Informativo Eletrônico n.º 633   -   Ano 04   -   Curitiba (PR), 15 de outubro de 2007.



Agência Brasil, 15 de outubro de 2007

Lula defende CPMF e diz que carga tributária cresce junto com lucro de empresas
Petterson Rodrigues
Repórter da Agência Brasil

São Paulo - Em discurso na abertura do 16º Salão Internacional do Transporte (Fenatran 2007), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a aprovação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) no Congresso e disse que o crescimento da carga tributária no Brasil está relacionado ao aumento no lucro das empresas brasileiras.

“Todos sabem que ela [carga tributária] cresce porque tem crescido de forma extraordinária o lucro das empresas brasileiras”, afirmou o presidente. “Qualquer cidadão de bom senso sabe que neste país desde que eu tomei posse não aumentou nenhum imposto a não ser o IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados) sobre importação, a pedido dos empresários.”

Lula criticou a discussão contra CPMF e disse que “lamentavelmente” há no Brasil “um agrupamento” de pessoas que “prefere fechar os olhos ao que está acontecendo no país e ficar ascendendo coisas negativas”.

Antes de encerrar seu discurso na abertura do 16º Salão Internacional do Transporte, o presidente voltou a comemorar o resultado do leilão de concessão rodovias, realizado na semana passada na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

"Cansei de ouvir críticas, cansei de ouvir gente dizer que não ia mais acontecer o leilão, cansei de ouvir gente dizer que não ia dar certo, cansei de ouvir gente dizer que tinha sido um fracasso e por último que não iam aparecer empresas para participar do leilão”, afirmou Lula.

“Uma coisa é fazer o leilão quando o paciente está moribundo, quando o paciente está agonizante, em que os oportunistas imaginando que não tem salvação oferecem propostas abusivas e quem está moribundo não tem direito de reagir. Desta vez, os leilões foram feitos num país com economia totalmente estável, num país dando passos extraordinários para consolidar um novo ciclo de desenvolvimento que se depender de mim será longo.”


UOL ECONOMIA, 15 de outubro de 2007
Emprego na indústria cresce pelo 2º mês consecutivo

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O emprego na indústria brasileira cresceu em agosto pelo segundo mês consecutivo, informou nesta segunda-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As indústrias instaladas no país ampliaram em 0,2% o número de empregados de julho para agosto, acumulando neste dois meses um ganho de 0,7%, informou o IBGE em comunicado.

O valor da folha de pagamento e o número de horas pagas também cresceu de julho para agosto, em 0,3% e 0,2%, respectivamente.

Na comparação com agosto do ano passado, o nível de emprego no setor avançou 2,2%, completando uma sequência de 14 taxas positivas nesse tipo de comparação.

De janeiro a agosto, as indústrias acumulam um aumento de 1,6% no número de trabalhadores. Nos últimos 12 meses, a alta foi de 1,2%.

De junho para julho, o emprego industrial cresceu 0,5%, de acordo com dado revisado pelo IBGE.

 

UOL ECONOMIA, 15 de outubro de 2007
Setor de combustíveis tem maior crescimento do emprego; de fumo, maior queda
Da Redação
Em São Paulo




O setor industrial em que o emprego mais tem crescido no país é, disparado, o de combustíveis, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). De janeiro a agosto deste ano, em relação a igual período de 2006, o refino de petróleo e álcool registrou uma expansão de 9,5% no pessoal ocupado assalariado.

O desempenho está bem à frente do segundo colocado, o segmento de produtos de metal, em que o emprego cresceu 6,3% na mesma base de comparação. O IBGE mede mensalmente o emprego industrial em 18 setores.

O crescimento da ocupação na indústria brasileira em geral foi de 1,6% no acumulado de janeiro a agosto (sobre período equivalente de 2006) e de 0,2% em agosto em relação a julho. Na comparação entre agosto deste ano e do passado, a expansão foi de 2,2%.

Piores desempenhos

O pior desempenho do emprego industrial no acumulado do ano é da indústria de fumo, que registrou queda de 12,1%. Também obtiveram retração do nível de ocupação os segmentos de calçados (recuo de 6,5%), madeira (de 5,9%), vestuário (de 4,8%), papel e gráfica (de 3,1%) e borracha e plástico (de 0,1%).

Os segmentos de minerais não metálicos e de máquinas e aparelhos eletrônicos tiveram crescimento abaixo da média no acumulado do ano, expandindo-se 0,3% e 1,5%, respectivamente.

 

JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO (ON LINE), 15 de outubro de 2007 | Brasil
Cai apoio à reeleição e população defende voto facultativo, diz CNT/Sensus
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O apoio da população brasileira à reeleição do presidente da República, governadores e prefeitos caiu em outubro deste ano, segundo pesquisa divulgada pela CNT/Sensus nesta segunda-feira. Os resultados mostram que 57,4% dos brasileiros apóiam a reeleição hoje. Em abril, 65,4% eram favoráveis à reeleição de políticos para cargos majoritários. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais.

O número de entrevistados contrários à reeleição subiu de 28,2% em abril deste ano para 38,2% em outubro. "Apesar da queda, o apoio da população à reeleição permanece positivo", disse o presidente do Instituto Sensus, Eduardo Guedes.

A pesquisa mostra que 45,7% dos entrevistados consideram que o presidente da República deveria ser eleito para apenas um mandato, enquanto 36,8% são favoráveis a dois mandatos consecutivos. Somente 12,3% dos entrevistados defenderam o terceiro mandato para o presidente.

Já em relação ao tempo de mandato para o presidente da República, 43,6% dos entrevistados defendem quatro anos com a possibilidade de reeleição. O índice caiu em relação a março de 2004 --última vez em que a pesquisa CNT/Sensus fez esse questionamento aos entrevistados--, quando 47,2% dos entrevistados afirmaram ser favoráveis ao mandato de quatro anos com reeleição.

Outros 34,1% dos entrevistados defenderam o mandato de quatro anos, sem reeleição, enquanto apenas 9,1% dos entrevistados disseram ser favoráveis ao mandato de cinco anos sem reeleição. E 9,2% apóiam o mandato de cinco anos com reeleição.

Voto obrigatório

A pesquisa mostrou que 58,9% dos brasileiros são favoráveis ao voto facultativo no país, enquanto outros 38,4% consideram que o voto deve ser um instrumento obrigatório no país.

Questionados se, em caso de voto facultativo, compareceriam às urnas para escolher seus candidatos, 58,1% dos entrevistados afirmaram que votariam. Outros 27,9% responderam que não votariam, enquanto 11,1% disseram que o voto dependeria de uma série de fatores.


JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO (ON LINE), 15 de outubro de 2007 | Brasil
Pesquisa mostra que 45% defendem unificação da Câmara com o Senado
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta segunda-feira mostra que 23,3% dos brasileiros defendem a extinção do Senado Federal, enquanto 19,2% são favoráveis à eliminação da Câmara dos Deputados. A pesquisa mostra, em contrapartida, que 45,3% são favoráveis à unificação das duas Casas Legislativas. Só 32,7% são contrários à reunião de Câmara e Senado em apenas um órgão.

"Não é que as pessoas sejam contra o Legislativo, o que podemos concluir é que o povo é a favor de apenas um Casa Legislativa", disse o presidente da CNT (Confederação Nacional de Transportes), Clésio Andrade.

A pesquisa foi realizada em meio à crise que atinge o presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que se afastou do comando da Casa na última quinta-feira. A mostra foi colhida entre os dias 8 e 12 de outubro, período em que Renan acabou se afastando do comando da Casa. A pesquisa não questionou, no entanto, a opinião dos brasileiros sobre a permanência de Renan na presidência do Senado.

Oposição

Segundo a pesquisa, 24,8% dos entrevistados consideram o PSDB e o DEM como partidos de oposição "competentes" dentro do Congresso Nacional, mas "coniventes" com o governo federal. Outros 17,8% dos entrevistados consideraram as duas legendas como competentes e não coniventes com o governo federal, enquanto 14,4% consideraram os dois partidos incompetentes e não coniventes com o Executivo.

Fidelidade partidária

Em relação à fidelidade partidária, 48,7% dos entrevistados afirmaram que os mandatos pertencem aos candidatos, e não às legendas. Outros 38,3% dos entrevistados disseram que os mandatos pertencem aos partidos políticos --como definiu na semana passada o STF (Supremo Tribunal Federal).

