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Agência Câmara,
18 de outubro de 2007
Câmara aprova a legalização
das centrais sindicais
Gilberto Nascimento

Deputados aprovaram exigência de autorização do trabalhador
para desconto do imposto sindical.
O Plenário aprovou na
noite desta quarta-feira (17/10) o Projeto de Lei 1990/07, do Poder Executivo,
que reconhece as centrais sindicais como entidades de representação
geral dos trabalhadores, especificando atribuições, prerrogativas
e critérios para sua participação em fóruns
e conselhos públicos. A matéria será enviada ao
Senado. Na votação nominal mais significativa do dia, foi
aprovada, por 215 votos a 161 e 7 abstenções, emenda do
deputado Augusto Carvalho (PPS-DF) que exige autorização
do trabalhador para o desconto em folha de pagamentos do imposto sindical.
O projeto legitima a representatividade
das centrais e é resultado de um acordo delas com o governo. Caberá às
centrais participar de negociações em fóruns, colegiados
de órgãos públicos e outros nos quais estejam em
discussão assuntos de interesse geral dos trabalhadores.
Para o relator da matéria
pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço
Público, deputado Vicentinho (PT-SP), embora a proposta caminhe
no sentido defendido por ele, de autonomia das centrais, a aprovação
da emenda de Augusto Carvalho quebra o acordo feito por elas com o governo.
Divisão
de recursos
O projeto prevê que, em decorrência do reconhecimento das centrais
sindicais como órgãos de representação, elas participarão
também da repartição dos recursos arrecadados com a contribuição
sindical dos trabalhadores. O dinheiro sairá da chamada "conta
especial emprego e salário", administrada pelo Ministério
do Trabalho e sustentada pela arrecadação do imposto sindical.
Metade dos 20% da contribuição
paga pelos trabalhadores e atribuídos atualmente a essa conta
será destinada às centrais. Em relação à contribuição
sindical de responsabilidade dos empregadores, não há mudanças.
Se não houver sindicato,
o montante de 60% da arrecadação da contribuição,
tanto dos trabalhadores como dos empregadores, ficará com a federação
correspondente à mesma categoria econômica ou profissional.
Ainda dentro desta hipótese, as cotas das federações
(15%) e confederações (5%) ficarão com a confederação.
Fiscalização
do TCU
Outra emenda incluída no projeto, de autoria do líder do PSDB,
deputado Antonio Carlos Pannunzio (SP), inclui explicitamente na lei a prerrogativa
do Tribunal de Contas da União (TCU) de fiscalizar os recursos do imposto
sindical direcionados às centrais sindicais.
Vicentinho havia se pronunciado
contra a emenda e destacou que o dinheiro alocado às centrais
por meio do projeto será bem fiscalizado pelos trabalhadores. "Os
sindicatos são obrigados a prestar contas todos os anos aos
trabalhadores, e o dinheiro do imposto sindical é também
dinheiro dos trabalhadores", disse.
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UOL, 18 de outubro de 2007
Senado aprova incentivo à ampliação
da licença-maternidade para seis meses
Da Redação
Em São Paulo
A CDH (Comissão de Direitos
Humanos e Legislação Participativa) do Senado aprovou nesta
quinta-feira o Programa Empresa Cidadã, que prevê a ampliação
da licença-maternidade de quatro para seis meses. A decisão é válida
para trabalhadoras de empresas privadas que aderirem ao projeto. A adesão é facultativa,
tanto para a empresa quanto para a trabalhadora.
O projeto prolonga de 120 para
180 dias a licença-maternidade, permitindo que mãe e filho
convivam por mais tempo. O objetivo do projeto é destacar a importância
do vínculo entre a mãe e o bebê, garantindo a amamentação
nesses seis meses. Nos primeiros meses de vida do bebê, o leite
materno funciona também como uma espécie de vacina para
vários tipos de doença comuns no período.
Segundo a proposta, o salário
dos dois meses excedentes seria pago pelas empresas, e não pela
Previdência Social. A idéia é não sobrecarregar
o INSS, que já gasta por ano cerca de 1 bilhão de reais
para manter em casa mulheres que acabaram de dar à luz.
O empregador, por sua vez, terá isenção
total no Imposto de Renda do valor pago às trabalhadoras nos dois
meses a mais de licença.
O projeto foi aprovado por unanimidade
e em decisão terminativa, ou seja, segue agora diretamente para
votação na Câmara dos Deputados, sem precisar passar
pelo plenário do Senado. Se aprovada, bastará a sanção
do presidente.
Foram aprovadas cinco emendas
ao texto, entre as quais a que inclui entre as beneficiárias a
trabalhadora que é mãe adotante.
Durante a sessão, a senadora
Patrícia Saboya (PDT-CE), autora do projeto de lei 281/05, que
trata da ampliação, disse que a renúncia fiscal
seria de cerca de R$ 500 milhões, devido à dedução
do IR, caso o projeto seja sancionado.
Entretanto, a senadora argumentou
que a importância da convivência integral entre mãe
e filho nos primeiros meses de vida da criança e o aleitamento
materno para prevenção de doenças justificariam
a cifra.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO (ON LINE), 18 de outubro de 2007
Brasil é emergente com umas
das menores taxas de investimento
IRACEMA SODRÉ
da BBC Brasil, em Londres
A taxa de investimento fixo no
Brasil, que mede os recursos direcionados à compra de bens como
máquinas, equipamentos e instalações, é uma
das mais baixas entre as economias emergentes, segundo números
divulgados nesta semana pela Economist Intelligence Unit (EIU).
A taxa deve ficar em 17,7% do
PIB em 2007, segundo as projeções da consultoria britânica.
O número é o melhor dos últimos 11 anos por uma
pequena margem, de acordo com o levantamento histórico da EIU,
mas ainda está longe do patamar previsto para este ano em outras
economias emergentes.
China (42,3%) e Índia
(31,8%), por exemplo, viram os investimentos fixos aumentarem em cerca
de 10 pontos percentuais na última década. Na Rússia,
os números seguem um padrão parecido com o do Brasil, mas
a projeção para 2007, de 19,6%, é levemente mais
robusta. Entre os países da América Latina, o Brasil fica
atrás de Argentina (23,9%), México (21,4%) e Chile (21%),
entre outros.
O levantamento da Economist Intelligence
Unit --uma série de projeções para a economia global
nos próximos cinco anos, divulgado mensalmente-- leva em consideração
os dados de investimento fixo em 145 países, e o Brasil ocupa
a 122ª posição. No topo da lista, estão Lesoto
(45,9%), Qatar (43,5%) e China. Líbia (8,9%) e Costa do Marfim
(8,6%) ocupam as últimas colocações.
Crescimento
"Taxas mais altas de investimento
fixo seriam benéficas para o crescimento brasileiro, mas o nível
baixo deste tipo de investimento hoje no país ainda é um
legado da instabilidade econômica, que só foi retificada
recentemente", disse à BBC Brasil Justine Thody, diretora
regional para América Latina da EIU.
"Além disso, ainda
há o conhecido 'custo Brasil' e a questão do preço
e da qualidade da infra-estrutura no país. O Brasil tem muito
trabalho pela frente, mas a situação já está melhorando
e os investimentos devem subir constantemente no médio prazo."
O relatório da Economist
Intelligence Unit prevê também que a economia brasileira
cresça, em média, 4% anualmente entre 2007 e 2012, ainda
abaixo de muitos outros emergentes, especialmente na Ásia.
Haveria espaço para uma
revisão para cima desta projeção devido a bons números
sobre a economia brasileira divulgados no país, mas a EIU acredita
que as turbulências deste ano no mercado financeiro global levantam
riscos para o Brasil, que ainda tem uma dívida pública
muito alta.
O relatório da consultoria
britânica aposta ainda que as taxas de juros devem cair dos atuais
11,25% para cerca de 9,25% até 2012, o que funcionaria como um
incentivo ao investimento e ao consumo no Brasil.
Segundo a EIU, o cenário
para as exportações brasileiras também é positivo. "O
crescimento real das exportações, que desacelerou fortemente
em 2006, já se recuperou substancialmente apesar da moeda forte
e deve aumentar ainda mais", diz o relatório.
"As exportações
estão sendo alavancadas pela forte capacidade de expansão
no setor de commodities agrícolas e pelo fato de que muitos
empresários estão usando a força da moeda brasileira
para comprar bens de investimento no exterior e expandir seu estoque
de capital. Isso vai ajudar a contrabalançar o impacto negativo
do forte real na competitividade."
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO (ON LINE), 18 de outubro de 2007 | Brasil
Vice retoma Constituinte para reformas
tributária e política
da Folha de S.Paulo, em Brasília
da Folha de S.Paulo
O presidente em exercício,
José Alencar, disse ontem que entre as propostas em estudo pelo
governo está a de convocar uma Assembléia Constituinte
para deliberar sobre as reformas tributária e política.
Alencar discursava em um seminário
para investidores, quando foi questionado sobre o sistema tributário,
definido por ele como um "cipoal burocrático". Foi quando
admitiu que o governo examina sugestões sobre convocação
de uma assembléia constituinte exclusiva.
