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Agência Brasil, 15
de outubro de 2007
Lula defende CPMF e diz que carga
tributária cresce junto com lucro de empresas
Petterson Rodrigues
Repórter da Agência Brasil
São Paulo - Em discurso
na abertura do 16º Salão Internacional do Transporte (Fenatran
2007), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a aprovação
da Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF) no Congresso e disse que o crescimento da carga tributária
no Brasil está relacionado ao aumento no lucro das empresas brasileiras.
“Todos sabem que ela [carga
tributária] cresce porque tem crescido de forma extraordinária
o lucro das empresas brasileiras”, afirmou o presidente. “Qualquer
cidadão de bom senso sabe que neste país desde que eu tomei
posse não aumentou nenhum imposto a não ser o IPI (Imposto
Sobre Produtos Industrializados) sobre importação, a pedido
dos empresários.”
Lula criticou a discussão
contra CPMF e disse que “lamentavelmente” há no Brasil “um
agrupamento” de pessoas que “prefere fechar os olhos ao que
está acontecendo no país e ficar ascendendo coisas negativas”.
Antes de encerrar seu discurso
na abertura do 16º Salão Internacional do Transporte, o presidente
voltou a comemorar o resultado do leilão de concessão rodovias,
realizado na semana passada na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
"Cansei de ouvir críticas,
cansei de ouvir gente dizer que não ia mais acontecer o leilão,
cansei de ouvir gente dizer que não ia dar certo, cansei de ouvir
gente dizer que tinha sido um fracasso e por último que não
iam aparecer empresas para participar do leilão”, afirmou
Lula.
“Uma coisa é fazer
o leilão quando o paciente está moribundo, quando o paciente
está agonizante, em que os oportunistas imaginando que não
tem salvação oferecem propostas abusivas e quem está moribundo
não tem direito de reagir. Desta vez, os leilões foram
feitos num país com economia totalmente estável, num
país dando passos extraordinários para consolidar um
novo ciclo de desenvolvimento que se depender de mim será longo.”
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UOL ECONOMIA, 15 de outubro
de 2007
Emprego na indústria cresce
pelo 2º mês consecutivo
RIO DE JANEIRO (Reuters) - O emprego na indústria brasileira cresceu
em agosto pelo segundo mês consecutivo, informou nesta segunda-feira
o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
As indústrias instaladas
no país ampliaram em 0,2% o número de empregados de julho
para agosto, acumulando neste dois meses um ganho de 0,7%, informou o
IBGE em comunicado.
O valor da folha de pagamento e o número de horas pagas também
cresceu de julho para agosto, em 0,3% e 0,2%, respectivamente.
Na comparação com
agosto do ano passado, o nível de emprego no setor avançou
2,2%, completando uma sequência de 14 taxas positivas nesse tipo
de comparação.
De janeiro a agosto, as indústrias
acumulam um aumento de 1,6% no número de trabalhadores. Nos últimos
12 meses, a alta foi de 1,2%.
De junho para julho, o emprego
industrial cresceu 0,5%, de acordo com dado revisado pelo IBGE.
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UOL ECONOMIA, 15 de outubro
de 2007
Setor de combustíveis tem
maior crescimento do emprego; de fumo, maior queda
Da Redação
Em São Paulo

O setor industrial em que o emprego mais tem crescido no país é,
disparado, o de combustíveis, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística). De janeiro a agosto deste ano, em relação
a igual período de 2006, o refino de petróleo e álcool
registrou uma expansão de 9,5% no pessoal ocupado assalariado.
O desempenho está bem à frente
do segundo colocado, o segmento de produtos de metal, em que o emprego
cresceu 6,3% na mesma base de comparação. O IBGE mede mensalmente
o emprego industrial em 18 setores.
O crescimento da ocupação
na indústria brasileira em geral foi de 1,6% no acumulado de janeiro
a agosto (sobre período equivalente de 2006) e de 0,2% em agosto
em relação a julho. Na comparação entre agosto
deste ano e do passado, a expansão foi de 2,2%.
Piores
desempenhos
O pior desempenho do emprego industrial no acumulado do ano é da
indústria de fumo, que registrou queda de 12,1%. Também
obtiveram retração do nível de ocupação
os segmentos de calçados (recuo de 6,5%), madeira (de 5,9%), vestuário
(de 4,8%), papel e gráfica (de 3,1%) e borracha e plástico
(de 0,1%).
Os segmentos de minerais não
metálicos e de máquinas e aparelhos eletrônicos tiveram
crescimento abaixo da média no acumulado do ano, expandindo-se
0,3% e 1,5%, respectivamente.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO (ON LINE), 15 de outubro de 2007 | Brasil
Cai apoio à reeleição
e população defende voto facultativo, diz CNT/Sensus
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O apoio da população
brasileira à reeleição do presidente da República,
governadores e prefeitos caiu em outubro deste ano, segundo pesquisa
divulgada pela CNT/Sensus nesta segunda-feira. Os resultados mostram
que 57,4% dos brasileiros apóiam a reeleição hoje.
Em abril, 65,4% eram favoráveis à reeleição
de políticos para cargos majoritários. A margem de erro
da pesquisa é de três pontos percentuais.
O número de entrevistados
contrários à reeleição subiu de 28,2% em
abril deste ano para 38,2% em outubro. "Apesar da queda, o apoio
da população à reeleição permanece
positivo", disse o presidente do Instituto Sensus, Eduardo Guedes.
A pesquisa mostra que 45,7% dos
entrevistados consideram que o presidente da República deveria
ser eleito para apenas um mandato, enquanto 36,8% são favoráveis
a dois mandatos consecutivos. Somente 12,3% dos entrevistados defenderam
o terceiro mandato para o presidente.
Já em relação
ao tempo de mandato para o presidente da República, 43,6% dos
entrevistados defendem quatro anos com a possibilidade de reeleição.
O índice caiu em relação a março de 2004
--última vez em que a pesquisa CNT/Sensus fez esse questionamento
aos entrevistados--, quando 47,2% dos entrevistados afirmaram ser favoráveis
ao mandato de quatro anos com reeleição.
Outros 34,1% dos entrevistados
defenderam o mandato de quatro anos, sem reeleição, enquanto
apenas 9,1% dos entrevistados disseram ser favoráveis ao mandato
de cinco anos sem reeleição. E 9,2% apóiam o mandato
de cinco anos com reeleição.
Voto obrigatório
A pesquisa mostrou que 58,9%
dos brasileiros são favoráveis ao voto facultativo no país,
enquanto outros 38,4% consideram que o voto deve ser um instrumento obrigatório
no país.
Questionados se, em caso
de voto facultativo, compareceriam às urnas para escolher seus
candidatos, 58,1% dos entrevistados afirmaram que votariam. Outros
27,9% responderam que não votariam, enquanto 11,1% disseram
que o voto dependeria de uma série de fatores.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO (ON LINE), 15 de outubro de 2007 | Brasil
Pesquisa mostra que 45% defendem
unificação da Câmara com o Senado
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Pesquisa CNT/Sensus divulgada
nesta segunda-feira mostra que 23,3% dos brasileiros defendem a extinção
do Senado Federal, enquanto 19,2% são favoráveis à eliminação
da Câmara dos Deputados. A pesquisa mostra, em contrapartida, que
45,3% são favoráveis à unificação
das duas Casas Legislativas. Só 32,7% são contrários à reunião
de Câmara e Senado em apenas um órgão.
"Não é que
as pessoas sejam contra o Legislativo, o que podemos concluir é que
o povo é a favor de apenas um Casa Legislativa", disse o
presidente da CNT (Confederação Nacional de Transportes),
Clésio Andrade.
A pesquisa foi realizada em meio à crise
que atinge o presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL),
que se afastou do comando da Casa na última quinta-feira. A mostra
foi colhida entre os dias 8 e 12 de outubro, período em que Renan
acabou se afastando do comando da Casa. A pesquisa não questionou,
no entanto, a opinião dos brasileiros sobre a permanência
de Renan na presidência do Senado.
Oposição
Segundo a pesquisa, 24,8% dos
entrevistados consideram o PSDB e o DEM como partidos de oposição "competentes" dentro
do Congresso Nacional, mas "coniventes" com o governo federal.
Outros 17,8% dos entrevistados consideraram as duas legendas como competentes
e não coniventes com o governo federal, enquanto 14,4% consideraram
os dois partidos incompetentes e não coniventes com o Executivo.
Fidelidade partidária
Em relação à fidelidade
partidária, 48,7% dos entrevistados afirmaram que os mandatos
pertencem aos candidatos, e não às legendas. Outros 38,3%
dos entrevistados disseram que os mandatos pertencem aos partidos políticos
--como definiu na semana passada o STF (Supremo Tribunal Federal).
