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Agência Senado, 24
de Outubro de 2007
Trabalhadores da construção
civil pedem a Tião Viana aprovação de café da
manhã gratuito

Trabalhadores da construção civil pediram nesta terça-feira
(23) ao presidente interino do Senado, Tião Viana, apoio para aprovação
de projetos de interesse da classe que estão tramitando no Congresso.
Um deles obriga as empresas de construção civil a fornecerem
café da manhã gratuito a todos os trabalhadores. O projeto está na
Câmara.
- O café da manhã de
graça pode diminuir os acidentes de trabalho. Esses trabalhadores
levantam muito cedo e lá pelas nove da manhã eles começam
a ficar tontos, por falta de comida - explicou o presidente da Confederação
de Sindicatos de Trabalhadores da Construção Civil e da
Madeira, Valdemar Pires de Oliveira. Ele esteve com o presidente do Senado
acompanhado do deputado Vicentinho, ex-presidente da Central Única
dos Trabalhadores (CUT).
Outro projeto defendido
pela Confederação, também tramitando na Câmara,
passa aconsiderar o trabalho na construção civil como
perigoso, o que dará aos seus trabalhadores alguns adicionais
em termos de salário e aposentadoria. A terceira proposta defendida
determina que as empresas terceirizadas da construção
civil, contratadas por empreendedoras que tomam empréstimos
oficiais, não poderão manter trabalhadores sem carteira
assinada.
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Agência Senado, 24
de Outubro de 2007
Ministro e centrais sindicais pedem
que Senado restaure imposto sindical

Acompanhado de dirigentes de centrais sindicais, senadores e deputados, o ministro
do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, visitou na manhã desta quarta-feira
(24) o presidente interino do Senado, Tião Viana, para pedir a restauração
da obrigatoriedade da contribuição sindical, derrubada pela Câmara
na semana passada.
A emenda que derrubou essa contribuição
obrigatória foi aprovada no bojo de projeto que regulamenta as
centrais sindicais. Os deputados decidiram tornar facultativa a contribuição.
Se o Senado confirmar a mudança, o trabalhador vai precisar autorizar
o desconto da contribuição em sua folha de pagamento. O
ministro do Trabalho disse que só tiraram a contribuição
obrigatória dos trabalhadores, não a dos patrões.
- Nosso objetivo é agilizar,
no Senado, a votação de um projeto que, na Câmara,
recebeu duas emendas que não eram parte do acordo entre as centrais
sindicais. Nós estamos solicitando aos senadores que suprimam
essas emendas, até porque não é de justiça
a gente ter uma parte só da arrecadação punida.
Só da parte dos sindicatos de trabalhadores é que se retiraram
os impostos. Da parte patronal, não - destacou o Carlos Lupi.
À saída da Presidência
do Senado, o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira
da Silva (PDT-SP), também deu entrevista anunciando que as centrais
sindicais estão trabalhando intensamente pela mudança do
projeto. Ele disse que, nos estados, os trabalhadores procurarão
os senadores em quem votaram para pedir a mudança.
- O que houve na Câmara
foi um golpe dado na calada da noite ou no meio do jogo do Brasil. As
pessoas nem sabiam o que estavam votando. Nós pretendemos, no
Senado, explicar a cada líder partidário e a cada um dos
senadores o que aconteceu. É preciso que todos entendam os problemas
que virão se esse projeto for mantido como veio da Câmara.
Porque ao acabar com o imposto sindical, você destrói toda
a estrutura sindical do país - destacou o presidente da Força
Sindical.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
24 de outubro de 2007
Para STJ, cobrança de assinatura
básica mensal em telefonia fixa é legal
A 1ª Seção do STJ (Superior Tribunal de Justiça)
reconheceu a legalidade da cobrança da assinatura básica mensal
em serviço de telefonia fixa. A decisão, proferida na manhã desta
quarta-feira (24/10), foi por maioria de votos.
Os membros da Seção
seguiram o entendimento do relator, ministro José Delgado. A exceção
foi o ministro Herman Benjamin, que votou contra a cobrança da
assinatura básica mensal.
Segundo informações
da assessoria de imprensa do tribunal, a decisão estabelece a
posição do STJ e passa a orientar o julgamento de todas
as ações que chegarem ao tribunal.
O ministro José Delgado,
relator do caso, reconheceu a legalidade da cobrança por considerar
que a tarifação tem amparo na legislação.
Para o ministro, a cobrança tem origem contratual, além
de ser destinada à infra-estrutura do sistema. O voto do relator,
proferido em maio deste ano, foi acompanhado pelo ministro João
Otávio de Noronha. Em seguida, o ministro Herman Benjamin pediu
vista antecipada do processo.
Na sessão de hoje, o ministro
Herman Benjamin apresentou seu voto-vista. Ele divergiu do relator entendendo
ser ilegal a cobrança da assinatura básica mensal em serviço
de telefonia fixa. Para ele, a cobrança não está prevista
na Lei Geral de Telecomunicações e viola o Princípio
da Legalidade, pois, segundo o ministro, a Anatel (Agência Nacional
de Telecomunicações) não poderia prever essa tarifação
por meio de resolução.
O ministro Herman Benjamim também
afirmou que a cobrança da assinatura básica contraria o
artigo 39 do CDC (Código de Defesa do Consumidor).
Ainda segundo o ministro, a cobrança
gera desequilíbrio da relação contratual, além
de ser discriminatória, pois privilegia os mais ricos em detrimento
dos mais pobres. “Perpetua-se, assim, a exclusão digital”,
salientou.
Após o voto-vista do ministro
Herman Benjamin, os demais integrantes proferiram seus votos. Os ministros
Eliana Calmon, Luiz Fux, Teori Albino Zavascki, Castro Meira, Denise
Arruda e Humberto Martins acompanharam o entendimento do relator, ministro
José Delgado. O ministro João Otávio de Noronha
já havia votado no mesmo sentido do relator. Com isso, o recurso
da Brasil Telecom foi acolhido por maioria de votos.
Batalha
Judicial
A discussão judicial começou porque uma consumidora gaúcha
moveu ação de inexigibilidade da cobrança cumulada com
repetição de indébito (devolução dos valores
pagos indevidamente). O objetivo da consumidora era, além de ser desobrigada
do pagamento da cobrança, receber de volta, em dobro, os valores pagos
pela assinatura do telefone fixo à Brasil Telecom.
Em primeira instância,
a consumidora não teve sucesso, mas apelou ao TJ-RS, que atendeu
o pedido. O tribunal entendeu ser abusiva a exigência de contraprestação
por serviço não fornecido, além de não existir
previsão legal para a cobrança e terem aplicação
ao caso as normas do CDC (Código de Defesa do Consumidor).
A Brasil Telecom recorreu, então,
ao STJ, sustentando que os direitos previstos no CDC não excluem
os decorrentes da legislação ordinária preexistente,
qual seja, a Lei Geral das Telecomunicações.
Disse ainda que a tarifa
mensal não é voltada apenas à cessão de
linha ou de terminal telefônico, mas também à infra-estrutura
fornecida. Alega que norma da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações)
autoriza a cobrança da tarifa de assinatura e que somente caberia
a repetição do indébito quando demonstrado o erro
do pagamento voluntário.
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ÂMBITO JURÍDICO,
24 de outubro de 2007
5ª Turma decide: contribuição
sindical compulsória é devida por empresa não
empregadora
Segundo entendimento da 5ª Turma do TRT-MG, expresso em decisão
recente, a contribuição sindical compulsória, prevista
no artigo 578 e seguintes da CLT, é devida por todos os que participam
da categoria econômica ou profissional, ou de uma profissão liberal.
