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JORNAL GAZETA DO POVO, 04
de novembro de 2007 | Paraná
Novos Revolucionários
Integralismo histórico navega
na rede
Jovens usam a internet para divulgar o conservadorismo,
a religiosidade e o amor à pátria
por ROGERIO WALDRIGUES GALINDO
Integralismo parece uma daquelas palavras que você ouve apenas em aulas
de história. Aparentemente, o movimento de Plínio Salgado em
nome de Deus, Pátria e Família estaria relegado a um passado
distante; pertenceria a um mundo anterior à revolução
sexual e à globalização. Não é o que pensa
um grupo de jovens espalhado pelo país inteiro. Prova de que eles estão
de olho no presente e no futuro é a principal ferramenta de comunicação
dos novos integralistas: a internet.
Para achar os integralistas curitibanos, a maneira mais fácil é o
Orkut. Lá, os novos “camisas verdes” trocam idéias
e agendam seus encontros. Há uma comunidade exclusivamente dedicada
aos integralistas do Paraná.
“A maior parcela atualmente é de
jovens de até 25 anos”, afirma o paulistano Lucas Carvalho,
um dos responsáveis pela administração nacional
do movimento. Régerson Ribeiro, um dos líderes da Frente
Integralista Brasileira em Curitiba, pertence à ala jovem: tem
apenas 20 anos. Milita na Frente há dois. Agenda reuniões,
cola cartazes e estuda o pensamento de Plínio Salgado. Soldado
do Exército, garante que a solução para o país
está nos princípios que desde a década de 1930 orientam
o movimento: conservadorismo, religiosidade, amor à pátria.
“O integralismo é uma
doutrina de direita, mas rejeita o capitalismo liberal”, ensina
Ribeiro. Os novos militantes continuam usando o símbolo do Sigma – a
letra grega que identifica os integrantes do grupo. Ainda se cumprimentam
usando a palavra “Anauê”, que agora enfeita finais
de e-mails e conversas via MSN.
Em Curitiba, o ponto de encontro
do grupo fica na esquina das ruas Ubaldino de Amaral e Marechal Deodoro,
no Centro. Cerca de 15 pessoas participam das reuniões, ainda
que irregulares. Em outras capitais, como São Paulo, os novos
integralistas já se encontram uma vez por semana.
Na sua versão século
20, os integralistas eram vistos como uma adaptação brasileira
de movimentos de ultra-direita surgidos na Europa. Coisas como o fascismo
de Benito Mussolini, na Itália, e o nacional-socialismo hitleriano
que chegou ao poder na Alemanha. Hoje, os novos integralistas rejeitam
a comparação, embora admitam que há semelhanças. “O
fascismo possivelmente tivesse aspectos positivos para a Itália...
mas só seriam para ela. O maior erro foi importar pensamentos
equivocados dos nazistas”, diz Lucas Carvalho.
Do nazismo, os integralistas
dizem repudiar a violência dos métodos. “Não
pregamos violência e nem o preconceito”, afirma Ribeiro.
No entanto, alguns integrantes da comunidade Integralismo-PR deixaram
comentários que parecem contrariar a declaração.
Na lista de “coisas que não suporta”, um internauta
enumerou “comunistas, pessoas nojentas, gays e lésbicas”.
Outro inclui mais duas categorias “insuportáveis”:
judeus e ciganos.
Ribeiro diz que há uma
explicação para as opiniões de seus correligionários.
Em relação ao homossexualismo, haveria um problema de fundo
religioso. Como são católicos, os integralistas condenam
as atitudes que a Igreja considera imorais. E os judeus? “Eles é que
nos rejeitam. Quem sofre o preconceito muitas das vezes somos nós”,
diz o soldado. Mas garante que o grupo jamais pregaria a violência
contra qualquer pessoa.
Com os negros, a coisa é diferente.
Ao lado dos índios e dos portugueses, os africanos são
considerados pelos integralistas como uma das etnias fundadoras da pátria
e por isso são sempre respeitados.
O “militarismo” é um
dos preceitos fundamentais dos integralistas. Mas o que isso quer dizer
na prática? “Nós apoiamos, por exemplo, a revolução
de 1964”, diz Ribeiro, que se nega a usar a palavra “golpe” para
definir a tomada do poder pelos militares. Até mesmo os temíveis
Atos Institucionais são relevados. E nem mesmo a tortura, o
assassinato e o desaparecimento de presos políticos são
um problema? Nem isso. Os seguidores de Plínio Salgado dizem
que a reação do governo ao que eles consideram excessos
da esquerda até mesmo demorou.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 04
de novembro de 2007 | Paraná
Novos Revolucionários
Consciência política
incluída no currículo
Na ditadura ou em plena democracia, a militância
engajada mantém mobilização pelo social e coletivo
Cobertas com faixas de protesto e sob o alerta da presença de invasores,
as portas fechadas do prédio central da Reitoria da Universidade Federal
do Paraná (UFPR) deram voz nos últimos dias a mais um movimento
de protesto, que vez ou outra explode nas universidades. Em 1968, foi a ditadura.
Agora, o vilão é o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação
e Expansão das Universidades Federais (Reuni), que prevê ampliação
de vagas nas universidades e exige aumento no índice de aprovação.
Em todo o país, cerca de dez universidades federais estão ocupadas.
Na pauta, o movimento traz a luta contra a “privatização
da universidade pública gratuita e de qualidade”. “É um
movimento de esquerda porque a gente levanta o que entende por demandas da
sociedade, contra os neo-liberais”, afirma a estudante de Ciências
Sociais, Alexandra Bandoli, 20 anos, que tem o apoio da mãe e entrou
na militância por causa do exemplo da irmã mais velha.
