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Agência
Senado, 12 de outubro de 2007
PRESIDÊNCIA
Renan anuncia licenciamento da
Presidência do Senado
O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) anunciou nesta quinta-feira (11), em
pronunciamento gravado e transmitido pela TV Senado, seu licenciamento,
pelo prazo de 45 dias, do cargo de presidente do Senado. Ele justificou
que, com o seu gesto - tomado unilateralmente - preserva a harmonia na
instituição, deixa claro o seu respeito pelos interesses
do país e homenageia as responsabilidades das funções
que exerce, contribuindo para evitar a repetição dos constrangimentos
ocorridos na sessão da última terça-feira (9).
- Reafirmo que enfrentarei os processos, como fiz até agora, à luz
do dia, com dignidade e sem subterfúgios. Não lancei
mão das prerrogativas de presidente do Senado em meu benefício
ou contra quem quer que seja. A minha trincheira de luta sempre
foi a inflexível certeza da inocência, a qual, estou
convicto, prevalecerá com a verdade, como aconteceu na
minha absolvição - afirmou Renan.
Em seu pronunciamento, Renan Calheiros disse ainda que "o
poder é transitório, enquanto a honra é um
bem permanente", que ele não sacrifica em nome de
nada. O senador por Alagoas antecipou que resistirá firme
na sua defesa, honrando a confiança da sua família,
do povo alagoano, dos seus amigos, dos colegas do Senado e dos
que, mesmo sem conhecê-lo, com seu apoio, mensagens e orações,
lhe deram forças. Ele garantiu que não decepcionará a
estas pessoas.
A íntegra do pronunciamento
"Na noite de hoje, decidi me licenciar da Presidência
do Senado Federal, pelo prazo de 45 dias, a fim de demonstrar,
de forma cabal e respeitosa, à Nação e a
todos os ilustres senadores, que não precisaria do cargo
de presidente do Senado Federal para me defender. Agindo assim,
afasto, de uma vez por todas, o mais recente e injusto pretexto
usado para tentar dar corpo à inconsistência das
representações enviadas, sem qualquer indício
ou prova, ao Conselho de Ética do Senado Federal.
Com este meu gesto, que é unilateral, preservo a harmonia
no Senado, deixo claro o meu respeito pelos interesses do País
e homenageio, sem dúvida, as altas responsabilidades das
funções que exerço, contribuindo decisivamente
para evitar a repetição dos constrangimentos ocorridos
na Sessão de 9 de outubro.
Reafirmo que enfrentarei os processos, como fiz até agora, à luz
do dia, com dignidade, sem subterfúgios. Não lancei
mão das prerrogativas de Presidente do Senado em meu benefício
ou contra quem quer que seja. A minha trincheira de luta sempre
foi a inflexível certeza da inocência, a qual, estou
convicto, prevalecerá com a verdade, como aconteceu na
minha absolvição.
O poder é transitório enquanto a honra é um
bem permanente, que não sacrifico em nome de nada. Resistirei
firme na minha defesa, honrando a confiança da minha família,
do povo de Alagoas, dos meus amigos, dos meus colegas do Senado
Federal e daqueles que, mesmo sem me conhecer, com seu apoio,
suas mensagens, suas orações me deram forças
até agora. A estes certamente não decepcionarei.
Aguardarei serenamente que a Justiça e a verdade prevaleçam.
Brasília-DF, 11 de outubro de 2007.
Senador RENAN CALHEIROS"
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Agência
Senado, 12 de outubro de 2007
PRESIDÊNCIA
Tião Viana assume a Presidência
do Senado

Na avaliação do senador Tião Viana (PT-AC), 1º vice-presidente
do Senado, o licenciamento do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) da Presidência é um
gesto a favor do fim da tensão instalada na Casa. Ele disse acreditar
que o gesto possibilitará a recuperação do ambiente
de pacificação das relações partidárias
e políticas e a retomada da agenda legislativa.
O senador, que se encontrava no Acre, disse, em rápida
entrevista concedida à Agência Senado nesta quinta-feira
(11), por telefone, que as atenções também
devem voltar-se à votação da proposta de
emenda à Constituição (PEC 89/07) que prorroga
até 2011 a Contribuição Provisória
sobre Movimentação Financeira (CPMF). Ele frisou
que "o assunto é relevante e de interesse do Brasil",
mas não quis fazer qualquer prognóstico sobre os
resultados.
Tião Viana ressaltou que manterá a coerência,
a ética e o respeito à instituição
e aos senadores no período em que permanecerá na
Presidência.
Biografia
Sebastião Afonso Viana Macedo Neves, o senador Tião
Viana (PT-AC), é o 1º vice-presidente do Senado e
assume a presidência da Casa com o afastamento de Renan
Calheiros (PMDB-AL) do cargo, licenciado por 45 dias.
