Informativo Eletrônico n.º 626   -   Ano 04   -   Curitiba (PR), 09 de outubro de 2007.

 

FETRACONSPAR, 09 de outubro de 2007
Eleições em Irati/PR
Eleições no Sintracon Irati

Estão sendo realizadas entre hoje (09) e amanhã (10), eleições para renovação da diretoria do SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS DA CONSTRUÇÃO E DO MOBILIÁRIO DE IRATI. A Chapa é encabeçada pelo companheiro RONALDO WINKLAN.


RONALDO: encabeça a chapa.

 


Da esq.: Galvão e Samuel Pena (Irati), Marques e César (Guarapuava), Celso Lopes e Clodoaldo (Telêmaco Borba), Marcos e Ronaldo (Irati) e Reinaldim (Curitiba).

 

 

JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO (ONLINE), 09 de outubro de 2007 | Dinheiro
Até agosto, produção industrial só não cresce no Ceará
CLARICE SPITZ
da Folha Online, no Rio

Nos oito primeiros meses do ano a produção industrial cresce em quase todas as 14 áreas pesquisadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A exceção no ano fica por conta da indústria do Ceará. Com uma indústria fortemente concentrada em segmentos alimentícios e têxteis, a indústria cearense recua 0,4% até agosto.

A indústria brasileira avança neste ano sustentada por ramos que se beneficiam da fartura de crédito e do aumento da massa salarial, como automobilístico e de alimentos, além de segmentos ligados à exportação, ao setor agrícola e a bens de capital.

Os Estados com maior destaque no ano são: São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Espírito Santo, Santa Catarina e Pernambuco. São Paulo, maior parque fabril do país, exerce a principal contribuição para o resultado do país mesmo abaixo da média nacional --o Estado apresenta alta de 4,7%, enquanto a indústria nacional cresce 5,3%. Já Minas Gerais, que detém cerca de 10% da estrutura da indústria nacional, apresenta o segundo maior impacto, com alta de 8,7%. Os maiores avanços no Estado vêm dos segmentos de automóveis, minério de ferro, inseticidas, metalurgia e celulose.

"É um resultado importante. A indústria de Minas tem porte e tem presença forte de duráveis, bens de capital e minério de ferro", afirmou Isabella Nunes, gerente de Análise e Estatísticas do IBGE.

Estados como Rio Grande do Sul e Paraná são beneficiados pela recuperação agrícola e apresentam ganhos nos segmentos de máquinas e herbicidas. O RS apresenta alta de 8,1% no ano, enquanto o Paraná, de 7,3%.


JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO (ONLINE), 09 de outubro de 2007 | Dinheiro
Plano de Política Industrial será adiado para final do mês
YGOR SALLES
da Folha Online

O ministro Miguel Jorge (Desenvolvimento) informou nesta segunda-feira que o plano de política industrial será adiado para o final de outubro. Até o final do mês passado, estava previsto para o início deste mês.

A inclusão de novos pontos no projeto e a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a África --que ocorrerá na próxima semana- forçaram a mudança. "Deve ficar para o final do mês", admitiu o ministro após encontro promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Líbano, em São Paulo.

Porém, ele revelou que um plano de ciência e inovação está próximo de ser fechado. Segundo ele, os dois anúncios estão interligados mas serão feitos em separado. "O [plano] de ciência e inovação pode até sair alguns dias antes", afirmou.

O ministro se mostrou confiante na capacidade de crescimento do setor industrial devido não somente ao plano como também aos investimentos feitos pelo segmento.

Ele citou a concentração das importações brasileiras em máquinas, equipamentos e tecnologia. "A indústria se prepara para um salto de qualidade", disse ele.

Ele negou que seja negativo as importações estarem focadas em produtos de alto valor agregado. "Se estivéssemos importando goma de mascar, aí sim estaria ruim", ponderou.

Dumping

O ministro não quis adiantar se novas ações antidumping serão tomadas pela Camex (Câmara de Comércio Exterior) nos próximos dias, após as sete medidas anunciadas na sexta-feira contra produtos chineses, alemães e americanos. "Isso depende do empresário fazer o pedido [de salvaguarda]", disse ele.

Ele lembrou que o governo já acelerou o procedimento para que as salvaguardas sejam tomadas: de cerca de um ano para 170 dias, em média. "Um ano é muita coisa. A empresa quebra antes [de sair a salvaguarda]", afirmou.

Miguel Jorge manteve sua estimativa para o saldo comercial brasileiro em US$ 40 bilhões para este ano, e disse esperar que o ritmo das exportações se mantenha. "Queremos que repita o mesmo ritmo de crescimento", disse.


JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO (ONLINE), 09 de outubro de 2007 | Dinheiro
Cesta básica sobe 1,68% em setembro e atinge maior preço desde Plano Real
da Folha Online

O valor da cesta básica de setembro apresentou alta de 1,68%, apontou pesquisa do Procon-SP, em convênio com o Dieese. O preço médio da cesta era de R$ 234,21 em 31 de agosto e passou para R$ 238,14, em 28 de setembro, recorde da cesta básica desde o Plano Real.

O grupo Alimentação foi o que registrou a maior alta: 1,70%.

Dentre os produtos que compõem o grupo Alimentação, os que registraram as maiores altas de preço, neste mês foram: salsicha avulsa por quilo (10,44%), cebola, por quilo (7,08%), e leite em pó integral, em embalagem de 400 a 500 gramas (4,72%).

Dos 31 produtos pesquisados na variação mensal, 18 apresentaram alta, 11 diminuíram de preço e dois permaneceram estáveis. O grupo Alimentação apresentou alta de 1,70%, o de Limpeza, 1,65% e, o de Higiene Pessoal, 1,55%.

A variação no ano é de 10,61% (base 28/12/06) e, nos últimos 12 meses, de 17,06% (base 28/09/06).


ÚLTIMA INSTÂNCIA, 09 de outubro de 2007
Convênios descontados no salário só são válidos com autorização

Os descontos efetuados no salário a título de convênios médicos e odontológicos só serão válidos com autorização expressa e por escrito do empregado. Esta foi a decisão da 2ª Turma do TST (Tribunal Superior do Trabalho), que deu provimento a recurso interposto por um ex-empregado da Móveis Gaudêncio, do Rio Grande do Sul.

