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Agência
Câmara, 20 de outubro de 2007
Aconteceu
Finanças aprova salário-maternidade
para desempregada
Diógenes Santos
Pimentel: "A proposta busca afastar todo e
qualquer conflito de interpretações".
A Comissão de Finanças e Tributação aprovou,
na quarta-feira (17), o Projeto de Lei 4448/04, da deputada Marinha Raupp
(PMDB-RO), que possibilita a concessão do salário-maternidade à trabalhadora
desempregada que não tenha perdido a qualidade de segurada do Regime
Geral de Previdência Social. Também permite o recebimento
conjunto do seguro-desemprego com o salário-maternidade. A autora
explica que, apesar de a lei já prever essa situação,
a Previdência tem exigido comprovação de vínculo
de emprego para a concessão do benefício.
O relator, deputado José Pimentel (PT-CE), explicou que
a Lei 8.213/91 prevê o pagamento do salário-maternidade à segurada.
Prevê também a manutenção da qualidade
de segurada, independentemente de contribuições,
por até 12 meses após a cessação
das contribuições, podendo o prazo ser prorrogado
por até 36 meses, no caso de a segurada já ter
pago mais de 120 contribuições e estar comprovadamente
desempregada.
Assim, afirmou Pimentel, "a proposta não amplia
benefício existente, nem concede novos benefícios
- não gerando, portanto, novas despesas. Simplesmente
busca afastar todo e qualquer conflito de interpretações",
disse.
Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, já foi aprovado
pela Comissão de Seguridade Social e Família e será analisado
ainda pela Comissão de Constituição e Justiça
e de Cidadania.
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Agência
Senado, 20 de outubro de 2007
ESPECIAL
Raupp admite negociar faixas de
isenção da CPMF e redução progressiva
da contribuição

Em entrevista à imprensa nesta sexta-feira (19), o líder
do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), afirmou que a faixa de isenção
para o pagamento da Contribuição Provisória sobre
Movimentação Bancária (CPMF) poderá subir para
R$ 2.500 mensais e que é possível negociar também
um redutor progressivo do imposto para que em seis, sete ou oito anos,
como adiantou, a alíquota caia dos atuais 0,38% para apenas 0,08%.
-Tudo isso é um processo de negociação
que está em curso. É preciso sentar na mesa e conversar
- afirmou Raupp, ao reiterar, no entanto, a necessidade de se
aprovar, sem alterações, no Plenário do
Senado, a proposta de Emenda à Constituição
(PEC) do Poder Executivo - já aprovado na Câmara
dos Deputados - que prorroga a CPMF até 2011.
Raupp lembrou que o projeto em tramitação no Senado,
caso sofra alterações, terá de voltar para
nova análise da Câmara, o que comprometeria a aprovação
da matéria até 31 de dezembro, impossibilitando,
dessa forma, a vigência do imposto já no início
do próximo ano.
Segundo explicou o líder do PMDB, as concessões
para a aprovação da CPMF teriam de ser feitas por
meio de um projeto de lei que tramitaria nas duas Casas do Congresso.
Ele disse ainda que aisenção da CPMF para as movimentações
bancárias de até R$ 2.500 mensais seria possível
porque o impacto nas contas do governo ficaria em torno de apenas
R$ 1 bilhão - valorbaixo, segundo o líder, se comparado
com os cerca de R$ 38 bilhões arrecadados anualmente com
o contribuição.
Quanto à redução gradual da alíquota,
Raupp admitiu que o governo não pode abrir mão,
neste momento, da totalidade do imposto, mas que, a longo prazo,
a proposta é totalmente viável.
- Tudo que se tira aos poucos se sente menos. Com essa redução
a longo prazo, daria tempo para o governo se organizar e encontrar
outras fontes de recursos para tocar adiante seus programas -
destacou o senador.
Além disso, Raupp lembrou também que, mesmo com
a alíquota reduzida para 0,08%, a CPMF continuaria atuando
numa outra vertente importante: a de ser um mecanismo de combate à pobreza
e à sonegação fiscal.
