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Diário Vermelho, 13 de outubro de
2007
Flávio Dino preside grupo
de trabalho para consolidar legislação
O deputado Flávio Dino (PCdoB-MA) iniciou trabalho para
consolidar a legislação brasileira. Ele tomou posse,
nesta quarta-feira (10), como titular do mais novo Grupo de Trabalho
da Câmara, o GT para Consolidação da Legislação
Brasileira. O objetivo da consolidação das leis é evitar
a confusão de textos contraditórios, eliminar os preceitos
ultrapassados, revisar e organizar as normas existentes sobre um mesmo
assunto e condensá-las em uma só lei.
O parlamentar comunista, ex-juiz, diz que o trabalho de consolidar
a legislação vai evitar que se sustente a morosidade
da Justiça, a aplicação inadequada de penas e
a impunidade. “O GT é de extrema importância para
agilizar tanto a atuação do Judiciário quanto
a do próprio Legislativo”, ressalta Flávio Dino,
que será o autor do Projeto de Consolidação da
Legislação Processual Penal, uma das 20 áreas
temáticas a serem discutidos pelo grupo.
Ao Grupo de Trabalho para Consolidação das Leis Brasileiras
caberá a apreciação dos projetos de consolidação
apresentados à Mesa da Câmara, restringindo-se aos aspectos
formais, sem discutir o mérito da matéria. Têm
legitimidade para propor esse tipo de projeto os Poderes Executivo
e o Legislativo, a Mesa Diretora do Congresso ou de qualquer uma de
suas Casas – Câmara e Senado, os parlamentares ou as Comissões
Técnicas.
De Brasília
Márcia Xavier
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Congresso em Foco, 13 de outubro de 2007
Renan não tem condições
de voltar à presidência, diz Mercadante
Aloízio Mercadante (PT-SP)
diz que presidente licenciado “perdeu as condições” de
retomar o cargo. Petista tenta "corrigir" abstenção
Mercadante: Renan sem meios de voltar à presidência
O senador Aloízio Mercadante (PT-SP) disse, nesta sexta-feira
(12), que o presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL),
não tem mais condições de voltar ao cargo que
deixou ontem. Em viagem, o paulista disse não ter participado
das negociações para a saída de Renan.
De acordo com Mercadante, o futuro do colega vai depender do desenrolar
dos processos a que responde no Conselho de Ética. “Seu
mandato depende da consistência das acusações e da
capacidade de defesa que ele venha a apresentar até o julgamento
das representações”, afirmou o senador, em nota.
O texto ainda diz: “O senador Renan Calheiros perdeu as condições
de voltar a presidir o Senado”.
Para Mercadante, a saída do presidente não resolve a crise ética
na Casa. Entretanto, evita a continuidade da interferência de Renan
sobre o andamento dos quatro processos a que responde.
Incômoda
Desde o desfecho da primeira denúncia contra Renan, Mercadante
vem lutando para descolar sua imagem de uma postura incômoda. É que,
após a absolvição do alagoano em plenário,
numa sessão secreta, o senador do PT admitiu que não votou
nem pela cassação nem pela salvação do presidente
da Casa. Mercadante apenas se absteve, o que lhe não soou bem
aos ouvidos da opinião pública.
Preocupado, o petista passou a atacar fortemente Renan, para virar o
jogo perante os eleitores e parlamentares. Engrossou as fileiras dos
que já pediam a saída do presidente do Senado do cargo
máximo da Casa. Mercadante chegou a falar em nome do PT, mesmo
não sendo líder. “Ele adorar liderar”, ironizou
um petista esta semana, sobre a linha adotada pelo correligionário.
Renan percebeu essa atitude de Mercadante. Na sessão de terça-feira
passada, por exemplo, o petista dizia diretamente para o alagoano que
ele deveria sair do cargo. Irritado, Renan, que estava na tribuna, virou
as costas para Mercadante e voltou à cadeira de presidente. Antes,
ironizou o petista e o seu voto na sessão secreta: “Eu vou
me abster de ouvir isso”.
A nota de Mercadante
" Estou em viagem e não participei da negociação que
levou ao afastamento do senador Renan Calheiros da presidência do Senado.