O empregado foi admitido pela casa de móveis em julho de 1995 e demitido em outubro de 2001, após apresentar problemas de saúde em decorrência de ter adquirido no trabalho LER (Lesão por Esforço Repetitivo). Ele alegou que exercia a função de operador de furadeira automática, semi-computadorizada, e que, nos últimos três anos de trabalho, passou a apresentar dores no punho, ombro e cotovelo direitos. A empresa, por sua vez, alegou que desconhecia a doença e afirmou que os atestados apresentados pelo empregado não faziam referência à LER.

O trabalhador, ao recorrer à Justiça do Trabalho, pediu a reintegração no emprego e a devolução dos descontos efetuados em seu salário a título de convênios médicos e odontológicos. A sentença foi desfavorável quanto à reintegração, porém mandou a Gaudêncio devolver os valores descontados.

A empresa, insatisfeita, recorreu ao TRT (Tribunal Regional do Trabalho) do Rio Grande do Sul, afirmando que o empregado tinha garantido os benefícios de convênios médicos e odontológicos durante o contrato de trabalho. Disse que ele não foi obrigado a vincular-se aos planos de saúde, e fez isso por sua livre e espontânea vontade.

O TRT-RS atendeu ao pedido da empresa. Segundo o acórdão do Regional, “o princípio da intangibilidade salarial, previsto no artigo 462 da CLT, deve ser interpretado como norma aberta à flexibilização, desde que expressamente autorizados os descontos salariais ou que deles tenha usufruído o trabalhador”.

Destacou também o acórdão que o entendimento contido na Súmula nº 342 do TST, que exige a autorização prévia por escrito do trabalhador, deve ser flexibilizado. “Embora não se vislumbre nos autos qualquer comprovação quanto à existência de autorização prévia para a efetivação dos descontos a título de convênios médicos e odontológicos, tendo a própria empresa admitido que a autorização se deu de forma verbal, resta demonstrado que o empregado se utilizou dos referidos convênios, usufruindo dos benefícios e vantagens deles decorrentes, motivo que enseja sejam reconhecidos como válidos”, afirma a decisão.

Ao recorrer ao TST, o empregado saiu vitorioso. Segundo o relator do processo, ministro José Simpliciano Fernandes, o acórdão do TRT contrariou a diretriz contida na Súmula nº 342 do TST ao consignar que não houve autorização expressa e por escrito do empregado para que fossem efetuados os descontos salariais e, ainda assim, reconheceu a validade dos referidos descontos em face da fruição, pelo trabalhador, de benefícios e vantagens decorrentes dos convênios.

“Trata-se de desconto salarial ilegal, razão pela qual o empregado faz jus à devolução das parcelas ilegalmente descontadas”, concluiu o ministro.


CONSULTOR JURÍDICO, 09 de outubro de 2007
Prova frágil
STJ rejeita denúncia contra ex-presidente do TRT-SP

O Superior Tribunal de Justiça rejeitou denúncia do Ministério Público contra dez pessoas acusadas de fazerem licitação irregular no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, em 2004. O caso foi analisado pela Corte Especial por figurar entre os denunciados a ex-presidente do TRT paulista, juíza Maria Aparecida Pellegrina.

Além da juíza, foram apontados na denúncia do MP a ex-diretora administrativa do TRT, Anna Soghomonian, os servidores Gilson de Souza Oliveira, Ivan Freddi, Maria Elena Mota e Luciano Aires, o sócio-gerente da Informov (empresa que realizou o serviço), Plínio José Quintella Noronha, o procurador da Informov, Waldemar do Amaral Júnior, Donizetti Aparecido Pontim e Renata Miranda Pontim.

O Ministério Público pretendia que o grupo fosse julgado no STJ por ter, supostamente, favorecido a Informov para a confecção e instalação de mobiliário e da rede de telecomunicações na sede do TRT paulista. O valor do contrato foi de aproximadamente R$ 3,9 milhões.

A defesa dos denunciados afirmou que os recursos usados para pagamento do contrato surgiram de acordo de cooperação técnica com o Banco do Brasil. Por esse motivo, não houve uso de recursos orçamentários do Tribunal.

O relator da ação, ministro Francisco Falcão, votou pelo recebimento parcial da denúncia contra a juíza e integral contra os demais. No entanto, o entendimento manifestado pelo ministro Luiz Fux prevaleceu. Para ele, o recebimento de denúncia contra autoridade não é um fato tão simples. Segundo Fux, a própria Lei de Licitações exige para a atribuição de crime a especificação do dano e do dolo.

Para o ministro, a prova era frágil, baseada no depoimento de funcionários demitidos de seus cargos. Além disso, o ministro entendeu que o dinheiro empregado não foi público.

APn 330


Agência Diap, 9 de outubro de 2007
LEGISLAÇÃO TRABALHISTA
Grupo de trabalho de consolidação das leis trabalhistas será instalado

Está prevista para esta terça-feira, 09/10, às 15h, no plenário 3, a instalação e definição de roteiros do Grupo de Trabalho de Consolidação das Leis Trabalhistas. O tema é tratado no PL 1.987/07, do deputado Cândido Vaccarezza (PT/SP).

O GT é composto por 21 membros titulares e igual número de suplentes, que irão debater o projeto que também poderá receber sugestões da sociedade no prazo de 30 dias.


Diário Vermelho, 9 DE OUTUBRO DE 2007
Resultado do plebiscito da Vale: 94,5% contra a privatização

Dez anos depois da privatização da Companhia Vale do Rio Doce, 94,5% dos 3,7 milhões de brasileiros que participaram do plebiscito sobre a venda votaram contra a venda da empresa para a iniciativa privada. O resultado foi divulgado nesta segunda-feira (8) pelo Comitê Nacional da campanha A Vale é Nossa, organizador da consulta popular e formado por 64 entidades e organizações da sociedade civil.



Representantes da campanha apresentam os números em Brasília

Os movimentos, que realizaram a pesquisa em 3.157 municípios do país, lutam pela anulação da venda da companhia por meio da reabertura das ações que tramitam nos tribunais. O representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no comitê, Julio Turra, ressalta que o plebiscito foi a primeira de uma série de ações para pressionar a Justiça e o Congresso.