A pesquisa mostrou, por outro lado, que 54,2% dos entrevistados concorda com a decisão do Supremo sobre a fidelidade partidária, enquanto 30,7% afirmaram não estar de acordo com a medida do tribunal.

"O que podemos concluir é que, mesmo as respostas sendo contraditórias, é que as pessoas votam no candidato, mas não querem que ele mude de partido. Dá uma alteração em função disso", disse Andrade.


JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO (ON LINE), 15 de outubro de 2007 | Dinheiro
Real valoriza quase 100% durante governo Lula
da Folha Online

Levantamento da consultoria Economática que a moeda brasileira valorizou quase 100% perante o dólar nos últimos cinco anos. Em um rol de moedas latino-americanas, o Real lidera, a frente das unidades monetárias da Argentina, Chile, Peru e outros três países.

A consultoria calculou uma valorização de 97,24% da taxa de câmbio brasileira entre os dias 31 de dezembro de 2002 e 12 de outubro deste ano. No mesmo período, os Pesos chileno e colombiano tiveram ganhos de 45,99%; o Sol peruano teve ganho de 18,06%, e o Peso argentino, de 6,61%.

O estudo da Economática mostra ainda que somente duas moedas latino-americanas perderam valor nos últimos cinco anos: o Bolívar, da Venezuela, que desvalorizou 34,73% frente ao dólar, e o Peso mexicano, com perdas de 4,76%.

Fundamentos

Somente neste ano, o real valorizou 15,48% frente ao dólar. Essa perda de valor da moeda americana não foi restrita ao mercado brasileiro. O euro já atingiu a cotação história de US$ 1,42 nos últimos dias, devido à expectativa de que o banco central americano vai reduzir novamente os juros básicos americanos. Taxas de juros mais baixas podem fazer com que investidores transfiram fundos para ativos de renda fixa em outros países com retornos mais atrativos.

Analistas também citam fatores domésticos para explicar a valorização do real: o nível mais alto das reservas internacionais, hoje em US$ 162 bilhões, o que representa um "colchão de segurança" contra eventuais crises externas.


JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO (ON LINE), 15 de outubro de 2007 | Cotidiano
Horário de verão é aprovado por 59,4%, mostra pesquisa
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta segunda-feira revela que 59,4% dos brasileiros são a favor do horário de verão. Outros 36,8% se disseram a mudança nos relógios e 3,9% não quiseram responder.

O principal motivo de aprovação é a economia de energia, principal meta para a realização do horário de verão. Entre todos os entrevistados, 40,4% se disseram a favor do horário de verão por causa da energia e 19% disseram que o aprovam porque com o dia mais longo é possível realizar mais atividades.

Entre os contrários, 20,8% consideram que a economia é pequena demais e não justifica a mudança no horário. O restante (16% do total) disse reprovar o horário de verão porque se sentem inseguras pela manhã, já que as ruas ficam mais escuras até mais tarde.

A pesquisa havia sido realizada pela última vez em 2001. Na ocasião, 52,8% se posicionaram a favor e 37,1% contra o horário de verão. Os principais motivos foram os mesmos apresentados na pesquisa deste ano.

O horário de verão teve início à 0h deste domingo (14). Os relógios deverão ser adiantados em uma hora nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país.

A medida vai vigorar até a meia-noite do dia 16 de fevereiro. O horário de verão 2007/ 2008 terá 125 dias de duração, 13 a mais do que o de 2006/ 2007.

O principal objetivo da mudança de horário é reduzir a demanda por energia elétrica, ou seja, a quantidade máxima de energia consumida em um determinado momento, geralmente entre 17h e 22h. O Ministério de Minas e Energia prevê uma economia de mais de 2.000 MW, o que significa uma redução no consumo no horário de pico entre 4% e 5%.

Em 2006, a economia foi de R$ 50 milhões com geração termelétrica com o novo horário.

De acordo com o ministério, nessa época a demanda aumenta muito por causa do calor e do crescimento da produção industrial para o Natal.

No período em que o horário de verão é adotado, os dias têm duração maior por causa da posição da Terra em relação ao sol. Com o maior aproveitamento da luminosidade natural, o governo espera reduzir o consumo de energia elétrica.

O horário de verão foi adotado pela primeira vez no Brasil em 1931, com duração de cinco meses. Até 1967 a mudança no horário foi decretada nove vezes. Desde 1985, no entanto, a medida vem sendo adotada sem interrupções, com diferenças apenas nos Estados atingidos e no período de duração.


ÂMBITO JURÍDICO, 15 de outubro de 2007
Auxílio-doença não pode ser inferior ao salário mínimo

O TRT de Minas Gerais, por sua 4ª Turma, negou provimento a recurso em que o executado pretendia a retificação dos cálculos apresentados pelo perito oficial no tocante ao auxílio-doença. A Turma acompanhou voto do desembargador Caio Luiz de Almeida Vieira de Mello, que manteve a decisão de 1º grau no sentido de que o auxílio-doença não poderá ser inferior ao salário mínimo quando incidente o coeficiente de redução previdenciária de 91%, nos termos da Lei nº 9.876/1999.

Como o executado discordou da homologação dos cálculos elaborados pelo perito oficial, o juiz de 1º grau resolveu converter o julgamento em diligência, com a remessa do processo ao Setor de Liquidação Judicial. A SLJ reiterou os cálculos ao fundamento de que, pela Lei 9.876/99 a renda mensal do benefício (no caso, auxílio-doença) será de 91% do salário-benefício. Todavia, este valor não poderá ser inferior ao salário mínimo.

Dessa forma, a Turma entendeu estarem corretos os cálculos apresentados pelo perito oficial e ratificados pelo SLJ, que foram elaborados de acordo com a sentença e na forma da lei.

( AP nº 00868-2005-053-03-00-1 )

Fonte: TRT3

 

ÂMBITO JURÍDICO, 15 de outubro de 2007
Depositário infiel: Justiça do Trabalho mantém mandado de prisão

A Seção Especializada em Dissídios Individuais (SDI-2) do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou pedido de “habeas corpus” a uma empresária que teve sua prisão decretada por ter vendido veículo penhorado como garantia de débitos trabalhistas.

O caso começou quando a empresa Azul Jeans Indústria e Comércio de Confecções, de Cascavel (PR), foi condenada em ação movida por 33 ex-funcionários que reclamaram o pagamento de salários atrasados e das verbas da rescisão do contrato de trabalho. Por determinação da 1ª Vara do Trabalho de Cascavel, foram penhorados vários bens da empresa, especialmente máquinas e equipamentos industriais, terrenos e veículos.

Em sua defesa, entre outras alegações, a empresa buscou excluir da penhora alguns bens de família, incluindo um carro modelo EcoSport pertencente a uma das sócias e principal administradora, sob a justificativa de que o veículo se encontrava em alienação fiduciária (situação em que a propriedade do bem se mantém com a instituição financiadora até sua quitação).

Posteriormente, a empresária vendeu o veículo e, diante da iminência de ter decretado mandado de prisão por depósito infiel, ajuizou habeas corpus preventivo com pedido de liminar no Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (Paraná). A liminar foi concedida e posteriormente cassada, quando o TRT negou o pedido de habeas corpus.

Inconformada, a empresária entrou com recurso ordinário no TST, reiterando os argumentos iniciais para a obtenção de habeas corpus: além da alegada indisponibilidade do veículo, sustentou que sua prisão não poderia ser feita, com base na Convenção Americana sobre Direitos Humanos, acordo internacional do qual o Brasil é signatário, e segundo o qual ninguém pode ser detido por dívida.

O relator da matéria, ministro Ives Gandra Martins Filho, ao analisar o mérito da questão, manifestou-se pela não-procedência do pedido, tendo em vista estar configurada a condição de depositária infiel. Neste sentido, ele ressaltou que, embora formalmente nomeada depositária, a empresária vendeu o veículo sem prévia autorização judicial e, instada a apresentar o bem, alegou que não poderia fazê-lo “por questões que fogem à discussão neste feito”. Além disso, ofereceu em substituição um bem de propriedade de outro sócio sem anuência deste. O ministro registrou que a alienação fiduciária, além de não afastar a responsabilidade do depositário e não ser obstáculo à apreensão judicial, teve o seu registro baixado no DETRAN – ou seja, o veículo já estava quitado à época de sua apreensão.