Este afastamento não resolve a grave crise do Senado e não
altera o processo de julgamento das quatro denúncias referentes à quebra
de decoro parlamentar que estão no Conselho de Ética, ainda
que evite a interferência direta de senador Renan Calheiros, na
condição de presidente da Casa, como vinha ocorrendo até então.
O senador Renan Calheiros perdeu as condições de voltar
a presidir o Senado e o futuro de seu mandato depende da consistência
das acusações e da capacidade de defesa que ele venha a
apresentar até o julgamento das representações,
o que deverá ocorrer até 2 de novembro."
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Agência Brasil, 13 de outubro de 2007
PT exercerá pela primeira
vez comando do Executivo e do Legislativo
Iolando Lourenço e Marcos Chagas
Repórteres da Agência Brasil
Brasília - Com o afastamento por 45 dias de Renan Calheiros
(PMDB-AL) da Presidência do Senado, o PT terá pela primeira
vez sob o seu comando a Presidência da República e do
Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado Federal). No
período de afastamento de Renan, assumirá o primeiro
vice-presidente, Tião Viana (PT-AC).
Mesmo que com tempo pré-determinado, uma hegemonia partidária
como esta, após o fim da ditadura militar, só é comparada
com a do PMDB no governo de José Sarney (1985-1989), quando
o partido detinha o comando do Executivo e do Legislativo.
A alternância de poder na Câmara e no Senado só foi
estabelecida nove anos após o início da redemocratização
do país, em 1985. Entre 1991 e fevereiro de 1993, o Senado foi
comandado por Mauro Benevides (PMDB-CE) e, na Câmara, Ibsen Pinheiro
(PMDB-RS).
"Embora interina, a presidência do Senado com Tião
Viana não deixa de estar em sintonia com a vontade do povo brasileiro
que por duas vezes consecutivas, ao votar no presidente Lula, votou
em um projeto de mudanças sociais progressistas para o país.
Acho que agora o Congresso vai entrar em uma fase de mais tranqüilidade",
avalia o vice-líder do PT na Câmara, Maurício Rands
(PE).
Não fosse uma composição de última hora
para formar a atual Mesa Diretora do Senado, o PSDB teria hoje como
presidente da Casa o senador Álvaro Dias (PR). No início
do ano, na reunião que tratou deste assunto no gabinete do então
presidente do Senado, Renan Calheiros, os tucanos abriram mão
da primeira vice-presidência para o PT.
"Eles estão com o comando do Senado porque o PSDB foi
generoso. Isso demonstra que um partido não deve abrir mão
dos seus espaços. O PT não tem o tamanho necessário
que lhe foi delegado pelas urnas para ocupar tanto espaço",
afirma Álvaro Dias. O senador lembrou que o PT também
comanda a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), uma das
mais importantes do Senado.
A tradição no Senado e na Câmara é que
as presidências sejam ocupadas pelos partidos de maior representatividade.
No governo Sarney, a reboque o Plano Cruzado, o PMDB tinha 22 governadores,
perdendo apenas em Sergipe para o PFL, 260 deputados federais e 44
dos 81 senadores, o que lhe garantiu o comando político do país.
Com a Assembléia Nacional Constituinte (1987-88), o partido
perdeu quadros com a debandada dos “autênticos” que
fundaram o PSDB, entre eles, Mário Covas (SP), Franco Montoro
(RS), José Richa (PR), Fernando Henrique Cardoso (SP) e José Serra
(SP).
A partir de fevereiro de 1993, os comandos da Câmara e do Senado
passaram a ser divididos por partidos diferentes na Câmara. Já no
Senado, os peemedebistas só estiveram fora do cargo no período
de 1997 à 2001, quando o pefelista Antônio Carlos Magalhães
(BA) esteve a frente da Casa. Em 1993, o PFL que tinha uma das maiores
bancadas, assumiu a Presidência da Câmara com Inocêncio
Oliveira (PE). No Senado, foi eleito Humberto Lucena (PMDB-PB).
Para as legislaturas de 1995-1997, o PFL manteve a dobradinha com
o PMDB tendo na Presidência da Câmara, Luis Eduardo Magalhães
(BA). No Senado, José Sarney (PMDB-AP), foi eleito para o cargo.
