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Congresso
em Foco, 14 de outubro de 2007
Decisão do STF confunde
vereadores e prefeitos
Deputados da base aliada e da oposição
comentam, em programa de TV, decisões judiciais sobre
fidelidade partidária e a possibilidade de o TSE estender
obrigação aos cargos majoritários, informa
Antonio Vital.
Antonio Vital*
Lado a lado, dois representantes de partidos que estão em situação
oposta na correlação de forças de nosso atual sistema
político: o líder do PR na Câmara, Luciano Castro (RR),
e o deputado José Carlos Aleluia (BA), do DEM. O primeiro, aliado
do governo, viu sua bancada crescer de 23 para 42 deputados desde a última
eleição. O segundo, da oposição, vê sua
bancada minguar desde que o presidente Lula tomou posse, em 1° de janeiro,
para novo mandato de quatro anos.
Além deles, em volta da mesma mesa – um móvel que lembra
ligeiramente a forma de um “S” usado na produção
do programa Expressão Nacional, da TV Câmara – outros
dois representantes de partidos diretamente interessados no debate: Fernando
Coruja (SC), líder do PPS, e Maurício Rands (PE), uma das
estrelas em ascensão do PT na Câmara. O PPS de Coruja, junto
com o DEM de Aleluia e o PSDB, foi o autor da consulta que resultou na
decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de que o mandato pertence
ao partido e não ao deputado eleito pela legenda. E o PT é o
partido do presidente Lula, cujo governo é acusado pela oposição
de inchar sua base com a defecção de parlamentares de outro
partido.
A pergunta inicial para os quatro era a mesma: o mandato pertence ao detentor
do mandato ou ao partido? Dias antes, o STF tinha resolvido a questão
no que dizia respeito aos deputados, posição que pode ser
estendida aos deputados estaduais e vereadores. Mas e nos casos dos detentores
de cargos majoritários, como governadores, senadores e até presidente
da República? O Tribunal Superior Eleitoral vai resolver a questão
nos próximos dias. O que ninguém esperava era a avalanche
de perguntas com uma série de dúvidas sobre a questão,
encaminhadas aos participantes do debate principalmente por vereadores
de pequenas cidades, preocupados com casos tão específicos
quanto complicados.
Imagine por exemplo o caso de um parlamentar que trocou o partido X pelo
Y depois de 27 de março, data da decisão do TSE que balizou
a do Supremo. Ele pode vir a perder o mandato. Mas, se o suplente que vier
a assumir pertencer ao mesmo partido Y que o atraiu, o partido X vai continuar
sem sua vaga. Esse tipo de caso é só uma amostra da confusão
reinante na cabeça de muita gente país afora e ainda precisa
ser disciplinada pelo TSE.
Nos próximos dias, o tribunal vai decidir se os mandatos dos detentores
de cargos majoritários também pertencem ao partido. Ninguém
arrisca uma previsão. Apesar de parecer a mesma coisa, existe um
diferencial importante. Grande parte dos deputados eleitos contou com a
ajuda dos votos da legenda para conquistar o mandato. O mesmo não
acontece no caso dos governadores. “Quarenta por cento dos deputados
desta Casa foram eleitos graças à coligação”,
disse Luciano Castro.
O líder do PR atribuiu o crescimento do seu partido à liberdade
de atuação e até ao maior poder interno dos filiados. “Crescemos
porque quando o deputado vem para nosso partido vem para organizar os diretórios
estaduais”, disse. Fernando Coruja deu outra explicação
para as defecções nas hostes oposicionistas: “Aqui
no Congresso ninguém sai do governo para ir para a oposição.
Há um fenômeno de cooptação pelo governo. Por
todos os governos. Virou uma esculhambação.”
Aleluia explicou o aparente paradoxo da situação. “Embora
vote no candidato, e não no partido, o cidadão é contra
a infidelidade partidária”, resumiu. Quem é o dono
do mandato é uma pergunta que ainda rende polêmica, mesmo
com a decisão do Supremo. “Clodovil [o deputado Clodovil Hernandes,
que trocou o PTC para o PR] teve 494 mil votos pelo PTC. Vocês acham
que votaram no PTC ou no Clodovil?”, perguntou Luciano Castro.
E não faltaram críticas ao Supremo durante o debate, que
só não foi transmitido ao vivo porque na mesma hora o Plenário
estava votando a CPMF. Nos últimos anos, os ministros da mais alta
corte do Judiciário interpretaram a Constituição de
modo a influir diretamente no processo eleitoral do país. Puseram
fim, por exemplo, à cláusula de barreira decidida pelo Congresso
dez anos antes – e que acabava com a atuação de partidos
que não atingissem um percentual mínimo de votos nas últimas
eleições. Também impuseram a verticalização
das coligações estaduais nas últimas eleições,
contrariando acordos políticos já firmados entre diversos
partidos. “Há dois anos, com a derrubada da cláusula
de barreira, (o STF) incentivou a proliferação partidária.
Agora, quis limitar o troca-troca. O Supremo foi contaditório. O
tribunal não tem legitimidade democrática para substituir
o legislador”, disse Maurício Rands.
Próximo programa
Debate sobre direitos autorais frente às novas tecnologias. Convidados:
o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ); o compositor Fernando Brant, presidente
da União Brasileira de Compositores; o deputado Leonardo Picciani
(PMDB-RJ), presidente da Comissão de Constituição
e Justiça da Câmara; e Marcos Alves, coordenador do Direito
Autoral do Ministério da Cultura.
O Expressão Nacional é um programa da TV Câmara transmitido
ao vivo todas as terças-feiras, às 22h. Os telespectadores
podem enviar perguntas ou sugestões pelo correio eletrônico
expressaonacional@camara.gov.br ou pelo telefone gratuito 0800-619-619.
Quando há sessão plenária da Câmara, o programa é transmitido
ao vivo pela internet: www.camara.gov.br/tv.
*Jornalista e apresentador do programa “Expressão Nacional”,
da TV Câmara. O programa sobre fidelidade partidária será reapresentado
nos seguintes dias e horários: sexta (12), às 4h e às
11h30; sábado (13), às 2h e às 12h; domingo (14), às
0h15 e às 11h; segunda (15), às 6h, às 10h e às
18h.
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Agência
Brasil, 14 de outubro de 2007
Começa o horário
de verão em 10 estados e no Distrito Federal
Brasília - Começou na primeira hora deste
domingo (14) o horário de verão em dez estados
e no Distrito Federal. Os relógios devem adiantar em uma
hora nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A medida
tem por objetivo reduzir o consumo de energia nos horários
de pico.
