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FETRACONSPAR, 09 de outubro
de 2007
Eleições em Irati/PR
Eleições no Sintracon
Irati
Estão sendo realizadas
entre hoje (09) e amanhã (10), eleições
para renovação da diretoria do SINDICATO DOS TRABALHADORES
NAS INDÚSTRIAS DA CONSTRUÇÃO E DO MOBILIÁRIO
DE IRATI. A Chapa é encabeçada pelo companheiro RONALDO
WINKLAN.
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RONALDO: encabeça a chapa.
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Da
esq.: Galvão e Samuel Pena (Irati), Marques e César
(Guarapuava), Celso Lopes e Clodoaldo (Telêmaco Borba), Marcos
e Ronaldo (Irati) e Reinaldim (Curitiba).
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO (ONLINE), 09 de outubro de 2007 | Dinheiro
Até agosto, produção
industrial só não cresce no Ceará
CLARICE SPITZ
da Folha Online, no Rio
Nos oito primeiros meses do ano
a produção industrial cresce em quase todas as 14 áreas
pesquisadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A exceção no ano fica por conta da indústria do
Ceará. Com uma indústria fortemente concentrada em segmentos
alimentícios e têxteis, a indústria cearense recua
0,4% até agosto.
A indústria brasileira
avança neste ano sustentada por ramos que se beneficiam da fartura
de crédito e do aumento da massa salarial, como automobilístico
e de alimentos, além de segmentos ligados à exportação,
ao setor agrícola e a bens de capital.
Os Estados com maior destaque
no ano são: São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul,
Paraná, Espírito Santo, Santa Catarina e Pernambuco. São
Paulo, maior parque fabril do país, exerce a principal contribuição
para o resultado do país mesmo abaixo da média nacional
--o Estado apresenta alta de 4,7%, enquanto a indústria nacional
cresce 5,3%. Já Minas Gerais, que detém cerca de 10% da
estrutura da indústria nacional, apresenta o segundo maior impacto,
com alta de 8,7%. Os maiores avanços no Estado vêm dos segmentos
de automóveis, minério de ferro, inseticidas, metalurgia
e celulose.
"É um resultado importante.
A indústria de Minas tem porte e tem presença forte de
duráveis, bens de capital e minério de ferro", afirmou
Isabella Nunes, gerente de Análise e Estatísticas do IBGE.
Estados como Rio Grande
do Sul e Paraná são beneficiados pela recuperação
agrícola e apresentam ganhos nos segmentos de máquinas
e herbicidas. O RS apresenta alta de 8,1% no ano, enquanto o Paraná,
de 7,3%.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO (ONLINE), 09 de outubro de 2007 | Dinheiro
Plano de Política Industrial
será adiado para final do mês
YGOR SALLES
da Folha Online
O ministro Miguel Jorge (Desenvolvimento)
informou nesta segunda-feira que o plano de política industrial
será adiado para o final de outubro. Até o final do mês
passado, estava previsto para o início deste mês.
A inclusão de novos pontos
no projeto e a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
para a África --que ocorrerá na próxima semana-
forçaram a mudança. "Deve ficar para o final do mês",
admitiu o ministro após encontro promovido pela Câmara de
Comércio Brasil-Líbano, em São Paulo.
Porém, ele revelou que
um plano de ciência e inovação está próximo
de ser fechado. Segundo ele, os dois anúncios estão interligados
mas serão feitos em separado. "O [plano] de ciência
e inovação pode até sair alguns dias antes",
afirmou.
O ministro se mostrou confiante
na capacidade de crescimento do setor industrial devido não somente
ao plano como também aos investimentos feitos pelo segmento.
Ele citou a concentração
das importações brasileiras em máquinas, equipamentos
e tecnologia. "A indústria se prepara para um salto de qualidade",
disse ele.
Ele negou que seja negativo as
importações estarem focadas em produtos de alto valor agregado. "Se
estivéssemos importando goma de mascar, aí sim estaria
ruim", ponderou.
Dumping
O ministro não quis adiantar
se novas ações antidumping serão tomadas pela Camex
(Câmara de Comércio Exterior) nos próximos dias,
após as sete medidas anunciadas na sexta-feira contra produtos
chineses, alemães e americanos. "Isso depende do empresário
fazer o pedido [de salvaguarda]", disse ele.
Ele lembrou que o governo já acelerou
o procedimento para que as salvaguardas sejam tomadas: de cerca de um
ano para 170 dias, em média. "Um ano é muita coisa.
A empresa quebra antes [de sair a salvaguarda]", afirmou.
Miguel Jorge manteve sua estimativa
para o saldo comercial brasileiro em US$ 40 bilhões para este
ano, e disse esperar que o ritmo das exportações se mantenha. "Queremos
que repita o mesmo ritmo de crescimento", disse.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO (ONLINE), 09 de outubro de 2007 | Dinheiro
Cesta básica sobe 1,68% em setembro
e atinge maior preço desde Plano Real
da Folha Online
O valor da cesta básica
de setembro apresentou alta de 1,68%, apontou pesquisa do Procon-SP,
em convênio com o Dieese. O preço médio da cesta
era de R$ 234,21 em 31 de agosto e passou para R$ 238,14, em 28 de setembro,
recorde da cesta básica desde o Plano Real.
O grupo Alimentação
foi o que registrou a maior alta: 1,70%.
Dentre os produtos que compõem
o grupo Alimentação, os que registraram as maiores altas
de preço, neste mês foram: salsicha avulsa por quilo (10,44%),
cebola, por quilo (7,08%), e leite em pó integral, em embalagem
de 400 a 500 gramas (4,72%).
Dos 31 produtos pesquisados na
variação mensal, 18 apresentaram alta, 11 diminuíram
de preço e dois permaneceram estáveis. O grupo Alimentação
apresentou alta de 1,70%, o de Limpeza, 1,65% e, o de Higiene Pessoal,
1,55%.
A variação
no ano é de 10,61% (base 28/12/06) e, nos últimos 12
meses, de 17,06% (base 28/09/06).
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
09 de outubro de 2007
Convênios descontados no salário
só são válidos com autorização
Os descontos efetuados no salário a título de convênios
médicos e odontológicos só serão válidos
com autorização expressa e por escrito do empregado. Esta foi
a decisão da 2ª Turma do TST (Tribunal Superior do Trabalho), que
deu provimento a recurso interposto por um ex-empregado da Móveis Gaudêncio,
do Rio Grande do Sul.
