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Agência Diap, 31 de
outubro de 2007
MOVIMENTO SINDICAL
Paim e Dornelles relatarão
PL que regulamenta centrais sindicais
Os senadores Paulo Paim (PT/RS)
e Francisco Dornelles (PP/RJ) serão relatores do Projeto de Lei
da Câmara (PLC) 88/07 (PL 1.990/07, na Câmara), que regulamenta
o funcionamento das centrais sindicais, nas Comissões de Assuntos
Sociais (CAS) e de Assuntos Econômicos (CAE), respectivamente.
O projeto também será examinado pela Comissão de
Constituição e Justiça (CCJ), mas neste colegiado,
a matéria ainda não foi distribuída.
O texto tramita em regime de urgência constitucional, por isso será examinado
pelas três comissões — CAS, CAE e CCJ — simultaneamente.
Depois, vai à votação no plenário do Senado. Caso
receba emendas de mérito, retorna ao exame da Câmara, onde percorrerá as
Comissões de Trabalho, de Finanças e Tributação
e de Constituição e Justiça. E, por fim, será votado
novamente pelos deputados no plenário.
Audiência pública
Nesta quinta-feira, dia 1º, às 10 horas, no plenário 3,
será realizada audiência pública para debater o projeto.
O requerimento é de autoria do senador Paim, que é presidente
da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa.
Foram convidados para o debate, o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi;
os deputados Augusto Carvalho (PPS/DF), Antônio Carlos Pannunzio (PSDB/SP)
e Vicentinho (PT/SP); um representante do FST; os presidentes da CNC e CNI;
o presidente da Anamatra, Cláudio Montesso; um representante da CSC,
João Batista Lemos; e os presidentes das centrais sindicais — CUT,
Força Sindical, CGT, UGT e NCST.
Prazo para emendas
O prazo de cinco dias úteis para apresentação de emendas
ao projeto de lei se encerra nesta quinta-feira. A Casa tem até o dia
10 de dezembro para votar conclusivamente o projeto e mandá-lo para
sanção presidencial ou alterá-lo e devolvê-lo para
a Câmara, para que essa Casa legislativa conclua o processo de exame
da matéria.
Pela movimentação das lideranças sindicais e também
do Ministério do Trabalho e Emprego, tudo indica que as emendas Augusto
Carvalho e Antônio Carlos Pannunzio serão suprimidas do texto.
A primeira cria embaraços aos trabalhadores para fazer o desconto da
contribuição ou imposto sindical e prejudica sobremodo o movimento
sindical, que pode ficar privado dos recursos originários desta fonte
caso o texto outrora aprovado na Câmara não seja modificado.
A emenda Pannunzio determina que os recursos arrecadados pelas centrais sejam
fiscalizados pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Outra medida estranha,
pois esses recursos não são públicos, daí ser desnecessária
esta “fiscalização”. (Marcos Verlaine)
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FETRACONSPAR, 31 de outubro
de 2007
Contribuição Patronal
Projeto que extingue as contribuições
compulsórias do Sistema “S” tem parecer contrário
Tramita na Câmara dos Deputados desde junho de 2004, proposta de emenda
a constituição nº. 298/2004 de autoria do Deputado Federal
Edmar Moreira (PL/MG), que revoga o art. 240 da CF, eliminando as contribuições
compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às
entidades privadas de serviço social ("sistema S") e de formação
profissional vinculadas ao sistema sindical.
Na última sexta-feira
(26/10), o relator da matéria Dep. Gerson Peres (PP/PA), apresentou
parecer com complementação de voto, pela inadmissibilidade.
Confira
a redação da PEC 298/2004
Confira
o parecer do relator
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Diário Vermelho, 31
de outubro de 2007
Por imposto sindical, Pascoal cita
Argentina, Espanha e Itália
Leia artigo de Pascoal Carneiro,
membro da Corrente Sindical Classista (CSC) e do movimento pela Central
dos Trabalhadores do Brasil (CTB), sobre o significado do fim da contribuição
sindical para o movimento no Brasil e como a contribuição
funciona em outros países, como a Argentina, Espanha e Itália.
Segundo o sindicalista, ''mesmo os mais intransigentes defensores da
extinção do imposto sindical, reconhecem que os sindicatos
necessitam de uma fonte adicional de recursos, sob pena de extinção
em massa.'' Veja abaixo, a íntegra do artigo:
A extinção das fontes de
sustentação financeira dos sindicatos
A sustentação financeira dos sindicatos passa por dificuldades.
Mas será verdade o que defende a campanha contra a contribuição
sindical? Será que os sindicatos poderiam sustentar-se somente com a
chamada contribuição associativa, a mensalidade sindical?
Mesmo os mais intransigentes defensores da extinção do imposto
sindical reconhecem que os sindicatos necessitam de uma fonte adicional de
recursos, sob pena de extinção em massa.
O aumento do desemprego, a reestruturação produtiva e até a
redução de importantes categorias de trabalhadores tem diminuído
a arrecadação da mensalidade sindical.
O total da contribuição associativa arrecadada não suporta
os compromissos financeiros mínimos de sustentação de
um sindicato. Para piorar ainda mais, o Tribunal Superior do Trabalho tem sistemáticamente
impedido a cobrança da chamada contribuição assistencial,
previstas em dissídios coletivos, acordos e convenções
coletivas.
Sobre o argumento que só os associados é quem devem pagar essa
taxa, é preciso dizer que o acordo vale para todos os trabalhadores,
e não só os associados.
Tal argumento tem permitido a ação anti-sindical dos empresários,
que promovem, dentro das suas empresas, coletas de assinaturas entre os empregados
em listas de oposição ao desconto. Tudo no sentido de enfraquecer
financeiramente os sindicatos.
Argentina, Espanha e Itália
Na Argentina, o financiamento sindical é composto por cotizações
ordinárias e extraordinárias de todos os trabalhadores sindicalizados
ou não. Tem ainda a contribuição de solidariedade, conforme
artigo 37 da lei 23.551. Os empregadores são obrigados a descontar em
folha de pagamento os valores e repassar para os sindicatos. O Ministério
do trabalho especifica os valores que serão repassados para cada sindicato.
Caso o empregador não faça esse repasse, o próprio empregador
se torna devedor ficando obrigado a pagar as quantias, com as devidas multas.
Na Espanha, o sindicato em negociação coletiva estipula um valor
que é descontado de todos os trabalhadores filiados ou não, e
descontado em folha de pagamento. Lá eçe é chamado de
''cânon''. Esse valor é para suportar os gastos com a negociação
coletiva. Há ainda a chamada quota sindical, que são pagos apenas
pelos associados ao sindicato, que são as receitas normais dos sindicatos.
O artigo 11 da lei de liberdade sindical estabelece que os convênios
coletivos ponderam estabelecer clausuras pelas quais os trabalhadores contribuem
para os sindicatos, com o desconto obrigatório em folha de pagamento.
Na Itália, existe a lei 300/70 que no seu artigo 26 que estabelece que
os trabalhadores têm Direito de desenvolver atividades sindicais nos
locais de trabalho, e ao mesmo tempo fixa os valores que os trabalhadores devem
pagar para os sindicatos. Esses valores são descontados em folha de
pagamento, mediante as modalidades estabelecidas pelos contratos coletivos
de trabalho. A mesma lei garante o sigilo das quantias descontadas dos trabalhadores
e repassadas para cada sindicato.
