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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 07 de outubro de 2007 | Mais
Homens proibidos
Da prisão com membros da Resistência
italiana ao embarque para a Alemanha em vagões de gado e o
trabalho forçado em Auschwitz, o autor de "É Isto
um Homem?" descreve com sangue frio a vida de um judeu durante
a Segunda Guerra
PRIMO LEVI
Em 9 de setembro de 1943, me
refugiei com alguns amigos no Vale d'Aosta, mais precisamente em Brusson,
sobre Saint-Vincent, a 54 km da capital da região.
Fazíamos parte de um grupo de "partigiani" [que se opunham
ao fascismo] constituído de muitos judeus, entre os quais recordo Guido
Bachi, atualmente representante da Olivetti em Paris, Cesare Vita, Luciana
Nissim, depois casada com Momigliano e atualmente domiciliada em Milão,
autora do livro "Donne contro il Mostro" [Mulheres contra o Monstro],
e Wanda Maestro, deportada e morta num campo de extermínio.
Juntou-se a nós um sujeito que se apresentava como Meoli e que, sendo
um espião, não demorou a nos denunciar. Com a exceção
de Cesare Vita, que conseguiu escapar, fomos detidos em 13 de setembro de 1943
e transferidos para o quartel da Milícia Fascista de Aosta.
Ali encontramos o comandante Ferro, que, ao tomar conhecimento de que todos éramos
diplomados, tratou-nos com benevolência; mais tarde, ele foi morto por "partigiani" em
1945. Devo confessar que, como "partigiani", nós éramos
bastante inexperientes; mas não menos inexperientes nos pareceram os
milicianos fascistas que iniciaram uma espécie de processo contra nós.
Havia entre eles um italiano do Alto Adige que falava perfeitamente alemão,
um tal de Cagni, que já havia denunciado um outro grupo de "partigiani";
e havia também o "nosso" Meoli.
Eles queriam obter de nós os nomes de outros "partigiani",
sobretudo os dos chefes. Embora estivéssemos com documentos falsos,
declaramo-nos imediatamente judeus, o que nos foi vantajoso, já que
a busca feita em nossos alojamentos foi tão superficial que, no meu,
não encontraram nem sequer os papéis clandestinos e o revólver
que eu escondera ali.
Ao saber que nós éramos judeus, e não "verdadeiros
partigiani", o comandante nos disse: "Não acontecerá nenhum
mal a vocês; todos serão transferidos ao campo de Fossoli, perto
de Modena".
Recebíamos regularmente o passadio destinado aos soldados e, no final
de janeiro de 1944, nos levaram a Fossoli num trem de passageiros.
Naquele campo ainda estávamos bastante bem. Não se falava de
massacres, e a atmosfera era suficientemente serena. Permitiram que mantivéssemos
o dinheiro que havíamos trazido conosco e que recebêssemos adicionais
de fora. Trabalhamos na cozinha, em turnos, e assumimos outros serviços
no campo; organizou-se até um refeitório, na verdade muito escasso!
Câmaras
de gás
Em Fossoli encontrei Arturo Foà, de Turim, que olhávamos com
certa desconfiança, pois conhecíamos suas simpatias pelo fascismo;
e também todos os mendicantes do gueto de Veneza e os velhos daquele
asilo.
Lembro-me de uma tal Scaramella e de uma Usigli. Havia ainda de 200 a 300 iugoslavos
e alguns súditos da coroa inglesa.
Quando soubemos que, em 18 de fevereiro, a SS alemã tinha entrado no
país, ficamos todos alarmados; de fato, no dia seguinte, avisaram-nos
de que seríamos deportados em 24 horas. Ninguém tentou fugir.
Carregaram-nos em vagões de gado nos quais se lia: "Auschwitz" -nome
que, naquele momento, não nos dizia absolutamente nada... A viagem durou
três dias e meio; tínhamos preparado uma provisão coletiva
de alimentos que fomos autorizados a levar conosco. Éramos 650 judeus...
Durante a viagem, a escolta da SS se mostrou dura e desumana; muitos foram
espancados até correr sangue. Quando chegamos a Auschwitz, nos perguntaram
quem era capaz de trabalhar.
De nós 96 respondemos afirmativamente, e em seguida nos conduziram a
7 km do campo até Buna Monowitz. Vinte e seis mulheres capazes de trabalhar
foram transferidas ao campo de trabalho de Birkenau; todos os outros foram
levados para as câmaras de gás!
Em nosso campo de trabalho havia alguns médicos judeus.
Lembro-me do dr. Coenka, de Atenas, do dr. Weiss, de Estrasburgo, do dr. Orensztejn,
polonês, que se comportaram muito bem; não posso dizer o mesmo
do dr. Samuelidis, de Salônica, que não escutava os pacientes
que se dirigiam a ele em busca de tratamento e denunciava os enfermos à SS
alemã!
Vários médicos franceses de nome Levy, ao contrário, se
mostraram bastante humanos!
O nosso chefe de seção era o judeu holandês Josef Lessing,
músico de orquestra profissional. Teve sob suas ordens de 20 a 60 homens
e, na condição de responsável pela 98ª seção,
demonstrou-se não apenas severo mas também cruel.
Retorno à pátria
Entre os trabalhadores daquele campo, me lembro de um tal Di Porto, romano,
de um certo Pavoncello, ou melhor, Lello Perugia, também de Roma, de
Eugenio Ravenna, comerciante, e de Giorgio Cohen, de Ferrara, além de
um tal Venezia, um meio grego de Trieste. Dos trabalhadores daquele campo,
95% eram judeus!
A direção da fábrica na qual prestei os meus serviços
não quis reconhecer os emolumentos devidos a nós por lei, e assim
se deu que, ao voltar para o meu país, depois de vários anos,
em seguida a uma ação legal comum movida pelos sobreviventes
contra aquela fábrica, reconheceram e me pagaram 800 mil liras italianas
como ressarcimento que me era devido nos termos da lei!
Após a chegada das tropas soviéticas, fomos novamente transferidos
ao campo de Auschwitz, à espera de podermos ser repatriados.
A odisséia da volta foi bastante longa; os russos nos disseram que só poderiam
fazer nossa repatriação por mar, embarcando-nos nada menos que
em Odessa! Primeiramente nos transferiram para Katowice, depois para Minsk,
depois para Sluck e, quando Deus quis, retornamos finalmente à Itália.
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Boletín de la Federación
Latinoamericana de Trabajadores de las Industrias y la Construcción
Año 4 – Nº 181
Director: Carlos Gaitán
Editado con el apoyo de CNV-Internationaal
de Holanda
ESTADOS UNIDOS
Wal-Mart terá que pagar
62 milhões de dólares por horas extras não compensadas
Wal-Mart deberá pagar 62 millones de dólares por dilación
en efectivizar compensaciones
En Pennsylvania, una sucursal del gigante minorista Wal-Mart que ya había
pagado 78.5 millones de dólares por una demanda colectiva por trabajar
después de hora, deberá ahora, por orden judicial emitida el
miércoles 3, desembolsar otros 62.3 millones de la misma moneda, en
forma adicional, por daños.
En la demanda colectiva de Pennsylvania
participan ex empleados y trabajadores actuales que trabajaron en Wal-Mart
y Sam's Club desde marzo de 1998 hasta marzo de 2006 y por el veredicto,
aproximadamente 125 mil personas recibirán 500 dólares
adicionales por un retraso en la compensación, en tal sentido,
Mark Bernstein, juez que atienda causas civiles en Philadelphia explicó: "La
ley se aplica por igual a los ejecutivos que ganan grandes sumas y a
los empleados con sueldos mínimos".
"De la misma manera en que
la participación en el capital o las opciones de venta o el porcentaje
procedente de las ventas prometidos son retribuciones y adicionales al
salario protegidos, los equivalentes en dinero del 'descanso pago' que
se prohibió disfrutar a los cajeros y otros empleados son retribuciones
y adicionales al salario protegidos", insistió Bernstein.
Ya en 2006 un jurado de Philadelphia
otorgó a los trabajadores la cantidad de dinero exacta que pedían,
rechazando el argumento esgrimido por la transnacional según la
cual los trabajadores decidieron en su momento "trabajar durante
los descansos" y que "los pocos minutos de trabajo adicional
eran insignificantes".
El fundamento de la nueva resolución
judicial se basó en una ley de Pennsylvania que dice que una empresa
puede recibir sanciones cuando retiene el salario por más de 30
días sin motivo. "Según este estatuto, los legisladores
crearon incentivos económicos importantes para que los empleadores
paguen a los trabajadores todo el dinero que ganaron con su trabajo duro",
aclaró Bernstein.
Sin embargo, para Wal-Mart no
terminaron los problemas suscitados por sus contínuas violaciones
a las leyes salariales estatales que están vigentes en el territorio
estadounidense. Un juicio en California finalizó con un veredicto
de 172 millones de dólares que Wal-Mart apeló, mientras
la empresa con sede en Bentonville, Arkansas, llegó a un acuerdo
por una demanda en Colorado por 50 millones de dólares.
Finalmente, siete días
antes del fallo mencionado un nuevo juicio comenzó contra la
transnacional en Minnesota, el cual se suma a los ya en curso en New
Jersey y en muchos otros estados donde burlar la ley, es una constante
empresarial.
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DEPACOM, 07 de outubro de 2007
FETICOM/MA
realizará seu XVI Encontro dos Trabalhadores da Construção
e do Mobiliário
A FETICOM/MA– Federação
dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
e do Mobiliário do Estado do Maranhão, presidida
pelo companheiro FRANCISCO DAS CHAGAS VIANA ,
estará realizando seu XVI Encontro dos Trabalhadores
da Construção e do Mobiliário.