"Estamos também examinando
determinadas sugestões de que, para que se faça reforma
política e tributária em tempo hábil no Brasil,
talvez seja necessária a convocação de uma assembléia
constituinte exclusiva, que vai naturalmente trabalhar paralelamente
aos trabalhos do Congresso Nacional", afirmou. "Daí a
razão pela qual temos confiança absoluta de que estamos
chegando ao fim do período de sistema tributário complicado."
A defesa de Alencar ecoa uma
proposta que foi defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da
Silva em 2006. Durante a campanha presidencial, Lula debateu a idéia
com representantes da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). O então
presidente da OAB, Roberto Busato, chegou a apoiar o projeto.
No dia 3 de agosto de 2006, Lula
classificou de "genial" a proposta, que foi criticada pela
oposição e especialistas. O resultado foi que o Conselho
Federal da OAB rejeitou o tema.
No dia 8 de agosto, o Palácio
do Planalto recuou publicamente e defendeu que a reforma fosse realizada
pelos próprios deputados e senadores.
Este ano, no entanto, o
projeto voltou a ser uma bandeira no 3º Congresso Nacional do
PT, realizado no fim de agosto e começo de setembro. A proposta
de convocação de uma Assembléia Constituinte para
reforma política foi aprovada. "A reforma política
não pode ser um debate restrito ao Congresso Nacional, que já demonstrou
ser incapaz de aprovar medidas que prejudiquem os interesses estabelecidos
de seus integrantes", diz o trecho da emenda.
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ÂMBITO JURÍDICO,
18 de outubro de 2007
Aprovada na Câmara emenda que
acaba com obrigatoriedade da contribuição sindical
O plenário da Câmara aprovou há pouco emenda que acaba
com a obrigatoriedade da contribuição sindical pelos trabalhadores.
A emenda, de autoria do deputado Augusto Carvalho (PPS-DF), ao projeto de lei
que regulamenta as centrais sindicais, foi aprovada por 215 votos a favor,
161 contrários e sete abstenções.
A oposição comemorou
a aprovação da emenda, pela qual o desconto da contribuição
sindical – equivalente ao salário de um dia de trabalho,
no mês de março de cada ano – só poderá ser
feito pelo empregador com autorização individual de cada
empregado.
"Essa emenda praticamente
acaba com os sindicatos", reagiu o presidente da Força Sindical,
deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP).
A maioria dos líderes
partidários fez encaminhamento favorável à aprovação
da emenda. Liberaram as bancadas o bloco PMDB/PSC/PTC, o PR e o PP. Já o
PT, o bloco PSB/PDT/PCdoB e o PV encaminharam votação contra
a emenda. A favor da proposta encaminharam o DEM, o PSDB, o PTB, o PPS
e o P-Sol.
Outra emenda da oposição
aprovada em votação nominal na noite de hoje (17) obriga
as centrais sindicais a prestarem contas ao Tribunal de Contas da União
(TCU).
Concluída a votação,
o projeto segue agora para apreciação no Senado.
Iolando Lourenço
Fonte: ABr
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ÂMBITO JURÍDICO,
18 de outubro de 2007
Empresa de transporte interestadual
deve reservar vagas gratuitas para os idosos
A 6ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1)
determinou à empresa de execução do serviço de
transporte interestadual de passageiros que reserve, por veículo, duas
vagas gratuitas, além de oferecer os assentos com 50% (cinqüenta
por cento) de desconto mínimo, àqueles que comprovarem renda
mensal igual ou inferior a dois salários mínimos.
A empresa recusou-se a emitir
bilhetes de viagem a idosos, descumprindo o disposto no art. 40, I e
II, da Lei 10.741/2003 e o estipulado no Decreto 5.934/2006, que determinou,
em seu art. 3º, caput, fossem reservadas duas vagas gratuitas em
cada veículo a idosos com renda igual ou inferior a dois salários
mínimos nos serviços de transporte interestadual de passageiros
e, no art. 4º, caput, fossem oferecidos, aos outros idosos que apresentassem
a mesma condição de renda, os demais assentos do veículo
com desconto mínimo de 50% (cinqüenta por cento). Alegou
que o benefício tem natureza assistencial e que a criação
de benefícios securitários ou tarifários deve ser
precedida de previsão legal da origem dos recursos, pois a concessão
do benefício aos idosos provocaria desequilíbrio econômico-financeiro
do contrato de concessão de serviço público celebrado
com a Administração.
De acordo com a Agência
Nacional de Transporte Terrestre, a ANTT, existe regulamento (art. 9º do
Decreto 5.934/2006 e a Resolução da ANTT nº 1.692,
de 24.10.2006, art. 8º, caput) para a convocação da
empresa concessionária ou permissionária a apresentar a
documentação necessária à comprovação
do impacto do benefício no equilíbrio econômico-financeiro
do contrato, possibilitando, assim, se necessária, a revisão
da planilha de custos, para que seja adequada à nova realidade.
A relatora, desembargadora federal
Isabel Gallotti, esclareceu primeiramente que, caso o benefício
concedido aos idosos resulte comprovadamente em desequilíbrio
econômico-financeiro dos contratos, haverá como recompor
o contrato de concessão ou, em outro caso, de permissão.
Nada obsta, segundo a desembargadora, que seja revista a política
tarifária pelo poder concedente. Legítima, pois, a prerrogativa;
isso, entretanto, não faculta ao concessionário o descumprimento
de norma legal regularmente emanada e destinada a se aplicar a todo o
setor de transportes interestaduais.
Ressaltou ainda a relatora que
o art. 40 da Lei 10.741/2003, ao fazer menção à legislação
específica, não se refere à lei em sentido formal,
bastando, para sua aplicabilidade, a expedição de decreto,
o que já foi feito pelo Poder Executivo (cf. Decretos 5130/04,
5.155/04 e 5.934/06). A relatora fez ainda registrar decisão,
favorável a ANTT, do Supremo Tribunal Federal, na voz do ministro
Gilmar Mendes, na Suspensão de Segurança nº 3.052,
concluída nos seguintes termos: "Assim, dada a natureza do
interesse que se pretende proteger, verifico que se encontra devidamente
demonstrada a grave lesão à ordem pública, considerada
a perspectiva da ordem jurídico-constitucional, ante o dever e
a necessidade de concretização dos direitos e garantias
fundamentais previstos na Constituição da República,
notadamente o dever de o Estado amparar o idoso economicamente hipossuficiente."
AG 2007.01.00.003048-6/DF
Marília Maciel Costa
Fonte: TRF1
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Agência Câmara,
18 de outubro de 2007
Centrais precisarão ter no mínimo
100 sindicatos filiados
Segundo o projeto aprovado nesta quarta-feira (PL 1990/07), para exercer as
prerrogativas de representação e negociação as
centrais sindicais deverão cumprir requisitos mínimos de filiação:
cem sindicatos filiados nas cinco regiões do País; 20 sindicatos
filiados em cada uma de pelo menos três regiões do Brasil; filiação
de sindicatos em, no mínimo, cinco setores de atividade econômica;
e filiação de sindicatos que representem, no mínimo, 7%
do total de empregados sindicalizados em âmbito nacional. Os deputados
retiraram, do texto, a possibilidade de as centrais sindicais somarem os índices
de sindicalização dos sindicatos a elas filiados para cumprirem
a exigência relativa a esses 7%.
Nos dois primeiros anos contados
da data de publicação da futura lei, esse índice
de 7% ficará reduzido a 5%. Ele será usado para calcular,
proporcionalmente, quantos representantes cada central sindical poderá indicar
para os fóruns tripartites. Outra possibilidade é a realização
de acordo entre as centrais para essas indicações, contanto
que não haja prejuízo a outras centrais que não
fizeram parte dele.
Caberá ao Ministério
do Trabalho, por meio de consulta às centrais, disciplinar os
procedimentos necessários à verificação dos
requisitos de representatividade. Além disso, o ministério
fará a divulgação anual daquelas que atendem aos
requisitos de enquadramento como centrais e de seus índices de
representatividade.
Adequação
financeira
O relator da matéria na Comissão de Finanças e Tributação,
deputado João Dado (PDT-SP), deverá apresentar emenda ao Orçamento
de 2008 para adequá-lo financeiramente à redução
de receita da União prevista pelo projeto. Segundo ele, a transferência
de receita às centrais prevista para 2008 é de cerca de R$ 80
mil, aumentando para R$ 94 mil em 2009 e R$ 103 mil em 2010. "Todas as
centrais sindicais estão unidas em torno desse projeto", afirmou.
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Folha de São Paulo, 18 de outubro de
2007
TRABALHO
Emenda poderá dificultar cobrança
de imposto sindical
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A Câmara aprovou ontem à noite o projeto de lei do governo que
legaliza as centrais sindicais e garante às entidades uma fatia do imposto
sindical. A partir de 2008, as centrais passarão a receber 10% do valor
arrecadado com a cobrança do imposto pago pelos trabalhadores.
Na votação, a oposição conseguiu aprovar uma mudança
que poderá dificultar o recolhimento do imposto, que hoje é descontado
direto na folha de pagamento.