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Agência Senado, 31 de Outubro de 2007
CAE aprova projeto que prevê uso
do FAT para remunerar estágios

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) aprovou nesta terça-feira
(30) o projeto de lei que permite o uso de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador
(FAT) para remunerar estágios em universidades e empresas. De acordo
com essa proposta, seria criada uma bolsa de aperfeiçoamento profissional
de R$ 200 mensais, com reajustes anuais. O autor da matéria é o
senador José Agripino (DEM-RN).
O projeto (PLS 177/02) ainda tem de ser votado na Comissão de Educação
(CE) em decisão terminativa. Agripino declarou que o objetivo de sua
proposição é qualificar jovens universitários,
principalmente os mais pobres, ao mesmo tempo em que eles prestam serviços à sociedade
por meio do estágio. Já o senador Osmar Dias (PDT-PR) afirmou
que é necessário implementar uma política de estágios
no país, de forma a qualificar os jovens de 16 a 24 anos e reduzir o
desemprego nessa faixa etária.
Devido à ausência da senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), relatora
do projeto, a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) atuou como relatora ad hoc. Ao
defender a aprovação da matéria, Ideli destacou que esses
estágios seriam custeados pelo FAT da seguinte forma: 100%, quando realizados
em universidades públicas; 75%, quando em universidades privadas ou
micro e pequenas empresas; 50%, em outros tipos de empresas. Ela ressaltou,
no entanto, que o estágio feito em universidade "deverá ser
supervisionado por professor qualificado e não poderá ocorrer
em grande centro urbano".
A senadora disse que a duração do estágio será de
seis meses, podendo ser renovado uma vez. Além disso, não poderá haver
vínculo empregatício nem o estagiário terá qualquer
direito previdenciário. Também só poderá receber
a bolsa o estudante ou o trabalhador que não tiver outro meio de subsistência.
Ideli destacou ainda que caberá ao Conselho Deliberativo do Fundo de
Amparo ao Trabalhador (Codefat) determinar as condições indispensáveis
para o recebimento das bolsas.
Para implementar todas essas medidas, o projeto de lei promove alterações
na Lei 7.998 de 1990. A proposta vinha tramitando em conjunto com outra, o
PLS 52/03, de autoria do senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS), que prevê a
utilização do FAT para o financiamento de cursos de graduação,
por intermédio de sindicatos de trabalhadores. Essa matéria,
no entanto, recebeu voto pela rejeição da relatora Ideli Salvatti.
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Agência Diap, 31 de
outubro de 2007
DESIGUALDADE SALARIAL
Diferenças salariais no Brasil
são injustificáveis, critica Pochmann
O relatório de Hierarquia
e Desigualdade Salarial na Administração Pública
Brasileira, divulgado hoje pelo Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea), aponta para uma desigualdade absurda, classificada pelo
presidente do instituto, Márcio Pochmann, de “injustificável”.
O resultado da pesquisa foi obtido
por meio da tabulação dos dados da Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios (Pnad) de 2006, realizada anualmente pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A diferença entre o menor
e o maior salário no País chega a 1.714 vezes. Nos demais
países em desenvolvimento, essa diferença é de no
máximo 20 vezes, de acordo com a Organização para
a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Salários
Na iniciativa privada, o maior salário verificado pelo estudo foi de
R$ 120 mil, localizado na Região Sudeste, onde também foi encontrado
o menor rendimento, de R$ 70 mensais, recebido por um trabalhador do setor
de serviços.
No funcionalismo público,
a diferença é de 187 vezes, com o maior salário
em R$ 28 mil e o menor, de R$ 175. Os dados da pesquisa somente trabalham
com os vencimentos brutos, por isso não estão incluídos
os valores recebidos com gratificações entre outros proventos.
(André Santos)
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Agência Diap, 31 de
outubro de 2007
Licença-Maternidade: Dieese
analisa projeto em nota técnica
Com a aprovação
do Projeto de Lei do Senado (PSL) 281/05, que trata da ampliação
do período de licença-maternidade de 120 para 180 dias,
o Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas (Dieese)
divulga nota técnica em
que analisa o benefício.
A proposta segue para a
apreciação na Câmara dos Deputados, e se aprovada
naquela Casa irá para sanção dos presidente da
República. (André Santos)
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Diário Vermelho, 31
de outubro de 2007
Governo pode reduzir CPMF para 0,36%,
diz Romero Jucá
O líder do governo no
Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), confirmou, nesta terça-feira,
a proposta de reduzir a alíquota da Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF)
de 0,38% para até 0,36% já em 2008. A medida deve ser tomada
para tentar convencer o PSDB a votar a favor da prorrogação
da contribuição. O anúnico oficial da proposta ainda
não foi feito.
Ainda de acordo com o líder,
o governo garante a alocação de R$ 23 bilhões adicionais
ao longo de seis anos à área da saúde.
A proposta da redução da alíquota não entraria
no texto principal da Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) que prorroga a CPMF. O governo não quer mudar o texto, pois o
mesmo teria que votar à Câmara, inviabilizando a aprovação
da matéria ainda este ano.
Jucá descartou, no entanto, alterar o Pis/Cofins para empresas de saneamento
e a repartição de recursos da Cide.
A proposta não deve satisfazer a bancada tucana, que elencou pelo menos
sete pontos a serem alterados para votar pela CPMF. O partido exige uma redução
maior da alíquota, além de outras desonerações
e aumento de repasse para a saúde.
A proposta que prorroga a CPMF até 2011 já foi aprovada em dois
turnos na Câmara e hoje está na Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) do Senado. Para ser aprovada no Plenário, é preciso
o apoio de pelo menos 49 senadores.
Fonte: Terra
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Folha de São Paulo,
31 de outubro de 2007
Governo propõe aumentar parcela
da saúde na CPMF
Para prorrogar tributo, Planalto acena
com mais R$ 4 bi ao setor no ano que vem | Oferta, que busca obter
apoio no Senado, inclui redução de até 0,02
ponto percentual na alíquota e limite a gastos da União
VALDO CRUZ
SILVIO NAVARRO
LETÍCIA SANDER
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A proposta do governo Lula para aprovar a prorrogação da CPMF
prevê um aumento nas verbas da saúde de R$ 23 bilhões nos
próximos quatro anos, redução da alíquota do imposto
do cheque entre 0,01 e 0,02 ponto percentual em 2008 e a regulamentação
da Lei de Responsabilidade Fiscal para os gastos da União, uma tentativa
de limitá-los.
O teor da proposta foi fechado ontem à noite em reunião no Palácio
do Planalto entre ministros envolvidos nas negociações, lideranças
do governo no Congresso e o presidente da República em exercício,
Arlindo Chinaglia (PT-SP).
Apesar de não ter sido bem recebida pelos parlamentares da bancada da
saúde no Congresso, que defendiam mais recursos, a equipe do governo
Lula acredita que a proposta será suficiente para conseguir aprovar
no Senado a emenda que prorroga a CPMF até 2011.
O Palácio do Planalto recebeu informações de que os três
pontos agradaram vários senadores tucanos e peemedebistas, o que garantiria
mais do que os 49 votos necessários.
Segundo a Folha apurou, dos 13 tucanos, pelo menos oito já estariam
dispostos a votar com o governo a partir da proposta. Alguns deles querem apenas
que o corte na alíquota da CPMF seja um pouco maior do que 0,02 ponto
percentual, enquanto o governo trabalha para ser algo próximo a 0,01
ponto.
" Não acho a proposta ridícula como as anteriores, mas ainda é insuficiente.
Queremos uma redução maior da alíquota", disse o senador
Sérgio Guerra (PSDB-PE), futuro presidente dos tucanos em substituição
ao senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que também viu com bons olhos a
oferta do governo. A proposta será formalizada entre hoje e amanhã.
