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Agência Senado, 17 de Outubro de 2007
Ideli e Flávio Arns anunciam
projeto isentando de tarifas conta-salário benefícios
da Previdência
Ideli Salvatti (PT-SC) anunciou, emaudiência pública na Comissão
de Assuntos Econômicos (CAE), nesta terça-feira (16), que ela
e o senador Flávio Arns (PT-PR) apresentariam projeto para regular diversos
aspectos referentes aos serviços bancários, com mecanismos que
garantam a isenção de tarifas para serviços específicos,
como na administração de conta-salário e proventos da
Previdência Social.
O objetivo, explicam os autores, é equilibrar a relação
desigual entre as instituições e os usuários de seus serviços.
O projeto determina que as tarifas só podem ser cobradas sob determinadas
condições como, por exemplo, a divulgação prévia
e a previsão do serviço pelo Banco Central.
Valdir Raupp (PMDB-RO) criticou a cobrança de tarifa sobre cheques de
baixo valor, segundo ele de forma até abusiva, pois sequer existe consenso
sobre que quantia deve ser considerada de pequeno valor.
O senador Jefferson Péres (PDT-AM) manifestou seu estranhamento diante
do fato de as tarifas bancárias terem valores igualmente elevados tanto
nos bancos privados como nos estatais. No debate, destinado a debater o custo
dos serviços financeiros, ele chegou a considerar que a semelhança
entre os preços cobrados pode indicar a existência de cartel no
setor e que dele estejam participando os bancos estatais.
- Quando vejo que não diferença nas tarifas cobradas pela Caixa
Econômica e o Banco do Brasil em relação aos bancos privados,
de duas uma: ou não existe cartel e os preços se devem a outros
motivos ou existe e os bancos públicos aderiram a ele - afirmou.
Em resposta ao senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), um dos autores do requerimento
paraa audiência, o presidente da Federação Brasileira dos
Bancos (Febraban), Fábio Barbosa, confirmou que o resultada da arrecadação
com as tarifas chega a 130% da folha de salários do setor bancário.
No entanto, ele salientou que o mais correto é compara as receitas com
os custos administrativos globais e frente a estes as receitas representam
56%. Segundo ele, estes custos são pressionados por serviços
terceirizados e, de forma crescente, pelos investimentos em tecnologia.
Dados apresentados por Flexa Ribeiro mostram que os custos das tarifas cresceram
em cerca de 800% desde 1994, contra uma inflação de 170%. Já o
presidente do colegiado, Aloizio Mercadante (PT-SP), apresentou informações
sobre um incremento, a partir de 2006, de 130% nos preços. O presidente
da Febraban afirmou mais de uma vez que a ampliação das receitas
com tarifas decorreu do aumento da base de clientes e do crescimento do volume
de transações. Chegou a dizer que, em valores atualizados, a
receita média de serviços por cliente caiu de R$ 202, em 2001,
para R$ 184, em 2006 (menos 8,9%).
Ao senador Jayme Campos (DEM-MT), que sugeriu a necessidade de os bancos fixarem
prazo para reduzir as tarifas, o convidado afirmou que não era atribuição
da Febraban definir preços de serviços cobrados pelo sócios.
Adiantou, no entanto, que a entidade continuará trabalhando para aprimorar
serviço de informações sobre os valores cobrados, por
meio de sua página oficial, que até momento conta com a adesão
de onze bancos. Em resposta a Valter pereira (PMDB-MT), salientou, ainda, cada
instituição trabalha com parâmetros de custos próprios
para definir as tarifas.
Estatização
O senador Francisco Dornelles (PP-RJ) solicitou que Fábio Barbosa avaliasse
se estaria ocorrendo uma tendência estatizante no setor bancário,
já que o Banco do Brasil vem ampliando sua presença no sistema,
mediante a incorporação de bancos públicos que estavam
sob intervenção - caso da aquisição do Banco de
Santa Catarina (Besc). O presidente da Febraban disse que o fato preocupa e
defendeu a realização de concorrência, nessas situações,
para a determinar quem fica com os bancos. Alvaro Dias(PSDB-PR) criticou a
burocracia que, como afirmou, ainda impedem o acesso das pessoas ao crédito.
- Ingressar nos bancos é fácil; difícil é sair
do banco atendido - disse.
Partiu do senador Delcídio Amaral (PT-MS) pedido de esclarecimento sobre
o fato de os bancos imporem custos a clientes que peçam a liquidação
antecipada de operação de crédito. Fábio Barbosa
esclareceu que isso ocorre porque os empréstimos são casados
com operações de captação e, mesmo que o cliente
antecipe o pagamento, a instituição permanece obrigar a pagar
os mesmos juros a quem oferta os recursos. O senador Arthur Virgílio
(PSDB-AM) salientou que o tema precisa ser aprofundado pela comissão,
sem "emocionalismos". Reconheceu que há necessidade de correções
a respeito das tarifas, mas aproveitou para destacar a importância do
sistema bancário para o desenvolvimento do país.
Sobre comentário do presidente da Febraban de que as receitas de tarifas
estão se mantendo estáveis quando confrontadas com o conjunto
das receitas totais, na faixa de 30%, o senador Antonio Carlos Júnior
(DEM-BA) observou que o dado confirma a elevação dos ganhos em
serviços, já que a arrecadação acompanhou a "vigorosa" trajetória
das operações de crédito- Fábio Barbosa informou
que, de 2001 a agosto de 2007, o crédito cresceu 154%, frente a uma
evolução de 90% no PIB nominal do país.
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AGÊNCIA DIAP, 17 de outubro de 2007
MOVIMENTO SINDICAL
Contribuição assistencial às
centrais sindicais pode ser reavaliada, afirma MTE
O ministro do Trabalho e Emprego (MTE) Carlos Lupi, acompanhado de presidentes
das principais centrais sindicais como a CUT, UGT, CGTB e a Força Sindical,
foram recebidos, nesta terça-feira, 16/10, pelo presidente do Tribunal
Superior do Trabalho (TST), ministro Rider Nogueira de Brito. Na pauta do encontro,
que contou ainda com o colegiado do TST, a importância de alterar o enunciado
do Precedente Normativo (PN)119, que dispõe sobre a contribuição
assistencial dos trabalhadores às centrais sindicais.
O texto do PN 119 diz que o recolhimento da contribuição assistencial
só pode ser realizado com os trabalhadores sindicalizados. As centrais
sindicais reivindicam mudanças, alegando que, já que todos os
trabalhadores são beneficiados quando ocorre um acordo coletivo, todos
devem contribuir.
Fiscalização
O Ministério Público Federal fiscaliza e multa as entidades sindicais
que realizam a cobrança de trabalhadores não filiados ao sindicato
de sua categoria, embasado no dispositivo 119.
Para o ministro Lupi, a norma pode inviabilizar a atuação do
sistema sindical. O ministro destacou ainda o papel independente do Poder Judiciário,
mas pediu que o Colegiado se sensibilizasse com o problema e revisse o texto
do PN 119, apoiando assim, não somente a atuação sindical,
mas também o trabalhador brasileiro na luta por seus direitos trabalhistas.