O empregado foi admitido pela
casa de móveis em julho de 1995 e demitido em outubro de 2001,
após apresentar problemas de saúde em decorrência
de ter adquirido no trabalho LER (Lesão por Esforço Repetitivo).
Ele alegou que exercia a função de operador de furadeira
automática, semi-computadorizada, e que, nos últimos três
anos de trabalho, passou a apresentar dores no punho, ombro e cotovelo
direitos. A empresa, por sua vez, alegou que desconhecia a doença
e afirmou que os atestados apresentados pelo empregado não faziam
referência à LER.
O trabalhador, ao recorrer à Justiça
do Trabalho, pediu a reintegração no emprego e a devolução
dos descontos efetuados em seu salário a título de convênios
médicos e odontológicos. A sentença foi desfavorável
quanto à reintegração, porém mandou a Gaudêncio
devolver os valores descontados.
A empresa, insatisfeita, recorreu
ao TRT (Tribunal Regional do Trabalho) do Rio Grande do Sul, afirmando
que o empregado tinha garantido os benefícios de convênios
médicos e odontológicos durante o contrato de trabalho.
Disse que ele não foi obrigado a vincular-se aos planos de saúde,
e fez isso por sua livre e espontânea vontade.
O TRT-RS atendeu ao pedido da
empresa. Segundo o acórdão do Regional, “o princípio
da intangibilidade salarial, previsto no artigo 462 da CLT, deve ser
interpretado como norma aberta à flexibilização,
desde que expressamente autorizados os descontos salariais ou que deles
tenha usufruído o trabalhador”.
Destacou também o acórdão
que o entendimento contido na Súmula nº 342 do TST, que exige
a autorização prévia por escrito do trabalhador,
deve ser flexibilizado. “Embora não se vislumbre nos autos
qualquer comprovação quanto à existência de
autorização prévia para a efetivação
dos descontos a título de convênios médicos e odontológicos,
tendo a própria empresa admitido que a autorização
se deu de forma verbal, resta demonstrado que o empregado se utilizou
dos referidos convênios, usufruindo dos benefícios e vantagens
deles decorrentes, motivo que enseja sejam reconhecidos como válidos”,
afirma a decisão.
Ao recorrer ao TST, o empregado
saiu vitorioso. Segundo o relator do processo, ministro José Simpliciano
Fernandes, o acórdão do TRT contrariou a diretriz contida
na Súmula nº 342 do TST ao consignar que não houve
autorização expressa e por escrito do empregado para que
fossem efetuados os descontos salariais e, ainda assim, reconheceu a
validade dos referidos descontos em face da fruição, pelo
trabalhador, de benefícios e vantagens decorrentes dos convênios.
“Trata-se de desconto
salarial ilegal, razão pela qual o empregado faz jus à devolução
das parcelas ilegalmente descontadas”, concluiu o ministro.
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CONSULTOR JURÍDICO,
09 de outubro de 2007
Prova frágil
STJ rejeita denúncia contra
ex-presidente do TRT-SP
O Superior Tribunal de Justiça rejeitou denúncia do Ministério
Público contra dez pessoas acusadas de fazerem licitação
irregular no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, em 2004.
O caso foi analisado pela Corte Especial por figurar entre os denunciados a
ex-presidente do TRT paulista, juíza Maria Aparecida Pellegrina.
Além da juíza,
foram apontados na denúncia do MP a ex-diretora administrativa
do TRT, Anna Soghomonian, os servidores Gilson de Souza Oliveira, Ivan
Freddi, Maria Elena Mota e Luciano Aires, o sócio-gerente da Informov
(empresa que realizou o serviço), Plínio José Quintella
Noronha, o procurador da Informov, Waldemar do Amaral Júnior,
Donizetti Aparecido Pontim e Renata Miranda Pontim.
O Ministério Público
pretendia que o grupo fosse julgado no STJ por ter, supostamente, favorecido
a Informov para a confecção e instalação
de mobiliário e da rede de telecomunicações na sede
do TRT paulista. O valor do contrato foi de aproximadamente R$ 3,9 milhões.
A defesa dos denunciados afirmou
que os recursos usados para pagamento do contrato surgiram de acordo
de cooperação técnica com o Banco do Brasil. Por
esse motivo, não houve uso de recursos orçamentários
do Tribunal.
O relator da ação,
ministro Francisco Falcão, votou pelo recebimento parcial da denúncia
contra a juíza e integral contra os demais. No entanto, o entendimento
manifestado pelo ministro Luiz Fux prevaleceu. Para ele, o recebimento
de denúncia contra autoridade não é um fato tão
simples. Segundo Fux, a própria Lei de Licitações
exige para a atribuição de crime a especificação
do dano e do dolo.
Para o ministro, a prova era
frágil, baseada no depoimento de funcionários demitidos
de seus cargos. Além disso, o ministro entendeu que o dinheiro
empregado não foi público.
APn 330
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Agência Diap, 9 de outubro de 2007
LEGISLAÇÃO TRABALHISTA
Grupo de trabalho de consolidação
das leis trabalhistas será instalado
Está prevista para esta terça-feira, 09/10, às 15h, no
plenário 3, a instalação e definição de
roteiros do Grupo de Trabalho de Consolidação das Leis Trabalhistas.
O tema é tratado no PL 1.987/07, do deputado Cândido Vaccarezza
(PT/SP).
O GT é composto por 21 membros titulares e igual número de suplentes,
que irão debater o projeto que também poderá receber sugestões
da sociedade no prazo de 30 dias.
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Diário Vermelho, 9
DE OUTUBRO DE 2007
Resultado do plebiscito da Vale:
94,5% contra a privatização
Dez anos depois da privatização
da Companhia Vale do Rio Doce, 94,5% dos 3,7 milhões de brasileiros
que participaram do plebiscito sobre a venda votaram contra a venda da
empresa para a iniciativa privada. O resultado foi divulgado nesta segunda-feira
(8) pelo Comitê Nacional da campanha A Vale é Nossa, organizador
da consulta popular e formado por 64 entidades e organizações
da sociedade civil.

Representantes da campanha apresentam os números em Brasília
Os movimentos, que realizaram a pesquisa em 3.157 municípios do país,
lutam pela anulação da venda da companhia por meio da reabertura
das ações que tramitam nos tribunais. O representante da Central Única
dos Trabalhadores (CUT) no comitê, Julio Turra, ressalta que o plebiscito
foi a primeira de uma série de ações para pressionar a
Justiça e o Congresso.