Quanto às alegações sobre a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica), Ives Gandra ressaltou que a questão deve ser analisada à luz da decisão do Supremo Tribunal Federal, segundo a qual os compromissos assumidos em tratado internacional não minimizam o conceito de soberania nacional, devendo, portanto, ser interpretados com as limitações impostas pela Constituição Brasileira. (ROHC 26011/2006-909-09-00.5)

(Ribamar Teixeira)

Fonte: TST

 

CONSULTOR JURÍDICO, 15 de outubro de 2007
Tarde demais
Quem deixa de questionar dívida não pode reclamar

Consumidor que não questiona valor da dívida perde direito de reclamar de prática abusiva do fornecedor. Com esse entendimento, a 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça manteve decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Os desembargadores decidiram que André Abrahão Cordeiro terá que pagar as despesas hospitalares referentes ao nascimento de sua filha à Associação Congregação de Santa Catarina — Casa de Saúde São José. O valor da dívida é de aproximadamente R$ 10 mil.

De acordo com dados do processo, Cordeiro levou sua mulher, que estava em trabalho de parto, para a casa de saúde. Lá, ele assinou a ficha de internação e se responsabilizou pelo pagamento dos custos médico-hospitalares. Posteriormente, ele mandou uma carta ao diretor do centro de prematuros do Rio de Janeiro informando que sua mulher tem plano de saúde da Fundação dos Economiários Federais (Funcef). No entanto, não alegou, no ato da internação, a existência do plano, o que evitaria a assinatura do documento.

Ele recorreu ao STJ após ter seu pedido negado pela primeira e segunda instâncias. Para o TJ fluminense, o certo é que, não se referindo ao plano de saúde e nem provando a existência dele, o cuidado da casa, em obter a assinatura no termo de responsabilidade, não constitui coação. Para os desembargadores, é através do termo que se origina a relação contratual entre o estabelecimento e o paciente.

Para o autor da ação, houve ofensa a artigos do Código de Defesa do Consumidor, no que diz respeito a execução de serviços sem a prévia elaboração de orçamento e autorização do consumidor. De acordo com ele, o hospital deveria entregar orçamento prévio discriminando o valor da mão-de-obra, dos materiais e equipamentos a serem empregados, bem como as condições de pagamento. Além disso, ele alegou que a mulher teria sofrido pressão para quitar a dívida.

O relator do caso, ministro Hélio Quaglia Barbosa destacou que se o consumidor deixa de questionar os valores cobrados pelos serviços prestados, não discordando do montante da dívida, não se pode falar em prática abusiva pelo fornecedor, mesmo que ausente o orçamento prévio.

Em relação à alegada coação, o ministro afirmou que o reexame de sua ocorrência se mostra impossível na sede recursal eleita, nos termos da Súmula 7 do STJ.

REsp 285.241


DEPACOM, 15 de outubro de 2007
Maranhão
FETICEMA realiza seu XVI Encontro dos Trabalhadores da Construção e do Mobiliário

 

A FETICEMA – Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário do Estado do Maranhão, presidida pelo companheiro FRANCISCO DAS CHAGAS VIANA, realizou, com apoio da CNTI, nos dias 12 e 13 de outubro, em São Luís/MA, o seu XVI Encontro dos Trabalhadores da Construção e do Mobiliário.
 

Evento reuniu aproximadamente 60 dirigentes sindicais de diversos sindicatos do estado.
 
Também esteve presente proferindo palestra, o presidente da FETRACONSPAR, Secretário Regional da CNTI no Paraná, e 3º Vice-Presidente da NCST, Geraldo Ramthun, que falou sobre as convenções coletivas de trabalho e unificação da data-base e do movimento sindical atual.
 

Ramthun explica como funciona a Campanha Salarial no Paraná.
 

Terezinha Fernandes
Secretária de Trabalho e Economia Solidária, e ex- Deputada Federal, falou sobre "O PAC e as perspectivas de desenvolvimento do Maranhão".

Da esq. Jansen (Presidente da FTI/MA) Ramthun e Emílio (Vereador e Presidente do STICM de Codó).
 

 

DEPACOM, 15 de outubro de 2007
Visita à sede da FETICEMA
Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário do Estado do Maranhão

Da esq. Tomáz, Ramthun, Francisco, Henrique e diretor da federação

 

DEPACOM, 15 de outubro de 2007
Visita à sede do STI da Construção Civil de São Luis/MA
Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil e do Mobiliário de São Luís

Da esq. Francisco, Ramthun, Humberto e Henrique
 

Ramthun, Vice-Presidente do DEPACOM, observa galeria dos ex-presidentes
do STI da Construção Civil e do Mobiliário de São Luís/MS

 

Folha de São Paulo, 15 de outubro de 2007
Oposição ataca possível volta de Lula em 2014
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concorrer à sucessão em 2014, conforme ele revelou em entrevista à Folha publicada ontem, foi criticada pela oposição, apesar de estar de acordo com a lei.

Para o senador Arthur Virgílio, líder do PSDB na Casa, a idéia de Lula tentar um terceiro mandato "esclerosa as veias da renovação política". "As pessoas acabam mexicanizando o Brasil, e digo mexicanizando para ser elegante, pois tenho medo mesmo é de uma venezualização", afirmou, em referência ao presidente Hugo Chávez.

O senador tucano não descarta levantar a discussão sobre a possibilidade de se mudar as regras vigentes, fixando prazo máximo de dois mandatos para os presidentes ficarem no poder.
O líder do DEM na Câmara, deputado Onyx Lorenzoni (RS), ainda duvida que Lula tenha realmente descartado a possibilidade de promover uma mudança na legislação para tentar ser candidato novamente já em 2010. Na entrevista, Lula disse que esta hipótese "não existe".

"O presidente tem inúmeras vezes dito uma coisa e feito outra", afirmou.

Para o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), o presidente deveria estar preocupado em governar bem. "Antes de ele falar em 2014, ele tem que governar até 2010, e governar bem. Pode até ter ambição, mas antes tem que governar bem até 2010, o que na minha opinião acho que ainda não ocorre", afirmou.

Líderes governistas saíram em defesa do presidente. Para Romero Jucá (PMDB-RR), o fato de Lula afirmar que cogita voltar em 2014 tem um simbolismo grande, porque abafa "a paranóia de alguns", que acreditam que ele pode tentar ficar no poder em 2010.


Folha de São Paulo, 15 de outubro de 2007
Expansão imobiliária causa gargalos na construção civil
Empresários já admitem falta de mão-de-obra e demora na entrega de produtos | Incapacidade de atender ao aumento da demanda pode ameaçar o crescimento da economia; setor tem peso de quase 18% na indústria

SHEILA D'AMORIM
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA



A retomada do segmento imobiliário já aponta riscos de apagão da construção civil caso o crescimento do setor se acelere ainda mais em 2008 e em 2009. A falta de cimento em algumas cidades chama a atenção para gargalos que podem comprometer o desempenho da economia nos próximos anos.

A construção civil responde por quase 18% da produção industrial no país e tem sido puxada pelo forte aumento na construção de imóveis, que representa cerca de 25% do setor.

A área de infra-estrutura, responsável por metade da produção da construção, ainda não deslanchou e aguarda os projetos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) saírem do papel. Ainda assim, os empresários já admitem falta de mão-de-obra e demora na entrega de produtos.

"Falta operador de grua. Para uma obra no Distrito Federal, tivemos de importar de São Paulo", diz Alexandre Chueri, superintendente da Ciplan, que fornece cimento, agregados, argamassa e concreto para Estados do Centro-Oeste, do Norte, do Nordeste e do Sudeste.

"O Brasil tem restrições ao crescimento no nível da Ásia, e uma delas é por causa da mão-de-obra. Se o crescimento [nas vendas de materiais para construção] passar de 12% [projeção do setor para 2007 e 2008], vai faltar tanta coisa que não será o cimento o problema."

Ele ressalta que o fornecimento de produtos é mais fácil de resolver porque há investimentos em andamento para maturar. Já a questão da mão-de-obra qualificada é considerada mais delicada.

Segundo Chueri, há um ano a entrega de projetos de construção em escritórios tradicionais demorava 30 dias em cidades como Brasília. Hoje, a espera pode chegar a quatro meses.