A decisão de mudança cabe ao colegiado do TST. (Com informações
do MTE)
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AGÊNCIA
DIAP, 17 de outubro de 2007
PLENÁRIO DO SENADO
Senadores retomam ritmo normal de votação
e decidem priorizar reforma política
Com a saída de Renan Calheiros
da Presidência do Senado, o plenário da Casa voltou ao
ritmo normal de deliberações nesta terça-feira,
16/10. A sessão de ontem foi bastante produtiva. Foram aprovadas
17 mensagens da Presidência da República com indicações
de nomes para agências reguladoras, embaixadas e outros órgãos
e instituições.
Para hoje, 17/10, há acordo para votação de dois projetos
de lei de conversão - o PLV 30/07, proveniente da Medida Provisória
381/07, e o PLV 31/07, originado da MP 383/07 - que abrem créditos extraordinários
a diversos órgãos do Executivo (R$ 6,32 bilhões e R$ 1,195
bilhão, respectivamente), além de um terceiro, o PLV 32/07 (proveniente
da MP 384/07), que cria o Programa Nacional de Segurança com Cidadania
(Pronasci).
Há ainda acordo para apreciação, nesta quarta-feira, do
substitutivo da Câmara dos Deputados ao Projeto de Lei do Senado (PLS)
5/04, que dispõe sobre o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino
Superior (Fies), com o objetivo de instituir uma forma especial de amortização
das prestações mediante prestação de serviço
social. O projeto tramita em regime de urgência.
Reforma política
Pelo acordo da reunião
de líderes, também ficou decidido incluir, na ordem
do dia desta semana, duas propostas de emenda à Constituição
que tratam da reforma política: a PEC 23/2007, do senador
Marco Maciel (DEM/PE), que altera os artigos 17 e 55 da Constituição
para assegurar aos partidos a titularidade dos mandatos parlamentares
- já chamada de "PEC da fidelidade partidária" -
, e a PEC 29/2007, do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB/PE), que admite
coligações eleitorais apenas nas eleições
majoritárias.
Entretanto, diante da impossibilidade
de se chegar a um entendimento quanto à votação
das medidas provisórias previstas para ontem, a apreciação
dessas PEC’s deve ficar para a semana que vem. (Viviane Ponte
Sena, com Agência Senado)
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO (ON LINE), 17 de outubro de 2007
FMI reduz para 4% projeção
de crescimento do Brasil
da BBC Brasil
O Fundo Monetário Internacional
(FMI) prevê que a economia brasileira crescerá 4% em 2008.
A cifra representa uma revisão
para baixo de 0,2 ponto percentual, em relação à estimativa
atualizada pelo Fundo em julho deste ano.
O Fundo não alterou, porém,
a sua projeção de crescimento de 4,4% para o Brasil neste
ano. O índice é idêntico ao divulgado em abril.
Os dados constam dos capítulos
iniciais do relatório Panorama Econômico Mundial, lançado
pelo FMI nesta quarta-feira.
A estimativa de crescimento para
a economia brasileira é uma das baixas entre os países
latino-americanos, embora toda a região tenha tido suas projeções
de crescimento revistas para baixo.
De acordo com o FMI, o país
fica aquém da Argentina (cuja projeção é de
7,5% para 2007 e 5,5%, em 2008), Chile (5,9% para 2007 e 5% para 2008),
Colômbia (6,6% para 2007 e 4,8% para 2008), Peru (7% para 2007
e 6% para 2008) e Venezuela (8% para 2007 e 6% para 2008).
Entre os latino-americanos, o
Brasil supera apenas o Equador (2,7% para 2007 e 3,4% para 2008) e o
México (2,9% para 2007 e 3% para 2008).
A previsão do FMI para
o crescimento do Uruguai neste ano, de 5,2%, também supera a do
Brasil. Mas a estimativa do país para 2008 ficou um pouco abaixo
da brasileira, em 3,8%.
O Fundo estima um crescimento
para a região compreendida pela América do Sul e o México
de 4,9% para 2007 e de 4,2% para 2008.
A perspectiva de crescimento
para toda a região das Américas é de 5% em 2007
e de 4,3% em 2008 - uma redução em comparação
com o crescimento registrado no continente americano em 2006, de 5,5%.
Apesar do desempenho econômico
algo tímido, a estimativa de inflação para o Brasil
não está entre as mais elevadas da região. As projeções
são de 3,6% para 2007 e 3,9% para 2008.
Neste quesito, o Brasil é superado
com folga pela Venezuela, cuja projeção é de 18%
para 2007 e de 19% para 2008, e pela Argentina, para quem o Fundo estima
uma taxa inflacionária de 9,5% e 12,6%.
De acordo com o relatório
do FMI, a possível redução do crescimento econômico
da região se deve ao impacto da desaceleração econômica
nos Estados Unidos e os efeitos que esta teve, em especial, sobre o México
e os países da América Central.
O texto afirma que o "crescimento
está ganhando fôlego no Brasil, em resposta a políticas
monetárias mais flexíveis, após a inflação
ter sido limitada às projeções do Banco Central,
mas há expectativas de uma desaceleração em 2008".
O FMI comenta que a crise do
setor imobiliário americano e a decorrente crise nos mercados
financeiros mundiais tiveram um efeito relativamente limitado na América
Latina.
Mas acrescenta que um enfraquecimento
ainda maior da economia dos Estados Unidos poderia reduzir a demanda
por exportações latino-americanas.
O FMI observa ainda que, em uma
perspectiva de longo prazo, a atual expansão latino-americana é a
mais longa desde os anos 60 e que o crescimento sustentável ajudou
a reduzir as vulnerabilidades externas na região.
O Fundo adverte, no entanto,
que "a região segue na parte de baixo na liga do crescimento
mundial e que os governos deveriam tirar proveito das atuais condições
para implementar reformas necessárias para possibilitar crescimento
mais rápido em investimento e produtividade".
Entre os entraves a um
melhor desempenho na região, segundo o FMI estão a ineficiência
dos setores públicos, escassa infra-estrutura e elevadas desigualdades
de renda.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO (ON LINE), 17 de outubro de 2007 | Dinheiro
Indústria de eletrônicos
abre quase 10 mil vagas em oito meses
da Folha Online
Levantamento da Abinee (Associação
Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) aponta
que as indústrias do setor de eletroeletrônico abriram 9.940
vagas diretas nos primeiros oito meses deste ano, de janeiro agosto.
Com isso, chega 152.800 o total de trabalhadores no setor.
Em relação a dezembro
do ano passado, quando estavam registrados 142.860 empregos diretos,
o crescimento é de 6,96%. No mês de agosto, foram contratados
460 trabalhadores.
O levantamento da Abinee constatou
que as áreas que mais contrataram em agosto foram as de utilidades
domésticas, equipamentos industriais e automação
industrial.