Natural de Rio Branco, no Acre, Tião é médico
com doutorado em Medicina Tropical. É irmão do
ex-governador do estado, Jorge Viana. Casado com Marlúcia,
o senador tem três filhos: Mariah, Catarina e Virgílio.
Eleito senador pela primeira vez em 1998, Tião foi reeleito
em 2006 para um novo mandato de oito anos que se iniciou em fevereiro
de 2007 e vai até janeiro de 2015. O petista obteve mais
de 187 mil votos, quase 64% dos votos válidos, contra
o candidato Airton Rocha.
Foi líder do PT e do bloco de apoio ao governo em 2003,
além de titular em diversas comissões permanentes.
Relatou a proposta de emenda à Constituição
(PEC 67/03) da reforma da Previdência, aprovada em 2003,
que instituiu a cobrança de contribuição
previdenciária de 11% de funcionários públicos
aposentados, além de reduzir o valor das pensões
em 30% sobre o que exceder R$ 2.400. Também integrou a
Comissão Parlamentar de Inquérito dos Bingos (em
2005) e preside a do Apagão Aéreo (em 2007), ainda
funcionando no Senado.
A saúde pública é uma de suas principais
bandeiras. Tião Viana é autor do que regulamenta
a Emenda Constitucional 29 e inclui, como gastos em saúde,
despesas com saneamento e pagamento de inativos.
Sua agenda política neste mandato, disse Tião
Viana à Agência Senado na ocasião de sua
posse, em fevereiro deste ano, também envolverá temas
como o avanço do financiamento público para áreas
essenciais; o debate de grandes questões nacionais como
a biotecnologia e o uso de células-tronco; a Previdência
Social e a revisão e a modernização do processo
legislativo.
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Agência
Câmara, 12 de outubro de 2007
Aconteceu
Trabalho aprova férias integrais
para trabalhador grevista
Divulgação

Santiago: férias são uma questão de saúde
A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço
Público aprovou na terça-feira (9) o Projeto de Lei 6739/06,
do deputado Marco Maia (PT-RS), que assegura aos trabalhadores o gozo integral
de suas férias (30 dias) mesmo quando eles faltam ao trabalho devido à participação
em movimentos grevistas. A proposta altera a Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT - Decreto-Lei 5452/43), que determina o cálculo
do período de férias proporcionalmente à quantidade
de faltas do trabalhador.
De acordo com o projeto, os dias de greve não serão
considerados falta ao serviço, e os períodos em
que o empregado deixe de trabalhar por mais de 30 dias em razão
de paralisação dos serviços da empresa não
significam a perda das férias.
Recuperação
O relator, deputado Roberto Santiago (PV-SP), apresentou parecer favorável à proposta.
Ele ressaltou que o período de férias é necessário
para que os trabalhadores "recuperem suas forças físicas
e psíquicas, com um merecido descanso de 30 dias, após
o dispêndio de suas forças de trabalho por um período
de 12 meses". "É, portanto, uma questão de saúde
laboral", disse.
Ainda segundo o relator, ao permitir que os dias parados em
virtude de greve sejam descontados do período de férias,
a legislação brasileira tenta inibir o livre exercício
do direito de greve, garantido na Constituição.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado
pela Comissão de Constituição e Justiça e
de Cidadania.
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Agência
Câmara, 12 de outubro de 2007
Aconteceu
Comissão aprova norma
para carteira de trabalho de menor
A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço
Público aprovou na terça-feira (9) a exigência do acompanhamento
de um responsável legal para que o menor entre 14 e 16 anos possa
tirar a Carteira de Trabalho. Atualmente, a Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT - Decreto-Lei 5.452/43) autoriza apenas os próprios
interessados a fazer o pedido da carteira. A regra aprovada consta do substitutivo
do relator, deputado Mauro Nazif (PSB-RO), ao Projeto de Lei 3126/04, do
deputado Eduardo Valverde (PT-RO).
O projeto original permitia que os responsáveis pelos
adolescentes entre 14 e 16 anos fizessem o pedido de emissão
da carteira de trabalho mesmo na ausência do interessado.
Na avaliação do relator, no entanto, o adolescente
também deve comparecer ao órgão que emite
a carteira.
Proteção
Com a apresentação do substitutivo, o relator tem por objetivo "explicitar
na legislação trabalhista as determinações
do direito civil relacionadas à capacidade, visando à proteção
dos menores de idade". De acordo com o Código Civil (Lei
10406/02), os menores de 16 anos necessitam ser representados legalmente
nos atos da vida civil.
Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, ainda será analisado
pela Comissão de Constituição e Justiça e
de Cidadania.