Contribuição permanente
A saída encontrada pelo governo preocupa economistas defensores do fim
da CPMF. A avaliação é que ficará cada vez mais
difícil acabar com o imposto do cheque ou torná-lo simplesmente
fiscalizador, com alíquota baixa, já que o lobby da saúde é muito
forte. "Se torna cada vez mais difícil a redução
da alíquota", admitiu o deputado Henrique Fontana (PT-RS), ao deixar
o Planalto na noite de ontem.
A idéia continua sendo aprovar a emenda que prorroga a CPMF como saiu
da Câmara, sem alterações. A redução da alíquota
de 0,38% para 0,37% ou 0,36% no próximo ano seria feita depois, por
meio de medida provisória. O dinheiro extra para a saúde virá da
aprovação da emenda constitucional 29, que fixa regras para o
investimento no setor por parte de União, Estados e municípios.
Hoje, o orçamento da saúde é reajustado anualmente pela
variação nominal do PIB. A idéia é criar uma nova
fórmula que garanta os R$ 23 bilhões extras nos próximos
quatro anos. A equipe econômica criou um cronograma de repasse.
Em 2008, a saúde ganharia mais R$ 4 bilhões, além dos
R$ 47 bilhões já previstos no Orçamento em tramitação
no Congresso. Como os parlamentares costumam destinar pelo menos R$ 2 bilhões
das emendas para o setor, o orçamento pode chegar a R$ 53 bilhões.
Nos anos seguintes, a verba extra destinada à saúde seria de
R$ 5 bilhões (2009), R$ 6 bilhões (2010) e R$ 8 bilhões
(2011). Para viabilizar esses novos repasses, o governo aumentaria o percentual
da CPMF transferido à saúde.
Hoje, da alíquota de 0,38% da CPMF, 0,20% vai para esse setor. A proposta é que
esse percentual suba para 0,24% no próximo ano, 0,25% em 2009, 0,26%
em 2010 e, por fim, 0,28% em 2011. Este cronograma pode receber alterações,
embora pouco significativas, até a votação das propostas.
" A emenda 29 está parada há quatro anos. Estamos tirando
da gaveta e colocando recursos financeiros na saúde muito significativos.
Saímos de uma discussão abstrata de recursos adicionais para uma
discussão prática", disse o ministro José Gomes Temporão
(Saúde).
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Congresso em Foco, 31 de
outubro de 2007
Um fabuloso mundo para a CPI das ONGs
Exclusivo: as entidades que receberam dinheiro
do governo
9.258 entidades (entre ONGs, filantrópicas e outras instituições)
receberam R$ 13 bi do governo desde 1999: 20 delas ficaram com 30% dos recursos.
Dados serão analisados por CPI. Saiba quanto foi destinado para cada
entidade.
Lúcio Lambranho e Eduardo
Militão

R$ 13 bilhões. Esse é o valor total de repasses feitos pelo governo
federal para 9.258 entidades do chamado terceiro setor entre 1999 e 2006. A
soma, mais precisamente R$ 13.133.752.733,97, se refere às transferências
de recursos registradas no Sistema Integrado de Administração
Financeira (Siafi). O montante é praticamente 30% superior aos R$ 10,36
bilhões que o governo pretende aplicar em 2008 em seu principal programa
social, o Bolsa Família, que atende a 11,1 milhões de famílias.
Os dados, que dizem respeito a organizações não-governamentais,
entidades filantrópicas e assistenciais e diversas associações,
servirão como base para as investigações da CPI das ONGs.
Ao todo, 828 instituições receberam mais de R$ 2 milhões
nesse mesmo período. Os valores são nominais, ou seja, não
foram atualizados pela inflação.
Distribuição
dos recursos
Clique para ver a relação
completa:
1) por
ordem alfabética
2) por
valores recebidos
A lista, publicada com
exclusividade pelo Congresso em Foco, não aponta nenhuma irregularidade.
Revela, porém, que houve uma concentração na distribuição
dos recursos. As 20 entidades beneficiadas com a maior fatia do bolo
receberam juntas R$ 3,97 bilhões, ou seja, 30% do total.
O primeiro lugar em volume de repasses é o Instituto Butantã (R$
561 milhões), seguido pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações
(R$ 502 milhões). A ONG Alfabetização Solidária
(Alfasol), fundada pela mulher do ex-presidente Fernando Henrique, Ruth Cardoso,
aparece na terceira colocação, com R$ 336 milhões.
A CPI, segundo apurou o Congresso em Foco, ainda deve investigar convênios
celebrados com as ONGs antes de 1999 mas que ainda estavam em vigência
naquele ano, utilizado como referência no plano de trabalho dos senadores.
Com essa medida, o número de convênios sob análise na comissão
deverá subir de 38 mil para 42 mil.
Terceiro setor
Esses dados não incluem os repasses das estatais para ONGs e outras
entidades do terceiro setor – nome dado ao conjunto de pessoas jurídicas
privadas de fins públicos e sem finalidade lucrativa. O termo passou
a ser usado em contraposição ao primeiro setor (governo) e ao
segundo setor (privado) e abrange desde universidades e outras instituições
filantrópicas, passando por centrais sindicais, até associações
de orçamento modesto.
A CPI ainda não decidiu se vai investigar esse tipo de repasse, mas
técnicos da comissão defendem uma devassa nessas transferências
justamente porque elas estão fora do controle do Siafi e longe das fiscalizações
rotineiras feitas pela Comissão Mista de Orçamento do Congresso.
Mas podem ser excluídas dessa lista e das investigações
da CPI as entidades do chamado Sistema S, como Sesc, Senai e Sesi, além
de representações de categorias profissionais e as Associações
de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes).
O ministro da Controladoria Geral da União (CGU), Jorge Hage, sugeriu
ontem (30) aos senadores da CPI que essas entidades sejam retiradas do foco
da investigação. Para Jorge Hage, embora sejam do chamado terceiro
setor, elas não são propriamente ONGs nem oscips (organizações
da sociedade civil de interesse público) – entidades sobre as
quais a comissão pretende fazer uma devassa.
Nas contas do órgão de fiscalização, essas entidades
receberam R$ 23,18 bilhões entre 1999 e 2006 – sem considerar
a inflação no período.
Corte a definir
O plano de trabalho aprovado pela CPI das ONGs não estabeleceu nenhum
corte ou restrição sobre a investigação por valores
de repasses. Mas a avaliação mais rigorosa deve ser feita de
acordo com o volume de repasses, segundo o relator da CPI, senador Inácio
Arruda (PCdoB-CE).
"É preciso fazer um corte, mas ainda não definimos o critério.
Deve caminhar para esse corte por valor, mas antes vamos fazer um levantamento
sobre todas as que receberam recursos do governo nesse período. Se a ONG
recebeu R$ 1,00, mas teve alguma denúncias, vamos investigar", disse
o relator ao Congresso em Foco.
A comissão também pediu ao Ministério do Planejamento
informações de convênios fechados por todos os ministérios
com as ONGs e que foram pagos a partir de emendas parlamentares (individuais
e de bancada). Os cruzamentos dessas informações podem mostrar
distorções como o envio de recursos para organizações
não-governamentais ou entidades filantrópicas comandadas por
senadores ou deputados. Atualmente, é proibido o repasse, por meio de
emenda, apenas para o cônjuge (esposa ou esposo) dos congressistas.