Pela decisão, não importa o fato de a empresa participante da
categoria econômica não possuir empregados.
Quem explica é o desembargador
José Murilo de Morais, relator de recurso em que a empresa - uma
holding pura que exerce atividade econômica mediante participação
em outras empresas - insistia na tese de que, por não ser empregadora
e não integrar a categoria econômica, não seria sujeito
passivo da contribuição sindical que a federação
recorrida vem lhe cobrando desde 2002: “O fato de não ser
a recorrente empregadora, não a isenta da contribuição
sindical, pois, ao contrário do que sustenta, ter empregados não
constitui requisito de legitimação” . Ele esclarece
que o art. 579 da CLT estabelece simplesmente que a contribuição
sindical é devida por todos aqueles que participam de uma determinada
categoria econômica, sem ressalvas. “Assim, sendo a contribuição
devida por todos, deve-se entender que o termo ‘empregadores’ foi
utilizado no inciso III do art. 580 da CLT não com intuito de
excetuar os não-empregadores da obrigação, mas sim
como sinônimo de categoria econômica, cujos integrantes,
via de regra, são empregadores” – conclui o relator.
Por esse fundamento, a Turma
manteve a sentença que julgou improcedente a ação
declaratória cumulada com repetição de indébito,
negando provimento ao recurso da empresa.
( RO nº 01726-2006-044-03-00-1
)
Fonte: TRT3
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Diário Vermelho, 24
de Outubro de 2007
Paim acredita que Senado vai corrigir
projeto sobre centrais sindicais
O Projeto de Lei que reconhece
as centrais sindicais, alterada na Câmara dos Deputados, pode voltar à redação
original na votação no Senado. O senador Paulo Paim (PT-RS)
disse que a alteração feita na Câmara deixa o texto
muito confuso. "O trabalhador não vai pagar via empresa,
isso não é bom para ninguém, complicou tudo",
disse.
Ele explica que a alteração feita na Câmara "não
muda a contribuição sindical em matéria de pagamento.
O trabalhador tem que pagar, porque não tirou a obrigatoriedade do imposto
sindical compulsório, mas criou burocracia para ele pagar para o seu
sindicato correspondente".
A Câmara aprovou emenda
do deputado Augusto Carvalho (PPS-DF) que exige autorização
do trabalhador para o desconto em folha de pagamentos do imposto sindical.
A partir da medida, o trabalhador continua obrigado a pagar, mas o pagamento
será feito no banco e não mais em desconto na folha de
pagamento pela empresa.
"Essa burocracia só enfraquece
o movimento sindical porque cria uma luta fratricida entre sindicatos
de trabalhador, empregador, Ministério Público e Ministério
Público do Trabalho, centrais e confederações. Não
leva a nada – é uma batalha que não leva ninguém
a vitória", avalia o senador.
Imperfeições
Ele disse que em conversa com
outros senadores acredita que o Senado deve corrigir as imperfeições
do projeto. "A expectativa é de que a gente consiga fazer
a correção. Em conversa que tive com outros senadores,
a opinião de todos é de que isso não leva a nada
e a melhor forma é construir uma redação de consenso
que não enfraqueça o movimento sindical".
Paim anunciou para o dia 1o de
novembro a realização de uma audiência pública
conjunta das comissões de Direitos Humanos, Assuntos Sociais e
Constituição e Justiça do Senado para discutir o
assunto.
O senador petista, que deve ser
o relator na matéria na Comissão de Assuntos Sociais, disse
que a audiência pública vai reunir todas as partes envolvidas
- as centrais sindicais, confederações e o Departamento
Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). Ele vai convidar também
a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça
do Trabalho (Anamatra) que diz que a emenda é inócua, só cria
confusão.
Paim acredita que o Senado "vai
consertar as imperfeições do projeto para garantir reconhecimento
das centrais sindicais, que ninguém é contra, porque foi
resultado de um acordo entre todas as partes envolvidas – trabalhador,
empregador e governo".
"A forma dessa construção
e a redação final será fruto de uma construção
coletiva, resultado dessa audiência do dia 1º. Até pode
ser o retorno do texto original, se a gente concluir que essa é a
melhor solução", conclui.
De Brasília
Márcia Xavier
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Diário Vermelho, 24
de Outubro de 2007
CUT cobra providências sobre
juiz anti-Lei Maria da Penha
''Os argumentos usados pelo juiz
Edilson Rumbelsperger, de Sete Lagoas (MG), em sentença na qual
desqualifica a Lei Maria da Penha, são de um obscurantismo atroz.
Uma mistura de medievalismo com misoginia que não merece muitos
comentários. Basta dizer que esse juiz simplesmente nega acolhimento
de ações contra homens que batem em mulheres pois, segundo
ele, isso tornaria o homem 'mole''', diz a nota da CUT.
A nota ainda destaca que ''o uso de seu
cargo para produzir sentenças como as denunciadas por reportagem
da Folha de S. Paulo, no último domingo (21), exige um posicionamento
claro e enérgico por parte de nós todos e todas e especialmente
dos órgãos que podem, de alguma maneira, disciplinar
a atividade do Judiciário.''
A nota da CUT ainda exigiu providências sobre as declarações
do juíz.
''Exigimos que providências sérias sejam tomadas para que sentenças
com esse nível de justificação sejam interrompidas'',
diz o texto.
''A Lei Maria da Penha é uma conquista histórica das mulheres,
que traz à luz o drama vivido por milhares delas e lhes garante proteção.
Portanto, merece respeito e estrito cumprimento'', concluí a nota assinada
por Carmem Helena Foro, Secretária nacional sobre a Mulher Trabalhadora
da CUT, e Artur Henrique, Presidente nacional da CUT.
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Congresso em Foco, 24 de
outubro de 2007
PSDB vai virar à esquerda para
suceder Lula, diz Sérgio Guerra
Edson Sardinha e Lúcio Lambranho

Próximo presidente do PSDB, senador pernambucano afirma que o partido
vai se aproximar dos movimentos sociais para vencer as eleições
em 2010. Para ele, tucanos precisam corrigir rumos. Confira
Tucanos, saída à esquerda
Um PSDB mais à esquerda,
mais próximo das bases sociais e com soluções mais
claras para o país. Mas sem renegar o passado e com um objetivo
claro e fixo: eleger o sucessor de Lula em 2010. Esse é o discurso
que vem sendo afinado pelo próximo presidente do partido, o senador
Sérgio Guerra (PE).
Com a experiência de quem coordenou a campanha de Geraldo Alckmin (PSDB)
no ano passado, Guerra diz que os tucanos não podem pensar em voltar
ao poder com as mesmas propostas derrotadas nas urnas em 2006.
“ O partido vai se aproximar mais das suas bases. Vai se construir em todos
os estados de maneira sólida e se abrir para muita gente que quer participar
e vai ser chamada a participar de um PSDB renovado, com um objetivo muito claro,
pragmático: ganhar a eleição daqui a três anos”,
afirma o senador.
Nesta entrevista exclusiva ao Congresso em Foco, Sérgio Guerra admite
que o PSDB se tornou “prisioneiro” de uma “nova concepção
de política no Brasil” e perdeu a eleição porque
não soube dimensionar o poder de Lula com os movimentos sociais. “Meu
partido não é um partido de alienados. Nós não
vivemos na lua. Vivemos no Brasil. Nós disputamos a eleição,
perdemos. Nós temos que corrigir rumos”, reconhece.
“ Lula usou instrumentos que nós não soubemos confrontar.
Movimentação na base social, do povo, e de instituições
que receberam dinheiro público. As ONGs da vida e muitas instituições,
que ao invés de cumprirem o papel para o qual foram destinadas, transformaram-se
em comitês eleitorais do presidente Lula. Além disso, fizeram a
chantagem do Bolsa Família, dizendo que a gente ia acabar com ela”,
diz.