Segundo o presidente da Abinee,
Humberto Barbato, o número de empregados registrado até agosto
já se aproximou das expectativas iniciais para o ano de 2007 (153
mil). "Este número seria maior ainda se segmentos importantes
como telecomunicações e geração de energia
elétrica estivessem trabalhando em sua plenitude", diz.
Apesar disso, Barbato acredita
que o setor encerrará o ano empregando cerca de 155 mil pessoas.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO (ON LINE), 17 de outubro de 2007 | Brasil
Câmara deve fechar contrato
de R$ 200 mi com Caixa e BB
da Folha de S.Paulo, em Brasília
A Câmara deve fechar nesta
semana contrato em torno de R$ 200 milhões para manter até 2011
na Caixa Econômica Federal e no Banco do Brasil a sua folha de
pessoal, que reúne cerca de 14.600 funcionários e movimenta
em torno de R$ 160 milhões ao mês.
Com o dinheiro que receberá dos
bancos, a Casa vai dar início à construção
de mais dois prédios anexos, um para abrigar mais gabinetes de
deputados e outro para sediar a sua biblioteca.
O arquiteto Oscar Niemeyer, que
completa 100 anos em 15 de dezembro, já foi contratado para apresentar
o projeto dos dois novos prédios. Ele é o projetista dos
principais prédios de Brasília, incluindo o Congresso.
Com a construção
do novo prédio, haverá 570 gabinetes de 62 m2-hoje, os
gabinetes têm 42 m2. Os 57 gabinetes extras serviriam como uma "reserva" para
a eventualidade de o número de parlamentares aumentar.
A "venda" da
folha de pessoal para a Caixa e para o BB vem sendo negociada há alguns
meses pelo presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Hoje,
os bancos administram a folha sem custo. Como forma de pressão,
Chinaglia ameaçou fazer um leilão público da folha
entre todos os bancos. O leilão da folha vem sendo usado nos últimos
anos como fonte de recursos de administrações públicas.
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Agência Diap, 17 de
outubro de 2007
MUNDO DO TRABALHO
Centrais sindicais: acordo transfere
votação do projeto para próxima semana
O vice-líder do Governo,
deputado Henrique Fontana (PT/RS) informou que os líderes fecharam
acordo, em reunião encerrada agora no final da tarde de hoje,
16, para votar nesta quarta-feira, 17, a Proposta de Emenda à Constituição
da Defensoria Pública (PEC 487/05) e o Projeto de Lei Complementar
(PLP) 1/03, que regulamenta a Emenda Constitucional 29/00.
O projeto tem o objetivo de garantir mais recursos para a saúde, além
de definir os gastos que podem ser considerados de ações ou de
serviços de saúde.
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT/SP), ainda pediu 24 horas
para tentar acordo com as lideranças do Senado que permita votar em
segundo turno a PEC do Voto Aberto (349/01). A proposta acaba com o voto secreto
nos legislativos federal, estadual e municipal.
Centrais e vereadores
Ficaram para a próxima
semana a PEC dos Vereadores (333/04), que define o número de
vereadores de acordo com a população do município;
e a regulamentação das centrais sindicais (PLs 386/07,
1.990/07 e outros).
Com o projeto, as centrais sindicais poderão passar a receber parte
dos recursos arrecadados do imposto sindical e poderão, também,
ingressar com ações na Justiça, acelerando o andamento
de processos de interesse dos trabalhadores.
Hoje, os deputados votarão somente a MP 386/07, que concede aumento
de subsídio, entre 21% e 28%, para policiais federais. Com esta votação,
os deputados destravam a pauta, bloqueada pela medida provisória. (Marcos
Verlaine)
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Diário Vermelho, 17
de outubro de 2007
Regulamentação das
centrais: CUT cobra mais mudanças
A regulamentação
das centrais sindicais – PL 1.990/07 - pode ser votada nesta terça-feira
(16) pelos deputados no Plenário da Câmara. O projeto, que
tramita no Congresso em caráter de urgência constitucional,
permite que as centrais representem os trabalhadores na Justiça
e recebam parte do imposto sindical. As comissões de Finanças
e Tributação; e de Trabalho, de Administração
e Serviço já analisaram as propostas e optaram por um substitutivo
que aproveita quase integralmente o Projeto de Lei 1990/07, do Executivo.
Em setembro do ano passado, a Câmara
rejeitou a Medida Provisória 293/06, que legalizava as centrais
sindicais. A MP foi rejeitada porque os deputados consideraram que
o assunto, na época, dividia o movimento sindical, e necessitava
de um debate mais aprofundado.
Para Artur Henrique, presidente da CUT Nacional, o reconhecimento jurídico
das centrais é o primeiro passo importante para uma mudança na
estrutura sindical brasileira.
Propostas de mudanças
“ Nós temos hoje uma situação onde as centrais são
reconhecidas do ponto de vista político, mas não do ponto de vista
jurídico. Para o conjunto da classe trabalhadora isto tem uma importância
fundamental, pois as centrais passam a ter um papel de representar os interesses
gerais dos trabalhadores e não apenas de uma categoria isolada. Reafirmo
que é um primeiro passo porque ainda temos muito a avançar, principalmente,
em relação às medidas que consideramos fundamentais para
a mudança da estrutura sindical em nosso país", disse Artur.
Para ele são fundamentais quatro mudanças. Primeiro,
1) fim do imposto sindical - mesmo com o reconhecimento das centrais - no projeto
está colocado que uma parte do imposto sindical iria para as centrais
sindicais. A CUT continua lutando pelo fim do imposto, que é, na nossa
opinião, uma forma de manter algumas entidades sindicais presas ou acomodadas,
sem fazer sindicalização, associação e tudo o mais.
2) organização por local de trabalho – queremos garantia
na lei de que os trabalhadores possam se organizar a partir do local de trabalho
em seus sindicatos, especialmente, garantindo que nós possamos estar
dentro dos locais de trabalho organizando os trabalhadores e não como
acontece hoje da porta pra fora.
3) legislação contra os atos anti-sindicais - é preciso
dar um fim aos atos anti-sindicais que ainda são patrocinados no Brasil
por empresários, por setores empresariais que continuam a perseguir
dirigentes sindicais, não permitem a liberdade de associação,
montam seus sindicatos etc.
4) fim da unicidade sindical – trata-se de uma bandeira histórica
da CUT. O fim da unicidade possibilita que os trabalhadores decidam sobre as
formas de organização de suas entidades, livremente, ou seja,
eles decidem se será sindicato único, se vai ser mais do que
um, enfim, eles decidem e não uma lei que impõe a unicidade como
acontece hoje no Brasil.
" Esses elementos são fundamentais para uma mudança na estrutura
sindical cujo primeiro passo está sendo dado agora com o reconhecimento
das centrais e esperamos que avance para os outros pontos que temos levantado”,
concluiu Artur.
