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Agência Senado, 25
de outubro de 2007
Tião Viana apóia centrais
na manutenção do imposto sindical
Em reunião na manhã desta
quarta-feira (24), em Brasília, com as lideranças que integram
o movimento pró Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), e de
outras cinco centrais sindicais (CUT, UGT, CGTB, NCST e Força
Sindical), o presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), comprometeu-se
a mobilizar a Casa para derrubar duas emendas – uma que prevê o
fim da contribuição sindical e outra que coloca o Tribunal
de Contas da União (TCU) para fiscalizar os recursos das entidades – aprovadas
no último dia 18, pela Câmara do Deputados, no projeto do
Executivo que regulamenta as centrais.
Por Carla Santos

Senador avaliou emendas ''demasiadas''
“ Foi demasiado a aprovação desses dois artigos no plenário
da Câmara, uma vez que o projeto de regulamentação das centrais
sindicais [PL 1990/07] foi aprovado consensualmente nas comissões pelas
quais tramitou e também com a ampla unidade de todas as centrais do país”,
disse Tião Viana às lideranças, segundo Pascoal Carneiro,
do movimento pró CTB.
Segundo Pacoal, Viana também fez um apelo para que as centrais se mobilizem
na Casa conversando com as lideranças partidárias do Senado e
com todos os Senadores. Ele afirmou que pretende levar o projeto a votação
no plenário do Senado até o dia 15 de novembro.
O termômetro do clima do Senado para ratificar ou não a decisão
da Câmara terá seu ponto alto no dia primeiro de novembro, uma
quinta-feira, quando acontecerá na Casa uma audiência pública
que tratará do projeto.
“ As duas emendas aprovadas pela Câmara configuram um verdadeiro
golpe no movimento sindical primeiro porquê mantém a contribuição
para os patrões, mas a torna voluntária aos sindicatos, segundo
porquê possibilita a intervenção do TCU nos recursos do movimento
sindical, quando este deve se ater somente aos recursos da União”,
explicou Pascoal.
A esperança das lideranças é que a mobilização
no Senado e, em conseqüência, a derrubada dos dois artigos reflitam
positivamente na Câmara na segunda votação do projeto.
“ Se conseguirmos derrubar as duas emendas no Senado é bem provável
que na segunda votação da Câmara ele não seja novamente
modificado”, acrescenta Pascoal.
Desinformação
O líder do movimento pró CTB também afirmou que a modificação
do projeto consensual de regulamentação das centrais ocorreu
na primeira votação da Câmara, em parte, por desinformação.
“ Já sabíamos que uma parte dos parlamentares da oposição,
ligados ao DEM, ao PSDB e ao PPS poderiam votar contra o projeto. O que não
esperávamos é que seus votos fossem confundir deputados ligados à base
do governo. Após a votação, verificamos que muitos deputados
votaram a favor das duas emendas porque acreditavam estar votando em conformidade
com a opinião das centrais”, disse Pascoal.
O posicionamento da CUT, historicamente contrário à contribuição
sindical, pode ter contribuído para a “desinformação” uma
vez que a entidade, nas vésperas da votação do projeto
na Câmara – dia 16 de outubro, divulgou texto no Portal do Mundo
do Trabalho afirmando que o projeto deveria ser o início de mais mudanças.
CUT de saia justa
Embora o texto do dia 16 reconheça que a regulamentação
das centrais é um primeiro passo importante para o fortalecimento do
movimento sindical, o presidente da CUT, Artur Henrique, defendeu que a estrutura
do movimento precisa mudar.
Para ele, são pontos pacíficos desta mudança o fim do
imposto sindical, a organização por local de trabalho, a legislação
contra os atos anti-sindicais e o fim da unicidade sindical.
As opiniões de Artur causaram mal estar no movimento sindical, uma vez
que as mudanças defendidas pela CUT não são, nem de longe,
pontos pacíficos entre as demais centrais e segundo comentários,
nem mesmo dentro da CUT.
Para desfazer qualquer mal entendido, o presidente da CUT voltou a se manifestar
logo após a votação na Câmara que modificou a proposta
consensual das centrais com o Executivo.
''Todos aqui sabem quais as concepções que as centrais têm
sobre o imposto sindical. A CUT defende seu fim. Mas o PL que negociamos é fruto
de um esforço de unidade. Trata-se de um acordo que prevê, inclusive,
uma transição do imposto para uma outra forma de sustentação.
E acordo fechado é acordo para ser cumprido'', retratou-se Artur no
dia 20.
Mídia entra em cena
Atenta às controvérsias naturais aos movimentos sociais, o editorial
do jornal da Folha de S. Paulo desta quarta (23) se aproveitou do momento para
tentar pressionar a CUT a dividir o movimento e manter seu posicionamento pelo
fim da contribuição e da unicidade sindical.
“ Que se aproveite a ocasião para promover a reforma sindical de
que o país necessita, com o fim das contribuições e da unicidade
sindical para todos o setores. Sindicatos que não conseguem convencer
sua própria base da importância de filiar-se e contribuir não
merecem existir”, defende o editorial do jornal.
Para João Batista Lemos, coordenador nacional da Corrente Sindical Classista
(CSC), “o papel das centrais agora é o de não se deixar
levar pelas pressões dos barões da mídia e continuar persistindo
na unidade firmada no acordo das centrais para o projeto de regulamentação
das mesmas”.
Mobilização pela unidade
O movimento pró CTB está engajado com as demais centrais para
garantir que nos dias 30 e 31 de outubro se intensifique a mobilização
corpo-a-corpo com os senadores.
Para a audiência no dia primeiro, ficou acertado entre as centrais que
cada entidade deverá levar até 20 lideranças sindicais
de peso de todo o país para a audiência. Serão quase 150
lideranças dos maiores sindicatos do Brasil que contribuirão
para pressionar o Senado a derrubar as emendas aprovadas pela Câmara.
Além disso, a mobilização em curso para a Marcha da Classe
Trabalhadora, marcada para o dia 5 de dezembro em Brasília, deve ajudar
na pressão para que o Senado mantenha o acordo entre as centrais.
Participaram também da reunião desta manhã o ministro
do Trabalho, Carlos Lupi, o senador Paulo Paim (PT-RS) e deputados das bancadas
do PCdoB, PDT, PV e PT. Todos foram unânimes no pedido a Viana para que
se mobilize contra as modificações feitas pela Câmara.
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Folha de São Paulo,
25 de outubro de 2007
Governo faz pressão por contribuição
sindical
Ministro e centrais querem que Senado
restaure imposto
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo e as centrais sindicais
começaram ontem uma operação para pressionar o Senado
a manter o imposto sindical. Em reunião com o presidente interino
da Casa, Tião Viana (PT-AC), o ministro Carlos Lupi (Trabalho)
e líderes sindicais pediram a restauração do imposto,
que, na avaliação do governo e de sindicalistas, foi derrubado
pela Câmara.
Além de pedir a volta da contribuição sindical, eles querem
que os senadores retirem do projeto -cujo objetivo é legalizar as centrais
sindicais- outra emenda feita pelos deputados.
A Câmara incluiu no texto um dispositivo que estabelece a fiscalização
do imposto sindical pelo TCU (Tribunal de Contas da União). Caso as
emendas sejam suprimidas, o projeto precisa voltar para as mãos dos
deputados.
Historicamente, o PT e a CUT (Central Única dos Trabalhadores), braço
sindical do partido, colocavam-se contra o imposto sindical.
Agora, ao sair em defesa da manutenção do imposto, o governo
afirma que já há um compromisso firmado com o movimento sindical
para rever a forma de financiamento dos sindicatos no prazo de um ano.
Esse acordo foi fechado na discussão sobre a legalização
das centrais, quando também foi definido que as entidades ficariam com
10% do valor arrecadado com o imposto. "Há um compromisso. É insustentável
que haja quatro contribuições para os sindicatos", declarou
o sindicalista e secretário de Relações do Trabalho, Luiz
Antônio Medeiros.