O evento ocorrerá nos
dias 12 e 13 de outubro, em Sao Luis/MA, na Casa do Trabalhador
- FETICOM/MA, com abertura às 14h00 do dia 12/10 e encerramento às
13h00 do dia 13/10/2007.
Confira
programação completa do encontro
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 08 de outubro de 2007 | Dinheiro
Brasileiro poupa para construir, aponta
pesquisa
da Folha Online
A reforma da casa é o
principal objetivo de metade dos brasileiros que poupam, segundo pesquisa
divulgada nesta segunda-feira pela Fecomércio-RJ, em parceria
com o instituto de pesquisas Ipsos.
Conforme o levantamento, o reforma
da casa apresentou o maior avanço --10 pontos percentuais-- em
12 meses entre as opções de destino das economias, com
destaque para a Região Sul do país. A preferência é a
mesma entre homens e mulheres entre 35 e 44 anos.
A pesquisa "O perfil do
poupador brasileiro" foi realizada em 70 cidades e nove regiões
metropolitanas do país, totalizando mil domicílios consultados.
Na seqüência da preferência
dos poupadores aparecem: gastar com lazer (8%), consumir em imóveis
(7%), preocupação com o futuro (4%) e consumir em eletrodomésticos
(2%).
O volume de brasileiros que poupam
ainda é baixo em relação a outros países
em desenvolvimento, segundo o estudo. "De 2003 a 2006, as médias
de poupança como proporção do PIB de Brasil, China, Índia
e Rússia foram as seguintes: 21,6%, 50,2%, 24,3% e 34,3%, respectivamente",
aponta a pesquisa. "Ou seja, dentre esses quatro países,
o Brasil registra o menor patamar de poupança relativa ao mesmo
tempo em que sua economia cresce a um ritmo menor."
O consumo, no entanto, é uma
das explicações para o desempenho brasileiro, segundo o
presidente da Fecomércio-RJ, Orlando Diniz. "O Brasil vive
uma arrancada do consumo doméstico como há muito tempo
não se via, incentivada, principalmente, pelo crédito,
que tem chegado às mãos do consumidor a juros mais baixos,
embora ainda elevados, e prazos maiores. Essa opção do
brasileiro pelo consumo imediato resulta em baixos níveis relativos
de poupança no país", disse.
Por outro lado, o brasileiro
que está conseguindo economizar pretende dar seqüência à iniciativa,
indica o levantamento: de 2006 para 2007, aumentou em 5 pontos percentuais
a parcela de pessoas que pretende guardar dinheiro no curto prazo (60%).
A pesquisa aponta ainda
que um número maior de pessoas não mexeu em suas reservas
neste ano (35% contra 31% em 2006) --ou seja, não guardaram
mas também não gastaram as economias. Um percentual menor
de pessoas mexeu (13%) no dinheiro acumulado, em relação
ao ano passado (16%) e subiram de 40% para 44% os que conseguiram economizar
ainda mais nos últimos 12 meses.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
08 de outubro de 2007
Embargo contra intempestividade de
primeiro recurso não é aceito pelo TST
Entrar com recurso antes da publicação da decisão a ser
contestada é motivo para considerá-lo intempestivo e, portanto,
inválido para a Justiça do Trabalho. Mas um segundo recurso,
interposto no prazo legal, tem validade reconhecida. Essa foi a decisão
da SDI-1 (Seção Especializada em Dissídios Individuais)
do TST (Tribunal Superior do Trabalho), ao apreciar embargos da Companhia Siderúrgica
Belgo-Mineira
O TRT (Tribunal Regional do Trabalho)
de Minas Gerais, em primeira instância, condenou a Belgo-Mineira
ao pagamento de complementação da multa de 40% do FGTS,
em ação movida contra ela por um grupo de ex-funcionários.
No TST, a empresa obteve a reforma dessa decisão, o que levou
os trabalhadores a buscar o restabelecimento da decisão do TRT
que lhes assegurava o direito à diferença do FGTS.
Dois recursos de embargos foram
interpostos pelos trabalhadores, o primeiro em abril e o segundo em junho
de 2006. Ambos foram questionados pela companhia, que buscou impugná-los:
o primeiro, por ser prematuro (interposto antes da publicação
da decisão recorrida); e o segundo, sob o fundamento de “preclusão
consumativa” (perda do direito de recorrer).
O relator do caso, ministro Lelio
Bentes Corrêa, rejeitou a impugnação. Ele assinalou
que o Tribunal Pleno do TST consagrou, por maioria, entendimento no sentido
de que é intempestivo o recurso protocolado antes da publicação
do acórdão, fato que realmente ocorreu com o primeiro processo.
Entretanto, o magistrado ressaltou
que, se o primeiro recurso foi considerado intempestivo, “nenhum
efeito se pode dele extrair, nem aqueles relativos à preclusão
consumativa”. E concluiu que, sendo o novo apelo interposto no
prazo legal, não há razão para não admitir
o seu conhecimento.
No mérito, o relator
também se manifestou favoravelmente aos trabalhadores, determinando
a reforma do acórdão da 3ª Turma e restabelecendo
a decisão do TRT-MG para responsabilizar a empresa pelo pagamento
da diferença da indenização de 40% do FGTS.
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DEPACOM, 08 de outubro
de 2007
Jornal do SITICOM de São José do
Rio Preto/SP
Está circulando o “JORNAL DO SITICOM”, informativo do
Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
e do Mobiliário de São José do Rio Preto e Região – São
Paulo, presidido pelo companheiro NELSON IOCA.
O Informativo deste mês traz diversas informações de
interesse da categoria, com destaque especial para a “PALAVRA DO
PRESIDENTE” que fala sobre a luta dos sindicatos na defesa dos
direitos dos trabalhadores.
O DEPACOM parabeniza o companheiro Nelso Ioca e sua diretoria pelo
importante trabalho desenvolvido junto aos trabalhadores da Construção
e do Mobiliário de São José do Rio Preto.
Não deixe de acessar o site da entidade: www.siticomriopreto.com.
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STIC Civil de Volta Redonda,
08 de outubro de 2007
Contrutora IBEG desrespeita direitos trabalhistas
Os diretores do Sindicato dos Trabalhadores da Construção
Civil, Montagem e Construção Pesada do Sul Fluminense, Geraldo
Luiz Barbosa e José Aparecido de Castro, se reuniram dia (02/10)
com representantes da IBEG Engenharia e Construções Ltda,
empresa responsável pelas obras do prédio do Fórum
de Volta Redonda – localizado na Av. Nestor Perlingeiro, nº 700,
Aterrado. A reunião teve como objetivo resolver as questões
trabalhistas de mais de 70 trabalhadores da obra que paralisaram suas atividades
em função das inúmeras irregularidades praticadas
pela Construtora Irmãos JR, subcontratada da IBEG para a execução
do serviço. Dentre as principais irregularidades destacam-se o não
registro em carteira de trabalho, atraso de pagamento salarial e de verbas
rescisórias, falta de segurança no local de trabalho e não
emissão da CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho).
Ao final da reunião ficou acertado que a empresa IBEG vai efetuar
o pagamento dos dias em atraso para os trabalhadores de Volta Redonda.
Já aqueles que têm direito a verba rescisória vão
receber no dia 11/10, quem quiser continuar na obra terá o seu
registro em carteira atualizado. Os demais trabalhadores alojados no
canteiro de obras receberão os devidos pagamentos no escritório
da empresa, no município do Rio de Janeiro.
Segundo o diretor Secretário de Saúde Ocupacional do Sindicato,
Geraldo Luiz Barbosa, essa situação é apenas a ponta
do iceberg das irregularidades cometidas pela IBEG - empresa vencedora
da licitação da obra. “Ela vem burlando a legislação
trabalhista e terceirizando a sua atividade principal, o que é proibido
por lei, contratando outras empresas para a execução da
obra”, afirma o sindicalista, ressaltando que a IBEG no período
de seis meses já contratou quatro empresas para a continuidade
das obras do Fórum, sendo a “última a Construtora
Reis”. “Vale ressaltar que a empresa IBEG só tem sob
o seu comando a área administrativa”, acrescenta.
“É lamentável essa situação, principalmente
se tratando de uma obra como o Fórum que deve zelar pela justiça
e contratou uma empresa que vem ferindo os direitos dos trabalhadores”,
diz Barbosa, revelando que atualmente a obra conta com cerca de 130 trabalhadores
vivendo situações de completa irregularidade. Ele afirma
ainda que as fiscalizações feitas pela Delegacia do Ministério
do Trabalho e Emprego, de Volta Redonda, verificaram que as empresas
contratadas pela IBEG não cumprem a convenção coletiva
de trabalho, efetuam o pagamento e verbas rescisórias em atraso
e não emitem a CAT (Comunicação de Acidente Trabalho),
quando ocorrem acidentes na obra. “Um dos maiores absurdos que
as empresas cometem é assinar a carteira do trabalhador, quando
não mais precisam de seus serviços. Em vez de demiti-los
e pagar os seus direitos, elas cancelam o contrato desses trabalhadores,
com o objetivo de não fazer o recolhimento dos encargos trabalhistas
de seus empregados e sonegar os demais impostos”.
Para solucionar essa questão e fazer valer os direitos dos trabalhadores
da obra que têm buscado o Sindicato para ajuizamento de diversas
reclamações trabalhistas, o presidente da entidade, Dejair
Martins, encaminhou ofício à presidência do Tribunal
de Justiça do Rio de Janeiro (TJ/RJ), solicitando providências
urgentes visando reverter tal situação. “Esse documento
foi encaminhado há mais de 40 dias, até o momento não
tivemos retorno. Continuamos cobrando uma posição favorável
do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro contra essas irregularidades”,
diz Dejair, avaliando ser inaceitável que uma obra do judiciário
seja construída em desrespeito aos direitos trabalhistas.