A pesquisa mostrou, por outro
lado, que 54,2% dos entrevistados concorda com a decisão do Supremo
sobre a fidelidade partidária, enquanto 30,7% afirmaram não
estar de acordo com a medida do tribunal.
"O que podemos concluir é que,
mesmo as respostas sendo contraditórias, é que as pessoas
votam no candidato, mas não querem que ele mude de partido.
Dá uma alteração em função disso",
disse Andrade.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO (ON LINE), 15 de outubro de 2007 | Dinheiro
Real valoriza quase 100% durante
governo Lula
da Folha Online
Levantamento da consultoria Economática
que a moeda brasileira valorizou quase 100% perante o dólar nos últimos
cinco anos. Em um rol de moedas latino-americanas, o Real lidera, a frente
das unidades monetárias da Argentina, Chile, Peru e outros três
países.
A consultoria calculou uma valorização
de 97,24% da taxa de câmbio brasileira entre os dias 31 de dezembro
de 2002 e 12 de outubro deste ano. No mesmo período, os Pesos
chileno e colombiano tiveram ganhos de 45,99%; o Sol peruano teve ganho
de 18,06%, e o Peso argentino, de 6,61%.
O estudo da Economática
mostra ainda que somente duas moedas latino-americanas perderam valor
nos últimos cinco anos: o Bolívar, da Venezuela, que desvalorizou
34,73% frente ao dólar, e o Peso mexicano, com perdas de 4,76%.
Fundamentos
Somente neste ano, o real valorizou
15,48% frente ao dólar. Essa perda de valor da moeda americana
não foi restrita ao mercado brasileiro. O euro já atingiu
a cotação história de US$ 1,42 nos últimos
dias, devido à expectativa de que o banco central americano vai
reduzir novamente os juros básicos americanos. Taxas de juros
mais baixas podem fazer com que investidores transfiram fundos para ativos
de renda fixa em outros países com retornos mais atrativos.
Analistas também
citam fatores domésticos para explicar a valorização
do real: o nível mais alto das reservas internacionais, hoje
em US$ 162 bilhões, o que representa um "colchão
de segurança" contra eventuais crises externas.
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO (ON LINE), 15 de outubro de 2007 | Cotidiano
Horário de verão é aprovado
por 59,4%, mostra pesquisa
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Pesquisa CNT/Sensus divulgada
nesta segunda-feira revela que 59,4% dos brasileiros são a favor
do horário de verão. Outros 36,8% se disseram a mudança
nos relógios e 3,9% não quiseram responder.
O principal motivo de aprovação é a
economia de energia, principal meta para a realização
do horário de verão. Entre todos os entrevistados, 40,4%
se disseram a favor do horário de verão por causa da
energia e 19% disseram que o aprovam porque com o dia mais longo é possível
realizar mais atividades.
Entre os contrários,
20,8% consideram que a economia é pequena demais e não
justifica a mudança no horário. O restante (16% do total)
disse reprovar o horário de verão porque se sentem inseguras
pela manhã, já que as ruas ficam mais escuras até mais
tarde.
A pesquisa havia sido realizada
pela última vez em 2001. Na ocasião, 52,8% se posicionaram
a favor e 37,1% contra o horário de verão. Os principais
motivos foram os mesmos apresentados na pesquisa deste ano.
O horário de verão
teve início à 0h deste domingo (14). Os relógios
deverão ser adiantados em uma hora nas regiões Sul, Sudeste
e Centro-Oeste do país.
A medida vai vigorar até a
meia-noite do dia 16 de fevereiro. O horário de verão
2007/ 2008 terá 125 dias de duração, 13 a mais
do que o de 2006/ 2007.
O principal objetivo da mudança
de horário é reduzir a demanda por energia elétrica,
ou seja, a quantidade máxima de energia consumida em um determinado
momento, geralmente entre 17h e 22h. O Ministério de Minas e
Energia prevê uma economia de mais de 2.000 MW, o que significa
uma redução no consumo no horário de pico entre
4% e 5%.
Em 2006, a economia foi de
R$ 50 milhões com geração termelétrica
com o novo horário.
De acordo com o ministério,
nessa época a demanda aumenta muito por causa do calor e do
crescimento da produção industrial para o Natal.
No período em que o
horário de verão é adotado, os dias têm
duração maior por causa da posição da Terra
em relação ao sol. Com o maior aproveitamento da luminosidade
natural, o governo espera reduzir o consumo de energia elétrica.
O horário de verão
foi adotado pela primeira vez no Brasil em 1931, com duração
de cinco meses. Até 1967 a mudança no horário
foi decretada nove vezes. Desde 1985, no entanto, a medida vem sendo
adotada sem interrupções, com diferenças apenas
nos Estados atingidos e no período de duração.
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ÂMBITO JURÍDICO,
15 de outubro de 2007
Auxílio-doença não
pode ser inferior ao salário mínimo
O TRT de Minas Gerais, por sua
4ª Turma, negou provimento a recurso em que o executado pretendia
a retificação dos cálculos apresentados pelo
perito oficial no tocante ao auxílio-doença. A Turma
acompanhou voto do desembargador Caio Luiz de Almeida Vieira de Mello,
que manteve a decisão de 1º grau no sentido de que o
auxílio-doença não poderá ser inferior
ao salário mínimo quando incidente o coeficiente de
redução previdenciária de 91%, nos termos da
Lei nº 9.876/1999.
Como o executado discordou da
homologação dos cálculos elaborados pelo perito
oficial, o juiz de 1º grau resolveu converter o julgamento em diligência,
com a remessa do processo ao Setor de Liquidação Judicial.
A SLJ reiterou os cálculos ao fundamento de que, pela Lei 9.876/99
a renda mensal do benefício (no caso, auxílio-doença)
será de 91% do salário-benefício. Todavia, este
valor não poderá ser inferior ao salário mínimo.
Dessa forma, a Turma entendeu
estarem corretos os cálculos apresentados pelo perito oficial
e ratificados pelo SLJ, que foram elaborados de acordo com a sentença
e na forma da lei.
( AP nº 00868-2005-053-03-00-1
)
Fonte: TRT3
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ÂMBITO JURÍDICO,
15 de outubro de 2007
Depositário infiel: Justiça
do Trabalho mantém mandado de prisão
A Seção Especializada em Dissídios Individuais (SDI-2)
do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou pedido de “habeas corpus” a
uma empresária que teve sua prisão decretada por ter vendido
veículo penhorado como garantia de débitos trabalhistas.
O caso começou quando
a empresa Azul Jeans Indústria e Comércio de Confecções,
de Cascavel (PR), foi condenada em ação movida por 33 ex-funcionários
que reclamaram o pagamento de salários atrasados e das verbas
da rescisão do contrato de trabalho. Por determinação
da 1ª Vara do Trabalho de Cascavel, foram penhorados vários
bens da empresa, especialmente máquinas e equipamentos industriais,
terrenos e veículos.
Em sua defesa, entre outras alegações,
a empresa buscou excluir da penhora alguns bens de família, incluindo
um carro modelo EcoSport pertencente a uma das sócias e principal
administradora, sob a justificativa de que o veículo se encontrava
em alienação fiduciária (situação
em que a propriedade do bem se mantém com a instituição
financiadora até sua quitação).
Posteriormente, a empresária
vendeu o veículo e, diante da iminência de ter decretado
mandado de prisão por depósito infiel, ajuizou habeas corpus
preventivo com pedido de liminar no Tribunal Regional do Trabalho da
9ª Região (Paraná). A liminar foi concedida e posteriormente
cassada, quando o TRT negou o pedido de habeas corpus.
Inconformada, a empresária
entrou com recurso ordinário no TST, reiterando os argumentos
iniciais para a obtenção de habeas corpus: além
da alegada indisponibilidade do veículo, sustentou que sua prisão
não poderia ser feita, com base na Convenção Americana
sobre Direitos Humanos, acordo internacional do qual o Brasil é signatário,
e segundo o qual ninguém pode ser detido por dívida.
O relator da matéria,
ministro Ives Gandra Martins Filho, ao analisar o mérito da questão,
manifestou-se pela não-procedência do pedido, tendo em vista
estar configurada a condição de depositária infiel.
Neste sentido, ele ressaltou que, embora formalmente nomeada depositária,
a empresária vendeu o veículo sem prévia autorização
judicial e, instada a apresentar o bem, alegou que não poderia
fazê-lo “por questões que fogem à discussão
neste feito”. Além disso, ofereceu em substituição
um bem de propriedade de outro sócio sem anuência deste.
O ministro registrou que a alienação fiduciária,
além de não afastar a responsabilidade do depositário
e não ser obstáculo à apreensão judicial,
teve o seu registro baixado no DETRAN – ou seja, o veículo
já estava quitado à época de sua apreensão.