Para Alexandra, o movimento é "contestador,
coletivo, libertário e comunista". E o método de ação
pode ser a ocupação, quando se faz necessária. Dessa
forma, os estudantes defendem que a ocupação deve ser negociada
como movimentação política e não caso de
polícia.
Surgido no Estado Novo, na década
de 30, o movimento estudantil representa a contestação
aos poderes estabelecidos, com uma pitada de utopia, de acordo com o
cientista político Ricardo Costa de Oliveira. “Ele é importante
porque coloca limites aos poderes estabelecidos e aponta para dinâmica,
para a contestação. Senão, haveria só uma
ordem conservadora.” Segundo Oliveira, o movimento estudantil dificilmente
tem agenda à direita, que não consegue organizar opiniões
políticas e mobilizar os jovens.
Dentro do prédio da UFPR,
por exemplo, a democracia é prioritária para os universitários.
Alexandra conta que as decisões são tomadas em assembléias,
que ocorrem várias vezes ao dia. Sete comissões foram montadas
para organizar o ambiente, do setor de negociação à limpeza.
A participação
feminina também se destaca. “Sinto que a mulher está ocupando
seu espaço e tem a mesma capacidade do homem para fazer de tudo
e com salto alto ainda por cima”, defende a presidente da União
Paranaense dos Estudantes (UPE), Fabiana Zelinski. Segundo ela, o movimento
estudantil procura o diálogo, mas há a necessidade pressão
e enfrentamento.
Na UFPR, o movimento divide opiniões.
O Diretório Central dos Estudantes (DCE) não apóia
a ocupação. Os manifestantes foram citados pela Justiça
Federal para que paguem R$ 100 por dia de ocupação. O juiz
concedeu liminar para a reintegração de posse do prédio,
que pode ser feita assim que a Reitoria autorizar. Se houver resistência,
a força policial poderá ser utilizada. E a procuradoria
jurídica está identificando os responsáveis pelo
movimento para que sejam penalizados.
Na época da ditadura,
as punições eram prisões e torturas. A professora
aposentada Célia Gouveia, que sempre militou na esquerda, lembra
que a repressão era grande. No Ensino Médio na escola agrícola,
ela levou uma semana de suspensão por falar em um discurso que
os professores têm muito a aprender com os estudantes. “O
que mudou de antigamente para hoje foi a conjunção de forças.
Quando era jovem, estávamos sob a ditadura militar. Ser esquerda,
bastava ser contra o regime. Hoje, o totalitarismo que ainda persiste
não é muito claro”, afirma. Célia é mãe
de um dos manifestantes que lutam contra o Reuni.
“A luta pela abertura de
vagas era justamente nossa grande luta na época”, rebate
a jornalista Teresa Urban, que fez parte de uma das maiores rebeliões
que a UFPR já presenciou. Em 1968, participou do movimento estudantil
pela expectativa de poder agir pelo bem comum.
O ponto máximo do impasse
foi a tomada da reitoria da UFPR. Uma quadra inteira foi cercada, barricadas
foram montadas e milhares de estudantes invadiram a reitoria. O busto
de Flávio Suplicy de Lacerda, ex-reitor da UFPR e primeiro ministro
da educação do regime militar, foi retirado do pátio.
Hoje, a estátua foi reconstruída e continua presente na
reitoria, próxima a ocupação.
Perfil Daniel Castelano/Gazeta do Povo

• Nome: Alexandra, 20 anos, estudante
Ciências Sociais
• Música: essencialmente
brasileira.
• Livro: Água Viva
e Perto do Coração Selvagem (Clarice
Lispector).
• Intelectuais que admira: A
Mafalda, de Quino.
• Principais valores: Cotestadores,
coletivos, libertários e comunistas.
• Método de ação: Informação
com cartazes, textos, palavras de ordem, marchas, música,
panfletos e debates. E a ocupação, quando
necessária.
• Sobre a direita: “A
direita não se movimenta, está dissolvida
em moral, valores opressores e cotidianos. Os neodireitosos
petistas hoje ocupam as entidades e atravancam a luta
da esquerda”.
• Objetivos políticos: Militante
sempre, como professora, como criadora, como guerrilheira.
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O GLOBO (ON LINE), 05 de
novembro de 2007 | Mundo
Venezuela
Chavistas fazem 1º grande evento pró-reforma
constitucional
Caracas foi tomada neste domingo por centenas de milhares de manifestantes
na primeira grande manifestação que marca o início
da campanha do Sim à reforma constitucional proposta pelo presidente
da Venezuela, Hugo Chávez.
Vestidos de vermelho,
os manifestantes percorreram cerca de 12 km sob forte calor, carregando
bandeiras com imagens
de Chávez, do líder
revolucionário Che Guevara, os dizeres "contra o imperialismo" e
a palavra "sim".
O trabalhador Asdrubal
Martínez, justificou seu apoio à reforma,
dizendo à BBC Brasil que "com Chávez, tudo melhorou
para nós, os pobres".
Martínez acredita que os trabalhadores serão beneficiados
com a modificação do artigo que reduz a jornada de trabalho
de oito para seis horas diárias.
Além da redução da jornada de trabalho, a reforma
prevê o fim da autonomia do Banco Central, o aumento da participação
popular nas esferas de governo e a proibição do latifúndio,
entre outras modificações.
A manifestação deste domingo ocorreu após dias
de manifestações contrárias à reforma constitucional,
que também levaram milhares às ruas de Caracas.