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Agência
CUT, 20 de outubro de 2007
PL de reconhecimento
Centrais decidem cobrar
do Senado respeito ao acordo que deu origem ao PL
As seis centrais sindicais (CUT, Força, CGTB, NCST, UGT e CTB),
reunidas na manhã de hoje (19) em São Paulo, decidiram que
vão cobrar do Senado Federal a rejeição às
emendas que acabam subitamente com o imposto sindical apenas para as entidades
de trabalhadores, sem prever outra forma de sustentação,
e que criam a possibilidade de o Tribunal de Contas da União (TCU)
extrapolar suas funções e fiscalizar sindicatos de trabalhadores.
Durante a reunião, houve consenso de que são
armadilhas para o movimento sindical, criadas por deputados
que aproveitaram a votação do PL de reconhecimento
das centrais para tentar sufocar a organização
dos trabalhadores.
Os dirigentes também reafirmaram que as emendas
introduzidas na medida provisória romperam um acordo
entre centrais e governo federal que vinha sendo construído
há mais de um ano. O acordo inclui o compromisso
das centrais de criar, no menor espaço de tempo
possível, uma regra que acabe com o imposto sindical
e o substitua por uma contribuição sobre
a qual a organização dos trabalhadores possa
decidir.
Por isso, os dirigentes decidiram, após quase
quatro horas de debate, elaborar uma agenda de pressão
e negociação sobre o Senado, seja em Brasília
ou nos estados de origem dos parlamentares, para que seja
mantido o texto original da MP.
" Todos aqui sabem quais as concepções
que as centrais têm sobre o imposto sindical. A CUT
defende seu fim. Mas o PL que negociamos é fruto
de um esforço de unidade. Trata-se de um acordo
que prevê, inclusive, uma transição
do imposto para uma outra forma de sustentação.
E acordo fechado é acordo para ser cumprido",
afirmou o presidente da CUT Artur Henrique.
Acordo é acordo – "O
mais grave da manobra de alguns deputados foi atacar o
imposto só para entidades de trabalhadores, e manter
o imposto só para as entidades patronais. Isso é um
ataque à nossa organização".
Artur também alertou para o fato de que as centrais
não podem mais adiar uma discussão séria
a respeito de uma nova forma de financiamento da estrutura
sindical.
" Se a gente não discutir e não funcionar
o grupo de trabalho que precisa elaborar uma alternativa,
ficaremos sempre à mercê de algumas críticas
que são justas, pois afinal o imposto não é bom,
e também a ataques oportunistas como esse dos que
querem nos destruir", afirmou. A CUT defende a criação
de uma taxa negocial, a ser paga somente quando uma negociação
coletiva for concluída com resultados e apenas após
aprovação em assembléia.
Fiel depositário – Para
o presidente da Força Sindical, o deputado federal
Paulo Pereira da Silva, a decisão de alguns de seus
pares foi um "golpe", mas que será derrotado. "Se
mantivermos unidade em torno do acordo que gerou o PL,
não seremos vencidos. Acredito que o objetivo desses
deputados é enfraquecer o movimento sindical a partir
das centrais, depois os sindicatos de base e, em seguida,
atacar sem dó os direitos dos trabalhadores",
afirmou.
Carlos Lupi, ministro do Trabalho, participou da parte
final da reunião. Afirmou ser o "fiel depositário" do
acordo do reconhecimento das centrais e que vai insistir
na tese de que os repasses para as entidades patronais
nunca são questionados pela imprensa ou por parlamentares
conservadores. "Por que para os patrões pode?
Desafio qualquer um a me provar que existem sindicatos
em qualquer lugar do mundo que vivam sem nenhum recurso.
Se não for compulsório, que se estude uma
outra forma, mas simplesmente acabar não é possível.
Vai acabar com os sindicatos".
Denise Motta Dau, secretária nacional de Organização
da CUT, avaliou que muitos votos podem ser revertidos na
Câmara, que deve receber o PL de volta quando o Senado
rejeitar as emendas, como pretendem as centrais. "Alguns
deputados não têm jeito, são nossos
inimigos mesmo. Porém, acredito que devemos fazer
uma batalha política com inteligência e boa
tática", disse.
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Agência
Estado, 20 de outubro de 2007
Lupi: querem acabar com o sindicalismo
brasileiro
SÃO PAULO - O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, acusou hoje a Câmara
dos Deputados de descumprir acordo firmado com o governo para a formalização
das centrais sindicais e de tentar acabar com o movimento sindical brasileiro.