Nova esquerda
Sem renegar o passado, reconhecendo que o partido poderia ter defendido de
forma mais contundente o governo Fernando Henrique Cardoso durante a campanha
de Alckmin, o futuro presidente do PSDB já tem na ponta da língua
uma nova concepção de esquerda, com a qual tentará diferenciar
seu partido do PT.
“ Ser da esquerda é arrancar o povo que está na pobreza para
melhorar, e não acomodar o povo lá embaixo como o PT faz. Distribuir
pobreza. A gente não quer isso, a gente quer que todos melhorem e que
o emprego aumente. Apontar a porta de entrada da Bolsa Família e a porta
de saída. Da Bolsa Família para o emprego. Do emprego para a cidadania.
Da cidadania para liberdade econômica, política, emancipatória.
Um partido assim, que não tenha timidez de dizer o que pensa.”
Sérgio Guerra pretende ampliar a base partidária nos estados
e abrir espaço para esquerdistas desiludidos com a crise ética
petista. “Acho que o PT precisa ser refundado. Isso não quer dizer
que não tenha gente decente no PT. Tem muita gente decente”, afirma,
endossando a tese levantada, pela primeira vez, no auge da crise do mensalão,
pelo hoje ministro da Justiça, Tarso Genro.
Walfrido
Mesmo com a agenda voltada para o “novo” PSDB, o senador pernambucano
não perde de vista as articulações governistas no Congresso
e diz não ver com bons olhos a atuação do atual ministro
das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia.
“ Na época do ministro Tarso Genro, a conversa do governo com o
Congresso se dava entre as forças políticas. Com o ministro Walfrido,
agora, aparentemente a relação não é com os partidos, é com
os políticos, os parlamentares. Nós não achamos isso um
bom caminho. Não achamos isso um bom sinal”, critica. “Esse
negócio que cinco deputados se juntam indicam um diretor de uma estatal
para fazer o quê? Imagina. Isso não pode continuar. Nós vamos
ter que acabar com isso”, emenda.
Apesar da desconfiança política em relação ao ministro,
Guerra não vê motivo para o afastamento de Walfrido, acusado de
participar do chamado mensalão mineiro, cujo principal beneficiário,
segundo a Polícia Federal, era o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG).
“ Acho que o ministro Walfrido é uma pessoa que tem responsabilidade,
um novo rico da política, não conhece isso direito. Mas ele não é uma
pessoa com esse grau de comprometimento, não. De jeito nenhum. Zé Dirceu
e Delúbio, esses caras abriram conta até lá fora para pagar
conta do partido. Foi Duda Mendonça que disse isso. Não fomos nós
que inventamos”, ataca.
Azeredo
O futuro presidente do PSDB parece ignorar que as acusações contra
Azeredo também tiveram como origem o pagamento de despesas de campanha,
inclusive, do próprio publicitário baiano, responsável
tanto pela propaganda eleitoral de Lula em 2002 quanto pela do senador mineiro
em 1998. Se para os adversários sobram ataques, Sérgio Guerra
não poupa elogios para o ex-governador de Minas.
“ Eu, pessoalmente, tenho confiança total na idoneidade do senador
Eduardo Azeredo. É a pessoa mais honesta que eu conheço. Eu duvido
que um petista possa dizer isso do senhor Delúbio”, desafia. “Mas
eu, tucano, digo isso de Eduardo Azeredo com completa tranqüilidade. Não
conheço homem público no Brasil mais honesto do que ele”,
completa.
Prestes a completar 60 anos, o economista Sérgio Guerra deve ser confirmado
como novo presidente do PSDB na convenção marcada para 23 de
novembro, com o apoio dos principais cardeais da legenda. Ex-aliado político
do ex-governador Miguel Arraes (PSB), com quem rompeu no final dos anos 90,
e atualmente ligado ao grupo do também senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE),
Guerra está no PSDB desde 1999. Antes, passou pelo PDT, o PMDB e o PSB.
Leia, a seguir, a íntegra
da entrevista:
Congresso em Foco - O senhor vai assumir a presidência
do PSDB. O que deve mudar no eixo do partido?
Sérgio Guerra – O partido vai se aproximar mais das suas bases.
Vai se construir em todos os estados de maneira sólida e se abrir para
muita gente que quer participar e vai ser chamada a participar de um PSDB renovado,
com um objetivo muito claro, pragmático: ganhar a eleição
daqui a três anos.
O partido vai mais para a esquerda?
Não tenha a menor dúvida. O partido se desloca cada vez mais
para o centro, para o centro-esquerda e para uma posição progressista,
que é a sua origem e que vai ser o seu futuro.
E se afastará também do DEM?
O DEM tem seu papel. Ele próprio está procurando sua identidade,
seu caminho. Isso não nos impede de refletir sobre trabalhar junto com
o DEM, fazer coligação com o DEM sempre, porque são aliados
de primeira linha.
É um grande desafio, pois o PT acabou incorporando muito daquele discurso
que era do PSDB, e como é que o senhor acha que seu partido pode retomar
isso?
Mas o PT se desvirtuou. Uma coisa é o PT de antes e outra coisa é o
PT de agora. Uma coisa é o PT das lutas trabalhista, da organização
sindical, da construção da oposição brasileira,
do voto livre e aberto, e da denúncia da corrupção. Outra
coisa é o PT do Delúbio, do Zé Dirceu. Essa gente não
tem nada a ver com a luta do povo nem com a esquerda. Tem a ver com esses elementos
que caracterizam a pior face da política sul-americana.
Falando mais de PSDB, o TSE estendeu a fidelidade partidária para os
cargos majoritários. O senhor acha que o governador Aécio Neves
agora fica no partido ou o senhor já confiava na fidelidade dele ao
PSDB?
Esse comentário sobre a saída de Aécio do PSDB é uma
fraude.
Mas mesmo com o convite do presidente Lula de ser o candidato da base, caso
ele deixasse o PSDB?
O presidente pode convidar quem ele quiser. Mas, do ponto de vista real do
PSDB, Aécio foi deputado do partido, líder, presidente da Câmara,
candidato a prefeito, governador por duas vezes e é um dos líderes
mais importante que o partido teve e tem. Tem ampla possibilidade de ser candidato
a presidente da República. O partido tem outros candidatos, mas acho
que não tem na cabeça de Aécio, e nunca esteve, essa idéia
de sair de um partido que ele desenvolveu e que não seria o mesmo sem
ele.
Nenhum partido tem tanto pré-candidatos à presidência como
o PSDB. Como o senhor vai administrar essa questão para que o partido
não entre numa guerra interna?
Não faz mal que o partido tenha disputa, dois candidatos. Cada um busca
apoio. O importante é que esse movimento se dê em ordem, de forma
democrática, aberta, limpa e transparente. É nisso que eu acredito.
O PT volta e meia fala e usou durante a campanha eleitoral
que o PSDB tenta esconder o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Como o senhor vê essa questão?
Isso é conversa de elefante. Não tem nada disso. A gente não
podia ficar fazendo campanha de um ex-presidente que havia deixado a presidência
quatro anos antes. Não havia porque discutir o passado, nós queremos
discutir o futuro. O passado nosso não é um passado que nos diminua.
O passado fez com que o partido crescesse. Ficar discutindo o que Fernando
Henrique fez ou deixou de fazer não era objetivo na eleição.
Era o jogo deles, mas não era o nosso.
Mas depois da reeleição, o ex-presidente Fernando
Henrique reclamou que o PSDB deveria ter defendido as privatizações.
