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Agência
Câmara, 27 de outubro de 2007
Aconteceu
Trabalho rejeita obrigação
de empresa lavar uniformes
A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço
Público rejeitou na quarta-feira (24) o Projeto de Lei 24/07, do
deputado Dr. Rosinha (PT-PR), que obriga as empresas a lavar o uniforme
de seus empregados, caso utilizem produtos nocivos à saúde
dos trabalhadores e ao meio ambiente.
O relator da proposta foi o deputado Eduardo Valverde (PT-RO),
que recomendou a aprovação do projeto e das mudanças
feitas a ele pela Comissão de Seguridade Social e Família.
O deputado informou, no entanto, que foi procurado por diversas
entidades, entre elas representantes de lavanderias e supermercados,
que temiam as conseqüências da medida. Pequenos supermercados
não teriam condições de cumprir a lei, e lavanderias
temiam a diminuição do mercado em grandes centros.
Por essas polêmicas, e com diversos deputados destacando
inconsistências na proposta, a comissão rejeitou o
parecer favorável de Valverde. O deputado Pedro Henry (PP-MT)
foi escolhido para redigir um novo parecer rejeitando o projeto.
Tramitação
O projeto ainda será analisado pelas comissões de Finanças
e Tributação; e de Constituição e Justiça
e de Cidadania.
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Diário
Vermelho, 27 de outubro de 2007
CGU: governo FHC irrigou cofres de
ONGs com R$ 28 bilhões
A CGU (Controladoria-Geral da União) divulgou levantamento
nesta sexta-feira (26) que mostra que as ONGs (Organizações
Não Governamentais) receberam mais recursos público
federais durante o segundo mandato do presidente tucano Fernando
Henrique Cardoso (1999-2002) do que no primeiro do petista Luiz
Inácio Lula da Silva (2003-2006). O levantamento foi divulgado
depois do Senado instalar a CPI das ONGs.
De acordo com o levantamento, 7.888 ONGs receberam recursos público
federais entre 1999 e 2006. Existem 275 mil organizações
não-governamentais no país.
Em valores atualizados, segundo o levantamento, as ONGs receberam
R$ 28,04 bilhões no segundo mandato de FHC. No primeiro
mandato de Lula, elas receberam R$ 19,98 bilhões.
A CGU informa que está fiscalizando 325 ONGs que receberam
recursos federais entre 1999 e 2006. Nesse período,
as entidades fiscalizadas receberam R$ 3,5 bilhões.
Descontrole
Em depoimento à CPI das ONGs, o procurador do Ministério
Público junto ao TCU (Tribunal de Contas da União),
Lucas Furtado, disse na quinta-feira (25) à CPI das
ONGs que o governo federal não fiscalizou o repasse
de R$ 12,5 bilhões a entidades vinculadas ao Executivo
no ano passado. Do total, segundo o procurador, 39% foram recursos
repassados em convênios firmados pelo Ministério
da Educação com ONGs.
Segundo o procurador, há um "descontrole" nos
repasses federais a entidades sem fins lucrativos. "Só não
desvia dinheiro quem não quer", criticou o procurador.
Furtado disse que, até o final do ano passado, o governo
federal deixou de receber a prestação de contas
de pelo menos R$ 1,8 bilhão repassados a ONGs. Além
disso, o procurador revelou que outros convênios que
chegaram a R$ 10,7 bilhões também não
foram fiscalizados.
O procurador acredita que, sem fiscalização,
grande parte dos recursos tenha sido desviado --já que
levantamento realizado pelo TCU no ano passado em 30 convênios
do governo identificou irregularidades em pelo menos 15.
" Nesses convênios ou a ONG não tinha condições
técnicas para a realização de atividades
ou seus estatutos previam área de atuação
diversa ao objeto do convênio", disse.
Segundo Furtado, a falta de critérios legais para a
escolha de ONGs atendidas pelo governo ajuda a ocorrerem irregularidades
nesse setor.
Inácio Arruda defende marco regulatório
Surpreso com os dados apresentados na audiência pública,
o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), relator da CPI das
ONGs, falou que essa “é uma demonstração
de como o estado foi precarizado no Brasil”. Com isso,
segundo o comunista, “o estado não assume as suas
responsabilidades”. Inácio explica que foram tirados
serviços essenciais do estado, e esses passaram a ser
oferecidos pelo terceiro setor, sem que fosse criado nem um
tipo de regulamentação.