Um dos temas mais controvertidos
da proposta é o artigo que prevê o
fim do limite de número de reeleições de um mesmo
candidato a presidente.
Para a oposição se trata de uma estratégia de Chávez "para
concentrar (o poder) e se perpetuar no poder".
Para os simpatizantes
do governo é a oportunidade de dar continuidade à chamada
revolução bolivariana, que, de acordo com o governo, deverá assumir
um caráter socialista se aprovada a reforma.
Vestida de Chapeuzinho
Vermelho, como ficou conhecida, Marlene Vanegas, uma chavista de mais
de 70 anos com as
sobrancelhas pintadas de vermelho,
disse que não entende a polêmica.
"Na Espanha, na Inglaterra, eles têm rei, rainha e ninguém
se opõe, não podem votar neles. Aqui não. Vamos às
urnas e se o povo decide que Chávez tem que ir-se (da Presidência),
ele vai. Só que se ele for, eu vou com ele", brinca.
A modificação ou não da Carta Magna será definida
em referendo de 2 de dezembro.
De acordo com uma pesquisa
de opinião do Instituto Datanalisis,
o Sim deverá alcançar entre 60% e 65% dos votos no referendo.
O instituto diz que o
Não poderia ter alguma chance de vitória
se toda a oposição participar do referendo e parte dos
simpatizantes do governo se abstenham.
A divisão entre os grupos de oposição tem marcado
a campanha do Não. Um grupo convoca a votar pelo Não à reforma,
outro aposta no boicote.
Nesta quinta-feira, os
partidos Primeiro Justiça e Um Novo Tempo
se uniram a uma manifestação de convocada por setores do
movimento estudantil contra as modificações constitucionais,
pedindo que o referendo seja adiado para fevereiro de 2008.
Por outro lado, partidos
políticos tradicionais como o Ação
Democrática e o Copei (social-cristão) convocam a oposição
a não participar do referendo em 2 de dezembro. Este grupo reuniu
dezenas de milhares pessoas neste sábado em uma concentração
em Caracas.
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FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 05 de novembro de 2007 | Dinheiro
Desafio fiscal centraliza 1º relatório
da OCDE sobre a América Latina
da Efe, em Paris
Os desafios da América
Latina em termos de legitimidade de seu sistema fiscal e de adaptação
diante da globalização centralizam o primeiro relatório
que a OCDE (Organização para a Cooperação
e o Desenvolvimento Econômico) dedica à região.
A América Latina "é uma
região que está vivendo um crescimento econômico
muito chamativo" motivada pela ascensão da Ásia, explicou
nesta segunda-feira à agência de notícias Efe o responsável
do relatório da OCDE sobre a América Latina, Javier Santiso.
O relatório será apresentado na próxima quarta-feira
(7) em Santiago do Chile.
A OCDE mantém uma relação
particular com o Brasil, que figura em um grupo de cinco países
com os quais vão ser reforçados os vínculos, o que
poderia constituir um primeiro passo para uma eventual abertura de negociações
de acesso no futuro.
Santiso especificou que para
aproveitar essa conjuntura propícia, a América Latina tem
que resolver uma série de desafios, e destacou em particular que "a
legitimidade fiscal é muito importante para a legitimidade democrática".
A reforma tributária tem
que se traduzir em "arrecadar mais, mas também gastar melhor",
ou seja, que "é preciso melhorar a eficácia da despesa" para
que todos os setores da população, e de forma especial
os mais pobres, sintam que o investimento público é útil
para eles, argumentou.
Se não se consegue essa
eficiência no investimento e nessa legitimidade, corre-se o risco
de uma radicalização do eleitorado no próximo ciclo
eleitoral, advertiu o responsável da OCDE.
A apresentação
do lançamento mundial do relatório em Santiago será feita
pelo secretário-geral da OCDE, o mexicano Ángel Gurría,
que representará a organização durante a Cúpula
Ibero-Americana que vai ser realizada no Chile entre os dias 8 e 10 deste
mês.
A visita de Gurría
tem uma significação particular se for levado em conta
que desde a última primavera o Chile figura no grupo de cinco
países com os quais foi aberto o processo de negociação
para sua entrada na OCDE.
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FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 05 de novembro de 2007 | Dinheiro
Alta dos preços da cesta básica
desacelera em outubro, diz Dieese
da Folha Online
O preço da cesta básica,
que inclui gêneros alimentícios de primeira necessidade,
caiu em cinco das 16 capitais pesquisadas pelo Dieese (Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Socioeconômicos) em outubro, segundo
Pesquisa Nacional da Cesta Básica divulgada nesta segunda-feira.
Todas as localidades em que foram
registradas quedas ficam no Nordeste: Natal (baixa de 6,77%), Aracaju
(-3,65%), Recife (-2,12%), João Pessoa (-1,02%) e Fortaleza (-0,53%).
Nas demais regiões, os aumentos ficaram entre 0,71% (Brasília)
e 4,31% (Belém), todos abaixo da alta registrada em setembro.
Porto Alegre, onde a cesta custou
R$ 213,97, São Paulo, cujo custo ficou em R$ 201,25, e Rio de
Janeiro, onde a cesta teve valor de R$ 194,27, continuaram a ser em outubro
as capitais mais caras --em todas a alta superou 3%. Na outra ponta,
os menores valores foram verificados em Recife (R$ 142,07), João
Pessoa (R$ 143,16) e Fortaleza (R$ 146,96).