"Aleijão"
Ele foi escalado por Lupi para conduzir as negociações com o
Congresso e avalia que o projeto que saiu da Câmara é um "aleijão".
Já o ministro do Trabalho pediu aos senadores que mantenham o texto
original do projeto, retirando as duas emendas, apelando para uma questão
de "justiça".
" Solicitamos aos senadores que suprimam essas emendas, até porque
não é de justiça a gente ter uma parte só da arrecadação
punida. Só da parte dos sindicatos de trabalhadores é que se retiraram
os impostos. Da parte patronal, não", declarou o ministro.
Segundo relatos dos participantes da reunião, o presidente interino
do Senado prometeu votar até o próximo dia 15 o projeto. O senador
Paulo Paim (PT-RS) será o relator da proposta na CAS (Comissão
de Assuntos Sociais) do Senado. Na opinião dele, as mudanças
feitas pelos deputados não acabaram com o imposto sindical nem tornaram
o desconto facultativo.
" Só criou uma burocracia para o trabalhador, que precisará pagar
no próprio sindicato se não autorizar o desconto. Foi criada uma
enorme confusão, embora a intenção dos deputados tenha sido
outra", declarou. Paim afirmou que marcará para 1º de novembro
uma audiência pública para discutir o assunto. Além disso,
ele pretende formalizar no seu parecer o compromisso de revisão do imposto
em um prazo de um ano.
O entendimento do senador sobre a manutenção do imposto sindical é o
mesmo manifestado pela Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados).
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FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 25 de outubro de 2007 | Dinheiro
Desemprego cai para 9% e renda fica
estável, diz IBGE
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
A taxa de desemprego voltou a
cair nas seis regiões metropolitanas do país em setembro,
segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística), que pesquisa dados em Belo Horizonte, Porto Alegre,
Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.
A taxa ficou em 9%, número
1 ponto percentual abaixo da apurada em setembro do ano passado. Já o
rendimento médio da população ocupada ficou estável
entre agosto e setembro.
A população ocupada
nas seis regiões subiu 1%. O número de desempregados no
total das seis regiões atingiu 2,1 milhões.
O contingente de trabalhadores
com carteira assinada no setor privado mostrou queda de 0,4% em relação
a agosto e recuo de 1,3% em relação a setembro do ano anterior.
O IBGE também divulgou
que a massa real de rendimento da população ocupada atingiu
R$ 23,5 bilhões nas seis regiões em julho. O número
representa uma alta de 1,3% sobre julho--o dado é divulgado
com um mês de defasagem-- e um avanço de 5,4% sobre igual
mês de 2006.
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FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 25 de outubro de 2007 | Dinheiro
IBGE estima que desemprego vai cair
mais até o fim do ano
CIRILO JÚNIOR
da Folha Online, no Rio
O IBGE (Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística) estima que o País fechará o
ano com a menor taxa de desemprego mensal desde 2003.
De acordo com o economista Cimar
Pereira, responsável pela Pesquisa Mensal de Emprego, o cenário
econômico atual está favorecendo o ritmo de contratação
no mercado formal, resultando na queda da taxa de desemprego, que ficou
em 9% em setembro.
"A tendência de queda é cada
vez mais clara. Sem dúvida, em dezembro, teremos uma taxa bastante
inferior ao que foi mostrada no ano passado", afirmou.
Em dezembro, a taxa média
de desemprego foi de 8,4%. O percentual de setembro foi o menor desde
então.
De janeiro a setembro, a taxa
de desemprego foi de 9,7%. É a menor média para igual período
desde 2003.
"O mercado de trabalho em
setembro absorveu um percentual de pessoas ocupadas bastante significativo.
Esse está sendo o melhor ano da série mensal de emprego.
2007 é um ano com taxa de desemprego menor, com rendimento mais
alto", observou o economista do IBGE.
A pesquisa constatou ainda
que o número de empregados sem carteira assinada ficou estável
em setembro, se comparada ao mês anterior. O mesmo foi verificado
em relação aos empregos com carteira assinada. Já o
número de trabalhadores autônomos cresceu 2,6% em setembro.
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UOL ECONOMIA, 25 de outubro
de 2007
Total de salários reais pagos
na indústria de SP sobe e horas trabalhadas diminuem em setembro
SÃO PAULO - O total de
salários reais pagos pelas indústrias paulistas subiu 1,5%
no mês de setembro em relação a agosto, sem ajuste
sazonal. Ante setembro do ano passado, houve aumento de 6,8%. De janeiro
a setembro a evolução foi de 7,4% ante igual período
de 2006.
Os dados foram apresentados há pouco
pela Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo (Fiesp) e pelo Centro das Indústrias do Estado de São
Paulo (Ciesp) e fazem parte do Indicador de Nível de Atividade
(INA) da indústria de transformação paulista.
As horas trabalhadas na produção
declinaram 2,2% na comparação com os dados de agosto de
2007 (sem ajuste sazonal) e aumentaram 6,2% ante setembro do ano passado.
Entre janeiro e setembro, o indicador apontou aumento de 6,4% frente
ao mesmo período de 2006.
(Bianca Ribeiro | Valor Online)
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FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 25 de outubro de 2007 | Dinheiro
Diretor do Ipea defende mais empregos
formais para fortalecer sistema previdenciário
PEDRO SOARES
da Folha de S.Paulo, no Rio de Janeiro
O novo diretor de Estudos Macroeconômicos
do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), João
Sicsú, em entrevista à Folha, defende que a solução
para fortalecer o sistema previdenciário está na criação
de mais empregos formais, que aumentam a base contributiva previdenciária.
Diz que o salário mínimo, ainda baixo, é "um
um mecanismo potente de prevenção e redução
da pobreza".
"Basta haver uma pequena
expansão do emprego formal para imediatamente se registrar um
aumento significativo da receita previdenciária líquida.
Além disso, o próprio crescimento econômico amplia
e muito o financiamento da Seguridade Social. O que é necessário
haver é crescimento econômico e formalização
das relações trabalhistas. Uma reforma profunda do sistema
previdenciário brasileiro não me parece adequada",
analisa.
FOLHA - O sr. defende
a vinculação do reajuste do salário mínimo
ao da Previdência? Há a necessidade de uma reforma? Quais
os pontos devem ser colocados em pauta numa eventual reforma?
A vinculação do
piso previdenciário e assistencial ao salário mínimo
deve ser mantida. A solução para fortalecer o sistema previdenciário
está no mercado de trabalho: na criação de empregos
formais, que aumentam a base contributiva previdenciária. Basta
haver uma pequena expansão do emprego formal para imediatamente
se registrar um aumento significativo da receita previdenciária
líquida. Além disso, o próprio crescimento econômico
amplia e muito o financiamento da Seguridade Social. O que é necessário
haver é crescimento econômico e formalização
das relações trabalhistas. Uma reforma profunda do sistema
previdenciário brasileiro não me parece adequada. O que
devemos fazer é fechar capítulos ainda inacabados, como
a regulamentação da aposentadoria complementar para servidores;
elevar o teto de contribuição das aposentadorias do Regime
Geral da Previdência Social e dos regimes próprios, hoje
muito baixo, o que só estimula a aquisição de fundos
de aposentadorias privados, onde o risco é muito superior ao do
regime público e pode levar a um déficit da cobertura previdenciária
futura, impossível de ser estimado no presente. O caso atual do
Chile é um alerta que deve ser levado a sério: os fundos
privados de aposentadorias não estão cumprindo o que lá prometeram.
Mudanças paramétricas no sistema também são
bem-vindas, tais como, o estabelecimento de uma idade mínima igual
de aposentadoria para homens e mulheres. Além disso, é necessário
haver uma maior fiscalização sobre a concessão de
benefícios, particularmente, o auxílio-doença. A
meta consiste em ampliar a inclusão previdenciária e para
isso é necessário que tenhamos financiamento, incentivos
e fiscalização.