Seguindo a mesma linha de raciocínio, o procurador
da República, Rômulo Moreira Conrado, diz que “se
essas entidades não existissem, deixariam um vácuo
na atuação estatal, acarretando prejuízos à coletividade;
ou seja, sem elas, não haveria a prestação
de vários serviços públicos, alguns deles
considerados essenciais”.
O representante do Ministério Público mostrou
que existem organizações que são criadas
num dia para receberem dinheiro no outro dia, em volumes superiores
a 50 milhões de reais, sem critérios para avaliar
se a instituição tem capacidade de desenvolver
o programa.
Repudiando a iniciativa, Inácio fala que “os
convênios são feitos mesmo com a orientação
da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que
determina o controle para repasses a organizações
sem fins lucrativos”. Ele ressalta que “esses absurdos
vem abrindo um panorama de investigações para
nós. A CPI, ao ouvir aberrações como as
que foram informadas aqui, tem a obrigação de
criar um marco regulatório eficaz”.
Os especialistas em ONGs defenderam a existência dessas
entidades para atender as necessidades da sociedade em áreas
onde o Estado não atua, mas foram unânimes em
defender a importância de maior fiscalização
no repasse de recursos públicos para essas organizações.
Da redação,
com agências
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Valor
Econômico, 27 de outubro de 2007
Guerra fiscal é realidade
para metade das cidades do país
A tão criticada guerra fiscal é realidade para
49,5% dos 5.564 municípios brasileiros, de acordo com a pesquisa
Perfil dos Municípios Brasileiros - Gestão Pública
2006, divulgada nesta sexta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE).
De acordo com o estudo, 2.754 municípios do país
utilizam algum tipo de mecanismo de incentivo à implantação
de empreendimentos. Os benefícios mais utilizados entre
2004 e 2006 foram a doação de terrenos, com 1.204
ocorrências no período, e a cessão de terrenos,
utilizada pelos municípios em 1.236 ocasiões.
A redução de taxas acontece com menos freqüência.
No ano passado, apenas em 722 oportunidades os municípios
haviam optado pela isenção total de IPTU para
empreendimentos nos últimos 24 meses, enquanto em 729
ocasiões houve isenção de taxas.
A isenção parcial de IPTU aconteceu em 747 casos
e a isenção de ISS ocorreu 764 vezes no período.
As indústrias foram as mais beneficiadas pela guerra
fiscal entre os municípios. Em 1.864 ocasiões
o setor foi agraciado com algum benefício entre 2004
e 2006. As empresas de comércio e serviços receberam
incentivos em 1.185 ocasiões, enquanto o setor agrário
foi beneficiado em 381 oportunidades, seguido pelo setor de
turismo, esporte e lazer, com 344 incentivos.
A maior parte dos municípios que abre mão de
receita, cerca de 62%, está localizada nas regiões
Sul e Sudeste do Brasil. "Cabe chamar a atenção
para o comportamento dos Estados de Santa Catarina e Rio Grande
do Sul, que apresentam, em algumas regiões, uma grande
aglomeração de municípios que adotam tais
mecanismos", ressalta o IBGE.
O Instituto atenta ainda para o fato de a adoção
de mecanismos de incentivo ser maior em termos proporcionais
entre os municípios mais populosos. Enquanto apenas
50% dos municípios com até 20 mil habitantes
contam com tais mecanismos, entre os municípios com
mais de 500 mil habitantes a proporção chega
a 85,7%.
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Agência
CUT, 27 de outubro de 2007
Paim: "O Senado vai consertar
as imperfeições e garantir que não se enfraqueça
o movimento sindical"
O senador Paulo Paim (PT-RS) condenou a alteração
feita na Câmara ao Projeto de Lei que reconhece as centrais
sindicais, mas retira suas fontes de financiamento, mantendo a
das entidades do patronato. "A expectativa é de que
a gente consiga fazer a correção. Em conversa que
tive com outros senadores, a opinião de todos é de
que isso não leva a nada e a melhor forma é construir
uma redação de consenso que não enfraqueça
o movimento sindical", declarou.
Paim acredita que o Senado "vai consertar as imperfeições
do projeto para garantir o reconhecimento das centrais sindicais,
que ninguém é contra, porque foi resultado de
um acordo entre todas as partes envolvidas – trabalhador,
empregador e governo". "A forma dessa construção
e a redação final será fruto de uma construção
coletiva, resultado da audiência pública do dia
1º de novembro", declarou o senador. Nesta data,
informou, uma audiência conjunta das comissões
de Direitos Humanos, Assuntos Sociais e Constituição
e Justiça do Senado debaterá o assunto com todos
os segmentos envolvidos. O senador petista deve ser o relator
da matéria na Comissão de Assuntos Sociais.