O ministro adiantou que vai ao Congresso na próxima semana para "sensibilizar" os
senadores em relação à importância da manutenção
da obrigatoriedade do imposto sindical, derrubada por emenda do deputado
Augusto Carvalho (PPS-DF) que torna o pagamento facultativo.
Segundo ele, o acordo firmado entre o governo e as centrais
sindicais foi aprovado por unanimidade por três comissões
da Câmara - Trabalho, Finanças e Constituição
e Justiça -, nas quais todos os partidos possuem representação. "É muito
feio ter um acordo feito e não-cumprido. Pega mal para
o Parlamento e para a sociedade", acrescentou Lupi.
"Havia um acordo para aprovar a legalização
das centrais e tivemos uma espécie de golpe ali no meio
do jogo do Brasil. Um gol contra", afirmou o presidente
da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho.
Já o presidente da Central Única dos Trabalhadores
(CUT), Arthur Henrique, afirmou que durante as negociações
do acordo para a formalização das centrais, foi
definido que haveria um prazo de até 12 meses para criar
um novo sistema de financiamento sindical. "Não tem
por que uma tentativa de fazer uma emenda, quebrando portanto
esse processo de negociação e esse processo transitório
de estruturação do financiamento do movimento sindical",
afirmou.
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Agência
Reuters, 20 de outubro de 2007
Centrais vão pressionar
Senado para derrubar imposto opcional
SÃO PAULO (Reuters) - As centrais sindicais vão pressionar
o Senado para derrubar a decisão da Câmara dos Deputados que
transforma em opcional o desconto em folha de pagamento da contribuição
sindical.
"Se ficar optativo os sindicatos acabam", disse à Reuters
Wagner Gomes, que deve presidir a partir de dezembro a Nova Central
Sindical Classista, cisão da Central Única dos
Trabalhadores (CUT).
Está marcada para sexta-feira uma reunião de representantes
das centrais, na sede da Força Sindical em São
Paulo, para acertar as formas de ação. Se o Senado
mantiver a mudança, ainda restará aos sindicalistas
apelar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que precisa
sancionar o projeto.
As empresas descontam, no mês de março, um dia
de trabalho de seus empregados e repassam os valores para sindicatos,
federações e confederações. Com a
decisão dos deputados, tomada na quarta-feira, o trabalhador
precisa autorizar o desconto, o que praticamente inviabiliza
o pagamento. Toda a cadeia sindical vive financeiramente desta
contribuição.
A emenda, de autoria do deputado Augusto Carvalho (PPS-DF),
foi incluída na medida provisória do governo Lula
que reconheceu as centrais sindicais, uma luta de décadas
dos sindicalistas --mas o que seria comemoração
virou tormento.
Sindicalistas, que criticam a manutenção do imposto
para os sindicatos patronais, dizem que já têm um
modelo para alterar a contribuição, que foi acertado
há tempos junto ao governo, mas nunca implementado.
"Quando fizemos o acordo para o reconhecimento das centrais,
assumimos o compromisso de remodelar o financiamento dos sindicatos.
A idéia é levar a proposta ao Senado", disse
Artur Henrique da Silva Santos, presidente da CUT.
Pela proposta, a nova contribuição, chamada de "negocial",
teria percentual decidido em assembléia das categorias
de trabalhadores e seria paga na época do acordo coletivo.
Em princípio, premiaria o sindicato que fizesse o melhor
acordo para o reajuste salarial anual e eliminaria aqueles que
pouco atuam mas recebem os recursos da contribuição
atual.
João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral
da Força Sindical, foi franco: "Queremos algo em
troca, e não acabar por canetada."
Atualmente, a contribuição sindical significa
1 bilhão de reais por ano. Deste total, 60 por cento vão
para os sindicatos, 15 por cento para as federações
e 5 por cento para as confederações. O governo
fica com 20 por cento, que repassa para benefícios. Com
a regulamentação das centrais, a parcela do governo
cairá para 10 por cento e as centrais receberão
os outros 10 por cento.
Além da CUT, Força Sindical e Nova Central, atuam
ainda a União Geral dos Trabalhadores e a Central Geral
dos Trabalhadores (CGTB).