" Faltam grua, andaime e até engenheiro civil. Mas acho que a situação é transitória e não há risco de apagão. As empresas vão se adaptar à demanda", avalia José Otávio Carvalho, secretário-executivo do Sindicato da Indústria do Cimento.

Para ele, o maior risco de gargalo do setor está no frete. "Para um determinado nível de crescimento, haverá problema de saturação de rodovias, da frota. Temos notícias de filas para comprar caminhão."

A previsão de crescimento nas vendas de materiais de construção em 2007 é de 12%, praticamente o dobro dos 6,3% de 2006. O resultado disso, segundo o presidente da Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção), Melvyn Fox, é que o setor, que trabalhava com 70% da capacidade instalada, já está utilizando mais de 85% da capacidade de máquinas, equipamentos e plantas produtivas.

Mais fábricas

Apesar de reconhecer problemas em algumas áreas, ele diz que são pontuais e descarta o risco de apagão se o ritmo de consumo for mantido. "Temos fábricas sendo reativadas e plantas novas criadas."

O risco é se a demanda crescer muito mais. "A não ser que haja um estouro e cresçamos a 20% ao ano, aí teremos problemas. Mas o PAC não vai deslanchar de forma tão intensa de uma única vez. Sabemos que há limitações para o programa", diz, citando discussões ambientais, demora na seleção e escolha dos projetos.

O câmbio também pode ser um aliado importante para o setor, diz Lauro Andrade Filho, diretor da Anfacer (Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica). "Com o real valorizado, os 20% da produção que seriam exportados ficarão no mercado interno."

Ele estima que o segmento de cerâmica, pisos e revestimentos já opera com quase 93% de ocupação do parque produtivo, mas afirma que os investimentos feitos deverão aumentar em 5% a capacidade atual de produção ainda neste ano.

Mesmo otimista, ele admite que teme problemas na área energética. "Cerâmica depende muito de gás natural. A indústria está preparada para aumentar a produção, mas há fatores externos que podem atrapalhar, como abastecimento e escoamento da produção."


Folha de São Paulo, 15 de outubro de 2007
Construtoras tentam se proteger de apagão
Grandes grupos investem em novas tecnologias de edificação e elevam salários de engenheiros para driblar gargalos no setor | Falta de mão-de-obra leva empresas a investir em treinamento; incorporadoras fazem estoque de material de construção, o que eleva preço

JULIO WIZIACK
DA REPORTAGEM LOCAL



O engenheiro João Cláudio Robusti é dono de uma construtora e, desde agosto de 2006, enfrenta atrasos em suas obras devido à falta de equipamentos no mercado. Agora, ele está na fila de espera por máquinas e até materiais de construção.

Presidente do SindusCon/SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), Robusti se juntou a um grupo de empresários para evitar o que muitos temem: um apagão logístico na construção civil de São Paulo.

Para o presidente da Abef (Associação Brasileira de Empresas de Engenharia de Fundações e Geotecnia), José Luiz Saes, haverá falta de equipamentos, como guindastes, perfuradores e guinchos até, pelo menos, o final de 2008.

"Não conseguiremos trazê-los antes disso", afirma Saes. Segundo ele, os fabricantes nacionais de hélice contínua, por exemplo, não conseguirão turbinar a produção a tempo. As hélices contínuas servem para perfurar o solo lançando as bases de fundação.

"A importação também demoraria demais e cada unidade custa US$ 1,5 milhão", diz Saes. "O setor não tem como investir sem garantias de que esse crescimento da construção civil atual será sustentável."

Há cerca de dez dias, uma missão do SindusCon foi à China para tentar viabilizar a importação de maquinário. Os chineses conseguem fabricar os equipamentos em três meses, mas, segundo as construtoras, haveria demora no transporte e no desembaraço das mercadorias nos portos.

Outra incerteza é quanto ao fornecimento de materiais de construção. Um estudo feito pela Abramat (Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Construção) em parceria com a FGV (Fundação Getulio Vargas) mostra que o PIB da cadeia de construção crescerá, no mínimo, 10,2% em 2008, contra 4,8% do PIB nacional.

Se a previsão se confirmar, os riscos de escassez serão maiores. Segundo Robusti, ainda que as fábricas produzam no máximo de sua capacidade (hoje elas operam com 20% de ociosidade), a distribuição ficará comprometida. "Não há como entregar as mercadorias. As montadoras têm fila de espera para a compra de caminhões."

Diante desse cenário, as incorporadoras começaram a fazer estoque e isso já pode estar pressionando os preços. "Estamos fidelizando fornecedores e antecipando contratos", afirma Sílvio Chaimovitz, diretor da Klabin Segall.

O mercado já se ressente dessa prática. A Tecnisa diz que paga R$ 270 pelo metro cúbico de estruturas de concreto, contra os R$ 185 desembolsados no final de 2006 para fazer lajes e vigas -aumento acima de 45%.

Esse é só um detalhe da elevação de preços da construção registrada pela FGV. De acordo com o professor Salomão Quadros, o índice teve variação de 7,55% em setembro em São Paulo. "A falta de cimento foi determinante."

Toma lá, dá cá

A falta de mão-de-obra qualificada é outro gargalo do setor. Como o número de profissionais caiu pela metade na última década, as grandes construtoras começaram a tomar funcionários de suas concorrentes. De acordo com André Denoni, coordenador de obras da MAC, a construtora já perdeu até pedreiros. "É uma surpresa porque esses profissionais são recrutados por empresas especializadas. É um sinal de que não há mais garantia", afirma.

Para alimentar essa "dança de cadeiras", as ofertas salariais foram infladas. Na Gafisa, há engenheiros que mudaram de emprego para ganhar 70% a mais. A Tecnisa paga até R$ 15 mil por um engenheiro residente, quase 80% a mais do que eles ganhariam no ano passado.

Para evitar complicações ainda maiores em 2009, essas companhias firmaram um acordo para treinar profissionais em cursos técnicos que duram de seis meses a dois anos. As primeiras turmas de pedreiros e ajudantes estarão prontas no final de 2008.

Para tentar escapar dessa armadilha, as construtoras também estão adotando novas tecnologias de edificação. Trocando as paredes de tijolos pelas de concreto, elas conseguirão erguer um andar de um prédio em uma semana com 70% dos trabalhadores. Pelo sistema tradicional, levariam um mês.

O que preocupa a concorrência é que essas companhias querem ter exclusividade dos poucos fornecedores existentes. "Neste momento, há sinais claros de concentração em São Paulo", afirma Walter Frigieri, diretor da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland). "Nesse ritmo, quem pagará a conta serão as pequenas e médias construtoras."


Folha de São Paulo, 15 de outubro de 2007
Setor diz que maior temor é formação de estoque
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA



O maior perigo para o setor da construção civil hoje é, na avaliação de Paulo Safady, presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), que o medo da falta de material leve os empresários a estocar produtos. Segundo ele, algumas construtoras estão antecipando compras com receio de não encontrar materiais quando chegar o momento do acabamento das obras.

"Isso é um risco porque pode se tornar uma profecia auto-realizável. Não há risco de falta de produtos. Temos folga na capacidade de produção." Ele admite, no entanto, que o cimento se tornou um problema sério, mas diz que a situação é diferente e que a falta do produto em algumas cidades está relacionada ao fato de o segmento estar recompondo lucros depois de um longo período de depressão nas vendas.

"Não vejo razão para faltar o produto em cidades como Brasília, a não ser por uma estratégia de aumento de preço." Segundo dados da própria indústria do cimento, a produção no Distrito Federal, por exemplo, onde houve falta do produto, é mais de três vezes o consumo: 1,584 milhão de toneladas produzidas entre janeiro e julho deste ano, ante o consumo de 431 mil toneladas.

O excedente também ocorre em Minas Gerais, outro Estado que teria registrado problemas. No mesmo período, foram produzidos 5,586 milhões de toneladas de cimento, para um consumo de 2,795 milhões. "Estamos longe de um desabastecimento", diz Sarkis Nabi, presidente da Comissão de Material de Construção, ligada à CBIC. Para ele, os empresários não terão espaço para reajustar preços de forma significativa porque os setores que mais demandam o produto são justamente os ligados à construção de moradias mais populares.