FOLHA- Alguns economistas
dizem que o Brasil fez uma opção pelos velhos e que gasta
pouco com os jovens e as crianças, parcelas mais afetadas pela
pobreza. Como o sr. vê o problema? Concorda com essa análise?
Há um grupo de economistas
no Brasil que foram aprisionados pelas falácias dicotômicas.
Somente conseguem raciocinar com partes excludentes entre si: público
ou privado, Estado ou mercado e também crianças ou velhos.
Avalio que a superação dessa dificuldade passa por trocar
nesses binômios mencionados o "ou" pelo "e".
Queremos aproximação e sinergias entre o público
e o privado, entre Estado e mercado e entre velhos e crianças.
Não podemos pensar em crianças de um lado e velhos do outro.
Temos que pensar nas famílias, pensar no todo. É verdade
que metade dos pobres são crianças com menos de 16 anos.
No Brasil, o déficit de cobertura previdenciária cai à medida
que aumenta a idade. É fato que a cobertura previdenciária é melhor
e maior para os idosos do que para a população em idade
ativa e para as crianças. Cerca de 35% das nossas crianças,
com menos de 15 anos, não têm acesso a nenhum mecanismo
de proteção social e aqui não estou me referindo
somente aos pobres. Quase 20 milhões de crianças não
dispõem de nenhum tipo de cobertura nem direta, nem indireta_
o que as torna socialmente vulneráveis. Isso acontece porque suas
famílias estão fora do sistema de proteção
social de base contributiva. As crianças estão em risco
porque seus pais estão em risco, estão desempregados ou
mal empregados. O Brasil não formulou, até hoje, uma política
universal de apoio às famílias. Diferentemente, a maioria
dos países europeus adotou políticas universais que concedem
benefícios sistemáticos a famílias com crianças,
sem comprovação de renda. A finalidade é evitar
a reprodução intergeracional da pobreza e prevenir riscos
que podem comprometer o desenvolvimento futuro das novas gerações.
Nada nos impede de avançar nessa direção, mas para
isso seria necessário um compromisso com princípios de
justiça social que nós ainda não fomos capazes de
forjar enquanto projeto de toda a sociedade. Com despesas públicas
de juros elevadas por vários anos e gasto social ainda reduzido,
não há como equalizar as oportunidades de acesso e bem-estar
de 60 milhões de crianças e adolescentes. Despir um santo,
os mais velhos, para vestir outro, os mais jovens, não resolve.
Não é aceitável reduzir o grau de vulnerabilidade
das jovens gerações com o sacrifício das gerações
mais velhas, muitas vezes obrigadas a prover sustento e segurança
aos filhos e netos. O que devemos fazer é reduzir as despesas
do governo federal com juros e ampliar a cobertura de crianças,
jovens e idosos.
FOLHA - O Estado brasileiro é considerado
inchado em alguns setores e vimos no governo Lula um crescente número
de contratações, com destaque para cargos comissionados.
Como o sr. vê isso? É preciso deixar a máquina
mais leve?
A quantidade de funcionários
públicos certamente está mal distribuída por setores,
e regionalmente, dentro do aparelho estatal. Se isto ocorreu, é resultado
do Estado ter perdido sua capacidade de planejar e organizar. Um choque
de gestão poderia reduzir esses desequilíbrios. Mas não
resolverá o problema maior que é a oferta de forma universal
de serviços de saúde e educação de qualidade,
por exemplo. Portanto, a contratação de servidores públicos,
através de concurso público, é positiva porque
reduz o desemprego e aumenta o volume de serviços do Estado
para a população. A criação de cargos comissionados
durante o governo Lula não pode ser analisada com base em critérios
ideológicos. Esses cargos têm sido criados, porque houve
um desmonte do aparelho estatal durante o governo de FHC. Novos órgãos
precisaram ser criados; outros precisam ser recriados e outros precisaram
ser fortalecidos e, então, dirigentes precisam ocupar cargos
de confiança nessas instituições. Não vejo
utilidade no conceito de máquina estatal leve ou pesada. O que
interessa é se a máquina estatal está criando
bem-estar social, ou não, para a sociedade que a lhe sustenta.
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UOL ECONOMIA, 25 de outubro
de 2007
Economia do país para pagar
juros cai e soma R$ 3,6 bi em setembro
Da Redação
Em São Paulo
A economia que o poder público fez para pagar juros da dívida
em setembro (o chamado superávit primário) somou R$ 3,554 bilhões.
O número é 22,3% inferior ao registrado no mesmo mês do
ano passado (R$ 4,575 bilhões). Os dados foram divulgados nesta quinta-feira
pelo Banco Central.
Mesmo com a queda em setembro,
o superávit primário nos nove primeiros meses do ano atingiu
R$ 91,223 bilhões, montante 13,3% superior a período equivalente
do ano passado.
O saldo positivo de janeiro a
setembro corresponde a 4,9% do PIB (Produto Interno Bruto). No mesmo
intervalo do ano passado, essa proporção era de 4,74%.
A meta do governo é acumular um superávit primário
de R$ 95,9 bilhões. Nos últimos 12 meses, chegou a R$ 100,841
bilhões (4,05% do PIB).
Os dados divulgados hoje levam
em conta a economia total feita pelo país, o chamado setor público
consolidado, que inclui União, Estados, municípios e empresas
estatais.
Ontem, foi anunciado o superávit
primário do governo central, que somou apenas R$ 44 milhões
em setembro devido à antecipação da primeira parcela
do 13º salário de aposentados e pensionistas do INSS.
Esse número abrange as
contas do Tesouro Nacional, da Previdência Social e do Banco Central.
Os dado de hoje incluem aqueles divulgados ontem.
O superávit primário
tem um lado ruim: o governo consegue poupar dinheiro para pagar juros
aumentando arrecadação de impostos e deixando de gastar,
por exemplo, em investimentos em obras e serviços. Entenda o que é superávit
primário.
Esforço
insuficiente
Mesmo com esforço fiscal acima da meta, o país ainda tem déficit
nominal, ou seja, não consegue pagar a totalidade dos juros da dívida.
Esse déficit (diferença
entre tudo o que o poder público arrecada e tudo o que gasta,
incluindo despesas com juros) foi de R$ 11,919 bilhões em setembro.
Isso porque, apesar de ter poupado R$ 3,554 bilhões, o setor público
teve que pagar R$ 15,473 em juros.
No ano, o déficit nominal
soma R$ 28,14 bilhões, número 31,6% menor que os R$ 41,127
bilhões registrado em intervalo equivalente do ano passado.
A proporção entre
a dívida (os compromissos líquidos do setor público)
e o PIB subiu em setembro. No final de agosto, ela correspondia a 43%
do PIB; em setembro, chegou a 43,5%. Em termos nominais, ela passou de
R$ 1,096 trilhão para R$ 1,12 trilhão.
(Com informações do
Valor Online)
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FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 25 de outubro de 2007 | Dinheiro
Baixa renda detém 67% dos
cartões de crédito do país, diz pesquisa
da Folha Online
Consumidores de renda mais baixa
devem terminar este ano com a posse de 61 milhões de cartões
de créditos, o que representa 67% dos plásticos em circulação,
segundo estudo "Baixa renda: o cartão como instrumento de
crédito", divulgado nesta quinta-feira pelo Itaucard. A pesquisa
considera consumidores com renda mensal de até R$ 1.499.
Até dezembro, o setor
deve dobrar o volume faturado em 2003, puxado principalmente pelo público
de baixa renda. Nos últimos quatro anos, o crescimento do faturamento
da indústria foi de 135% junto a esse público, enquanto
nas demais faixas alcançou 85%.