"A Vale é estratégica"

Na quarta-feira (10), os movimentos se reúnem com o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Os movimentos também pediram uma audiência no Palácio do Planalto. Ainda sem resposta, eles pretendem ao menos protocolar a entrega do resultado da consulta no gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

As entidades alegam que o destino da companhia é uma questão de soberania nacional. “A Vale é estratégica para o desenvolvimento do país, para a extração de recursos minerais e para a logística de ferrovias e portos”, afirma o índio Edson Carneiro, representante da organização Instrumento de Luta e Organização da Classe Trabalhadora (Intersindical).

Falta de neutralidade da pergunta foi intencional

Os participantes do plebiscito, que ocorreu entre 1º e 9 de setembro, tiveram de responder à seguinte pergunta: “Em 1997, a companhia Vale do Rio Doce – patrimônio construído pelo povo brasileiro – foi gradualmente privatizada, ação que o governo e o poder judiciário podem anular. A Vale deve continuar nas mãos do capital privado?”

Segundo os organizadores da consulta, a falta de neutralidade da pergunta foi intencional. “Por ser uma iniciativa popular, tem que ter um direcionamento. Não pode ser neutra”, explica o bispo Guilherme Antonio Werlang, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). “Caso contrário, não estaríamos colocando a cara à mostra.”

Para o sociólogo e cientista político Eduardo Graeff – secretário-geral da Presidência da República no governo Fernando Henrique Cardoso e filiado ao PSDB – , o que houve “é mais um abaixo-assinado” que um plebiscito porque “não foi neutro e induz a opinião dos consultados”.

A declaração de Lula de que o governo não pretende rever a venda da Vale, apesar do apoio do PT ao plebiscito, provocou surpresa nos movimentos sociais. “O posicionamento do presidente Lula foi uma reação que não esperávamos”, diz Julio Turra, da CUT. “No último congresso da CUT, em 2006, Lula foi explícito ao adotar uma resolução pela anulação do leilão da Vale”, rebate o sindicalista.

107 ações questionam o leilão na Justiça

A privatização da companhia é questionada por 107 ações de pessoas físicas na Justiça, das quais 62 foram reabertas em 2005. A Vale foi vendida por R$ 3,3 bilhões, mas segundo o comitê da campanha, foi avaliada na época em mais de US$ 100 bilhões. Outra irregularidade seria a participação do Banco Bradesco, um dos compradores da companhia, do consórcio que avaliou a empresa e elaborou o edital do leilão. A prática, segundo os movimentos sociais, é proibida pela Lei de Licitações.

O comitê também questiona o empréstimo feito pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aos compradores. Outro procedimento ilegal teria sido a sonegação de documentos em língua inglesa.

Maior produtora mundial de ferro, presente nos cinco continentes, a Vale atua em 14 estados e opera 9 mil quilômetros de estrada de ferro e dez portos. Mais de 50% da empresa está nas mãos do consórcio vencedor do leilão. Desse total, 21% pertencem ao Bradesco, 18%, a um grupo japonês, e pouco mais de 11%, ao BNDES. O restante são ações negociadas nas bolsas de valores.

Com informações da Agência Brasil


Congresso em Foco, 9 de outubro de 2007
Fórum: o mandato é do deputado ou do partido?
Embora politicamente seja correto dizer que o mandato é do eleitor, a pergunta acima, à qual o STF respondeu semana passada, tem várias respostas, escrevem João Luiz Pereira Marciano e Rejane Maria de Freitas Xavier

João Luiz Pereira Marciano¹ e Rejane Maria de Freitas Xavier²

A aritmética da votação

Do ponto de vista puramente aritmético – como se compõe a soma dos votos que elegeu um determinado deputado –, a resposta não pode ser única e direta. Há diversas situações em que um deputado federal é eleito, e em cada uma delas a relação de seu mandato com o partido é diferente.

O deputado pode ter feito, individualmente, votos em quantidade suficiente para alcançar o Quociente Eleitoral, que é o número de votos válidos para a Câmara em sua Unidade da Federação, dividido pelo número de cadeiras daquela Unidade na Câmara. Não precisamos nos debruçar, aqui, sobre o fato bem conhecido de que o coeficiente eleitoral, ao diferir muito de UF para UF, leva à Câmara deputados com votações muito díspares. O que interessa é que há deputados que “não precisaram dos votos do partido” para se eleger. Na atual bancada federal de 513 deputados, 27 (5,3%) se elegeram nessas condições. Esses talvez tenham um bom argumento para afirmar que o mandato é seu, e não do partido.

Uma situação diferente é a daqueles deputados que não alcançaram o coeficiente eleitoral. Para chegar à Câmara, alguns deles dependeram do Quociente Partidário, que é o que define o número inicial de vagas que caberá a cada partido ou coligação que tenham alcançado o quociente eleitoral. Esse quociente é determinado dividindo-se o número de votos válidos dados ao partido ou à coligação pelo quociente eleitoral, desprezando-se a fração. Nesse caso, a votação individual do candidato servirá para definir o seu lugar na lista dos que dependem dos votos depositados diretamente na legenda partidária e da soma dos votos dos candidatos do partido.

Tudo isso, mais uma vez, contabilizado no nível de cada Unidade da Federação. Os mais votados dentre os que não alcançaram o coeficiente eleitoral entram nessas vagas definidas pelo total de votos no partido. Para esse grupo, pareceria mais justo reconhecer que sim, foi graças ao partido que eles conquistaram o mandato. Entre os 513 deputados da atual legislatura, 408 (79,5%) obtiveram o mandato dessa forma, com um total de 40,1% dos votos válidos para deputado federal.

Há em seguida uma terceira situação. São aqueles deputados que se elegem com base em uma conta de ajuste que é feita somando-se as frações que sobraram após a divisão das cadeiras entre todos os partidos. Na prática, isso significa que a conta do número de vagas que cabe a cada partido não costuma ser exata: um partido elege, por exemplo, 3,4 deputados, outro elege 5,2 e assim por diante. Também os partidos que não atingiram o quociente eleitoral e, portanto, não elegeram nenhum deputado, têm os seus votos incluídos nesse bolo da redivisão, embora não recebam nenhuma de suas migalhas. Todas essas “sobras” ou frações, reunidas, compõem mais alguma(s) cadeira(s) inteira(s), cuja divisão é feita entre os partidos.

