 |
Diário Vermelho, 7
de novembro de 2007
"Há 2 correntes no Senado
sobre projeto das centrais", diz Moacyr
Segundo o presidente da Confederação
Nacional dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade (Contratuh),
Moacyr Roberto Tesch Auersvald, há duas correntes sindicais
atuando no Senado Federal em torno do projeto das centrais sindicais.
A primeira corrente busca manter o acordo feito com o movimento
sindical. "Representa o resgate do PL original negociado com
as centrais", afirmou.
A segunda corrente, segundo
Moacyr, além de defender a manutenção do texto
original, deseja modificar o Parágrafo 1° do Art. 5° e
revogar a redação dada ao Art. 590 da CLT, para retirar
do sindicato a tarefa de indicar as federações e confederações
para as quais devem ser destinados, respectivamente, os percentuais
de 15% e 5% da contribuição sindical. A intenção é que
o sindicato indique apenas a central a que estiver filiado.
Porém, Moacyr não citou quem são os movimentos que pertencem
a cada uma das correntes.
|
O GLOBO, 07 de novembro de
2007 | País
Imposto da discórdia
Dornelles deve votar contra o fim
do imposto sindical obrigatório
Maria Lima
BRASÍLIA - O senador Francisco
Dornelles (PP-RJ), relator da proposta que acaba com o imposto sindical
obrigatório na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE)
do Senado, só apresenta seu parecer semana que vem, o que deve
adiar a votação no plenário. Dornelles disse que
recebeu o projeto somente nesta segunda-feira e que ainda não
teve tempo de fazer uma análise detalhada da matéria, mas
deu mostra de que votará a favor dos sindicatos e contra a proposta
aprovada na Câmara.
- Eu acho que não se pode,
no mês de novembro, tirar uma receita já a partir do mês
de janeiro. Todos os sindicatos já fizeram as previsões
- disse o senador.
A matéria também
tramita em outras duas comissões do Senado: a de Assuntos Sociais
(CAS) e a de Constituição e Justiça (CCJ).
Segundo o senador Paulo Paim
(PT-RS), Dornelles e Lúcia Vânia (PSDB-GO), relatora da
proposta na CCJ, vão fazer relatórios "em defesa dos
trabalhadores". Segundo ele, a tendência é a derrubada
da matéria, assim como a rejeição de uma emenda
do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) que estende o fim do imposto sindical
obrigatório à contribuição patronal.
Procurador: mordomias são caso
de polícia
O representante do Ministério
Público no Tribunal de Contas da União (TCU), procurador
Lucas Furtado, disse nesta segunda-feira que as mordomias de líderes
sindicais custeadas com dinheiro dos trabalhadores, como mostrou reportagem
do 'Globo' domingo, são um caso de polícia. A reportagem
mostra que o imposto, criado na década de 40 para alavancar o
então imberbe movimento sindical brasileiro, o imposto sindical
obrigatório hoje ajuda a manter mordomias de dirigentes sindicais.
Ele disse que esse tipo de abuso
tem de ser investigado pela Polícia Federal, que tem os instrumentos
necessários, como pedir a quebra de sigilo bancário e fiscal.
- Isso é um caso de polícia.
Se esses dirigentes estão comprando carros de luxo, casas e helicópteros,
esses abusos devem ser investigados pela Polícia Federal.
Para que o TCU entre nesse tipo
de investigação, o Congresso tem que nos dar a contrapartida,
o poder de acessar as contas desses sindicalistas por meio da quebra
de sigilo - disse Furtado.
O deputado Augusto Carvalho (PPS-DF)
disse que a reportagem reforça a necessidade de profunda investigação
sobre a aplicação do dinheiro da contribuição
sindical obrigatória. Autor da emenda que torna facultativo o
pagamento do imposto por parte de trabalhadores, Carvalho afirmou que
as regalias podem ser apenas uma "ponta do iceberg" das irregularidades
praticadas com o dinheiro, que é anualmente arrecadado pelo Ministério
do Trabalho e repassado às entidades sindicais.
- Isso que foi mostrado é apenas
um pouco do que se sabe - afirmou Carvalho.
Segundo o parlamentar, o imposto
- cobrado do trabalhador sindicalizado ou não - é usado
como fonte permanente de "esbanjamento de luxo" por parte de
sindicalistas que vivem às custas "do dinheiro retirado dos
trabalhadores".
No dia 19 de outubro, a Câmara
aprovou o projeto de lei que regulamenta as centrais sindicais, acabando
com a contribuição compulsória. A decisão
provocou a reação no movimento sindical, que agora tenta
derrubar a emenda de Carvalho no Senado.
Centrais sindicais se reúnem
para pressionar pelo imposto sindical
As principais centrais
sindicais, como CUT e Força Sindical, participam nesta quarta-feira,
em Brasilia, do lançamento oficial da 4ª Marcha Nacional
da Classe Trabalhadora, que acontecerá no próximo dia
5 de dezembro. Em seguida, haverá audiências com parlamentares
e ministros, para apresentação da pauta, que, entre outras
coisas, prevê a manutenção do imposto sindical.
|
FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 07 de novembro de 2007 | Dinheiro
Senado vai divulgar gastos de parlamentares
com verba indenizatória
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
A Mesa Diretora do Senado decidiu
que vai tornar públicos na internet os gastos dos senadores com
a chamada verba indenizatória ---valor de R$ 15 mil mensais a
que têm direito para combustíveis e despesas nos Estados.
A proposta será apresentada aos líderes partidários
mas, segundo os integrantes da Mesa, não haverá recuo na
decisão de divulgar os gastos parlamentares no site da Casa.
"É um avanço
da Mesa porque foi decidido por todos que o Senado vai divulgar na internet
a verba indenizatória. Os líderes farão suas ponderações
nos mesmos termos. Não há razão para que o assunto
não seja colocado de forma transparente", disse o presidente
interino do Senado, Tião Viana (PT-AC).
Além de divulgar os gastos
da verba indenizatória na internet --como já ocorre atualmente
na Câmara--, os senadores decidiram iniciar as conversas com os
deputados para a extinção da verba. Na opinião de
Viana, os recursos "nunca deveriam ter existido" uma vez que
acabam sendo aplicados de forma não transparente por muitos parlamentares.
"Não podemos, com
o fim da verba, aniquilar o movimento dos parlamentares nos seus Estados.
Por isso, vamos refletir para ver o que pensam os deputados. Vai depender
de como a Câmara está sentindo o assunto. É o primeiro
grande passo para a proteção da imagem do parlamentar.
Quanto mais transparente for a sua atuação, maior credibilidade
terá", afirmou Viana.
O senador Álvaro Dias
(PSDB-PR) também defendeu a extinção definitiva
da verba indenizatória como forma de abertura da "caixa-preta" do
Poder Legislativo. "Já que a verba causa especulação
e desconforto, é preciso discutir alternativas para extingui-la.
Com a prestação de contas, já elimina-se suspeitas
da sua má utilização."
A expectativa da Mesa Diretora é que,
no mês que vem, os detalhes da utilização da verba
indenizatória já estejam disponíveis no site do
Senado. Viana disse acreditar que, na próxima semana, os líderes
partidários referendem a decisão da Mesa sobre a divulgação
dos gastos.
" Não creio que haja resistência já que a verba é utilizada
por todos os senadores e a transparência é necessária",
avaliou Dias.
Divulgação
Na Câmara, os deputados
já disponibilizam no site da Casa detalhes sobre os gastos com
a verba indenizatória. Cada parlamentar detalha como gasta os
R$ 15 mil mensais que recebem na verba --que permite gastos com combustíveis,
compra de material nos Estados e aluguel de imóveis, entre outros.