Melhores Informações:
SINDICATO DOS TRABALHADORES
NAS INDÚSTRIAS DA CONSTRUÇÃO
CIVIL, MONTAGEM E CONSTRUÇÃO PESADA DO SUL FLUMINENSE.
Presidente: DEJAIR MARTINS
SEDE: Av. Nossa Senhora da Conceição, nº 310 – Conforto – CEP
27.263-430 – Volta Redonda / RJ | Tel/Fax.: (24) 3342-2331 – Tel.:
(24) 3348-2508.
Home Page: www.sindicatocivilvr.com.br - E-mail: sindcivil@sindicatocivilvr.com.br
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 07 de outubro de 2007 | Mais
Doutor Guevara
Como médico, o argentino tentou
aliar revolução e avanços na área de
saúde
MOACYR SCLIAR
COLUNISTA DA FOLHA
Este 9 de outubro assinala os
40 anos da morte de uma extraordinária figura, um líder
revolucionário que marcou o nosso tempo, Ernesto Rafael Guevara
de la Serna, Che Guevara (Che é o equivalente a "você" dos
argentinos, uruguaios e gaúchos).
Neste texto, vamos considerar um lado pouco mencionado de Guevara, o lado médico.
Nascido (1928) em Rosario, Argentina, Ernesto descendia de uma família
com origens na Espanha e na Irlanda, dois países nos quais a paixão
tem cidadania. Seus pais eram pessoas cultas e engajadas politicamente: ambos
opunham-se ao regime peronista que por longo tempo ficou no poder.
Aos dois anos manifestou-se no pequeno Ernesto a doença que o acompanharia
por toda a vida, e que partilhou com figuras famosas, como Pedro, o Grande,
Charles Dickens e Marcel Proust: a asma.
Em 1948, entrou na Universidade de Buenos Aires para estudar medicina. Estudante,
Ernesto rapidamente desiludiu-se com o curso; não era um estudante dedicado
e, numa carta à namorada Chichina Ferreyra, rotulou a profissão
médica como "ridícula".
Mas defendia os aspectos humanísticos e sociais da profissão,
defendendo a socialização da medicina e sustentando que os leprosos
deveriam ser libertos de seu estigma.
Viagem
de moto
Foi como estudante de medicina que, em 1952, Guevara empreendeu a famosa viagem
pela América Latina junto com seu amigo, o bioquímico Alberto
Granado.
Pilotanto a motocicleta La Poderosa 2, os dois partiram para a jornada que
depois Guevara narraria nos "Diários de Motocicleta", ponto
de partida para o filme de Walter Salles.
Essa viagem foi, para o jovem estudante, um verdadeiro rito de passagem; já influenciado
pela literatura marxista e impressionado pela pobreza e pela marginalização
que via, Guevara convenceu-se de que só a revolução armada
mudaria o destino da América Latina.
Em uma palestra realizada em 1960 e dirigida a soldados cubanos, Guevara propõe-se
a responder a uma dupla pergunta: como se pratica uma medicina revolucionária?
Como se compatibiliza objetivos profissionais com objetivos revolucionários?
Em primeiro lugar, diz ele, é preciso revisar a trajetória pessoal
(um processo que o comunismo conhecia como autocrítica), por onde o
médico revolucionário chegará à obrigatória
conclusão de que o passado tem de ser descartado.
Da mesma maneira deverá mudar a medicina. O governo revolucionário
tem de prover serviços de saúde pública para o maior número
possível de pessoas, instituir um programa de medicina preventiva e
orientar o público para práticas higiênicas.
Isso não significava, apressou-se a acrescentar, sufocar a iniciativa
individual; ao contrário, talentos pessoais devem ser estimulados, mas
orientados para a medicina social.
Função
pedagógica
O médico deve inclusive exercer funções pedagógicas,
ensinando ao povo como diversificar seus alimentos por meio da agricultura.
E deve ter funções políticas, o que, para Guevara, significa
ouvir a população, interagir com ela, aprender. Há um
inimigo comum, o governo norte-americano, e contra ele os cubanos devem se
unir, assim como devem se unir a outros povos, mesmo que haja alguma diferença
em termos de organização dos países (ou seja: mesmo quem
não é socialista pode fazer parte da aliança contra o
inimigo).
Se for preciso lutar, o médico cumprirá funções
de soldado e de revolucionário, mas sem deixar a medicina, sem cometer,
dizia Che Guevara, o erro que cometemos em Sierra Maestra, em que o médico
estava ansioso por combater, não por cuidar de feridos.
Da guerrilha não é difícil passar ao terrorismo, mesmo
porque para muitos é apenas uma questão de nomenclatura. No Oriente
Médio não são raros os médicos que optaram por
essa forma de luta política.
Formação superior
Isso contraria a tese de que terroristas são recrutados nas camadas
mais pobres e incultas. Na verdade, a formação superior, sobretudo
em medicina, facilita a atividade terrorista.
Durante anos Europa e Estados Unidos trataram de compensar a falta de profissionais
por meio da "importação de cérebros"; cerca
de 37% dos médicos com prática no Reino Unido são estrangeiros.
Isso facilitava o deslocamento dos médicos que haviam optado pelo terror.
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MOACYR SCLIAR é escritor, autor
de "O Centauro no Jardim" (Cia. das Letras).
NA INTERNET - Leia a íntegra deste artigo no endereço eletrônico www.folha.com.br/072761
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 07 de outubro de 2007 | Ilustrada
Outro Canal
DANIEL CASTRO - dcastro@folhasp.com.br
Globo venderá roupas, móveis
e até carros de "Duas Caras"
A Globo resolveu ganhar dinheiro
com as roupas que os artistas usam nas novelas, motivo de milhares
de ligações de telespectadores para a emissora, curiosos
em saber quais são as grifes e onde encontrá-las.
O departamento comercial da rede está negociando parcerias com fabricantes
de roupas, móveis, objetos de decoração e até carros.
As empresas que pagarem terão seus produtos usados pelas estrelas de "Duas
Caras", a nova novela das oito.
Poderá, por exemplo, ser um sofá servindo de assento para um
chá com Suzana Vieira, um vestido de estampas coloridas no corpo da
perua cheia de caras e bocas vivida por Letícia Spiller e -por que não?-
a cueca de Oscar Magrini.
Por enquanto, nenhum acordo foi fechado. Quando o primeiro deles for concretizado,
a Globo abrirá na internet um "Shopping Ambiente" de "Duas
Caras". Lá, o telespectador passará o mouse do computador
sobre imagens de cenas. Se algum produto tiver parceria com a emissora, o site
da Globo encaminhará o telespectador para a página do fabricante,
onde ele poderá comprar a peça, sem sair de casa.
O próximo programa da Globo a ter um "Shopping Ambiente" será "Big
Brother Brasil 8", que venderá edredons e utensílios de
cozinha e decoração.
No futuro, com a TV digital, a Globo quer fazer esso tipo de transação
comercial diretamente pelo televisor.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 07 de outubro de 2007 | Ilustrada
BIA ABRAMO
"Duas Caras" aposta
no conservadorismo
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Há na novela uma tentativa de recuperar uma "favela dos meus amores"
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O QUE esperar de "Duas Caras"? A julgar pelos primeiros capítulos,
o que é certamente prematuro, uma narrativa oscilante do modelo "mexicano" de
melodrama televisivo e uma representação fabular de certas questões
contemporâneas.
Há o vilão cínico que vai tentar arruinar a vida e fortuna
da mocinha; o destino, entretanto, vai se encarregar de preparar uma viravolta
em que eles se confrontem novamente. Haverá amores impedidos pela convenções
sociais -ele, preto e pobre; ela, rica e branca-; o casal lutará contra
tudo e todos para realizar esse amor. Há duas mulheres rivais: dividirão
o mesmo homem, uma como mulher legítima e outra como amante; quando
ele morre, aparece um outro que também disputarão.
O microcosmo dessas desventuras amorosas e existenciais é, desta vez,
a Barra da Tijuca, entre os condomínios de luxo, onde a burguesia se
atira avidamente aos novos negócios do mundo contemporâneo (empreendimentos
mobiliários fantásticos para os ricos, ensino superior privado),
e a favela fictícia da Portelinha, em Jacarepaguá, de onde virão
os pobres, porém honestos, para brigar por um naco que seja do mundo
dos ricos.
Ou seja, nada mais, nada menos do que se tornou o padrão da telenovela
-é esse o formato que historicamente se fixou e, até pouco tempo
atrás, não via concorrência. Mas agora, de cinco anos para
cá, não apenas há como ela vem de origens e nas formas
as mais diversas.
Então, a cada novela que se inicia, para fazer frente aos números
que declinam, inventam-se aqui e ali bossas diferentes, ornamentos sobre o
trilho já gasto por onde passa o trem da história. No caso de "Duas
Caras", parece que se aposta simultaneamente em duas frentes.
A primeira delas é a textura programaticamente retrógrada dos
imbróglios amorosos, que se movem por oposições bastante
convencionais: ingenuidade feminina X cinismo masculino, a legítima
X a outra, a liberdade de escolha X a autoridade da família. É como
se a novela prometesse, assim, o retorno a um mundo mais simplificado e fácil.
Depois, há a tentativa de recuperar uma "favela dos meus amores",
em contraposição à representação mais violenta
que aparece no filme "Cidade de Deus" ou na novela "Vidas Opostas".
A favela fictícia de "Duas Caras" terá lá seus
pobres e seu abandono das instituições, mas será um lugar
relativamente apaziguado.