"A Vale é estratégica"
Na quarta-feira (10), os movimentos
se reúnem com o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo
Chinaglia (PT-SP). Os movimentos também pediram uma audiência
no Palácio do Planalto. Ainda sem resposta, eles pretendem ao
menos protocolar a entrega do resultado da consulta no gabinete do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva.
As entidades alegam que o destino
da companhia é uma questão de soberania nacional. “A
Vale é estratégica para o desenvolvimento do país,
para a extração de recursos minerais e para a logística
de ferrovias e portos”, afirma o índio Edson Carneiro, representante
da organização Instrumento de Luta e Organização
da Classe Trabalhadora (Intersindical).
Falta de neutralidade da pergunta
foi intencional
Os participantes do plebiscito,
que ocorreu entre 1º e 9 de setembro, tiveram de responder à seguinte
pergunta: “Em 1997, a companhia Vale do Rio Doce – patrimônio
construído pelo povo brasileiro – foi gradualmente privatizada,
ação que o governo e o poder judiciário podem anular.
A Vale deve continuar nas mãos do capital privado?”
Segundo os organizadores da consulta,
a falta de neutralidade da pergunta foi intencional. “Por ser uma
iniciativa popular, tem que ter um direcionamento. Não pode ser
neutra”, explica o bispo Guilherme Antonio Werlang, da Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). “Caso contrário, não
estaríamos colocando a cara à mostra.”
Para o sociólogo e cientista
político Eduardo Graeff – secretário-geral da Presidência
da República no governo Fernando Henrique Cardoso e filiado ao
PSDB – , o que houve “é mais um abaixo-assinado” que
um plebiscito porque “não foi neutro e induz a opinião
dos consultados”.
A declaração de
Lula de que o governo não pretende rever a venda da Vale, apesar
do apoio do PT ao plebiscito, provocou surpresa nos movimentos sociais. “O
posicionamento do presidente Lula foi uma reação que não
esperávamos”, diz Julio Turra, da CUT. “No último
congresso da CUT, em 2006, Lula foi explícito ao adotar uma resolução
pela anulação do leilão da Vale”, rebate o
sindicalista.
107 ações questionam
o leilão na Justiça
A privatização
da companhia é questionada por 107 ações de pessoas
físicas na Justiça, das quais 62 foram reabertas em 2005.
A Vale foi vendida por R$ 3,3 bilhões, mas segundo o comitê da
campanha, foi avaliada na época em mais de US$ 100 bilhões.
Outra irregularidade seria a participação do Banco Bradesco,
um dos compradores da companhia, do consórcio que avaliou a empresa
e elaborou o edital do leilão. A prática, segundo os movimentos
sociais, é proibida pela Lei de Licitações.
O comitê também
questiona o empréstimo feito pelo Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES) aos compradores. Outro procedimento
ilegal teria sido a sonegação de documentos em língua
inglesa.
Maior produtora mundial de ferro, presente nos cinco continentes, a Vale atua
em 14 estados e opera 9 mil quilômetros de estrada de ferro e dez portos.
Mais de 50% da empresa está nas mãos do consórcio vencedor
do leilão. Desse total, 21% pertencem ao Bradesco, 18%, a um grupo japonês,
e pouco mais de 11%, ao BNDES. O restante são ações negociadas
nas bolsas de valores.
Com informações
da Agência Brasil
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Congresso
em Foco, 9 de outubro de 2007
Fórum: o mandato é do deputado
ou do partido?
Embora politicamente seja correto dizer que o
mandato é do eleitor, a pergunta acima, à qual o STF respondeu
semana passada, tem várias respostas, escrevem João Luiz
Pereira Marciano e Rejane Maria de Freitas Xavier
João Luiz Pereira
Marciano¹ e Rejane Maria de Freitas Xavier²
A aritmética da votação
Do ponto de vista puramente aritmético – como se compõe
a soma dos votos que elegeu um determinado deputado –, a resposta não
pode ser única e direta. Há diversas situações
em que um deputado federal é eleito, e em cada uma delas a relação
de seu mandato com o partido é diferente.
O deputado pode ter feito,
individualmente, votos em quantidade suficiente para alcançar
o Quociente Eleitoral, que é o número de votos válidos
para a Câmara em sua Unidade da Federação, dividido
pelo número de cadeiras daquela Unidade na Câmara. Não
precisamos nos debruçar, aqui, sobre o fato bem conhecido de
que o coeficiente eleitoral, ao diferir muito de UF para UF, leva à Câmara
deputados com votações muito díspares. O que interessa é que
há deputados que “não precisaram dos votos do partido” para
se eleger. Na atual bancada federal de 513 deputados, 27 (5,3%) se
elegeram nessas condições. Esses talvez tenham um bom
argumento para afirmar que o mandato é seu, e não do
partido.
Uma situação
diferente é a daqueles deputados que não alcançaram
o coeficiente eleitoral. Para chegar à Câmara, alguns
deles dependeram do Quociente Partidário, que é o que
define o número inicial de vagas que caberá a cada partido
ou coligação que tenham alcançado o quociente
eleitoral. Esse quociente é determinado dividindo-se o número
de votos válidos dados ao partido ou à coligação
pelo quociente eleitoral, desprezando-se a fração. Nesse
caso, a votação individual do candidato servirá para
definir o seu lugar na lista dos que dependem dos votos depositados
diretamente na legenda partidária e da soma dos votos dos candidatos
do partido.
Tudo isso, mais uma vez, contabilizado
no nível de cada Unidade da Federação. Os mais
votados dentre os que não alcançaram o coeficiente eleitoral
entram nessas vagas definidas pelo total de votos no partido. Para
esse grupo, pareceria mais justo reconhecer que sim, foi graças
ao partido que eles conquistaram o mandato. Entre os 513 deputados
da atual legislatura, 408 (79,5%) obtiveram o mandato dessa forma,
com um total de 40,1% dos votos válidos para deputado federal.
Há em seguida uma terceira
situação. São aqueles deputados que se elegem
com base em uma conta de ajuste que é feita somando-se as frações
que sobraram após a divisão das cadeiras entre todos
os partidos. Na prática, isso significa que a conta do número
de vagas que cabe a cada partido não costuma ser exata: um partido
elege, por exemplo, 3,4 deputados, outro elege 5,2 e assim por diante.
Também os partidos que não atingiram o quociente eleitoral
e, portanto, não elegeram nenhum deputado, têm os seus
votos incluídos nesse bolo da redivisão, embora não
recebam nenhuma de suas migalhas. Todas essas “sobras” ou
frações, reunidas, compõem mais alguma(s) cadeira(s)
inteira(s), cuja divisão é feita entre os partidos.