Nos meses em que os parlamentares
não utilizam todos os recursos, eles são autorizados
a acumularem o dinheiro para aplicação no mês seguinte.
|
FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 07 de novembro de 2007 | Dinheiro
Alimentos pressionam inflação
no ano, aponta IBGE
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
Os alimentos vêm sendo
os principais responsáveis pela inflação de 3,30%
medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo)
de janeiro a outubro desse ano. Nesse período, a alta desses produtos é de
7,76%, a maior verificada desde 2002, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística).
Nesse ano, a elevação
dos preços dos alimentos chegou a 19,47%, pressionada pelo choque
cambial. Ao longo do ano passado, os preços dos alimentos subiram
1,23%, segundo o IPCA.
"Ao contrário do
ano passado, os alimentos vêm contribuindo bastante para a inflação",
afirmou a coordenadora do índice de preços do IBGE, Eulina
Nunes dos Santos.
Em outubro, os alimentos tiveram
alta de 0,52%, acima dos 0,44% de setembro. Segundo a economista, a estiagem
foi a principal influência para a alta, principalmente de produtos
perecíveis, como batatas, cebolas e frutas. Ela lembrou que o
forte calor do mês passado ampliou a procura por esses produtos.
Da inflação de
0,30% medida pelo IPCA em outubro, os alimentos contribuíram com
0,11 ponto percentual, dos quais 0,06 ponto percentual vieram da alta
das frutas.
Outros produtos também
subiram em outubro, como feijão preto (+15,85%), arroz (+ 2,09%)
e batata inglesa (+14,97%).
A gasolina teve os preços
reajustados para cima em outubro (+0,36%), influenciada pelas altas de
12,79% em Goiânia e de 3,45% em Salvador. De acordo com Eulina,
essas elevações foram influenciadas pelos impostos nessas
regiões.
O preço do cimento
também voltou a subir em outubro, com alta de 6,46%. No ano,
acumula alta de 12,90%. Eulina explicou que a elevação é ocasionada
pela expansão do crédito para a construção
e aumento da renda do brasileiro.
|
FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 07 de novembro de 2007 | Dinheiro
Fundos de pensão terão
R$ 1,8 tri em ativos em 13 anos
KAREN CAMACHO
Enviada especial da Folha Online a Belo Horizonte*
Os fundos de pensão completaram,
neste ano, 30 anos de regulamentação no país e somam,
atualmente, cerca de 2,6 milhões de brasileiros e uma poupança
previdenciária acumulada de R$ 416,4 bilhões. Segundo Fernando
Pimentel, presidente da Abrapp (Associação Brasileira das
Entidades Fechadas de Previdência Complementar). O valor equivale
a 17% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro.
Os ativos administrados pelos
fundos, no entanto, devem somar R$ 1,8 trilhão em 2020, o que
deverá representar 50% do PIB, segundo estimativas de Pimentel.
O número de participantes pode chegar a 9 milhões.
A atividade, que começou
em estatais e grandes corporações privadas, já chegou às
empresas médias dos mais variados setores da economia.
Os fundos de estatais ou ligados
a empresas públicas representam cerca de 70% do valor dos ativos,
de R$ 416,4 bilhões, contra 30% das instituições
privadas.
De acordo com Pimentel, os fundos
devem pagar R$ 11 bilhões em pensões e aposentadorias neste
ano. O valor médio mensal, de R$ 2.664, é quase três
vezes a média dos benefícios do INSS (Instituto Nacional
do Seguro Nacional), de R$ 905.
Pimentel afirmou que o modelo
de fundo instituído por associações e sindicatos,
em que a responsabilidade por constituir o fundo está mais nas
mãos de associados e trabalhadores, tem grande chance de expansão.
Até hoje, o pilar mais
tradicional é aquele em que as empresas patrocinadoras contribuem
juntamente com os empregados para o custeio dos planos que elas próprias
criaram.
O presidente da Abrapp
afirmou também que entre 80% e 90% dos fundos associados atualmente
são superavitários ou equilibrados, e que os recordes
de investimentos atingidos nos últimos meses sinalizam que os
fundos devem ter maior relevância nos próximos anos.
|
DIAP, 07 de novembro de 2007
QUALIFICAÇÃO
MTE, Dieese e centrais sindicais
estudam projeto de Faculdade do Trabalho
Criar uma faculdade com foco em desenvolvimento e trabalho, além de
um sistema de formação de quadros políticos foi o principal
tema do encontro entre o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, e o presidente
do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos
(Dieese), João Vicente Silva, nesta terça-feira, 06/11, em Brasília.
O projeto vem sendo desenvolvido por seis centrais sindicais em parceria com
a entidade, e o MTE agora vai estudar a realização de um convênio
entre a Secretaria de Política Pública e Emprego (SPPE) e o Dieese
para colaborar com o programa. O objetivo é criar uma faculdade aberta
ao público, priorizando militantes e dirigentes sindicais, com certificação
em nível superior. Para atuar em todos os estados, a faculdade deve
firmar convênio com as universidades públicas.
“ Considero um projeto muito interessante e que vai ajudar tanto na capacitação
política quanto na profissional. O país precisa de instituições
como esta”, destacou o ministro. Fonte: Assessoria de Imprensa do MTE.
|
DIAP, 07 de novembro de 2007
MINISTÉRIO DO TRABALHO
Novo secretário executivo
do MTE toma posse
A secretaria executiva do Ministério do Trabalho tem novo titular. Tomou
posse ontem, 06/11, o ex-deputado federal André Figueiredo (CE). O ex-secretário
Ronaldo Lessa continua no MTE, mas passa a atuar como assessor especial do
ministro.
A secretaria executiva é a área
responsável por coordenar e executar todas as atividades da pasta.
Em seu discurso, o novo secretário executivo enfatizou que irá se
empenhar na implementação do plano de cargos e carreira
dos servidores, de maneira a valorizar os funcionários do ministério. “Nossa
missão é fazer com que a gestão de Lupi seja reconhecida
como a gestão de quem realmente se dedica ao trabalhador”,
afirmou Figueiredo.
Natural de Fortaleza, André Peixoto
Figueiredo é formado em Economia e Direito, especializado em Comércio
Exterior. Filiado ao PDT desde 1985, começou a trajetória
política como presidente da Juventude Socialista do partido.
Em 1994, assumiu o primeiro
cargo público, como subsecretário estadual de Desenvolvimento
Urbano e Meio Ambiente do Ceará. Onze anos depois, tomou a frente
da Secretaria de Esporte e Juventude, no mesmo estado. Em 2005, assumiu
mandato de deputado federal, sendo eleito vice-líder da bancada
do PDT. Atualmente é presidente Estadual do PDT cearense. Fonte:
Assessoria de Imprensa do MTE.
|
ÚLTIMA INSTÂNCIA,
07 de novembro de 2007
Projeto que garante 30 dias de férias
a estagiários é aprovado no Senado
O Senado aprovou na manhã desta terça-feira (6/11) substitutivo
ao projeto de lei (PLS 473/03) que regulamenta o estágio de estudantes
de instituições de educação superior, educação
profissional, ensino médio, educação especial e de jovens
e adultos. O texto, que segue agora para votação na Câmara,
garante férias de 30 dias nos estágios com duração
igual ou superior a um ano.
Segundo informações
da Agência Senado, a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), relatora
na Comissão de Assuntos Sociais, espera que o projeto seja sancionado
pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva até o dia 7 de
dezembro, quando a “obsoleta” lei de estágio em vigor
completa 30 anos.
O entendimento foi firmado pelos
senadores resultou na rejeição ao projeto de lei da Câmara
(PLC 44/07), de iniciativa da Presidência da República,
que tramitava em conjunto com o PLS 473/03, de autoria do senador Osmar
Dias (PDT-PR).