Uma emenda do deputado Augusto Carvalho (PPS-DF) incluiu no texto que a partir
de agora será necessária a autorização do trabalhador
para o desconto do imposto sindical na folha.
Para sindicalistas, isso tornou optativo o pagamento do imposto. O deputado
federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), que é presidente da Força
Sindical, disse que isso acabará com os sindicatos, que perderão
sua maior forma de financiamento.
Com a legalização das centrais, a estimativa é que as
entidades ganhem um reforço de caixa de R$ 50 milhões a R$ 125
milhões por ano.
Pelas regras atuais, do total arrecadado com o imposto sindical (um dia de
salário do trabalhador) 20% vão para o governo.
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Agência Senado, 18 de Outubro de 2007
Projeto que regula contratos de
trabalhadores brasileiros no exterior está na pauta da
CRE
A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE)
reúne-se nesta quinta-feira (18) para analisar uma pauta de 15 itens.
Entre as proposições está o parecer do senador Jarbas
Vasconcelos (PMDB-PE) favorável à aprovação do
projeto de lei da Câmara que dispõe sobre contratos dos trabalhadores
que prestam serviço no exterior. O projeto propõe alterações à legislação
em vigor (Lei 7.064/82), que trata apenas dos empregados de empresas prestadores
de serviço da área de engenharia.
O projeto de lei da Câmara estende a aplicação das regras
da lei em vigor a todas as empresas que venham a contratar ou transferir trabalhadores
para prestar serviços no exterior. A regra geral para solucionar esses
conflitos de leis trabalhistas é a de que a relação jurídica é regida
pelas leis vigentes no país da prestação de serviços
e não no país onde é feita a contratação,
diz o parecer.
Jarbas Vasconcelos acrescenta ainda que a lei em vigor fixa, porém,
uma parcial exceção ao princípio da territorialidade,
deixando claro que se aplica aos contratos por ela regulados a legislação
do local da prestação de serviços, mas permite a aplicação
da legislação mais favorável.
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Diário Vermelho, 18 de outubro de 2007
Governo sugere isentar da CPMF
quem ganha até R$ 1.700
Para tentar atrair votos
na oposição, especialmente no PSDB, para aprovar
a prorrogação da Contribuição Provisória
sobre a Movimentação Financeira (CPMF), o líder
do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RO), sugeriu isentar
da cobrança do imposto as pessoas com rendimentos mensais
de até R$ 1.700.
A proposta foi apresentada por Jucá nas discussões de hoje (17)
com líderes partidários e integrantes do governo sobre a necessidade
dos parlamentares aprovarem até 31 de dezembro a prorrogação
da cobrança da CPMF até 2011, conforme o líder confirmou
após o encontro.
O líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), é autor de um projeto
de lei que está pronto para votação na Comissão
de Constituição e Justiça (CCJ), que isenta da cobrança
da CPMF pessoas com rendimentos de até R$ 1.200. Para facilitar um acordo,
Jucá propôs o aumento desse limite.
Na saída da mesma reunião, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP)
e o ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia,
disseram que a proposta do governo é isentar quem tem rendimento mensal
de até R$ 1.200. Jucá, no entanto, defende que existe margem
para aumentar esse valor.
Pela proposta, caso o trabalhador tenha uma conta corrente e uma caderneta
de poupança, os dois valores seriam somados e não poderiam ultrapassar
os R$ 1.700 para garantir a isenção.
" Este trabalhador já não paga o Imposto de Renda [Pessoa
Física] e não pagaria também a CPMF. É mais justo
que quem ganha mais pague mais e que não pague nada quem ganha pouco",
disse Raupp. De acordo com ele, a proposta "foi muito bem aceita" pelos
senadores.
O senador disse que a isenção beneficiaria 60% dos brasileiros
e representaria uma perda para os cofres da União de menos de R$ 1 bilhão. "O
Democratas e o PSDB ainda acham pouco. Eles querem que se avance um pouco mais
além desta proposta, e que se possa colocar, a partir do ano ano que
vem, um redutor [de alíquota para a CPMF], o que nós também
somos favoráveis", afirmou.
O líder do PMDB defendeu que para acelerar a tramitação
da proposta de redução progressiva da alíquota da CPMF,
o governo federal poderia enviar ao Congresso uma medida provisória
ou um projeto de lei que tramitaria em regime de urgência. Os senadores
já estão analisando um projeto de lei que propõe a redução
da alíquota da CPMF de 0,38% para 0,08% até 2015.
Raupp, que também é autor desse projeto, considera a segunda
alternativa [redução da alíquota] mais viável. "O
líder do governo, Romero Jucá, vai discutir com a equipe econômica
qual será o percentual, e a partir daí se decidirá se
será por projeto de lei ou medida provisória".
Qualquer que seja o instrumento para redução progressiva da alíquota,
o líder peemedebista acredita que há possibilidade de se aprovar
a matéria até dezembro deste ano, antes mesmo da votação
da proposta de emenda à Constituição que prorroga a cobrança
da CPMF.
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Congresso em Foco, 18 de
outubro de 2007
Novo governista, Paulinho ataca proposta
de reforma da Previdência

Líder de bloco governista na Câmara e presidente da Força
Sindical, Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) ataca proposta de reforma da Previdência
que prevê aposentadoria só após os 67 anos, diz que o governo
poderia abrir mão de toda a contribuição sindical e admite
que falta organização às centrais sindicais.
“Vamos
morrer todos antes da aposentaria”
Líder de bloco governista e presidente da Força Sindical, Paulinho
ataca proposta de reforma da Previdência e diz que falta organização
a centrais
Edson Sardinha
Crítico ferrenho do governo Lula até o início deste ano,
o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, converteu-se,
nos últimos meses, no principal interlocutor do Palácio do Planalto
com o movimento sindical. Líder da terceira maior bancada governista
na Câmara, o chamado bloquinho, composto por 75 deputados de seis partidos,
o pedetista paulista moderou o discurso oposicionista, embora não tenha
abandonado o tom ferino, para articular a aprovação de matérias
consideradas prioritárias pelas centrais sindicais.
“ Sou líder de um bloco da base governista, mas não sou do
governo. E o governo sabe disso”, avisa. Nesta entrevista exclusiva ao
Congresso em Foco, Paulinho ameaça endurecer novamente contra o Planalto
caso o governo decida enviar ao Congresso a proposta de reforma da Previdência,
ainda em discussão, que fixa em 67 anos, para os homens, a idade mínima
para a aposentadoria pelo INSS. De acordo com o modelo discutido, a regra valeria
apenas para os futuros contribuintes.
“ Aumentar para 67 anos combinado com o tempo de contribuição
de 40 anos? Isso significa que vamos morrer todos antes da aposentaria”,
critica. “Oficialmente, as pessoas vivem hoje até 72 anos. Você tem
que trabalhar com isso ao longo dos anos, não dá para trabalhar
com uma reforma assim”, emenda.
Segundo ele, o governo vai provar da oposição do movimento sindical
caso aposte na elevação da idade mínima para a aposentadoria
como forma de acertar as contas da Previdência. “Isso aí é a única
coisa que faz o peão brigar. É mais fácil tirar a mulher
do cara”, brinca.
Reconhecimento e recursos
Ontem à noite, o Plenário da Câmara aprovou a proposta
mais aguardada pelas centrais sindicais este ano: o projeto de lei que reconhece
legalmente essas entidades e destina a elas 10% dos recursos arrecadados com
a contribuição sindical. Com as mudanças, essas entidades
poderão acionar a Justiça em nome de seus filiados e receberão,
ao menos, R$ 50 milhões de repasse do governo federal por ano.
“ Até hoje as centrais sindicais são um punhado de companheiros
que se identificam ideologicamente, por amizade ou até para se proteger.
Não são uma coisa organizada. Não têm dinheiro”,
afirma Paulinho, como é mais conhecido. A proposta prevê que seja
repassada às entidades metade dos 20% que o Ministério do Trabalho
arrecada com o Imposto Sindical obrigatório.
“ Do nosso ponto de vista, o projeto repara em parte esse erro, 10% voltam
para a organização dos trabalhadores em nível nacional,
por centrais sindicais reconhecidas. Mas ainda ficam 10% para o governo. O certo
era ficar tudo para os trabalhadores. Ainda continua tendo um erro”, reclama
o líder do bloco integrado por PDT, PSB, PCdoB, PMN, PHS e PRB.
Há 13 anos no comando da Força Sindical, Paulinho diz que os
conflitos com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), historicamente
ligada ao PT do presidente Lula, ficaram no passado e que as entidades sindicais
brasileiras estão afinadas em torno de uma agenda em comum.
Trabalho decente
Após conseguirem tirar do papel a legalização das centrais
e a regulamentação da abertura do comércio aos domingos,
alvo de uma medida provisória, as centrais trabalham em outras duas
frentes: a promoção do chamado trabalho decente, com a redução
da jornada de trabalho, a regulamentação do serviço terceirizado,
o combate ao trabalho escravo e infantil e a redução da informalidade,
e o fim da contribuição sindical.