O Dieese também calcula
qual deveria ser o salário mínimo necessário para
comprar a cesta básica, considerando-se todos os outros gastos
de uma família. Em outubro, ele foi estimado em R$ 1.797,56 (o
equivalente a 4,73 vezes o salário mínimo atual, de R$
380), maior que o preço de R$ 1.737,16 apurado em setembro (4,57)
--a cesta usada para o cálculo é sempre a mais cara, no
caso, Porto Alegre.
Acumulado
Nos dez primeiros meses do ano,
as 16 capitais pesquisadas acumulam alta no custo dos produtos alimentícios
de primeira necessidade. As elevações mais significativas
ocorreram em Vitória (15,60%), Porto Alegre (14,90%), Rio de Janeiro
(13,35%) e Salvador (12,50%). As menores variações acumuladas
foram apuradas em Brasília (3,47%), Goiânia (6,09%), Curitiba
(6,65%) e João Pessoa (6,93%).
Em 12 meses (novembro de 2006
a outubro de 2007), também houve alta em todas as capitais. Em
quatro localidades, porém, os aumentos acumulados foram inferiores
ao reajuste concedido ao salário mínimo este ano (8,57%):
João Pessoa (4,79%), Florianópolis (7,91%), Belo Horizonte
(8,42%) e Curitiba (8,54%).
Segundo o Dieese, tal resultado
indica a redução do movimento de alta dos últimos
meses, uma vez que nos 12 meses completados em setembro todas as localidades
apresentavam alta superior ao aumento do salário mínimo.
Produtos
De acordo com o Dieese, a prolongada
seca em diversas regiões do país provocou aumento nos preços
de vários itens que compõem a cesta básica. O plantio
de grãos arroz, feijão, soja, milho, entre outros que deveria
ocorrer a partir de setembro, teve que ser retardado para o final de
outubro, quando o clima melhorou e houve chuvas bastante generalizadas.
Assim, o feijão registrou
alta, em outubro, em todas as capitais. As maiores elevações
ocorreram em João Pessoa (33,26%), Fortaleza (28,71%), Vitória
(24,21%), Belém (22,76%) e Natal (21,50%). As menores taxas foram
apuradas em Curitiba (2,39%), Florianópolis (4,46%) e Rio de Janeiro
(7%).
Catorze capitais apresentaram
alta no preço do arroz e óleo de soja. O óleo de
soja, por sua vez, teve as maiores altas, em outubro, no Rio de Janeiro
(5,42%) e Curitiba (5,00%). Duas cidades apresentaram queda: Belo Horizonte
(-2,95%) e Aracaju (-1,77%).
Carne e pão tiveram alta
em 13 cidades. Para a carne, produto de maior peso na cesta básica,
as maiores taxas foram apuradas em Recife (3,94%), Fortaleza (3,70%)
e Belo Horizonte (2,98%). Houve redução em Curitiba (-1,64%),
Brasília (-2,06%) e Natal (-3,09%).
Com relação
ao pão, foi verificada queda, no mês, em João Pessoa
(-0,2%), Florianópolis (-0,21%) e Belo Horizonte (-2,71%). Os
maiores aumentos foram observados em Vitória (4,67%), Salvador
(3,47%) e Belém (2,92%).
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ESTADÃO.COM/ SÃO
PAULO, 05 de novembro de 2007 | Economia
Ford faz acordo preliminar com sindicato
nos EUA
REUTERS
DETROIT, ESTADOS UNIDOS - A Ford Motor informou no sábado que chegou
a um acordo preliminar com o sindicato de metalúrgicos norte-americano
United Auto Works, encerrando uma rodada histórica de negociações
entre a entidade e a indústria de veículos dos Estados Unidos.
A Ford, última das três
grandes montadoras de Detroit a fechar acordo com o sindicato, informou
que o entendimento de quatro anos inclui um fundo independente de seguro-saúde
que assumirá as custosas obrigações da companhia
com aposentados.
Ambos os lados não revelaram
detalhes do contrato de trabalho acertado, que agora precisa da aprovação
dos 58 mil metalúrgicos sindicalizados da Ford dos EUA.
"Acreditamos que é justo
para nossos funcionários e aposentados e abre caminho para a Ford
aumentar sua competitividade nos EUA", disse o negociador-chefe
da montadora, Joe Laymon, em comunicado.
O acordo foi alcançado
no sábado, após uma sessão de negociação
de mais de 40 horas na sede da Ford em Dearborn, Michigan.
Nas últimas semanas, o
sindicato de metalúrgicos UAW concluiu acordos de contrato de
trabalho de quatro anos com a General Motors e com a Chrysler.
A Ford, que teve prejuízo
recorde de 12,6 bilhões de dólares no ano passado, tem
indicado que está buscando aprovação para cortar
entre 8 mil e 10 mil empregos em fábricas. Isso se somaria aos
27 mil postos de trabalho que eliminou com planos de demissão
voluntária e aposentadoria antecipada até junho.
A Detroit Free Press publicou
que a Ford concordou em reduzir o volume planejado de fechamentos de
fábricas, poupando 6 unidades, em troca por outras concessões
da UAW.
A montadora tem informado que
planeja fechar 16 fábricas nos EUA, mas identificou apenas 10
para encerrar atividades, deixando o destino das seis remanescentes dependente
do resultado das negociações com o sindicato.
(Por Jui Chakravorty e Kevin
Krolicki)
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
05 de novembro de 2007
TST nega recurso por falha em fundamentação
A Carbex Indústria e comércio de Materiais de Escritório,
de Campinas (SP), não obteve sucesso em embargos interpostos à SDI
(Seção Especializada em Dissídios Individuais) 1 do TST
porque não usou corretamente as regras processuais para exercer o seu
direito ao contraditório e à ampla defesa.