O presidente Fernando Henrique disse que o PSDB deveria ter defendido mais
a sua base, seus princípios e sua própria legenda. Ele tem razão.
Nós estamos muito tímidos nos elogios das nossas virtudes. O
ex-presidente está absolutamente certo. Também nas privatizações
poderíamos ter sido mais incisivos, mais práticos e mais seguros.
Mas essa defesa das privatizações não
contraria esse namoro do PSDB com a esquerda?
Não. É uma coisa pré-histórica imaginar que não
tenha sentido fazer privatização e, ao mesmo tempo, o partido
ser progressista, avançado ou, como se queira dizer, de esquerda. Não
tem nada ver. O que caracteriza a esquerda é o progresso com a participação
popular. Com a transformação de setores sociais pobres que vão
emergindo, crescendo e melhorando. Ser da esquerda é arrancar o povo
que está na pobreza para melhorar e não acomodar o povo lá embaixo
como o PT faz. Distribuir pobreza. A gente não quer isso, a gente quer
que todos melhorem e que o emprego aumente. Apontar a porta de entrada da Bolsa
Família e a porta de saída. Da Bolsa Família para o emprego.
Do emprego para a cidadania. Da cidadania para liberdade econômica, política,
emancipatória. Um partido assim, que não tenha timidez de dizer
o que pensa.
O partido já tem uma posição definida sobre o chamado "mensalão
mineiro" e a situação do senador Eduardo Azeredo (MG)?
Eu não acredito em mensalão mineiro. Primeiro, porque não é o
caso de mensalão. Não há denúncias que se tenha
usado recursos de algum tipo em Minas Gerais, passando pelo PSDB, para cooptação
de maioria de parlamentares na Assembléia Legislativa de Minas Gerais,
como foi feito aqui com Zé Dirceu e Delúbio. O objetivo era cooptar
deputados, senadores para fazer maioria do governo. Nós nunca trabalhos
nisso. O que se discute em Minas Gerais é uso irregular de recursos
em campanha. Caixa dois em campanha, que era modesto no Brasil até pouco
tempo atrás. E o episódio de Minas Gerais não é do
PSDB. Vai do PSDB ao PT. Inclusive os relatórios da Polícia Federal
apontam recursos maiores para o Partido dos Trabalhadores do que para gente
com vinculação ao PSDB. Não podemos defender o indefensável.
Nós não concordamos com isso, mas entendemos que problemas surgiram
e devem ser enfrentados, esclarecimentos têm que ser dados. Eu, pessoalmente,
tenho confiança total na idoneidade do senador Eduardo Azeredo. É a
pessoa mais honesta que eu conheço. Eu duvido que um petista possa dizer
isso do senhor Delúbio. Mas eu, tucano, digo isso de Eduardo Azeredo
com completa tranqüilidade. Não conheço homem público
no Brasil mais honesto do que ele.
Mas o ministro Walfrido dos Mares Guia está diretamente
envolvido no caso. Se fosse outro personagem, o PSDB não pediria
a cabeça dele ao governo?
Nós não temos como prejulgar ninguém. Para nós,
o senador Eduardo Azeredo é íntegro, sério. Essa é a
nossa opinião sobre ele. Acusado ele será, ou se for, defesa
ele vai fazer e promover. Não vamos prejulgar ninguém. Minas
Gerais inteira reconhece isso. Não conheço nenhum mineiro, nenhum
eleitor de Minas Gerais, nenhuma força política de Minas Gerais
que possa dizer o seguinte: Eduardo Azeredo é um homem honesto. Não
podemos permitir que um quadro como esse seja exposto à desmoralização
porque não cabe. Não é justo, não é correto.
Mas em relação ao ministro Walfrido?
O ministro Walfrido é um problema do governo, não é nosso.
Não temos nada a ver com o que ele faz ou deixa de fazer. Nós
não queremos é que ele faça cooptação de
políticos aqui para votar no governo. Na época do ministro Tarso
Genro, a conversa do governo com o Congresso se dava entre as forças
políticas. Com o ministro Walfrido, agora, aparentemente a relação
não é com os partidos, é com os políticos, os parlamentares.
Nós não achamos isso um bom caminho. Não achamos isso
um bom sinal.
É sinal de cooptação?
Pode ser e pode não ser. Eu acho que deveria ser uma discussão
nos partidos e não nos parlamentares. Democracia é assim.
Fora essa participação no caso de Minas Gerais,
o ministro vem sofrendo outras denúncias. O senhor não
acha que o presidente tem sido até mais condescendente com ele
do que foi com o ex-ministro José Dirceu, por exemplo?
Não, de jeito nenhum. Acho que o ministro Walfrido é uma pessoa
que tem responsabilidade, um novo rico da política, não conhece
isso direito. Mas ele não é uma pessoa com esse grau de comprometimento,
não. De jeito nenhum. Zé Dirceu e Delúbio, esses caras
abriram conta até lá fora para pagar conta do partido. Foi Duda
Mendonça que disse isso. Não fomos nós que inventamos.
O Duda Mendonça do Lula. O Duda Mendonça do PT. O que Zé Dirceu
e esse pessoal fez no Brasil é algo que não foi feito, nem 10%
disso na época do presidente Collor, por exemplo. Ninguém usou
o ambiente público, o recurso público para estruturar o partido
numa eleição como eles fizeram e continuam fazendo. Basta ver
como qualquer eleição do PT é milionária. Na campanha
passada, que eu estava muito perto, quem introduziu o crime foi o PT. Quem
foi atrás de dossiê, pagou dinheiro contra José Serra e
Geraldo Alckmin? Foi o PT ou fomos nós? Eles é que levaram o
crime para campanha. Acho que o PT precisa ser refundado. Isso não quer
dizer que não tenha gente decente no PT. Tem muita gente decente.
Com tantos nomes fortes para a sucessão presidencial,
o principal adversário do PSDB hoje é o PSDB?
Não, o PSDB vai crescer agora, vai se consolidar, se estadualizar para
uma eleição mais bonita. Uma eleição que, esperamos,
seja mais democrática até porque não vai haver reeleição.
E o que o partido pretende nas eleições municipais
do ano que vem?
Crescer nas áreas metropolitanas, manter a mesma posição
no meio rural, em municípios que têm base no interior dos estados.
E o discurso do partido?
Para frente. Olhar para frente. Os fundamentos do governo Lula já estão
mais do que claros: muita propaganda, despesa social grande, investimentos
sociais que não produzem solução, mas que ajudam a população.
Faltam obras, tem muita garganta e pouca realização e, do ponto
de vista político, muita corrupção. Parcelamento do estado.
Esse negócio que cinco deputados se juntam indicam um diretor de uma
estatal para fazer o quê? Imagina. Isso não pode continuar. Nós
vamos ter que acabar com isso. Com a vulgarização da atividade
pública no Brasil que nunca tomou a escala que tomou agora neste governo,
no atual mandato do presidente Lula.
O senhor vê piora no segundo mandato do presidente Lula?
Claro. Eu pensei que o presidente ia reformar seu governo. Ao invés
de reformar, aumentou o número de ministérios, inventou ministro
pro futuro para o passado. Eu não sei mais quantos são os ministros.
Eu sei que tem uns dois ou três que trabalham e os outros que não
fazem nada.
O PSDB vai retomar o discurso que tinha na sua origem, no final
dos anos 80?
É . Eu acho que o PSDB é aquilo. É o partido da mudança
no Brasil e da mudança responsável com equilíbrio. Esse
negócio que tucano é complicado não faz mal. Nós
temos democracia. Nós queremos discutir mesmo. Não é questão
de estar em cima do muro. É questão de ter opinião. Para
ter opinião, tem que ter discussão. Não pode ter conclusão
antes da análise. Isso um partido moderno não vale. Nós
somos assim.