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Agência
Câmara, 12 de outubro de 2007
Projeto
Projeto prevê ambiente
salubre para gestante e lactante
A Câmara analisa o Projeto de Lei 814/07, do deputado Sandes Júnior
(PP-GO), que permite o afastamento temporário da empregada gestante
ou lactante de quaisquer atividades, operações ou locais
insalubres. A proposta altera a Consolidação das Leis do
Trabalho (CLT - Decreto-Lei 5.452/43) e determina que, durante o afastamento,
a trabalhadora exercerá suas atividades em local salubre e receberá o
pagamento integral de seu salário, inclusive com o adicional de
insalubridade.
O autor da proposta argumenta que o trabalho em ambientes insalubres é prejudicial
não só para as trabalhadoras, mas principalmente
para o feto e para a criança em fase de amamentação.
Ele lembra que várias proibições discriminatórias
ao trabalho feminino caíram, com a adoção
do princípio da igualdade pela Constituição
Federal de 1988. Dessa forma, não são mais proibidas
para a mulher as prorrogações da jornada, o trabalho
insalubre, perigoso, noturno, em locais subterrâneos, minerações,
subsolos, pedreiras e nas obras de construção,
como previsto anteriormente em dispositivos da CLT.
Foram mantidas na legislação atual apenas as disposições
que têm por objeto medidas protetoras em relação
ao período de gravidez, pós-parto e amamentação
e a certas situações peculiares à mulher,
como sua impossibilidade física de levantar pesos excessivos.
Tramitação
O projeto será analisado, em caráter conclusivo, pelas
comissões de Trabalho, de Administração e Serviço
Público; e de Constituição e Justiça e de
Cidadania.
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Agência
Diap, 12 de outubro de 2007
LEGISLAÇÃO TRABALHISTA
Grupo de Trabalho do MTE vai consolidar
CLT
O Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE) constituiu um grupo
de trabalho que vai atualizar a Consolidação das Leis do
Trabalho (CLT). O grupo, coordenado pelo secretário de Relações
do Trabalho, Luiz Antônio de Medeiros, deverá apresentar um
relatório preliminar de suas atividades em 30 dias ao ministro do
Trabalho, Carlos Lupi, de acordo com a Portaria 463, de 9 de outubro de
2007.
A portaria determina que fica vedada a elaboração de normas
que retirem direitos dos trabalhadores. Segundo a assessoria de imprensa
do ministério, o grupo não tem o objetivo de inserir novos
dispositivos, mas sim de abolir aqueles já revogados tacitamente.
Uma das intenções é facilitar o entendimento da redação
de algumas leis, fazendo com que o grupo elabore uma espécie de "reedição" da
CLT.
Segundo a assessoria do ministério, o trabalho do GT pretende ainda
ampliar o espaço de atuação dos sindicatos. Recentemente,
o órgão sinalizou algumas mudanças neste sentido.
A Portaria 412, de 21 de setembro de 2007, estabeleceu que as empresas
que realizam jornada de trabalho nos regimes de turnos ininterruptos de
revezamento somente poderão alterar os horários de trabalho
de seus funcionários por meio de convenção ou acordo
coletivo.
GT da Câmara
Nesta semana, a Câmara dos Deputados instalou grupo de trabalho
que vai consolidar a legislação brasileira. Dentre os 20
temas em que foi divido o trabalho, a CLT é um deles. O projeto
de atualização da legislação trabalhista
está pronto e será submetido ao exame do GT, da sociedade,
que poderá oferecer sugestões e a Comissão de Constituição
e Justiça da Casa também emitirá parecer sobre o
texto.
Depois, o que for aprovado pelo GT e a CCJ será submetido
aos deputados em plenário. Em algum momento, o trabalho
realizado pelo GT do Ministério se encontrará com
a elaboração do grupo que estuda o tema na
Câmara. (Marcos Verlaine)
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Diário
Vermelho, 12 de outubro de 2007
Pedágio mais barato motiva
TCU a investigar contratos da era FHC
O TCU (Tribunal de Contas da União) determinou
que a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres)
faça uma análise sobre os pedágios cobrados
nas rodovias federais privatizadas no governo do tucano Fernando
Henrique Cardoso, cujos valores dos pedágios são
muito superiores aos das concessões realizadas pelo
governo Lula no início desta semana.
Se a análise concluir que os contratos da gestão tucana estão
desequilibrados, os técnicos do tribunal afirmam que a ANTT terá de
fazer uma revisão extraordinária das tarifas. O pedido foi
apresentado pelo ministro Ubiratan Aguiar e aprovado por unanimidade pelo
plenário do TCU.
Entre as rodovias que já são administradas por empresas privadas
estão a Presidente Dutra (São Paulo-Rio) e a Ponte Rio-Niterói.