Entre 1997 e 2001, a Câmara foi presidida pelo peemedebista Michel
Temer (SP), por dois mandados. Já no Senado, o pefelista Antônio
Carlos Magalhães (BA) esteve a frente da Casa, neste mesmo período.
O PMDB retomou o comando do Senado em 2001, quando elegeu Jader Barbalho
(PA). Durante meses, o peemedebista travou uma briga com ACM que não
o queria como sucessor. Já na Presidência, sob acusações
de corrupção feitas pelo desafeto baiano, Jader foi obrigado,
em 2001, a renunciar ao cargo para não ter o mandato cassado.
Para o seu lugar, foi eleito o peemedebista Ramez Tebet (MS). Na Câmara,
nesta mesma legislatura, a presidência foi ocupada pelo tucano
Aécio Neves (MG).
Os petistas chegaram ao maior cargo de uma das Casas legislativas
em 2003, com o comando entregue ao deputado João Paulo Cunha
(SP). O Senado esteve sob o comando de José Sarney. Tanto João
Paulo quanto Sarney tentaram, sem sucesso, aprovar em 2004, a emenda
que permitiria a reeleição para as Mesas Diretoras do
Legislativo.
Com isso, Renan Calheiros elegeu-se para o comando do Senado. O PT,
que detinha a maior bancada da Câmara, em 2005, perdeu a presidência
para Severino Cavalcanti (PP-PE) por causa de uma disputa interna entre
os deputados Luis Eduardo Greenhalgh (SP) e Virgílio Guimarães
(MG). Por causa de denúncias de corrupção, Severino
renunciou ao cargo e foi substituido pelo comunista Aldo Rebelo (PCdoB-SP).
O PT retomou a Presidência da Câmara este ano, com a eleição
de Arlindo Chinaglia (SP), por causa de um acordo com os peemedebistas
que, pela tradição, presidiriam as duas Casas por ter
as maiores bancadas de deputados e senadores. Renan Calheiros, por
sua vez, foi reconduzido ao cargo por se tratar de uma nova legislatura.
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Gazeta do Povo, 13 de outubro de 2007
ECONOMIA | JUROS
Parada nos cortes da taxa Selic é dada
como certa
Pela primeira vez depois treze meses, a taxa de juros básica
da economia brasileira, a Selic, pode parar de cair. Em setembro
do ano passado, o Comitê de Política Monetária
(Copom) começou a reduzi-la e não parou mais, derrubando-a
de 19,75% ao ano até os atuais 11,25%.
Porém, no mês passado, o ritmo de corte nos juros foi reduzido
e os diretores do Banco Central, que integram o Copom, deram todos os
sinais que pisariam mais fundo no freio diante dos sinais de superaquecimento
da economia e risco de inflação elevada. Até o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva alertou que os ganhos da estabilidade
de preços podem “ir pro quiabo” se a indústria
não investir o suficiente para sustentar o consumo crescente.
Mas a parada nos cortes da Selic, tida como praticamente certa até a
semana passada, foi posta em xeque na última quinta-feira, com
a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor
Amplo (IPCA) de setembro, que foi de 0,18%. A variação
ficou abaixo do esperado pelos economistas, que calculavam algo entre
0,19% e 0,29%. Ou seja, a inflação parece não
estar tão em alta como se temia.
Com isso, as apostas começaram a mudar: em vez de nenhum corte,
uma redução de 0,25 ponto porcentual na Selic. Essa é a
previsão que corre pelos bastidores do governo, no circuito
fora do Banco Central. A decisão, porém, cabe ao Copom,
que se reúne terça e quarta-feira para fixar a taxa Selic.
“Eu achava que não ia ter corte, agora estou mudando
de opinião”, disse o economista-chefe do Banco Fator,
José Francisco Lima Gonçalves. “Praticamente estou
com a turma que aposta em 0,25.” A parada, porém, não
está descartada. “Há argumentos para os dois lados,
e essa será uma decisão difícil.”
O senador Aloizio Mercadante (PT-SP), antigo crítico da forma
parcimoniosa como o Banco Central corta os juros, também acha
que surgiram novos elementos desde que o Copom divulgou a ata repleta
de alertas de sua última reunião. “A decisão é do
Copom, que sempre teve total independência operacional”,
disse. “Minha opinião é que há condições
para manter a trajetória de queda.”