Descumprimento da LDO
Ontem (30), o relator da CPI e o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) perguntaram
ao ministro da CGU, Jorge Hage, por que o governo federal descumpre a Lei de
Diretrizes Orçamentárias (LDO), como revelou este site, na hora
de repassar dinheiro público às ONGs.
Segundo um parecer da Câmara dos Deputados, a Esplanada dos Ministérios
liberou R$ 330 milhões irregularmente entre 2003 e 2006. As ilegalidades
se referem a dinheiro usado para custear investimentos nas entidades e a repasses
para instituições com menos de três anos de fundação.
" Aquelas restrições [da LDO] têm um sentido, para melhor
organizar. O Estado descumpre deliberadamente a LDO?", interrogou Arruda.
Alvaro Dias não se satisfez com a explicação de Hage sobre
a situação. Na avaliação dele, ainda há muitas
dúvidas no ar. “Isso é o hábito. É a impunidade.
As facilidades existentes é que levam às irregularidades. Sem
isso, bilhões de reais são desviados”, comentou.
O Congresso em Foco noticiou duas situações em que a LDO foi
descumprida pelo governo federal. Sob o comando do atual ministro das Relações
Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, o Ministério do Turismo liberou
R$ 24 milhões irregularmente entre 2003 e 2006 – caso analisado
pelo Tribunal de Contas da União. Da mesma forma, o Ministério
do Trabalho liberou R$ 17 milhões no mesmo período.
Requerimentos
Hoje (31), a CPI vota requerimentos a partir das 9h. Ontem, foram aprovados
pedidos de informação aos ministérios, à Receita
Federal, Tribunal de Contas da União, Procuradoria geral da República,
Banco Central, Câmara dos Deputados, Polícia Federal – todos
de autoria do relator.
Ficou de fora apenas um pedido de informações à Receita
sobre dados de pessoas físicas e jurídicas. Na prática,
era uma quebra de sigilo genérica, o que só poderia ser feito
de forma específica, indicando nome e período em que os dados
deveriam ser revelados.
Das 276 mil ONGs existentes no país, apenas 4 mil são cadastradas
como oscips ou entidades de utilidade pública no Ministério da
Justiça (MJ), segundo os dados da CGU. Criadas por meio da Lei 9.790/99,
conhecida como Lei do Terceiro Setor, as oscips são entidades que conseguiram
o reconhecimento oficial após cumprirem uma série de requisitos
de transparência administrativa exigidos pelo MJ.
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Gazeta do Povo, 31 de outubro de 2007
ECONOMIA | INDÚSTRIA
Produção industrial
tem maior nível em 3 anos
Sondagem mostra expansão do emprego
no terceiro trimestre
Brasília – A produção
e o emprego na indústria atingiram o mais elevado nível
dos últimos três anos, segundo a pesquisa Sondagem Industrial
do terceiro trimestre de 2007, divulgada ontem pela Confederação
Nacional da Indústria (CNI). De acordo com a pesquisa, o indicador
de produção atingiu 58,2 pontos, em uma escala de zero
a 100. No terceiro trimestre de 2006, o indicador estava em 53,9 pontos.
A pesquisa mostra ainda que,
no terceiro trimestre de 2007, o número de empregados alcançou
53,8 pontos, ante 50,8 pontos em igual período de 2006. Na avaliação
da CNI, os dados da sondagem reforçam os sinais de expansão
da atividade econômica, que já havia sido detectada no segundo
trimestre deste ano.
Ainda de acordo com a Confederação, o nível de estoques
na indústria baixou, em comparação com o ano passado.
No terceiro trimestre deste ano, o indicador chegou a 49,3 pontos, ante 50
pontos em igual período de 2006. Segundo a entidade, esse dado reforça
a perspectiva de manutenção do nível de atividade na indústria
nos próximos meses.
Exportações
Apesar do otimismo em relação à atividade
industrial no fim deste ano, o resultado da sondagem mostra que os industriais
brasileiros contam fortemente com o mercado interno para escoar sua produção
no ano que vem. Na avaliação do coordenador do núcleo
de política econômica da entidade, Flávio Castelo
Branco, isso é um “sinal de alerta para a balança
comercial”.
A pesquisa mostra que as pequenas
e médias empresas estão pessimistas quanto ao desempenho
do mercado externo e, numa escala de zero a cem, classificaram suas expectativas
em 47 pontos. Entre as grandes, o indicador ficou em 50,3 pontos. A taxa
de câmbio foi apontada pelos grandes industriais, na pesquisa,
como o segundo maior problema. O primeiro é a carga tributária
elevada.
Na avaliação da
entidade, os números mostram que algumas empresas estão
momentaneamente abandonando o mercado externo. Para o economista Paulo
Moll, da CNI, a dependência em relação ao mercado
interno é perigosa, pois há sinais de que o consumo não
continuará crescendo nos próximos anos na mesma velocidade
como cresceu em 2007.
Energia - Preço reduzirá crescimento
A elevação no preço da energia elétrica entre 2006
e 2015 provocará um ritmo menor de crescimento econômico no Brasil
e poderá comprometer o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)
do país. Esta é a conclusão de um estudo realizado pela
Fundação Getúlio Vargas (FGV). O estudo prevê que
o Brasil cairá quatro posições no ranking do IDH: da 39.ª posição
para o 43.º lugar.

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Gazeta do Povo, 31 de outubro
de 2007
PARANÁ | SOCIAL
Crianças discutem o trabalho
infantil
Amatra promove Dia de Valorização
da Infância
por LILIAN CHAVES
O Paraná passou da 12.ª para a 6.ª posição,
nos últimos dois anos, no ranking do mapa do trabalho infanto-juvenil,
elaborado pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social
(Ipardes). Para tentar reverter essa situação, o Núcleo
Trabalho, Justiça e Cidadania do Paraná, da Associação
dos Magistrados do Trabalho (Amatra) da 9.ª Região, instituiu o
Dia de Valorização da Infância e Adolescência, comemorado
ontem, na Praça Santos Andrade, em Curitiba, com o apoio do Instituto
RPC.
O núcleo, composto por
20 instituições públicas e privadas, lançou
em março deste ano o projeto “Crescer Feliz – Diga
NÃO ao Trabalho Infantil”. Além de combater a prática,
a Amatra envolveu 1,2 mil alunos de 199 escolas públicas e particulares,
de 5.ª a 8.ª séries, na discussão do problema.
Ontem, cerca de 400 crianças
e adolescentes do projeto lotaram a Santos Andrade, onde participaram
de diversas atividades artísticas e fizeram uma apresentação
de teatro. A peça mostrou que o acesso à educação
e à cidadania pode ser a solução para a erradicação
do problema. Além disso, 700 desenhos com o tema “Trabalho
não é Brincadeira”, feitos pelos alunos do projeto,
foram expostos ontem na praça. O material já foi colocado
em várias exposições e, na próxima terça-feira,
outros 175 trabalhos eleitos pelo público que visitou as mostras
serão premiados pela coordenação do núcleo.