Por ora, tudo indica que a novela vai preferir o caminho, que parece mais seguro,
do conservadorismo. Mas se a questão for recuperar a audiência
que desligou a TV, talvez seja a coisa mais arriscada a fazer.
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 06 de outubro de 2007 | Brasil
Planilha traz indícios de fraudes
em entidade catarinense, diz PF
Polícia apura se há registro de
caixa dois para campanhas de candidatos petistas
JOSÉ MASCHIO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CHAPECÓ
O inquérito que
investiga supostas fraudes praticadas pela Fetraf-Sul (Federação
dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul),
entidade sindical ligada ao grupo da senadora Ideli Salvatti (PT-SC),
inclui planilha sobre cursos financiados com dinheiro federal que
apresenta itens como "gasto real" (com valores mais baixos
do que o recebido em recursos) e "saldo Fetraf" (com a
diferença entre "gasto real" e o que foi recebido).
Esses dados aparecem em dois DVDs em poder da Polícia Federal de Chapecó (oeste
de SC), que abriu o inquérito em março deste ano. A PF apura
se as planilhas que constam nesses DVDs registram a arrecadação
de recursos via caixa dois para campanhas de candidatos petistas. Uma das planilhas
tem o nome de "Cx II" e registra suposto "saldo" da Fetraf
de R$ 15 mil na organização de cursos neste ano.
A Fetraf nega as suspeitas e não reconhece como seus os documentos gravados
nos DVDs, que foram obtidos pelo MPF (Ministério Público Federal)
e repassados à PF. A federação afirma que documentos foram
furtados de sua sede, em Chapecó, e que as planilhas nesses DVDs podem
ser versões adulteradas dos documentos originais.
O inquérito foi aberto a pedido do procurador da República Celso
Antônio Três. Segundo a investigação da PF, as fraudes
podem chegar a R$ 6,4 milhões, com dinheiro oriundo dos ministérios
do Trabalho e do Desenvolvimento Agrário e de outros órgãos
federais. Parte desse valor (R$ 1,2 milhão) é relativo a fraudes
que teriam sido praticadas pela Cooperhaf (Cooperativa de Habitação
dos Agricultores Familiares dos Três Estados do Sul), órgão
ligado à Fetraf.
As fraudes podem ter ocorrido, de acordo com o Ministério Público,
com dinheiro que era repassado à Fetraf e à Cooperhaf por meio
de convênios com o governo federal para a realização de
cursos de qualificação profissional, congressos e processos licitatórios.
Parte do dinheiro arrecadado pelas duas entidades, suspeita o MPF, teria ido
parar na campanha de pelo menos um candidato do PT no ano passado.
Diretores, assessores e funcionários da Fetraf-Sul que doaram dinheiro
para a campanha do coordenador da entidade Dirceu Dresch (PT-SC) a deputado
estadual, no ano passado, constam como beneficiários de recibos emitidos
pela federação. Os recibos teriam sido emitidos para cobertura
de gastos que só ocorreram no papel.
O delegado da PF Misael Mazzetti, que preside o inquérito, disse que
solicitou autorização ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de
Santa Catarina para investigar falsas doações a campanhas de
2006. Com a investigação de crimes eleitorais é de competência
da Justiça Eleitoral, a PF depende da autorização para
levar adiante inquérito específico sobre o caso.
Ideli Salvatti reconhece sua ligação com lideranças da
agricultura familiar em Santa Catarina, mas diz que isso se deve a sua atuação
política em defesa do setor e nega qualquer relação com
fraudes.
Celso Três disse que os documentos que chegaram à Procuradoria
são fartos em provas "de crimes de desvio, estelionato e peculato" e
pediu investigação para embasar ação de improbidade
administrativa.
Uma das supostas planilhas da Fetraf que fazem parte do inquérito lista
29 cursos realizados nos três Estados do Sul com verba federal no início
deste ano. As rubricas da planilha, segundo a interpretação do
Ministério Público, mostram os locais em que os cursos foram
realizados e os respectivos gasto "previsto".
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 06 de outubro de 2007 | Brasil
Outro lado
Documentos são armação,
diz coordenador
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CHAPECÓ
O coordenador-geral da Fetraf-Sul,
Altemir Tortelli, afirmou à Folha que os documentos que são
atribuídos à contabilidade da entidade são uma "armação".
Segundo ele, parte da planilha a qual a reportagem teve acesso é fictícia.
Os cursos listados -bem como as datas em que ocorreram- são verdadeiros,
diz, mas o que está nos campos "gasto real" e "saldo
Fetraf" "não existe".
" São produtos de falsificação. Tudo que está nestes
supostos DVDs não tem valor, são falsos", afirmou. "Não
reconhecemos nenhum documento atribuído à Fetraf-Sul. Fomos roubados,
levaram documentos internos."
Tortelli negou uso político das verbas federais. Com relação à Cooperhaf,
disse que R$ 1,2 milhão é o total dos projetos conveniados com
o governo e o maior, de R$ 800 mil, ainda está em execução. "Como
existem fraudes, se a coisa começou agora?".
Com 112 sindicatos e associações filiadas, a Fetraf-Sul atende
hoje 107 mil produtores da agricultura familiar (em SC, RS e PR).
A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) criticou o que tachou de "tentativa
de forçada de barra" contra ela. "Se tem complicação
na Fetraf-Sul e se for comprovada na investigação, que se punam
os responsáveis. Mas não queiram me envolver por ilação.
Não queiram forçar a barra e me envolver."
Segundo ela, em 2005 ela apresentou uma emenda relacionada à agricultura
familiar, no valor de R$ 400 mil, que beneficiou entidades ligadas à Fetraf-Sul, "mas
também a outras entidades, inclusive a Fetaesc [Federação
dos Trabalhadores Rurais de Santa Catarina], que é inimiga da Fetraf-Sul".
O deputado estadual Dirceu Dresch (PT-SC), que esteve ontem em Águas
de Chapecó, em evento que contou com a participação de
Lula, disse que o local não era o adequado para "discutir esses
assuntos". Durante a semana, ele disse, que "as contas da campanha
a deputado em 2006 foram registradas e aprovadas pelo TRE". Negou ser
coordenador de campanhas de Ideli e disse não estar na direção
da Fetraf desde 2002.
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JORNAL
GAZETA DO POVO, 08 de outubro de 2007 | Economia
Trabalho
Transportadoras sofrem com falta de mão-de-obra
qualificada
Empresas exigem novo perfil de caminhoneiro
e criam cursos para formação de pesssoal
por MARCO SANCHOTENE
Elton Damásio/Gazeta do Povo

O caminhoneiro Ataíde Roque: com a tecnologia, profissão mudou
bastante nos últimos anos
Foi-se o tempo em que um caminhoneiro entendia de mecânica, andava com
uma velha e encardida camisa regata e precisava “ter braço” para
dirigir. Hoje, com os modernos caminhões disponíveis no mercado,
um motorista precisa de muito mais. Noções de informática
e relacionamento com o cliente estão entre os requisitos das empresas
de transporte rodoviário. Responsabilidade também conta, tendo
em vista que uma carreta custa de R$ 300 mil a R$ 500 mil. Como existe o problema
do roubo de carga, o profissional precisa ainda passar pelo crivo da seguradora,
que exige “ficha limpa”. Por essas e outras, as transportadoras estão
tendo dificuldade para encontrar profissionais qualificados, a ponto de planejarem
uma escola de formação de pessoal.
O diretor-presidente da Cargolift e vice-presidente do Setcepar, Markenson Marques,
diz que a tecnologia facilitou a operação e eliminou a necessidade
de um motorista que entenda de manutenção. “A gente precisa
de motorista zeloso, mas como a profissão sempre foi discriminada, os
filhos dos caminhoneiros não seguiram a profissão do pai”,
opina. No primeiro semestre deste ano, a empresa de Marques registrou aumento
de 20% nos pedidos de transporte em comparação com o mesmo período
do ano passado. A demanda é tanta que o empresário comprou 27 caminhões
novos em seis meses, o maior lote concentrado adquirido em toda a história
da companhia. São veículos que custam por volta de R$ 300 mil.
Com a falta de motoristas capazes de dar conta do recado, Marques montou um centro
de formação em sua empresa. “Hoje qualquer um que tenha carteira
diz que é profissional, mas não é bem assim.”
A procura é generalizada. O presidente da
Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado
do Paraná (Fetranspar), o empresário Anselmo Trombini, diz
que está quase impossível encontrar motorista. De acordo
com ele, quando a economia começa a crescer, imediatamente o setor
de transporte rodoviário começa a reagir. Como está faltando
mão-de-obra especializada, o setor pleiteia uma escola específica
no Serviço Social do Transporte e o Serviço Nacional de Aprendizagem
do Transporte (Sest/Senat), que já oferece cursos de direção
defensiva e econômica para caminhoneiros.
Curso e folga obrigatórios
Uma legislação promulgada pelo governo federal em janeiro prevê uma
série de normas para o setor de transporte rodoviário. Ainda à espera
de regulamentação da Agência Nacional de Transportes Terrestres
(ANTT), a lei 11.442 prevê que todos os caminhoneiros deverão
passar por curso específico para trabalhar. A lei prevê também
a exigência de descanso de 30 minutos para cada quatro horas de direção,
diz o vice-presidente do Setcepar, Markenson Marques. A ANTT analisa 38 propostas
coletadas em audiências públicas para regulamentar a lei.
Transporte Pedro Rogério Garcia (Fattep), de Concórdia (SC),
onde há treinamentos intensivos de 30 dias e cursos de nível
superior.