“ Quanto às contribuições, estamos propondo acabar
com o imposto sindical, com a contribuição assistencial, com a
contribuição confederativa, que são as três que existem
hoje. E criar apenas uma contribuição aprovada em assembléia,
descontada de todos os trabalhadores. Essa é uma discussão séria,
porque no modelo sindical do Brasil o sindicato representa uma categoria. Não é como
nos Estados Unidos, onde ele representa só os associados”, observa.
Reforma sindicalista
O deputado descarta a possibilidade de a atual legislatura votar a reforma
trabalhista e ressalta a necessidade de o Congresso reformular, antes, o modelo
sindical brasileiro. “Para ter reforma trabalhista, eu topo, desde que
tenha representação no local do trabalho, contribuições
resolvidas e contrato coletivo em nível nacional. Aí dá para
fazer e até abrir mão da CLT”, admite o presidente da Força
Sindical.
Como forma de ampliar a geração de empregos, Paulinho defende
a redução da jornada de trabalho e a desoneração
da folha de pagamento. “Nós estamos propondo tirar da folha de
pagamento a contribuição patronal da Previdência e passá-la
para o faturamento. Com isso, achamos que aumenta a formalidade”, afirma.
Marcas do passado
Metalúrgico como o presidente Lula, Paulinho traz na face, aos 51 anos,
as marcas de um confronto de um grupo de sindicalistas com a Polícia
Militar de São Paulo, ocorrido em 1996, durante uma manifestação.
O deputado, que teve de operar quatro vezes o nariz, ainda carrega 19 parafusos
e quatro placas de metal e silicone no rosto por causa dos ferimentos provocados
na época.
Candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Ciro Gomes (hoje
no PSB) em 2002, Paulo Pereira da Silva apoiou o seu colega de partido Cristovam
Buarque no primeiro turno da eleição do ano passado. No segundo
turno, entre Lula e Geraldo Alckmin (PSDB), Paulinho optou pelo tucano.
Leia, a seguir, os principais
trechos da entrevista concedida pelo deputado ao Congresso em Foco:
Congresso em Foco – A Câmara deve votar nos próximos
dias projeto de lei que reconhece legalmente as centrais sindicais e
prevê o repasse para elas de parte do imposto sindical. De que
forma essas medidas vão beneficiar os trabalhadores em geral?
Paulo Pereira da Silva – O governo Lula repara o erro que existia na
legislação de não permitir que as centrais sindicais pudessem
existir. O modelo de central sindical brasileiro é um modelo de confederação
em nível nacional, por setor de produção, federações,
por ramos de produção, e sindicato, por município. Essa é a
tal unicidade sindical que é defendida pela maior parte dos trabalhadores
nos sindicatos. Só que ela tem uma distorção, na medida
que organiza apenas setores de produção. E as centrais sindicais
organizam todos os trabalhadores. Você une todos os trabalhadores independentemente
da divisão. Então é a possibilidade de legalizar a central
sindical, de elas serem legítimas. Porque até agora elas eram
reconhecidas pelo povo, mas legalmente não poderiam existir.
O governo Lula repara um erro, então?
Repara, sim. Lá atrás, quando Getúlio Vargas fez a estrutura
sindical, a legislação trabalhista e o Ministério do Trabalho,
ele cometeu um erro grave, que talvez na época fosse justificável.
Pegou 20% do imposto sindical para dar para o Ministério do Trabalho.
O que é o imposto sindical? O imposto sindical foi feito para organizar
os trabalhadores, assim como o sistema S foi criado para treinar e qualificar
os trabalhadores. Mas ele se transformou na grande fonte de receita do patronato,
da estrutura sindical patronal. Você pode ver hoje que todas as federações
e confederações patronais têm prédios luxuosíssimos.
A maioria feita com esse dinheiro. E o imposto sindical, que é muito
menos que o sistema S, foi feito exclusivamente para organizar os trabalhadores.
Só que, erradamente, deu 20% para o governo. Do nosso ponto de vista,
o projeto repara em parte esse erro, 10% voltam para a organização
dos trabalhadores em nível nacional, por centrais sindicais reconhecidas.
Mas ainda ficam 10% para o governo. O certo era ficar tudo para os trabalhadores.
Ainda continua tendo um erro.
Mas o que é que vai mudar no papel das centrais para
o trabalhador?
Até hoje as centrais sindicais são um punhado de companheiros
que se identificam ideologicamente, por amizade ou até para se proteger.
Não são uma coisa organizada. Não têm dinheiro.
As contribuições são muito pequenas. Na Força Sindical,
por exemplo, a grande maioria dos sindicatos paga R$ 50 por mês, não
dá nem para pagar passagem de ônibus. A nossa organização é mais
ou menos isso. E, como não tem recurso, não tem como organizar
esses trabalhadores. Agora, com dinheiro, vamos poder nos organizar oficialmente.
Primeiro, que passamos a ser oficial. A estrutura máxima do sindicalismo
brasileiro tem as centrais sindicais. Então passa a ser uma representação
dentro de uma estrutura. Você pode agora legalmente juntar sindicatos
de metalúrgicos com químicos, de papeleiros, de funcionários
públicos. Você pode juntar todos os sindicatos numa mesma organização
e isso aumenta a força de negociação. Os trabalhadores
vão ganhar na medida que os sindicatos se juntam e aumentam a força
de negociação, de pressão. Não só sobre
o governo, mas também sobre o Congresso ou o empresariado. E, por último,
as centrais passam também a ter legitimidade para entrar com ações
no Supremo. Coisa que nós não tínhamos. Para entrar com
uma ação direta de inconstitucionalidade contra a CPMF, nós
tivemos que pegar uma confederação e dizer que ela é filiada à Força
Sindical. Nós poderemos também representar juridicamente os trabalhadores
com ação direta no Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Mas não há muita divisão entre as centrais
sindicais? Isso não enfraquece o movimento?
A relação dos dirigentes das centrais sindicais melhorou de um
tempo para cá. Força e CUT brigavam muito antigamente. Mas agora
a nossa relação é muito boa, preservando a independência.
Mas naquilo que interessa aos trabalhadores a gente pode se juntar. Foi assim
que conseguimos fazer uma política do salário mínimo,
que, independentemente do governo que entrar, terá que cumprir essa
lei que a gente aprovou, que é dar o aumento da inflação
mais o PIB de dois anos anteriores. Alguém pode dizer que é pouco.
Mas vou dar um exemplo clássico, as montadoras acabaram de dar 2,5%
para os trabalhadores, índice menor, portanto, que a gente conseguiu
para o salário mínimo. Nosso sindicato reprovou esse aumento,
mas a CUT aceitou. Você vê que tem briga. A CUT acabou de aprovar
um aumento que vai nos atrapalhar a vida, porque as montadoras nunca ganharam
tanto dinheiro na vida. E os sindicatos ligados à Força nas montadoras
reprovaram. Vai dar um problema para resolver essa questão.
Agora reconhecidas legalmente, as centrais sindicais já definiram
qual será a sua pauta prioritária?
Nós fizemos um seminário no começo do ano e fechamos um
documento comum das centrais. A primeira questão da pauta era legalizar
as questões sindicais. A segunda, resolver a questão do comércio
aos domingos. E nós conseguimos essas duas questões, que estão
na Câmara agora. Tinha mais dois pontos: trabalho decente – que
envolve regras para terceirização, cooperativa, redução
de jornada de trabalho e informalidade – e a questão das contribuições
sindicais. Nós queremos acabar com todas as contribuições
sindicais e criar apenas a contribuição negocial. Essas eram
as quatro questões principais para este ano. Nós já conseguimos
emplacar duas. E decidimos também que não adiantava fazer projeto
de lei. Ou a gente pegava projeto de lei que já estava bem avançado
aqui, ou a gente tentava transformar em medida provisória. Outra coisa,
a idéia é fatiar. Em vez de mandar um conjunto de propostas para
Casa, mandar uma por uma. As reformas sindical e trabalhista não funcionaram,
porque mandaram um pacote pra cá. A idéia é discutir proposta
por proposta, uma a uma. Pegamos a questão das centrais e resolvemos
com o governo. Pegamos a questão do comércio aos domingos e resolvemos
com o empresariado e o governo.
Em que consiste o “trabalho decente”?
No caso do trabalho decente, nós estamos em um processo de negociação.
Porque essa proposta vai envolver uma negociação com o governo
e com o empresariado. Com o governo, nós temos uma reunião com
o ministro (do Trabalho) Carlos Luppi já para tratar desse assunto.
Nós queremos que o ministro coordene uma negociação com
o empresariado. O que é o trabalho decente? O combate ao trabalho infantil,
ao trabalho escravo. Mas como é que se faz isso? Em São Paulo,
tem três grandes lojas que terceirizam sua produção. Mas
essa produção tem, por baixo, trabalho escravo de boliviano.
O ministério não tem que fiscalizar o boliviano que está lá sem
registro, ele tem que fiscalizar a empresa. Se ela está fazendo isso,
ela tem que pagar por isso. Temos que garantir as condições.