A 5ª Turma do Tribunal havia
considerado o recurso de revista da firma fora de prazo porque, segundo
o TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 15ª Região, o acórdão
havia sido publicado em 13/1/2006 (sexta-feira) e, assim, a contagem
do prazo para a interposição do recurso teve início
em 16/1/2006 (segunda-feira) e término em 23/1/2006 (segunda-feira).
Mas a empresa protocolou o recurso somente em 25/1/2006, sem apresentar nenhum
registro de ocorrência local (como um feriado) que justificasse a prorrogação
do prazo.
A empresa embargou a decisão
alegando ofensa aos princípios do contraditório e da ampla
defesa e à Lei 9.800/99. Argumentou que a discussão girava
em torno da validade do envio dos originais via fac-símile dentro
do prazo de cinco dias após o envio da petição feita
nos moldes da Lei nº 9.800/99. Para a empresa, o recurso fora interposto
no prazo legal.
Ao contrário do alegado,
a relatora do processo na SDI-1, ministra Maria de Assis Calsing, afirmou
que cabia à empresa indicar expressamente qual o preceito da lei
que teria sido violado. Além disso, a questão do cumprimento
dos prazos para protocolar recurso de revista enviado por fac-símile,
como aventada pela Carbex, não foi tratada no acórdão
da Turma. A empresa só abordou a questão na interposição
dos embargos à SDI-1, quando deveria tê-lo feito anteriormente.
Dessa forma, afirmou a
relatora, “no que se refere à suposta ofensa ao direito
ao contraditório e à ampla defesa, além de a empresa
não ter indicado o respectivo preceito em que se fundamenta
o apelo, verifica-se que o contraditório e o amplo direito de
defesa foram assegurados, que, entretanto, deles não soube fazer
o uso correto”.
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CONSULTOR JURÍDICO,
05 de novembro de 2007
Complemento legítimo
Auxílio-alimentação é confirmado
a aposentado da CEF
Fracassou a tentativa da Caixa Econômica Federal em suspender decisão
da 4ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho, que reconheceu o direito
de um empregado aposentado continuar a receber complementação
na forma de “auxílio-alimentação”. O recurso
da CEF foi negado pela Seção Especializada em Dissídios
Individuais (SDI-1), do TST.
O relator do recurso, ministro
Vantuil Abdala, observou que o TST tem jurisprudência pacífica
no sentido de que a supressão do pagamento da parcela, determinada
pelo Ministério da Fazenda, não atinge os ex-empregados
que já percebiam o benefício.
O economiário trabalhava
na agência Miramar, em Florianópolis (SC), como escriturário.
Foi admitido em janeiro de 1978 e aposentou-se por tempo de serviço
em agosto de 2003, quando passou a receber complementação
de aposentadoria por parte da Funcef — Fundação dos
Economiários Federais. Segundo ele, não recebeu, porém,
a parcela relativa ao auxílio-alimentação, prevista
em acordos coletivos de trabalho, porque o pagamento do auxílio
aos aposentados foi suprimido em 1995.
Na ação trabalhista,
solicitou o recebimento da parcela na forma originalmente prevista, ou
seja, o pagamento/repasse do “auxílio-alimentação” de
22 tíquetes por mês, com o pagamento das parcelas devidas
vencidas e vincendas desde a data do desligamento/aposentadoria. O pedido,
no entanto, foi negado pela Justiça do Trabalho da 12ª Região
(SC). A instância entendeu que no momento em que o benefício
fora suprimido — junho de 1995, — ele ainda não estava
aposentado.
O empregado recorreu ao TST para
tentar reverter a decisão anterior. A 4ª Turma, ao apreciar
o Recurso de Revista, julgou procedente a reclamação trabalhista
e acolheu o pedido de pagamento das diferenças decorrentes da
integração do auxílio-alimentação.
De acordo com o entendimento
da Turma, a norma interna que instituiu o pagamento do benefício
aos aposentados incorporou-se ao contrato de trabalho dos funcionários
da CEF, e sua supressão unilateral pelo empregador produz efeitos
apenas com relação aos empregados admitidos posteriormente.
A Turma baseou-se na Orientação Jurisprudencial Transitória
50, da SDI-1 (antiga OJ 250).
Após ajuizar Embargos
de Declaração à 4ª Turma, a Caixa recorreu à SDI-1
repetindo os argumentos apresentados anteriormente. Segundo a empresa,
o economiário se desligou da CEF em março de 2001 e se
aposentou pelo INSS dois anos depois, em agosto de 2003. Não caberia,
portanto, a aplicação da jurisprudência do TST sobre
o auxílio-alimentação porque não haveria
vínculo entre o aposentado e a CEF nem com a Funcef.
O ministro Vantuil Abdala destacou
que não houve nenhuma referência, nas instâncias anteriores,
sobre o fato de o empregado ter sido aposentado apenas pelo INSS e nunca
ter recebido complementação pela Funcef. “Também
não houve nenhuma referência sobre o fato dele ter sido
aposentado alguns anos após sua despedida da CEF”, afirmou.
Os fatos levantados pela CEF,
de acordo com o relator, são controversos, pois o próprio
objeto da reclamação trabalhista era justamente a integração
do auxílio na complementação de aposentadoria que
o ex-empregado vinha recebendo da CEF. “Tais fatos também
não foram considerados pelas instâncias ordinárias,
carecendo de pré-questionamento. Não há como, nesta
esfera recursal, considerar fatos e provas debatidos anteriormente, com
base na Súmula nº 126 do TST”, concluiu.