Expectativa
Denise Motta Dau, secretária nacional de Organização da
CUT, diz que “a CUT tem uma grande expectativa na votação
prevista para esta terça-feira. Esperamos que o PL 1.990/07 – de
reconhecimento das centrais - seja aprovado na Câmara e imediatamente
encaminhado ao Senado, onde também seja aprovado e retorne à Câmara
para efetivamente ser promulgado pelo presidente. A CUT espera isso porque
em todo o debate do Fórum Nacional do Trabalho sobre uma reforma sindical
democrática conseguimos elaborar uma proposta bastante importante sobre
o tema, que abrange diversos aspectos das relações de trabalho
e do direito da liberdade organização sindical e esta proposta
ficou encalhada no Congresso Nacional, devido a toda a crise que o Congresso
atravessou, especialmente, a Câmara. Então nós os trabalhadores
esperamos que desta vez não sejamos novamente prejudicados por uma crise
política que venha barrar a tramitação de projetos importantes
para classe trabalhadora. Nesse momento esperamos agilidade do Congresso Nacional
e sensibilidade pra aprovar o PL 1.990, que é parte, na verdade, uma
pequena parte de uma reforma sindical democrática, pois a reforma sindical
que queremos é bem mais ampla”, reitera a secretária.
Para Rosane Silva, secretaria nacional de Política Sindical da CUT, “o
reconhecimento das centrais é parte de um processo inconcluso. A legalização
das centrais é um avanço para a organização da
classe trabalhadora. No entanto, ainda persistem alguns aspectos negativos
da legislação vigente, a exemplo da não aceitação
do empresariado da organização no local de trabalho e por parte
do movimento sindical em exigir a manutenção do imposto sindical”.
Na avaliação da secretária, o sentido mais importante
da legalização da central sindical é o reconhecimento
da sua representatividade para negociar e firmar acordos coletivos nacionais
para o conjunto da classe trabalhadora e não apenas para uma categoria.
Porém, o atrativo do recebimento do imposto sindical pode provocar uma
corrida pela formação de diversas e pequenas centrais sindicais,
sem representação política real, reproduzindo a lógica
das confederações oficiais e dos sindicatos cartoriais. A CUT
nasceu rompendo com a estrutura sindical vigente e condenando o financiamento
do sindicalismo por meio de taxas compulsórias. Esse tipo de tributação
dos trabalhadores desdobra-se em fragilização dos laços
de solidariedade de classe e na perpetuação de sindicatos cartoriais,
sem representatividade”.
Pauta trancada e pressão
Antes de votar as matérias previstas, no entanto, o Plenário
deve liberar a pauta, trancada pela Medida Provisória 386/07, que concede
aumento de subsídio, entre 21% e 28%, para policiais federais. A MP
representa a segunda parcela do aumento concedido pelo governo no ano passado.
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, tem reclamado dos sucessivos
trancamentos de pauta por MPs e já adiantou que quer discutir com os
líderes mudanças nas regras de tramitação das MPs
no Congresso.
Uma grande delegação CUTista composta por dirigentes e militantes
sindicais de vários estados está em Brasília, para pressionar
pela rápida votação do projeto que reconhece as centrais
sindicais.
Parte dessa delegação também fará pressão
dentro da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço
Público (CTASP) da Câmara, no dia 17 (quarta-feira), para que
o projeto do deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP), que limita o direito de
greve dos servidores públicos não seja aprovado.
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Agência Diap, 17 de outubro de 2007
LEGISLAÇÃO TRABALHISTA
Grupo que estuda nova redação
da CLT inicia atividades, divulga MTE
Será realizada nesta
terça-feira, dia16, em Brasília, a primeira reunião
do grupo de estudo do Ministério do Trabalho e Emprego
(MTE) que irá elaborar um anteprojeto de lei com atualizações
na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A equipe
foi criada em 10 de outubro, por meio de uma portaria do ministro
Carlos Lupi, e durante o encontro vai estabelecer um cronograma
de atividades.
O grupo é coordenado pelo secretário de Relações
do Trabalho, Luiz Antônio de Medeiros. O secretário garantiu que
o Ministério pretende somente atualizar a redação da CLT,
retirando dispositivos que caducaram nos últimos anos, sem comprometer
os direitos trabalhistas.
" Um dos pontos que devemos abolir é o que trata da Comissão
do Enquadramento Sindical, órgão que antes da Constituição
de 1988 tinha atribuições esclarecer dúvidas sobre enquadramento
sindical. Ela continua em vigor na legislação, embora já tenha
sido extinta", explicou Medeiros.
De acordo com o secretário, outra questão a ser analisada pelo
grupo é a ampliação do espaço de negociação
entre empregados e patrões, a exemplo da Portaria 412, de 21 de setembro
de 2007. Ela estabelece que as empresas com jornada de trabalho nos regimes
de turnos ininterruptos de revezamento só poderão alterar os
horários de trabalho por meio de convenção ou acordo coletivo.
Desde que assumiu o cargo, o ministro Carlos Lupi tem assegurado que os direitos
conquistados pelos trabalhadores serão mantidos na CLT. "A licença-maternidade,
as férias remuneradas e 13º salário são resultado
de anos de luta e, para nós, são sagrados", afirmou. (Marcos
Verlaine, com MTE)
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Agência Diap, 17 de
outubro de 2007
REMUNERAÇÃO DO TRABALHADOR
Negociações salariais
retratam o bom momento do movimento sindical, revela pesquisa do
Dieese
Com início em 2004, o
movimento sindical brasileiro atravessa uma boa fase. Porém, os
resultados a partir desta data não devem ser as únicas
fontes de referência para analisar a prosperidade do sindicalismo
nacional. O momento atual, que se assemelha a uma época em que
os trabalhadores, por meio de suas entidades representativas ganharam
força, e aliando-se a sociedade em busca da redemocratização
do país se fortaleceu. Mas anos após a redemocratização
se enfraquece, em função do ingresso do Brasil na política
neoliberal, cujo início se deu nos anos 90.
Mas a ascendência do movimento
ainda deve ser observada com cautela, apesar de as pesquisas recentes
mostrarem que as superações estão em franco andamento,
o movimento não deve cantar vitória, pois o jogo ainda
está no primeiro tempo.
A prova de que o movimento iniciou
o seu resgate nas lutas em prol dos trabalhadores, são os ganhos
nas negociações salariais. A pesquisa analisada mostra
que em 2007, graças ao razoável desempenho da economia
brasileira, a estabilidade da economia mundial e ao controle da inflação,
os trabalhadores obtiveram o melhor resultado com relação às
negociações coletivas. No primeiro semestre de 2007, 97,1%
dos trabalhadores conseguiram recompor as perdas salariais acumuladas
desde a última data-base, com reajustes salariais iguais ou superiores à variação
dos percentuais INPC-IBGE. Desses, 88% registram ganhos reais em suas
negociações.
Em 2003, apenas 16,8% dos trabalhadores
registraram reajustes acima do Índice Nacional de Preços
ao Consumidor (INPC) medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE). Nos anos anteriores, o maior registro foi
de 56,1% em 1996. Os dados são do Sistema de Acompanhamento de
Salários do Departamento Intersindical de Estatísticas
e Estudos Socioeconômicos (SAS-Dieese).