"Esse aumento na emissão
de cartões é indicativo de que este público percebeu
que pode controlar melhor os seus gastos rotineiros e obter mais crédito,
sem juros, para compras de bens de maior valor", afirma Fernando
Chacon, diretor de Marketing de Cartões do Itaú.
A análise do perfil de
consumo dos dois grupos aponta que a participação da baixa
renda nas compras em supermercados, padarias e farmácias chega
a ser o dobro do apresentado pela alta renda.
As compras parceladas chegam
a ser 4,5 vezes maiores que as compras à vista, com tíquetes
médios de R$ 182 e R$ 40, respectivamente. Na alta renda a diferença
entre as compras parceladas e à vista é de 3,8 vezes, com
tíquetes médios de R$ 339 e R$ 90, respectivamente.
O parcelamento ocorre, em geral,
na aquisição de produtos como eletrônicos, materiais
de construção e móveis, setores em que o público
de baixa renda responde por 51% do faturamento, contra 22% de participação
da população com renda superior à R$ 2.500.
Faturamento
O crescimento da participação
da baixa renda na indústria de cartões não é sentido
somente pelo aumento do faturamento, mas também pela sua participação
no volume total faturado.
Em 2003, a diferença entre
a participação da baixa renda e das "demais rendas" chegava
a 17,8 pontos percentuais (41,1% e 58,9%, respectivamente). Segundo o
estudo da Itaucard, até o final deste ano tal diferença
deve ficar em 5,8 pontos, com a população com renda inferior
a R$ 1.499 respondendo por 47,1% do faturamento, contra 52,9% dos outros
grupos.
"Este é um
número importante, quando consideramos que as pessoas com menor
poder aquisitivo estão, efetivamente, fazendo uso do cartão
a que tem acesso. Podemos afirmar que os consumidores estão
encontrando o ponto de maturidade e consciência no uso do crédito,
facilitados pelo melhor planejamento das despesas familiares que o
meio eletrônico permite", afirmou Chacon.
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ÂMBITO JURÍDICO,
25 de outubro de 2007
Anamatra consulta juízes do
trabalho sobre projeto da "nova CLT"
A Comissão Legislativa da Anamatra, reunida hoje, 24 de outubro, na
sede da entidade, deliberou pela consulta aos associados e presidentes de Amatras
sobre o PL 1.987/2007, de autoria do seu coordenador, deputado Cândido
Vacarrezza (PT-SP), "que consolida os dispositivos referentes ao Direito
Material Trabalhista e revoga as leis extravagantes que específica e
os artigos. 1º ao 642 da CLT". A proposição foi apresentada
pelo parlamentar ao plenário da Câmara, no dia 6 de outubro de
2007.
As sugestões e manifestações
sobre o PL devem ser enviadas até dia 20 de novembro para o e-mail:
legislativo@anamatra.org.br. "A idéia da entidade é propiciar
aos juízes do trabalho a possibilidade manifestação
sobre o conteúdo do projeto e repercussão no mundo do trabalho," afirma
o diretor de assuntos legislativos da Anamatra, Renato Sant'Anna. O magistrado
explica que as considerações e sugestões dos juízes
do trabalho servirão para subsidiar a posição da
entidade dentro do Congresso Nacional.
A Comissão Legislativa
da Anamatra já vem trabalhando no assunto e a principal preocupação é que
a proposição acabe por alterar ou suprimir direitos. "É inadmissível
que a título de consolidação sejam feitas alterações
de mérito na legislação trabalhista", afirma
o presidente da Anamatra, Cláudio José Montesso.
O PL na Câmara
No dia 09 de setembro, foi instalado, na Câmara dos Deputados, Grupo
de Trabalho destinado a consolidar a legislação brasileira (GT-Lex).
A primeira tarefa do grupo será a análise do PL 1.987/2007, que
incluirá o recebimento de sugestões pelo prazo de 30 dias, a
contar da sua publicação do Diário Oficial da União.
Após análise das sugestões, o GT-Lex encaminhará o
texto para a Comissão de Constituição e Justiça
e de Cidadania (CCJC) e depois ao Plenário, onde serão apresentadas
as emendas à proposição. O projeto, de acordo com os arts.
212 e 213 do Regimento Interno da Câmara, não poderá ser
emendado quanto ao mérito.
Clique aqui e conheça a íntegra da proposição
Clique
aqui e acompanhe a tramitação do PL
Fonte: ANAMATRA
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ÂMBITO JURÍDICO,
25 de outubro de 2007
Novo contrato temporário só se
o anterior terminou há mais de dois anos
É incabível a contratação para cumprimento de atividade
temporária de pessoal cujo contrato anterior findou-se em período
inferior a 24 meses. Com esse entendimento, a Sexta Turma do Superior Tribunal
de Justiça (STJ) indeferiu o pedido de I. e W. para que continuassem a
exercer suas atividades até o final de sua segunda contratação
temporária.
No caso, I. e W. participaram
de um processo seletivo simplificado para contratação temporária
para o exercício de atividades técnicas especializadas
de Inspeção de Produtos de Origem Animal. Aprovados, tomaram
posse para exercer a atividade de técnico de inspeção.
Ocorre, porém, que, após
um mês de trabalho, foram informados de que seus nomes não
poderiam ser cadastrados no sistema do Ministério, tendo em vista
que já teriam “feito parte de uma contratação
temporária e esta se dera há menos de dois anos, ou seja,
24 meses”.
Inconformados, impetraram mandado
de segurança no qual alegaram “que o edital de convocação
para processo seletivo não tinha em seu teor tal restrição,
seja ela: não ter participado de contratação temporária
nos últimos 24 meses”.
Sustentaram, também, que
se deve “ressaltar o princípio da igualdade ao acesso aos
cargos públicos, isto é, o princípio que garante
a todo cidadão acesso aos cargos e funções públicas
independentemente da sua experiência ou falta deste para o cargo,
devendo ser comprovado tal critério através de avaliação”.
Segunda a relatora, ministra
Maria Thereza de Assis Moura, a assinatura de novo contrato com o Ministério,
em outubro de 2004, implicou no descumprimento do disposto no artigo
9º, III, da Lei nº 8.745/1993, que exige o intervalo de 24
meses entre o fim de um contrato e a assinatura de um novo, o que afasta
a existência de direito líquido e certo do dois a continuarem
exercendo suas atividades até o final da contratação
temporária.
Processo MS 10244
Fonte: STJ
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CONSULTOR JURÍDICO,
25 de outubro de 2007
Prerrogativa do Executivo
Serra quer suspender lei de assédio
moral em São Paulo
O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), foi ao Supremo
Tribunal Federal para suspender os efeitos da Lei Estadual 12.250/2006, que
proíbe o assédio moral na administração pública.
A Ação Direta de Inconstitucionalidade foi distribuída
ao ministro Menezes Direito.
Segundo o governador, a lei promulgada
pela Assembléia Legislativa de São Paulo afronta a Constituição
Federal (artigo 61) e Estadual (artigo 24). As normas reservam ao Poder
Executivo a prerrogativa de legislar sobre matérias referentes
aos servidores públicos e o regime jurídico ao qual estão
submetidos.
Serra sustenta que, por se tratar
de questão do Estatuto dos Servidores Públicos, a matéria
deveria ser fixada por Lei Complementar. O governador quer a concessão
de liminar para a suspensão da lei até o julgamento da
ação. Pede, ainda, a declaração de inconstitucionalidade
da lei.
Esta lei havia sido vetada, em
2006, pelo então governador Geraldo Alckmin (PSDB). No entanto,
a Assembléia Legislativa de São Paulo derrubou o veto.
A lei define assédio moral
como todo gesto, ação ou palavra, praticada de forma repetitiva
por agente, servidor e empregado que, abusando da autoridade da função
que exerce, tenha o objetivo ou efeito de atingir a auto-estima e autodeterminação
do funcionário. A norma prevê o assédio moral como
infração grave e o servidor flagrado em tal prática
estará sujeito as penalidades de advertência, suspensão
ou demissão do serviço público.