É a chamada Média, cujo cálculo é meio complicado, mas que basicamente é obtida “dividindo-se o número de votos válidos atribuídos a cada partido pelo número de lugares por ele obtido, mais um, cabendo ao partido que apresentar a maior média um dos lugares a preencher”. O deputado que se elegeu dessa forma deve, portanto, seu mandato tanto ao seu próprio partido quanto ao(s) partido(s) que contribuíram com as frações necessárias para compor a vaga que ele veio a ocupar. Foram eleitos pela média, sem a participação em coligações, 13 integrantes (2,5%) da atual Câmara dos Deputados, com 0,9% dos votos válidos para deputado federal.

Uma situação ainda mais complexa é a dos deputados que se elegeram pela média não por um partido, mas por uma coligação. Pode ocorrer que a cadeira extra conquistada pela coligação seja devida em grande parte à votação recebida pelo partido “A”, dentre todos os que compõem a coligação. Entretanto, a vaga pode ir para um candidato do partido “B” ou “C”, se esse for o que tem a maior votação individual entre os candidatos ainda não eleitos. Neste caso, a quem ele deve seu mandato? A dúvida assalta, nesta legislatura, 65 (12,7%) deputados, que obtiveram 3,9% dos votos válidos para a Câmara.

O mandato é do eleitor

Essa parece ser uma resposta politicamente mais correta à nossa pergunta-título. Foi do eleitor que o deputado ou o partido recebeu o mandato; é natural, portanto, que a vontade do eleitor seja o critério mais importante a ser respeitado quando se trata de decidir o que fazer com essa “carta-branca” assim concedida, com validade de quatro anos. Mas será possível determinar a quem o eleitor conferiu o mandato – se ao candidato ou ao partido?

Há uma parcela do eleitorado que vota diretamente na legenda partidária, sem indicar nenhum candidato. Nas últimas eleições para deputado federal, foram 9.851.056 votos desse tipo (9,7 % dos votos válidos para a Câmara dos Deputados). Esses, claramente, votaram no partido.

Já ao eleitor que vota nominalmente, pode ser atribuída a intenção de conferir o mandato ao candidato. Nas eleições de 2006, 90,3% do total de votos válidos para deputado federal foram nominais. Mas se considerarmos apenas o total de votos nominais em candidatos eleitos, teremos um percentual muito pequeno de eleitores que podem se orgulhar de ter escolhido um deputado: apenas 37,4 % do eleitorado apto a votar. Os demais, se votaram nominalmente em um candidato, tiverem na prática seus votos desviados para outro, não necessariamente do mesmo partido.

Esse “déficit de representação” reforça o dado que já havíamos destacado antes: somente 27 deputados, entre 513, foram eleitos diretamente pelo voto nominal. Sua votação representa apenas 7,9 % dos votos válidos para a Câmara. Os demais deputados se beneficiaram, em maior ou menor proporção, de votos que eram dirigidos a outros candidatos.

Uma triste constatação, portanto, impõe-se: a Câmara dos Deputados é pouco representativa do eleitorado brasileiro. Nacionalmente, somando-se os deputados eleitos, os eleitos pela média e os votos de legenda, estão representados menos de 50% dos aptos a votar. Há casos extremos, como o do Rio de Janeiro, onde apenas aproximadamente 35% dos votos válidos (somados nominais e de legenda) estão representados na Câmara.

A “vontade do eleitor”, num tal sistema, é escassamente respeitada desde a origem, e dificilmente poderá ser invocada como critério para associar ou dissociar o mandato do deputado ao partido pelo qual ele se elegeu.
Impasse: o mandato não tem dono?

Um caminho alternativo para tentar uma resposta seria o de tentar verificar na prática - para além do partido ou do eleitor individual - que fator ou fatores influem decisivamente na eleição de um deputado.

Uma sumária e não exaustiva lista de tais fatores apontaria pelo menos o apoio de:
- uma forte base municipal ou regional (prefeitos, vereadores, deputados estaduais)
- um ou mais segmentos empresariais (setor financeiro,indústria automobilística, farmacêutica, etc)
- um ou mais setores agropecuários (arrozeiros, pecuaristas, canavieiros, etc)
- a tradição familiar (pai, avô, irmãos, marido/esposa já consagrados na política)
- uma ou mais categorias profissionais (professores, militares, médicos, metalúrgicos,etc)
- um ou mais movimentos sociais (ONGs, mulheres, negros, sem-terra, etc)
- um ou mais grupo religiosos/confessionais (Igreja Católica, evangélicos, umbandistas, etc)
- participação na imprensa, clube esportivo, e outras janelas de visibilidade.

Esses apoios ou bases podem também se compor entre si, em diferentes proporções, aumentando as chances do candidato. O Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) e o site Congresso em Foco realizaram diversos levantamentos sobre a composição da atual legislatura, reunidos na publicação O que esperar do novo Congresso, da qual extraímos os dados a seguir, relativos à Câmara dos Deputados:

- 263 deputados são profissionais liberais e trabalhadores de nível superior ? e representam 51% da Casa
- a bancada empresarial desta legislatura é a mais significativa desde a Constituinte: empresários urbanos e rurais são 182 (35,5% do total de deputados federais)
- operários e outros trabalhadores são apenas 18 (4%)
- trabalhadores especializados são 17 (3%);
- apresentadores de rádio e TV, artistas e radialistas são 13 (3%);
- pastores e bispos evangélicos são 7 (1,25%);
- policiais são 6 (1%).

Dos 244 novos deputados desta legislatura, pelo menos 200 já exerceram mandato ou cargo político em algumas das três esferas de governo (federal, estadual ou municipal) ou em algum dos poderes Legislativo e Executivo.

Os efetivamente novos, os chamados “supercalouros” (deputados de primeiro mandato que não exerceram antes qualquer cargo eletivo) estão restritos a três categorias: os comunicadores (apresentadores de TV, radialistas, artistas e cantadores), os bispos e pastores evangélicos e finalmente os parentes de políticos tradicionais.