Quanto às alegações
sobre a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto
de São José da Costa Rica), Ives Gandra ressaltou que a
questão deve ser analisada à luz da decisão do Supremo
Tribunal Federal, segundo a qual os compromissos assumidos em tratado
internacional não minimizam o conceito de soberania nacional,
devendo, portanto, ser interpretados com as limitações
impostas pela Constituição Brasileira. (ROHC 26011/2006-909-09-00.5)
(Ribamar Teixeira)
Fonte: TST
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CONSULTOR JURÍDICO,
15 de outubro de 2007
Tarde demais
Quem deixa de questionar dívida
não pode reclamar
Consumidor que não questiona valor da dívida perde direito de
reclamar de prática abusiva do fornecedor. Com esse entendimento, a
4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça manteve decisão
do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Os desembargadores decidiram
que André Abrahão Cordeiro terá que pagar as despesas
hospitalares referentes ao nascimento de sua filha à Associação
Congregação de Santa Catarina — Casa de Saúde São
José. O valor da dívida é de aproximadamente R$ 10 mil.
De acordo com dados do processo,
Cordeiro levou sua mulher, que estava em trabalho de parto, para a casa
de saúde. Lá, ele assinou a ficha de internação
e se responsabilizou pelo pagamento dos custos médico-hospitalares.
Posteriormente, ele mandou uma carta ao diretor do centro de prematuros
do Rio de Janeiro informando que sua mulher tem plano de saúde
da Fundação dos Economiários Federais (Funcef).
No entanto, não alegou, no ato da internação, a
existência do plano, o que evitaria a assinatura do documento.
Ele recorreu ao STJ após
ter seu pedido negado pela primeira e segunda instâncias. Para
o TJ fluminense, o certo é que, não se referindo ao plano
de saúde e nem provando a existência dele, o cuidado da
casa, em obter a assinatura no termo de responsabilidade, não
constitui coação. Para os desembargadores, é através
do termo que se origina a relação contratual entre o estabelecimento
e o paciente.
Para o autor da ação,
houve ofensa a artigos do Código de Defesa do Consumidor, no que
diz respeito a execução de serviços sem a prévia
elaboração de orçamento e autorização
do consumidor. De acordo com ele, o hospital deveria entregar orçamento
prévio discriminando o valor da mão-de-obra, dos materiais
e equipamentos a serem empregados, bem como as condições
de pagamento. Além disso, ele alegou que a mulher teria sofrido
pressão para quitar a dívida.
O relator do caso, ministro Hélio
Quaglia Barbosa destacou que se o consumidor deixa de questionar os valores
cobrados pelos serviços prestados, não discordando do montante
da dívida, não se pode falar em prática abusiva
pelo fornecedor, mesmo que ausente o orçamento prévio.
Em relação à alegada
coação, o ministro afirmou que o reexame de sua ocorrência
se mostra impossível na sede recursal eleita, nos termos da Súmula
7 do STJ.
REsp 285.241
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DEPACOM, 15 de outubro de 2007
Maranhão
FETICEMA realiza seu XVI Encontro dos
Trabalhadores da Construção
e do Mobiliário
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A FETICEMA – Federação
dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
e do Mobiliário do Estado do Maranhão, presidida
pelo companheiro FRANCISCO DAS CHAGAS VIANA, realizou, com apoio
da CNTI, nos dias 12 e 13 de outubro, em São Luís/MA,
o seu XVI Encontro dos Trabalhadores da Construção
e do Mobiliário. |
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Evento reuniu aproximadamente 60 dirigentes sindicais de diversos
sindicatos do estado.
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Também esteve
presente proferindo palestra, o presidente da FETRACONSPAR, Secretário
Regional da CNTI no Paraná, e 3º Vice-Presidente da
NCST, Geraldo Ramthun, que falou sobre as convenções
coletivas de trabalho e unificação da data-base e
do movimento sindical atual. |
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Ramthun explica como funciona a Campanha Salarial no Paraná. |
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Terezinha Fernandes
Secretária
de Trabalho e Economia Solidária, e ex- Deputada
Federal, falou sobre "O
PAC e as perspectivas de desenvolvimento do Maranhão". |

Da esq. Jansen (Presidente da FTI/MA) Ramthun
e Emílio (Vereador e Presidente do STICM de Codó). |
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DEPACOM, 15 de outubro de 2007
Visita à sede da FETICEMA
Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da
Construção e do Mobiliário do Estado do Maranhão
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Da esq. Tomáz, Ramthun, Francisco, Henrique e diretor da federação |
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DEPACOM, 15 de outubro de 2007
Visita à sede do STI da Construção Civil de
São Luis/MA Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
Civil e do Mobiliário de São Luís
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Da esq. Francisco, Ramthun, Humberto e Henrique |
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Ramthun, Vice-Presidente do DEPACOM, observa galeria dos ex-presidentes
do STI da Construção Civil e do Mobiliário de
São Luís/MS
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Folha de São Paulo,
15 de outubro de 2007
Oposição ataca possível
volta de Lula em 2014
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A possibilidade de o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva concorrer à sucessão em
2014, conforme ele revelou em entrevista à Folha publicada ontem,
foi criticada pela oposição, apesar de estar de acordo
com a lei.
Para o senador Arthur Virgílio,
líder do PSDB na Casa, a idéia de Lula tentar um terceiro
mandato "esclerosa as veias da renovação política". "As
pessoas acabam mexicanizando o Brasil, e digo mexicanizando para ser
elegante, pois tenho medo mesmo é de uma venezualização",
afirmou, em referência ao presidente Hugo Chávez.
O senador tucano não descarta
levantar a discussão sobre a possibilidade de se mudar as regras
vigentes, fixando prazo máximo de dois mandatos para os presidentes
ficarem no poder.
O líder do DEM na Câmara, deputado Onyx Lorenzoni (RS), ainda
duvida que Lula tenha realmente descartado a possibilidade de promover uma
mudança na legislação para tentar ser candidato novamente
já em 2010. Na entrevista, Lula disse que esta hipótese "não
existe".
"O presidente tem inúmeras
vezes dito uma coisa e feito outra", afirmou.
Para o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), o presidente deveria estar
preocupado em governar bem. "Antes de ele falar em 2014, ele tem que governar
até 2010, e governar bem. Pode até ter ambição,
mas antes tem que governar bem até 2010, o que na minha opinião
acho que ainda não ocorre", afirmou.
Líderes governistas
saíram em defesa do presidente. Para Romero Jucá (PMDB-RR),
o fato de Lula afirmar que cogita voltar em 2014 tem um simbolismo
grande, porque abafa "a paranóia de alguns", que acreditam
que ele pode tentar ficar no poder em 2010.
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Folha
de São Paulo, 15 de outubro de 2007
Expansão imobiliária causa
gargalos na construção civil
Empresários já admitem falta de mão-de-obra
e demora na entrega de produtos | Incapacidade de atender ao aumento da
demanda pode ameaçar o crescimento da economia; setor tem peso de
quase 18% na indústria
SHEILA D'AMORIM
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A retomada do segmento imobiliário
já aponta riscos de apagão da construção
civil caso o crescimento do setor se acelere ainda mais em 2008 e em
2009. A falta de cimento em algumas cidades chama a atenção
para gargalos que podem comprometer o desempenho da economia nos próximos
anos.
A construção civil
responde por quase 18% da produção industrial no país
e tem sido puxada pelo forte aumento na construção de imóveis,
que representa cerca de 25% do setor.
A área de infra-estrutura, responsável por metade da produção
da construção, ainda não deslanchou e aguarda os projetos
do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) saírem
do papel. Ainda assim, os empresários já admitem falta de mão-de-obra
e demora na entrega de produtos.
"Falta operador de grua.
Para uma obra no Distrito Federal, tivemos de importar de São
Paulo", diz Alexandre Chueri, superintendente da Ciplan, que fornece
cimento, agregados, argamassa e concreto para Estados do Centro-Oeste,
do Norte, do Nordeste e do Sudeste.
"O Brasil tem restrições
ao crescimento no nível da Ásia, e uma delas é por
causa da mão-de-obra. Se o crescimento [nas vendas de materiais
para construção] passar de 12% [projeção
do setor para 2007 e 2008], vai faltar tanta coisa que não será o
cimento o problema."
Ele ressalta que o fornecimento de produtos é mais fácil de resolver
porque há investimentos em andamento para maturar. Já a questão
da mão-de-obra qualificada é considerada mais delicada.
Segundo Chueri, há um ano a entrega de projetos de construção
em escritórios tradicionais demorava 30 dias em cidades como Brasília.
Hoje, a espera pode chegar a quatro meses.