Como o senhor acredita que o PSDB vai chegar nessa base social,
considerando que os movimentos sociais mais à esquerda estão
vinculados ao PT?
Dando exemplo. Nós temos que dar exemplo dos governos que fizemos e
fazemos.
Qual seria o melhor exemplo?
Posso dar dois magníficos exemplos. O governo que Aécio Neves
faz em Minas Gerais e o governo que José Serra faz em São Paulo.
Posso falar também do governo do Beto Richa lá em Curitiba. Há dezenas
de exemplos que, devidamente bem interpretados, podem dar o seguinte recado:
o Brasil assim é melhor do que do jeito que está. E é assim
que nós vamos fazer.
O senhor acha que o seu partido faz agora uma oposição
mais branda do que no primeiro mandato do presidente Lula?
Não. Meu partido não é um partido de alienados. Nós
não vivemos na lua. Vivemos no Brasil. Nós disputamos a eleição,
perdemos. Nós temos que corrigir rumos. Temos que tomar novas formas
de encaminhamento. Isso não quer dizer que a oposição
esteja mais assim ou mais assada. A oposição está firme
do mesmo jeito. A nossa oposição agora tem outro conteúdo.
A gente não pode disputar a próxima eleição com
o mesmo discurso que perdemos a última. Então nós temos
que ter cabeça e entender que o Brasil quer solução para
os seus problemas. Não adianta ficar xingando ninguém. Adianta
ajudar a resolver os problemas. Apontar naquilo que o governo atual é incapaz
de atuar de maneira consciente. Na construção de soluções
verdadeiras para o povo. Não tenho nada contra o Bolsa Família.
Eles disseram que nós iríamos acabar com o Bolsa Família.
Nós nunca desejamos isso. Achamos que o Bolsa Família é muito
importante, mas não queremos ser o país da Bolsa Família.
Para nós do PSDB, não é importante que o governo aumente
de dez para 12 e de 12 para 15 milhões o número de famílias
que recebem o Bolsa Família. Isso não é vantagem. Nós
queremos que o número diminua. Que a população dependa
cada vez menos do Bolsa Família. É um viés contrário.
Nós estamos afinando o nosso discurso, que não é radical,
o PSDB nunca foi um partido radical, mas que é incisivo, coerente contra
o governo. Tanto é que não há outro partido que dê mais
voto contra o governo.
Fazendo uma autocrítica, no que o senhor acha que o PSDB errou no primeiro
mandato do presidente Lula?
Eu acho que nós fomos prisioneiros de uma grande e nova concepção
de política no Brasil. Lula usou instrumentos que nós não
soubemos confrontar. Movimentação na base social, do povo, e
de instituições que receberam dinheiro público. As ONGs
da vida e muitas instituições, que ao invés de cumprirem
o papel para o qual foram destinadas, transformaram-se em comitês eleitorais
do presidente Lula. Além disso, fizeram a chantagem do Bolsa Família,
dizendo que a gente ia acabar com ela. Usaram o tempo da televisão do
presidente Lula de maneira completamente desequilibrada. Ou seja, o presidente
aparecia como candidato e como presidente. A reeleição foi um
elemento que só surgiu de maneira concreta nessa última eleição
para presidente da República. Não havia tradição
de se disputar com alguém reeleito e com a capacidade do PT de usar
todos os instrumentos do governo em benefício dos objetivos deles. Enfim,
nós tivemos uma disputa desequilibrada, mas quase ganhamos. No primeiro
turno nós chegamos a ficar a dois ou três pontos do presidente
Lula. Não é verdade que ele seja bloqueado, blindado, nada disso.
Cometemos alguns erros que estamos corrigindo, mas estamos reparando nossos
erros e temos qualidade para ganhar daqui a três anos com completa e
absoluta chance de vitória.
O senhor falou dessa base social que o PT usou, segundo o senhor, para reeleição.
Recentemente o Senado criou uma CPI para investigar para investigar ONGs que
receberam dinheiro do governo. O senhor não acha que essa CPI está muito
morna?
O governo e o PT estão travando essa CPI. Nós somos minoria e
temos que arrancar no muque as nossas propostas aqui dentro. E essa vai direto
na veia do PT, na veia do governo. Realmente, eles usam essas instituições,
no mínimo, e não estou falando de corrupção. Mas
para o uso eleitoral completamente ilegal, eu tenho certeza.
Mas a oposição não deveria ser mais incisiva como foi
em outros momentos?
Ela será. Nós estamos aqui no Senado atropelados por essa questão
da Mesa e do presidente Renan, mas estamos com fé em Deus que vamos
sair disso rapidamente.
O governo tem sinalizado com a possibilidade de negociar para
aprovar a CPMF aqui no Senado. A relatora, senadora Kátia Abreu
(DEM-TO), já disse que com ela não tem conversa. E esse
também tem sido o discurso do Democratas. Em que termos o PSDB
aceita a aprovação da CPMF?
Nos termos que, seguramente, o governo não aceitará: redução
da carga tributária e da despesa pública, especialmente da despesa
corrente e da gastança. Se o governo aceitar reduzir a gastança
e a carga tributária de maneira que a população possa
perceber que está pagando menos imposto, terá o apoio do PSDB.
Eu acho que a senadora Kátia Abreu tem razão. Ela vai aos finalmentes
quando diz que não terá negociação. Porque o que
o governo até hoje falou de negociação, ou alguns do governo
falaram, o presidente não falou, mas rigorosamente o que eles estão
falando é uma coisa absolutamente ridícula. Reduzindo a CPMF
em não sei quanto por cento, números infinitamente mínimos,
até o ano de 2015. A gente não cai nessa. Isso não é conversa
que se apresente.
Que garantias o governo poderia dar então?
Garantia do governo é difícil. Garantias eles têm que fazer
aqui no Senado e no Congresso. Nós queremos resolver isso aqui. Mas
o que vai haver, eu tenho quase certeza, é uma disputa aqui dentro.
Os que querem acabar com a carga tributária, deixar a população
trabalhar e produzir livremente, não permitir que o Brasil tenha 30,
40 ministérios, essa farra de cartões de crédito, cartões
corporativos, um país mais limpo mais claro, vão votar para acabar
com a CPMF. Quem tiver cooptado com o governo de forma consciente ou inconsciente
vai tentar uma defesa de uma causa contra o povo. Essa história de que
vai acabar o Bolsa Família, nada disso. Vai acabar é com o privilégio
de muita gente.
Então a tendência é o PSDB fechar questão contra
a CPMF?
A tendência é o PSDB fechar questão contra. Porque não
há nenhum sinal do governo de que serão reduzidas a carga tributária
e a gastança. Os sinais são no sentido trocado. Então
nós não podemos entrar nessa.
E, fechando questão, o partido pode inclusive ameaçar de expulsão
quem votar a favor da CPMF?
Não vai ter isso, não. Os 13 votos do PSDB estão fechados.
Para onde a liderança do partido apontar, os 13 senadores do partido
votarão. Eu tenho uma convicção totalmente clara dessa
decisão do nosso conjunto de parlamentares.
E como a votação da CPMF entra na sucessão
do presidente Renan Calheiros?
Esse é um problema lá da maioria. Ou melhor, da aliança
do governo e da coligação dos partidos que apóiam o governo
Lula. Acho que eles estão todos divididos. Eles seguraram o Renan. Muito.
Inclusive na votação que se deu no Senado quando Renan ganhou.