De acordo com o coordenador de Monitoramento do Sistema
de Transmissão e Distribuição de Energia
Elétrica do ministério, Elizeu Pereira Vicente,
haverá uma redução no consumo de energia
entre 4% e 5% no horário de pico, entre 18 horas e
21 horas.
No horário de verão do ano passado a economia
foi de 1,9 mil megawatts, abaixo dos 2,5 mil megawatts do
verão de 2005 e dos 2,8 mil megawatts de 2004.
O Ministério de Minas e Energia estima economia de
cerca de 2 mil megawatts no fornecimento de energia para
o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São
Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais,
Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins
e Distrito Federal.
Nas Regiões Norte e do Nordeste não têm
horário de verão. Mas a partir de segunda-feira
(15), os bancos funcionam das 9 horas às 15 horas.
O horário de partidas e chegadas de vôos nos
aeroportos também vão ser alterados, já que
as companhias aéreas seguem o horário de Brasília.
O horário de verão se estenderá até o
dia 16 de fevereiro, abrangendo 126 dias.
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Diário
Vermelho, 14 de outubro de 2007
China vai suspender licenças
de empresas muito poluentes
O Ministério de Comércio chinês anunciou
que vai suspender as licenças das empresas exportadoras se estas
infringirem as normas de proteção ambiental ou forem altamente
poluentes, e citou como exemplo as fundições de cobre.
A China se transformou em 2005 no principal consumidor, processador e produtor
de cobre do mundo, com uma produção de 2,53 milhões
de toneladas.
Segundo informou hoje a agência estatal de notícias, "Xinhua",
a suspensão comercial, que pode oscilar entre um ou
dois anos, será aplicada às firmas altamente
poluentes ou que se apropriem de recursos ambientais de forma
ilegal.
Este Ministério e a Administração Estatal
de Proteção Ambiental emitiram um comunicado
conjunto no qual explicam que "alguns exportadores ignoraram
os regulamentos nacionais de proteção ambiental
com o objetivo de diminuir seus custos".
Autoridades vigilantes
A diretriz obriga as autoridades locais a aumentar a vigilância
sobre as firmas exportadoras, concretamente aquelas com um
alto consumo energético e de recursos, como é o
caso das fundições de cobre.
Estes Governos locais receberão autorização
do Ministério para cessar licenças e cotas
de exportação das empresas poluentes, que também
não poderão participar de feiras comerciais.
As licenças só serão devolvidas quando
os organismos de controle ambiental confirmarem que as empresas
infratoras corrigiram suas emissões poluentes ou seu
alto consumo de recursos.
Perante a pressão de países ocidentais que
pedem à China que reduza suas emissões (algo
ao que não está obrigada segundo o protocolo
de Kioto por ser considerado um país em desenvolvimento),
Pequim está aplicando novas normativas, como a anunciada
neste sábado (13), destinadas a proteger o meio ambiente.
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Agência
Brasil, 14 de outubro de 2007
Crescimento econômico pode
causar falta de trabalhadores, alerta Ipea
Felipe Linhares
Da Agência Brasil
Brasília - Depois de duas décadas com abertura
de poucos postos de trabalho, a situação começa
a se inverter. Quem afirma é o presidente do Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio
Pochmann. Segundo ele, o crescimento econômico do país
aumentou o número de empregos com carteira assinada,
que em geral é o emprego que melhor remunera e protege
o trabalhador.
Para Pochmann, com o crescimento de alguns setores, por causa
do investimento do Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC), a tendência é existir mais
procura por trabalhadores qualificados e por conseqüência
um salário melhor. “Isso certamente vai implicar
em escassez de mão-de-obra e falta de trabalhadores
de determinadas profissões”, alerta.
O presidente do Ipea defende que é necessário
criar empregos para pessoas com grau de escolaridade mais baixo.
Os setores da construção civil e de infra-estrutura,
que recebem recursos PAC, foram destacados pelo presidente
do Ipea como geradores de emprego.
“Certamente são postos que absorvem pessoas de
menos escolaridade. Com [mais] investimentos também
precisam de pessoas mais qualificadas. Estamos conseguindo
compor uma expansão da economia que abre perspectiva
de incorporar todos os níveis de escolaridade [ao mercado
de trabalho]”.
A procura por profissionais, segundo Pochmann, vai depender
do perfil da expansão da economia brasileira. Ele disse
que se a expansão for em setores mais intensivos, como
tecnologia, mais trabalhadores qualificados serão procurados. “Mas
se ficarmos contaminados com atividades mais simplificadas
e voltadas para exportação com menor valor agregado,
não necessariamente o mercado vai procurar trabalhadores
qualificados.”
Segundo Pochmann, o Brasil está “carente” de
um sistema nacional de informação que integre
todas as escolas formadoras de trabalhadores. “É um
item necessário para mais trabalhadores em formação
com condições para ter acesso ao mercado de trabalho.”
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Gazeta
do Povo, 14 de outubro de 2007
BRASIL | INFIDELIDADE
Troca-troca partidário envolve
3 mil vereadores
No Paraná, cerca de 500
trocaram oposição por PMDB e PSC
Brasília – O troca-troca de partidos no Congresso
nem se compara à gigantesca e silenciosa infidelidade
praticada por vereadores país afora. A União
dos Vereadores do Brasil (UVB) calcula que pelo menos 3 mil
parlamentares trocaram de legenda nas últimas semanas,
uma romaria comandada por ministros e governadores da base
aliada. De acordo com aliciadores e aliciados ouvidos durante
a última semana, o convite para estar do lado da poderosa
máquina administrativa, com a expectativa de colher
dividendos das obras do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC), foi uma proposta tentadora demais para
quem já está pensando nas eleições
municipais de 2008. Estados como Bahia, Paraná, Ceará,
Amazonas e Goiás, cujos governos estão alinhados
com o Palácio do Planalto, responderam por mais da metade
das trocas de partido nas câmaras municipais.
No Paraná, estado onde a agricultura é preponderante,
com 390 mil propriedades rurais, o troca-troca foi regido pelo
ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, e o governador
Roberto Requião, ambos do PMDB. São eles os pais
das mais de 500 trocas de time que esvaziaram o DEM e incharam
o PMDB e o PSC. Quem pôs as mãos na massa foram
os prefeitos, encarregados de cooptar os vereadores. “É um
jogo de interesses. O vereador tem que buscar uma boa situação
para se reeleger e escuta a proposta tentadora dos prefeitos.