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Folha
Online, 20 de outubro de 2007
Tião Viana quer ouvir centrais
antes de votar fim do imposto sindical obrigatório
Escrito por Gabriela Guerreiro, em
Brasília
O Senado Federal começa a analisar na próxima semana a proposta
que derruba a obrigatoriedade do pagamento de imposto sindical. A emenda
foi aprovado pelo plenário da Câmara anteontem durante a votação
do projeto que regulamenta as centrais sindicais.
A proposta torna facultativa a contribuição sindical
equivalente a um dia de trabalho que, atualmente, é obrigatória.
Se a mudança passar no Senado, o trabalhador terá que
autorizar o desconto do imposto sindical em sua folha de pagamento.
O presidente do Senado, Tião Viana (PT-AV) disse que
vai trabalhar para que todas as partes envolvidas se manifestem,
pois se trata de uma proposta polêmica. "Eu vou ficar
no caminho de deixar que as partes se manifestem. É matéria
polêmica que envolve aspectos ideológicos e políticos",
afirmou.
Na quarta-feira, o presidente interino do Senado vai se reunir
com o ministro Carlos Lupi (Trabalho) para discutir o projeto.
Reportagem da Folha de hoje informa que os sindicatos de trabalhadores
podem perder uma receita de até R$ 754 milhões
por ano se o imposto sindical deixar de ser compulsório.
Sem esses recursos, sindicalistas e centrais sindicais estimam
que 70% dos cerca de 15 mil sindicatos que existem no país
perderiam a capacidade de se articular para combater a informalidade
no país, o desemprego e a precarização do
mercado de trabalho, informa a matéria.
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STJ,
20 de outubro de 2007
DECISÃO
Compete à Justiça
Federal julgar ação securitária decorrente
de acidente de trabalho
Cabe à Justiça Federal julgar ação de indenização
securitária, em razão de acidente de trabalho ou doença
profissional. A conclusão é da Segunda Seção
do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que determinou ser de competência
do Juízo da 9ª Vara Federal da Seção Judiciária
de São Paulo julgar o processo movido por R. A. M. contra a Caixa
Seguradora S/A e a Caixa Econômica Federal S/A.
O processo chegou ao STJ por meio de um conflito de competência
encaminhado para que se indicasse o Juízo para decidir
a questão. Para o Juízo da 9ª Vara Federal,
a competência é da Justiça do Trabalho, já que
os fatos descritos decorrem da relação trabalhista
entre o autor e a Caixa Econômica Federal.
O Juízo da 21ª Vara do Trabalho de São Paulo,
por sua vez, apresentou entendimento diferente. Para ele, a competência é da
Justiça Federal, pois o autor pretende obter indenização
pelo suposto direito ao seguro, sendo que a relação
entre segurado e seguradora é de natureza estritamente
civil, jamais de emprego
A defesa de R.A. M. alega que a Caixa Seguradora recusou-se
a indenizar sinistro previsto em contrato, devido à suspensão
da cobertura securitária decorrente do não-pagamento
do prêmio contratado. Acrescentando o inadimplemento ocorreu
pois a Caixa Econômica Federal demitiu R.A.M por suposta
justa causa. A demissão, acrescenta a defesa, foi declarada
injusta pela Justiça do Trabalho, que determinou a reintegração
do empregado, garantindo-lhe todos os direitos relativos ao período.
Segundo a defesa, o pagamento do prêmio era feito a partir
de desconto em folha. Com a supressão dos salários,
decorrente da demissão por justa causa, houve efetivo
inadimplemento. Mesmo com a suspensão temporária
do recolhimento, por culpa exclusiva da Caixa Econômica
Federal, a Caixa Seguradora teria o dever de pagar a indenização
contratada, porque o acidente de trabalho (ou doença profissional)
ocorreu antes mesmo da indevida demissão por justa causa.
Com base nessa argumentação a R.A .M. pediu a
condenação da Caixa Seguradora e, subsidiriamente,
a condenação da Caixa Econômica Federal,
que seria responsável direta pelo inadimplemento no pagamento
do prêmio.
Ao analisar a questão, o relator, ministro Humberto Gomes
de Barros, concluiu que a pretensão é exclusivamente
contratual, mas, como conta com a participação
de uma empresa pública, a competência para julgar
a questão é do Juízo da 9ª Vara Federal
da Seção Judiciária de São Paulo.