De acordo com o substitutivo,
que também incorporou emendas de plenário, o estágio
poderá ser ou não obrigatório, mas não cria
vínculo empregatício. A instituição concedente
do estágio deverá oferecer seguro contra acidentes pessoais
ao estagiário, obrigado a apresentar relatórios semestrais
dessa atividade.
Além de órgãos
públicos e empresas privadas, poderão contratar estagiários
profissionais liberais de nível superior registrados no respectivo
conselho profissional.
A jornada de estágio será de
quatro horas diárias e 20 horas semanais no caso de estudantes
de educação especial e de educação de jovens
e adultos. Para os estudantes do ensino superior, da educação
profissional e do ensino médio, foi estipulada carga horária
de seis horas diárias e 30 horas semanais.
A duração máxima
do estágio na mesma empresa será de dois anos (exceto para
estagiário com deficiência).
|
FOLHA DE LONDRINA, 07 de
novembro de 2007 | Economia
Produção cresce há 16
trimestres seguidos
Aumento de 6,4% registrado na produção
industrial é considerado a maior expansão trimestral
apurada pelo IBGE nos últimos três anos
Rio de Janeiro - O aumento de 6,4% registrado na produção industrial
no terceiro trimestre de 2007 ante igual período do ano passado é a
maior expansão trimestral apurada pelo IBGE, na comparação
com igual trimestre de ano anterior, desde o terceiro trimestre de 2004, segundo
a economista Isabella Nunes, da coordenação de indústria
do instituto. Segundo ela, esse foi o 16º aumento consecutivo nesse indicador,
impulsionado pelo aquecimento do mercado interno.
Os maiores crescimentos no terceiro
trimestre, ante igual período de 2006 foram apurados em bens de
capital (20,4%) e bens de consumo duráveis (13,8%). Segundo Isabella,
os bens de capital estão sendo puxados pela ampliação
dos investimentos, enquanto o incremento em duráveis reflete a
''ampliação do mercado de trabalho'' e a manutenção
das condições favoráveis de crédito.
Na comparação com
o trimestre imediatamente anterior, o crescimento de 1,5% - o oitavo
aumento consecutivo nessa base de comparação - também
foi considerado ''forte'' por Isabella, já que ocorreu em cima
de um segundo trimestre muito bom, quando houve expansão de 2,5%
em relação ao primeiro trimestre. Também nesse indicador,
os destaques de crescimento no terceiro tri foram bens de capital (26,6%)
e bens de consumo duráveis (18,5%).
A queda de 0,5% na produção
industrial em setembro ante agosto representa uma ''acomodação''
em patamar de produção elevado e após um período
contínuo de crescimento, segundo Isabella Nunes. ''A acomodação
vem após um crescimento contínuo de seis meses, então é natural
que chegue a uma acomodação'', disse. Ela afirmou que é preciso
esperar novos resultados para avaliar a tendência da indústria,
mas não há nada que revele, em setembro, uma inversão
na trajetória de crescimento.
Isabella sublinhou a influência
do menor número de dias úteis de setembro no resultado.
Segundo ela, o mês de agosto deste ano teve 23 dias úteis,
enquanto setembro teve apenas 19. O coordenador de indústria do
IBGE, Silvio Sales, disse que embora o ajuste sazonal exista para neutralizar
essas diferenças, como essa questão dos dias úteis
veio ''fora do padrão'', é possível que o ajuste
não tenha eliminado essa influência. ''Os resultados sugerem
que tenha ocorrido um efeito calendário importante'', disse Sales.
Segundo ele, o menor número
de dias úteis também influenciou o resultado de setembro
ante igual mês do ano passado (5,6%), inferior ao resultado de
agosto (6,6% ante agosto de 2006) já que setembro de 2007 teve
um dia útil a menos que igual mês de 2006.
Jacqueline Farid
Agência Estado
|
FOLHA DE LONDRINA, 07 de
novembro de 2007 | Política
Dez partidos tentam sepultar '3º mandato'
Em nota, presidentes das maiores sigals se
dizem contrários a uma suposta alteração na
Constituição que possibilitaria mais um mandato a Lula
Roosewelt Pinheiro/Agência
Brasil

Ricardo Berzoini: ‘‘O PT nunca estimulou nem em
nenhum momento propôs qualquer alteração na Constituição
para um terceiro mandato’’
Brasília - Presidentes de dez partidos políticos - PT, PMDB,
PSDB, DEM, PP, PC do B, PSB, PPS, PTC e PSC - divulgaram nota ontem se posicionando
contra um terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT). Na nota de sete linhas, os presidentes tentam enterrar de vez as especulações
de que há manobras para aprovar emenda à Constituição
no Congresso para permitir uma segunda reeleição para o presidente
Lula, os governadores de Estado e prefeitos.
''Essa nota é uma pá de
cal sobre o assunto terceiro mandato'', resumiu o vice-presidente do
PSB, Roberto Amaral. ''Não está na pauta de nenhum partido
político a discussão do terceiro mandato'', disse o presidente
do PMDB, deputado Michel Temer (SP), um dos articuladores do comunicado
contra uma nova reeleição para o presidente Lula. ''O PT
nunca estimulou nem em nenhum momento propôs qualquer alteração
na Constituição para um terceiro mandato'', afirmou o presidente
do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP).
''Não está na agenda
do Brasil nada parecido com o que está acontecendo na América
Latina'', observou o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), em
uma referência às mudanças promovidas pelo presidente
da Venezuela, Hugo Chávez, na Constituição do País
que, entre outras coisas, prevêem a sua perpetuação
no poder com a permissão infinita para reeleição.
A nota dos dez partidos políticos
foi divulgada cinco horas depois de o presidente Lula ter chamado a atenção
dos presidentes da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP),
do PT e do deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) e determinado o fim da polêmica
em torno de um terceiro mandato. Amigo de Lula, o ex-metalúrgico
Devanir Ribeiro anunciou que pretendia apresentar proposta de realização
de plebiscito sobre uma segunda reeleição para o presidente.
A maioria dos presidentes de partidos políticos que assinou a
nota defendeu o fim da reeleição. ''Mas isso é outro
tema e não tem nada ver com o terceiro mandato. Não discutimos
isso'', afirmou Michel Temer.
Ele começou a articular
ontem a nota conjunta contra a possibilidade de uma segunda reeleição
consecutiva para o presidente. Por telefone, ele conversou com os presidentes
dos maiores partidos e propôs o comunicado conjunto. ''Foi uma
unanimidade robusta contra reeleição. Não vejo como
prosperar a tese do terceiro mandato. Aliás, não há como
ter 308 votos para aprovar uma emenda constitucional nesse sentido'',
argumentou Temer. No momento da divulgação da nota, oito
presidentes de partidos políticos haviam assinado o comunicado.
No fim da tarde, a nota contou também com a adesão do PPS
e do PTC.
''Os presidentes de partido abaixo-assinados
tornam público o seu posicionamento contrário a quaisquer
alterações nas normas constitucionais que disciplinam as
eleições para os cargos de presidente da República,
governadores de Estado e prefeitos municipais, visando facultar um terceiro
mandato consecutivo mediante segunda reeleição, uma vez
que essa discussão compromete o clima de tranquilidade e normalidade
política e institucional do País, necessário ao
trabalho construtivo no desenvolvimento econômico e social da nação
brasileira'', diz a nota.