" Faltam grua, andaime e até engenheiro civil. Mas acho que a situação é transitória
e não há risco de apagão. As empresas vão se adaptar à demanda",
avalia José Otávio Carvalho, secretário-executivo do Sindicato
da Indústria do Cimento.
Para ele, o maior risco de gargalo
do setor está no frete. "Para um determinado nível
de crescimento, haverá problema de saturação de
rodovias, da frota. Temos notícias de filas para comprar caminhão."
A previsão de crescimento
nas vendas de materiais de construção em 2007 é de
12%, praticamente o dobro dos 6,3% de 2006. O resultado disso, segundo
o presidente da Abramat (Associação Brasileira da Indústria
de Materiais de Construção), Melvyn Fox, é que o
setor, que trabalhava com 70% da capacidade instalada, já está utilizando
mais de 85% da capacidade de máquinas, equipamentos e plantas
produtivas.
Mais fábricas
Apesar de reconhecer problemas
em algumas áreas, ele diz que são pontuais e descarta o
risco de apagão se o ritmo de consumo for mantido. "Temos
fábricas sendo reativadas e plantas novas criadas."
O risco é se a demanda
crescer muito mais. "A não ser que haja um estouro e cresçamos
a 20% ao ano, aí teremos problemas. Mas o PAC não vai deslanchar
de forma tão intensa de uma única vez. Sabemos que há limitações
para o programa", diz, citando discussões ambientais, demora
na seleção e escolha dos projetos.
O câmbio também
pode ser um aliado importante para o setor, diz Lauro Andrade Filho,
diretor da Anfacer (Associação Nacional dos Fabricantes
de Cerâmica). "Com o real valorizado, os 20% da produção
que seriam exportados ficarão no mercado interno."
Ele estima que o segmento de
cerâmica, pisos e revestimentos já opera com quase 93% de
ocupação do parque produtivo, mas afirma que os investimentos
feitos deverão aumentar em 5% a capacidade atual de produção
ainda neste ano.
Mesmo otimista, ele admite
que teme problemas na área energética. "Cerâmica
depende muito de gás natural. A indústria está preparada
para aumentar a produção, mas há fatores externos
que podem atrapalhar, como abastecimento e escoamento da produção."
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Folha
de São Paulo, 15 de outubro de 2007
Construtoras tentam se proteger de apagão
Grandes grupos investem em novas tecnologias
de edificação e elevam salários de engenheiros para
driblar gargalos no setor
| Falta de mão-de-obra leva empresas a investir em treinamento; incorporadoras
fazem estoque de material de construção, o que eleva preço
JULIO WIZIACK
DA REPORTAGEM LOCAL

O engenheiro João Cláudio
Robusti é dono de uma construtora e, desde agosto de 2006, enfrenta
atrasos em suas obras devido à falta de equipamentos no mercado.
Agora, ele está na fila de espera por máquinas e até materiais
de construção.
Presidente do SindusCon/SP
(Sindicato da Indústria da Construção Civil do
Estado de São Paulo), Robusti se juntou a um grupo de empresários
para evitar o que muitos temem: um apagão logístico na
construção civil de São Paulo.
Para o presidente da Abef (Associação
Brasileira de Empresas de Engenharia de Fundações e Geotecnia),
José Luiz Saes, haverá falta de equipamentos, como guindastes,
perfuradores e guinchos até, pelo menos, o final de 2008.
"Não conseguiremos
trazê-los antes disso", afirma Saes. Segundo ele, os fabricantes
nacionais de hélice contínua, por exemplo, não
conseguirão turbinar a produção a tempo. As hélices
contínuas servem para perfurar o solo lançando as bases
de fundação.
"A importação
também demoraria demais e cada unidade custa US$ 1,5 milhão",
diz Saes. "O setor não tem como investir sem garantias
de que esse crescimento da construção civil atual será sustentável."
Há cerca de dez dias,
uma missão do SindusCon foi à China para tentar viabilizar
a importação de maquinário. Os chineses conseguem
fabricar os equipamentos em três meses, mas, segundo as construtoras,
haveria demora no transporte e no desembaraço das mercadorias
nos portos.
Outra incerteza é quanto ao fornecimento de materiais de construção.
Um estudo feito pela Abramat (Associação Brasileira das Indústrias
de Materiais de Construção) em parceria com a FGV (Fundação
Getulio Vargas) mostra que o PIB da cadeia de construção crescerá,
no mínimo, 10,2% em 2008, contra 4,8% do PIB nacional.
Se a previsão se confirmar,
os riscos de escassez serão maiores. Segundo Robusti, ainda
que as fábricas produzam no máximo de sua capacidade
(hoje elas operam com 20% de ociosidade), a distribuição
ficará comprometida. "Não há como entregar
as mercadorias. As montadoras têm fila de espera para a compra
de caminhões."
Diante desse cenário,
as incorporadoras começaram a fazer estoque e isso já pode
estar pressionando os preços. "Estamos fidelizando fornecedores
e antecipando contratos", afirma Sílvio Chaimovitz, diretor
da Klabin Segall.
O mercado já se ressente
dessa prática. A Tecnisa diz que paga R$ 270 pelo metro cúbico
de estruturas de concreto, contra os R$ 185 desembolsados no final
de 2006 para fazer lajes e vigas -aumento acima de 45%.
Esse é só um
detalhe da elevação de preços da construção
registrada pela FGV. De acordo com o professor Salomão Quadros,
o índice teve variação de 7,55% em setembro em
São Paulo. "A falta de cimento foi determinante."
Toma lá, dá cá
A falta de mão-de-obra
qualificada é outro gargalo do setor. Como o número de
profissionais caiu pela metade na última década, as grandes
construtoras começaram a tomar funcionários de suas concorrentes.
De acordo com André Denoni, coordenador de obras da MAC, a construtora
já perdeu até pedreiros. "É uma surpresa
porque esses profissionais são recrutados por empresas especializadas. É um
sinal de que não há mais garantia", afirma.
Para alimentar essa "dança
de cadeiras", as ofertas salariais foram infladas. Na Gafisa,
há engenheiros que mudaram de emprego para ganhar 70% a mais.
A Tecnisa paga até R$ 15 mil por um engenheiro residente, quase
80% a mais do que eles ganhariam no ano passado.
Para evitar complicações
ainda maiores em 2009, essas companhias firmaram um acordo para treinar
profissionais em cursos técnicos que duram de seis meses a dois
anos. As primeiras turmas de pedreiros e ajudantes estarão prontas
no final de 2008.
Para tentar escapar dessa armadilha,
as construtoras também estão adotando novas tecnologias
de edificação. Trocando as paredes de tijolos pelas de
concreto, elas conseguirão erguer um andar de um prédio
em uma semana com 70% dos trabalhadores. Pelo sistema tradicional,
levariam um mês.
O que preocupa a concorrência é que
essas companhias querem ter exclusividade dos poucos fornecedores
existentes. "Neste momento, há sinais claros de concentração
em São Paulo", afirma Walter Frigieri, diretor da ABCP
(Associação Brasileira de Cimento Portland). "Nesse
ritmo, quem pagará a conta serão as pequenas e médias
construtoras."
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Folha de São Paulo,
15 de outubro de 2007
Setor diz que maior temor é formação
de estoque
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O maior perigo para o setor da
construção civil hoje é, na avaliação
de Paulo Safady, presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria
da Construção), que o medo da falta de material leve os
empresários a estocar produtos. Segundo ele, algumas construtoras
estão antecipando compras com receio de não encontrar materiais
quando chegar o momento do acabamento das obras.
"Isso é um risco
porque pode se tornar uma profecia auto-realizável. Não
há risco de falta de produtos. Temos folga na capacidade de produção." Ele
admite, no entanto, que o cimento se tornou um problema sério,
mas diz que a situação é diferente e que a falta
do produto em algumas cidades está relacionada ao fato de o segmento
estar recompondo lucros depois de um longo período de depressão
nas vendas.
"Não vejo razão
para faltar o produto em cidades como Brasília, a não ser
por uma estratégia de aumento de preço." Segundo dados
da própria indústria do cimento, a produção
no Distrito Federal, por exemplo, onde houve falta do produto, é mais
de três vezes o consumo: 1,584 milhão de toneladas produzidas
entre janeiro e julho deste ano, ante o consumo de 431 mil toneladas.
O excedente também ocorre
em Minas Gerais, outro Estado que teria registrado problemas. No mesmo
período, foram produzidos 5,586 milhões de toneladas de
cimento, para um consumo de 2,795 milhões. "Estamos longe
de um desabastecimento", diz Sarkis Nabi, presidente da Comissão
de Material de Construção, ligada à CBIC. Para ele,
os empresários não terão espaço para reajustar
preços de forma significativa porque os setores que mais demandam
o produto são justamente os ligados à construção
de moradias mais populares.