Nunes, do Setcepar, que é proprietário
da Transportadora Leal, acrescenta que, além das exigências
do mercado, o caminhoneiro precisa suprir as exigências específicas
de cada empresa. “Aqui temos o ISO 9000 e precisamos de gente mais
experiente. Não contratamos pessoas com menos de 35 anos, o que
prejudica a procura por mão-de-obra. Mas eu prefiro ser mais rígido,
porque não dá para colocar um equipamento de R$ 500 mil
na mão de alguém que não tem experiência de
vida”, justifica. Segundo ele, um profissional da área ganha
de R$ 1,2 mil a R$ 3 mil, dependendo do tipo de carga. Viagens internacionais,
fretes em cegonheiras ou de produtos químicos rendem mais.
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JORNAL
GAZETA DO POVO, 08 de outubro de 2007 | Economia
Trabalho
Seleção é bastante rigorosa
por MARCO SANCHOTENE
Elton Damásio/Gazeta do Povo

Cantú: motoristas têm curso de qualidade no atendimento
Quem resolve disputar uma vaga de motorista numa grande transportadora precisa
enfrentar uma seleção digna de cargos de nível superior:
avaliação de histórico profissional, teste psicotécnico,
prático e teórico, além de duas semanas de viagem acompanhado
de instrutor. Ter concluído o ensino médio também é recomendável. “Hoje é preciso
atender o cliente, por isso damos dois cursos anuais aos nossos funcionários,
um de direção defensiva e outro de qualidade no atendimento”,
explica Gilberto Cantú, proprietário da Diamante Transportes, com
sede em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba.
O caminhoneiro Ataíde Roque, há 12
anos na profissão, trabalha hoje na Diamante, mas diz que não
foi fácil conseguir o emprego. “Fui indicado por um amigo,
fiz o teste e consegui. Mas foi difícil.” Ele lembra que,
quando começou, não havia computador de bordo nos caminhões. “Agora é rastreado,
existem regras, horário e rotas para seguir.” Para se
adaptar, Roque foi aprendendo sozinho e fazendo alguns cursos. Agora
ele vai receber R$ 850 por mês, mais o valor da comissão,
que não sabe quanto ainda vai dar. Em seu último trabalho,
ele conseguia R$ 1,3 mil, contando as comissões.
Cantú, da Diamante,
explica que há várias exigências em todas as
grandes transportadoras. “Já fomos mais rígidos.
Pedíamos cinco anos de experiência em carreta ou ‘truck’ [caminhão
com carroceria que tem mais de um eixo], mas diminuímos para
dois. Quando abrimos uma vaga aparecem 20 pessoas, mas quase todas
sem qualificação.”
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JORNAL GAZETA DO POVO, 08
de outubro de 2007 | Economia
Informalidade
Para motoboys, faltam regras
por MARCO SANCHOTENE
O empresário Luiz Bittencourt,
diretor da Fox Express, empresa de entregas rápidas por motos,
reclama que o setor sofre com a falta de formalidade. “De mil empresas
registradas na Junta Comercial, apenas 20 são sérias, que
pagam 13.º salário, férias etc.”, acusa. Ele
diz que, assim, dos 20 mil motoboys que trabalham em Curitiba, apenas
2% atuam de forma regular.
Segundo Bittencourt, a falta
de fiscalização prejudica as empresas que seguem as normas. “Um
motoboy trabalha para mim por seis meses para depois ir ao concorrente
trabalhar sem carteira assinada para receber salário e seguro-desemprego.”
Esta situação,
de acordo com o empresário, causa concorrência desleal – o
custo da formalidade é alto, por conta dos encargos trabalhistas.
O presidente do sindicato da
categoria (Sintramotos), Tito Mori, confirma que a informalidade é grande
e que isso causa “concorrência injusta”. Ele afirma
que está para ser sancionada pelo prefeito de Curitiba, Beto Richa,
uma lei aprovada em 2005 que regulariza a atividade.
“Queremos fazer o
cadastramento de empresas e motoboys, identificar os profissionais
e o usuário comum, como ocorre com táxis, e exigir curso
de qualificação.” Segundo Mori, a lei prevê garantias
sociais, como a obrigatorietade de pagamento de seguro de vida aos
profissionais.
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
08 de outubro de 2007
Contratações temporárias
cresceram no governo Lula
Rio - As contratações temporárias de servidores públicos
se ampliaram durante o primeiro governo Lula, em comparação com
o segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso. Segundo o Boletim Estatístico
de Pessoal de março de 2007, do Ministério do Planejamento, os
ingressos no serviço público de temporários totalizaram
31.321 de 1999 a 2002 e atingiram 51.964 de 2003 a 2006, com um aumento entre
os dois períodos de 66%.
Gilberto Guerzoni, consultor
Legislativo do Senado, explica que os trabalhadores temporários
não devem ser confundidos com aqueles envolvidos nos contratos
de terceirização. O terceirizado, ao contrário do
temporário, não está sujeito à hierarquia
do serviço público, não presta concurso e não
tem vínculo de trabalho direto com o governo. Enquanto os pagamentos
dos terceirizados saem das despesas de custeio, os dos temporários
estão incluídos nos gastos de pessoal.
De acordo com dados da Execução
Orçamentária da Secretaria do Tesouro Nacional, em dezembro
de 2002, último ano do governo de Fernando Henrique Cardoso, havia
15.588 funcionários sendo pagos pela União em contratação
temporária. Esse número subiu para respectivamente 20.323,
23.594 e 28.661 em dezembro de 2003, 2004 e 2005, durante o governo Lula.
Em dezembro de 2006, os temporários caíram para 24.821
(estavam em 23.403 mil em agosto de 2007).
A Execução Orçamentária
da STN mostra ainda um grande salto nos servidores regidos pela Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT) a partir de 2005. Tomando sempre o número
dos meses de dezembro, o total caiu de 37.600 em 1999 para 35.863 em
2003, com ligeiras variações em tornos dessa faixa. Em
2005, o número subiu para 44.831, e em 2006, para 54.336.
''Há um opção
explícita deste governo por aumentar o tamanho do Estado'',
avalia Guerzoni. Ele lembra que o governo Lula está criando
dez novas universidades federais, diversas escolas técnicas,
15 embaixadas. O número de servidores federais ao fim de cada
ano, que atingiu um pico de 573.894 em 1995, caiu para 461.748 em 2003,
e voltou a crescer, chegando a 531.660 em 2006. As admissões
por concurso, que caíram para apenas 660 em 2001, e 30 em 2002,
atingiram 19.594 em 2006, o maior número desde 1995.
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Nova Central, 8 de outubro
de 2007
Comissão de Minas e Energia
rejeita proibição do uso industrial do amianto no Brasil
A Comissão de Minas e Energia rejeitou na quarta-feira (3) os projetos
de lei 6111/02 e 6112/02, que proíbem o uso industrial do amianto no
Brasil. As duas propostas são de autoria do deputado Antonio Carlos
Mendes Thame (PSDB-SP).
A rejeição foi
pedida pela relatora, deputada Bel Mesquita (PMDB-PA), e acompanhada
pelos integrantes da comissão. O amianto é uma fibra mineral
usada pela indústria (na fabricação de fios, tecidos
e filtros, entre outros) e pela construção civil (telhas,
caixas d'água e cimento) por causa da sua durabilidade e resistência.
O PL 6111 proíbe o uso
da fibra em componentes automotivos, como lonas e pastilhas de freio.
Já o PL 6112 proíbe a utilização em produtos
destinados a crianças, como brinquedos e materiais escolares.
Evidência científica
A relatora alega que as fibras
da variedade de amianto usada no Brasil (crisotila) apresentam um baixo
fator de risco à saúde quando lançadas no ar, diferente
da outra variedade (anfibólio), comprovadamente nociva e proibida
no País.
Segundo ela, pesquisas científicas
apontam que a crisotila submetida a temperaturas elevadas, como nos freios
de carros, transforma-se em um mineral inofensivo à saúde
e ao meio ambiente, conhecido como forsterita.
"Os problemas e as dificuldades
não estão intrinsecamente em determinadas substâncias,
mas no manuseio irresponsável, principalmente quando da industrialização",
afirma Bel Mesquita. Para a deputada, a campanha contra o uso do amianto
foi alarmista e o uso "responsável e cuidadoso da crisotila
não oferece qualquer perigo", inclusive para as crianças.
Produto cancerígeno
Para o autor dos dois projetos,
o amianto deve ser proibido do Brasil pois possui propriedades comprovadamente
cancerígenas. Segundo Mendes Thame, o mais grave é que
a fibra mineral vem sendo largamente usada na fabricação
de brinquedos, colocando em risco a saúde de crianças.
Na Europa, por exemplo, países
como França, Dinamarca, Suécia e Espanha têm legislações
que determinam o controle rigoroso do uso industrial da fibra e das emissões
no ar, seguindo a Convenção 162 da Organização
Internacional do Trabalho (OIT), que estabeleceu recomendações
para o emprego seguro do produto. Na Itália e na Alemanha, o amianto
foi proibido nos anos 90.
Entre as exceções
estão os Estados Unidos, maior consumidor mundial, onde praticamente
todos os produtos de amianto podem ser comercializados por força
de uma decisão judicial.
No Brasil, a extração,
a industrialização e a comercialização da
fibra são regulamentadas pela Lei 9055/95, primeira tentativa
de internalizar as recomendações da Convenção
da OIT. Segundo o Departamento Nacional de Produção Mineral
(DNPM), o País foi o quinto produtor mundial de amianto em 2006,
destinando quase 60% da produção para o mercado externo.
Tramitação
As duas propostas tramitam
apensadas em caráter conclusivo e serão analisadas agora
pelas comissões de Seguridade Social e Família; e de
Constituição e Justiça e de Cidadania.
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Diário Vermelho, 8
DE OUTUBRO DE 2007
TSE lança campanha nacional
para levar mais jovens às urnas
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral)
enviará esta semana para as redes de TV uma campanha para atrair
os jovens entre 16 e 18 anos de volta às eleições.