E os problemas da informalidade e da terceirização, como podem
ser resolvidos?
Nós estamos propondo tirar da folha de pagamento a contribuição
patronal da Previdência, e passá-la para o faturamento. Com isso,
achamos que aumenta a formalidade. Além disso, a terceirização
no Brasil virou um caos. Aqui o terceirizado é quase um cidadão
de segunda categoria, não tem direito a nada. Nós estamos propondo
que o terceirizado tenha os mesmos direitos, a mesma convenção
da categoria em que ele trabalha. Se ele está dentro de uma metalúrgica,
tem que ter a convenção dos metalúrgicos.
Quanto às contribuições, estamos propondo acabar com o
imposto sindical, com a contribuição assistencial, com a contribuição
confederativa, que são as três que existem hoje. E criar apenas
uma contribuição aprovada em assembléia, descontada de
todos os trabalhadores. Essa é uma discussão séria, porque
no modelo sindical do Brasil o sindicato representa uma categoria. Não é como
nos Estados Unidos, onde ele representa só os associados. Não
gostamos do modelo americano, porque lá 87% dos trabalhadores não
são associados e não têm direito nenhum. Estão completamente
abandonados. O sindicato dos americanos representa apenas 13% dos trabalhadores.
E esses têm todos os direitos. Achamos que o sindicato tem que representar
a categoria, e se representa e faz acordo para a categoria, tem que cobrar
uma taxa dela, descontando em folha de todo mundo que for beneficiado com esse
acordo. São essas as questões que a gente quer resolver ainda
este ano.
O senhor sente clima favorável para a aprovação
desse tipo de matéria no Congresso?
Eu acho que sim, nós estamos com um apoio favorável dentro do
governo. O presidente Lula tem dado respaldo a essas questões, tanto é que
editou as duas medidas provisórias que a gente negociou. Aqui na Casa,
com o Arlindo Chinaglia, já tivemos duas ou três reuniões
com essa mesma pauta. Ele está propondo fazer uma comissão geral
para que a Câmara pare e discuta essa questão do trabalho decente.
E vamos fazer uma marcha no final de novembro aqui em Brasília por essas
questões. E essa marcha pretende vir pra dentro da Casa discutir.
O repasse do imposto sindical para as centrais não
pode ser visto também como um “cala boca” do governo
para o movimento sindicalista?
Pelo contrário, você tem isso hoje em todo lugar do mundo. As
centrais são legalizadas e cobram de seus trabalhadores. Na Itália,
os trabalhadores se filiam não aos sindicatos, mas às centrais.
Quando ele entra na fábrica, escolhe em qual das três centrais
ele quer se filiar. Na Alemanha, também é assim. E lá na
Europa, qualquer central que trabalhe para o governo fazendo qualificação é paga
oficialmente. É lei isso. E ninguém diz que eles são bandidos.
Na medida que você organiza os trabalhadores, você tem mais força
de negociação independente de quem é o governo.
É possível dizer que, com mais dinheiro em
caixa, haverá uma tendência de as centrais endurecerem
com o governo e o empresariado?
Eu acho que nós da Força Sindical vamos continuar no mesmo ritmo,
independentemente de quem for o governo. Se o governo errar, a gente critica,
se acertar, a gente aplaude. Nós sempre fizemos isso. Fazíamos
isso no governo FHC e continuamos fazendo no governo Lula. Quem mais criticou
o governo nesse período? No ano passado, nós fizemos uma guerra
contra mudanças no FGTS. Não foi só a Força. Todo
mundo fez, porque o governo queria fazer aquele fundo e não dava garantia.
Na questão do salário mínimo, nós tínhamos
acordo com uma parte do governo, mas a equipe econômica era contra. Foi
uma derrota que a equipe econômica teve com o negócio do aumento.
Quanto às críticas à política econômica,
você pode pegar em todos os jornais, toda vez que o Copom se reuniu tem
crítica nossa e da CUT. E pesada. Quem mais critica somos nós.
As declarações mais duras somos nós que fazemos. Então
acho que nós vamos continuar fazendo isso. Quem faz oposição
são os partidos, as centrais têm a obrigação de
defender aquilo que está certo e criticar aquilo que está errado.
A discussão sobre a reforma sindical se arrasta há quatro
anos. Ela tem alguma chance de prosperar?
Nós estamos indo por parte. A reforma sindical previa contribuições
sindicais, negociação coletiva. Nós estamos querendo fazer
isso por parte. Isso com certeza está na nossa pauta. São pontos
que nós vamos fazer um por um, porque já descobrimos que não
adianta fazer um punhado. Então vamos fazer essa reforma sindical por
partes.
A reforma trabalhista seria da mesma forma, na seqüência?
A reforma trabalhista é uma questão muito complicada para nós.
Ela com certeza terá muitas dificuldades de passar na Casa. Enquanto
não tivermos um quadro claro da reforma sindical, não tem como
discutir a reforma trabalhista. Reforma sindical você organiza como no
futebol, arrumando primeiro as regras do jogo. Para ter reforma trabalhista,
eu topo, desde que tenha representação no local do trabalho,
contribuições resolvidas e contrato coletivo em nível
nacional. Aí dá para fazer e até abrir mão da CLT.
Na Europa você tem contrato coletivo, com direitos e deveres, em nível
nacional. Em todas as fábricas da Itália você tem representação
sindicato dentro delas. A maioria nem trabalha, fica lá só para
organizar trabalhadores. Aí dá.
Só assim o senhor apoiaria a reforma trabalhista?
Você vai abrir mão dos direitos? Como abrir mão disso em
um país pobre como o nosso, que tem até trabalho escravo ainda?
Você não pode abrir mão de reforma trabalhista em um país
pobre como o nosso.
Então a reforma trabalhista sequer será discutida
por esta legislatura?
Esquece. Pode ter uma atualização da CLT, uma discussão
de atualização. Até porque esta legislatura tem só mais
um ano e meio. Depois não tem mais nada. Depois vem a eleição
municipal e aí ninguém vota mais nada. Depois vem a presidencial
e aí acabou de vez. Se não aprovar até o meio do ano que
vem, não dá mais nada.
E a reforma da Previdência passa?
Do jeito que eles querem, não. A proposta que o Luiz Marinho está falando
não tem a menor chance de passar.
Quais são as principais “maldades” embutidas na reforma?
Primeiro, que seria uma reforma para quem vai começar a trabalhar. E é até justo
porque não mexe em ninguém que está nessa regra atual.
Mas a proposta é muito dura, aumentar para 67 anos combinado com o tempo
de contribuição de 40 anos? Isso significa que vamos morrer todos
antes da aposentaria. Oficialmente, as pessoas vivem hoje até 72 anos.
Você tem que trabalhar com isso ao longo dos anos, não dá para
trabalhar com uma reforma assim. Os meus anúncios do partido em São
Paulo estão falando disso, batendo duro nisso aí.
E a CUT tem se pronunciado nesse sentido?
Até agora não. Mas acho que eles não concordam, não.
As centrais não vão concordar com isso e eles vão ter
que recuar.
Mantida essa proposta de reforma, as centrais vão
pra rua protestar?
Com certeza, isso aí é a única coisa que faz o peão
brigar. É mais fácil tirar a mulher do cara (risos).
O senhor disse que a redução da jornada de
trabalho também está na pauta das centrais. Há clima
para esse tipo de mudança?
Está nessa pauta do trabalho decente, que a gente está querendo
levantar. Essa é uma possibilidade porque, no Brasil, em vez de estar
diminuindo, a jornada de trabalho está aumentando. No comércio
chega a 50 horas por semana. Nós achamos que se reduzirmos para 40 horas
de uma vez só, você cria dois milhões de emprego. Mas essa
redução a gente tem que combinar. Como pagar esse custo. A gente
tem defendido que tenha uma redução de imposto. Se a jornada
custa 10%, o governo poderia arcar com uma parte. Com isso a gente aumenta
o emprego e o governo arrecada de volta.
Mas não é uma proposta utópica hoje?
É mais difícil, mas bem combinada dentro do governo, acho que pode
caminhar.
Não é a hora de rever o sistema de contribuição
do chamado sistema S?
Vai ter até uma reunião no Rio sobre isso. Acho que está na
hora de a gente fazer ali uma administração tripartite, os trabalhadores
e o governo, como é em todos os fundos que têm dinheiro de trabalhador.
Essa é uma discussão que a gente quer fazer. Não acabar,
porque é uma coisa boa, mas do jeito que está hoje, só o
empresariado ganha com isso.
O bloco já está sinalizando uma aliança
para as eleições do ano que vem. Esse bloco se sustenta
até 2010, para as eleições presidenciais?
Estamos pensando só em 2008. O bloco foi feito quase que exclusivamente
para conseguir cargos na Mesa Diretora. E não deu certo. Nós
ficamos do mesmo tamanho que a gente era. Mas decidimos que deveríamos
ter uma atuação conjunta. Funcionou. Aí começamos
a discutir que esse bloco deveria atuar conjuntamente nas eleições
de 2008. Os partidos deveriam assumir. Cada partido está fazendo um
levantamento por estado de quais são as prefeituras em que vai disputar.