A preocupação do TCU foi provocada pelo resultado do leilão
de novas concessões realizado na terça-feira, no qual os
preços definidos para os futuros pedágios ficaram muito abaixo
daqueles cobrados nas concessões atuais.
No caso da Rodovia Fernão Dias (São Paulo-Belo
Horizonte), a empresa vencedora da concessão, a espanhola
OHL, se comprometeu com uma tarifa de R$ 0,997 para veículos
de passeio. Na Dutra, a tarifa cobrada hoje chega a R$ 7,80.
Ainda segundo os técnicos, o TCU tomou a iniciativa
por ter havido forte competição no leilão
de terça-feira, apesar de a taxa interna de retorno
(TIR) ter sido reduzida para 8,95% ao ano. Os técnicos
salientaram que as taxas de retorno das concessões
federais atuais são bem maiores, entre 17% e 24%.
Procurada, a ANTT informou ontem que ainda não havia
sido comunicada oficialmente pelo TCU para fazer o estudo,
mas ressaltou que o tribunal acompanhou todos os processos
de concessões de rodovias - tanto das estradas que
já estão sendo operadas por empresas privadas,
quanto das que foram leiloadas nesta semana.
São Paulo
Entidades de defesa do consumidor, advogados e promotores
levantaram ontem a possibilidade de revisão dos contratos
de concessão em São Paulo, Estado administrado
há 13 anos por sucessivos governos tucanos e que tem
as tarifas mais altas do país.
Nesse período, os pedágios nas estradas paulistas
sofreram reajustes que superaram em até 204% a inflação
acumulada.
“Não há justificativa para uma disparidade
tão grande”, afirmou José Eduardo Tavoliere,
presidente da Comissão de Direito do Consumidor da
OAB de São Paulo.
Também questionam as tarifas a Promotoria de Justiça
de Defesa do Consumidor e a Associação Brasileira
de Defesa do Consumidor.
Na AutoBan, que administra as rodovias Anhanguera e Bandeirantes,
o pedágio é de R$ 14 para cada 100 quilômetros.
No complexo Anchieta-Imigrantes, a tarifa chega a R$ 15,40.
Não só o preço do pedágio, mas também
a quantidade de praças assustam o motorista que circula pelo Estado.
Atualmente, há 103 postos de pedágio espalhados pelas estradas
paulistas. E o governador José Serra já anunciou que este
número vai aumentar ainda mais. Nos próximos meses, deve
entrar em funcionamento os pedágios do Rodoanel, que circunda
a capital paulista.
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Diário
Vermelho, 12 de outubro de 2007
Salários na Alemanha estão
estagnados há 20 anos
As estatísticas do Ministério do Trabalho da Alemanha
confirmam as dificuldades crescentes que os trabalhadores alemães
sentem no seu dia-a-dia. Hoje, o valor nominal do salário médio
líquido é praticamente idêntico ao registado em 1986.
Se há 20 anos a remuneração média
anual dos alemães atingia os 15.785 euros líquidos
(1315,40 euros/mês), em 2006 aquele valor não
foi além dos 15.845 euros (1320.42 euros/mês),
ou seja, uma diferença de apenas cinco euros a mais
por ano.
Segundo o jornal Bild, a clara degradação
do poder de compra dos alemães resulta, por um lado,
do fato das atualizações salariais não
terem acompanhado a inflação. E por outro do
acentuado aumento dos impostos e das quotizações
sociais que incidem sobre os salários brutos.
O mesmo jornal, citado pelo diário francês
Le Monde (25/9), indica que, em 2006, os descontos nos vencimentos
atingiram 9.291 euros, montante que em 1986 foi apenas de
5.607 euros, ou seja, um aumento de cerca de dois terços.
Salários reais descem mais de
40%
Aceitando que no período em análise se verificou
uma inflação média de apenas dois% ao
ano, conclui-se que os salários sofreram, só por
esta via, uma redução real de 40% nas últimas
duas décadas.
A divulgação destes dados, em setembro, reabriu
o debate sobre o agravamento da injustiça na distribuição
da riqueza, o aprofundamento das desigualdades sociais e
a necessidade cada vez mais evidente de instaurar um salário
mínimo nacional.
Para reenquadrar o problema, o Ministério do Trabalho
esclareceu que os dados de 1986 não podem ser comparados
uma vez que apenas se referem à República Federal
Alemã, enquanto a estatística relativa a 2006
inclui já o território da antiga República
Democrática Alemã, o que determinou uma baixa
dos valores médios.
Contudo, esta intervenção do governo não
convenceu os mais atentos. É que, como nota o Bild,
jornal nacional de grande tiragem, já depois da unificação,
em 1992, o salário médio líquido em
toda a Alemanha elevava-se a 17.251 euros por ano, ou seja,
estava 1.406 euros por ano acima do valor apurado em 2006.