"O país precisa de habitação de interesse social, que tem limitações de preço. Se os materiais subirem de forma acelerada, todos vamos perder mercado", afirma Nabi. Devido à falta de cimento em algumas localidades, executivos das empresas e entidades representativas do setor se reuniram há duas semanas em Brasília. O encontro foi tenso e quase terminou em briga. Segundo a Folha apurou, na reunião ficou claro que a guerra de preços verificada em cidades como Brasília e Belo Horizonte desde 2004, na competição por uma fatia maior do mercado, derrubou o preço do cimento.

Já em outras localidades, onde a produção é praticamente um monopólio, os preços não caíram. Com a retomada do setor da construção, as empresas redirecionaram a produção para esses mercados como forma de recomporem seus lucros.

Com isso, o cimento produzido em Brasília e Belo Horizonte, vendido respectivamente a R$ 10,99 e a R$ 10,45 o saco de 50 kg, foi desviado para cidades da região Norte e Nordeste, onde o preço pode chegar a R$ 27, em Boa Vista (RR), ou a R$ 19, em São Luís (MA).

A expectativa de alta nas vendas da indústria de cimento era de 8% em 2007 -de janeiro a setembro, o crescimento já chegou a 13%. No entanto, Alexandre Chueri, superintendente da indústria Ciplan, diz que há pelo menos seis fábricas que estavam paradas e estão sendo reativadas, reforçando o abastecimento. "Além disso, a chegada da chuva vai ajudar a equilibrar a demanda e a oferta porque, nesse período, a procura por cimento cai", afirma.


JORNAL FOLHA DE LONDRINA, 15 de outubro de 2007
‘Tropa’ Sem Vergonha - Ex-parlamentares freqüentam corredores do Congresso
A bancada dos ‘mortos muito vivos’ é composta por ex-parlamentares que arranjaram um cargo em comissão

Brasília - Alçado à (má) fama depois de ser apontado como ''espião'' do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o ex-senador Francisco Escórcio integra uma bancada de ex-parlamentares que, mesmo depois de demitidos pelas urnas, perambulam com desenvoltura pela Câmara e pelo Senado. Chiquinho Escórcio, como é conhecido, está entre os expoentes desse grupo chamado de ''mortos muito vivos'', maior do que algumas bancadas eleitas no ano passado.

Na bancada dos ex-parlamentares que não largam o Congresso há gente que já teve cacife político considerável. E há os que frequentam o Legislativo porque não conseguem ficar longe. Esses - diz o líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO) - ''parecem umas almas penadas andando por aí''.

A bancada dos ''mortos muito vivos'' é composta por ex-parlamentares que arranjaram um cargo em comissão. Um dos mais antigos a ter uma boquinha na Câmara é o ex-deputado Nilson Gibson (PSB-PE), 72 anos, lotado na assessoria técnica da Diretoria Geral, com salário de R$ 8,7 mil. ''Trabalho porque preciso de dinheiro para me sustentar'', afirma.

Deputado federal por cinco mandatos, entre 1979 e 1999, Gibson ficou nacionalmente conhecido não por suas idéias, mas pela defesa veemente de aumento salarial e de regalias para os parlamentares. Era chamado de presidente do ''sindicato dos deputados'' e um dos expoentes do baixo clero. ''Até hoje Lula me chama de presidente do sindicato dos deputados quando me encontra'', diz.

Talvez por sua fama de fisiológico e nepotista, Gibson diz que não tem aposentadoria do extinto Instituto de Previdência Complementar dos Congressistas. ''Quando o instituto acabou tirei todo o dinheiro que tinha lá porque estava endividado. Por isso não tenho aposentadoria da Câmara e preciso trabalhar'', argumenta o ex-deputado, ao garantir que bate ponto todos os dias e é um dos primeiros a chegar ao trabalho.

Outro que arrumou emprego na Câmara depois de perder as eleições foi o ex-deputado Moroni Torgan (DEM-CE), candidato derrotado no ano passado na disputa para o Senado. Deputado federal entre 1991 e o início deste ano, Torgan tem salário de R$ 8,7 mil e trabalha no gabinete da liderança do DEM na Câmara. Mas ao contrário de Gibson, que garante não querer voltar à política, Torgan acalenta o sonho de se eleger, em 2008, prefeito de Fortaleza. Enquanto isso, o delegado da Polícia Federal ganha a vida dando consultoria ao DEM, principalmente na área de segurança.

Com apenas um mandato de deputado, no início da década de 90, Sidney de Miguel (PV) circula com desenvoltura no plenário da Câmara, principalmente em dias de votação. Assim como os ex-colegas de Congresso, Sid - como é chamado - exercer o cargo de assessor técnico no gabinete da presidência da Câmara. ''Vim com o Aldo Rebelo para cá'', conta, referindo-se ao ex-presidente Aldo Rebelo (PC do B-SP), que comandou a Câmara entre setembro de 2005 e fevereiro deste ano.

Sem modéstia, Sid desfia um rosário de cargos que ocupou nos últimos anos desde que deixou a Câmara, em janeiro de 1995. Lembra que foi secretário de Previdência no final do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e hoje é ''muito ligado às centrais sindicais''. ''Não me aborreço por ser ex-deputado. Sempre fui mais técnico e intelectual do que político. Tenho dois doutorados na Sorbonne, em Paris. Ah, também fui da luta armada'', conta o ex-parlamentar, que não descarta candidatar-se de novo.

Há ainda um grupo de ex-parlamentares que circula pelo Congresso com uma missão especial: cuidar dos negócios, emendas e cargos amealhados nos muitos anos de mandato. Os dois exemplos mais explícitos dessa bancada são o ex-presidente da Câmara deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), que renunciou após ser acusado de cobrar propina do dono dos restaurantes da Casa, e do ex-líder do PMDB deputado José Borba, que também renunciou ao mandato em 2005, suspeito de envolvimento com o ''mensalão''.

Eugênia Lopes e Rosa Costa
Agência Estado

 

JORNAL FOLHA DE LONDRINA, 15 de outubro de 2007
Políticos têm saudosismo e planos para tentar reeleição

Brasília - Figurinhas fáceis de encontrar no Congresso, um pequeno grupo de ex-parlamentares frequenta a Câmara e o Senado por absoluto saudosismo. E confessam que fazem planos para tentar se reeleger. Mas há os que passam pela Casa como numa visita. ''A tribuna me faz falta. Mas não tenho saudosismo. Olho para a frente'', afirma o ex-senador Hugo Napoleão (DEM-PI), que vai ao Congresso uma vez por semana. Senador por dois mandatos e governador do Piauí duas vezes, Napoleão perdeu a eleição para o Senado em 2006. Sem espaço político no Piauí para concorrer ao mesmo cargo, se prepara para, em 2010, disputar a Câmara.

''Sem dúvida sinto saudades do parlamento'', admite o ex-deputado Vivaldo Barbosa (PDT-RJ), que vira-e-mexe é visto pelos corredores da Câmara. No ano passado, não conseguiu se eleger para a Câmara, depois de ter comandado a Petro-Rio, subsidiária da Petrobrás, no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

''Sou um saudosista. Isto aqui é uma atração irresistível para quem gosta de fazer política'', afirma o ex-deputado José Luiz Clerot (PMDB-PB), que decidiu não mais se candidatar depois de sofrer enfarte em 2002.

Derrotado nas eleições em 2002 para a Câmara e após ver seu nome rejeitado pelos senadores para dirigir a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o ex-deputado Luiz Alfredo Salomão (PDT-RJ) quer esquecer o Congresso e garante que não pretende mais concorrer a nada. ''Não sinto nenhuma atração pelo parlamento'', desdenha o pedetista, que há uma semana passeava pela Câmara depois, segundo ele, de ausência de quase três anos de Brasília.

Aos 74 anos, com a aparência rejuvenescida à base de muito botox, o ex-deputado José Lourenço (BA) reconhece que sente saudades da Câmara, onde exerceu mandato durante 20 anos. ''Mas é uma saudade morna, que mato quando venho a Brasília e vou almoçar com os amigos'', afirma Lourenço, que hoje não está filiado a nenhum partido. Ele deixou o então PFL, hoje DEM, depois de desavenças com o senador Antonio Carlos Magalhães, morto em julho. ''Não quero ter mais mandato'', garante o ex-todo-poderoso líder do PFL na Constituinte, em 1988.