"O país precisa de
habitação de interesse social, que tem limitações
de preço. Se os materiais subirem de forma acelerada, todos vamos
perder mercado", afirma Nabi. Devido à falta de cimento em
algumas localidades, executivos das empresas e entidades representativas
do setor se reuniram há duas semanas em Brasília. O encontro
foi tenso e quase terminou em briga. Segundo a Folha apurou, na reunião
ficou claro que a guerra de preços verificada em cidades como
Brasília e Belo Horizonte desde 2004, na competição
por uma fatia maior do mercado, derrubou o preço do cimento.
Já em outras localidades,
onde a produção é praticamente um monopólio,
os preços não caíram. Com a retomada do setor da
construção, as empresas redirecionaram a produção
para esses mercados como forma de recomporem seus lucros.
Com isso, o cimento produzido
em Brasília e Belo Horizonte, vendido respectivamente a R$ 10,99
e a R$ 10,45 o saco de 50 kg, foi desviado para cidades da região
Norte e Nordeste, onde o preço pode chegar a R$ 27, em Boa Vista
(RR), ou a R$ 19, em São Luís (MA).
A expectativa de alta nas
vendas da indústria de cimento era de 8% em 2007 -de janeiro
a setembro, o crescimento já chegou a 13%. No entanto, Alexandre
Chueri, superintendente da indústria Ciplan, diz que há pelo
menos seis fábricas que estavam paradas e estão sendo
reativadas, reforçando o abastecimento. "Além disso,
a chegada da chuva vai ajudar a equilibrar a demanda e a oferta porque,
nesse período, a procura por cimento cai", afirma.
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JORNAL
FOLHA DE LONDRINA, 15 de outubro de 2007
‘Tropa’ Sem Vergonha - Ex-parlamentares
freqüentam corredores do Congresso
A bancada dos ‘mortos muito vivos’ é composta
por ex-parlamentares que arranjaram um cargo em comissão
Brasília - Alçado à (má)
fama depois de ser apontado como ''espião'' do presidente do
Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o ex-senador Francisco Escórcio
integra uma bancada de ex-parlamentares que, mesmo depois de demitidos
pelas urnas, perambulam com desenvoltura pela Câmara e pelo Senado.
Chiquinho Escórcio, como é conhecido, está entre
os expoentes desse grupo chamado de ''mortos muito vivos'', maior do
que algumas bancadas eleitas no ano passado.
Na bancada dos ex-parlamentares que não largam o Congresso há gente
que já teve cacife político considerável. E há os
que frequentam o Legislativo porque não conseguem ficar longe. Esses -
diz o líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO) - ''parecem umas almas
penadas andando por aí''.
A bancada dos ''mortos muito
vivos'' é composta por ex-parlamentares que arranjaram um
cargo em comissão. Um dos mais antigos a ter uma boquinha
na Câmara é o ex-deputado Nilson Gibson (PSB-PE), 72
anos, lotado na assessoria técnica da Diretoria Geral, com
salário de R$ 8,7 mil. ''Trabalho porque preciso de dinheiro
para me sustentar'', afirma.
Deputado federal por cinco
mandatos, entre 1979 e 1999, Gibson ficou nacionalmente conhecido
não por suas idéias, mas pela defesa veemente de aumento
salarial e de regalias para os parlamentares. Era chamado de presidente
do ''sindicato dos deputados'' e um dos expoentes do baixo clero.
''Até hoje Lula me chama de presidente do sindicato dos deputados
quando me encontra'', diz.
Talvez por sua fama de fisiológico
e nepotista, Gibson diz que não tem aposentadoria do extinto
Instituto de Previdência Complementar dos Congressistas. ''Quando
o instituto acabou tirei todo o dinheiro que tinha lá porque
estava endividado. Por isso não tenho aposentadoria da Câmara
e preciso trabalhar'', argumenta o ex-deputado, ao garantir que bate
ponto todos os dias e é um dos primeiros a chegar ao trabalho.
Outro que arrumou emprego
na Câmara depois de perder as eleições foi o
ex-deputado Moroni Torgan (DEM-CE), candidato derrotado no ano passado
na disputa para o Senado. Deputado federal entre 1991 e o início
deste ano, Torgan tem salário de R$ 8,7 mil e trabalha no
gabinete da liderança do DEM na Câmara. Mas ao contrário
de Gibson, que garante não querer voltar à política,
Torgan acalenta o sonho de se eleger, em 2008, prefeito de Fortaleza.
Enquanto isso, o delegado da Polícia Federal ganha a vida
dando consultoria ao DEM, principalmente na área de segurança.
Com apenas um mandato de
deputado, no início da década de 90, Sidney de Miguel
(PV) circula com desenvoltura no plenário da Câmara,
principalmente em dias de votação. Assim como os ex-colegas
de Congresso, Sid - como é chamado - exercer o cargo de assessor
técnico no gabinete da presidência da Câmara.
''Vim com o Aldo Rebelo para cá'', conta, referindo-se ao
ex-presidente Aldo Rebelo (PC do B-SP), que comandou a Câmara
entre setembro de 2005 e fevereiro deste ano.
Sem modéstia, Sid
desfia um rosário de cargos que ocupou nos últimos
anos desde que deixou a Câmara, em janeiro de 1995. Lembra
que foi secretário de Previdência no final do governo
do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e hoje é ''muito
ligado às centrais sindicais''. ''Não me aborreço
por ser ex-deputado. Sempre fui mais técnico e intelectual
do que político. Tenho dois doutorados na Sorbonne, em Paris.
Ah, também fui da luta armada'', conta o ex-parlamentar, que
não descarta candidatar-se de novo.
Há ainda um
grupo de ex-parlamentares que circula pelo Congresso com uma missão
especial: cuidar dos negócios, emendas e cargos amealhados
nos muitos anos de mandato. Os dois exemplos mais explícitos
dessa bancada são o ex-presidente da Câmara deputado
Severino Cavalcanti (PP-PE), que renunciou após ser acusado
de cobrar propina do dono dos restaurantes da Casa, e do ex-líder
do PMDB deputado José Borba, que também renunciou
ao mandato em 2005, suspeito de envolvimento com o ''mensalão''.
Eugênia Lopes e Rosa Costa
Agência Estado
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
15 de outubro de 2007
Políticos têm saudosismo
e planos para tentar reeleição
Brasília - Figurinhas fáceis de encontrar no Congresso, um pequeno
grupo de ex-parlamentares frequenta a Câmara e o Senado por absoluto
saudosismo. E confessam que fazem planos para tentar se reeleger. Mas há os
que passam pela Casa como numa visita. ''A tribuna me faz falta. Mas não
tenho saudosismo. Olho para a frente'', afirma o ex-senador Hugo Napoleão
(DEM-PI), que vai ao Congresso uma vez por semana. Senador por dois mandatos
e governador do Piauí duas vezes, Napoleão perdeu a eleição
para o Senado em 2006. Sem espaço político no Piauí para
concorrer ao mesmo cargo, se prepara para, em 2010, disputar a Câmara.
''Sem dúvida sinto saudades
do parlamento'', admite o ex-deputado Vivaldo Barbosa (PDT-RJ), que vira-e-mexe é visto
pelos corredores da Câmara. No ano passado, não conseguiu
se eleger para a Câmara, depois de ter comandado a Petro-Rio, subsidiária
da Petrobrás, no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva.
''Sou um saudosista. Isto aqui é uma
atração irresistível para quem gosta de fazer política'',
afirma o ex-deputado José Luiz Clerot (PMDB-PB), que decidiu não
mais se candidatar depois de sofrer enfarte em 2002.
Derrotado nas eleições
em 2002 para a Câmara e após ver seu nome rejeitado pelos
senadores para dirigir a Agência Nacional do Petróleo (ANP),
o ex-deputado Luiz Alfredo Salomão (PDT-RJ) quer esquecer o Congresso
e garante que não pretende mais concorrer a nada. ''Não
sinto nenhuma atração pelo parlamento'', desdenha o pedetista,
que há uma semana passeava pela Câmara depois, segundo ele,
de ausência de quase três anos de Brasília.
Aos 74 anos, com a aparência
rejuvenescida à base de muito botox, o ex-deputado José Lourenço
(BA) reconhece que sente saudades da Câmara, onde exerceu mandato
durante 20 anos. ''Mas é uma saudade morna, que mato quando venho
a Brasília e vou almoçar com os amigos'', afirma Lourenço,
que hoje não está filiado a nenhum partido. Ele deixou
o então PFL, hoje DEM, depois de desavenças com o senador
Antonio Carlos Magalhães, morto em julho. ''Não quero ter
mais mandato'', garante o ex-todo-poderoso líder do PFL na Constituinte,
em 1988.
