outubro de 2007
Seu Direito: Equipamento com defeito
Meu celular explodiu enquanto estava carregando. O estrago atingiu a parede,
o carpete e uma poltrona. Posso processar a empresa? Caro(a) leitor(a), a sua
situação está prevista na lei 8.078/1990 – Código
de Defesa e Proteção do Consumidor (CDC), que completou 17 anos
em setembro deste ano. Todas as disposições desta lei têm
aplicação nas relações de consumo, independente
da vontade (contratada por escrito ou não) das partes.
Inicialmente, aponto que você sempre pode processar alguém, já que
há um direito constitucional de mover ação. O verdadeiro
diferencial é saber se você tem direito ou não. Bem, neste
caso, sabe-se que os produtos colocados no mercado de consumo não poderão
acarretar riscos à segurança – o que parece ter sido desrespeitado
pelo fornecedor (fabricante, produtor, construtor, nacional ou estrangeiro,
e/ou importador) quando o celular explodiu.
O CDC e a própria Constituição Federal de 1988 garantem
o direito à efetiva prevenção e indenização
por danos patrimoniais e morais. Deve-se lembrar de que a responsabilidade
do fornecedor independe da existência de culpa e que a própria
lei 8.078/90 estabelece que ‘‘o produto é defeituoso quando
não oferece a segurança que dele legitimamente se espera’’.
Ninguém compra celular esperando que ele vá um dia explodir.
Caberá a você provar os prejuízos materiais (danos no sofá,
parede) e que eles são decorrentes da explosão. Sendo assim,
aconselho a tirar fotos, reunir testemunhas que presenciaram o fato e, se possível,
fazer uma ata notarial (documento com fé pública feito por um
tabelião) sobre o local da ocorrência.
Não podemos esquecer que se a culpa pela explosão foi sua, pela
utilização inadequada (como sobrecarga, voltagem errada etc.),
as empresas não terão responsabilidade caso tenham informado
de maneira clara e transparente (manual de instruções sem falhas)
sobre o uso correto do produto. Além disso, equiparam-se aos consumidores
todas as vítimas do evento. A ação de indenização
poderá ser proposta no local do seu domicílio, sendo que o prazo
acabará contados cinco anos da data da ocorrência.
Jossan Batistute, advogado e professor
|
O Estado do Paraná, 4 de outubro de
2007
Cidades
Mercado não tira mulher
do afazer doméstico
Cintia Végas Foto: Lucimar
do Carmo

Mulheres ainda dedicam 24,8 horas semanais à casa.
A mulher brasileira está ganhando cada vez mais espaço no mercado
de trabalho. Porém, ao exercer uma atividade remunerada, ela não
se livra de também ter que trabalhar dentro de casa. Segundo a última
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), organizada pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na grande maioria dos
lares brasileiros os afazeres domésticos ainda são, em grande
volume, responsabilidade das representantes do sexo feminino. Entre os anos
de 1996 e 2006, os homens aumentaram sua participação nas tarefas
domésticas de 44,4% para 51,4%. Entretanto, foi constatado que, de maneira
geral, apenas pouco mais da metade dos homens (51,4%) realiza serviços
como arrumar e limpar a casa, cozinhar, lavar roupas e louças, cuidar
de filhos e limpar o quintal. Em contrapartida, nove entre cada dez mulheres
têm essas atribuições, dedicando a elas uma média
de 24,8 horas semanais, mais que o dobro dos homens. “A realização
de afazeres domésticos ainda está muito ligada a questões
culturais. No passado, cuidar da casa era tarefa das mulheres. Por isso, muitos
homens ainda demonstram preconceito ao ter que lavar a louça, cozinhar
ou trocar fraldas”, diz a professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR)
e doutora em psicologia Lidia Weber. “Por outro lado, muitas vezes as
próprias mulheres não deixam os homens assumirem as atividades
domésticas. Quando eles fazem alguma coisa errada, agem como se só elas
soubessem executar os afazeres e os criticam.”Na opinião de Lidia,
a realização ou não de tarefas domésticas também
depende muito da criação e do histórico de vida de cada
homem. Ainda de acordo com a Pnad, nos últimos anos, tem aumentado o
número de pessoas que vivem sozinhas. Segundo a professora, quando são
os homens os únicos moradores de uma residência, eles acabam tendo
que aprender a realizar as tarefas domésticas, deixando velhos conceitos
de lado. “A pessoa vai adquirindo novos hábitos. Porém,
entre um casal, o melhor é que haja, de maneira justa e através
de consenso, especialização das tarefas. Em minha casa, por exemplo,
eu lavo a louça, mas é meu marido quem leva e pega as crianças
na escola”, comenta.Nos últimos dez anos, o maior aumento de participação
masculina nos afazeres domésticos foi verificado no Estado da Bahia,
que passou de 28,3% para 52%. “O estado com a maior participação
de homens em tais atividades, no entanto, foi o Rio Grande do Sul (69,9%),
sendo que na Região Metropolitana de Porto Alegre esse porcentual foi
ainda maior, atingindo o nível de 74,2%.”