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Gazeta
do Povo, 27 de outubro de 2007
BRASIL | JUSTIÇA
Nova regra para greves desagrada
a sindicalistas
Entidades rejeitam norma do STF
para paralisações no setor público
por CAROLINE OLINDA
COM AGÊNCIAS
Curitiba – A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que
equipara o direito de greve dos funcionários públicos ao
dos privados não agradou aos sindicalistas paranaenses. Eles reclamam
que a regra é injusta porque não considera a falta de regras
que ditem as negociações salariais para o setor público. “Não
podemos comparar o direito de greve de quem tem os seus direitos de negociação
regulamentados aos de quem nem isso possui”, diz o presidente da
Central Única dos Trabalhadores no Paraná (CUT-PR), Roni
Anderson Barbosa.
Segundo Roni, a CUT defende que o Brasil retifique a convenção
151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT)
antes de ditar regras sobre as greves dos servidores públicos.
A regra da OIT regulamenta as negociações salariais
dentro do serviço público. Outras reivindicação é que
seja determinada uma data-base para reajuste salarial. “A
Constituição Federal determina que, a cada 12 meses,
o salário seja reajustado segundo a inflação
acumulada no período. Mas a regra não é respeitada
no setor público”, afirma o presidente do Sindicato
dos Trabalhadores da Educação do Paraná,
José Rodrigues Lemos.
Para o sindicalista, a decisão do STF inibe o poder e
a mobilização dos funcionários públicos
principalmente porque suspende o contrato de trabalho enquanto
os grevistas estão em paralisação. Isso
significa que, a partir de agora, os dias parados serão
descontados do salário do trabalhador. “Se da forma
como está já é difícil conseguirmos
nos mobilizar e conquistar nossas reivindicações,
imagine cortando os dias não trabalhados? Pode até mesmo
acontecer de alguns governos municipais se aproveitarem da greve
para fazer caixa”, comenta Lemos.
Outro ponto que preocupa os sindicalistas é o fato de
que agora não é mais permitido que todo o serviço
fique parado. Com essa determinação, eles acreditam
que o poder das paralisações públicas nas
negociações será abalado. O procurador regional
do trabalho do Paraná, Jaime Bilek Iantas, explica que “seguindo
as regras do serviço privado, o setor público terá de
manter um número mínimo de funcionários
para prestar assistência à população
como determina a lei”.
Com isso, greves como a dos fiscais agropecuários teriam
um efeito mais restrito. O mesmo valeria para o caso das paralisações
nos hospitais públicos em alguns estados do Nordeste. “Essa
regra protege de alguma forma a população, porque
minimiza os efeitos das greves sobre o andamento dos serviços
públicos”, afirma Iantas.
Apesar das reclamações dos sindicalistas, o professor
da Faculdade de Direito da Unicuritiba, Daniel Müller Martins,
acredita que a determinação também irá proteger
os empregados porque “garante o direito a greve dos funcionários
do setor público”, diz.
A resolução do Supremo, chamada de mandado de
injunção, tem efeito imediato e será válida
até o Congresso aprovar uma legislação própria
para as greves no funcionalismo público. A necessidade
dessa lei é prevista na Constituição desde
1988, mas nunca foi definida pelos legisladores federais.
Especialista em lei trabalhista defende
STF
Brasília – A regulamentação da greve do funcionalismo
público por parte do Supremo Tribunal Federal (STF), foi considerada
como um passo importante no país pelo especialista em legislação
trabalhista, o professor José Pastore, que há dez anos
defendia a implementação dessa medida.
Para Pastore, o dinheiro público é que sempre
bancou a greve do funcionalismo público. “Agora
o funcionalismo vai ter de arcar com as conseqüências
de uma greve, que leva risco, e parece que ninguém por
aqui gosta de correr riscos. Terá de ter o comportamento
semelhante ao dos funcionários do setor privado. Não
se pode esquecer que há pontos que podem ser negociados
sim, sem maiores problemas”, diz.