É a chamada Média,
cujo cálculo é meio complicado, mas que basicamente é obtida “dividindo-se
o número de votos válidos atribuídos a cada partido
pelo número de lugares por ele obtido, mais um, cabendo ao partido
que apresentar a maior média um dos lugares a preencher”.
O deputado que se elegeu dessa forma deve, portanto, seu mandato tanto
ao seu próprio partido quanto ao(s) partido(s) que contribuíram
com as frações necessárias para compor a vaga
que ele veio a ocupar. Foram eleitos pela média, sem a participação
em coligações, 13 integrantes (2,5%) da atual Câmara
dos Deputados, com 0,9% dos votos válidos para deputado federal.
Uma situação
ainda mais complexa é a dos deputados que se elegeram pela média
não por um partido, mas por uma coligação. Pode
ocorrer que a cadeira extra conquistada pela coligação
seja devida em grande parte à votação recebida
pelo partido “A”, dentre todos os que compõem a
coligação. Entretanto, a vaga pode ir para um candidato
do partido “B” ou “C”, se esse for o que tem
a maior votação individual entre os candidatos ainda
não eleitos. Neste caso, a quem ele deve seu mandato? A dúvida
assalta, nesta legislatura, 65 (12,7%) deputados, que obtiveram 3,9%
dos votos válidos para a Câmara.
O mandato é do eleitor
Essa parece ser uma resposta
politicamente mais correta à nossa pergunta-título. Foi
do eleitor que o deputado ou o partido recebeu o mandato; é natural,
portanto, que a vontade do eleitor seja o critério mais importante
a ser respeitado quando se trata de decidir o que fazer com essa “carta-branca” assim
concedida, com validade de quatro anos. Mas será possível
determinar a quem o eleitor conferiu o mandato – se ao candidato
ou ao partido?
Há uma parcela do eleitorado
que vota diretamente na legenda partidária, sem indicar nenhum
candidato. Nas últimas eleições para deputado
federal, foram 9.851.056 votos desse tipo (9,7 % dos votos válidos
para a Câmara dos Deputados). Esses, claramente, votaram no partido.
Já ao eleitor que vota
nominalmente, pode ser atribuída a intenção de
conferir o mandato ao candidato. Nas eleições de 2006,
90,3% do total de votos válidos para deputado federal foram
nominais. Mas se considerarmos apenas o total de votos nominais em
candidatos eleitos, teremos um percentual muito pequeno de eleitores
que podem se orgulhar de ter escolhido um deputado: apenas 37,4 % do
eleitorado apto a votar. Os demais, se votaram nominalmente em um candidato,
tiverem na prática seus votos desviados para outro, não
necessariamente do mesmo partido.
Esse “déficit
de representação” reforça o dado que já havíamos
destacado antes: somente 27 deputados, entre 513, foram eleitos diretamente
pelo voto nominal. Sua votação representa apenas 7,9
% dos votos válidos para a Câmara. Os demais deputados
se beneficiaram, em maior ou menor proporção, de votos
que eram dirigidos a outros candidatos.
Uma triste constatação,
portanto, impõe-se: a Câmara dos Deputados é pouco
representativa do eleitorado brasileiro. Nacionalmente, somando-se
os deputados eleitos, os eleitos pela média e os votos de legenda,
estão representados menos de 50% dos aptos a votar. Há casos
extremos, como o do Rio de Janeiro, onde apenas aproximadamente 35%
dos votos válidos (somados nominais e de legenda) estão
representados na Câmara.
A “vontade do eleitor”,
num tal sistema, é escassamente respeitada desde a origem, e
dificilmente poderá ser invocada como critério para associar
ou dissociar o mandato do deputado ao partido pelo qual ele se elegeu.
Impasse: o mandato não tem dono?
Um caminho alternativo para
tentar uma resposta seria o de tentar verificar na prática -
para além do partido ou do eleitor individual - que fator ou
fatores influem decisivamente na eleição de um deputado.
Uma sumária e não
exaustiva lista de tais fatores apontaria pelo menos o apoio de:
- uma forte base municipal ou regional (prefeitos, vereadores, deputados estaduais)
- um ou mais segmentos empresariais (setor financeiro,indústria automobilística,
farmacêutica, etc)
- um ou mais setores agropecuários (arrozeiros, pecuaristas, canavieiros,
etc)
- a tradição familiar (pai, avô, irmãos, marido/esposa
já consagrados na política)
- uma ou mais categorias profissionais (professores, militares, médicos,
metalúrgicos,etc)
- um ou mais movimentos sociais (ONGs, mulheres, negros, sem-terra, etc)
- um ou mais grupo religiosos/confessionais (Igreja Católica, evangélicos,
umbandistas, etc)
- participação na imprensa, clube esportivo, e outras janelas
de visibilidade.
Esses apoios ou bases podem
também se compor entre si, em diferentes proporções,
aumentando as chances do candidato. O Departamento Intersindical de
Assessoria Parlamentar (Diap) e o site Congresso em Foco realizaram
diversos levantamentos sobre a composição da atual legislatura,
reunidos na publicação O que esperar do novo Congresso,
da qual extraímos os dados a seguir, relativos à Câmara
dos Deputados:
- 263 deputados são
profissionais liberais e trabalhadores de nível superior ? e
representam 51% da Casa
- a bancada empresarial desta legislatura é a mais significativa desde
a Constituinte: empresários urbanos e rurais são 182 (35,5% do
total de deputados federais)
- operários e outros trabalhadores são apenas 18 (4%)
- trabalhadores especializados são 17 (3%);
- apresentadores de rádio e TV, artistas e radialistas são 13
(3%);
- pastores e bispos evangélicos são 7 (1,25%);
- policiais são 6 (1%).
Dos 244 novos deputados desta
legislatura, pelo menos 200 já exerceram mandato ou cargo político
em algumas das três esferas de governo (federal, estadual ou
municipal) ou em algum dos poderes Legislativo e Executivo.
Os efetivamente novos, os chamados “supercalouros” (deputados
de primeiro mandato que não exerceram antes qualquer cargo eletivo)
estão restritos a três categorias: os comunicadores (apresentadores
de TV, radialistas, artistas e cantadores), os bispos e pastores evangélicos
e finalmente os parentes de políticos tradicionais.
A bancada dos parentes, reunindo
parlamentares reeleitos e novos que tenham parentesco com políticos
brasileiros tradicionais, representa 20% dos parlamentares da atual
legislatura (Câmara e Senado). Entre os supercalouros esse percentual
chega a 34%.