|
O Estado do Paraná, 4 de outubro de
2007
Política
Prazo para que candidatos firmem
domicílio eleitoral termina amanhã
Roger Pereira Termina amanhã o prazo
para que os candidatos aos cargos de prefeito, vice-prefeito e vereador
nos municípios de todo o País firmem domicílio eleitoral
na circunscrição em que pretendem concorrer às eleições
municipais de 2008 e tenham a filiação deferida por seus
respectivos partidos políticos.
O prazo consta do calendário eleitoral aprovado pelo Tribunal Superior
Eleitoral (TSE). A exigência está contida no artigo 9.º da
Lei 9.504/97 (Lei das Eleições), que estabelece que a filiação
partidária e o domicílio eleitoral devem estar decididos até um
ano antes do pleito, marcado para 5 de outubro de 2008. Depois de amanhã,
quem trocar de partido não poderá participar das eleições
2008. Hoje são 11.456.008 os filiados a partidos políticos no
Brasil. Para trocar de partido, o filiado terá até o dia imediato
ao da nova filiação para providenciar a desfiliação
do partido anterior e comunicá-la à Justiça Eleitoral.
Conforme a Resolução 21.538/2003, do TSE, a transferência
do eleitor só será admitida se satisfeita a exigência de
residência mínima de três meses no novo domicílio,
declarada, sob as penas da lei, pelo próprio eleitor”.
|
Folha de São Paulo,
4 de outubro de 2007
Alimentação fora de
casa fica mais cara
Bares e restaurantes reajustaram cardápios
entre 4% e 5%, em média, nos últimos dias; nas churrascarias,
alta ficou entre 6% e 8% | Para associações do setor,
aumento de laticínios e carnes e dissídio de trabalhadores
pressionam custos; alta tem superado a inflação, diz
FGV
FÁTIMA FERNANDES
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Comer fora de casa está mais caro. Bares e restaurantes de São
Paulo subiram entre 4% e 5%, em média, os preços dos cardápios
no final de setembro e início deste mês, após um ano sem
fazer reajustes, segundo informa a Abrasel (Associação Brasileira
de Bares e Restaurantes). Mas há casos em que o aumento chega perto
de 16%, segundo a Folha apurou.
" Não deu mais para segurar. A pressão de custos por causa
da alta de preços de leite e derivados e de carnes foi forte. E o dissídio
da categoria, que resultou numa alta de 4% nos salários dos trabalhadores,
foi em agosto. Além disso, subiu o preço de água, luz e
telefone", diz Joaquim Saraiva de Almeida, diretor da Abrasel. A associação
informa que o peso dos alimentos nos custos dos restaurantes varia de 40% a 45%
e, da folha de pagamento dos funcionários, de 20% a 30%.
No caso da rede de restaurantes America, o cardápio foi reajustado em
3%, em média, a partir desta semana, segundo informa a assessoria de
imprensa da rede. Mas alguns pratos subiram mais, como é o caso do sanduíche
Hot America -o preço subiu 10%, de R$ 16,90 para R$ 18,60.