Presidente da Companhia de Energia de Brasília (CEB), depois de ser candidato derrotado a vice-presidente na chapa do tucano Geraldo Alckmin em 2006, o ex-senador José Jorge (DEM-PE) não tem mandato, mas não perdeu velhos hábitos. ''Meu gabinete era vizinho à barbearia do Senado e até hoje venho aqui cortar o cabelo'', conta ele, que teve mandato durante 24 anos na Câmara e no Senado. ''É difícil não sentir saudades depois de tanto tempo aqui''. (E.L. e R.C./AE)


REVISTA ISTO É, 15 de outubro de 2007
Receitas para ficar rico
Especialistas ensinam a acumular dinheiro. Entre as dicas está abrir o próprio negócio. Conheça também seis histórias de quem enriqueceu com trabalho duro, senso de oportunidade e poupança
CARINA RABELO E DANIELA MENDES



ARTHUR COSTA Negócios variados antes de criar a Personal Service, que deverá faturar R$ 180 milhões em 2007

Progredir na vida é o sonho de todo mundo. Construir um patrimônio sólido, não se apertar no fim do mês e ser dono do próprio nariz são metas de quase todos os que vivem de salário. Nos anos de hiperinflação, a preocupação dos brasileiros era descobrir como manter o poder de compra. Com a estabilização da economia, o País entrou na era do crescimento sustentado e o foco das pessoas mudou: elas agora querem estratégias para ficar ricas ou se tornar empreendedoras de sucesso. Acumular capital é um sonho impulsionado pela globalização que tem ampliado as oportunidades de crescimento em diversos nichos e nações, inclusive no Brasil. Ou seja, há mais chances de alguém atingir o topo das camadas sociais. Com o cenário atual fica claro que a tão desejada conquista da fortuna não precisa ser fruto de negócios escusos nem de sorte na loteria.




ATENÇÃO ÀS OPORTUNIDADES


A história do carioca Arthur Costa, 50 anos, dono de uma empresa de recursos humanos, joga por terra a idéia de que, para ter sucesso financeiro, é preciso definir logo a área de atuação. Filho de uma costureira, ele colecionou diversas tentativas de ganhar dinheiro até acertar o alvo. Foi radialista, empreiteiro, vendedor de jazigos. Em 1994, abriu uma empresa de fornecimento de mão-de-obra terceirizada, a Personal Service, que este ano deve faturar R$ 180 milhões. Para vencer, Costa explorou ao máximo duas qualidades: perseverança e ousadia. "Atrevimento foi meu segredo." Seu primeiro passo foi matricular-se aos 18 anos em um curso de videoteipe, em busca de emprego em uma tevê que pagava a universidade dos funcionários. Depois, abriu uma empresa de venda de sacos para lixo e uma companhia de obras para fazer instalação de tubos no Rio. Com quase 40 anos, interessou-se por recursos humanos. "Percebi que as empresas estavam terceirizando serviços." Foi aí que montou a Personal Service. Sua experiência mostra que um empresário deve acreditar no potencial das pessoas e não desanimar diante dos sacrifícios.

Ter disciplina financeira e boas idéias são atualmente as receitas mais seguidas por quem planeja ser chamado de rico. De fato, estar atento a oportunidades de negócios e reduzir desperdícios são os primeiros passos. Mas o que se nota é que há muito mais elementos a compor a escalada rumo ao mundo dos endinheirados. Prova disso é a profusão de livros que apontam esses caminhos. Há uma febre de obras de auto-ajuda financeira. Este ano foram lançados até agora cerca de 20 livros sobre o tema, contra 11 em 2006. Na luta para aumentar a fortuna, milhares de pessoas recorrem a cursos, palestras e feiras especializadas. Recentemente, mais de 20 mil interessados acompanharam a 5ª edição da Expo Money, evento em São Paulo com 175 painéis que discutiam, entre outros assuntos, como conquistar e manter a independência financeira. O evento nasceu na capital paulista e hoje acontece em outros sete municípios ao longo do ano - o próximo será em Belo Horizonte, no final do mês. "O tema educação financeira entrou definitivamente na agenda das pessoas", diz Robert Dannenberg, presidente da TradeNetwork, organizadora da Expo Money.


ROBINSON SHIBA
Três anos sem férias para fazer o negócio decolar


REDE DE 130 LOJAS


Filho de dentista, Robinson Shiba seguiu naturalmente o caminho do pai. Formou-se em odontologia aos 22 anos e, com a ajuda da família, montou o primeiro consultório. Dando duro das 8h às 21h, três anos depois tinha três consultórios próprios (cada um custou em torno de R$ 60 mil) e arrendava dois. O futuro parecia promissor, mas Robinson resolveu apostar em outro ramo. Em 1992, abriu um restaurante para entregar comida chinesa. O diferencial é que a comida vinha em caixas e dispensava prato, seguindo o modelo, ainda inédito por aqui, que ele havia conhecido nos Estados Unidos. Com um investimento inicial de R$ 120 mil nasceu o China in Box, rede que hoje tem 130 franqueados no Brasil, iniciou as operações no México e faturou no ano passado R$ 27 milhões. O início foi difícil. "Nos primeiros três anos eu não tinha fim de semana nem feriado", conta. Mas compensou. "Tenho certeza de que estou melhor hoje do que se atuasse como dentista", diz Robinson, 40 anos. Ele leva uma vida regrada - "recebo salário como os outros funcionários" -, mas sabe curtir os bons momentos. Passa os fins de semana na praia e, pelo menos uma vez por ano, viaja para fora com a mulher e os dois filhos.

Uma das questões que rondam a mente de quem sonha faturar alto é o que é exatamente ser rico. No País, a renda é tão concentrada que fica difícil distinguir os que estão bem de vida dos milionários. Para o IBGE, os dois grupos se enquadram na última faixa da pirâmide social. Dentro da estreita faixa do 1% mais ricos estão 872 mil brasileiros que receberam, em média, R$ 11.321 por mês em 2006. "A classe média, que tem apartamento e carro, não chama de rico quem ganha R$ 10 mil mensais, mas o cara mais pobre do Nordeste chama", pondera Cymar Azeredo, pesquisador do IBGE. Para o empresário inglês Felix Dennis, autor de How to get rich (Como ficar rico, em português), lançado este ano no Reino Unido, o estado de riqueza que se pode batalhar para atingir é aquele em que a pessoa tem condições de se aposentar - se quiser -, desfrutar do tempo, morar onde desejar, comprar um belo barco e velejar ao pôr-do-sol.

Foto Edu Lopes
www.edulopes.com.br



CHRISTINA CARVALHO PINTO A ex-executiva virou dona de agência de publicidade




HORA DA MUDANÇA

Algumas pessoas querem dinheiro para evitar dificuldades no futuro. Outras, como caminho para viver bem, em paz. Este é o caso da publicitária Christina Carvalho Pinto, 56 anos, empresária que consegue conciliar o trabalho com dedicação à família e engajamento social. Aos nove anos, ela escrevia contos.Depois, partiu para o balé e se formou em piano. A publicidade não estava em seus planos. Foi pela necessidade de emprego que Christina aceitou, aos 17 anos, um estágio em agência de propaganda. De lá para cá, tornou-se uma profissional bem-sucedida e rica. "Só faço aquilo que acho certo", diz. Após oito anos na presidência da Young & Rubicam na América Latina - uma grife no mercado de comunicação -, Christina sentiu que era hora de mudar. Abriu, com dinheiro poupado e resgate de investimentos, sua agência em 1996, a Full Jazz, grupo de comunicação de capital 100% nacional e de porte médio. Numa ocasião, perdeu o contrato de duas marcas fortes. Mas Christina focou nos clientes de pequeno porte e ampliou a oferta de serviços. Hoje, ela dedica um terço de seus rendimentos a projetos sociais. Christina tem condições para isso. "Minha receita é abrir caminhos para novas formas de pensar, sem esquecer meus valores."

Já que é assim, quais são, afinal, os segredos para enriquecer? De acordo com Dennis, um milionário do setor de comunicação, a regra de ouro - se a pessoa não tem talento para ser fenômeno do futebol ou astro da música pop - é ter o próprio negócio. "Ser dono da empresa é a única coisa que conta", garante. Segundo ele, na corrida pela fortuna, a pessoa pode até não ter muitas habilidades ou mesmo não ter sido tão abençoada pela inteligência, mas se ela estiver firme no propósito de deter 100% da companhia sonhada, então, tem chances de enriquecer. Thomas Harrison, CEO da Diversified Agency Services (DAS), divisão do Grupo Omnicom (maior empresa do mundo em prestação de serviços nas áreas de comunicação e publicidade), concorda e defende até a existência de um DNA empreendedor. "Quem não tem isso no código genético pode adotar estratégias para compensar a ausência do DNA", sustenta.