Presidente da Companhia
de Energia de Brasília (CEB), depois de ser candidato derrotado
a vice-presidente na chapa do tucano Geraldo Alckmin em 2006, o ex-senador
José Jorge (DEM-PE) não tem mandato, mas não perdeu
velhos hábitos. ''Meu gabinete era vizinho à barbearia
do Senado e até hoje venho aqui cortar o cabelo'', conta ele,
que teve mandato durante 24 anos na Câmara e no Senado. ''É difícil
não sentir saudades depois de tanto tempo aqui''. (E.L. e R.C./AE)
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REVISTA ISTO É, 15 de outubro de 2007
Receitas para ficar rico
Especialistas ensinam a acumular dinheiro.
Entre as dicas está abrir o próprio negócio.
Conheça também seis histórias de quem enriqueceu
com trabalho duro, senso de oportunidade e poupança
CARINA RABELO E DANIELA MENDES

ARTHUR COSTA Negócios variados antes de
criar a Personal Service, que deverá faturar R$ 180 milhões
em 2007
Progredir na vida é o sonho de todo mundo. Construir um patrimônio
sólido, não se apertar no fim do mês e ser dono do próprio
nariz são metas de quase todos os que vivem de salário. Nos anos
de hiperinflação, a preocupação dos brasileiros
era descobrir como manter o poder de compra. Com a estabilização
da economia, o País entrou na era do crescimento sustentado e o foco
das pessoas mudou: elas agora querem estratégias para ficar ricas ou
se tornar empreendedoras de sucesso. Acumular capital é um sonho impulsionado
pela globalização que tem ampliado as oportunidades de crescimento
em diversos nichos e nações, inclusive no Brasil. Ou seja, há mais
chances de alguém atingir o topo das camadas sociais. Com o cenário
atual fica claro que a tão desejada conquista da fortuna não
precisa ser fruto de negócios escusos nem de sorte na loteria.

ATENÇÃO ÀS OPORTUNIDADES
A história do carioca Arthur Costa, 50 anos, dono de uma empresa de
recursos humanos, joga por terra a idéia de que, para ter sucesso financeiro, é preciso
definir logo a área de atuação. Filho de uma costureira,
ele colecionou diversas tentativas de ganhar dinheiro até acertar o
alvo. Foi radialista, empreiteiro, vendedor de jazigos. Em 1994, abriu uma
empresa de fornecimento de mão-de-obra terceirizada, a Personal Service,
que este ano deve faturar R$ 180 milhões. Para vencer, Costa explorou
ao máximo duas qualidades: perseverança e ousadia. "Atrevimento
foi meu segredo." Seu primeiro passo foi matricular-se aos 18 anos em
um curso de videoteipe, em busca de emprego em uma tevê que pagava a
universidade dos funcionários. Depois, abriu uma empresa de venda de
sacos para lixo e uma companhia de obras para fazer instalação
de tubos no Rio. Com quase 40 anos, interessou-se por recursos humanos. "Percebi
que as empresas estavam terceirizando serviços." Foi aí que
montou a Personal Service. Sua experiência mostra que um empresário
deve acreditar no potencial das pessoas e não desanimar diante dos sacrifícios.
Ter disciplina financeira e boas idéias são atualmente as receitas
mais seguidas por quem planeja ser chamado de rico. De fato, estar atento a
oportunidades de negócios e reduzir desperdícios são os
primeiros passos. Mas o que se nota é que há muito mais elementos
a compor a escalada rumo ao mundo dos endinheirados. Prova disso é a
profusão de livros que apontam esses caminhos. Há uma febre de
obras de auto-ajuda financeira. Este ano foram lançados até agora
cerca de 20 livros sobre o tema, contra 11 em 2006. Na luta para aumentar a
fortuna, milhares de pessoas recorrem a cursos, palestras e feiras especializadas.
Recentemente, mais de 20 mil interessados acompanharam a 5ª edição
da Expo Money, evento em São Paulo com 175 painéis que discutiam,
entre outros assuntos, como conquistar e manter a independência financeira.
O evento nasceu na capital paulista e hoje acontece em outros sete municípios
ao longo do ano - o próximo será em Belo Horizonte, no final
do mês. "O tema educação financeira entrou definitivamente
na agenda das pessoas", diz Robert Dannenberg, presidente da TradeNetwork,
organizadora da Expo Money.

ROBINSON SHIBA Três anos sem férias para fazer o negócio
decolar
REDE DE 130 LOJAS
Filho de dentista, Robinson Shiba seguiu naturalmente o caminho do pai. Formou-se
em odontologia aos 22 anos e, com a ajuda da família, montou o primeiro
consultório. Dando duro das 8h às 21h, três anos depois
tinha três consultórios próprios (cada um custou em
torno de R$ 60 mil) e arrendava dois. O futuro parecia promissor, mas Robinson
resolveu apostar em outro ramo. Em 1992, abriu um restaurante para entregar
comida chinesa. O diferencial é que a comida vinha em caixas e dispensava
prato, seguindo o modelo, ainda inédito por aqui, que ele havia
conhecido nos Estados Unidos. Com um investimento inicial de R$ 120 mil
nasceu o China in Box, rede que hoje tem 130 franqueados no Brasil, iniciou
as operações no México e faturou no ano passado R$
27 milhões. O início foi difícil. "Nos primeiros
três anos eu não tinha fim de semana nem feriado", conta.
Mas compensou. "Tenho certeza de que estou melhor hoje do que se atuasse
como dentista", diz Robinson, 40 anos. Ele leva uma vida regrada - "recebo
salário como os outros funcionários" -, mas sabe curtir
os bons momentos. Passa os fins de semana na praia e, pelo menos uma vez
por ano, viaja para fora com a mulher e os dois filhos.
Uma das questões que rondam a mente de quem sonha faturar alto é o
que é exatamente ser rico. No País, a renda é tão
concentrada que fica difícil distinguir os que estão bem de vida
dos milionários. Para o IBGE, os dois grupos se enquadram na última
faixa da pirâmide social. Dentro da estreita faixa do 1% mais ricos estão
872 mil brasileiros que receberam, em média, R$ 11.321 por mês
em 2006. "A classe média, que tem apartamento e carro, não
chama de rico quem ganha R$ 10 mil mensais, mas o cara mais pobre do Nordeste
chama", pondera Cymar Azeredo, pesquisador do IBGE. Para o empresário
inglês Felix Dennis, autor de How to get rich (Como ficar rico, em português),
lançado este ano no Reino Unido, o estado de riqueza que se pode batalhar
para atingir é aquele em que a pessoa tem condições de
se aposentar - se quiser -, desfrutar do tempo, morar onde desejar, comprar
um belo barco e velejar ao pôr-do-sol.
Foto Edu Lopes
www.edulopes.com.br

CHRISTINA CARVALHO PINTO A ex-executiva virou dona de agência
de publicidade

HORA DA MUDANÇA
Algumas pessoas querem dinheiro para evitar
dificuldades no futuro. Outras, como caminho para viver bem, em paz.
Este é o caso da publicitária Christina Carvalho Pinto,
56 anos, empresária que consegue conciliar o trabalho com dedicação à família
e engajamento social. Aos nove anos, ela escrevia contos.Depois, partiu
para o balé e se formou em piano. A publicidade não estava
em seus planos. Foi pela necessidade de emprego que Christina aceitou,
aos 17 anos, um estágio em agência de propaganda. De lá para
cá, tornou-se uma profissional bem-sucedida e rica. "Só faço
aquilo que acho certo", diz. Após oito anos na presidência
da Young & Rubicam na América Latina - uma grife no mercado
de comunicação -, Christina sentiu que era hora de mudar.
Abriu, com dinheiro poupado e resgate de investimentos, sua agência
em 1996, a Full Jazz, grupo de comunicação de capital
100% nacional e de porte médio. Numa ocasião, perdeu
o contrato de duas marcas fortes. Mas Christina focou nos clientes
de pequeno porte e ampliou a oferta de serviços. Hoje, ela dedica
um terço de seus rendimentos a projetos sociais. Christina tem
condições para isso. "Minha receita é abrir
caminhos para novas formas de pensar, sem esquecer meus valores."
Já que é assim, quais são, afinal, os segredos para enriquecer?
De acordo com Dennis, um milionário do setor de comunicação, a
regra de ouro - se a pessoa não tem talento para ser fenômeno
do futebol ou astro da música pop - é ter o próprio negócio. "Ser
dono da empresa é a única coisa que conta", garante. Segundo
ele, na corrida pela fortuna, a pessoa pode até não ter muitas
habilidades ou mesmo não ter sido tão abençoada pela inteligência,
mas se ela estiver firme no propósito de deter 100% da companhia sonhada,
então, tem chances de enriquecer. Thomas Harrison, CEO da Diversified
Agency Services (DAS), divisão do Grupo Omnicom (maior empresa do mundo
em prestação de serviços nas áreas de comunicação
e publicidade), concorda e defende até a existência de um DNA
empreendedor. "Quem não tem isso no código genético
pode adotar estratégias para compensar a ausência do DNA",
sustenta.