No Livorno (da rua Cerro Corá, zona oeste de São Paulo), o preço
do cardápio subiu 4%, em média, no início deste mês.
Nos restaurantes Espírito Santo e Adega Santiago, em 4,5%, em média,
em setembro.
Na Cantina Biaggio, os preços, que já subiram 10%, em média,
em abril, após dois anos sem reajuste, podem ser reajustados novamente
neste mês.
" A pressão de custos veio forte neste ano. Na entressafra, o preço
do tomate chegou a subir 600%, e não 300%, como ocorre sempre. Os preços
das carnes subiram 50%, dos laticínios, 100% e, da farinha de trigo, 40%,
a partir de abril e maio. E também subiram os preços das tarifas
controladas pelo governo", diz Jorge Caetano, administrador da cantina.
A rede Almanara aumentou em 2,7%, em média, os preços do cardápio
em julho, após oito meses e meio sem mexer no menu. "O reajuste
foi para repor a inflação", diz Douglas Coury, sócio-diretor
da rede.
Nas churrascarias, os preços do rodízio subiram entre 6% e 8%,
em média, segundo a Achuesp (Associação das Churrascarias
do Estado de São Paulo), que reúne 94 restaurantes. "Esse
reajuste, que vem ocorrendo desde junho e se acentuou em setembro, deve-se
ao aumento de 38% a 40% nos preços das carnes, no período",
diz Wanderley Mantovani, presidente da associação.
Acima da inflação
O Ibre (Instituto Brasileiro de Economia), da Fundação Getulio
Vargas, constata desde maio deste ano alta nos preços da alimentação
fora de casa. Nos últimos 12 meses terminados em setembro, os preços
da alimentação nos restaurantes em São Paulo subiram 4,77%,
em média. O índice geral (IPC-S) foi de 2,94% no período.
" O reajuste de preços nos bares e restaurantes está mais
relacionado com as altas de preços dos alimentos, que ocorrem principalmente
a partir de maio", afirma Paulo Picchetti, coordenador do IPC-S. Nos últimos
12 meses terminados em setembro, os preços dos alimentos comercializados
em supermercados, padarias, açougues e outros subiram 5,19%, segundo informa
o Ibre.
Luis Felipe Moraes, sócio-proprietário dos restaurantes Espírito
Santo e Adega Santiago, informa que, tradicionalmente nesta época do
ano, os restaurantes fazem uma revisão nos preços por conta da
inflação em 12 meses e do dissídio dos trabalhadores no
setor.
" Nós reajustamos os preços em 4,5%, em média, por
causa da alta de preços das carnes, do leite e seus derivados, da batata
e do tomate. Os reajustes poderiam até ter sido maiores, se o dólar
[em relação ao real] não tivesse caído", diz
Moraes.
|
Âmbito Jurídico,
4 de outubro de 2007
Quem contrata serviços domésticos
autônomos não paga previdência
A 4ª Câmara do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região
negou provimento a recurso ordinário do Instituto Nacional do Seguro
Social (INSS), em processo no qual uma trabalhadora doméstica e uma
dona-de-casa tomadora dos serviços celebraram acordo, sem reconhecimento
de vínculo de emprego. O relator do acórdão no TRT, juiz
Marcelo Magalhães Rufino, votou pela manutenção da decisão
da Vara do Trabalho de São João da Boa Vista, que negou a incidência
da cota patronal na contribuição previdenciária, à base
de 20% sobre o total acordado entre as partes. A decisão foi por maioria.
Para o juiz Rufino, em casos de prestação autônoma de trabalho
no âmbito doméstico, não cabe a contribuição
previdenciária pelo tomador dos serviços, quando este for pessoa
física, por falta de previsão legal. “A Lei de Custeio
da Previdência Social não instituiu contribuição
para a pessoa física que toma serviços domésticos sem
relação de emprego com o prestador deles”, sintetizou o
magistrado. (Processo 0886-2006-034-15-00-0 RO)
Fonte: TRT15

|