O ministro foi acompanhado pelo colegiado.
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Revista
Consultor Jurídico, 20 de outubro de 2007
Competência definida
Justiça Federal julga ação
trabalhista contra CEF
Cabe à Justiça Federal julgar ação de indenização
por acidente de trabalho. A conclusão é da 2ª Seção
do Superior Tribunal de Justiça. Os ministros determinaram ser de
competência do Juízo da 9ª Vara Federal da Seção
Judiciária de São Paulo o julgamento do processo movido por
Renato Américo Minotti contra a Caixa Seguradora e a Caixa Econômica
Federal.
O processo chegou ao STJ por meio de um conflito de competência.
Para o Juízo da 9ª Vara Federal, a competência é da
Justiça do Trabalho, já que os fatos decorrem da
relação trabalhista entre o segurado e a CEF.
O Juízo da 21ª Vara do Trabalho de São Paulo
teve entendimento diferente. Para ele, a competência é da
Justiça Federal, pois o segurado pretende obter indenização
pelo suposto direito ao seguro. Para o juízo, a relação
entre segurado e seguradora é de natureza estritamente
civil, jamais de emprego.
A defesa de Renato Minotti alega que a Caixa Seguradora se recusou
a indenizar sinistro previsto em contrato, devido à suspensão
da cobertura securitária decorrente do não-pagamento
do prêmio contratado. Para a defesa, a inadimplência
ocorreu, pois a instituição financeira demitiu
Renato Minotti por suposta justa causa. A demissão foi
declarada injusta pela Justiça do Trabalho, que determinou
a reintegração do empregado, garantindo-lhe todos
os direitos relativos ao período.
Segundo a defesa, o pagamento do prêmio era feito a partir
de desconto em folha. Como o segurado foi demitido por justa
causa, ele ficou inadimplente. Mesmo com a suspensão temporária
do recolhimento, por culpa da CEF, a Caixa Seguradora teria o
dever de pagar a indenização contratada porque
o acidente de trabalho ocorreu antes mesmo da demissão
por justa causa.
Com base nessa argumentação, Renato Minotti pediu
a condenação da Caixa Seguradora e a condenação
da CEF, que seria responsável direta pela inadimplência
no pagamento do prêmio.
O ministro Humberto Gomes de Barros, relator do caso, concluiu
que a pretensão é contratual, mas, como conta com
a participação de uma empresa pública, a
competência para julgar a questão é da Justiça
Federal. O ministro foi acompanhado pelo colegiado.
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Gazeta
do Povo, 20 de outubro de 2007
BRASIL | CONTRIBUIÇÃO
Deputado diz que sindicatos não
vão acabar
Brasília – O deputado Augusto Carvalho (PPS-DF),
autor da emenda aprovada pela Câmara que acaba com a obrigatoriedade
de pagamento da contribuição sindical, classificou
ontem como equivocada a avaliação de que as entidades
sindicais poderão ser extintas em razão da aprovação
de sua emenda, que ainda precisa ser votada pelo Senado.
A emenda foi acrescentada ao projeto de lei, aprovado nesta
semana, que dá legitimidade às centrais sindicais.
Pela proposta do Executivo, as entidades passarão
a contar com 10% da arrecadação do imposto
sindical. Pelas atuais regras, os trabalhadores, sindicalizados
ou não, têm descontado, compulsoriamente, um
dia de trabalho de seus salários. O desconto é feito
anualmente na folha de pagamento.
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Gazeta
do Povo, 20 de outubro de 2007
ECONOMIA | CONTRIBUIÇÕES
60 vezes para pagar débitos
do FGTS
As empresas com débitos referentes às contribuições
adicionais do FGTS destinadas a custear o pagamento dos expurgos
dos planos Verão e Collor 1 poderão parcelá-los
em até 60 meses. As contribuições cujos
débitos poderão ser parcelados foram criadas pela
lei complementar n.º 110, de 29 junho de 2001. A primeira
contribuição é paga pelas empresas que demitem
empregados sem justa causa. Nesse caso, elas devem pagar multa
extra de 10% para o FGTS, fora os 40% que vão para o trabalhador
demitido (no total, a multa é de 50%). A segunda contribuição é o
adicional de 0,5% sobre os 8% que a empresa recolhe mensalmente
ao FGTS com base no salário de cada empregado. Mais informações
no site www.caixa.gov.br.