ANTONIO PINTO De quarto alugado a dono de uma rede de bares


DE GARÇOM A MILIONÁRIO


O sotaque não mudou, mas o patrimônio do cearense Antonio Rodrigues Pinto se transformou completamente: em dez anos cresceu 200 vezes. Aos 15 anos, ele vendeu uma ovelha e comprou passagem para o Rio de Janeiro. Era 1983 e, no início, lavava pratos em um bar. Depois virou garçom. "Os colegas só queriam atender gringos para ganhar em dólar. Eu tinha gorjeta até no inverno porque atendia bem a todos", recorda. Em quatro anos, morando em quarto alugado e trabalhando 15 horas por dia, comprou um boteco, no centro do Rio. Em 1997, adquiriu por R$ 90 mil outro bar decadente: o Belmonte, na praia do Flamengo. Hoje, a casa é badalada. Existem mais seis unidades. A rede conta ainda com dois bares, chamados Antonio's. Com o movimento, o grupo recebe em caixa cerca de R$ 20 milhões ao ano. A dica de Antonio é poupança, trabalho sem limite e rigidez nos negócios.

Além da regra de ouro, Dennis tem mais sete dicas aos que anseiam pela fortuna: analisar suas necessidades, eliminar influências negativas ("Nunca desista"), não se contentar com grandes idéias, e sim pensar na melhor maneira de executá-las, manter foco no plano ("O dinheiro está aqui"), contratar funcionários talentosos e espertos, aprender a negociar e não ter medo de arriscar. Para se ter empresa, claro, é preciso de dinheiro. Mesmo nesse sentido, há opções. Conforme o publicitário Roberto Justus, do grupo Newcomm, o capital nunca foi tão farto. "O dinheiro está aí. Há fundos de private equities (que compram participações em empresas), empresários que venderam seus negócios e não sabem onde investir, financiamento bancário", diz ele, que lançou recentemente o livro O empreendedor.


MORGANA E RICARDO
Férias no Havaí e planilha de gastos no supermercado


CAPITAL EXTRA PARA VIAJAR


Os consultores de tecnologia Ricardo Kenji e Morgana Multini começaram a namorar na faculdade, em 1994. Apaixonados, decidiram morar juntos, mas o plano esbarrou na falta de dinheiro. A renda dos dois não chegava a quatro salários mínimos. Decidiram que tudo seria definido em conjunto e com planejamento. "Nunca deixamos de nos programar. Fazíamos planilhas no supermercado e anotávamos cada gasto", conta Kenji, hoje assessor de uma gigante da informática. O comportamento do casal foi decisivo para a revolução no patrimônio da família. Uma estratégia era minimizar o risco de situações inesperadas. Quando Morgana mudou de emprego, uma reserva foi destinada a cobrir um eventual rombo, se o trabalho não desse certo nos primeiros meses. O casal poupou, mas também investiu em ações. Desse modo, quitou um apartamento novo em cinco meses. Agora eles vivem em uma casa grande, possuem dois terrenos, uma chácara, carros e aplicações financeiras. O casal pode gastar em viagens, que faz com freqüência. Em 2006, por exemplo, Kenji e Morgana fizeram uma viagem para o Havaí em alto estilo.


Na opinião do administrador Gustavo Cerbasi, autor dos livros Dinheiro - o segredo de quem tem e Casais inteligentes enriquecem juntos, devese combinar boas escolhas com determinação. Aos 26 anos, ele era professor de matemática e prometeu que em 15 anos teria seu primeiro milhão. Em cinco anos, alcançou o objetivo. Cerbasi se valeu até de uma adversidade. Seu carro foi roubado e ele pegou o que recebeu do seguro para aplicar em ações. Empolgado com os rendimentos, vendeu o apartamento e voltou a morar com os pais. O salto aconteceu nos primeiros anos do governo Lula. "O índice Bovespa quadruplicou e meu patrimônio cresceu junto", conta.


LÍRIO PARISOTTO
"Tudo que sobra tem de voltar para o negócio"


PATRIMÔNIO DE R$ 600 MILHÕES


Lírio Parisotto nasceu em Nova Bassano, cidade gaúcha de oito mil habitantes. Ele cresceu em uma casa sem luz elétrica nem telefone. Na adolescência, percebeu que o campo não era o seu lugar. Partiu para a cidade com 13 anos e trabalhou como mascate. Aos 18, voltou para o interior, onde vivia de transportar pessoas em uma Kombi. Formou-se em medicina, mas nunca exerceu a profissão. Não via futuro na carreira. Foi quando surgiu o interesse pelo comércio. Estava com 27 anos e um cliente lhe ofereceu um espaço comercial como pagamento de dívida. Parisotto transformou a loja em videolocadora. Para captar mais recursos, comprou equipamentos eletrônicos velhos para revender. Seu segredo foi reinvestir e evitar desperdícios. Em 1985, percebeu que ganharia mais produzindo fitas e assim se tornou um dos fundadores do mercado brasileiro de vídeo. Sua empresa, a Videolar, trabalha com serviços sob encomenda - gravações em CDs e DVDs - e legendagem de filmes. A companhia acumula um patrimônio líquido de mais de R$ 600 milhões. Seu recado? Administrar bem. "Tudo o que sobra tem de voltar para o negócio". Outra dica é inovar. Em 2008, Parisotto se dedicará a pesquisar mercados em expansão.


Por outro lado, há quem diga que ninguém ficará rico lendo as obras de auto-ajuda financeira. "Quem ganha dinheiro mesmo é o autor", diz o professor de finanças Keyler Rocha, da Faculdade de Economia e Administração da USP. Segundo ele, para que as estratégias ensinadas nos livros funcionem, a pessoa precisa ter um interesse profundo no mercado financeiro, além da natureza voltada para os negócios. De todo modo, o professor de economia Ricardo Almeida, do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais, de São Paulo, pondera: "A pessoa pode não ficar rica, mas pelo menos aprende a não perder dinheiro e a administrar aquilo que já tem." É um bom começo.

Colaborou Aziz Filho

 

REVISTA ISTO É, 15 de outubro de 2007
A vez das ONGs
No Paraná, entidade é acusada de desviar R$ 19,6 milhões com autorização do governador. Em Brasília, o Congresso começa a investigar as organizações de todo o País, que, nos últimos sete anos, receberam R$ 33 bilhões do governo federal
Por HUGO MARQUES - Enviado especial a Curititba



Depois de enfrentar por um ano a resistência da base do governo, a oposição finalmente conseguiu instalar a CPI das ONGs no Congresso Nacional. A investigação da CPI vai compreender os últimos sete anos, período em que o governo repassou R$ 33 bilhões para instituições sem fins lucrativos, quase o dobro do que a União transfere por ano aos Estados na área de saúde. Há casos de desvios de verbas de Estados e municípios que também desembocarão na CPI, já que todas as unidades da Federação recebem dinheiro do governo federal para repassar às nstituições. Há um padrão comum aos casos que serão identificados: o desvio de dinheiro público e as ligações entre as autoridades que autorizam os contratos e os responsáveis pelas instituições que recebem as verbas. Um caso com todas essas características que deverá receber a atenção da CPI vem do Paraná.

Em abril de 2005, o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná, com a autorização expressa do governador Roberto Requião, firmou um termo de parceria com o Instituto de Tecnologia do Paraná, a Tecpar, uma empresa estatal especializada, entre outras coisas, em biotecnologia e inteligência artificial. O contrato visava à formação de um “núcleo de referência para avaliação de conformidades” em obras rodoviárias do DER paranaense. Para tocar o serviço contratado, a Tecpar contratou sem licitação a ONG Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade, o IBQP, especializado em consultorias. O instituto informou na terça-feira 9 que os convênios firmados “visam desenvolver manuais de qualidade para as fiscalizações e manuais de gestões de informações para as obras de rodovias”. O desenvolvimento das relações entre o DER paranaense, a Tecpar e o IBQP chamou a atenção dos auditores do Tribunal de Contas do Estado do Paraná, que determinou a devolução aos cofres públicos de R$ 19,6 milhões repassados à ONG.