ADI 3.980
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FOLHA DE LONDRINA, 25 de
outubro de 2007 | Economia
Envelhecimento reduzirá força
de trabalho em 15 anos
Previsão faz parte de um
estudo sobre o comportamento do mercado de trabalho no
grupo de países conhecido como BRIC
São Paulo - A taxa de crescimento da força de trabalho diminuirá pela
metade no Brasil, nos próximos 15 anos, em consequência da ampliação
do peso dos trabalhadores mais velhos na sua composição. A previsão
faz parte de análise divulgada recentemente pelo Instituto de Estudos
para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), que tem como base um estudo da Organização
para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre
o comportamento do mercado de trabalho no grupo de países conhecido
como BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China).
O estudo aponta, sobretudo, que
nos próximos 20 anos a composição da força
de trabalho deve se alterar de forma considerável. Um outro problema
considerado grave pelo estudo é o elevado índice de informalidade.
O setor informal representa 45% do emprego total no Brasil, 53% na China
e mais de 90% na Índia.
A persistência de elevada
informalidade no mercado de trabalho, apesar do rápido crescimento
econômico, indicaria barreiras estruturais à transição
para o mercado de emprego formal. Na Rússia, as estimativas disponíveis
indicam que a informalidade é muito menor do que a observada nos
demais países do grupo e situa-se em nível semelhante ao
dos países da Europa Central e do Leste.
O estudo da OCDE, segundo o Iedi,
mostra que o rápido crescimento econômico dos BRICs no período
2000-2005 levou à criação anual 22 milhões
de empregos, somados os quatro países. Essa expansão foi
mais de cinco vezes superior à verificada em toda a área
da OCDE ao longo do mesmo período. Apesar disso, as taxas de desemprego
permanecem elevadas em todos os quatro países, embora relativamente
sejam mais altas no Brasil (9%), Rússia (7,9%) e China (8,3% na área
urbana) do que na Índia (6,0% na área urbana).
Na China, as estatísticas
oficiais de desemprego urbano não consideram como desempregados
os trabalhadores demitidos das empresas estatais. Em paralelo, no Brasil, Índia
e Rússia, o subemprego permanece alto e atinge mais as mulheres
nos dois primeiros países e os trabalhadores mais velhos no último.
Paula Puliti
Agência Estado
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FOLHA DE LONDRINA, 25 de
outubro de 2007 | Política
Número de deputados por Estado é definido
com base na população
Curitiba - O tamanho das bancadas na Câmara é definido com base
no número de habitantes do Estado - cerca de 10,2 milhões, no
caso do Paraná, conforme os dados do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE).
O artigo 45 da Constituição
Federal determina que o número total de deputados federais, bem
como a representação por Estado e pelo Distrito Federal,
''deve ser estabelecido por lei complementar, proporcionalmente à população,
procedendo-se aos ajustes necessários, no ano anterior às
eleições, para que nenhuma das unidades da Federação
tenha menos de oito ou mais de setenta deputados''. Feitos os cálculos,
o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) encaminha aos Tribunais Regionais
Eleitorais (TREs) e aos partidos políticos o número de
vagas a serem disputadas.
A Lei Complementar número
78, de 30 de dezembro de 1993, estabelece que o número de deputados
não pode ultrapassar 513 (número total atual). A maior
bancada hoje é a de São Paulo, com 70 parlamentares. A
do Paraná vem em sexto lugar (30).
No caso do Senado, o número é fixo.
São três senadores para cada unidade da federação.
(M.D.)
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FOLHA DE LONDRINA, 25 de
outubro de 2007 | Política
Dez mil pessoas participam de ato
contra reformas
Marcello Casal Jr./ABr

Os protestos foram contra as reformas da previdência e
universitária, a transposição do São Francisco,
o leilão da Vale e a corrupção
Brasília - Cerca de 10 mil manifestantes, segundo a Polícia Militar,
ou 15 mil, segundo os organizadores, protestaram hoje na Esplanada dos Ministérios,
em Brasília, com carros de som, bandeiras e fantoches de políticos.
Apoiados pelo PSOL, PSTU e PC
do B, a Conlutas (central sindical ligada ao PSTU), movimentos estudantis
e pastorais sindicais protestaram contra a reforma da previdência,
a reforma universitária, a transposição do rio São
Francisco, o leilão da Vale do Rio Doce, a corrupção
e outros temas.
''Se o governo insistir na tramitação
da reforma da Previdência, faremos verdadeiras paralisações
em todo o país'', disse José Maria de Almeida, coordenador
do Conlutas e ex-candidato à Presidência pelo PSTU.
Os manifestantes chegaram à Brasília,
na manhã de ontem, de vários Estados. O trânsito
foi interditado, e 800 policiais fizeram a segurança para que
o protesto seguisse do estádio Mané Garrincha até o
Congresso.
Lá os militantes entraram
no espelho d'água. Despejaram peixes mortos para simbolizar o
que acreditam que irá ocorrer no rio São Francisco e jogaram água
nos policiais, mas a PM não reagiu: ''Quebraram o galho da gente
porque não veio muita água'', ironizou o comandante da
Polícia Militar do Congresso, major Alexandre Corrêa.
Folhapress
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Congresso em Foco, 25 de outubro de 2007
CPMF opõe tucanos na Câmara
e no Senado
Sob influência de Serra e Aécio,
senadores do PSDB acenam com apoio à CPMF em encontro com
Guido Mantega e deixam deputados tucanos apreensivos com eventual
mudança de postura em votação.
Eduardo Militão
É com um pé atrás que os tucanos se sentam à mesa
com o governo hoje (25) para almoçar o debate sobre a renovação
da CPMF. Criadores do tributo bilionário e com expectativa de um de seus
governadores assumir o Planalto em janeiro de 2011, os senadores do PSDB avaliam
que extinguir a contribuição, pura e simplesmente, não é o
melhor caminho.
Podem ainda conseguir uma desoneração de impostos e – por
incrível que pareça – o compromisso do governo de reduzir
o tamanho do Estado. A negociação acontece após um temor
expressado pelos deputados tucanos de que os colegas do Senado teriam traído
a bancada da Câmara.
Apesar dessas expectativas, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio
(AM), se mantém cético para o encontro desta quinta-feira com
o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Na mesa, os tucanos expuseram seis pontos
de discussão, como redução da carga tributária
e da alíquota da CPMF. “Não creio que eles possam responder
de maneira substantiva. Prefiro não me decepcionar. Prefiro esperar
pelo pior”, afirmou Virgílio ao Congresso em Foco na noite de
ontem (24).
Participarão do encontro com Mantega o líder do governo, Romero
Jucá (PMDB-RR), e o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos
(CAE), o petista Aloizio Mercadante (SP), e os tucanos Tasso Jereissati (CE)
e Sérgio Guerra (PE), o atual e o futuro presidente do PSDB, respectivamente.
Virgílio lembra que os pontos levantados pelo partido não são
uma camisa-de-força. “Vamos para uma tentativa de negociação.
Vamos ver o que eles têm a dizer. A maioria dos senadores acha que eles
vão frustrar nossa boa-fé”, avalia o tucano.
Jucá diz ser importante o canal de negociação. Mas ressalta: “Eles
estão abertos, mas não tem nada definido”. O senador diz
que até a semana que vem as contrapropostas do governo às reivindicações
do PSDB e de outros parlamentares estarão fechadas. Ainda na manhã de
hoje, Jucá pretende fechar com o presidente da Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ), Marco Maciel (DEM-PE), e os líderes partidários
o cronograma de audiências públicas da CPMF.
Jucá afasta as especulações de que o governo já teria
os 49 votos necessários para renovar o tributo, alimentadas ontem pelo
ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia. “Não é hora
de contar, é hora de trabalhar.”