A bancada dos parentes, reunindo parlamentares reeleitos e novos que tenham parentesco com políticos brasileiros tradicionais, representa 20% dos parlamentares da atual legislatura (Câmara e Senado). Entre os supercalouros esse percentual chega a 34%.
Além desses fatores capazes de turbinar uma eleição – e geralmente associado a eles –, o poder econômico exerce uma influência considerável na definição de quem será ou não vitorioso na disputa pelo mandato. O jornal Correio Braziliense publicou, em dezembro de 2006, minucioso levantamento do financiamento das campanhas políticas pelos 200 maiores doadores. Somente o grupo Gerdau, o segundo maior em doações, ajudou a eleger 27 deputados.

Responsáveis por um terço do custo total das campanhas, os grandes doadores investiram R$ 500 milhões em candidatos de vários partidos e do país inteiro, atendendo, contudo, a “uma característica básica”: “beneficiam políticos poderosos, seja no Congresso, governo federal ou estaduais”. Não por coincidência, como mostra novamente o Correio Braziliense em fevereiro de 2007, deputados que receberam volumosas doações de grandes empresas ocupam postos nas principais Comissões temáticas da Câmara, onde questões do interesse desses grandes doadores são encaminhadas e decididas.

Diante de tais constatações, a pergunta inicial, se o mandato pertence ao deputado, ao partido ou ao eleitor, nos soa simplista e até ingênua. Há uma rede complexa de compromissos, lealdades e ambições que passa ao largo, em grande medida, desses atores do jogo político.

Portanto, seria extremamente simplista reservar a todos os deputados que mudam de partido epítetos como “traidores do mandato popular” ou “oportunistas que renegam seus compromissos partidários”. Os próprios partidos, no nosso presidencialismo de coalizão, realinham seus programas e suas estratégias em função do maior ou menor quinhão de participação que conseguem obter nas vantagens do poder executivo. Nesta legislatura, diga-se de passagem, foi o governo o principal beneficiário da rotatividade partidária, que aumentou a base aliada na Câmara em pelo menos 24 deputados.

A resposta do Supremo à pergunta sobre “a quem pertence o mandato” não será a solução para a questão política da representação popular. Enquanto não for concretizada uma cabal reforma política e eleitoral, que inclua soluções alternativas aos atuais modelos de relação entre o Executivo e o Legislativo e aos mecanismos de financiamento e de distribuição dos mandatos, a representatividade do Congresso e os compromissos programáticos dos partidos continuarão em grande medida pura ficção. Ficção que o eleitor, a seu modo e talvez confusamente percebe, e que o leva muitas vezes seja a se desinteressar pela escolha de um representante, seja a trocar seu voto por alguma vantagem concreta imediata.

¹João Luiz Pereira Marciano é doutor em Ciência da Informação e analista legislativo da Câmara dos Deputados.
² Rejane Maria de Freitas Xavier é jornalista, doutora em Filosofia e analista legislativa da Câmara dos Deputados.


Folha de São Paulo, 9 de outubro de 2007
Caixa recorre ao TST para julgar greve
Tribunal fará audiência entre banco e funcionários; se não houver acordo, movimento pode ser julgado abusivo
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A Caixa Econômica Federal recorreu ao TST (Tribunal Superior do Trabalho) para que o órgão julgue se a greve dos funcionários do banco é abusiva. A paralisação dos bancários entra hoje no sétimo dia.

A Caixa propõe o pagamento adiantado de 70% da PLR (Participação nos Lucros e Resultados). Representantes dos trabalhadores afirmam que a Caixa ofereceu só uma antecipação do valor e que o dinheiro recebido seria menor do que os funcionários ganharam no ano passado. Ontem à noite, uma nova rodada de negociações seria ser feita entre as partes.

Se o acordo entre a Caixa e a Contec (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Crédito) não ocorrer hoje, na audiência de conciliação marcada pelo TST, um relator do tribunal será nomeado para julgar a greve.

A Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) afirma que o movimento atingiu, total ou parcialmente, cerca de 80% das agências do banco no país.

Segundo a Caixa, a greve parou 227 das 2.440 agências do banco -9,3% do total. A Caixa não inclui no balanço as agências parcialmente afetadas.

Em São Paulo, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região afirma que o protesto teve adesão de 75% das agências. A Caixa não soube informar o percentual das agências atingidas pela greve na região citada pelo sindicato.

Serviços afetados

A greve dos funcionários da Caixa prejudica o cliente sobretudo na abertura de contas e nos contratos imobiliários. O banco diz que os caixas eletrônicos não foram afetados.

O crédito habitacional é atingido pela paralisação porque as pessoas que já fizeram a entrevista para obter o serviço precisam assinar o contrato na mesma agência. Se a unidade estiver fechada, não é possível continuar o processo.

Bolsas de programas de transferência de renda e benefícios trabalhistas como o PIS (Programa de Integração Social), o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e o seguro-desemprego podem ser sacados em lotéricas, estabelecimentos comerciais cadastrados e agências da Caixa.

Para receber o dinheiro, é preciso ter o cartão do cidadão, que pode ser solicitado por telefone, mas precisa ser validado em uma agência da Caixa.

Em São Paulo, o seguro-desemprego também pode ser pedido nos postos do Poupatempo. Na Grande São Paulo, as opções são Sé, Santo Amaro, Itaquera, São Bernardo do Campo e Guarulhos. No interior, as unidades ficam em Campinas (centro e Campinas Shopping), São José dos Campos, Ribeirão Preto e Bauru.

 

JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO (ON LINE), 09 de outubro de 2007 | Dinheiro
Projeto deve permitir troca de financiamento imobiliário, diz Mantega
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília

O ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou que o governo estuda uma série de medidas para estimular o setor da construção civil. Ele espera, com isso, elevar o crédito disponível para o setor imobiliário. "Nós temos as condições e o governo está disposto a tomar as medidas necessárias", afirmou o ministro.

Em exposição no 79º Enic (Encontro Nacional da Indústria da Construção), o ministro citou três medidas em estudo pelo Ministério da Fazenda.