Geralmente, o prefeito chega e diz: ‘Vem conosco que
você terá os privilégios da máquina’”,
revela Bento Batista da Silva, presidente da União dos
Vereadores do Paraná (UVP). Outro personagem importante
na infidelidade no Paraná é o deputado federal
Ratinho Júnior (PSC). Campeão de votos ano passado,
Ratinho é nome presente nas conversas sobre a sucessão
na Prefeitura de Curitiba e o governo do estado em 2010.
Na Bahia, ocorreram pelo menos 300 mudanças, a maioria
patrocinada pelo ministro da Integração Nacional,
Geddel Vieira Lima. “Quem está com ele (Geddel)
está com poder diferenciado. (O ministério) Tem
muita obra”, diz o presidente da União dos Vereadores
do Brasil (UVB), Joabs Sousa Ribeiro, vereador de Ilhéus
pelo PP. O deputado ACM Neto (DEM) assiste impotente à transferência
do patrimônio político do avô para o peemedebista. “Geddel
está atropelando todo mundo. Ele está oferecendo
muita coisa: tem o amparo do governo federal, espaço
importante no governo do estado e o comando da prefeitura de
Salvador. É muito difícil segurar a debandada”,
afirma.
No Ceará, segundo o presidente da entidade que reúne
os vereadores locais, Francisco Deusinho, mais de 300 dos 1.734
vereadores correram atrás dos irmãos Cid, governador
do estado, e Ciro Gomes, deputado e pré-candidato à Presidência
da República, ambos do PSB. Em Goiás, o prefeito
de Goiânia, Íris Rezende (PMDB), assinou mais
de 200 filiações e cooptou alguns dos vereadores
de maior peso na cidade. Entre eles Paulo Borges, que trocou
o PSB pelo PMDB. Borges rejeita o título de traidor
e diz que saiu por ideologia.
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Gazeta
do Povo, 14 de outubro de 2007
ECONOMIA | MADEIRA
Crise americana chega ao Paraná com
fechamento de fábrica e demissões
Exportadores para indústria
imobiliária dos EUA perdem mercado e cortam produção
por CRISTINA RIOS
A crise imobiliária nos Estados Unidos começa a ter reflexos
no setor madeireiro do Paraná. A queda das exportações
de madeira para o setor de construção civil norte-americano
provoca fechamento de fábricas locais e demissões. Na última
quinta-feira, a multinacional norte-americana Woodgrain anunciou o encerramento
da linha de produção de molduras em Fazenda Rio Grande,
na região metropolitana de Curitiba, com a demissão de
400 pessoas. O grupo Braspine, com fábricas em Jaguariaíva
e Telêmaco Borba, reduziu em 30% a produção de molduras,
praticamente toda voltada para os EUA, e já demitiu 250 pessoas,
o que equivale a 10% do seu quadro.
O baixo ritmo de produção de casas nos EUA – considerado
o menor dos últimos dez anos – e a desvalorização
do dólar afetam principalmente as vendas externas de
compensado de pinus, portas e molduras usadas na construção
civil. As exportações de compensados de pinus
para os Estados Unidos – principal item da pauta do setor – caíram
para menos da metade. Despencaram de 640 mil metros cúbicos
de janeiro a setembro de 2006 para 283 mil metros cúbicos
no mesmo período desse ano, segundo dados da Associação
Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente
(Abimci), que congrega o setor. “ É uma situação
muito difícil porque além da retração
da demanda nos EUA, temos um dólar que praticamente
inviabiliza a exportação”, diz Antonio
Rubens Camilotti, presidente da Abimci.
A principal preocupação é sobre a duração
dos efeitos da bolha imobiliária no setor de construção
civil. Por conta da redução da demanda, o preço
do compensado nos EUA, tradicionalmente maior do que na Europa,
já está em média 10% menor do que o europeu.
Enquanto os europeus estão pagando US$ 290 por metro
cúbico do compensado de pinus, os americanos desembolsam
US$ 260 /m3.
“Ninguém sabe o tamanho real dessa crise e até onde
ela vai”, diz Camilotti. A produção de
novas casas nos EUA, que em 2005 atingiu 2,3 milhões
de novas unidades, deve encerrar 2007 entre 1,3 milhão
e 1,4 milhão. Por conta disso, a previsão é que
o consumo de compensado nos EUA continue a cair em média
10% até o final do ano.
Marcelo Wiecheteck, consultor da STCP Engenharia de Projetos,
de Curitiba, especializada no setor madeireiro, lembra, no
entanto, que há pelo menos dois anos as vendas para
os EUA vêm em queda e que a crise deflagrada no setor
imobiliário nos últimos meses deve forçar
ainda mais a abertura de outros mercados. “Quem se dedicar
somente ao mercado norte-americano terá que reduzir
a capacidade de produção”, diz.
Uma das maiores exportadoras do setor, a Indústria
de Compensados Guararapes, de Palmas, que até 2005 vendia
quase 100% da produção para os EUA, hoje tem
na Europa o seu principal mercado e teve que investir em novas
frentes para crescer. Atualmente exporta para Austrália, África
do Sul e Turquia, dentre outros. Mas a produção,
que era de 35 mil metros cúbicos por mês, caiu
para 25 mil metros cúbicos. O quadro de funcionários,
que chegou a 1,6 mil, baixou para mil.
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Gazeta
do Povo, 14 de outubro de 2007
ECONOMIA | MADEIRA
Empresa leva produção
para o Chile
Rentabilidade prejudicada pelo
dólar fraco caiu ainda mais com a baixa demanda do mercado
americano
por CRISTINA RIOS
O estouro da bolha imobiliária nos EUA e o derretimento do dólar
nas últimas semanas levaram a norte-americana Woodgrain a decidir
fechar sua fábrica de molduras de pinus no Brasil. A unidade industrial,
localizada no município de Fazenda Rio Grande, na região
metropolitana de Curitiba, exportava 100% da produção para
a matriz. Com a decisão, os 400 empregados serão demitidos.
A empresa vai manter, no entanto, a linha de molduras de MDF (Medium
Density Fiberboard), que emprega 70 pessoas, e que funciona no mesmo
local.