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Gazeta
do Povo, 20 de outubro de 2007
ECONOMIA | INDÚSTRIA
BS Colway fecha em fevereiro se
importação continuar proibida
Sem poder comprar pneus usados
da Europa, remoldadora fica sem matéria-prima
por PATRÍCIA KÜNZEL
A BS Colway, fabricante paranaense de pneus remoldados, ameaça
fechar em fevereiro de 2008 a fábrica de Piraquara, na região
metropolitana de Curitiba. O presidente da empresa, Francisco Simeão,
diz não ter condições de operar por mais tempo,
caso seja mantida a última decisão da presidente do Supremo
Tribunal Federal (STF), ministra Ellen Gracie. Ela suspendeu na quinta-feira
uma liminar da Justiça Federal que havia permitido a importação
de pneus usados, que servem de matéria-prima para a produção.
O estoque material importado da Europa acaba no fim de janeiro de 2008.
“Reunimos os funcionários na última quinta-feira
para avisar que eles terão somente o Natal e janeiro
com emprego garantido”, informa Simeão. A BS Colway
emprega atualmente 700 pessoas, na produção de
100 mil pneus por mês. Até o início deste
ano, eram 1200 empregados para o dobro da produção.
Simeão diz que ainda espera reverter a decisão
que pode impedir a empresa de funcionar. Ele vai entrar com
recurso de agravo e tem reunião agendada com a ministra
do STF para a próxima terça-feira.
No encontro, a empresa vai apresentar argumentos contra os
motivos que pautaram sua decisão: a possibilidade de
dano irreparável ao meio ambiente e a existência
de portarias da Secretaria de Comércio Exterior (Secex)
que vedam a importação de bens de consumo. Com
o agravo, a liminar volta a ser julgada em plenário,
pelos dez ministros do STF, com a presidente como relatora.
Apesar de ter anunciado em julho que transferiria parte da
produção para o Paraguai, Simeão informa
ainda não ter definido se realmente montará uma
fábrica no país vizinho. “Seria puramente
para ganhar dinheiro e não sei se isso vale a pena.
O que nos motiva aqui são os programas sociais que tocamos.
Se for só pelo dinheiro, eu poderia simplesmente investir
no mercado financeiro o nosso capital de giro”, alega.
Além disso, afirma o empresário, há um
cerco em relação ao seu ramo de atividade. “Quando
anunciei que iria para o Paraguai, foram logo limitando a possibilidade
de exportação para o Brasil. Estão sempre
criando alguma barreira”, reclama. Se fechar a fábrica,
a BS Colway continuará atuando com a venda de pneus
novos importados da China, iniciada este ano na rede de lojas
do grupo.
Como se refere apenas à liminar, a decisão da
presidente do STF não impede que no futuro a BS Colway
volte a ter a importação de pneus europeus permitida.
Mas o julgamento do processo, e mesmo do agravo, pode demorar. “Pode
ocorrer logo ou demorar mais de um ano”, explica o professor
de Processo Civil da UniCuritiba, Sandro Martins. A reunião
de representantes da empresa com a ministra, diz Martins, pode
ajudar para uma análise mais rápida do agravo. “O
encontro não tem efeito jurídico, mas pode chamar
a atenção para aspectos que determinem uma urgência
na decisão do plenário e prioridade para a pauta”,
afirma.
Também tramitam na Justiça três ações
diretas de inconstitucionalidade (ADI) do governo do Paraná na
tentativa de viabilizar a atuação da BS Colway.
Elas questionam resoluções do Conselho Nacional
de Meio Ambiente (Conama), da Secretaria de Comércio
Exterior (Secex) e um decreto do presidente da República,
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), todos sobre a importação
de pneus usados. De acordo com Simeão, somente os pneus
usados da Europa têm qualidade suficiente para ser matéria-prima
dos remoldados. “Não dá para remoldar um
pneu brasileiro. As lonas são muito fragilizadas pela
condições das nossas estradas. Mesmo na Europa,
apenas 14% dos pneus realmente servem como matéria-prima.”.