A primeira é a portabilidade do crédito imobiliário. Um trabalhador com financiamento em um banco poderia transferir seu crédito para outra instituição financeira caso essa ofereça melhores condições. No entanto, Mantega afirmou que a concretização dessa medida é complexa.

Outra ação em estudo é criar um seguro para a construção civil e o financiamento imobiliário com o objetivo de reduzir o custo dos financiamentos. A última medida é fazer a concentração da matrícula do imóvel. Hoje, quando se vende um imóvel, é preciso verificar em todos os cartórios se há alguma pendência. O sistema é apelidado no setor de 'Renavel', uma analogia ao Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores)

Para o ministro, o ministro tem hoje condições de elevar o crédito destinado ao financiamento imobiliário. No Brasil, é de 1,5% do PIB (Produto Interno Bruto). No México, por exemplo, chega a 10%.

Mantega repetiu ainda que para a continuidade da expansão da economia é necessária a efetivação de algumas propostas do governo: reforma tributária, prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), desoneração da folha de pagamentos, controle do aumento dos gastos correntes e os investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) na infra-estrutura.

"O Brasil em 2008 vai se transformar em um grande canteiro de obras", disse ele, assim como já afirmou a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).

Sinduscom

O presidente da Sinduscom-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo), João Claudio Robusti, entregou ao ministro um documento com as dez medidas que seriam necessárias para estimular o setor da construção civil no Brasil: novas modalidades para o trabalhador que tem cotas no FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), estímulo ao mercado secundário e garantias para os financiamentos dados à baixa renda.

Das medidas em estudo pelo governo federal, a concentração da matrícula do imóvel também é defendida pelo Sinduscom-SP.


JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO (ON LINE), 09 de outubro de 2007 | Dinheiro
Setor de construção civil tem os papéis de maior risco, aponta estudo
EPAMINONDAS NETO
da Folha Online

Pesquisa da consultoria Cyrnel International aponta as ações do setor de construção civil como alguns dos papéis de maior risco no grupo de 63 ativos que fazem parte do Ibovespa. O principal indicador da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) reúne as ações mais negociadas, que representam 80% dos negócios no mercado acionário brasileiro.

Nesse caso, o grau de risco não significa que a ação tem maior ou menor chance de desvalorizar, mas sim, sua tendência a ser mais ou menos instável em comparação com o Ibovespa (o grau de risco 1). "A idéia é fornecer uma estimativa daquela ação variar acima da média do mercado", afirma Carlos Frederico Werneck, analista da Cyrnel.

Uma ação de grau de risco 2 teria, de acordo com a consultoria, o dobro do risco do Ibovespa.

O levantamento feito pela Cyrnel coloca no topo da lista dos papéis de maior risco a ação da incorporadora e imobiliária Cyrela, com grau de risco 3.68. Num cenário de estresse absoluto, em que o Ibovespa desabasse 10%, a ação ordinária da Cyrela despencaria 21,32%.

Na ponta oposta, num cenário de otimismo extremo, com o Ibovespa disparando 10%, o ativo da incorporadora poderia subir 21,32%, na simulação da consultoria.

Em outro exemplo, a ação preferencial da Acesita --de grau de risco 1.35-- oscilaria 8,62% para cima ou para baixo, nos dois cenários acima, segundo a Cyrnel.

Semáforo

O relatório também classifica as ações por um sistema de cores: vermelho para os papéis de risco igual ou maior que 2.01; amarelo, para risco entre 1.51 e 2, e sinal verde, para os papéis de risco igual ou inferior a 1.50.

As ações de Cyrela, Cyrela Brasil Realty e Gafisa estão no grupo das ações "sinal vermelho", além do ativo da Duratex (material de construção) e a ação ordinária da gigante do setor sucroalcooleiro Cosan.

Na ponta oposta --as ações "sinal verde"-- estão as ações de CPFL Energia, Embraer, Telemar, Telesp, Unibanco, Itausa, AmBev, Itaú, Comgás, Bradesco, Acesita e Petrobras.

"Essas ações fazem parte da carteira de fundos de pensão, de grandes investidores que tendem a manter esses papéis em carteira. Também são ações de empresas tradicionais, com fundamentos econômicos melhores", afirma Carlos Frederico.

"As ações de construção civil são de empresa menores, mais alavancadas e sem tanto tempo de mercado", acrescenta.

Ele afirma a avaliação de risco da ação, dentro das critérios da pesquisa, leva em conta não apenas os fundamentos econômicos da empresa titular, mas também como o papel é negociado e percebido pelo mercado.

"A Vale, por exemplo, também é uma boa empresa, todo mundo sabe que é bem estruturada. O problema é que a ação está flutuando muito, e já chegou a desabar 7%", justifica o analista, lembrando a enorme liquidez do papel.


24 HORAS NEWS / MATO GROSSO, 09 de outubro de 2007 | Política
Municípios com menos de 150 mil habitantes terão recursos do PAC
Redação 24HorasNews

Municípios com mais de 50 mil habitantes e menos de 150 mil devem ser contemplados na segunda rodada de negociações do PAC de saneamento, informou o ministro das Cidades, Marcio Fortes de Almeida, em palestra no 79º Encontro Nacional da Construção Civil. Ele afirmou que a segunda rodada de negociações deve começar na segunda quinzena deste mês.

O ministro também destacou a necessidade de apoio para a elaboração de projetos, a qualificação de mão-de-obra e a limitação da capacidade industrial. Fortes observou que a capacidade industrial é sinal positivo que estimula novos investimentos.

A primeira rodada de negociação do PAC, que incluiu habitação, teve participação de representantes de governos de todas as unidades da federação e de 187 municípios de regiões metropolitanas ou com população superior a 150 mil habitantes.

 

AGÊNCIA BRASIL, 09 de outubro de 2007
Construção civil espera crescimento com obras do PAC
Se a construção civil crescer entre 5% e 15% a partir do ano que vem, será um resultado importante, pois o país passou 25 anos com o setor estagnado,diz dirigente.
Da Redação

Brasília - Qualquer resultado obtido neste ano nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na área da construção civil será um bom começo. A afirmação foi feita pelo presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC), Paulo Simão. Segundo ele, se a construção civil crescer entre 5% e 15% a partir do ano que vem, será um resultado importante, pois o país passou 25 anos com o setor estagnado.