Eugênia Lopes
Agência Estado
|
O ESTADO DO PARANÁ,
07 de novembro de 2007 | Cidades
Senado aprova transferências
financeiras do PAC para estados e municípios
Antonio Arrais/Agência Brasil
Brasília - Oposição
e governo fecharam um acordo nesta terça-feira (6) e aprovaram,
no Senado, a medida provisória que cria a figura da "transferência
obrigatória de recursos financeiros" no âmbito do Programa
de Aceleração do Crescimento (PAC) para estados e municípios.
A MP também define "a forma de operacionalização
do Programa de Subsídio à Habitação de Interesse
Social (PSH).
Como a matéria, que já foi
aprovada pela Câmara dos Deputados, foi alterada pelo Senado, a
retorna para nova votação na Câmara.
A MP foi aprovado por votação
simbólica depois que o relator da matéria, senador Francisco
Dornelles (PP-RJ), informou ter retirado do texto a possibilidade de
liberação de verbas para organizações não-governamentais
(ONGs) sem a exigência de situação regular perante
os órgãos públicos financeiros.
O senador Heráclito Fortes
(DEM-PI) - autor do requerimento que criou a Comissão Parlamentar
de Inquérito das ONGs - protestou contra essa possibilidade.
O líder do governo no
Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), também esclareceu que o
artigo que tratava da liberação de recursos para ONGs não
constava do texto original da MP, da forma como fora encaminhada pelo
governo ao Congresso, e que fora uma emenda apresentada e incorporada
ao texto pela Câmara.
O Senado também
aprovou a MP que reajusta os salários dos integrantes da carreira
da Polícia Federal - delegados, peritos, escrivães, agentes
policiais e papiloscopistas. A mesma MP determina que servidores originários
da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), lotados
no quadro de pessoal do Ministério da Saúde, terão
até 31 de dezembro de 2007 para optar pelo ingresso na carreira
da Previdência, da Saúde e do Trabalho, sem perdas de
rendimentos.
|
Agência Câmara,
7 de novembro de 2007
Educação vota proibição
de fiador para curso superior
A Comissão de Educação e Cultura pode votar nesta quarta-feira
(7) o Projeto de Lei 1361/07, do deputado Fernando de Fabinho (DEM-BA), que
proíbe a exigência de fiador a estudantes de faculdades privadas
para a realização de matrícula e renovação.
Segundo o texto, o estudante que estiver inadimplente com suas mensalidades
não terá direito à renovação de matrícula.
O relator, deputado Professor
Ruy Pauletti (PSDB-RS), recomenda a aprovação da proposta.
Cursos
de saúde
Outro item da pauta é o Projeto de Lei 65/03, do deputado Arlindo Chinaglia
(PT-SP), que proíbe a criação de novos cursos de Medicina
e a ampliação de vagas nos cursos existentes, nos dez anos seguintes à aprovação
da proposta. O objetivo é proteger a população brasileira
de médicos formados em instituições de má qualidade,
que seriam resultado da proliferação dos cursos de medicina.
O relator, deputado Átila
Lira (PSB-PI), apresentou parecer favorável na forma de substitutivo.
Ele condiciona a autorização e o reconhecimento de cursos
de Medicina, Odontologia e Psicologia ao cumprimento de determinados
critérios de qualidade, como infra-estrutura adequada e, no
mínimo, 1/3 dos professores com mestrado ou doutorado. O substitutivo
também condiciona o funcionamento desses cursos à necessidade
social da região, demonstrada por indicadores demográficos,
sociais, econômicos e concernentes à oferta de serviços
de saúde.
|
Agência Câmara,
7 de novembro de 2007
Orçamento aprova emenda individual
de R$ 8 milhões
A Comissão Mista de Orçamento aprovou, no final da noite desta
terça-feira (6), o parecer preliminar do deputado José Pimentel
(PT-CE) à proposta da nova Lei Orçamentária Anual (LOA
de 2008). A votação só foi possível após
um acordo fechado à tarde pelos líderes partidários na
comissão - entre outros pontos, eles acertaram o aumento do valor das
emendas individuais por parlamentar, que passou para R$ 8 milhões.
Na primeira versão do
parecer preliminar, José Pimentel havia estipulado o teto das
emendas individuais em R$ 6 milhões. Desde 2005, o valor das emendas
já subiu 128,6%, o que indica uma pressão do Congresso
para atuar sobre a destinação dos recursos públicos.
Somente em 2008 as emendas parlamentares vão somar R$ 4,752 bilhões.
Cada um dos 594 deputados e senadores pode apresentar até 25 emendas.
Com a aprovação
do relatório preliminar, começa nesta quarta-feira (7)
o prazo para apresentação das emendas à despesa
e ao texto da lei orçamentária, que se encerra no dia 14.
Também começa a contar o prazo para os dez relatores setoriais
apresentarem seus pareceres.
Emendas
coletivas
Com o aumento das emendas individuais, as emendas coletivas (de bancadas e
comissões) foram reduzidas em R$ 594 milhões no próximo
ano. Outros R$ 534 milhões foram destinados ao relator para beneficiar
bancadas e parlamentares que não tiveram emendas à Lei de Diretrizes
Orçamentárias (LDO, Lei 11.514/07) incluídas na peça
orçamentária.
O montante final destinado às
emendas coletivas ficou em R$ 6,31 bilhões. Esse valor será dividido
da seguinte forma: 25% para as bancadas estaduais (R$ 1,58 bilhão),
55% para as relatorias setoriais (R$ 3,47 bilhões) e 20% para
o relator-geral (R$ 1,26 bilhão). Essa forma de distribuição é definida
pela Resolução 1/06, que disciplina os trabalhos da Comissão
de Orçamento.
Destaques
Na votação desta noite, o relator-geral acatou seis destaques
a emendas. Um deles determina a proibição da transferência
de recursos públicos para entidades privadas que tenham como proprietário,
controlador, diretor ou empregado um integrante de qualquer poder (Executivo,
legislativo, Judiciário e Ministério Público) em qualquer
das esferas administrativas (União, estados e municípios), ou
seu cônjuge, companheiro ou parente até o terceiro grau.
A nova redação
amplia os casos de proibição, já que o texto original
do parecer preliminar vedava a transferência apenas para membros
dos poderes, cônjuges e companheiros. A emenda que tornou mais
rigoroso o critério para o repasse foi apresentada pelo deputado
Claudio Cajado (DEM-BA).
Entre os destaques que Pimentel
rejeitou, estão três do PSDB que possibilitavam ao relator-geral
ou aos setoriais ampliar os recursos para os estados exportadores atingidos
pela Lei Kandir. O projeto orçamentário destinou R$ 3,9
bilhões para a lei, mas o PSDB quer colocar, pelo menos, R$ 5,2
bilhões - montante consignado nos últimos anos para essa
ação. Com isso, o debate sobre a ampliação
deve ficar para a discussão do relatório final, em dezembro.
Saúde
O acordo político que permitiu a votação do parecer preliminar
também definiu como serão complementados os recursos destinados à saúde
pública após a aprovação da regulamentação
da Emenda Constitucional 29, ocorrida na semana passada na Câmara (PLP
1/03). O projeto aprovado pelos deputados destinou mais R$ 4 bilhões
para a saúde em 2008, além dos R$ 47,8 bilhões já consignados
no projeto orçamentário.
Pelo acordo, parte da verba virá da
reestimativa de receita para o próximo ano, que deverá ser
feita pelos consultores de orçamento do Congresso. Outra parte
terá como fonte a venda, por licitação, de imóveis
da União que estão sem uso.