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Gazeta
do Povo, 20 de outubro de 2007
MUNDO | TRABALHO
Greve contra plano de aposentadoria
paralisa transporte público na França
Mal Langsdon/Reuters

Sem trem, ônibus e metrô, parisienses recorrem às
bicicletas.
Paris – Trens, metrôs e ônibus urbanos funcionavam
ontem na França de modo precário, no segundo dia da greve
desencadeada contra o plano do presidente Sarkozy de pôr fim ao
regime especial de aposentadorias que beneficia os trabalhadores dos
transportes. Na quinta-feira, 73,5% dos assalariados cruzaram os braços,
porcentagem que ontem diminuiu, embora não tenham sido divulgados
números oficiais.
Dos oito sindicatos do setor ferroviário, os dois maiores
exortavam seus filiados a não voltarem ao trabalho.
Mas uma dessas organizações, a FGAAC, negociou
um acordo em separado que facultava aos maquinistas aposentarem-se
aos 50 anos, em troca de uma pensão bem menor.
Um levantamento feito pelo jornal Le Monde às 20h30
locais indicava que pelo menos 50% dos trens voltaram a circular.
O serviço mais afetado continuava sendo o das composições
de alta velocidade.
No metrô parisiense circulavam em média duas
a cada três composições. Uma das linhas
urbanas expressas continuava paralisada. Circulavam 70% dos ônibus
urbanos.
O jornal “Le Figaro’’ publicou pesquisa
segundo a qual 67% dos franceses esperam que Sarkozy não
recue da idéia de reformar as aposentadorias.
Os trabalhadores do setor de transportes – a exemplo
dos das estatais de gás, dos bancos públicos
e da Ópera de Paris – aposentam-se com 37,5 anos
de contribuição à Previdência, contra
40 anos para os demais funcionários públicos.
“Febre” das bicicletas
tem primeira vítima
Paris – Uma idosa que andava de bicicleta utilizando o novo sistema
de incentivo de transporte sobre duas rodas em Paris se tornou a primeira
vítima desde a entrada em vigor da popular iniciativa, chamada
Velib, em julho. A mulher morreu na quinta-feira à noite após
colidir com um caminhão em um cruzamento. O motorista do caminhão
não estava alcoolizado, segundo os exames realizados.
O acidente ocorreu em um dia em que o transporte público
em Paris estava quase paralisado devido à greve nacional
de sindicatos de diferentes empresas do setor em protesto contra
uma reforma do sistema de previdência. O dia marcou um
novo recorde para o Velib, com 180 mil aluguéis para
um total de 10.600 bicicletas, frente a 88 mil em um dia normal.
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Folha
de Londrina, 20 de outubro de 2007
SEU DIREITO: AUXÍLIO-DOENÇA
Sou filiado ao INSS desde a década de 80. Por causa
de um problema de saúde fiquei afastado do trabalho e recebi
auxílio-doença por três anos. Posteriormente,
recebi alta e voltei a trabalhar. Este tempo que recebi o benefício
pode ser contado para fins de aposentadoria?
A legislação previdenciária determina que
o tempo que o segurado esteve em gozo de auxílio-doença
ou aposentadoria por invalidez, entre os períodos de trabalho,
conta como tempo de contribuição, para efeito de
aposentadoria em todas as suas modalidades (por tempo de contribuição,
idade e invalidez).
Por outro lado, existem também outros benefícios
previdenciários que podem ser computados como tempo de
contribuição para fins de aposentadoria, como o
período em que a segurada esteve recebendo salário-maternidade,
ou que o obreiro recebeu benefício por incapacidade, em
decorrência de acidente de trabalho.
A lei prevê também que o tempo de recebimento dos
benefícios acima são considerados, inclusive, para
efeito de carência. Em outras palavras, esses períodos
são computados como contribuições mensais
indispensáveis para que o segurado faça jus ao
benefício, o que facilita cada caso, pois cada benefício
tem como requisito um período mínimo de carência
a ser cumprida.