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Folha de Londrina, 13 de outubro de 2007
Prefeituras podem adotar ‘meio
expediente’
Presidente da AMP, Moacyr Fadel, prevê que
pelos 30% dos municípios do Paraná vão reduzir
horário de funcionamento
Curitiba - Uma primeira estimativa realizada pela Associação
dos Municípios do Paraná (AMP) revela que mais de 30% das
prefeituras das 399 cidades do Estado devem aderir ao ''meio expediente''
já em outubro. Comum nos finais de ano, quando as prefeituras
municipais começam a fechar as contas, a redução
do horário de atendimento ao público pode representar uma
economia de até 25% em alguns casos, levando em conta o total
da despesa fixa. A informação é do presidente da
AMP e prefeito de Castro, Moacyr Fadel. O ''meio expediente'' deve valer
até o final de dezembro.
Fadel explica que a economia é a ''única alternativa''
para compensar as perdas de recursos referentes ao Fundo de Participação
dos Municípios (FPM) e ao Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços (ICMS) repassados pelo governo federal.
''As perdas afetam principalmente os municípios pequenos, que
dependem basicamente dos repasses do FPM e do ICMS'', disse ele. Fadel
afirmou que o déficit anual dos municípios pequenos é de
cerca de 10%. ''É claro que o 'meio expediente' prejudica o
público, mas não temos outra alternativa porque temos
que cumprir com a Lei de Responsabilidade Fiscal. Os prefeitos estão
amarrados'', reclamou ele.
Além do ''meio expediente'', corte de hora extra e de serviços
extraordinários também estão previstos no plano
de economia das prefeituras municipais.
Catarina Scortecci
Equipe da Folha
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Folha de Londrina, 13 de outubro de 2007
SEU DIREITO - ATIVIDADE INSALUBRE
As atividades exercidas em ambientes considerados insalubres, ou seja,
ambientes com agentes químicos, físicos ou biológicos
prejudiciais à saúde humana, são tidas como especiais
e merecem uma contagem diferenciada, desde que o segurado fique exposto
de modo habitual e permanente aos agentes nocivos existentes no ambiente
de trabalho.
Esta modalidade específica (insalubre) assegura ao trabalhador
homem o acréscimo de 40% no tempo de serviço, pois laborava
em contato com raio-X, agente altamente prejudicial à saúde
humana. No caso de segurada, o acréscimo é de 20%.
No presente caso, a prova da especialidade da atividade de operador
de raio-X é feita mediante o preenchimento do formulário
do INSS ''Informações Sobre Atividades Exercidas em Condições
Especiais'', preenchido pelo empregador, informando que o segurado
ficava exposto a radiações provenientes do aparelho de
raio-X, de modo habitual e permanente na jornada de trabalho.
Para poder computar este tempo com o acréscimo legal perante
o serviço público, o segurado deve antes requerer uma
certidão de tempo de contribuição perante o INSS,
ocasião em que deverá apresentar o formulário.
Após a emissão da certidão pelo INSS, constando
o acréscimo de 40% neste tempo de serviço especial, o
obreiro pode procurar o órgão público federal
e requerer a aposentadoria, se preenchidos os requisitos para tanto.
Nossos tribunais, inclusive o Superior Tribunal de Justiça,
têm decidido que quando o segurado exerce atividade tida como
insalubre, perigosa ou penosa, filiado ao INSS, deve ser considerado
este tempo de serviço como atividade especial, e emitida Certidão
de Tempo de Contribuição pelo INSS, aplicando-se o acréscimo
legal neste tempo, para que o segurado possa utilizá-lo perante
o regime próprio dos funcionários públicos, para
fins previdenciários.
Fábio Antonio da Silva Martin, advogado
servico@folhadelondrina.com.br
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O Estado do Paraná, 13 de outubro
de 2007
Economia
É dia de adiantar os
ponteiros do relógio
Mudança nos relógios
da população deve levar a uma economia de 2 mil megawatts.