Segundo o deputado José Pimentel,
o governo já está fazendo o levantamento dos imóveis
passíveis de venda por licitação. Ele não
quis adiantar qual a estimativa de ganho do Executivo com as licitações
para particulares, nem quanto será aportado para a saúde.
|
Agência Senado, 7 de Novembro de 2007
Bancada do PSDB rejeita proposta
do governo e decide votar contra a CPMF

Em reunião nesta terça-feira (6), a bancada do PSDB no Senado
decidiu votar contra a proposta de emenda à Constituição
(PEC 89/2007) que prorroga a Contribuição Provisória sobre
a Movimentação Financeira (CPMF) até 2011. O partido rejeitou
a contraproposta do governo federal apresentada pelo ministro da Fazenda, Guido
Mantega, de isentar da contribuição quem recebe até R$
4.340 por mês, o que significaria a uma desoneração anual
em torno de R$ 2 bilhões. O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati
(CE), classificou a proposta como insatisfatória, e disse que, nestes
termos, as negociações estão encerradas.
- A bancada avaliou que a proposta não é condizente com o princípio
que colocamos de abaixar a carga tributária no país. Ela está tão
distante do que propusemos que é impossível continuar a negociação
- disse Jereissati.
De acordo com o presidente do PSDB, a proposta do governo não desonera
os tributos pagos pelas pessoas jurídicas e diminui muito pouco o que é pago
pelas pessoas físicas. Ele calculou que, na prática, a desoneração
proposta pelo governo não representaria mais do que R$ 500 milhões,
já que a arrecadação com CPMF em 2008, segundo ele, poderá ser
de R$ 41,5 bilhões - R$ 1,5 bilhão acima do que vem sendo previsto.
A renúncia do governo, seria, assim, quase totalmente compensada. Tasso
afirmou, no entanto, que o partido pode rever sua posição caso
seja apresentada uma proposta melhor.
- Se o governo chegar amanhã e disser que a proposta é de 10
bilhões por ano... Mas com uma proposta vizinha disso aí não
há negociação - afirmou.
O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), também presente à reunião,
disse que a decisão da bancada foi unânime, de forma que seria
desnecessário fechar questão sobre o assunto. Ele afirmou que
os 13 senadores do partido devem votar contra a renovação da
CPMF. Alguns governadores do partido já teriam sido informados sobre
a decisão.
Também estavam presentes na reunião os senadores Sérgio
Guerra (SE), Cícero Lucena (PB), Marisa Serrano (MS), Papaléo
Paes (AP), Mário Couto (PA) e Eduardo Azeredo (MG), além do líder
do partido na Câmara dos Deputados, Antônio Carlos Pannunzio (SP).
Com a decisão tomada nesta terça, o PSDB se junta ao Democratas,
que também definiu posição contrária à aprovação
da PEC 89/07. Juntos, os dois partidos têm 27 votos no Senado. Para aprovar
a PEC, são necessários 49, de um total de 81, em cada um dos
dois turnos de votação.
|
Agência Diap, 7 de
novembro de 2007
RECEITA FISCAL
CPMF: Governo eleva taxa de isenção
para R$ 4.340
Com discurso subjacente, PSDB
pressiona o Governo para isentar empresas e não contribuintes.
Com a elevação do valor de isenção — R$
4.340 — cerca de 90% dos contribuintes deixariam de pagar o “imposto
do cheque”
Fracassou mais uma tentativa de acordo entre o Governo e PSDB pela aprovação
da Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF) até 2011. Em reunião nesta terça-feira,
o ministro da Fazenda, Guido Mantega, propôs aumentar a taxa de isenção
de contribuintes que ganhem até R$ 4.340. Os tucanos saíram do
encontro com discurso de que a proposta ainda é insuficiente.
O líder da bancada, Arthur Virgílio (AM), vai levar os números
aos demais senadores da bancada ainda hoje. Mas já adianta que acredita
que o Governo teria mais para apresentar. O PSDB quer, além do aumento
da isenção, uma maior diminuição da alíquota
da contribuição e mais desonerações.
" Saí da reunião com o sentimento que o Governo ainda tem
um limite de gordura para queimar. Vamos levar a proposta para a bancada, em
uma reunião com técnicos ainda hoje, mas já dissemos que é insuficiente",
disse o líder. "Quero ver o Governo meter a mão no bolso dele
para parar de meter a mão no bolso do contribuinte", continuou.
“ Eles não fazem nada pelas empresas”
De acordo com o governo, subir a taxa de isenção para R$ 4.340
faz com que cerca de 90% dos contribuintes não paguem a contribuição. "Eles
dizem que isenta 90% dos contribuintes, porém, eles [Governo] não
fazem nada pelas empresas", rebate Virgílio.
Ainda de acordo com o Governo, a isenção de quem ganha até R$
4.340 mais as deduções em outros tributos resultariam em uma
renúncia fiscal de cerca de R$ 4 bilhões. Desse valor, R$ 2 bilhões
resultam de perdas apenas com a CPMF, o restante de outros tributos.
O líder do Governo, Romero Jucá (PMDB/RR), classificou a proposta
como importante e disse que não saiu frustrado da reunião, apesar
do discurso do PSDB de que os valores são insuficientes.
"É uma proposta importante. Estamos em um processo de entendimento.
As negociações não estão concluídas",
disse Jucá. O líder argumenta ainda que o Governo propôs
tudo que poderia, mas que eles ainda aguardam uma contraproposta dos tucanos.
" A proposta foi no limite que o Governo tinha para apresentar. Mas ainda
há espaço para mais conversas e haverá uma longa caminhada
para votações no plenário e espero que até lá tudo
esteja resolvido", afirmou.
A proposta da emenda à Constituição (PEC) que prorroga
a CPMF até 2011 está na Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) do Senado, em fase de audiências públicas.
Depois disso, a matéria segue para o plenário, onde precisa ter
pelo menos 49 votos, em dois turnos, para ser aprovada. (Com
redação Terra)
|
Agência Diap, 7 de
novembro de 2007
ECONOMIA
Para o Dieese, salário mínimo
deveria ser de R$ 1.797
A evolução do preço
da cesta básica no País continua pressionando o custo de
vida do brasileiro. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo
atual deveria ser 4,73 vezes maior do que é atualmente.
Ou seja, cada brasileiro deveria ganhar R$ 1.797,56 por mês para ter
condições de desembolsar com outros gastos básicos como
moradia, saúde, educação, transporte, lazer, previdência
e vestuário, para si e para a família, conforme estabelece dispositivo
constitucional.
De acordo com Dieese, tal cálculo leva em conta o preço mais
alto da cesta básica no Brasil, de R$ 213,97, apurada em Porto Alegre
no mês de outubro, quando a alta foi de 3,48%.
Menos com mais trabalho
Além de ganhar menos do que seria necessário na avaliação
do departamento, os trabalhadores precisaram se dedicar mais tempo ao trabalho
para adquirir a cesta básica.
Conforme cálculo do Dieese, o brasileiro que recebe o salário
mínimo de R$ 380 teve que cumprir 99 horas e 19 minutos de serviço
para comprar os produtos básicos no mês passado. O número
de horas é superior à média de setembro (98 horas e 22
minutos), e à de outubro de 2006, quando a jornada de 96 horas e 15
minutos era suficiente para arcar com o valor médio da cesta básica
no país.
Quando se considera a relação entre o custo da cesta e o salário
mínimo líquido - com a dedução do valor destinado à Previdência
- verifica-se que o percentual do rendimento líquido comprometido em
outubro com os produtos essenciais ficou em 48,89%, acima dos 48,41% necessários
em setembro e dos 47,37% de outubro no ano passado.
Tanto para horas trabalhadas como para o comprometimento mensal da renda, o
departamento usou como base a média nas 16 capitais pesquisadas. (Fonte:
portal Vermelho)
|
Agência Diap, 7 de
novembro de 2007
Qualificação e remuneração
Por: José Pastore*
Com o aquecimento da economia
global, nota-se um aumento de salários de pessoal qualificado
em quase todas as regiões do mundo.