Além desses fatores capazes de turbinar uma eleição – e
geralmente associado a eles –, o poder econômico exerce uma influência
considerável na definição de quem será ou não
vitorioso na disputa pelo mandato. O jornal Correio Braziliense publicou, em
dezembro de 2006, minucioso levantamento do financiamento das campanhas políticas
pelos 200 maiores doadores. Somente o grupo Gerdau, o segundo maior em doações,
ajudou a eleger 27 deputados.
Responsáveis por um
terço do custo total das campanhas, os grandes doadores investiram
R$ 500 milhões em candidatos de vários partidos e do
país inteiro, atendendo, contudo, a “uma característica
básica”: “beneficiam políticos poderosos,
seja no Congresso, governo federal ou estaduais”. Não
por coincidência, como mostra novamente o Correio Braziliense
em fevereiro de 2007, deputados que receberam volumosas doações
de grandes empresas ocupam postos nas principais Comissões temáticas
da Câmara, onde questões do interesse desses grandes doadores
são encaminhadas e decididas.
Diante de tais constatações,
a pergunta inicial, se o mandato pertence ao deputado, ao partido ou
ao eleitor, nos soa simplista e até ingênua. Há uma
rede complexa de compromissos, lealdades e ambições que
passa ao largo, em grande medida, desses atores do jogo político.
Portanto, seria extremamente
simplista reservar a todos os deputados que mudam de partido epítetos
como “traidores do mandato popular” ou “oportunistas
que renegam seus compromissos partidários”. Os próprios
partidos, no nosso presidencialismo de coalizão, realinham seus
programas e suas estratégias em função do maior
ou menor quinhão de participação que conseguem
obter nas vantagens do poder executivo. Nesta legislatura, diga-se
de passagem, foi o governo o principal beneficiário da rotatividade
partidária, que aumentou a base aliada na Câmara em pelo
menos 24 deputados.
A resposta do Supremo à pergunta
sobre “a quem pertence o mandato” não será a
solução para a questão política da representação
popular. Enquanto não for concretizada uma cabal reforma política
e eleitoral, que inclua soluções alternativas aos atuais
modelos de relação entre o Executivo e o Legislativo
e aos mecanismos de financiamento e de distribuição dos
mandatos, a representatividade do Congresso e os compromissos programáticos
dos partidos continuarão em grande medida pura ficção.
Ficção que o eleitor, a seu modo e talvez confusamente
percebe, e que o leva muitas vezes seja a se desinteressar pela escolha
de um representante, seja a trocar seu voto por alguma vantagem concreta
imediata.
¹João Luiz Pereira
Marciano é doutor em Ciência da Informação
e analista legislativo da Câmara dos Deputados.
² Rejane Maria de Freitas Xavier é jornalista, doutora em Filosofia
e analista legislativa da Câmara dos Deputados.
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Folha de São Paulo,
9 de outubro de 2007
Caixa recorre ao TST para julgar greve
Tribunal fará audiência entre
banco e funcionários; se não houver acordo, movimento
pode ser julgado abusivo
COLABORAÇÃO PARA
A FOLHA
A Caixa Econômica Federal recorreu ao TST (Tribunal Superior do Trabalho)
para que o órgão julgue se a greve dos funcionários do
banco é abusiva. A paralisação dos bancários entra
hoje no sétimo dia.
A Caixa propõe o pagamento adiantado de 70% da PLR (Participação
nos Lucros e Resultados). Representantes dos trabalhadores afirmam que a Caixa
ofereceu só uma antecipação do valor e que o dinheiro
recebido seria menor do que os funcionários ganharam no ano passado.
Ontem à noite, uma nova rodada de negociações seria ser
feita entre as partes.
Se o acordo entre a Caixa e a Contec (Confederação Nacional dos
Trabalhadores em Empresas de Crédito) não ocorrer hoje, na audiência
de conciliação marcada pelo TST, um relator do tribunal será nomeado
para julgar a greve.
A Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro)
afirma que o movimento atingiu, total ou parcialmente, cerca de 80% das agências
do banco no país.
Segundo a Caixa, a greve parou 227 das 2.440 agências do banco -9,3%
do total. A Caixa não inclui no balanço as agências parcialmente
afetadas.
Em São Paulo, o Sindicato dos Bancários de São Paulo,
Osasco e Região afirma que o protesto teve adesão de 75% das
agências. A Caixa não soube informar o percentual das agências
atingidas pela greve na região citada pelo sindicato.
Serviços
afetados
A greve dos funcionários da Caixa prejudica o cliente sobretudo na abertura
de contas e nos contratos imobiliários. O banco diz que os caixas eletrônicos
não foram afetados.
O crédito habitacional é atingido pela paralisação
porque as pessoas que já fizeram a entrevista para obter o serviço
precisam assinar o contrato na mesma agência. Se a unidade estiver fechada,
não é possível continuar o processo.
Bolsas de programas de transferência de renda e benefícios trabalhistas
como o PIS (Programa de Integração Social), o FGTS (Fundo de
Garantia do Tempo de Serviço) e o seguro-desemprego podem ser sacados
em lotéricas, estabelecimentos comerciais cadastrados e agências
da Caixa.
Para receber o dinheiro, é preciso ter o cartão do cidadão,
que pode ser solicitado por telefone, mas precisa ser validado em uma agência
da Caixa.
Em São Paulo, o seguro-desemprego também pode ser pedido nos
postos do Poupatempo. Na Grande São Paulo, as opções são
Sé, Santo Amaro, Itaquera, São Bernardo do Campo e Guarulhos.
No interior, as unidades ficam em Campinas (centro e Campinas Shopping), São
José dos Campos, Ribeirão Preto e Bauru.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO (ON LINE), 09 de outubro de 2007 | Dinheiro
Projeto deve permitir troca de financiamento
imobiliário, diz Mantega
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
O ministro Guido Mantega (Fazenda)
afirmou que o governo estuda uma série de medidas para estimular
o setor da construção civil. Ele espera, com isso, elevar
o crédito disponível para o setor imobiliário. "Nós
temos as condições e o governo está disposto a tomar
as medidas necessárias", afirmou o ministro.
Em exposição no
79º Enic (Encontro Nacional da Indústria da Construção),
o ministro citou três medidas em estudo pelo Ministério
da Fazenda.
A primeira é a portabilidade
do crédito imobiliário. Um trabalhador com financiamento
em um banco poderia transferir seu crédito para outra instituição
financeira caso essa ofereça melhores condições.