Os desenhos também
serão usados em uma cartilha sobre o trabalho infantil que será elaborada
pelo Tribunal de Justiça do Paraná. “Ficamos surpresos
com o resultado do projeto, com o envolvimento das escolas e com a
percepção dos alunos. As crianças e adolescentes
demonstraram espírito crítico em relação
ao tema e uma grande vontade de ajudar a mudar esta realidade do trabalho
infantil. O que percebemos é que essas crianças se sentem
iguais às que trabalham”, comenta o juiz do trabalho,
Márcio Gapski.
|
Gazeta do Povo, 31 de outubro de 2007
ECONOMIA | HABITAÇÃO
Financiamento
com recursos do FGTS chega à classe média
Valor máximo dos bens financiados passará de
R$ 130 mil para R$ 350 mil em janeiro
por FERNANDO JASPER
A partir do ano que vem, a classe média terá mais acesso à linha
de crédito habitacional que cobra as menores taxas de juros
do país. Em janeiro, o valor máximo de imóveis
financiados com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS) subirá de R$ 130 mil para R$ 350 mil, com empréstimo
de até R$ 245 mil por pessoa. Além disso, as famílias
com renda mensal superior a R$ 4,9 mil, atualmente excluídas
desse tipo de crédito, poderão contar com o financiamento
do FGTS.
As medidas foram aprovadas ontem pelo
conselho curador do fundo, formado por representantes do governo,
dos empresários e dos trabalhadores.
O governo anunciou que a nova faixa de empréstimos terá recursos
de R$ 1 bilhão em 2008 – o conselho curador estima que
as contas do FGTS têm atualmente um superávit (sobra)
de R$ 21 bilhões. A taxa de juro da nova linha será de
8,66% ao ano, com prazo de até 30 anos para pagar – os
financiamentos com recursos da poupança, concedidos pelos bancos,
têm taxas que variam entre 9% e 12% ao ano.
As novas regras, no entanto, valem apenas
para os “cotistas” – trabalhadores
que têm contas vinculadas no fundo. De acordo com a Caixa Econômica
Federal, terão acesso à nova linha de crédito
aqueles que têm pelo menos três anos de trabalho sob o
regime de FGTS. Na data de concessão do financiamento, seu saldo
no fundo deverá ser de, no mínimo, 10% do valor total
do imóvel. Para os não-cotistas, o valor máximo
do imóvel segue em R$ 130 mil e renda de até R$ 4,9 mil
mensais.
Embora limitadas aos trabalhadores que
estão no regime de FGTS,
as medidas foram elogiadas por representantes do setor imobiliário. “De
um lado, o fundo de garantia vinha ampliando o crédito popular
e, de outro, as classes mais altas compravam imóveis com recursos
próprios. A classe média ficou esquecida por um bom tempo,
mas agora passa a ser atendida”, diz o diretor de vendas do grupo
imobiliário LN, Luiz Rodrigo Castro Santos.
Para o executivo, as novas regras se
somam à queda dos juros
e à ampliação dos prazos de pagamento oferecidos
pelos bancos, e devem contribuir para uma forte expansão do
setor imobiliário em 2007 e 2008. “O faturamento do grupo
LN deve quadruplicar nos próximos 12 meses. O grupo tem mais
de 30 anos, mas nos últimos tempos a construção
estava estagnada. Com todas essas novidades, temos um forte estímulo
para investir.” Segundo ele, um prédio residencial com
64 apartamentos lançado pelo grupo LN em agosto já vendeu
60 unidades – e a construção só começa
em janeiro. “Antes, se a gente conseguisse vender durante o período
de construção já era um bom resultado.”
Seme Haad Filho, diretor da Construtora
Monarca, avalia que as novas regras do FGTS vão beneficiar os três lançamentos
que a empresa prepara para 2008. “São prédios com
apartamentos de dois e três dormitórios, voltados para
a classe média”, explica Haad. O empresário espera
que o faturamento da construtora cresça 70% no ano que vem.
A diretora comercial da construtora J.A.
Baggio, Blanca Baggio, prevê que
as medidas aprovadas ontem vão contribuir para manter o mercado
aquecido em 2008. “Desde o início do ano, nossa receita
aumentou 25% em relação ao mesmo período de 2006.
Mas a procura está aumentando nos últimos meses, tanto
que, desde julho, o crescimento já passa de 50%”, comemora.
Segundo a Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado
Imobiliário (Ademi-PR), a expansão do setor em Curitiba
e região metropolitana já supera os 30% no acumulado
de 2007.
Estabilidade incentiva
investimento em construção
O mercado avalia que a estabilidade da
economia brasileira deve garantir mais alguns anos de bons resultados
para o setor imobiliário. “Não
se trata de um ‘boom’, e sim de uma retomada firme e consistente.
Não acredito que o forte crescimento atual termine em ‘vôo
de galinha’”, avalia o presidente do Sindicato da Indústria
da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR),
Hamílton Pinheiro Franck. “Vários países
que estabilizaram suas moedas tiveram forte crescimento na construção.
Foi assim na Espanha, no México e no Chile, e deverá ser
assim no Brasil.”
O volume de operações financiadas pela caderneta de
poupança – um indicador da atividade da construção
civil – vem batendo seguidos recordes. O valor contratado em
setembro foi de R$ 1,85 bilhão, o maior da história em
um único mês, de acordo com a Associação
Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança
(Abecip). Desde setembro de 2006, o total de empréstimos soma
R$ 14,8 bilhões, com crescimento de quase 80% em relação
aos 12 meses anteriores.
Para o diretor de comunicação da Ademi-PR, Fernando
Antônio Thá, a ampliação dos prazos oferecidos
pelo bancos – que chegam a 30 anos –, as novas regras do
FGTS e a queda da taxa básica de juros (Selic) têm outro
efeito positivo para o setor: as pessoas estão voltando a ver
os imóveis como uma forma de investimento. “Com juro mais
baixo, o retorno de aplicações em renda fixa ficou menor.
Então o aluguel voltou a compensar”, explica.
“O valor do aluguel oscila entre 0,9% e 1% do valor do imóvel,
por mês. Chega a 1,3% no caso de imóveis comerciais. É um
retorno mais alto que o da poupança. E é garantido, ao
contrário de outras aplicações”, diz a diretora
comercial da construtora J.A. Baggio, Blanca Baggio. Para Luiz Rodrigo
Castro Santos, diretor de vendas do grupo LN, o bom momento da construção
civil terá impacto no restante da economia. “Todos os
setores ligados à construção crescem junto. Além
disso, como o setor precisa de muita mão-de-obra, o desemprego
cai e o consumo aumenta, estimulando o crescimento econômico.” (FJ)
|
PORTAL G1, 31 de outubro
de 2007 | Economia
FGTS: nova medida deve ter impacto 'tímido', diz diretor do Sinduscon
Total de R$ 1 bilhão destinado aos
novos financiamentos é baixo, segundo sindicato | Porém,
fim do limite de renda pode aumentar venda de imóveis mais
caros.
O fim do limite de renda para aquisição de imóveis usando
a linha de financiamento com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
(FGTS) deve provocar um impacto “tímido” no mercado imobiliário
devido à escassez de recursos disponibilizados pela Caixa Econômica
Federal, afirmou o vice-presidente de Habitação Popular do Sindicato
da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), José Carlos
Molina.
As mudanças foram anunciadas
pela Caixa nesta terça-feira (30). As principais alterações
são o fim do limite da renda de R$ 4.900 para uso do FGTS na compra
de imóveis e possibilidade de financiar imóveis avaliados
em até R$ 350 mil. Mas o total destinado para essas pessoas é de
R$ 1 bilhão. “É pouco. Os bancos privados já financiam
R$ 13 bilhões”, afirmou o diretor do Sinduscon.
Mas, segundo Molina, “é um
novo nicho que se abre”. “Se o sujeito ganhava R$ 4,9 mil
e podia comprometer 30% da renda com prestação de financiamento
da casa própria, o valor dessa parcela agora pode fazer com que
ele mude de faixa (de preço do imóvel)”, diz, uma
vez que foi eliminado o limite de renda.