Entre 2006 e 2007, os salários
do pessoal qualificado subiram 8% na China e 6% na Índia, descontada
a inflação ("Salary growth", The Economist, 31/3/07).
Os salários nos países
mais avançados também subiram, mas de forma moderada. Esse é o
caso do Japão (2%), Inglaterra (1,8%), França e Itália
(1,7%) e Alemanha (1,5%).
Teria chegado então a
esperada convergência salarial entre os países emergentes
e os avançados? Os bens e serviços dos primeiros ficarão
mais caros? É o fim do "dumping social"?
As vantagens comparativas dos
emergentes não decorrem apenas de salários e sim de tributação,
juros e subsídios favoráveis. Antes de se concluir pela
chegada da convergência convém lembrar que a base sobre
a qual os aumentos incidem é muito baixa. O salário médio
na indústria da China é cerca de US$ 0,64 por hora, em
média.
Para o pessoal qualificado é de
aproximadamente US$ 1,50. Na Índia dá-se o mesmo. Um contador
que processa milhares de declarações de imposto de renda
de americanos por meio da Internet, ganha cerca de US$ 400 mensais.
Esses salários estão
muito longe dos praticados nos países ricos. No Japão,
o salário médio na indústria é de cerca de
US$ 18,00 por hora; nos Estados Unidos, US$ 21,00 e na Alemanha, US$
30,00. No caso de profissionais especializados, esses salários
são ainda mais altos. Nos Estados Unidos, o contador da Índia
ganharia cerca de US$ 3.000 mensais. São diferenças enormes
que, mesmo com os aumentos registrados, levarão muito tempo para
convergirem.
No Leste Europeu, em especial,
na Polônia, Hungria, Bulgária e Romênia os salários
de 2007 também subiram. No setor da construção da
Bulgária, por exemplo, a elevação foi de 20% ("Eastern
Europe hit by shortage of workers", Financial Times, 5/6/2007).
Mas, lá também, a base é muito baixa. O salário
médio na indústria da Polônia, Estônia e Eslováquia é de
aproximadamente US$ 3,80 por hora. Na Lituânia é de US$
3,00.
Em outras palavras, serão
necessários muitos anos para se chegar à esperada convergência
salarial. A China acaba de fazer uma pseudo-reforma trabalhista que pode,
eventualmente, elevar o custo do trabalho. Digamos que ele dobre, passando
de US$ 0,64 para US$ 1,30. Isso continua muito longe da situação
do Japão, América do Norte e União Européia.
O Brasil também apresentou
um expressivo crescimento dos salários no primeiro semestre de
2007. Neste caso, o aumento decorreu de uma combinação
perversa da falta de mão-de-obra qualificada com a valorização
do real.
O rendimento médio mensal
em fevereiro de 2007 foi de R$ 1.096 – cerca de 6,6% superior ao
verificado no mesmo período de 2006 (IBGE, "Pesquisa Mensal
de Emprego", março de 2007). Transformado em dólar,
o salário médio foi de US$ 523. Levando-se em conta o comportamento
da taxa de cambio, o aumento em dólares entre 2006 e 2007 foi
de 10,7%. No caso do pessoal especializado, a média salarial na
indústria é de R$ 2.020 mensais, ou seja, US$ 1.000 o que
dá cerca de US$ 4,83 por hora.
Isso mostra que o custo do trabalho
do Brasil está bem abaixo dos países desenvolvidos e bem
acima dos países emergentes. É exatamente com eles que
se dá a competição feroz nos setores de calçados,
tecidos, confecções e mobiliário, onde o Brasil
perde espaço no comércio internacional.
O salário médio
de US$ 0,64 por hora da China está muito longe dos US$ 4,83 praticados
no Brasil. Há casos ainda mais graves. O Vietnã tem um
salário médio industrial de US$ 0,28 por hora! Com isso,
aquele país está atraindo investidores e entrando no comercio
internacional de forma acelerada, em especial, em confecções,
sapatos e tênis.
Não há porque propor uma redução do salário
nominal no Brasil. Para o nosso custo de vida, a média dos salários é baixa.
Assim sendo, convém pensar em preservar o salário (e até aumentá-lo)
e reduzir as despesas de contratação que chegam a 103%.
Um Simples Trabalhista poderia
ajudar muito nesse campo, em especial as empresas de pequeno porte que
mais sofrem nos setores de confecções, calçados
e mobiliário. Seria melhor do que o sistema de subsídios
recém adotado pelo governo federal.
*Sociólogo, especialista
em relações do trabalho e desenvolvimento institucional,
professor (aposentado) da Faculdade de Economia e Administração
e pesquisador da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas,
ambas da Universidade de São Paulo. É membro efetivo
da Academia Paulista de Letras.
|
Folha de São Paulo,
7 de novembro de 2007
Itaú bate Bradesco e lucra R$
6,4 bi
Banco atribui resultado recorde à expansão
do crédito para pessoa física e à queda na inadimplência
| Instituição teve perdas de R$ 64 mi em operações
de tesouraria decorrentes da instabilidade no mercado no terceiro
trimestre de 2007
TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL
O banco Itaú acumulou
lucro líquido de R$ 6,444 bilhões de janeiro a setembro
deste ano, resultado superior aos R$ 5,817 bilhões apurados
pelos Bradesco no mesmo período, até então o maior
do sistema financeiro.
Segundo Silvio Carvalho, diretor-executivo de Controladoria do Itaú,
o resultado se deve ao crescimento das operações de crédito,
especialmente para pessoa física, aliado a uma diminuição
da inadimplência, que caiu de 5,1% para 4,7%.
O lucro acumulado pelo Itaú no ano é 112% maior do que o registrado
no mesmo período de 2006. O resultado no ano inclui ganhos extraordinários
de R$ 1,020 bilhão com a venda da participação na Redecard,
de R$ 490 milhões com a Serasa e de R$ 75 bilhões obtidos no
leilão da antiga sede do BankBoston. Sem esses ganhos, o crescimento
seria de 60,4%.
O banco terá um ganho de mais R$ 239 milhões com a oferta de
ações da Bovespa no quarto trimestre. No terceiro trimestre,
o banco teve lucro de R$ 2,427 bilhões, resultado 14,8% maior do que
os R$ 2,114 bilhões do segundo trimestre.
Em apenas nove meses, o lucro do Itaú já superou, inclusive,
todos os resultados anuais já alcançados pelos bancos no país,
segundo levantamento da consultoria Economática. Até então,
o maior resultado (ajustado pelo IPCA) havia sido de R$ 6,224 bilhões,
obtidos pelo Banco do Brasil, em 2006.
O banco Itaú teve perdas de R$ 64 milhões no terceiro trimestre
em operações de Tesouraria decorrentes da crise nos mercados.
No mesmo período do ano passado, o banco teve ganhos de R$ 149 milhões.
As perdas foram compensadas pelo ganho de R$ 253 milhões com o câmbio
no período.
Para Silvio Carvalho, o impacto das perdas no atacado é "irrelevante" no
resultado do banco. No acumulado dos primeiros nove meses de 2007, as operações
de tesouraria somaram ganhos de R$ 875 milhões, contra R$ 627 milhões
no mesmo período de 2006.
" Tesouraria é volátil mesmo. Ganhamos bastante no primeiro
semestre e agora perdemos um pouquinho. A crise surpreende e se mostra mais forte
do que se esperava, com impactos no mercado difícil de medir, que aparecerão
ainda no quarto trimestre", disse Carvalho.
A carteira de crédito cresceu 26,9% e atingiu R$ 114 bilhões
de setembro do ano passado a setembro deste ano, acima da média de 20%
do restante do mercado. Sozinha, a carteira do segmento de pessoa física
cresceu 31,3% no período, se forem excluídas as operações
direcionadas e fora do país.