Segundo o especialista, a atitude do STF foi de substituição
do Poder Legislativo que poderia ter regulamentado há tempos
a greve no funcionalismo público. “O STF chamou
para si a decisão sobre a greve do funcionalismo e sua
ocorrência. Isso foi muito importante, pois vai acabar
com a festa com o dinheiro público. Além disso,
vamos proteger o usuário dos serviços públicos,
que nos momentos de greve são solenemente esquecidos,
como pessoas idosas em portas de instituições públicas,
em longas filas, sem atendimento algum. Isso é um absurdo”,
afirma Pastore.
Com um atendimento obrigatório dos funcionários
públicos trabalhando em setores que estejam em greve,
observa Pastore, deverá ocorrer um atendimento ao usuário,
que “merece muito respeito”, afirma o especialista.
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Folha
de Londrina, 27 de outubro de 2007
SEU DIREITO: AUXÍLIO-ACIDENTE
Trabalho em uma indústria como operador de máquinas.
Sofri um acidente e meus braços ficaram presos na máquina
que estava trabalhando. Quebrei o braço esquerdo e machuquei
seriamente o direito. Afastei-me do trabalho e recebi auxílio-doença
por seis meses. Posteriormente, recebi alta e voltei ao trabalho.
Porém, o acidente deixou sequelas permanentes em meus braços
e não consigo mais ter o mesmo rendimento na atividade que
exercia. Tenho direito de receber algum benefício do INSS?
O segurado empregado (exceto o doméstico), avulso ou segurado
especial que tem sequela decorrente de acidente de trabalho, que
reduziu sua capacidade laborativa, faz jus ao recebimento do benefício
de auxílio-acidente. Para tanto, basta que o trabalhador
tenha uma diminuição da capacidade de trabalho, devidamente
comprovada por perícia médica, não sendo necessário
que esteja inválido.
Até 28 de abril de 1995, o benefício de auxílio-acidente
era vitalício e se mantinha até mesmo após
a concessão da aposentadoria. O valor variava de 30%, 40%
ou 60% do valor do salário de contribuição
que o obreiro recebia no dia do acidente, de acordo com o grau
de sua lesão. Após esta data, o percentual passou
a ser de 50% do salário de contribuição. No
dia 10 de dezembro de 1997, o benefício deixou de ser vitalício,
cessando com a aposentadoria.
Nossos tribunais têm decidido que é devido o benefício
de auxílio-acidente ao segurado quando demonstrado o nexo
de causalidade entre a redução de natureza permanente
da capacidade laborativa e o desempenho do serviço.
As decisões são no sentido também de que é devido
o benefício mesmo que exista a possibilidade, no futuro,
de reversão ou diminuição da sequela que gerou
a redução da capacidade laborativa.
Fábio Antonio da Silva Martin,
advogado
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Folha de São Paulo, 27 de outubro
de 2007
Aliados de Lula já articulam
emenda para o 3º mandato
Deputados Devanir Ribeiro (PT) e Carlos Willian
(PTC) admitem propor mudança que permita uma nova reeleição
Para o deputado federal José Carlos Aleluia
(DEM-BA), a proposta é uma tentativa de golpe; presidente do
PT diz que não apóia iniciativa
SILVIO NAVARRO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A três anos da eleição presidencial, aliados do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiram pela primeira
vez uma movimentação no Congresso Nacional para tentar
emplacar uma emenda à Constituição que viabilize
um terceiro mandato para petista já em 2010.
A idéia tem ao menos dois entusiastas: os deputados federais Carlos
Willian (PTC-MG) e Devanir Ribeiro (PT-SP), amigo do presidente. Ambos
se dizem dispostos a levar a proposta adiante no Congresso, mas há dúvidas
sobre o melhor formato para viabilizá-la. Willian pretende apresentar
uma Proposta de Emenda Constitucional, como revelou o "Correio Braziliense",
para tramitar na Câmara a partir de novembro.
A emenda abriria caminho para que os políticos com mandato no
Executivo (governadores, prefeitos e presidente) pudessem estendê-lo
e alteraria a duração do mandato para cinco anos. A PEC
deverá ser apresentada na Comissão de Constituição
e Justiça da Câmara.
" A proposta já tem a simpatia de partidos da base, mas não
posso revelar mais detalhes agora. Estamos analisando o texto. Limpando a pauta
da Casa, provavelmente em novembro, vamos buscar assinaturas e apoio", afirmou
Willian.
Se enfrentará críticas? "Isso é democracia,
vai tramitar no Congresso, depois a população vai às
urnas, não tem nada de Hugo Chávez não", rebateu
Willian. Ele afirmou que não pretende fazer alteração
no tempo de mandato para senadores: "Teríamos que tirar três
anos do mandato deles e ninguém quer perder três anos",
disse.