Entre os ganhos reais dos trabalhadores,
apenas 20% das negociações registradas entre janeiro e
junho do corrente ano conquistaram ganhos superiores a 2%. Entre os demais
trabalhadores vale a pena ressaltar que, 35% obtiveram índices
de ganhos reais acima de 1%, tendo como base o INPC-IBGE.
Acordos e convenções
A demonstração
de que o movimento sindical está em um momento ascendente, é que,
as convenções coletivas de trabalho foram o carro chefe,
no que diz respeito ao ganho dos trabalhadores nas suas negociações
salariais. A Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) é o
resultado das negociações entre as entidades representativas
dos trabalhadores e as entidades que representam os patrões. Essas
negociações somaram 85% do total de instrumentos analisados.
Das convenções
coletivas, 88% dos acordos foram superiores ao INPC-IBGE. Iguais ao índice
apenas 8,8%. Já as negociações que não corresponderam
nem mesmo ao repasse do índice foram apenas 2,9%.
Nos acordos coletivos de trabalho
(ACT), que são o resultado das negociações dos representantes
dos trabalhadores diretamente com os patrões, apenas 82,9% dos
reajustes foram acima dos INPC-IBGE. Neste caso, os reajustes que se
igualaram ao índice somam 14,6% das negociações.
Mais um dado favorável
ao trabalhador é a queda de uma negociação que dividia,
durante meses, os ganhos dos trabalhadores nos acordos e convenções.
Essa abertura nas negociações vem caindo desde 2003, quando
em 30% das negociações era utilizada essa ferramenta. O
fato demonstra que, além da força dos trabalhadores por
meio de suas entidades representativas, a economia estável e a
inflação baixa e controlada contribuem para que a efetivação
das negociações seja imediata.
Outro dado satisfatório é a
queda da utilização do abono salarial. Esse recurso não
assegura ao trabalhador a garantia permanente do aumento no salário,
o que significa que, a qualquer momento, a empresa poderá extrair
de sua folha de pagamento o valor correspondente ao abono. Em 1999 esse
recurso foi utilizado em 17% das negociações. Neste primeiro
semestre essa porcentagem ficou em 5%, número que se repetiu nos
dois últimos anos.
Setores
A indústria foi a que
mais se beneficiou neste primeiro semestre de 2007. No setor as negociações
que ficaram abaixo do INPC-IBGE não chegam a 1%. Enquanto 70%
das negociações asseguraram o patamar superior a 1% e 28%
em mais de 2% e 17%, em mais de 3%. Aqueles obtiveram reajuste no índice
foram 6,3%.
No comércio, os resultados
das negociações acima dos índices foram 81,8%. Desse
montante no setor, nenhum resultado foi superior a 3% do índice.
Os reajustes acima, ficaram fixados nos 2%. O setor registrou o maior
percentual de negociações abaixo do INPC-IBGE, 6,8%.
No setor de serviços,
84,8% registraram negociações acima dos índices,
das quais 50%
os estipularam em até 1%; 43%, entre 1 e 3%, e 7%, acima de 3%. Neste
setor 12% das negociações fixaram seus reajustes apenas no INPC-IBGE,
e 3,2% ficaram abaixo dos índices.
Regiões
Surpreendentemente a região
que concentra o maior número de industrias do País, o Sudeste,
foi a que apresentou o menor índice de reajustes acima da inflação.
A porcentagem das negociações que foram acima do INPC-IBGE
chegou a 82,4%, aquelas que ficaram abaixo do índice somam 5,5%
do total de negociações pesquisadas.
O Norte apresentou o melhor índice
de reajuste acima do INPC, 91,3% das negociações, nenhum
dos reajustes ficou abaixo do índice. Além do Sudeste,
que registrou reajustes inferior ao INPC-IBGE, as regiões Nordeste
e Sul também registraram negociações abaixo do índice,
3,1% e 1,3%, respectivamente. (André Santos)
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Folha de São Paulo,
17 de outubro de 2007
TSE decide que fidelidade vale para
todos os cargos
Mandatos de presidente, senadores, governadores
e prefeitos são do partido, diz tribunal | Votação
segue o que havia sido imposto pelo STF aos políticos eleitos
em sistema proporcional; não se sabe a data de início
da nova regra

Ueslei Marcelino/Folha Imagem Ministros do TSE na sessão que decidiu
sobre fidelidade partidária para cargos majoritários
SILVANA DE FREITAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral)
decidiu estender a senadores, governadores, prefeitos e presidente da
República a regra da fidelidade partidária de deputados
e vereadores, pela qual quem troca de partido após as eleições
perde o mandato. A decisão teve apoio unânime dos sete ministros.
Ao confirmar deliberação
anterior do TSE contra o troca-troca na Câmara, no último
dia 4, o STF (Supremo Tribunal Federal) abriu o caminho para a aplicação
desse entendimento a todos os políticos, porque ressaltou a
importância do partido para todas as candidaturas, tanto no sistema
proporcional quanto no majoritário.
Ontem, os ministros do TSE deixaram em aberto a data a partir da qual essa
decisão será válida. Ela poderá ser fixada pelo
próprio TSE, na próxima semana, quando irá aprovar a resolução
que definirá o rito dos processos de perda do mandato contra cada político,
que irão tramitar na Justiça Eleitoral. Há duas possibilidades
para a definição da data: ontem ou 27 de março.
Em 27 de março, os ministros do TSE aprovaram a regra da fidelidade
partidária dos eleitos em sistema proporcional -deputados federais,
estaduais e vereadores.
No dia 4, os ministros do STF ratificaram essa decisão, mas livraram
da perda do mandato quem trocou de partido antes da data da manifestação
do TSE. Aos que mudaram depois, o STF assegurou a possibilidade de responder
a processo específico no TSE, com amplo direito de defesa.
Quando receberem recursos contra a nova deliberação do TSE para
cargos majoritários, os ministros do STF deverão confirmá-la.
Como no caso de deputados e vereadores, a determinação de ontem
do TSE terá apenas caráter administrativo e revelará a
orientação do tribunal sobre a fidelidade, mas não será aplicada
imediatamente a nenhum caso concreto.
A resolução a ser aprovada pelo TSE terá de assegurar
ao político processado o direito a ampla defesa. Ele poderá alegar
dois motivos da troca de partido para se livrar da punição: perseguição
política interna e descumprimento pelo partido de seu programa.
No julgamento de casos concretos, a Justiça Eleitoral deverá esclarecer
dúvidas como, por exemplo, se a regra da fidelidade deve ser aplicada
a vice-prefeitos, vice-governadores e vice-presidente da República.
Outra questão incerta é se o vice de outro partido deve assumir
a vaga do titular que foi cassado depois que trocou de legenda.O TSE apreciou
ontem consulta do deputado Nilson Mourão (PT-AC), que perguntou: "os
partidos e coligações têm o direito de preservar a vaga
obtida pelo sistema eleitoral majoritário, quando houver pedido de cancelamento
de filiação ou de transferência do candidato eleito por
um partido para outra legenda?"