No período, o destaque ficou para o crescimento de 41,9% no financiamento
e leasing de veículos. As operações de crédito
do Itaú permitiram um resultado bruto de intermediação
financeira de R$ 11,346 bilhões de janeiro a setembro -um crescimento
de 23,3% em relação a 2006.
Apenas a receita com a prestação de serviços, que inclui
tarifas bancárias, bateu em R$ 7,051 bilhões, mais do que suficiente
para cobrir os gastos de R$ 3,966 bilhões com a folha de pagamento no
período.
O banco, no entanto, ressalta que a receita com serviços cresceu 12,9%
-abaixo do ritmo de expansão de sua receita com crédito. "Em
setembro, reduzimos em até 12% o valor das tarifas. A redução
foi bem recebida nas pesquisas de mercado."
O executivo preferiu não comentar o acirramento da concorrência
no setor, após a compra do banco Real pelo Santander.
"Estamos tocando nossa vida, focados no negócio e na situação ímpar
do [crédito no] Brasil", disse Carvalho.
|
FOLHA DE LONDRINA, 07 de
novembro de 2007 | Mundo
Movimento pede a redução
das horas trabalhadas
O lançamento da IV Marcha da Classe Trabalhadora acontece hoje, às
10 horas no auditório Petrônio Portela, do Senado Federal, em
Brasília. Centenas de lideranças de todo o país estarão
presentes no evento convocado pela CUT (Central Única dos Trabalhadores),
FS (Força Sindical), UGT (União Geral dos Trabalhadores), CGTB
(Central Geral dos Trabalhadores do Brasil) e NCST (Nova Central Sindical de
Trabalhadores).
A Marcha está marcada
para o próximo dia 5 de dezembro. Um dos principais temas deste
ano é a redução da jornada de trabalho sem redução
de salário. Os sindicalista reivindicam a provação
da emenda constitucional dos senadores Inácio Arruda (PCdoB-CE)
e Paulo Paim (PT-RS) que reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais.
Um estudo divulgado em julho
de 2007 pela OIT (Organização Internacional do Trabalho)
revela que pelo menos 660 milhões de trabalhadores têm carga
excessiva que ultrapassa as 48 semanais. Foram analisadas as condições
de trabalho em 50 países.
O estudo diz que na economia
informal, que gera pelo menos a metade de todos os empregos em todas
as regiões do mundo em desenvolvimento, dos quais a metade são
empregos por conta própria, cerca de 30% dos homens que trabalham
mais de 49 horas semanais. Enquanto isso, as mulheres recorrem ao trabalho
por conta própria com jornadas mais curtas como uma forma de reconciliar
a vida no trabalho e familiar.
Agência Graffo
|
Agência Senado, 7 de Novembro de 2007
Comissão examina projeto
que proíbe que trabalhador pague por cheque sem fundo
de usuário

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) reúne-se nesta quarta-feira
(7) para discutir e votar, entre outros, projeto do senador César Borges
(PR-BA) que proíbe descontos, nos salários dos trabalhadores
- como caixas de supermercados, garçons e frentistas - de pagamentos
feitos por usuários por meio de cheques sem provisão de fundos
ou de cartões de crédito clonados (PLS 194/07).
Ao justificar sua proposta, César Borges afirma que o art. 462 da Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT) já veda a realização de descontos,
não autorizados por lei ou instrumento coletivo, sobre o salário
devido aos trabalhadores. No entanto, empregadores inescrupulosos, segundo
o parlamentar, valem-se de subterfúgios diversos para burlar a lei.
Também é proibido o desconto dos valores dos roubos e furtos
registrados em boletim de ocorrência policial. Ainda de acordo com a
proposta, os acordos e convenções coletivas estabelecerão
regras acautelatórias para o recebimento de cheques bancários,
cartões de crédito ou de débito e guarda dos valores resultantes
dos serviços prestados no estabelecimento.
O senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN)já leu seu relatório
na reunião da CAS do último dia 31. No texto, Garibaldi afirmou
que a proposta deve ser aprovada pois atualiza a legislação referente
ao assunto.
Entre os dez itens da pauta, consta ainda projeto de lei do senador Paulo Paim
(PT-RS) que proíbe o uso de métodos de recrutamento de pessoal
que possam causar danos à honra e à dignidade do trabalhador
(PLS 262/03). A relatora da matéria é a senadora Kátia
Abreu (DEM-TO).
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
07/11/2007
Depoimento de contador muda rumo de ação
envolvendo milhares de dólares
Um processo trabalhista envolvendo
interesses em torno de milhares de dólares, decorrente da demissão
do presidente de uma imobiliária de origem inglesa, teve seu rumo
radicalmente mudado a partir de depoimento do ex-contador da empresa.
A matéria foi recentemente julgada no Tribunal Superior do Trabalho,
onde a Quinta Turma examinou recurso de ambas as partes, pondo fim a
uma disputa judicial de mais de dez anos.
O caso começou quando
a empresa demitiu seu presidente no Brasil. Cidadão inglês,
ele foi contratado em 1973 em Londres pelo grupo econômico Rei
Limited, constituído na Inglaterra. Exercendo função
equivalente à de consultor de imóveis comerciais, ele foi
transferido no ano seguinte para Amsterdã, na Holanda, e em 1980,
para São Paulo, onde foi registrado como diretor presidente da
Richard Ellis Ltda, sociedade brasileira integrante do grupo inglês.
Além do salário em torno de 15 mil dólares mensais
(incluindo benefícios e vantagens), seu contrato lhe assegurava
um bônus de 25% sobre o lucro bruto anual da empresa.
Em 1994, a empresa o demitiu
por justa causa. Para consumar o ato, apontou uma série de infrações à CLT
que teriam sido cometidas por ele, que configurariam atos de improbidade,
incontinência de conduta e mau procedimento. Entre esses atos,
a empresa o acusou de assediar alguns de seus funcionários para
trabalhar com ele em outro empreendimento que estaria montando, para
concorrer no mesmo ramo de atividade.
Dois anos depois, ele entrou
com ação trabalhista, em que contestou as razões
de sua demissão, atribuindo-a a uma suposta manobra da empresa
para afastá-lo e deixar de pagar o bônus a que teria direito.
Defendeu a unicidade de seu contrato para efeito de rescisão,
com base no fato de que, desde sua admissão em Londres, não
havia sido desligado, mas apenas transferido para outras empresas do
mesmo grupo econômico. Por esse motivo, arrolou como rés
a empresa no Brasil e a sua matriz, na Inglaterra. Entre outros itens,
requereu: a reintegração no emprego, com o pagamento de
salários e demais reflexos retroativos à data de sua demissão,
até a conclusão do processo trabalhista; o pagamento do
bônus sobre os lucros de 1994; reflexos de todas as verbas de vantagens
e benefícios sobre aviso prévio, indenização,
férias e outros direitos trabalhistas; indenização
por dano moral e pagamento de honorários advocatícios de
20%.
A partir daí, as duas
partes travaram uma intensa batalha judicial para sustentar suas teses
sobre a questão, incluindo a realização de laudos
técnicos, apresentação de testemunhas e provas documentais.
Somente na primeira peça que apresentou, a defesa da imobiliária
continha 60 páginas de texto, especialmente dedicados a reforçar
as acusações que sustentaram a demissão.
No ano de 2000, saiu a sentença
da 58ª Vara do Trabalho de São Paulo que, em resumo, validou
a demissão por justa causa e rejeitou todos os pedidos do trabalhador.