Médio
prazo
De acordo com Molina, os efeitos na cadeia produtiva da construção
civil devem ser observados no médio prazo. Isso porque a expansão
do crédito vai fazer com que as empresas primeiro busquem recursos para
a construção e só depois o comprador recorra ao financiamento.
Entre a construção e a efetivação da compra, o
prazo médio é de 24 meses, diz Molina.
O impacto na cadeia produtiva
também deve ser modesto, caso não haja ampliação
de recursos para financiamento. Hoje a construção civil
emprega diretamente 400 mil trabalhadores no país e representa
cerca de 15% do PIB nacional. O setor movimenta outros setores da economia,
como os de ferro, aço, cimento, tintas, serviços de engenharia
e arquitetura, decoração e mobiliário.
Mercado
aquecido
O mercado de imóveis para a classe média está aquecido,
mas ainda longe do “boom” imobiliário dos anos 1980. O Sinduscon
estima que o Produto Interno Bruto (PIB) da construção vá crescer
7,9% este ano, caso o PIB nacional chegue a 4,5%. De 2001 a 2003, porém,
o setor teve crescimento negativo de 11%.
Hoje, no segmento da classe média,
os imóveis mais procurados têm de dois a três dormitórios
com valores acima de R$ 130 mil.
O maior “gargalo” da
construção, no entanto, está no setor de baixa renda.
Segundo o Sinduscon, há um déficit habitacional de quase
8 milhões de moradias no país, 92% na faixa de renda de
até cinco salários mínimos mensais (R$ 1.900).
|
FOLHA DE LONDRINA, 31 de
outubro de 2007 | Economia
Preço do cimento tem 2ª maior
alta mensal
São Paulo- O preço do cimento aumentou 7,20% em outubro ante
alta de 3,36% de setembro, conforme levantamento divulgado ontem pela Fundação
Getúlio Vargas (FGV), por meio do Índice Geral de Preços
ao Mercado (IGP-M). Segundo o coordenador de Análises Econômicas
da instituição, Salomão Quadros, a variação
do produto observada em outubro foi a segunda mais expressiva desde a implantação
definitiva do Plano Real, em junho de 1994.
De acordo com ele, a variação
perde apenas para a apurada em dezembro de 2002, quando o preço
do cimento subiu 7,83% no IGP-M. Na ocasião, quando a forte alta
do dólar levava a moeda norte-americana para níveis muito
próximos de R$ 4,00, a maioria dos itens componentes dos IGPs
sofreram impactos importantes. Agora, especialistas apontam o aquecimento
do setor de Construção Civil como motivo principal.
Entre janeiro e outubro de 2007,
a variação acumulada do preço do cimento atingiu
12,74%. Nos últimos 12 meses até outubro, alcançou
12,58%, o que reforça a análise de que os aumentos foram
observados mais recentemente. Nos mesmos períodos, o Índice
Nacional de Custo da Construção Civil (INCC), que representa
10% do IGP-M, acumulou variações de 5,08% e de 5,64%, respectivamente.
Em outubro, o indicador avançou 0,49% ante 0,39% de setembro.
Na avaliação de
Quadros, são bastante claros os sinais de aquecimento do mercado
imobiliário e do setor de Construção Civil. Segundo
ele, porém, não é correto afirmar que a demanda
elevada pelo cimento seja o único motivo para o aumento de preços
do produto, já que não estão sendo notadas variações
de preços semelhantes em outros materiais de construção
com importância parecida.
Flavio Leonel
Agência Estado
|
Folha de São Paulo, 31 de outubro de
2007
MELCHIADES FILHO
Carta sindical
BRASÍLIA - O primeiro escalão estourou champanhe quando a Justiça
estendeu aos servidores a lei de greve da iniciativa privada. As paralisações
no setor público vêm sendo convocadas a torto e a direito, sem
pauta consistente, e quase sempre vitimam os mais pobres, quem de fato depende
dos serviços. A festa foi tanta, porém, que talvez não
faça sentido analisá-la apenas à luz de razões
administrativas.
Primeiro porque, ainda que seja retratado como "decadente", o sindicalismo
resta como um dos poucos braços organizados e atuantes da chamada sociedade
civil.
Em si, constitui um incômodo para todo tipo de governo -que dirá para
um que se preza por harmonizar as estridências e apresentar o silêncio
como consenso nacional.
Segundo, e sobretudo, porque o lulo-petismo não coincide com os projetos
políticos de fatia significativa (e crescente) dos sindicatos.
As associações que representam o funcionalismo público
cada vez mais terminam no colo da ultra-esquerda - do PSOL e do PSTU.
Maior central do Brasil, a Força Sindical cobra caro pelo apoio ao Planalto.
Tem uma perna no PDT e uma pinimba (insuperável?) com o PT -décadas
atrás, afinal, os petistas repudiavam as heranças do varguismo/brizolismo
e denunciavam os hoje-aliados como pelegos.
Mesmo a anestesiada CUT será fraturada no mês que vem, em razão
do avanço e da insatisfação dos sindicatos apegados ao
PC do B.
Quem "pensa o futuro" do PT -e dos governos do PT- não erra
ao avaliar que essa indústria de piquetes, que tanto estardalhaço
produz, hoje se tornou inconveniente.
Não que o partido pretenda abandonar de vez o lastro sindicalista. Não
se joga voto fora, claro.
Mas merece registro, e reflexão, o fato de que tenham vindo do alto
clero do PT -e do PT no governo- os discursos mais incisivos em defesa da lei
de greve para os servidores, do fim da obrigatoriedade do imposto sindical
e da revisão da CLT.
|
Diário Vermelho, 31
de outubro de 2007
Brasil tem 29 milhões de trabalhadores
fora da Previdência
A proporção dos
trabalhadores sem direito à aposentadoria e aos demais benefícios
previdenciários caiu em 2006. Segundo levantamento do Ministério
da Previdência Social, a parcela de trabalhadores sem proteção
social caiu de 36,5% em 2005 para 35,9% no ano passado, atingindo o menor
nível desde 1995.
Em números absolutos,
no entanto, o total de trabalhadores que não contribuem para a
Previdência aumentou de 28,81 milhões, em 2005, para 29,03
milhões em 2006. Segundo o ministério, o aumento se deve à entrada
de 2 milhões de brasileiros entre 16 e 59 anos no contingente
de trabalhadores, que fechou o ano passado em 80,93 milhões de
pessoas.
Para o ministro da Previdência,
Luiz Marinho, a diminuição no percentual de trabalhadores
sem cobertura previdenciária é resultado do desempenho
da economia nos últimos anos. "De 2002 para cá, retomamos
um processo de cobertura previdenciária e social, acompanhando
a retomada do crescimento com distribuição de renda",
avalia. Segundo ele, em três ou quatro anos, o país poderá alcançar
os níveis registrados em 1992, quando a falta de cobertura atingiu
33,6% dos trabalhadores.
Segundo o ministério,
do total de trabalhadores sem cobertura previdenciária, 13,27
milhões (16,4%) ganham menos de um salário mínimo
e 15,42 milhões (19,1%) têm rendimento igual ou superior
a um salário mínimo.
Em números absolutos,
no entanto, o total de trabalhadores que não contribuem para a
Previdência aumentou de 28,81 milhões, em 2005, para 29,03
milhões em 2006. Segundo o ministério, o aumento se deve à entrada
de 2 milhões de brasileiros entre 16 e 59 anos no contingente
de trabalhadores, que fechou o ano passado em 80,93 milhões de
pessoas.