Os filmes devem ser lançados pelo canal MTV. A decisão
foi tomada após o tribunal perceber uma diminuição
no número de pedidos de títulos eleitorais feitos por quem
tem 16 e 17 anos, idade em que o voto é facultativo.
Em 1992, ano em que os "caras pintadas" pediram o impeachment do
então presidente Fernando Collor de Mello, mais de 3,22 milhões
de pessoas de 16 e 17 anos fizeram título de eleitor-o que representava
3,57% do eleitorado, de cerca de 90,2 milhões.
Em 2007, até junho,
o número caiu para 2,09 milhões de pessoas nessa faixa
etária (1,66% do eleitorado, de quase 126 milhões). O
prazo limite para o pedido da documentação é março
de 2008.
A comparação com a retirada de títulos eleitoriais durante
o período do movimento "Fora Collor" com os dias atuais, no
entanto, deve levar em consideração as difernças dos dois
momentos polítcos, já que o ano de 92 marcou o último
grande asceno do movimento estudantil no país.
Mazelas de conduta
" As mazelas têm aflorado, os desvios de conduta. Isso conduz aqueles
que não são otimistas a uma visão retrógrada, como
se tudo estivesse perdido. Não está. Eu vejo o período que
nós vivemos como alvissareiro, sinalizando dias melhores", diz o
presidente do TSE, ministro Marco Aurélio Mello.
" O que vemos é que os jovens, até certo ponto, estão
desiludidos com a política. Isso é uma visão, a meu ver,
míope, porque a apatia não conduz a nada. O que nós precisamos é de
perseverar e procurar a correção de rumos. E a forma de se corrigir
rumos é participando ativamente, fazer uma revolução pelo
voto, bem escolhendo aqueles candidatos que devem nos representar nos diversos
cargos", completa Mello.
Para Lúcia Stumpf, presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), "a
juventude ainda tem muita disposição de participar das decisões
do rumo político".
" Há uma campanha no Brasil que tenta desestimular a participação
política, porque hoje na grande mídia o que a gente vê é a
política ser sinônimo de corrupção. Para nós,
a política é muito além disso. A participação
da juventude junto aos movimentos sociais organizados é um movimento importante
e também na escolha dos nossos representantes", afirma Lúcia,
para quem não houve perda de "espírito crítico".
A campanha
A campanha- que foi desenvolvida pela TV Cultura, de São Paulo- terá versões
para rádio, internet e duas opções para TV, ao custo de
R$ 40 mil cada. Um dos filmes mostra cenas de protestos com adolescentes, mas
sem nenhum som. O slogan que aparece escrito é: "Se você tem
16 e 17 anos pode dizer o que pensa, mas sem título de eleitor, você não
será ouvido".
A queda verificada pelo TSE acompanha uma diminuição da participação
dos jovens no total da população, algo que tem ocorrido em ritmo
menos acentuado comparativamente. Em 1992, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística), quem tinha entre 15 e 17 anos representava
6,% da população total. Houve uma queda até 2006, quando
a parcela chegou a 5,5%.
A União da Juventude Socialista (UJS), uma das entidades responsáveis
pela aprovação da lei do voto aos 16 anos em 1984, saudou a iniciativa
do TSE. "Independenete do motivo da campanha estar ligada a baixa de títulos
em 2007, vemos com muita alegria a inicitiva do TSE. São inicitaivas
como essa que farão com que idéias em defesa do voto nulo ou
contra a participação percam força entre a juventude",
registrou ao Vermelho, Marcelo Gavião, presidente da organização.
Ele também disse que a entidade ajudará na divulgação
da campanha do TSE e que o próximo congresso da UJS terá como
tema central a participação da juventude na política. "O
14º Congresso da UJS, a se realizar em junho de 2008, terá como
tema central a participação da juventude na política.
Também já estamos prparando a nossa tradicional campanha "Se
liga 16" para o próximo ano. Queremos que cada vez mais, a juventude
perceba que a sua participação na polítca pode mudar o
país", concluíu.
Descrença
Para o cientista político da Universidade de Brasília Ricardo
Caldas há um processo de "descrença nas instituições" que
ocorreu nos anos 90, mas que se agravou recentemente.
" Em 1993, cerca de 30% da população confiava na Câmara
e no Senado; em 2005, eram 20%, e em 2007, em torno de 12 a 14%. Seguindo o mesmo
ritmo, a confiança pode chegar a menos de 10% em dois anos. Os jovens
estão nesse caldo de cultura", diz Caldas.
Apesar desse cenário atual, houve aumentos significativos de retiradas
de títulos eleitorais em 2004 e 2005: 3,66 milhões (3,01% do
total do eleitorado) e 4,2 milhões (3,5% do total), respectivamente.
Debate estinula participação
Ao lembrar que, em 2005, aconteceu o referendo sobre o desarmamento, Miguel
Perosa, professor de psicologia do adolescente da PUC-SP, ressalta: "Houve
muita discussão naquele ano. O dado é interessante porque, na
hora que a cultura propõe debate coletivo, esse jovem embarca imediatamente".
" Mas, de maneira geral, eles hoje têm preocupações
mais individualistas. E a existência do grupo, que é importante,
não está ligada fortemente a política e eleições",
diz Perosa.
De acordo com a última pesquisa Datafolha, publicada em agosto, aqueles
que têm 16 e 17 anos tendem a ser mais críticos com o governo
Luiz Inácio Lula da Silva. Enquanto no total da população,
48% consideram o governo ótimo ou bom, esse número cai para 40%
na menor faixa etária pesquisada. A avaliação "regular" sobe
de 36% para 45%.
Porém, são em anos eleitoriais que a retirada de títulos
entre 16 e 17 anos costumam ter maior adesão. A campanha eleitoral e
o debate realizado nas ruas contribui para ajudar a desmistificar a idéia
de que política é sinônimo de corrupção.
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Diário Vermelho, 8
DE OUTUBRO DE 2007
Meganegócio cria 3º maior
banco e deixa 19 mil desempregados
A provável venda do holandês
ABN Amro por US$ 100 bilhões será o maior negócio
da história da indústria bancária no mundo e levará à criação
do terceiro maior banco no Brasil, lugar hoje do Itaú. O ABN tem
cerca de 4.500 agências e emprega 105 mil pessoas em 53 países.
A divisão do banco deve levar à demissão de cerca
de 19 mil bancários, sendo 13 mil na Holanda.
A desistência do Barclays na sexta abriu caminho para o consórcio
formado pelo escocês RBS (Royal Bank of Scotland), o espanhol Santander
e o belga-holandês Fortis levarem o holandês. Segundo o Financial
Times, a proposta do consórcio teve aprovação de 85% dos
acionistas do ABN, que ainda não anunciou o resultado da votação
na sexta.
A proposta prevê a divisão do ABN Amro em três partes, entre
as quais as operações do banco Real no Brasil, que ficarão
com o Santander. Hoje, Real e Santander estão na quinta e sétima
colocação no ranking das instituições financeiras
que operam no país. Após a fusão, os dois bancos juntos
saltarão para o terceiro lugar, atrás do Banco do Brasil e do
Bradesco, posição nunca antes alcançada por estrangeiros.
Diferentemente da maioria dos negócios de fusão e aquisição,
onde as duas partes são interessadas na transação, os
gestores do ABN são contra a venda para o consórcio. Isso porque
o negócio representa o fim de sua presença mundial.
O ABN tem cerca de 4.500 agências e emprega 105 mil pessoas em 53 países.
A divisão do banco deve levar à demissão de cerca de 19
mil bancários, sendo 13 mil na Holanda.
No Brasil, sindicalistas estimam que a fusão das operações
entre o ABN e o Santander leve a pelo menos 1.500 demissões, somando
os dois bancos, por conta da duplicidade de agências e de áreas
administrativas.
O Santander minimiza a sobreposição e afirma que os cortes serão
mínimos por conta da alta complementaridade geográfica das redes
e de segmentos diferentes de atuação. "Não esperamos
um número significativo de baixas. Qualquer redução se
produzirá mediante adiantamento de aposentadorias ou desligamentos voluntários",
disse o banco em documento aos acionistas.
" O clima é de muita insegurança tanto no Real quanto no Santander.
Queremos um acordo para que nenhuma demissão seja feita até que
o negócio seja aprovado pelos órgãos reguladores",
disse Rita Berlofa, diretora dos bancários de SP.
Brasil
No Brasil, o negócio chega num momento de profunda mudança no
sistema financeiro, após a transição do modelo de negócio
em que os bancos ganhavam dinheiro fácil com os juros altos para a concessão
de empréstimos, essência da atividade bancária.
Com os juros decrescentes, a exploração do crédito depende
de ganhos de escala para manter a lucratividade. A união dos estrangeiros
deve levar a uma onda de compras no país.
Se por um lado a fusão ABN-Santander concentra o sistema e diminui o
poder de barganha dos órgãos reguladores e clientes, a emergência
de um grande banco estrangeiro renova o otimismo com o aumento da concorrência
no crédito brasileiro, que cresce a um ritmo de 20% ao ano. Para os
bancos, o negócio é um dos mais lucrativos do mundo por contar
com diferenças altas entre juros captados e repassados -em agosto, essa
diferença média era de 31,5 pontos percentuais, diz o BC.
Queda dos juros
A expectativa é que nos próximos anos os juros ao consumidor
caiam mais e os prazos aumentem, condições para fomentar o investimento
em infra-estrutura e o financiamento imobiliário, grande filão
do crédito internacional. "Só não vale a tupiniquinzação
dos estrangeiros, que também gostam de ganhar dinheiro com juro alto",
disse Carlos Daniel Coradi, da EFC Consultores.