E-ED-RR-8334/2004-034-12-00.5
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CONSULTOR JURÍDICO,
05 de novembro de 2007
Competência comum
Justiça estadual julga ação
de cooperativa de trabalho
Cabe à Justiça Estadual e não à Justiça
do Trabalho julgar ação sobre as relações entre
cooperativas de trabalho e seus associados. A decisão é da 2ª Seção
do Superior Tribunal de Justiça. Os ministros determinaram ser competência
da Comarca de Lucélia (SP), o julgamento de processo movido contra a
Cooperativa de Trabalho Multiprofissional de Lucélia.
O conflito de competência
foi suscitado pelo juiz estadual de Lucélia, que alegou ser o
caso da alçada da Justiça do Trabalho, já que está em
discussão a relação de trabalho. O Juízo
da Vara do Trabalho de Adamantina (SP) apresentou entendimento diferente.
Para ele, a competência é da Justiça Estadual, pois
se trata de uma cooperativa e, de acordo com o artigo 982, parágrafo único
do Código Civil, a cooperativa é uma espécie de
sociedade simples. Além disso, o diretor fazia parte de um dos órgãos
da cooperativa e era seu representante. Por esse motivo não se
pode dizer que a relação mantida com a instituição
era de trabalho.
O relator, ministro Ari Pargendler,
entendeu que, quem, na condição de diretor, reclama de
cooperativa o pagamento de remuneração está sujeito à jurisdição
comum, ainda que paralelamente tivesse um vínculo de emprego de
outra função. Para ele, a competência se define pela
causa de pedir da ação, que, no caso, diz respeito ao cargo
de diretor e não a outra relação.
CC 77.066
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GAZETA WEB/ BRASÍLIA,
05 de novembro de 2007
Senado pode manter imposto sindical
O Senado pode rejeitar a emenda
aprovada na Câmara dos Deputados que acaba com a obrigatoriedade
do imposto sindical. A votação no Senado está prevista
para daqui a 15 dias. Na última quinta-feira, a Comissão
de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) da
Casa realizou uma audiência pública para discutir a legalização
das centrais sindicais e o imposto sindical, com base no PLC 88/07. O
encontro foi marcado por muito bate-boca e confusão.
O deputado Augusto Carvalho (PPS-DF)
foi vaiado e xingado durante seu discurso. Portando cartazes com a frase “Augusto
Carvalho, inimigo dos trabalhadores”, os sindicalistas protestaram
contra o deputado, autor da emenda que acaba com a contribuição
sindical obrigatória.
Sindicatos alegam crise financeira
Os sindicatos vivem a maior crise
financeira de sua história, afirmou o representante do ministério
do Trabalho e Emprego, Luiz Antônio Medeiros, durante audiência
realizada pelo Senado na última quinta-feira.
Medeiros contou que os sindicatos
já estão impedidos pelo Ministério Público
de cobrarem a contribuição assistencial e, para ele, se
não puderem receber também a contribuição
sindical, é melhor fecharem. Em sua opinião, o desconto
da contribuição sindical em folha de pagamento é uma
conquista dos trabalhadores que “não foi proibida nem pela
ditadura”.
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FOLHA DE LONDRINA, 05 de
novembro de 2007 | Política
Existência de bancadas estaduais é mito,
diz pesquisadora
Estudo aponta que na hora de votar leis de
interesse de Estados e municípios, deputados consideram a
orientação do líder partidário
São Paulo - No Brasil é comum
ouvir entre políticos a expressão ''bancada estadual'',
em referência aos blocos parlamentares que representam os Estados
na Câmara dos Deputados. Na prática, porém, tais
bancadas inexistem. Não passam de ficção. Foi
o que constatou a cientista política Marta Arretche, depois
de analisar o comportamento dos deputados na hora da votação
de leis que afetam diretamente a vida de seus Estados e municípios
de origem. ''Não existe esse ator político chamado
'bancada de São Paulo'. Nem de qualquer outro Estado'', diz
a pesquisadora.
A pesquisa - com a qual Marta
conquistou o título de livre-docente do Departamento de Ciência
Política da Universidade de São Paulo (USP) - cobriu 18
anos, de janeiro de 1989 a dezembro de 2006. Nesse período ela
identificou e analisou 415 ocasiões em que foram votadas leis
de interesse de Estados e municípios e concluiu que o mais importante
para os deputados é a orientação do líder
partidário. Para a professora, isso é bom para a democracia.
Agência Estado
- Como a senhora selecionou os projetos para seu estudo?
Marta Arretche - Procurei as
matérias de interesse federativo, que opõem os interesses
da União aos dos Estados; matérias sobre contribuições
sociais que ajudam a resolver o problema fiscal da União mas não
são repartidas, como a Contribuição Provisória
sobre Movimentação Financeira (CPMF); e matérias
que retiram transferências constitucionais da União, afetando
negativamente receitas estaduais e municipais, como a Desvinculação
de Receitas da União (DRU). Analisei tudo que interfere na autonomia
dos municípios para decidir sobre os próprios impostos.
Agência Estado
- E como votaram os deputados?
Marta - Seria de esperar que
atuassem como bancadas estaduais, que defendessem os interesses dos Estados
e vetassem as leis que fossem prejudiciais a eles. Mas não fizeram
isso, aprovando boa parte das leis.
Agência Estado
- Por quê?
Marta - Em primeiro lugar porque
as tais bancadas estaduais não agem de um modo coeso. Estão
sempre divididas. Na verdade, não existe esse ator político
chamado ''bancada de São Paulo''. Nem a de qualquer outro Estado.