“Vamos manter a produção de molduras de
pinus por mais 30 dias, tempo suficiente para que o restante
do estoque de matéria-prima seja usado”, diz Carlos
Presente, diretor administrativo-financeiro. Segundo ele, parte
da produção deve ser transferida para o Chile,
onde o câmbio está mais favorável para
as exportações. A empresa, que produzia 5 mil
metros cúbicos por mês, trabalha com um cenário
pessimista para o ritmo de produção imobiliária
nos EUA para 2008. “Vínhamos com redução
de rentabilidade com o dólar fraco, situação
que foi agravada pela queda da demanda nos EUA. A idéia é que,
daqui um ano, voltemos a avaliar o cenário e ver se
podemos retomar o projeto no Brasil”, afirma.
Com fábricas nos EUA, no Chile e no Brasil, a Woodgrain,
com sede no estado americano de Idaho, era uma das principais
fabricantes de molduras de pinus do país. A empresa
começou a produzir aqui em 1995 e atua mundialmente
também na produção de portas, janelas
e outros componentes. A fábrica de moldura de MDF, que
da mesma forma que a de pinus é inteiramente dedicada às
vendas para os EUA, ficou de fora do corte por ser a única
do grupo a atuar nesse segmento.
A crise da empresa, no entanto, está longe de ser um
caso isolado no setor. Com 90% da produção direcionada
para os EUA, a Braspine demitiu 250 pessoas desde o fim do
ano passado e reduziu em 30% a produção (não
revelada) de molduras. Armando Giacometi, diretor administrativo
do grupo, que tem fábricas em Telêmaco Borba e
Jaguariaíva, diz que a situação está “terrível”. “De
um lado, o câmbio, prejudicado pela elevada taxa de juros,
que favorece a entrada de dólares e derruba a cotação
da moeda americana. Do outro, a menor procura pelos produtos
nos EUA”, diz ele. A empresa, que emprega hoje 1,8 mil
pessoas, concedeu duas férias coletivas por conta do
cenário desfavorável. “O Brasil deve reduzir
a oferta de molduras no mercado norte-americano em até 40%”,
estima.
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O
Estado do Paraná, 14 de outubro de 2007
Economia
Liminar da indústria impede
o banimento do amianto
Há mais de dois meses, a indústria paulista e nacional trava
uma queda de braço com as entidades que buscam o banimento do amianto
do ambiente brasileiro. Entidades como a Federação das Indústrias
do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Confederação Nacional
da Indústria (CNI) foram à Justiça contra a lei 12.684,
de autoria do deputado estadual Marcos Martins (PT), sancionada pelo governador
José Serra em julho deste ano, e conseguiram uma liminar. A lei
proíbe a importação, mineração e industrialização
de materiais que contenham amianto, mas pode não entrar em vigor
por causa da liminar.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco,
Jorge Nazareno, explica que a lei entraria em vigor em 1º de
janeiro de 2008, mas agora espera uma decisão do Supremo
Tribunal Federal (STF). O Supremo pode derrubar a liminar
conseguida pela Fiesp no Tribunal de Justiça paulista,
ao julgar o mérito de uma ação direta
de inconstitucionalidade apresentada pela CNI.
Entre os argumentos a serem considerados pela Justiça,
estão documentos como a nota técnica da Secretaria
de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde
do Trabalhador, ligada ao Ministério da Saúde.
O documento diz: "O amianto ou asbesto é considerado
uma substância de comprovado potencial cancerígeno
em quaisquer das suas formas ou em qualquer estágio
de produção, transformação e
uso".
O documento argumenta que o amianto do tipo crisotila, que é produzido
e utilizado no Brasil, está relacionado a doenças
como asbestose e câncer pulmonar. A nota técnica
foi apresentada em 12 de setembro, na audiência pública
na Assembléia Legislativa de São Paulo que
tratou da lei.
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O
Estado do Paraná, 14 de outubro de 2007
Direito e Justiça
A luta pela regulamentação
dos direitos sociais constitucionais
Edésio Passos
A 5 de outubro, um ano antes da Constituição
Federal completar 20 anos de sua promulgação,
dirigentes sindicais dos trabalhadores paranaenses e brasileiros
reuniram-se para renovar seus propósitos de luta por
melhores condições de vida, de salário
e de trabalho e, ao mesmo tempo, de confirmar a defesa dos
seus direitos constitucionais. A Plenária da Nova Central
Sindical dos Trabalhadores-Paraná, realizada em Foz
do Iguaçu, dias 4 e 5 de outubro, não apenas
reafirma esses propósitos de luta e de defesa de direitos,
como vai além: quer avançar para a consagração
de novas conquistas. Ali estavam dirigentes sindicais históricos,
como Calixto Ramos, Omar José Gomes, das Confederações
de Trabalhadores na Indústria e do Transporte, e novos
dirigentes nacionais, como o paranaense Moacyr Robert Tesch
Auersvald, da Confederação dos Trabalhadores
em Hoteis e Turismo, e lideranças regionais dos setores
dos trabalhadores na indústria da construção
e do mobiliário, dos transportes, dos hotéis
e turismo, da indústria de alimentação
e outras categorias profissionais. A Plenária analisou
a tramitação do projeto de lei do Senado 248/2006
sobre as contribuições sindicais, do senador
Paulo Paim; debateu a inserção de menores aprendizes
e deficientes físicos no mercado de trabalho, com exposições
da procuradora do trabalho Eliane Lucina e do Delegado Regional
do Trabalho no Paraná Sergio Silveira de Barros; detalhou
os pontos básicos da Agenda dos Trabalhadores pelo Desenvolvimento
e avaliou os impactos da implantação do piso
regional na economia paranaense, com dados do economista do
Dieese Cid Cordeiro da Silva; e, finalmente, foram apresentados
os arranjos produtivos locais por Cesar Reinaldo Rissete. Além
desses pontos de debate, as questões da planificação
da ação sindical foram abordadas dentro do plano
de trabalho nacional da Nova Central Sindical dos Trabalhadores.
19 anos da Constituição Cidadã
Participei dos debates sobre os dezenove anos da Constituição
Cidadã, quer de sua importância para nosso povo,
como para a classe trabalhadora. Por certo, é cada vez
mais necessário aprofundar o debate entre os que defendem
um Estado de direito, com base social, e os que insistem em
pregar a necessidade do livre mercado a que se subordinam leis
e regulamentos, sufocando as necessidades do povo às
injunções da bolsa de valores. Por isso mesmo,
a temática constitucional está presente, no sentido
de diminuir o distanciamento do povo em relação
ao seu principal estatuto jurídico, ou seja, o pequeno
valor que ainda se dá aos direitos fundamentais de cidadão.