Para o ministro da Previdência,
Luiz Marinho, a diminuição no percentual de trabalhadores
sem cobertura previdenciária é resultado do desempenho
da economia nos últimos anos. "De 2002 para cá, retomamos
um processo de cobertura previdenciária e social, acompanhando
a retomada do crescimento com distribuição de renda",
avalia. Segundo ele, em três ou quatro anos, o país poderá alcançar
os níveis registrados em 1992, quando a falta de cobertura atingiu
33,6% dos trabalhadores.
Segundo o ministério,
do total de trabalhadores sem cobertura previdenciária, 13,27
milhões (16,4%) ganham menos de um salário mínimo
e 15,42 milhões (19,1%) têm rendimento igual ou superior
a um salário mínimo.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
31 de outubro de 2007 | Nacional
INSS convoca aposentados e pensionistas
que estão com endereços incorretos
Agência Brasil
Brasília - O Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS) deve publicar nesta quarta-feira
(31) edital de convocação de 6.324 aposentados e
pensionistas cujos representantes legais informaram endereços
incorretos durante o Censo Previdenciário. Eles devem procurar
a Agência da Previdência Social (APS) onde o benefício é mantido
para atualizar os dados e informar o endereço correto a
fim de que os servidores possam encontrá-los quando necessário.
Os beneficiários devem
levar obrigatoriamente às Agências da Previdência,
o Cadastro da Pessoa Física (CPF), documento de identidade com
fotografia e o endereço correto da residência do titular
do benefício.
Caso as informações
sejam prestadas pelo procurador do titular, os servidores irão
ao novo endereço indicado para a pesquisa. Nesse caso, somente
depois que o funcionário do INSS conseguir localizar o beneficiário é que
o cadastro voltará à normalidade.
Os beneficiários
relacionados no edital ou seus representares legais terão prazo
de 30 dias. Depois desse prazo, o benefício fica suspenso e
os aposentados e pensionistas têm ainda 90 dias para atualizar
os dados. Se ao final desses 120 dias persistir a falta de informação,
o benefício será cancelado.
|
UOL ECONOMIA, 31 de outubro
de 2007
Compradores do ABN iniciam cortes de
19 mil empregos
Por Olesya Dmitracova
LONDRES (Reuters) - Os três
compradores do ABN Amro estão iniciando a tarefa de cortar cerca
de 19 mil empregos, mais da metade deles na Holanda, enquanto tentam
reter as "estrelas" da instituição, os profissionais
que geram as maiores receitas.
No Brasil, o ABN Amro Real disse
não ter informações sobre demissões. Já o
Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região
afirmou que ainda não há dados sobre cortes, mas a previsão é que áreas
específicas, como a administrativa, sofram as maiores baixas.
Para o Royal Bank of Scotland
--que liderou a compra do banco holandês por 71 bilhões
de euros (US$ 102 bilhões), feita em conjunto com o Fortis e o
Santander --, é grande a pressão para que repita o sucesso
que teve quando comprou o rival de maior porte NatWest, sete anos atrás.
"A lição que
você leva do NatWest é que as pessoas que estamos adquirindo
fazem a maior diferença", disse o presidente-executivo do
RBS, Fred Goodwin.
O RBS vai se dedicar especialmente
a evitar a fuga da equipe do banco de investimentos do ABN, que tem relacionamentos
que trazem importantes receitas para a instituição holandesa.
A oferta de lucrativos pacotes
de incentivo a grandes nomes do ABN pode ser uma maneira óbvia
para convencê-los a ficar, mas pode causar tensão com a
equipe do Royal Bank of Scotland.
Entre os nomes do ABN que devem
ser alvo de medidas de retenção está Tom Willett,
que assessorou a operação de compra da Scottish Power;
Jitesh Gadhia, que trabalhou na maior aquisição internacional
feita por uma empresa indiana; e Fiona Clutterbuck, cujo relacionamento
com Hugh Osmond tem ajudado o ABN a aconselhar a seguradora Pearl, incluindo
a oferta pela rival Resolution .
RBS, Santander e Fortis afirmam
que podem cortar 19 mil empregos no mundo. Combinados com o ABN, a força
de trabalho chega a 400 mil pessoas. O ABN tem cerca de 100 mil funcionários,
incluindo 23 mil na Holanda.
Quase metade dos cortes será na
Holanda, onde o Fortis terá sobreposição de clientes
com o ABN, depois de ter comprado as áreas de varejo e gestão
de ativos e fortunas do banco holandês.
Mais cortes podem ocorrer na área
de atacado, onde o Royal Bank of Scotland terá que integrar negócios
do ABN com seus próprios em um momento difícil para os
mercados de capital.
Enquanto isso, o Santander enfrenta
a menor pressão para cortes de empregos uma vez que não
terá quase nenhuma sobreposição importante entre
seus atuais negócios e unidades do ABN que está comprando.
O trio de bancos afirma que vai
precisar de três anos para completar todas as reduções
de custos, segundo Ahmed Kansouh, do sindicato holandês de trabalhadores
CNV, que representa grande porção dos funcionários
do ABN na Holanda.
"A maior ação
vai acontecer nos próximos nove meses. Dentro de dois anos, 90%
(dos cortes de empregos) já terá sido feito. Então,
eu creio que será muito mais rápido que três anos."
(Colaborou Juliana Siqueira, em São
Paulo)
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FOLHA
DE LONDRINA, 31 de outubro de 2007 | Cidades
Seu Direito: Cotas nas Empresas
Toda empresa é obrigada a preencher uma
parte de seus cargos com empregados portadores de deficiência?
O artigo 93 da lei 8.213/91
e a Instrução Normativa nº 20, de 26/01/01, estabelecem
a obrigatoriedade da contratação de empregados reabilitados
da Previdência Social ou por pessoa portadora de deficiência
habilitada, em percentuais de 2% a 5%, conforme a seguinte proporção:
- até 200 empregados,
2%;
- de 201 a 500 empregados, 3%;
- de 501 a 1.000 empregados, 4%;
- mais de 1.000 empregados, 5%.
Assim, está obrigada a manter em seu quadro de pessoal trabalhadores
deficientes (deficiência física, sensorial auditiva e visual,
mental ou deficiências múltiplas) ou trabalhadores reabilitados
pelo INSS (em decorrência de acidente, doença, doença profissional
etc.), em percentual pré-definido, todas as empresas que possuírem
100 ou mais empregados. É importante observar, ainda, que a proporção
de vagas exclui o segurado acidentado do trabalho.
Vale salientar que os empregados
da empresa, para efeito de apuração das percentagens
cabíveis, serão considerados pelo número total
de contratados, somados todos os estabelecimentos do empregador.
Também é interessante
observar que os trabalhadores deficientes (qualquer que seja o percentual
exigido) poderão estar distribuídos nos diversos estabelecimentos
da empresa ou centralizados em apenas um deles.
Deve-se esclarecer ainda que,
existindo a ruptura contratual de determinado funcionário que
esteja enquadrado nas proporções definidas em lei, a
nova contratação deverá optar por empregado que
venha novamente preencher a proporcionalidade devida.
Quando observada na ação
fiscal que a empresa não está regularizada quanto a esta
obrigatoriedade de contratação, o fiscal do trabalho
poderá utilizar-se do procedimento especial previsto na Instrução
Normativa nº 13, de 06/06/99, que institui o procedimento das
mesas de entendimento na fiscalização do trabalho.