Extinção abrupta
A senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO) assegura que a maioria da bancada
defende que a CPMF não pode ser extinta de forma abrupta. “Grande
parte dos senadores já foi governo. Não nos comprometemos a votar
a favor, mas estamos na fase de seleção de propostas”,
diz.
Jucá acrescenta o fato de que os governadores tucanos de São
Paulo, José Serra, e de Minas Gerais, Aécio Neves, são
fortes candidatos à sucessão de Lula, o que motivaria o PSDB
a bancar a prorrogação da CPMF. “O PSDB já foi governo
e pode ser governo de novo”, afirma o senador do PMDB, que também
foi tucano e líder do governo durante a gestão de Fernando Henrique
Cardoso.
Ex-governador mineiro, o tucano Eduardo Azeredo confirma que a experiência
nos executivos estaduais a e a influência de Serra e Aécio pesarão
na decisão dos senadores. “O PSDB tem seis governadores e é evidente
que o interesse deles tem que ser considerado”, analisa.
Mas nem todos os correligionários de Azeredo com passagens pelo Executivo
pensam assim. Ex-governador do Paraná, Alvaro Dias entende que apenas
com o fim da CPMF é possível discutir uma reforma tributária
para o Brasil. “É uma questão de filosofia”, disse
ele ao Congresso em Foco na semana passada, quando também descartou
a influência de Serra e Aécio. “Aqui governador não
influi. Aqui tem ex-governadores e futuros governadores”, frisou.
Recém-saído de oito anos à frente do Executivo em Goiás,
Marconi Perillo tem a mesma opinião do colega paranaense. “Os
governadores foram eleitos para governar; os senadores, para legislar. Considero
esse imposto de baixíssima qualidade”, reclamou o parlamentar.
Temor na Câmara
Antes da discussão de hoje, os deputados tucanos foram tratar de resolver
uma dúvida ideológica. Depois de baterem firme contra a CPMF
na Câmara, eles ficaram irrequietos com a disposição dos
colegas senadores em aceitar a renovação do tributo. Por isso,
um grupo de cerca de 15 deputados foi, na noite de terça-feira (23),
tirar o temor a limpo numa reunião com a Executiva do partido e alguns
senadores.
Capitaneados pelo líder do PSDB na Câmara, Antonio Carlos Pannunzio
(SP), eles disseram que o partido não poderia mudar seu discurso. Ou
seja, ser favorável à CPMF, conforme acertado num encontro em
Belo Horizonte há cerca de três meses. “O governo se apercebeu
que a maioria no Senado é frágil. Mas daí a votar a favor,
o espaço é grande”, comenta Vanderlei Macris (SP), um dos
participantes da reunião de anteontem.
Apesar disso, Pannunzio se mostrou tranqüilo ao final do encontro. “Eles
também são contra, mas estão numa linha diferente. É uma
estratégia legítima”, afirmou o líder. Embora acredite
ser difícil o governo aceitar os pontos propostos pelos tucanos, ele
reconhece que a negociação pode ser muito vantajosa. “Se
o governo aceitar, é uma tremenda vitória do PSDB, com a redução
de gastos e mais verbas para a saúde”, conta Pannunzio.
Para deputados e senadores, a mudança na estratégia se deve à conveniência
adotada pelo Planalto desde o início da tramitação da
CPMF na Câmara. “Aqui, o governo tratorou com a maioria. Aí,
foi fechada questão contra porque não houve possibilidade de
negociar”, diz Macris. “Eles radicalizaram porque radicalizaram
com eles”, atesta Virgílio.
Portanto, com o Planalto mais humilde, agora seria normal mudar de planos e
arriscar obter alguns benefícios da situação frágil
dos governistas. “Se houver negociação, é natural
conversar”, concorda Romero Jucá.
E se nada der certo? Daí, os tucanos poderão dizer, às
pampas, que não atrapalharam o financiamento da saúde e dos programas
sociais para o país. O governo é que foi intransigente. “Não
vai ser por culpa do PSDB”, prevê Macris.
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Folha de São Paulo, 25 de outubro de
2007
Diante de Lula, empresários "emudecem" sobre
a CPMF
Encontro com presidente é marcado
por elogios e falta de debate sobre a cobrança | Quase cem
líderes do setor privado vão a encontro no Palácio
do Planalto, mas guardam reclamações sobre o tributo
para entrevistas
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
As tradicionais reclamações do setor privado foram deixadas de
lado no encontro de quase cem empresários com o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. Na entrada, vários reclamaram da intenção
de prorrogar a CPMF, mas no encontro a preocupação foi trocada
por pedidos de menor burocracia, mais infra-estrutura e reformas tributária
e previdenciária, além de elogios ao governo.
A reunião de três horas no Palácio do Planalto também
foi marcada pelo discurso otimista do governo, que divulgou uma série
de indicadores para reforçar a idéia de que a economia tem apresentado
um bom desempenho. Depois do quadro róseo pintado por Guido Mantega
(Fazenda) e Luciano Coutinho (BNDES), 16 empresários falaram. Todos
elogiaram a política econômica e disseram que os negócios
vão bem.
Em seguida, o presidente Lula fez um discurso de cerca de uma hora para tentar
estimular os presentes a aumentar os investimentos no país.
" Eu me assusto quando ouço dizer que a [utilização
da] capacidade produtiva do país já chegou a 87%, e nós
sabemos que não pode chegar a mais do que isso. É preciso haver
mais investimentos para que a gente não tenha a volta da chamada "demanda
maior do que a oferta", porque o resultado disso é o surgimento de
mercado paralelo, a volta da inflação, o desajuste da economia",
afirmou Lula.
A CPMF não foi citada nem pelo governo nem pelo setor privado. Até mesmo
a constante reclamação em relação aos juros e a
recente decisão do Banco Central de interromper os cortes foi deixada
de lado.
" Não viemos aqui para buscar culpados, viemos para ajudar a resolver
os problemas do Brasil", disse o presidente da Nestlé no Brasil,
Ivan Zurita, após a reunião.
Na mesma linha, Luiza Helena Trajano, presidente do Magazine Luiza, avaliou
que o chamado imposto do cheque não é o tema principal da discussão
com o governo. "O problema não é ficar com a CPMF ou não.
Pode até ficar se baixar os outros [tributos]. O problema é que
a carga tributária é alta. A CPMF é um imposto justo:
eu pago, mas todo mundo paga."
Após o encontro, Mantega se exaltou ao ser questionado se o governo
pediu apoio do empresariado à CPMF. "Não tem que debater
todas as questões numa reunião. Estamos discutindo outras questões,
discutimos o país, discutimos o desenvolvimento. Parece que você [repórter]
tem idéia fixa agora, só tem CPMF. O Brasil tem muito mais questões."
O tom ouvido após a reunião foi completamente diferente daquele
visto antes do encontro com Lula. Ao chegar para a reunião, empresários
reclamaram da articulação pela prorrogação da CPMF. "O
ideal é que tivéssemos um plano de redução [da
CPMF] porque ela é um imposto que afeta em cadeia todos os preços.
E, para ser competitiva, a economia brasileira precisa da redução
de impostos", disse o vice-presidente sênior do Itaú, Alfredo
Setúbal, ao chegar ao Planalto.
" Acho que é um momento oportuno para uma redução gradativa.
De, por exemplo, 0,03 ponto percentual no primeiro ano. Tem muita margem [para
o corte] com o crescimento da economia", disse o presidente do conselho
da Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, antes do encontro.
As poucas críticas trataram de temas genéricos. O presidente
do Santander, Gabriel Jaramillo, pediu urgência na reforma trabalhista.
O presidente da BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros), Manoel Félix
Cintra Neto, defendeu a reforma tributária.
Menores, as outras críticas foram pontuais. O presidente do ABN Amro
Real, Fábio Barbosa, cobrou a implantação do cadastro
positivo de crédito -histórico de bons pagadores- e Luiza Trajano
pediu linha de crédito do BNDES para o varejo nos mesmos moldes existentes
para a indústria.