Uma dívida a ser paga: A Constituição
de 5 de outubro de 1988, por determinação do
art. 64 do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias, deveria ter sido publicada em uma edição
popular pelos governos federal, estaduais e municipais, para
ser colocada à disposição de escolas,
cartórios, sindicatos, quartéis, igrejas e outras
instituições da comunidade, com o objetivo de
que cada cidadão recebesse seu exemplar gratuitamente.
Passados dezenove anos de sua promulgação, não
só os cidadãos não receberam seus exemplares,
como a Constituição foi emendada e tentam violentada
constantemente. Permanece essa dívida com o nosso povo,
que devemos exigir que seja paga.
Legislação complementar necessária: No
que concerne aos direitos sociais (arts. 6.º ao 11), a
legislação complementar não foi aprovada
em relação a vários pontos: - Não
há relação de emprego protegida contra
a despedida arbitrária; - o salário mínimo
(R$ 380,00) não alcança o atendimento das necessidades
básicas estipuladas nos requisitos constitucionais;
- o piso salarial profissional depende de negociações
coletivas para a grande maioria das categorias profissionais;
- inexiste lei de proteção ao salário,
com medidas eficazes contra o não pagamento e em especial
que puna a retenção dolosa do salário;
- a participação na gestão da empresa
sequer é cogitada; - o salário-família
tem valor simbólico; - não há proteção
do mercado de trabalho da mulher com incentivos específicos;
- não há normas eficientes de proteção à saúde
e integridade física do trabalhador (o Brasil continua
campeão mundial de acidentes no trabalho); - não
se fixou o adicional para o trabalho penoso; - as creches e
pré-escolas do nascimento até cinco anos de idade
são insuficientes; - e não houve qualquer medida
legal que impedisse a crescente automação no
trabalho ocasionadora de desemprego.
Descaso de legislador: Esse vazio pós-constitucional
reflete o descaso do legislador face à proteção
ao trabalho. Aposta-se, entretanto, na reforma constitucional
para enfrentar a crise. Panacéia para todos os males,
mexer na Constituição será o remédio
salvador. Mas, em verdade, quando a Constituição
não se cumpre, é porque não interessa
ao poder econômico que ela seja aplicada. Inverte-se,
assim, a equação. A Constituição
precisa ser reformada, para que o poder possa ser exercitado
a serviço do livre-mercado dos cassinos financeiros,
embora a dura realidade esteja a exigir a pura e simples aplicação
das normas constitucionais de proteção social.
Uma Lição socialista: Por isso, é oportuno
relembrar o socialista Ferdinand Lassalle (1825-1864), autor
de pequena magistral obra intitulada “Que é uma
Constituicão?”. Em suas conclusões práticas,
Lassalle termina sua conferência afirmando: “Os
problemas constitucionais não são problemas de
direito, mas do poder; a verdadeira Constituição
de um país somente tem por base os fatores reais e efetivos
do poder que naquele país regem, e as Constituições
escritas não têm valor nem são duráveis
a não ser que exprimam fielmente os fatores do poder
que imperam na realidade social: eis aí os critérios
fundamentais que devemos sempre lembrar”.
Defender o texto constitucional: Na análise
do sistema de poder econômico teremos a resposta sobre
por que a Constituição de 1988 vem sendo descumprida
e poderá ser desfigurada por interesse das forças
políticas e econômicas que detêm esse poder.
Os trabalhadores e suas organizações sindicais
e outras associações terão a difícil,
mas necessária, tarefa de defender o texto constitucional.
Primeiramente, impedir a descaracterização da
Carta Política de maior expressão que o país
já teve, seguramente a mais importante para os direitos
sociais. Se a fidelidade ao poder constituinte expresso em
1988 for reafirmada pela classe trabalhadora e segmentos sociais
democráticos, será possível organizar-se
movimento em defesa da Constituição. Caso contrário,
estaremos a mercê do colapso da lei fundamental.
Direito do Trabalho: No que concerne ao Direito
do Trabalho, se prevalecer a tese de afastar da Constituição
as normas relativas aos direitos sociais e à organização
sindical, estará aberta a estrada para a desconstituição
orgânica dos trabalhadores. Os sindicatos serão
pulverizados, as convenções e acordos coletivos
de trabalho serão suprimidos, a Justiça do Trabalho
perderá seu caráter tutelar. Essa desconstitucionalização
significará a possibilidade de que as forças
dominadoras do mercado imponham suas regras, a serviço
do interesse dos grandes grupos econômicos internacionais.
Estaremos, desse modo, a um passo do predomínio da força,
muito mais longe dos primados da liberdade e da igualdade.
Ação parlamentar: Os incisos
não regulamentados do artigo 7.º da Constituição
Federal são lei, mas inaplicáveis por falta dessa
regulamentação. Vários projetos de lei
complementares à Constituição estão
tramitando no Congresso Nacional. É obrigação
das entidades representativas dos setores populares e profissionais,
efetuar o levantamento de todas essas proposições
e definir uma estratégia de esclarecimento e pressão
visando a aprovação de alguns desses projetos
de lei complementares. Tarefa que deve ser desenvolvida, em
especial, pelo conjunto do movimento sindical e outras organizações
ligadas aos trabalhadores e pelos parlamentares que têm
compromisso com a classe trabalhadora. Esse trabalho conjunto,
por certo, viabilizará a conquista desse objetivo.
Posse no TST
A posse de Fernando Eizo Ono como ministro do Tribunal Superior
do Trabalho, no dia 4 de outubro, foi saudada como acontecimento
marcante para a Justiça do Trabalho do Paraná e
para o povo paranaense. Magistrado nascido em terras paranaenses,
de formação vinculada com as raízes dos
que vêm construindo nosso Estado, assim como de formação
jurídica desenvolvida no Paraná, Fernando Eizo
Ono, com sua simplicidade pessoal, aliada à sua firmeza
conceitual, traduz a união, ao mesmo tempo, da experiência
nascida das lides laboralistas, do estudo constante das matrizes
jurídicas do Direito do Trabalho, como do trato das
coisas administrativas e institucionais.