Karine Sayuri Oliveira da Rocha,
advogada trabalhista
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
31/10/2007
JT considera depósito recursal efetuado
por empresa diversa
A Comercial Gerdau Ltda. teve
um recurso de embargos negado pela Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho
porque não recolheu os valores das custas do processo de acordo
com a exigência legal. A empresa havia alegado que a guia de depósito
recursal fora preenchida em nome de outra empresa, a incorporadora Gerdau
S. A.
A Quarta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho, que anteriormente havia julgado o recurso de revista da
empresa , manteve a deserção (rejeição de
um recurso por falta de pagamento das custas) declarada pelo Tribunal
Regional da 2ª Região (SP), e considerou inovatória
(levantamento de tema ainda não abordado no processo) a informação
de que a guia de recolhimento estava em nome de outra empresa, porque
não fora mencionada no recurso. O acórdão da Turma
esclareceu que a guia do depósito preenchida pela empresa carece
de “eficácia para viabilizar o conhecimento do recurso,
uma vez que o ônus compete à parte que está em juízo”.
Não concordando com a
decisão, a empresa recorreu à SDI-1 do TST, que confirmou
que a tese de que o depósito recursal foi recolhido pela incorporadora
da empresa era inovatória, e não fora deduzida nas razões
da revista. A relatora dos embargos em recurso de revista, ministra Maria
Cristina Peduzzi, esclareceu que a simples leitura do recurso permite
observar que a empresa não impugnou a mencionada incorreção
no recolhimento do depósito recursal, “insurgindo-se, tão-somente,
quanto à irregularidade na comprovação do pagamento
das custas (DARF)”.
A SDI-1 considerou o julgamento
correto e manteve a decisão da Turma, votando unanimemente pelo
não-conhecimento dos embargos.
|
31/10/2007
Ações com pedidos diferentes
não interrompem prescrição
Por considerar inexistente a
identidade de pedidos entre duas ações propostas por um
trabalhador, a Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho concluiu
que não houve a interrupção de prescrição
(perda do prazo para ajuizar ação). Com isso, o segurança
perdeu a possibilidade de obter o vínculo empregatício
com a Comunicação Contemporânea Ltda.
Com base na Súmula nº 268
do TST, que orienta juízes a determinar a interrupção
de prescrição somente em relação a pedidos
idênticos, o voto do ministro Horácio de Senna Pires, relator
do recurso de revista, foi decisivo. A Sexta Turma reformou o entendimento
do Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região (RN) e declarou
a prescrição total do direito de ação, extinguindo
o processo.
O segurança iniciou suas
atividades na empresa em 17 de abril de 1990. Disse que a empresa não
assinou sua carteira de trabalho e nunca recebeu décimo terceiro
salário, vale-transporte e nem foram feitos depósitos de
FGTS. Segundo a inicial, trabalhava das 7h às 19h, sem intervalo
de almoço, de segunda a domingo, em dias alternados, sem receber
horas extras. Seu último salário foi de R$280,00. Em agosto
de 1994, foi dispensado.
O trabalhador ajuizou reclamatória
trabalhista contra a empregadora (MJ Carvalho Consultoria Desportiva
de Segurança de Transportes e de Conservação Ltda.)
e a controladora do grupo econômico (Comunicação
Contemporânea Ltda.) em maio de 1996. Pediu o reconhecimento de
vínculo com a primeira empresa e a segunda condenação
solidária da segunda no pagamento das verbas contratuais e rescisórias
não satisfeitas.
No entanto, por não ter
sido encontrada a MJ Carvalho, o segurança desistiu da primeira
ação e ajuizou outra reclamatória, em novembro de
1996, desta vez somente contra a Comunicação Contemporânea
Ltda., pedindo vínculo de emprego, em novembro de 1996 e o pagamento
das verbas devidas.
No primeiro grau, os pedidos
foram julgados procedentes. A empresa recorreu ao TRT da 21ª Região
(RN) alegando prescrição, que, segundo ela, teria ocorrido
em agosto de 1996 para a primeira ação e, para a segunda
ação, em 28 de novembro de 1996.
O TRT entendeu que a Comunicação
Contemporânea pretendeu se valer de empresa fantasma para fugir
das obrigações trabalhistas e declarou apenas a prescrição
qüinqüenal, considerando prescritas as parcelas anteriores
a 28 de novembro de 1991. A empregadora recorreu ao TST procurando
provar que não havia interrupção do prazo devido à primeira
ação e obteve êxito. (RR-2.113/1996-021-01-00.6)
|
31/10/2007
Erros e falta de cuidados levam à extinção
de processos
É comum, na Justiça
do Trabalho, a ocorrência de decisões que levam à extinção
do processo sem resolução do mérito, por não
terem sido observadas determinadas formalidades que constituem requisitos
essenciais para o julgamento de ações e recursos. Entre
os casos habituais, estão a ausência de cópias autenticadas,
cópias ilegíveis e até a falta de assinatura em
documentos. Esses casos configuram ausência dos chamados “pressupostos
extrínsecos de admissibilidade”. Traduzindo: não
foram atendidas as exigências legais para a aceitação
do processo.
Há as ocorrências
que levam o juiz a declarar a deserção do recurso. Todas
se relacionam ao recolhimento da taxa recursal ou das custas judiciais
exigidas por lei: ausência de comprovação, preenchimento
incorreto das guias, falta de autenticação bancária,
depósitos com valores insuficientes ou, simplesmente, o não-pagamento.
Outra ocorrência – também
muito comum – são as chamadas irregularidades de representação
processual. Enquadram-se nessa categoria a falta de assinatura nas procurações,
o substabelecimento sem os devidos poderes para isto e até mesmo
a ausência da procuração no processo – ou a
ausência de assinatura (documento apócrifo).
Embora possam parecer insignificantes
para os leigos, essas situações são muito freqüentes
em processos trabalhistas e, o que é mais grave, esses “pequenos
detalhes” são suficientes para frustrar de vez expectativas
em torno de valores financeiros consideráveis. Um dos casos mais
notórios de deserção foi publicado recentemente
no site de notícias do TST: o recurso foi extinto em função
de o depósito recursal ter sido recolhido em valor três
centavos abaixo do estipulado.
Muitas vezes, porém, é possível
reverter o não-conhecimento (rejeição) do recurso
em função de ocorrências relacionadas ao recolhimento
de depósito recursal ou de custas processuais. Em decisão
recente (AG-AIRR-814.628/2001.2), a Terceira Turma decidiu afastar a
deserção do processo, declarada pelo Tribunal Regional
do Trabalho da 15ª Região (Campinas). Em seu voto, aprovado
por unanimidade, a ministra Maria Cristina Peduzzi considerou que o recolhimento
das custas processuais, a despeito de ter sido efetuado sob código
incorreto e em guia inadequada, atingiu sua finalidade, pois foram devidamente
preenchidos os requisitos estabelecidos na Instrução Normativa
nº 18 do TST.
Em outra decisão
(ROMS-1325/2006-15-00.1) a Seção Especializada em Dissídios
Individuais (SDI-2) do TST, ao apreciar recurso ordinário em
mandado de segurança. determinou a extinção do
processo sem resolução do mérito. O relator da
matéria, ministro José Simpliciano Fernandes, considerou
que a ausência de autenticação em todas as cópias
do mandado de segurança – inclusive a cópia do
ato tido como ilegal – equivale à inexistência dessas
peças nos autos, independentemente de impugnação
da parte contrária. O ministro ressaltou que no mandado de segurança,
ao contrário do que ocorre com o agravo de instrumento, não
há previsão legal para que, em caso de declaração
de autenticidade pelo próprio advogado, seja dispensada a formalidade
exigida no artigo 830 da CLT.

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