A expectativa de Marco Aurélio Mello, presidente do TSE, é que
cada processo dure em torno de 60 dias. O político que for alvo de decisão
da Justiça Eleitoral pela perda do mandato poderá em tese recorrer
ao STF alegando violação de norma da Constituição,
como direito de defesa.
Relator da consulta, o ministro Carlos Ayres Britto afirmou ontem: "A
soberania do voto popular é exercitada para sufragar candidatos partidários,
não candidatos avulsos."
Já o ministro Caputo Bastos declarou: "Acusa-se o TSE de estar
legislando. O tribunal definitivamente não faz aquilo que não
está sob a sua competência constitucional. Apenas responde a consultas
feitas, porque não pode deixá-las sem resposta."
Último a votar, o presidente do TSE afirmou que o "número
do candidato [nas eleições majoritárias] é o número
da sigla partidária". Para Marco Aurélio Mello, isso cria
um "elo inafastável durante o mandato entre o candidato e o partido." A
posição dele já era esperada. Nos últimos dias, ele
deu declarações defendendo essa tese.
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Folha de São Paulo,
17 de outubro de 2007
Para Lula, Senado precisa ser "sério" e
aprovar a CPMF
Na África, presidente mostra preocupação
com votação de emenda e exige fidelidade de parlamentares
da base aliada | Sobre a sucessão na Casa, presidente
afirma que o comando é direito do PMDB e que acredita
na volta de Renan Calheiros ao cargo
FÁBIO ZANINI
ENVIADO ESPECIAL A BRAZZAVILLE (CONGO)
No segundo dia de visita à África, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva exigiu dos senadores a aprovação da emenda que
prorroga a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira). Ele ainda passou recados à Casa, dizendo que a presidência
do Senado é direito do PMDB e que crê na volta de Renan Calheiros
(PMDB-AL) ao cargo.
Em Brazzaville, capital da República do Congo (África central),
Lula cobrou "seriedade" dos senadores. "Só queria que
os senadores, em vez de pensar em si próprios ou nos seus partidos,
pensassem no momento auspicioso que vive o Brasil e que tentassem contribuir
para que continue sua trajetória de desenvolvimento."
Segundo Lula, "sairá caro se a CPMF não for aprovada". "Espero
que na hora que algum senador votar contra diga onde vamos arrumar R$ 40 bilhões
para fazer o que precisa fazer. É só isso que quero: seriedade."
Ele mandou ainda em público o recado que já havia transmitido
em privado a líderes partidários, de que não vai tolerar
pedidos de cargos durante o trâmite da emenda. "Não acho
que seja correto em cada votação as pessoas apresentarem uma
pauta de reivindicação. Na hora de votação, não
tem negociação", disse Lula, pouco antes de almoçar
com o presidente local, Denis Sassou-Nguesso.
Ao contrário de viagens recentes, em que se mostra contrariado ao abordar
temas domésticos, Lula fez questão de falar sobre a CPMF. E exigiu
ainda fidelidade da base. "Ou nós temos uma base aliada construída
em cima de pontos que nós assumimos, ou não temos base aliada",
afirmou.
O tempo do governo é exíguo.
Precisa aprovar a emenda até 31 de dezembro, para não correr
o risco de perder a receita anual de R$ 40 bilhões.Lula lembrou
que a maioria dos senadores já votou pela prorrogação
da CPMF no passado.
" Acho importante que todo mundo releia discursos de quatro ou oito anos
atrás e mantenha a posição." Lula omitiu, porém,
que ele próprio e seu partido também mudaram de posição:
eram radicalmente contra a contribuição.
Ele descartou dividir receita com Estados e municípios e vislumbrou
um futuro em que o tributo não seja necessário.
Renan
Lula cobrou também
um "processo de discussão política no Senado",
para resolver a paralisia em que se encontra a instituição
por conta das denúncias contra Renan.
Um dia após dizer que "nada muda" com a saída de Renan,
Lula disse crer que ele vai reassumir. "Renan apenas pediu uma licença
de 45 dias. Voltar ele vai, obviamente." Para o presidente, as chances
de o PT manter a presidência do Senado são nulas. "O PMDB,
como maior partido no Senado, tem o direito de ter a presidência."
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JORNAL GAZETA DO POVO, 17
de outubro de 2007 | Mundo
Economia Mundial
Pela primeira vez, Brasil investe
mais do que recebe do exterior
País perde cinco posições
no ranking dos maiores receptores de investimentos
Genebra, Suiça – Apesar
de ter recebido quase US$ 19 bilhões em investimento estrangeiro
direto (IED) em 2006, com aumento de 25% em relação ao
ano anterior, o Brasil caiu no ranking dos maiores receptores do mundo – da
14.ª para a 19.ª colocação.
A informação faz
parte do relatório anual sobre investimentos da Conferência
das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento
(Unctad), divulgado ontem em Genebra.
Pelo terceiro ano consecutivo,
o investimento estrangeiro direto no mundo teve crescimento em 2006.
Chegou a US$ 1,3 trilhão, ficando perto do recorde registrado
em 2000, quando atingiu a marca de US$ 1,4 tri.
De acordo com o relatório
da Unctad, o aumento do IED em termos globais foi de 38% em relação
a 2005. Na América Latina, o crescimento foi bem mais baixo, de
11%. O Brasil saiu do patamar de US$ 15,1 bilhões de 2005 e chegou
a US$ 18,8 bi, praticamente empatando na liderança do continente
com o México, que recebeu US$ 19 bi, pouco menos que os US$ 19,7
bi do ano anterior.
No ranking global, entretanto,
o Brasil perdeu cinco posições, ficando em 19.º lugar
entre os maiores receptores de IED do mundo. No ranking anterior, divulgado
pela Unctad em outubro de 2005, o país já havia caído
quatro posições.
O relatório destaca ainda
que pela primeira vez na história o fluxo de investimento brasileiro
no exterior foi maior que o recebido, atingindo a marca de US$ 28 bi.
Em grande parte, isso foi resultado
da compra da mineradora canadense Inco pela Vale do Rio Doce, em outubro
do ano passado, na maior aquisição já realizada
por uma empresa latino-americana.
Outro fator destacado pelo
relatório é a crescente importância dos fundos
de investimento na economia mundial. Em 2006, segundo a Unctad, esses
fundos participaram de fusões e aquisições de
empresas estrangeiras no total de US$ 158 bi – aumento de 18%
em relação a 2005.

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JORNAL GAZETA DO POVO, 17
de outubro de 2007 | Economia
Crédito Imobiliário
Financiamento tem novo recorde
São Paulo – Os recursos
de poupança destinados ao crédito imobiliário voltaram
a bater recorde em setembro, com a concessão de R$ 1,85 bilhão – volume
137% maior que o registrado no mesmo mês do ano passado, informou
nesta terça-feira a Associação Brasileira das Entidades
de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).