Fábio Antonio da Silva Martin,
advogado
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Folha
de São Paulo, 20 de outubro de 2007
Senador tem curso superior só para
ele
Procuradoria quer fim do privilégio
de Perillo e mulher de assistirem a aulas sozinhos e em horários
adaptados
FELIPE BÄCHTOLD
DA AGÊNCIA FOLHA
O Ministério Público Federal pediu na Justiça
o fim de privilégios que o senador Marconi Perillo (PSDB-GO)
recebe em uma faculdade particular de Goiânia. Ele e
a mulher assistem às aulas sozinhos e com horários
adaptados no curso de direito da Faculdade Alves Faria. Perillo,
que governou o Estado entre 1999 e 2006, e Valéria Perillo
comparecem às aulas só três dias por semana.
A Procuradoria considerou que a prática fere o princípio
da igualdade na prestação de um serviço público.
Uma ação civil pública contra o senador foi encaminhada à Justiça
pedindo o pagamento de uma indenização, ainda sem valor
definido, aos estudantes da faculdade.
Ao Ministério Público a direção da faculdade
disse que, se os dois estivessem em classes comuns, seu "carisma" faria
com que fossem assediados por colegas, o que prejudicaria as aulas. O
Ministério Público argumenta que "até na monarquia
britânica os herdeiros estudam em turmas comuns". A Procuradoria
considera que os outros estudantes acabam arcando com os custos de manutenção
de uma estrutura feita para apenas dois alunos. Os dois pagam de mensalidade
o mesmo valor dos demais alunos -cerca de R$ 600.
O senador disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que não
há irregularidade porque a faculdade é particular e o Ministério
da Educação permitiu a prática. Perillo, 44, não
tem formação em curso superior.
" Recuso-me a seguir exemplos de homens públicos que se contentam
apenas com os importantes diplomas conferidos pela Justiça Eleitoral",
afirmou em nota à imprensa. "Agora, deixem-me estudar."
Em 2002, o presidente Lula disse em cerimônia de diplomação: "Eu,
que durante tantas vezes fui acusado de não ter um diploma superior,
ganho como meu primeiro diploma [...] o de presidente da República".
Fundada há sete anos, a Faculdade Alves Faria pertence ao Grupo
José Alves, que atua também nos setores de bebidas e rastreamento
de cargas. Em 2006, o curso de direito da faculdade obteve conceito 2
no Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), do Ministério
da Educação, em uma escala que vai de 1 a 5.
A faculdade não respondeu aos questionamentos feitos pela Folha.
O Ministério Público apurou o caso após uma representação
feita pelo deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO).
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Folha
de São Paulo, 20 de outubro de 2007
CRÉDITO PARA EMPRESAS
BNDES obtém financiamento
de US$ 1 bilhão com o BID
DA SUCURSAL DO RIO
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social) fechou contrato de financiamento de US$ 1 bilhão
com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para investimentos
em expansão e modernização de micro, pequenas
e médias empresas.
O contrato, assinado por Luciano Coutinho, presidente do banco, e o presidente
do BID, Luis Alberto Moreno, é a segunda etapa de uma linha de
crédito condicional de US$ 3 bilhões, aprovada em 2004.
Essa linha permite o uso de recursos em três operações
de até US$ 1 bilhão.
O BID pode desembolsar os recursos em reais e o BNDES pode amortizar
total ou parcialmente o empréstimo. Segundo o BNDES, a concessão
em moeda local permite melhores condições de planejamento
financeiro diante de variações cambiais. O prazo de amortização
do empréstimo é de 20 anos, com carência de até quatro
anos. "O BNDES é o nosso maior e mais importante cliente",
disse Moreno.
A primeira operação de US$ 1 bilhão foi contratada
em setembro de 2005. Com os recursos, foram realizados 31.755 financiamentos,
com valor médio de US$ 54 mil. Coutinho disse que pretende usar
a segunda parcela de US$ 1 bilhão em 2008 e já iniciou
procedimento para aprovar a terceira parcela.
Desde 1995, o BID apoiou cinco programas de crédito com o BNDES,
somando US$ 4,5 bilhões. O banco fechou acordo com o IFC (International
Financial Corporation, o ramo do setor privado do Bird) e o BID, criando
um programa (Brazil PSP Development Program) de financiamento de projetos
de infra-estrutura em concessões públicas e PPPs (parcerias
público-privadas) na América do Sul.
Ele prevê a criação de um fundo com aporte inicial
de US$ 3,99 milhões, entre BNDESPar, IFC e BID; e adicional de
US$ 8 milhões.
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