Vamos fazer todo um esforço para que naquela prefeitura que o partido
tal for mais forte os outros partidos o apóiem. Estamos fazendo isso
muito bem em São Paulo com o Márcio França (PSB). Se isso
funcionar em 2008, nós podemos começar a falar em 2010. Mas 2010
ainda está muito longe e falar nisso agora dá muito problema.
Falar disso agora compromete a unidade da base governista?
Cria muito problema interno. O lançamento que a gente fez em São
Paulo pegou mal aqui na Casa. Mas com o povo pegou bem. Teve pressão
generalizada. Você começa muito cedo a discussão de candidato
a presidente da República. Você expõe as pessoas e aí começa
a ter resistência e tal. É melhor não levantar isso agora.
Mas o senhor vê a possibilidade de o PT abrir mão
de ter candidato próprio em 2010?
Acho que não. Eu acho que o bloco tem que ter candidato. Tem vários
nomes muito bons. Pelo PDT, por exemplo, tem o Cristovam Buarque, o próprio
Carlos Luppi, que está crescendo muito, o Jefferson Peres. No PSB tem
o Ciro Gomes e o Eduardo Campos. O PCdoB tem o Aldo Rebelo. Se isso der certo
em 2008, o que não é fácil, nós podemos chegar,
em 2010, com candidato pra ganhar eleição.
Até o ano passado, o senhor era um crítico
implacável do governo Lula. Agora lidera um bloco partidário
governista. O senhor mudou ou mudou o governo Lula?
No que ele erra eu continuo criticando. E tenho muita independência aqui
dentro, até porque sou presidente de uma central sindical e deputado.
Estou aqui só para defender os trabalhadores. Tudo o que o governo Lula
fizer contra os trabalhadores, eu sou radicalmente contra. Se ele fizer a favor,
eu apóio. Eu vou continuar com a mesma política que a gente sempre
fez. Sou parlamentar, mas estou aqui por causa dos trabalhadores.
Eu fui um dos deputados mais votados, sou um dos oito mais importantes, segundo
o Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), mesmo sem ter
feito nenhum projeto. Isso mostra como esta Casa não funciona. Fiquei,
no primeiro semestre, basicamente jogando na defesa. Vamos ver se, no segundo
semestre, conseguimos marcar um golzinho. Legalizar as centrais e regulamentar
o comércio aos domingos já seria um golzinho. Então vamos
continuar com essa independência. Sou líder de um bloco da base
governista, mas não sou do governo. E o governo sabe disso.
O senhor está no primeiro mandato após uma
longa experiência no movimento sindical. A realidade aqui é muito
diferente do que o senhor imaginava?
Eu já conhecia bem o Congresso porque vinha uma vez por semana, mas
eu vinha como presidente da Força sindical, como sindicalista. Agora
estou aqui dentro. A minha visão é que você precisa fazer
uma reforma no regimento. O regimento é feito para não funcionar
ou para funcionar só por meio de medida provisória. Com um mandato é impossível
você pegar um projeto na comissão em que você está e
trazer para o plenário. Quem fizer isso é um herói. Com
dois mandatos, acho que também não consegue. Ou seja, demora
no mínimo oito anos para fazer alguma coisa.
O senhor não vê chance de o Congresso mudar
sua própria imagem?
É o regimento que não funciona. Eu acho que, se não tiver
reforma, essa Casa vai continuar com a imagem que tem: de que aqui só tem
ladrão, vagabundo, que não trabalha. E olha que trabalha. Só que
não anda. Eu optei por não fazer nenhum projeto até para
mostrar que não adianta fazer projeto porque não aprova. É melhor
pegar aqueles que já estão adiantados ou negociar com o governo
para que ele mande pra cá por medida provisória. Já que
a regra é essa vamos fazer o que a regra manda. E algumas pessoas estão
me criticando falando que eu estou defendendo um instrumento da ditadura. Mas é o único
instrumento que funciona aqui, porque tranca a pauta. Eles até mandaram
um projeto pra mim e eu mandei devolver. Não sou relator, não quero
coisa nenhuma. Quero passar quatro anos sem fazer nenhum projeto para poder falar
mal disso aqui depois.
E o lobby dos empresários? É forte aqui?
Eu tenho uma boa relação com os empresários. Não
sinto que eles tenham tanta influência aqui. Acho que o movimento sindical
trabalha mal o Congresso. Até porque o movimento sindical, se trabalhar
unido aqui dentro da Casa, tem muita força. Não tem nenhum deputado
que tenha coragem de enfrentar o movimento sindical. E se enfrentar ele sabe
que não volta para cá. Vai ser deputado de um mandato só.
Quantos deputados compõem a bancada sindical?
Aqui não passa de 100. Na votação a gente tem no máximo
150 votos, sem pressão popular. Com pressão popular, a gente
tem mais, porque os deputados têm muito medo da pressão popular.
No Senado, eu não tenho avaliação. Mas acho que no Senado
a gente não tem muita coisa. Até porque a Emenda 3 passou com
unanimidade lá. Acho que passou por descuido. Foi um golpe que tentaram
nos dar. Mas acho que, se o movimento sindical aprender a trabalhar na Câmara,
ele consegue fazer funcionar. Nenhum deputado tem coragem de enfrentar o movimento
sindical.
Algumas centrais sindicais já fizeram campanha pela
internet contra parlamentares. Isso mais ajuda ou atrapalha o movimento?
Acho que isso também não ajuda. A gente tem que trabalhar para
ganhar os caras e não para que eles joguem contra nós. Eu, por
exemplo, optei por não falar em plenário. Sou líder, mas
não falo, porque quando você fala, você toma uma posição
e uma parte da Casa fica contra. Eu prefiro negociar. Acho que isso vem um
pouco do meu perfil de sindicalista. De negociação, de muita
conversa. Acho que funciona mais. Tem vezes que o barulho ajuda, mas só ele
não resolve.
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Gazeta do Povo, 18 de outubro de 2007
ECONOMIA | EMPRÉSTIMOS
Caixa anuncia redução
de taxas de juros
A Caixa Econômica Federal anunciou ontem que decidiu reduzir as taxas
de juros de sete modalidades de empréstimos para pessoas físicas
e de três para empresas. “A decisão foi tomada tendo em
vista o aumento da nossa base de clientes e a democratização
do acesso ao crédito no Brasil”, disse a presidente da Caixa,
Maria Fer-nanda Coelho, enfatizando que as condições macroeconômicas
do país abriram espaço para a decisão. “Não
estamos antecipando nenhuma decisão do Copom sobre os juros. Trata-se
de uma decisão mais relacionada à estratégia da Caixa”,
comentou, antes da decisão do Copom de manter o juro básico em
11,25% ao ano.
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Gazeta do Povo, 18 de outubro
de 2007
ECONOMIA | POLÍTICA MONETÁRIA
Copom puxa o freio e mantém
a taxa básica de juros em 11,25%
Dirigentes do Banco central interrompem cortes
pela primeira vez desde 2005
Brasília – O maior ciclo de queda da taxa básica de juros
(Selic) chegou ao fim. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária
(Copom) optou pela cautela e manteve o atual nível da taxa Selic, em
11,25% ao ano, sem viés (tendência). No total, foram 18 cortes
consecutivos desde setembro de 2005, que somaram 8,5 pontos porcentuais, e
tiraram o país da liderança do ranking dos maiores juros reais
(descontada a inflação) do mundo e o deixaram na segunda colocação.
Hoje essa taxa está em 7%, nível considerado ainda muito elevado.
No breve comunicado após
a reunião, os dirigentes do Banco Central (BC), que integram o
Copom, explicaram o motivo da paralisação: “Avaliando
a conjuntura macroeconômica, o Copom decidiu por unanimidade fazer
uma pausa no processo de flexibilização da política
monetária e manter a taxa Selic em 11,25% ao ano, sem viés.” A
ata desse encontro, o penúltimo do ano, será divulgada
na quinta-feira da semana que vem. Só aí os economistas
poderão ter uma idéia dos rumos da política monetária
nacional. Mas poucos esperam que haja novo corte em breve.
“Acreditamos que o Copom
deverá manter a taxa Selic estável por mais três
ou quatro reuniões, período no qual os seus membros poderão
colher informações relevantes no sentido de avaliar melhor
o cenário prospectivo para a inflação”, afirmou,
em comunicado, o economista-chefe da Concórdia Corretora, Elson
Teles.
A decisão tomada ontem
já havia sido sinalizada na reunião de setembro, quando
o Copom reduziu o corte de 0,5 para 0,25 ponto porcentual por unanimidade.
Na época, os dirigentes do BC já mostravam alguma preocupação
com a alta da inflação e o ritmo mais acelerado da atividade
econômica, conforme explicou na ata dessa reunião. Mas na última
semana, com a divulgação do Índice de Preços
ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro, muitas previsões foram
refeitas. Afinal, a inflação e não estava tão
em alta como se temia.