No entanto, Mantega afirmou que a concretização dessa medida é complexa.
Outra ação em estudo é criar
um seguro para a construção civil e o financiamento imobiliário
com o objetivo de reduzir o custo dos financiamentos. A última
medida é fazer a concentração da matrícula
do imóvel. Hoje, quando se vende um imóvel, é preciso
verificar em todos os cartórios se há alguma pendência.
O sistema é apelidado no setor de 'Renavel', uma analogia ao Renavam
(Registro Nacional de Veículos Automotores)
Para o ministro, o ministro tem
hoje condições de elevar o crédito destinado ao
financiamento imobiliário. No Brasil, é de 1,5% do PIB
(Produto Interno Bruto). No México, por exemplo, chega a 10%.
Mantega repetiu ainda que para
a continuidade da expansão da economia é necessária
a efetivação de algumas propostas do governo: reforma tributária,
prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória
sobre Movimentação Financeira), desoneração
da folha de pagamentos, controle do aumento dos gastos correntes e os
investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)
na infra-estrutura.
"O Brasil em 2008 vai se
transformar em um grande canteiro de obras", disse ele, assim como
já afirmou a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).
Sinduscom
O presidente da Sinduscom-SP
(Sindicato da Indústria da Construção Civil de São
Paulo), João Claudio Robusti, entregou ao ministro um documento
com as dez medidas que seriam necessárias para estimular o setor
da construção civil no Brasil: novas modalidades para o
trabalhador que tem cotas no FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço),
estímulo ao mercado secundário e garantias para os financiamentos
dados à baixa renda.
Das medidas em estudo pelo
governo federal, a concentração da matrícula do
imóvel também é defendida pelo Sinduscom-SP.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO (ON LINE), 09 de outubro de 2007 | Dinheiro
Setor de construção
civil tem os papéis de maior risco, aponta estudo
EPAMINONDAS NETO
da Folha Online
Pesquisa da consultoria Cyrnel
International aponta as ações do setor de construção
civil como alguns dos papéis de maior risco no grupo de 63 ativos
que fazem parte do Ibovespa. O principal indicador da Bovespa (Bolsa
de Valores de São Paulo) reúne as ações mais
negociadas, que representam 80% dos negócios no mercado acionário
brasileiro.
Nesse caso, o grau de risco não
significa que a ação tem maior ou menor chance de desvalorizar,
mas sim, sua tendência a ser mais ou menos instável em comparação
com o Ibovespa (o grau de risco 1). "A idéia é fornecer
uma estimativa daquela ação variar acima da média
do mercado", afirma Carlos Frederico Werneck, analista da Cyrnel.
Uma ação de grau
de risco 2 teria, de acordo com a consultoria, o dobro do risco do Ibovespa.
O levantamento feito pela Cyrnel
coloca no topo da lista dos papéis de maior risco a ação
da incorporadora e imobiliária Cyrela, com grau de risco 3.68.
Num cenário de estresse absoluto, em que o Ibovespa desabasse
10%, a ação ordinária da Cyrela despencaria 21,32%.
Na ponta oposta, num cenário
de otimismo extremo, com o Ibovespa disparando 10%, o ativo da incorporadora
poderia subir 21,32%, na simulação da consultoria.
Em outro exemplo, a ação
preferencial da Acesita --de grau de risco 1.35-- oscilaria 8,62% para
cima ou para baixo, nos dois cenários acima, segundo a Cyrnel.
Semáforo
O relatório também
classifica as ações por um sistema de cores: vermelho para
os papéis de risco igual ou maior que 2.01; amarelo, para risco
entre 1.51 e 2, e sinal verde, para os papéis de risco igual ou
inferior a 1.50.
As ações de Cyrela,
Cyrela Brasil Realty e Gafisa estão no grupo das ações "sinal
vermelho", além do ativo da Duratex (material de construção)
e a ação ordinária da gigante do setor sucroalcooleiro
Cosan.
Na ponta oposta --as ações "sinal
verde"-- estão as ações de CPFL Energia, Embraer,
Telemar, Telesp, Unibanco, Itausa, AmBev, Itaú, Comgás,
Bradesco, Acesita e Petrobras.
"Essas ações
fazem parte da carteira de fundos de pensão, de grandes investidores
que tendem a manter esses papéis em carteira. Também são
ações de empresas tradicionais, com fundamentos econômicos
melhores", afirma Carlos Frederico.
"As ações
de construção civil são de empresa menores, mais
alavancadas e sem tanto tempo de mercado", acrescenta.
Ele afirma a avaliação
de risco da ação, dentro das critérios da pesquisa,
leva em conta não apenas os fundamentos econômicos da empresa
titular, mas também como o papel é negociado e percebido
pelo mercado.
"A Vale, por exemplo,
também é uma boa empresa, todo mundo sabe que é bem
estruturada. O problema é que a ação está flutuando
muito, e já chegou a desabar 7%", justifica o analista,
lembrando a enorme liquidez do papel.
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24 HORAS NEWS / MATO GROSSO, 09 de outubro
de 2007 | Política
Municípios com menos de 150
mil habitantes terão recursos do PAC
Redação 24HorasNews
Municípios com mais de
50 mil habitantes e menos de 150 mil devem ser contemplados na segunda
rodada de negociações do PAC de saneamento, informou o
ministro das Cidades, Marcio Fortes de Almeida, em palestra no 79º Encontro
Nacional da Construção Civil. Ele afirmou que a segunda
rodada de negociações deve começar na segunda quinzena
deste mês.
O ministro também destacou a necessidade de apoio para a elaboração
de projetos, a qualificação de mão-de-obra e a limitação
da capacidade industrial. Fortes observou que a capacidade industrial é sinal
positivo que estimula novos investimentos.
A primeira rodada de negociação do PAC, que incluiu habitação,
teve participação de representantes de governos de todas as unidades
da federação e de 187 municípios de regiões metropolitanas
ou com população superior a 150 mil habitantes.
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AGÊNCIA BRASIL, 09
de outubro de 2007
Construção civil espera
crescimento com obras do PAC
Se a construção civil crescer
entre 5% e 15% a partir do ano que vem, será um resultado
importante, pois o país passou 25 anos com o setor estagnado,diz
dirigente.
Da Redação
Brasília - Qualquer resultado
obtido neste ano nas obras do Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC) na área da construção civil será um
bom começo. A afirmação foi feita pelo presidente
da Câmara Brasileira da Indústria da Construção
Civil (CBIC), Paulo Simão. Segundo ele, se a construção
civil crescer entre 5% e 15% a partir do ano que vem, será um
resultado importante, pois o país passou 25 anos com o setor estagnado.