A fusão pega ainda a queda de braço dos bancos com o governo,
que tenta impor limites à cobrança de tarifas. Só no primeiro
semestre deste ano, os bancos faturaram R$ 23,286 bilhões com a cobrança
de serviços, o suficiente para mais que cobrir seus gastos com a folha
de pagamento, segundo a consultoria Austin Rating.
Segundo o matemático Marcos Crivelaro, especialista em finanças
da Fiap (Faculdade de Informática e Administração Pública),
os juros devem realmente cair no Brasil como aconteceu no México, no
início da década. "O lado ruim é que as tarifas explodiram."
Para Hessia Castilla, da ProTeste, o maior impacto na concorrência virá quando
o governo criar instrumentos de mobilidade para o consumidor mudar com facilidade
de um banco para outro. "Ninguém deixa o banco porque acha tarifa
menor em outro. A burocracia e o custo são enormes."
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Congresso em Foco, 8 de outubro de 2007
A nova Lei do Estágio
Proposta limita carga horária e
prevê férias remuneradas de 30 dias e vale-transporte.
Disputa por autoria atrasa votação no Senado
Camilla Shinoda
Os 13 milhões de estudantes de ensino médio e superior terão
mais segurança em sua primeira experiência profissional. O projeto
da nova Lei de Estágios, que deve ser votado pelo Senado ainda este
mês, limita a carga horária e torna obrigatória a distribuição
de vale-transporte e a concessão de férias remuneradas para os
estagiários.
A atual Lei do Estágio, que é de 1977, não estipula nenhum
desses direitos efetivamente. Com um texto vago, a norma determina apenas que
o estágio não deve atrapalhar as atividades escolares. Ela não
garante nenhum outro direito ao estudante, a não ser um seguro contra
acidentes, cujo valor não é especificado na lei.
A legislação em vigor define, basicamente, que o estagiário
não terá nenhum vínculo empregatício com a empresa
e que o estudante deve ter um tratamento diferenciado, sendo acompanhado por
um supervisor.
Carga horária
A nova proposta traz uma série de modificações para assegurar
que as atividades profissionais não atrapalhem os estudos do estagiário.
Ela regulamenta um limite de seis horas diárias e 30 horas semanais
para o estágio dos estudantes de nível superior e profissional,
e de quatro horas diárias e 20 horas semanais para estudantes de nível
médio, de educação especial e dos anos finais do ensino
fundamental.
Garante férias remuneradas de 30 dias para cada ano trabalhado, determina
o pagamento de vale-transporte no caso de estágio não-obrigatório,
detalha o artigo que dá direito ao seguro contra acidentes, estipulando
uma apólice compatível com os valores de mercado, e limita a
quantidade de estagiários a 20% do quadro geral de funcionários
da empresa.
Limite para contratação
Outra novidade é que
os profissionais liberais de nível superior (com registro
em conselhos regionais), como advogados, engenheiros e outros,
também poderão contratar estagiários. Essa
possibilidade está restrita hoje a empresas e escritórios.
A maior polêmica do projeto está na limitação das
vagas de estágio em 20% do quadro geral da empresa. Ou seja, uma empresa
que tiver 100 empregados não poderá contratar mais que 20 estagiários.
Segundo a Associação Brasileira de Estágios (Abres), a
restrição pode resultar na demissão de 300 mil jovens,
pois reduziria o poder de contratação das empresas de micro e
médio porte, que são as que mais oferecem vagas aos estagiários.
De acordo com o presidente da entidade, Carlos Henrique Mencaci, negociação
feita com os senadores deve restringir a limitação em 20% aos
estágios de ensino médio, poupando o ensino médio técnico
e o superior.
A proposta, que tramita na forma de projeto de lei enviado ano passado pelo
governo federal, foi retirada da pauta do plenário no último
dia 26, momentos antes de começar a ser votada pelos senadores.
Disputa por “paternidade”
O motivo do adiamento é, no mínimo, curioso. O governo cedeu
ao pedido do senador Osmar Dias (PDT-PR), que reivindica a “paternidade” da
proposta, e retirou a urgência constitucional do texto. Osmar é autor
do Projeto de Lei 473/03, que trata do mesmo assunto.
Os senadores iriam votar o Projeto de Lei 44/07, já aprovado pela Câmara,
de autoria do Executivo. “Ficamos pasmados com a reação
do senador. A proposta estava pronta para ser votada”, afirmou o presidente
da Abres.
" Pirataria" legislativa
Apesar de integrar um partido da base aliada, Osmar não poupa críticas
ao governo. “Chamo isso de pirataria. O governo atropelou um projeto
que já estava tramitando, para criar outro com o mesmo texto”,
protesta o senador.
Com o apoio de outros senadores, o pedetista conseguiu derrubar a urgência
constitucional para que a autoria da proposta pudesse ser revista. A medida
acabou atrasando a votação do texto, já que os dois projetos
foram devolvidos à Comissão de Educação para novo
parecer.
O presidente da comissão, Cristovam Buarque (PDT-DF), acredita que a
proposta será encaminhada ao plenário nos próximos dias. “O
projeto já foi bem negociado. Ele já está aprovado”,
comenta.
Embora reconheça que os dois textos são parecidos, o relator,
senador Raimundo Colombo (DEM-SC), entende que o projeto do Executivo é mais
completo do que o do pedetista paranaense. “A iniciativa do senador Osmar
Dias possui grandes méritos, o que novamente realça sua sensibilidade
para os temas sociais. Com efeito, muitas disposições de seu
projeto podem ser consideradas precursoras da iniciativa do Poder Executivo.
Contudo, decidimos pela preferência ao PLC, uma vez que as normas que
propõe são mais abrangentes e completas”, justifica o relator,
em seu último parecer.
Diferenças pontuais
Enquanto o projeto de Osmar Dias propõe que o limite de carga horária
seja de seis horas diárias para nível superior e médio
técnico, e até três horas diárias para nível
médio, a proposta do governo mantém as seis horas para nível
superior e médio profissional, mas aumenta o limite do nível
médio para até quatro horas diárias.
Ambos os textos mantêm os principais pontos da Lei 6.494/77: o estagiário
continua sem vínculo empregatício com a empresa e ainda deve
ser acompanhado por um funcionário da empresa, além de um professor
orientador da sua instituição de ensino.
O projeto do pedetista garante um recesso de apenas 15 dias, enquanto a proposta
do governo eleva o descanso para 30 dias, coincidentes com as férias
escolares. O primeiro não determina um valor para o seguro contra acidentes,
já a proposta do governista diz que a apólice deve ser compatível
com valores de mercado.
Definição de seguro
Um ponto da proposta de Osmar incorporado pelo relator é o que limita
a quantidade de estagiários a 20% do total de funcionários da
empresa. A proposta inicial do governo falava em 10%.
Os senadores devem estipular o seguro contra acidentes em 50 vezes a bolsa
do estagiário, já que o termo “apólice compatível
com os valores de mercado”, definido no projeto do governo, é considerado
vago.
Raimundo Colombo diz que a maior preocupação dos senadores é não
permitir que os estagiários concorram com os trabalhadores formais.
O relator garante, no entanto, que, se forem apresentados bons argumentos,
modificará seu parecer.
O projeto do governo prevê também que a instituição
que reincidir em irregularidades ficará impedida de receber estagiários
por um período de dois anos. O texto reserva 10% das vagas para estagiários
deficientes em empresas com mais de dez estagiários.
Negociações adiantadas
De acordo com Carlos Henrique Mencaci, não há resistências à aprovação
do projeto da Lei do Estágio. “Vinte e quatro dias de pauta obstruída
fazem um projeto ficar extremamente depurado”, brinca.
Segundo o presidente da Abres, os pontos mais polêmicos já foram
negociados. “Os senadores já acenavam que iriam aceitar nossas
reivindicações.” As mudanças, pontuais, devem ocorrer
na forma de emendas de plenário.
Próximos passos
O projeto da Lei do Estágio terá de voltar para a Comissão
de Educação, para que possa ocorrer a troca de autoria. Após
a nova aprovação da comissão, ele voltará para
o plenário em regime de urgência.
Segundo o senador Osmar Dias, em duas semanas o projeto deverá ser aprovado. “Ele
deve levar uma semana na comissão e mais uma no plenário”,
prevê. Dias acredita que o projeto deve ter uma votação
tranqüila. “Vai ser facilmente aprovado. Se não fosse interesse
do governo, eles não teriam plagiado o meu texto”, alfineta.
O senador Raimundo Colombo também acredita que não haverá demora. “O
projeto ainda não voltou à comissão, mas agora o processo
será mais rápido. Eu só terei que rejeitar o PLC do governo
e fazer um substitutivo ao PLS 473. Em cerca de 20 dias, deve ocorrer a votação”,
explica.
Carlos Mencaci concorda que a aprovação não vai demorar. “O
projeto já estava muito bem encaminhado”, afirma. “Agora é uma
questão de tempo e das novas prioridades dos senadores”, explica
o presidente da Abres.
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Folha de São Paulo,
8 de outubro de 2007
Seis ações contra trabalho
escravo já foram adiadas
Fiscalização está suspensa
desde que senadores contestaram operação no Pará |
Segundo o Ministério do Trabalho, as operações
que não foram cumpridas serão retomadas e as blitze
voltarão nesta semana
THIAGO REIS
JOÃO CARLOS MAGALHÃES
DA AGÊNCIA FOLHA
Os grupos móveis do Ministério
do Trabalho já deixaram de fazer seis operações
de combate ao trabalho escravo após receberem 18 denúncias
de condições degradantes pelo país. As operações
foram canceladas; não houve visitas às fazendas. O prejuízo
resulta da polêmica em torno da usina Pagrisa, no Pará.