Dissídio Coletivo e Comum Acordo
(1)
Recente decisão do TRT do Rio Grande do Sul reafirma
o direito da entidade sindical ajuizar dissídio coletivo
de trabalho independentemente da concordância patronal
e do Tribunal julgar o pedido. Eis a ementa: “Ajuizamento
de ação coletiva. Necessidade de ‘comum
acordo’. A expressão ‘comum acordo’,
inserta na parágrafo 2.º, do art.114 da Constituição
Federal, com a redação introduzida pela Emenda
Constitucional n.º 45, de 8/12/2004, trata-se de mera
faculdade das partes em, consensualmente, ajuizarem ação
coletiva, e não conflita com o direito de ação
assegurado nos incisos XXXIV e XXXV, do art. 5.º, também
da Constituição Federal. Preliminar de extinção
do feito, sem resolução do mérito, rejeitada” (TRT
RS 01548-2006-000-04-00-9, Ac. Publicado no DJRS 16/8/2007
Relator Des. Flávia Lorena Pacheco)
Dissídio Coletivo e Comum Acordo
(2)
Embora o voto da Des. Marlene T. Fuverki Suguimatsu, como
relatora de Dissídio Coletivo de Trabalho, tenha seguido
a orientação da Seção Especializada
do TRT.PR sobre a necessidade de comum acordo para o julgamento
da ação, seu posicionamento pessoal é discordante
da tese majoritária, como lavrou no acórdão,
em esplêndida lição:”Ressalvo, aqui,
entendimento pessoal no sentido de que, embora se admita a
constitucionalidade do dispositivo, até que o STF defina
de forma diversa, contudo, a exigência do “comum
acordo” não pode ser levada às últimas
conseqüências, a ponto de permitir a supremacia
da vontade de uma das partes dotada de poderes capazes de vulnerar
a própria garantia constitucional do direito de ação.
Não é razoável entender que basta a recusa
do suscitado, sem maiores justificativas, para se impedir o
prosseguimento do dissídio. A sociedade contemporânea
não tolera falta de transparência na condução
dos atos e das relações entre as pessoas e as
instituições. Impõe-se que a Administração
Pública (Legislativo ou Executivo) motive os seus atos;
que o Poder Judiciário fundamente as suas decisões;
e que as instituições públicas e privadas
pautem-se por condutas finalísticas coerentes com as
práticas que adotam. Ou seja, não basta executar, é necessário
tornar claro por que se executa e que fins se pretende atingir.
Permitir que o suscitado manifeste recusa quanto ao ajuizamento
do dissídio, sem ao menos tornar claras, transparentes,
as razões dessa recusa, significa permitir que o exercício
da jurisdição condicione-se a eventuais caprichos,
intolerâncias, indisposições e até mesmo
propósitos capazes de prejudicar toda uma categoria,
sem que nem mesmo o Poder Judiciário, guardião
da ordem constitucional e por conseqüência, dos
direitos fundamentais, possa coibir a atitude. Entendo ser
imprescindível que o suscitado decline os reais motivos
da recusa, para que possam ser analisados pelo Poder Judiciário
quanto a sua legalidade e legitimidade. Não havendo
justificativas ou concluindo-se que não reúnem
esses requisitos, deve-se considerar possível o ajuizamento
e o prosseguimento do dissídio. Na hipótese,
o suscitado apresentou recusa ao argumento de que a negociação é a
melhor via, o que é evidentemente retórico, já que
as partes estiveram em negociação, sem êxito,
e nenhuma justificativa veio aos autos para a ausência
de composição”. (Acórdão
29071/2007 Proc. TRT PR 16013 2006 909 09 00 6 Relatora Des.
Marlene T. Fuverki Suguimatsu, publicado no DJPR em 5/10/2007).
STJ: ação popular
Importante decisão do Superior Tribunal de Justiça
ao consagrar a tese de que “qualquer cidadão brasileiro
pode, individualmente, propor ação popular contra
atos administrativos que possam causar danos ao meio ambiente.
Esse é o entendimento da Segunda Turma do STJ, que negou
o recurso especial da Fazenda do Estado de São Paulo
com o objetivo de sustar ação popular por falta
de interesse de agir dos autores”. “O relator do
caso, ministro Castro Meira, destacou que o inciso LXXIII do
artigo 5.º da Constituição Federal é claro
ao afirmar que qualquer cidadão é parte legítima
para propor ação popular tendente a anular ato
lesivo ao patrimônio público e ao meio ambiente,
entre outros” (Resp 889766).
“Gracias a la Vida, que me ha dado tanto / Me ha dado
la risa y me ha dado el llanto, / asi yo distingo dicha de
quebranto / los dos materiales que forman mi canto / y el canto
de ustedes que es el mismo canto / y el canto de todos que
es mi próprio canto”. (Violeta Parra, compositora,
cantora, artista plástica, ceramista, nasceu no Chile
a 4/10/1917 e morreu a 5/2/1967. Ouça a gravação
de “Gracias a la Vida” na voz de Elis Regina).
Edésio Passos é advogado,
ex-deputado federal (PT/PR), autor do estudo “Novos Direitos
Constitucionais dos Trabalhadores”, Editora LTr 1988. E-mail:
edesiopassos@terra.com.br
|
Folha
de São Paulo, 14 de outubro de 2007
Lula admite disputar novo mandato,
mas só em 2014
Petista afirma que apoiaria Aécio
se ele entrasse no PMDB | Presidente propõe mandato de
5 ou 6 anos, sem reeleição
O presidente Luiz Inácio Lula da
Silva diz que poderá disputar um terceiro mandato em
2014 ou 2015: "A conjuntura do momento vai indicar".
Em entrevista à Folha, ele afirmou apoiar a emenda que
acaba com a reeleição, desde que o mandato seja
estendido para cinco ou seis anos. Quer uma candidatura única à Presidência
dos partidos aliados -"se tiver quatro candidatos no campo
do governo, o governo vai ficar imobilizado"- e admitiu
apoiar o governador Aécio Neves (PSDB-MG): "Se
entrasse no PMDB e fosse candidato da base, não teria
problema nenhum. Mas precisaria saber se a base quer".
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva concede entrevista à Folha na quarta,
que foi acompanhada pelo ministro Franklin Martins
KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em conversa de uma hora e meia na manhã de quarta-feira
no Palácio do Planalto, Lula rejeitou tentar a re-reeleição
em 2010. "Não existe hipótese para o bem
do Brasil, para o bem da democracia e para o meu bem".