Agência Estado
- Qual é o fator que determina o voto do deputado?
Marta - O líder do partido.
A taxa de fidelidade à orientação dele é da
ordem de 90%. Na Câmara não ocorrem debates em termos de
interesse do Estado de origem. Prevalece sempre a visão do partido.
Agência Estado
- Isso seria um indicativo de que os partidos são fortes?
Marta - Sem dúvida - e
isso é importante para o bom funcionamento da democracia. No Brasil,
os debates sobre questões federativas são coordenados pelos
partidos. São debates nacionais e não regionais, o que
significa que os interesses do Estado não são mais importantes
que os interesses nacionais. Isso é bom do ponto de vista da unidade
nacional, da sobrevivência da Federação, da manutenção
do equilíbrio.
Agência Estado
- Por que os deputados não se empenham na defesa da maior autonomia
dos Estados?
Marta - Por não darem
valor a essa questão. A autonomia não está no centro
da agenda política do País. Se interpreto corretamente,
existe uma aceitação grande da idéia de que a União
deve moldar com razoável nível de detalhe o que Estados
e municípios devem fazer.
Agência Estado
- O fato de apoiar uma medida que prejudica o Estado não tem
impacto eleitoral?
Marta - Não vejo isso
acontecer. Observe o caso das votações que permitiram à União
reter automaticamente 20% das transferências constitucionais, no
governo Itamar Franco e, mais duas vezes, com FHC. Ela puniu os Estados,
mas a bancada de sustentação do governo, apesar dos alertas,
votou disciplinadamente e aprovou a medida.
Roldão Arruda
Agência Estado
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Diário Vermelho, 5
de novembro de 2007
Deputado petista desmente projeto
de 3º mandato para Lula
O deputado Fernando Ferro (PT-PE)
rebateu através do site da liderança do PT na Câmara
a versão de setores da imprensa a respeito de uma suposta posição
sua em favor de sucessivas reeleições presidenciais. Ele
disse que é contrário a um terceiro mandato seguido para
o presidente Lula e ocupantes de outros cargos executivos.
A celeuma, segundo o site Informes,
foi provocada por um pedido de Ferro, de desarquivamento de uma proposta
de emenda à Constituição (PEC) de sua autoria (
nº 23/99). Ele explicou que sua proposta " é exatamente
contrária à releição, mas tramita apensada
a uma PEC do deputado Inácio Leitão (PR-PB) que defende
a reeleição ilimitada", afirmou.
Mais provável acabar com a
reeleição
Segundo o presidente da Câmara,
Arlindo Chinaglia (PT-SP) o desarquivamento é efetuado de forma
automática, quando um parlamentar o solicita à Secretaria
Geral da Câmara. No caso, Ferro solicitou o desarquivamento de
propostas sobre a reeleição. Conforme Chinaglia, o deputado
petista pediu que todos os projetos dele fossem desarquivados, não
apenas os que tratavam de reeleição.
Ferro afirmou que não
há espaço para um terceiro mandato para o presidente Lula,
e aproveitou para defender a tese de uma candidatura própria do
PT em 2010, cara desde já a não poucos petistas, embora
não endossada por Lula. "O presidente cumpre sua missão
com tranqüilidade e é bom para a democracia que se encerre
o ciclo Lula com outro nome do PT, para dar continuidade ao projeto político.
Temos um projeto político e não personalista", reforçou.
Chinaglia também declarou
ser contrário à hipótese de um terceiro mandato.
Disse que é "pessoalmente" contra a idéia e afirmou
ainda que a tendência na Câmara é de "acabar" com
a reeleição e não aprovar mais um mandato. "O
mais provável [na Câmara] é se acabar com a reeleição",
disse Chinaglia. "Sou contra o terceiro mandato. Não vejo
possibilidade alguma que isso se evolua", afirmou ele.
"Conspiraçãozinha"
Segundo Ferro, as informações
equivocadas veiculadas pela imprensa são fruto de uma "indignaçãozinha" de
quem está "incomodado com um governo democrático,
progressista e desenvolvimentista". Para ele, " há uma
certa conspiração de parte da imprensa e da oposição,
que querem criar constrangimento com a reeleição como se
isso fosse uma conspiração de nossa parte. Outra reeleição
do presidente Lula não é posição nem do PT,
nem da bancada", destacou.
Ferro esclareceu ainda que Lula
não precisa de um terceiro mandato, porque está fazendo
bem à democracia no País. "O presidente vai sair como
um estadista que levantou o governo nacional e internacionalmente, reduziu
desigualdades e colocou a economia em posição bem melhor,
em todos os aspectos", disse.
O site da liderança
petista não se refere a outro membro da bancada que apareceu
na imprensa como defensor do direito à re-reeleição.
O deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) na verdade prometeu apresentar uma
PEC que dê ao presidente o poder de convocar plebiscitos, inclusive
sobre sua própria reeleição. Na semana que vem,
Devanir vai ao Senado, a convite da senadora Ideli Salvatti (PT-SC),
para explicar seu projeto à bancada do partido.
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Folha
de São Paulo, 5 de novembro de 2007
Governo pode ceder a Serra e Aécio
para prorrogar CPMF
Bancada do PSDB no Senado analisa hoje proposta
do Executivo para manter imposto | Além da faixa de isenção
e dedução no IR, Lula pode liberar mais recursos para rodovias;
Receita quer abrir mão de no máximo R$ 2 bi
VALDO CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo Lula fecha hoje a
proposta a ser apresentada ao PSDB para tentar prorrogar a CPMF até 2011.