A pasta suspendeu as fiscalizações dos oito grupos especiais
após senadores contestarem a libertação de 1.064 trabalhadores
da Pagrisa e criarem uma comissão para apurar excessos da fiscalização.
Para o frei Xavier Plassat, coordenador do programa de combate ao trabalho
escravo da CPT (Comissão Pastoral da Terra), os trabalhadores foram
os maiores prejudicados pela paralisação decorrente da briga
política. "Há um prejuízo enorme para os trabalhadores
e para a própria credibilidade da política de erradicação
do trabalho escravo", diz.
Segundo ele, porém, é compreensível a atitude da secretária
de Inspeção do Trabalho, Ruth Vilela, dada a intervenção
dos senadores. "Essa questão toda é um divisor de águas,
que manifesta a extrema força de vontade de acabar com esse tipo de
escravidão no país."
Entre as denúncias não apuradas pelos grupos móveis até agora
está a de um grupo de trabalhadores no Pará que está impedido
de voltar para casa em razão de dívidas contraídas com
o empregador.
Segundo a denúncia, eles chegaram à fazenda com a promessa de
ganhar mais do que recebem e de o "gato" (o agenciador da mão-de-obra)
pagar as despesas com alimentação, o que não está acontecendo.
À CPT os trabalhadores dizem que no último mês comeram carne
só uma vez e que pela manhã tomam café preto e farinha.
A água, segundo eles, é a mesma servida aos animais.
Em outra denúncia de exploração, há o relato de
que um funcionário de uma propriedade também no Pará carrega
na cintura um revólver calibre 38 como forma de ameaça a quem
pretenda fazer queixas ou tentar deixar o local.
Blitze
Os grupos móveis são formados por fiscais do Ministério
do Trabalho e policiais federais, acompanhados por procuradores do Trabalho.
Eles foram criados em 1995. Neste ano, pela primeira vez, deixaram de atender
a uma ocorrência.
As blitze, no entanto, devem voltar a acontecer na próxima semana. Segundo
o ministério, as seis operações não cumpridas foram
apenas adiadas e serão retomadas.
Para Vilela, é preciso que, após a volta dos trabalhos dos grupos,
sejam garantidos os direitos já previstos por lei de autonomia e independência
dos fiscais em suas ações.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
05/10/2007
Motorista de coletivo não pode ter
só dez minutos de almoço
Com apenas dez minutos para almoço
e descanso, motorista de coletivos manteve, em julgamento no Tribunal
Superior do Trabalho, direito a receber o equivalente a 50 minutos extras
diários pelo período não usufruído de intervalo
de uma hora de almoço. A Primeira Turma do TST considerou a saúde
do trabalhador e a segurança do cidadão, em geral, para
rejeitar recurso da Urca Auto Ônibus Ltda. que pedia reforma do
resultado obtido no Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região
(MG). A empresa sustentava que o acordo coletivo da categoria permitia
a redução do intervalo intrajornada e o fracionamento desse
período.
Segundo o relator do recurso
de revista, ministro Lelio Bentes Corrêa, apesar de o artigo 7º,
XXVI, da Constituição Federal consagrar o reconhecimento
das convenções e acordos coletivos de trabalho, não
se pode concluir haver autorização para a negociação
de direitos indisponíveis do empregado, concernentes à proteção
de sua saúde física e mental. Durante o julgamento do processo,
o ministro disse que “é uma questão de segurança
do cidadão, porque esses empregados trabalham oito horas e cumprem
intervalo, no decorrer da jornada, de apenas cinco minutos”. Para
a ministra Dora Maria da Costa, a busca pelo acordo coletivo, nestes
casos, “é para tentar contornar a lei, e tentar contornar
a lei é impossível”.
Na sessão, também
se manifestou o ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, dizendo
que a lei não alude apenas ao tempo para alimentação:
o intervalo é para alimentação e descanso. Segundo
o ministro, em determinadas rotas, o motorista está sujeito a
assalto e completamente estressado, porque vai a regiões perigosíssimas.
E ressaltou: “É uma das profissões que tem o maior índice
de doenças profissionais, hipertensão, problemas cardíacos,
pelo estresse ocasionado pela atividade de direção no trânsito
da cidade grande. Se não se preservar nem o intervalo, fica mais
complicado ainda”.
O ministro Vieira de Mello defendeu,
ainda, a jornada de seis horas para os motoristas, e nunca de oito, posição
já firmada em dissídios coletivos em seu Tribunal Regional
de origem. Para o ministro, o desgaste seria muito menor. “A tensão
e a exposição às doenças decorrentes desse
tipo de atividade por longos anos estariam bastante mitigadas se tivéssemos
uma jornada equivalente de turno, de seis horas, por negociação”,
concluiu.
Apesar de a Seção
de Dissídios Coletivos (SDC) adotar a posição de
que os motoristas, dada a peculiaridade das suas condições
de trabalho, podem cumprir intervalo intrajornada de forma fracionada,
o relator, ministro Lelio Bentes, prefere ficar com a garantia constitucional.
E inferiu: “A empresa alega que havia acordo coletivo que permitia
o fracionamento. Eu estou mantendo a decisão do Tribunal Regional
que não reconheceu valor a essa avença porque manifestamente
contrária ao que dispõe o artigo 71, parágrafo 3º,
da CLT”. Lembrou, ainda, que há três precedentes em
sentido contrário da Quarta Turma do TST.
O processo
O motorista foi admitido em maio
de 1989, aposentou-se por tempo de serviço em abril de 1994 e
continuou prestando serviços até a dispensa em maio de
2000. Na reclamatória trabalhista, informou não ter recebido
pagamento de 100% a mais aos domingos e feriados, ser obrigado a comparecer
20 minutos antes de iniciar os trabalhos, para conferência de lataria,
pneus, molas e pré-aquecimento do motor, e trabalhar em seu período
de uma hora de intervalo para almoço e descanso. Requereu o recebimento
de horas à disposição, horas extras e outras verbas
rescisórias.
Na defesa, a empresa argumentou
haver permissão, por acordo coletivo, para o intervalo de 30 minutos
para almoço e repouso e a possibilidade de fracionamento desse
intervalo. Após laudos periciais e testemunhais, em que foi comprovado
que o intervalo de almoço oscilava entre cinco e dez minutos,
a 1ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte atendeu parcialmente aos
pedidos do motorista. Entre outros direitos, concedeu os 50 minutos extras
diários por não ter usufruído do intervalo intrajornada.
Trabalhador e empresa recorreram
ao TRT da 3ª Região (MG), que entendeu ter o autor direito
a uma hora de intervalo, e, comprovado que o empregado gozava de, no
máximo, dez minutos por jornada, o Regional julgou correto o
deferimento de 50 minutos extras, com base no artigo 71, § 4º,
da CLT. A Urca Auto Ônibus apelou para o TST, mas seu recurso
de revista não prosperou. A Turma, por unanimidade, julgou que
a jurisprudência do TST é no sentido de limitar o poder
de flexibilização atribuído às partes,
estabelecido pela Constituição Federal, e excluir do
seu campo de abrangência as normas que definem garantias mínimas,
inclusive as que dizem respeito a higiene, saúde e segurança
do trabalhador. (RR-1.432/2000-001-03-00.6)
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05/10/2007
Auxílio-doença não
suspende prazo prescricional
O gozo de auxílio-doença
ou a aposentadoria por invalidez não suspendem o prazo prescricional
para reclamar direitos trabalhistas. Este foi o entendimento adotado
pela Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho ao julgar recurso interposto
por um ex-funcionário do Banco Santander Banespa que pleiteava
o pagamento de horas extras.
O empregado foi admitido pelo
banco, por concurso público, em maio de 1974 para exercer a função
de caixa. Em setembro de 2002, afastou-se do trabalho e passou a receber
auxílio-doença e, em janeiro de 2005, aposentou-se por
invalidez. Na ação trabalhista iniciada em julho de 2005,
alegou que trabalhava várias horas além do consignado no
contrato de trabalho, sem receber pelo período extraordinário.
O banco, em contestação,
negou o trabalho extra e argüiu a prescrição dos direitos
decorrentes do contrato de trabalho anteriores a 4 de julho de 2000.
A sentença, ao computar o prazo prescricional, levou em consideração
a data em que ocorreu o afastamento do empregado e a conseqüente
suspensão do contrato de trabalho, ou seja, setembro de 2002.
O banco não concordou
com a prescrição aplicada e recorreu ao Tribunal Regional
do Trabalho da 15ª Região (Campinas/SP), que deu provimento
parcial ao recurso ordinário da empresa para declarar a prescrição
somente quanto às parcelas anteriores a cinco anos do ajuizamento
da reclamação trabalhista. Segundo o acórdão
do TRT, durante a suspensão do contrato de trabalho o direito
de ação do trabalhador permanece íntegro e pode
ser exercido a qualquer momento, exceto se ele estiver mentalmente incapacitado,
o que não era o caso.
Diante da sucumbência,
o empregado recorreu ao TST, mas não obteve sucesso. O relator
do processo, ministro Aloysio Corrêa da Veiga, apesar de entender
de forma diversa, decidiu em conformidade com o entendimento majoritário
do TST, no sentido de que não há interrupção
do prazo de prescrição pelo fato de o empregado receber
auxílio-doença, uma vez que inexiste, no ordenamento jurídico,
dispositivo que autorize essa conclusão. Segundo o acórdão,
permitir que qualquer incapacidade de trabalho seja prestigiada pela
suspensão do prazo prescricional implicaria comprometer o princípio
da segurança jurídica, já que a qualquer tempo o
empregado poderia exigir pretensos direitos decorrentes da relação
de emprego. (RR-488/2005-057-15-00.7).
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