Por outras palavras, constata-se que é precisamente
após a "queda do muro" que a ofensiva contra
os salários e direitos dos trabalhadores ganhou mais
força na Alemanha.
Tensões agudizadas
De resto, o ministro social-democrata do Trabalho e vice-chanceler,
Franz Müntefering, não negou que "na realidade,
os acordos salariais têm ficado atrás da evolução
dos preços". Um "desequilíbrio nítido" reconheceu
o governante, defendendo uma evolução salarial
positiva capaz de dar "um impulso à economia".
Os reflexos do estrangulamento das camadas trabalhadores
são há muito visíveis na retração
do mercado interno. De acordo com dados divulgados no final
do mês passado, o comércio varejista registrou
uma nova queda em agosto de 1,4%. Mas o Gabinete Federal
de Estatísticas observa que em relação
ao ano anterior a queda atinge os 2,2%, valor muito acima
dos 1,4% previstos pelos analistas.
A diminuição das vendas é observada
quer nos produtos alimentares quer nas restantes categorias
de produtos, como o vestuário por exemplo, que sofreu
uma redução de 2,9%.
Face à notória diminuição da
procura interna, as grandes empresas procuraram garantir
os seus lucros orientando-se para os mercados internacionais.
A Alemanha é há vários anos o primeiro
exportador mundial, registrando sucessivos recordes em excedentes
comerciais.
No entanto, a agudização das tensões
na sociedade alemã é hoje uma preocupante evidência
até para o conservador presidente da República,
Horst Koehler, antigo diretor do FMI.
No seu discurso anual de Berlim, na segunda-feira (1.°/10),
Koehler aludiu ao aprofundamento do fosso entre os rendimentos
dos mais pobres e dos mais ricos, advertindo que "o
sucesso de uns não deve tornar-se o fracasso de outros".
Na sua opinião, a sociedade alemã só aceitou
no passado a crescente discrepância nos salários "porque
a curva era ascendente para todos e tem de continuar a ser".
Todavia, neste sentido, o político democrata-cristão
apenas se pronunciou a favor de uma maior participação
dos trabalhadores no capital das empresas, uma proposta recentemente
avançada pelo presidente dos sociais-democratas (SPD),
Kurt Beck.
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Congresso em Foco, 12 de outubro de 2007
Governo ameaça retaliar estados
de senadores contrários à CPMF
Líder do PT no Senado, Ideli
Salvatti diz que “compartilhamento” de recursos
será feito de acordo com “comportamentos no
Senado”.
Aviso aos navegantes
Eduardo Militão
O Palácio do Planalto ameaça retaliar os estados cujos
senadores votarem contra a CPMF ou que impedirem a aprovação
da proposta ainda este ano. Caso não consiga aprovar a prorrogação
do chamado imposto do cheque até 31 de dezembro, o governo terá de
esperar ao menos três meses para retomar a arrecadação
do tributo, o que pode causar um prejuízo de R$ 10 bilhões
para os cofres da União.
Os governistas contam com a oposição para aprovar o
tributo. Primeiro, porque o PSDB tem um projeto de poder para 2010
com fortes chances de ser concretizado pelos dois pré-candidatos
tucanos, os governadores Aécio Neves (MG) e José Serra
(SP). Segundo, porque esses e outros governadores desejam o tributo,
numa perspectiva de repartição de receitas de outras
fontes, como o PAC da Habitação e do Saneamento.
“Os compartilhamento serão compatíveis com os
comportamentos [no Senado]”, avaliou a líder do PT, Ideli
Salvatti (SC). Assim, a falta de R$ 10 bilhões na arrecadação
comprometeria a divisão de recursos para os estados. "Não é ameaça. É óbvio.
O presidente Lula já disse isso", avisou.
O governo trabalha com a convicção de aprovar a CPMF
até os últimos dias de 2007, mas a oposição
entende que pode adiar a votação para depois de 31 de
dezembro. Isso extinguiria o tributo e obrigaria o governo a só renová-lo
depois de um prazo de 90 dias, a chamada noventena. Dessa forma, os
projetos da oposição para 2010 estariam garantidos, comprometendo
apenas os compromissos do atual governo.
Caminho aberto
Com a saída de Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência
do Senado, o caminho para a CPMF está aberto. Ao contrário
do que diziam emissários do governo, o presidente Lula atuou
na licença do alagoano por 45 dias. O governo até reconhece
a postura solidária de Renan durante o escândalo do mensalão,
mas o temor era que a presença dele na Casa virasse pretexto
para se derrubar o tributo que gera R$ 40 bilhões anuais de
arrecadação.
Até graduados peemedebistas defendiam a saída de Renan.
Ninguém queria a cassação do alagoano. Entretanto,
como ele insistia em ficar no cargo, contra a vontade dos colegas,
a solução seria derrubá-lo de vez do mandato.