Foi o suficiente para analistas
acreditarem em novo corte de 0,25 ponto porcentual. A aposta, porém,
foi frustrada. O economista da Mo-dal Asset Management, Alexandre Póvoa,
era um dos que acreditavam em redução da Selic. “Apesar
de achar que podia ter um novo corte, a decisão não foi
uma surpresa. Foi coerente com os documentos escritos pelos dirigentes
do BC”, diz ele, destacando que a Selic entrou numa fase de ajuste
fino.
A taxa de juros é o instrumento
utilizado pelo BC para manter a inflação sob controle.
Se os juros caem muito, a população tem maior acesso ao
crédito e consome mais. Esse aumento da demanda pode pressionar
os preços caso a indústria não esteja preparada
para atender esse maior consumo. Por outro lado, se os juros sobem, a
autoridade monetária inibe consumo e investimento, a economia
desacelera e você evita que os preços subam.
Reação
O presidente da Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo, Paulo Skaf, lamentou
a decisão do Copom. “Mais uma vez nos decepcionamos com
a falta de entendimento da realidade demonstrada pelo Copom. Isso custa
caro ao setor produtivo e à sociedade brasileira”, afirmou
Skaf.
Entidades do comércio,
como a Fecomércio-RJ, também discordaram do Copom, já que “o
aumento do consumo das famílias tem sido acompanhado pelo avanço
da capacidade produtiva”.
“Levando em conta os números
da dívida pública, manter a Selic [...] significa que o
governo deixa de economizar já no primeiro mês de pagamento
do serviço da dívida cerca de R$ 3 bilhões, bem
acima do programado pelo PAC [Progra-ma de Aceleração do
Crescimento] para urbanização de favelas no estado do Rio
de Janeiro, R$ 1,7 bilhão”, disse o presidente, Orlando
Diniz, em nota.
A Força Sindical
também se pronunciou contra a parada nos cortes da taxa por
meio de nota, afirmando que faltou ousadia ao Copom. Segundo a entidade,
a manutenção dos juros “é nefasta para economia
e irá causar um efeito psicológico negativo no setor
produtivo”.

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Folha de São Paulo, 18 de outubro de
2007
Fiesp volta a cobrar do governo medidas
para conter a desvalorização do dólar
DA REPORTAGEM LOCAL
A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo) voltou a cobrar do governo medidas para conter a queda do dólar.
A entidade apresentou ontem um estudo que mostra que a conta financeira do
balanço de pagamentos (que inclui os investimentos estrangeiros diretos
e os investimentos em carteira, para compra de ações e títulos
públicos) representou 96,6% da entrada de dólares no Brasil neste
ano.
O restante ficou por conta das chamadas transações correntes
(formadas por balança comercial e de serviços). Essa baixa participação
da balança comercial na entrada de capital estrangeiro no país,
afirma a entidade, mostra que não é válido o argumento
de que uma alta de importações seria positiva para reduzir o
saldo comercial e elevar a taxa de câmbio.
Para a Fiesp, o fato de a participação da conta financeira na
entrada de dólares ser tão expressiva mostra que a valorização
cambial é um fenômeno de mercado, e não uma "maldição
de recursos naturais", alusão à chamada "doença
holandesa".
A expressão surgiu nos anos 80, quando as fortes receitas de exportação
de gás da Holanda valorizaram a moeda local, derrubando as exportações
dos demais produtos por falta de competitividade.
" Hoje a valorização do câmbio tem muito mais a ver
com outros fatores do que com a balança comercial", analisou Leonardo
Miceli, economista da consultoria Tendências. "Não acredito
em "doença holandesa" no Brasil", completou.
O levantamento apontou ainda que, nos últimos quatro anos, a valorização
do real sobre o dólar foi de 37%, para uma média mundial de 17%. "Há algo
anormal na economia brasileira", defendeu Roberto Giannetti da Fonseca,
diretor de comércio exterior da Fiesp.
De acordo com Giannetti, a entidade empresarial apresentou em junho, ao governo,
seis propostas para impactar a conta financeira do balanço de pagamentos
-o executivo defende um patamar entre R$ 2,20 e R$ 2,30 para o câmbio
(ontem, o dólar fechou em R$ 1,823).
Uma das medidas, a principal, segundo a entidade, é o fim da isenção
do Imposto de Renda para investidores estrangeiros em títulos públicos,
o que desaceleraria a entrada de capital no país. O estudo afirma que
o benefício fez com que a participação de capital estrangeiro
no total dos títulos públicos subisse de 0,74% para 4,5%.
Outra proposta da entidade ao governo é estimular o financiamento de
exportações em reais, tributando as operações de
ACC (Adiantamento de Contrato de Câmbio) em dólares. Isso diminuiria
o fluxo da venda de moeda americana sobre vendas externas futuras, o que pressiona
o câmbio atual.
Outra medida proposta pela Fiesp é estabelecer prazos máximos
para a liquidação cambial no financiamento a importações. "Até agora,
o governo não agiu para implementar essas medidas", disse Giannetti.
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G1, 18 de outubro de 2007
Número de trabalhadores da
construção cresce 141%
Em setembro, foram criados 30 mil novos postos
de trabalho no país. | Entidades vêem cenário
positivo pelos próximos dois anos.
O número de trabalhadores na construção civil no país
cresceu cerca de 141% no mês passado, em relação a setembro
de 2006, com 30 mil novos postos de trabalho.
Em 2007, já foram mais de 173 mil novas vagas no setor. Até dezembro
esse número deve ultrapassar os 200 mil.
A expectativa das entidades que
representam a construção civil é de que o cenário
positivo dure ainda mais tempo. “Depois de 20 anos de estagnação,
o mercado da construção civil, particularmente o setor
imobiliário, vive um momento muito importante de crescimento,
que nós acreditamos ser duradouro e sustentado pelos proximos
dois anos”, afirma o diretor executivo do Sinduscon-RJ, Antônio
Carlos Gomes.
Com o mercado imobiliário
aquecido, o momento é uma boa oportunidade para conseguir emprego.
Um dos cursos mais procurados da construção civil é a
marcenaria, que dura três meses. “Nos últimos dois
anos vem aumentando o número de alunos e esse ano bateu o recorde”,
diz o professor Alexandre Moeira.
Na aula, os alunos, de 17 a 60,
anos aprendem a manejar o serrote, a lima e o formão. “Eu
acho que no momento a marcenaria é a profissão da vez",
diz Sandro Lima, de 18 anos.
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AQUIDAUANA NEWS/ MATO GROSSO,
18 den outubro de 2007
Construção civil de Aquidauana
sofre escassez de cimento
Assim como em muitas regiões do Centro-Oeste e principalmente do estado
de Mato Grosso do Sul, o mercado da construção civil de Aquidauana
está sendo prejudicada com a falta oferta de cimento nas empresas revendedoras
do produto no município.
Paralelo ao problema dos consumidores
que sofrem com o aumento dos preços, as lojas de materiais de
construção também estão passando por momentos
de dificuldades.
Primeiramente porque não
conseguem atenção das indústrias de cimento do estado
que parecem priorizar construções de grande porte como
hidrelétricas e siderúrgicas, gerando uma falta de produtos
no mercado varejeiro.
As entregas dos pedidos, quando
efetuados, chegam a demorar de 10 a 15 dias que acabam refletindo no
atraso das construções particulares e públicas do
município.
Além disso, a instabilidade
nos preços, gera desconfiança perante os consumidores.
O preço da bolsa de 50kg que era vendido a R$ 15,50 no início
de setembro está custando atualmente R$ 18,50 em média.
Um aumento de 20% em menos de 2 meses de venda.
Em entrevista ao site O Pantaneiro,
o empresário Jonas Chaves Júnior, que possui uma das maiores
lojas do ramo em Aquidauana, afirmou que as altas nos preços dos
sacos de cimento devem subir ainda mais até o final de 2007 podendo
chegar ao valor de R$ 21,00. "As indústrias de cimento estão
cientes da alta demanda do mercado, e o poder de compra das grandes construções
gera este aumento", concluiu o empresário.
Aliado ao aumento das bolsas
do cimento, outros produtos da construção civil também
estão tendo seus preços alterados. Argamassas, telhas e
cal por exemplo já sofreram aumentos que estão sendo repassados
aos consumidores.
Mato Grosso do Sul possui
duas indústrias de produção de cimento. A Camargo
Corrêa localizada em Bodoquena, produz os cimentos Cauê e
a Votorantim, que produz os cimentos Itaú e fica localizada
em Corumbá.
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NOTÍCIAS 360º/ RECIFE, 18 de outubro
de 2007 | Cidades
Sindicalistas protestam contra falta
de segurança em canteiros de obras
O grande número de acidentes
em construções civis da Região Metropolitana
do Recife já vem chamando a atenção. Por essa
razão, o Sindicato de Trabalhadores da Construção
Civil realizou, na tarde desta quarta-feira (17), um protesto em
frente à sede da Delegacia Regional do Trabalho, no bairro
do Espinheiro, e também entregou à instituição
um ofício, exigindo maior fiscalização às
obras.