Devanir disse que vai procurar Willian para avaliar a proposta, mas vislumbra
outro caminho. Ele pretende incluir um plebiscito simultâneo às
eleições de 2008. "Não acredito que tenha condições
de alavancar agora, o momento bom é 2008, um plebiscito simultâneo à eleição",
disse o petista. Apesar da amizade de longa data com Lula, Devanir nega
que já tenha tratado do assunto com ele: "O presidente é muito
meu amigo, mas não o consultei. É tudo da minha cabeça".
A avaliação de líderes dos partidos governistas é que
a discussão sobre o tema só poderia ser aberta após
a aprovação da CPMF no Senado e da emenda constitucional
número 29. Na oposição, deputados receberam a proposta
como um "balão de ensaio" para testar os ânimos
da base governista, especialmente no PMDB. Os oposicionistas avaliaram
que a idéia poderia encontrar resistência no chamado "bloquinho" (PDT,
PSB e PC do B), que almejam concorrer com candidato próprio à Presidência.
A idéia de um terceiro mandato do presidente Lula gera pavor na
oposição. "Lula e Chávez se parecem muito,
por isso vamos trabalhar radicalmente contra, vamos para a rua reagir à tentativa
de golpe", disse José Carlos Aleluia (DEM-BA). Para Aleluia,
o próprio presidente estaria por trás da iniciativa: "O
Devanir é homem de confiança do Lula. Não se pode
aceitar que ele não está por trás disso".
O presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), negou ontem que o partido
esteja por trás desse movimento: "O PT não discutiu
isso e não há posição do PT em relação
a isso. A posição nossa é a regra atual, que prevê apenas
uma reeleição". Segundo Berzoini, "o partido
já disse várias vezes que entende que qualquer mudança
de regras deva valer para futuras eleições. Portanto, qualquer
mudança de regras em relação a qualquer assunto
eleitoral não pode ser [feita] comprometendo as regras vigentes".
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O
Estado do Paraná, 27 de outubro de 2007
Política
Presidente do TSE critica possibilidade
de 3.º mandato
Para o presidente do TSE, Marco
Aurélio Mello, essa possibilidade não atenderia às
premissas de um Estado democrático.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo
Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, afirmou nesta sexta-feira
(26) que considera uma "blasfêmia" a articulação
de um plebiscito para pedir um eventual terceiro mandato para o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva. "Isso seria inimaginável
e não atenderia às premissas de um Estado democrático,
como o que vivemos. Não seria bom para o Brasil e nem para o presidente
Lula", destacou.
Ele fez o comentário ao ser indagado sobre a informação
publicada nesta sexta-feira pelo Correio Braziliense de que os deputados
federais Carlos Willian (PTC-MG) e Devanir Ribeiro (PT-SP) estariam
articulando a convocação de um plebiscito para fundamentar
uma possível proposta de emenda constitucional permitindo a
segunda reeleição do Presidente da República,
governadores e prefeitos.
Marco Aurélio, que esteve nesta sexta-feira em São Paulo
para a solenidade de inauguração do Auditório
Hotel-Escola do Sindicato dos Empregados em Hotéis, Restaurantes
e Similares de São Paulo (Sinthoresp), disse não acreditar
que o presidente Lula poderá se envolver por "paixões
condenáveis". "A paixão condenável está no
apego ao poder, independentemente das balizas legais", emendou
o ministro. E ironizou: "A pensar-se num terceiro mandato, porque
pensar-se também na vitaliciedade".
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Revista
Consultor Jurídico, 27 de outubro de 2007
Esclarecimentos pontuais
Reforma da CLT ainda pode receber
sugestões
por Ana Cláudia de Paula Albuquerque
O Projeto Lei 1.987/07, Consolidação das Leis
Materiais Trabalhistas, apresentado pelo deputado Federal Cândido
Vaccarezza (PT-SP), tem gerado polêmica.
A falta de conhecimento quanto à finalidade e método
de elaboração de projetos de consolidação,
aliada à ansiedade de alguns profissionais da área
trabalhista, acabou por provocar manifestações
equivocadas.
Como todo trabalho de grande monta, muitas arestas terão
que ser aparadas, mas a elaboração e discussão
deste projeto já é uma grande conquista para a
população.