Bem-humorado, Lula (que completará 62 anos no dia 27) contou que
aceitara convite da Aeronáutica para voar num caça a 45
mil pés (13,7 km) de altitude: "Vai dar para ver a curvatura
do globo terrestre". Pediu café e fez introdução
de cinco minutos sobre as realizações do governo: "Hoje,
sou um homem convencido de que o Brasil se encontrou enquanto nação".
FOLHA - No primeiro mandato, FHC disse: "Governar é fácil".
Ulysses Guimarães falou que o poder era "afrodisíaco".
O que pensa?
LULA - Governar não é fácil.
Tomar decisões nem sempre é fácil. Muitas
vezes há choque do interesse do Estado com interesse
de uma parte da sociedade, divergências entre dois ministros,
pressão de interesses econômicos. Muito difícil
governar. Para governar bem, é preciso determinação
de fazer as coisas acontecerem.
FOLHA - O poder é afrodisíaco?
LULA - Não pelo lado sexual, mas
pela adrenalina que toma conta de você. Você não
vai mais a um restaurante, a uma festa: você vive por
conta disso [poder] e isso te motiva. Às vezes, ligo
para os ministros de noite cobrando coisa. Isso toma conta
da gente, dá energia. Tinha muitas dúvidas
sobre o segundo mandato: sempre achei que no segundo mandato
você começaria a entrar na mesmice e iria cansando.
Encontrei com o Fernando Henrique no velório do Frias
[Octavio Frias de Oliveira, publisher da Folha, morto em
abril] e eu estava comentando com ele o segundo mandato.
E ele dizia: "Você vai ver depois do segundo ano,
quando as pessoas já estão pensando no sucessor".
Adquiri consciência de que quero chegar ao final do
mandato com os políticos querendo que eu suba em palanque.
Não tem nada pior do que chegar ao final sendo recusado
pelos seus aliados. Imagina um presidente que não
pode ir a um comício porque ninguém quer que
ele vá lá.
FOLHA - Se o sr. chegar ao final do mandato com imagem
forte não despertará uma onda queremista, o
Lula 2010? Muita gente acha que o sr. vai tentar a re-reeleição.
LULA - Porque no Brasil tem muita gente que
não quer levar a política a sério. A alternância
do poder é educadora para a construção
da democracia. Não existe ninguém insubstituível.
FOLHA - Está vacinado contra a tentação?
LULA - Não existe hipótese
para o bem do Brasil, para o bem da democracia e para o meu
bem.
FOLHA - Descarta ser candidato a presidente em 2014
ou 2015 [quando terá quase 70 anos]?
LULA - Não. Em política, seria
infantil da minha parte dizer que vou decidir o meu destino
em 2014, 2015. Tenho uma filosofia que aprendi com a minha
mãe: "Rei posto, rei morto".
Lembro que Juscelino Kubitschek imaginava voltar depois e não
voltou. Não posso trabalhar em momento nenhum com essa hipótese
na minha cabeça porque será o meu fracasso. Essa coisa,
se tiver de acontecer, a conjuntura do momento vai indicar. Até porque
quero dar um exemplo de ex-presidente: quero deixar a Presidência
e não vou virar palpiteiro.
FOLHA - Apóia a emenda que acaba com a reeleição?
LULA - Um mandato de quatro anos é muito
pouco. O presidente toma posse em 1º de janeiro. No
primeiro ano não faz nada porque o Orçamento
já está comprometido. No segundo, quando começa
a fazer, tem eleições municipais: seis meses
antes da eleição não pode fazer convênio
com nenhuma prefeitura. Então, já tem um ano
e meio morto. Depois tem outro ano para governar e, no ano
seguinte, tem eleição. Um mandato de quatro
anos no Brasil é quase inadministrável. Vamos
acabar com a reeleição e aumentar o mandato.
FOLHA - Apóia a emenda?
LULA - Apóio, apóio. Se não
aumentar o mandato, é melhor ficar a reeleição.
Sei que para a oposição é ruim, porque
ela sempre acha um mandato mais longo difícil, uma
reeleição difícil, mas é importante
que um presidente tenha a possibilidade de concluir um projeto.
FOLHA - Por que o sr. fala em candidatura única
em 2010? Não seria melhor lançar vários
candidatos e apoiar o que chegasse ao 2º turno?
LULA - Tenho uma base de apoio com vários
partidos. Todo o meu esforço será para uma candidatura única. É um
sonho. Vai se concretizar? Não sei. Se tiver quatro
candidatos no campo do governo, o governo vai ficar imobilizado.
Daqui a pouco vai estar o PT brigando com o PMDB, que briga
com o PSB, que briga com o PC do B, que briga com o PR, que
briga com o PDT. Ficamos brigando entre nós e deixamos
nossos adversários tranqüilos. Precisamos fazer
a briga interna e construir a possibilidade de candidatura única.
Há o cargo de presidente, de vice, dois senadores, governadores.
Tem cargo para todo mundo.
FOLHA - O PT não aceita deixar de lançar
candidato a presidente.
LULA - É normal todo mundo achar
que tem de ter candidato. Mas, entre achar e fazer, tem uma
diferença muito grande.
FOLHA - Vai tirar licença para fazer campanha
se tiver um candidato só?
LULA - Se estiver ótimo, vou ajudar
os candidatos exercendo o mandato de presidente. Não
tem nada melhor para ajudar os meus aliados de que o governo
estar bem. Se o governo estiver bem, posso continuar fazendo
as viagens internacionais e deixando a eleição
correr. Se o governo estiver mal, muitas vezes pode acontecer
de o governo estar mal e o presidente estar melhor do que o
conjunto do governo. Aí tomo a decisão.
FOLHA - Se Aécio entrasse no PMDB, o sr. o
apoiaria a presidente?
LULA - Se entrasse no PMDB e fosse candidato
da base, não teria problema nenhum. Mas precisaria
saber se a base quer.
FOLHA - O governo do sr. repete e até acentua
a cultura política da fisiologia, distribuindo cargos
no governo e emendas a parlamentares como forma de mantê-los
fiéis. O sr. desistiu de romper com a fisiologia?
LULA - Uma coisa é a política
real. Outra coisa é a interpretação que
vocês [imprensa] dão à política
real. Quero explicar isso. Nós estamos num governo de
coalizão. Isso não vale para o Brasil. Vale para
o mundo. Se você olhar a Angela Merkel [chanceler alemã],
ela ganha as eleições e faz composição.
FOLHA - É correto condicionar o voto ao governo
a verba ou cargo?