De acordo com Simão, nesse período, tudo foi desmantelado, incluindo a organização dos três níveis de governo (municipal, estadual e federal) em torno da questão. Entretanto, ressaltou o empresário, a reestruturação do setor já está ocorrendo, embora ainda haja "descasamento" de iniciativas entre os governos federal, estaduais e municipais. Simão destacou que, sobretudo, nas duas últimas décadas, desestruturaram-se os órgãos que tratavam de investimentos para a construção.

Ele disse que, no passado, o Brasil tinha um pacto muito bom de empresas de consultoria e projetos. "Era o melhor do mundo. Agora, elas [empresas] estão começando a se reorganizar". Apesar de destacar a falta de projetos e as dificuldades de gestão pública, ambiental e legal para as obras do PAC, o empresário mostrou-se confiante na reestruturação dessa área da indústria por meio de discussões entre os atores envolvidos.

A CBIC é uma das entidades patrocinadoras do 79º Encontro Nacional da Indústria da Construção Civil, que está sendo realizando em Brasília desde quarta-feira (3). O presidente da instituição apontou problemas de garantia, seguro, burocracia de cartórios e falta de estímulo ao investidor como fatores que prejudicam o mercado imobiliário brasileiro. Para ele, é preciso estimular o comprador.

Antigamente, quem comprava um imóvel financiado abatia parte dos juros no Imposto de Renda, lembrou Simão. Ele disse, entretanto, que a área econômica "é radicalmente contra" a restauração desse benefício. Além disso, ressaltou Simão, "o governo se preocupa muito em desonerar materiais de construção - o que é bom, sem dúvida - mas os empresários acham mais favorável desonerar o produto final". As informações são da Agência Brasil.

 

JORNAL A TARDE / MINAS GERAIS, 09 de outubro de 2007 | Política
Esquerda dividida cria central sindical
Josiane Schulz, do A Tarde

A decisão da Corrente Sindical Classista (CSC) de se desligar da Central Única dos Trabalhadores (CUT), tomada em encontro nacional realizado no último final de semana e que deve ser oficializada nos próximos dias, expôs alguns conflitos enfrentados nos últimos anos pelo sindicalismo brasileiro. Composta, em sua maioria, por militantes do PCdoB, a CSC não é a primeira a deixar a CUT após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência do Brasil, em 2002. O primeiro grupo a debandar foi o PSTU, que formou a Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), uma central com cinco sindicatos registrados no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Mas mesmo com as dissidências, ou a formação de novas centrais a partir de sindicatos independentes, a CUT permanece como a mais poderosa organização de trabalhadores do Brasil. Dos 3.500 sindicatos abrigados em centrais, quase 50% estão com a CUT. Em segundo lugar, está a Força Sindical, com menos da metade de entidades filiadas, conforme dados do MTE.

O principal argumento que justificou a saída do PSTU da maior central sindical brasileira ecoa agora pela boca dos comunistas: a CUT teria deixado de representar os trabalhadores por ter se alinhado com o governo Lula, e na Bahia, com o governo Jaques Wagner. Apesar da tentativa da CSC de desvincular a decisão do campo partidário, é evidente que as relações estremecidas entre petistas e comunistas, desde que Aldo Rebelo foi isolado na disputa pela presidência da Câmara dos Deputados, influenciaram no debate.

“A CUT tinha uma perspectiva socialista que foi abandonada”, critica Rui Oliveira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB), um dos maiores sindicatos baianos com forte tendência a deixar a central. “A CUT adotou uma posição ambígüa, que confunde sindicato com partido. Ninguém está rompendo, quem se afastou foi a CUT”, argumenta. Segundo ele, durante a greve dos professores estaduais na Bahia, a APLB solicitou à direção nacional da CUT a anistia da contribuição “para consolidar a greve. Até hoje não tivemos resposta”. A desfiliação da APLB é dada como certa, mas o assunto será decidido em assembléia, ainda sem data marcada.

De acordo com o deputado estadual Javier Alfaya (PCdoB), a saída dos comunistas da CUT é um movimento nacional a partir do acúmulo de descontentamentos. “Não vemos mais a CUT em campanhas nacionais, debatendo com o governo metas de inflação, salário mínimo, a situação dos funcionários públicos, que são tarefas de central”, diz. Alfaya não descarta o viés político-partidário da decisão. “A movimentação do PT em relação ao episódio da Presidência da Câmara foi esdrúxula. Também temos críticas à posição do governo Lula que tem sido conservadora, principalmente na política econômica”, critica.

ELEIÇÕES - A decisão também é estratégica no campo eleitoral. Até dezembro o grupo se unirá em uma nova entidade – a Central Sindical Classista e Democrática (CSCD), que, conforme as estimativas, terá cerca de 800 sindicatos. Se confirmada essa expectativa, a CSCD nascerá ocupando a segunda posição no ranking das maiores centrais. Com isso, o PCdoB terá maiores chances de viabilizar a meta de ter candidatos próprios em 17 capitais e em 87 cidades com mais de 200 mil eleitores.

“A tendência da CSCD é ter maior força na Bahia, mas, no plano nacional, nós dirigimos sindicatos importantes, como o dos metroviários de São Paulo e a maioria dos sindicatos metalúrgicos do setor automotivo. A nossa central, que permitirá a pluralidade de idéias, a proporcionalidade qualificada na direção, abrirá um leque possível para que, independente de ligação com partido político, haja espaço para fazer o debate“, afirma Adilson Araújo, diretor do Sindicato dos Bancários de Salvador.

Procurada, a CUT nacional não atendeu a pedidos de entrevista. O presidente da CUT Bahia, Martiniano Costa, rebateu recentemente críticas ao suposto caráter ‘chapa branca’ da central : “Seria melhor que eles assumissem que a decisão é política ao invés de usarem argumentos falsos”.


AGÊNCIA BRASIL, 09 de outubro de 2007
Centrais sindicais pressionam deputados para aprovar projeto de legalização
Iolando Lourenço
Repórter da Agência Brasil


Brasília - Representantes de várias centrais sindicais pressionaram os parlamentares ontem (8), na Câmara dos Deputados, para votarem logo a legalização prevista em projeto de lei do Poder Executivo. O projeto tramita em urgência constitucional e no dia 27 passará a trancar a pauta da Câmara, se não for votado.