O modelo final ainda pode conter, caso os tucanos não gostem
do que será oferecido, medidas para agradar a governadores do
partido e obter o apoio de parte da legenda.
São elas: maior repasse da Cide (contribuição destinada à manutenção
de rodovias) aos Estados e corte de impostos nos investimentos em saneamento.
A primeira é reivindicada pelo governador Aécio Neves (MG). A
segunda, por José Serra (SP). As duas medidas foram discutidas recentemente
pelo presidente Lula com Serra e Aécio. Na conversa, Lula teria garantido
que iria buscar uma forma de atendê-los, mas não havia um prazo.
A Receita Federal passou o fim de semana trabalhando na regra para abater a
CPMF do pagamento anual do Imposto de Renda da Pessoa Física. Pela proposta
da semana passada, o governo elevaria a faixa de isenção da CPMF.
Subiria de uma renda mensal de R$ 1.140 para R$ 1.642. Esse limite, porém,
ainda pode aumentar.
Para quem ganha acima dessa faixa, haveria uma sistemática de desconto
a ser aplicado na declaração anual. Segundo a Folha apurou, a
Receita considera que o mais importante é que a isenção
e o abatimento levem a uma perda de receita da CPMF de no máximo R$
2 bilhões no próximo ano.
Esse valor, porém, é baixo na avaliação do líder
do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (CE). "Creio que um valor de
R$ 2 bilhões é pouco para um governo que vai ter uma receita
renovada de R$ 40 bilhões. Acho que eles precisam melhorar esse corte
de imposto", afirmou.
O senador espera receber o modelo final da proposta, incluindo os valores de
corte de impostos, amanhã, para discuti-la no mesmo dia na Executiva
do partido.
PSDB indefinido
Arthur Virgílio diz que a situação do PSDB ainda é indefinida.
Segundo ele, a intenção continua sendo fechar uma posição
em bloco dos 13 senadores tucanos a favor ou contra a prorrogação
da CPMF até 2011 com a alíquota de 0,38%.
" Para isso, precisamos ter uma sinalização do governo de
que o pacote de corte de impostos é significativo. Sem isso, não
temos como votar com o governo", afirmou.
Segundo ele, as duas outras medidas de corte de impostos -redução
nos prazos de antecipação do pagamento de crédito de PIS/Cofins
e da depreciação de bens de capitais, voltadas para as empresas-
não representam um corte de impostos, mas redução de custo
financeiro. "Essas medidas são importantes, mas não entram
nos nossos cálculos de redução de impostos", disse
o senador.
O tucano reivindica ainda que o presidente Lula venha a público e desautorize
iniciativas de deputados do PT em torno da possibilidade de ele disputar um
terceiro mandato.
O ministro Guido Mantega (Fazenda) vai definir a proposta final a ser ofertada
ao PSDB com o presidente Lula em duas oportunidades: na reunião de coordenação
do governo pela manhã e em audiência às 18h.
Além da isenção da CPMF, o pacote do governo para ter
votos do PSDB inclui a promessa de envio ao Congresso de um projeto de reforma
tributária em 30 dias e votação de proposta que modifica
o pagamento de precatórios.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
05/11/2007
SDI-1 rejeita estabilidade por acidente
de trabalho durante contrato de experiência
Incompatível a garantia
de emprego nas contratações a prazo, principalmente de
experiência. Em embargos de trabalhador, a Seção
Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior
do Trabalho considerou que a estabilidade acidentária pressupõe
a proteção da continuidade do vínculo apenas em
contratos por tempo indeterminado.
O entendimento não foi
unânime, mas por maioria, e levanta uma questão que deve
ser discutida com freqüência daqui em diante. A SDI-1 manteve
o posicionamento da Sexta Turma, que já havia afastado a estabilidade,
ao julgar recurso de revista da MV Distribuidora Ltda.
A empresa contratou vendedor
em agosto de 2003, com o salário de R$ 272,00, por contrato de
experiência de noventa dias, com término previsto para 9
de novembro de 2003. Em 11 de setembro, o vendedor sofreu acidente de
trabalho. A empresa emitiu a comunicação do acidente (CAT)
e o trabalhador ficou afastado do serviço, recebendo o auxílio-doença
da Previdência Social até 24 de março de 2004.
Na CAT consta que o acidente
ocorreu em um cruzamento, quando o funcionário avançou
o sinal vermelho e ocasionou uma colisão com outro veículo.
O empregado retornou ao trabalho e, oito dias depois, foi dispensado.
Ao ajuizar reclamatória trabalhista, pediu a reintegração
ao emprego, por considerar que tinha direito à estabilidade acidentária
provisória no emprego, prevista no artigo 118 da Lei nº 8.213/91,
pelo período de doze meses.
A estabilidade provisória
decorrente de doença do trabalho, concedida ao vendedor pela 3ª Vara
do Trabalho de Vitória (ES) e mantida pelo Tribunal Regional do
Trabalho da 17º Região (ES), foi excluída pela Sexta
Turma do TST. A SDI-1, que manteve o posicionamento da Turma, aprovou
por maioria o voto do ministro Carlos Alberto Reis de Paula, relator
dos embargos.
O relator ressaltou que
o contrato de trabalho por prazo determinado não se transforma
em contrato por prazo indeterminado pelo simples fato de o empregado
sofrer acidente de trabalho quando de sua vigência. Não
se pode falar na estabilidade acidentária a que alude o artigo
118 da Lei nº 8.213/91, salvo se assim estiver acordado entre
as partes, o que não é a hipótese dos autos. (E-RR-512/2004-003-17-00.4)

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