Para oposicionistas, a ação do Planalto foi clara no
recuo estratégico de Renan. Marconi Perillo (PSDB-GO) considerou
a licença por 45 dias como “mais uma manobra suja do governo" para
aprovar a CPMF”. Ele considera que Renan deveria ir mais longe
e renunciar logo ao cargo de senador. “Esse é mais um
tiro do governo Lula contra o cidadão brasileiro que não
aguenta pagar mais imposto."
Mas, por trás dos discursos inflamados, diversos integrantes
da oposição apóiam a CPMF. O líder do PSDB,
Arthur Virgílio (AM), declarou, por exemplo, que o partido aprovaria
a renovação do tributo se o governo apoiasse uma desoneração
em outros impostos. E o governo já disse que pretende desonerar
a folha de pagamento para estimular a geração de empregos
e a competitividade das empresas.
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Força
Sindical, 12 de outubro de 2007
Legalidade das centrais será votada
só na próxima semana
Escrito por Luciele Velluto
A morosidade dos trabalhos na Câmara dos Deputados, em Brasília,
faz com que a votação do projeto de lei que regulamenta as
centrais sindicais seja empurrado para a próxima semana. Nesta já houve
o desgaste da votação da CPMF (Contribuição
Provisória sobre as Movimentações Financeiras), o
que já desgastou a Casa e pode trazer problemas, como falta de número
mínimo de deputados no plenário, para a votação
do projeto sobre as centrais.
Na segunda-feira, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia,
prometeu colocar na ordem do dia o projeto, que foi mandado
pelo Executivo em caráter de urgência, após
um acordo entre as entidades e o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva.Com o reconhecimento, as centrais passam a ter
poder jurídico e receberão um total de R$ 100
milhões anuais do imposto sindical.
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Agência
Brasil, 12 de outubro de 2007
Lupi afirma que proposta para mudança
da CLT não irá prejudicar trabalhador
O ministro do Trabalho e Emprego,
Carlos Lupi, fala a emissoras de rádio sobre números
do Caged e retomada do combate ao trabalho escravo pelo Grupo
Especial de Fiscalização Móvel.
Marcela Rebelo
Repórter da Agência Brasil
Brasília - As mudanças na legislação trabalhista
que o Ministério do Trabalho e Emprego deverá sugerir ao
Congresso Nacional não trarão prejuízos ao trabalhador
brasileiro, afirmou ontem (11) o ministro Carlos Lupi.
"Direitos adquiridos para nós é sagrado",
disse. Segundo ele, a idéia é fazer apenas
uma atualização da Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT).
"Quando eu digo atualizar, é tirar tudo aquilo
que está em desuso, porque tem muitas questões
da legislação trabalhista, pelo tempo que
ela passou, que não têm mais uso. Você tem
legislação até para setores do trabalho
que não existem mais", disse Lupi, em entrevista
a Agência Brasil.
"Tínhamos até legislação
sobre o motorista de carro de boi. Não existe mais
carro de boi. Eu dei um exemplo mais esdrúxulo,
mais radical, para dar uma clareza para a população
de que em nenhum momento mexeremos em direito do trabalhador.
Apenas atualizaremos aquilo que está já fora
de uso, ou seja, que não tem praticidade e não
precisa mais para a legislação", completou.
Uma portaria publicada dia 10, no Diário Oficial
da União criou um grupo no Ministério do
Trabalho e Emprego para elaborar um anteprojeto de lei
com propostas de "atualização e modernização" da
CLT.
Para o ministro, as mudanças não representam
uma reforma trabalhista. "A reforma, eu não
acredito nela. Porque na reforma, sempre se junta a ela,
a questão de perda de direitos. Eu acredito sempre
na palavra atualização, porque você tem
que estar sempre com a legislação atualizada
para o mundo atual."
Carlos Lupi lembrou que as propostas de mudanças
a serem encaminhadas ao Congresso terão que ser
discutidas pelos parlamentares. "Isso depende de apresentar
o anteprojeto ao Congresso. O Legislativo que tem o poder
de fazer qualquer tipo de alteração."
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Gazeta
do Povo, 12 de outubro de 2007
ECONOMIA | PREÇOS
Inflação medida pelo
Ipardes supera a do IBGE
por
HELENA CARNIERI
A inflação de Curitiba foi de 0,47% em setembro ante
agosto, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor
(IPC), calculado pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico
e Social (Ipardes).
O valor é quase o dobro do Índice de Preços
ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado quarta-feira pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 0,26%.
A principal diferença entre eles é a tomada de preços
do IPCA na região metropolitana da capital, e não
apenas em Curitiba.
Em agosto houve leve
deflação dos preços, de -0,09%.