À meia-noite de hoje, os ponteiros do relógio deverão ser
adiantados em uma hora em 11 estados - incluindo o Paraná - do Sudeste,
Sul, Centro-Oeste, além do Distrito Federal. É o horário
de verão brasileiro, que segue até o dia 16 de fevereiro de 2008,
e deve levar a uma economia de 2 mil megawatts, o que significa uma redução
entre 4% e 5% no horário de pico de consumo, entre 18h e 21h.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, no horário
de verão 2006-2007 a economia foi de 1,9 mil megawatts, abaixo
dos 2,5 mil megawatts do verão 2005-2006 e dos 2,8 mil megawatts
de 2004-2005.
Para o coordenador de Monitoramento do Sistema de Transmissão
e Distribuição de Energia Elétrica do ministério,
Elizeu Pereira Vicente, isso não significa que exista uma tendência
de queda na economia, pois diferentes fatores são considerados
no cálculo, como a dinâmica da economia e o clima. “A
constatação de que a redução da economia
de energia esteja caindo não tem nenhuma consistência”,
diz o coordenador.
Ele lembrou que, no ano passado, o horário de verão
durou apenas 112 dias - contra 126 este ano -, pois a Justiça
Eleitoral pediu que a medida fosse adotada depois do segundo turno
das eleições, ocorrido em outubro, para não prejudicar
o sistema de votação que estava implementado com base
no horário convencional.
Paraná
No seu sistema elétrico, a Companhia Paranaense de Energia
(Copel) espera por uma redução de 5,5% nos níveis
máximos de demanda, ou cerca de 220 megawatts, o correspondente à carga
de Londrina durante a ponta. “É como se não houvesse
consumo nenhum na cidade entre 18h e 22h”, ilustra Christina
Courtouke, gerente da Coordenação de Operação
do Sistema Elétrico da Copel.
Ela lembra, ainda, que a adoção do horário de
verão também proporciona uma pequena economia nos níveis
de consumo de energia elétrica da ordem de 0,5% que decorre,
basicamente, do menor tempo de uso de lâmpadas, já que
a luminosidade natural é melhor aproveitada. “Essa é uma
conseqüência importante do horário de verão,
mas não é o motivo determinante da sua adoção”,
explica Christina. “A razão maior é, de fato, aliviar
as condições de operação do sistema elétrico
durante o horário de ponta e ampliar seus níveis de confiabilidade,
a custo zero, em benefício da população.”
Histórico
O horário de verão foi adotado pela primeira vez no
Brasil em 1931, mas foi interrompido várias vezes. Desde 1985,
passou a ser adotado todos os anos, oscilando entre outubro e fevereiro,
aproveitando o período de maior exposição do sol
no País. Nos últimos anos, a justificativa do governo é mais
por questões técnicas e menos por razões exclusivamente
financeiras.
Maior segurança ao sistema elétrico
O artifício de adiantar os relógios para aproveitar
melhor a luminosidade natural, que é maior durante o final da
primavera e o verão, permite ao sistema elétrico nacional
operar com maior folga durante o período crítico do dia,
o chamado horário de ponta, que vai das 18h às 21h.
Isso acontece porque a solicitação máxima de
algumas classes de consumo deixa de coincidir com o pico de demanda
de outras, proporcionando um alívio nas condições
de funcionamento de todo o sistema. Dessa maneira, as usinas, linhas
de transmissão e subestações podem operar mais
distantes do limite da sua capacidade e permitir que as paradas de
equipamentos para manutenção, por exemplo, possam ser
programadas com maior confiabilidade.
“Com o aumento em uma hora no ‘dia’ para a indústria
e o comércio há uma redução no consumo
no horário de ponta, o que dá mais confiabilidade ao
sistema”, explicou o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema
Elétrico (ONS), Hermes Chipp. A estimativa é que o horário
de verão permita economia de R$ 42 milhões ao sistema
elétrico nacional.
Conforme os dados do ONS, há uma diferença de cerca
de 20% entre a carga/consumo nacional de energia elétrica entre
o horário de ponta (pico máximo no consumo) e a média
diária.