De acordo com Simão, nesse
período, tudo foi desmantelado, incluindo a organização
dos três níveis de governo (municipal, estadual e federal)
em torno da questão. Entretanto, ressaltou o empresário,
a reestruturação do setor já está ocorrendo,
embora ainda haja "descasamento" de iniciativas entre os governos
federal, estaduais e municipais. Simão destacou que, sobretudo,
nas duas últimas décadas, desestruturaram-se os órgãos
que tratavam de investimentos para a construção.
Ele disse que, no passado, o
Brasil tinha um pacto muito bom de empresas de consultoria e projetos. "Era
o melhor do mundo. Agora, elas [empresas] estão começando
a se reorganizar". Apesar de destacar a falta de projetos e as dificuldades
de gestão pública, ambiental e legal para as obras do PAC,
o empresário mostrou-se confiante na reestruturação
dessa área da indústria por meio de discussões entre
os atores envolvidos.
A CBIC é uma das entidades
patrocinadoras do 79º Encontro Nacional da Indústria da Construção
Civil, que está sendo realizando em Brasília desde quarta-feira
(3). O presidente da instituição apontou problemas de garantia,
seguro, burocracia de cartórios e falta de estímulo ao
investidor como fatores que prejudicam o mercado imobiliário brasileiro.
Para ele, é preciso estimular o comprador.
Antigamente, quem comprava um
imóvel financiado abatia parte dos juros no Imposto de Renda,
lembrou Simão. Ele disse, entretanto, que a área econômica "é radicalmente
contra" a restauração desse benefício. Além
disso, ressaltou Simão, "o governo se preocupa muito em desonerar
materiais de construção - o que é bom, sem dúvida
- mas os empresários acham mais favorável desonerar o produto
final". As informações são da Agência
Brasil.
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JORNAL A TARDE / MINAS GERAIS,
09 de outubro de 2007 | Política
Esquerda dividida cria central sindical
Josiane Schulz, do A Tarde
A decisão da Corrente Sindical Classista (CSC) de se desligar da Central Única
dos Trabalhadores (CUT), tomada em encontro nacional realizado no último
final de semana e que deve ser oficializada nos próximos dias, expôs
alguns conflitos enfrentados nos últimos anos pelo sindicalismo brasileiro.
Composta, em sua maioria, por militantes do PCdoB, a CSC não é a
primeira a deixar a CUT após a eleição de Luiz Inácio
Lula da Silva à Presidência do Brasil, em 2002. O primeiro grupo
a debandar foi o PSTU, que formou a Coordenação Nacional de Lutas
(Conlutas), uma central com cinco sindicatos registrados no Ministério
do Trabalho e Emprego (MTE).
Mas mesmo com as dissidências,
ou a formação de novas centrais a partir de sindicatos
independentes, a CUT permanece como a mais poderosa organização
de trabalhadores do Brasil. Dos 3.500 sindicatos abrigados em centrais,
quase 50% estão com a CUT. Em segundo lugar, está a Força
Sindical, com menos da metade de entidades filiadas, conforme dados do
MTE.
O principal argumento que justificou
a saída do PSTU da maior central sindical brasileira ecoa agora
pela boca dos comunistas: a CUT teria deixado de representar os trabalhadores
por ter se alinhado com o governo Lula, e na Bahia, com o governo Jaques
Wagner. Apesar da tentativa da CSC de desvincular a decisão do
campo partidário, é evidente que as relações
estremecidas entre petistas e comunistas, desde que Aldo Rebelo foi isolado
na disputa pela presidência da Câmara dos Deputados, influenciaram
no debate.
“A CUT tinha uma perspectiva
socialista que foi abandonada”, critica Rui Oliveira, presidente
do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da
Bahia (APLB), um dos maiores sindicatos baianos com forte tendência
a deixar a central. “A CUT adotou uma posição ambígüa,
que confunde sindicato com partido. Ninguém está rompendo,
quem se afastou foi a CUT”, argumenta. Segundo ele, durante a greve
dos professores estaduais na Bahia, a APLB solicitou à direção
nacional da CUT a anistia da contribuição “para consolidar
a greve. Até hoje não tivemos resposta”. A desfiliação
da APLB é dada como certa, mas o assunto será decidido
em assembléia, ainda sem data marcada.
De acordo com o deputado estadual
Javier Alfaya (PCdoB), a saída dos comunistas da CUT é um
movimento nacional a partir do acúmulo de descontentamentos. “Não
vemos mais a CUT em campanhas nacionais, debatendo com o governo metas
de inflação, salário mínimo, a situação
dos funcionários públicos, que são tarefas de central”,
diz. Alfaya não descarta o viés político-partidário
da decisão. “A movimentação do PT em relação
ao episódio da Presidência da Câmara foi esdrúxula.
Também temos críticas à posição do
governo Lula que tem sido conservadora, principalmente na política
econômica”, critica.
ELEIÇÕES - A decisão
também é estratégica no campo eleitoral. Até dezembro
o grupo se unirá em uma nova entidade – a Central Sindical
Classista e Democrática (CSCD), que, conforme as estimativas,
terá cerca de 800 sindicatos. Se confirmada essa expectativa,
a CSCD nascerá ocupando a segunda posição no ranking
das maiores centrais. Com isso, o PCdoB terá maiores chances de
viabilizar a meta de ter candidatos próprios em 17 capitais e
em 87 cidades com mais de 200 mil eleitores.
“A tendência da CSCD é ter
maior força na Bahia, mas, no plano nacional, nós dirigimos
sindicatos importantes, como o dos metroviários de São
Paulo e a maioria dos sindicatos metalúrgicos do setor automotivo.
A nossa central, que permitirá a pluralidade de idéias,
a proporcionalidade qualificada na direção, abrirá um
leque possível para que, independente de ligação
com partido político, haja espaço para fazer o debate“,
afirma Adilson Araújo, diretor do Sindicato dos Bancários
de Salvador.
Procurada, a CUT nacional
não atendeu a pedidos de entrevista. O presidente da CUT Bahia,
Martiniano Costa, rebateu recentemente críticas ao suposto caráter ‘chapa
branca’ da central : “Seria melhor que eles assumissem
que a decisão é política ao invés de usarem
argumentos falsos”.