Ganhou com os votos do PT e os que o PT deu como abstenção. Que
se somaram para considerar que o presidente Renan era inocente. Agora, eles
não têm sucessores para resolver o problema. Sem Renan, o PMDB
fica sem liderança. O PMDB depende muito da liderança de Renan. É por
isso que tentaram segurar ele o tempo todo. Vão ter dificuldade de fazer
harmonia nesse grupo que sustenta o governo. Uns de forma consciente, outros
nem tanto, em troca de alguns favores que todo mundo está de olho e
que, se forem feitos, nós vamos saber.
Tem-se falado no nome do senador Garibaldi Alves (PMDB-RN)
para presidente da Casa. É um bom nome?
Acho que é um bom nome, mas é um problema da economia interna
do PMDB.
O senhor acha que ele não emplaca? É isso?
Não posso dizer se vai ou não emplacar. Foi governador do Rio
Grande do Norte, é um bom senador, um nome de respeito. Tem um bom trânsito
com a gente, nós gostamos dele. Eu pessoalmente simpatizo com ele.
E o senador José Sarney, vetado pelo líder do PSDB, Arthur Virgílio?
Também não tenho nada contra. Mas esse é um problema do
PMDB. Sem Renan, o PMDB fica sem uma liderança mais sólida.
O senhor vê a possibilidade de a presidência do Senado ficar com
o PT?
Não. Nem faz sentido ter PT na Câmara e PT no Senado. É PT
demais. Nós estamos um pouco vacinados com esse negócio de PT.
Nós e o povo cada vez mais.
O senhor vê alguma possibilidade de o presidente Renan voltar à presidência
do Senado?
Acho muito difícil. Acho que, neste momento, ele trabalha para manter
o mandato. Esse é meu sentimento, opinião pessoal.
Com a sua experiência, que desfecho o senhor antevê para
o caso Renan?
Depende dos erros que ele venha a cometer ainda. Cometeu tantos e terminou
tendo que pedir licença. Se cometer erros, não tenha dúvidas
de que vai perder o mandato também.
Mas agora afastado da presidência, ele não teria chance de escapar?
Não posso dizer isso agora. É muito cedo, os fatos estão
muito recentes e o quadro é de muita instabilidade.
O senhor sente uma mudança com a saída dele?
O Senado voltou a funcionar. Está votando, trabalhando. Está tendo
luta política, mas está trabalhando. Chegou-se a um impasse ao
longo do mandato de Renan Calheiros. Renan podia muito bem, num primeiro ou
segundo momento, ter afirmado o seguinte: “Olha, vou me defender como
qualquer senador”. Acho que ele teria colhido resultados muito melhores
ao invés de continuar na presidência do Senado aumentando o confronto
como aconteceu na semana passada e terminou de maneira dramática.
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Gazeta do Povo, 24 de outubro de 2007
ECONOMIA | PAC
BNDES aprova financiamento para Sanepar
O BNDES aprovou um financiamento de R$ 197 milhões para a Companhia
de Saneamento do Paraná (Sanepar). Os recursos se destinam a ampliar
e melhorar os sistemas de abastecimento de água e esgoto em 28 municípios
do estado.
A contrapartida da empresa é de R$ 49,1 milhões, totalizando
investimentos de R$ 246,1 milhões, sendo R$ 170,6 milhões em
esgoto sanitário e R$ 75,5 milhões no sistema de água.
O projeto para o abastecimento de água inclui execução
de seis captações no Rio Barigüi, no Rio Verde, e no Aqüífero
Guarani; cinco assentamentos de adutoras de água; a construção
de sete reservatórios e a implantação de duas elevatórias
de água e uma elevatória de circulação do lodo,
além de duas estações de tratamento completas. O sistema
produtor de água será melhorado e passará por readequação.
A parte de investimento em esgoto contém estações elevatórias,
ligações prediais, redes coletoras e interceptores, além
da implantação de uma estação de tratamento de
esgoto e da ampliação de outras cinco já existentes. As
obras fazem parte do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).
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Folha
de São Paulo, 24 de outubro de 2007
Lula busca apoio de empresários à CPMF
Presidente recebe hoje no Planalto cerca de cem
maiores expoentes do PIB para discutir prorrogação e convencê-los
a investir | Convidados representam empresas com faturamento anual superior
a R$ 2,5 bi; lista foi elaborada por Guido Mantega e Miguel Jorge
GUILHERME BARROS
COLUNISTA DA FOLHA
LETÍCIA SANDER
JOHANNA NUBLAT
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne hoje, às
10h, no Palácio do Planalto, com cerca de cem maiores empresários
do país sob o argumento de incentivá-los a aumentar os investimentos
no país. Mas o objetivo principal será o de pedir o apoio à aprovação
da prorrogação da CPMF.
Além das negociações com a classe política, Lula
também decidiu fazer pressão junto aos empresários. Fora
do Congresso, as principais críticas à CPMF têm partido
da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo).
Em resposta, Lula pretende dar uma demonstração de força.
Sob o argumento de que são as empresas as convidadas e não as
entidades, Paulo Skaf, presidente da Fiesp, não foi chamado.
A idéia da reunião surgiu durante a viagem presidencial aos países
nórdicos e à Espanha, em setembro. Lula deverá dizer que
o governo está empenhado em um "novo ciclo do crescimento" e
que se o setor privado apostar nisso, a chance de um "salto" é maior.
Nas palavras de um assessor, Lula quer acender uma "faísca" e
ouvir o que o governo pode fazer para despertar "o espírito animal" dos
empresários, uma referência à expressão do economista
John Maynard Keynes.
Sobre a CPMF, Lula deverá repetir argumentos já públicos
em defesa da contribuição, entre eles o de que, sem a contribuição,
investimentos poderão ser comprometidos, inclusive os do PAC (Programa
de Aceleração do Crescimento).
O Planalto nega que a idéia do encontro tenha sido arregimentar apoio
para a prorrogação da CPMF. O presidente convocou os ministros
Dilma Rousseff (Casa Civil), Guido Mantega (Fazenda), Miguel Jorge (Desenvolvimento)
e Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais). O presidente
do Banco Central, Henrique Meirelles, está nos EUA.
A lista de empresários foi preparada pelo Planalto com sugestões
de Mantega e Miguel Jorge. Foram selecionadas empresas com faturamento anual
superior a R$ 2,5 bilhões.
Como muitos empresários cumprem agenda no exterior, foram enviados muito
mais de cem convites desde a semana passada. O presidente da Vale do Rio Doce,
Roger Agnelli, por exemplo, não participará.
Outros pesos pesados confirmaram presença. Entre eles, Jorge Gerdau
Johannpeter (Gerdau), Emílio Odebrecht (Odebrecht), Fernando Botelho
(Camargo Corrêa), Benjamin Steinbruch (CSN) e Frederico Curado (Embraer),
e presidentes de montadoras e de usinas de açúcar e do álcool.
Empresários afirmaram à Folha que pretendem mais ouvir do que
falar. Mas pedirão desonerações, como o do desconto do
INSS sobre a folha de pagamento, como contrapartida à prorrogação
da CPMF.
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Folha de São Paulo, 24 de outubro de
2007
Fiesp distribui carta pelo fim da
contribuição
DA REPORTAGEM LOCAL
No mesmo dia em que o presidente Lula se reúne com os maiores empresários
do país, Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo) encaminha a esse mesmo público
-os empresários- uma carta reiterando os motivos pelos quais a CPMF
deve ser extinta, na opinião da entidade. "É uma contribuição
supérflua e inoportuna", escreve Skaf.
O documento mostra que tanto os recursos para Saúde como a verba para
os programas sociais do governo já estão garantidos em 2008.
Para a Saúde, pela Emenda 29 e, para os programas sociais, por sua inclusão
no orçamento da União. "Assim, a recriação
do imposto não é necessária", escreveu Skaf.