O número surpreendeu o
diretor-geral da Abecip, Osvaldo Fonseca, por ter superado a cifra de
empréstimos para o setor de habitação em agosto,
quando foi concedido R$ 1,8 bilhão. Segundo Fonseca, agosto costuma
ser um mês de demanda mais pesada do que setembro.
No acumulado dos nove meses do
ano, o crédito imobiliário com recursos da poupança
soma R$ 12,18 bilhões.
“Não dá nem
para saber exatamente de onde vem essa oscilação. É surpreendente
e o volume de lançamentos maior talvez seja o norte para isso”,
disse Fonseca, acrescentando que o pico no ano deve vir em dezembro,
mês em que o 13.º salário e as férias incentivam
novas compras de moradia em todo o país.
O resultado de setembro representa
quase cinco vezes o volume de crédito imobiliário com recursos
da poupança concedido em janeiro deste ano, segundo o diretor-geral
da Abecip.
Em número de unidades,
18.170 imóveis foram financiados em setembro, levando o acumulado
do ano a 135.363 – número 65% maior que nos primeiros nove
meses do ano passado.
A captação
líquida de recursos por intermédio dos depósitos
de poupança também teve desempenho positivo, conforme
a entidade. Os depósitos superaram os saques em mais de R$ 3,42
bilhões (maior saldo neste ano), elevando a captação
no período compreendido entre janeiro e setembro de 2007 para
quase R$ 14,8 bilhões.
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CONSULTOR JURÍDICO,
17 de outubro de 2007
Registro sindical
Sindicato protesta contra processo
de revisão de registro
O presidente do Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de
São Paulo (Simpi), Joseph Couri, enviou ofício ao ministro do
Trabalho, Carlos Lupi, no qual alerta para “uma barbaridade jurídica
que o Ministério pode cometer se cassar o registro sindical da entidade”.
Couri protesta contra o secretário de Relações do Trabalho
do Ministério, Luiz Antônio de Medeiros, que abriu processo para
reexaminar o registro sindical concedido ao Simpi desde janeiro de 2005.
O Simpi está em meio a
uma batalha jurídica com a Federação das Indústrias
de São Paulo (Fiesp), que recentemente tentou expulsar a entidade
de seu quadro de filiados. A pretensão foi afastada pelo Tribunal
Superior do Trabalho.
O sindicato protocolou recurso
no Ministério do Trabalho e Emprego protestando contra o reexame
do seu registro sindical. Couri e seu advogado, José Francisco
Siqueira Neto, contestam o principal argumento usado por Luiz Antônio
de Medeiros para tentar cassar o registro: a de que micro e pequena indústria
não seria categoria econômica e não caberia no caso
representação sindical. Para o Simpi, essa questão
já foi superada e a representação sindical da entidade
já é fato incontestável.
Com base na lei 9.784/99 e no
artigo 93 da Constituição Federal, o Simpi argumenta que
não pode prosperar a possibilidade de revisão da concessão,
por ausência de fundamentação legal. Observa ainda
que, antes do registro sindical, sua representatividade foi reconhecida
em acordo feito com a Fiesp e homologado pelo Tribunal de Justiça
de São Paulo em 1994. E acrescenta: “foi justamente por
decisão do Poder Judiciário homologada há mais de
uma década, que foi reconhecida a representação
do Simpi. Isso contraria o argumento levantado agora pelo secretário
Luiz Medeiros”.
A entidade ressalta que, no pedido
de registro sindical, a inexistência de categoria econômica
já foi levantada, sendo afastada pela Consultoria Jurídica
35/2000. De acordo com o parecer, o documento citado pela Secretaria
de Relações de Trabalho na época, para tentar contrariar
a concessão do registro, “referia-se à inexistência
de categoria econômica no caso de entidade sindical de empregadores
doméstico, e não se aplica ao caso em tela”.
O parecer 35/2000 cita ainda
outras decisões que asseguram a questão da representatividade
de sindicatos de micro e pequenas empresas e os considera categoria econômica
legítima. Observa, por exemplo, que a Justiça não
reconheceu qualquer irregularidade na constituição do sindicato.
O mesmo parecer conclui que não se vislumbra negar pedido de registro
sindical em virtude de representação da categoria, que
já foi definida como diferenciada pelo Poder Judiciário.
Diante disso, o recurso
apresentado pelo Simpi solicita a reconsideração da decisão
do secretário de Relações do Trabalho, “para
se assegurar a coisa julgada, o ato jurídico perfeito e a segurança
jurídica”. Caso isso não aconteça, Couri
pede a suspensão do processo até decisão final,
tendo em vista que o procedimento iniciado pelo secretário de
relações do trabalho pode causar prejuízos ao
sindicato.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
17/10/2007
Extinção de dissídio
coletivo suspende ação de cumprimento de reajuste
O Tribunal Superior do Trabalho
concedeu liminar para suspender, em ação trabalhista, o
pagamento de a valores decorrentes de dissídio coletivo que havia
sido extinto sem julgamento do mérito. A decisão, adotada
por unanimidade pela Seção Especializada em Dissídios
Individuais (SDI-2), decorreu de mandado de segurança em que a
Hidroservice Engenharia e outras empresas do grupo econômico Henry
Maksoud apelaram ao TST contra ato do juiz da 51ª Vara do Trabalho
de São Paulo.
O mandado se refere a processo
no qual a Hidroservice foi condenada em ação trabalhista
no Estado de São Paulo. Dispensado após 11 anos de contrato,
um ex-engenheiro da empresa ajuizou reclamação em que pleiteava
o pagamento de diferenças salariais a que teria direito –a
maior das quais parte referia-se a reajustes previstos em acordo coletivo
firmado com o Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo,
que deixaram de ser aplicados pela empresa durante quatro anos seguidos.
Na fase de execução,
a empresa impetrou o mandado de segurança defendendo a extinção
do processo no tocante às parcelas decorrentes do dissídio
coletivo, tendo em vista que o TST havia decretado sua extinção
sem julgamento do mérito, por não terem as partes cumprido
a exigência legal de negociação prévia.
O pedido foi inicialmente
rejeitado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região
(SP), o que levou a empresa a interpor recurso ao TST, insistindo na
suspensão parcial da execução. Entre os fundamentos
para acatar o pedido de liminar, a juíza cita a Orientação
Jurisprudencial 277 da SDI-1 do TST, segundo a qual, modificada a sentença
normativa pelo TST com a conseqüente extinção do
processo sem julgamento do mérito, deve-se extinguir a execução
em andamento, uma vez que a norma sobre a qual se apoiava deixou de
existir. A juíza conclui que, havendo a sentença normativa
(decisão em dissídio coletivo) desaparecido do mundo
jurídico, a solução não é o prosseguimento
da execução e o ajuizamento de ação rescisória,
mas sim a sua extinção. (ROMS 10796/2006-000-02-00.1)
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17/10/2007
Empregada demitida durante gravidez recebe
indenização
Em observância à Súmula
244 do Tribunal Superior do Trabalho, e tendo como relatora a juíza
convocada Kátia Magalhães Arruda, a Quinta Turma do TST
determinou o pagamento de parcela indenizatória, referente ao
período da estabilidade-gestante, a empregada da Associação
dos Moradores do Recreio Santista, demitida, sem justa causa, durante
o período gravídico.