“ Exigimos o início de uma operação pente-fino nas
construções em curso para impedir mais casos como os últimos
desabamentos. Quatro desmoronamentos em 15 dias é um dado alarmante e
injustificável, não apenas acidente”, diz a presidente do
sindicato, Dulcinete Moraes.
O delegado Regional do Trabalho, André Negromonte, garantiu que devem
ser iniciadas vistorias nas obras. “Vamos colocar mais auditores nas
ruas, mesmo que seja necessário solicitar ao Ministério do Trabalho
o envio de mais profissionais”, adianta o delegado.
Negromonte informou ainda que já foi solicitado à chefia do Setor
de Segurança e Saúde do Trabalhador da Delegacia do Trabalho
a realização de um encontro com empresários e representantes
de empreiteiras que atuam no Grande Recife para que sejam evitados novos acidentes.
“ As construtoras só pensam em lucro e em cronograma de obras, sem
pensar na segurança dos trabalhadores”, alegou ainda a presidente
do sindicato.
ACIDENTES
Desde o início do mês foram registrados quatro desabamentos no
Grande Recife, deixando seis operários feridos. O primeiro foi o desmoronamento
de uma casa de dois andares no bairro de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes.
As vistorias iniciais da avaliaram que o que pode ter causado o acidente foram
equívocos na construção.
Todos os outros três acidentes aconteceram nos últimos seis dias.
No dia 11 de outubro, a primeira laje de um prédio que viria a ter 21
andares desabou no bairro de Boa Viagem. Na última terça-feira
(16) foi a vez de uma casa que estava sendo ampliada no bairro de San Martin.
O último acidente aconteceu nesta quarta-feira. Um estande de vendas
de apartamentos de um prédio em construção também
em Boa Viagem.
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Notícias do Tribunal Superior do Trabalho
18/10/2007
Falecimento altera prazo de prescrição
na Justiça do Trabalho
A prescrição do
direito trabalhista (data limite para ajuizamento de ação) é de
dois anos a partir da demissão, mas se a demanda for ajuizada
não em função do fim do contrato de trabalho, mas
do falecimento do ex-empregado, aplica-se a prescrição
total de cinco anos, nos termos da Constituição Federal.
Com esse entendimento, a Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho
rejeitou recurso em que uma empresa buscava reverter decisão em
que fora condenada ao pagamento de suplementação de aposentadoria.
A Companhia de Transmissão de Elétrica Paulista (CTEEP) apelou
ao TST contra o entendimento do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região
(São Paulo) que decidiu aplicar o prazo de cinco anos a partir da data
do falecimento de um ex-empregado para acolher pedido em ação
movida pelos familiares, e manteve sentença que determinava o pagamento
da suplementação de pensão (parcelas vencidas e a vencer)
em 100% do valor recebido pelo aposentado. A empresa alegou que a demanda trabalhista
estaria prejudicada pela prescrição bienal.
A relatora da matéria, ministra Maria Cristina Peduzzi, manifestou-se
contrariamente a essa tese, destacando que a aplicação do prazo
de dois anos previsto no artigo 7º da Constituição Federal é restrita às
hipóteses em que a parcela pleiteada tem por fundamento a extinção
do contrato do trabalho. No caso em análise, o prazo deve ser contado
a partir da morte do ex-empregado, pois este é o fundamento da ação – e
não a extinção do contrato. Nestes termos, conclui, aplica-se
a prescrição total qüinqüenal prevista na primeira
parte do artigo 7º da Constituição. No mérito da
questão, a ministra também rejeitou as alegações
da empresa e manteve a decisão do TRT, garantindo o direito da pensionista
receber o mesmo valor que o ex-empregado vinha recebendo quando de seu falecimento.
Quanto à questão levantada no recurso sobre atualização
monetária do benefício, a ministra esclareceu que a Súmula
nº 381 do TST consagra o entendimento de que o pagamento dos salários
até o quinto dia útil do mês subseqüente ao vencido
não está sujeito à correção. Para finalizar,
deu provimento ao recurso apenas para determinar que a atualização
monetária, devida apenas quando o pagamento ultrapassar a data-limite
estipulada pela CLT, deve ser feita com base no índice do mês
subseqüente ao que teria sido trabalhado. (RR 997/2002-018-02-85.8)
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18/10/2007
Dissídio coletivo de 1984 impede
reintegração à Telepar
Se foi revogada por decisão
de dissídio coletivo, estabilidade prevista em norma interna de
empresa não vale para a reintegração do trabalhador.
A diretriz norteou a decisão da Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho
que não conheceu de embargos de trabalhadora contra a Telecomunicações
do Paraná S.A. (agora Brasil Telecom S.A. – Telepar) visando à garantia
de emprego na empresa.
Auxiliar administrativa na Telepar, a trabalhadora foi demitida em junho de
2000. Após 23 anos e seis meses de trabalho na empresa, sentiu-se pressionada
a aderir ao Plano de Desligamento Voluntário e pediu, inclusive, ao
ajuizar ação trabalhista, a concessão de antecipação
de tutela para garantir o emprego.
A trabalhadora pretendia a declaração judicial de seu direito à estabilidade
por considerar que as condições iniciais de garantia de emprego,
estabelecidas em norma regulamentar da Telepar, faziam parte de seu contrato
de trabalho e não podiam ser alteradas unilateralmente em seu prejuízo.
Sustentou que o direito encontrava-se incorporado ao contrato de trabalho,
indicando a ofensa do direito adquirido conforme o art. 5º, XXXVI, da
Constituição Federal. O ministro Aloysio Corrêa da Veiga,
relator dos embargos, considerou, no entanto, que a norma regulamentar anterior
foi revogada por convenção das partes (dissídio coletivo
de 1984), cujo acordo foi devidamente homologado pelo Tribunal Regional do
Trabalho da 9ª Região.
A revogação, portanto, foi decorrente de norma coletiva e não
unilateral, o que leva à conclusão lógica de que a negociação
ocorreu mediante concessões recíprocas. O relator dos embargos
concluiu, então, que não se pode falar em garantia de emprego,
tampouco em reintegração, restando ileso o art. 5º, XXXVI,
da Constituição Federal. O ministro Corrêa da Veiga e a
SDI-1 tiveram o mesmo entendimento da Quarta Turma no julgamento do recurso
de revista. (E-RR-14.793/2000-002-09-00.6)
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18/10/2007
JT mantém readmissão de empregada
dispensada por justa causa
A Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-2) do Tribunal Superior do Trabalho
confirmou decisão da 1ª Vara do Trabalho de Curitiba (PR)
que determinou à Companhia Paranaense de Energia – Copel
e suas subsidiárias a reintegração de uma funcionária
demitida por justa causa. A decisão foi motivada por mandado de
segurança da empresa, com pedido de liminar, contra medida cautelar
que garantiu a reintegração da empregada a seus quadros.
O relator do recurso ordinário em mandado de segurança, ministro
Renato de Lacerda Paiva, destacou que o mesmo pedido já havia sido deferido
liminarmente em ação civil pública ajuizada pelo Ministério
Público do Trabalho. Na inicial do processo, a empregada informou que
já há algum tempo vinha sofrendo perseguições e
ameaças de demissão. Em decorrência, teve problemas de
saúde e foi obrigada a se afastar do trabalho por ordem médica,
com quadro depressivo provocado pelo ambiente de trabalho tenso e hostil. Funcionária
da empresa há 25 anos, passou em 2001 a integrar o quadro da Copel Participações
S.A, uma das cinco subsidiárias criadas pela empresa, até ser
dispensada em 2006 por justa causa, acusada de gravar, sem o conhecimento dos
dirigentes, duas reuniões de diretoria das quais participou .
O juízo de primeiro grau entendeu que as impetrantes, sociedades de
economia mista da administração indireta estadual, não
poderiam ter dispensado a empregada sem a prévia apuração
de suposta falta grave cometida por ela, que não teve o direito a contraditório
e defesa. Além disso, não houve motivação para
a demissão, conforme estabelece o artigo 37, caput, da Constituição
Federal. Declarou então nulo o procedimento administrativo adotado pelas
empresas e estipulou multa diária de 1/30 do último salário
da empregada, caso fosse descumprida a determinação.
Ao entrar com o mandado de segurança,
os empregadores sustentaram que não havia prova quanto à nulidade
do procedimento administrativo adotado, e que os princípios constitucionais
do contraditório e da ampla defesa foram garantidos. Manifestaram
também o entendimento de que a demissão de funcionários é um
direito líquido e certo, uma vez que a lei faculta às sociedades
de economia mista dispensar empregados imotivadamente. O Tribunal Regional
da 9ª Região (PR) indeferiu a liminar contra a reintegração
por entender que não havia direito líquido e certo da empresa
a ser resguardado. No TST, o ministro Renato Paiva alinhou-se ao mesmo
entendimento.
Além de não verificar ilegalidade na cautelar que determinou
a reintegração, o relator observou que os temas levantados pela
empresa devem ser decididos pelo juízo de primeiro grau, pois dizem
respeito ao próprio mérito da reclamação trabalhista
principal, e que a instrução processual já iniciada pode
vir a comprovar a validade ou não da dispensa. (TST-ROMS-183/2006-909-09-00.9)

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