Com relação à parcela do imposto destinado às obras
do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), a Fiesp desfia
os números: dos R$ 503,6 bilhões previstos para o programa, cerca
de R$ 68 bilhões sairão do Tesouro e, ainda assim, divididos
em quatro anos. Como as fontes de recurso do PAC virão basicamente da
iniciativa privada ou das companhias de economia mista, para a Fiesp o fim
da CPMF não prejudicará o programa.
(CRISTIANE BARBIERI)
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Folha de São Paulo, 24 de outubro de
2007
Tucanos apresentam exigências
para votar a favor de imposto
Bancada de 13 senadores decidiu que vai
aguardar por concessões do governo; eles querem controle
dos gastos públicos e a redução da carga tributária
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O preço da fatura que o governo terá de pagar para aprovar a
prorrogação da CPMF subiu depois que a bancada tucana no Senado
decidiu atuar em bloco na votação -o que pode garantir a aprovação
se houver acordo com o Planalto.
Se de um lado os 13 senadores do PSDB reunidos ontem ameaçaram votar
contra a CPMF caso o governo não apresente o que chamam de "proposta
decente", com redução de carga tributária, corte
de gastos públicos e mais recursos para governadores, por outro, o grupo
de nove tucanos que não aceitava negociar mudou de opinião e
atendeu ao apelo da cúpula do partido.
Segundo a Folha apurou, líderes governistas acreditam que agora basta "melhorar
o modelo", ou seja, fazer mais concessões, para fechar um acordo
com o PSDB e a aprovação estaria garantida.
Há 13 tucanos no Senado, que tem 81 membros -são necessários
49 votos para aprovar a emenda. Hoje, sem apoios da oposição,
o governo não consegue aprovar a CPMF. Em seus cálculos, tem
de 43 a 44 votos.
A bancada tucana decidiu não apresentar oficialmente uma proposta ao
governo, só divulgar as linhas gerais do que exigem para votar a favor. "Vamos
esperar que nos apresentem uma proposta decente", disse o presidente do
PSDB, senador Tasso Jereissati (CE).
Segundo Tasso, se a proposta não convencer a bancada, "todos vão
votar contra. Não podemos ser coniventes com essa irresponsabilidade,
temos de evitar uma crise fiscal".
Os tucanos querem, além da redução da alíquota
do imposto e da criação de um redutor de 0,2 ponto percentual
do PIB nos gastos públicos: 1) cortar impostos cobrados sobre a folha
de pagamento; 2) reduzir impostos de investimentos em saneamento público;
3) aumentar o repasse de verbas da CPMF para a saúde aos Estados; 4)
aumentar a transferência de recursos da Cide (cobrada sobre consumo de
combustíveis) para os governadores e 5) possibilidade de prorrogar a
CPMF por um período de apenas um ou dois anos, forçando uma reforma
tributária.
Ontem, Lula decidiu convocar líderes e presidentes de partidos aliados
que compõem o Conselho Político para uma reunião hoje
no Planalto quando deve tentar fechar sua proposta de negociação.
A presença do presidente não estava confirmada, já que,
pela manhã, ele se reunirá com empresários, também
no esforço para garantir apoio à CPMF.
A idéia do encontro do Conselho Político surgiu após reunião
entre Lula e equipe econômica para debater uma proposta a ser apresentada à oposição.
Ontem, o ministro Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais)
disse que o governo está "discutindo alternativas". À noite,
ele participaria de um jantar na casa do senador Demóstenes Torres (DEM-GO).
Anteontem, Walfrido foi a Belo Horizonte negociar a votação da
CPMF com o governador Aécio Neves (PSDB).
Até alterações na Lei de Responsabilidade Fiscal estão
na mesa de negociação. O governo pode permitir que o cálculo
para definir o nível de endividamento nos Estados seja feito isoladamente,
separando Judiciário e Legislativo. Com isso, abriria espaço
para os Estados contraírem mais empréstimos.
A aprovação da emenda 29, que trata de mais dinheiro para a saúde,
foi uma das propostas que avançou dentro do governo para facilitar a
aprovação da CPMF. O texto em discussão na Câmara
prevê uma base de cálculo que, segundo governistas, elevaria o
gasto federal com saúde de R$ 44 bilhões ao ano para R$ 60 bilhões.
A votação deve ocorrer hoje.
A reunião ontem dos tucanos começou com o senador Alvaro Dias
(PSDB-PR) dizendo que o partido deveria "arrochar ou afrouxar" com
o governo. Segundo ele, o resultado final pode ser definido da seguinte forma:
o partido será responsável, mas também não vai
afrouxar para o governo e votar a CPMF sem "concessões substanciais".
A bancada tucana é pressionada pelos governadores José Serra
(SP) e Aécio a aprovar o tributo. Os senadores, porém, disseram
que precisavam de justificativa para mudar de posição. "Queremos
medidas efetivas", disse o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE). (VALDO
CRUZ, SILVIO NAVARRO e LETÍCIA SANDER)
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Folha de São Paulo,
24 de outubro de 2007
Sindicalista que liderou invasão
de fazenda no Pará é morto a tiros
Segundo diretor da Fetagri, vítima dizia
ter recebido ameaças de fazendeiros
SÍLVIA FREIRE
DA AGÊNCIA FOLHA
Um líder da Fetraf
(Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar)
do Pará foi morto a tiros ontem, em uma emboscada numa estrada
vicinal próxima ao município de Dom Eliseu (466 km de
Belém), na divisa com o Maranhão.
Segundo o delegado Fábio de Castro, que conduz as investigações,
Manuel da Conceição Cruz Filho, 43, liderou a invasão
de agricultores ligados à Fetraf a uma fazenda na região há cerca
de três meses.
Para o delegado, ainda não é possível afirmar qual a motivação
do crime. Os responsáveis não foram localizados.
Segundo uma testemunha que estava com Cruz Filho no momento da emboscada, eles
estavam próximos da rodovia BR-222 quando pessoas escondidas dentro
da mata atiraram contra eles. A testemunha, segundo a polícia, foi ferida
e não conseguiu ver os atiradores.
Apesar de fazer parte do movimento, Cruz Filho não era agricultor. Segundo
Castro, ele era dono de uma carvoaria e de uma borracharia no município.
Manoel Imbiriba, diretor da Fetagri (Federação dos Trabalhadores
na Agricultura) do Pará e membro de um fórum de direitos humanos
apoiado pelo governo do Estado, atribui o crime a disputas agrárias
na região de Dom Eliseu.
Segundo ele, a vítima havia relatado ao fórum há um mês
que sofria ameaças de fazendeiros. Cruz Filho era uma das lideranças
de um grupos de trabalhadores acampados que reivindicava a posse de uma fazenda
na região, segundo Imbiriba. Membros do fórum chegam à cidade
hoje para apurar as circunstâncias do crime. A Folha não conseguiu
falar com representantes da Fetraf.
Em junho, agricultores da Fetraf acampados em Cumaru do Norte (PA) foram agredidos
por um grupo de encapuzados. Eles disseram que foram espancados com pedaços
de pau, chicote e cabo de armas e que barracos foram queimados.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
24 de outubro de 2007
INSS deve pagar correção
monetária de salário-maternidade
A 1ª Turma do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região)
manteve a condenação do INSS a pagar o valor relativo à correção
monetária de salário-maternidade.
O Tribunal alegou que o requerimento
administrativo foi tardio, mas que a responsabilidade pela atualização
monetária se impõe somente no caso de demora injustificada
no pagamento do benefício regularmente requerido.
Na ação, a assegurada
especial reclamava que não houve a correção monetária
de dois salários-maternidade, recebendo-os, pois, com valores
defasados.