Conforme leciona José Afonso da Silva: “Lei é ato
de decisão política por excelência, é por
meio dela, enquanto emanada da atuação da vontade
popular, que o poder estatal propicia ao viver social modos pré-determinados
de conduta, de maneira que os membros da sociedade saibam, de
antemão, como guiar-se na realização de
seus interesses”. (Curso de Direito Constitucional Positivo,
José Afonso da Silva, pg. 125, 17ª edição,
Editora Malheiros.).
A um Estado Democrático de Direito deve corresponder
um conjunto de normas válidas, eficazes e eficientes que
traduzam o bem comum e tenham o poder de interferir positivamente
nas relações sociais.
Nosso sistema legal carece de sistematização.
O cidadão convive com leis em excesso para determinados
assuntos e omissão regulatória para outros. O resultado?
Prejuízo para o cidadão e para a República.
A Consolidação das Leis iniciada nesta
52º legislatura, chefiada por Cândido Vaccarezza,
tem três objetivos principais:
1. Ordenar de maneira lógica e sistemática os
dispositivos legais;
2. Disseminar o conhecimento destes dispositivos e, principalmente,
3. Revitalizar a atitude consciente e responsável na
elaboração legislativa.
Muitos equívocos que surgiram neste primeiro momento
do debate refletem a importância deste trabalho. Sem desmerecer
nenhum dos profissionais que se manifestaram, fica evidente que
a falta de conhecimento global do nosso universo normativo gerou
a impressão enganosa que direitos foram retirados e outros
acrescentados, mas isto não ocorreu.
O projeto desnudou a norma que já tínhamos.
Os comentários refletem o conflito entre a norma que
temos e a norma que queremos.
A população e a classe jurídica devem aproveitar
essa iniciativa do Vaccarezza para construir a “norma que
queremos” e não tomar o caminho fácil da
recusa imediata.
A tarefa é árdua, mas se pretendemos construir
um país melhor, participar efetivamente do crescimento
e evolução do Direito do Trabalho, é necessário
debruçar-se em cada dispositivo do PL 1.987/07 com seriedade,
rigor e sem preconceito ou preguiça.
Quando o projeto de Consolidação das Leis Trabalhistas,
de 1943, foi publicado, recebeu mais de duas mil críticas.
A Comissão da época estudou cada uma das sugestões,
realizou reparos e produziu uma peça normativa de inegável
valor.
O Vaccarezza, ao apresentar o PL 1.987/07, venceu o primeiro
obstáculo em direção ao progresso da regulamentação
das relações de trabalho. Acreditamos que a participação
dos cidadãos no aprimoramento deste projeto, o debate
qualificado de cada dispositivo, gerará uma peça
normativa de inegável valor como a apresentada em 1943.
A Mesa da Câmara dos Deputados em entendimentos com o
GTLEX, objetivando uma maior participação popular,
estabeleceu um rito legislativo diferenciado para os projetos
de consolidação. Além de todas as etapas
comuns de recebimento de emendas, foi acrescentada a modalidade
direta de participação da sociedade que se traduz
na fase preliminar de recebimento de sugestões.
O cidadão poderá enviar suas sugestões,
de qualquer local do Brasil, sem a necessidade de solicitar a
uma associação sindical ou a um Deputado Federal
que encaminhe seu pleito.
Desde que com firma reconhecida do interessado, a sugestão
será anexada ao projeto e analisada pelo GTLEX, obrigatoriamente.
O prazo para encaminhamento de sugestões é de
30 dias, mas ainda não está correndo.
Estamos à disposição para maiores esclarecimentos,
além de aguardarmos as sugestões ao projeto 1.987/07.
Aqueles que se interessarem em conhecer os esclarecimentos pontuais
aos questionamentos levantados pela ABRAT ao PL 1.987/07, poderão
solicitar por e-mail (vaccarezza@vaccarezza.com.br) uma cópia
da carta resposta enviada aos advogados.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
27/10/2007
Site do TST cria área para legislação
recente
Os usuários do site do TST passam a dispor de um link para
consulta de legislação recém-editada. Para fazer
a consulta, escolha o menu “Jurisprudência”, na parte
superior da página. Na janela seguinte, seleciona-se a opção “ Legislação
(Novidade) ”.
A Coordenadoria de Jurisprudência, que criou a área atendendo
a diversas solicitações nesse sentido, fará a atualização
diária da página. As informações ficarão
disponíveis por um mês, e as mais antigas serão gradualmente
excluídas.
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