LULA - Não é correto. Aqui
não se trabalha assim. Quando propus aos partidos
uma coalizão, é justo montar o governo com
os partidos da coalizão. Não é correto
montar com o PT e ficar pedindo o voto dos outros.
|
Folha
de São Paulo, 14 de outubro de 2007
BC teme que cortes alimentem
inflação
Banco vê risco de ter de frear
economia em 2008 caso a capacidade produtiva não dê conta
da demanda e o preços venham a subir
Mesmo que o Copom opte por manter a Selic,
governo poderá sustentar o discurso de que os juros
estão no nível mais baixo da história
SHEILA D'AMORIM
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Nas últimas duas semanas, o presidente do Banco Central,
Henrique Meirelles, atuou nos bastidores do governo preparando
o terreno para uma parada nos cortes dos juros. A decisão
oficial sobre a trajetória da taxa Selic será do
Copom (Comitê de Política Monetária) -que
tem mais duas reuniões agendadas para este ano, uma
delas nesta semana-, mas Meirelles já começou
a pavimentar o caminho para uma corrente que ganhou força
nos debates internos do BC: o ritmo mais acelerado de crescimento
da economia se tornou uma ameaça para a inflação
em 2008.
Tentando evitar que o BC fique acuado e seja alvo de fogo amigo, caso
os diretores resolvam suspender a queda dos juros já nesta semana,
Meirelles entrou em campo e colocou essa possibilidade em discussão.
Enquanto ele fez a costura política com o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva e na cúpula da equipe econômica, os diretores
do BC foram encarregados de lançar a mesma idéia nos contatos
com o mercado financeiro, reforçando preocupações
que constam da ata da última reunião do Copom e também
do relatório trimestral de inflação, divulgado há 20
dias.
Assim, procura-se, por um lado, dar argumentos ao governo para ajustar
o discurso em defesa do BC. Por outro, a dúvida dos analistas
fará a opção por uma parada no corte dos juros ser
repassada nos relatórios enviados aos clientes. Dessa forma, se
parar ou reduzir um pouco os juros nesta semana, o BC não causará surpresas
ou instabilidade no mercado.
Segundo a Folha apurou, o principal argumento do BC tem sido o de que
o Copom não pode colocar em risco o crescimento da economia para
os próximos anos. Se a aceleração na demanda por
bens e serviços não for acompanhada simultaneamente pelo
aumento na capacidade produtiva das empresas, há risco de o BC
ter de frear o crescimento da economia em 2008 para evitar a disparada
da inflação.
Esse é o maior temor de Lula, que não quer repetir o ocorrido
no primeiro mandato, quando o crescimento verificado em 2004 foi contido
pela política monetária no ano seguinte. De olho nas eleições
de 2010, Lula não quer altas e baixas no crescimento da economia
e tem cobrado do BC e do ministro Guido Mantega (Fazenda) uma taxa em
torno de 5% ao ano.
Para Meirelles, mesmo que o Copom opte por suspender a redução
da Selic, o governo poderá sustentar o discurso de que os juros
estão no nível mais baixo da história tanto em valor
nominal como real (descontada a inflação).
Com isso, a estratégia de Meirelles já teria apoio até na
Fazenda. Apesar de o ministro Guido Mantega discordar do diagnóstico
de diretores do BC, ele não quer causar polêmica pública.
O próprio Lula destacou, em discurso durante seminário
do setor da construção civil, que a indústria precisa
aumentar os investimentos para evitar que a inflação volte.
Isso porque as empresas já estão utilizando mais de 85%
da capacidade de produção.
Esse é um sinal de que as indústrias poderão não
dar conta de atender o crescimento mais forte da demanda. Até o
ministro da Previdência, Luiz Marinho, tradicionalmente crítico
da atuação do BC, foi mais cauteloso ao comentar a política
monetária e disse que é preciso deixar o BC agir com calma.
Divisão
O risco de pressão inflacionária divide os próprios
diretores do BC. Uma corrente vem defendendo, desde julho, desaceleração
nos cortes da taxa. Mas tem sido vencida por outra que vê espaço
para novos cortes.
O desempenho recente da inflação, dando sinais de que a
pressão dos alimentos arrefeceu, pode alimentar essa tese, mas
a hipótese, avaliam, deve ser neutralizada pelo aumento das vendas
na indústria além das expectativas.
|
Última
Instância, 14 de outubro de 2007
Empregado de fábrica de
cimento não prova ter adquirido doença do trabalho
A 12ª Câmara do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 15ª Região
negou provimento a recurso ordinário de um trabalhador, em processo
movido contra uma empresa fabricante de cimento. A decisão manteve
sentença da Vara do Trabalho de Capão Bonito, que julgou
a ação improcedente.
O empregado pretendia indenização, alegando
ter adquirido, por causa das condições de trabalho,
doenças como pneumoconiose (mal que acomete os pulmões,
por inalação de pó), tendinite/tenossinovite
(inflamação de tendões), alergias, dermatites,
perdas auditivas induzidas por ruído e hérnia
de disco.
Segundo ele, ao ser admitido, foi submetido a exame médico
que o considerou apto para o exercício das atividades
na empresa. Em sua argumentação, o exame seria
prova de que, na época da contratação,
ele não era portador de quaisquer das doenças
noticiadas no processo.
No entanto, a perícia médica não constatou
no trabalhador as doenças alegadas na ação.
No histórico clínico, o médico atestou
que o reclamante teve infarto do miocárdio; que ele
sofre de pressão alta há muitos anos, o que lhe
causa dores no peito e desconforto para respirar; que padece
ainda de diabetes e, devido a ela, apresenta indisposição
e dificuldade em realizar esforços. O perito indicou
que essas doenças não apresentam nexo causal
com o seu trabalho.
Já a perícia de engenharia realizada nas instalações
da empresa evidenciou “que a reclamada tinha a atenção
voltada para a segurança dos seus trabalhadores”,
concluiu a relatora do caso, juíza Olga Aida Joaquim
Gomieri. O laudo confirmou que a reclamada concedia regularmente
a seus empregados equipamentos de proteção individual
e coletiva.
A perícia também demonstrou que a empresa realizava
cursos de treinamento e promovia a conscientização
do uso dos equipamentos, por meio de placas de sinalização,
complementou a relatora,
Além de não provar diretamente suas alegações,
o trabalhador também não conseguiu fazê-lo
por meio da prova pericial. Assim, diante das provas, a Câmara
concluiu que o reclamante não conseguiu preencher os
requisitos necessários para o deferimento da indenização
requerida.
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