De acordo com a Turma, o requerimento
tardio do benefício não exclui a correção
monetária, sendo necessária a correção para
garantia do valor real do benefício. Não interessa por
culpa de quem ocorre o atraso, a correção monetária é mera
atualização.
Explicou a decisão
que se trata de benefício previdenciário garantido à segurada
especial da Previdência Social, que comprove o exercício
de atividade rural, ainda que descontínua, nos 12 meses imediatamente
anteriores à sua concessão. Acrescentou, ainda, que,
pelo ordenamento jurídico, o salário-maternidade é devido à segurada
por 120 dias, a contar do período compreendido entre os 28 dias
que antecedem o parto e a data de sua ocorrência. O benefício é devido
no valor de um salário mínimo vigente à época
do nascimento, com as devidas atualizações monetárias.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
24/10/2007
Sindicato tem legitimidade para representar
categoria sem procuração
O sindicato não necessita de mandato expresso outorgado pelos beneficiários
para representar a categoria. A Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho
ratificou o entendimento de que a substituição processual disciplinada
no artigo 8º, inciso III, da Constituição Federal abrange
toda a categoria, conforme orientação do Supremo Tribunal Federal.
O recurso de revista do Banco
do Brasil, alegando ilegitimidade processual do Sindicato dos Empregados
em Estabelecimentos Bancários no Estado do Maranhão, já havia
passado pela Terceira Turma anteriormente. Na época, o processo
foi extinto, sem julgamento do mérito. O sindicato recorreu à Seção
Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do TST, que manteve
a decisão da Turma.
Disposto a reverter a situação,
o sindicato dos bancários do Maranhão interpôs recurso
extraordinário ao Supremo, com seguimento negado. Ao apelar com
agravo de instrumento, o STF julgou procedente e reconheceu a ampla legitimidade
do sindicato profissional.
Ao retornar à Terceira
Turma do TST, o ministro Carlos Alberto Reis de Paula, relator, considerou
superada a controvérsia, com a decisão do STF. Destacou,
inclusive, que o atual posicionamento do TST, ao cancelar a Súmula
nº 310, foi o de adequar o entendimento do tema à orientação
jurisprudencial do STF. O sindicato conseguiu finalmente seu intento,
com o não-conhecimento do recurso do Banco do Brasil.
O processo
Tudo começou com uma reclamatória
trabalhista do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários
no Estado do Maranhão. O sindicato pedia, em nome da categoria,
a declaração de nulidade de demissões efetuadas
pelo Banco do Brasil por adesão ao Programa de Demissão
Voluntária em que o prêmio-pecúnia foi pago em conta
corrente, e não por cheque administrativo ou dinheiro.
A parcela é um prêmio
em dinheiro, com percentual vinculado a acúmulo de anuênios
do bancário. O sindicato alegou que, depositado em conta corrente,
o valor não seria considerado como verba indenizatória,
de natureza rescisória, pois não constaria no documento
de rescisão contratual. Na contestação, o Banco
do Brasil alegou a ilegitimidade do sindicato para substituir processualmente
bancários que não tivessem assinado procuração
nos autos. (RR-360.617/1997.5)
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24/10/2007
TST: falso testemunho não é relevante
se não influi no julgamento
A indicação de falsa prova testemunhal não é suficiente
para anular uma decisão transitada em julgado, considerando que o relato
da testemunha não influenciou diretamente o resultado do julgamento
da ação que se pretende invalidar. Com esse entendimento, a Seção
Especializada em Dissídios Individuais (SDI-2) do Tribunal Superior
do Trabalho acolheu recurso de um trabalhador e julgou improcedente ação
rescisória que havia sido julgada procedente pelo Tribunal Regional
do Trabalho da 19ª Região.
O caso começou com uma
ação trabalhista movida por um trabalhador rural contra
a Fazenda Recanto do Itiúba, no interior de Alagoas. Alegando
ter trabalhado durante seis anos em atividades típicas da roça,
solicitou o reconhecimento de vínculo e o pagamento de verbas
rescisórias, como aviso prévio, férias, 13º,
FGTS e respectivos reflexos.
O juiz da Vara do Trabalho de
Penedo (AL) julgou improcedente o pedido, por considerar que a testemunha
do trabalhador – até então única prova do
alegado vínculo –, em processo no qual figurava como parte,
valeu-se de outra testemunha sobre a qual houve comprovação
de falsidade nos depoimentos apresentados a seu favor.
O trabalhador recorreu e obteve
do Tribunal Regional do Trabalho da 19ª Região a reforma
da sentença, revertendo, portanto, a decisão a seu favor,
com o reconhecimento do vínculo e o conseqüente pagamento
das verbas solicitadas. Para o TRT, não havia como manter a suspeição
da testemunha, na medida em que o fato que orientou essa alegação
se referia a outro processo no qual era parte, quando se valeu de outra
testemunha, que, esta sim, teria incorrido em falsidade. Afastada essa
hipótese, a decisão do TRT levou em conta que a empresa
reconheceu a efetiva prestação de serviço por parte
do trabalhador, embora negasse a natureza do contrato, argumentando que
se tratava de empreitada (modalidade que não encontra respaldo
na legislação trabalhista).
O proprietário da fazenda
recorreu, mas não obteve êxito para reformar a decisão
do TRT. Após o trânsito em julgado do processo (quando não
cabem mais recursos), ajuizou ação rescisória para
tentar suspender a sua execução (pagamento). Entre outras
alegações, insistiu na caracterização de
erro de fato, em função da questão relativa à falsa
testemunha. Inicialmente, o TRT, em decisão monocrática
(de um único juiz), negou provimento à ação,
reafirmando que a alegada falsidade se deu em outro processo envolvendo “a
testemunha da testemunha do réu”, não havendo como
transferir o ilícito.
A empresa insistiu e obteve a
suspensão do pagamento da ação e, posteriormente,
em decisão colegiada, o TRT/AL julgou procedente a ação
rescisória. Ou seja: julgou improcedentes os pedidos do trabalhador.
Segundo essa decisão, ficou comprovado que a ação
trabalhista faria parte de um rol de reclamações fraudulentas
arquitetadas por um vereador do município de São Braz,
que contaram com a participação da testemunha do empregado,
cujo depoimento seria o único sustentáculo para o reconhecimento
do vínculo de emprego, caracterizando “dolo da parte reclamante
e acarretando nítido prejuízo processual”.
Contra essa decisão, o
trabalhador ajuizou recurso ordinário no TST. Entre outros argumentos,
sustentou que o TRT não se baseou nos elementos da instrução
do processo trabalhista original e que a testemunha apresentada por ele
não participou de nenhum conluio, não se configurando,
portanto, o alegado dolo, tampouco a falsidade de prova testemunhal.
Acrescentou que sua testemunha não foi processada por crime de
falso testemunho ou qualquer outro e, por esse motivo, não estava
impedida de depor em juízo.
O relator do processo, ministro
Alberto Bresciani, chamou a atenção para o fato de ter
ficado claro, pelos fundamentos apresentados, que o conteúdo do
depoimento da testemunha não influiu no convencimento do Regional,
cuja decisão pautou-se exclusivamente pelas regras de distribuição
do ônus da prova. A empresa não conseguiu comprovar a inexistência
da relação de emprego, limitando-se a reconhecer a contratação
por empreitada.
Com a decisão da
SDI-2, que aprovou por unanimidade o voto do ministro Bresciani, fica
afastada a anulação do processo em que o trabalhador
obteve êxito, prosseguindo, portanto, sua execução
(pagamento das parcelas deferidas). (ROAR-60/2006-000-000-19-00.2)
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