A empregada foi admitida em abril
de 2004 como trabalhadora braçal, e o registro na carteira de
trabalho foi feito no mesmo dia. A Associação, embora ciente
da gravidez da empregada, demitiu-a sem justa causa em novembro de 2004,
quando esta se encontrava no quarto mês de gestação.
De acordo com o Ato das Disposições Constitucionais Transitórias
(ADCT, artigo 10, inciso II, “b”), a empregada não
poderia ter sido demitida nesse estado, pois tinha direito à estabilidade
provisória desde o início da gestação até o
término da licença maternidade de 120 dias.
A empregada ajuizou ação
pleiteando salários do período, 13º, férias
proporcionais, FGTS e salário-família. O pedido foi deferido
apenas parcialmente pela Vara do Trabalho de Itanhaém (SP), que
limitou o direito à indenização ao período
compreendido entre a data do ajuizamento da ação trabalhista
e o final da estabilidade-gestante. Insatisfeita, a trabalhadora recorreu
ao Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas),
que negou provimento ao recurso ordinário por entender que o empregador
só teve conhecimento da gravidez após o término
da estabilidade.
Na interposição
do recurso de revista ao TST, a empregada requereu a indenização
da estabilidade-gestante desde a dispensa até o fim do período
da estabilidade, em setembro de 2005. A Quinta Turma acolheu o recurso
por contrariedade ao ADCT e determinou o pagamento de parcela indenizatória
conforme pedido pela trabalhadora. (RR 1634/2005-064-15-00.4)
(Lourdes Côrtes)
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17/10/2007
Trabalhador horista recebe adicional de
horas extras
É devido apenas o adicional
de horas extras quando o empregado horista extrapola sua jornada normal.
Com esse entendimento, a Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho
restabeleceu sentença da Vara do Trabalho de Araucária
(PR), por considerar que as horas trabalhadas após a oitava foram
pagas de forma simples, sendo devido apenas o adicional ao pintor horista.
O ajudante de serviços
gerais, depois pintor, foi contratado pela Dagranja Agroindustrial Ltda.
em junho de 1996 e demitido em setembro de 1998, quando recebia R$ 1,42
por hora. Informou que cumpria jornada das 7h30 às 19h30 ou mais,
de segunda a segunda-feira, sem qualquer folga semanal, além de
trabalhar em feriados.
Na ação trabalhista,
pleiteou adicional de periculosidade e, entre outras verbas, o pagamento
de três horas e meia como extraordinárias, em média,
por dia. A sobrejornada, segundo ele, não havia sido paga ou o
pagamento tinha sido insuficiente.
Em audiência de conciliação
e instrução, o trabalhador reconheceu a fidelidade das
jornadas marcadas nos cartões de ponto. Com essa informação,
a juíza da Vara de Araucária julgou que o empregado tinha
direito apenas ao adicional de horas extras, por considerar que o trabalhador
recebia salário-hora e as horas trabalhadas após a oitava
diária já haviam sido pagas como normais.
Ambas as partes recorreram ao
Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (PR), que reformou
a sentença para determinar que as horas extras fossem apuradas
integralmente, e não apenas pago o adicional. O TRT entendeu que
os comprovantes de pagamento revelavam que o valor mensal recebido correspondia
ao trabalho normal e não incluía o serviço extraordinário.
No recurso de revista ao TST,
a empresa buscou modificar a decisão e o conseguiu parcialmente.
Em seu voto, o ministro Lelio Bentes Corrêa, relator da revista,
aplicou entendimento adotado em circunstâncias similares, de empregados
remunerados por comissão e por produção, aos quais
se reconheceu o direito apenas ao adicional de horas extras pelo serviço
extraordinário, conforme jurisprudência do TST. (RR-1.623/1999-654-09-00.5)
(Lourdes Tavares)
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16/10/2007
Centrais sindicais levam ao TST preocupações sobre taxa assistencial
Um grupo de dirigentes das principais
centrais sindicais do País - Nova Central Sindical de Trabalhadores
(NCST), União Geral dos Trabalhadores (UGT), Força Sindical,
Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e Central Única
dos Trabalhadores (CUT) -, acompanhado do ministro de Estado do Trabalho
e Emprego, Carlos Lupi, esteve hoje (16) no Tribunal Superior do Trabalho
para manifestar sua preocupação quanto à inexigibilidade
da cobrança da contribuição assistencial de trabalhadores
não sindicalizados. As entidades defendem a contribuição
obrigatória, extensiva a todos os trabalhadores das categorias
representadas pelos sindicatos, e sua principal alegação é que
as negociações e acordos coletivos beneficiam a todos,
independentemente de filiação.
O ministro do Trabalho foi recebido
pelo presidente do TST, ministro Rider Nogueira de Brito, pelo procurador-geral
do Trabalho, Otávio Brito Lopes (foto) e por vários ministros
do Tribunal. Introduzindo a comitiva, Carlos Lupi ressaltou que a convivência
e a harmonia entre os Poderes da República permitiam que ele,
na condição de ministro do Trabalho e Emprego, trouxesse “as
angústias das lideranças sindicais para colocá-las
com singeleza e humildade” perante os integrantes do TST. Nas exposições,
os dirigentes afirmaram que a limitação da cobrança
da taxa aos associados causa a “asfixia financeira” das entidades,
pois se trata do mais importante sistema de financiamento dos sindicatos.
As centrais sindicais pediram
que o TST estude a possibilidade de revisão do Precedente Normativo
nº 119, da Seção Especializada em Dissídios
Coletivos (SDC). O precedente considera que as cláusulas de acordos,
convenções coletivas ou sentenças normativas que
obrigam trabalhadores não sindicalizados ao recolhimento de taxas
confederativas ou assistenciais ofendem o direito de livre associação
e sindicalização garantido pela Constituição
Federal e, com base nele, alguns sindicatos têm sido acionados
judicialmente para devolver valores descontados a este título
nessas condições.
O ministro Rider de Brito, ao
receber os representantes dos trabalhadores, garantiu que o fazia com
satisfação e movido pelo desejo de colaboração.
Ao fim das exposições, disse ao ministro do Trabalho e
aos integrantes do grupo que as propostas apresentadas por escrito tramitarão
na Comissão de Jurisprudência e Precedentes Normativos do
TST, a quem compete a iniciativa de propor revisão de súmulas
e precedentes. O ministro lembrou que a jurisprudência do Tribunal
em relação ao tema (o Precedente Normativo nº 119
foi aprovado em 1998) foi uma reação a abusos muitas vezes
cometidos pelos sindicatos, mas que o TST rediscutirá o assunto. “O
juiz que não for permeável a argumentos não deve
ser juiz”, observou. “Isso é tudo o que posso prometer.
E reafirmo que o TST é a casa dos trabalhadores, e aqui debatemos
com seriedade seus anseios, ainda que não possamos atender a todos”,
concluiu.

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