O acumulado do ano está em 3,18% e os 12 meses
completados em setembro acumulam 5,16%.
Os principais itens
que causaram impacto no IPC de setembro foram os
do grupo de transporte e comunicações
(1,6%). O que mais subiu foi o automóvel de
passeio e utilitário usado (5,1%), seguido
pelo conserto de veículos (2%), passagem de
avião (6,9%) e automóvel de passeio
nacional novo (0,6%).
A seguir vêm
os itens de saúde e cuidados pessoais (1%),
cujas principais contribuições foram
o antigripal, o tratamento dentário, serviços
de psicólogo e fisioterapeuta, analgésico
e antitérmico. O preço dos vasodilatadores
caiu quase 5%.
Os alimentos e bebidas,
que têm peso importante no orçamento
familiar, aumentaram de preço 0,35%.
O consumidor pagou mais caro pelo arroz (6,4%), lanche, feijão
preto e leite em pó integral (8,5%), mas ficaram mais baratos
o leite pasteurizado (6,4%) e a batata (12,2%), além de
pão, açúcar refinado e ovo de galinha.
Os itens relacionados à habitação
subiram 0,45%, com destaque para condomínio
e aluguel. Registrou deflação o grupo
vestuário (-2,1%), com fortes quedas no agasalho
e sapato feminino.
Os artigos de residência caíram 0,11% por conta dos
DVDs, videocassete e roupa de cama.
O grupo despesas pessoais ficou praticamente estável, com
queda de 0,04%, influenciado pela queda no preço cobrado
por casas noturnas (-6,8%).
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O
Estado do Paraná, 12 de outubro de 2007
Economia
Poder aquisitivo do trabalhador
cresce 2,8% entre janeiro e agosto no Paraná
O
poder de compra do trabalhador paranaense admitido entre janeiro
e agosto deste ano cresceu 2,8%, comparado aos trabalhadores
contratados no mesmo período do ano passado. No mesmo
período de 2006, a média paga aos trabalhadores
chegou a R$ 568,37. Em 2007, a média passou para R$ 584,53,
e o valor é o maior já pago neste ano.
Os dados são de estudo feito pela Secretaria do Trabalho,
Emprego e Promoção Social, com base em informações
do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Para efeitos de comparação do poder de compra
dos salários, a análise considera a inflação
acumulada entre setembro de 2006 a agosto de 2007. Segundo
a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas
(Fipe), o Índice Geral de Preços ao Consumidor
(IPC) do período foi de 4,89%.
Entre os setores, o maior crescimento de salário
registrado ficou para os trabalhadores da agropecuária
(10,4%). Os contratados no acumulado entre janeiro e agosto
deste ano receberam rendimento médio de R$ 457,86.
Nos oito primeiros meses de 2006 o salário dos trabalhadores
rurais era de R$ 414,69.
Na indústria de transformação, segunda
atividade econômica com maior aumento do salário
médio em 2007, os ingressos nos dois primeiros quadrimestres
de 2006 perceberam rendimento médio de R$ 566,51.
Neste ano, o salário médio atingiu R$ 592,02.
O resultando é o crescimento de 4,5% no poder de compra
dos trabalhadores.
A força de trabalho alocada na construção
civil, nos oitos primeiros meses de 2007, recebeu rendimento
médio de R$ 666,36. Nos dois primeiros quadrimestres
de 2006, o salário era de R$ 644,07. Uma expansão
de 3,5% na renda dos assalariados.
Para os trabalhadores do setor de serviços o rendimento
médio em 2007 foi de R$ 617,70, total 2,3% superior
ao pago em igual período de 2006, em que o salário
médio desses trabalhadores atingiu R$ 603,73.
Os setores de Comércio, administração
pública e serviços industriais de utilidade
pública também contribuíram positivamente
para o aumento na renda média salarial dos trabalhadores
paranaenses contratados nos oito primeiros meses de 2007.
Além dos aumentos registrados no salário médio
dos trabalhadores, os setores de agropecuária, construção
civil, comércio e indústria de transformação
também apresentaram aumento no número de criação
de empregos, em comparação com o período
de janeiro a agosto de 2006.
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Folha
de São Paulo, 12 de outubro de 2007
IBGE quer mudar prazo para divulgar
pesquisas
Presidente do instituto nega que dado
da inflação tenha vazado
CLARICE SPITZ
DA FOLHA ONLINE, NO RIO
ANA PAULA RIBEIRO
DA FOLHA ONLINE, EM BRASÍLIA
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)
e o Ministério do Planejamento estudam alterar o prazo
de entrega de resultados de pesquisas conjunturais do instituto,
como o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo),
a produção industrial e o PIB (Produto Interno
Bruto). Segundo o presidente do IBGE, Eduardo Nunes, o objetivo é reduzir
o intervalo de tempo da divulgação da informação,
considerado "longo". Atualmente o instituto é obrigado
a entregar ao Planejamento os resultados com 24 horas de antecedência.