Em 2001, surgiu um fato novo,
que viria a ser decisivo para a mudança de rumos do processo:
o contador da empresa, em depoimento registrado em cartório, relatou
fatos e apresentou dados reforçando os indícios de fraudes
e manobras para forjar provas contra seu ex-presidente. A trama narrada
pelo contador envolvia advogados, empresas de consultoria e, principalmente,
as pessoas que o sucederam na direção da empresa, cuja
remuneração mais que quadruplicou naquela ocasião.
Afirmou ainda ter sido forçado a assinar declarações
falsas, sob ameaça de também ser demitido. E denunciou
que, quando solicitado para comparecer à audiência no Tribunal
Regional do Trabalho, os diretores afirmaram à juíza que
ele seria testemunha da empresa (e não do empregado, como era
o previsto), e acrescentaram que ele estava ausente.
Com base nesse depoimento, o
empregado entrou com ação criminal contra a empresa, na
Justiça Comum. Só que, ao tentar usar esses documentos
para reforçar a ação trabalhista, ele sofreu nova
derrota: o juiz rejeitou a juntada dos documentos e negou provimento
aos embargos. Inconformado, ajuizou recurso no Tribunal Regional do Trabalho
da 2ª Região (São Paulo), alegando que houve cerceamento
de defesa na decisão anterior, que, por este motivo, deveria ser
anulada.
A juíza acolheu a tese
do cerceamento de defesa e deu provimento parcial ao recurso, após
considerar que a prova em que se baseou a sentença de primeiro
grau perdera totalmente a credibilidade. Em resumo, invalidou a demissão
por justa causa e determinou o pagamento das verbas rescisórias,
do bônus de 25% sobre o lucro da empresa proporcionalmente aos
meses trabalhados em 1994 e da indenização por danos morais
com base em dez vezes a maior remuneração mensal, determinando
que o valor apurado em moeda estrangeira fosse convertido em moeda nacional
na data do vencimento da obrigação.
Novos desdobramentos viriam,
a partir daí, marcar o andamento do processo, culminando com recurso
de ambas as partes ao TST. A empresa recorreu na tentativa de isentar-se
do pagamento a que fora condenada, defendendo a reforma da decisão.
Entre outros argumentos, alegou que o julgamento se deu com base em documentos
ilícitos e inverídicos, que não deveriam ser considerados
por não serem “documentos novos”. O trabalhador, por
sua vez, buscou ampliar o valor da indenização por danos
morais e defendeu a integração do bônus de 25% ao
salário, além de requerer o pagamento de diferenças
relativas ao depósito de FGTS.
O relator da matéria,
ministro Brito Pereira, manifestou-se pela rejeição de
ambos os recursos. Em relação à tese da empresa,
ressaltou que a lei define como “documento novo” aquele obtido
pelo autor após a prolação da sentença, cuja
existência era ignorada ou de que não se pôde fazer
uso, e capaz, por si só, de assegurar pronunciamento favorável”.
No caso, o reclamante efetivamente desconhecia os documentos até o
momento em que lhes foram entregues, enquadrando-se, portanto, nessa
definição legal, concluiu o ministro.
Brito Pereira também refutou
a tese de ilicitude dos documentos, na medida em que, conforme afirmou
o TRT, o reclamante os recebeu diretamente do contador da empresa que,
por sua vez, os obteve em razão da função que ocupava,
sem violação de sigilo de correspondência, de domicílio,
de comunicação telegráfica ou telefônica.
Quanto à indenização
por danos morais, o relator considerou não ser possível
sua majoração, como queria o trabalhador, tampouco sua
revogação, como pretendia a empresa. Nesse aspecto, ele
considerou que as alegações da empresa, ficaram severamente
abaladas em razão do inquérito policial instaurado pelo
trabalhador, que denunciou a utilização de documentos falsos,
com alteração em dados contábeis, para instruir
a defesa na ação trabalhista, com o objetivo de motivar
a dispensa por justa causa.
O ministro ressalta que
a indenização por danos morais decorreu da imputação,
sem provas, de atos de improbidade, incontinência de conduta,
mau procedimento e concorrência desleal, o que extrapolou os
limites do contrato de trabalho para o mercado em que atuava o empregado,
depreciando sua imagem, agravado pela constatação de
que a justa causa foi forjada e manipulada. (RR 173.365/2006-900-02-00.8)
|
07/11/2007
Prescrição de trinta anos
não cabe em pedido acessório de FGTS
O Tribunal Superior do Trabalho
enquadra o recolhimento de FGTS na prescrição trintenária,
na qual o trabalhador tem o prazo de trinta anos para ajuizar a ação.
A Sexta Turma do TST, porém, ficou impossibilitada de conceder
o benefício a professora fluminense porque o FGTS foi julgado
somente como pedido acessório, e não principal, pelo Tribunal
Regional do Trabalho da 1ª Região (RJ). Com isso, a Turma
manteve a decisão do TRT da 1ª Região (RJ), que absolveu
a Fundação Brasileira de Educação (Fubrae) – Centro
Educacional de Niterói da condenação ao recolhimento
de FGTS, de março de 1994 a junho de 1997, período em que
não anotou a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS)
da professora.
Ao recorrer ao TST, a professora
argumentou que o pedido era principal e não acessório,
como entendeu o TRT, sendo aplicável a prescrição
trintenária. No entanto, a Sexta Turma não pôde reverter
a situação porque, por ter sido caracterizada pelo TRT
como acessório, a revisão do pedido implicaria reexame
de fatos e provas, impossível na atual fase recursal.
A professora foi contratada para
trabalhar no Projeto Crescer, no monitoramento dos Cursos de Técnico
em Secretariado e Técnico em Transações Imobiliárias,
no Município do Rio de Janeiro. Segundo informou na petição
inicial, era funcionária da Fubrae desde março de 1994,
mas só teve sua carteira de trabalho assinada em julho de 1997.
Ao ser afastada em fevereiro
de 2001, a professora decidiu pleitear a declaração de
vínculo de emprego entre março de 1994 e junho de 1997,
retificação da CTPS, depósitos de FGTS e outros
direitos respectivos ao mesmo período não recebidos, horas
extras e triênios. Pediu, também, verbas rescisórias
não pagas, pois alegava ter sido demitida e não ter recebido
direitos decorrentes da rescisão contratual.
Após ouvir depoimentos
das partes do processo e de testemunhas e verificar a carteira de trabalho
original da trabalhadora, o juiz da 2ª Vara do Trabalho de Niterói
concluiu que professora e fundação “faltaram com
a verdade”. A Fubrae, por negar os serviços prestados por
três anos. A professora, por omitir que não foi dispensada,
mas sim pediu demissão, sem qualquer tipo de pressão, inclusive
por seu interesse, pois já tinha obtido outro emprego a partir
de fevereiro de 2001.
Na sentença, o juiz aplicou
multa a ambos, pela litigância de má-fé. No entanto,
determinou à Fubrae a anotação na carteira de trabalho
e o pagamento das diferenças de FGTS, por considerar aplicável
a prescrição trintenária (trinta anos) nos dois
temas. Em contrapartida, dispensou a fundação de pagar
qualquer valor pela rescisão contratual.
Ambos recorreram ao TRT/RJ, que
absolveu a Fundação da condenação ao recolhimento
do FGTS. O TRT entendeu que a prescrição qüinqüenal
(de cinco anos) era aplicável em relação a todas
as verbas anteriores a junho de 1996, inclusive ao FGTS, diante de seu
caráter acessório.
A trabalhadora buscou o TST para
reverter a situação, mas não obteve sucesso. A ministra
Rosa Maria Weber, relatora, não pôde conhecer da revista
devido às Súmulas nºs 126 e 297 do TST. (RR-2389/2001-242-01-00.0)

|