O primeiro dado curioso é que o IBQP não precisava realizar os serviços contratados para receber do DER. Obtinha o dinheiro a partir da sua mera previsão de despesas. Além disso, de um mês para outro, apresentava exatamente o mesmo relatório de despesas. Em março, por exemplo, declarou ter gasto R$ 800 com telefonia. Foi o mesmo valor no mês de abril. As despesas bancárias em março e abril também foram as mesmas: R$ 3 mil. O valor da folha de pagamento também permaneceu igual, apesar de o número de rescisões contratuais ter dobrado de um mês para outro.

Aguçam ainda a curiosidade dos auditores do TCE as relações entre os envolvidos. Quem assina três termos aditivos da parceria com a Tecpar é o presidente do conselho de administração do IBQP, Rodrigo Costa da Rocha Loures, da empresa de alimentos Nutrimental. Rodrigo é integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República. É também presidente da Federação das Indústrias do Paraná e pai do deputado federal Rocha Loures, do PMDB paranaense, eleito com o apoio direto do governador Roberto Requião. O governador deu uma pequena contribuição em dinheiro para a campanha do deputado, exatos R$ 2.100, na eleição do ano passado. Por sua vez, a Nutrimental doou para a campanha de Requião R$ 105 mil em 2002. Além disso, o filho do governador do Paraná Maurício Requião trabalha com o deputado. Quem assina o primeiro termo de parceria com a Tecpar, em 29 de abril de 2005, é o então presidente do conselho de administração do IBQP, o empresário Sérgio Marcos Prosdócimo. O termo de parceria foi assinado com “autorização do senhor governador do Estado do Paraná”.

Diante dessas constatações, os auditores do Tribunal de Contas do Estado do Paraná recomendaram a rescisão do contrato e a devolução integral de R$ 19,6 milhões aos cofres públicos de repasses que o DER fez ao IBQP. “Mas nós vamos pedir uma devolução de mais de R$ 30 milhões”, adianta um dos conselheiros do TCE, que pediu para não ser identificado, por enquanto, pois terá de julgar o processo. Apesar da investigação, o presidente do IBQP se diz tranqüilo quanto ao julgamento final dos auditores. “Isso é a opinião do inspetor. Não foi julgado ainda, vamos provar que não há nada de irregular”, afirma Krüger Passos. Procurados por ISTOÉ, o governador Requião, seu filho Maurício e o deputado Rocha Loures não responderam.

O caso da ONG paranaense é, em princípio, um alvo da CPI que se instalou no Senado. O aprofundamento de uma investigação sobre o IBPQ, no entanto, dependerá de como se dará a correlação de forças na comissão a partir de agora. De início, os partidos governistas, como o PMDB de Requião, deverão ter uma pequena maioria. O principal alvo do PSDB e do DEM são as ONGs ligadas aos sem-terra, ao treinamento de mão-de-obra e a programas na área social. O PT, por seu lado, quer destrinchar as contas das instituições privadas ligadas a partidos políticos.

 

Notícias do Tribunal Superior do Trabalho

15/10/2007
JT rejeita suspeição de testemunha que movia ação contra mesmo empregador

O simples fato de testemunhas em um processo moverem ação trabalhista contra a mesma empresa não as qualifica como inimigas do réu ou amigas do empregador, nem interessadas no resultado da lide. Assim decidiu a Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho ao confirmar decisão do Tribunal Regional da 4ª Região (RS), que julgou recurso do Banco do Brasil em ação de um ex-funcionário da instituição, ajuizada na Vara Trabalhista de Esteio em 1999.

O Banco reclamou ao Regional que sua defesa fora cerceada. Segundo ele, o julgamento da primeira instância levou em consideração o depoimento de uma testemunha que possui ação de mesmo objeto contra a instituição bancária, fato que por si só revela a ausência de isenção de ânimo. O TRT não aceitou o argumento e afirmou que “a vedação à prova testemunhal, na Justiça do Trabalho, vem determinada pelo conteúdo do artigo 829 da CLT, quando dita que a testemunha não prestará compromisso e será ouvida apenas como informante, em se tratando de parente até o terceiro grau, amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes”. Mencionou que a matéria já está pacificada pela Súmula nº 357 do TST.

Ao confirmar a decisão do Regional, o relator do processo na Terceira Turma, ministro Carlos Alberto Reis de Paula, esclareceu que “a Súmula nº 333 do Tribunal determina que cabe recurso contra decisões baseadas em iterativa, notória e atual jurisprudência do TST. A Turma, por unanimidade, não conheceu integralmente do recurso do banco.

Admitido em outubro de 1976 e aposentado em 1998 por tempo de serviço, o ex-bancário pediu na reclamação inicial a reposição de diferenças salariais, horas extras não pagas, multa do artigo 477 da CLT e participação nos lucros, alegando que trabalhava, em média, das 8 às 12 horas e das 13 às 19 horas sem receber pelas horas extras trabalhadas. Inconformado com a decisão da Vara de Esteio, o banco recorreu e foi contra-arrazoado pelo aposentado. O TRT negou provimento aos dois. Com embargos também negados, o banco entrou com recurso de revista no TST, sem obter sucesso. (RR-642/1999-281-04-00.1)


15/10/2007
Revista moderada de bolsas em hospital não configura dano moral

Revistar bolsas e sacolas de empregados à saída do trabalho do hospital, desde que não seja de forma abusiva, não é fator para concessão de indenização por dano moral. Ainda que médicos e diretores não fossem expostos ao mesmo procedimento, a Seção Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho entendeu ser inviável a condenação da empresa por presunção de constrangimento.

Para o relator dos embargos, ministro Aloysio Corrêa da Veiga, a prática da revista, longe de ferir a dignidade e a intimidade da pessoa, é comum e vem tradicionalmente sendo utilizada em diversos ambientes profissionais e comerciais, como em aeroportos, com o fim de combater o transporte de armas e drogas.

O ministro Corrêa da Veiga ressaltou, ainda, que, em estabelecimentos que contêm ferramentas facilmente transportáveis, como instrumentos cirúrgicos e remédios, o procedimento da revista é determinado pelo zelo. A empresa preserva não só seu patrimônio, mas também tem cuidado quanto à saída de medicamentos de uso contínuo que somente podem ser liberados por receita médica, como os de tarja vermelha.

A ação foi ajuizada por uma auxiliar médica que trabalhava em centro cirúrgico. Contratada em julho de 1984 pela Melo, Mora & Cia. Ltda., razão social do Hospital e Maternidade Santa Rita, em Maringá, a trabalhadora disse que a revista, realizada em uma sala reservada, tinha o objetivo de evitar que os empregados furtassem objetos do hospital. Ao pleitear indenização de 200 salários mínimos por danos morais, a auxiliar buscou reparação por uma situação que, segundo ela, era constrangedora e vexatória.

Na 3ª Vara do Trabalho de Maringá, o pedido da empregada foi acatado e aplicado o artigo 5º, inciso X, da Constituição Federal, que diz serem invioláveis a intimidade, a vida privada e a honra das pessoas, e assegura o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. Para esse entendimento, o juiz considerou que o ato de revistar pressupõe suspeita objetiva de furto, algo que vai contra o princípio do Direito Penal, pois, para o hospital, todos os trabalhadores seriam culpados até prova em contrário.

O juiz julgou, ainda, discriminatório o tratamento desigual dado aos empregados “mais humildes”, porque médicos e diretores passavam por outra portaria e não estavam sujeitos à busca. Ao ser provocado com recurso ordinário pela empresa, o Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (PR) manteve a sentença.

No TST, o hospital obteve da Terceira Turma a liberação da condenação. A Turma entendeu não se tratar de revista íntima, na acepção legal, nem haver desrespeito ou exposição de intimidade. Considerou, ainda, que somente a presunção de que a revista dos empregados configura desconfiança do empregador quanto à prática de atos ilícitos não gera direito à indenização.

Quanto à revista ser discriminatória, porque a ela não se sujeitavam os médicos e membros da diretoria, o acórdão da Turma esclareceu que isso apenas evidencia a hierarquia existente em qualquer empreendimento, seja na esfera privada, seja no serviço público. Quando a empregada recorreu à SDI-1, o ministro Aloysio Corrêa da Veiga manteve o entendimento da Terceira Turma. A Seção decidiu, por maioria, não conhecer dos embargos. (E-RR-615.854/1999.8)