ANTONIO PINTO De quarto alugado a dono
de uma rede de bares
DE GARÇOM A MILIONÁRIO
O sotaque não mudou, mas o patrimônio do cearense Antonio Rodrigues
Pinto se transformou completamente: em dez anos cresceu 200 vezes. Aos 15 anos,
ele vendeu uma ovelha e comprou passagem para o Rio de Janeiro. Era 1983 e,
no início, lavava pratos em um bar. Depois virou garçom. "Os
colegas só queriam atender gringos para ganhar em dólar. Eu tinha
gorjeta até no inverno porque atendia bem a todos", recorda. Em
quatro anos, morando em quarto alugado e trabalhando 15 horas por dia, comprou
um boteco, no centro do Rio. Em 1997, adquiriu por R$ 90 mil outro bar decadente:
o Belmonte, na praia do Flamengo. Hoje, a casa é badalada. Existem mais
seis unidades. A rede conta ainda com dois bares, chamados Antonio's. Com o
movimento, o grupo recebe em caixa cerca de R$ 20 milhões ao ano. A
dica de Antonio é poupança, trabalho sem limite e rigidez nos
negócios.
Além da regra de ouro, Dennis tem mais sete dicas aos que anseiam pela
fortuna: analisar suas necessidades, eliminar influências negativas ("Nunca
desista"), não se contentar com grandes idéias, e sim pensar
na melhor maneira de executá-las, manter foco no plano ("O dinheiro
está aqui"), contratar funcionários talentosos e espertos,
aprender a negociar e não ter medo de arriscar. Para se ter empresa,
claro, é preciso de dinheiro. Mesmo nesse sentido, há opções. Conforme
o publicitário Roberto Justus, do grupo Newcomm, o capital nunca foi
tão farto. "O dinheiro está aí. Há fundos
de private equities (que compram participações em empresas),
empresários que venderam seus negócios e não sabem onde
investir, financiamento bancário", diz ele, que lançou recentemente
o livro O empreendedor.

MORGANA E RICARDO Férias no Havaí e planilha de gastos
no supermercado
CAPITAL EXTRA PARA VIAJAR
Os consultores de tecnologia Ricardo Kenji e Morgana Multini começaram
a namorar na faculdade, em 1994. Apaixonados, decidiram morar juntos, mas o
plano esbarrou na falta de dinheiro. A renda dos dois não chegava a
quatro salários mínimos. Decidiram que tudo seria definido em
conjunto e com planejamento. "Nunca deixamos de nos programar. Fazíamos
planilhas no supermercado e anotávamos cada gasto", conta Kenji,
hoje assessor de uma gigante da informática. O comportamento do casal
foi decisivo para a revolução no patrimônio da família.
Uma estratégia era minimizar o risco de situações inesperadas.
Quando Morgana mudou de emprego, uma reserva foi destinada a cobrir um eventual
rombo, se o trabalho não desse certo nos primeiros meses. O casal poupou,
mas também investiu em ações. Desse modo, quitou um apartamento
novo em cinco meses. Agora eles vivem em uma casa grande, possuem dois terrenos,
uma chácara, carros e aplicações financeiras. O casal
pode gastar em viagens, que faz com freqüência. Em 2006, por exemplo,
Kenji e Morgana fizeram uma viagem para o Havaí em alto estilo.
Na opinião do administrador Gustavo Cerbasi, autor dos livros Dinheiro
- o segredo de quem tem e Casais inteligentes enriquecem juntos, devese combinar
boas escolhas com determinação. Aos 26 anos, ele era professor
de matemática e prometeu que em 15 anos teria seu primeiro milhão.
Em cinco anos, alcançou o objetivo. Cerbasi se valeu até de uma
adversidade. Seu carro foi roubado e ele pegou o que recebeu do seguro para
aplicar em ações. Empolgado com os rendimentos, vendeu o apartamento
e voltou a morar com os pais. O salto aconteceu nos primeiros anos do governo
Lula. "O índice Bovespa quadruplicou e meu patrimônio cresceu
junto", conta.

LÍRIO PARISOTTO "Tudo que sobra tem de voltar para o negócio"
PATRIMÔNIO DE R$ 600 MILHÕES
Lírio Parisotto nasceu em Nova Bassano, cidade gaúcha de oito
mil habitantes. Ele cresceu em uma casa sem luz elétrica nem telefone.
Na adolescência, percebeu que o campo não era o seu lugar. Partiu
para a cidade com 13 anos e trabalhou como mascate. Aos 18, voltou para o interior,
onde vivia de transportar pessoas em uma Kombi. Formou-se em medicina, mas
nunca exerceu a profissão. Não via futuro na carreira. Foi quando
surgiu o interesse pelo comércio. Estava com 27 anos e um cliente lhe
ofereceu um espaço comercial como pagamento de dívida. Parisotto
transformou a loja em videolocadora. Para captar mais recursos, comprou equipamentos
eletrônicos velhos para revender. Seu segredo foi reinvestir e evitar
desperdícios. Em 1985, percebeu que ganharia mais produzindo fitas e
assim se tornou um dos fundadores do mercado brasileiro de vídeo. Sua
empresa, a Videolar, trabalha com serviços sob encomenda - gravações
em CDs e DVDs - e legendagem de filmes. A companhia acumula um patrimônio
líquido de mais de R$ 600 milhões. Seu recado? Administrar bem. "Tudo
o que sobra tem de voltar para o negócio". Outra dica é inovar.
Em 2008, Parisotto se dedicará a pesquisar mercados em expansão.
Por outro lado, há quem diga que ninguém ficará rico lendo
as obras de auto-ajuda financeira. "Quem ganha dinheiro mesmo é o
autor", diz o professor de finanças Keyler Rocha, da Faculdade
de Economia e Administração da USP. Segundo ele, para que as
estratégias ensinadas nos livros funcionem, a pessoa precisa ter um
interesse profundo no mercado financeiro, além da natureza voltada para
os negócios. De todo modo, o professor de economia Ricardo Almeida,
do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais, de São Paulo, pondera: "A
pessoa pode não ficar rica, mas pelo menos aprende a não perder
dinheiro e a administrar aquilo que já tem." É um bom começo.
Colaborou Aziz Filho
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REVISTA ISTO É, 15 de outubro de 2007
A vez das ONGs
No Paraná, entidade é acusada
de desviar R$ 19,6 milhões com autorização
do governador. Em Brasília, o Congresso começa
a investigar as organizações de todo o País,
que, nos últimos sete anos, receberam R$ 33 bilhões
do governo federal
Por HUGO MARQUES - Enviado
especial a Curititba

Depois de enfrentar por um ano a resistência da base do governo, a oposição
finalmente conseguiu instalar a CPI das ONGs no Congresso Nacional. A investigação
da CPI vai compreender os últimos sete anos, período em que o
governo repassou R$ 33 bilhões para instituições sem fins
lucrativos, quase o dobro do que a União transfere por ano aos Estados
na área de saúde. Há casos de desvios de verbas de Estados
e municípios que também desembocarão na CPI, já que
todas as unidades da Federação recebem dinheiro do governo federal
para repassar às nstituições. Há um padrão
comum aos casos que serão identificados: o desvio de dinheiro público
e as ligações entre as autoridades que autorizam os contratos
e os responsáveis pelas instituições que recebem as verbas.
Um caso com todas essas características que deverá receber a
atenção da CPI vem do Paraná.
Em abril de 2005, o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná, com
a autorização expressa do governador Roberto Requião,
firmou um termo de parceria com o Instituto de Tecnologia do Paraná,
a Tecpar, uma empresa estatal especializada, entre outras coisas, em biotecnologia
e inteligência artificial. O contrato visava à formação
de um “núcleo de referência para avaliação
de conformidades” em obras rodoviárias do DER paranaense. Para
tocar o serviço contratado, a Tecpar contratou sem licitação
a ONG Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade, o IBQP, especializado
em consultorias. O instituto informou na terça-feira 9 que os convênios
firmados “visam desenvolver manuais de qualidade para as fiscalizações
e manuais de gestões de informações para as obras de rodovias”.
O desenvolvimento das relações entre o DER paranaense, a Tecpar
e o IBQP chamou a atenção dos auditores do Tribunal de Contas
do Estado do Paraná, que determinou a devolução aos cofres
públicos de R$ 19,6 milhões repassados à ONG.