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Folha de São Paulo, 13 de outubro
de 2007
Planalto quer evitar corrida à sucessão
de Renan no Senado
Temor é que disputa pelo cargo
possa atrapalhar tramitação da CPMF na Casa
Caso o peemedebista venha a renunciar, Lula deixa
claro que caberá ao PMDB indicar o sucessor; José Sarney
(AP) continua sendo o preferido
VALDO CRUZ
LETÍCIA SANDER
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Planalto quer evitar que a licença do senador Renan Calheiros
(PMDB-AL) provoque corrida sucessória pela presidência
do Senado ainda neste ano, o que tumultuaria o processo de negociação
da emenda constitucional que prorroga a CPMF, o imposto do cheque.
Na avaliação do governo, esse debate só interessa à oposição
e àqueles que já estão de olho na cadeira vaga de
Renan -senadores do PMDB e do PT- e deve ser postergado para o próximo
ano. Para evitar discussões sobre a sucessão no Senado,
o governo vai trabalhar para que o afastamento do senador seja prorrogado
por mais 45 dias a fim de garantir que durante a votação
da CPMF não haja mais confusões na Casa.
Se for necessário, a idéia é chamar Renan ao "bom
senso", já que, por enquanto, seu retorno à presidência é visto
como sinônimo de crise.
Líderes do governo não acreditam que enfrentarão
dificuldades nesse trabalho de convencimento. Depois do primeiro passo
dado, da licença, o caminho ficou aberto para mostrar a Renan
que ele precisa também colaborar para preservar seu mandato.
Segundo a Folha apurou, o governo acredita que Renan pode ser obrigado
não só a prorrogar sua licença por mais 45 dias
como também renunciar ao cargo de presidente da Casa para evitar
uma cassação.
Sucessor
No caso de renúncia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
já deixou claro a seus aliados que caberá ao PMDB indicar
o sucessor. Um recado direcionado principalmente a seu partido, que vai
comandar a Casa com o senador Tião Viana (PT-AC) durante o período
de licença do peemedebista. Num cenário sem Renan, o favorito
de Lula para a presidência do Senado é o senador José Sarney
(PMDB-AP), mas o ex-presidente já avisou a aliados que não
está disposto a entrar na disputa.
Por isso, o Planalto e a cúpula do PMDB trabalham com outros dois
nomes. Um deles, o senador Edison Lobão (MA), que ingressou no
PMDB vindo do DEM. A Folha apurou que o nome dele é bem visto
no PT, por ser alguém "neutro".
Lula foi informado de que Renan iria se licenciar pelo ministro Walfrido
dos Mares Guia (Relações Institucionais) e pelo líder
do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Depois, recebeu um
telefonema do senador, informando de sua decisão de se licenciar
por 45 dias.
O presidente confidenciou a auxiliares mais tarde que estava aliviado
com o desfecho do caso, apesar de preferir que o período da licença
fosse de 120 dias para englobar todo o prazo de tramitação
da CPMF no Senado. Para o governo, ter a Casa sob o comando de Tião
Viana é "o melhor dos mundos", neste período
de negociação para a prorrogação da CPMF.
O Planalto, que comandou o processo de uma saída negociada do
peemedebista da presidência do Senado, sabe que não pode
abandonar o aliado e deve trabalhar para ajudá-lo a preservar
o mandato. O argumento a ser usado daqui para a frente é o de
que Renan cumpriu o que pediram a ele, ao deixar a presidência
da Casa, ainda que temporariamente.
O governo considera prematura qualquer previsão sobre o desfecho
definitivo do caso -ainda falta "sentir" a reação
da oposição ao fato de ele ter deixado o cargo.
Por enquanto, o Planalto avalia que as reações dos tucanos
foram positivas. Senadores do PSDB exigiram a renúncia de Renan,
mas também elogiaram seu "primeiro passo" ao pedir licença.
Já os Democratas devem manter a oposição frontal
ao peemedebista.
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Folha de São Paulo, 13 de outubro
de 2007
Cai o poder de compra do dólar no Brasil
Em dezembro de 1979, US$ 1.000
compravam 100 cestas básicas; hoje, a mesma quantidade
da moeda adquire 33,2 cestas
Poder de compra é menor até do que
em 1996, no auge do Plano Real, quando o câmbio era fixo; para
especialistas, moeda deverá cair mais
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
Nunca o dólar teve um poder de compra tão baixo no Brasil
como hoje, revela estudo da Economática obtido com exclusividade
pela Folha. Considerando a inflação acumulada desde 1980
pelo IPCA, US$ 1.000 hoje compram 33,2 cestas básicas. Pelo
mesmo valor, em dezembro de 1979 eram adquiridas 100 cestas.