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AGÊNCIA BRASIL, 09
de outubro de 2007
Centrais sindicais pressionam deputados
para aprovar projeto de legalização
Iolando Lourenço
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Representantes de várias centrais sindicais pressionaram
os parlamentares ontem (8), na Câmara dos Deputados, para votarem logo
a legalização prevista em projeto de lei do Poder Executivo.
O projeto tramita em urgência constitucional e no dia 27 passará a
trancar a pauta da Câmara, se não for votado.
De acordo com o presidente da
Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), a aprovação
desse projeto é uma luta histórica dos trabalhadores: "As
centrais sindicais foram criadas à margem da lei e agora a gente
está trabalhando para que elas funcionem dentro da lei".
A partir da legalização,
acrescentou, será possível juntar todas as categorias em
uma única organização e as centrais poderão
representar os trabalhadores na Justiça comum e federal. "Com
isso, no caso de um processo que poderia demorar 20 anos, nós
poderemos entrar direto no Supremo Tribunal federal e resolver rapidamente
a questão", disse.
O deputado informou ainda que
de acordo com as regras estabelecidas no projeto, quatro centrais se
legalizariam imediatamente: Força Sindical, Central Única
dos Trabalhadores (CUT), Nova Central Sindical e União Geral dos
Trabalhadores (UGT). "As outras teriam alguma dificuldade de se
legalizarem nesse momento", avaliou.
O presidente da Câmara,
deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), que se reuniu com os dirigentes
das centrais sindicais, disse que o projeto poderá ser colocado
em votação antes da proposta de emenda à Constituição
que prevê a prorrogação da Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF),
se a pauta de votações for destrancada até amanhã (9).
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JORNAL GAZETA DO POVO, 09 de
outubro de 2007 | Mundo
História
Após 40 anos, cresce o mito de
Che
Guerrilheiro que lutou com Fidel na revolução
cubana recebe homenagens em vários países
Havana – Ernesto Che Guevara, lenda revolucionária do século
20, foi morto em 9 de outubro de 1967 na Bolívia e hoje, 40 anos depois
de sua morte, o mito daquele que tentou propagar o fogo da rebelião
pela América Latina permanece vivo, embora ainda gere controvérsias.
Em Cuba, Bolívia, Venezuela,
México, Nicarágua, na Argentina e em outros países
onde seus ideais são reivindicados por movimentos sociais ou pela
esquerda no poder, estão sendo realizados desde ontem atos políticos,
marchas, shows, mostras de cinema, feiras e exposições
fotográficas.
Uma das polêmicas em torno
da figura do líder guerrilheiro gira em torno da autenticidade
de seus restos mortais. Ex-agentes cubanos da CIA e dois jornalistas
que acompanharam o caso consideram que os exames realizados na ossada
foram manipulados por ordem de Fidel para fazer propaganda política.
Para Cuba, para a família
e para os admiradores de Che, os questionamentos são fruto de
uma campanha de desprestígio contra a imagem do ídolo e
da revolução cubana.
O certo é que seu trágico
fim forjou a lenda de um homem cujo rosto, imortalizado em uma foto de
Alberto Korda, circula pelo mundo exibido em marchas ou estampado em
cartazes, camisas, garrafas de cerveja, cinzeiros e até em biquínis.
Milhões de cubanos e turistas estrangeiros já passaram, desde
1997, pelo Memorial em Santa Clara, onde foi erguida uma estátua de
bronze de quase sete metros de altura, segundo dados oficiais.
Fidel Castro, companheiro de
lutas de Che, homenageou e expressou agradecimento ao revolucionário
argentino em um artigo publicado ontem no jornal cubano “Granma”.
“Faço uma pausa
no combate diário para me inclinar, com respeito e gratidão,
ante o combatente excepcional que foi morto em 8 de outubro, há 40
anos”, disse Castro, que foi afastado do poder há 14 meses
devido a graves problemas de saúde.
O líder cubano lembrou
o “exemplo” dado por Che, que liderou uma frente que atravessou
as Províncias do sudeste de Cuba quando lutou na Serra Maestra,
e tomou a cidade central de Santa Clara, onde se celebra a comemoração
do 40.º aniversário de sua morte.
Fidel, que há dez anos
presidiu uma cerimônia de exumação dos restos de
Che em Santa Clara, levados a Cuba após serem achados na Bolívia,
reconheceu também o trabalho de Guevara como criador das jornadas
de trabalho voluntário.
“Ele nos deixou seu estilo
inconfundível de escrever, com elegância, brevidade e veracidade,
cada detalhe do que passava em sua mente. Ele era um predestinado, mas
não sabia disso. Ele combateu conosco, e por nós”,
disse ainda Fidel.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 09 de outubro de 2007
| Mundo
História
Homenagens em Cuba e na Bolívia
Havana e La Paz – O presidente
interino de Cuba, Raúl Castro, comandou ontem homenagem ao líder
guerrilheiro argentino Ernesto Che Guevara, ao se cumprirem os 40 anos
da sua morte. O líder convalescente Fidel Castro publicou um artigo
no qual classificou Guevara de “excepcional combatente.” Também
ocorreu uma homenagem em Vallegrande, na Bolívia, onde Che foi
executado em 1967.
O ato principal ocorreu na Praça
Ernesto Che Guevara, em Santa Clara, 270 quilômetros ao leste de
Havana, onde existem um monumento em homenagem a Guevara e um mausoléu
no qual seus restos mortais foram sepultados em 1997.
Na Bolívia, o presidente
Evo Morales homenageou Che e instou o público a seguir a luta
do líder. Os jornais bolivianos criticaram Morales, porque ele
não homenageou os 55 soldados bolivianos caídos em combate
contra a guerrilha de Che. Morales afirmou que a “América
Latina não pode continuar a ser o quintal do Império”,
numa referência aos EUA.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 09 de outubro de 2007
| Mundo
História
Lembrando a motocicleta

Havana – Ernesto, o filho mais novo de Che Guevara, passou diante do
túmulo de seu pai, no memorial da cidade de Santa Clara, em Cuba, montado
em uma Harley-Davidson. O ato foi, segundo afirmou, uma singular homenagem
que ele e seus colegas motociclistas cubanos prestaram ao guerrilheiro.
Escoltado por 37 motoqueiros,
Ernesto guardou um minuto de silêncio à saída do
monumento, para depois prestar um ensurdecedor tributo: acelerou à toda
velocidade sua moto vinho modelo 45, de 1937.
Che Guevara foi um amante das
motocicletas, veículo que usou para viajar pela América
do Sul com o amigo Alberto Granado, em 1952. A aventura ficou registrada
no filme Diários de Motocicleta, do brasileiro Walter Salles.

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