O primeiro dado curioso é que o IBQP não precisava realizar os
serviços contratados para receber do DER. Obtinha o dinheiro a partir
da sua mera previsão de despesas. Além disso, de um mês
para outro, apresentava exatamente o mesmo relatório de despesas. Em
março, por exemplo, declarou ter gasto R$ 800 com telefonia. Foi o mesmo
valor no mês de abril. As despesas bancárias em março e
abril também foram as mesmas: R$ 3 mil. O valor da folha de pagamento
também permaneceu igual, apesar de o número de rescisões
contratuais ter dobrado de um mês para outro.
Aguçam ainda a curiosidade dos auditores do TCE as relações
entre os envolvidos. Quem assina três termos aditivos da parceria com
a Tecpar é o presidente do conselho de administração do
IBQP, Rodrigo Costa da Rocha Loures, da empresa de alimentos Nutrimental. Rodrigo é integrante
do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência
da República. É também presidente da Federação
das Indústrias do Paraná e pai do deputado federal Rocha Loures,
do PMDB paranaense, eleito com o apoio direto do governador Roberto Requião.
O governador deu uma pequena contribuição em dinheiro para a
campanha do deputado, exatos R$ 2.100, na eleição do ano passado.
Por sua vez, a Nutrimental doou para a campanha de Requião R$ 105 mil
em 2002. Além disso, o filho do governador do Paraná Maurício
Requião trabalha com o deputado. Quem assina o primeiro termo de parceria
com a Tecpar, em 29 de abril de 2005, é o então presidente do
conselho de administração do IBQP, o empresário Sérgio
Marcos Prosdócimo. O termo de parceria foi assinado com “autorização
do senhor governador do Estado do Paraná”.
Diante dessas constatações, os auditores do Tribunal
de Contas do Estado do Paraná recomendaram a rescisão do
contrato e a devolução integral de R$ 19,6 milhões
aos cofres públicos de repasses que o DER fez ao IBQP. “Mas
nós vamos pedir uma devolução de mais de R$ 30 milhões”,
adianta um dos conselheiros do TCE, que pediu para não ser identificado,
por enquanto, pois terá de julgar o processo. Apesar
da investigação, o presidente do IBQP se diz tranqüilo
quanto ao julgamento final dos auditores. “Isso é a opinião
do inspetor. Não foi julgado ainda, vamos provar que não
há nada de irregular”, afirma Krüger Passos. Procurados
por ISTOÉ, o governador Requião, seu filho Maurício
e o deputado Rocha Loures não responderam.
O caso da ONG paranaense é, em princípio, um alvo da CPI que
se instalou no Senado. O aprofundamento de uma investigação sobre
o IBPQ, no entanto, dependerá de como se dará a correlação
de forças na comissão a partir de agora. De início, os
partidos governistas, como o PMDB de Requião, deverão ter uma
pequena maioria. O principal alvo do PSDB e do DEM são as ONGs ligadas
aos sem-terra, ao treinamento de mão-de-obra e a programas na área
social. O PT, por seu lado, quer destrinchar as contas das instituições
privadas ligadas a partidos políticos.




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Notícias do Tribunal Superior do Trabalho
15/10/2007
JT rejeita suspeição de testemunha
que movia ação contra mesmo empregador
O simples fato de testemunhas
em um processo moverem ação trabalhista contra a mesma
empresa não as qualifica como inimigas do réu ou amigas
do empregador, nem interessadas no resultado da lide. Assim decidiu a
Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho ao confirmar decisão
do Tribunal Regional da 4ª Região (RS), que julgou recurso
do Banco do Brasil em ação de um ex-funcionário
da instituição, ajuizada na Vara Trabalhista de Esteio
em 1999.
O Banco reclamou ao Regional
que sua defesa fora cerceada. Segundo ele, o julgamento da primeira instância
levou em consideração o depoimento de uma testemunha que
possui ação de mesmo objeto contra a instituição
bancária, fato que por si só revela a ausência de
isenção de ânimo. O TRT não aceitou o argumento
e afirmou que “a vedação à prova testemunhal,
na Justiça do Trabalho, vem determinada pelo conteúdo do
artigo 829 da CLT, quando dita que a testemunha não prestará compromisso
e será ouvida apenas como informante, em se tratando de parente
até o terceiro grau, amigo íntimo ou inimigo de qualquer
das partes”. Mencionou que a matéria já está pacificada
pela Súmula nº 357 do TST.
Ao confirmar a decisão
do Regional, o relator do processo na Terceira Turma, ministro Carlos
Alberto Reis de Paula, esclareceu que “a Súmula nº 333
do Tribunal determina que cabe recurso contra decisões baseadas
em iterativa, notória e atual jurisprudência do TST. A Turma,
por unanimidade, não conheceu integralmente do recurso do banco.
Admitido em outubro de
1976 e aposentado em 1998 por tempo de serviço, o ex-bancário
pediu na reclamação inicial a reposição
de diferenças salariais, horas extras não pagas, multa
do artigo 477 da CLT e participação nos lucros, alegando
que trabalhava, em média, das 8 às 12 horas e das 13 às
19 horas sem receber pelas horas extras trabalhadas. Inconformado com
a decisão da Vara de Esteio, o banco recorreu e foi contra-arrazoado
pelo aposentado. O TRT negou provimento aos dois. Com embargos também
negados, o banco entrou com recurso de revista no TST, sem obter sucesso.
(RR-642/1999-281-04-00.1)
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15/10/2007
Revista moderada de bolsas em hospital não
configura dano moral
Revistar bolsas e sacolas de
empregados à saída do trabalho do hospital, desde que não
seja de forma abusiva, não é fator para concessão
de indenização por dano moral. Ainda que médicos
e diretores não fossem expostos ao mesmo procedimento, a Seção
Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior
do Trabalho entendeu ser inviável a condenação da
empresa por presunção de constrangimento.
Para o relator dos embargos,
ministro Aloysio Corrêa da Veiga, a prática da revista,
longe de ferir a dignidade e a intimidade da pessoa, é comum e
vem tradicionalmente sendo utilizada em diversos ambientes profissionais
e comerciais, como em aeroportos, com o fim de combater o transporte
de armas e drogas.
O ministro Corrêa da Veiga
ressaltou, ainda, que, em estabelecimentos que contêm ferramentas
facilmente transportáveis, como instrumentos cirúrgicos
e remédios, o procedimento da revista é determinado pelo
zelo. A empresa preserva não só seu patrimônio, mas
também tem cuidado quanto à saída de medicamentos
de uso contínuo que somente podem ser liberados por receita médica,
como os de tarja vermelha.
A ação foi ajuizada
por uma auxiliar médica que trabalhava em centro cirúrgico.
Contratada em julho de 1984 pela Melo, Mora & Cia. Ltda., razão
social do Hospital e Maternidade Santa Rita, em Maringá, a trabalhadora
disse que a revista, realizada em uma sala reservada, tinha o objetivo
de evitar que os empregados furtassem objetos do hospital. Ao pleitear
indenização de 200 salários mínimos por danos
morais, a auxiliar buscou reparação por uma situação
que, segundo ela, era constrangedora e vexatória.
Na 3ª Vara do Trabalho de
Maringá, o pedido da empregada foi acatado e aplicado o artigo
5º, inciso X, da Constituição Federal, que diz serem
invioláveis a intimidade, a vida privada e a honra das pessoas,
e assegura o direito à indenização pelo dano material
ou moral decorrente de sua violação. Para esse entendimento,
o juiz considerou que o ato de revistar pressupõe suspeita objetiva
de furto, algo que vai contra o princípio do Direito Penal, pois,
para o hospital, todos os trabalhadores seriam culpados até prova
em contrário.
O juiz julgou, ainda, discriminatório
o tratamento desigual dado aos empregados “mais humildes”,
porque médicos e diretores passavam por outra portaria e não
estavam sujeitos à busca. Ao ser provocado com recurso ordinário
pela empresa, o Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região
(PR) manteve a sentença.
No TST, o hospital obteve da
Terceira Turma a liberação da condenação.
A Turma entendeu não se tratar de revista íntima, na acepção
legal, nem haver desrespeito ou exposição de intimidade.
Considerou, ainda, que somente a presunção de que a revista
dos empregados configura desconfiança do empregador quanto à prática
de atos ilícitos não gera direito à indenização.
Quanto à revista ser discriminatória,
porque a ela não se sujeitavam os médicos e membros da
diretoria, o acórdão da Turma esclareceu que isso apenas
evidencia a hierarquia existente em qualquer empreendimento, seja na
esfera privada, seja no serviço público. Quando a empregada
recorreu à SDI-1, o ministro Aloysio Corrêa da Veiga manteve
o entendimento da Terceira Turma. A Seção decidiu, por
maioria, não conhecer dos embargos. (E-RR-615.854/1999.8)

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