José Roberto Ermírio de Moraes, da Votorantim, disse que o importante é o
governo sinalizar que, a longo prazo, a carga tributária possa diminuir". "Ele
[Lula] reconhece que é um momento que o Brasil ainda precisa desta carga
tributária. A questão dos programas sociais é uma ênfase
do governo atual, certamente tem mostrado resultados significativos",
disse.
Sem críticas contundentes, o presidente disse que o governo criou condições
para que os empresários invistam. Um dos exemplos citados foi o recente
leilão de energia elétrica que, para o governo, garante fornecimento
de energia até 2012.
O discurso do governo pede que o setor produtivo invista em duas frentes. No
Brasil, os recursos devem ter como objetivo o mercado doméstico. Além
disso, Lula afirma que, se os investimentos forem feitos agora, não
haverá problema de inflação em alta no futuro.
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FOLHA DE LONDRINA, 25 de
outubro de 2007 | Economia
13º salário será usado
para quitar dívidas
Pesquisa realizada com exclusividade para
a FOLHA revela que trabalhadores usarão a maior parte do benefício
para pagar contas
Dinheiro na mão e época
festiva. O momento - de férias, Natal e Ano Novo - é sugestivo
ao consumo, mas se depender dos assalariados o 13º salário
já tem destino certo e não são as compras. Mais
da metade das pessoas empregadas (53,9%) pretendem utilizar a primeira
parcela do benefício para quitar dívidas já contraídas,
enquanto a segunda parcela terá a mesma finalidade para 36,4%
das pessoas. O levantamento que apurou as intenções
de aplicação do salário-extra foi feito com
exclusividade para a FOLHA pela Ímpar - Inteligência
de Marketing e Inbrape Pesquisas.
A pesquisa ouviu 412 londrinenses
na semana passada, dos quais 60% são homens e 40%, mulheres. Os
entrevistados ainda foram divididos por faixa etária (de 16 a
24 anos, de 25 a 44 anos e de 45 a 65 anos) e por renda familiar (até R$
2 mil e acima de R$ 2 mil) (veja quadro). Um outro dado interessante é que
os assalariados mostram-se preocupados em guardar dinheiro. A poupança é destino
certo para a primeira parcela do benefício para 17,5% dos trabalhadores
enquanto 16,7% também devem guardar a segunda parcela do 13º.
Já os presentes de Natal são a última memória
dos assalariados.
As ''lembranças'' são
prioridade de gasto para 1% dos entrevistados (1 parcela) e 1,5% (2 parcela).
Antes de presentear, os trabalhadores estão preocupados em viajar,
comprar material de construção e produtos para si. ''Acredito
que o resultado da pesquisa (a preferência por quitar débitos)
mostra o aumento na concessão de crédito e o maior endividamento
dos trabalhadores e isso não significa necessariamente ter dívidas
atrasadas'', avalia Vandir Bokorni Fernandes, professor de Finanças
da Unopar.
O diretor de pesquisa da Ímpar
e do Inbrape, Cláudio Chiusoli, professor de Marketing, lembra
que há semelhanças no comportamento dos consumidores, uma
vez que os índices da pesquisa apurados agora são parecidos
no levantamento feito há oito anos. ''A facilidade de crédito
pode comprometer a renda dos trabalhadores e o 13º vem para tirar
do sufoco esses consumidores. Aliás, esse comportamente (de usar
o benefício para quitar débitos) é um hábito
dos brasileiros'', avalia.
Na segmentação
por sexo a pesquisa torna evidente algumas diferenças entre homens
e mulheres. Elas (13,3%) pretendem usar a primeira parcela do dinheiro
extra para comprar produtos para si, enquanto apenas, 7,3% deles utilizarão
o benefício para fazer compras. A segunda parte do 13º também
será usada para essa finalidade por 17% das mulheres e por 9,7%
dos homens. Elas também se mostram mais preocupadas em presentear
e em comprar materiais de construção.
''A indicação por
comprar material de construção é um reflexo do aumento
de crédito para aquisição da casa própria'',
lembra Fernandes. Os homens, aparentemente, se mostram mais preocupados
em pagar dívidas e poupar (nos dois itens há uma diferença
de três a quatro pontos percentuais entre os sexos), mas também
preferem investir em lazer e em festas, ao contrário delas, que
sequer citaram essas opções.
Fernanda Mazzini
Reportagem Local
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FOLHA DE LONDRINA, 25 de
outubro de 2007 | Economia
Renda influencia nos gastos do benefício
Um dado que chama atenção na pesquisa que mostra as intenções
de gasto dos assalariados do 13º salário é a diferença
entre os entrevistados que pretendem pagar dívidas na segmentação
por renda familiar. Enquanto 61,9% dos trabalhadores com renda de até R$
2 mil mensais devem usar a primeira parcela do benefício para essa finalidade,
apenas 31,8% dos assalariados com renda superior a R$ 2 mil devem usar a mesma
parcela para quitar débitos.
Já para utilização
da segunda parcela a diferença é ainda maior. A pesquisa
mostra que 43% dos assalariados com renda inferior a R$ 2 mil pretende
quitar débitos contra 18,2% das pessoas com rendimento superior
a R$ 2 mil. ''Esses resultados podem levar a uma interpretação
de que as pessoas com rendimento inferior não conseguem poupar
porque têm que pagar dívidas'', observa Vandir Bokorni Fernandes,
professor de Finanças da Unopar.
A recomendação
do professor para os consumidores que irão utilizar o benefício
para pagamento de débitos é negociar. ''A negociação é sempre
importante. Se for uma dívida antiga a pessoa pode levar grandes
vantagens'', comenta. Outro fator importante no momento do pagamento é escolher
as dívidas com juros maiores. ''Acredito que essas dívidas
contraídas pelos trabalhadores refletem um pouco a política
dos bancos de adiantar o 13º salário'', diz. (F.M.)
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FOLHA DE LONDRINA, 25 de
outubro de 2007 | Economia
Devedor da União irá para
o Serasa
Brasília - O procurador-geral da Fazenda Nacional, Luís Inácio
Adams, informou ontem que o governo não recuou da decisão de
editar uma portaria autorizando a inclusão no cadastro do Serasa dos
nomes de pessoas com débitos tributários inscritos na dívida
ativa da União. Segundo Adams, a portaria será baixada na segunda
semana de novembro.
Adams apresentou ontem, em reunião
fechada, uma minuta da portaria aos parlamentares da Comissão
de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados.
Uma nova reunião foi marcada para o dia 6 de novembro. No dia
9, o procurador debaterá a medida com dirigentes da Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que já manifestou
a intenção de apresentar uma ação direta
de inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal (STF) depois
que a portaria for editada.
''Não desistimos. Nós
temos o consenso jurídico, o que acontece é que o tema é polêmico. É oportuno
que esse processo seja efetivado com o menor nível de litígio.
Não adianta nós querermos implementar um modelo, e ser
tudo questionado no atacado'', justificou o procurador.
Segundo ele, os deputados da
Comissão de Finanças solicitaram um debate com a Procuradoria
Geral da Fazenda Nacional (PGFN) antes que a portaria fosse editada.
O procurador reforçou a avaliação de que não é necessária
a aprovação de um projeto de lei para adoção
da medida. ''Isso é um ato administrativo. Não há necessidade
nenhuma de projeto de lei'', disse. ''Estamos convictos de que o instrumento é seguro, é forte'',
acrescentou.
Adriana Fernandes
Agência Estado
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O ESTADO DO PARANÁ,
25 de outubro de 2007 | Economia
Telefonia fixa deve detalhar contas
aos consumidores
Redação O Estado do Paraná
As operadoras de telefonia fixa que atuam no Paraná -Brasil Telecom
e a GVT - terão de fornecer informações detalhadas dos
serviços prestados aos consumidores, independente de solicitação
prévia, de modo impresso e gratuito, de acordo com o previsto no artigo
31 do Código de Defesa do Consumidor. A decisão foi proferida
pelo juiz federal João Pedro Gebran Neto, da 7.ª Vara Federal de
Curitiba.