Nem no auge do Plano Real, quando o câmbio era fixo, o dólar
registrou um poder de compra tão baixo. Em dezembro de 1996, dava
para levar para casa 37,6 cestas básicas.
Após o repique de 2002, quando bateu em 85,3 cestas básicas,
o dólar só perdeu valor, com pequenos períodos de
recuperação.
Naquela época, a crise detonada pelo receio da eleição
do então candidato do PT Luiz Inácio Lula da Silva provocou
uma fuga de investimentos e o fechamento de linhas externas de financiamento,
o que fez o dólar disparar e encostar em R$ 4, causando pressão
inflacionária e alta dos juros.
No auge da crise de 2002, a moeda norte-americana bateu na máxima
histórica de R$ 3,99. Desde então, o dólar derreteu
e está agora na casa de R$ 1,80, patamar que tende a permanecer
por um bom tempo, segundo especialistas.
No curto prazo, é difícil a recuperação da
cotação do dólar, que tende a se depreciar ainda
mais com o aumento dos investimentos externos no país. O ingresso
de capitais deve se intensificar ainda mais com o "grau de investimento" que
o Brasil deve conquistar no próximo ano, avalia Sidnei Nehme,
da corretora NGO.
" O "grau de investimento" trará mais investimentos de
qualidade para o Brasil. Com a expectativa da entrada de mais dólares,
a tendência é a cotação se manter em baixa",
diz.
Para Fernando Exel, presidente da Economática, "há no
Brasil uma abundância de dólares por causa do grande saldo
da balança comercial". Uma reação da moeda,
diz, depende da deterioração do superávit, que só ocorrerá se
a demanda por commodities, especialmente da China e da Índia,
cair.
" Começa a pairar um cenário de incerteza sobre a inflação
na China, que pode fazer os juros subirem e conter o consumo. Se isso acontecer,
pode haver impacto nas exportações brasileiras e, conseqüentemente,
no câmbio", afirma Exel.
Já Nehme diz que a queda do saldo comercial não impedirá o
recuo do dólar. Vai apenas amenizar uma deterioração
maior da moeda norte-americana, segundo ele.
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Útima Instância, 13 de outubro
de 2007
Queda no prédio onde se mora
não é acidente de trabalho
Não constitui acidente de trabalho lesão
física sofrida pelo empregado em sua residência,
mesmo que a caminho do serviço. Esse foi o entendimento
da 8ª Câmara do TRT (Tribunal Regional do Trabalho)
da 15ª Região, que negou provimento a recurso
ordinário de uma trabalhadora que pretendia modificar
sentença da 3ª Vara do Trabalho de São
José do Rio Preto.
No caso, a trabalhadora alegava possuir o direito à estabilidade
decorrente de acidente de trabalho. Quando se dirigia ao trabalho,
ela sofreu uma queda na escada do prédio onde mora e quebrou
um dos tornozelos.
O juiz de primeira instância julgou improcedente o processo,
mas a autora recorreu, requerendo a reintegração ao emprego
e o pagamento das verbas daí originadas. Caso fosse impossível
a reintegração, ela pleiteou o pagamento de indenização
substitutiva.
No entanto, a Câmara, a partir de voto da juíza Vera
Teresa Martins Crespo, relatora da matéria, decidiu manter a
sentença, por entender que o caso não configura acidente
de trabalho e, por conseguinte, não gera a estabilidade prevista
no artigo 118 da Lei 8.213 de 1991.
Conforme observou a relatora, no artigo 21 a Lei 8.213 estabelece
que se equipara a acidente de trabalho o sofrido "no percurso
da residência para o local de trabalho ou deste para aquela,
qualquer que seja o meio de locomoção, inclusive veículo
de propriedade do segurado".
Para a magistrada, como a trabalhadora ainda se encontrava no prédio
onde reside quando sofreu a queda, não havia iniciado o percurso
propriamente dito até o local de trabalho, “já que
aquele pressupõe o ingresso na via pública”.
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