De acordo com o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), a aprovação desse projeto é uma luta histórica dos trabalhadores: "As centrais sindicais foram criadas à margem da lei e agora a gente está trabalhando para que elas funcionem dentro da lei".

A partir da legalização, acrescentou, será possível juntar todas as categorias em uma única organização e as centrais poderão representar os trabalhadores na Justiça comum e federal. "Com isso, no caso de um processo que poderia demorar 20 anos, nós poderemos entrar direto no Supremo Tribunal federal e resolver rapidamente a questão", disse.

O deputado informou ainda que de acordo com as regras estabelecidas no projeto, quatro centrais se legalizariam imediatamente: Força Sindical, Central Única dos Trabalhadores (CUT), Nova Central Sindical e União Geral dos Trabalhadores (UGT). "As outras teriam alguma dificuldade de se legalizarem nesse momento", avaliou.

O presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), que se reuniu com os dirigentes das centrais sindicais, disse que o projeto poderá ser colocado em votação antes da proposta de emenda à Constituição que prevê a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), se a pauta de votações for destrancada até amanhã (9).

 

JORNAL GAZETA DO POVO, 09 de outubro de 2007 | Mundo
História
Após 40 anos, cresce o mito de Che
Guerrilheiro que lutou com Fidel na revolução cubana recebe homenagens em vários países

Havana – Ernesto Che Guevara, lenda revolucionária do século 20, foi morto em 9 de outubro de 1967 na Bolívia e hoje, 40 anos depois de sua morte, o mito daquele que tentou propagar o fogo da rebelião pela América Latina permanece vivo, embora ainda gere controvérsias.

Em Cuba, Bolívia, Venezuela, México, Nicarágua, na Argentina e em outros países onde seus ideais são reivindicados por movimentos sociais ou pela esquerda no poder, estão sendo realizados desde ontem atos políticos, marchas, shows, mostras de cinema, feiras e exposições fotográficas.

Uma das polêmicas em torno da figura do líder guerrilheiro gira em torno da autenticidade de seus restos mortais. Ex-agentes cubanos da CIA e dois jornalistas que acompanharam o caso consideram que os exames realizados na ossada foram manipulados por ordem de Fidel para fazer propaganda política.

Para Cuba, para a família e para os admiradores de Che, os questionamentos são fruto de uma campanha de desprestígio contra a imagem do ídolo e da revolução cubana.

O certo é que seu trágico fim forjou a lenda de um homem cujo rosto, imortalizado em uma foto de Alberto Korda, circula pelo mundo exibido em marchas ou estampado em cartazes, camisas, garrafas de cerveja, cinzeiros e até em biquínis.

Milhões de cubanos e turistas estrangeiros já passaram, desde 1997, pelo Memorial em Santa Clara, onde foi erguida uma estátua de bronze de quase sete metros de altura, segundo dados oficiais.

Fidel Castro, companheiro de lutas de Che, homenageou e expressou agradecimento ao revolucionário argentino em um artigo publicado ontem no jornal cubano “Granma”.

“Faço uma pausa no combate diário para me inclinar, com respeito e gratidão, ante o combatente excepcional que foi morto em 8 de outubro, há 40 anos”, disse Castro, que foi afastado do poder há 14 meses devido a graves problemas de saúde.

O líder cubano lembrou o “exemplo” dado por Che, que liderou uma frente que atravessou as Províncias do sudeste de Cuba quando lutou na Serra Maestra, e tomou a cidade central de Santa Clara, onde se celebra a comemoração do 40.º aniversário de sua morte.

Fidel, que há dez anos presidiu uma cerimônia de exumação dos restos de Che em Santa Clara, levados a Cuba após serem achados na Bolívia, reconheceu também o trabalho de Guevara como criador das jornadas de trabalho voluntário.

“Ele nos deixou seu estilo inconfundível de escrever, com elegância, brevidade e veracidade, cada detalhe do que passava em sua mente. Ele era um predestinado, mas não sabia disso. Ele combateu conosco, e por nós”, disse ainda Fidel.

 

JORNAL GAZETA DO POVO, 09 de outubro de 2007 | Mundo
História
Homenagens em Cuba e na Bolívia

Havana e La Paz – O presidente interino de Cuba, Raúl Castro, comandou ontem homenagem ao líder guerrilheiro argentino Ernesto Che Guevara, ao se cumprirem os 40 anos da sua morte. O líder convalescente Fidel Castro publicou um artigo no qual classificou Guevara de “excepcional combatente.” Também ocorreu uma homenagem em Vallegrande, na Bolívia, onde Che foi executado em 1967.

O ato principal ocorreu na Praça Ernesto Che Guevara, em Santa Clara, 270 quilômetros ao leste de Havana, onde existem um monumento em homenagem a Guevara e um mausoléu no qual seus restos mortais foram sepultados em 1997.

Na Bolívia, o presidente Evo Morales homenageou Che e instou o público a seguir a luta do líder. Os jornais bolivianos criticaram Morales, porque ele não homenageou os 55 soldados bolivianos caídos em combate contra a guerrilha de Che. Morales afirmou que a “América Latina não pode continuar a ser o quintal do Império”, numa referência aos EUA.

 

JORNAL GAZETA DO POVO, 09 de outubro de 2007 | Mundo
História
Lembrando a motocicleta



Havana – Ernesto, o filho mais novo de Che Guevara, passou diante do túmulo de seu pai, no memorial da cidade de Santa Clara, em Cuba, montado em uma Harley-Davidson. O ato foi, segundo afirmou, uma singular homenagem que ele e seus colegas motociclistas cubanos prestaram ao guerrilheiro.

Escoltado por 37 motoqueiros, Ernesto guardou um minuto de silêncio à saída do monumento, para depois prestar um ensurdecedor tributo: acelerou à toda velocidade sua moto vinho modelo 45, de 1937.

Che Guevara foi um amante das motocicletas, veículo que usou para viajar pela América do Sul com o amigo Alberto Granado, em 1952. A aventura ficou registrada no filme Diários de Motocicleta, do brasileiro Walter Salles.