Em sentença proferida
no último dia 19, o juiz determinou prazo de 60 dias para que
a Brasil Telecom cumpra integralmente a decisão judicial, fornecendo
aos consumidores as faturas detalhadas, sob pena de multa diária
de R$ 10 mil. Determinou ainda multa de R$ 3,6 milhões à GVT
e que ela cumpra imediatamente a decisão e que a Anatel (Agência
Nacional de Telecomunicações) fiscalize o imediato cumprimento
das determinações.
A Brasil Telecom informou, através
da assessoria de imprensa, que ainda não foi notificada da decisão.
A GVT também informou, por nota oficial, que não foi oficialmente
comunicada até o momento, “mas está acompanhando
o processo e entende que presta ao cliente o serviço de detalhamento
de conta dentro de um formato viável e transparente sem recorrer
a custos invisíveis ou embutidos em outras tarifas ao consumidor”.
A operadora informou ainda que “oferece o serviço de detalhamento
de conta desde o início de suas operações, a custo
zero, para consulta pela internet e a preço de custo do papel
e envio por correio (R$ 2,49) para a versão impressa”.
Histórico
O Ministério Publico Federal
propôs ação civil pública sustentando que
as duas operadoras têm o dever de detalhar as chamadas de telefone
fixo, constando data, horário, número do telefone chamado,
duração das chamadas locais e valor. Em maio de 2005, o
juízo da 7.ª Vara Federal de Curitiba deferiu antecipação
de tutela determinando que as concessionárias teriam prazo de
30 dias para, no Paraná, incluir o detalhamento dos dados das
chamadas, sem custo adicional, referente aos pulsos ou minutos utilizados.
A Anatel deveria informar, em
45 dias, se as determinações fossem cumpridas. As duas
empresas entraram com recurso no Tribunal Regional Federal da 4.ª Região,
mas somente a Brasil Telecom conseguiu efeito suspensivo da decisão.
De acordo com a Justiça
Federal, como a GVT não estava amparada por decisão que
suspendesse os efeitos determinados na antecipação de
tutela, continuou obrigada a cumprir a determinação,
sob pena de multa diária de R$ 10 mil, aplicada desde o deferimento
da antecipação de tutela. Atualmente, o valor da multa
chegaria a R$ 8,6 milhões, referentes a 866 dias de descumprimento.
Como o artigo 461 do Código de Processo Civil autoriza que o
juiz modifique o valor da multa para torná-la apropriada, ela
foi reduzida para R$ 3,6 milhões.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
25/10/2007
Shell é condenada a indenizar trabalhador
queimado com óleo a 150 graus
A Shell do Brasil Ltda. teve
negado recurso em que tentou isentar-se do pagamento de indenização
a um caminhoneiro que, contratado por empresa terceirizada, sofreu acidente
quando transportava óleo em estradas de Minas Gerais. A empresa,
juntamente com outras transportadoras, foi condenada pela Vara do Trabalho
de Muriaé (MG) ao pagamento de pensão, despesas médicas
e hospitalares e indenização por dano moral, sentença
posteriormente questionada por ambas as partes, culminando com recurso
ao Tribunal Superior do Trabalho, rejeitado pela Quinta Turma.
O trabalhador foi contratado
pela Mandel Ltda., que por sua vez tinha contrato com outra empresa,
a Transcardoso Ltda., para transportar óleos para a Shell. O acidente
ocorreu quando o motorista, para evitar colisão frontal com outro
veículo, se viu obrigado a desviar para o acostamento e capotou,
provocando o derramamento do produto que, devido à alta toxicidade,
era transportado a 150 graus centígrados.
O motorista sofreu queimaduras
em todo o corpo, com graves seqüelas que o tornariam incapacitado
para o trabalho e restringiriam sua vida familiar e social. Além
disso, segundo suas alegações, ele não teve qualquer
assistência por parte das empresas. Contou na inicial que, ao ser
informado pela equipe médica da necessidade de sua remoção
para um quarto individual, seu empregador direto negou-se a pagar os
custos e ainda lhe dirigiu impropérios, atitude repetida quando
foi procurado pela esposa do trabalhador.
Na sentença, a Vara de
Muriaé condenou as empresas Mandel (empregadora direta), Shell,
Transcardoso e Transtassi. A pena: pensão mensal de um salário
mínimo, com acréscimo de 15% ao ano, até o autor
completar 65 anos de idade; ressarcimento das despesas de internação
efetuadas; cobertura de despesas necessárias ao restabelecimento
do acidentado, incluindo gastos médicos, medicamentos, exames
clínicos e laboratoriais e internações hospitalares,
cirurgias plásticas e reparadoras; e indenização
por dano moral fixada em valor equivalente a 300 salários mínimos.
Ambas as partes recorreram. As
quatro empresas apresentaram recursos em conjunto, contestando a competência
da Justiça do Trabalho para julgar danos morais, além de
outras questões preliminares, e, no mérito, buscando isentar-se
de responsabilidades no acidente. Mas o Tribunal Regional do Trabalho
da 3ª Região (MG) deu provimento ao recurso ordinário
apenas para excluir da condenação uma das empresas, a Transtassi.
Quanto ao recurso do trabalhador, elevou o valor da indenização
por danos morais para 200 mil reais e determinou a incidência de
15% sobre a sua remuneração, correspondente à soma
dos valores mensais da licença-acidente e da pensão (um
salário mínimo).
As três empresas recorreram
novamente e, diante da negativa do TRT em dar seguimento ao recurso de
revista, a Shell interpôs agravo no TST contra o trabalhador e
as outras duas empresas (Mandel e Transcardoso). Manteve, basicamente,
os mesmos questionamentos preliminares anteriormente apresentados, como
incompetência da Justiça do Trabalho, negativa de prestação
jurisdicional e outras. Contestou, novamente, a decisão que a
condenara como responsável solidária e insurgiu-se contra
o pagamento da pensão, o custeio das despesas médicas e
a indenização por danos morais.
A relatora do processo, juíza
convocada Kátia Arruda, rejeitou todas as preliminares e negou
provimento ao recurso. Em relação à alegada incompetência
da Justiça do Trabalho, destacou que a matéria não
comporta mais discussão, face à Súmula nº 392
do TST. Quanto à nulidade por negativa de prestação
jurisdicional, a juíza concluiu não haver qualquer omissão
que a justificasse. Na questão da responsabilidade solidária,
assinalou que seu reconhecimento se prende ao mérito da decisão
regional – e lá será examinada. No item cerceamento
de defesa, que a empresa alegou em função de questões
relacionadas com perícia técnica, a relatora observou que
a decisão do TRT se amparou no artigo 130 do Código de
Processo Civil, ao evidenciar que o juiz de primeiro grau determinou
as provas necessárias à instrução do processo,
e indeferiu aquelas tidas como inúteis ou irrelevantes.
A juíza negou provimento às
questões levantadas contra o pagamento de pensão (vinculada
ao salário mínimo), cobertura de despesas médicas
em geral e custeio de cirurgias, consignando o acerto das decisões
do Regional a respeito de cada uma delas. Kátia Arruda refutou,
igualmente, a sustentação da empresa sobre a inexistência
de nexo de causalidade entre os danos morais deferidos e os procedimentos,
destacando não haver fundamento para que o recurso seja apreciado
nesse quesito. Na conclusão de seu voto, aprovado por unanimidade,
a relatora arremata: “Registre-se que o acesso ao Poder Judiciário
não é irrestrito, estando condicionado à satisfação
dos pressupostos inerentes a cada recurso”. (AIRR 365/2005)
(Ribamar Teixeira)

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