Nunes negou que exista vazamento de informação dentro do
IBGE. Reportagem publicada pelo jornal "O Estado de S.Paulo" ontem
afirma que os resultados do IPCA de setembro -divulgado anteontem- já eram
conhecidos previamente por operadores do mercado financeiro e tesourarias.
Segundo Nunes, somente ele próprio, a coordenadora de Índice
de Preços, Eulina Nunes dos Santos, e a diretora de pesquisas,
Wasmália Bivar, conhecem o resultado, que depois é repassado
por e-mail para o ministro Paulo Bernardo e para o assessor dele.
O procurador federal do IBGE, Carlos Alberto de Albuquerque, disse que
o instituto fará comissão interna para apurar o caso. "É uma
apuração preliminar, que visa levantar fatos, já que
a reportagem é muito genérica, com informações
de denúncias. Havendo informações precisas a gente
deve tentar concluir em um mês."
As portarias 164, de 1999, e 167, de 2003, determinam que as informações
de indicadores conjunturais, elaborados pelo IBGE, devem ser enviadas
ao ministro do Planejamento com antecedência de 24 horas.
O ideal, segundo Nunes, seria que o resultado fosse divulgado no fim
da tarde da véspera da divulgação ou início
da manhã do próprio dia. A possibilidade de mudança
no prazo vem sendo discutida há 30 dias pelos dois órgãos.
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Revista
Consultor Jurídico, 12 de outubro de 2007
Documento válido
Carteira de trabalho prova opção
pelo regime do FGTS
A cópia da carteira de trabalho pode servir como comprovante de
que o trabalhador optou pelo regime de FGTS. O entendimento é da
Turma Nacional de Uniformização da Jurisprudência dos
Juizados Especiais Federais. Por maioria, ficou reconhecido o pedido de
uniformização para anular acórdão da Turma
Recursal de São Paulo, que não levou em consideração
a apresentação da carteira de trabalho nos autos.
Com a desconsideração da prova, a TR-SP julgou
improcedente o pedido do autor para a aplicação
de juros progressivos ao saldo de suas contas vinculadas ao FGTS.
Para os juízes, não existia prova de opção
pelo regime do FGTS.
Segundo a relatora, juíza federal Maria Divina Vitória,
há nos autos cópia da carteira de trabalho do trabalhador
que demonstra tal opção. Por essa razão,
a TNU determinou a anulação do julgado. O caso
deve ser agora julgado com base nesta documentação.
Processo 2005.63.02.00.5929-5
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
12/10/2007
Seguro de vida: valor descontado em folha é devolvido
a empregado
A simples assinatura de termo de opção em seguro de
saúde, mesmo com a indicação de beneficiários,
não é suficiente para autorizar o desconto do salário
pela empresa e, se isto ocorrer, os valores são passíveis
de devolução. Com esse entendimento, a Seção
Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior
do Trabalho manteve decisão da Primeira Turma do TST que rejeitou
recurso movido pelo Banco Santander Banespa contra decisão que
o condenou a devolver o montante descontado em folha referente a apólice
de seguro de vida de um ex-funcionário.
A devolução dos valores descontados mensalmente foi
determinada pela Justiça do Trabalho da 4ª Região
(RS) e mantida pela Primeira Turma no julgamento do recurso de revista
e, posteriormente, de embargos de declaração. Ao recorrer à SDI-1,
o banco argumentou que a Turma, ao concluir que a ausência de
autorização dos descontos não poderia ensejar
a sua devolução, permaneceu omissa diante da prova de
que o empregado indicou beneficiários e estava acobertado pelo
seguro de vida durante a vigência de seu contrato de trabalho.
E solicitou o exame da matéria à luz da Súmula
342 do TST, sob o enfoque específico de que o próprio
termo de opção constitui autorização para
o desconto.
O relator da matéria, ministro Carlos Alberto Reis de Paula,
após citar as razões apresentadas pela Turma para rejeitar
os embargos apresentados pelo banco, afirmou não haver como
concluir pela sua nulidade por negativa de prestação
jurisdicional. Isso porque, explica Reis de Paula, a Súmula
342 do TST estabelece que os descontos de seguro efetuados no salário
do empregado não violam o artigo 462 da CLT, desde que realizados
com sua autorização prévia. E diante da constatação
de que o TRT consignou claramente não haver tal autorização,
concluiu que tanto o Regional quanto a Turma observaram o que determina
o dispositivo, ao entenderem correta a devolução dos
descontos do seguro de vida. (E-RR-808/2002-900-04-00.9)
(Ribamar Teixeira)
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